Archive for maio \26\UTC 2010

POLITICA, FUTEBOL, MUSAS E PROPAGANDA ELEITORAL ANTECIPADA; OBAMA, GRANDES CORPORACOES E IMIGRACAO.

maio 26, 2010

CONTEUDO DESTE BLOG – ALL CONTENTS

0. PURA MISTURA

https://val51mabar.wordpress.com/2016/11/26/trumpando-o-eleitor/

https://val51mabar.wordpress.com/2016/09/17/ridiculosamente-falando/

https://val51mabar.wordpress.com/2016/06/08/conspiracoes-alienigenas-tesouros-desaparecidos-e-dominacao/

https://val51mabar.wordpress.com/2015/12/23/aliens-conspiracies-disappeared-treasures-and-dominance/

1. GENEALOGIA

https://val51mabar.wordpress.com/2017/03/11/a-historia-e-a-familia-barbalho-coelho-andrade-na-historia/

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https://val51mabar.wordpress.com/2016/03/25/os-rodrigues-coelho-e-andrade-do-carlos-drummond-em-minas-gerais/

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https://val51mabar.wordpress.com/2013/12/06/genealogias-de-familias-tradicionais-de-virginopolis/

https://val51mabar.wordpress.com/2013/05/30/barbalho-coelho-pimenta-no-site-www-ancestry-com/

https://val51mabar.wordpress.com/2012/09/11/barbalho-pimenta-e-talvez-coelho-descendentes-do-rei-d-dinis/

https://val51mabar.wordpress.com/2011/02/24/historico-do-povoamento-mineiro-genealogia-coelho-cidade-por-cidade/

https://val51mabar.wordpress.com/2012/07/02/familia-barbalho-coelho-no-livro-a-america-suicida/

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https://val51mabar.wordpress.com/2010/05/03/arvore-genealogica-da-familia-coelho-no-sitio-www-geneaminas-com-br/

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2. RELIGIAO

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https://val51mabar.wordpress.com/2011/01/28/o-livro-do-conhecimento-de-deus/

https://val51mabar.wordpress.com/2010/01/22/carta-de-libertacao/

3. OPINIAO

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https://val51mabar.wordpress.com/2010/06/26/faixa-de-gaza-o-travessao-nos-olhos-da-humanidade/

https://val51mabar.wordpress.com/2013/05/12/neste-mundo-so-nao-eh-gay-quem-nao-quizer/

4. MANIFESTO FEMINISTA

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5. POLITICA BRASILEIRA

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https://val51mabar.wordpress.com/2010/10/19/resposta-de-um-neobobo-ao-excelentissimo-sr-ex-presidente-fernando-henrique-cardoso/

https://val51mabar.wordpress.com/2011/08/01/miilor-melou-ou-melhor-fernandes/

https://val51mabar.wordpress.com/2010/08/05/carta-ao-candidato-do-psol-plinio-de-arruda-sampaio/

https://val51mabar.wordpress.com/2010/05/26/politica-futebol-musas-e-propaganda-eleitoral-antecipada-obama-grandes-corporacoes-e-imigracao/

6. MISTO

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https://val51mabar.wordpress.com/2013/11/06/trilogia-de-variedades/

https://val51mabar.wordpress.com/2012/12/30/2012-in-review/

https://val51mabar.wordpress.com/2012/07/02/familia-barbalho-coelho-no-livro-a-america-suicida/

https://val51mabar.wordpress.com/2015/01/25/03-o-menino-que-gritava-lobo/

https://val51mabar.wordpress.com/2015/01/25/minhas-postagens-no-facebook-i/

https://val51mabar.wordpress.com/2015/01/25/minhas-postagens-no-facebook-ii/

https://val51mabar.wordpress.com/2015/01/25/minhas-postagens-no-facebook-iii/

https://val51mabar.wordpress.com/2015/01/25/meus-escritos-no-facebook-iv/

https://val51mabar.wordpress.com/2015/02/14/uma-volta-ao-mundo-em-4-ou-3-atos-politica-internacional-do-momento/

7. IN INGLISH

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https://val51mabar.wordpress.com/2010/08/21/13-stars-woman/

https://val51mabar.wordpress.com/2011/10/05/the-suicidal-americaa-america-suicida/

https://val51mabar.wordpress.com/2010/08/25/100-reasons-to-amnesty-the-undocumented-workers-in-united-states/

https://val51mabar.wordpress.com/2009/09/25/about-the-third-and-last-testament/

https://val51mabar.wordpress.com/2009/09/12/the-third-and-last-testament/

8. IMIGRACAO

https://val51mabar.wordpress.com/2010/06/17/imigracao-sem-lenco-e-sem-documento-o-barril-transbordante-de-injusticas/

 

INDICE

01. PT SAUDACOES

02. ORGULHO, PRECONCEITO E ILUSOES

03. MEXI COM O KAKO

04. O BRASIL ATUAL EM UMA LICAO UNICA

05. UM ESCULACHO

06. TIRADAS DO BARAO DE ACAUA (OU GUARDADAS NO BOLSO)

07. ORACAO NECESSARIA PARA OS DIAS ATUAIS

08. APENAS PARA CLARIFICAR

09. UMA REFLEXÃO A RESPEITO DA CONTAMINACAO DAS MENTES JOVENS.

10. VOCES SE LEMBRAM QUE O PLANO ERA TIRAR A DILMA E A SEGUIR TIRANDO OUTROS?!!! POIS EH, AGORA O PLANO EH ADERIR AOS TAIS OUTROS!!!

11. A EVOLUCAO (OU DEGENERACAO) DA VERDADE!

12. “BANDIDO BOM EH BANDIDO MORTO”

13. POLITICA, FUTEBOL, MUSAS E PROPAGANDA ELEITORAL ANTECIPADA; OBAMA GRANDES CORPORACOES E IMIGRACAO.

 

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01. PT SAUDACOES

No capitulo 03 da minha pagina no wordpress eu havia prometido uma justificativa para as “roubalheiras do PT”. Como observei, parafraseando ao Jo Soares: “sem querer defender e ja defendendo”.

Estou postando minhas crônicas na pagina em ordem invertida. Para facilitar a leitura das mais recentes, fui postando da numeração superior para a inferior. Assim, a mais recente sempre sera a que estiver primeiro. Mas como os capítulos não são sequencia exata uns dos outros não faz diferença ler dos mais novos para os mais antigos.

Isso eh fato. Consideram-me suspeito porque eu fiz parte do Partido dos Trabalhadores e ajudei no que me foi possível a faze-lo crescer. Algo que ate tenho orgulho de ter feito. Afinal, participei, não fiquei parado quando havia a necessidade de “Endurecer, pero sin perder la ternura jamas”.

Também insisto que quando o Partido dos Trabalhadores foi criado os ideais pregados por ele não eram novidades. Eu ja os tinha por bandeira. Portanto não foi o partido que ensinou-me a ser como sou. Muito pelo contrario, fui para o lado dele justamente porque os nossos ideais eram os mesmos.

Com o passar do tempo não pude militar mais. Mudei-me para os Estados Unidos ha 23 anos e meio. De longe não da para fazer muita coisa. Mesmo assim continuei apoiando no que foi possível.

Ai os apressados costumam, porque discordam de minha opinião, quererem enquadrar-me na mesma classificação que dão aos membros efetivos do partido que se envolveram com os bastidores politicos e se perderam.

Jesus nos deixou um tremendo ensinamento quando afirmou que tinhamos que nos misturar mesmo, mas que não deixássemos de ter o gosto do sal-da-terra. Alguns perderam esse gosto, não todos.

Observo que essa discussão eh totalmente infrutífera para todos nos. Isso porque eu sempre admiti que quando um representante do povo não estiver correspondendo com as expectativas dele, eh direito unicamente do povo substitui-lo por alguém melhor.

A meu ver, isso eh que eh democracia. Mas ha que observar-se que essa substituição tem que ser feita segundo as regras do jogo e não por subterfúgios. E ha sempre aquela pegadinha: deve-se escolher alguém “melhor” para substituir.

Meu problema com os adversários foi apenas esse: nunca me ofereceram nada melhor. Então, entre o feio e o mau eu permaneci com o feio. Se alguém prefere o mau, não vou discutir. A escolha eh de cada um.

Ha que ressalvar-se que, todos temos direito de cometer erros e enganos. Isso faz parte da vida humana. Ha um problema na sociedade atual de em determinados momentos exigir a perfeição dos outros quando, em verdade, ninguém eh perfeito. A começar dos exigentes!

Aqui vamos então explorar o assunto corrupção. Muita gente acha que eh doutor no assunto e logo pensa que corrupção eh tomar o dinheiro publico para fins particulares. Sim, isso também eh corrupção.

Mas corrupção eh algo muito mais abrangente. E, segundo estudos psicológicos, não ha pessoa que não tenha algo de corrupta. Conta-se ate uma piada a respeito disso:

Dizem que havia um juiz que era o exemplo de virtude. Justamente por isso mesmo foi enviado para uma comarca na fronteira entre o Paraguai e o Brasil. Sabia-se que todo o sistema por la estava corrompido.

Ao chegar, o juiz foi logo mostrando a cara e pondo muita gente na cadeia. Era um sucesso. `A medida que o tempo foi passando o juiz ficou um tanto quanto apreensivo e resolveu pedir transferencia para outra paragem.

Os “chefes” então o procuraram para saber a razão. Afinal ele era incorruptível! Perguntaram-lhe se lhe haviam ameaçado. Não era. Se tinham ameaçado a família dele. Também não. E se ele precisava de proteção especial.

Por fim ele abriu o jogo. Olha, a questão não eh medo, não eh perigo de morrer, não eh nada. O negocio eh que os traficantes estão quase pagando o meu preço!.

Mas corrupção eh algo muito alem desses termos. Como exemplo, nos podemos usar o futebol. Não. Não se trata de corrupção de jogadores ou dirigentes. Esses sabemos que são os reis dela. Claro, respeitando-se `as exceções!

Mas a corrupção maior não envolve necessariamente o dinheiro e ela esta justamente nos torcedores. Para que compreendam melhor, tome-se o exemplo de Flamengo e Corinthians. Segundo dizem pesquisas, são as maiores torcidas de times no Brasil. Ate ai tudo bem!

A verdade eh essa. Deveriam fazer uma pesquisa onde se indagasse dos torcedores não apenas qual era o time do seu coração mas também o time mais odiado por eles. Não posso afirmar, desconfio que ambos os times terão as maiores anti-torcidas do Brasil.

E, muito provavelmente, devera haver mais ódio por eles que amor. Afinal, somente os torcedores deles declararão amor. As torcidas combinadas de outros deverão somar mais ódio. Apenas uma suposição minha. Ha que se fazer a pesquisa para negar ou confirmar a hipótese.

Seja la como for, digamos que qualquer um desses times, em uma final de campeonato, tenha um mão-magica como aquela do Diego Maradona. Não precisamos ser argentinos para sermos corruptos. Supondo que a decisão seja entre Flamengo e Corinthians e que o mão-magica faca o gol decisivo, usando-a, para seu time.

Obviamente, sabemos que não sera “La mano de Dios” que ira marcar o gol. O que sabemos eh que se o juiz, por corrupção ou erro, confirmar, nenhum corintiano ira ficar triste. E, se fosse o contrario, os flamenguistas também aceitariam o resultado na maior cara-de-pau.

Afinal, voce ja viu algum flamenguista reclamando do titulo de campeão do brasileirão de 1980, sobre o Atletico Mineiro? Eh! Somente os atleticanos reclamam!

Naturalmente, e nao eh por corrupção que os flamenguistas, os argentinos e todos os torcedores que conquistaram títulos furtados não reclamam?

Em 1974 eu era torcedor do Cruzeiro e o time não foi “propriamente” roubado pelo Vasco na disputa daquele titulo. Afinal, a corrupção aconteceu sob uma forma variante, atras dos bastidores. Foi dai para frente que passei a torcer para o futebol e não para times.

Em 1980 eu pude torcer para o Atletico, que não fora meu time, porque eu me encantava com o desempenho futebolístico de jogadores como Marcelo, Reinaldo, Toninho Cerezo e outros.

Dava prazer assistir a aqueles “meninos” jogando bola. Claro, o Flamengo também dava. Mas naquela partida em particular não restou duvida quanto a quem merecia ser campeão. Porem a roubalheira mudou o titulo de lado!!!

O detalhe eh que o mesmo exemplo de corrupção mostra o outro lado. Os anti-atlético, os anti-cruzeiro e anti-Inglaterra deverão ter se deixado corromper pelos resultados dos títulos ou partidas roubados.

Na verdade, ver o adversário menos favorito perder, e perder roubado, da ate um prazer dobrado nos que são anti!

Nesses momentos as pessoas perdem completamente o pudor, a noção de justiça e o bom senso. Afinal, se concordam com o roubo de alguns, quando o roubo se vira contra eles perdem o direito de reclamar!

Bom gente, não são esses exatamente os fatos que se aplicam também `a política? So que na política o caso torna-se um pouco mais grave. Campeonatos de futebol são mais repetitivos. Portanto, ha uma possibilidade mais frequente de o time roubado recuperar-se.

Na politica a coisa fica mais complicada. Geralmente, as eleições de mesmo nível ocorrem, no Brasil, de 4 em 4 anos. Exceto para o senado, cujo intervalo de eleições são os mesmos 4 anos, porem, cada senador tem um mandato de 8 anos. Imaginem, um erro a esse nível torna-se dificultoso recuperar.

O problema da política eh maior por outro fato. O mesmo sentimento de torcida e anti-torcida a favor e contra os partidos existe.

Em meu ponto de vista, o que esta acontecendo atualmente na política brasileira, por causa do sentimento anti-Dilma, anti-Lula e anti-PT, eh mais um caso no qual boa parte dos que são contra o são para “não darem o braço a torcer” que não estarão procurando por justiça e sim vingança pelos “campeonatos” perdidos.

A particularidade eh que essa vingança brota da impressão de que pessoas foram enganadas unicamente pelas ações do Partido dos Trabalhadores e seus representantes quando, em verdade, as enganações são mais profundas. E, em parte, brota da corrupção de cada dia dos eleitores. Especialmente os mais raivosos.

Vou mencionar essa outra forma de corrupção não apenas para demonstrar que procuro ser imparcial mas também para explicar melhor a situação da corrupção dentro e fora do Partido dos Trabalhadores. Como ja disse antes, não gosto de usar-me como exemplo, mas torna-se inevitável ja que a gente deve ater-se `aquilo que conhece.

Por volta de 1988 um grupo de amigos resolveu fundar o diretório do partido na cidade de Virginópolis. Como minhas buscas por emprego haviam sido infrutíferas devido `a deterioração da economia, havia retornado `a casa dos pais. E, penso, por falta de opção melhor, fui escolhido para ocupar o cargo de delegado do diretório.

Para quem não se envolve no assunto, delegado eh o intermediário que comunica-se com o braço local e os braços regionais ou nacionais. Na verdade torna-se um correspondente de comunicações. Um leva-e-trás.

Era uma posição difícil, pois, o Partido era recém-formado. Não tinha dinheiro. O numero de filiados era o mínimo e ninguém com condições de patrocinar. Nesse caso, as viagens que foram necessárias fazer a Belo Horizonte se deram por minha conta e custo. E o pouco que custava doía no pouquíssimo que caia no bolso. Mas sem sacrifícios nada tem valor!

Numa oportunidade era para fazermos as preliminares para decidir quem seria o nosso candidato ao governo do estado. A disputa estava entre Joao Paulo, pela facção mais moderada, e Virgilio Guimarães da, salvo engano meu, Corrente Socialista.

Pelo que podíamos apurar no ar dos comentarios era que a corrente mais moderada seria escolhida. Veiculou-se inclusive uma comunicação verbal de que ja se havia entrado em acordo, onde o Joao Paulo seria o candidato.

Mesmo havendo o aviso de que todos os delegados deveriam comparecer, talvez para o movimento virar noticia e aparecer, pesei os pros e os contras em meu bolso e não fui. Acontece que essa não foi uma decisão somente minha. Muitos outros delegados do interior tomaram a mesma.

Nos foi dito que no dia da primaria a facção do Virgilio Guimarães rompeu o trato. Nas discussões da parte da manha ainda havia a certeza de que o escolhido seria o Joao Paulo, tanto que mais alguns que votariam nele decidiram ir embora antes da votação.

Diante da oportunidade o Virgilio lançou a candidatura concorrendo, ja sabendo que a maioria dos que haviam ficado eram favoráveis a ele.

O sangue subiu-me `a cabeça ao ficar sabendo. Não se tratava de gostar ou não gostar da pessoa. Não conhecia a fundo nenhum dos dois candidatos. O que me parecia era que um candidato mais velho, moderado, faria melhor para o partido em um estado muito conservador.

Eu tinha absoluta certeza de que a imagem do candidato converteria em votos. E mesmo sem vencer, Joao Paulo ficaria entre as melhores colocações. E, para quem entende de política, isso influencia o voto de muita gente, tanto para inclinar-se a votar em candidatos a deputados e a senadores na própria eleição e para governador e presidente nas eleições seguintes.

Qualquer um saberia que o crescimento do partido estava nesse equilíbrio. Para mim foi um golpe. A principio decidi não votar no candidato a governador. Esperava que a votação dele seria inexpressiva. Depois fui convencido por amigos a votar porque quanto menos votos ele tivesse, refletiria negativamente também para o futuro do partido.

Aceitei votar. Mas nao fiz esforço algum para ganhar votos para ele. O Partido sempre foi conhecido pelo trabalho de sua militância. Nesse caso, falhou! Obviamente, traição a uma palavra dada também eh corrupção e eu era intolerante nesse ponto.

Esse, nao foi um exemplo único. Foi o que mais afetou durante aquela situação inicial de militante. Então, fica ate mesmo engraçado ver pessoas se indignarem com certas coisas que acontecem na atualidade.

Parece que algumas pessoas tiveram a ilusão de que em algum dia houve mesmo um Partido dos Trabalhadores puro e santo. Elas se sentem traídas, mesmo que nunca tenham militado e ajudado o partido. Nunca conheceram os bastidores da política dentro dos partidos porque nunca participaram.

Eh ate tragicômico ver pessoas atualmente acusarem o Partido dos Trabalhadores de ter se manifestado tanto a favor da ética e contra corrupção e agora estar sendo acusado de envolvimento nos mesmos crimes que os outros partidos.

Tragicômico eh elas não cobrarem dos outros partidos na mesma proporção. Elas se acomodaram com a ideia de que os outros partidos são corruptos, então, deles não se tinha que cobrar com o mesmo peso, porque todos ja sabiam o que são.

Eh como se: os outros podem, mas o Partido dos Trabalhadores não! Não importa quais forem as razoes.

Eh como se ética e incorruptibilidade não fossem uma obrigação de todos!!!

Parafraseando Boris Casoy: “Eh uma vergonha!!!”. Digo isso não apenas em relação `a corrupção de todos. Mas particularmente daqueles que endossam a corrupção de uns, porque o que esperavam deles mesmo era corrupção e não a de outros porque esperavam o contrario.

Mesmo que eu perdoe as pessoas, jamais aceitarei a corrupção, não importa de onde ela proceda. Por favor, não me tomem por santo. Eu apenas reconheço que o que eh errado eh errado para todos.

Um terceiro caso de corrupção foi o mais chocante em minha vida na participação política. Refiro-me ao que aconteceu comigo mesmo. Embora as pessoas nunca tenham pensado no fato como um ato de corrupção. Devo salientar que “os corruptos” tornaram-se tao vitimas quanto a mim e companheiros.

O municipio de Virginópolis possui pouco mais de 10.000 habitantes e essa quantidade tem se mantido por volta da mesma ha décadas.

Naquela época a vida política local resumia-se a dois lados. Vamos chama-los de lados A e B. Eh a velha divisão interiorana, um lado mais elitista e outro mais popular. Não ha uma definição ideológica.

O lado mais elitista sempre foi governista no campo nacional, inclusive durante a ditadura. A desculpa para se-lo eh aquela velha de que: “nos queremos o bem para Virginópolis e se a gente for contra não consegue nada”. O lado popular não o era por convicção ideológica mas para ser contra os elitistas.

Apesar de os dois lados serem claramente rivais, o bom sempre foi que isso não se traduzia em inimizades.

Mas a torcida de um lado e outro funcionava exatamente como as rivalidades no futebol. Embora com um detalhe de diferença. A parte decisiva dos eleitores votava em um lado, ficava com raiva da administração e na eleição seguinte votava no oposto e não se agradava da próxima administração.

Os eleitores mais fieis a seus lados não somente votavam neles como também rejeitavam ate mesmo a hipótese de votar no lado oposto. Nunca funcionou um projeto de governo de nenhum dos dois lados.

A ideia era somente assumir o poder, sem a criatividade necessária para tirar o município do marasmo que se encontrava desde os anos 1960 quando foi reduzido com a separação de 5 outros distritos que se tornaram municípios novos.

E nessa situação lançamos a terceira via. Nossa situação era a mais precária porque contávamos apenas com o numero mínimo de registrados para que o diretório do partido funcionasse na lei. Mas a maioria dos registrados não era militante e muitos nem sequer queriam envolver-se.

Contudo, por o municipio ser pequeno e com população pouca a gente pode fazer a campanha em cima de bicicletas ou motos.

Não tinhamos dinheiro e nem assistência financeira do partido porque os fundos eram parcos e o que existia foi direcionado apenas para aquelas campanhas onde se reconhecia uma chance real de eleger alguém, fosse prefeitos ou vereadores. E nos não podíamos garantir a eleição de ninguém. Tinhamos apenas esperanças.

O unico dinheiro que entrou na campanha foi uma reserva particular que eu tinha. Correspondia a US$ 500.00. Havia levado mais de ano para juntar e seria para aplicar em minha vida.

Mas se não usasse o dinheiro para divulgar nosso Programa de Governo e um manifesto que mostrava as deficiências das administrações anteriores, não teríamos sequer dado chance ao eleitorado de saber no que seriamos diferentes do que ja conheciam.

Mas o curioso naquelas eleições foi o que ouvimos dos eleitores durante a campanha. Vejam que, numa pesquisa qualquer de campanha, os institutos se limitam a amostras.

Se a pesquisa eh para presidência, por exemplo, dos mais de 100 milhões de eleitores que irão votar eles entrevistam apenas umas 2.000 pessoas.

Cientificamente, essas pesquisas são validas, desde que observadas condições como as de não entrevistar apenas em um local, ou somente uma faixa etária, ou apenas uma faixa social, ou um único sexo. A pesquisa tem que ser aleatória e diversificada, retratando a realidade do bloco de eleitores como um todo.

Na cidade pequena, porem, a gente tem a vantagem de entrar na casa de todo mundo. E nos o fizemos em mais da metade das casas do município, que devem girar em torno de apenas 4.000 casas.

E, para nossa surpresa, tanto os eleitores do lado A quanto do B confidenciaram-nos isso: “Nos sabemos que a chapa de vocês eh a melhor”. Então, podíamos chegar a pensar que seriamos os eleitos!!!

Porem, o reconhecimento vinha acompanhado do senão, sendo que o lado A referia-se ao B e o B ao A: “Vocês eh que mereciam o meu voto mas vou votar no meu lado porque tenho medo que o outro lado ganhe.”

Uma resposta muito semelhante ao dos torcedores de futebol. `As favas a justiça de quem estiver sendo o melhor time, se ganhar de um gol ja basta, e se o gol for de mão, melhor ainda!!!

Como ja disse no passado. Não sei de onde as pessoas tiraram a ideia de que éramos os melhores. Talvez, porque nossos candidatos tinham curso superior e residido fora da cidade, elas automaticamente confundiram com melhor preparo. Também não duvidava da nossa capacidade. Mas a conclusão da população ficou obscura.

Infelizmente, nao tive `a época a presença de espirito de alegar a elas: Vocês sabem o que estão fazendo? Entre o Bom, o mau e o feio, vocês estão escolhendo o que acham feio pelo medo de que o mau ganhe, porem, automaticamente vocês estão eliminando a possibilidade de eleger o bom.

Ou, em outra comparação, se temos que escolher entre o Céu, inferno e purgatório, vocês estão escolhendo o purgatório pelo medo do inferno prevalecer, porem, automaticamente eliminando a possibilidade de ir para o Céu!

Vou repetir aqui, antes que confundam as coisas. “Toda comparação eh burra!” Elas servem para que a gente compreenda melhor as relações entre as coisas, porem, nenhuma comparação eh imagem especular uma da outra.

Nesse caso, aqui podemos abrir essa comparação: eh aquele tipo de escolha entre Jesus ou Barrabás. O povo preferiu Barrabás. E não estou aqui dizendo que Jesus e nos seriamos a mesma coisa e que o prefeito eleito foi o Barrabás. O que digo foi que as situações foram realmente esdrúxulas.

Alias, toda escolha tem suas consequências. Nunca vi ninguém fazer a ligação política entre a escolha do povo judeu e o que aconteceu a ele pouco tempo depois.

Na analise politica eu enxergo que Barrabás foi um revoltoso que queria tornar Judah independente do Império Romano. Jesus nunca manifestou essa intenção claramente. E o povo que estava em Jerusalem devia conhecer melhor as intenções de Barrabás que as de Jesus.

Justamente por não conhecer Jesus nem as intenções dele direito foi que se deu a escolha. Isso porque o povo queria se ver livre do jugo imperial. E queria que isso acontecesse imediatamente.

Como Jesus não apenas não anunciava isso e também era desconhecido, não deve ter sido difícil aos chefes dos judeus manipularem a opinião do povo. Os chefes sabiam que Jesus era uma ameaça `as posições deles. Mas o povo simplesmente não tinha ideia de quem era Jesus. (Eles nem sabiam o que faziam, como também boa parte do eleitorado)

De todo jeito, Pilatos queria que alguém fosse morto para intimidar o povo. O povo saberia que as mãos-de-ferro de Roma cairia sobre ele se se revoltasse. Contudo o povo foi enganado pela impressão de que Barrabás sim seria a resposta para algum dia se libertar do jugo romano. A primeira impressão para o povo er: com Barrabás chegaria ao Céu!

A opção pelo bandido sempre foi uma corruptela. Era a esperança de ele trazer algo que o povo queria imediato. Mas o que trouxe foi exatamente o oposto.

Isso porque os cálculos romanos eram outros. O que dizer de um povo que escolhe entre matar um inocente e deixar escapar um rebelde? O que os romanos concluíram foi que aquele povo jamais aceitaria se entregar ao domínio. Então, para Roma o melhor seria fazer daquele povo o exemplo para que todo o Império se curvasse ao seu jugo.

Nos anos 60, quando houve a revolta final do povo de Judah, Vespasiano e Tito jamais consideraram uma reconquista daquele territorio. O que decidiram, e que ja devia estar decretado antes mesmo de suas decisões, foi pelo extermínio e expulsão do remanescente. Então se deu a destruição e o Diaspora.

Em nosso caso, não foi preciso haver uma intervenção estrangeira para a população de Virginópolis dispersar. Eu próprio fui um dos primeiros, após `aquelas eleições. Não tive como sustentar-me na cidade. E muitos me seguiram. Penso, por causa da escolha do feio no lugar do que poderia ser o bom!

Para compreender-se melhor o ódio que foi implantado e a onda anti-petismo, precisamos retornar `a Historia contemporânea, especialmente aquela que o Partido dos Trabalhadores participou.

Como disse um amigo nosso. “O problema da Fiat foi ter se lançado com o modelo 147!” E a verdade nisso eh a de que quando uma coisa começa torta a mancha permanece por longo tempo.

O Partido dos Trabalhadores soube fazer o dever de casa. Partiu das bases. Trabalhou os sindicatos, as comunidades de base e procurou reunir a gente miúda e numerosa do seu lado. Alem disso tinha um programa com o objetivo de atender `as necessidades da maioria. O que foi o fundamental para obter o meu apoio, por exemplo.

Obviamente, a classe mais pobre e excluida tornou-se o mote do partido. O que logo conquistou a simpatia também das pessoas intelectualizadas, pois, nos parece lógico, ja quenão ha desenvolvimento em nenhum lugar se a maior parte da população for excluída.

Em outras palavras. Não ha classes medias e fortes se a população for muito pobre. O que ha são as classes covardes, quando vivem da exploração de pessoas indefesas. E essa segunda descrição eh a que melhor define o Brasil histórico.

O erro de lançamento do PT, o modelo Fiat-147 dele, foi: porque precisava defender a maioria excluída deixou-se levar pelos mais radicais que verbalizavam quase a destruição das classes mais elevadas. O problema eh que, entre a retórica e a pratica existe uma profunda discrepância.

O Partido errou ao não pregar o caminhar juntos. Buscar mais as soluções para os problemas que levar `a frente o discurso incendiário da luta ideológica e classicista.

No principio o discurso do Partido era o de derrubar o restolho deixado pela ditadura militar e, alem disso, os empresarios, fazendeiros e toda sorte de empreendedor virou saco de pancada.

Nos, com um esclarecimento politico mais elevado, compreendemos a retórica. Não era agradável assistir aos mais radicais e algumas vezes o próprio Lula comparar fazendeiros como exploradores. Empresários como parasitas. Etc.

Existem os que foram e os que continuarão sendo. Isso eh verdade. De maus o mundo esta repleto, mas a generalização ofende aos que desejam tomar as decisões corretas.

Esse clima de confronto assustou a muitos. E não foi apenas das classes elevadas. Muito pelo contrario. Politicos espertos, as famosas raposas, canalizaram esse discurso para amedrontar ate mesmo parte da classe operaria.

Diga-se de passagem, as duas ações combinadas, o discurso exagerado e a esperteza dos adversários, especialmente aquela parte representada pela mídia manipuladora, levaram `a situação que hoje vivemos, onde os conflitos classicistas criaram um ambiente semelhante ao do interior como Virginópolis, no qual se formaram torcidas de um lado contra torcidas do outro.

Ja não são mais partidos. Sao torcidas. E por tratar-se de torcidas, os eleitores não votam mais em função das soluções e sim em função de simpatia ou antipatia com as pessoas.

E a política, que deveria ser traduzida pela busca de soluções, transformou-se num jogo de futebol qualquer no qual os eleitores/torcedores nem se importam se o titulo foi conquistado com gol de mão. Virou mesmo futebol. A “lei de Gerson”! Querem levar vantagem em tudo. O que nada tem a ver com o caráter do jogador em si.

Antes de continuar a explicação na Historia para o fato de o Partido dos Trabalhadores ter se metido na confusão que esta envolvido, vou postar 3 mentiras repetitivas que os adversários tanto falam.

Na verdade eles apenas concordam com o dizer nazista de que: “uma mentira contada 200 vezes torna-se verdade.” Na verdade, a mentira contada muitas vezes torna-se mais conhecida, mas não se sustenta perante a verdade. Tomem nota então:

01. “O PT mentiu dizendo que ia eliminar a corrupção e iria impor ética.” Ja ate mencionei a respeito desse assunto umas linhas atras nesse texto. Mas ha mais o que dizer.

02. “Eh muito fácil elevar o valor do salário quando pegou uma economia arrumada.”

03. “Tem carro mas esta endividado.”

Vamos la então! Quando o Partido dos Trabalhadores foi fundado e comecou a atuar como partido, o Brasil estava um caos. A corrupção e a falta de ética galopavam. E por que não foi possível aliar-se o discurso `a pratica?

Não precisamos nem sequer voltar aos tempos da ditadura, da administração Jose Sarney e Collor/Itamar Franco. Isso ja nem faz mais parte da vida da maioria dos brasileiros que agora votam. Não os estou absolvendo. Estou apenas evitando alongar muito.

Quem recebeu uma economia capengando, porem arrumada, foi o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. Apos os muitos sobressaltos, rapinagem etc, o ex-presidente Itamar Franco chamou um grupo de economistas, economistas viu gente e não sociólogos, que elaborou o Plano Real. Entre esses economistas inclusive destacava-se o Andre Lara Rezende, que `a epoca era militante do Partido dos Trabalhadores.

Ressalve-se que nas eleições presidenciais anteriores, o Lula havia perdido para o Fernando Collor, aquele que durante o ultimo debate havia dito que o torneiro mecânico e não ele iria tomar a caderneta de poupança do povo.

Alem disse houve aquela manipulação do ultimo debate realizado pela rede corrupta de televisão, a Globo. Não creio que tenha sido somente eu que enxerguei tal fato. Esta em todas as revisões da Historia feitas por historiadores ou jornalistas sérios.

Assim, após a defenestração do Collor e da casa mais ou menos arrumada pelo Itamar, Fernando Henrique galopou na mula arriada.

Apesar de todos os desmandos que haviam ocorrido na Historia Contemporânea do pais e da presença do operário como defensor dos direitos do povo por longa data, a influencia da aparente eliminação do “dragão inflacionário” elegeu o “almofadinha”.

Diga-se de passagem, ele próprio deu o tom do quanto era oportunista. Logo no inicio, e se vendo questionado por causa da adesão `a qual se entregou ao projeto neo-liberal, ja que fora um dos pensadores considerado de esquerda e com livros publicados defendendo a participação do trabalhador nos lucros do trabalho, mandou o recado: “Esqueçam o que escrevi”.

Durante o primeiro governo do FHC, o que se destacou foi a depredação do patrimônio publico. Apos dois anos no poder o ex-presidente tinha dois objetivos únicos: manipular o Plano Real, fazendo ouvidos moucos aos avisos de todos que isso iria comprometer seriamente o programa, e comprar sua própria reeleição.

Todas as denuncias feitas pelo Partido dos Trabalhadores e de outros da esquerda foram arquivadas ou ate mesmo debochadas pela chamada sociedade civil, sobretudo aquela parte conhecida por midiática.

Comprada a reeleição e vencida a disputa, nos assistimos o que foi a segunda administração do professor Cardoso. O patrimônio nacional so não foi mais depredado por causa das manifestações lideradas pelos adversários dele. O preço por ter manipulado a moeda teve que ser pago. Muitos na industria brasileira quebraram. Comércios fecharam as portas.

Muitos empresários tiveram que vir para o exterior para pagar as dividas que haviam contraído a preço de dólares, confiados que o Real permaneceria pareado e forte! Mas parece que as pessoas se esquecem disso!

Mas o chocante de tudo isso ficou mesmo por conta dos números de aprovação do Partido dos Trabalhadores. Por mais que o discurso fosse de honestidade e da vontade que a militância tinha em passar o pais a limpo, não se conseguia votos suficientes

O Partido dos Trabalhares parecia que tinha atingido um teto de 33% do eleitorado. Era como se existisse somente 33% de pessoas honestas no pais. E com isso acumularam-se as 3 derrotas do Lula `as eleições presidenciais.

Mesmo antes das derrotas, exceto a que sofreu para o Collor, enquanto ainda deputado, em 1993, Lula avisou: “Ha uma maioria de 300 picaretas que defendem apenas os seus próprios interesses.” Referia-se ao congresso nacional.

Mesmo que houvesse algum exagero numerologico, sabia-se muito bem que havia grande fundo de verdade nisso. Mas isso não sensibilizou a população mais esclarecida.

Muito pelo contrario. Muitos acharam graça e torceram para que os picaretas levassem a serio a ameaça de enquadrar ao Lula no capitulo da “falta de decoro parlamentar” para cassar o mandato dele.

Então, quem faltava ao decoro parlamentar era o Lula!!! Estranho mesmo tem sido o esquecimento coletivo dos fatos que se passaram não tao longe assim!

Diante daquela situação esdrúxula na qual o Brasil estava envolvido, com os depredadores do patrimônio publico sendo considerados heróis, com o povo ainda se enganando porque podia comer frango a R$ 1.00, o Partido dos Trabalhadores repensou sua estratégia e, e que havia dito que jamais faria, fez as alianças que pensava ser necessárias para ganhar eleições.

Quando assisti de tao longe esse quadro se desenrolando, logo pensei: “Vai dar merda!!!” Mas justamente por estar fora do Brasil pensei que a nova estratégia fosse ter alguma validade, pois, era urgentissimo estancar a sangria que havia sido instalada pelos neo-liberais.

Interessante foi ver minhas desconfianças serem contraditas naquelas eleições de 2002. Pensei que as chamadas “pessoas honestas” jamais aprovariam as coligações efetuadas. Afinal, para uma população que sempre clamara por ética e era contra as corrupções, se fosse mesmo purista como se dizia ser, não havia como votar numa coligação com pessoas que jamais defenderam e jamais praticaram esses valores.

Portanto, a partir daquele momento penso que a população eleitora nada tinha a reclamar nesse sentido. Se não sabia que automaticamente viriam as negociatas do toma-la-da-ca, então, não deveria sequer portar titulo de eleitor, quanto mais votar.

Não foi com o votar no Lula que se deu autorização para prosseguir-se as corrupções. Ninguém governa um pais do tamanho do Brasil sozinho. Nem mesmo um partido ja que existem tantos.

A quantidade pulveriza o poder. Qualquer um que for governar diante das mesmas regras que existem na atualidade tera que fazer alianças. Mas, como ja se sabia, a maioria era mesmo de picaretas, então, não podemos fingir que não sabíamos de nada.

O clamor atual para criminalizar ao Lula, `a Dilma e ao PT eh semelhante `aquele dos fariseus que queriam ver Jesus condenando a mulher pecadora. E repito aqui: “Toda comparação eh burra”, portanto, não tomem minhas palavras literalmente.

A mulher pecadora cometeu seus pecados e ninguém podia nega-lo. Mas quando Jesus baixou a cabeça para escrever no chão o processo dela, ele deve ter perguntado: “A sociedade viu essa mulher quando ainda criança precisando de alimento, precisando de roupa, precisando de abrigo, precisando de orientação, precisando de apoio e se omitiu?”

Naturalmente, esse breviário meu não deve refletir exatamente o que aconteceu durante o julgamento, que deveria ser o da mulher pecadora, da sociedade. A comparação esta em que omissão semelhante ocorreu com o Partido dos Trabalhadores e a sociedade brasileira, sobretudo aquela chamada de esclarecida. Melhor seria dizer atualmente, a despota esclarecida, a omissa esclarecida e a cínica esclarecida.

Quando ela, apesar de todas as evidencias de corrupção, se fez de surda, muda e cega durante os governos anteriores aos do Partido dos Trabalhadores, mesmo enxergando que o discurso do partido era verdadeiro, ao não votar a favor da ética e anti-corrupcao, automaticamente, enviou a mensagem que aprovava tanto a safadeza de uma quanto da outra. E agora quer manifestar que somente o Partido dos Trabalhadores não pode!!!

Fato ruim foi esse: a partir do momento em que o Partido dos Trabalhadores resolveu fazer as coligações que fez, automaticamente ficou trancado o caminho para fazer uma reforma política que desse oportunidade de eleger-se pessoas mais comprometidas com o povo. E tudo o que fosse necessário aprovar-se no Congresso tinha que ser negociado por dinheiro com os corruptos.

Pois eh. Então os hipócritas da atualidade querem ter a cara-de-pau de se passarem por ofendidos!!! Pois eu pergunto a cada um essas coisas pequenas:

01. Onde voce estava que assistiu `a manipulação do Plano Real a enganar o povo, oferecendo frango a R$ 1.00/unidade, enquanto se estava depenando o erário publico?

02. Quando voce ouviu a denuncia de que a reeleicao foi barganhada com dinheiro de corrupcao, por que nao se alinhou `a militancia do Partido dos Trabalhadores para acabar com a farra?

03. Onde voce estava quando o Partido dos Trabalhadores fazia seu discurso pro-etica e pro-cassacao dos corruptos mas voce não se uniu aos 33% que defendiam a proposta?

04. Por que que voce so se mobilizou para eleger o Lula quando ele ja estava cansado de perder eleições e fez coligações com os corruptos conhecidos?

05. Por que voce votou ou viu muitos votarem em pessoas sabidamente corruptas e voce, pelo menos, não fez lobby para pressiona-las a votar em causas justas e não apenas a favor de seus próprios interesses?

Aquela verdade antiga continua valida. Quando voce aponta o indicador para condenar seu irmão, ao mesmo tempo aponta 3 outros dedos para si mesmo, mostrando quem realmente merece a condenação. E ja dizia Jesus: “Nao julgueis e não sereis julgados.”

A verdade foi essa meus amigos. O Brasil omisso, e os mais exaltados de hoje são os mais culpados, não barrou a corrupção quando ela estava menor porque se deixou comprar por frango a R$ 1.00 e outras iguarias para o estômago.

Ha que se fazer o exame de consciência. A culpa não eh mais do Lula que dos milhões de eleitores que agora pedem a cabeça dele. Ele pode ser comparado ao jogador de futebol nos baldes de suor que suou para fazer o que fez. Mas os que se creditam como santos, em conjunto, suaram um oceano inteiro para deixar acontecer o que aconteceu.

Outro ditado interessante para usarmos aqui eh aquele: “Nunca se explique. Seus amigos não precisam, e seus inimigos não vão acreditar.”

Eh como o dialogo que tive com um de nossos primos que são anti-Lula, anti-PT e anti-Dilma. Tentei faze-lo recordar das coisas positivas, por exemplo falando:

– O PT deu os bolsa familia, o que ajudou a economia crescer.

– Isso não eh verdade, respondeu-me ele, o PT somente juntou os bolsas criados pelo FHC.

– Engano seu. – trepliquei – O projeto foi introduzido no Brasil através do “Renda Minima” apresentado pelo senador Eduardo Suplicy. O FHC enquanto presidente mobilizou a sua base parlamentar para impedir que o projeto fosse aprovado e em substituicao esfacelou-o atraves dos projetos bolsas. O Lula reajuntou os bolsas numa imitacao parca do Renda Minima.

Quem desejar conhecer mais pode verificar diretamente na Biblioteca do Congresso/senado. Ou ir diretamente ao site e endereco:

http://www12.senado.leg.br/publicacoes/estudos-legislativos/tipos-de-estudos/textos-para-discussao/td-75-bolsa-familia-e-renda-basica-de-cidadania-um-passo-em-falso

`A pagina 04, pode-se constatar as “origens do Bolsa Familia”, no qual se menciona o projeto enviado pelo ex-senador em 1991.

Dando continuidade ao dialogo mencionei a questao de a administração petista ter conseguido dobrar o salário em seus poucos anos de governo.

Meu primo respondeu: Quando se encontra a casa arrumada fica muito fácil elevar o salário!

Fiquei abismado com o quadro de amnesia em uma pessoa tao jovem! Desde o período da ditadura ate chegar `a administração do FHC sempre se alegou que não se poderia elevar o salário do pobre no Brasil porque isso iria: causar inflação ou quebrar a Previdência. E a elevação do salário mínimo fora uma das bandeiras que levou o povão votar no Partido dos Trabalhadores.

Se o problema fosse tao fácil, era possível que as outras administrações tivessem enfrentado as dificuldades. Mas sempre se achou difícil. Porem, o Lula fez.

Interessante aqui eh salientar que nenhum pais desenvolvido tornou-se desenvolvido oferecendo mao-de-obra barata para ser explorada pelo mundo rico.

Muito pelo contrario. O que se fez foi ter salário condigno. Com bom salário voce fortalece o mercado interno e da oportunidade a todos de progredirem por si mesmos. E eh o conjunto da forca do povo que torna uma patria desenvolvida.

Por fim, lembrando-me dos meus tempos de Brasil, que so tinha tido a oportunidade de comprar bicicletas, salientei que fora o Lula quem abriu credito e a população pode se motorizar.

Então meu primo soltou que: “Ele deu credito mas agora o povo esta todo endividado”.

Vi que não adianta nem mesmo ser razoável com as pessoas que escolhem ser anti. Na verdade, acabei saindo do debate.

Mas para ele eu tenho uma resposta muito objetivo. Trata-se de experiência de vida.

Meu pai foi gerente da antiga Minas-Caixa por mais de 30 anos. Quando nasci ele ja o era. E por essa razão, tinha a regalia de poder tomar empréstimos em condições favoráveis. O governo do Estado, ja que não pagava um salário compatível com a importância do cargo, oferecia o privilegio como compensação.

Naturalmente, apesar do baixo salário, pessoas com poder aquisitivo menor possuiam carros. E para justificar não ter meu pai dizia: “Ter carro no Brasil eh o mesmo que ter despesa de duas famílias. Eu não posso ter duas famílias. Por isso não compro carro.”

Bom, ele poderia pelo menos aproveitar-se da regalia que tinha e construir uma casa nova. Nos residíamos em uma casa que, provavelmente, havia sido construída pelos avos paternos dele. Não sei dizer quem construiu mas a minha bisavó acabou de criar família na casa, depois de ficar viuva em 1909.

E a casa não era apenas velha. Como dizia minha mãe: “Fazia vergonha”. E o sonho dela sempre foi ter casa nova. Mas meu pai pacientemente aguentou todas as reclamações, foi juntando dinheiro aos pouquinhos ate poder construir com o próprio dinheiro. Nos comemoramos os 25 anos de casados deles na casa velha, poucos meses de mudarmo-nos para a nova.

Por ai se vê que a responsabilidade de se fazer divida eh do indivíduo e não do governo que oferece o credito. No tempo do meu pai muita gente fez divida e não podia quitar, perdendo seus investimentos. Ele apenas sabia o limite da distancia que as pernas dele alcançavam.

Se o Lula não tivesse dado oportunidade de credito para o povo comprar carros, tambem não se teria o crescimento que o pais teve, não se teria criado os empregos que se abriram e o Brasil continuaria no mesmo marasmo no qual viveu adormecido por 5 séculos.

Em contrapartida, o meu primo poderia alegar que o Lula não havia oferecido credito acessível a ninguém e seria por isso que ele não gostava dele!

Então, fica ai explicado!!! Quando se torce contra um time, mesmo que ele esteja jogando melhor que os outros, sempre se arrumara desculpa para diminuir as vitorias dele.

E eh exatamente como enxergo o que esta se passando no Brasil atualmente. Para os adversários não existe explicação alguma para as falhas e querem transformar as vitorias em derrotas. Para os amigos tudo sempre andou certo, não se precisa explicar nada.

Bom seria que as pessoas deixassem dessa bobagem e ao invés de torcer se transformasse em agentes da mudança positiva. Mudasse essa atitude destrutiva de querer destruir uns aos outros ao invés de buscar a solução que ajude a todos!!!

Apesar de todas as acusações não convenci-me que Dilma, PT e Lula realmente tem as culpas que são acusados. Mas, pelo descrito na presente crônica, mesmo que a resposta for um sim, ao contrario de o povo pensar que não merecia passar por essa situação, por culpa de sua própria omissão, merece sim ate passar por algum sofrimento mais, enquanto não aprender a assumir suas próprias responsabilidades.

Ressalvo que tudo esta se dando por causa dos pecados da sociedade civil como um todo. Dou fe e assino abaixo disso que falo.

Não mencionei a minha própria situação de eleição em Virginópolis por guardar alguma magoa pela derrota. Muito pelo contrario. O amor que tenho pelo povo do meu torrão-natal nunca se alterou. Errar todo mundo erra mas isso não eh crime.

A menção se deu apenas como exemplo do que acontece em todos os lugares do Brasil onde a população deseja fazer a melhor escolha a cada momento. Mas, algumas vezes, todos podem enganar-se ao não pensar em uma consequência mais `a distancia.

Se o Partido dos Trabalhadores usou caixa 2, não eh nem novidade nem algo que não fosse previsível. Mesmo antes de o partido existir a pratica ja era difundida no pais inteiro.

Ora, os adversários eh que desejavam que ele não usasse e se tornasse vulnerável contra eles que tem caixa 2, 3 e ate 4 para investir em eleições. O uso pelo PT seria um crime exatamente como os de alegada legitima defesa o são.

O Partido dos Trabalhadores também errou, da mesma forma que o povo erra por escolher o Purgatorio com medo do Inferno vencer, quando não avaliou todas as consequências que surgiriam depois de fazer as coligações que fez. Errar humano eh. E ninguém eh exceção.

Não importa o que tenha acontecido, a grande vitima sempre foi o pobre coitado que, por ser vulnerável, se permite envolver pelos manipuladores das informações e, no momento das decisões mais importantes de suas vidas, termina atirando nos próprios pés, sacrificando seus próprios direitos e garantindo privilégios para os safardanas.

Triste mesmo eh enxergar que muitos jovens que não tiveram a oportunidade de vivenciar os fatos da Historia Contemporânea, conhece-la apenas de ouvir dizer na internet e ainda pensar que sabem das coisas e verem que se transformam em simples objetos nas mãos de manipuladores como os Bolsonaros da vida e redes Globo de intrigas!!!

 

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02. ORGULHO, PRECONCEITO E ILUSOES

Ao passear pelas postagens de amigos na facebook tropecei em mais algumas conversas truncadas e com pouco sentido para a minha percepção de vida.

Ja reconheci. Tenho um conceito completamente desvinculado do pensamento dominante atual. O que penso eh único. O que não deve ser diferente para os outros. A diferenca eh a de que meu dom eh o escrever e descrever com mais exatidão a respeito do que penso.

Não deveria, mas fiquei um pouco surpreso com o pensamento pouco democratico de alguns de meus primos. Na verdade, a gente que conheceu antepassados da geração de nossos bisavós inclina-se a relacionar a descendência com certa sabedoria pratica que eles possuiam. Muitas vezes cometiam erros bisonhos. Mas o faziam em função do conservadorismo característico de suas épocas.

Hoje em dia as comunicações progrediram tanto e o acesso `as informações tornou-se tao popular que a gente pensa que as pessoas mais novas ja haviam aprendido as lições que os ancestrais nos passaram e dai para frente evoluiram para melhor. Ledo engano! As informações estão realmente disponíveis. Mas elas são passadas por cima das lições ja esquecidas.

Então, nos que nascemos no tempo em que a maioria das pessoas não possuiam telefone e televisão, e mal-mal possuiam radios, quando as informações eram passadas em sua maior parte boca-a-boca, parece que aprendemos antes ser mais humanitários. O nosso sucesso pessoal não nos importa tanto quanto importa `as pessoas de hoje.

O que se demonstra eh que estão mesmo corretas aquelas impressões de que na atualidade “as pessoas valem o quanto tem e não o que são”. Triste reconhecer que assim esta. E, então, eh mais admirável ainda as pessoas verem o mundo caindo sobre suas cabeças e não enxergarem que eh isso mesmo que deveriam esperar de um mundo onde as pessoas valorizam mais a coisas que seus semelhantes.

Mas segue ai um extrato que fiz de algumas intervenções, minha e de outros, em pagina do facebook. Observem o nível:

“porque tu não moras no Brasil ai fica facil falar, tivesses que sair da aqui pra arrumar trabalho.”

“Não quando eu estava no Brasil eu tinha 2 trabalhos e fazia mais dinheiro que muitos pais de família!!! Mas quando pessoas não sabe da vida das outras pessoas e motivos é melhor não julgar e en qualquer lugar do mundo me daria bem, pq a mim não me importa se eu tenho que lavar banheiros ou ter trabalho de dondoca. Sempre trabalhei duro e graças a Deus sempre me dei muito bem, pois sempre tive objetivos e sempre corro atrás dele!!! Nunca estive em casa esperando por uma bolsa do governo”

Essa aqui foi intervenção minha: “2 enganos nao produzem um acerto. Se quem estiver te julgando esta errado, lembre-se que julgar os outros não ira consertar isso. Se lembrar o nome, depois te passo o de uma autora aqui dos estados unidos que escreveu um livro em cima dessa falsa impressão de que quem obtém benefícios governamentais fica esperando. Na verdade ela comprova que a maioria absoluta recorre `as ajudas como ultimo recurso e eh melhor que o tenham, pois, se não houvessem o ciclo vicioso da pobreza e dependência so tende a aumentar.”

“Enquanto existir esta lei estúpida; que os jovens só poderão trabalhar depois dos 18 anos, o Brasil só vai para baixo; trabalhar e comer do próprio suor , é a lei da vida…”

“Concordo Mãe, concordo. Assim como vc eu tb trabalhei e contínuo trabalhando duro e é pôr isso que estamos na posição que estamos … Não há nada melhor que o trabalho é com ele que vêm todas as conquistas e superações de um ser humano.”

Nao dei corda para essa conversa justamente para nao parecer irritante demais. Pelo contrario, queria ate fazer piada como essa: Se trabalho eh tao bom assim, voce trabalharia somente pelo prazer de trabalhar e concordaria em me dar seu salário?

Penso que essa concepção de trabalho apresentado pelas duas pessoas na família eh um tanto quanto idealizada, sem fundamento pratico, mas fazendo parte de uma ideologia de um tempo em que acreditava-se que a pessoa dependia apenas do seu próprio querer. “So não eh rico quem não trabalha.” Afirmavam com todo orgulho os nossos ancestrais.

Não os acuso de preguiçosos. Afinal, o cérebro eh o órgão do organismo humano que mais consome energia, desde que usado! Nossos ancestrais precisavam planejar, tomar decisões e, a maioria deles, pegar no batente também.

Acontece que viviam em um tempo onde a escravidão era legalizada. E nossos ancestrais eurodescendentes faziam o trabalho intelectual mas mandavam seus escravos gastarem o suor por eles.

Nossos ancestrais confundiam privilégios com direito. E os escravos “comiam o pão que o diabo amassou”, pago com seu próprio suor, enquanto os senhores deles comiam os brioches, sem se darem ao trabalho de suar tanto.

E onde ficava a dignidade do trabalho? Ser escravo da dignidade `a pessoa humana? Explorar escravos da dignidade aos senhores?

Por nossa sorte, esta escrito que: “Os filhos nao pagarão pelos pecados dos pais e os pais nao pagarão pelos pecados dos filhos”. Isso, em teoria, somente no campo esperitual, pois, a nódoa da escravidão ainda esta causando efeito na humanidade. Em primeiro lugar porque foram proclamadas as leis de libertação da escravidão mas, em parte, a escravidão em si não acabou.

Em segundo porque essas leis deveriam ter libertado plenamente tanto escravizados quanto escravocratas. E o que aconteceu foi que as leis dizem que eh proibido ter escravos nos moldes do passado.

Mas não acrescentaram que os antigos senhores teriam que deixar de ter preconceito e fossem obrigados a partilhar os ganhos que obtiveram com a exploração da escravidão com aqueles que realmente haviam feito suas fortunas.

Muito pelo contrario. Os antigos escravizados nao foram indenizados e sim marginalizados. As oportunidades continuaram sendo oferecidas apenas `aqueles que ja possuiam antes. Sob uma forma disfarçada a descendência dos escravizados continuaram sob o regime de exploração.

Como se diz tao frequentemente no Brasil, a Lei Áurea “nao pegou”! E o detalhe eh que antigamente tinha-se uma parte da humanidade que a ela, somente porque possuia a pele mais escura, cabia os horrores da escravidao. Hoje nem mesmo importa a cor da pele.

Nos que temos a pele branca so temos um consolo. Descendemos tanto de pessoas escravizadas quanto daquelas que as escravizaram. O que precisamos fazer eh apenas reconciliarmo-nos com nossos irmãos.

Vou passar uma informação particular não para dizer que sou o bom. O que falo nasce da minha própria experiência e so a compartilho para que tenhamos parâmetros para comparação. Não sei as profissões que a outra pessoa exerceu no Brasil e isso não faz diferença.

Mas aqui esta minha Historia. Aos 15 anos decidi que iria para qualquer cidade grande para trabalhar, ganhar dinheiro e estudar. Meu pai nem me perguntou o que eu queria. Matriculou-me no, então, recem-criado curso de técnico agrícola. Uma das minhas birras em ficar na cidade era justamente a de que o segundo grau que existia era apenas o magistério. E, aquilo, não era para quem quizesse ganhar dinheiro.

Cursei o segundo grau contrariado. Ao fim do qual fui para BH, para trabalhar e estudar. Mas como empregado sem especialização o que consegui foi um emprego de salário mínimo. No tempo, sobrava mês no final do salário. Portanto, continuei precisando da ajuda de casa. Graças ao reconhecimento das minhas habilidades, meu salário chegou a ser 1.5 salarios/mês, em menos de 1 ano de trabalho.

Ao fim de dois anos percebi que “o mar nao estava para peixe, tinha coisa transformando a agua em Po.” (Não se trata de referencia a vícios. Nunca os tive). Voltei para casa e pedi para fazer um pre-vestibular, pois, não dava para trabalhar, pagar cursinho de boa qualidade e sair-me bem nas duas coisas.

Queria fazer medicina, mas por falta de orientação acabei optando por veterinária, que deveria ser mais fácil aprovação! Apresentar disso consegui ser aprovado, mesmo com a concorrência de 15.2 por vaga, na Universidade Federal de Viçosa.

Completei o curso a contragosto. Embora sem um ótimo rendimento, percebi que o nível de aprendizado não era inferior aos dos colegas. Formei em 1987. Época das maiores crises econômicas e políticas que o Brasil ja vivera. A primeira oferta de emprego que me fizeram foi a de ganhar um salário mínimo. Quer dizer: lutei, lutei e retornei `a “estaca zero”!

Retornei novamente para casa. “Mexi meus pauzinhos” de todas as formas que conhecia. Tomei conta da fazenda da familia. Produzir leite, não era o menor problema. Depois de tanto tempo estudando, eu tinha inclusive ideias inovativas que, se tivesse tido oportunidade de pratica-las, dariam vantagens ao Brasil como um todo. O problema maior estava na pobreza do povo. Digo isso apenas no sentido econômico.

Os meios que possuiamos eram os rústicos. Existia uma tecnologia super avançada em relação `a fase em que estavámos. Mas para chegar a ela era preciso investimentos. E ai esbarrava-se na impropriedade que todos conhecem da situação brasileira.

Eu carregava ate 70 litros de leite numa bicicleta de carga e com todos os riscos de capotar. `As vezes a bicicleta quebrava e enquanto estava no conserto eu carregava todo o leite nas costas mesmo. Andava com a carga nas costas pela bagatela de 2 a 3 km.

Diga-se de passagem, ate ha pouco tempo tinha pesadelos. Sonhava que estava indo para a fazenda buscar o leite e lembrava que estava no meio do caminho e indo a pe. Tinha que retornar, para buscar a bicicleta e ja estava escurecendo. E ja se passaram mais de 20 anos desde então!

O exercício chegou a dar-me um fisico de atleta. Olhava para a grossura de meus bracos e via que nem todo lutador de boxe tinha aquilo. Minhas pernas tornaram-se tao grossas quanto as de jogadores de futebol profissional. Com uma pequena diferença, eram mais bonitas! rsrsrsrsrsrs!

Pena que não havia uma Play Girl interessada em expor meu fisico hercúleo para a mocada. Um ensaio e eu, certamente, tiraria o pe-do-lodo! Obviamente, hipótese pouco provável que o pudor me deixasse realizar!

Algo interessante do comercio de leite `a minha época foi que, vez por outra, eu me via na obrigação de cobrar uma divida. Coisa simples. A maioria da clientela era gente pobre. Vinha com o dinheiro miúdo antes mesmo de eu cobrar. Mas `as vezes os atrasados desculpavam-se porque o dinheiro que estava por vir ainda não tinha chegado.

Ficava naquela situação. Eu enxergava que a pessoa estava com vergonha de dizer que não tinha o dinheiro e que não o teria mais tarde. Eu via as crianças da pessoa e ficava naquela: ela fingia que ia pagar e eu fingia que acreditava que ia receber!!!

Não. Não era bondade ao extremo não! Lembro-me de minha mais tenra infância, 50 anos atras. Quando não era o meu próprio avo entregando o leite em nossa casa, que o trazia de charrete, era nos mesmos que íamos a pe buscar na fazenda. Meus pais não começaram de cima. Apesar de ser filhos de pais que viviam das fazendas, so não nos faltava o essencial exatamente por causa do privilegio.

Ha que se levar em conta que os antepassados de nossos antepassados foram os colonizadores da região. E quando chegaram não pagaram aos Indios pelas terras que ocuparam.

Era a lei. Eles tinham “o direito”, descrito nela. So não creio que a lei fosse justa e legitima. Também os mais antigos tiveram escravos. E `a minha época, pouco pagavam aos empregados. Nunca era fora da lei!

Com a multiplicação das famílias as terras foram sendo divididas. E com o tempo ate deixaram de dar retorno suficiente para que nos vivêssemos delas. Atualmente, temos muito mais familiares vivendo de outros ofícios que da agropecuária.

Mas o importante mesmo eh essa conclusão. Que mal haviam feito aquelas crianças que, so porque não tinham avos fazendeiros, ate o essencial seria negado a elas?

E saibam vocês, a profissão de fazendeiro ficou mal falada no jargão politico. Herdamos a reputação de nossos ancestrais que realmente foram abusivos. Claro, em todo lugar que se vai tem sempre alguém abusivo, não interessa a profissão ou origem social. Contudo, no tempo em que trabalhei na fazenda os pequenos produtores se tornaram tao vitimas quanto quaisquer outros brasileiros.

Primeiro eh preciso lembrar que vaca não tem dia de descanso, feriado ou dia santo. Em anos normais nos dão 365 dias de trabalho. Não ha descanso.

E muitos pensam que os fazendeiros no Brasil são privilegiados por terem algumas isenções. Na realidade, trata-se de uma maquiagem para enganar-se os incautos.

Como se trabalha com produtos essenciais e estratégicos a profissão fica sob o controle dos governos. Isso porque se ha algo que não pode faltar eh alimento e a preço acessível para a maioria. Se assim não fosse, imediatamente nasceriam revoluções.

Nesse caso, os governos usam os estoques para estrangular o produtor. O produtor corre todos os riscos do mercado. Mas o preço do seu produto não surge dos seus custos. Para os governos eh mais importante alimentar o povo que tornar a produção sustentável.

A maioria das pessoas não sabe mas quando ha grandes perdas na produção, os preços das mercadorias nao acompanham a tendência. Assim, so ganha dinheiro quem eh intermediário.

Quando a produção excede, os preços caem ate abaixo dos custos. O povo continua pagando o mesmo preço, mas os lucros continuam nas mãos dos intermediários, pois, por dificuldades os produtores ja venderam seus produtos.

Ai eh que esta. Quando ainda estudante ouvi de um produtor antigo o dizer: “Eu não compro leite nas mãos de minhas vacas!” O que ele queria dizer era que para aplicar aquelas tecnogias que estávamos aprendendo teria que investir. Então, ele não investiria, pois, julgava que não iria ter o devido retorno.

E a pratica realmente comprovou a teoria dele. Produzir muito leite era, não se olhando as dificuldades do trabalho, ate muito fácil. Não ha muito segredo. As vacas são como atletas. Tem capacidade para produzir muito. Mas precisam de alimentar-se em correspondência. Então, alem do trabalho de seleção de um plantel mais produtivo, o restante eh alimenta-las bem.

Acontece que o custo disso fica, em boa parte das vezes, mais caro que o valor do produto no Brasil. Com isso não se tem a produção porque os preços estão consignados `a necessidade do povo de alimentar-se.

E, por outro lado, consignado tambem `a necessidade dos governantes aparecerem nas costas do trabalho do produtor. Como os governantes optaram por salários baixos ao povo, obrigam o produtor a vender quase ao preço de custo. Quem dos mais velhos não se lembram do frango a R$ 1.00?!!!

Outro detalhe. Isso se deu dos primeiros anos de 1990 para trás. `A mesma época a fome ainda grassava pelo Brasil afora. Tanto que foi preciso o trabalho heroico de alguns abnegados para iniciar seu combate. Leiam a biografia:

https://educacao.uol.com.br/biografias/herbert-jose-de-sousa-betinho.htm

Um de meus maiores orgulhos na vida foi ter ido a um manifesto na Praça Sete, em Belo Horizonte, para dar apoio a esse herói brasileiro. Não apenas o vi discursando no palanque. Quando desceu, ficamos lado-a-lado.

Nem cheguei a conversar com ele. Passei um projeto que tinha a outra pessoa que estava com ele no palanque e depois o vi carrega-lo. Penso que a ideia foi usada depois. Mas ele faleceu não muito tempo depois (1997). E eu sai do Brasil antes disso (1993).

E aqui nos EEUU eh que pude compreender melhor a razão política para a pobreza no Brasil. Vim para trabalhar duro. Para dizer a verdade, figurativamente falando, rasguei o meu diploma. Limpei banheiro, arranquei toco de arvore no braco, trabalhei em fabrica etc. E não penso ter gloria nenhuma por essa razao.

A informação que todos deveriam saber eh essa: fazendo os mesmo serviços que o povo pobre brasileiro faz, cheguei a ganhar em um dia de trabalho tanto ou mais que o pobre recebia no Brasil a troco do trabalho do mês inteiro.

E ai eh que esta!!! Os governos anteriores sempre apareceram com a conversa fiada de que: se aumentassem os salários dos brasileiros iria ter inflação, ou a Previdência iria quebrar.

Cinismo deveria ter limites!!! Os grandes conglomerados financeiros fecharam as fabricas nos EEUU para explorar a mão-de-obra barata nos países em desenvolvimento. Isso porque neles não se da valor `a pessoa humana. Não se da direito `a dignidade das leis trabalhistas. Mas os mesmos dignatários do capital continuaram ganhando ate mais.

E as pessoas pouco informadas ainda pensam que eh o trabalho que da “dignidade”, porem, valorizam aqueles que tem o dinheiro, sem se importarem qual eh a origem dele.

Quando vejo alguém manifestando-se dessa forma: “Nunca estive em casa esperando por uma bolsa do governo”, naturalmente, analiso se isso vem do puro orgulho ou da falta de informação.

No caso da pessoa que disse, posso garantir que ela tem pais com condições de a terem protegido. Nada faltou a ela. Ja os avos paternos dela nao eram diferentes de meus pais. Alias, eram primos próximos. A a situação ancestral era a mesma.

Mas quando vejo uma declaração desse gênero, da-me a impressão de que a pessoa queria dizer mesmo eh isso: “Estou morrendo de inveja porque aquele pobre teve a ajuda governamental, eu não!” Isso mesmo! A desinformação leva `a inveja.

Ora, as pessoas pensam que os programas assistenciais tem a função única de drenar os recursos governamentais e privilegiar os que não estão trabalhando. Mesmo que estejam, mas no momento o desinformado so enxerga os que não estão. Não se leva em conta nem mesmo quando não existem condições dignas de trabalho para a maioria.

Acontece eh que os “bolsas” não vão para o bolso do pobre. Eles não irão fazer pe-de-meia com ele. A ajuda individual eh tao pouca que a única coisa que pode-se fazer eh usa-lo para o essencial. E vejam que, apesar das condições astronomicamente diferentes, aqui nos EEUU temos programas semelhantes para atender gestantes e infantes, enquanto esses não atinjam a maioridade e se tornem autônomos.

Em verdade, dinheiro cai em circulação. Se o houvesse `a minha época, talvez eu tivesse recebido. E isso não serve somente para o leiteiro. Serve para o padeiro, o verdureiro, o acogueiro e qualquer outro comerciante de pequeno porte.

Esses, em seguida, repassam o que coletam para outros comércios maiores dos quais compram. Sendo que no final, toda a sociedade eh beneficiada.

A ideia de que eh o pobre, “vagabundo” eh quem leva vantagem, trata-se apenas de uma manipulação política, onde as pessoas acabam sendo levadas a dar tiros nos próprios pés, pois, são manipuladas pelos seus próprios orgulho e preconceito. Eh o velho cabresto conduzindo os desinformados.

Ai esta. Alem do trabalho particular, abriu-se a oportunidade de dar aulas para o segundo grau. Meu trabalho na propriedade paterna me garantia casa, comida, roupa lavada e o conforto de viver na casa dos pais. Eu permanecia solteiro. Mas não me dava retorno para investir em mim mesmo.

Por falta de professores disponíveis passei a dar aulas de química, biologia e geografia tanto na escola estadual da cidade quanto da cidade vizinha. Somado tudo, por aproximadamente 30 horas trabalhadas/semana dentro de sala de aula eu recebia um salário mínimo e meio.

E como funcionário contratado pelo Estado de Minas Gerais tinha alguns benefícios como o seguro saúde. Previdência do Estado. Diga-se de passagem, pelo tratamento de dentes que fiz, a qualidade deixava muito a desejar.

E logo na entrada do novo governo, PSDB, do ex-governador Eduardo Azeredo (e nao estou dizendo que ele foi pior que os outros), decidiram que para os professores melhorarem seus salários precisariam fazer cursos.

Indaguei a mim mesmo: ora, estou dando aula para segundo grau e, com todo o conhecimento que tenho das disciplinas que leciono, o que mais vou precisar saber para elevar meu salário?

Obviamente, eu tinha livros didáticos em mãos. E o que precisava ensinar estava em um nível muito inferior ao que eu fora obrigado a aprender na universidade. Esta certo que eu não era um professor formado, mas dentro do que eu precisava saber eu ja sabia muito alem.

Alem disso, a primeira oportunidade do tal curso que abriu a gente teria que passar o mês de julho inteiro, salvo engano, em Lavras ou Varginha. A centenas de quilomentros de distancia. A viagem e a estadia seriam por nossa conta. Apenas o curso seria pago pelo Estado.

Feito as contas, para cobrir o investimento com os 5% que receberia de aumento, passar-se-ia mais de um ano.

Ou seja, na verdade, estaria pagando pelo que iria receber no futuro incerto. Isso porque era contratado e não poderia efetivar-me por não ter magistério. Para ter, teria que fazer outra faculdade por minha própria conta. E, como contratado, poderia ser desalojado do serviço imediatamente no momento em que alguém com o devido diploma se candidatasse ao cargo.

Apesar do preconceito que tinha quando mais jovem em ser professor, verifiquei depois da pratica que seria a profissão ideal para mim. Gostava de lecionar e os alunos correspondiam aos estímulos. Meus objetivos eram os mais nobres. Para mim, se os alunos não aprendessem, exceto algumas exceções, a culpa seria minha e não deles.

Dava tudo de mim para ensina-los as disciplinas e passar-lhes minhas experiências de vida. Fui otimamente aceito como professor. Inclusive fui convidado para paraninfo da primeira turma que comecei a lecionar. Eu não queria ter alunos e sim fazer pupilos. Queria fazer daqueles meninos e meninas futuros cientistas, medicos e outras profissões elevadas que quisessem exercer.

Mas ja tinha passado dos meus 30 anos de idade. Tinha noiva e não podia oferecer a ela uma perspectiva razoável de vida nas condições que nosso pais nos ofereciam. Foram essas pressões que ajudaram-me a decidir por abandonar tudo e mudar-me para os Estados Unidos.

Mas também não posso esquecer de um incidente. Para dar aulas na cidade vizinha `a minha, e que ficava a 10 km de distancia, eu ia em outra bicicleta, sem marcha mas mais esporte que a de carga. As aulas eram noturnas. Havia sempre o risco de ser atropelado nalguma curva.

E numa das noites mais escuras que ja vi, por pouco não aconteceu a tragédia. Estava quase retornando `a minha cidade. Ha uma serra denominada de Retiro na entrada dela. E, como de habito, eu descia sem usar os freios. Quando ja proximo do final, quando a velocidade não permitia que usasse os freios e nem fazer manobras para desviar-me, percebi outra pessoa subindo em direção contraria.

Foi mesmo mais perceber que ver. Não dava tempo. Ela estava empurrando a bicicleta dela na mão contraria. Passamos um pelo outro num piscar de olhos. Senti como se enxergasse como um morcego. A pressão do vento que eu empurrava sobre a pessoa retornou a mim, tao proximo passamos um do outro. Foi uma questão de centimetros que evitou que ambos morrêssemos.

Nunca fiquei sabendo quem era a outra pessoa. Reconheço que houve imprudência de minha parte. Mas, por outro lado, pelo mesmo servico que eu fazia no Brasil, se o estivesse fazendo nos Estados Unidos, estaria devidamente equipado com meu carro, faróis acesos e tal incidente jamais teria ocorrido. Claro, havemos que levar isso em conta. Alem de trabalhar muito, o trabalho estava acrescido ao risco de morte. Era muito sacrifício para o nível de remuneração.

E aqui esta porque eu resolvi fazer publicas essas porções de minha vida. Ora, se eu que era, talvez, uma esperança de redenção para a nação, fui tratado com tal desrespeito pelas condições oferecidas no Brasil, então, imagine-se que condições são oferecidas para o povo de um modo geral, principalmente para aqueles que não tiveram os mesmos privilégios que eu, como os de ter família estruturada economicamente falando, desde o tempo colonial e ter percorrido pelos patamares mais elevados da educação!!!

Infelizmente ha ai uma das razoes pelas quais o Brasil nunca deu certo. Meu pai contribuiu muito com a minha educação. Mas sempre estudei em escolas publicas, exceto numa pequena parte.

Foi o povo brasileiro, do qual meus familares faziam parte, que pagou minha educação através de seus impostos. E no momento em que eu poderia ter dado retorno ao povo, eu somente poderia faze-lo se aceitasse viver numa condição de quase escravo.

Ja a única oportunidade que se apresentava naquela época para jovens que quisessem construir suas vidas era sair do pais. O mundo ca fora estava em franca expansão. Os salários eram convidativos. Mesmo que as condições de trabalho fossem dificultosas, o trabalho fisico nunca havia me metido medo. Não fui apenas eu. A onda migratória tomou seu alge pouco anos depois que parti.

Aqui a gente podia notar a diferença nas missas que frequentávamos no inicio de um ano e outra no final do mesmo ano. Se quando chegamos não ocupávamos sequer 25% do total de bancos na igreja, 5 anos depois a igreja tornou-se pequena para comportar todo mundo e foi necessário haver missas em horários diferentes.

E estou mencionando apenas uma comunidade das centenas que se criaram nos Estados Unidos. Não estou mencionando outros países.

Mas, se por um lado nos não pudemos contribuir para o crescimento do Brasil através do nosso trabalho direto, resta o consolo de que enviamos dinheiro suficiente para contrabalançar, em parte, a incompetência dos governantes.

Obviamente, para o Brasil, melhor teria sido ter dado oportunidades para aqueles que emigrariam, pois, eles trabalhariam com o Brasil, pelo Brasil e para o Brasil.

Ao sairmos, enviamos o dinheiro que pudemos e muitas comunidades foram socorridas com nossas contribuições, a ponto de não sentirem tanto os drásticos problemas sociais e econômicos pelos quais passava o pais. Porem, o dinheiro se acaba rapidamente. O que construimos em terras estrangeiras eh o que pode permanecer por gerações, dando retornos.

Retornos esses que deveriam ser computados como dividendos pelo que o Brasil investiu em nosso crescimento e educação. Infelizmente, as pessoas não enxergam como se processam tais reveses.

A nossa interlocutora também ignora como se processam as coisas na sociedade humana de um modo geral. Ela se acha o exemplo!

Aos moldes dela, eu diria que qualquer jogador de futebol bem pago torna-se “exemplo” muito melhor que ela mesma. A teoria eh essa, quem trabalha muito e se destaca deveria receber uma compensação melhor pelo tanto que soa a camisa. Verdade?!!! Como dizia o Gonzaguinha: “o nosso exemplo deve te bastar!” Ouçam:

E não vou fazer aqui discurso contra o esporte, nem contra os salários que jogadores de alto nível ganham. Amo os esportes, ja pratiquei e acredito que todos deveriam faze-lo, caso não haja nenhuma inconveniência medica. Mas ha o que raciocinar.

Infelizmente, esporte e outras atividades que remuneram glamorosamente seus destaques não estão cumprindo com suas obrigações sociais. Eles estão apenas sendo usados como parte do “circo”, sem pão, para que as pessoas se distraiam de buscarem as soluções verdadeiras.

Quantas crianças estão sendo iludidas a praticar esporte somente por ser atraídas pelo glamour da profissão? Ao mesmo tempo, sabemos que somente uma quantidade minima ira atingir o objetivo.

As mesmas pessoas que são induzidas a apaixonar-se pelo esporte e outras atividades tornam-se fanatizadas por eles. Compram mercadorias de seus times e dos patrocinadores não porque precisam delas mas somente por causa da indução comercial.

Dou muito valor aos esportistas e artistas que suam suas camisas para melhorarem os níveis de suas próprias vidas e suas famílias. Mas eh so compararmos e vermos que ha uma relação disproporcional entre a vida deles e seus fas. Enquanto eles suam baldes para ganharem o que ganham, os milhões de espectadores suam um oceano inteiro para pagar os ganhos deles.

Alem do mais, enquanto se fica pensando tanto no esporte e outras profissões melhor pagas, neglegencia-se a escola, a saúde, o direito, o dever, a compaixão pela situação do proximo, enfim, o esporte torna-se apenas um cabresto para conduzir os pouco informados.

Compare-se, por exemplo, o que os jogadores da seleção de 1970 ganhavam e o que os “perna-de-pau” de hoje ganham!

Naquele tempo era-se praticamente amador. Mas a qualidade do esporte, resguardando os ganhos que foram acrescentados com a evolução que haveria de qualquer forma da educação física, não deixava a desejar. Era o melhor do mundo, sem explorar-se tanto ao consumidor.

Pensar dessa forma: “Assim como vc eu tb trabalhei e contínuo trabalhando duro e é pôr isso que estamos na posição que estamos … ” eh ignorar completamente o funcionamento da sociedade. Não quero afirmar que eu trabalhei mais. Não sei o quanto ela trabalhou para comparar comigo. Mas sei que ha um limite. E que são milhões de pessoas que trabalham o mesmo tanto, um pouco mais ou um pouco menos. O dia não eh maior para uns e menor para outros!!!

Então, pergunta-se: por que os vencimentos são tao diferentes?!!! Não gente. Não se trata de uns serem mais especializados que outros e o que fazem não pode ser feito por outros. Eh justamente isso que querem que acreditem. Trata-se apenas de usar a psicologia humana contra a própria pessoa.

Voce ja viu que quando uma criançada agitada esta junta e vem um dos meninos e começa a correr na frente dos outros? Pois eh!!! Isso logo induz as outras crianças a correr atras, para provar que podem mais e tudo vira disputa. O bom eh que quando a disputa ocorre entre crianças tudo não passa de brincadeira e ate eh bom para a saúde.

Mas quando isso se da entre adultos a coisa torna-se doentia. Então, os ganhos maiores que uns levam torna-se um incentivo para que outros persigam o mesmo objetivo. Porem, todos irão fazer o mesmo esforço. Mas somente um levara o prêmio. E a desculpa sempre sera a mesma: quem não levou o prêmio eh porque não esforçou o suficiente.

Mas não se trata disso. Trata-se apenas de fazer pessoas reagirem como os burros que os donos colocam uma penca de cenouras amarradas numa vara `a frente do animal.

O burro eh enganado pela impressão de que se andar comera as cenouras. Enquanto isso, não percebe que esta mesmo eh puxando a carroça. A cenoura so vem depois, quando o dono do burro ja se satisfez com o quanto ganhou nas costas dele!

Desculpem-me. Mas, antes que me venham as conclusões precipitadas, eh como eu sempre procuro esclarecer. “Toda comparação eh burra”. Esse dizer tem apenas a intenção de confirmar o fato de nenhuma comparação servir exatamente para o propósito que tem.

Estou fazendo essa ressalva para que não entendam que estou chamando alguém de burro ou chamarei de prostituta na próxima comparação que farei. Ser semelhante eh diferente do apenas ser. Afirma-se que o ser humano foi feito: “`a imagem e semelhança de Deus”. E querem comparação mais absurda que essa?!!! Não tenho.

As pessoas um pouco mais velhas, pelo menos as que nasceram da década de 1970 para trás, e acompanham noticias ligadas a medicina, lembrar-se-ao bem do que tem sido a epidemia da síndrome conhecida como AIDS.

Ela saiu um pouco da evidencia porque outras epidemias tornaram-se mais atrativas para vender noticias. Infelizmente porque ela esta apenas contida, porem, não temos cura garantida para ela por enquanto e o método de contenção pode leva-la a evoluir para coisa pior.

Mas o que nos interessa no momento eh que a Africa tornou-se geograficamente o local mais atingido pela epidemia. Foram milhões de falecimentos. Deixou uma quantidade absurda de crianças órfãs. E, como se sabe, quanto mais pobre o local onde as epidemias atacam, maior eh o estrago.

Obviamente, temos a população susceptível `a doença. Quase todos o somos. Portanto, o contrair da síndrome não se trata de que uns são melhores e outros piores. O fato eh que uns tem acesso a prevenções e outros não.

Desgraçadamente, a população africana teve locais em que quase uma geração inteira foi varrida da face da Terra. Porem, foram vitimas. Não se trata de ser vitimas de seus próprios pecados, pois, existem casos de maiores pecadores que nunca irão contrair tais doenças.

Dentre as pessoas vitimadas pela pobreza, existem pelo menos umas duas ou três prostitutas. Viviam em areas tao pobres que em certo momento da vida delas elas tiveram a escolha: não se prostituir e, provavelmente, morrer mais rapidamente ou prostituir e viver um pouco mais.

Era um jogo mas elas não sabiam. O que podiam esperar eh que prostituindo-se poderiam alimentar-se. Iriam contrair a doença, porem, poderiam viver anos sem a manifestação do problema. Portanto, o instinto de sobrevivência falou mais alto.

Eu não as condenaria pela opção. Embora, não sei se teria tanta coragem se tivesse que fazer a mesma escolha.

Mas para a felicidade delas, justamente por venderem o sexo e sobreviver foi que se descobriu que elas eram imunes `a síndrome. Apesar de praticarem o sexo sem proteção, consequência da pobreza e falta de informação, nunca contraíram o mal.

Outro ator na Historia foi o medico pesquisador e sua equipe que descobriu o fato. Eles, por pesquisarem o assunto, acabaram tendo a sorte de trabalhar no local onde elas viviam.

Agora temos a situação. Não sei dizer qual a defesa do organismo das prostitutas atuou na prevenção de elas contraírem a AIDS. Não sei dizer se elas possuem alguma barreira que impede a entrada dos virus causadores ou se produzem anticorpos capazes de combate-los. Não faz diferença. Elas são imunes.

Acontece que os medicos deverão decifrar isso. E caso constatem o mecanismo que seja, por exemplo, algum anticorpo que combate os virus, poderão elaborar alguma vacina e resolver o problema de vez. O mundo livrar-se-ia da AIDS e, talvez, somaria tecnologia para combater outras doenças iguais ou piores.

Esta ai o fato que não eh novo. Os acadêmicos poderão reunir-se, entender que o fato foi relevante para a humanidade e indicar o medico para receber o prêmio Nobel da Medicina. E, caso ele não de o azar de competir com outra descoberta mais relevante, então ganhara o prêmio.

Merecido? Em minha opinião, em parte. Isso porque o prêmio eh distribuído para incentivar a relevância, porem, não reconhece toda a Historia que se passou. Existem milhares de outros medicos pesquisando a mesma coisa. Talvez existam ate alguns mais competentes.

Então, pode ter sido apenas sorte daquele medico ter encontrado as pacientes certas em suas pesquisas. Outro detalhe eh que as pessoas que participaram na preparação deste medico não serão premiadas. Ninguém eh bom sozinho. Existem os que vieram antes e prepararam o caminho para ele.

Também haveria que reconhecer-se o sofrimento dos aidéticos que serviram de cobaia para as pesquisas medicas. Sera que eles também não mereciam parte do prêmio, ou uma compensação melhor pelo que passaram, que eh tanto ou mais relevante do que o feito do medico?

E, absolutamente, não premiarão as prostitutas. Isso eh justo?

Bom, elas nao fizeram nada, não eh mesmo?!!! Diriam os mais conservadores. Sei não!!!

Mas foram elas que tiveram a sorte de possuir um pequeno dom dentro de seus organismos que realmente levaria `a descoberta da vacina. O medico não vai criar nada. Vai apenas descobrir e copiar aquilo que ja estava nelas.

Alem do mais, isso jamais seria revelado se elas não tivessem tido a coragem de enfrentar a morte, ou tentar adia-la.

No meu entendimento, não se trata de negar a virtude do medico. Acredito que o que se precisa eh apenas dimensionar o valor de todos que participaram. Se querem premiar o medico, bom para ele! O que penso ser injusto eh não reconhecer também o feito dos outros.

Retornando então ao tema dessa “carta”, repita-se os dizeres da interlocutora: “Assim como vc eu tb trabalhei e contínuo trabalhando duro e é pôr isso que estamos na posição que estamos … Não há nada melhor que o trabalho é com ele que vêm todas as conquistas e superações de um ser humano.”

Não. As coisas não são assim tao diretas como ela pensa. Pergunta-se: e se, como as prostitutas, a natureza tiver legado a elas alguma vantagem em relação `as pessoas que estão menosprezando quando afirmou: “Nunca estive em casa esperando por uma bolsa do governo”?

Muita gente, que talvez tenha ate vontade maior de trabalhar que elas, talvez esteja esperando por “bolsa do governo” porque esta doente e não consegue trabalhar, apesar da vontade. Muitos querem o trabalho, mas não esta disponível para eles.

O que nossa interlocutora não compreende eh um mínimo do como realmente funciona a nossa sociedade. E ha outro problema também! E quem sabe se pessoas que defendem com tamanha veemência o trabalho apenas sofram da síndrome que comumente se chama workaholism.

Compreendam, a palavra eh formada pela combinação, em inglês, das palavras trabalho e alcoolismo. Seria o vicio de trabalhar. Para quem sabe ler nessa lingua pode consultar e obter alguma informação aqui:

https://www.psychologytoday.com/blog/the-workaholics/201112/understanding-the-dynamics-workaholism

Quem nao souber ingles pode buscar que encontrara em português também, ou outra linguagem que sentir-se mais confortável. Esse mal não foi identificado na atualidade. Portanto, o conhecimento ja eh disseminado no mundo inteiro.

Para que se tenha uma ideia do problema para a saúde publica, as pesquisas ja mostraram que trabalhar-se mais que 55 horas por semana torna as pessoas muito mais susceptíveis a doenças cardiovasculares, particularmente, ataques cardíacos e derrames.

Portanto, não eh atoa que o departamento de estado ou o fisco nos Estados Unidos tem uma tática para combater o mal. E a tática eh a de punir `aqueles que trabalham em excesso.

Aqui esta a situação. Como o país eh liberal, não pode proibir que a pessoa trabalhe o quanto desejar. Mas pode puni-la através de seus impostos. Para dar um bom exemplo (ou mal exemplo) vejam o que aconteceu com um primo nosso.

Ele trabalhava alem do desejado. Aqui nos Estados Unidos, os patrões “denunciam” os empregados e os empregados “denunciam” os patrões pelas próprias regras do jogo. O patrão eh obrigado a emitir um formulário do quanto pagou ao empregado para que tenha vantagens em sua declaração.

Contudo o empregado fica na obrigação de apresentar seu formulário em sua própria declaração. Nesse caso, o fisco usa as declarações de ambos para verificar se os dois estão agindo corretamente. Nesse caso, não pode haver diferença entre um e outro. A fiscalização cruza todas as informações.

Então, quando um empregado apresenta diversos formulários, representando cada emprego que possua, isso indica a possibilidade de workaholismo. E quanto maior a quantidade de formulários que o trabalhador apresenta, menor são as isenções que lhe dão direito.

No caso de nosso parente, ele apresentava todos os anos o que ganhava. Um dia resolveu conversar com o contador porque pensava que estava pagando muito porque pessoas com declarações semelhantes `a dele contribuíam com menos.

Alem dos trabalhos que possuía, fazia um bico de limpeza. Limpava uma creche `a noite. Coisa rápida. Hora, pouco mais ou pouco menos de trabalho, em 5 dias. Ganhava a fortuna de US$ 100.00/semana, o que da 5.200/ano.

O contador informou para ele que esse ganho estava excedendo. Ele perguntou: “E se eu parar de trabalhar nesse serviço, quanto vou pagar?” O contador respondeu que se ele fizesse aquilo não iria pagar, iria receber!

Pois, então! O parente saiu se rasgando porque estava fazendo o bico para pagar o governo mas era o governo que lhe devia. Alem disso, ele estava se matando, não porque o trabalho era pesado mas, porque estava perdendo o tempo que poderia desfrutar com a família e o acumulado desse pouco com os outros trabalhos estava desgastando a sua saúde.

Ai eh que esta. Se a interlocutora tem algo mais na genética dela, pode ser que as outras pessoas não tenham o mesmo para o trabalho mas podem ter outros dons como a compreensão dos seus próprios limites.

E ela também não percebe que baixando a cabeça para “puxar a carroça”, segundo a sociedade corrupta lhe ensinou, não tem a finalidade de promove-la. Muito pelo contrario.

A finalidade de destacar alguns em detrimento dos outros, em nossa sociedade, eh justamente de fazer parecer aos outros que eles não possuem mais porque são inferiores.

Quando as pessoas acreditam nisso, elas dão vazão aos dirigentes da sociedade para que eles não se responsabilizem por uma distribuição mais justa dos ganhos econômicos produzidos pelo esforço de todos. E os malandros podem continuar, como Gerson. “levando vantagem em tudo”.

Como comparei no caso dos jogadores e artistas de um modo geral, eh verdade que eles suam muito e merecem compensação por isso. A teoria que não se sustenta eh a de que os salários baixos oferecidos para a maioria da população se deve a ela ocupar-se com profissões inferiores ou substituíveis.

As profissões podem ser. As pessoas humanas não. Inferioridade eh não valorizar as pessoas devido `a profissão que exerçam.

Alias, diga-se de passagem, eh uma grande falácia da prima dizer: “pq a mim não me importa se eu tenho que lavar banheiros ou ter trabalho de dondoca.”

Conversa fiada! Eu proprio jamais limparia um banheiro no Brasil. Nem tanto pelo serviço em si. Mas existiam dois problemas. Um foi a educação do passado, quando era jovem, que relacionava o serviço com o sexo feminino. Não se preocupem, não tenho mais esse preconceito.

Mas o que pesa mesmo era que quando se tem um diploma de nível superior nas mãos a gente descarta automaticamente a possibilidade de trabalhar-se com profissões que não exigem especialização, especialmente porque, no caso brasileiro, não se paga o salário que o trabalhador merece.

As pessoas tem a ilusão de que trabalhar com qualquer coisa eh tao fácil quanto falar: “Não há nada melhor que o trabalho é com ele que vêm todas as conquistas e superações de um ser humano.”!

Desde que a pessoa goste do que faca e que haja compensação, quando não eh um trabalho voluntário. Aposto como a parente não faria o trabalho de domestica no Brasil, pelo pagamento que normalmente as pessoas recebem e ficaria satisfeita.

Não sou nem um pouco contra o trabalho. Apenas tenho a certeza de que eh preciso haver equilíbrio entre as coisas. Trabalho pode tanto elevar quanto destruir as pessoas.

Eu próprio fui testemunha de uma pessoa que deve ainda estar paraplégica no Brasil, se não tiver falecido. Era o exemplo de pessoa trabalhadora e o orgulho dos amigos por isso. Começava a trabalhar antes dos outros e largava depois de todos. 7 dias por semana.

E em seu leito de paraplégico ele disse: “Nessa vida a gente corre, corre, corre, corre, corre e fica no mesmo lugar!” Tenho isso gravado em imagem e som. Mas esse, como muitos outros, são exemplos que a sociedade não mostra relacionados ao trabalho, pois, nela não ha equilíbrio. E, creio, nem nas palavras de minha interlocutora.

Acredito que o povo brasileiro, como nosso primo Cleber Augusto uma vez ja disse, não merecia a desdita de chama-lo de preguiçoso, vagabundo e aproveitador. Trabalhando ombro-a-ombro com pessoas do povo sempre percebi o valor dele. Nos não precisamos descarregar nossas frustrações no povo. Ele não eh o culpado.

Por outro lado faço a observação de que a interlocutora esta buscando o reconhecimento para si mesma. E nisso ela esta certa porque ninguém fará isso por ela.

Contudo ha que se lembrar que o reconhecimento que procura depende de que os outros o deem a ela. Todo mundo esta procurando reconhecimento mas a verdade eh que todo mundo tem se esquecido que os outros também merecem reconhecimento.

Quando estamos muito afoitos para obtermos reconhecimento costumamos nos esquecer de reconhecer os merecimentos dos outros. Eh mais fácil a gente reconhecer o valor dos outros, pois, isso depende apenas da gente mesmo. Quem quer geralmente da o primeiro passo.

Para termos o reconhecimento dos outros o melhor eh começar por reconhece-los primeiro. Pessoas que reconhecem os outros geralmente são conhecidas por simpáticas. E a receita menos correta para a simpatia e exigir aos outros aquilo que não oferecemos a eles.

 

 

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03. MEXI COM O KAKO

Publiquei no facebook um resumo desse texto que estava sendo construido em minha cabeça. Mas penso que pelo resumo nem todo mundo ira entender tudo o que era preciso.

Por isso, após publica-lo, retorno para dar a explicações e, espero, que as pessoas não tenham duvidas maiores. Mas quem as tiver pode comentar que eu procurarei esclarecer, se estiver a meu alcance.

Na verdade, a resposta fazia parte de outra conversa. Eu extrai apenas dois assuntos levantados la. Se fosse contar tudo tornar-se-ia longo e cansativo, pois, são aquelas conversas que nunca tem fim. Segue então:

Estou ficando com do de todos vocês ai no Brasil. E acredito que voce concordaria comigo se tivesse o mesmo nível de informações que tenho.

Vou falar a respeito de apenas duas coisas. O problema eh que vocês são bons e não merecem pelo que estão passando. Gosto de todo mundo mas `as vezes ser bom demais acaba virando-se contra a gente.

Vocês acreditaram em tanta coisa que, como vi um comentário de outra pessoa dando graças a Deus pela Republica de Curitiba, penso que vocês sentir-se-ao muito mal quando descobrirem e concordarem que eh tudo falsidade. Se estão decepcionados agora, depois!…

Não quero aqui fazer apologia ao desrespeito `a autoridade. Penso ser necessário o respeito, porem, ha que reconhecer tratar-se de pessoas humanas. E, então, fizeram tanta apologia quando inventaram aquelas frases: “Somos todos fulanos, ciclanos e beltranos…” que eh admirável, após tantas decepções seguidas, creditar “santidade” e boas intenções a quem quer que seja.

Concordo. Existem aqueles que não são a favor desses. Sao tao contrários aos que chamam de “outros” que lhes interessa a perseguição e não a explicação do que eh e do que não eh justo. Eu, porem, busco a justiça em primeiro lugar. E não me interessa a quem ela venha a servir, desde que seja justiça no sentido puro, e não por convicções ou linchatoria.

Não quis e não desejava estender mais essa area. Porem, a minha colocação aqui não se trata de arrogância. Queria apenas trabalhar com fatos. E dentro deles eu sou uma das pessoas mais ceticas que conheço. Na verdade, se me chamarem de Sao Thomé deverão estar desmerecendo o santo. Embora o meu ceticismo tenha muita afinidade com o dele.

Ha que duvidar-se sempre. Quando alguém lhe promete fazer algo eh preciso analisar, pois, ha sempre o risco de estar-se sendo manipulado pelas palavras que se quer ouvir. O meu interlocutor mesmo eh menos direita e mais anti-esquerda. Dai ele disse ser contra e acusa a esquerda brasileira de ter mentido ao prometer ética e combate `a corrupção.

Eu sempre enxerguei com outros olhos. O que vi mesmo foram as esquerdas escancararem a corrupção e o comportamento anti-ético dos adversários. Lógico, todo mundo que ouvisse o discurso, e não fosse cético, entenderia que estivessem prometendo ser sempre éticas e anti-corrupção.

Mas, na verdade, ja se sabia que não se poderia trabalhar no Brasil sob esse prisma, principalmente porque a maioria no congresso era contraria. Nos dois sentidos: contraria politicamente falando e contraria ao comportamento ético e anti-corrupção.

Tenho algo em mente a ser escrito mais tarde que ira focar esse assunto, pois, sem querer defender as esquerdas e ja defendendo, parafraseando ai ao Jo Soares, elas não são “culpadas sozinhas” pelo que acontece no Brasil.

Justamente os mais exaltados, que estão agora acusando-as, erraram tanto ou muito mais que elas ao não terem dado o apoio necessário para a moralização do pais. O erro eh mutuo. Mas eh preciso voltar `a Historia desde os anos 90 para explicar isso. Agora aguardem!

Vi sua comparação entre Brazil e Korea, com z e K mesmo! E conclui que te mostraram o que queriam que voce visse. Mas veja outros dados antes de tirar sua conclusão.

E também lembre-se que a Coreia estava totalmente destruida em 1954. E que 10 anos depois tomaram o poder no Brasil e a “direita”, não a esquerda, teve 21 anos, podendo ainda somar-se os do Sarney que era filhote da ditadura, para tornar o Brasil na China dos dias de hoje e não foi capaz. E a ditadura acabou em Collor!!!

Em outra conversa meu interlocutor disse que não entendia porque eu afirmei por la que o FHC também fez um governo de direita, pois, afinal ele procedia da esquerda. Apenas informei-lhe que o FHC houvera sido um professor respeitado pelas esquerdas mas que ao chegar ao poder disse: “Esqueçam o que escrevi”.

E, naturalmente, não se caracteriza uma pessoa pelo que ela escreve mas sim pelo que ela pratica. As forcas com as quais se alinhou para governar foram as de direita, então, quem pensa e se parece com direitista, nunca sera classificado como esquerdista.

Voce disse que eh bom de matemática. Vamos ver se eh mesmo então!

Pergunte-se: por que surgiram os Tigres Asiaticos (Korea, Hong Kong, Cingapura e Taiwan)? Alem deles, ha também o Japão. Sera que foi somente com a educação que eles criaram forca?

Agora pegue o mapa da America Latina. Voce enxerga so gatinhos, não eh mesmo? Por que sera?!!!

Bom, ate aqui, o engano do meu interlocutor eh o de ver um video, achar bonito, e pensar que nele encontram-se as respostas para todos os males que vivemos.

Outro detalhe, pegue os dados de educação da Arabia Saudita. Voce vera que a população tem um nivel super elevado, com grande parte tendo grau superior. O nivel de educação do saudita eh igual ou superior ao coreano. Ha que fazer-se o desconto, porem, porque a mulher na Arabia Saudita eh discriminada.

Também, retire o petróleo da balança comercial da Arabia Saudita e voce vera que mais da metade da população do pais tera que migrar para exercer suas profissões. Caso contrario, ficara igual a nossa situação no Brasil, quando formei, que tinhamos o diploma mas não tinhamos empregos.

Colete mais essa informação: http://www.viva-mundo.com/pt/noticia/post/paises-mais-educados-do-mundo/. Veja que na Federação Russa 53% da população tem pelo menos um diploma a nível superior. 95% tem curso de II grau ou profissionalizante.

Some mais esse petardo:

Se voce não conhece, o Michio Kaku eh uma das sumidades da física moderna. Nem acredito se voce nunca o viu em algum lugar. Sera por que que ele afirmou que a educação eh uma das piores da Terra, aqui nos Estados Unidos?!!!

Então, pelo que te disseram na sua reportagem, os Estados Unidos era para ser a potencia que eh?

Algo que o Kaku não acrescenta ao que fala eh o de que os Estados Unidos não faz bom uso dos investimentos em educação. Observe primeiro que o sistema educativo nos Estados Unidos eh, senão o, um dos mais caros do mundo.

Mas não interessa a eles atender a todos os estudantes do pais, justamente porque outros países o fazem, produzem gênios e eles simplesmente os importam. Eh mais fácil importar que formar gênios.

Diga-se de passagem, esta cheio de veterinarios, advogados e outros do Brasil fazendo limpeza no pais. Não eh um luxo?!!!

A educação nos Estados Unidos não eh de todo uma negação. 90% eh um verdadeiro lixo. Mas os 10% restante são o suficiente para manter o pais na ponta, produzir seus próprios gênios e soma-los aos que importam. Eles usam os próprios gênios nas areas sensitivas que não querem compartilhar com o restante do mundo.

Ja a importação de genios, fugiu `as explicações do Michio, tem duas funções. A primeira eh usa-los para o próprio beneficio. A segunda eh a de roubar dos concorrentes os mesmos benefícios.

Essa eh a realidade da competição. Atua-se em duas frentes. Na primeira voce atua a favor do seu crescimento. Na segunda voce da rasteira no adversário.

Vou apenas te dar uma pista para que voce saiba fazer a soma.

Que tal se os brasileiros fizessem um sacrificio e levassem o pais para o lado comunista?

E estou falando sacrifício porque o faria mais em beneficio dos outros. Acredito que no momento em que os brasileiros decidirem isso, imediamente surgirão 2 ou 3 Tigroes na America do Sul.

Caso contrario, ao invés de falarem tao mal da Venezuela e outros, voces poderiam ajuda-los e fortalecer o regime deles. Ja pensou, uma Venezuela socialista e começando a dar certo?

Se isso acontecesse, voce acha que nos Estados Unidos iriam se dar ao trabalho de sair espalhando que o açúcar e o cafe estão fazendo mal `a saude de todo mundo? Voce acha que alguém ia dizer que o álcool combustível polui tanto quanto o petróleo? Voce pensa que ia ter operação “Carne Fraca” ai no Brasil?

Empolguei-me aqui ao mencionar a operação “Carne Fraca”. Na verdade a propaganda contraria `a carne bovina se da em torno de um dos resíduos dessa industria que eh o metano.

Os ruminantes expelem metano tanto através do arroto quanto na decomposição do esterco. E o metano eh um dos gases do efeito estufa, que ajudaria a causar o aquecimento global. O metano eh cerca de 23 vezes mais potente que o CO2 na ação de causar efeito estufa.

Essas, porem, sao informações cruzadas que enganam aos malinformados. O metano eh mesmo um gas estufa potente. Contudo os ruminantes estão na Terra ha milhões de anos e nunca causaram problema por isso.

Isso se da porque no meio ambiente os produtos naturais tem seu ciclo estabelecido. Tudo o que eh rejeito para alguns vira alimento para outros. Durante a ultima Era Glacial, por exemplo, existiam mais ruminantes que existem atualmente na Terra. Nunca fizeram mal `a natureza.

O problema atual se enquadra mais na liberação do metano pela industria de combustíveis fosseis. Esse metano estava contido pela natureza e escapava em proporções naturais muito menores. E a própria natureza podia absorver o que escapava.

Com o aumento agressivo do produto na atmosfera, o que temos assistido eh a contribuição dele para o aquecimento global. Com o aquecimento global que provoca o derretimento de geleiras, antigamente permanentes, chamadas permafrost, esta havendo uma liberação maior desse produto, antes aprisionado, na atmosfera.

E uma coisa puxa a outra. Mais metano, mais aquecimento, mais liberação, maior aquecimento e multiplica-se o derretimento glacial.

Quanto `a produção de porção do metano de origem ruminante ja ha muito se tem tecnologia para conte-la. O uso de biodigestores coleta o gas que pode ser usado em iluminação, em fogões a gas e industrias. Alem de isso poder ser usado para diminuir a produção de metano pela area agrícola.

O biodigestor também leva `a produção de adubos que podem substituir parcialmente os químicos, diminuindo a dependência do petróleo.

A propaganda contra o metano de origem ruminante ai não se trata de defesa do ambiente. Trata-se de usar-se dados com a finalidade de prejudicar uma industria em favor de outra. E diga-se de passagem, pergunte-se: para quem lucrar com isso?

Como ve, nao estou falando mal de ninguém. Levantei as questões. Faca a soma das coisas voce mesmo.

Grande abraço. Lembre-se que estou torcendo pelo Brasil tanto quanto voce. [Terminei aqui o que havia publicado no facebook]

Também não torço contra os Estados Unidos ou contra o capitalismo. Eu sou pacifista e apenas temo que da forma como estão mexendo os pauzinhos por trás dos bastidores a guerra tornar-se-a inevitável. E depois da próxima guerra mundial ninguém poderá declarar vitoria.

Em continuidade da conversa com meu locutor ele arguiu-me a respeito de qual o socialismo que deu certo no mundo? Parece-me ser esse o único argumento que as pessoas com ideias mais direitistas pensam existir, como se tivessem descoberto o tendão de Aquiles da ideologia.

Respondi que para os padrões atuais ate que a China anda se virando bem melhor que a media.

E depois, devo avisar que não sou eu quem tem que defender o socialismo. Deixo isso para os socialistas, pois, deverão ser mais versados que eu no assunto. Eu sou pragmático. E vejo essa disputa ideológica como uma insanidade sem nenhuma virtude.

So porque nao sou a favor do que eles pensam ja deduzem que sou socialista. Sao coisas completamente diferentes. Eu preferia que os capitalistas se preocupassem menos em tentar derrubar os socialistas e se preocupassem mais em buscar soluções que deveriam adotar para construir regimes que fossem favoráveis `a vida e a paz. E vice-versa.

Se eu fosse capitalista, o que eu escolheria fazer eh procurar viver um pouco dentro de algum sistema socialista. Eu tentaria procurar saber como eles estão solucionando problemas vividos pelas duas versões ideológicas.

Por exemplo, sei que o sistema educativo universal na Russia foi adotado quando ela foi comunista. Então, esse eh um item que deveríamos copiar deles. Claro, se conseguíssemos ter uma educação tao universal quanto a deles e com a qualidade da educação finlandesa, seria o máximo.

Toda vez que visse que havia surgido alguma solução no socialismo, correria para aplica-la também no capitalismo. Mesmo que isso implicasse em sacrificar algumas convicções ideológicas. Para mim, importante mesmo são as soluções. Afinal, quase nenhum santo eh realmente puro!

O inverso eh verdadeiro para os que são ideologicamente afinados com o socialismo. Devem buscar soluções capitalistas quando não as tiverem no socialismo. Nesse caso especial podemos ate usar a lei mal interpretada de Gerson e “levar vantagem em tudo”.

Alias, diga-se de passagem. Gostaria que as pessoas parassem de inquirir sobre o pensamento marxista como se ele fosse um horror. Eh preciso recordar-se que quando Marx existia e escreveu, os capitalistas Estados Unidos e Brasil eram escravocratas.

Não se trata de defender o pensamento marxista como um todo. Mas graças a Deus que ele apontou as injustiças maiores naquele capitalismo o qual conhecia. E foi por isso que o capitalismo se viu obrigado a evoluir. Desde Marx o socialismo teve que evoluir muito e o fez porque senão seria extinto.

Se nenhum dos dois agrada a todos, então, eh porque nenhum dos dois ainda eh solução e precisam evoluir. Pelo menos, evoluam não para destruirmos uns aos outros mas para que todos sejam salvos. Esse sim deveria ser o objetivo maior ja que a humanidade eh uma família única.

Bom, parece que meu interlocutor pouco ou nada compreendeu a respeito da referencia que fiz aos Tigres Asiáticos. Na verdade, não quis deixar entender que eles não teriam a capacidade de tornar-se eminências econômicas por eles próprios.

Mas o que enxergo eh que houve uma mãozinha no prato da balança a favor deles. Talvez tenha sido mais sorte que mérito.

Para compreender melhor torna-se necessário retornar `a Historia. Em 1945 o Eixo (Italia, Alemanha e Japão) foi aniquilado, militar e economicamente. Contudo, o problema não foi resolvido ao final da guerra. A questão que havia levado `as guerras era a disputa pela dominação no mundo.

Derrubado o nazismo/fascismo e seus aliados as disputas transferiram para o campo ideologico capitalismo/comunismo. Ambos nao querendo compartilhar o poder mas sim tentando dominar o mundo. O que me parece ate uma grande idiotice!

E não faz muito tempo atras eu compartilhei um video de apresentação de estudos realizados aqui nos Estados Unidos onde se comprova que era mentirosa a ideia de que: se os Estados Unidos não tivessem lançado as bombas em Hiroshima e Nagasaki o Japão iria continuar resistindo e milhões mais morreriam.

A verdade eh que a decisão do presidente Truman foi a de aproveitar a oportunidade e lança-las. Mas, segundo o professor e autor das pesquisas, isso teria sido o ato de abertura da Guerra Fria. A intenção era a de intimidar o Stalin. Como se dissesse, fica quieto na sua porque eu sou mais forte.

Acontece que Stalin era paranoico. Ao invés de intimidar-se transferiu a ameaça a seus cientistas. Se eles nao apresentassem a ele algo mais potente seriam eles que iriam apodrecer na Siberia.

Logo em seguida a União Soviética explodiu o seu primeiro artefato nuclear. Nos anos 60 explodiu a Tsar Bomb, que tinha a potência 1.000 vezes maior que a bomba despejada em Hiroshima.

Por ai pode-se aprender no que levam as ciências da intimidação! Quem pensar que eh assim que se resolve problemas, então, fique atento para ver os resultados das ameaças que o Donald Trump anda fazendo ao mundo o qual ele não gosta!

Como se não bastasse a comprovação feita para que meu interlocutor enxergasse que educação não eh tudo, gostaria que observassem a posição dos chamados Tigres Asiáticos no mapa:

https://en.wikipedia.org/wiki/Four_Asian_Tigers

Vejam mas também saibam que não eh atoa que eles se postam num certo alinhamento geográfico. Isso se da por dois motivos. Na verdade esse eh um corredor pelo qual boa parte da economia mundial percorre.

Quando se fala em dinheiro, normalmente, o que vem em nossas mentes são as bolsas de valores. Mas o que aconteceria delas se as mercadorias não circulassem no globo? E eh por aquele corredor que os valores das bolsas correm em forma de mercadorias.

O surgimento económico dos Tigres Asiáticos teve duas funções. A primeira foi justamente a de o Ocidente possuir parceiros que ajudem a proteger fisicamente os valores que por aquela avenida passam.

O segundo objetivo era o de ter “panos de amostra” para comparação, ou seja, não seria interessante temos uma Coreia comunista para mostrarmos o contraste com a Coreia capitalista? Não seria interessante termos Taiwan e Hong Kong contrastando com a pobreza da China comunista?

E não seria bom contrastar Singapura com o Vietnam?

Eu ate concordaria desde que as coisas não fossem tao parciais. Observe-se que durante a Guerra da Coreia, o que os países ocidentais destruiram e levaram ao nível do chão foi a Coreia do Norte, porem, investiram e deram oportunidade `a Coreia do Sul.

Parece-me que a comparação fica um tanto quanto tendenciosa porque quer-se comparar duas situações completamente desiguais. Vietnam, Coreia do Norte e China foram mortalmente atingidos pelas agruras das guerras. E tiveram que se virar. Enquanto os “exemplos” foram protegidos e “fabricados” para se tornarem vitrines.

Penso que dever-se-ia julgar aqueles que foram prejudicados, sem ressarcimento, pelo que conseguiram fazer, apesar do que sofreram e da falta de estímulos.

Creio inclusive ser util a este estudo recordarmos o quadro de mortes causados durante a II Guerra Mundial. Veja-se o total de sacrificios feitos pela China e pela União Soviética em comparação com os aliados individualmente e com os países do Eixo. Tirem suas próprias conclusões:

https://en.wikipedia.org/wiki/World_War_II_casualties

Obviamente, nada tenho contra os Tigres Asiáticos darem certo. O que mais afeta as minhas observações eh ver o que acontece nas Filipinas, por exemplo.

Elas foram colônia da Espanha tomada pelos Estados Unidos. E, claro, entre continuar colônia e a outra opção, preferiram a independência. E qual o pais livre não faria o mesmo?

Durante a Segunda Guerra sofreram tanto ou mais que outros países da vizinhança. Mas nunca perderam a identidade ligada ao Ocidente. Foram aliadas de primeira linha, embora com pequena contribuição ja que quase nada tinham a oferecer.

Mesmo assim, e por azar de não estar na beirada da avenida por onde passam as riquezas, foram abandonadas. Deve mais ser por isso que o atual presidente de la mandou um palavrão denegrindo a mãe dos ex-presidente Obama! Não que eu concorde com o boquirroto. Mas o que esperar de uma pessoa como ele em tal situação?

Claro, essas coisas não são novidades para nos aqui no Ocidente. Afinal temos uma Cuba sendo tao “bem lembrada” pela direita quando esta quer falar mal do socialismo, falam apenas pelo prisma dos malfeitos dos irmãos Castro.

E ela esquece que temos um Haiti a envergonhar os capitalistas convictos que não enxergam que a pobreza eh resultado do pecado coletivo das nações e não das nações como indivíduos.

Espero que agora tenha clarificado essa questão do “deu certo porque aplicou em educação”. E também da questão do “da certo quando queremos que de” e não quando se eh aplicado.

O clima de guerra ao qual me referi parece estar passando despercebido ao mundo. Qual foi a solidariedade que os Estados Unidos tiveram para com a China e a União Soviética logo após `a II Guerra? Os dois países na realidade estão entre os que mais sofreram e lutaram ombro-a-ombro como parte essencial dos Aliados.

Mas a solidariedade foi muito maior com os causadores das desgracas (nazi-facistas) que com a União Soviética e a China Socialista. Antes mesmo do final da guerra a explosão da bomba atômica em guerra ja se deu como uma agressão a elas.

Em seguida deram forca aos antigos países do Eixo, o que não me ofende em nada ja que a solidariedade foi com o povo sofrido e não com o nazi-facismo, justamente para encurralar os socialistas.

Na verdade, o ressurgimento do Japão, dos Tigres Asiáticos e da Europa Ocidental tinha a intenção planejada de armar uma camisa de forca, para restringir o progresso econômico da China e da União Soviética. E nesse caso, cooperação nunca foi considerada uma opção, justamente por causa dos excessos ideológicos do Ocidente.

Digamos assim, o Ocidente venceu a Guerra Fria, a partir da queda da União Sovietica. Ai o entusiasmo tomou conta dos capitalistas, o que os levou a tentar passar `a fase seguinte, que seria a derrubada da China.

Acontece que a precipitação se deu pela ganância de abocanhar o imenso mercado chines, não obstante a luta contra os comunistas da Russia não tivesse sido consolidada.

Agora temos a situação em que a China soube muito bem aproveitar a oportunidade que lhe foi dada. Mesmo sem deixar a peteca do comunismo cair totalmente, transformou-se na versão superior `a União Soviética, com o particular de que dessa, embora mais fraca, salvou-se a Russia.

Mesmo nao sendo o interesse de nenhuma das duas fazer uma guerra nuclear contra o Ocidente, eh de interesse menor ainda continuar restritas ao entorno do cinturão que criaram em torno delas.

Obviamente, por contrato, Hong Kong ja retornou `a China. O proximo passo devera ser Taiwan, pois, ninguém pode negar que eh chinesa.

Para não se ter duvida quanto `a sua autoridade, naquilo que tem o nome de Mar da China, os chineses vem construindo diversas ilhas artificiais nas quais tem implantado bases militares, no entorno da avenida por qual passam as riquezas da Terra.

Naturalmente, os Estados Unidos tem chiado, mas não tem autoridade nem tem como impedir. Ou seja, o cinturão ja arrebentou do lado chines. Basta olhar no mapa. Contar com a Coreia do Sul e o Japão em caso de uma guerra contra as duas não tera o mesmo efeito, ja que foram neutralizados.

Para piorar os fatos, não existe autoridade do lado Ocidental para exigir que a Russia devolva a Crimeia `a Ucrânia.

Nem o Tibet ou Taiwan quando a China reanexar também a segunda. Diga-se de passagem, nos Atlas produzidos aqui nos Estados Unidos não existe mais o Tibet. Ja se acostumaram com a ideia de o Tibet ser mesmo uma província chinesa.

A perda de autoridade ocidental se da em função de que: ja que a Inglaterra pode manter as Malvinas para desgosto da Argentina; Israel pode continuar invadindo as terras palestinas e os Estados Unidos podem continuar intervindo em outras nações ao bel prazer, então, onde esta a reciproca para calarem China e Russia?

Penso que nesse ponto a minha noção de direito pode não valer para o mundo. Mas gostaria que alguém que defenda ações unilaterais de um lado ou outro me explicasse a lógica, excluindo os interesses próprios, para termos tais intervenções.

Para mim o Tibet, a Palestina, Kurdistao, Armenia e outros ja deveriam ser autônomos ha muito tempo. As Malvinas ja seriam da Argentina sem a menor discussão. Hong Kong e Taiwan teriam que ser chineses, a menos que o povo chines decidisse o contrario. Crimeia seria da Ucrânia.

E os países fariam a política de boa vizinhança, garantindo corredores em seus territórios para que todos usufruam em condições de igualdade proporcional `as suas importâncias para o mercado mundial.

A verdade eh que o Ocidente quer cobrar justiça dos outros mas não oferece a mesma justiça que quer ver. Eh a grande hipocrisia do momento.

Um problema foi esse, acordaram a antiga serpente que estava quieta em sua hibernação. O que resta saber eh se a China eh um dragão de verdade ou apenas um dragão de papel.

Imaginem, se algum dia desses entrar alguma linha dura no governo chines e resolver tomar Taiwan a forca, o que fará o Ocidente? Vai entrar em guerra atômica contra ela? Vamos dizer apenas assim: “com certeza o nome dela começa com C e não com A para que façam sujeira na porta da casa dela e fica por isso mesmo!”

E ai eh que se resume a situação latino-americana, em particular na parte que toca ao Brasil: quando sera que chegara o futuro prometido a ele enquanto o poder de decisão encontrar-se nas mãos de dirigentes acomodados que ate hoje pensam que: “tudo o que eh bom para os Estados Unidos eh bom para o Brasil”?!!!

Enquanto depender dos Estados Unidos, o quintal deles sempre sera de Republicas de Bananas. Uma reserva preservada e usada de acordo com as necessidades da Metropole sem a devida consideração pelas dos nativos. Eh a repetição da Historia.

Querem fazer na America Latina o mesmo que fizeram aos indígenas da America do Norte. E que me perdoem os cegos que não enxergam isso, mas não enxergo futuro promissor algum em pessoas muito acomodadas que fazem tudo o que o chefe mandar.

Eh uma razão que tornei-me avesso ao militarismo. Não sei mandar nos outros e não tenho respeito algum por quem quer forcar-me a obedecer ordens nas quais não enxergo futuro algum.

As pessoas precisam compreender que existem intervenções para o bem e para o mal. Que elas decidam a quais delas apoiar após conhecer realmente como as coisas se processam no mundo. Espero que tenham feito boa leitura.

Não me credito como o professor ou orientador dos outros. Enxergo as coisas diferente porque tive o privilegio e a oportunidade de conhece-las por um prisma diferente do qual são apresentadas ao mundo. Apenas explico como enxergo. Quem quiser que faca bom uso do que digo.

 

 

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04. O BRASIL ATUAL EM UMA LICAO UNICA.

Aqui esta a oportunidade de eu demonstrar, aos meus amigos que não gostam muito das opiniões políticas que tenho, que não sou nenhum fanático. Gosto de fazer piadas com as opções erradas que fizeram. Defendo o que deve ser defendido. Mas sempre procuro não desviar da justiça e do direito.

Muitas vezes as pessoas não querem raciocinar a respeito do que escrevo apenas porque sabem que irão ser contrariadas. Mas esse não me parece ser um critério nascido da justiça. Eh apenas atitude de pessoas que não sabem perder um argumento. E não digo isso porque desejo ser melhor que ninguém. Apenas planto, e deixo para que colham o melhor da safra para si mesmo.

Vou apresentar-lhes meu pensamento agora sob um fundamento no qual baseou-se minha educação escolar. Portanto, eh fácil eu transformar o que entendo melhor em escrita. Não se preocupem, trocarei os dados medicos em miúdos tais que mesmo o leigo não tera problema em compreender. Vamos então:

Houve a quebra da patente do coquetel de medicamentos que controlam a sindrome conhecida como AIDS. E quem desejar um pouco mais de informações pode buscar em arquivos de jornais de época como este:

http://www.correiodobrasil.com.br/ministerio-da-saude-quebra-outra-patente-do-coquetel-anti-hiv/

A sindrome foi `a epoca uma das piores crises de saúde vividas pela humanidade nos últimos tempos. As pessoas que não são entendidas deixam escapar a gravidade do assunto.

A verdade era essa. A doença que antes foi tida como o mal do século XX era associado somente com o comportamento gay. No inicio, por essa comunidade ter sido mais atingida, pensava-se que fosse consequência. Não era.

Os heterossexuais nao apenas se revelaram vulneráveis como também ultrapassaram em numero de contaminados. O mais alarmante estava na Africa, onde uma proporção muito maior da população estava contaminada e contaminando. O clima era proximo ao descrito no Apocalipse.

O Brasil estava caminhando a passos largos para, senão o empate, ultrapassar as condições africanas. E o mesmo se dava em relação ao restante do mundo, exceto que nos países mais ricos os recursos individuais e públicos são proporcionalmente muito maiores, então, a crise ainda não era tao alarmante.

Houve o impasse porque começaram a surgir os primeiros medicamentos capazes de previnir a transmissão. Algumas vacinas estavam em fase de estudos mas não tinham o aval das instituições de saúde, pelo simples fato de não terem provas de efetividade.

Era um risco grande demais aprovar quaisquer vacinas sem garantia alguma de que fossem melhorar a situação. E como ate hoje não apareceu a vacina definitiva contra a síndrome, nos podemos apenas esperar que a opção feita pelo tratamento com os medicamentos ja existentes foi a melhor.

Alias, nesse caso, os resultados foram satisfatórios ja que a síndrome ate deixou de vender jornais. Ninguém mais se assusta com o problema, embora ele ainda exista em uma proporção menor. Pode ate ser que estejamos cultivando coisa pior. Mas enquanto não se sabe disso, fica tudo calmo.

Para os países pobres no entanto a solução medicamentosa enfrentava a barreira do custo. Logicamente, somente os ricos seriam integralmente atendidos. E a grande massa que representa a maioria absoluta da população ficaria num beco-sem-saida.

O mesmo se daria com os países onde vivem, pois, se pagassem a conta sozinhos as rendas deles seriam drenadas. E, se não pagassem, o problema seria pior.

Ai eh que esta! Por acaso tinhamos no ministério da saúde o ministro Jose Serra. Alguém com quem não tenho a menor afinidade política. Mas foi ele quem quebrou as patentes dos medicamentos, demonstrando que independente de pensamento politico, em épocas de crises eh preciso agir.

Os conservadores e extrema-direita devem ter abominado o ministro `aquele momento! Afinal, quer atitude mais socialista que isso?!!!

Quando vi a atitude pensei que o ministro ate seria reconhecido pelo feito e acabaria se tornando o sucessor do FHC, cujo mandato estava terminando no ano seguinte.

Fiquei num dilema. Pela atitude como ministro o homem merecia meu voto. O problema era a nossa falta de afinidade política. Mesmo assim considerei votar nele. Ate segunda ideia menos radical.

Acontece, que o Partido dos Trabalhadores e o Lula participaram silenciosamente dessa quebra da patente. Como? Ate de certa forma simples.

Em primeiro lugar seria muita ingenuidade de nossa parte pensar que o então ministro da saúde, do Brasil, Jose Serra teve a coragem e o poder de peitar a poderosa industria dos medicamentos e seus financiadores no mundo inteiro.

Não da nem para comparar com uma luta entre um gigante e um anão. Seria a disputa entre um elefante e uma formiga, das menores e mais inofensivas. Se a industria quisesse reagir, seria um massacre.

O que ela precisava era apenas de uma voz discordante. Se no Brasil houvesse uma oposição totalmente irresponsável ela poderia tornar-se contra, somente porque a iniciativa teria sido de um adversário. E se o argumento não fosse real, ele poderia ser criado.

A industria, naturalmente, quer mesmo eh faturar o dela. Algo que não discordo, desde que a um nível humano. A gente precisa compreender que uma industria que aplica muito dinheiro em pesquisas, tem empregados e investidores, precisa ter algum retorno para manter-se, principalmente quando a atividade dela corresponde `a saúde do coletivo.

Mas a situação era a de emergencia. Se a industria e uma oposição discordante se unissem para manter as coisas como estavam, poderia ocorrer de a epidemia tornar-se tao grave que a maioria da população não compraria os medicamentos e, como a maioria eh vulnerável ao problema, poderia ser que a maioria adoecesse de AIDS e não compraria mais medicamento algum da industria.

Portanto, a industria, para seu próprio beneficio, tinha que aceitar a quebra. O problema seria se a oposição não tivesse sido responsável.

E se isso acontecesse, as oposições poderiam alegar o fato de que, na realidade, teria havido um conchavo entre ministro e industria. Ou alguém eh simplório o suficiente para pensar que a industria dos medicamentos não aplicou nenhum dinheiro para ver o ministro eleito como presidente?

O fato eh esse. A quebra da patente não significa que a industria foi passada para trás. Muito pelo contrario. A quebra da patente foi beneficio para ela, tanto pela divulgação gratuita que alcançou no mundo inteiro quanto pelos royalties que recebe pela produção dos medicamentos descobertos por ela. De toda forma ela ganha, sem precisar fabricar.

E o mais obvio eh que seria uma asneira sem limites se a industria não enxergasse que se fosse intransigente perderia milhões de clientes para os tais e outros medicamentos. Lógico que somente quem não pensa eh que iria matar a pata dos ovos de ouro!

E aqui esta onde ela deve estar faturando alto ate hoje. Não se sabe qual foi o acordo entre a industria e o governo. Mas a batalha contra a AIDS aproxima-se de 40 anos. E ate hoje não foi disponibilizada nenhuma vacina que a erradicasse. Sera por que heim?!!!

Nao sei qual eh a resposta. Mas ai eh que esta outro argumento oposicionista que com certeza funcionaria. Hoje em dia basta postar-se quaisquer besteiras na internet, sem nenhuma prova, e logo aparecem os compartilhamentos de quem, nesse caso, odeia a industria e odeia o Ze Serra. E quanto a industria colocou no bolso dele? Querem mais?

Então, o que aconteceu logo após `a quebra das patentes, absolutamente necessárias, foram as eleições de 2002. E, claro, contra o desejo dos conservadores ganhou o Lula. Não porque aos olhos do publico o Ze Serra fosse tao ruim.

O fato foi que o PT soube muito bem construir os argumentos para derruba-lo. Nesse caso, pendurou no pescoço dele a “cangalha do FHC”. Este sim foi o “tendão de Aquiles” do candidato. Tanto foi que o PSDB e o próprio candidato fizeram de tudo para afastar o presidente dos palanques e saindo do cargo. Ninguém queria a companhia dele naquele momento.

E eu nao queria a companhia do Serra justamente porque ele nunca mostrou no que seria diferente do FHC. E ele que foi filhote do FHC demonstrou não ter solidariedade com quem lhe deu a oportunidade de ser ministro.

Absolutamente. Nas eleições de 2018, se deixarem ele concorrer, irão querer botar a “cangalha da Dilma” no pescoço do Lula. Como ja virou praxe política. Infelizmente, política deixou de ser o “querer o bem não importando a quem”.

Ao invés de os politicos se tornarem os exemplos do que ha de melhor para a sociedade, no que eles tem se transformado eh em exemplo de contaminação e disseminação da doença do ódio.

Eles não se concentram no que podem fazer de melhor para a sociedade mas sim em pontos com o único objetivo de destruir os adversários. Triste, uma doença que não tem nem remédio nem vacina.

O azar maior dos golpistas no poder atualmente eh que colocaram o “carro na frente dos bois”. Quando optaram por defenestrar a Dilma, com ou sem razão, tiraram essa “cangalha” da exposição diária. O que favorece a ele e aliados.

Agora a bomba estoura nas mãos dos “macacos que poem a mão em cumbuca”. A cangalha eh o Treem. Um trem ruim daqueles de mineiro!!! Essa cangalha vai cair no pescoço de qualquer partido que faz parte do golpe. Não souberam esperar o tempo certo em 2018, agora que “paguem o pato!”

E o que ha entre o passado e o hoje? Basta nos lembrarmos que vem sendo feito no Brasil. Acontece que para tirarem a Dilma prometeram tudo do bom e do melhor para o eleitorado. Fizeram dela a coisa ruim.

O que da a impressão eh que os golpistas julgavam que tinham identificado uma doença e prometeram a vacina. A vacina acabaria com todo o mal, “e todos viveriam felizes para sempre!” Quando se trata de ingenuidade ha que se louvar o povo brasileiro!!!

Aqui estão os fatos. As antigas opositores golpistas deveriam ter sido mais pacientes e pensado mais no Brasil e no povo brasileiro antes que em si mesmas. Deveriam ter feito o mesmo que o Ze Serra foi capaz ha 16 anos atras e ter optado por negociar, impondo um coquetel de soluções para a Dilma.

Afinal, se o que ela estava fazendo fosse tao doentio, não havia nenhuma vacina preparada que solucionasse os problemas de imediato. Teria sido melhor para a nação e os brasileiros que perdessem os anéis e a coroa, por enquanto, mas salvassem os dedos.

Se tivessem sido responsáveis, como a esquerda o foi `a época da quebra das patentes, procurariam ter ajudado. Quando, ao contrario, fizeram de tudo para que a administração dela desse errado, contribuíram com o mal maior que adveio ao Brasil e aos brasileiros.

Infelizmente, continuam repetindo a mentira de que a culpa de tudo eh da Dilma, do Lula e do PT, justamente porque nao tem a solução (vacina) para o problema. E sabiam que não tinham desde quando iniciaram as perorações.

Aos queridos amigos que tanto querem fazer-me mudar meu apoio aos que sempre apoiei. Esta muito fácil isso acontecer. Depende apenas de vocês e não de mim. Afinal, eu sou maleável, pragmático e coloco o bem acima de tudo.

O que voces precisam fazer eh apenas fundar um partido novo, colocar caras novas, criar um programa voltado para soluções e não para ideologias. Trabalhem e mostrem resultados antes das próximas eleições.

Mas o que me parece eh que continuam insistindo na tecla de não reconhecerem que fizeram a opção errada ao acreditarem na lorota de que tinham a vacina em mãos. Não apenas não tinham quanto ao optarem por uma vacina falsa, ao invés de um coquetel medicamentoso paliativo, tornaram-se aliados da doença e não da solução.

Se nao tem algo melhor, ao invés de querer que eu os siga, sigam-me. Ate agora estou como sempre estive. Meu voto esta em aberto, porem, dos males estou votando no menor que, por falta de outra opção, ainda eh o Lula.

Querem que eu mude? Então mostrem a vacina e resultados que a comprovem. Ponham a “cangalha da Dilma” no pescoço do Lula e eu votarei com prazer dobrado, se tiver que escolher entre ele e opções piores que ele, como sao as que tem apresentado ate agora. Não votarei naqueles que foram opositores irresponsáveis.

Lembrem-se que os outros terão a “cangalha do Treem” a acompanha-los também. E querem saber qual eh a melhor escolha?!!!

 

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05. UM ESCULACHO!

O titulo eh esse mesmo. Mas o significado fica mais `a frente. Algumas coisas inspiraram-me a voltar `a escrivaninha, melhor dizendo ao laptop hoje, para fazer um pouco de racionalização do que temos assistido na atualidade, coisa tao antiga que ate vou buscar em passado remoto sua “similhança”. Depois conto. Vamos primeiro ao principio.

Em minha linha de tempo li uma postagem compartilhada por um dos nossos primos. E la estava escrito em linhas quase garrafais:

“PARE DE QUERER
JUSTIFICAR AS
ROUBALHEIRAS DO
LULA APONTANDO AS
ROUBALHEIRAS DO FHC

AMBOS TEM QUE IR
PRESOS

DEIXE DE SER
RETARDADO E PARE DE
DEFENDER QUEM TE
ROUBA.”

A propaganda enganosa foi compartilhada de “Roney Paes Pinto’s Post”. Haveria apenas que saber se eh algum independente pensando saber mais que os outros ou se faz parte da gang que tem espalhado tantas manipulações na internet.

Nao. Nao vou fazer o mesmo jogo dos rivais politicos de por ai. Refiro-me a ambos os lados e não aos que se sentem meus rivais. Eles são os que quando são atingidos por um golpe certeiro e não tem como negar, procuram usar o detrimento para desacreditar a pessoa que desferiu o golpe.

Nao quero desmerecer ninguém. Nem o arquiteto da frase nem quem, de bobeira, resolveu compartilhar. Todo mundo tem direito a ter seu momento de distraído. Normal!

Eh! Tem graça!!! O principio da democracia, como ela foi concebida, era o de conciliar as discordâncias que normalmente existem em quaisquer sociedades. Antes do sistema democrático as coisas eram mais “simples”.

Um lado tinha uma opinião. O outro outra. Ai bastava o acender o estopim da briga. Vencia o mais forte e pronto. E, geralmente, o mais forte nunca tinha razão, argumento ou boas intenções. Era o mais forte e o resto que se “fudesse”! Disso surgiram as ditaduras, os déspotas esclarecidos, os totalitários e por ai vai.

Mas o bom senso pediu que as pessoas procurassem civilizar-se. Elaborou-se a democracia com muitos e muitos defeitos. Porem, ja ha algum tempo vinha-se acumulando emendas que foram melhorando o relacionamento entre as pessoas humanas. Pelo menos, não se decide mais questões tolas através de duelos e muitas guerras ja foram evitadas.

Dita o principio democratico que todos possam ter suas opiniões. So que, ao invés de impo-las aos outros as pessoas deveriam recorrer `a mesa de negociações. Isso quer dizer que eh livre argumentar-se, oferecer motivos favoráveis `a sua opinião e com isso ganhar adeptos no campo adversário.

No final e através do dialogo deveríamos ser bem informados, para escolher as melhores opções para a maioria. Concluiu-se inclusive ser valido retirar-se do dialogo uma ideia híbrida, que acomodasse os pontos mais discordantes entre um lado e outro e, assim, se fizesse a felicidade de uma parte maior da sociedade.

Os totalmente discordantes deveriam acomodar-se em perder seus votos, pois, eh um sacrifício em favor de todos. E se não ficaram satisfeitos com uma decisão, sempre haverão outros assuntos a ser resolvidos. Se ha democracia, nao se pode esperar sempre ganhar ou ser a parte vencida todas as vezes.

O importante na democracia eh que todos participem. Mesmo as pessoas totalmente insatisfeitas não deveriam ficar com “o gosto de barulho de avião na boca”. Na democracia as pessoas devem buscar as soluções e não suas realizações pessoais. Na democracia nao deveria haver derrotados, pois, `a medida que o bem comum eh alcançado, todos acabam direta ou indiretamente se beneficiando dele.

O grande objetivo da democracia eh justamente trabalhar junto em prol do crescimento para o bem comum ou comunitário melhor dizendo. Se a gente referir-se ao comum muitos ja pensam que eh comunismo! Efeito colateral do analfabetismo politico! Normal tambem!

Eh o tal negocio! Nos vivemos numa nave espacial que esta ficando cada vez menor por causa do crescimento populacional no planeta. Se houve um acidente em que um mini meteorito furou a parede da astronave não cabe ficar discutindo se vai tapar o buraco com durepox ou fita adesiva. Tem que tapar o buraco com o primeiro que estiver `a mão e o resto discute-se depois.

Agora, volte-se ao slogan acima. Quantos lulistas voce acha que serão convencidos a trocar seu pensamento por causa de uma frase “tao inteligente”?!!! Onde esta a diplomacia democrática na intenção do autor ou autores?!

No mesmo sentido podemos citar uma palestra do Jack Ma (Ma Yun), fundador da megafirma Alibaba. Não o menciono pelo fato de concordar com tudo o que ele disse. Mas disse algo que penso ser absolutamente correto.

Ele falou, estou traduzindo em minhas palavras: “Eu não sou inimigo do meu adversário. Muito pelo contrario. Nos somos como duas metades de um mesmo corpo. Se ele progride, eu também quero seguir o exemplo dele e corro atras. Quando eu estiver um passo `a frente sei que o adversário ira me ultrapassar. Mas esse caminhar juntos eh a motivação que temos para ir mais longe.”

Faltou a ele dizer que exatamente como andamos, para a perna direita ir `a frente o corpo precisa equilibrar-se no lado esquerdo, e na hora da esquerda a direita eh que tem que ter equilíbrio. Se as pessoas tem boa coordenação motora as duas pernas as levam onde elas quiserem ir. Se as pernas se embaraçam uma na outra, o tombo eh certo para o corpo inteiro!

Outra figura que podemos usar, como bons brasileiros, eh o do futebol. Observem os Estados do Brasil que possuem apenas um time competitivo. Quantos títulos nacionais eles ja ganharam na Historia?

Observem que Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Paraná tem pelo menos dois times competitivos. Rio e Sao Paulo tendo a tradição de possuírem mais de dois times competitivos são também os que mais acumulam titulo combinados.

Uma razão obvia e fundamental eh que precisa-se de ter uma administração profissional. Mas fora isso, eh importante haver alguma rivalidade entre as torcidas para que haja motivação para que os jogos sejam assistidos por mais pessoas.

Porem, o fundamental mesmo eh que ninguém quer ficar para trás, assim, se o rival consegue um titulo isso motiva o outro a busca-lo também. Somam-se os esforços de jogadores, comissão técnica, torcida e patrocinadores, todos, mesmo não tendo a mesma opinião de quem deve e quem não deve jogar, se juntam em busca de um mesmo objetivo. Sem essa decisão ninguém vence nada!

Ainda, sem um rival como tem acontecido em outros estados, times que antigamente tiveram fama e foram renomados atualmente estão na segunda e terceira divisões. Portanto, talvez fosse mais inteligente para os times mais ricos desses estados investir a metade do que investem em sua própria casa num rival de qualidade. Ha o risco de ele passar na frente, mas isso ira estimular para igualar e passar e retomar a dianteira. O resultado final eh a melhora de ambos.

Agora vamos mergulhar um pouco no passado. Quase chegando ha 200 anos atras, houveram reuniões no Concelho de Caeté, Minas Gerais. A segunda reunião se deu em 02.02.1823. Tratava-se da reunião de posse de vereadores. E abaixo copiei dois extratos sem os traduzir para a linguagem atual:

“Por todos oniformemente foi dito que quando elles aderiram a seus irmaos de Portugal, para a sua Regeneracao Politica nao foram movidos por sugestoins humanas, nem por Espirito de curiosidade, sim pelo instincto irrezistivel de milhorarem a sua sorte ja fatigados de velhacoins e arbitrariedades; que similhantemente quando se acharão inganados na isperança de futuros mais felizes pela tirania do congreço, o qual dividindo as Províncias do Brazil As desarmava para resseberem novos ferros, elles não precisavao de informacoins para adoptarem medidas de rezistencia e perocao e para revendicarem seus inauferiveis direitos ofendidos, …”

O segundo foi um adendo feito `a ata, e o escrito, embora bem maior que este resumo, ja diz tudo:

“…e ahi apareceu presente Manoel da Fonseca Franco, que queria prestar juramento de Fidelidade ao Prezente Imperio do Brazil por estar ou vir agora nelle residir, …”

Ja em 12.10.1822, ou seja, logo depois do Grito do Ipiranga, para a época quase simultaneamente, houve o Grito do Caeté. A primeira reunião foi para deliberar a respeito da adesão ao movimento de Independência do Brasil.

Muitos pensam na enganação como se verdadeira fosse, que D. Pedro I deu a Independência ao Brasil. Mas o que aconteceu foi que antes dele o povo ja estava esperando o momento de declara-la. E extraio dois trechos do documento, a primeira parte traduzida para a linguagem atual, o segundo no original:

“…por todos unanimimente foi declarado que julgando-se a Patria atacada nos seus mais sagrados Direitos, desprezada a sua dignidade, insultados seus Representantes em Portugal e perdida toda a confiança no Congresso de Lisboa que so tenta escravizar de novo este riquíssimo Império postergando nossas representações e todos os deveres e relações de confraternidade, que deveriam ligar os dois hemisférios habitados por homens de mesma Religião do mesmo sangue, da mesma lingua, tendo-se outrossim deliberado a convocação da Assembleia Geral Constituinte e Legislativa,…”

“Concoradaram todos de suas muito livres vontades em ratificar solemnemente a proclamada Independência do Brazil; protestando darem por ella as vidas; e aclamar com as devidas solemnidades neste dia o mesmo Principe Regente e Defensor Perpetuo, Senhor Dom Pedro de Alcantara, Primeiro Imperador do Brasil, com a condição de que o mesmo Augusto Senhor Jure previamente, Guardar, Manter e Defender a Constituição pulitica, que fizer a Assembleia Geral Constituinte e Legislativa do Brasil…”

Ambos os documentos foram publicados na primeira edição da Revista do Archivo Publico Mineiro, Anno 1 – 1896. Ouro Preto – Imprensa Official de Minas Gerais – 1896. E a revista pode ser lida através do Google Livros a partir da pagina 225.

Pode-se ver aqui o resultado da tao desejada “Assembleia Geral Constituinte e Legislativa” tao desejada pelos presentes que aprovaram a adesão ao movimento de Independência do Brasil:

https://pt.wikipedia.org/wiki/Primeira_Assembleia_Nacional_Constituinte_do_Brasil

Observem que o novo imperador não esperou sequer terminar o conflito na Bahia para desfazer-se da Constituinte, prender as oposições e confabular uma Constituição somente com seus aliados. Enxergam alguma “similhança” com a atualidade?!!!

E aqui esta o fio da meada da similaridade com a atualidade. Portugal trabalhou os 3 séculos anteriores `as reuniões para manter as províncias do Brasil separadas, como se fossem paises diferentes, incentivando as rivalidades entre elas e tentando estimular a lealdade a Portugal. O objetivo havia sido impor divisões para facilitar o domínio.

Em segundo plano as atas, pelo menos vagamente, demonstram que eh falsa a ideia de que o Brasil se manteve como uma nação de tamanho continental porque foi unida pela monarquia. A ideia eh falsa porque não se expressa nenhum amor ao imperador, muito pelo contrario, o que esta escrito leva a interpretar que se o considerava um mal necessário.

Pedro I foi causa de intensa divisão de opiniões e revoltas. O Brasil se manteve unido em primeiro lugar por causa da intenção do povo em manter-se como nação única ja que os “homens eram iguais”. A monarquia foi mantida por um tripe de obscenidades: a escravidão a repressão das oposições e a corrupção dos ricos através da concessão de privilégios.

Os objetivos do povo presente era em primeiro lugar se ver livre dos “ferros” da escravidão imposta pelas cortes portuguesas. E, em segundo, manter o pais sob a bandeira única E inclusive incluia Portugal porque era gente do mesmo sangue, da mesma religião e da mesma lingua. O problema estava em que as cortes portuguesas não aceitavam essa igualdade, e queriam ser “mais iguais” que a população da considerada “periferia do Império”.

Aqui havemos que fazer uma pequena comparação para demonstrarmos que ha “similhanças” e dissonâncias entre o movimento de Independência do Brasil e a atual realidade brasileira.

La parece que nossos ancestrais tinham uma consciência maior da influencia estrangeira sobre os interesses nacionalistas. Atualmente o movimento anti-governantes eleitos na ultima eleição presidencial parece ignorar tal realidade ou concorda plenamente com ele.

Observe-se que os presentes `a primeira reunião infelizmente não pude repetir aqui nome por nome, representavam a elite regional. Naquela época somente tinham voz os “homens bons”, ou seja, os que tinham poder de compra entre médio e alto. Não era a “elite branca” isolada como se imagina. Era a elite mestica, constituida em sua maioria por pardos tendendo a europeus.

Importante fazer-se essa caracterização porque era essa a realidade brasileira. A maioria de nossos ancestrais foram resultado da mestiçagem A partir do segundo Império porem, como essa realidade assustava as elites brancas, o imperador D. Pedro II intensificou os esforcos para levar para o Brasil um novo contingente de migrantes com peles mais claras, justimente para alvejar a pele da elite.

E ate hoje ha muita influencia disso no comportamento brasileiro. Por exemplo, quando se traçam as linhas genealógicas, a tradição manda buscar os sobrenomes que prevalesceram a partir da introdução de algum patriarca de pele mais clara e recem-chegado, particularmente, da Europa.

Porem, quando se analisa a genealogia a partir de uma conotação mais ampla verifica-se que os lados maternos levam a heranças pardas, africanas e indigenas que nossos ancestrais preferiam ocultar ou dar menor importância Quando na verdade havia sido esse lado ancestral que tinha sido o verdadeiro construtor do Brasil.

Observe-se também que como naquele tempo passado não estava representado nas reuniões os chamados, politicamente, de mais vulneráveis: pobres, indígenas mulheres e negros ainda sob o regime de escravidão. Essa era a maioria da população.

Na atualidade os vulneráveis tem o direito de votar mas tentam menosprezar os votos tarjando-os de menos esclarecidos etc e tal. Quando os estados mais ao Norte deram mais votos proporcionais `a reeleição da presidenta Dilma houveram aqueles que manifestaram ate a intenção de desconstruir o Brasil, separando essa parte do Sul/Sudeste.

Mas quando observamos as votações absolutas, podemos ver que o Estado de Sao Paulo, que não deu a vitoria a ela, a sustentou com quase 8.5 milhões de votos. O que eh muito mais do que qualquer outro estado ofereceu a ela.

E eh preciso somar vários estados do Nordeste e do Norte para conseguir-se uma quantidade igual de eleitores. Mas que cada um veja o quadro comparativo e tire suas próprias conclusões.

https://pt.wikipedia.org/wiki/Elei%C3%A7%C3%A3o_presidencial_no_Brasil_em_2014

E aqui vale perguntar: sera que os separatistas tem o mesmo sentimento xenófobo dos apoiadores de Donald Trump e quereriam expulsar do “Brazil” esses 8.5 milhões, mais mineiros, fluminenses e sulistas que votaram contra suas vontades?! Ridículo eh o que não falta nesse mundo!

O que se observa ai eh a verossimilhança entre as elites do passado e as atuais forcas anti-PT. La se enxergava a necessidade de romper-se os “ferros” que as cortes portuguesas queriam impor sobre os brasileiros. Mas em nenhum momento houve quaisquer solidariedades com o povo menor, principalmente com os africanos, que estavam sob os “ferros” da própria elite branco/parda brasileira.

Outra diferença gritante entre os movimentos atuais e o do passado eh notar-se a visão que nossos antepassados tinham do problema e a distorção atual. O problema la era todo com as cortes portuguesas. Em ambos os documentos não se menciona nenhuma palavra de destrato a Portugal ou ao povo português. Existe um inimigo da liberdade dos brasileiros e ele eh identificado exatamente como eh.

A grande prova disso foi a adesão do senhor Manoel da Fonseca Franco. Ao final da ata de 1823 ha um adendo do qual repito o seu teor: “…e ahi apareceu presente Manoel da Fonseca Franco, que queria prestar juramento de Fidelidade ao Prezente Império do Brazil por estar ou vir agora nelle residir,…” Observe-se que o movimento do passado estava buscando adesões entre os adversários, enquanto na atualidade querem menosprezar uns aos outros.

Observa-se que o senhor Manoel não eh identificado como português. Contudo deixa claro que não era nascido no Brasil. Por ai se vê que o movimento foi vitorioso a partir do momento em que soube-se distinguir dentre o que era do que não era benvindo. Tanto foi assim que mesmo depois da Independência consolidada os portugueses continuaram mudando-se para o Brasil em largos contingentes.

Infelizmente não temos noticias da descendência do senhor Manoel da Fonseca Franco, pois, que seus descendentes atualmente brasileiros deverão ter grande interesse em tomar conhecimento da participação deste antepassado na capitulo de Independência do Brasil.

Algumas pessoas estão tao envenenadas pelas propagandas e odiando tanto que perderam a noção do bom comportamento democrático. Por eu defender os votos que dei aos concorrentes deles e membros do Partido dos Trabalhadores nos últimos anos e por defender a parte boa de seus governos, elas ja concluem que so posso ser um “petralha” e inimigo (pelo menos da boca para fora) delas.

Mas a verdade eh essa. Decepcionei-me muito com o Lula `a época em que o povo defenestrou o ex-presidente Collor e ele recusou-se a dar apoio ao Itamar. E minha opinião não tinha nada de amorosa em relação a este ex-presidente. Politicamente ja não gostava dele desde sua passagem como governador de Minas.

O que eu enxergava `a epoca era a necessidade de, por amor ao Brasil, apoiar o Itamar para tira-lo das garras daquilo que sempre havia contaminado a politica brasileira. Mais especificamente para que compreendam. Em minha visao seria necessário isolar pessoas como Collor, Jose Sarney, Antonio Carlos Magalhaes, Jader Barbalho, Renan Calheiros, Paulo Maluf, Orestes Quercia, Franco Montoro e tantos outros.

Por conveniência política o Lula deixou que o ex-presidente caísse no controle deles, pondo em risco os destinos do Brasil. E depois, quando viu sua estratégia derrotada, teve que fazer conchavos com os mesmos inimigos do Brasil para tentar conseguir reverter o processo.

Outra decepção que tive com o Lula foi justamente quando escolheu a Dilma como sucessora dele. Nada tinha contra ela. O que nunca desceu foi a explicação de que ela fosse uma excelente administradora.

Isso pelo fato de que presidentes não precisam ser excelentes administradores na atualidade. Numa democracia o presidente tem que ser a cara do governo para fazer as relações publicas, e tornar-se um incentivador. A administração mesmo fica com os membros do governo.

O que funciona em um bom governo eh a forma como o presidente intermedia o que for necessário fazer, envolvendo o povo no projeto; e envolver a administração nas soluções que o publico almeja.

Dilma demonstrou que pode ser uma administradora de qualidade, porem, não fez nem deixou o povo participar nas decisões e com isso abriu caminho para a campanha de ódio que fizeram contra ela, o que prejudicou a todo o Brasil.

`As vesperas das eleições de 2014 cheguei a pensar que ela não queria ser reeleita. Foi impressionante o desleixo que teve ao não comunicar-se com o povo e permitir que as oposições fizessem peteca e troça da administração dela. Faltou claramente um vinculo politico dela com o povo, tornando-a posteriormente vulnerável `a fabricação do impeachment.

Quanto ao Fernando Henrique Cardoso, tornei-me adversário incondicional dele no momento em que ele disse para esquecermos o que havia escrito. Não se trata de que eu gostasse, pois, jamais o li. Mas a atitude demonstrou para mim que ou ele era um enganador como professor e portanto pedia para esquecer porque tudo o que escreveu era falso ou era uma pessoa que não tinha caráter.

Em ambos os casos não servia para ser meu aliado politico, embora, isso não quer dizer que eu jamais poderia fazer aliança com ele. Nesse caso, ficaria restrito `a analise de cada caso. Se fosse bom para o Brasil e para o povo brasileiro poderíamos trabalhar juntos.

E aqui esta porque encaixar essa explicação. Na peca de propaganda compartilhada pelo primo faz-se a alusão a que tanto Lula quanto o FHC são ladroes. Algo que o povo fala de ouvir falar, não porque foi, eh ou sera. Alguém ja ate disse que ha provas disso.

O problema eh este. Pelo menos nos sistemas judiciais mais evoluidos não se confunde evidencias ou suspeitas como se fossem provas. Eh o tal negocio, voce pode ser testemunha ocular de uma morte. Voce viu quem matou, sabe como foi e constatou a morte. Esta tudo ali. O problema eh que perante um juri o que voce tem eh evidencia e não prova.

Evidencia porque o fato de ser testemunha não garante que voce saiba o porque das coisas. E sem juntar-se o laudo da defesa nenhum juri poderá deliberar. Somente depois do processo passar em julgado e ficar definido pela culpa eh que a pessoa sera condenada ao que dever. Mas antes disso ha a possibilidade de o assassino ter agido em caso de defesa própria ou de terceiro e sair livre. Portanto não posso concluir antes do julgamento.

No caso do FHC ha sim um agravante. Diante de muitas acusações que sofreu, muitos processos foram arquivados sem uma avaliação independente. Isso parece acusa-lo, mas não conclui. Diz o ditado: “quem não deve, não teme”. O fato de nunca terem deixado os processos prosseguirem cheira como ocultação de cadaver. Mesmo assim não digo que ele seja ladrão. Quero ver o julgamento primeiro.

Contudo faço questão de dizer aqui. Não creio na idoneidade e não tenho confiança que a justiça brasileira tenha a competência para julgar qualquer um dos dois. Nos que ja nos adaptamos a um sistema mais avançado de justiça enxergamos os movimentos da justiça brasileira mais como os de cortes inquisitórias.

O que estão fazendo principalmente com o Lula na atualidade e faze-lo sofrer um processo semelhante ao que se dava durante o periodo da Inquisição Espanhola. Não se trata de justiça. Trata-se de fazer um dialogo entre o pescoço e a navalha.

E imagine. Aqui nos EEUU nos temos visto centenas de processos serem revistos. Existem casos de pessoas estarem ha dezenas de anos no chamado corredor da morte e são inocentadas. Basicamente porque os investigadores, os promotores e os juris tiveram a convicção de que tinham pego o acusado com a descrição perfeita de criminoso.

Contudo, com o avanço das ciências de investigação, principalmente com o recurso do exame de DNA, fica demonstrado que certos suspeitos nem sequer encostaram nas vitimas.

Se pensam que quero que eles fiquem livres das acusações, estão muito enganados. Gostaria que fossem julgados pelo que tiverem feito. O que não quero eh que se cometa injustiças com ninguém.

E aqui vai a minha conclusão a respeito de assunto tao delicado. O que esta se passando eh que querem fazer do Lula um “boi-de-piranha”. Vou explicar o que eh isso porque muita gente jovem não imagina o que seja.

Eh simples. Dizia-se que antigamente, la pelos lados do Pantanal Matogrossense, a boiada tinha que ser transferida por longas distancias. E haviam muitos rios sem pontes a atravessar.

A boiada era tocada por vaqueiros e não transportada por caminhões. Acontece que haviam rios povoados de piranhas. E para que elas não atacassem o gado indiscriminadamente, sacrificava-se um boi que era jogado aos pedacos no meio do rio.

Logico que a piranhada toda do rio corria para a isca. E, enquanto ela se fartava, o restante do rebanho era tocado por outro trecho do rio, assim salvando-se a boiada a troco do sacrificio de um boi. Esse poderia ser comparado tambem `a figura biblica do “bode expiatorio”. Principalmente no caso politico brasileiro.

A maratona politica brasileira atual esta tao esdrúxula que vale lembrar ate mesmo aquela piada antiga:

Nos idos de 80 contava-se que chegou em casa aquele garotão, estudante preguiçoso e não queria muito saber de procurar por si mesmo. Ao ver o pai, indagou dele se ele sabia dar uma definicao para a palavra compensação, pois, havia sido questão de prova e ele não sabia se tinha respondido corretamente.

O pai, que também fugira das aulas de linguagem, cocou a cabeça, pensou e respondeu: “- Olha, não sei te dizer uma definição não, mas sei te dar um exemplo para voce ligar os fatos. Vamos supor que eu chegasse em casa e encontrasse a sua mãe na cama com o nosso vizinho. Então me responda, o que eu seria?”

O rapaz todo desconcertado respondeu: “Ah pai! Ai o senhor ia ser um corno!”

Então o pai completou: “Pois eh! Isso mesmo! Mas em compensação voce ia ser um filho da puta!”

E ai se faz o casamento da situação brasileira, especialmente ao que se refere ao slogan divulgado por meu primo, com a piada. Se o Lula eh um boi carne-seca, e o FHC uma vaca atolada, em compensação os que estão querendo comer as carnes deles são as piranhas!!!

Nenhuma comparação na realidade eh perfeita. Naturalmente não estou considerando o povo brasileiro que tem sido adversário `a minha opinião como se fosse piranha de rio na realidade.

O que estou afirmando eh que: por trás de todas essas acusações existem interesses e interessados. E são esses interessados eh que tem o poder de manipular a opinião publica porque a considera manipulável de forma semelhante `a esperteza com a qual os vaqueiros tratavam os peixes.

Eh interessante aqui salientar que o Brasil tem 81 senadores e 513 deputados federais. Possui as assembleias legislativas nos estados e prefeituras. Sao milhares de prefeitos. Tem um judiciário deixando muito a desejar. Isso sem contarmos com empresários, funcionários e pessoas comuns.

De todos, o mais provável eh que muito mais da metade esta envolvida em transações ilícitas, em todos os níveis e gêneros. E somente o boi carne-seca e a vaca atolada eh que são culpados?

E não escrevo isso para inocentar o Lula, o FHC ou quem quer que seja. Acontece eh que, se o crime foi atravessar o rio, toda a boiada participou dele. Inclusive os chamados “inocentes” que sabem e ficam calados. Quero que a justiça prevaleça. Seja ela para punir todos ou perdoar todos.

O que não sou e jamais quero ser eh deixar-me transformar em peca util a interesses escusos. Não quero deixar-me ser usado como se “piranha” fosse. Não voltarei minha atenção somente para a isca que lançam e deixar passar todo o restante da carne pecadora.

E isso eu venho debatendo desde o tempo em que se começaram a desenhar as eleições de 2014. Quando surgiu o movimento contra a Dilma e sua reeleição não achei absurdo algum. Afinal, todos tem direito `a sua própria opinião.

Se fosse o caso de a maioria ter se levantado e votado contra ela eu acharia absolutamente normal. Mesmo com a mão tendenciosa da imprensa tentando manipular a vontade do povo.

O meu problema la era somente um. E desafiei aos amigos a me dizerem: “ja que querem tirar, digam-me quem melhor querem colocar no lugar?”

Ai trouxeram o Aecio “Never” acompanhado de todo xenofobismo, misogenia, preconceito, pimenta, açúcar e nada mais agradável. Eu so pensei: “Estão querendo que eu faca igual cachorro louco, contorner-me para morder minha bunda so porque ela fica atras de mim!”

Meus amigos, desconfiem sempre deste tipo de justiça que te mostra apenas as acusações e não simultaneamente a defesa. Isso eh um claro sinal que não vos consideram mais que um bando de piranhas de rio.

Prestem atenção, pois, fazem voces terem ódio por seus adversários. E todas as vezes que querem esconder o que estão querendo fazer de mal a voces, criam uma nova acusação contra o seu adversário para que voces distraiam e não percebam o que realmente esta acontecendo.

Ate agora votarei no Lula em 2018. Não porque ele não tenha defeitos. Quando voto, sei que por ser humano todos tem defeitos. Não busco num presidente uma imagem de Deus.

Os votos que ja dei e que darei sempre serão naquele que penso ser menos ruim para o povo. E nisso ele não se compara com nenhum dos concorrentes que ja se apresentaram. Se o acham tao ruim quanto pensam, deveriam apresentar algum concorrente melhor para tomar o lugar dele.

A questão nao eh ser burro porque voto em quem me rouba. A verdade eh que não sou nem piranha nem maria-vai-com-as-outras!

Penso que nao deveriam se deixar levar tao facilmente pelo que a grande mídia lhe diz. Ela não quer informar a respeito do que voce precisa saber para julgar as coisas com precisão. Como os donos que a controlam tem interesses próprios deles, ela eh usada para informa-lo a ponto de induzi-lo a tornar-se uma piranha nas mãos deles.

Nao me importaria tanto se fossem transformar alguns em bois. Como no futebol as pessoas precisam de um adversário para crescer. O problema mesmo seria se os dirigentes dos clubes começassem a querer transformar as torcidas em meras piranhas!

Procurem levar a vida como Jesus ensinou. Queira bem ao seu adversário. Procure aprender com ele e a evitar cometer os mesmos erros que ele. Não procure destrui-lo mas sim ao pecado dele. Trate-o como se fosse a outra metade do seu próprio corpo. Juntos voces observarão que irão muito mais longe do que se existisse somente voces ou somente eles.

O titulo dessa cronica: “UM ESCULACHO” não tem o sentido de eu pretender passar “um sabão” ou “um pito” nas pessoas que divulgam as bobagens de internet. Esculacho aqui eh o que o Brasil foi transformado pela corrupção, desvio da justiça, golpe e ma administração.

Musiquinha para meditar. Curtam o Ivan Lins que ha tanto tempo atras falava aquilo que ninguém deveria ter esquecido para que não se repetisse tantas vezes a Historia. “E o que vale agora?”

https://www.letras.mus.br/ivan-lins/260683/

 

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06. TIRADAS DO BARAO DE ACAUA (OU GUARDADAS NO BOLSO)

Ha algum tempo imaginei fazer rir com a nossa tristeza. Então inventei um personagem para tomar o meu lugar ja que o que falo não tem percussão.

Minha voz nao eh serena. Doi ouvir. Mas para quem ri o mal espanta. Vamos rir, pois chega de chorar.

1. Na vida as coisas sempre acabam dando certo. Exceto quando dão erradas e o fim eh a queda num buraco!!!
2. O problema dessa vida eh que o buraco da entrada não eh o mesmo da saída!
3. Ruim do jeito que as coisas estão, esta perfeito. Quando piorar voce vai ver que estava era muito bao!!!
4. Quando a vaca tosse ou vai pro brejo eh coisa corriqueira. Quando vai pra venda eh que a desgraca chega!!!
5. Na verdade, a diferenca entre o monoteista e o politeista eh essa:
a) Quando o monoteista admira ele fala: Oh meeeu Deeeus; Oh meeeu Deuus, Oh meu Deus!!!
Ja quando o politeista admira, diz:
b) Oh meeu Deeus; Oh meu outro Deuus. Oh meeeus Deuuuses!!!
6. Quando uma pessoa humana reconhece ser imperfeita, esta sendo muuuuiiiiito modesta ou por trás tem coisa!
7. Se pessimista ao extremo em relação `a pessoa humana, pois, qualquer quantia do contrario lhe sera uma agradável surpresa! O oposto, quaisquer deposito de confiança contradito torna-se grande decepção.
8. Nunca exija perfeição de ninguém, porque:
a) Deus eh perfeito, segundo as religiões que o atestam, mas criou o ser humano;
b) Deus eh Onisciente, mas criou o anjo que se faria o diabo!;
c) Os americanos pensam que sem os Estados Unidos o mundo ja estava perdido, ai elegeram o Donald Trump!
9. Nao queira ser perfeito. Ser bonzinho ja eh o suficiente. Reconheça, voce não entende nada a respeito de perfeição!
Também eh bom ouvir:

https://www.ouvirmusica.com.br/quinteto-violado/84455/

 

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07. ORACAO NECESSARIA PARA OS DIAS ATUAIS

Voce pensa que todos no mundo querem o e trabalham para o bem de todos?!

Se assim o eh, responda: por que esse bem nunca vem?

Na verdade, na verdade existem duas possibilidades:

Uma eh a de que a maioria não deseja o bem, por isso o mundo eh mais fonte do mal que do bem.

Mas também ha a possibilidade de que o bem que a maioria quer não corresponde ao bem de todos, o que faz com que ninguém fique satisfeito.

A unica forma de o bem chegar eh quando for compartilhado com todos e por todos. Sim, porque quando o individualismo fala mais alto sempre haverá de quem sera tomado e quem estará disposto a dar o revide. Esse eh o ponto da meada ao qual o mal esta amarrado nos calcanhares das pessoas humanas. Enquanto isso não for rompido a “Caixa da Pandora” jamais voltara a ser fechada.

Os dias atuais estão caminhando para um beco sem saída, um ponto sem retorno. Então, sugiro a quem ler essas notas procurar aprender a oração que transcrevo abaixo. Tem dado ótimos resultados para mim. E penso que se todos a fizerem juntos haverá retorno maior para todos. O que aprendi compartilho. Faca o mesmo.

Oh Senhor Deus,
que estais no mais Alto do Ceu,
Poderoso Creador de todas as coisas boas do universo.
Poe oh Pai, em todos nos:
as vossas Bênçãos e o vosso Amor,
a vossa Paz e a fe em Vos,
o vosso Conhecimento e a vossa Sabedoria,
a vossa Inteligencia e as vossas Graças;
as vossa Misericordias:
Ajudas, Curas, Buscas, Saude, Vitorias, Justiça, Trabalhos, Salários, Alegrias,
e todos os dons necessários,
para que saibamos agir pura e exclusivamente segundo a vossa Vontade e não a nossa.

Oh Senhor Deus,
que estais no mais Alto do Ceu,
Poderoso Creador de todas as coisas boas do universo.
Poe oh Pai, em todos nos:
uma Benção especial,
para o Perdão dos nossos pecados
e para que saibamos:
ler, compreender, interpretar, traduzir,
escrever, ensinar, ouvir, falar,
amar, discipular e agir,
pura e exclusivamente segundo a vossa Vontade e não a nossa.

Oh Senhor Deus,
que estais no mais Alto do Ceu,
Poderoso Creador de todas as coisas boas do universo.
Muito obrigado oh Pai,
muito obrigado mesmo,
por todas as coisas boas
que fizestes por nos nesse mundo,
principalmente aquelas que nos ajudam
a solucionar as nossas dificuldades.
Obrigado oh Pai.

Pai nosso,
que estais no Ceu.
Santo eh o vosso Nome.
Vem a nos o vosso Reino (reina sobre nos).
Seja feita a vossa Vontade,
assim na terra como em todo o universo.

O pão nosso de cada dia nos Dai hoje.
Perdoai as nossas ofensas,
assim como somente Vos Sabeis Perdoar.
Ensina-nos e ajuda-nos
a perdoar da mesma forma
a quem nos tem ofendido
e nao nos deixeis cair em tentação.
Mas Livrai-nos do mal.
Amem.

Livrai-nos do mal Senhor.

Obrigado oh Pai.

Façam essas orações por vos, pelos vossos e principalmente por seus adversários e inimigos, caso os tenham.

Se tu es bom, ou assim o julga, voce não precisa porque ja tem os Favores de Deus. Se os outros se tornarem bons, não serão seus inimigos nem adversários, portanto, ore para não ter inimigos nem adversários. E todos os caminhos serão abertos `a vossa frente.

 

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08. APENAS PARA CLARIFICAR.
Ha certas coisas onde a experiencia fala mais alto. Recordando uma piada muito antiga. Penso que venderam a vocês aqueles óculos acompanhados de vasto bigode. Mas haviam colocado bosta no bigode e vocês sairam cheirando tudo o que viam e se sairam com a conclusão: “Cagaram no mundo!!!”

A questão de respeitar as opinioes dos outros nao nos obriga concordar com elas. E o meu intento nao eh suprimir a sua nem a de ninguém. Apenas gosto de confrontar experiências de vida diferentes, cobrando um mínimo dos outros, o que eh a coerência.

Não sei se eh a sua opiniao tambem. Mas geralmente as pessoas que são contra a opção de esquerda sao também a favor da privatização geral. Alegando que isso eh a solução para acabar com a corrupção no governo.

Bom, em primeiro lugar, falta coerência entre as duas coisas, pois, como vocês querem privatizar os bens de capital públicos ao mesmo tempo que querem tornar publico o voto, que eh o maior capital privado do cidadao comum, principalmente os mais pobres??? Refiro-me `aqueles que defendem o retorno dos militares.

Vocês dizem que os governos democráticos, especialmente os do setor esquerdo, são os culpados por todo o mal. Por que, então, foi o setor privado o responsável pelas quebradeiras da bolsa de nova iorque e foi o poder publico quem conseguiu fazer as coisas voltarem a determinado equilibrio???

O estranho mesmo eh vocês alegarem ter conhecimento de tudo mas ignoram as coisas mais básicas que estão ai `as suas vistas.

Vocês pensam que privatizar eh tudo. Mas eu pergunto: nao seria melhor olhar primeiro o que eh estratégico e deixa-lo sob a administração neutra de um governo?

Dou-lhes alguns exemplos para que compreendam. A crise da AIDS estava no máximo e as empresas privadas queriam continuar ganhando dinheiro em cima das desgracas do povo. A patente dos remédios foi quebrada e os governos puderam distribuir os medicamentos que neutralizaram, em grande parte, a disseminação da doença.

O problema do setor privado eh justamente esse. O objetivo eh ganhar dinheiro e nao servir.

Outra. Vocês não observam também que a grande mídia, os interesses especiais e os governos dominantes ditam para vocês a ideia da privatização como salvação do mundo. Ao mesmo tempo eles escondem que nos Estados Unidos, por exemplo, tudo depende do governo.

Olha as empresas que eles tem. NASA, setores das três forcas armadas e outras mais investindo trilhões de dólares em pesquisas. Seria impossível aos Estados Unidos ter o domínio tecnológico que tem sem as pesquisas feitas em suas instituições publicas e depois repassadas ao setor privado.

Dando apenas um exemplo. O microondas foi uma invenção para que os austranautas pudessem ter alimentos aquecidos em suas longas expedições. Por que não foi o setor privado que o inventou?

A resposta eh simples. O setor privado so vai atras daquilo que lhe da retorno financeiro imediato. O único objetivo do setor privado eh servir aos interesses dos principais investidores.

A humanidade esta correndo ja um grande risco. Isso porque não temos medicamentos capazes de combater os chamados “superbugs”. Sao microorganismos resistentes a todos os antibióticos existentes. E nenhum setor privado esta disposto a investir nas pesquisas, justamente porque ele pode gastar bilhões de dólares procurando e não encontrar nada satisfatório.

Existem vacinas para doenças que voce nunca ouviu falar. Inclusive contra doenças que antigamente assolavam a humanidade e que agora estão controladas. E por que eh o setor publico que tem estoques de vacinas e não o privado? Porque gasta-se dinheiro para estocar e pode ser que esse dinheiro seja a fundo perdido.

Enfim, eles dizem uma coisa para que os bobos da periferia façam. Mas eles próprios fazem o contrario.

Ao invés de ser tao a favor das privatizações, por que não se faz um acompanhamento de forma as empresas estatais funcionarem sem a liberdade que existe para os politicos rouba-las? Porque eh do interesse dos capitalistas, e não do povo, privatizar e eles fazerem a privataria, como foi o caso daquele executivo da industria farmacêutica que aumentou o preço de um medicamento que custava em torno de 50.00 dólares para mais de 800.00. Vide:

http://thehill.com/…/263553-report-ceo-that-raised-drug-pri…

Eh injusto, anti-etico e uma vergonha o que os grandes fazem por tras dos bastidores com o capital. Eles usam e abusam da credulice dos malinformados para acular aquilo que eh fruto do trabalho de todos.

Mas dentro de uma analise puramente capitalista/individualista eh possível compreender o porque fazem. Compreender sim, não aceitar como se fosse correto. Afinal, para os capitalistas o negocio eh ganhar dinheiro. Portanto eles sabem que irão faturar alto com as privatizações indiscriminadas.

O que nao da para entender eh que a maioria das pessoas que os apoiam não irão ganhar nada com as privatizações. Muito pelo contrario, companhias como a Petrobras são fruto do trabalho de gerações de brasileiros e, embora delapidada desde sua fundação por politicos facínoras, ela sempre deu retorno ao publico em todos os sentidos, inclusive sempre deu orgulho aos que sabem que eh uma das mais avançadas em tecnologia de produção do petróleo. A privatização seria a perda total disso e com lucros para ninguém do povo.

Olha, eu nao sou anti-militar. Sou anti-militarismo. Para voce captar a diferenca, aqui esta um militar que se fosse ressuscitado eu votaria nele. Ele deve ser inclusive um aparentado nosso. Leia:

https://pt.wikipedia.org/wiki/Henrique_Teixeira_Lott

A minha questão eh apenas essa. Nao conheço nenhum militar brasileiro na atualidade que respeite a democracia sem temer as consequências. O marechal arriscou a vida e foi punido, nao recebendo honras militares como manda o figurino do quartel, por ter preferido o ostracismo do que violar os direitos do povo.

O problema do militarismo eh que se ficar ruim e os homens nao desapearem do poder com boa vontade a gente não tem como tira-los pelo voto. E para tira-los tem que ser a custa de sangue. Sendo que o civil sempre tem a desvantagem, porque ele não esta nem equipado nem preparado para a guerra.

Voce pensa que a ditadura foi boa. Mas esquece-se de que quando suprimiram a democracia o povo deixou de ter a responsabilidade por escolher seus representantes. Se a democracia tivesse continuado, o mais certo eh que essas coisas que se passam agora ja teriam passado antes e, com os erros, o povo ja poderia ter se educado, para não repetir os mesmos erros.

No fim, a ideia eh essa. Hoje esta ruim? Esta. Mas se o povo correr atras de um “papai” para consertar e não se responsabilizar pelas próprias decisões, ele vai ficar eternamente sujeito a cometer os mesmos erros. Não vou nem relacionar os erros cometidos pela ditadura e que causaram a desgraca que atualmente se vive no Brasil.

Outro detalhe, pare de dizer a besteira de que o governo e os governantes do PT quebraram a Petrobras. Nao se deixe levar pelo canto da sereia (quem sabe, da cerveja no butequim).

Qualquer um hoje-em-dia sabe que não se deve lavar a roupa suja da família em publico. O que foi feito e ha muito tempo atras se vinha fazendo esta errado. Mas foi porque voce quis ser tao inteligente a ponto de querer lavar a roupa suja em frente os holofotes mundiais que a coisa andou para trás.

Olha, quando voce aponta o dedo para o seu desafeto ao mesmo tempo esta apontando 3 outros para si mesmo. Os criminosos que fizeram o que fizeram são responsáveis por 25% do prejuizo, correspondente ao seu dedo indicador. Mas voce eh culpado pelos restantes 75%.

Eles o levaram a agir assim. E agora podem continuar desvalorizando para privatizar. E voce meu amigo, eh o melhor amigo deles!!!

Abraços,

Valquirio.

 

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09. UMA REFLEXÃO A RESPEITO DA CONTAMINACAO DAS MENTES JOVENS.

Meu sobrinho Raoni, engenheiro, assinou-me num forum desses de pensamento direitista. Apresentava-se la um video onde um suposto ex-agente da KGB, Yuri Bezmenov, apresentava diversas táticas, cujo intuito alegado seria o de corromper a ordem e disso tirar-se proveito.

A propaganda tinha o objetivo de enquadrar as esquerdas brasileiras como corruptoras da ordem vigente, ou melhor dizendo, a ordem idealizada. Aquela que fala que existe um padrão de família, um padrão de economia, um padrão de ideologia, um padrão de governo etc, e o restante eh desordem. Não enxergam que o padrão eh o totalitarismo!

A isso e a outro personagem que entrou na conversa, em resumo, apenas disse que, pelo que conhecia, não estava correto atribuir tais coisas aos Partidos Comunistas, pois, aquela foi a descrição exata do que foi feito pelos revoltosos, coordenados pela CIA, no Brasil e que resultara na Ditadura de 1964 e no golpe de 2016.

Na verdade, disse bem mais que isso. Uma coisa fico intrigado, e sei porque fazem isso, eh com o fato de a direita brasileira tentar enquadrar todo mundo da esquerda como comunista. Coisa obviamente de idiotas ou fascinoras. Isso porque sabe-se que a palavra comunista causa um certo medo `a populacao malinformada. Portanto o usam com endereço a ela, para tange-la pelo terror.

Mas ai a gente acaba falando de comunismo como se alguma carapuça tivesse servido. Por isso salientei que nao sou nem nunca fui comunista. Nao sou contra, apenas nao vejo o comunismo como resposta adequada ainda.

Disse tambem que: as taticas descritas pelo tal Bezmenov nunca calharam na forma de agir dos comunistas. Isso porque precisava-se investir muito dinheiro para corromper um pais gigante como o Brasil. E os comunistas nunca tiveram condicoes financeiras para isso. Sempre formaram partidos oportunistas. E usaram as armas para chegar ao poder e nao o convencimento.

Acrescentei com os fatos historicos de que havia sido assim em 1917 na Russia; em 1947 na China e em 1959 em Cuba.

O que da a impressao eh que os anti-comunistas sao contra eles porque preferiam que o tsarismo continuasse na Uniao Sovietica; que a oligarquia continuasse a reinar na China e que a ditadura do Fulgencio nao fizesse mal algum! Coisa de louco sou!!!

Insatisfeito com a minha comparação, ele escreveu-me, via facebook, o que transcrevo abaixo:

“Tio, Valquirio tudo que vc disse eu posso dizer a mesma coisa, apenas mudando algumas palavras chaves e vira totalmente o contrario, esse eh o problema no seu argumento eh que ele tem apenas duas vertentes, ou vc esta certo ou o que vc falou contra eh que esta certo…

E essa linha de raciocínio ignorante que vc tem a maioria tbm tem. O dia em que vc olhar a historia, os fatos, acontecimentos, documentação, provas ou qualquer outra coisa com olhos mais abertos vc ira entender.

Por exemplo, vc nao pode olhar simplesmente aquilo que vc esta vendo, voce tem que se perguntar porque esta vendo aquilo, como chegou aquilo, porque eh aquilo, o que aconteceu para virar aquilo etc… etc… etc….

Quando vc começar a analisar de uma forma mais ampla vc vai ver que não se trata de bem ou mal, opinião, ponto de vista etc…

Se trata de chegar em uma conclusão depois de vc ter cumprido todos os passos anteriores….

Se eu for discutir com vc sobre essas coisas que aconteceram teria que ser discutido passo a passo, e eh muito demorado e amplo, eu tenho pouca experiência mas compenso ela com o estudo, se vc me perguntar por exemplo perguntas diretas para depois uma mais ampla vou conseguir responder melhor, tipo quantas pessoas morreram na guerra tal, eu não vou saber de pronto, mas eu faço uma pesquisa rápida e te respondo, e por ai vai, ate conseguir responder todas as perguntas diretas e depois formar uma conclusão sensata com base nas perguntas que respondi anteriormente…

Nao sei se ficou bem explicito meu raciocínio/intenção mas espero que entenda…

Isso que te falei agora eh sobre o video do Yuri Bezmenov ex informante da PGU KGB.

Nao quero te menosprezar, desrespeitar, nem ser desumilde com vc Tio.

Ja ouviu falar do 5w2h? Os engenheiros, gestores e planejadores veem muito isso e isso acaba servindo para quase tudo na vida.

Resumindo, o que estou propondo eh que na hora que vc falar sobre qualquer assunto… Como por exemplo: política. Voce faca esse passo a passo e depois chegue em tal conclusão, pq se não, vai existir infinitos questionamentos: “mas porque isso, e aqui, mas não era por isso aqui também? etc… etc…”

Eu sei que eh difícil no começo, eu ainda estou no começo, to aprendendo ainda e to gostando muito dessa maneira, com o tempo acredito que vai ficar muito mais rápido o raciocínio.”

Na verdade, eu me encontrava envolto com meus estudos genealógicos. Tratar de política para mim, naquele momento era distração. Em duplo sentido. Sem preocupar-me com a “coisa” apenas resumi o assunto:

“Raoni, o que voce falou basta resumir no velho cronograma do antigo e bom jornalismo, ou seja, responder o que, quando, onde, como, por que, quem, quanto, todavia e outras cositas mais. Tudo simples. Ja passei por isso ha 50 anos atras”

Naquele momento eu queria mesmo era fazer rir. No entanto, não se tratava de diminuir em quaisquer sentidos o comportamento verbal do meu sobrinho. Como ele reconhece, esta aprendendo!!!

E ha uns dois dias atras recebi uma notificação do facebook dizendo que ele havia postado mais alguma coisa no tal forum, e mencionado meu nome. Quando abri não encontrei a postagem dele. Parece que queriam que eu me dispusesse a procurar. Mas não havia tempo. Agora, então, com as muitas outras opiniões que devem ter entrado, resolvi fazer o presente aparte.

Vamos la então!

Nao se trata de colocar-me acima de ninguem. Como falou o antigo filosofo grego Socrates: “Eu so sei que nada sei”. Ou seja, uma coisa eu sei, porem, ela eh muito pequena perante aquilo que ha por ser descoberto.

Portanto, o que eu digo trata-se de uma lição de vida. Da minha vida. Nao se trata de uma lição que quero dar a outrem. Trata-se de coisas que juntei ao longo de minha vida, para ser lido, e quem assim o desejar tire proveito e faca uso. Aos jovens pode tornar-se um atalho da imaturidade para a maturidade.

Em primeiro lugar devo acrescentar que existe um livro que esta quase completando 40 anos de escrito. Trata-se de: “O Selvagem, ou A Republica dos Moleques”. Se o Raoni e outros nao o leram nao foi por falta de oportunidade. Era suposto ter pelo menos uma copia na casa dos pais dele. Com certeza existem na casa que foi dos avos paternos.

Interessante sob essa informacao eh que o autor contava com 18 para 19 anos de idade, em 1977. O livro somente pode ser publicado em 1995. E a obra traduz a preocupacao do autor em procurar respostas para os problemas brasileiros e da humanidade daquela época. Portanto, nao se pode dizer que ele nao tenha bagagem alguma. Pode nao ter feito sucesso. Mas ninguem pode negar o esforco que fez desde entao.

Abaixo, indica-se duas literaturas expostas na internet. Sao de autoria do mesmo. E, se se fizer uma analise com boa vontade, poder-se-a observar que o conteudo dos 3 livros diferem, contudo, trabalham como se fossem serie. Salienta-se que registra-se ai o amadurecimento do autor. segue os enderecos:

https://val51mabar.wordpress.com/2011/05/29/a-divina-parabola/, e

https://val51mabar.wordpress.com/2011/01/28/0-livro-do-conhecimento-de-deus/.

Algo que devo recordar ao sobrinho eh o fato de que ele e as pessoas de idades semelhantes `a dele devem lembrar-se de uma pequena diferenca em nossas vidas. A Historia que ele acompanha e agora presta atenção nela ele sabe.

E o tio nao precisa buscar tao frequentemente as fontes de informações que ele precisa porque aquilo de Historia que ele aprendeu nos livros foram noticias que o tio viveu. Ha uma grande diferença entre conhecer a Historia e te-la vivido. Que os próprios me o digam quando chegarem `a minha idade!!!

Outro engano dele. Da forma como ele fala da a impressão que existe um programa de computador com todas as respostas que precisamos ou, pelo menos, a maioria delas. Engano ate aceitável por tratar-se de pessoa formada em disciplinas das ciencias exatas. Aquelas nas quais a matematica eh o principal instrumento.

Porem, o tio formou-se em medicina veterinaria. E isso nao o faz melhor nem perfeito. Mostra-se com isso uma outra diferença. Em medicina, principalmente a veterinaria que trabalha com espécies diferentes, usa-se dizer-se que: “medicina nao eh matematica”. Isso porque ninguem pode dizer que formou-se para enquadrar o mundo em um padrão.

Nos do ramo biologico somos obrigados a nos adaptarmos `as variacoes. Por exemplo, sabemos que a dose de determinado medicamento funciona para a maioria da população, porem, para alguns nao faz efeito algum e para outros a mesma dose pode tornar-se veneno. Portanto precisamos estar sempre alertas.

Outro detalhe das palavras do Raoni eh o de ele afirmar que conseguiria resposta para tudo o que for perguntado, ou quase tudo.

Nesse caso, quem pensa assim esta totalmente despreparado para a vida ou eh muito arrogante. Bom, para a alegria do sobrinho, ele eh muito menos preparado do que eh arrogante. Algo caracteristico da idade.

O que combina mesmo com aqueles novos-convertidos que saem pelo mundo pensando que podem abraça-lo com as pernas! Nao eh defeito particular dele. Eh mesmo da idade.

Eu nao tenho resposta para tudo. Alias, prefiro dizer ate que nao tenho resposta para nada.

Ha outro detalhe. Normalmente, resposta todos temos. A questão eh essa: eh ela a solução? E la nos livros encontrar-se-ao muitas respostas. Um pouco delas ja foi comprovado, portanto, para alguns foi solução.

Pensando bem, o sobrinho deveria perguntar a si mesmo uma coisa. Acaso eu ja tive algum projeto ou alguma ideia relevante que foram postos em pratica e que deram resultados? Quando se fizerem a pergunta e a resposta se tornar positiva podemos dizer que sao bons, porem, isso nao lhes garantira necessariamente um lugar em evidencia. Experiência própria.

Alguém ja ouviu dizer que o tio teve projeto aproveitado? Nao se pode dizer que copiaram as ideias dele. Mas quem ler o livro poderá notar que ele ja havia descrito algo nos livros e atualmente existem projetos que comprovam a acertiva. Nao se sabe se o copiaram. Mas ha provas que falou neles antes. Um exemplo:

https://techxplore.com/news/2015-02-oregon-pipeline-electricity.html.

Abram, vejam e confiram no segundo livro, quando se descreve a mesma intenção de transformar a transposição do Sao Francisco em usina hidrelétrica.

Alias, para os que lerem essa carta, alguém eh capaz de dizer-me o que foi feito de totalmente errado na transposição do Sao Francisco, embora, ha que reconher-se que sera uma obra que beneficiara muito a muita gente, mesmo com os defeitos?

Agora digo porque falo que quem pensa poder dar resposta para tudo eh despreparado ou arrogante.

Primeiramente porque a pretensão subestima a toda a comunidade pesquisadora. Ora, se alguém tem capacidade para responder a tudo, seria o mesmo que dizer que essa turma eh um bando de incompetentes. Para que pesquisam?

E também, para quem eh religioso, falta-se a humildade de reconhecer-se que não eh Deus.

Ja do ponto de vista mais pratico. Respostas todos nos temos. As respostas erradas que voce deu em qualquer prova são respostas. O problema eh que não estavam consoantes com o que o professor queria que respondesse. Culpa dele!!!

E o autor dos livros mencionados acima não reivindica a ideia de que as respostas que deu ou da são todas exatas, equivalentes a soluções. Algumas podem ser totalmente impraticáveis. Mas foram dadas como inspiracionais, sem o devido conhecimento teórico.

A questão eh essa. Ter resposta não significa ter a solução. O mesmo se da em relação a ter conhecimento.

Alias, eu sempre firmei em meus escritos a superioridade do conhecimento em relação `a fe. Fe eh o acreditar em algo que se deduz que existe, porem, não se tem o conhecimento dela. Portanto, o conhecimento eh uma evolução melhorada da fe. Quem conhece não precisa de fe.

(Nao estou aqui afirmando em termos absolutos. Refiro-me a ter-se o conhecimento de coisas separadas. As que conhecemos não precisamos ter fe. Precisamos da fe quando não ha o conhecimento. E Deus não tem fe, pois, a tudo Ele conhece. Fe eh uma característica da nossa inferioridade em relação a Ele).

Porem, falei pouco do que se torna superior ao conhecimento. Esse sim eh o “pulo do gato”. Sabedoria eh transformar o conhecimento em bons resultados e sem efeitos colaterais.

Como comparação, diga-se que a resposta eh apenas uma estrada, o fazer e o como fazer eh que vem da sabedoria. Contudo, estradas podem ser muitas. Voce pode ter uma estrada de terra e mal conservada ligando uma cidade a outra. Do lado oposto ter uma estrada que leva de uma terceira `a mesma cidade. Não importa, em ambos os casos voce pode atingir o objetivo. Apenas a qualidade das respostas eh que são diferentes.

Em caso de politica, como frisou o sobrinho, era preciso primeiro que ele reconhecesse que essa eh uma arte humana. E se pertence ao campo das ciências humanas, então, pertence `a biologia, o que faz dela uma ciência inexata. Sendo inexata, também não eh matemática.

Quando se tiver uma resposta política, ponha-a no papel e coloque-se diante do espelho. Mostre a sua imagem no espelho e tente ler a resposta escrita no mesmo sentido que voce leria se a estivesse lendo em sua escrivaninha. Observara que sua resposta para o seu oposto não faz nenhum sentido, embora, nas duas esteja escrito a mesma coisa.

Nao dite o que voce quer ver na imagem. Tente decifrar o que a imagem significa para voce.

Ai eh que mora a questão. Em política ninguém pode pensar que uma resposta vale para todos. O sentido ideal da política eh o de que se tenha a sabedoria de saber interpretar o que o oposto deseja, dialogar e negociar uma solução, mesmo que essa solução não corresponda inteiramente `a sua vontade.

O objetivo da politica nao eh o de satisfazer aos nossos próprios egos. E sim o de fazer, se não conseguir-se o melhor para todos, pelo menos o melhor para a maioria.

Em oposição a isso, o que temos assistido atualmente eh o absolutismo ou o totalitarismo de opiniões. Grupos elaboram suas próprias respostas e querem passar como trator sobre as opiniões de seus opostos.

E quando encontram uma reação igual de forca, porem, em sentido contrario, reagem como se o pensamento contrario fosse um sacrilégio. Isso eh o que temos assistido tanto em relação aos chamados extrema-direita quanto os da extrema-esquerda. E os intermediários estão cada vez mais perdidos no meio do tiroteio.

O problema eh justamente esse, tem-se tratado respostas como se fossem soluções. E os incapazes de racionar claramente a respeito disso são levados ao conflito, o que também não eh solução. Ha que perguntar-se ai, e quem ganha com isso?

Um detalhe que o sobrinho tem acreditado, e vem sendo levado por esse divisionismo, eh o de que coisas perpetradas na política brasileira são verdadeiras, porque ha “provas” do que ele acredita.

Vamos la então: imaginem uma partida de futebol. Eh a final. Um time tem a vantagem do empate e esta perdendo de 1 a zero. Ultimo minuto. O principal jogador do time que precisa do empate pega a bola num lançamento profundo. Eh gol na certa. Mas o perna-de-pau do outro time, zagueiro, o agride antes que ele entre na grande area.

Falta indiscutível. Zagueiro expulso. Batem a falta e não conseguem o gol. O outro time ganha o campeonato. Absolutamente. Seria uma vitoria injusta e a atitude anti-esportiva do zagueiro sera lembrada para sempre, pelos adversários! Para os vencedores a lembrança maior sempre sera da vitoria e do campeonato vencido.

Fala-se em injustiças. Mas pense na situação oposta. Se o time vencedor, que tivesse a desvantagem do empate, estivesse em condição de marcar o gol da vitoria no ultimo minuto e o zagueiro do time que perdeu tivesse a mesma oportunidade de fazer a falta também não seguraria o adversário?

Em ambos os casos os maus sempre manipularam as regras de forma a favorece-los. E a regra afirma que vence quem faz mais goles. E quem faz faltas pode ser expulso. A regra eh que poderia ser mudada para enquadrar os maus, de forma a que se pegos na situação, o gol seria validado mesmo sem a bola visitar as redes. Alguma lógica nisso? Mas não eh regra.

Um detalhe que não descrevi no inicio. Quando alguém interferiu em minhas respostas la naquele forum, o alguém disse que os meus argumentos eram falhos porque o Collor tinha sido legitimamente eleito e legitimamente defenestrado, e com a Dilma havia se dado o mesmo.

Eu respondi que o Collor havia sido legitimamente eleito e defenestrado. No caso, ao renunciar reconheceu a culpa. A Dilma havia sido legitimamente eleita e ilegitimamente defenestrada.

Talvez tenha sido por isso mesmo que o sobrinho mencionou as “provas” que existem. A minha questão em relação a isso sempre foi a de faze-lo compreender a questão legal que afirma que “todos são inocentes enquanto não se prove o contrario”. Porem, em termos legais também, “ninguém eh culpado senão após veredito em julgado”.

E façam a questão de procurar saber os significados das palavras: legal e legitimo. Legitimo pode ser um ato ilegal, como assassinar uma pessoa, porem, legalizado, dependendo de julgamento. No caso, quando alguém mata em defesa própria ou de outrem. Acredito que não ha o que discutir essa diferenciação.

E ai esta porque faço a diferenciação. A presidenta Dilma foi eleita pela maioria dos votos como manda a regra. O sobrinho e todos os contrários afirmam que ela usou meios ilícitos para eleger-se. Ate eu acredito que seja verdade. E dai?!…

Mas também acredito que as acusações de que os adversários usaram os mesmos meios ilegais para tentar vence-la. Portanto, qualquer que vencesse poderá alegar legitimidade, mesmo cometendo um ato ilegal.

Se tivesse que haver uma ação honesta jamais se teria feito o impeachment da presidenta. Ter-se-ia anulado as eleições e nenhum dos participantes delas poderia competir noutra que viria em substituição, pois, todos pecaram. A situação eh semelhante `as dos zagueiros.

A questão passa mesmo eh pela Historia que o sobrinho não quer ouvir. Em primeiro lugar, a impeachment ja estava planejado mesmo antes de as eleições ocorrerem. E se a presidenta não tivesse sido reeleita, mesmo havendo indícios gritantes de violação das leis eleitoral por todos, a grande imprensa não teria feito o movimento que fez para mobilizar a plebe ignara no sentido de fazer justiça.

Existe uma parte das pessoas influentes no pais que obviamente eh contra o que os lideres do Partido dos Trabalhadores vinham fazendo, e não se trata dos atos ilegais. A decisão de interferir nunca foi a de fazer a justiça, pois, essa eh a ultima palavra do dicionário que eles respeitariam. O negocio eh manter os privilégios que tem.

Para o sobrinho compreender melhor as coisas faço uma comparação ao alcance do entendimento de qualquer um. Quando voce esta estudando e faz suas provas, por exemplo, de avaliações possíveis entre 10 e zero, se voce obtém uma nota superior a 5 ou 6, dependendo, claro, da regra combinada, voce espera ser aprovado.

No caso da ex-presidenta, ela se viu aprovada por nota superior aos 50% necessários exigidos, portanto, esperava-se que a grande imprensa e setores politicos adversários aceitassem a derrota e pensassem no como dar soluções para os problemas do pais e ajudar, porque o ruim para o pais eh sempre o ruim para a maioria.

Como pessoa instruida em medicina, observo o Brasil como um paciente onde os que se vestem de branco estão mais preocupados em furar os olhos um do outro que atender `a emergencia do doente. Depois que algum chegar primeiro ira encontrar o paciente morto.

Por outro lado, a minha avaliação do governo que a ex-presidenta estava fazendo girava em torno de uma nota variável entre 5 a 6. E não se trata de parcialidade. Trata-se de comparar-se com o que ja tivemos antes. Dos presidentes que testemunhei os mandatos, somente o Itamar Franco e o Lula navegaram com notas superiores a isso.

O problema nunca foi a ex-presidenta. O problema eh a qualidade de administradores que o pais produz. Não adianta exigir perfeição se ela não existe.

Apesar do rendimento a desejar da ex-presidenta, ela passou a ser perseguida como se os 50 ou 40% que faltavam `a administração dela fossem absurdamente mais importantes que os 50 ou 60% que ela estava apresentando. Isso, com o único intuito de derrubar a aprovação dela perante `a opinião publica e, com isso, facilitar a aprovação do impeachment.

O sobrinho deveria refletir um pouco e pensar, e se os professores que teve tivessem sido sacanas o suficiente para avaliar-lo pelas respostas erradas que deu e não pelas que acertou? Haveria justiça nisso?!!!

Essa tem sido a fonte da discórdia. E digo a verdade. Não posso julgar a ex-presidenta porque não acompanhei com 100% de atenção os atos dela. Seria injusto de minha parte porque nunca nutri simpatias por ela.

Também nunca tive nojo. Apenas concordo com muitos em que o ex-presidente Lula errou ao impo-la. Isso porque eu acreditava que se ela fosse tao boa administradora quanto foi falado, poderia continuar participando em cargo chave da administração. Mas era necessário uma pessoa melhor versada em política para ser a cara do governo.

Presidentes na atualidade sao atores, incentivadores e guias. Eh humanamente impossível alguém querer ser o gestor e a fachada do governo. O ex-presidente Lula soube muito bem ser a fachada sem ser o gestor. E talvez tenha sido por isso mesmo que deu melhor resultados. E por isso pode-se ate dar a ele o beneficio da duvida se sabia ou não das falcatruas.

As pessoas precisam compreender que o dia tem e sempre tera durante o nosso tempo de vida apenas 24 horas. E parte delas precisam ser usadas para o descanso. O ex-presidente podia ate bater pelada para arejar melhor as ideias. Quem trabalha muito e não se da o tempo de descansar acaba comprometendo a qualidade de seu trabalho.

A questão da ilegitimidade com a qual concordo que a ex-presidenta foi tirada do governo trata-se da alegação usada para tira-la. As famosas pedaladas.

O sobrinho pensa que existem milhões de provas que a condenam. Esquece-se apenas do fato de que somente as pedaladas valiam para avaliar o pedido de impeachment dela. Como eu disse, não nego que existam indícios de outros erros. Mas desde que não haviam sido passados em julgado, não são provas, são suspeitas.

Uma suspeita, somente se legaliza após o debate do julgamento entre defesa e acusação. Nunca houve esse confronto, portanto, ate agora não existem provas.

Ja, por outro lado, as pedaladas haviam sido usadas por todos. Ex-presidentes, estão sendo usadas pelos golpistas da hora, ex-governadores, atuais etc. E se o outro competidor houvesse vencido as eleições passadas, as estaria usando sem dor alguma de consciência, pois, a grande imprensa nada iria falar contra.

O fato eh esse, nao se poderia punir um único indivíduo pelo pecado que todos cometem. Isso não eh justiça ou, como se criou a realidade atual, eh justiça seletiva. O que, na realidade, eh o total desvio da justiça.

Meu caro sobrinho e outros que por acaso lerem essas reflexões. Sejam menos manipuláveis. Tanto faz. Esquerda e direita, dirigidas por pessoas sem escrúpulos, continuarão mostrando respostas aos seus problemas. O problema eh que as respostas que tenderão a dar sempre serão as que dividem, não unem.

Esse eh o fundamento da politica atual, que nada tem a ver com o ideal. Eles precisam desse divisionismo, pois, imagina se aparecer alguém que alem das respostas souber como fazer!

Ora, após ser dada a solução para os problemas não haveria mais justificativa para a existência deles. Ou, pelo menos, eles não saberiam o que fazer depois para continuar com os privilégios. E diga-se de passagem, quando as soluções existirem ninguém tera privilégios.

Então, eh exatamente por isso mesmo que eles tem medo das soluções. O que querem eh manter a população dividida contra si mesma. Enquanto isso, como diz meu irmão mais velho: “Enquanto existir otarios os espertos vão vivendo!!!”

O problema dos argumentos do sobrinho eh que ele busca respostas somente naquelas fontes de informações com espectro politico com tendência direitista. O que ele não aprendeu ainda eh que respostas não são soluções.

Quando aprender a fazer a distinção, poderá tornar-se bom profissional e, talvez, bom politico. A duvida sera a de que um politico e profissional do bem e com boas soluções sera abraçado pela direita e esquerda que tem o voto do povo em mãos!!!

 

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10. VOCES SE LEMBRAM QUE O PLANO ERA TIRAR A DILMA E A SEGUIR TIRANDO OUTROS?!!! POIS EH, AGORA O PLANO EH ADERIR AOS TAIS OUTROS!!!

A verdade eh essa meus amigos, o ser humano tem uma tendência inata de jogar a culpa do que faz nos outros. Não da mesmo para esperar coisa melhor da maioria.

Que os amigos coxinhas me chamem de mortadela. Ksksksks. Gosto muito de ambas. Pena que a saúde e a idade não me permitem mais abusar.

Ultimamente tenho assistido o que eu chamo de “Tragedia Grega made in Brazil”. Alias, se as pessoas não sabem, tragédia significa traje de edia = traje de bode = bode expiatório (Os gregos se fantasiavam de bode para apresentar suas pecas).

Dona Marisa faleceu e o ex-presidente Lula, em todo o seu direito de desabafar sobre a perseguição que vem sofrendo com a largamente conhecida imputação seletiva tanto via imprensa quanto judiciário, declarou que a culpa dessa pressão que levou ao quadro de óbito era deles.

A militancia contraria logo se assanhou alegando que a culpa de tudo foi do proprio ex-presidente por ele, supostamente, ter criado os problemas acusatórios que agora enfrenta. Alias, na mitologia atual, tudo eh culpa do Lula, da Dilma e do PT. Parece politica grega também!

Embora, mesmo antes de as coisas estarem tão serias como estão eu tenha avisado aos amigos contrários: Que quisessem tirar a Dilma, o PT e o Lula da vida publica era um direito mas primeiro me apontassem quem queriam colocar no lugar. Fugiram `a classe mais básica da política, ou seja, a toda ação corresponde a uma sequencia.

Sequencia essa que somente os golpistas que mobilizam a M & M sabiam qual era a planejada. Mas a turba do M & M nem sequer imaginava o que estava planejado. O que fazer!!! Ser M & M da eh nisso mesmo!

Os verdes-amarelos, aqueles que foram “milhões de Cunha”, desfilaram e fizeram papel de patos, nunca se despregaram da afirmação de que a culpa era do Lula, do PT e da Dilma. Inclusive quando eles desfilaram e fizeram de tudo para paralisar o antigo governo, para que tudo desse errado mesmo e, então, cair nesse vácuo que estamos no qual ninguém sabe mesmo o que fazer, ninguém tem o poder de fazer.

E o que a acontece, nas mentes trágicas, nunca será culpa do movimento que, segundo queriam, era para consertar o Brasil!

E recentemente encontrei-me num debate. Minha resposta foi simples:

Seria ótimo que o Ceu invadisse a Terra e ninguém mais viesse a pecar. Mas tudo eh ilusão e vocês estão tentando enganar a si mesmos, apenas numa tentativa de deixar suas consciências menos pesadas.

O que precisamos mesmo eh reconhecer que não estamos em nenhum sétimo céu. Então, a pergunta que cabe ai eh essa: O que vai consertar daqui para frente? Antes de começar essa conversa, eu ja sabia a resposta.

Estão exibindo o teatro justamente para não mudar nada. E isso tem ficado cada vez mais obvio `a medida que, por exemplo, caçam uma presidenta e logo em seguida mudam a lei usada para caca-la, legalizando o crime.

Meus amigos, vocês precisam abrir os olhos ou comprar melhores lentes para enxergar. Se vocês querem mesmo combater a corrupção, então, não corram atras dos corruptos.

Primeiro mudem o sistema de forma a fechar as portas para a corrupção. Chamem os corruptos para ajuda-los. Isso mesmo! Se vocês não ouvirem quais são as demandas deles e não verificarem se tem alguma razão ou não para usar a corrupção, a demanda pela corrupção vai continuar.

E se o sistema continuar o mesmo, o que eles farão eh continuar cometendo o crime so que, d’agora para frente, irão legaliza-lo ou tornar muito mais difícil pega-los com a boca na botija! Rsrsrsrsrs. Tem gente nem sabe mais o que eh isso!

Dar-lhes-ei um exemplo mais fácil para entenderem. Vocês hão de concordar comigo que o problema das drogas esta passando dos limites. Porem, antes de chegarmos ao ponto ao qual estamos, o que fizeram?

Declararam guerra aos traficantes e aos usuários. O resultado foi essa verdadeira guerra civil na qual nos encontramos no mundo inteiro.

As prisões estão lotadas, o trafico não diminuiu, apenas tornou-se mais perigoso para os traficantes, usuários, para a policia, para o cidadão comum; e a corrupção envolvendo o trafico de drogas e armas centuplicou. Estou errado em meu raciocínio?

Se nao estou, então pensem: não teria sido melhor o governo ter comprado as drogas na fonte, que tem um preço ínfimo, processa-la e distribuir gratuitamente aos usuários e oferecendo clinicas de recuperação?

Se os usuarios ja viciados tiverem a droga de graca, não irão buscar de quem lhes cobra e escraviza. Ja o traficante não se dara ao risco de traficar, distribuir para arranjar novos “clientes”, para depois perde-los para o governo. Se se retira o valor do mercado, ninguém investe nele!!!

Com o tempo o consumo ira reduzir-se ao mínimo, pois, a droga não estará mais tão fácil nas ruas.

Sejam inteligentes, combater o crime não eh o mesmo que combater os criminosos.

Tem-se que usar o sistema para recupera-los e não torna-los mais perigosos.

O que a Dilma estava propondo fazer antes mesmo de ser reeleita foi ajustar a administração `a nova realidade. Quando ela assumiu o governo a primeira vez as commodities brasileiras estavam com preços elevadíssimos.

Entao, ela pode fazer muita coisa porque, vamos dizer assim, o dinheiro estava sobrando. Com a queda do preço dos produtos brasileiros no mercado, (alguém se lembra que o petróleo, mesmo antes de o Brasil se tornar exportador, estava a mais de US$ 100,00 por barril?), não havia como manter o mesmo ritmo de investimentos.

Voces verficaram qual era o valor da tonelada de ferro, do suco de laranja etc antes, e agora?

Voces ja pensaram o que fariam se tivessem seus salarios reduzidos a um quarto do que esta agora? Meus jovens, ela tinha que cortar não porque fez o que o Aecio falou que tinha que fazer.

Pelo contrario. Ela quiz fazer antes das eleições e os adversários não permitiram justamente para transformar o pais no caos que virou e assim poderem manipular a opinião das pessoas que não sabem pensar friamente a respeito das soluções para o problema, jogar toda a culpa nela, no PT e no Lula, com o único intuito de dar o golpe.

Meus amigos, voces que carregaram bandeiras, bateram panelas etc, foram feitos de trouxinhas!

Os entreguistas manipularam voces e voces ainda pensam que estão na crista da onda! Olhem, em nenhum momento eu defendo as coisas erradas que aconteceram no Brasil. Mas as que estão acontecendo agora estão bem piores.

Isso porque quem esta por cima agora nunca quiz consertar nada e sim e apenas se aproveitar da situação. Se quisessem consertar não estariam perseguindo a alguns e esquecendo do obvio, ou seja, dar solução para os problemas!

*********************************** A PARABOLA *********************

E aqui lembrei-me de contar essa parabola. Depois de le-la, perguntem a si mesmos se ela não tem tudo a ver com o que esta acontecendo no Brasil, exceto nas ultimas palavras.

Estava o Ze mineirinho na beira do rio pescando seu peixinho de cada dia. O rio era grande e navegável, exceto por aquele trecho onde uma corredeira dividia o curso d’agua entre a cabeceira e a vazante planas.

O engenheiro da cia. de navegação estava estudando como fazer para que os barcos não tivessem parar por causa da corredeira e fazer a viagem continua da foz `a nascente, e vice-versa.

Ao passar notou o velho conhecido la na beira do rio e resolveu parar para lhe dar um abraço e levar um papinho com ele. Findas as mesuras do costume e prolongando a conversa, o engenheiro explicou o que estava fazendo e perguntou ao velho barranqueiro se tinha alguma ideia para ajudar.

Tenho mas voce vai acabar com meu divertimento! – respondeu.

Nao estou compreendendo. – disse o engenheiro.

Bao, o negocio eh o seguinte. Vou te fazer uma perguntinha primeiro. Você tem 3 motores para mover as chalanas rio acima. Um de 300 Hp, outro de 3.000 Hp e o terceiro de 30.000 Hp. Agora me responde, como você faz para dominar a corrente?

Ja com o riso preso por saber que do velho amigo vinha sempre alguma piada, o jovem engenheiro prendeu a resposta. Ai pensou: “Meu Deus do Ceu! Onde que o Ze ta querendo chegar? Eu sei que eh pegadinha e ele ta querendo me fazer de bobo. – pensou, pensou, e concluiu – Melhor mesmo eh jogar no bicho. Sei que ele me dará alguma lição, mas eh melhor rir junto que não aprender nada!”

Ta bom Ze. – deu ele prosseguimento `a conversa. – Nesse caso escolho o motor de 30.000 Hp porque as chalanas vão subir carregadas e a corrente aqui eh muito forte. Menos que isso os barcos não conseguem subir.

Para um bom engenheiro, falou o Ze, a sua resposta tem lógica. O problema eh que não te perguntei isso!

E o jovem engenheiro so pensou: “Sabia que o Ze tava mesmo eh querendo tirar sarro da minha cara. Mas vou instigar senão não me da a resposta.”

Nao estou entendendo Ze!

Te perguntei como conquistar e não como vencer a corrente.

E nao eh a mesma coisa Ze? – retrucou o engenheiro.

Se fosse a mesma coisa ia faltar outra palavra no dicionário para descrever direito a diferença. – e o Ze continuou – Vencer a corrente eh quando você a enfrenta e sobe. Ai chega la em cima e olha para baixo e vê que a corrente continua ali no mesmo lugar e com a mesma forca.

Sabe que voce tem razão Ze!

Pior de tudo nao eh isso! O pior eh que todas as vezes que você for fazer a viagem vai ter que enfrentar a mesma corrente. So que, quando a agua for pouca vai ter que evitar as pedras senão afunda. Quando chover muito na cabeceira o seu motor não vai nem vencer, quanto mais conquistar a corrente!

Ta certo Ze! Mas de todo jeito a gente ja para mesmo quando o rio fica muito cheio. E como que você faz para conquistar a corrente?

Olha la para baixo. Nos dois morros que enforcam o rio logo depois de passar a corredeira. Se você subir os morros vai ver que o principio da corrente la na parte de cima fica abaixo do topo deles. Se fechar a passagem do rio com uma barragem vai afogar a corrente.

Estou sabendo onde voce quer chegar Ze. A barragem vira um degrau de escada e eh so colocar uma comporta para descer e elevar as barcas que fica tudo resolvido!!!

Mas tem ainda a moral da historia meu amigo. – continuou o Ze sabido – “A GENTE NAO CONQUISTA A CORRENTEZA PORQUE TEM MAIS OU MENOS CAVALOS NO MOTOR.”

A gente conquista a correnteza eh usando a forca da agua para que ela trabalhe pra nos. Não adianta jogar contra a correnteza porque você pode vence-la um milhão de vezes mas o dia que ela vencer “a vaca vai pro brejo”!

Mais uma perguntinha Ze. – falou o amigo engenheiro – Você me empresta a vara que sempre tras de reserva? Quero continuar o prazer desse papo ate a hora que você quiser ir embora, e te dou carona no meu carro.

O Ze entregou a vara e continuaram pescando e batendo papo. No final o Ze falou: Foi ótimo conversar com o amigo de novo! So lamento que depois da barragem pronta nos nao vamos ter os melhores peixes do rio para pescar porque eles vivem na correnteza! Tai porque voce vai acabar com a minha alegria!

Oh Ze, me desculpa… – começou a lamentar-se o engenheiro.

Deixa pra la menino! As coisas são assim mesmo. Pra gente ganhar alguma coisa tem que saber perder outras. O tempo da gente passa. Com o tempo ninguém mais vai se lembrar dos peixes. Mas os que vão vir depois vão lembrar-se que o rio terá elevador!

E os dois caíram na gargalhada!!!

PS.: M & M = massa de manobra.

 

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11. A EVOLUCAO (OU DEGENERACAO) DA VERDADE!

Nossa prima Maria Therezinha Nunes convidou-nos ao dialogo ao postar o parecer abaixo, na pagina dela no Facebook:

“Quem quiser prestar atenção na repercussão da tragédia que culminou na morte do Ministro Teori Zavaski do STF, no que se chama hoje de pos verdade. Vai ter Teoria de Conspiracao de sobra. Vamos que vamos: elas terão origem nos plantonistas dos dois lados os contra e a favor da Lava Jato e que se dispõem a distribuir versões as mais disparatadas. Não e preciso ser astróloga para prever isto. Alias hoje vale mais a versão e os interesses do que a verdade propriamente dita.”

Digamos assim: engoli a isca. Mesmo porque nem se trata de discordar, não gostar etc. Trata-se de um exercicio automático de questão filosófica. Eh o instinto do explorador. Se ele ve em uma questão mais perguntas que respostas, então, poe-se a raciocinar a respeito. Dai vem as intervenções para suscitar atividade aos neurônios inquietos. E assim respondi:

http://jornalggn.com.br/…/foi-se-teori-um-crime-que-nao…

“Boa essa do primo! Nao se trata de teoria pos verdade, pois, não sendo a verdade conhecida nada sera pos enquanto não o for. Para quem não gosta ou detesta as esquerdas, ele eh radical. Ele e eu temos o pensamento semelhante, não se pode chegar a conclusão alguma sem as investigações dos fatos.

Mas a gente pode ter uma ideia muito boa dos acontecimentos atuais, `a medida que buscamos a Historia do que sabemos, pois, o que acontece hoje eh consequência do passado e não apenas um simples acaso. [Alias, nao considero ainda o que aconteceu ao ministro uma tragedia no sentido estrito. Ha ai uma tragedia familiar, eh claro. Mas enquanto houver duvida se foi crime ou nao, no sentido estrito, nao sera tragedia politica.]

Infelizmente a maioria das pessoas acha, e o achismo eh a pior forma de chegar-se `as conclusões, que as coisas acontecem somente em função daquilo que eles veem, particularmente em videos narrados por profissionais da mídia, e não daquilo que não se mostra.”

Agora posso acrescentar que nem em sonho inclui a prima, formada em Historia e Ciencias Politicas e agora professora aposentada, entre os que se informam via midia. Nem mesmo era a minha intenção contestar as afirmações que ela fez a respeito do atual acontecimento que, se nao fosse no Brasil, viraria fruto de investigação rigorosa. Melhor dizendo, se fosse num pais pouca coisa mais civilizado, nem sequer aconteceria!

Respondendo a outro questionamento ela acrescentou:

“Pos verdade eh um conceito novo e usado para quem usa a informação como verdade e realmente ela nao o eh. Um reparo para os cientistas sociais e me incluo como professora de Historia, a verdade nao existe, ou se existe eh apenas Deus para quem tem fe. O que de fato existe são “verdades” no plural. Nas Ciencias contemporâneas e ate mesmo nas chamadas ciencias ditas exatas a verdade eh sempre provisória ate que outra teoria ou fatos venham retifica-las. (Veja que uma vez professora a gente nao perde o habito de dar aula rs rs rs)”

E aqui explico: nao sou catedrático no assunto, portanto, o que penso nao eh fruto de ciências aprendidas em escolas e, em consequência, as minhas conclusões nao devem ser tomadas por cientificas.

O que tenho são opiniões formadas e retiradas das universidades da vida, ou seja, um punhadinho de ciências que estudei em outros ramos, uma pitadinha de informações que encontrei pelo meu caminho e um resto de pratica de vida, fruto do incencessante queimar de fosfato devido aos estímulos que nossos sentidos nos obrigam. Em resumo, eh minha opinião, quem sabe, um dia sera considerada ciência, ou consciência!

Mas a questão que gostaria de levantar frente a isso eh como a relativização de tudo tem corrompido os conceitos pre-modernos, de forma a que mesmo os valores vem sofrendo uma erosão sem precedentes. O que deixa a sociedade como um todo a mercê dos ventos e do modismo.

Na verdade o que chamou-me a atenção para o assunto verdade não foi a isca lançada pela prima Therezinha. Ha algumas décadas eu usei a expressão: “A verdade…..” e o meu irmão Jesse questionou: “E o que eh verdade? O que eh verdade para voce pode não ser verdade para mim.” Ja `aquele tempo, como estudante da UNB, ele devia ter confrontado a questão e concordado com a versão atual do entendimento.

Para mim foi um choque. Estava ainda preso a conceitos senão infantis, pois que ainda nem sequer era universitário, `aqueles que nossos ancestrais nos passaram e, quando concordava com eles, os admitia como incontestáveis. Não tinha ainda nenhuma formação pratica para contestar a afirmação dele.

E assim as palavras ficaram presas mas ao longo da vida em todas as oportunidades de estimulos externos a mente trabalhava os pros e os contra ao conceito.

Atualmente discordo da versão modernista de que verdade não existe. E que existem “verdades” mutáveis. Independente da fe, verdade existe sim. Como se dizia antigamente: “acima de tudo existe a verdade”. Fe eh algo completamente distinta de verdade. Pelo menos naquilo que o pensador Paulo a definiu.

Para Paulo: “A fe eh um modo de ja possuir aquilo que se espera, eh um meio de conhecer realidades que não se veem.” Hb 11, 1.

Quem espera, tem apenas esperança. Não eh necessariamente um conhecimento. Quem conhece, sabe. Se alguém sabe possui, mesmo sem ver. O discurso de Paulo que segue no capitulo esta repleto de consumações de fe. Ou seja, nos exemplos, ele refere-se a coisas que se realizaram e eram esperadas antes de existirem.

Mas quem presta atenção `as coisas somente pela metade não percebe que muito mais pessoas que as citadas por ele também tiveram fe. E a maioria teve fe em coisas que não se concretizaram. Esperaram e morreram sem vê-las.

Diga-se de passagem, a se tomar o exemplo de Noe na parabola que foi contada, fica claro que milhares de pessoas viram o personagem construindo a Arca e devia saber o porque da construção. Mas a fe que tinham era a de que Noe estava errado. Assim como, `as vezes, também eu me sinto pregando para o deserto! Tenho fe no que falo mas outros tem fe no oposto!

A verdade eh outra coisa diferente de fe. Antigamente abusou-se muito do termo e dai nascer o descredito dele quando, em verdade, dever-se-ia desacreditar aos homens que abusaram dela. Em muitos casos usou-se a credulice do povo para incutir “verdades” que desde o principio nada tinham de verdadeiro ou eram apenas falso indutores.

A essas “verdades” falsas geralmente atribuimos o conceito de dogmas. Por exemplo, afirmado como verdade por séculos, divulgou-se que a terra era plana. Acostumaram-se tanto com a mentira que quem contradizia ficava sujeito `a pena-de-morte. Mas a afirmação nada tinha de conhecimento. Havia virado fe.

Outras vezes criaram-se dogmas com interesses ocultos, ocultos para a sociedade ignara, com o objetivo de tirar proveito da credulice. Foi o caso, entre outros, de afirmar-se que os africanos nao eram perfeitamente humanos, portanto, não havia nenhum encargo de consciência usa-los como escravos. Virou dogma e fe para alguns, nunca foi verdade.

Outra fantasia usada para suprimir o desenvolvimento fora do circuito branco-europeu foi inventar-se que “nos trópicos não haveria como haver desenvolvimento, porque o calor diminuia a inteligencia das pessoas”.

Claro, quem acreditou e pagou o pato pela “verdade” foram os boboes tropicais, pois, nem sequer raciocinaram que uma das civilizações mais avançadas em seu tempo foi a egípcia, que eh genuinamente tropical e genuinamente africana.

Alias, foi primeiro mundo enquanto a europa era terceiro ainda! E ate por agora, se somarmos todos os momentos de civilização primeiro mundo europeu ainda faltam séculos para que os europeus somem o mesmo tempo de civilização dos egípcios!

Vamos então explorar o tema verdade a partir do exemplo que a prima Therezinha nos ofereceu, ou seja, a “tragédia” com a queda do avião que levava o ministro Teori Zavaski.

Antes ha que definir-se que a verdade existe como um quebra-cabecas. Eh formado por inúmeras pecas. Porem, cada peca eh, obrigatoriamente, verdadeira. Dai considerar-se cada uma delas como uma verdade individual. Contudo, no computo geral, a figura somente se completa quando todas as pecas são encaixadas e se pode ver a imagem completa da verdade.

Pecas verdadeiras serão, por exemplo: o avião levantou voo; o avião caiu; os passageiros morreram; entre eles estava o ministro do STF, etc. Essas são todas parte da verdade e também chamadas de verdades.

Observem que essas verdades nao sao minhas. Tambem nao sao do meu irmao. A gente precisa ter em mente que a verdade nao pertence a ninguem. Ela aparece como entidade propria. Contra ela nao ha argumentos. Qualquer pessoa com um minimo de racionalidade nao entraria em discussao contra a verdade, desde que conhecida. A verdade eh uma autoridade que chega mesmo, de certa forma, a ser autoritaria! Porem, com razao.

Contudo, aviões caem vez por outra e não passam de acidentes. Muitas vezes ninguém escapa. Outras vezes acontecem verdadeiros milagres como no caso do avião que caiu com a delegação da Chapecoense.

Mas o caso especifico eh que o avião levava um ministro do STF. E não era somente isso. Era “o” ministro encarregado da chamada “Operação Lava Jato” que, supostamente, tem a única finalidade de investigar crimes de corrupção envolvendo as maiores figuras dos setores politico e econômico do pais.

Nesse caso ficam as incógnitas: a queda do avião foi acidente ou foi provocada? Em caso de ter sido provocada ha que responder-se quem a provocou, porque, etc…

Bom, a primeira questão pode ser resolvida por mais de um caminho. Em primeiro lugar teria que ser feito o laudo técnico. Mais investigações onde especialistas neutros levantariam todas as evidencias que comprovariam a queda acidental ou provocada.

Esse seria apenas o primeiro passo, pois, investigações subsequentes teriam que ser feitas, pois, em caso de chegar-se `a conclusão de que foi provocada ter-se-a que descobrir quem provocou.

Outra forma seria a de alguem que acaso tenha provocado a queda se entregue.

Mas existe pelo menos mais uma terceira forma, também considerada cientifica, que podemos chamar de evidencial, mesmo sem necessariamente depender da investigação primaria. E ai entra a lógica matemática e as equações de probabilidades.

Nesse caso ha que recorrer-se aos levantamentos estatísticos da aviação e a relação da ocorrência de “acidentes” com pessoas da importância de um ministro do STF, por exemplo, e envolvendo momentos cruciais na política.

Ha que levantar-se a probabilidade de uma aeronave cair, em céu de brigadeiro, com um ministro dentro. E esse ministro teria o poder e estaria a ponto de concluir um caso onde poderia levar `a prisão pelo menos umas 1.000 pessoas das mais influentes na política e economia do pais.

Outra questão que se deve levantar para somar-se aos fatos eh com qual frequência o Brasil tem assistido a eventos semelhantes ao longo de sua Historia, pelo menos desde a II Guerra Mundial para ca.

O tempo eh importante para as estatísticas porque quando se inclui apenas um fato isolado pode-se toma-lo como padrão e na verdade ele poderia ser apenas uma aberração estatística.

Para melhor esclarecer-se. As pessoas pensam que porque o Brasil esta muito quente isso significa prova de que esta mesmo havendo o aquecimento global. Isso não eh verdade.

99% dos cientistas em climatologia concluíram que o mundo esta passando por um tipo de aquecimento global em que a comunidade humana teve forte influencia. Mas para chegar a essa conclusão foram analisados milhões de dados e fatos ocorridos durante diversos períodos geológicos, o que inclui milhares e milhões de anos.

Analisado tudo o que sabemos do passado descobriu-se que estamos passando por um aquecimento global diferente de todos os outros anteriores. Então incluiu-se a atividade humana no planeta e com isso ficou comprovado que tal atividade eh a única variante capaz de explicar os acontecimentos.

No computo geral, assim como ha aquecimento sensível em partes do Brasil, também ha esfriamento sensível em outras partes do planeta. Algo esperado, pois, mais nuvens em uns lugares, pelo aumento do vapor na atmosfera, diminui a radiação solar em determinados locais. Mas a soma das medidas em todos os lugares eh que levou `a conclusão do aquecimento. O aquecimento foi constatado pela elevacao da media entre milhares de locais no planeta e nao de apenas um lugar especifico.

Da mesma forma deve-se levantar os casos de mortes de pessoas importantes para a situação no pais em momentos cruciais. Pode-se levantar, de memória, as mortes do Castelo Branco, Filinto Muller, Juscelino Kubitischek, Joao Goulart, Tancredo Neves (o caso dele pode ser de menor influencia por causa da idade e da conhecida situação de saúde ruim), Ulisses Guimarães, Eduardo Campos e Teori, pelo menos. Outros poderão ser incluídos `a medida da necessidade.

Como na constatacao do aquecimento global provocado pela atividade humana, ha a necessidade de investigar-se se ha outros locais no mundo com frequencia igual ou semelhante de mortes de pessoas importantes em momentos cruciais. Isso evitando-se computar casos de guerras ou revolucoes civis abertas e levadas de fato aos extremismos.

Vamos dizer assim, computaremos apenas paises em situacoes economicas e politicas “normais”. Mesmo estando sob condicao de ditadura, porem sem uma guerra acontecendo em cada esquina.

Dentro do meu conhecimento, nao consigo lembrar-me de nenhum outro pais com tantas mortes de “autoridades” em momentos cruciais como no Brasil nessas ultimas decadas.

Por esse resultado ja se pode adiantar que algo de errado esta acontecendo. Nao se pode chegar a conclusao alguma ou veredito de nada. Isso somente quer dizer que existem duas opcoes de verdades excludentes. Isso significa que, se uma opcao for verdadeira a outra sera obrigatoriamente falsa.

E as opcoes sao a de que todos os casos no Brasil foram acidentais mas nao houve uma investigacao digna de credito capaz de eliminar todas as duvidas ou a de que temos mesmo uma grande podridao acontecendo por tras de tudo isso.

Esse pensamento nada tem de teorico e muito menos de conspiratorio. Nao se trata de antecipar conclusoes. Trata-se de explorar possibilidades. Isso se chama linha de investigacao e nao teoria de conspiracao.

Alias, as chamadas teorias de conspiracoes surgem exatamente por causa de nao estabelecer-se linhas de investigacoes para que cada caso seja resolvido satisfatoriamente para a maioria absoluta do publico.

Observem que logo apos `a morte do Elvis Presley houve um movimento teorico conspiratorio afirmando que ele nao havia morrido. `A medida que o tempo vai passando a teoria tem se esvaziado. Ate porque, se ele nao tivesse morrido `aquela epoca, as chances de estar vivo sao muito menores ja que reduziu-se muito o numero de pessoas com a idade que ele teria se estivesse vivo!

Voltando ao foco da questao, ja sabemos que uma investigacao deveria ser feita. Mas tambem sabemos que ha interesses de partes em nao realiza-la, caso a morte tenha sido provocada. Portanto, todo cuidado seria pouco aos investigadores. E todo e qualquer cuidado sera pouco.

Em primeiro lugar, pode ser que nem todas as mortes mencionadas faram parte de uma mesma trama. Mas o investigador cuidadoso nao podera descartar a possibilidade. Afinal a “carta testamento” deixada por Getulio Vargas eh considerada um fato e nao uma teoria de conspiracao. E nela ja mencionava forcas ocultas que o levaram ao suicidio. Talvez ha que comecar-se a investigar a partir dele.

Caso se conclua que todas as mortes contem vinculos, entao, ficara mais facil de apontar-se suspeitos, pois, isso eliminaria muitos candidatos ja que nao poderiam fazer parte de complo por tempo tao prolongado.

Mas, no caso especifico da morte do juiz Teori existem pelo menos duas possibilidades. Por sorte podemos adiantar que uma eh falsa e outra eh verdadeira. Isso porque sao excludentes. Uma linha de investigacao consideraria a possibilidade de ato criminoso e outra a de acidente.

Em caso de encontrar-se ato criminoso como resposta, entao, ai sim eh que devemos considerar os possiveis culpados.

E nesse caso tenho que discordar um pouco da opiniao do primo Armando Rodrigues Coelho Neto. Ele concluiu a cronica dele com as palavras: “Se houve sabotagem, os investigantes nao podem desprezar a mais primaria das questoes policiais: a quem interessa o crime?”

Ha poucos dias vi um compartilhamento na pagina de uma de minhas primas com tendencias super direitistas. Ela buscou a propaganda no site do MBL. Coisa esdruxula a ponto de nem valer a pena mencionar. Mas para efeitos de comparacoes cai bem no caso. O compartilhamento era cheio de manchetes, as quais diziam:

“Teori Barra Busca na Casa de Renan.”; “Teori Zavascki Concede Liminar Suspendendo Rito de Impeachment.”; “Teori Zavascki Absolve Reus do Mensalao de Pena de Quadrilha.”; “Teori Zavascki Manda Soltar Executivo da Odebrecht Preso na Lava Jato.”; “Teori Zavascki Revoga Prisao do Banqueiro Andre Esteves.”; “Ministro Teori Zavascki Manda Soltar Senador Delcidio Amaral.” E conclui que o pensamento: “POVO DE MEMORIA CURTA! SO PORQUE MORREU VIROU SANTO?”

Nao vamos entrar no merito da questao porque da forma como a divulgacao ultra-direitista esta posta nao tem merito algum. A finalidade da propaganda eh apenas de incitar o odio contra o lado dos acusados na Lava Jato.

Nao tem nenhuma intencao de colocar alguma verdade no assunto, pois, nao analisa se as decisoes do falecido tinham ou nao fundamento juridico. Afinal, o juiz verdadeiro se atem `a lei e nao aos interesses particulares de um lado ou outro. E nao estou aqui absolvendo o juiz. Estou apenas apontando a falha na peca midiatica do MBL.

Bom, a partir dessas informacoes, pode-se concluir que algumas decisoes do falecido juiz poderiam levar a entender que ele estava protegendo o lado atualmente em oposicao ao governo, seja ele legitimo ou golpista. Nao se esta aqui desejando esclarecer essa questao.

Nesse caso, podiriamos entender que o Armando quereria dizer com sua conclusao que o provavel culpado sao os envolvidos naquilo que chama-se de golpe, e que esta ocorrendo no Brasil. Mas penso que ele falha nos detalhes. Isso porque nao basta “estar interessado” para assumir-se a presuncao de culpa.

A questao, para mim, eh mais complexa. O caminho correto passa mesmo pelo interesse. Mas ha que concluir-se o pensamento com mais premissas. “A quem interessa o crime” eh apenas parte da questao. Ha que acrescentar-se: e que tenha a capacidade de comete-lo e oculta-lo aos olhos do povo.

Digo isso porque, entre outras razoes, de uma forma de realidade distorcida, o crime interessaria tambem `as atuais oposicoes. Isso porque, se o caso foi mesmo um crime, entao, os interessados de imediato nele, aqueles que estariam na lista de citados nos crimes investigados na Lava Jato e que teriam os nomes revelados passando a reus, seriam os primeiros suspeitos. E quem mais interessada em que isso acontecesse senao as atuais oposicoes?

Aqui esta outra verdade. O investigador verdadeiro nao parte do principio de que “todos sao culpados ate que se prove o contrario”. Mas ele nao pode deixar de levantar toda hipotese possivel para esclarecer o crime. A partir disso ele tera que eliminar todas, menos uma.

E isso so se da via investigacao e comprovacoes honestas e nao por conviccoes de ambito intimo. O investigador nao tem que fazer a vontade de outros nem a propria e sim seguir o rito da lei e o que os recursos tecnicos lhe permitirem.

Pelo apresentado ate ao momento as pessoas com o pensamento mais `a esquerda irao dizer que colocar o lado esquerdo como objeto da investigacao seria algo ridiculo, pois, se ha alguma verdade que o falecido estava sendo ponderado e impedindo arbitrariedades maiores que pudessem levar seus membros `a prisao, seria falta de inteligencia matar o protetor. Seria dar um tiro nos proprios pes!

Verdade! Mas nao conclusiva. Nao creio em crimes perfeitos. O crime mesmo sem ser descoberto nunca sera perfeito, pois, o crime ja eh a manifestacao da imperfeicao na mentalidade humana. A mente criminosa nao funciona pela mesma logica que estamos acostumados a ela. Ela distorce a realidade e age pelo impulso de autopreservacao. Por nao medir com exatidao as consequencias eh que se entrega!

Ninguem comete um crime e o esconde tao perfeitamente que o torna sem solucao. O que existe sao investigadores incompetentes, ou corruptos, ou, ate mesmo, mais espertos. Se alguem pensa que o termo eh um depreciativo, pense uma segunda vez antes.

O mais esperto nao eh aquele que sabe somente como fazer o seu trabalho. Ele sabe tambem medir as consequencias dele. E o investigador, no presente caso por exemplo, precisa ficar atento para a solucao do caso, pois, se alguem ou algo foi capaz de matar para ocultar, entao, ele proprio podera ser a proxima vitima! Portanto, sem ser corrupto ou deixar-se corromper, podera descobrir tudo e chegar `a conclusao que, para sua propria seguranca, sera melhor nao revelar a verdade.

Portanto, antes mesmo de entrar na “brincadeira”, em casos como esse, o investigador precisa antes ter garantias. Ou seja, tem que ter como protecao algo mais forte que os inimigos possam se revelar. E, infelizmente, nao parece que isso esta havendo no Brasil ou, pelo menos, muitos estao perdendo a vida em vao.

Mas como eu disse. Nao ha crime insoluvel. Alguem ou algo das atuais oposicoes poderia pensar que uma sabotagem ao aviao do falecido ministro seria o crime perfeito, pois, nao levantaria suspeitas e ainda de quebra incriminaria o inimigo. Tudo isso passa pela vaidade humana!

Nao seria o foco principal de uma investigacao de minha parte. Mas ela nao seria eliminada antes de comecar e garantias de que nao tenha fundamento.

Dito isso ate agora, acredito que existam mais de um suspeito. Eles podem ser pessoas, entidades, agremiacoes, sistemas, governos ou quadrilhas. Claro, tudo entraria na planilha.

E `a medida que for se descobrindo que os casos mencionados tiveram, ou nao, relacao uns com os outros os suspeitos serao eliminados. Se houver relacao entre todos, numa hipotese mais abrangente, entao, praticamente nao teremos mais que uns 2 ou 3 suspeitos com a possibilidade de resolver-se o caso quase que imediatamente.

E para soluciona-lo seria preciso reunir um time completo. Nesse caso e devido ao tempo da busca, um grupo de bons professores de Historia teria que fazer parte. Investigadores policiais com grande experiencia sao os primeiros a ser lembrados. Especialistas em circulacao de dinheiro e armas tambem. Tecnicos de aviacao e especialistas em sabotagem seriam imprescindiveis. Alem de eximios conhecedores dos corredores pelo qual passa o petroleo no mundo!(No sentido lato!)

Na verdade, seria preciso a contratacao de hackers capazes de invadir arquivos de servicos secretos e tudo o que ha escondido na internet. E se a investigacao contiver elementos que a permita ser concluida mais facilmente o mesmo time deve trabalhar junto, se nao para solucionar, pelo menos para confundir os sabotadores.

O caso pode parecer obvio. Mas ele somente sera solucionado `a medida que hajam pessoas suficientes com vontade de conhecer a verdade. E que a verdade que queiram nao seja nem provisoria nem relativa.

Estranha essa situacao em que as pessoas estejam sendo levadas a crer que a verdade nao exista! Ai sim eh que deve ser perguntado: a quem isso interessa?!!!

Acredito que o Vaticano, e as demais sedes de outros ramos do cristianismo e outras religioes deveriam inquietar-se com tal interpretacao ou se prepararem para fechar as portas de seus “negocios” para sempre. Afinal, o fundamento das religioes eh mesmo a busca pela verdade. O cristianismo mesmo prega: “Busque a verdade e ela te libertara.”

Mas se ela nao existe, eh mutavel ou eh provisoria, entao, coloca-se o fim em tudo o que se acreditou!!!

Em verdade eu creio na existencia da Verdade. Muitas vezes a opiniao pode mudar em relacao a Ela. Mas Ela eh e sempre sera a mesma.

Independente de fe em uma ou outra coisa, acredito que aqui caiba perfeitamente os questionamentos tanto do primo Armando quanto meu. A quem interessa a morte da verdade e quem ou o que tem forca para oculta-la aos olhos do povo?!!!

Nao creio que os professores de Historia façam parte de um complô para oculta-la. Muito pelo contrario. Mas creio que muitos nao estao se detendo com mais foco no assunto, para nao se deixarem levar pela impressão de que “uma falsidade contada muitas vezes torna-se verdade.” Na verdade, quanto mais a falsidade se espalha ela apenas se torna mais conhecida. Nunca sera verdade.

Os povos da Terra precisam conscientizar-se de que a verdade existe. E a busca e o conhecimento dela eh a unica forma de libertação que conheco. Os que a fizeram acreditar como mutável ou maleável a querem assim apenas para continuarem donos do poder sobre os vulneráveis.

Pois, toda vez que alguem se aproximar da verdade bastara a eles divulgarem uma “nova versão” que engane a todos e assim se manterão no poder e no comando, mesmo que não tenham a autoridade que a verdade lhes concederia.

O povo brasileiro em particular precisa exercitar melhor a inteligência que possui. Fica obvio que o que houve ate agora eh uma serie de mortes que aconteceram de forma estratégica. Se ha um assassino em serie por trás disso eh o que não sabemos.

Mas caso o haja, nada mais importante ao povo que conhecer a verdade, pois, assassinos em serie nunca fazem seus crimes para beneficiar o povo. Muito pelo contrario. Se a serie assassina existe eh justamente para suprimir algo que por direito pertence ao povo.

 

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12. “BANDIDO BOM EH BANDIDO MORTO”

Entao vamos definir o que eh bandido!!?

“E Jesus disse: Atira a primeira pedra aquele que nao tiver pecado. E continuou compenetrado no laudo de acusacoes que escrevia na areia.”

Esse eh apenas um preambulo. Vamos lembrar tambem algumas vitimas da pena-de-morte. Para nossa surpresa: Jesus, o nazareno; Joaquim Jose da Silva Xavier, o Tiradentes; Frei Joaquim do Amor Divino Rabelo, o Frei Caneca e ninguem menos que Jeronymo Barbalho Bezerra. E procurem na Historia o que esses homens fizeram para ser executados. [Havia me esquecido, quando publiquei a primeira vez essa crônica, de mencionar Joana D’Arc.]

Ta bom! Vao dizer que “bandido bom eh bandido morto”. Entao, os que citei nao foram bandidos. Pois eh! O perigo eh justamente esse. Quando voce da autoridade a alguem para matar “bandido” essa pessoa pode acabar extendendo as intencoes da ordem.

E, do ponto-de-vista dos executores eles estavam executando bandidos mesmo, inclusive os 4 que mencionei!

Mas para isso se fara uma lei no sentido estrito. Tao boa que nao havera nenhum engano nas execucoes.

O que eu perguntaria era apenas isso: se ha alguma forma de fazer uma lei que evitara qualquer erro de julgamento e apenas culpados e merecedores da pena maior serao executados, nao seria melhor fazer uma lei no mesmo sentido que evitasse a todo crime?

Pois eh, se o ser humano fosse bom como os condenadores pensam que eles proprios sao, nao teriamos a necessidade de reprimir crime algum, pois, ninguem os cometeria.

Na verdade eu desejava com essa cronica eh apenas levantar a questao do quao esperdicado tornou-se o quebrar de cabeca que parte de nossos ancestrais passou por ele!

Desde crianca as licoes que nos vinham eram as de que devessemos seguir os bons exemplos. Mas como sabemos que ha muita hipocrisia no meio dos orgulhosos “bons exemplos” da sociedade ate se criou o proverbio: “Faca o que eu digo, mas nao faca o que eu faco”!

Eh! Deveriamos tambem evitar a hipocrisia. Diga-se de passagem, desde os tempos de Jesus os hipocritas sempre foram “bons exemplos”. Isso eh, basta olhar-se o que praticam e nao segui-los. Muitas vezes eh tambem bom nao fazer o que falam!

Para as criancas recem-chegadas ao mundo e agora estao comecando a descobri-lo. A psicologia do “fazer-se o bem sem olhar a quem” tem um grande fundamento aqui.

Sabe por que voce deve seguir os bons exemplos e nao envergonhar-se disso? O objetivo eh o de que seguindo o bom exemplo voce poderia tornar-se exemplo para os seus filhos; seus filhos seriam bons exemplos para os filhos deles; seus netos seriam bons exemplos para seus bisnetos, numa sequencia onde no fim de tudo o bem venceria ao mal.

Ja quando dizem para voce: “bandido bom eh bandido morto”, nao se trata de buscar solucao. Diga-se de passagem, o poeta Vandre ja disse: “A morte `as vezes eh solucao.” Engano dele.

A morte nao eh solucao nem de vez em quando. Se fosse solucao os bons nao morreriam. A morte eh tao parte da vida quanto o nascer, comer, beber e dormir. Todos morrerao. Isso nao tem se, o que tem eh o quando.

O antecipar de uma morte eh anti-natural. Por que considerar-se castigo algo que fatalmente ira acontecer? O que a morte antecipada lhe ensina? Qual a licao que o executado tera para compartilhar com voce? O que voce aprende com a condenacao `a morte? Se nada tens a aprender, entao, que esperdicio de vida!!!

Muito ao contrario. Quando a sociedade condena `a morte, mesmo que o condenado tenha cometido algo hediondo, esta se dando a inversao da solucao.

Isso quer dizer que a sociedade se ve ultrajada pelo ato cometido. Entao escolhe a pena que ate seria propria para um povo bem antigo, tao atrasado que ainda vivesse sob a Lei do Taliao, aquela que diz: “Olho por olho, dente por dente, pe por pe….” Ou seja, nao se deseja buscar a solucao. Deseja-se apenas vingar.

E a vinganca eh tao maligna quanto o ato ultrajante em si. De tal forma que a sociedade ao contrario de mostrar-se como exemplo bom, passa a seguir o exemplo do bandido e tornar-se o proprio.

Isso eh o que significa: “bandido bom eh bandido morto”. A sociedade que vive sob o lema eh uma sociedade condenada, pois, seguiu o exemplo do homem mau, e tornou-se o proprio mal.

Nao quero julgar, e quem sou eu para faze-lo?!!! Mas tenho a ligeira impressao de que se as coisas continuarem caminhando do jeito que tem sido levadas pelos “homens de bem” da atualidade, estara proximo o dia em que Jesus voltara mesmo!

Ai ele tera uma duvida nao tao dificil de resolver. Fazer o mundo acabar-se em agua ou fogo. A duvida nao chega nem ao sim ou nao. Se a opcao coletiva for por seguir ao mau exemplo, entao, penso ate que os Ceus nem estao se importando mais em jogar nenhuma praga sobre a Terra. Os terraqueos acabarao se consumindo por suas proprias decisoes.

Os Ceus tem todo o tempo do mundo. Portando ja sabem quando o fim vai chegar. Incendiar a Terra seria perda de tempo e esperdicio de inteligencia, pois, isso eh o que ja esta por acontecer.

 

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13. POLITICA, FUTEBOL, MUSAS E PROPAGANDA ELEITORAL ANTECIPADA; OBAMA GRANDES CORPORACOES E IMIGRACAO.

RELEITURA DA MARQUETAGEM:

Constantemente tenho recebido e-mails de amigos repassando-me um certo tipo de propaganda eleitoral que tem infestado as telas dos internautas brasileiros ha pelo menos por uns dois anos. Trata-se da propaganda contraria aa candidatura da presidenciavel ministra Dilma.

Antes de entrar propriamente no tema, gostaria de lembrar aos possiveis leitores dessas mal-tracadas notas que os grandes marqueteiros de plantao nao estao no mercado para informar e muito menos para conscientizar ninguem. Eles tem um objetivo unico: vender o peixe deles, e nao tem nenhum intento de usar a verdade para conseguir isso.

Para falar a verdade, o marquetismo trabalha mais com a ignorancia das pessoas e o ilusionismo. E nao adianta ninguem se enganar dizendo que nunca comprou deles algo totalmente inutil. Basta lembrar-se que nao muito tempo atras muita gente comprou pacotinhos de cancer sorviveis ou inalaveis como se fosse simbolo de sucesso; dor de cabeca engarrafada, como se fosse simbolo de status; caixoes motorizados que dao 160km/h em 5 segundos (num pais onde a velocidade maxima permitida era 80km/h), como se os tais nao poluissem mais nem fossem mais dispendiosos. Daqui para frente cada um refaca a sua propria lista.

Assim, os marqueteiros anti-Dilma, anti-PT, anti-Lula, vem tentando envenenar a opiniao publica, contra os atuais e, possivel, futuros governantes do pais. Nao que eu creia que nao deva haver oposicao. O que eu detesto eh desonestidade. Parece que ha um desafio entre os marqueteiros para descobrir qual sera capaz de fazer a venda mais impossivel. Nao importam as consequencias.

PROPAGANDA ANTECIPADA.

Algo surreal nessa campanha eh que os marqueteiros podem fazer a anti-propaganda. O que eles nao podem eh apresentar as alternativas, ou seja, os candidatos para os quais trabalham porque isso violaria a lei eleitoral brasileira. Assim ficaria caracterizado o caso de propaganda eleitoral antecipada. Mas sera que tem alternativa?!…

Uma das propagandas mais anti e menos informativas que tenho recebido eh aquela que tras uma ficha junto ao “DOPS” (e que se ressalte muito bem essa sigla: “D. O. P. S.”, que foi o orgao usado pela ditadura para sequestrar, torturar e matar sistematicamente opositores ao regime de excecao) da ministra Dilma. Eles usam a ficha (nao importa que seja verdadeira ou falsa) com intuito de fundamentar a argumentacao de que ela teria pertencido a um grupo “terrorista” que chegou a sequestrar alguem.

UM POUCO DE HISTORIA

O que os marqueteiros nao perceberam, ou mataram aquela aula importante quando fizeram a faculdade, eh que eles estao usando os mesmos argumentos elaborados pelo regime ditatorial militar brasileiro, instalado a partir de 1964, para justificar as atrocidades que estava comentendo.

O regime ditatorial militar de 64 foi o maior estupro que a democracia brasileira ja foi vitima. Foi a deposicao de um governo eleito pelo povo, segundo as regras eleitorais da epoca. Foi um ato vil que comecou com a marquetagem vendendo a impressao de que o Brasil estava sendo cubanizado e que somente se salvaria se os militares tomassem o poder.

Tomado o poder, a marquetagem afirmava que seria apenas um interludio transitorio porque o poder deveria voltar aos civis brevemente. Quando o povo comecou a perceber que estava sendo iludido e passou a exigir liberdades constitucionais, houve a fechadura institucional, fechamento do congresso, decreto do AI-5, enquanto os marqueteiros foram chamados para vender a ditadura como se fosse um produto bom para o Brasil.

Os que ja vivemos o suficiente, somos capazes de nos lembrar dessa epoca. Eles venderam a imagem de que toda opiniao contraria seria oposta ao patriotismo, enquanto havia a propaganda massiva dizendo coisas tais como: “Brasil, ame-o ou deixe-o.” Subentendido estava que amar ao Brasil seria o mesmo que ser subserviente aa ditadura.

Apenas para recordarmos das violencias mais visiveis, nao nos esquecamos que cantores como: Chico Buarque, Caetano Veloso, Gilberto Gil, Juca Chaves e outros ganharam passagens so de ida para o exterior. Os humoristas: Chico Anisio foi visitar Nova Yorque porque disse: “Quem nao tem cao, caca com gato; quem nao tem gato, caca com rato; quem nao tem rato, caca com ato.”; e Os Trapalhoes foram suspensos porque cantaram: “Esse eh um pais que vai pra frente…” enquanto andavam para tras. O que diriamos entao a respeito das violencias cometidas contra os jornalistas: Herzog e Paiva e suas familias?!…

Pois, foi nesse contexto de violencia unilateral eh que um pequeno numero de brasileiros iludidos por sua propria juventude pensou que poderia matar o dragao da ditadura com algumas acoes estupidas. Pelo menos, eles erraram pensando em defender os ideais da democracia. Sim, alguns se deixaram levar pelo encanto de outras sereias marqueteiras, imaginando que naquele momento o comunismo fosse ideal para o Brasil. Mas a maior parte destes foi simplesmente executada nas prisoes do D. O. P. S. e outros recantos esquecidos do Brasil e fora dele.

FUTEBOL

Afirmar que a ministra Dilma sequestrou eh semelhante a afirmar que o atacante Ronaldo Nazario eh o: “Maoh marginal meo”. De onde eu tirei essa ideia? Das piadinhas que rolam no meio do marquetismo comico. Nas piadas, a torcida do Corinthians esta sempre ligada ao vandalismo; a do Flamengo a criminalidade, e assim vai. Cada time tem sua torcida associada ao que ha de pior (sejam os citados ou Atleticos, Bahias, Internacionais e outros) quanto maior for o sucesso alcancado pelo time. Esses atributos sao dirigidos pelas torcidas adversarias que, claro, nao sao maduras o suficiente para respeitar o sucesso dos outros.

O amor que o atacante Ronaldo sempre declarou pelo Corinthians nao o intitula autor de qualquer vandalismo cometido por qualquer outro corintiano. O mesmo se aplica ao caso da ministra.

POLITICAGEM

O chato de se ter acesso aa propaganda marqueteira eh perceber-se que os marqueteiros parecem pensar que eles sao tao inteligentes que ninguem vai saber ler as meias-verdades (verdadeiras mentiras) que eles propagam.

Ora, o que nos interessa se o Lula nao tem diploma de nada e nao gosta de ler?! Se a ideia nao foi dele, os acessores dele devem te-lo alertado que a economia do pais cresceria se se incluisse os descamisados no mercado consumidor. Vai ver que foi por nao gostar de ler que ele acabou nao se tornando um “burrocrata” como os outros e, lembrando-se de sua propria origem humilde, enxergou que devesse dar oportunidade aos humildes, fazendo com que o Brasil crescesse mais que no tempo dos doutores.

O que nos importa se a primeira-dama Marisa Leticia resolveu buscar a cidadania italiana para os filhos, alegando desejar o melhor para os eles?! Somente os xenofobos nao enxergam a diferenca entre patriotismo e patriotada. O direito da presidencia do pai das criancas nao passa para elas e so eh eterno enquanto dure.

POLITICA EXTERNA

Outro “golpe” dos marqueteiros tem sido tentar associar a imagem do presidente Lula aa do Fidel Castro. Principalmente em funcao da amizade que os une. Na intencao subliminar esta o desejo de que o internauta engula que a amizade deles iria contaminar a democracia brasileira, transformando-a na Cuba do amanha.

Em primeiro lugar precisamos nos lembrar que o regime cubano somente surgiu em razao de fatos historicos anteriores a ele. Que a Guerra Fria obrigou Fidel a fazer a opcao, errada em meu ponto de vista, por falta de alternativas viaveis. Depois, foi o embargo economico que Cuba vem sofrendo por mais de cinquenta anos eh que deu combustivel ao regime. O governo chines ou o Russo nunca foram melhores que o cubano. Mas o tratamento eh totalmente diferenciado, em funcao dos interesses que cada pais representa.

DESCARREGO

Para encerrar, os marqueteiros ousam citar as palavras: “O que mais preocupa nao eh o grito dos violentos, nem dos corruptos, nem dos desonestos, nem dos sem etica. O que mais preocupa eh o silencio dos bons. Martim Luther King” Se o Martim Luther King Jr tivesse sobrevivido ao assassinato que sofreu e ainda estivesse vivo ate hoje, sera que ele iria se deixar convencer pela marquetagem, ou teria opiniao propria?!… O melhor mesmo eh manifestar uma opiniao antes que o nosso silencio nos leve a outra ditadura de direita.

Nao vou nem citar o fechamento da outra propaganda que vi porque os marqueteiros nao sentiram constrangimento algum nem mesmo de usar o nome de Deus em vao. E esse assunto eu so comento se vier de pessoas sinceras.

MUSAS

Apesar do que escrevi, nao estou defendendo o governo do presidente Lula, nem declarando voto algum a ninguem. Ate o presente momento desconheco qualquer programa de governo dos possiveis candidatos. Sei apenas que este ano teremos como musas: a propria ministra Dilma e a ex-ministra Marina Silva. Estou apenas criticando o marquetismo pelo marquetismo.

ALERTA

Essa eh uma forma de alertar aos proprios marqueteiros para que usem argumentos serios e construtivos. Se nao tiverem argumentos serios para valorizarem os seus candidatos, nao partam do principio de que todos os internautas sao ignorantes. Ninguem aqui eh santo. Isso eh verdade. Mas se quizerem vender gato, anunciem gato. Se desejam vender lebre, anunciem a tal. Por enquanto eu sou todo ouvidos.

OBAMA, GRANDES CORPORACOES E IMIGRACAO

Eh bem verdade que o presidente Obama nao teve tempo suficiente para reverter a heranca maldita que herdou de seu antecessor. Porem, pelo andar da carruagem esta deixando a desejar em relacao aas expectativas que foram depositadas nele. Um sinal disso foi a eleicao para o senado de Scott Brown, aqui em Massachusetts, em lugar do falecido Ted Kennedy. Lembre-se que o estado e o senador foram tradicionalmente democratas e liberais e o substituto eh republicano e conservador.

Quando se trata de discurso, o presidente Obama eh o melhor orador que eu ja vi. Ele realmente consegue convencer a todos que tem boa vontade em ouvi-lo. Porem, apesar de todas as promessas, nao percebi sequer a mudanca de uma unica virgula na cartilha de relacoes exteriores dos Estados Unidos da America em relacao aa administracao anterior.

A politica externa dos Estados Unidos continua dando forca ao “El Comandante” em Cuba apesar de, da-boca-para-fora, arrotar que o famigerado embargo de cinquenta anos esteja fazendo algum efeito. O unico ator que esta sofrendo embargo nessa “comedia” eh o povo cubano. El Comandante se mostra mais inteligente que todo o Pentagono, junto com todos os presidentes que ele desafiou nas ultimas cinco decadas.

O Iraque continua tomando banho de sangue diariamente. O Afeganistao deixou de ser um reduto isolado dos Talibans, porque agora o movimento esta invadindo outros paises da regiao. A Coreia do Norte continua rugindo cada vez mais forte, apesar do fisico rodentia. Em Darfur o genocidio continua ja que nem tio Sam nem a ONU se sentiram atingidos, afinal, sao apenas vidas humanas pauperrimas que estao sendo perdidas.

O caso do Ira ficou emblematico na ultima semana. O esforco conjunto do Brasil e Turquia nao passou de: (com licenca da ma-palavra) “peido errado” porque nos bastidores os cinco componentes do Conselho de Seguranca da ONU, com direito a voto e veto, ja haviam deliberado que aumentariam as sancoes contra o Ira. Ja estavam decididos a nao dar chance alguma aa paz. Em contrapartida, continuarao tentando apagar o fogo com gasolina, fazendo a mesma oferenda que Fidel Castro tem recebido ao regime dos Aiatolahs. Que me desculpe a mae natureza mas burrice em seres humanos era para ter limite!… Talvez, a diplomacia do Brasil e da Turquia tire essa como licao, quando quizerem dar algum pitaco no cenario internacional, esperem a gang dos cinco se reunir e falar o que quer, so depois eh que se mostre a alternativa.

AS GRANDES CORPORACOES

Outra questao contraditoria no governo Obama tem sido a politica economica. Quando as grandes corporacoes se viram em risco de quebrar os trilhoes de dolares para salva-las nao tardaram a aparecer. Motivo? Elas eram grandes demais para irem aa bancarrota como se fossem um reles contribuinte comum. O argumento? Se alguma grande corporacao quebrasse correr-se-ia o risco de arrastar junto toda a economia.

O pensamento eh politicamente correto. Mesmo que moralmente seja vergonhoso para um estado que defende (na propaganda) a premiacao aos bons e a punicao aos culpados. Para mudar um pouco essa imagem, a administracao vem prometendo uma legislacao mais rigorosa, dando poder maior de vigilancia ao estado, no intuito de que nunca mais haja uma situacao em que hajam companhias que sejam tao grandes na economia que nao possam quebrar.

E tal legislacao acabara entrando em vigor. Mas vamos ter que esperar a proxima quebradeira da Banca do Cassino da Quinta Avenida para saber se ela surtira algum efeito palpavel. Como o Cassino quebra de uns vinte em vinte anos, a administracao Obama nao sera testada nesse sentido.

IMIGRACAO

O sistema imigratorio dos Estados Unidos sempre foi uma piada. Os burocratas e o povo do pais fingiam que ele realmente existia e os imigrantes fingiam que acreditavam. Porem, com a quebradeira do Cassino da Quinta Avenida resolveram escolher o lado mais fraco para arrebentarem a corda. O chamado “indocumentado” foi eleito o bode expiatorio do seculo. Eh apontado como o culpado de tudo agora.

A administracao Obama ja disse que nao sente que haja clima para o Congresso aprovar uma Lei de Anistia ainda esse ano. Ja estao cozinhando o indocumentado ha quantos outros anos mais mesmo?!… O sentimento real eh que o publico estadunidense esta tao envenenado com a ma informacao de que o indocumentado cause algum problema aos Estados Unidos, que torna-se um grande risco eleitoral defender a causa do imigrante indocumentado.

Que a administracao Obama me perdoe mas o que esta faltando eh boa-vontade para levar justica aos pobres indocumentados. O indocumentado nao eh, nao foi, nem sera culpado pela perda de emprego que qualquer nativo tenha sofrido. Os grandes especuladores foram, sao e serao, mas eles foram premiados com a total abertura das burras.

Alem do mais, se existem outras corporacoes que sao grandes demais para quebrar, nenhuma eh tao grande quanto essa que tem onze milhoes de trabalhadores; numero igual ou superior de dependentes que em grande parte dos casos sao estadunidenses natos. Por nao calcular o quanto esses milhoes de cidadaos consomem, a administracao Obama esta falhando em nao enxergar essa grande forca de trabalho que eh a CORPORACAO DOS IMIGRANTES INDOCUMENTADOS.

Alias, ocorreu-me neste momento. Dar a ideia aas instituicoes que defendem aos imigrantes indocumentados a solicitar que eles recolham todo e qualquer recibo de compra que fizerem nos Estados Unidos por um determinado periodo. Um dia ou um mes. Isso dependera do volume de papel que acharem interessante obter. Em antecipacao, pode-se pedir que eles ja facam a contabilidade somando a parcela de tributos recolhidos durante tais compras. Juntem tudo em um envelope e escrevam o valor (somente dos tributos recolhidos) no lado exterior dos envelopes e os enviem  aas entidades de sua defesa. Nao precisa identificar quem enviou os recibos. Depois os lideres levem os recibos  e o valor dos tributos recolhidos aa Casa Branca ou ao Congresso. Creio que isso daria um argumento bastante palpavel para que a anistia saia imediatamente.

Se a administracao Obama nao tem vergonha de ajudar corporacoes como: AIG, Citybank, montadoras diversas etc, nao deveria envergonhar-se de nao ter dois pesos e duas medidas quando se trata de salvar os primos pobres. Afinal, dizem os historiadores que: nao existe nada mais estadunidense que o movimento migratorio. Defende-lo e protege-lo deveria ser uma questao de patriotismo.

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A HISTORIA DA FAMILIA COELHO DO CENTRO-NORDESTE DE MINAS GERAIS.

maio 23, 2010

CONTEUDO DESTE BLOG – ALL CONTENTS

0. PURA MISTURA

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  1. GENEALOGIA

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https://val51mabar.wordpress.com/2013/12/06/genealogias-de-familias-tradicionais-de-virginopolis/

https://val51mabar.wordpress.com/2013/05/30/barbalho-coelho-pimenta-no-site-www-ancestry-com/

https://val51mabar.wordpress.com/2012/09/11/barbalho-pimenta-e-talvez-coelho-descendentes-do-rei-d-dinis/

https://val51mabar.wordpress.com/2011/02/24/historico-do-povoamento-mineiro-genealogia-coelho-cidade-por-cidade/

https://val51mabar.wordpress.com/2012/07/02/familia-barbalho-coelho-no-livro-a-america-suicida/

https://val51mabar.wordpress.com/2010/05/23/a-historia-da-familia-coelho-do-centro-nordeste-de-minas-gerais/

https://val51mabar.wordpress.com/2011/04/24/a-familia-coelho-no-livro-a-mata-do-pecanha/

https://val51mabar.wordpress.com/2010/05/03/arvore-genealogica-da-familia-coelho-no-sitio-www-geneaminas-com-br/

https://val51mabar.wordpress.com/2010/09/22/ascendencia-dos-ancestrais-jose-coelho-de-magalhaeseugenia-rodrigues-rocha-uma-saga-a-ser-desvendada/

https://val51mabar.wordpress.com/2012/01/17/a-heranca-furtado-de-mendonca-no-brasil/

2. RELIGIAO

https://val51mabar.wordpress.com/2011/05/29/a-divina-parabola/

https://val51mabar.wordpress.com/2011/01/28/o-livro-do-conhecimento-de-deus/

https://val51mabar.wordpress.com/2010/01/22/carta-de-libertacao/

3. OPINIAO

https://val51mabar.wordpress.com/2014/06/08/a-iii-gm/

https://val51mabar.wordpress.com/2013/01/03/israel-as-diversas-verdades-e-o-padececer-da-palestina-e-outros-textos/

https://val51mabar.wordpress.com/2010/06/26/faixa-de-gaza-o-travessao-nos-olhos-da-humanidade/

https://val51mabar.wordpress.com/2013/05/12/neste-mundo-so-nao-eh-gay-quem-nao-quizer/

4. MANIFESTO FEMINISTA

https://val51mabar.wordpress.com/2010/07/21/13-estrelas-mulher/

5. POLITICA BRASILEIRA

https://val51mabar.wordpress.com/2015/04/19/movimento-fora-dilma-fora-pt-que-osso-camarada/

https://val51mabar.wordpress.com/2010/10/16/o-direcionamento-religioso-errado-nas-questoes-eleitorais-brasileiras/

https://val51mabar.wordpress.com/2010/10/19/resposta-de-um-neobobo-ao-excelentissimo-sr-ex-presidente-fernando-henrique-cardoso/

https://val51mabar.wordpress.com/2011/08/01/miilor-melou-ou-melhor-fernandes/

https://val51mabar.wordpress.com/2010/08/05/carta-ao-candidato-do-psol-plinio-de-arruda-sampaio/

https://val51mabar.wordpress.com/2010/05/26/politica-futebol-musas-e-propaganda-eleitoral-antecipada-obama-grandes-corporacoes-e-imigracao/

6. MISTO

https://val51mabar.wordpress.com/2014/06/08/a-iii-gm/

https://val51mabar.wordpress.com/2013/11/06/trilogia-de-variedades/

https://val51mabar.wordpress.com/2012/12/30/2012-in-review/

https://val51mabar.wordpress.com/2012/07/02/familia-barbalho-coelho-no-livro-a-america-suicida/

https://val51mabar.wordpress.com/2015/01/25/03-o-menino-que-gritava-lobo/

https://val51mabar.wordpress.com/2015/01/25/minhas-postagens-no-facebook-i/

https://val51mabar.wordpress.com/2015/01/25/minhas-postagens-no-facebook-ii/

https://val51mabar.wordpress.com/2015/01/25/minhas-postagens-no-facebook-iii/

https://val51mabar.wordpress.com/2015/01/25/meus-escritos-no-facebook-iv/

https://val51mabar.wordpress.com/2015/02/14/uma-volta-ao-mundo-em-4-ou-3-atos-politica-internacional-do-momento/

7. IN INGLISH

https://val51mabar.wordpress.com/2010/06/02/the-nonsense-law/

https://val51mabar.wordpress.com/2010/08/21/13-stars-woman/

https://val51mabar.wordpress.com/2011/10/05/the-suicidal-americaa-america-suicida/

https://val51mabar.wordpress.com/2010/08/25/100-reasons-to-amnesty-the-undocumented-workers-in-united-states/

https://val51mabar.wordpress.com/2009/09/25/about-the-third-and-last-testament/

https://val51mabar.wordpress.com/2009/09/12/the-third-and-last-testament/

8. IMIGRACAO

https://val51mabar.wordpress.com/2010/06/17/imigracao-sem-lenco-e-sem-documento-o-barril-transbordante-de-injusticas/

 

PREAMBULO

Ha algum tempo publiquei este texto neste espaco. Contudo, devido a minha inexperiencia com computadores eu o havia escrito no sistema wordpad e o transcrevi para o meu e-mail para depois transferi-lo para o blog. Estas conversoes aglutinaram o texto que ficou sem paragrafos. Agora, 23.10.2010, estou tentando reorganiza-lo.

Com a revisao, notei que havia cometido alguns erros. Assim fui corrigindo o que me foi possivel. Um erro crasso foi querer citar a Revolucao Pernambucana, que se deu em 1.817, mas ter escrito no lugar a Revolta de Canudos (1.905). Quem ja leu “Os Sertoes” do Euclides da Cunha nao teveria ter cometido tal disparate, porem sao coisas do cansaco. Estava escrevendo e aprendendo muita coisa ao mesmo tempo na epoca.

Muita coisa descobri tambem, depois deste texto pronto. Algumas ja estao no texto: Arvore Genealogica da Familia Coelho no sitio: www.geneaminas.com.br. Sao fatos interessantes como o termos o monsenhor Omar Nunes Coelho em nossa genealogia. Ele eh sobrinho do Dom Manoel Nunes Coelho, primeiro bispo de Luz. Trabalhou tambem em Luz e eh filho do Notel e Maria Isabel Rodrigues. O Notel era irmao do D. Manoel. E o monsenhor Omar faleceu aos 94 anos em 2009.

Outra descoberta interessante se refere aa descendencia do nosso primo Nelson Coelho de Senna. O neto dele, Raul Bernardo eh avo do Raul Bernardo Nelson de Senna Neto que fez parte do time olimpico hipico brasileiro. Ganhou uma Copa Mercosul em 2.000 e foi aas Olimpiadas em 2.004.

Na mesma linhagem temos a familia do Mucio Emilio. Este filho do Nelson foi pai da Sylvia Emilia que eh mae da Silvia Amelia Hungria. Esta se casou com D. Afonso Duarte, principe de Orleans e Braganca. Ela eh mae tambem do Theodoro Hungria que se casou com D. Maria Gabriela, princesa do Brasil.

Conto isso apenas como curiosidade porque sao personagens da vida real e atuais. Sao pessoas da descendecia da antiga familia real brasileira que, atualmente, nao tem o poder. Tem talvez a probabilidade de terem descendentes que se casem com membros de familias reais ainda governantes.

Outra pessoa que ja estava no livro de Genealogia da Familia Coelho eh o Alexandre Cafe Birman que tornou-se famoso como designer de moda de calcados. Estes acabam se tornando referencias para que possamos situarmo-nos dentro de nossa Arvore Genealogica.

A principio nao pensei que este texto fosse chamar muito a atencao. Porem tem sido a pagina mais visitada do meu blog. Diariamente tem recebido entradas, contudo, desorganizado como estava, nao sei se tanta gente se animou a le-lo. De qualquer forma, agradeco com muito carinho todas as visitas e peco que divulguem os temas Genealogia Escrita, as vantagens de te-la e os usos beneficos.

Espero que tenha conseguido facilitar a leitura do texto. Boa leitura a todos. Novamente agradecendo as visitas e o carinho de todos.

A HISTORIA DA FAMILIA COELHO DO CENTRO-NORDESTE DE MINAS GERAIS.

INDICE

1. INTRODUCAO
2. HISTORIA ANTES DA HISTORIA
3. UMA HISTORIA NA PRE-ESCRITA E DURANTE A ESCRITA
4. AS GRANDES CIVILIZACOES
5. AS CONQUISTAS, AS QUEDAS E O ESTABELECIMENTO DAS NOBREZAS
6. A FORMACAO DA NOSSA FAMILIA EUROPEIA E ALGUNS FATOS HISTORICOS
7. A SEGUNDA RAIZ E DE COMO ELA REVITALIZOU O CRISTIANISMO
8. OUTRA PARTE DA HISTORIA DA SEGUNDA RAIZ
9. ALGUMAS INFORMACOES GERAIS DOS REINOS E FAMILIAS
10. UM RESUMO DA FORMACAO DA FAMILIA COELHO DO CENTRO-NORDESTE MINEIRO
11. A FORMACAO DA FAMILIA COELHO EM VIRGINOPOLIS E ADJACENCIAS – PARTE I
12. A FORMACAO DA FAMILIA COELHO EM VIRGINOPOLIS E ADJACENCIAS – PARTE II
OS BAPTISTA COELHO I
13. A FORMACAO DA FAMILIA COELHO EM VIRGINOPOLIS E ADJACENCIAS – PARTE III
OS RODRIGUES COELHO
14. A FORMACAO DA FAMILIA COELHO EM VIRGINOPOLIS E ADJACENCIAS – PARTE IV
OS BAPTISTA COELHO II
15. A FORMACAO DA FAMILIA COELHO EM VIRGINOPOLIS E ADJACENCIAS – PARTE V
OS MAGALHAES BARBALHO
16. ALGUMAS CONCLUSOES
17. A MATEMATICA GENEALOGICA
18. INFORMACOES ADCIONAIS
A) NOSSO PARENTESCO COM ANTONIO BORGES MONTEIRO
B) O NOSSO LADO NUNES COELHO
C) A NOSSA PORCAO PEREIRA DO AMARAL
D) QUEDA DA BOLSA DE NOVA YORQUE E A DECADENCIA DE VIRGINOPOLIS
19. NOSSA GENEALOGIA ANTERIOR AO JOSE COELHO DE MAGALHAES
20. UM INSTITUTO GENEALOGICO.
1. INTRODUCAO

Finalmente estou concluindo a fase de pesquisa e computacao de dados a respeito da formacao genetica do lado Coelho, um deles, de nossa familia. Com isso, estou procurando fazer um resumo que possa ajudar-nos a compreender a nossa complexidade e, ao mesmo tempo, simplicidade geneticas. Esta complexidade eh apenas aparente porque, em termos teoricos, poderiamos descender de milhoes ou bilhoes de familias mas, na pratica, elas nao chegam sequer a um milhar. Pelo menos no que se trata a respeito dos dados que pudemos avaliar. Este corresponde ao periodo maximo de 3.5 mil anos, no que se refere aa Arvore Genealogica. Pode-se dizer que a complexidade esta apenas em nossas cabecas que se acostumaram demais a usar o termo familia somente para um circulo restrito de parentes muito proximos.

O termo simplicidade se refere a uma verdade genealogica. Temos o potencial de termos sido descendentes de bilhoes e bilhoes de pessoas, no tempo analisado, mas estes numeros sao muito menores que as possibilidades. Isto se da porque nossos antepassados sao nossos ancestrais repetidas vezes, com isso, a nossa genealogia fica substancialmente reduzida. Vou procurar fazer uma narracao que facilite o entendimento de tudo isso. Quero ver se consigo resumir seculos de historia da familia em palavras e simbolos o mais simples possivel. A intencao eh de fazer com que mesmo as pessoas que nao se interessam muito pelo assunto possam ler e compreender a essencia do todo.

No que se trata da parte que toca a Virginopolis, as pessoas mais antigas (nos que ja passamos dos 30, uma e meia ou duas vezes em diante) terao maior facilidade de compreender porque conheceram pessoalmente ou ouviram falar muito proximamente dos personagens que serao citados. Nem todo mundo sera citado, por razoes obvias de simplificacao. Usarei o artificio de contar um ou outro “causo” relacionado ao nome dos personagens para facilitar a fixacao da Arvore Genealogica na memoria daqueles que nao viveram o tempo.

Aos mais jovens. Talvez nao consigam compreender bem os intrincados caminhos pelo quais passam as relacoes de parentesco entre nos da familia. Pode ser que precisarao ler mais de uma vez o texto e/ou escrever, em paginas de papel, rascunhos da Arvore. Isto facilitara o entendimento. Uma outra opcao eh recorrer aos pais, avos, tios e amigos porque, conversando, tudo fica mais facil.

Acredito ser uma pretensao minha me fazer compreender atraves da escrita. Como ja houve umas reclamacoes, os meus textos sao meio confusos, aas vezes com paragrafos muito longos, muitas vezes ininteligiveis. Claro, todas as vezes que eu leio os meus textos, entendo o que queria dizer mas sempre modifico alguma coisa para expressar melhor aquilo que desejava que fosse compreendido.
Escrever causa mesmo este problema. Muitas vezes voce escreve com uma intencao e os leitores captam outra. Perdoem as minhas falhas. Sou autodidata e nao tenho os mesmos recursos que os profissionais.

Facam, entao, boa leitura.

2. HISTORIA ANTES DA HISTORIA

Segundo dados paleontologicos, encontrados ate hoje, a variedade humana surgiu no continente africano. La se desenvolveram diversas especies de hominideos. Algumas chegaram a sair daquele continente e multiplicar-se nos continentes adjacentes mas todas se extinguiram no processo da  evolucao. Uma excecao foi o homem de Neandertal, que se adaptou desde o Oriente Medio ate a Europa. Assentamentos dessa populacao remontam a mais de 200.000 anos atras. Cientistas afirmam que esta variedade tenha se separado do ramo africano ha cerca de 500.000 a 400.000 anos atras.

Ha cerca de 100.000 anos, uma nova leva de seres humanos saiu do continente africano e comecou a povoar o restante da Terra. Este contingente parece ter migrado acompanhando as margens dos oceanos e mares. Assim, ha 75.000 anos atras ja habitava ate a Indonesia e la assistiu a um dos maiores espetaculos acontecidos na Terra, ou seja, a erupcao de um supervulcao. Esta erupcao nao apenas horrorizou e maravilhou os viventes mas tambem deve ter provocado uma mudanca climatica substancial. As temperaturas medias do planeta baixaram fazendo com que entrasse em uma nova Era Glacial. Nos anos 70.000 passados, a Terra ja havia acumulado neve e gelo o suficiente para que os cientistas relacionassem essa data como referencia do inicio dessa Era Glacial.

As consequencias para as variedades humanas existentes na epoca foram enormes porque os seres humanos entraram em um processo de risco de extincao. Existem calculos nao bem explicados de que a populacao tenha atingido um numero de 1.500 individuos espalhados pelo mundo. Imaginem essa quantidade de pessoas, que nao corresponde sequer aa quantidade necessaria para formar um povoamento que hoje considerariamos uma pequena cidade.

Por volta dos anos 40.000 havia um grupo multiplicado dessas pessoas adaptado aa regiao em torno dos mares Caspio e Negro. Como a regiao entre os dois mares foi denominada Caucaso, este grupo foi denominado caucasiano. Ao longo dos milenios que se seguiram, esta populacao se espalhou por todo o hemisferio norte, habitando a Europa, Asia (incluindo-se ai India, China e Japao) e a America do Norte.

O processo de europeizacao de parte dessa populacao se deu com o agravamento das condicoes da Era Glacial. A partir dos polos terrestres, as geleiras comecaram a avancar no sentido dos tropicos. Com isso, uma parte da populacao humana foi tangida para abrigos mais temperados. Entre os 40.000 e 30.000 anos atras parte dessa populacao humana branca, tambem denominada de cro-magno, se instala num dos ultimos bastioes temperados do continente europeu que eh a Peninsual Iberica.

Aa medida que essa populacao penetrou o territorio europeu, sistematicamente o homem conhecido como Neandertalensis desapareceu. Nao existe ainda um diagnostico preciso para esse desaparecimento porque existem registros paleontologicos de assentamentos das duas variedades, instalados proximos e contemporaneos, indicando que houve convivencia pacifica entre alguns grupos. Nao ha ainda como
afirmar-se se essa foi uma regra geral ou se houve violencia entre outros grupos. Estudos preliminares da genetica humana atual, embora nao sejam definitivos, indicam a possibilidade de as duas populacoes terem tido acasalamentos ferteis e descendencia tambem fertil. Alguns gens encontrados no ser humano atual parecem nao ter sido herdados da populacao originaria da Africa e que migrou de la por volta dos 100.000 anos atras.

Particularmente, eu acredito que as cores claras dos olhos, da pele e dos cabelos nos foram passadas pelos Neandertalensis. Isto se da porque estas adaptacoes sao caracteristicas dos locais mais proximos aos polos e elas sao explicaveis e necessarias aa adaptacao ao clima. Nao se espera que uma populacao com caracteristicas dos africanos subsaarianos, mesmo mudando-se para um clima tipico europeu e vivendo la por alguns milenios, sem acasalamentos com outras populacoes, acumule todas as caracteristicas do homem europeu e perca as do africano. O homem de Neandertal ja acumulara dezenas de milenios na Europa e estava perfeitamente adaptado ao clima, logo, eh
logico supor casamentos entre as duas variedades humanas para produzir um meio-termo que desenvolvesse as caracteristicas do europeu moderno.

Somente a partir de 25.000 anos atras eh que as descobertas arqueologicas apontam para o surgimento das caracteristicas que compoem a populacao asiatica. Os achados mais antigos tem sido encontrados na regiao da atual Mongolia. Tudo indica que foi um grupo familiar que se isolou do restante da populacao caucasiana, entao dominante naquele continente. Possivelmente, as mudancas climaticas da ultima Era Glacial tenham favorecido aa multiplicacao dessa populacao. Isto se verifica porque essa populacao substitui a populacao caucasiana previamente existente na Asia, exceto no Japao.

No Japao, a populacao caucasiana permanece dominante ate cerca dos anos 2.000 atras. Restou para nos contar a historia um grupo denominado Ainu. Ha 2.000 anos os asiaticos invadem tambem o Japao e ao longo dos seculos torna-se predominante. Ate ao inicio do seculo XX ainda encontrava-se representantes puros da populacao Ainu. Atualmente foi assimilada e ha apenas a descendencia mista.

Por volta de 13.000 anos atras, a populacao caucasiana que foi a primeira a habitar a America do Norte parece ter sido extinta por mudancas climaticas drasticas, no final da ultima Era Glacial. Em seguida, a populacao asiatica, ja perfeitamente adaptada aa Asia e aas ilhas do Pacifico, descobrem as Americas e dominam a geografia.

No Brasil, encontra-se a descoberta antropologica ainda sem explicacao, ou seja, a presenca de habitantes, possivelmente, de origem africana ou australiana. O fossil mais antigo provem das cavernas da cidade de Santa Luzia em Minas Gerais.

Outros achados em sitios arqueologicos no Nordeste brasileiro indicam a presenca humana em datas muito anteriores aos 10.500 anos do fossil conhecido pelo nome de Luzia. Ha suspeitas de que essa variedade humana habite o Brasil desde 50.000 anos atras. Porem, essa data ainda eh considerada muito bizarra para ser aceita como verdadeira, por arqueologos tradicionalistas.

De qualquer forma, qualquer populacao europeia moderna que for declarada a primeira a por os pes nas Americas deve ser, a bem da verdade, considerada a quarta a faze-lo e nao a primeira como atestam os livros oficiais de historia. Digo isso tambem porque ja se sabe que Cristovao Colombo nao foi o primeiro europeu a pisar nas Americas. Os Viquingues ja o haviam feito e colonizado parte das costas do Canada. Porem, a iniciativa deles foi frustrada por uma mudanca climatica ocorrida no final da Idade Media. Mas as construcoes deixadas por eles, com os materiais que possibilitam registrar e datar a presenca deles ja foram encontrados.

3. UMA HISTORIA NA PRE-ESCRITA E DURANTE A ESCRITA

Eh preciso localizarmo-nos melhor no tempo para que essa narrativa prossiga. Antes do fim da Era Glacial, e isso comeca a ocorrer ha cerca de 13.000 anos atras, a populacao humana na Europa concentrou-se na Peninsula Iberica, onde era menos frio. Para melhor entender-se esse capitulo, sugiro que se tenha aa mao um mapa geografico focalizando a Europa, Norte da Africa e Oriente Medio.

As aguas maritimas estavam bem abaixo do nivel atual, assim , o Extreito de Gibraltar nao era um impecilho impossivel de ser transposto com a ajuda de embarcacoes primitivas. A populacao que compoe a adjacencia africana do Gibraltar era a mesma, geneticamente falando, que a europeia nessa epoca. Mais tarde, essa populacao africana eh denominada de Berbere.

O clima no Saara era ameno e tipico de savanas. Isto permitia que fosse habitado. Inclusive existem descobertas arqueologicas recentes de culturas antepassadas estabelecidas nele. Mas, com o aquecimento global, apos o fim da Era Glacial a desertificacao expulsou essa cultura, possivelmente, para as proximidades do rio Nilo, nas porcoes media e proxima aa foz desse rio.

Cabe incluir aqui o dado de que a civilizacao egipcia classica surgiu na porcao mediana do rio Nilo. Ela se desenvolveu antes de 7.000 anos atras, onde hoje se localiza o Sudao. Posteriormente, o imperio do sul conquistou o norte e a cultura tornou-se unica.

Voltando, porem, aa Peninsula Iberica, temos que a populcao era bastante reduzida. Somente para calculo comparativo dela, quando os Godos a invadiram no ano 411 da Era Crista, calcula-se que tinha uma populacao em torno de 350.000 a 700.000 habitantes. Este numero pode variar, segundo as perspectivas dos autores, mas nao deve ser superior a 2 ou 3 milhoes. Em 411 d.C. a agricultura ja estava bem desenvolvida. Antes da agricultura, quando o ser humano vivia da caca, pesca e coleta de frutas, a capacidade de sustentacao de populacoes pelo territorio era, no minimo, dez vezes menor. Entao, eh possivel imaginarmos que a populacao iberica na pre-historia se resumisse a umas 40.000 almas, a cada geracao. Numa hipotese muito otimista, seria de 300.000.

Tambem eh possivel imaginarmos que essas populacao se distribuisse em nacoes menores com, no maximo, 5.000 pessoas e as nacoes se dividissem em tribos com poucas centenas. Mesmo que houvesse um menor intercambio entre as nacoes e tribos, em termos geneticos, a unica coisa que se pode constatar eh que a consanguinidade fosse uma constante.

Para confirmarmos essa constatacao basta recordarmos dois fatos. Um sao os dados geneticos encontrados na populacao europeia atual que a mostra ser formada por, praticamente, uma matriz unica, ou seja, todos os europeus sao aparentados.

Outro dado que poderiamos usar seria a formacao da nossa familia no Centro-Nordeste mineiro. Eh possivel que o numero de descendentes do casal nosso ancestral: JOSE COELHO DE MAGALHAES e EUGENIA RODRIGUES ROCHA, esteja em torno de 40.000 pessoas, contando-se apenas as vivas. Claro, nao somos descendentes apenas dos dois mas, tendo eles tal quantidade de descendentes, eh possivel que os outros casais contemporaneos deles tenham numeros de descendentes semelhantes a eles.

Eh provavel que juntando-se toda a populacao de origem europeia que vivia no entorno da capital regional aa epoca que era a Vila do Principe, o Serro, nao fosse superior aas 40.000 pessoas. Isto se deu em torno de apenas 240 anos atras. Eh possivel que o conjunto de nossa familia pudesse ser descendente, simultaneamente, de todos os casais contemporaneos de nossos avos. Ja o periodo em que a populacao iberica viveu confinada aa Peninsula de mesmo nome ultrapassou os 30.000 anos.

Porem, a Historia nao para. O degelo, que comecou a acontecer ha 13.000 anos, permitiu que a populacao iberica colonizasse as regioes mais ao norte na Europa, a partir dos 10.000 anos tras. Por enquanto, o fossil humano mais antigo encontrado na Inglaterra foi datado dessa epoca. Aa medida que o degelo foi aumentando, o ser humano pode se fixar em areas cada vez mais ao norte e formou-se um corredor de habitantes da mesma origem na costa atlantica e ilhas.

Mesmo em tempos mais primitivos, antes da formacao dos grandes imperios, ja haviam comercio e comunicacao entre as populacoes por via maritima. Segundo os livros, havia o corredor de comercio que ia do Norde da Africa ate a Escandinavia. Com a multiplicacao, a populacao tambem se interiorizou.

Durante o periodo de 10.000 e 3.000 anos atras, podemos imaginar a nossa familia se espalhando por um mundo imenso, na concepcao das relativamente poucas pessoas que habitavam a Europa. E, no espalhar, formar familias que se multiplicaram isoladamente. Como a descendencia era proveniente de um pequeno grupo de individuos, entao, permaneciam caracteristicas semelhantes que, mais tarde vieram a ser reconhecidas como aspectos fisicos dos povos europeus.

Isso eh semelhante ao que acontecia em nosso tempo de crianca. Aas vezes, passavamos algum tempo sem sermos vistos por um parente mais antigo. Quando o viamos novamente ele dizia: “O nome eu nao sei mas que eh filho de tal pessoa eh!…” E sempre se constatava que as caracteristicas fisicas externas denunciavam a paternidade das criancas. Isso, mesmo todo mundo sendo parente proximo, torna-se possivel separar os filhos de cada casal, segundo alguns detalhes fisionomicos. O que aconteceu com o povo europeu foi o mesmo. A diferenca eh que esta formacao se deu atraves dos milenios, assim, quando um povo se punha em frente ao outro enxergava apenas as diferencas mas, na verdade, todos pertenciam a uma unica familia. A diferenca eh que o tempo os fizera esquecer filho de qual parente cada povo era. Nisso consiste o que chamamos de diferenca, quando, a bem da verdade, a genetica nao nega, imensamente maior sao as semelhancas.

Evento curioso eh que houve uma migracao posterior, saida da Peninsula Iberica, particularmente da Galicia, que ajudou a povoar a Irlanda e parte da costa oeste da Inglaterra e da Escocia. Com isso, as populacoes gaelicas da regiao sao as que, geneticamente, mais se parecem com os povos ibericos. Assim, as familias Mc e Mac (que significam: filho de) sao nossas aparentadas mais proximas do que se imagina, embora, nao tenham sido encontrados esses prefixos entre os nomes de nossos ancestrais luso-hispanicos, eles sao tambem descendentes dos mesmos ascendentes ibericos que nos. Isto nao implica afirmar-se que nao sejamos descendentes desta populacao, pois, tendo os primeiros reis ingleses e escoceses como nossos ancestrais, nao eh errado supor-se que alguns de nossos ancestrais desconhecidos tenham ascendencia naquela populacao. Tambem ocorreu uma migracao inversa quando da invasao Anglo-saxonica em que parte dos britanicos fugiu para a Peninsula Iberica.

Quando estudavamos Historia, ao nivel dos nove primeiros anos de escola, o que nos ensinava eh, basicamente, um pouco do que se conhece dos acontecimentos de cerca de 7.000 anos atras, quando as primeiras escritas foram desenvolvidas. Nela aprendemos que as primeiras civilizacoes surgiram na Mesopotamia, entre os rios Tigre e Eufrates. Os Sumerios teriam sido os primeiros povos a desenvolver um tipo de escrita conhecido como cuneiforme, ou seja, em forma de cunha. Diz-se tambem que na regiao surgiram as primeiras domesticacoes de plantas e ter-se-ia iniciado o cultivo delas.

Ja eh praticamente certo que isso nao eh verdadeiro. Eh possivel que, no que se refere a escrita, sim, mas ja foram encontrados vestigios de plantas domesticadas e datadas de periondos anteriores. Isso eh possivel verificar porque as plantas domesticadas sofrem alteracoes morfologicas que as diferem das plantas selvagens. Somente se forem cuidadas com agua, cultivo e nutrientes eh que essas alteracoes aparecem. Ja a planta no campo fica sujeita aas intemperies da natureza. Restos de plantas modificadas ja foram encontradas em sitios arqueologicos no Peru, por exemplo, com datas de ate dez mil anos atras. Alias, no Peru encontram-se as piramides construidas por maos humanas mais antigas ja descobertas. Sao anteriores aas egipcias. Embora, nao tenham o mesmo glamour e nem estejam tao bem preservadas.

Outro local de assentamento humano mais antigo eh o fundo do mar Negro. Antes de 7.000 atras, as aguas oceanicas estavam muito mais baixas que atualmente. O mar Negro perdera o contato com o Mediterraneo e era um lago de aguas doces, sustentado pelos rios que corriam para ele. Recentemente foram identificadas construcoes humanas no fundo do mar Negro, indicando que o que hoje eh o fundo do mar era habitado por seres humanos e isso somente pode ter ocorrido no periodo anterior aos 7.000 anos atras.

Isso aconteceu porque, com o derretimento das geleiras do ultimo periodo glacial, as aguas dos oceanos se elevaram, elevando o nivel do Mar Mediterraneo, o que rompeu as barreiras que se punham entre o Mediterraneo e o Negro. A formacao desse mar eh recente e data deste periodo. Isto eh possivel verificar porque o sedimento no fundo do mar Negro pode ser datado sendo que, no sedimento anterior a 7.000 anos encontram-se apenas fosseis de seres vivos adaptados aa agua doce. Posterior ao periodo, a vida eh adaptada aas aguas salinas.

Ha indicios de que a populacao originaria do fundo do Mar Negro tenha se espalhado pelas adjacencias, sendo possivel que ela tenha dado origem aa civilizacao sumeria ou, pelo menos, tenha encontrado outra populacao ja estabelecida no local e a troca de conhecimentos permitiu a formacao de uma nova cultura.

Eh importante salientar que o desenvolvimento da agricultura foi o primeiro passo para a constituicao de civilizacoes como as que conhecemos atualmente. Isto se da porque os cacadores, pescadores e coletores de frutas e plantas possuem uma fonte instavel de alimentos. Eles nao podem fixar residencia. Quando exploram uma area e os alimentos excaceiam, eles tem de se mudar em busca de novos celeiros. Portanto, essa populacao nao tem como multiplicar-se e especializar-se em determinadas areas vitais aas civilizacoes. Ela perde tempo excessivo catando provisoes mais basicas, nao sobrando o necessario para dedicar-se ao aprendizado mais sofisticado. Isso nao significa uma menor inteligencia.

A partir do momento que a agricultura foi desenvolvida, as coisas mudaram. Agricultura implica em assentamento permanente para cuidar-se das plantas. Tambem significa a disponibilidade bem maior de alimentos, tanto para as pessoas quanto para os animais domesticos. Os animais domesticos tambem passam a produzir mais, no que for a especialidade de cada especie, contribuindo para a maior disponibilidade de alimentos, materiais para o vestuario, instrumentos para o uso diario, abrigo, protecao e forca de trabalho. Disso surgiram as primeiras cidades, as primeiras escritas e os primeiros povos considerados civilizados.

Como efeito colateral, tambem surgiram o aumento do numero populacional, as disputas por territorios entre as populacoes vizinhas, as guerras, o aumento da extratificacao social, a escravidao dos inimigos e a exploracao dos mais fracos.

4. AS GRANDES CIVILIZACOES

As Civilizacoes, segundo a Historia que nos foi ensinada ha algumas decadas, comecaram na Mesopotamia. La a mais antiga a estabelecer-se e desenvolver algum tipo de escrita teria sido a Sumeria. Ela foi a primeira a nos legar escritos como o “CONTO DE GILGAMESH” . Esta foi a primeira versao escrita da “ARCA DE NOE” e remonta ha mais de 5.000 anos. Posteriormente surgiram novas versoes, como as encontradas nas bibliotecas babilonicas, e, com certeza, serviram de inspiracao para os sacerdotes hebraicos que o incluiram na Biblia. Os contos mencionam fatos reais que anteriormente haviam sido passados verbalmente, de geracao em geracao. E, como nestes casos sempre acontece, “Quem Conta um Conto Aumenta um Ponto”, o conto foi embelezado e aumentado, de acordo com cada nova versao. O que ele tem de melhor eh a licao de fundo moral que garantiu a ele a validade teologica. Mas nao se trata de Historia, no sentido estrito.

Outras civilizacoes foram comtemporaneas dos Sumerios, mesmo que eles tenham comecado antes delas. Este eh o caso dos egipcios, dos fenicios, dos chineses. Dessas civilizacoes mais antigas, a que por mais tempo permaneceu no teatro historico internacional foi a egipcia antiga. Esta sobreviveu ate ao tempo do inicio do cristianismo e foi, entao, substituida pela romana, no proprio Egito. O ultimo farao/rainha foi a Cleopatra. Eh provavel que a civilizacao chinesa seja a que mais durou no tempo. Ela foi atropelada pelos acontecimentos modernos do colonialismo europeu e extinta pelo comunismo maoista.

No apice da civilizacao egipcia, os grandes rivais eram os Hititas. O mesmo nome eh dado a um povo da antiga Canaan, na Biblia, mas ainda nao foi possivel estabelecer-se algum vinculo entre os dois. Os grandes inimigos dos egipcios tinham seu territorio, em grande parte, no que eh hoje a Turquia. Foi um povo que tinha o objetivo definido de conquistar um grande imperio. Era guerreiro e possuia os meios belicos para conquistar o mundo. O que ele nao se preparou foi para resolver suas diferencas internas. Uma revolucao acabou por destruir o imperio.

Em lugar deles tomaram posicao de destaque no ambito internacional os Assirios e os Babilonios. Depois, surgiu o primeiro grande imperio que foi o Persa. Ele dominou da India ao Egito. A Persia centrava-se no que eh hoje o Ira. Quando se preparava para ampliar o Imperio, invadindo o continente euroepu, a comecar pela Grecia, foi derrotado. Essa derrota os atordou e acabou fortalecendo o
inimigo.

Na sequencia foi a vez de a civilizacao grega subir ao topo. O macedonio Alexandre, o Grande, unificou a Grecia antiga e resolveu criar o proprio imperio. Com isso, conquistou a Persia, a India, foi ate ao Afeganistao e o Egito. Morreu depois de 13 anos de guerras, quando se preparava para invadir a Arabia. O Imperio conquistado por Alexandre foi, entao, o maior da epoca. Acabou sendo repartido entre os generais dele porque nao tinha herdeiros de sangue. Enquanto a civilizacao grega progrediu, atingiu o apice e, antes do declinio, a romana estava no berco.

Neste ponto ha uma bifurcacao de poderio. Os Fenicios haviam sido povos que exploraram o mar principalmente. Mas possuiam bases sob a influencia deles em diversos pontos do Mediterraneo. Ai se pode incluir o Libano, a Etruria (norte da Italia onde a civilizacao etrusca se desenvolveu), o norte da Africa, exceto o Egito, e, inclusive, partes da Peninsula Iberica, no sul de Portugal e Espanha. Aa epoca em que Roma comecou o Imperio, estas colonias eram independentes e o grande centro era Cartago.

Como Cartago tinha lacos diplomaticos com outros povos do entorno do Mediterraneo, sobrou para os romanos a conquista da Grecia que se deu mais por assimilacao de um imperio decadente que propriamente uma conquista devastadora. Ai encontramos as “vitorias de Pirro”. A expressao ficou famosa quando o general Pirro vencia os romanos ao custo de muitas vidas em seu exercito. Ele nao tinha mais onde recrutar soldados. Porem os romanos tinham. Dai Roma venceu pela insistencia.

Como o Imperio Cartagines competia contra as ambicoes romanas, iniciaram-se as Guerras Punicas. No inicio delas os romanos foram vencidos em parte porque nao tinham qualquer dominio da navegacao maritima, o que era especialidade dos cartagineses e, em parte, pela genialidade do general Anibal. Contudo, os romanos e sua vontade de ferro nunca se deram por vencidos e contornaram o problma pela persistencia.

Assim, o Imperio Romano foi estabelecido e o Mar Mediterraneo passou a ser apenas um lago em seu territorio. Posteriormente, os romanos conquistaram a Galia (Franca), a Hispania, a Luzitania (Portugal) e a Grao Bretanha (exceto Escocia). O Egito havia sido mais assimilado que conquistado. Cleopatra tentou manter a independencia atraves de meios diplomaticos com Julio Cesar e depois com Marco Antonio. Mas o senado romano nao aprovou a ideia e o desastre da diplomacia terminou reclamando a vida dos tres.

Neste ponto eh preciso voltar um pouquinho a sequencia da nossa Historia. Antes do dominio romano, a Europa era quase toda ocupada por diversos povos, porem com uma cultura comum a todos que era a CELTA. O nome Celta eh derivado do grego Keltoy, que significa Barbaro . Este nome foi dado a eles porque os gregos e os romanos se sentiam mais civilizados que eles. Eles eram povos mais ruralistas e, segundo os romanos, nao tinham bons modos nem ao fazerem as refeicoes.

A cultura Celta se caracterizava pelo dominio da metalurgia e pelo sistema agricultural, como meios de vida. Nao usava uma escrita completa mas possuia sinais para orientacao, semelhante a sinais de transito. A cultura estava estabelecida muito antes do surgimento de Roma. A religiao era o paganismo, a mesma de todos os povos de seu tempo, ou seja, era politeista e se desenvolveu a partir da observacao da natureza. No principio, nao havia o dominio da sociedade pelos druidas (sacerdotes) mas, depois, quando o druidismo foi estabelecido, ate mesmo os reis se submeteram aas imposicoes deles.

A Peninsula Iberica parece ter permanecido na primeira fase da cultura celta, nao passando pelo estagio do druidismo. Esta cultura tinha locais determinados onde se realizavam os festivais anuais, principalmente, os solisticios. Nestas oportunidades as populacoes congregavam juntas. A linguagem era de origem indu-europeia. Basicamente era o gaelico com as variacoes regionais. Pertenciam a este grupo os gauleses, suevos, lusitanos, bretoes, godos (ostro e visi), saxoes, viquingues, francos etc.

Quando os romanos invadiram as Galias, os habitantes do local eram os gauleses (lembrem-se do Asterix e do Genseric). Os Francos eram povos germanicos que viviam na fronteira norte. Na epoca em que os Hunos do Atila (habitavam a regiao da Hungria) aprontaram as badernas deles, foi permitido que parte dos Francos se estabelecesse no norte da atual Franca.

Apos a queda do Imperio Romano, dominado principalmente pelos Godos e o declinio dos godos, eh que o rei franco CARLOS MAGNO fundou o SACRO IMPERIO ROMANO, que era uma vontade de voltar-se aos tempos da antiguidade classica, com a diferenca de que, os “Barbaros”, seriam os imperadores. Esta intencao do Carlos Magno foi jogada pela janela pela propria descendencia dele. Isto porque ela repartiu o imperio em reinos cada vez menores. Contudo, permaneceu a dominacao genetica. Os reis europeus que se seguiram, mesmo sendo descendentes das nobrezas locais, eram tambem descendentes do Carlao.

5. AS CONQUISTAS, AS QUEDAS E O ESTABELECIMENTO DAS NOBREZAS

Os grandes Imperios da Idade Classica tiveram como base a regiao limitrofe com o atual Oriente Medio. Isto se explica mais facilmente pelo fator geografico. Por menos que as pessoas possam imaginar hoje-em-dia que nao houvessem trocas comerciais, intercambio cultural e relacoes exteriores entre os povos antigos, devido aa velocidade e as distancias com que essas coisas acontecem atualmente, na antiguidade havia sim tudo isso. Ha mencoes, por exemplo, do contato de filosofos gregos com o budismo. A Rota da Seda, que ligava a China ao Oriente Medio, ja existia quando Alexandre, o Grande, invadiu ate o Afeganistao . Estes contatos se deram entre os anos 500 e 300 a. C. Isso nao quer dizer que nao tenham havido contatos anteriores. A Biblia menciona que Salomao intermediava o comercio entre os egipcios e os assirios. Recebia ouro vindo da Etiopia e cavalos da Arabia. Se isso aconteceu, tem que ter sido ha mais de 800 anos a. C.

A regiao era estrategica ja que o comercio maritimo nao tinha continuidade e precisava ser feito, basicamente, por terra e nos lombos de animais de carga. Claro, onde ha intensidade de comercio aparecem as oportunidades que atraem os contingentes populacionais. Quanto maior a populacao, numa mesma regiao, ha a maior possibilidade de concentracao de renda. Nao ha como construir-se um grande imperio no sistema antigo sem o contingente humano e a posse material. Com isso, nao apenas as grandes civilizacoes: como a egipcia, a hitita, a fenicia no Libano, a sumeria e a babilonica, como tambem os grandes imperios: como o Persa e o Grego, surgiram na regiao. E os grandes imperios so se tornaram realidade porque dominaram as rotas comerciais que ligavam os tres continentes, onde se localizaram.

CARTAGO e ROMA, contudo, fogem um pouco a este principio. Cartago tornou-se uma potencia periferica porque dominava a navegacao maritima. Alem do mais, a ideia que temos hoje de o Norte da Africa ser um grande deserto nao era valida naquele tempo. Com um clima mais ameno do que eh hoje, o Norte da Africa era um grande produtor agricola e o dominio dele foi vital para Roma progredir, porque o Norte da Africa tornou-se o celeiro de Roma. Tambem teve grande importancia como rota de comercio do Imperio Romano com a costa oeste africana, fonte das valorizadas mercadorias, no que eram consideradas, o marfim e os escravos. Naquele tempo, qualquer pessoa poderia ser reduzida aa escravidao e os africanos mais ao sul nao eram excecao.

Depois da tomada de Cartago, Roma nao encontrou mais poderio serio aa sua altura para medir forcas belicas. Ao entrar em Jerusalem, por exemplo, Julio Cesar enviou a seguinte mensagem ao senado: “Vini, vidi, vici”, o que quer dizer: “Vim, vi e venci.” Uma excecao a essa facilidade foi a conquista do povo Lusitani, que eh o nativo de Portugal. Apos a queda de Cartago, os romanos dominaram a PENINSULA IBERICA, mas nao tinham conseguido subjugar totalmente o povo. Os lusitanos defenderam o territorio com metodos de guerrilha e conseguiram prolongar a guerra desde 219 ate 19 a. C. Naquele ano, com a ajuda de delatores, Julio Cesar conquistou e subjugou os Lusitanos.

Criou-se, entao, uma nova provincia romana denominada Hispania-lusitania. Mas isto nao durou muito porque os lusitanos tinham suas diferencas com os espanhois. A provincia foi dividida em duas: Hispania e Lusitania.

O dominio romano persistiu ate o ano 411 de nossa Era. Com isso, a cultura celtica adotada pelos Lusitanos foi substituida. Tornaram-se romanos de cultura e linguagem, alem da vassalagem. A forma de dominio romano permitia que a populacao permanecesse,geneticamente, sem grandes modificacoes. Os romanos permitiam que os povos sob o dominio deles se mantivessem no poder. Eles impunham a cultura, exigiam os impostos e faziam o alistamento militar dos nativos. O soldado romanizado eh que acabava impondo a PAX ROMANA. Esta era a figura de linguagem usada para ocultar a opressao.

No ano de 66 d. C., deu-se a revolta em Israel, que foi reprimida com o peso do ferro romano. Quem nao morreu, e calcula-se que tenha sido algo em torno de 1 milhao, ou fugiu para fora dos dominios romanos, foi transformado em escravo ou a uma forma mais branda de serventia. Houve a Diaspora dos judeus, ou seja, eles foram dispersados pelo mundo. Israel foi apagado do mapa e o local foi redenominado de PALESTINA. Permaneceu uma populacao que parecia submissa a Roma mas, geneticamente, nao diferia daquela que foi exilada. Houve uma populacao que conseguiu voltar para, 70 anos depois, protagonizar a ultima revolta, inicialmente vitoriosa, chefiada por Simon Bahcopha.

Na primeira revolta, um pequeno contingente da populacao judia foi transferida para a Peninsula Iberica. Esta populacao usou o nome de Safardim que, em hebreu, se refere a local distante, ou seja, ela se achava no local mais distante da origem em Israel. O filme: “MASADA” eh uma iniciativa para tentar lembrar alguns fatos que aconteceram numa das revoltas.

Este paragrafo tem o objetivo apenas de dar uma ideia de como foi formada a genetica do povo portugues. Os nativos, ou Lusitanos, eram um povo geneticamente homogenio, com a mesma carga genetica dos remanescentes da Era Glacial que habitaram a Peninsula Iberica. Os Romanos foram e conquistaram, mas nao introduziram nenhum contingente populacional novo que alterasse significativamente aquela genetica. Introduziram depois aquele pequeno grupo hebreu que acabou ganhando importancia numerica atraves da conversao de uma parte da populacao nativa. Como a primazia da geracao de filhos era dada apenas aos homens, entao, criou-se uma falsa imagem de que, em tempos posteriores, grande parte da populacao portuguesa seria, geneticamente, de origem israelita. A verdade eh que, a populacao judia misturou-se com a populacao nativa mas nao chegou a alterar, de modo substancial, a composicao genetica porque entrou na composicao com numeros muito menores.

Mas, mesmo assim, deve ser impossivel que, todos os portugueses com ancestrais desde esta epoca, nao tenham algum ancestral hebreu, originario de Israel. Mas eh como tomar-se um balde de agua e acrescentar-se algumas gotas de alcool nele. Mexendo-se, nao encontraremos mais nem o cheiro nem a manifestacao visivel do alcool, contudo, num exame laboratorial bem detalhado poder-se-a dizer em qual porcentagem o alcool estara presente.

Os judeus ganharam destaque por outra razao tambem. Chegados do Oriente Medio, naquela epoca, era como se tivessem saido do primeiro mundo e caido no ultimo. Como eles tinham o contato direto e historico com todas as grandes civilizacoes anteriores, traziam uma boa bagagem tecnologica, que faltava aa Peninsula Iberica. Mantendo os segredos deles, de geracao em geracao, puderam manter o status e a predominancia em alguns tipos de servicos profissionais.

O Imperio Romano deixou como heranca aos portugueses a lingua e, a partir dos anos 300 d. C., a religiao catolica. Desde que o imperador Constantino I se converteu ao cristianismo e venceu a disputa pelo poder, por volta do 317 d. C., a religiao foi convertida de perseguida a oficial do Imperio e, desta vez, Portugal e Espanha nao se fizeram excecoes. Contudo, o judaismo era aceito.

Depois de Constantino I, o Imperio Romano Classico entrou em uma expiral de declinio, atingindo o abismo. Os historiadores tendem a atribuir a queda do imperio a uma mudanca climatica, que pode ter sido responsavel por grandes perdas agricolas e ao surgimento de uma das epidemias da peste bubonica. Estes dois fatores podem ter consumido um terco ou mais das vidas na Europa. Aproveitando-se das fraquezas dos romanos, os barbaros comecam a tomar conta. No inicio dos anos 400 d. C., uma confederacao de povos com origem no sul da Germania, chefiada pelos Godos, invade a Peninsula Iberica. Os Suevos se estabelecem no norte de Portugal e Galicia e estabelecem
para eles um reino denominado de Gaelecia.

Os Godos se dividem em Visigodos e Ostrogodos, ou seja, os que ocuparam o Oeste e o Leste da Roma europeia. Naquele tempo, a capital do imperio ja havia sido transferida para Constantinopla o berco do Imperio Bizantino. O milagre esta em que eles logo se converteram ao cristianismo e se misturaram, geneticamente, aos povos nativos. Neste tempo, os Francos, que se opuzeram aa entrada dos outros povos germanicos no Imperio, foram derrotados numa escala e guerra avassaladoras.

O governo dos Suevos na Gaelecia perdurou por duzentos anos. Entao, ela foi conquistada pelos Visigodos que tinham ocupado o restante da Peninsula Iberica e parte da Franca. A parte francesa do reino Visigodo ficou conhecida como Septimania, uma alusao ao antigo dominio da Setima Legiao Romana ou ao fato de ser dominada por sete cidades maiores.

Nos anos 500 d. C., o profeta Mohammed (Maome) inicia sua revolucao religiosa, criando o Islamismo na Arabia. Em um curto espaco de tempo, os seguidores dele conquistam o Egito, a Palestina, o norte da Africa e o Novo Imperio se extende pela Turquia, a antiga Persia, ultrapassando a India. Em 711 d.C. eles enxergam e concretizam a conquista da Peninsula Iberica, aproveitando-se da desorganizacao em que os Visigodos se encontravam pela disputa do poder entre duas faccoes.

Em 747 nasce o franco CARLOS MAGNO. Mais tarde, quando o ultimo rei da dinastia merovingea, Dagoberto II, foi assassinado, ele aproveita e toma o poder. Aos poucos, consegue submeter grande parte da Europa. O filho dele, Louis I, o Piedoso, da continuidade aos planos do pai e de manter o Sacro Imperio Romano, fundado por eles. Mas a heranca comeca a ser repartida entre os netos. Seus reinos tornam-se as bases das futuras Italia, Franca e Alemanha.

Nos conhecemos, da Historia, apenas uma parte. No curriculo escolar fala-se em onze cruzadas que tiveram o objetivo de retomar Jerusalem e a Palestina aos muculmanos. Mas elas foram mais de 50. Muitas das quais ocorreram na Peninsula Iberica, no periodo que eh dado o nome de Reconquista.

Nos anos 820 de nossa Era nasceu, por exemplo, o Vimara Peres. Este foi comissionado pelo rei Alfonso III, das Asturias ou Leao, para retomar o condado de Porto Cale. O que ele realmente fez. Como premio, ganhou o direito dinastico de conde. (O titulo de conde na Peninsula Iberica correspondia ao ducado em outras monarquias). Vimara fundou a cidade de Vimaranes para a defesa do condado. Posteriormente, o nome foi convertido a Guimaraes. O condado de Porto Cale correspondia aa regiao da margem norte do Rio Douro ou Riba Douro e ao sul do Rio Minho. Este eh o berco do Portugal moderno.

No inicio dos anos 1.100 a reconquista ainda estava em andamento. Outro rei de Leao, Alfonso VI, prometeu as maos de suas filhas aos nobres que o ajudassem. Henri de Bourgogne, entao, ganhou a mao da Teresa e eles se tornaram os pais do Afonso Henriques. Como a dinastia do Vimara Peres havia sido interrompida, eles se tornam tambem os condes de Portugal. Antes de morrer, Henri de Bourgogne entrega a tutela do filho ao cavaleiro Egas Moniz, o Aio.

Mais tarde, percebendo a possibilidade de perder a heranca, porque a mae viuva vivia de favores do primo, rei Alfonso VII, de Leao, e ter um amante, Fernando Peres de Trava, o Afonso Henriques inicia um plano de separacao e consegue a Independencia de Portugal. Assim, eh proclamado o primeiro rei. Eh interessante que leiam, da Historia de Portugal, os capitulos referentes a ele, ao filho, Sancho I, ao neto, Afonso II e ao bisneto, Afonso III, porque eles sao ancestrais dos Coelho em nossa linhagem. Incluam tambem o D. Dinis, que eh o trineto, no caso dos descendentes da Dindinha Ercila. D Dinis foi o rei cancioneiro.

Afonso III, foi o rei que concluiu a Reconquista em Portugal. Foi por volta dos anos 1230 que ele tomou o Reino de Algarves e o Faro aos mouros. Alias, foi no Faro que ele arrumou a amante, Madragana. Ela foi rebatizada por Mor Afonso e deu a ele um nosso ancestral, o Afonso Dinis. Somente muito mais tarde, em 1496, a Espanha tambem concluiu a reconquista, tomando o ultimo bastiao muculmano na Peninsula Iberica. A Reconquista espanhola foi concluida pelos reis catolicos, Isabel, de Leao e Fernando, de Castela. Estes sao nossos primos distantes.

6. A FORMACAO DA NOSSA FAMILIA EUROPEIA E ALGUNS FATOS HISTORICOS

Este eh um bom momento para termos em maos o Mapa Mundi que eu mencionei antes. Claro, nossos ancestrais remontam aos mesmos seres humanos que deram origem a humanidade, ou seja, nos saimos da mae Africa e espalhamo-nos pela face da Terra. Nossa multiplicacao e separacao em grupos familiares restringiram nossa ascendencia a um certo numero, relativamente, reduzido de pessoas cuja maioria nao existem registros. Portanto, as minhas pesquisas nao contam 100% da nossa Historia. Elas se restringem ao que ja sabiamos e, agora, ao que descobri, atraves do sitio GeneAll.net. Este sitio contem, basicamente, apenas a formacao do nosso lado europeu, pelo motivo obvio de ser o que possui dados genealogicos anotados em documentos historicos.

Agora sabemos que somos procedentes tambem dos ramos africano recente e do asiatico. Mas vamo-nos concentrar apenas naquilo que ja eh identificavel como genealogico, ou seja, naquilo que se pode acompanhar atraves dos nomes dos pais, avos, bisavos, trisavos etc, ate a geracao mais antiga identificada.

A nossa raiz genealogica mais profunda remonta aa metade do periodo considerado de Historia, ou seja, o periodo depois do surgimento da escrita. Esta raiz esta ligada a uma familia nobre europeia que eh a Casa de Savoia. Savoia eh tambem a casa real italiana. Se alguem desejar aprofundar mais os conhecimentos a respeito da historia mais recente desta familia, pode procurar, no MSN-Wikipedia, o artigo: “House of Savoia” (Casa de Savoia). Alem da historia da familia, que se confunde com parte da Historia da Italia, a gente encontra dados genealogicos tais como ela ser descendente do Umberto I Biancamano, conde de Savoia.

Este nosso ancestral, Mao Branca, eh avo da Bertha de Savoia que se casou com o Henrich IV, um dos imperadores alemaes, e que mais tarde se tornariam, nos anos de 1.400, ancestrais da nossa avo: Catarina de Freitas. Ela casou-se com Fernao Coelho, 1o. sr. de Felgueiras e Vieira. Estes sao bisavos do Duarte Coelho, conde de Pernambuco. Nos somos descendentes tanto do Rodrigo de Sao Paio Coelho quanto do Martim Coelho, ambos filhos do casal. O Martim eh o avo do Duarte. Nosso ancestral: Mao Branca, eh tambem tetravo da Mahaut (Mafalda) de Savoia, a esposa do D. Afonso Henriques, o primeiro rei de Portugal. Estes sao inumeras vezes nossos ancestrais.

O Umberto I Biancamano eh bisneto do casal: Louis III l’ Aveugle, empereur de l’Occident e Anna de Bizantium. Pelo lado do Louis III, nos descendemos do imperador Carlos Magno, em parceria com a esposa oficial: Hildegarde von Vintschgau. Estes eram hexavos do Mao Branca. Mas eh o lado da ancestral Anna de Bizantium que nos interessa no momento. Como o proprio titulo informa, ela pertence aa casa real bizantina. Eh bisneta de Santa Teodora, que vem de uma linhagem das familias nobres gregas e armenas. Como descendente da casa real da Armenia, tem entre os ancestrais dela: Sao Isaac e Sao Narso, grandes reis armenos na segunda metade dos anos 300 e da primeira metade dos anos 400.

Basicamente, temos apenas os dados masculinos dessa nossa linhagem. Normalmente, os homens sao reis, homens importantes junto aos governos, ou ligados ao clero. As mulheres sao anonimas ou, quando muito, sao filhas de algum rei ou figura importante de governo e, somente por isso, tem os nomes revelados. Mas, apesar de a maioria absoluta das mulheres constarem como anonimas, elas devem ser presumiveis descendentes das nobrezas dos muitos povos que estavam sob o dominio dos reis seus maridos.

Esta linhagem genealogica mergulha em datas contemporaneas a Jesus nas casas reais da Armenia, da Parcia e da Georgia. Um dos poucos nomes femininos que aparecem nela eh o da rainha Esther. Ela aparece por volta dos anos 500 a. C., como esposa do Xerxes I, o Grande, rei da Persia. Na Biblia, a ele eh dado o nome de Assuero, o que deve ser uma hebraicinizacao do nome.

Da epoca do Ciro II, o Grande, rei da Persia e avo do Xerxes para tras, a linhagem passa para o Egito, atraves da Neithiyti, a avo do Xerxes. Dai para tras somam-se mais uns oitocentos anos de Historia, chegando ao Sety, em 1.400 a. C. Este eh o pai do Ramises I e bisavo do Ramises II, o Grande, ambos faraos do Egito. Eh em torno destes anos que a Biblia situa o surgimento de Moises como profeta. Os historiadores ainda nao entraram em acordo a respeito dessa probabilidade, porque nao existe na Historia egipcia um correspondente para a narracao biblica. E, para dificultar mais ainda, se o Exodo, como narrado na Biblia, realmente existiu, contradizendo todas as probabilidades, nao deixou marcas que pudessem ser detectadas pela arqueologia. Um fenomeno impar, desde que a Historia passou a ser recordada pela escrita.

A formacao de nossa familia esta ligada a esta linhagem tambem por outros caminhos. Um exemplo eh o de que nossa ancestral: Anna de Bizantium, irma do Constantino VII, Porfirogenitos, imperador de Constantinopla. Ambos sao filhos do imperador Leao VI, o Sabio ou o Filosofo, com a esposa: Zoe Zautsina. Estes sao bisavos de outra Ana, que se casou na casa real de Kiev. De la tornou-se ancestral da casa real hungara. Esta linhagem retorna a Constantinopla, de onde passa aa Suabia e aa Castela. Sancho IV, o Bravo, rei de Castela, tornou-se pai da Teresa Sanchez, que se casou com D. Rui Gil de Vilalobos. Estes sao pentavos da mesma avo, Catarina de Freitas, esposa do Fernao Coelho, ja citados anteriormente.

Esta eh, sem duvida, a raiz mais profunda de nossa genealogia escrita. Por diversas outras vias, nao citadas, as nossas raizes retornam aa casa de Savoia. Mas nao ha a necessidade de se ficar repetindo isso.

7. A SEGUNDA RAIZ E DE COMO ELA REVITALIZOU O CRISTIANISMO

A segunda raiz que formou as familias da maioria de nossos ancestrais comeca, de acordo com os dados encontrados no sitio GeneAll.net, na decadencia do Imperio Romano. No inicio dessa raiz temos ancestrais com origem romana como os imperadores Valentino I e o genro dele, Teodosio I. Tambem temos os reis Pharamundo, Childeric I e Clovis, de origem franca. Os francos tinham origem germanica que haviam recebido autorizacao para viverem na provincia romana da Galia. Como esposa do Clovis, temos a santa Clotilda da Bourgonha que nos deu uma contribuicao genetica gauleza. Como mais um contributo germanico a esta linhagem, entra a avo Theodegota dos Ostrogodos que eh filha do Teodorico, o Grande, um dos conquistadores do Imperio Romano do Ocidente.

Foi esta mistura de linhagens que deu origem aa dinastia merovingea. Alguns dos reis merovingeos sao nossos ancestrais e eh a respeito deles que o autor Dan Brown criou a ficcao de que seriam descendentes de Jesus, no livro: “O Codigo Da Vinci.”

Deixando de lado a fantasia, esta era a familia que passou a mandar na Europa quase inteira. Excluia-se ai a pouca area dominada pelo Imperio Bizantino, a periferia nordica e ilhas ao norte. Na verdade, a Dinastia Merovingea, devido a linhagem masculina, poderia ser considerada franca. No governo deles nao tinha uma lei que determinasse o sucessor do rei. Assim, todos os filhos eram suscessores. Apos eles, todos os netos tambem tinham direito ao reinado. A cada geracao um era eleito rei e os outros irmaos eram co-reis. Por isso, a cada suscessao iniciava-se uma guerra para decidir-se o chefe dos reis.

Por volta dos anos 700, o Imperio Franco encontrava-se subdividido em:Austrasia, que correspondia ao centro territorial do imperio; Bourgonha, que fazia divisa com a Italia e incluia o norte dela; Aquitania, que corresponde ao sudoeste frances, fazendo divisa com o norte da atual Espanha, e a Neustria, que eh o noroeste frances e os paises baixos.

Quando eu falei uma vez que os grandes rivais do Carlos Magno eram os Lombardos eu os estava tomando por Merovingeos. Os Lombardos dominavam a Italia e, com ela, o papado. Mas Carlos Magno conquistou-lhes o territorio e os favores do papa. Ja a familia Merovingea foi deposta de outra forma.

Nas quatro regioes que compunham o Imperio Franco existiam seus respectivos palacios governados por um prefeito que, muitas vezes, tinha mais poderes que os proprios reis. No palacio da Neustria, comandou o Pepino, conhecido como o Breve. Ele era filho do Carlos Martel e pai do Carlos Magno. Pepino que, por ser da linhagem nobre franca, era, possivelmente, aparentado com os Merovingeos, mas, ate hoje, isso nao foi provado. Como prefeito do palacio de Neustria e percebendo que o rei Childeric III nao representava nada o depos e assumiu o titulo de rei em seu lugar. Isto ele fez apos uma consulta ao papa perguntando: “Quem deve ser o rei, aquele que tem o titulo ou aquele que, de fato, exerce o poder?” A resposta pela segunda opcao decretou a virada de mesa.

O ultimo rei da dinastia merovingea foi o Dagoberto II, que foi assassinado mas a historia nunca esclareceu com absoluta certeza qual o grupo teria organizado o complo contra ele. Certo eh que isto abriu as portas para que Carlos Magno unisse os francos em torno de si mesmo e consolidasse a dinastia Carolingea.

Agora, eh preciso dirigirmo-nos aa Peninsula Iberica, para entender como os Titas da Idade Media colidiram uns com os outros e como os vencedores se tornaram donos do pedaco. O que estou fazendo eh uma filtragem da Historia porque, se fosse contar todos os detalhes, as coisas se complicariam muito. Daquela linhagem inicial, teve um ramo que se tornou a nobreza das Asturias. E este eh o inicio da nobreza hispano-lusitana, da qual somos descendentes.

Apenas para recapitular: Espanha e Portugal haviam sido colonias romanas. Com o fim do Imperio Romano do Ocidente e as invasoes germanicas (Godos), estabeleceu-se um reino que abrangeu o noroeste da Espanha e o norte de Portugal. Estabeleceu-se ai o povo denominado Suebi (Suevi). Foi o primeiro reino verdadeiramente medieval constituido apos a queda de Roma. Este reino durou, aproximadamente, 200 anos, do inicio dos anos 400 ao dos 600. A regiao passou a ser denominada de Gaelecia. Podemos traduzir por terra de galegos, ou loiros. Isto porque a elite germanica dominava. Mas este povo adaptou-se ao meio local, converteu-se ao cristianismo (catolicismo) e miscigenou com a populacao nativa.

No restante da Peninsula Iberica, a predominancia se deu por outros invasores germanicos, os Visigodos. Os Visigodos fundaram outro reino que englobava tambem parte da Franca central e mediterranea. No final dos anos 500 eles tomaram a Gaelecia e unificaram os dois reinos. O reino da Hispania visigotica foi governado pela segunda linhagem de nossa familia. Ervigio Favila e sua esposa Liubigotona Balthes reinaram na segunda metade do seculo VII (anos 600). Estes sao os pais do Pedro, duque da Cantabria. Estes nossos ancestrais tiveram tambem uma filha, a Cixilo Balthes.

Esta se casou com Egica que, junto com ela, foram ungidos imperadores da Hispania. Eles tambem sao nossos ancestrais. Mas, na sequencia, quem assumiu o reino foi o filho do Egica, Vitiza, que nao se tem certeza se era ou nao tambem filho da Cixilo. O governo do Vitiza nao durou muito. Embora tenha co-governado desde 694.(Nosso ancestral Egica faleceu em 702). O Vitiza nao tinha o dominio completo do poder e havia uma revolucao pela disputa deste.

O imperio muculmano revalizava, em extensao, o antigo Imperio Romano. E toda essa extensao foi conquistada em aproximadamente um seculo. Entao, foi quando os muculmanos, que ja haviam criado um super imperio e incluido o Norte da Africa, visualizaram a oportunidade, invadiram e tomaram a Hispania em 1711 e a redominaram por Al-Andaluz. A tomada do reino visigotico passou como um
furacao, como havia sido caracteristico do avanco muculmano.

Neste ponto eh que temos que direcionar nossas atencoes para o fato de nossos ancestrais terem salvo a Europa da arabinizacao geral. Os invasores nao pararam na Hispania. Continuaram invadindo o sul da Franca e chegaram a tomar a Aquitania e a Septimania. Temos que recordar que, nesta mesma epoca, o imperio dos Francos tambem estava fragmentado em territorios menores, sem um governo central forte. Com isso, a conquista de toda a Europa pelos muculmanos parecia ser apenas uma questao de tempo, pouco tempo.

Aqui entra a disputa de Titas. No lado muculmano, o chefe da invasao era o nosso ancestral: Abd-ar-Raman. No lado europeu, a chefia da defesa coube ao nosso outro ancestral: Carlos Martel. O vovo Martelo reconheceu a fragilidade das forcas europeias e, entao, teve que usar a tatica da paciencia. Enquanto o adversario invadia e tomava o territorio, ele teve que articular aliancas e treinar seu exercito. Aa epoca, ele era o prefeito do palacio de Neustria, a menor das divisoes politicas do Imperio Franco.  Apos ter conseguido montar um exercito profissional, coordenou o contra-ataque, em grande parte, na forma de guerrilha. Com isso, conseguiu expulsar os invasores para o lado hispanico.

Com essa vitoria ele pavimentou o caminho que levaria seu filho: Pepino, o Breve, a requerer o direito de tornar-se rei e impulsionou a carreira do neto: Carlos Magno, que acabou unificando o Imperio e transformando-se no primeiro imperador do Sacro-Imperio-Romano. Este nasceu com o objetivo de reeditar o Imperio Romano classico mas ficou restrito a apenas uma parte europeia deste. Ele nao conseguiu restaurar o dominio cristao na antiga Hispania-Lusitania e ficou impedido de expandir no sentido oriental por causa da presenca do Imperio Bizantino, que era o remanescente o Imperio Romano Oriental.

Nesta epoca, a Europa ficou isolada do mundo exterior. Embora o Carlos Magno tenha promovido a educacao universal, a Europa padecia dos males da guerra e do atraso. Enquanto o Imperio Muculmano vivia a Renascenca, com a traducao da literatura classica e a multiplicacao da literatura propria, pela disseminacao do uso do papel, o resto da Europa, exceto a Peninsula Iberica, viveu o periodo conhecido como Era da Escuridao tendo, inclusive, seminarios onde nao se encontrava sequer uma copia da Biblia.

Para piorar as mazelas da Europa, esta foi a epoca em que os Viquingues vinham para destruir e carregar as poucas riquezas que as comunidades costeiras e ribeirinhas haviam juntado. Este quadro somente comecou a reverter apos as Cruzadas acontecidas no seculo dos anos 1.100. As Cruzadas tiveram o efeito positivo de fazer os europeus entrarem em contato com culturas superiores aa epoca e fazendo com que reaprendessem os valores do conhecimento humano. As Cruzadas tambem abriram a Europa para o comercio das especiarias, o que acabou alavancando a Renascenca europeia.

8. OUTRA PARTE DA HISTORIA DA SEGUNDA RAIZ

Uma certa vez eu escrevi que os muculmanos haviam tomado a Peninsula Iberica com excecao de alguns reinos cristaos mas isso nao eh verdade. A principio, eles passaram como rolo compressor. Estavam ansiosos para conquistar toda a Europa. Era o entusiasmo dos novos convertidos. Como criam na religiao que pregavam, era natural que desejassem levar a todos a palavra ouvida do profeta.

Nao deixaram praticamente nada para tras. Contudo, o relevo no norte espanhol tem uma particularidade caracteristica importante. Ele eh separado da Franca pelos Pirineus, o que dificultava muito o transito naquele tempo. Mais a oeste, e extremo norte espanhol ha outra serra que eh a Cantabrica. Ela funciona como um divisor de aguas. Os rios que nascem na parte sul dessa serra, como o Minho e o Ebro, tem grandes extensoes de terra pela frente, antes de desembocarem nos mares.

Ja os rios que nascem na parte norte, como o Navia e o Nalon, sao curtos e rapidos, e desaguam no Golfo da Biscaia chamado, antigamente, de Cantabrico. Esta disposicao geografica dos rios faz com que o extremo norte espanhol seja montanhoso e recortado por vales profundos. A topografia favorecia aos defensores locais, em caso de guerra.

Na epoca da invasao muculmana ja existia o ducado da Cantabria. A Cantabria era uma provincia que, ao longo da historia, sempre foi problematica para os conquistadores. Com a capital em Amaya localizada no planalto ao sul da Serra Cantabrica, esta foi invadida e tomada. Mas o nome cantabrico traduz-se por “povo que vive nas montanhas”. Entao, Pedro, o duque da Cantabria, recuou suas forcas para as montanhas, para resistir.

Ao lado do Ducado da Cantabria mais aa oeste, no extremo oposto da Serra Cantabrica, situa-se outra provincia, com as mesmas caracteristicas topograficas, que sao as Asturias. Esta provincia foi conquistada, vale-a-vale. Os muculmanos tinham o habito de fazer refens das principais figuras da populacao, para forcar a submissao do povo. Entre os refens estava um certo Pelagio, cuja genealogia eh indeterminada mas julga-se que seja nobre de Gijon (cidade das Asturias). Ele conseguiu fugir de Cordoba, para onde haviam sido levados os sequestrados, voltou para as Asturias e iniciou o movimentode resistencia por la.

Nisso se resumiu a resistencia crista na Peninsula Iberica, na epoca da invasao muculmana. Nada mais que uma faixa extreita e montanhosa que eh a Serra Cantabrica. Mesmo assim, o nosso ancestral, Pelagio, conseguiu expulsar o invasor das Asturias. O sucessor dele era o Favila que morreu. Entao, houve o casamento do Ramiro I, filho do Pedro, duque da Cantabria, com a Ermesinda, filha do Pelagio. Com isso, iniciou-se a nova dinastia das Asturias e a propria Cantabria passou a ser mencionada como parte das Asturias.

O reino das Asturias existiu de 718 ate 925. Depois disso o nome foi mudado para Leao, pelo rei Froila II. Mas, ate chegar a isso, muita historia se passou. Por exemplo foi preciso passar o governo do Froila I, nosso ancestral e filho do Alfonso I e, tambem, foi durante o reinado do neto deste, Alfonso II, que as Asturias foram reconhecidas como reino pelo Carlos Magno e pelo papa. Alfonso II governou por 52 anos (791-842) e conseguiu reconquistar territorio ate aas proximidades de Lisboa, embora esta conquista nao tenha sido definitiva e a fronteira tenha oscilado varias vezes depois. Este rei teve o apelido de “o Casto” e nao deixou descendentes. Ele eh nosso tio-avo. O irmao dele, Froila, eh que eh nosso ancestral.

As conquistas nesse periodo nao foram definitivas. Alguns autores antigos defendem que tenha se criado um deserto demografico entre as Asturias ao norte da Serra Cantabrica e os reinos mouriscos ao sul da Peninsula Iberica. O deserto teria evitado escaramucas entre o reino cristao e os outros, e dado tempo aas Asturias de se fortalecerem. Autores atuais nao acreditam nessa hipotese porque  existem diferencas geneticas entre as populacoes do norte e as do planalto ao sul. Acredita-se que a peste seja a melhor explicacao para o vazio demografico que permitiu a permanencia do reino.

Foi durante o governo do Alfonso II que foi encontrada uma sepultura, em Compostela (Campo das Estrelas), e atribuido a Santiago Maior. Este eh o Tiago, irmao do Joao, os filhos do Zebedeu, que foram apostolos de Jesus. Conta-se que Tiago foi pregar na Espanha. Estando la, por volta dos anos 40, retornou aa Palestina, onde foi morto pelo rei Agripa I (Herodes Agripa), o neto do Herodes, o Grande. Entao, os discipulos de Sao Tiago teriam transportado os restos mortais dele para as Asturias.

Desde a redescoberta do tumulo, criou-se a romaria pelos caminhos de Santiago de Compostela. Eh considerado o terceiro local mais sagrado pelo cristianismo, superado apenas por Jerusalem e Roma.

Mas esta pode ter sido a grande sacada de nossos parentes medievos. Podem ter usado a crendice popular para escudar o objetivo que era a reconquista da Peninsula Iberica. Pelo que parece, a estrategia funcionou. Ao longo dos seculos posteriores, o objetivo foi atingido e Sao Tiago tornou-se o padroeiro da Espanha. Nao poderia ser por menos, ja que a presenca da lembranca do santo levou peregrinos, valores economicos e bracos dispostos a sacrificar a vida pelo liberacao do territorio.

A nossa heranca genetica das Asturias nos foi passada por inumeros caminhos. E a nossa Historia se confunde com a Historia Medieva europeia. Foram precisos mais alguns reis para que a Reconquista tomasse realmente as vias de fato. Ela ganhou mais forca nos governos Ordonho I e do filho deste, Alfonso III. Este neto do Ramiro II retomou Madrid e Toledo. Foi na epoca do Alfonso III que se deu a reconquista definitiva do condado de Porto Cale. O conde Vimara Peres foi o responsavel pelo sucesso e defesa do territorio.

Com o crescimento territorial, comecaram tambem as partilhas hereditarias. Quando Alfonso III faleceu, deixou, no testamento, o Reino de Leao para Garcia; o Reino da Galicia, para o Ordonho, e as Asturias para o Froila. Quando o Garcia morreu, Ordonho anexou a heranca deste aa sua. Mas nao tardou a surgirem novas divisoes e, por causa da linha de castelos, para a defesa do territorio, surgiu o Reino de Castela ou Castilla.

Dos reinos cristaos que se instalaram no norte da Espanha, apenas Aragao teve origem Franca, nao diretamente vinculada aa nossa segunda raiz genealogica. Mas, por razoes de casamentos, nossos ancestrais posteriores tornaram-se descendentes comuns a todas as casas reais que se formaram na epoca da Reconquista.

O Reino de Portugal foi um desmembramento do Reino de Leao. Antes ele era o condado que se restringia ao territorio delimitado ao norte pelo rio Minho e, ao sul, pelo Douro. A dinastia de condes, descendentes do Vimara Peres, havia se estabelecido mas acabou sendo destronada. Nuno III, tentou emancipar Portugal aproveitando-se da confusao apos a morte do Alfonso III mas logo depois perdeu a batalha para o rei Garcia e foi morto por este. Nos temos varias linhas de ascendencia que nos ligam ao heroi Vimara Peres, mas nao passam pelo Nuno III.

Na epoca do rei Alfonso VI, de Leao, ele ofereceu a mao das filhas em casamento aos nobres que o ajudassem na Reconquista. Um dos candidatos foi o Henri, de Bourgonha, que levou a mao da Teresa e, como dote, o condado de Portugal. Na sequencia, Henri confia nas maos do nobre: Egas Moniz, o Aio, a tutela do filho: Afonso Henriques. O Afonso Henriques ficou orfao de pai cedo e cedo tambem comecou a maquinar uma forma de assegurar sua heranca. Ele tinha medo da real ou ficticia possibilidade que a mae Teresa o deserdasse em favor do padrasto: Fernao Peres de Trava. Mas com apoio dos nobres do Ribadouro, inclusive do Aio, acabou conseguindo o intento.

Antes, eu tinha apenas uma vaga ideia do como se formaram as familias nobres em Portugal e na Espanha. Agora, posso observar o porque delas sempre terem os mesmos ancestrais. O comeco de tudo se deu com aquele pequeno grupo de revoltosos na Cantabria e nas Asturias. O proprio Egas Moniz, o Aio, descende da nossa segunda raiz. Ele eh bisneto da Toda Ermiges, que foi esposa do Egas Moniz de Ribadouro. Ela eh pentaneta do Alfonso III, aquele que havia comissionado o Vimara Peres para ocupar o condado de Porto Cale.

Entre eles, porem, nessa linhagem, existe o Ramiro II, rei de Leao. Este neto do Alfonso III foi conhecido pelos muculmanos como: “o Demonio”, por causa das habilidades belicas que empregava contra eles na Reconquista. Ramiro II casou o filho dele, Lovesendo Ramires, com Zayra-ibn-Zayda. Ela eh descendente do Abd-ar-Raman que foi vencido pelo nosso outro ancestral: Carlos Martel.

Ela eh tambem descendente do profeta Mohammed e prima em segundo grau do Abd-ar-Raman III, o califa que conseguiu reunir cristaos, judeus e muculmanos, num esforco que pos a Espanha na vanguarda do renascentismo, seculos antes da Renascenca europeia. A Zayra-ibn-Zayda eh uma das bisavos da Toda Ermiges, bisavo do Egas Moniz, o Aio, que, por sua vez, eh o bisavo do Soeiro Viegas Coelho, o universalmente reconhecido ancestral de todos os Coelho nobres do mundo. (Busquem o documentario CITIES OF LIGHT e encontrarao muitas informacoes a respeito dessa epoca, sabendo que muitos dos nomes citados no documentario sao nossos ancestrais.)

E o que comecou com um Alfonso III, rei das Asturias, embora esteja citado como rei de Leao nas minhas anotacoes genealogicas, terminou com o Afonso III, rei de Portugal. Pelo menos no lado portugues, a Reconquista terminou na tomada do Reino de Algarves e a tomada da cidade do Faro.

O Afonso de Portugal eh, repetidas vezes, nosso ancestral. Ele eh bisneto do Afonso Henriques, primeiro rei de Portugal. A Espanha somente conseguiu este intento quase tres seculos mais tarde, em 1.496, com nossos primos Isabel de Leao e Fernando de Castela (os chamados reis catolicos).

Eh preciso lembrar que a Reconquista se deu mais pelos interesses que propriamente por desejo popular. Entre viver sob o dominio muculmano ou cristao, aa epoca, a diferenca estava a favor dos primeiros que possuiam uma cultura mais avancada e igualitaria. Alem do mais, os muculmanos optaram mais pela conversao expontanea e tolerancia, ou seja, estavam abertos para os novos convertidos e os tratavam como iguais, porem, toleravam judeus e cristaos que aceitassem viver sob o dominio deles. Portanto, a Conquista, em primeiro lugar, nao expulsou a populacao nativa que, na verdade, continuou predominando, sob o comando de um menor contingente arabe e berbere. A esta combinacao eh que eh dado o nome de mouro.

Por isso, enquanto no restante da Europa o desejo de Reconquista era alimentado tambem pelo preconceito racial, na Peninsula Iberica este nao era um fator razoavel ja que, geneticamente, era a mesma populacao em ambos os lados. Mesmo em plena campanha a favor das Cruzadas no restante da Europa, o entusiasmo pela ideia perdia o significado na terra de nossos ancestrais. Na verdade, o numero de Cruzadas foi muito maior que aquelas que ficaram famosas por terem sido levantadas para reconquistar Jerusalem. Os moradores da Peninsula Iberica inclusive foram isentos de prestar seus servicos na Palestina, para se ocuparem apenas da Reconquista do proprio territorio. Talvez, tenha sido a crise de identidade que tenha retardado por seculos a Reconquista.

Em contrapartida, logo apos a Reconquista completada na Espanha, a outra face dela se mostrou. Os muculmanos foram severamente perseguidos. A Reconquista se transformou em conquista dos terrirorios do norte africano. A escravidao dos muculmanos foi autorizada pelo papa. Apos os Grandes Descobrimentos, esta permissao foi extendida, por reinterpretacao da permissao papal anterior, aos africanos subsaarianos.

Para obter o dinheiro necessario para pagar as despesas dos projetos governamentais, como as grandes navegacoes, os governos sempre extorquiram a quem lhes pudesse dar retorno. Os judeus sempre haviam sido parte da sociedade mas nunca estiveram perfeitamente integrados. (Talvez por se julgarem diferentes, com algum privilegio junto ao Ceu, ou pela esperanca de um dia
voltar aa “Terra Prometida).Desde aa epoca em que haviam sido expulsos da Palestina,levavam com  eles os segredos de algumas profissoes estrategicas, especialmente ligadas aa cultura. Isto, provavelmente, os tornava mais ricos que a media da populacao.

Mas, o que parecia uma vantagem, dependendo das circunstancias da Historia, mostrava-se como susceptibilidade. De certa forma, o isolamento do restante da populacao e em inferioridade numerica, tornava-os presas faceis das perseguicoes. Com isso, sofreram a ameaca de: ou se convertiam ou teriam que deixar as terras dominadas por Portugal e Espanha. Porem, mesmo os convertidos nao receberam todas as propriedades de volta. Passaram a ser tratados como uma casta inferior de pessoas, isto, promulgado em lei, valida tanto para eles quanto para os muculmanos.  Esta mesma lei foi usada para a perseguicao de cristaos opositores que eram falsamente acusados de pratica do judaismo. A lei permaneceu valida, na integra, ate durante os anos 1.700 somente sendo totalmente revogada em 1822.

9. ALGUMAS INFORMACOES GERAIS DOS REINOS E DAS FAMILIAS

Os reinos cristaos na Peninsula Iberica surgiram nao apenas pelo ideal de retomada do poder aos mouros. Na verdade, o dominio do territorio seguia diretrizes semelhantes aas vividas nos tempos visigoticos. Com a morte do rei, os filhos partilhavam o territorio mas isso nao os impedia de, em seguida, marcharem para a conquista dos territorios uns dos outros. No exemplo da chegada ao poder por Alfonso I das Asturias, a Historia oficial nos oferece uma rara excecao. O herdeiro era o Favila, filho do nosso ancestral Pelagio.

Favila havia se casado com uma filha do Pedro, duque da Cantabria. Isto ja garantiria o compartilhamento do poder pelas duas casas. Acontece que, durante as provas de machismo para assumir a coroa, o Favila teria sido morto por um urso. Entao, para nao desfazer-se o contrato elaborado pelos pais, os nossos ancestrais: Alfonso I, filho do Pedro, duque da Cantabria e a Ermesinda, filha do Pelagio, se casaram e formaram o primeiro casal real dessa nova fase.

Quem desejar acessar mais informacoes a respeito das Asturias, uma sugestao eh o sitio: http://pt.wikipedia.org/wiki/Reino_das_Ast%BArias. Outra sugestao seria o sitio a respeito da Cantabria, que eh: http://pt.wikipedia.org/Cant%C3%A1bria. Nestes sitios existem sugestoes a respeito de outras literaturas e temas para quem quizer aprofundar-se melhor nos assuntos. Quem desejar mais informacoes a respeito do Sao Tiago(o de Compostela) tambem pode acessar: http://pt.wikipedia.org/wiki/Santiago_Maior. Ai a gente encontra as informacoes como, por exemplo: devido a mal-entendidos e traducoes em varias linguas, os nomes: Diego, Diogo, Lago, Jaime, James e outros se referem ao mesmo Tiago.

Leon, a cidade que acabou dando nome ao reino, existe desde os tempos do Imperio Romano. Aa epoca, surgiu como um entreposto de troca de ouro que era explorado na regiao, em Las Medulas. Foi fundada pela “Legio Septima Gemina”, (Setima Legiao Gemea) para aquartelar-se la. Foi conquistada em 540, pelo rei visigodo: Leovigildo, que permitiu a permanencia da populacao crista. Em 717 foi tomada pelos mouros e em 742 foi uma das primeiras a ser reconquistadas pelos asturios, e passou a fazer parte do Reino das Asturias.

O nosso ancestral Alfonso III foi quem dividiu o reino entre tres dos filhos dele e o Garcia I ficou com essa heranca, que incluia o Condado de Portugal. Mas foi o Ordonho II, outro de nossos antepassados, quem mudou a capital das Asturias para Leon.

Ordonho II foi quem aumentou a intensidade da Reconquista entrando fundo no territorio tomado pelos muculmanos. Seguindo ao pai, Ramiro II continuou a Reconquista. No governo do Ramiro comecou-se a repovoar o territorio retomado com a populacao das Asturias e da Galicia. Ele reconquistou Madrid e a provincia de Toledo que situavam no coracao do Califato de Cordoba. Ramiro II eh o pai do Lovesendo Ramires, que se casou com a Zayra ibn Zayda e sao antepassados dos nossos ancestrais que, mais tarde, sao conhecidos como Ribadouro. Lovesendo e Zayra sao pais do Aboazar Lovesendes que eh nosso patriarca no lado Ribadouro, e, tambem, pais do Ermigo Aboazar que eh ancestral dos Maia aos de Trastamarra, ancestrais dos Pereira etc.

Alias, aqui ja podemos entrar um pouco nos estudos da formacao das familias nobres de Portugal e Espanha. Consta que sao cinco as familias consideradas nobres em Portugal e, pelo menos, tres no lado espanhol. Em Portugal temos os Ribadouro, os Maia, os Baiao, os Sousa e os de Braganca. Na Espanha sao os de Trastamarra e os Lara. Mas, na verdade, isto nao eh tao simples quanto parece.

O que acontece eh que, a descendencia desses primeiros reis se espalhou pelos territorios reconquistados. E a populacao crista havia se reduzido muito, por causa das conversoes ao islamismo e pela propria reducao do territorio ocupado por ela. Aa essa epoca tambem, nao se usava sobrenomes. Por isto, o apelido Ribadouro surgiu a partir da referencia geografica, ou seja, os que nasciam acima do Rio Douro e abaixo do Minho, o que correspondia, a grosso modo, ao Condado de Portugal era Ribadouro. Na verdade, eram pessoas de ascendencia goda, descendentes dos Suebi que haviam implantado o antigo Reino da Gaelecia e dos Visigodos, que tomaram a Gaelecia aos Suebi. Consta que estes se misturaram aos lusitanos que eram os nativos de Portugal mas nao temos referencias genealogicas para determinarmos a proporcao de cada povo.

O nosso lado Coelho tem ascendencia direta nos Ribadouro. Nossos avos: Egas Moniz, Ermigio Viegas e Monio Ermiges, respectivamente: bisavo, avo e pai do Egas Moniz, o Aio, foram senhores do Ribadouro. O bisavo do Aio, e homonimo dele, foi quem se casou com a Toda Ermiges, a trineta do Ramiro II, rei de Leao. E o Aio eh o avo do Lourenco Viegas Coelho, o Espadeiro, e este eh o pai do Soeiro Viegas Coelho, tidos como os primeiros a assinar o sobrenome.

O nosso ancestral: Soeiro Viegas Coelho passou aos descendentes dele o sobrenome. Nos o herdamos do Joao Soares Coelho, embora sejamos muitas vezes mais descendentes da Maria Soares Coelho. Ambos, filhos do Soeiro. Porem, a avo Maria casou-se com o D. Joao Peres de Vasconcelos, o Tenreiro, que vinha do ramo dos senhores da Torre de Vasconcelos, e como eh de praxe, a avo Maria nao emprestou o sobrenome aa descendencia por ser mulher.

Os de Vasconcelos tem grande importancia no componente genetico de nossa familia e sao descendentes diretos do Fernando I, o Magno, rei de Castela e Leon e da esposa oficial: Sancha, Infanta herdeira de Leon.

Apesar de o sobrenome Coelho nao ser citado entre as cinco familias nobres de Portugal, a alcunha de nobreza continuou por causa da origem genetica. Os Coelho continuaram sendo Ribadouro assim como outros sobrenomes que continuaram sendo adotados no curso da Historia Portuguesa. Nomes como Riba de Vizela, Alvim e Fonseca foram sendo adotados por descendentes dos mesmos ancestrais que os nossos, e eles proprios se tornaram nossos ancestrais, porque os nomes de familia passaram a ser adotados em torno dos anos de 1.100 em diante. Isso foi uma necessidade, aceita e recomendada pela igreja, para diferenciar os homonimos que se tornaram muitos, aa medida que a populacao se multiplicava.

Comprova-se o fato de os Coelho terem permanecido na intimidade palaciana, o acontecido com o nosso ancestral: Pero Esteves Coelho. Ele foi tao leal ao rei D. Afonso IV que aceitou ser um dos pau-mandados para executar a Isabel de Castro. Quem desejar conhecer melhor a Ines de Castro, cujo avo eh tambem nosso ancestral, eh bom ler: “Os Lusiadas” ou um bom livro da Historia de Portugal. A Isabel era a amante do, entao, futuro rei: D. Pedro I, de Portugal. O Pero Esteves pagou caro pela obediencia, pois, quando D. Pedro I assumiu o trono, um dos primeiros atos foi persegui-lo e executa-lo com dose de crueldade. O Pero Esteves Coelho era bisneto do Joao Soares Coelho e
irmao da Branca Pires Coelho.

D. Branca foi a mae da Leonor Alvim, esposa do D. Nuno Alvares Pereira. (Beato Nun’Alvares ou Nuno de Santa Maria). O Nun’Alvares, alem de ter sido o segundo Condestavel de Portugal e quem garantiu a Independencia Portuguesa, vencendo a Batalha de Aljubarrota, na crise de 1383-1385, eh nosso tio-avo em duas oportunidades, por sermos descendentes de duas meio-irmas dele: D. Brites Pereira e D. Joana (ou Isabel) Pereira. Ele e a prima Leonor Alvim sao os pais da Beatriz Pereira Alvim, que se casou com o D. Afonso, 1o. duque de Braganca. Eles iniciaram a dinastia Bragantina. E, por causa dos status real e de nobreza, todas as familias reais europeias apos isso estao ligadas a eles, por lacos geneticos.

O Coelho chegou ate a nos, atraves do avo materno do nosso penta e hexavo: Jose Coelho de Magalhaes, apelidado de Jose Coelho da Rocha ou, simplesmente, Rochinha. O avo materno dele: Joao de Magalhaes Coelho, eh o pai da Ana Josefa de Magalhaes Pinto, mae do Rochinha, que tem ascendencia ligada ao Joao Soares Coelho.

A segunda familia nobre portuguesa, da qual tambem somos descendentes, a Maia, tem a mesma origem da Ribadouro. Os Ribadouro tornaram-se descendentes do Ramiro II, rei de Leon, atraves do Ermigio Aboazar, que eh irmao do Trastamiro Aboazar, o primeiro senhor da Maia. Por varios caminhos nos somos descendentes dos senhores da Maia mas um, em particular, se da quando a trineta do ancestral: Trastamiro, a Moninha Goncalves da Maia, se casa com o Rodrigo Forjaz de Trastamarra. Deles descende (bisneto) o D. Goncalo Rodrigues da Palmeira que da o nome de Rui Goncalves Pereira a um filho. Assim, surge a familia Pereira, da qual D. Nuno e nos somos descendentes. Nos, em multiplas ocasioes.

Eh importante lembrar-se que a familia de Trastamarra eh uma das tres importantes na formacao do lado nobre espanhol. Na Idade Media ela guardava o importante segredo de estado que era a forja de materiais metalicos. Alias, alguns historiadores ressaltam a menor importancia que os pequenos reinos cristaos da Peninsula Iberica representavam para o restante da Europa na Era Medieva, por serem pobres, incultos, atrasados e tendo como unica atividade economica nobre a fabricacao de artefatos de metal. Ou seja, o ferreiro do tempo medievo era o nobre.

Esta concepcao de nobreza inferior comeca a mudar com o nosso ancestral: Alfonso VI, rei de Castilla. Ele conquistou o Califato de Cordoba, que era culturalmente superior ao restante da Europa. Alfonso VI eh filho do Fernando I, o Magno, rei de Castilla e Leon, com a Sancha, Infanta de Leon. Estes reis descendem daquele nucleo inicial de pessoas envolvidas com a Reconquista da Peninsula Iberica aos mouros, ou seja, nossos ancestrais: Pedro, duque da Cantabria e Pelagio das Asturias. O Alfonso VI eh tambem, junto com a Ximena Moniz, quem gerou a Teresa de Leon, mae do Afonso Henriques, primeiro rei de Portugal.

As pessoas das quais venho tratando, ate agora, nasceram ate o segundo seculo do segundo milenio. Entao, a maior atividade economica que exerciam era a pilhagem de terras conquistadas, a taxacao de nobres menores e a vassalagem cobrada aos pequenos reinos muculmanos ja reconquistados por eles. Alias, foi a subdivisao em pequenos reinos da, entao, poderosa provincia muculmana de Al-Andaluz que enfraqueceu o dominio muculmano e permitiu a futura Reconquista da Peninsula Iberica por nossos ancestrais. Neste caso, repetiram o mesmo erro dos Visigodos.

Como familia nobre importante, o Baiao descende da mesma Teresa de Leon e do Henri de Bourgogne. Estes sao pais da Sancha Henriques, irma do Afonso Henriques. Ela se casou com o Sancho Nunes de Barbosa (agora tambem sei que o D. Sancho descende do Fernando I, o Magno, rei de Leon e Castela) e foram pais da D. Fruilhe Sanches de Barbosa. D. Fruilhe casou-se com D. Pero Fernandes e sao pais da D. Teresa Peres de Braganca que se casou com Afonso Hermiges de Baiao. Dai perpetuou-se o sobrenome Baiao, o qual, varios de nossos ancestrais portaram. O Baiao indica origem que se tornou sobrenome, portanto, existem outros ancestrais nossos que sao de Baiao sem, necessariamente, serem descendentes das mesmas pessoas.

O mesmo D. Pero Fernandes, marido da D. Fruilhe Sanches de Barbosa, eh ancestral da familia Braganca. Ele era filho do D. Fernao Mendes, senhor de Braganca, com Teresa Soares, que tinha origem na Maia. O D. Fernao Mendes era filho do Mem Fernandes de Antas com a Sancha Viegas, com origem em Baiao. O Mem Fernandes era filho do Fernao Mendes de Antas com a N (nome desconhecido) Alfonso de Leon. Este Fernao Mendes era filho do Mendo Alao com a princesa N. da Armenia. A nossa ancestral: N. Alfonso de Leon eh outra filha do Alfonso VI, rei de Castilla com uma desconhecida. E nisso se resume a origem primaria dos de Braganca, nossos ancestrais.

Por fim, a quinta familia nobre portuguesa, ou seja, os Sousa, sao descendentes tambem do Fernando I, o Magno, rei de Castilla e Leon com uma pessoa desconhecida. Eles tiveram o filho: Munio Fernandez, pai da Gontrode Moniz. Esta se casou com D. Gomes Echigues e foram os pais do D. Egas Gomes de Sousa que se casou com a Gontinha Goncalves, com origem na Maia e perpetuaram o sobrenome Sousa. O sobrenome Sousa era tambem dado tipo premio de consolacao aos filhos dos reis de Portugal que nasceram de concumbinas. Nos descendemos (os descendentes da Dindinha Ercila) do D. Afonso III e D. Dinis por esta via tambem.

Como se pode observar, nao existem cinco familias nobres diferentes com origem em Portugal. Na verdade, sao pessoas com ancestrais comuns, antes de os sobrenomes terem sido adotados. Os sobrenomes surgiram em funcao da necessidade de se distinguir um Jose de outro Jose. E o local de nascimento ou de dominio daquelas familias definiram os sobrenomes que elas tomariam.

A partir do comeco da adocao dos sobrenomes, por volta do segundo seculo do segundo milenio, eles se multiplicaram, mas os ancestrais continuaram os mesmos. Portanto, muitas vezes eh enganoso pensar-se que somos nobres porque assinamos uma alcunha usada pelos nobres no passado. Por minhas investigacoes so podemos esperar que todos os descendentes das familias de origem na Peninsula Iberica tenham uma composicao nobre em seu sangue.

Com a Reconquista e a repopulacao dos territorios reconquistados, e os casamentos tratados junto aas outras familias nobres europeias, a diversificacao genetica portuguesa aumentou apenas ligeiramente porque, no fundo, no fundo, o contingente principal sempre foi o daquela populacao que se refugiou na Peninsula Iberica, desde os tempos da ultima Era Glacial.  Ha que se fazer o acrescimo de que, desde quando a Reconquista comecou no inicio dos anos 700, casamentos com outras familias, como o povo Basco, foram arranjados para que os vinculos familiares tornassem os reinos cristaos melhor estruturados politicamente.

Outra familia que contribuiu para a nossa formacao genetica foi a de descendentes do Vimara Peres, conde e pressor do Porto. A dinastia dele acabou quando o Nuno III quis estabelecer um reino independente em Portugal, mas foi morto pelo rei Garcia de Leon. O proprio rei Garcia foi, posteriormente, destronado e morreu desterrado em um convento. Contudo, a descendencia do Vimara Peres ja era muito maior que o nucleo que governava e permaneceu entre os nobres, principalmente entre aqueles que passaram a assinar “de Guimaraes”. Estes provinham da cidade de Guimaraes, cujo nome de fundacao foi Vimaranes, ou seja, cidade do Vimara. No comeco era
uma fortificacao fundada por ele para proteger o Condado de Porto Cale.

Dentre as familias nobres consideradas bases na Peninsula Iberica, a que menos peso genetico causou na formacao da familia Coelho, ate onde eu pude verificar, eh a Lara. Ela tem mais importancia no lado espanhol. Mesmo assim, ela nao deixa de ter participado do componente genetico de muitos dos nossos ancestrais, entre eles, da avo Genebra Teixeira, uma das decavos do Rochinha. Esta familia, a Lara, descende e participa na formacao de toda a nobreza  castelhana, asturiana, de Pamplona e da Franca, especificamente, do Carlao (Carlos Magno).

Dos reinos cristaos que se formaram com a Reconquista da Peninsula Iberica, ainda nao falei de Castela, Aragao e os menores. O reino de Castela surgiu como um condado do reino de Leon. Era chamado de Condado de Burgos. Foi por volta de 930, Fernando II (Fernan Gonzalez, nosso ancestral na linhagem da avo Ana Josefa de Magalhaes Pinto) de Castela separou Burgos de Leon e adotou o nome de Castilla, numa referencia aa linha de castelos que defendiam o territorio. Mas em 966, Sancho I de Leon derrotou o parente e tomou de volta o reino que ja havia sido expandido. Porem, o nome permaneceu e, posteriormente, voltou a ser independente pelas muitas partilhas feitas entre os herdeiros do trono de Leon.

O reino de Aragao, que tambem comecou como condado, eh o unico com origem diferente. Ele foi reconquistado, em parte, pelos Francos. Basicamente, o reino comecou retomando terras aos mouros, mas passou por varias fases de expansao e retracao, dependendo dos fatos politicos de epoca. A caracterizacao dele como reino mais iberico comecou quando a nossa ancestral: Petronilha, rainha de Aragao e o Ramon Berenguer IV, conde de Barcelona, resolveram juntar os panos e os dominios. Eles sao os pais da Dulce de Barcelona, infanta de Aragao, que se casou com o D. Sancho I, rei de Portugal. D. Sancho I eh o herdeiro do D. Afonso Henriques e avo do D. Afonso III, de Portugal. Eles estao na linhagem que nos leva nao apenas aa monarquia portuguesa mas a, praticamente, todas da Europa da Era Medieval. Por ser de origem Franca, a monarquia aragonesa eh a que mais diretamente nos liga ao imperador Carlos Magno e sua descendencia.

O reino de Aragao depois passou a ser denominado Navarra. Mais informacoes no sitio: http://pt.wikipedia.org/wiki/Reino_de_Arag%C3%A3o. Nossos ancestrais nobres procedem tambem de outros reinos temporarios como Pamplona e Galicia. No sitio: http://pt.wikipedia.org/wiki/Galiza encontra-se mais informacoes a respeito das duas fases deste ultimo, quando foi o reino dos suevos, como Gaelecia e, depois, como Galiza propriamente dito.

Uma ultima informacao a respeito de nossa origem nobre refere-se ao sobrenome Rodrigues. Ha a crenca entre pessoas de nossos familiares que acredita que esse seja um sobrenome de nobreza mas isso eh falso. Numa pesquisa aleatoria, em que verifiquei mais de 1.000 nomes, num universo possivel em que se encontravam mais de 30.000, e que o Rodrigues estava presente, descobri que, a maioria, ate por volta dos anos 1.400, tratava-se simplesmente de filhos ou netos de algum Rodrigo. Este eh o caso das filhas do D. Rodrigo Diaz de Bivar, el Cid, que assinaram Rodriguez e sao nossas ancestrais. O mesmo se verifica nos filhos do D. Rodrigo Froias de Trastamarra, nosso ancestral na linhagem da alcunha Pereira.

A partir dos anos 1.500, multiplicaram-se os numeros das pessoas que passaram a assinar o Rodrigues, sem que hajam anotacoes de ancestrais portanto tal sobrenome ou mesmo sem a previa imediata de um Rodrigo como pai. Parece que o Rodrigues simplesmente tornou-se moda. Ha um caso particular nessas investigacoes em que encontrei o portador do Rodrigues Coelho por volta dos anos 1.600/700. Fui aa raiz dele e nao encontrei nenhuma ligacao para a presenca  dos nomes. Tomei, entao, o caminho inverso, para verificar algum descendente que justificasse a presenca no sitio GeneAll.net. Depois de varias geracoes assinando Rodrigues Coelho, uma das mulheres na familia entra na familia Sarney e torna-se a avo do Jose Ribamar, o ex-presidente do Brasil.

Uma curiosidade a respeito do Rodrigues esta nos ancestrais da Dindinha Ercila. Uma filha do indigena Piqueroby, com o nome de Antonia, casou-se com um certo Antonio Rodrigues e deve ter adotado o sobrenome do marido. Mas a filha deles, tambem Antonia Rodrigues, nao o passou aa frente, por ter se casado com Antonio Fernandes. Assim, eh possivel que o sobrenome possa ter sido adotado pela nobreza nativo-brasileira. Nesse sentido pode ser que o Rodrigues herdado por nossa familia, aparentemente, da avo Eugenia Rodrigues Rocha, esposa do Rochinha possa ter essa origem nobre, embora, muita gente desdenhe do titulo nobre aos nossos indigenas.
Como se houvesse alguma diferenca entre nobre europeu ou nobre de qualquer outro lugar!

Fechando este capitulo, assim se deu a base da formacao da familia Coelho do Centro-Nordeste mineiro, na Europa. A partir da conclusao da Reconquista do territorio portugues, pelo rei D. Afonso III, no inicio dos anos 1.200, cada grotao de Portugal contribuiu um pouquinho para a formacao genetica de nosso povo. E em cada contribuicao se deu a oportunidade de nossa genealogia ser extendida a todos os recantos da Terra entao em contato com a Peninsula Iberica.

Esta pesquisa reflete apenas a ascendencia do avo Jose Coelho de Magalhaes, apelidado por Jose Coelho da Rocha, o nosso Rochinha. O unico outro ramo analisado foram os Andrade de Itabira, cuja composicao genetica de origem portuguesa eh semelhante aa dos Coelho de Magalhaes. Difere na composicao genetica brasileira com a contribuicao nativa. Por estes dois ramos, podemos concluir que, sem sombra de duvidas, se possuissemos os dados completos de nossos outros pentavos, as linhagens deles se encontrarao nas mesmas raizes.

Ha apenas uma duvida quanto ao sobrenome Barbalho. Encontrei uma versao que supoe que este sobrenome venha de uma familia do oriente, nao se aponta especificamente nenhum lugar e a origem seriam as palavras Barb Al. Nao sei o que significam.

Baseado tambem no exemplo dessa nossa origem europeia, podemos supor que os nossos vinculos com os indigenas brasileiros e os africanos nos facam descendentes de pessoas que habitaram muitos rincoes dos continentes americanos e da Africa. Tendo em vista que os nossos indigenas provem da Asia, isto completa a nossa identidade universal. Temos a possibilidade, entao, de termos graus de parentesco relativamente proximos com cada um dos bilhoes de seres humanos que habitam o planeta Terra na atualidade.

10. UM RESUMO DA FORMACAO DA FAMILIA COELHO DO CENTRO-NORDESTE DE M. G.

Em resumo, a formacao da familia Coelho em Portugal, alem das raizes mais profundas que proveem de diferentes paises e diferentes culturas, esta presa a alguns personagens historicos. Nos podemos citar, como nomes fundamentais: Pedro, duque da Cantabria e Pelagio das Asturias. Eles foram os iniciadores da Reconquista da Peninsula Iberica aos mouros e sao os grandes patriarcas de todas as familias nobres vinculadas a Espanha e Portugal. Deles nasceram, respectivamente, Alfonso I, rei das Asturias, e Ermesinda das Asturias que dao continuidade aa linhagem das realezas cristas formadas na Peninsula Iberica. Estes viveram na segunda metade dos anos 600 e inicio dos anos 700.

Outro descendente deles que se destaca como patriarca das familias nobres eh o rei Ramiro II, de Leon. Ele foi um proeminente guerreiro, impondo-se aos mouros. Governou nos anos 900. Como condicao de paz, casou o filho Aboazar Lovezendo com a princesa muculmana Zayra ibn Zayda. E este casal entra na formacao inicial de pelo menos tres familias nobres que sao: os Ribadouro, os de Trastamarra e os Maia. As outras familias descendem dos descendentes deles.

Outro casal de extrema importancia na formacao das familias nobres eh o rei Fernando I, o Magno, rei de Castela e Leao e a rainha Sancha, Infanta herdeira de Leao. Eles nasceram nos anos 1016 e 1015, respectivamente. Sao os pais do Alfonso VI, rei de Castela,quem ofereceu a mao das filhas aos nobres do restante da Europa que o ajudassem a reconquistar a Peninsula Iberica.

O Henri de Bourgogne aceitou o desafio e ganhou a mao da Teresa de Leon. Estes se tornaram pais do Afonso Henriques, primeiro rei de Portugal, e tambem da Sancha Henriques, que eh ancestral, entre outros, de nobres que usam a assinatura Sousa. Parte dos Sousa descendem dos reis D. Afonso III e D. Dinis.

Uma particularidade eh a de que o Henri de Bourgogne eh descendente direto dos monarcas da Franca. Os monarcas franceses eram, por diversas linhagens, descendentes do Carlos Magno, o Carlao. A rainha Sancha, Infanta herdeira de Leao tambem o era.

Nas tres geracoes de reis de Portugal que seguem, ou seja, D. Sancho I, D. Afonso II e D. Afonso III, encontramo-os como ancestrais dos Coelho por muitas linhagens diferentes. As esposas dos tres primeiros reis de Portugal: Mahaut (Mafalda) de Savoia, Dulce de
Barcelona e Urraca, Infanta de Castilla, nos acrescentam mais ascendencia no Carlao. Alias, outros de nossos ancestrais, particularmente mulheres, descendem deste grande imperador do Sacro Imperio Romano.

Ja o Fernando I, o Magno, rei de Castela e Leon, esta na origem dos nobres que assinam “de Baiao”, porem, com uma segunda esposa, cujo nome nao foi identificado. De qualquer forma, tambem por este caminho ele se tornou ancestral dos Coelho.

Na tradicao de nossa familia, nos tinhamos em conta como nossos ancestrais mais nobres apenas o Egas Moniz, o Aio; o neto deste: Egas Lourenco Coelho e o bisneto: Soeiro Viegas Coelho. Esta tradicao, provavelmente, se deva a dois eventos fundamentais. O primeiro eh o de que a assinatura Coelho permaneceu pelos seculos ate aas geracoes atuais. Este era o fato que substanciava a tradicao.

O outro evento eh sermos descendentes de todas as figuras proeminentes daquele passado medievo, contudo, por vias maternas. Como sabemos, antigamente, poucas mulheres eram lembradas como ascendentes importantes. E este mal habito continua ate hoje quando as pessoas batizam os filhos apenas com o sobrenome paterno. Isto faz com que, na maioria das vezes, os descendentes sejam incapazes de lembrar os sobrenomes e qualquer ascendencia ligadas aas avos.

Isto eh ruim porque, geneticamente, a contribuicao materna eh igual ou maior que a paterna. Este eh um fato veridico porque somente as maes nos transmitem o DNA-mitocondrial. E, embora a transmissao do cromossoma Y, que so se da de pai para filho, determine o sexo masculino nos descendentes, a transmissao do cromossoma X pela mae contem um pouco mais de material genetico. Referi-me a ser ruim ao fato de nao nos lembrarmos das ascendencias de nossas avos.

Eh claro, nao podemos nos esquecer do fator carater, formado do nascimento ate aa fase adulto-jovem, que tem forte influencia dos progenitores e da cultura em que se esta inserido. Eh provavel que o carater masculino tenha prevalecido no passado, porque o parto era uma das maiores causas de morte das maes. Assim, grande parte das criancas as perderam durante os nascimentos de irmaos mais novos, o que incorreu na maior influencia do carater paterno.

Mas o fato eh este, nao se pode falar em formacao da familia Coelho sem citar-se alguns nomes femininos. Claro, a citacao de alguns nomes nao faz justica aas nossas ancestrais porque todas sao igualmente importantes mas, pelo menos, eh melhor que o silencio que encontramos ate o momento.

Assim, creio ser importante citar: Anna de Bizantium, que levou aa familia de Savoia a heranca genetica desde os faraos. Dela descende outros alem da Mahaut (Mafalda) de Savoia, a esposa do D. Afonso Henriques, e sao tambem nossos ancestrais. Outra Anna, a de Kiev eh uma das pessoas que nos ligam aos grao-duques de Kiev, os ancestrais dos tzars. Ela tambem nos liga aas casas reais da Hungria, Polonia e outras.

Edith Swanshnesha de Mercia eh outro nome feminino proeminente. Citada na Historia Inglesa pela grande coragem dela, foi esposa do ultimo rei ingles, Harold II, antes da invasao normanda. O rei seguinte, William, o Conquistador, que tambem eh nosso ancestral, levou a Inglaterra a situacao impar porque, como normando, era um vassalo da coroa francesa. Como rei da Inglaterra, era um adversario. Nesta familia tem que se incluir a princesa Gunnor da Dinamarca que, em muitos casos eh nossa ancestral, introduz sangue viquingue aa nossa
heranca e foi esposa do Richard I, conde da Normandia.

Como exemplos de nossas ligacoes com as dinastias reais inglesas, podemos citar a princesa Ogivia da Inglaterra, esposa do Charles III, o Simples, rei da Franca, alem das irmas dela: Edith e Adiva, que sao filhas do Edward, o Velho, rei do Wessex. Todas sao nossas ancestrais.

Tambem nao podemos nos esquecer da Urraca, Infanta de Castela, que se casou com o Afonso II, rei de Portugal. Ela eh filha do rei Alfonso VII, de Castela, com a Eleanor Plantagenet, princesa da Inglaterra. Eleanor foi a corajosa que peitou o poderoso Ricardo, Coracao de Leao, rei da Inglaterra. Ricardo, o irmao da Eleanor, queria que ela se casasse com um subalterno do Saladino, com quem estava em negociacoes de paz para manter o Reino de Jerusalem nas maos dos cristaos. Eleanor disse nao ao irmao e rapou para a Peninsula Iberica.

Nao se pode deixar de citar tambem a Petronilha, rainha de Aragao; a Elvira Mendes, condessa soberana de Portugal e a Zayra ibn Zayda, que nos da um tempero arabe no sangue e a ascendencia no profeta Mahammed (Maome).

Descendente da avo Zayra, temos a Toda Ermiges. A avo Toda tem todo um lugar numa importante encruzilhada de nossa genealogia. Ela descende tambem do Ramiro II, rei de Leon, e eh, ao lado do Egas Moniz de Ribadouro, matriarca da familia Ribadouro. Ela casou-se tambem com o tio dela: Pedro Turtezendes, irmao da Vivili Turtezendes, mae dela, e se tornou nossa ancestral, multiplas e multiplas vezes, tanto em razao do primeiro quanto do segundo casamentos. Ela eh a bisavo do Egas Moniz, o Aio, o bisavo do Soeiro Viegas Coelho, aquele que perpetuou o sobrenome Coelho passando-o aa descendencia.

Aqui cabe um parenteses para o fato de uma vez ou outra alguem da familia nascer com as feicoes arabes. Se a avo Zayra fosse uma contribuinte ocasional de gens para a nossa familia, isso, provavelmente, nao aconteceria. Contudo, os continuos casamentos de parentes proximos e dela descendentes fez com que a participacao dela na formacao de nossa genetica nao se perdesse. Claro, nao podemos descartar a possibilidade da participacao de outros descendentes arabes entre os inumeraveis personagens desconhecidos, mas eh grande a possibilidade de muitos destes desconhecidos serem descendentes dela propria. Por meio do segundo casamento da Toda Ermiges ela eh ancestral tambem dos nossos ancestrais que assinam Pereira.

Ressalvando essas, temos a avo Violante de Sousa que nos ajudou a encontrar nossas raizes na familia real portuguesa. Ate mesmo a avo Violante de Freitas, que nao sei porque cargas d’agua eh codenominada de “a Mentirosa”, tem o lugar dela entre as mulheres que quero citar.

Mas grande variedade genetica encontrei mesmo foi relacionada a nomes como o da avo Ana Da Mesquita, da Maria Barbosa e da Catarina de Freitas. Esta avo, Catarina, eh a esposa do Fernao Coelho, e nos sao ancestrais atraves do Rodrigo de Sao Paio Coelho (cujo Sao Paio foi aglutinado no Sampaio de parte da descendencia dele) e do Martim Coelho, filhos deles. A avo Catarina nos liga,geneticamente, a uma grande variedade de linhagens europeias, entre familias nobres e casas reais.

Entre as mulheres de destaque em nossa genealogia, eu havia me esquecido da Madragana, que depois foi batizada por Mor Afonso. Ela eh nossa ancestral em uma das linhagens que nos levam ao rei D. Afonso III, de Portugal. Ela acrescenta mais uma pitada de origem hebraica, alem de ser um dos vinculos que nos da grau de parentesco com a rainha Victoria e a descendente delas: a atual rainha Elisabeth II, da Inglaterra.

Nosso ramo judaico eh tambem representado pela rainha Esther, a rainha na Persia antiga que deu nome a um dos livros da Biblia. Felizmente, alguns dados da vida dela sao conhecidos, a ponto de ela aparecer numa linhagem onde poucas sao as mulheres admitidas, contudo, nao ha uma genealogia que demonstre os meios pelos quais somos descendentes dos patriarcas biblicos.

Por fim, nao podemos deixar de citar a Maria Soares Coelho, filha do Soeiro Viegas Coelho. Ela nao nos passou o sobrenome mas eh por multiplas vezes nossa ancestral.

Em nossa linhagem do sobrenome Coelho, eh preciso citar outra Ana, a Ana Coelho, porque, apesar de ser mulher e mae da Isabel Pinto de Magalhaes, elas foram a ponte que levou o nome ao avo da Ana Josefa de Magalhaes Pinto, ou seja, ao Joao de Magalhaes Coelho. Embora a avo Ana Josefa nao assinasse o sobrenome Coelho, o avo Bernardo Antonio Pinto da Mesquita nao se intimidou em recuperar a alcunha no filho deles: Jose Coelho de Magalhaes, o nosso Rochinha, cujo apelido era Jose Coelho da Rocha.

Curioso a respeito dos nomes que o avo Bernardo Antonio deu aos filhos eh que ele diversificou, dando sobrenomes diferentes a eles. Interessante eh a todos ter dado o Magalhaes que vinha da avo Ana Josefa e nao dele. Porem, a pelo menos um, provavelmente o primogenito que nasceu em 16 Nov 1742, deu todos os nomes de familia que se lembrou fazer parte do rol de nossos ancestrais. Assim, o nome ficou: Bernardo Mesquita Pinto de Sousa Magalhes Coelho.

De certa forma, o sobrenome dele resume parte da nossa heranca genetica em Portugal. Claro, ele nao deve ter tido o acesso completo aa propria genealogia, senao, nao se esqueceria de sobrenomes como: Vasconcelos, Valadares, Macedo, Teixeira e muitos outros, alem dos que ja estamos mais acostumados a ouvir como: Oliveira e Silva.

A respeito dos sobrenomes que compoem a lista que nossos ancestrais assinaram, existe uma gama quase infinita. Eh preciso lembrar que os sobrenomes comecaram a ser adotados a partir do segundo seculo do segundo milenio, ou seja, nos anos de 1.100 e 1.200. Isto se deu porque na fase anterior as pessoas usavam apenas o prenome e bastava. Quando se tornava necessario fazer a diferenca entre um Jose e outro Jose, era acrescentado o nome paterno. Assim, se alguem era conhecido pelo nome Egas Lourenco, era porque era o Egas, cujo pai era Lourenco.

Muitos nomes paternos, porem, eram adaptados para significar “filho de determinada pessoa”. Este eh o caso daqueles que recebiam o acrescimo Fernandes (z). Eram filhos do Fernao ou Fernando. Os chamados de Nunes (z) eram os filhos do Nuno. Nessa linha nos temos os Rodrigues (z), os Alvares (z), os Mendes (z), os Peres (z), os Pires (z) etc. Algumas adaptacoes eram ligeiramente diferentes, Este eh o caso dos filhos de Joao, por exemplo. A grafia antiga de Joao era Johanes. Entao, o D. Goncalo Anes so poderia ser Goncalo, filho do Jo(hAnes)ao. De forma semelhante, os Viegas eram filhos do Egas. Ja os nomes Soeiro e Sueiro davam os apelidos de Soares e Suarez. Porem, esses sobrenomes nao eram passados aos netos antes do segundo seculo do segundo milenio.

Com o aumento da populacao, convencionou-se acrescentar-se mais um sobrenome aos nomes das pessoas, indicando a origem geografica delas. Os nobres ja usavam essa regra. Assim, os “de Magalhaes” vinham, obviamente, de Magalhaes. Desta forma, nos temos uma infinidade de sobrenomes. No rol de sobrenomes que nossos ancestrais usaram, podemos citar alguns, tais como: Azevedo, Teixeira, Menezes, Pereira, Andrade, Sotomai(y)or, Basto, Macedo, Sousa, Veiga, Gus(z)man, Maia, Silva, Braganca, Valadares, Soverosa, Briteiros, Ribeira, Berredo, Guimaraes, (Vimaranes), Baiao, Lara, Benevento, Lima, Enxara, Castro, Vasconcelos, Alvarenga, Mesquita, Cunha, Aguiar, Pombeiro, Grijo, Riba de Vizela, Celanova e Portocarreiro. Isso, para ficarmos apenas em alguns exemplos mas, muitos sao os outros. Como podemos observar, a lista eh tao grande que nem eh logico querer assinar-se todos. O melhor mesmo eh manter-se uma Arvore Genealogica, o mais completa possivel, para que as informacoes sejam completas e satisfatorias.

Existem os sobrenomes que derivaram das profissoes e das caracteristicas fisicas de algum patriarca. Entre estes, eu desconfio que o Barbalho se refira aa caracteristica da barba de nossos ancestrais. Tambem os Alvim, que procedem dos Riba de Vizela, podem vir de alguem de pele ou cabeleira alva. Como exemplo de sobrenome de origem profissional, pode-se citar o Navegante que nao eh parte do rol de nossas assinaturas.

Embora as familias tenham se diversificado quanto ao uso dos sobrenomes, a grande maioria delas proveem dos mesmos ancestrais ou, pelo menos, parte dos mesmos. Geralmente, o que dava titulo de nobreza a uma familia era ter como ancestrais os primeiros reis cristaos que governaram. Na Peninsula Iberica, seriam os que viveram no periodo da Reconquista dela aos mouros.

Existem tradicoes a respeito da ascendencia judaica das familias portuguesas que sao falsas. Por exemplo, acreditar-se que os judeus convertidos durante a Inquisicao foram os primeiros a assinar, e deram inicio aas familias que assinam nomes de vegetais e animais. Isto eh falso. Muito antes da Inquisicao existir, Coelho, Leao, Oliveira, Carvalho, Pereira etc eram assinados. Cada um por motivo diverso aa conversao. Para termos certeza de que somos descendentes da gente judia, preciso eh fazer-se um exame de DNA ou identificarmos algum ancestral de procedencia judia em nossa Arvore Genealogica. Em nosso caso especifico temos a Madragana, filha do alcaide-mor do Faro, que foi amante do D. Afonso III. Muitas familias judias adotaram nomes cristaos, tais como ; Cruz, de Jesus, da Rocha etc, que ja eram comuns entre a populacao.

Eh fato porem que, possivelmente, todas as familias de origem portuguesa descendam dos judeus. Um fato curioso, que talvez aponte para isso, sao as obras do mestre Aleijadinho, onde ele retratou as estacoes do Calvario de Jesus. Os soldados representados nelas vestem trajes romanos mas, nas feicoes, estao estampadas as caracteristicas que relacionamos ao povo portugues, e de forma caricata. Apesar de obvia esta relacao, somente uns 200 anos apos as obras terem sido esculpidas, uma pesquisadora observou este detalhe, embora elas tenham ficado expostas aa admiracao de milhoes de pessoas antes. Elas continuam expostas la em Congonhas do Campo, onde isso pode ser comprovado.

Contudo, o fato eh este: desde que uma pequena fracao da populacao judia foi transferida para a Peninsula Iberica, pelos romanos, nos anos 70 d.C., o esperado eh que todos descendamos dela. Isto se da porque, fosse transferido apenas um casal, se ele tivesse apenas dois filhos e esses filhos casassem com os nativos e tivessem apenas dois filhos cada um, e isso se repetisse a cada geracao, sem que os descendentes do primeiro casal se casassem entre si, no ano 1.070, ao final de 33 geracoes, era esperado que o casal ganhasse mais de 8.000.000.000 (oito bilhoes) de descendentes, somente naquela ultima geracao. Podem tirar a prova dos nove. Multipliquem 2 X 2 X 2… ate a 33a. vez. (ou usem o 2 elevado a 33). De forma semelhante, podemos fazer essa conta regressivamente que da no mesmo. Nos temos pai e mae. Eles tem pai e mae. E assim indo, ate aa 33a. geracao anterior a nos, esperariamos ter o mesmo numero de ancestrais, somente naquela ultima geracao.

Essa regra nao funciona porque os descendentes dos casais sempre casam entre si mesmos. Por outro lado, antes da atualidade, os casais nao limitavam a reproducao a apenas dois filhos. Por isso, depois de ter se passado praticamente outro milenio apos a introducao do primeiro grupo de descendentes judeus na Peninsula Iberica, eh uma quase impossibilidade matematica que toda a populacao iberica nao seja judeo-descendente. E, como a populacao total da Peninsula Iberica, na epoca dos 70 d.C. era apenas uma fracao pequena dos oito bilhoes, entao, nos existimos porque somos descendentes multiplas e variadas vezes das mesmas pessoas.

O que se sabe tambem eh que houve um crescimento da populacao judia inicial atraves das conversoes dos nativos. Neste caso, os descendentes dos primeiros casais nao devem ter tido dificuldades em se casarem com os filhos dos nativos convertidos. Em seguida, as novas geracoes nao devem ter tido o preconceito de se casarem tanto com membros de uma cultura quanto da outra porque, elas proprias, pertenciam aas duas. As dificuldades so se apresentavam quando as fronteiras eram impostas entre duas populacoes o que, de fato, na Peninsula Iberica antiga elas nao funcionavam.

Sei que existem aqueles que tem um certo preconceito contra judeus e nao se sentem aa vontade com essa informacao. Hao tambem os que se orgulharao de saber isso. Do ponto de vista genetico que concebo, somente enxergo como vantagem sermos descendentes do maior numero de linhagens humanas possivel. Do ponto de vista genetico, quanto maior a diversidade, maior eh a probabilidade de isso render saude. Quanto aas divergencias politicas e culturais, sao meros artificios da insanidade humana. Nao nos podemos deixar contaminar por isso.

Evento semelhante se da em relacao aa ascendencia arabe. Os arabes chegaram cerca de 600 anos depois dos judeus, com a conquista da Peninsual Iberica em 711. Nos sabemos que somos descendentes deles, atraves da ancestral Zayra ibn Zayda e da Isabel de Sevilla. Tambem, apesar do pequeno numero de arabes puros no inicio, da mesma forma, as possibilidades de mais casos de ascendencia sao maiores que a possibilidade de inexistencia deles.

Entretanto, em ambos os casos, podemos comparar essas ascendencias como gotas de corante em uma bacia de agua transparente. A agua pode perder um pouco da transparencia mas dissolve o corante, a ponto de ele ficar quase invisivel. Entao, sabemos que existe mas para certificarmo-nos da proporcao, eh preciso realizar um teste de laboratorio, ja que nao sabemos o quanto de “agua” e o quanto de “corante” entraram na mistura.

Para finalizar este capitulo, eh preciso observar que, muitas vezes, os sobrenomes somem das tradicoes familiares por estarem ligados aa origem materna. Portanto , eh preciso estar sempre com a mente aberta para nao sermos surpreendidos pelo parentesco, muitas vezes proximo, com pessoas que faziamos ideia completamente diferente delas. Quanto a isso, eh preciso lembrar-se tambem que, ate a um passado recente, nao se tinha tanto apego aos nomes de familia. Os pais davam sobrenomes aos filhos, segundo sua propria conveniencia e gosto. Eh preciso abrir as mentes para esses fatos.

11. A FORMACAO DA FAMILIA COELHO EM VIRGINOPOLIS E ADJACENCIAS – PARTE I

Antes de mais nada, convem abrir um parenteses para informacoes anteriores aa formacao da nossa familia. Em primeiro lugar, a regiao do Vale do Rio Doce foi conhecida como Matas do Pecanha. Joao Pecanha foi um bandeirante que entrou na regiao ainda nos anos 1.500. Nao encontrou nada que lhe valesse mas deparou com as endemias que infestavam as florestas tropicais. Assim, a regiao ficou esquecida por um tempo.

Nem mesmo quando ouro e pedras preciosas foram encontradas nas Minas Gerais, nao houve animo para uma busca mais detalhada na regiao na parte mais a nordeste das matas. Assim, nos passamos em branco pelo Ciclo do Ouro. Diga-se de passagem, Virginopolis deve ter sido mesmo o lugar onde o “Judas havia perdido as botas” so perdendo para Valadares, “onde ele perdeu as meias”.

Mas ao que parece, Virginopolis deve ter mesmo sido o fim-do-mundo. A fonte de materiais preciosos seguiu linhas que parece mesmo evita-la. O ouro foi encontrado em Mariana, Ouro Preto, Sabara, Barao de Cocais, Caete, Serro e os diamantes em Diamantina. Itabira, Morro do Pilar, Conceicao do Mato Dentro e outras, pelo menos, ficavam no meio do caminho que ligava as fontes das riquezas aa Metropole. Mas nelas tambem encontrou-se ouro em abundancia. Na verdade, nao era o caminho mais direto aos diamantes mas, com certeza, era o que evitava passar dentro da mata mais fechada e que, supostamente, seria a fonte das endemias.

Ha que se recordar que nos anos 1.700 ocorreu o governo do rei D. Jose I. Este eh o pai da D. Maria I, a Louca, e avo do D. Joao VI. Foi no governo de D. Jose que ocorreu o terrivel terremoto de Lisboa, que nivelou a cidade ao rez do chao e matou boa parte da populacao. A consequencia imediata do terremoto foi a reconstrucao de Lisboa, que poderia passar por um fato corriqueiro se nao estivesse na direcao dos assuntos de governo o megalomaniaco Marques de Pombal.

Alias, abras-se aqui outro parenteses para elogiarmos a inteligencia e avancos portugueses na epoca. Nao apenas nas reconhecidas questoes maritimas dos seculos XV ao XVIII. Para a reconstrucao de Lisboa foi feito em “laboratorio” um estudo que levasse a metodos de construcao que evitassem a demolicao de predios em consequencia de terremotos. Assim, Lisboa foi a primeira cidade planejada para nao sofrer as consequencias destrutivas de terremotos, presume-se que seja a precursora mundial em termos de seguranca.

Outro fato inovador, porem mais antigo, eh de que os portugueses foram os primeiros a experimentar um sistema parlamentarista. Muito antes da Carta Magna, no tempo de nossos ancestrais: do Afonso I Henriques ao III e Sancho I, ja era um costume reunirem em assembleias a nobreza mais elevada e representando as cinco familias com maior poder, para decidir-se os assuntos de estado, sob a presidencia do rei. Isto durou enquanto a capital era Coimbra mas nao se dava em funcao de lei. Era como uma reuniao de familia, ja que a realidade eh essa, eram todos aparentados. Com o tempo, isso foi esquecido.

Essas duas informacoes sao verdadeiras e constam em documentarios a respeito dos fatos. Seguindo, entao, o assunto de nossa conversa, o Marques de Pombal “impombou” de reconstruir Lisboa aos moldes de Londres, com tudo monumental. Isto exauriu o erario publico e suscintou as pesadas cobrancas de taxas exigidas aas colonias, incluindo ai o Brasil. Depois disso, ja no governo de D. Maria I, quando o ouro brasileiro comecou a rarear, provocou a Inconfidencia Mineira e outras revoltas.

Antes do primeiro fato e, provavelmente, no intervalo deles foi que nasceu e foi para o Brasil o nosso patriarca JOSE COELHO DE MAGALHAES, nascido na Provincia do Entre Douro e Minho, em Portugal, e passou a ser conhecido como JOSE COELHO DA ROCHA, no Brasil. Como alferes de milicia que era e com a necessidade da coroa portuguesa de buscar novas fontes de renda para o erario delapidado, ele deve ter sido enviado ao Brasil. Nao se sabe se ele participou da repressao aos inconfidentes, como parte das obrigacoes militares dele.

     Coincide que, dez anos antes da delacao e repressao da Inconfidencia Mineira, ele se casou com a avo EUGENIA RODRIGUES ROCHA, em 1779. Estabeleceu-se como fazendeiro aas margens do Corrego Axupe, hoje na cidade do Morro do Pilar (Atualmente estou em duvida se nao sera em Conceicao do Mato Dentro, por causa da foto vista no pagina: http://www.panoramio.com/photo/2352337). Tiveram cinco filhos: Jose (1782), Joao (1785), Antonio e Felix. Os quatro assinaram Coelho de Magalhaes. A unica filha chamou-se Clara Maria de Jesus.

     Somente o Jose e o Joao se casaram. Eles seguiram os passos do pai no servico ao exercito imperial. Chegaram aa patente de capitao. O capitao Joao casou-se com sua prima Bebiana Lourenca de Araujo e foram povoar o norte do Centro-Nordeste mineiro. Uma parte da progenie deles ficou ao redor de Guanhaes mesmo. (Descende deles o Joaquim Leao Coelho que se casou com a Luiza (Didica) da tia Maricas e tio Sinval, mas eh muita confusao para se explicar isso agora).

     Contudo, estou concentrando esta dissertacao na formacao da familia Coelho em Virginopolis e adjacencias. Neste caso, a porcao maior da familia procede do Cap. Jose Coelho de Magalhaes Filho, tambem conhecido como Cap. Jose Coelho da Rocha Filho. Ele se casou com a Luiza Maria do Espirito Santo, que eh natural do Corrego Prata (Nao sabemos onde eh isso. Eh preciso localizar para buscar os ancestrais dela. Pode referir a um dos corregos que formam o distrito de Corregos, em Conceicao). Eles comecaram a familia em Conceicao do Serro, ou do Mato Dentro que eh o nome atual. La tiveram quatro filhos: Jose Coelho da Rocha Neto, Maria Luiza (Nha Moca) Coelho, Francisca Eufrasia de Assis e Ana Maria de Jesus (Nha Ninha). Embora o Jose Coelho da Rocha Neto tenha numerosa progenie, nao temos mais informacoes a respeito dela. Nha Moca e Nha Ninha nao se casaram. Falar-se-a a respeito da Francisca depois.

     A fase seguinte da vida de nossa familia eh influenciada pelos acontecimentos politicos no mundo exterior. Como a Revolucao Francesa ja passara e os acontecimentos levaram aa subida do Napoleao Bonaparte, Portugal ficou no meio do fogo cruzado entre a guerra franco-inglesa. O entao regente, porque a rainha Maria I estava louca, D. Joao VI, decidiu por enganar os franceses e transferir a corte e o erario portugueses para o Brasil. Assim, fomos elevados aa categoria de sede da Metropole, sem que houvesse nenhum preparo para isso, em 1808.

     Logo em seguida ha a transferencia da capital do Brasil, de Salvador para o Rio de Janeiro, onde aconteceu o rumoroso caso do roubo das propriedades dos brasileiros para abrigar as cortes portuguesas. Sem lugar para os nobres e os acompanhantes se hospedarem, os milicianos portugueses simplesmente pregavam uma placa com as letras “P.R.” na residencia e os donos eram jogados na rua do amargura, sem indenizacao. As letras significavam “Propriedade do Regente” ao que os brasileiros entendiam: “Propriedade Roubada”.

     Por todo o tempo em que as cortes portuguesas permaneceram no Brasil, as tensoes entre as duas nacionalidades multiplicaram-se. Mesmo assim, nao houve uma revolta significativa que rompesse os lacos de origem entre os dois povos. A Revolucao Pernambucana levou aa criacao de uma republica em 1817, no Nordeste, mas esta tentativa de independencia nao durou tres meses.

     Contudo, D. Joao VI nao deixou de captar as mensagens deixadas pelos fatos historicos. Os Estados Unidos ja haviam conquistado a independencia. A eles seguiram outras nacoes nas Americas. Simon Bolivar ja havia conquistado a liberdade para um grande territorio que, contrariando a vontade dele, veio a se tornar cinco nacoes. Antes do retorno a Portugal, D. Joao VI deixou o recado ao Infante Pedro (Pedro I, no Brasil e Pedro IV, em Portugal): “Antes que algum aventureiro o faca, de voce a Independencia ao Brasil.”

     Entre as decisoes de D. Joao VI que nos afetaram, uma foi a de que dessem combate “aos indios antropofagos” que habitavam as Matas do Pecanha. O termo “antropofagos” era usado para justificar o confisco das terras aos verdadeiros donos, ou seja, aos indigenas.

     Para cumprir esta ordem, foram convocados, entre outros, os irmaos capitaes Joao e Jose Coelho. Outro decreto de D. Joao VI criava a freguesia de Sao Miguel e Almas(dos Guanhaes), cujos primeiros moradores foram o Cap. Jose, a esposa Luiza Maria e os quatro primeiros filhos. O decreto eh do final de 1821. (Nesta mesma epoca, em 1819, vindo da Vila do Principe (Serro), outros nossos ancestrais: Antonio Borges Monteiro Junior e sua esposa Maria Magdalena de Santana, juntavam-se a outros pioneiros na formacao do Arraial de Sao Sebastiao dos Correntes (Sabinopolis)).

     Em cinco de abril de 1822 nasce o quinto filho do casal, Joao Baptista Coelho. Em sete de setembro do mesmo ano, D. Pedro I proclama a Independencia do Brasil e se torna seu primeiro imperador. Joao Baptista pode ter sido o primeiro cara-palida a nascer no ja criado vilarejo de Sao Miguel e Almas, que depois viria a se chamar Guanhaes. Ao dele se seguiram os nascimentos da Eugenia Maria da Cruz (1824) e Antonio Rodrigues Coelho (1829). Entre estes dois ultimos nasceu a tia Antonina que faleceu ainda crianca.

     Dos oito filhos dos avos Cap. Jose Coelho de Magalhaes Filho e Luiza Maria do Espirito Santo, quatro tornaram-se grandes matripatriarcas da populacao virginopolitana e adjacencias. Por ordem de nascimentos foram eles:FRANCISCA EUFRASIA DE ASSIS (1818), JOAO BAPTISTA COELHO, (1822), EUGENIA MARIA DA CRUZ (1824) e ANTONIO RODRIGUES COELHO (1829).

     Antes que se prossiga, eh preciso esclarecer-se o fato de que existem, pelo menos, outras tres familias Coelho que compoem o pool genetico em Virginopolis. Um deles provem do casal Eusebio Nunes Coelho e Ana Pinto de Jesus. Este casal deve ter a idade semelhante aa do Jose Coelho de Magalhaes Filho mas, aparentemente, nao sao parentes muito proximos. Segundo o que foi escrito na biografia do bispo D. Manoel Nunes Coelho, o avo Eusebio era filho de Manuel Nunes Coelho.

     Indo por etapas, os avos Eusebio e Ana foram pais do Joaquim Nunes Coelho. Este casou-se com a Francisca Eufrasia de Assis (filha do Cap. Jose e Luiza) e foram pais de 10 filhos: Euzebio, Joaquim (Quinsoh), Jose, Emydio, Rita, Lino, Autino, Joao, Miguel e Luiza. Todos Nunes Coelho.

     Os Nunes Coelho procedem de Sao Domingos do Rio do Peixe, atual cidade de Dom Joaquim. Os outros filhos dos avos Eusebio e Ana foram: Cap. Francisco Nunes Coelho que se casou com Maria Augusta Cesarina de Carvalho (neta do avo Antonio Borges Monteiro Jr); Clemente Nunes Coelho; Bento e Antonio, cinco ao todo.

     O avo Clemente deve ter sido um tanto espoleta e invasor de sensala porque, provavelmente, no final da decada de vinte, ele se tornou pai da mulata MARIA HONORIA NUNES COELHO, que veio a se tornar a esposa do avo JOAO BAPTISTA COELHO.

     Nos anais da Historia de Virginopolis registra-se que o Joaquim Nunes Coelho e o Joao Baptista Coelho fazem parte do seleto grupo de primeiros moradores da cidade. Eh por causa do machismo que a tia Francisca e a avo Maria Honoria nao sao citadas, afinal, se eles ocuparam as primeiras casas construidas eh porque as mulheres os acompanhavam. (A que eu me lembre, outro primeiro morador de Virginopolis foi o sr. Felix Gomes de Brito e, me parece, ha uma quarta pessoa com a assinatura Ferreira).

     Os outros dois Coelho entram mais tarde em nossa Historia. Um eh o Coelho de Andrade que procede de Itabira, atraves do avo Joaquim Coelho de Andrade que, com a avo Joaquina Umbelina da Fonseca, eh o pai da Dindinha Ercila Coelho de Andrade, a esposa do bisavo Marcal de Magalhaes Barbalho.

     O quarto Coelho eh o Coelho Lacerda. Este eu ainda nao consegui decifrar a origem mas esta presente no sobrenome da Maria Salome (Salica), esposa do Cesario de Souza Coelho. E no nome do sr. Jose Coelho Lacerda (seo Yeyeh) que se casou com a Maria de Lourdes,  filha dos tios bisavos Emygdia Honoria/Amaro de Souza Silva e irma do do Cesario. A informacao que captei eh de esse Coelho ter procedencia em Itambe, nao sabendo qual deles.  

     Em Mariana, ex-capital do estado de Minas Gerais, formou-se outro casal. Vindo do Nordeste brasileiro para cursar o seminario estava o Policarpo Barbalho. Desistiu da batina ao conhecer a bela nativa do lugar: Genoveva (Vita) de Magalhaes. Casaram-se e tiveram cinco filhos em Itabira: pe. Emidio, que se tornou o segundo paroco de Guanhaes; Jose; Francisco Marcal; Lucinda e Manoel.

     O Francisco Marcal de Magalhaes Barbalho foi quem se casou, em Guanhaes, com a avo Eugenia Maria da Cruz e deram origem aos Magalhaes Barbalho do mundo. A tia Lucinda casou-se com o Manoel Geraldo Fernandes Madeira. (Nao sei ainda se ha ou nao um vinculo entre eles e os Madeira e Fernandes de Divinolandia de Minas).

     Com a familia criada, avo Policarpo ficou viuvo e retornou ao seminario. Ordenou-se padre e findou os dias dele como tal, no Inficcionado, atualmente eh o distrito de Mariana cujo nome eh Santa Rita Durao. Eh por isso que o padre Emidio falava: “Eu sou padre. Meu pai eh padre. Eu nao sou filho de padre. E sou padre mais velho que meu pai.”

     Antes de falarmos nas peripecias e prole dos patriarcas Joao Baptista e Antonio Rodrigues Coelho vou tecer alguns comentarios a respeito das familias da avo Eugenia Maria da Cruz e da tia Francisca Eufrasia de Assis. Notem que ambas eram irmas dos dois citados acima mas a elas nao foi dado o sobrenome Coelho.  Entao, a Eugenia Maria da Cruz (Coelho) casou-se com o Francisco Marcal de Magalhaes Barbalho e tiveram os filhos:

     1) Emidia de Magalhaes Barbalho, que se casou com o Jose Coelho Nunes. A fonte principal que estou usando eh o livro: “ARVORE GENEALOGICA DA FAMILIA COELHO”, da prima: Ivania Batista Coelho, editado em 1979. Se voltarmos aa lista de filhos da tia Francisca Eufrasia, veremos que ha la um Jose Nunes Coelho. Acredito que seja a mesma pessoa mas nao posso garantir. Em caso de nao ser, pode ser outro descendente do avo Eusebio Nunes Coelho, de forma semelhante.

     2) Petronilha (tia Pitu) de Magalhaes Barbalho, que se casou com o Joao Nunes Coelho. Outro da lista de filhos da tia Francisca.

     3) Pedro de Magalhaes Barbalho. Casou-se com a nossa tia: Antonia Honoria Coelho. Ela eh filha do Joao Baptista/Maria Honoria, portanto, eram primos em primeiro grau tambem.

     4) Marcal de Magalhaes Barbalho. Eh o marido da Dindinha Ercila Coelho de Andrade e o primeiro a escapar da situacao de casar-se com primo. Eh onde o Coelho de Andrade aparece em nossa Arvore.

     5) Quiteria de Magalhaes Barbalho. Casou-se com Joaquim Pacheco Moreira. Este era um casal que, aparentemente, tinha tudo para nao ter parentesco entre si. Contudo, entre os ancestrais da familia, em Portugal, existem tanto os que assinam Pacheco quanto Moreira.

     6) Candida (Sa Candinha) de Magalhaes Barbalho. Casou-se com o Joao (tio Joaozinho) Baptista Magalhaes. Seria outro estranho no ninho, por nao ser Coelho, mas o tio Joaozinho, como fazia questao de ser chamado, inclusive pelos netos, era filho da avo Sinh’Anna com uma pessoa nao identificada por nos ainda. Ja a avo Sinh’Anna era filha do Jose de Magalhaes Barbalho, filho do avo Policarpo e avo Vita. A mae dela tambem nao eh identificada, porem, sabemos que era de origem africana, porque a avo Sinh’Anna era mulata. Assim, o tio Joaozinho era primo em segundo grau da Sa Candinha e dos irmaos dela.

     7) Julia de Magalhaes Barbalho. A unica que ficou solteira.

     8) Ambrosina (tia Sinha) de Magalhaes Barbalho. Casou-se com Miguel Nunes Coelho. Este eh, confirmado, filho da tia Francisca/tio Joaquim. Tia Sinha e Miguel sao os pais do bispo D. Manoel Nunes Coelho.

     No livro da Ivania, ela cita dois exemplos de tres irmaos casados com tres irmaos em outra familia. Mas se os tres Nunes Coelho citados acima forem todos filhos da tia Francisca, sera mais um exemplo, o qual nao havia sido mencionado por ela.

     Apesar do esforco do avo Francisco Marcal em impor o Magalhaes Barbalho na descendencia deles, o sobrenome prosperou apenas entre a progenie masculina, ou seja, os filhos do bisavo Marcal e do tio Pedro. O numero de descendentes com a assinatura Nunes Coelho multiplicou-se em maior numero. Muitos dos que assinam Pacheco ou Magalhaes assim como os proprios Nunes Coelho, nas geracoes atuais, nem mesmo imaginam que tambem sao Magalhaes Barbalho.

     Ate ha pouco tempo eu nao sabia quanto aa origem do Ze Barbalho, o popular dono da venda na entrada da rua do Paqueta, em Virginopolis. (Paqueta eh apelido de rua tambem em Guanhaes, e foi onde se localizava a primeira casa, onde moraram os tios Joao Coelho de Magalhaes e Bebiana Lourenca de Araujo). Agora sei que ele descende dos tios Pedro e Antonia mas ainda nao sei dizer os nomes dos pais dele. A pista mais recente que tenho indica que ele seja filho da Maria Marcolina mas nao temos com quem ela se casou).

     Como a gente vera na sequencia, foram muitos os casamentos entre outros primos em todos os graus possiveis, em Virginopolis. Nem eh preciso gastar muito fosfato para imaginar o porque disso. A metade dos primeiros moradores era da familia e nao haviam muitas opcoes. Eh claro, haviam os servicais e suas familias, incluindo-se ai os ainda escravos, porem, estamos falando dos anos 1.800, quando o preconceito era encarado como algo natural e, ate, uma ordem divina supondo-se que Deus houvesse posto alguns no mundo para ser elite e outros para ser capacho.

     Outro motivo foi a longevidade de nossos ancestrais, o que lhes permitiu ter familias numerosas. Como eram muitos os frutos dos casamentos, associado aa falta de contato com pessoas de outras familias, era fatal que essas unioes acontecessem. Lembremo-nos que Guanhaes era a sede de municipio mais proxima. E o caminho entre Guanhaes e Virginopolis era ladeado por fazendas, coincidentemente, a maioria pertencendo aos membros da familia. Este eh o caso dos avos: Eugenia e Francisco Marcal. E a multiplicacao da familia chegou a tanto que ate nos dias de hoje, quando a facilidade de se deslocar para lugares diferentes eh imensamente maior, ainda estao acontecendo casamentos entre primos relativamente proximos. Muitos acontecem sem que os conjuges saibam o quao primos proximos sao.

     Resumindo, sabemos que foram quatro irmaos, do ramo Coelho de Magalhaes, que fizeram parte dos casais matripatriarcas da familia Coelho em Virginopolis. A mais velha dos quatro foi a tia Francisca Eufrasia de Assis (Coelho), que se casou com o Joaquim Nunes Coelho e deram a alcunha Nunes Coelho vinda do avo Eusebio aa prole.

     A terceira foi a avo Eugenia Maria da Cruz que se casou com o avo Francisco Marcal de Magalhaes Barbalho e deram origem aa familia “de Magalhaes Barbalho” dos patriarcas pe. Policarpo Barbalho e Genoveva (Vita) de Magalhaes. Ja no inicio, esta familia recebeu outros nomes como: Pacheco, somente Magalhaes e, mais que todos, Nunes Coelho.

     O segundo foi o Joao Baptista Coelho, que se casou com a Maria Honoria Nunes Coelho. Eles deram origem aos Batista Coelho, que conserva o Coelho e honram a apelido do santo.

     O quarto e ultimo eh o avo Antonio Rodrigues Coelho, que se casou com a Maria Marcolina do Amaral. Eles fundaram o cla Rodrigues Coelho e, devido ao avo Antonio ser um tanto mais novo que os outros tres irmaos e ter se casado, oficialmente, mais tarde, os filhos deles comparam em idade aos netos da tia Francisca, avo Eugenia e avo Joao. Os avos Antonio e Maria Marcolina criaram a familia em Guanhaes.

12. A FORMACAO DA FAMILIA COELHO EM VIRGINOPOLIS E ADAJACENCIAS – PARTE II OS BATISTAS COELHO I

     O segundo patriarca, em ordem de nascimento, eh o Joao Baptista Coelho que se casou com a avo Maria Honoria Nunes Coelho, neta dos avos Eusebio Nunes Coelho e Ana Pinto de Jesus. Ela era filha do Clemente, “o salta-cerca” com uma desconhecida. Talvez esta seja indigena, por causa da presenca de descendentes de pele morena e cabelos negros e lisos ja nas primeiras geracoes. E ai as coisas comecam a complicar mais ainda. Eles foram pais de doze criancas. Todas cresceram e se casaram. Sao estes:

     1) Joao Baptista Coelho Junior (1846). Este se casou com a Quiteria Rosa (Titi) do Amaral. Ela eh filha do Joaquim Pereira do Amaral e Maria Rosa dos Santos Carvalhais. A avo Titi era a primogenita do casal. O segundo foi o tio Ernesto que eh patriarca de muitos Pereira do Amaral e Coelho do Amaral em Virginopolis. Os filhos do Joao Jr e Titi comecam a nascer em 1872 e vao ate 1895.

     2) Maria Honoria Coelho. Casou-se com Jose Pereira da Silva. Nao temos dados da progenie do casal.

     3) Antonio Paulino Coelho. Casou-se com a prima em primeiro grau: Julia Salles Coelho. Depois voltaremos a falar a respeito dos dois. Ela era filha do trisavo Antonio Rodrigues Coelho com a francesa Ana Girou Bonefoi, em um relacionamento fora do casamento, porem, anterior ao casamento do trisavo Antonio com a Maria Marcolina Borges do Amaral.

     4) Sebastiana Honoria Coelho. Casou-se com o Joaquim (Quinsoh) Nunes Coelho que era primo primeiro dela e filho dos tios Francisca Eufrasia e Joaquim Nunes Coelho. Deles podemos adiantar que sao os pais da Sa America. Esta se casou com o Francisco Furtado Leite e que sao os pais da D. Culica, D. Mariinha, Manasses, Seo Minervino (casou-se com D. Zinah), Moises, Magno, Manoel e Margarida. 

     A tia Sebastiana e o Quinsoh sao pais tambem do Josephino Nunes Coelho que se casou com a D. Marta Madalena Coelho. Esta, conhecida popularmente como Sa Marta, deve ter sido uma mulher de muita fibra, talvez tenha ficado viuva cedo, porque os filhos que conhecemos receberam o nome da mae como referencia, tais como: Pedro e Dirceu da Sa Marta. Josefino, o Fino, eh neto do casal. (embora este seja conhecido como Fino do Dirceu, era sobrinho dele, e o do Dirceu eh referente a trabalhar na venda Sao Pedro, que pertenceu ao Dirceu.)

     Tenho que por este acrescimo porque somente um tempo depois de escrever este texto eh que descobri. Filhos do Josephino/Sa Marta contam tambem o sr. Jose Martinho Coelho/Maria Efigenia Coelho Magalhaes; a Dalila/Tinho (Ernesto Pereira do Amaral Filho, filho do tio Ernesto, irmao da Titi) pais do Fino, e a Evangelina que ficou solteira.

     Os outros filhos da tia Sebastiana foram:Maria, Lino, Paulo, Joao, Esther e Joaquim, dos quais nao tenho noticias da descendencia.

     5) Joaquim Bento Coelho ou ti Quim Bento. Casou-se com a Antonia Paschoalina (tia Cunuta) da Silva Neto. Sao ancestrais de uma prole extensa mas alguns se fizeram mais conhecidos em Virginopolis. O Joel da Silva Coelho, por exemplo, eh o pai da Antonia Coelho. Ela se casou com o prof. Jose Ferreira Jr., homem de muitos causos por ter sido diretor da CENEG (CENEC) e ter sido o orador oficial em todos os eventos importantes da epoca.

     Filho do Joel eh tambem o Elcio, que se casou com a prof. Maria Helena, filha do seo Chiquinho Campos e D. Helena, e neta dos tios Daniel e Nenem.

     Outro filho do ti Quim Bento eh o Joao Cancio. Este eh pai da dona Ilma, esposa do Rui, filho do Mario, tambem filho dos tios Daniel e Nenem. Outra filha do Joao Cancio eh a D. Iria, esposa do Carlos da Iria. O Carlos eh filho do Joaquim Bento Coelho Filho.
O Joaquim Bento Coelho Filho criou a familia em Sapucaia de Guanhaes mas alguns deles, alem do proprio Carlos, multiplicaram-se ou viveram em Virginopolis. Este eh o caso da D. Odila, a prof. D. Yolanda, a D. Lourdinha do Walter Lopes e o Alipio.

     Mais um filho do ti Quim Bento, o Antonio, casou-se dentro da familia, com a Alisa Coelho, que eh filha do tio Simao (filho do Joao Baptista Coelho Jr.) e da tia Carmelita (filha do avo Antonio Rodrigues Coelho). Antonio e Alisa sao pais da Euridice, esposa do Mauricio de Magalhaes Barbalho.

     6)Anna Honoria Coelho. Casou-se com Candido de Oliveira Freire e os filhos fizeram a festa na multiplicacao da familia em Virginopolis e, atualmente, no mundo. Nao sao muitos mas comecam com o Bernardino Coelho de Oliveira. Ele se casou com a Carmelita de Magalhaes Pacheco. Eles sao os pais da D.Efigenia que se casou com o Ze Martinho e sao pais da tia Adir, profa. D. Lulu, Ademar (Dede), Lourdinha, Aramis, pe. Absalao, Alonso, Diva, Alice, Athos e Alba.

     Dos filhos do Bernardino (Dino) e Carmelita (Sianita) que, alias, eh filha da tia Quiteria de Magalhaes Barbalho ficaram em minha memoria, mesmo que nao tenha conhecido, a Ina, por ter se casado com o primo em primeiro grau dela: seo Gabriel Coelho de Oliveira, e pelos filhos profa. d. Neide, profa. d. Neuza do Beijo, Edilberto, Olinto, Gezira, da profa. Elzira, da Maria e do Duarte. Seo Gabriel teve segundas nupcias com Virginia Nunes Soares, cujos filhos d. Ina e Geraldao criaram familia em Virginopolis. Os outros irmaos desse casamento sao: Ascanio, Teogenes, Edigarda, Rosangela, Lulude e Carlos.

     Dino e Sianita sao pais tambem do seo Serafim Coelho de Magalhaes, ex-prefeito de Virginopolis, que se casou com d. Julia (do Serafim), descendente da tia Emidia de Magalhaes Barbalho.

     Ja os tios Anna Honoria e Candido sao tambem pais da Celina, mas nao temos registros de prole dela. Outro filho deles, bastante conhecido pelo nome, eh o seo Fernando. Vou deixar para aborda-lo quando falar a respeito da tia Emygdia.

     Constam nesta lista tambem a Marina (tia Nenem), o seo Otavio Coelho e o Jose Candido. A tia Nenem sera lembrada quando voltarmos ao tio Daniel. O seo Otavio deixou uma prole razoavel, entre os quais contam-se: Jacira (irma Coelho) e Joao, filhos da primeira esposa: Francisca Nunes Coelho.

     Ele casou-se em segundas nupcias com Efigenia Gloria mas nao tiveram progenie. Da terceira nupcias, com a d. Luzia Nunes Coelho, nasceram: Laura, Ilza, Jacira, Ze Candido (Ze do seo Otavio) Iolanda, Lauro, Angelica e o Alberto (Beto do seo Otavio). 

     Do Ze Candido (tio) nasceu apenas a Zeze que se casou com o Adail Baptista Coelho. Este Ze Candido foi o primeiro casamento da Maria Marcolina, filha do ti Juca (Jose), filho do Antonio Rodrigues Coelho, nosso trisavo.

     7) Emygdia Honoria Coelho. Casou-se com o seo Amaro de Souza Silva. Muitos das atuais geracoes colocariam a descendencia deles no esquecimento, devido a pouca informacao recolhida que temos. Na edicao de 1979 do livro da Ivania registra-se apenas o filho Joao de Souza Coelho, casado com Genoveva Faustina de Figueiredo e os doze filhos.

     O fato eh que, este casal de nossos tios-bisavos criaram familia em Gonzaga, a apenas uns 30 quilometros de Virginopolis. Os antigos naturalmente conheciam os fatos mas com a limitacao do contato, nao tanto pela distancia ja que Valadares fica muito mais longe e sim porque nao tinhamos vinculos mais intimos para passar ferias em Gonzaga, para nao perdermos o contato com a parentalha. Contudo, agora ja posso afirmar que uma parte consideravel das populacoes de Gonzaga, Santa Efigenia de Minas e Divinolancia de Minas fazem parte da familia Coelho, por causa da ascendencia neles e no Jose (seo Juca) Coelho Sobrinho e tia Culina e outros. Quando chegar a hora explico isso melhor.

     Mas duas filhas da tia Emygdia deixaram descendencia em Virginopolis. Uma eh a Sa Luiza. Ai posso voltar ao seo Fernando, filho da tia Anna Honoria. Eles eram primos em primeiro grau. Para a sorte deles, eram filhos de irmas com maridos de familias diferentes da nossa. Eles sao os pais do seo Gabriel, ja mencionado antes; da Sa Virginia, que foi a esposa do Pedro da Sa Marta; da d. Chiquinha, segunda esposa do seo Elifas do tio Daniel e tia Nenem e do tio Miguel, casado com a tia Lia, filha do vovo Juca e neta do Ze Coelho (outro irmao das tias Anna e Emygdia). Constam ainda da lista de filhos da Sa Luiza e seo Fernando: Secundo, Juvenal, Jose, Vita, Rafael, Ana, Cira (adotiva) e perdao se estou esquecendo mais alguem porque agora estou usando apenas a memoria.

     A outra filha eh a Maria de Lourdes. Ela se casou com o Jose Coelho Lacerda (seo Yeyeh) e sao pais do seo Moises, seo Osvaldo Perpetuo, D. Zilda (esta criou familia em Santa Efigenia, ao lado do marido, sr. Paulo Almeida), Vital e mais uns dois que esqueci dos nomes. Seo Yeyeh teve segundas nupcias com uma segunda Maria que ainda nao sei informar procedente de qual familia ela eh. Desta nasceram mais uns seis filhos. Nao me lembro de todos, nem mesmo dos nomes proprios, mas sao: Touco, Dutra, Israel e Celeste.

     Ainda nao pude computar com certeza os nomes dos outros filhos dos tios Emygdia e Amaro. Mas parece que la temos Emidio, Gabriel, Martha e Jose. Eh possivel que haja tambem um Miguel. Contudo eh certo que contam entre eles o Cesario de Souza Coelho. Este casou-se com a Maria Salome (Salica) Coelho Lacerda. Alem destes serem os pais do seo Ze Perpetuo (ex-prefeito de Virginopolis e depois de Divinolandia), da Marta e Ascensao (tenho duvidas quanto ao Eller), sao os pais da Maria Helena Coelho Perpetuo. A Maria Helena eh a esposa do Raul, filho dos tios-avos Vita e Quinquim Soares. A tia Vita eh filha dos bisavos Marcal e Ercila. Depois revelarei um record em nossa familia relacionado aos filhos deles. (Em outro texto: Arvore Genealogica da Familia Coelho no sitio: Geneaminas.com.br eu ja esclareci os nomes que faltavam).

8)Antonia Honoria Coelho. Ela ja foi lembrada por ter se casado com o tio Pedro de Magalhaes Barbalho. No capitulo dos Barbalho voltarei aa prole deles.

9) Virginia Honoria Coelho. Casou-se com Antonio Candido de Oliveira. Nao temos muitas informacoes a respeito da familia desta tia Virginia. Varios filhos dela faleceram ainda na infancia mas entre os que escaparam esta a tia Maria Coelho de Oliveira. Esta foi a segunda esposa do tio Chico e falaremos depois da prole dela.

     10) Jose Baptista Coelho. Este eh o bisavo Ze Coelho. Casou-se em primeiras nupcias com a Maria Marcolina (Sa Quinha) Coelho e em segundas com a tia Virginia Marcolina Coelho. Elas sao irmas entre si e filhas dos trisavos Antonio Rodrigues Coelho e Maria Marcolina do Amaral, portanto, foram dois casamentos entre primos de primeiro grau.

     Nao sei dizer quem foram os atores do causo, se o Ze Coelho/Sa Quinha ou os pais dele: JBC/Maria Honoria mas, contava-se em torno das rodas de familia, que o marido chegou em casa meio nervoso, atrasado para o almoco, sentou-se aa mesa e se serviu. Ao experimentar a comida,e num rompante de “brabeza”, jogou a panela de feijao no assoalho da sala e o produto espirrou toda a dependencia da casa. A esposa, percebendo que nao era o momento ideal para peitar o marido, tomou a sabia decisao de recolher, em silencio, aquilo que havia caido no assoalho de madeira e nem tocou mais no assunto. Aa tarde, no jantar, serviu o marido com todo o respeito que a situacao demandava. Ao que logo foi retribuido com o elogio do marido: “Agora sim, este feijao esta divino.” Entao ela, singelamente, numa alusao ao assoalho da casa, comentou baixinho: “Eh, tudo com canela fica mais gostoso!…”

     A Sa Quinha eh a mae de: a) Jose Baptista Coelho Jr. (o vovo Juca), que se casou com a vovo Davina (Sa Candinha/tio Joaozinho) e sao pais de: Maria Marcolina/Abel Lima; Murillo/Adir; Fausto/ Glorinha; Lucio/Dayse; Maria das Merces (solteira); Maria Camila (faleceu); Longino (faleceu); Maria Martha (solteira); Maria Judith/Odon (mamae e papai); Logino(faleceu); Longino/Lucia; Maria Camila/Jorge; Maria Angela (Ju)/Taozinho; Maria Lia/Miguel; Jose Fabiano/Nancy; Maria Lucinda (solteira); e Maria Helena/Carlucio.

     O vovo Juca teve segundas nupcias com a avo Petrina Pereira Nunes que eh filha da sinha Gininha (Eugenia), filha da tia Emidia de Magalhaes Barbalho/Joao Coelho Nunes. Os filhos deste casamento sao: Davina/Jose Angelo Vilela; Maria Eugenia (Maro)/Alaor Fonseca; Maria Matilde (solteira); Eduardo Jose/Gloria Henrique (ha uma segunda esposa que ainda nao esta nos dados); e Cirano/Celina Miranda.

     b) Aquiles (So Ti) Batista Coelho, que se casou com a tia Dulce Pacheco de Magalhaes (tios Quiteria de Magalhaes Barbalho/Joaquim Pacheco), e sao pais de: Sebastiao 1o.; Sebastiao 2o; Geraldo e Carmelita que faleceram no nascimento. Vivas ficaram a Maria de Lourdes/Josue do Amaral e Carmem/Geraldo Gomes Viana. Eles passaram a morar em Belo Horizonte e a tia Dulce ficou bem conhecida em Virginopolis por receber os viajantes de la em sua pensao.

     c) Gamaliel (tio Gama) morreu solteiro.

     d) Armando Batista Coelho, que se casou com Maria das Dores (tia Nazinha) Aguiar. Foram os pais de: Maria Aguiar/Jose Rabello (Dr. Rabelinho); Oldemar/Wandercy (tia Odette/Zinho); Carmelita/Abel (o mesmo marido da Maria Marcolina do vovo Juca); Felix (solteiro); Zelita/Cesar Batista Coelho (filho dos tios Simao e Maria Carmelita) ; Jose/Eli; Terezinha (tia Te, solteira); Armando (Mandico)/Janeth; Nely/Joao Sergio (Serginho filho da Emidia/Joao da Cunha); Alirio/Rosa; Paulo/Renildes; Carlos/Maria Jose; Luiz/Terezinha Franca e Ivan (faleceu aos 23 anos).

     e) Maria Marcolina (ha dados apenas do nascimento dela)

     f) Ceci Marcolina. Esta casou-se com o tio Marcial de Magalhaes Barbalho e sera lembrada depois.

     A tia Virginia eh mae de:

     g) Darcy Baptista Coelho que voltou aas origens e casou-se com a portuguesa Anna Elvira (tia Biluca) Ferreira e sao os pais de: Jose Darcy/Conceicao Avelino; Maria das Dores (faleceu); Maria Rachel/Wilton ; Miguel Agostinho (faleceu); Maria Virginia (solteira); Maria Stael/Guido (filho do Ze Claro do tio Chico com a Julia da tia Quiteria de Magalhaes Barbalho); Maria Natalia/Harold(outro da tia Odette/Zinho); Maria Darcilia/Amilar(filho do Washington(Ostino) da Eva, filha da tia Emidia de Magalhaes Barbalho); Virgilio Maximo (Xuxu)/Neuza Barra; Antonio Carlos (Tonin)/Onete Aparecida; e Neuza/Ismar.

     h) Maria Josefina (tia Fina) Marcolina Coelho. Casou-se com o tio Levy Rodrigues Coelho, filho dos tios-bisavos: Daniel/tia Nenem, e serao lembrados mais tarde por isso.

     i) Amandina Marcolina Coelho foi irma de caridade.

     j)Bernardino Baptista Coelho. Casou-se com a tia Geralda, que eh filha da sinha Gininha, filha da tia Emidia de M. B. Tia Geralda eh irma da avo Petrina, segunda esposa do vovo Juca. Sao os pais de: Walter/Amira (irma do Amilar); Maria das Dores (Nana)/Antonio (Anastacio) F. de Pinho; Maria Mariza/Augusto Catao (filho da tia Olga (Marcal/Ercila)); Zelia Maria/Pedro (Horacio/Maria Marcolina); Evandro/Ana Lucia; Dalton/Sueli; Maria Amandina (solteira); Geraldo(Pagavela)/Maria de Fatima ; Glauco/Cristina Catto; Laudiceia/Antonio Eustaquio; Gerson(Juquinha)/Amira (neta dos tios Fina e Levy); e Jussara/Virgilio Cesar. 

     k) Noemi Marcolina Coelho. Foi a segunda esposa do tio Horacio Nunes Coelho que antes fora marido da Maria Marcolina, filha do ti Juca, filho do Antonio Rodrigues Coelho/Maria Marcolina. Os filhos foram:Maria Therezinha/Josadac; Maria Helena (solteira); Maria Celia (Ceinha)/Raimundo; Maria das Gracas (Gagaca)/Juscelino Rodrigues Coelho (filho do Mario, filho dos tios Daniel/Nenem).

     l) Joao (Joao Tomate) Batista Coelho (solteiro).

     m) Ines Marcolina Coelho (solteira)

     n) Tarcizo (Careca) Batista Coelho (Solteiro)

     o) Ruth Coelho Martins de Aguiar. Casou-se com Joel Martins de Aguiar e sao os pais de: Helena (solteira); Doralice/Joao Bretas; Virginia/Decio; Cicero/Maria de Fatima; Joel (Joelzinho)/Maura Furbino; Albina (Bininha)/Geraldo; Antonio Jose (Tony)/Vilma; Marina/Ricardo Luiz; Haroldo (estava solteiro); as gemeas Mariza (preta)/Rogerio e Marilda (Branca, estava solteira); e Ruth (Rutinha, que tambem estava solteira).

     Todas as filhas do bisavo Ze Coelho receberam o nome Marcolina Coelho em homenagem aa mae. Ja os filhos receberam o Baptista Coelho. O Baptista foi abreviado atualmente para Batista e nao era nome tradicional em nossa familia mas sim uma adocao, por causa do Joao Baptista Coelho, o patriarca que recebeu a alcunha em homenagem ao santo e o perpetuou em tres dos cinco filhos homens que teve. Nao se sabe o porque, porem, que o vovo Juca retirou o Baptista e passou a assinar apenas Jose Coelho Jr. Talvez seja pelo apego exagerado ao catolicismo.

     Existem outros exemplos na familia, de homens que ficaram viuvos e acabaram fazendo um segundo casamento com irmas das falecidas. Uma das explicacoes para o fato era a demanda dos orfaos por uma presenca feminina. Claro, as tias eram a primeira escolha. Depois, criava-se uma situacao de desconforto para os pais, ou seja, uma moca solteira dormindo na casa de um viuvo e tomando conta das criancas dele. Entao, para calar-se as mas-linguas, decidia-se pelo casamento. Alguns pais ja propunham a solucao, antes mesmo que o problema caisse nas bocas-miudas.Como os casamentos eram arranjados e o casamento era uma imposicao social e religiosa, como o ideal da mulher, esta era uma imposicao aceita pacificamente.

     11) Marcolina Honoria Coelho. Casou-se com Demetrio Coelho de Oliveira. Tiveram onze filhos e filhas. Nao tenho nenhum dado do destino deles por enquanto.

     12) Francisco Baptista Coelho, o famoso ti Chico. Conta-se que os avos Joao Baptista e Maria Honoria o deixaram orfao ainda novo. Como o mais velho, e ja com a familia adiantada, o Joao Baptista Coelho Jr acabou de cria-lo junto com as proprias criancas dele. Assim, ele nao teve nem mesmo que sair de casa para casar-se porque casou-se, em primeiras nupcias, com a primogenita do Joao Jr, a Maria Rosa (Mariquinhas) Coelho do Amaral.

     O casamento dos tios Mariquinhas e Chico criou possibilidades loucas. Eles tiveram cinco filhos, segundo o que consta no livro da Ivania. Sao eles:

     a) Joao Eulalio Coelho que se casou com a Amalia (Zica) Pereira do Amaral. A Zica era filha do tio Ernesto , irmao da trisavo Quiteria Rosa (Titi), a mae da tia Mariquinhas, portanto, eram primos em primeiro grau. Falta-me dados da descendencia deles. 

     b) Jose Claro Coelho. Casou-se com a Julia Coelho de Magalhaes que eh filha dos tios Quiteria de Magalhaes Barbalho e Joaquim Pacheco Moreira. Eh irma, entre outros, da tia Dulce/So Ti; Sianita/Dino e Maria Julia/tio Sao. E alguns filhos do Ze Claro/Julia voltaram a se casar dentro da familia. Sao os casos de: Abel Coelho/Maria do Socorro(tios Benjamim/Julia (Nhazinha) Amaral); Lucia/tio Longino; Guido/Stael; Adalberto/Cleuza Rezende e Joao Bosco/Celia Pires Coelho.

     c) Francisco (nao temos dados)

     d) Octavia Coelho do Amaral. Casou-se com outro filho do tio Ernesto que eh o Antonio Pereira do Amaral. Estes sao os pais do Geraldo/Zita; Jose/Francisca; Francisco/Maria da Conceicao; Maria da Gloria/Josefino Ramos; Maria do Socorro (solteira); Fabiano/Lucilia; Quiteria (solteira), David/Julia(Julinha); e Paulino/Maria das Dores. Estes sao alguns dos matripatriarcas da familia Pereira de Virginopolis.

     e) Amavel (solteiro)

     Mas o ti Chico nao parou ai. Ele se casou em segundas nupcias com a Maria Coelho de Oliveira, que era outra sobrinha dele. Desta vez eh filha da tia Virginia Honoria/Antonio Candido. A descendencia desse segundo casamento nao foi incluida no livro mas dele, pelo que eu sei, nasceram os conhecidos em Virginopolis, tio Antonio (dono da loja de tecidos), Seo Gil (dono da fazenda onde se localiza o trevo de Divinolandia) e o Benjamim (Beijo, o dono do bar que fabricava o melhor picole da cidade).

     O Bejo era aquele que se o cliente quizesse levar uma grande quantidades de picoles e os estoques dele estavam baixos, entao, ele so vendia a metade do estoque, ao inves de fabricar mais, para que os proximos clientes nao ficassem sem a parte deles. Ele se casou com a d. Neuza, professora e filha do seo Gabriel, neto ao mesmo tempo das tias Anna e Emygdia, as irmas do ti Chico. Assim, os filhos do casal, sao descendentes, alem dos tres irmaos, tambem da tia Virginia. Eles descendem simultaneamente de quatro dos filhos do Joao Coelho/Maria Honoria, um record para um periodo tao curto de tempo.

     O tio Antonio casou-se com a tia Laurinha. Esta eh filha da D. Isaura/Waldemar Leite, mais conhecido como seo Waldemar. D. Isaura era filha do primeiro casamento do seo Joao da Cunha, com a Evangelina (Eva) Nunes de Magalhaes. A Eva eh filha da tia Emidia de Magalhaes Barbalho/Jose Coelho Nunes.

     O seo Gil casou-se com a d. Cici (nao me lembro o nome real dela). Foram pais de doze membros da familia Batista Coelho em Virginopolis e a familia continua crescendo. Nao em relacao aos filhos mas netos. D. Cici eh irma de d. Aracy/Zezito Lucio e Iracy (Nunuca)/Nelson do tio Horacio/Maria Marcolina. Mais tarde voltarei a detalhes.

13. A FORMACAO DA FAMILIA COELHO EM VIRGINOPOLIS E ADJACENCIAS – PARTE III OS RODRIGUES COELHO

     Para dar sequencia a estes comentarios eh preciso fazer algumas observacoes. Lembremos as datas de nascimento dos quatro matripatriarcas Coelho de Magalhaes. A tia Francisca Eufrasia eh de 1818; O avo Joao Baptista Coelho de 1822; a avo Eugenia Maria da Cruz de 1824 e o avo Antonio Rodrigues Coelho de 1829. Com isso, o primeiro filho da tia Francisca, que sobreviveu, o Quinsoh, nasceu em 1842. O primeiro da avo Eugenia, a tia Emidia, deve ter nascido por volta de 1848.

     Aqui as coisas comecam a complicar. O Antonio Rodrigues Coelho nasceu alguns anos depois dos outros, sendo 11 anos mais novo que a tia Francisca e 5 que a vo Eugenia. Alem disso, ele sassaricou um tempo antes de estabelecer-se no campo dos homens ditos serios. Antes de se casar, em 1863, ele teve uma filha: tia Julia Salles, em 1858, com a francesa Anna Girou Bonefoi.

     Ja mencionei antes que a tia Julia casou-se com o tio Antonio Paulino, o terceiro filho do casal: Joao Baptista Coelho e Maria Honoria. Deles nasceu o seo Dimas Babptista Coelho que se casou com a Sinha (Maria Magdalena), filha do tio Altivo Rodrigues Coelho, que era meio-irmao da tia Julia. Dai nasceu a tia Zeze, que se casou com o tio Otacilio de Magalhaes Barbalho, que eh neto do Joao Rodrigues Coelho, outro meio-irmao da tia Julia, e neto do Joao Baptista Coelho Jr, que eh irmao do tio Antonio Paulino, o marido da tia Julia. Pois eh gente, eh complicado!…

     O avo Antonio Rodrigues Coelho teve outra filha fora do casamento, a tia Emidia Justiniana de Aguiar. Como nao temos datas, so sabemos que esta se casou com o Joaquim Leandro Pereira. Deve ter criado familia em Guanhaes, onde nasceu, mas nao tenho dado algum a respeito da prole.

     Apos ficar viuvo, da esposa oficial, o avo Antonio ainda fez a peripecia de casar-se com a sra. Virginia de Campos Nelson, mas nao tiveram filhos. Ela eh natural de Diamantina e faleceu no Rio de Janeiro.

     O melhor eu deixei por ultimo. Havia um casal, la em Sabinopolis, cujos nomes era: Daniel Pereira do Amaral e Maria Francelina Borges Monteiro que eram pais da bela primogenita: Maria Marcolina do Amaral. “Atencao para os sobrenomes!” Nao se sabe o que aconteceu mas ela teve um filho: Antonio Rodrigues Coelho Jr, em 4 de setembro de 1863 e o casamento do avo Antonio com a avo Maria Marcolina se deu em 28 de novembro do mesmo ano. Sera que o avo Daniel apontou o pistolao para o dito cujo?!… Certo eh que o casamento deu certo porque depois nasceram mais treze na familia.

     Nao se preocupem os carolas de plantao, esta discrepancia pode ser atribuida aa ausencia do paroco local. Por atender a uma extensa regiao, aas vezes, as “luas de mel” aconteciam antes das cerimonias matrimoniais, e isso nao era considerado nenhum escandalo quanto passou a serconsiderado no seculo XX.

     Bom, paralelo a isso, ja em Virginopolis (essa foi uma presuncao minha mas nao sei se eh la mesmo), estava outro casal. O marido era o Joaquim Pereira do Amaral. Temos ai um agente complicador no livro da Ivania porque, na pagina 225, mostra a esposa com o nome: Maria Rosa do Espirito Santo Carvalhais. Isso leva aa suspeita de que ela pudesse ter parentesco proximo com a avo Luiza Maria do Espirito Santo, a esposa do avo Jose Coelho de Magalhaes Filho, os pais dos quatro matripatriarcas em Virginopolis. Contudo, no mapa que acompanha o livro, o nome eh: Maria Rosa dos Santos Carvalhais. Torcamos para que essa opcao seja a correta, para diminuir um pouco a possibilidade de consanguinidade na familia.

     O certo eh que o casal Amaral-Carvalhais gerou a Quiteria Rosa (Titi) do Amaral. Esta eh a esposa do Joao Baptista Coelho Jr e se casaram em 1871, exatos oito anos, menos tres dias, depois do tio dele: Antonio Rodrigues Coelho (sem descontarmos o nascimento do primogenito: Antonio Jr.). A primeira filha do trisavo Joao Jr, a tia Mariquinhas, nasceu no mesmo ano que o sexto filho do trisavo Antonio, ou seja, o Joao Rodrigues Coelho. Assim, tio e sobrinho foram povoando Guanhaes e Virginopolis, cada um no seu ritmo. O avo Antonio e avo Maria Marcolina tendo um por ano e o avo Joao Jr e a avo Titi, um a cada dois anos. Nesta epoca, a tia Francisca, a avo Eugenia e o Joao Batista velho ja haviam fechado a fabrica de fazer criancas.

     Facamos, entao, a lista de filhos dos dois casais. Primeiro a dos avos Antonio e Maria Marcolina. Alias, para que nao se percam, eh preciso dizer, alguns nomes sao bastante repetitivos. Assim, o Maria Marcolina aparece na esposa do trisavo Antonio; na filha, esposa do Ze Coelho; na neta, filha do Jose (ti Juca) Rodrigues Coelho, e esposa do Ze Candido (1as nupcias) e do tio Horacio Nunes Coelho (2as nupcias dela e 1a. dele); na bisneta, filha dos avos Juca/Davina; e, tambem, numa sobrinha da Titi e filha do tio Ernesto, que se casou com o primo primeiro dela : Jose Coelho (seo Juca) Sobrinho, filho da Titi.

     Outro nome muito comum tambem eh o Virginia, que aparece na segunda (oficial) esposa do trisavo Antonio Rodrigues Coelho; na filha deste (2a. esposa do Ze Coelho); nas bisnetas, filhas dos tios Darcy e Ruth; na sobrinha, filha do Joao Baptista; em uma filha da tia Emygdia/seo Amaro e por ai segue. 

     Outros nomes que se confundem sao os comuns como o Joao, Antonio e, principalmente, o Jose, porque, alem de comum, geralmente resulta em apelido de Juca. Assim, temos o ti Juca, filho do avo Antonio/Maria Marcolina; o Juca Coelho, meu avo, filho do Ze Coelho mais velho; e o seu Juca, filho do Joao Jr/Titi. Mas vamos aa lista de nomes:

          A) FILHOS DA MARIA MARCOLINA DO AMARAL E ANTONIO RODRIGUES COELHO

1) Antonio Rodrigues Coelho Jr. Casou-se com Rita (Peixao) Ferreira Salles. Criaram familia no Serro. Os filhos foram: a)Consuelita (Lilita)/Dr. Joao de Freitas; b) Dr. Euler/Nair Barroca; c) Dr. Adail/Muciola Tavares d) Dr. Gerson/Maria Jose Franzem de Lima; e) Alayde/Dr. Petronio de Almeida; f) Dr. Joel/Eulalia (Inaiah) Silva; g) Dr. Alyrio/Maria Lecticia de Albuquerque Melo; h) Dr. Dion/Maria Silvia Vieira Gomes; i) Dr Ennio/Julieta (Juju) Fernandes Ribeiro; j) Geraldo-faleceu no nascimento. Os tio Antonio Jr. e Drs. Euler e Alyrio ocupam lugares na lista de serranos ilustres. A descendencia espalhou-se, primeiramente, por Belo Horizonte e Rio de Janeiro.

     2) Lindolpho Rodrigues Coelho. Casou-se com Marcolina (Marca) Nunes Coelho. Criaram familia em Guanhaes. Na lista de filhos contam com: a) Esdras/Maria Amelia; b) Eneas/Petrina (Zuzu) Pires; c) Euridyce (faleceu); d) Celuta/Assirio Pereira; e) Maria Marcolina (Lilia)/Aquiles Soares; f) Leonidas (faleceu); g) Ester (faleceu); h) Eunice/Laercio Lott; i)Mecenas/Hortencia Nunes Coelho; j) Aminthas/Maria Jose Coelho Leao; k) Alvaro/Henriqueta Coelho Brito; l) Ligia/ Mozart Pinto Coelho m) Hermancia/Sebastiao Caldeira.

     Obs. 1: Eneas e Zuzu foram pais do Ennio que, com a esposa Delphina Moreira sao os pais do Sebastiao Eneias Moreira Coelho que se casou com a Marcilia, filha do Silico, filho dos tios Cecy/Marcial.

     Obs. 2: Recentemente e apos ter divulgado este texto, vim a saber que o tio-bisavo Lindolpho teve uma relacao fora do casamento. Desta nasceu um filho que multiplicou a familia, contudo nao temos os dados ainda. Sei apenas que o Joaquim Candido da Silva, mentor do sitio: www.contraaviolencia.org eh um dos bons frutos e, gracas a Deus, nosso primo.

     3) Altivo Rodrigues Coelho. Casou-se com Vitalina (Nha Nha) Nunes Coelho. Criaram familia em Guanhaes. Como ja disse, eles sao os sogros do seo Dimas Baptista Coelho, o pai da tia Zeze do tio Otacilio. Alem da Maria Magdalena, o seo Dimas teve segundas nupcias com a Palmira. Tio Altivo e tia Nha Nha sao tambem pais do Hercy (Zinho) que se casou com a tia Odette de Magalhaes Barbalho. Sao tambem pais da d. Adalgisa, que se casou com o tio Anisio Rodrigues Coelho. Os outros filhos do casal foram: a) Cecil/Ephigenia Coelho Guimaraes (neta dos tios-bisavos Julia Salles/Antonio Paulino); b) Jacy/Angelina Ferreira da Silva; c) Addy/Weber da Silva Lopes. Eles ainda tiveram Palmira 1a.; Alcibiades; Jacy 1o. e Dalma que faleceram.

     4) Josephina Marcolina Coelho. Casou-se com Pio Nunes Coelho. Tambem criaram a familia em Guanhaes. Aqui se fecha um ciclo de tres irmaos casados com tres irmaos, dos casos que sao citados pela Ivania no livro dela. No “ARVORE GENEALOGICA DA FAMILIA COELHO” ela menciona que os irmaos Nunes Coelho sao filhos do Clemente Nunes Coelho e Anna Maria. Se se lembram, ha a mencao de Clemente Nunes Coelho na pagina 221, como pai de outros e tambem da Maria Honoria Nunes Coelho, a nossa trisavo, esposa do avo Joao Baptista Coelho. Nao ha citacao do nome da mae dos filhos do avo Clemente. Sabe-se apenas que nasceram antes de 1830.

     Em 1846, a Maria Honoria deu aa luz ao Joao Jr. No livro do prof. Demerval Pimenta ha a mencao da data de 1806 para o nascimento do avo Clemente. Eh, entao, razoavel supor que ele tenha tido uma primeira familia e, antes de completar 60 anos tenha comecado outra com a Anna Maria. Na relacao de descendentes dos avos Eusebio Nunes Coelho e Anna nao encontrei nenhum outro Clemente que tenha nascido, no maximo, nos primeiros anos da decada de 1840 para poder ser pai do tio Pio que nasceu em 1864 e das irmas dele que nasceram em 65 e 67. Depois voltarei a falar mais um pouco nesse assunto.

     A relacao de filhos dos tios Josephina e Pio foi esta: a) Aristides/Nair Barroso Guimaraes; b)Alzira/Ulisses Nunes Coelho; c)Ennes/Hilda Coelho Guimaraes; d) Aggeu/Elvira Ferreira Nunes; e) Ciro/Zulmira Nunes Coelho; f) Mozart/Palmira Ferreira da Silva; g) Edith (faleceu crianca); h) Zilda/Benedito Pereira da Silva; i) Darcy/Zilah Nunes Barroso; j) Jair/Maria Jose Pimenta; k) Lauro/Graciema Nunes Barroso; l) Jandira/Moacir Nunes Barroso; e m) Maria Marcolina Nunes Coelho (solteira).

     5 e 12) Maria Marcolina (Sa Quinha) e Virginia Marcolina Coelho. Casaram-se com o mesmo primo, o bisavo Jose (Ze Coelho) Baptista Coelho e comecaram a criar as familias nas imediacoes do distrito de Correntinho de Guanhaes. A maioria dos filhos se estabeleceu em Virginopolis, onde, ate hoje (2009) vivem os tios Joao e Ines. (Creio que quando escrevi isso a tia Ines havia falecido recentemente e eu nao o sabia. Encontrei com o tio Joao pela ultima vez em julho/2009 e ele faleceu em dezembro do mesmo ano. Poucos dias antes de completar 95 anos).

     Nao eh a mesma coisa mas aqui encontramos uma variavel de tres irmas casadas com tres irmaos. No caso, a meio-irma: Julia Salles casou-se com o Antonio Paulino e a Sa Quinha e a tia Virginia casaram-se com o irmao que valeu por dois. Eles ja estao comentados na lista de filhos dos avos Joao Baptista Coelho e Maria Honoria Nunes Coelho.

     6) Joao Rodrigues Coelho. Casou-se com a Dindinha Olimpia Coelho do Amaral que eh a terceira dos filhos do avos Joao Jr e Titi. Sao pais de uma grande familia: a) Zulmira/Trajano (Cista) de Magagalhaes Barbalho. Estes sao meus avos e eh por isso que tenho a liberdade de chamar de Dindinha a avo Zulmira. b) Elgita/Cantidio Ferreira da Silva; c) Sinval/Maria (Maricas) Magalhaes; d) Edith (solteira); e) Otaviano (Tavico)/Petrina Coelho de Oliveira; f) Nize/Jose (seo Cabral) Cabral Pires; g) Anisio/Adalgisa Coelho; h) Aracy (faleceu crianca); i) Omar/Ilca Nunes Coelho; j) Maria da Conceicao (1a.- faleceu crianca); k) Maria da Conceicao (2a. solteira); l) Antonio/Iracema de Carvalho Coelho;m) Geraldo (faleceu crianca); n) Joao Jr/Maria Paulina Veloso; o) Olimpia (Olimpinha) – (solteira); e p) Maria Jose (Zeze)/Otavio Coelho de Magalhaes. Aos homens deram o sobrenome Rodrigues Coelho e aas mulheres o Coelho do Amaral. Aqui podemos fazer uma distincao entre os Antonio Rodrigues Coelho. Temos o antigo, o filho, o neto, que eh o que esta presente na lista acima, e o Toninho Coelho (o bisneto).

     Mas o bisavo Joao Rodrigues, depois de alguns anos de viuvez e 70 de idade, casou-se uma segunda vez com a Melita da Penha Neto. Ela estava com apenas 18 anos quando aconteceu e em seis anos de casamento tiveram mais quatro filhos. Sao eles: q) Altivo(sobrinho)/Regina Lucia Rodrigues Coelho; r) Lindolpho (sobrinho)/Rachel Guimaraes; s) Maria Josefina (solteira); t) Luiza Angelina/Adair (Baba) Barbosa.

     Tres anos apos o falecimento do bisavo Joao Rodrigues, a bisavo substituta: Melita, casou-se com Antonio Nunes Coelho e produziram outra lista de descendentes, ou seja: a) Odilia Antonieta; b) Adelia Maria/Claudio Emanoel Ramos Braga; c) Celio Roberto; d) Arnaldo Jose; e) Ilsa Sonia; f) Paulo Antonio; g) Sara Maria; e h) Luiza Geralda. Como as duas ultimas nasceram em Felicina-MG imagino que este tenha sido o destino de toda a familia.

     Com isso, essa familia ficou presa por lacos de consanguinidade em 70 anos de nascimentos sendo a Dindinha Zulmira a primeira a nascer em 1893. Em teoria, a lista de filhos, inclusive do terceiro casamento, seriam nossos tio-avos. De certa forma, as mudancas ocorridas no mundo a partir dos anos 1960 tiveram o efeito benefico de expulsar grande parte da populacao virginopolitana para outras paragens. Ja que Virginopolis nao crescia nem atraia grandes contingentes de familias novas para nos misturarmos a elas, foi uma Providencia Divina termos de sair para misturar em outras paragens. Nao fosse isso, e permanecessemos por mais duas geracoes acumulando nossos descendentes la, nao encontrariamos palavras na lingua portuguesa para definir o grau de parentesco das criancas que nascessem na ultima geracao.

     7) Jose (ti Juca) Rodrigues Coelho. Casou-se com Maria (Mariquinhas) Pereira da Silva. Tiveram filhos em Guanhaes e Virginopolis. Assim, contribuiram para a complicacao genetica da familia Coelho em Virginopolis. Eles sao os pais de: a) Ozita (faleceu); b) Sady/Abila (Biloca) Patrocinio de Magalhaes; c)Maria Marcolina/Jose Candido de Oliveira (1as. nupcias) / Horacio Nunes Coelho (2as. nupcias); d)Jair/Lucilia Coelho do Amaral; e) Nilo (solteiro); f) Ely/Agostinha Campos.

     A situacao acontecida com o avo Joao Rodrigues e familia se repete na do ti Juca. A Maria Marcolina, filha dele, casou-se em primeiras nupcias como o Jose Candido de Oliveira. Ele eh filho tia Anna Honoria. Eles tiveram apenas a Maria Jose, a Zeze como varias outras foram apelidadas. A Zeze depois casou-se com o Adail Batista Coelho que ja era primo primeiro da mae e primo segundo do pai dela, por ser filho da tia Carmelita (irma do ti Juca) e do tio Simao (sobrinho da tia Anna e filho do trisavo Joao Jr.). A Zeze eh conhecida pelas palavras: “Esta familia eh tao complicada que eu tenho irmaos que nem irmaos meus sao.” Na edicao de 1979, do livro da Ivania, pag. 91, ha um engano ja que a Zeze e o Adail foram postos como irmaos. Na pag. 124 eles estao postos corretamente e na pag. 128 encontra-se a descendencia deles de entao.

     Os dizeres da Zeze tem fundamento porque, com o falecimento do pai dela, a mae casou uma segunda vez, com o tio Horacio Nunes Coelho. O tio Horacio vem do campo dos Barbalho Nunes. Ele eh filho do Pedro (Surdo) e Antonia (Sa Toninha) Nunes Lage que, alias, sao tambem pais da d. Zinah, esposa do seo Minervino Nunes Leite (filho da Sa America e neto do Quinsoh/tia Sebastiana). Ja o Pedro, pai do tio Horacio, eh filho da tia Emidia de Magalhaes Barbalho/Jose Coelho Nunes ou Nunes Coelho, se houver engano na impressao nas pags. 164/5 do livro.

     Aqui temos que abrir um pequeno paragrafo porque, se esse Jose for o filho dos tios Francisca Eufrasia e Joaquim Nunes Coelho (Eusebio/Anna), os filhos do tio Horacio seriam os primeiros a serem, simultaneamente, descendentes dos quatro irmaos da familia Coelho de Magalhaes, os matripatriarcas de Virginopolis: Francisca, Joao Baptista, Eugenia e Antonio.

     Certo eh que os filhos desse segundo casamento fizeram os proprios casamentos tipo arroz e feijao, ou seja, dentro da propria familia. O Nelson foi o unico que se casou um pouquinho fora, com a Iracy (Nunuca) Nunes de Andrade, porem, sei que ha alguma ligacao dela conosco, apenas nao sei dizer ainda qual. O Jose Maria casou-se com a Irene, filha da tia Fina (Ze Coelho/tia Virginia)/tio Levy (tio Daniel/tia Nenem). O tio Jorge casou-se com a tia Camila (avos Juca/Davina). A Natalia com o Geraldo (Ladico = tios Biloca/Sady). E o Pedro com a Zelia (tios Bernardino/Geralda).

     Finalmente, o porque da razao da Zeze. A mae dela faleceu e o tio Horacio teve o segundo matrimonio dele com a tia Noemi Marcolina Coelho (bisavo Ze Coelho/tia Virginia). Assim, os meninos da tia Noemi nao sao irmaos verdadeiros da Zeze mas sao da familia do meio que sao irmaos dela.

     Mas, voltando ao ti Juca e tia Mariquinhas, eles foram os pais do Ely Rodrigues Coelho que, com a d. Agostinha Campos, foi pai do Carlucio, Valquirio, Ernane, Paulinho e Humberto. Carlucio, para nao fugir aa regra, casou-se com a tia Maria Helena (vovo Juca/vovo Davina).

     Alem dos citados, os patriarcas foram pais da Ozita (faleceu crianca); do Jair (casou-se com a Lucilia Coelho do Amaral) e do ti Nilo. O ti Nilo ficou solteirao e famoso por distribuir lanca-perfume com os mais jovens, nos antigos carnavais, quando o produto ainda era legal.

     8)Luiza Marcolina Coelho. Casou-se com o Emidio Ferreira da Silva. Tiveram os filhos na cidade de Guanhaes. Nao encontrei descendentes da tia Luiza entre os nascidos em Virginopolis.

     9) Angelina Marcolina Coelho. Casou-se com Joao (Janja) Ferreira da Silva. Estes nossos tios-bisavos tambem nao contribuiram para o crescimento demografico em Virginopolis. Mas digno de nota eh o primogenito:Cantidio Ferreira da Silva por ter ido buscar em Virginopolis a esposa: tia Elgita Coelho do Amaral (bisavos Joao Rodrigues/Dindinha Olimpia). Contudo, ja fizeram parte da leva de migrantes que constituiram familia em Virginopolis, Guanhaes e se mudaram para Governador Valadares.

     10) Benjamim (1o.) Rodrigues Coelho. Faleceu com apenas 3 anos.

     11) Daniel Rodrigues Coelho. Casou-se com a Marina (tia Nenem) Coelho de Oliveira. Ela eh do campo dos Baptista Coelho/Oliveira e filha da tia Anna Honoria (Joao Coelho/Maria Honoria). Formaram uma das familias mais prolificas e consanguineas em Virginopolis. Tiveram 19 filhos ao todo. Tres: Cicero, Simao e Daniel, faleceram na infancia. Tres: Geralda, Olga e Elza ficaram solteiras. Os casados foram:

     a) Jose Rodrigues Coelho Sobrinho. Casou-se duas vezes. Com Francisca Nunes Leite e Ida Nunes Coelho.Do primeiro casamento sobreviveram Maria do Socorro, Cesar, Maria Jose e Salvio. Nao houve filhos no segundo.

     b) Elifas Rodrigues Coelho. Teve tambem dois casamentos.O primeiro com Sebastiana Nunes Leite e os filhos foram:Nelson, prof. Solange, prof. Celso, Daniel, Otavio e Sebastiana.Do segundo ja mencionado, com Francisca (d. Chiquinha) Coelho de Oliveira (seo Fernando/sa Luiza), vieram Antonio e Fernando.

     c) Levy Rodrigues Coelho. Casou com Josephina (tia Fina) Marcolina Coelho(bisavo Ze Coelho/tia Virginia). Sao os pai de: Irene/Jose Maria (tios Horacio/Maria Marcolina); Cicero/Cremilda Borges Perpetuo; Salvio e Olavio (falecidos); Alvaro/Maria da Conceicao Perpetuo; Anna (solteira); Maria Eulalia (Lalinha)/Nazar Mohammed Hachicho; Ennio/Marina Coelho Serra; Evaldo/fugiu-me o nome da esposa dele; Irineu e Vilma (falecidos enquanto criancas).

     d) Mario Rodrigues Coelho. Casou-se com a Otavia Nunes Leite. Observacao : Nao temos no livro um acompanhamento dos Nunes Leite que tanto aparecem em nossa genealogia. Sei que a maioria esta ligada aa descendencia da Sa America/Francisco Furtado Leite e tambem da dona Isaura/Waldemar Leite. A Sa America eh filha dos tios Sebastiana/Quinsoh e dona Isaura vem do campo dos Barbalho, eh neta da tia Emidia e primogenita da Evangelina (Eva)/Joao da Cunha.

     Mario e Otavia tiveram uma familia extensa. ela foi: Alipio (1o); Alipio; Maria Jose (faleceu); Rui Rodrigues Coelho (ja comentado por ter se casado com d. Ilma, neta do ti Quim Bento); Fabiola; Josafa; Everardes Rodrigues Coelho (teve duas familias em Virginopolis: com a Madalena Goncalves e outra com a Marcia Nunes Coelho. Marcia, a atual prefeita de Virginopolis eleita por duas vezes consecutivas, eh filha do Cassio Nunes Coelho/d. Lulu. O Cassio eh filho do Gabriel/d. Blandina. O Gabriel (Gabi) eh filho da tia Petronilha (Pitu) de Magalhaes Barbalho/Joao Nunes Coelho. Se este Joao for o filho da tia Francisca Eufrasia, este sera mais um caso de progenie simultanea dos quatro matripatriarcas Coelho de Magalhaes em Virginopolis); Marina; Maria Ester; Luis Carlos; Araci; Terezinha; Juscelino Rodrigues Coelho/Maria das Gracas(Gagaca) tios Noemi/Horacio; Nivea e Mario Roberto.

     f) Helena Coelho de Oliveira . Casou-se com Francisco (seo Chiquinho) Campos. Tiveram a familia em Virginopolis e os filhos sao: prof. Maria Bernardete/Geraldo Pereira Pinto;Maria Celeste/Jose Lara; Stella; Jose Augusto (falecido crianca); Jose Angelo/Celeste (Serafim/d. Julia); Maria Helena/ja foi lembrada por ter se casado com o Elcio do Joel do ti Quim Bento); Jacira/prof. Abelar; Ondina/Tica e Francisquinho/Bernardete.

     g)Xisto (Xistinho) Rodrigues Coelho.Casou-se com Evardina (Bela) Ferreira de Carvalho.Tiveram familia em Belo Horizonte.

     h) Cyro Rodrigues Coelho. Casou-se em primeiras nupcias com Maria de Lourdes Lamounier Pereira e em segundas com Iris Silva. Teve com a Maria: Jose Daniel, Maria do Carmo e Marina Angela. O Jose Daniel depois se casou em segundas nupcias com Gilda Maria Coelho, filha do seo Gil/d.Cici. Seo Gil eh filho do segundo casamento do Ti Chico Baptista Coelho/tia Maria.

     i) Cir Rodrigues Coelho. Casou-se com Laura (Lolo) Coelho Magalhaes. Criaram familia em Governador Valadares. A Lolo eh filha da tia Maricas/tio Sinval, ambos meus tio-avos. Ela eh irma da avo Davina e ele da Dindinha Zulmira.

     j) Aracy Coelho de Oliveira. Casou-se com o Adams (Yozinho) Costa Serra. O yozinho teve segundas nupcias com a Hortencia (Tuca), filha dos tio-avos Cecy/Marcial. Os filhos da Aracy sao: Lupciano (Lulu) Daniel Coelho Serra que casou-se com a Odercy (tios Odette/Zinho); Adams Jose que se casou com Carmelita (d.Julia/seo Serafim); Marina Coelho Serra, casou com o Ennio (tia Fina/tio Levy); e Adson Vital (Nenzinho Barrigudo) que se casou com a Ilca Borges Perpetuo.

     k) Dimas Rodrigues Coelho. Casou com Maria Aparecida (Cidinha) de Magalhae Barbalho (tios-avos Marcial/Cecy). A familia foi criada em Virginopolis(exceto por um lapso de tempo em Sardoa) e tiveram os filhos: Helvecio, Eduardo, gemeos Wilson e Willer, Maria do Rosario, Norma, Rubens (Rubinho) e Margareth (Gaeth) ja nao vivem mais em Virginopolis. Ou eh o que eu penso.

     l) Geraldo Rodrigues Coelho. Casou-se com Ligia Coelho, filha dos tios-avos Biloca/Sady. Uma parte da familia nasceu em Virginopolis e os mais novos ja em Governador Valadares, para onde se mudaram. Os que sobreviveram aa idade adulta sao: Emilson, Sonia, Sandra, Beatriz, Marize, Marcio, Delza, Celina, Roberto (Beto), Evandro e Leonardo.

     m) David Rodrigues Coelho. Para dar um refresco, este casou-se, fora da familia, com Maria da Penha dos Santos. A familia eh inteira de Virginopolis. Os filhos sao: Danilo, Antonio Carlos (Tonin), Vania, Dulcineia, Eline, Maysa, Luiz Daniel, Carla e Giselle.

     Tenho noticias de que o Emilson do Geraldo e o Danilo do David criaram a familia em Ipatinga. Como nasceram em Virginopolis e mesmo depois que o Emilson havia mudado para Valadares, ele continuou voltando aa terra natal para as visitas aos avos, entao nao perderam o contato entre si. Em Ipatinga trabalhavam na mesma companhia e la se encontravam. Contudo as familias nao tinham contato. Em um caso em que os filhos foram apresentar os namorados, descobriram que os pais eram eles proprios. Para a sorte dos filhos que possam nascer do recente casamento ha ate ao filho do Danilo duas maes e, ate aa filha do Emilson, outra fora da familia.

     13) Benjamim Rodrigues Coelho. Casou-se com Julia (Nhazinha) Coelho do Amaral.Agora estou retornando aos filhos dos trisavos Antonio e Maria Marcolina.Tia Nhazinha eh filha dos trisavos Joao Baptista Coelho Jr/Titi. Tio Benjamim deve ser lembrado como o intelectual que, mesmo ainda em Virginopolis, desde o tempo em que nem energia eletrica existia na cidade, sentado aa porta da loja de tecidos que possuia, abordava a todas as criancas que passavam e as aconselhava a estudar. Ideia muito revolucionaria para a epoca. Ja os rastros da familia dele estao meio apagadas em Virginopolis, exceto pela biblioteca que leva o nome dele. Havia me esque

     Tio Benjamim e tia Nhazinha foram pais de: a)Julita/Gastao de Magalhaes (Sa Candinha/tio Joaozinho; b) Sylvio/Maria Angelina de Oliveira (1as. nupcias) e Maria da Conceicao Campos (2as. nupcias); c) Lucilia/Jair Rodrigues Coelho (ti Juca/tia Mariquinhas); d) Dinah (irma Filomena); e) Mucio/Meiga Alvarenga Valadares; f) Nayde (falecida); g) Alaide/Jose Cantidio Ferreira (tios Elgita/Cantidio Ferreira); h) Graciola/Geraldo de Oliveira Braga; i) Dacio/Ester (Telinha) Rodrigues Coelho; j) Muciola/Horacio Silva; k) Fabio/Hercilia Guerra; e l) Maria do Socorro/Abel Coelho (Jose Claro/Julia Coelho de Magalhaes).

     O marido da Julita, Gastao de Magalhaes eh irmao da avo Davina, tia Maricas e outros.

     A segunda filha do seo Sylvio, que teve com a Maria Angelina de Oliveira eh a tia Iva que eh a esposa do tio Otto (Sinho) de Magalhaes Barbalho (ambos recentemente falecidos). Eles tiveram filhos em Virginopolis, antes de se mudarem para Valadares, ainda nos anos de 1960. Uma filha deles, a Ivanira, casou-se com o Geraldo (ti Caco/d. Conceicao). D. Conceicao eh filha da Efigenia (Gininha)/Gabriel(Gabi)Sebastiao Soares. A Gininha eh filha do Durval/Maria. O Durval eh filho da tia Emidia de Magalhaes Barbalho/Jose Coelho Nunes.

     A Maria Angelina de Oliveira tem como irmaos, em Virginopolis, a) D. Enoi, esposa do Euler (De), filho do tio-avo Onesimo; b) Maria da Dores, esposa do Ze Passos (Ze do Midinho); c) Antonio Lucio que se casou em 1as. nupcias com a Cira e 2as. com a d. Diva, ambas filhas dos duplo tios bisavos Carmelita/Simao e, por fim, d) Zeze Lucio/Sa Ritinha, pais da d. Lourdinha/Silico (tios Ceci/Marcial); Terezinha/tio Oldack (Zulmira/Cista); e da Cira Lucio/Alipio (Ze Claro/Julia), somente para nao esquecermos, o Ze Claro eh filho do ti Chico/Mariquinhas e a Julia da tia Quiteria de Magalhaes Barbalho/Joaquim Pacheco Moreira).

     Lembro-me da Graciola, esposa do Braga, morando ainda em Virginopolis, ainda na decada de 1960, no segundo andar da loja do seo Antonio Lucio. Era quase em frente aa casa de meus pais. A Nivia, filha do casal, casou-se com o Lauro, filho do seo Otavio(tia Anna Honoria/Candido) com a d. Luzia (d. Blandina/Gabriel, filho do Durval da tia Emidia de Magalhaes Barbalho).

     14) Maria Carmelita Coelho. Casou-se com o tambem tio-bisavo: Simao Baptista Coelho. Eles fecham mais um ciclo de tres irmaos casados com tres irmaos. Os outros sao os tios Benjamim/Nhazinha e Joao Rodrigues/Dindinha Olimpia.

Esta deve ser uma das familias de casamentos mais feijao com arroz da grande familia. Foram comentados o da Alisa/Antonio do ti Quim Bento; Cira e d. Diva, ambas com seo Antonio Lucio e Adail e Zeze da Maria Marcolina/Ze Candido. Tirando estes, tem o Emilio que faleceu jovem e nao se casou e a Glorinha que se casou com o Emilio Coelho Lott (Que tambem eh nosso primo, dos Coelho Lott de Guanhaes).

     Entao, aparecem o tio Eurico que se casou com a tia Odila (Zulmira/Cista). A confusao aqui eh a esperada. A Dindinha Zulmira eh filha do Joao Rodrigues/Dindinha Olimpia, ou seja, no dito popular, prima-irma do tio Eurico. Ao ver das ciencias geneticas, irmaos entre si mesmos porque compartilham dos mesmos 50% de carga genetica esperados para os irmaos completos (filhos de mesmos pai e mae). Assim, a tia Odila nao sabia mas casou-se com o “tio” dela propria. Para agravo dos pecados, ela eh filha tambem do vovo Cista (Trajano de Magalhaes Barbalho), primo em quarto grau da Dindinha Zulmira, o que ja seria uma margem boa de seguranca nao fosse a consanguinidade do lado Rodrigues/Amaral. Certo eh que tudo acaba bem quando termina bem. Os filhos dos tios Odila e Eurico nasceram normais, para os padroes virginopolitanos. Eles sao os pais de: Eonio, Elda, Clelia, Gleuza, Sandra, Ivania (a autora da nossa genealogia, edicao de 1979), Nelio (faleceu aos dezoito anos), Geila, Caio e Trajano.

     Sobraram dois: O Cesar, que se casou com a Zelita do tio Armando Baptista Coelho, filho do Ze Coelho, o irmao do Joao Baptista Coelho Jr, o pai do tio Simao. O tio Armando eh tambem filho da Sa Quinha, irma da tia Carmelita.

     E, a mais nova, a Cremilda, que se casou com o Dr. Helio de Magalhaes Barbalho. Ele eh filho do tio Onesimo (Marcal/Ercila). O bisavo Marcal eh filho da Eugenia Maria da Cruz, a irma tanto do Antonio Rodrigues Coelho, pai da tia Carmelita, quanto do Joao Baptista Coelho, avo do tio Simao.

14. A FORMACAO DA FAMILIA COELHO EM VIRGINOPOLIS E ADJACENCIAS – PARTE IV OS BAPTISTA COELHO II

     Como ja foi adiantado, resta-nos falar um pouco a respeito da familia dos trisavos Joao Baptista Coelho Junior e Quiteria Rosa (Titi) do Amaral. Tenho menos a acrescentar agora que ja dei uma geral em mais da metade da Grande Familia e nao gostaria de repetir demais.

     Assim, como ja foi dito, o Joao Baptista Coelho Jr. eh o filho mais velho do Joao Baptista Coelho e Maria Honoria Nunes Coelho. Para nao perder o ato, ela era conhecida como “a Cabrita do Joao Coelho”. Uma mencao suspeitosamente preconceituosa por ela ser mestica, provavelmente, afro-europeia (podendo ser tambem nativo brasileira/europeia). A verdade eh que, quando o J. B. C. e a trisavo Maria Honoria tiveram o ultimo filho em 1867, que eh o ti Chico, o J. B. C. Jr e a avo Titi estavam ha apenas cinco anos de terem a primogenita: Maria Rosa (Mariquinhas) Coelho do Amaral.E essas criancas nao perderam tempo em tambem formar o primeiro casal da proxima geracao. Mas eles ja estao registrados na porcao desses comentarios que coube aa familia do trisavo J. B. C.

A segunda filha do casal, tia Amelia Rosa do Amaral, viveu de 1874 ate 1943 mas nao se casou.

Contemos, entao, a partir da terceira que eh a Dindinha Olimpia Coelho do Amaral. Casou-se com o primo em segundo grau: Joao Rodrigues Coelho, como ja foi comentado. Este casamento marca o inicio da sociedade familiar J. B. C. Jr/Antonio Rodrigues Coelho. Eram sobrinho e tio. Pais e sogros de tres filhos de cada. Provavelmente, devem ter sido tambem compadres. O periodo em que os dois tiveram filhos ao mesmo tempo se extende de 1872 ate 1886. Neste tempo, Antonio Rodrigues/Maria Marcolina tiveram nove filhos e o J. B. C. Jr/Titi tiveram sete. A vida reprodutiva do avo J. B. C. Jr se extendeu por nove anos a mais, nos quais teve mais quatro filhos. Porem, o avo Antonio era dezessete anos mais velho. Ambos sao trisavos dos da casa de meus pais.

     Alias, este eh um agravante de consanguinidade que temos la em casa, tambem porque a Maria Honoria/J. B. C. sao nossos trisavos por causa de serem pais do Ze Coelho, nosso bisavo materno. O casal eh nosso tetravo paterno por causa do Joao Jr/Titi. Para complicar mais ainda, a Dindinha Olimpia casou-se com o Joao Rodrigues (formando um dos casais de bisavos paternos) que eh irmao da Sa Quinha, a primeira esposa do bisavo Ze Coelho. (Ele casou-se em segundas nupcias com a tia Virginia, irma de ambos). Assim, o vovo Juca (filho do Ze Coelho/Sa Quinha) era sobrinho do Joao Rodrigues e primo em primeiro grau da Dindinha Olimpia. Neste caso, a Dindinha Zulmira (filha do Joao Rodrigues/Dindinha Olimpia) era prima, simultaneamente, em primeiro e segundo graus do vovo Juca. E isto nao eh nem metade do parentesco entre papai e mamae.

     Vou buscar entrar menos em detalhes a respeito da descendencia desse ponto para frente. Esta ficando um tanto cansativo para mim, datilografar tudo, como se esse ja fosse um livro definitivo e nao o rascunho para um. O objetivo era citar os nomes ate aas pessoas que ainda estao frescas nas memorias dos descendentes delas e, a partir disso, mostrar os caminhos que identificam os graus de parentesco que temos uns com os outros. Mesmo para quem eh da familia, fica dificil identificar essas coisas atraves do livro de genealogia porque o numero de pessoas presentes nele eh muito grande para se ter todos na memoria ao mesmo tempo, a menos que sejamos: “filhos do Dr. Odon!” (Essa era uma expressao bastante usada em Virginopolis, ou seja, se tinhamos algum destaque na escola, ou se manifestassemos algum rasgo de inteligencia, era reconhecido por sermos filhos do nosso pai. Na verdade, as pessoas tinham menos conhecimento com a mamae, cujo ramo familiar eh igualmente inteligente).

     4) Joao Baptista Coelho Neto. Casou-se com a Lucinda Xavier Andrade. A respeito desses nossos tios-bisavos temos dados muito limitados. O que o livro da Ivania nos informa eh que eles estabeleceram os nossos vinculos com a cidade de Coroaci e, pelo visto, la deve estar repleto de Coelho Xavier de Andrade, mesmo que assinem outros sobrenomes. Curioso eh o Joao Neto ter mantido o Neto nos filhos como sobrenome. Assim, o Joao Coelho Neto eh, na verdade, bisneto do J. B. C./Maria Honoria.

     Dos filhos do casal Joao Neto/Lucinda, temos dois que, a principio, trazem informacoes mais relevantes para esse nosso resumo. O terceiro eh o Jose Coelho Neto, o Ze Neto, que com a Maria Lino de Souza foram pais de varios contemporaneos nossos em Virginopolis. O Ze Neto foi oficial de justica na Comarca e conhecido por todos, juntamente com a familia. Em setembro de 2010 tive a oportunidade de encontrar-me e falar com ele rapidamente em Virginopolis. Ele forneceu-me algumas pequenas notas genealogicas da familia, os quais anotei no sitio: www.geneaminas.com.br.

     Quanto ao Altino, que se casou com a Maria de Lourdes, nascida em Coroaci, deve ter sido o primeiro avo dos Coelho a ter netos estadunidenses.O filho deles, Adail, casou-se com Neuza Kinzo, do Parana, e tiveram Paula e Alexandre aqui nos EEUU. Nao constam cidade ou estado nos quais nasceram as criancas. Mas o casamento em 1970 faz presumir as datas de nascimentos em torno disso. Ja se passaram praticamente quarenta anos.

     Voltando aos filhos do Joao Jr/Titi, chegamos ao numero 5, Simao Baptista, e 6,Julia (Nhazinha) Coelho do Amaral que ja sao casos tratados por terem se casado com os duplo tios-bisavos: Maria Carmelita e Benjamim.

     7) Jose Coelho Sobrinho que, para ser diferenciado dos outros Juca Coelho na familia tinha seo como apelido.Ele casou-se com a Maria Marcolina (Culina) Pereira do Amaral. A tia Culina eh prima em primeiro grau dele, por ser filha do tio Ernesto, um dos irmaos da avo Titi. Eles criaram a familia em Gonzaga, numa fazenda que ficava na beira da estrada que ia para Valadares. A estrada deixou de passar na porta da casa por causa das retificacoes que ela sofreu mais recentemente. Para os que conhecam a area, fica proxima dos Barbalho, uma comunidade de Gonzaga cujos assinantes da nosso alcunha sao afro-brasileiros.

     Um causo separado a respeito dessa comunidade eh que se se quizesse irritar os Barbalho antigos de Virginopolis era apenas mencionar que ali era o ponto de parada das tropas e que os Barbalho de Gonzaga eram fruto da uniao de alguem da nossa familia com a matriarca dos de la. Eles logo apelavam e afirmavam que nao. Argumentavam que eram escravos libertos e que tinham adotado o sobrenome dos antigos senhores. Nao se sabe se ha qualquer fundamento em qualquer das explicacoes mas esta de adocao do sobrenome eh pouco provavel, ja que os Barbalho do nosso ramo nao eram ricos para possuirem escravos, principalmente, depois das leis do Ventre Livre e do Sexagenario.

     Seguindo com o casal: seo Juca/tia Culina, eles moraram muito proximos do casal tios Amaro/Emygdia Honoria Coelho. Dai ser presumivel que hoje-em-dia tenham havido muitos casamentos entre as duas descendencias. Sabemos que as duas familias sao enormes e ha um maior numero de assinantes Souza, procedente do seo Amaro. Isto se explica tambem porque, dos treze filhos do seo Juca, nove foram mulheres.Portanto, eh mais dificil terem passado o sobrenome Coelho aa frente. Certo eh que, uma das filhas: Martha Coelho do Amaral, casou-se com um Jose de Souza. Nao tenho ainda como dizer que ele seja descendente da tia Emygdia/seo Amaro.

     Outra filha que nos chama a atencao eh a Sebastiana. Casou-se com o seo Heitor de Aquino. Eles tem grande descendencia em Divinolandia, dos quais conheco uns poucos. Das filhas, a que eu tenho mais noticias da descendencia eh a Ilidia. Casou-se com o seo Tarcisio de Oliveira Valadares. Eles sao pais de sete filhos e filhas. A Madalena e a Lourdinha criaram familia em Virginopolis, dai serem conhecidas. Tenho conhecido alguns netos delas aqui tambem.

     Talvez haja alguma ligacao entre o seo Tarcisio e a d. Meiga Alvarenga Valadares. Dona Meiga eh a esposa do Mucio, filho dos tios Benjamim/Nhazinha. Ela eh de Curvelo. Os dois nasceram nos dez primeiros anos dos 1.900. Um dos filhos do seo Tarcisio, que eh meu concunhado, nao se lembra o que mas recorda do pai dele falando algo a respeito de Curvelo e pensa que poderia ser o local de nascimento dele. Se for o caso, talvez sejam primos. Mas nao se pode afirmar nada porque Curvelo tambem era importante entreposto de tropas. Era o portao de entrada para os sertoes de Minas Gerais, tanto para o norte quanto para o oeste. E o seo Juca era tropeiro. Possivelmente, o seo Tarcisio acompanhava o sogro.

     Meu concunhado eh filho do segundo casamento do seo Tarcisio, com d. Maria de Lourdes de Jesus. Ela tem vinculos com a familia Lacerda.Mas o proprio filho nao sabe dizer como.Minha sogra tambem eh “de Jesus”. Ambas tem vinculos com Divinolandia. Assim, corremos o risco delas terem vinculos com a pentavo Anna Pinto de Jesus, a esposa do penta-hexa: Eusebio Nunes Coelho.

     No meio destas investigacoes encontrei noticias de mais um Juca Coelho. Desta vez em Sardoa. Ele deve estar na faixa dos 60 aos 80 anos. Possivelmente, um neto do Ze Coelho Sobrinho (seo Juca). Porem, isso eh apenas especulacao por enquanto.

     8) O oitavo filho do casal J. B. Jr/Titi eh o tio Evencio Baptista Coelho. Este tambem fez a opcao mais comum de casamento e casou-se com a tia Emidia (Miluca) Magalhaes. Esta vem do campo dos Coelho/Barbalho, ou seja, eh filha da Sa Candinha (Candida de Magalhaes Barbalho) com o “tio Joaozinho”, se nao se lembram, eh sobrinho-neto do trisavo Francisco Marcal de Magagalhaes Barbalho. A tia Miluca eh irma da vovo Davina, tias Maricas e Candida, tio Sao, tios Joao e Gastao ja citados anteriormente, alem de Eliezer (Sou Li) e Getulio.

     Dos filhos dos tios Evencio/Miluca, ha que se destacar a Maria que, em primeiro lugar, foi o 1o. matrimonio do sr. Ary Dias de Andrade. Maria e Seo Ary tiveram a familia em Virginopolis e sao os pais do pe. Arnaldo. Embora os outros nao tenham perdido os vinculos com Virginopolis, gracas aa longevidade do seo Ary, alguns fortaleceram estes lacos casando-se em familia mesmo.

     Este eh o caso do Almiro (Nene) que se casou com a Ivete dos tios Biloca/Ely; da Euridice (Mica), casou-se com o Alonso da d. Efigenia/seo Ze Martinho; do Joao Bosco que se casou com a Dilza (tios Zeze/Otacilio). Outros se casaram com pessoas de Virginopolis mesmo. Este eh o caso do Arizinho que se casou com a Fatima do seo Quincas/d. dos Reis (outra filha do casal entrou na familia Coelho casando-se com o Joao Bosco (Ostino/d. Lili), que eh a Mirna); e o Dr. Silvestre (Mininim) que se casou com a Nina (seo Raimundo Simao/d. Helena). Os outros sao o Silverio (Nono)/Nice Silva; Anibal/Liana Aparecida Chinaglia Breda; Silvino/Nivia (Nonoca) da Silva; Eunice (estava solteira); Silvio/Abigail Guedes; Jose Maria/Tania Regia Campos; Edelweiss (professora e estava solteira);
Jaeder/Dalva da Silva e a Maria das Gracas (Nininha e estava solteira).

     Com o falecimento da Maria, o seo Ary casou-se a segunda vez, porem, na mesma casa. A Honorata (Tinah) foi a tia escolhida para cuidar das criancas e, enquanto isso, tiveram tempo para aumentar a alegria da casa. Do segundo casamento nasceram: Flavio, Carla, Maria Regina, Zelia, Savio (Lelezo) e Marcia (Marcinha). Todos da primeira familia sao mais velhos que eu e da segunda sao mais novos. Pelas poucas informacoes que tenho, acredito que a Tinah ainda viva na cidade mas o seo Ary faleceu ha pouco tempo.

     Continuando com os filhos dos tios Evencio/Miluca, temos a Margarida que, salvo engano, tem o apelido de Di. Ela casou-se com o seo Joaozinho Ferreira e voltaram a morar em Virginopolis depois da aposentadoria. Ao que sei ele tambem eh falecido agora.

     O Henrique teve a familia em Governador Valadares mas a filha: Renildes, casou-se com o Paulo Aguiar Coelho (filho do tio Armando, filho dos bisavos Ze Coelho/Sa Quinha). Nao quero arriscar-me a identificar os outros. Agora so tenho certeza a respeito do Paulo que se casou com a Maria Geralda Coelho Neto. Ela eh descendente do J. B. C. Neto/Lucinda Xavier. Sao os pais da Celia Coelho Amaral (ex Celia Batista Coelho) que vim a conhecer aqui em Framingham.

     9) Mais um filho do J. B. C. Jr eh o Francisco (seo Chiquinho) Coelho Sobrinho, ou seja, sobrinho do ti Chico. Este se casou com a Maria Salome (d. Memeh) Campos. Ela era a poetisa da cidade antes mesmo de eu entrar para a escola. Em meus primeiros anos de vida eles moraram numa das casas que existiam em frente aa casa de meus pais. Via de regra, os moradores das imediacoes do centro da cidade eram todos nossos parentes, assim, no quarteirao em frente aa nossa casa, eram: Graciola/Braga; seo Chiquinho/d. Memeh; d. Isaura (ja viuva) e, a seguir, o Guido do tio Anisio construiu a casa na outro esquina. Mas voltando ao seo Chiquinho/d. Memeh, naquele tempo eu nao lhes prestava o respeito a tios-bisavos por nem mesmo imaginar que eles realmente fossem.

     Penso que a confusao era tao grande, quanto grande eh a familia, que ninguem me avisou isso. Uma memoria daquele tempo eh que eu herdei dele o apelido de seo Chiquinho.O motivo eh o de que: falavam que ele futucava as narinas com a ponta do dedo e eu fazia o mesmo. Eu tinha muita raiva do apelido mas nao atribuia culpa alguma ao tio-bisavo. Penso que era por causa de todas as pessoas da cidade, principalmente as criancas em torno da minha idade, saberem do pseudonimo e o usarem para provocar-me. Aas vezes recebiam a pedra 70, outras as pedras-de-doido como retruco. Para mim, hoje eh divertido lembrar essas velhas historias.

     Dos filhos dos tios Chiquinho/Memeh, a Maria da Conceicao foi o segundo casamento do Sylvio Rodrigues Coelho. Ele eh filho dos tios Benjamim/Nhazinha.

     10) Salathiel Baptista Coelho. Casou-se em Sao Joao Evangelista com Iracema Campos Goncalves. Tiveram quatro filhos: Jorge, Maria Jose, Elza e Anibal. Entre os filhos da Maria Jose nasceu a Marcia Ribeiro, que se casou com o tio dela, o Anibal. E a historia se repete. E o caso eh rescente, o casamento se deu em 1967.

     Acredito que o Jorge possa ser aquele que era conhecido pelo sobrenome Campos e nao Coelho. Nao posso dizer com nenhuma certeza a respeito disso, mas Jorge Campos eh nome do bemfeitor de Virginopolis por ter ajudado a levar o ginasio (escola que abrangia as grades de 5a. a 8a. series),  para nossa cidade. Ele estava envolvido com a CNEG (Campanha Nacional de Escolas Gratuitas) que mais tarde virou CENEC (da Comunidade).

     11) Amavel Baptista Coelho. Foi o filho mais novo do casal J. B. C. Jr/Titi. Nao se casou.

15. A FORMACAO DA FAMILIA COELHO EM VIRGINOPOLIS E ADJACENCIAS – PARTE V – OS MAGALHAES BARBALHO

     Nos capitulos gerais eu havia mencionado o inicio da familia comecada pela trisavo EUGENIA MARIA DA CRUZ (COELHO) e FRANCISCO MARCAL DE MAGALHAES BARBALHO mas nao havia entrado em detalhes na descendencia deles. Assim, segue a lista:

      I) Emidia de Magalhaes Barbalho. Casou-se com o Jose Coelho Nunes. Os filhos e os conjuges foram:
     a) Maria (Nhanha)/Francisco Pereira da Silva. Falta dados da descendencia.
     b) Pedro (Surdo) Nunes Coelho. Casou-se com Antonia (Sa Toninha) Nunes Lage. Penso ser deles que se conta que ela era considerada muito feia. Entao, de sacanagem, o povo se aproveitava da surdez do Pedro e da oportunidade de ele ter uma mula predileta e assim boliam com ele: “sua-mulehfeiaheim!?…” Ao que ele respondia, todo orgulhoso: “Eh feia mas eh boa de sela!…” Eles sao os pais, dentre outros, de: Emidia (segunda esposa do seo Joao da Cunha), tio Horacio, Lauro (o Pitimba)/Maria dos anjos Rabello e d. Zinah/Minervino Nunes Leite.
     c) Evangelina (Eva) Nunes de Magalhaes. Ela foi as primeiras nupcias do seo Joao da Cunha Menezes. Sao os pais da d. Isaura/Waldemar Leite; Saulo/Augusta; Washington (Ostino)/Ali (Lili) Vieira; Afonso/Ruth Nunes Coelho; Jaime/Zenoi Nunes Coelho e Jose/Afonsa. O seo Ze da Cunha eh aquele senhor de idade que cuidava dos jardins de Virginopolis nos nossos tempos de crianca.

     O segundo casamento do seo Joao da Cunha, com a Emidia (Pedro/Sa Toninha) foi mais prolifico, e produziu mais feijao com arroz, comecando com:1) tia Ilca/Omar Rodrigues Coelho.(Joao Rodrigues/Dindinha Olimpia) ( Vi num e-mail recente do Ubirajara do tio Odilon que eles completaram 65 anos de casados mas no livro encontrei a data de 2.10.1932, o que dao quase 77 e o tio Omar estaria com quase 101 de vida. Seja o que for parabens eh ate pouco para tao grande feito. Aqui houve um engano provavelmente meu. O falecido Ubirajara deve ter se referido aos tios avos: Otavio/Maria Jose (Zeze do Joao Rodrigues/Dindinha Olimpia)); 2) Ary/Maria Marques; 3) Adail (Dada)/Dejanira Campos (1as) e Salva Coelho de Magalhaes (Sianita/Dino-2as. nupcias); 4) Olavia (solteira) ; 5) Julia/Serafim (Sianita/Dino); 6) Eder (Betinho)/Cenira Campos; 7) Hilda (Zinha)/Sebastiao (Pinheiro) Pinheiro de Carvalho; 8) Savio (Fadico)/Hercy (Cici) de Magalhaes Barbalho (tios Ceci/Marcial); 9) Maria Jose (Zeze)/Jaime Rodrigues Coelho (Tios Biloca/Sady); e Joao Sergio (Serginho)/Nely Aguiar Coelho (tios Armando/Nazinha).

     d) Marcal (Nho Sazo) Coelho Nunes. Casou-se com a Lavinia (Sinha Lavia) de Magalhaes Barbalho (tios Pedro de MB/Antonia Honoria). Nao tenho dados do paradeiro da descendencia.
     e) Georgia (Sa Georgia). Casou-se com Jose Pacheco Moreira. Faltam maiores dados.
     f) Eugenia (Sinha Gininha) Nunes Coelho. Casou-se com Gabriel (seo Gabi) Pereira. Ela foi a parteira que deve ter trazido boa parte de nossos avos e pais ao mundo. Eles sao os pais da Maria (irma Eugenia); da tia Cecilia/Frederico Knipp; da tia Geralda/tio Bernardino (Ze Coelho/tia Virginia); da vovo Petrina/Juca Coelho (2as. nupcias); e da Margarida (tia Nem)/Jose (Zeca) Ferreira Nunes. (Estes foram os pais do frei Roberto, ja falecido).
g) Durval Nunes Coelho. Casou-se com a Maria da Cunha Menezes. Dos filhos, a Efigenia (Gininha) casou-se com o Gabriel (Seo Gabi) Sebastiao Soares. Eles sao os pais do Odilon, To, d.Dalva/Joaozinho Lacerda, da d. Conceicao/Jose (ti Caco) Lino, do Joao do Gabi e varios outros que estao me fugindo aa memoria agora. Coincidencia, a Sinha Gininha e o seo Gabi Pereira moravam numa casa de frente para a rua do Ginasio (ou avenida Rainha Juliana), no cruzamento com o Paqueta, no lado oposto, ja fora da cidade, moravam a Gininha/seo Gabi Soares, numa casa que fazia frente para a casa da tia dela.
     h) Maristela. Casou com Francisco (seo Chico) Pereira. Nao tenho dados genealogicos.
i) Diogenes (So Di). Casou com Maria (Sa Cota) Pereira. Tambem estao riscados no livro enao me recordo de alguma possivel descendencia.
j) Leia. (nada consta a respeito dela, provavelmente faleceu solteira).

     Nota) Se o Jose Coelho Nunes for o Jose Nunes Coelho, filho da tia Francisca Eufrasia e tio Joaquim Nunes Coelho, entao, o casal de tios Ilca/Omar produziu a familia que detem o record de ser a primeira a descender dos quatro matripatriarcas Coelho de Magalhaes de Virginopolis.

     II) Petronilha (tia Pitu) de Magalhaes Barbalho. Casou-se com Joao Nunes Coelho. Parece que a tia Pitu foi a famosa que quis tirar a prova de que peido pegava fogo e acabou queimando as roupas de baixo. Tambem por repetir o celebre proverbio: “Filhos de minhas filhas, meus netos sao. Filhos de meus filhos, seras ou nao!…” Geraram cinco filhos: Wantuil/Maria Nunes Soares, Maria Inah Leite Oliveira e Maria de Lima (3 esposas), Eugenio/Anita Ferreira da Silva, Gabriel (Gabi)/Blandina Nunes Rabelo, Francisca/Otavio Coelho de Oliveira e Maria Petrina/Amalho Pereira do Amaral (tios-trisavos: Ernesto/Nhanha).

     Deles, a Francisca foi a primeira esposa do seo Otavio Coelho de Oliveira, que ja esta contado entre os filhos da tia Anna Honoria. Ja o Gabi eh o marido da dona Blandina Nunes Rabelo. Eles sao os pais do Cassio Nunes Coelho, pai da atual prefeita de Virginopolis, Marcia, a viuva do Everardes, filho do Mario, filho dos tios-bisavos Daniel/Nenem. Alem do Cassio, disseram-me que eles sao pais tambem da d. Luzia, a terceira esposa do mesmo seo Otavio. Esta eh a segunda vez de casos de viuvos de tias se casarem com as sobrinhas delas. O primeiro foi o seo Joao da Cunha.

     Ha que se fazer um adendo aqui a respeito da d. Blandina. Ela eh irma da tia Marietta Nunes Rabelo, esposa do tio Onesimo de Magalhaes Barbalho. Pelo menos alguns puderam evitar a consanguinidade casando-se com os que apareciam de fora. Segundo a Roxane, filha do Dr. Helio/Cremilda e neta dos tios Onesimo/Marietta, elas tem algum grau de parentesco com o primeiro e unico barao do
Serro: Jose Joaquim Ferreira Rabello. Nao pudemos comprovar isso ainda mas ha o sobrenome Rabello (Rebelo) que os une.

     III) Pedro de Magalhaes Barbalho. Casou-se com a tia Antonia Honoria Coelho. Eles ja eram primos em primeiro grau por ele ser filho da avo Eugenia e ela do trisavo Joao Baptista Coelho (pai). Mesmo assim a filha Lavinia (Sinha Lavia) casou-se com o Marcal (Nho Sazo) da tia Emidia. Tambem a Alda casou-se com o Joao Magalhaes, filho da Sa Candinha/tio Joaozinho. Salvo engano, estes sao os pais das famosas Zeze e Marilia da Alda (eu estava correto nessa suposicao). Elas a gente encontrava, de vez em quando, na casa dos tios Camila/Jorge do Horacio, em Valadares. Local em que vi, pelo menos uma vez, o Gentil, que deve ser o filho solteirao dos tios Pedro/Antonia.

     Infelizmente, me faltam muitos detalhes dessa familia. O terceiro filho na familia, por exemplo, eh o seo Olegario, nome muitas vezes repetido em casa mas nao sei explicar porque. Ele se casou com a Maria Augusta (Gulita) Pacheco Moreira, uma repeticao no caso porque a tia Quiteria de Magalhaes Barbalho. ja havia se casado com o Joaquim Pacheco Moreira. Tenho duvidas quanto ao seo Olegario nao ser o patriarca de primos que temos em Divinolandia.

     O setimo filho eh o Ignacio, que se casou com a Dulce Gomes da Silva. No livro temos apenas uma filha que eh a Maria do Patrocinio, que se casou com o Gladston da Silva Coelho. Com este sobrenome so pode ser candidato a descendente do ti Quim Bento. Primeiro tiveram filhos em Virginopolis e completaram a familia em Sapucaia de Guanhaes, mas ninguem que eu consiga encaixar em minha memoria.

     Os outros tres filhos dos tios Pedro/Antonia que se tornaram pais estao envolvidos com a cidade de Itambacuri. O Sady teve uma filha, Maria de Lourdes Barbalho, mas nao se casou. O Jose e o Milton se casaram com Aurora e Zulmira Monteiro, respectivamente. Devem ter sido exemplos de irmaos casados com irmas. A se olhar pelo que temos em maos, Itambacuri deve ser tomada por nossa familia. Quando estive la, nao tinha a menor ideia disso.

     Notas: Depois de viuvo, o Jose se casou com a tia Candida, filha do casal Sa Candinha/tio Joaozinho. Nao tiveram filhos.

     Aqui tambem esta a origem da Maria Jose de Magalhaes (a ti Nega) a esposa do Hugo (Doutor), filho dos tio-avos Marcial/Ceci. Ainda nao sei dizer a qual ramo exato ela pertence. 

     Ainda nao encontrei a linhagem da qual o Ze Barbalho faz parte. Porem, sei que a origem dele esta neste ramo da familia. Eh dele que se conta que, quando jovem, tinha a fama de encontrar qualquer mercadoria que o fregues pedisse. Um dia, apareceu o sujeito que queria podela. Para nao perder o fregues ele afirmou que arrumaria. Depois, sem saber do que se tratava, comecou a ficar injuriado com a possibilidade de nao atender ao fregues. De tanta preocupacao, teve uma diarreia na madrugada do dia prometido para a entrega. Foi ai que teve a ideia, coletou os escrementos e os levou ao forno, ate desidrata-los completamente e os transformou em po. Quando o fregues foi buscar o prometido, recebeu uma latinha. Abriu, olhou, cheirou e protestou: “Mas isso eh merda!…”  Ao que o parente retrucou: “Nao. Eh po dela.” Assim ele desmontou a armacao que haviam preparado para ele. (Atualmente, tenho informacoes que indicam que o Ze Barbalho eh filho da Maria Marcolina).

     IV) Bisavo Marcal de Magalhaes Barbalho. Casou-se com a Dindinha Ercila Coelho de Andrade. Os pais dela: Joaquim (Joaquim do Honorio) Coelho de Andrade e Joaquina Umbelina da Fonseca moravam com a familia em um sitio entre Itabira e Guanhaes. Em nossa familia ha a tradicao que afirma que o Andrade do trisavo Joaquim esta atrelado ao do poeta Carlos Drummond de Andrade. Como os dois sao de Itabira, de uma epoca em que a cidade era um “cuchichoh” de coisa miuda, eh mesmo grande a possibilidade. Encontrei na genealogia do Carlos Drummond um tio-avo dele com o nome de Joaquim de Paula Andrade e o bisavo se chamava Francisco Joaquim de Andrade. Eh razoavel acreditar-se em nossa tradicao mas sera necessario encontrarmos a explicacao para a presenca do sobrenome Coelho de nosso trisavo.

     Como a genealogia do poeta nao informa todos os conjuges dos tios em diversos graus dele, eh possivel que uma das tias-bisavos tenha se casado com algum Coelho de sobrenome. Assim, poderiamos ter um primo do avo dele como ancestral.

     Mas conta-se que o bisavo Marcal, em uma viagem, passou pela casa do vo Joaquim e se encantou com a bela menina de olhos esverdeados. Logo, combinou pagar os estudos dela em Diamantina e acertou o casamento para quando ela se formasse. Assim foi cumprida a palavra, embora o bisavo Marcal nao tenha permanecido casto, no periodo em que a noiva estudava. Em 24.06.1878 nasceu, em Virginopolis, a tia Adelina Coelho de Magalhaes, filha dele com uma pessoa que nao sabemos o nome. Em 05.07.1879, os bisavos Marcal e Dindinha Ercila se casaram.

     Quanto aos trisavos Joaquim Andrade e Joaquina da Fonseca, eles se mudaram para mais perto de onde a Dindinha Ercila veio a morar. Ate hoje existe uma comunidade na cidade de Divinolandia com o nome de Corrego dos Honorios. Honorios eh uma heranca do apelido que o trisavo Joaquim usou, e onde a familia dele se multiplicou.

     Somente tres anos apos ao casamento comecaram a nascer:
     a) Onesimo de Magalhaes Barbalho. Casou-se com a tia Marietta Nunes Rabelo. Sao os pais de: Euler (De) /d. Enoi; Marcalzinho/Elza Campos e Dormarina Ferreira Souza; Dr. Helio/Cremilda; Zenolia/Sebasticao Coelho Lacerda (nao tiveram filhos); Salva/Miguel Barrao Cajueiro; e Marilia (nao se casou e foi outra das parteiras de Virginopolis.Provavelmente, a nossa geracao nasceu nas maos
dela).
b)Vita de Magalhaes Barbalho. Casou-se com o Joaquim (Quinquim) Soares de Oliveira, natural de Gonzaga. Consta na lista de filhos do casal: Maria das Merces, Helena, Bertha, Ruth, Maria da Gloria, Raul, Xisto, Vera e Maria Amelia. Estes sao os que viveram ate aa vida adulta. Embora sempre ha um carinho especial pelos familiares da tia Vita, vou destacar agora apenas o Raul, porque ele se casou com a Maria Helena Coelho Perpetuo e a maior parte dos filhos nasceu em Virginopolis. Como ja foi falado, a Maria Helena eh filha do Cesario/Sa Lica e o Cesario eh filho dos tios-bisavos Emygdia Honoria/Amaro Souza.

     Estava previsto para abordar mais tarde, mas os filhos do Raul devem ser os detentores de um dos recordes na familia. Os dois pertencem aa quarta geracao, a partir do casal Cap. Jose Coelho de Magalhaes Filho e Maria Luiza do Espirito Santo, sem que os casamentos anteriores fossem consanguineos. Assim, Maria Helena e Raul sao primos em quinto grau. E os filhos deles devem ter sido os primeiros a herdar o sangue das quatro familias Coelho no pedaco, ou seja, eles sao, simultaneamente: Coelho de Magalhaes (duas vezes), Nunes Coelho, Coelho Lacerda e Coelho de Andrade. No decorrer das novas geracoes, outros igualaram este e juntaram outros.

     c) Trajano (Cista) de Magalhaes Barbalho. Casou-se com a Dindinha Zulmira Coelho do Amaral (Joao Rodrigues/Dindinha Olimpia). Eles sao os pais de: 1) Oswaldo (1911)/Maria de Lourdes Campos; 2) Odette (1913)/Hercy(Zinho)(tios Altivo/Vitalina); 3) Murillo (1914)/Maria Geralda de Lourdes Rocha; 4)Odilon (1916)/Dora Cunha; 5) Olimpia (1918 – faleceu crianca); 6) Otacilio (1920)/Maria Jose (Zeze) Coelho (seo Dimas/Maria Magdalena (Sinha)); 7)Odon/Maria Judith Coelho(Juca Coelho/Davina); 8) Odila/Eurico Batista Coelho (tios Simao/Maria Carmelita); 9) Otto (Sinho)/Iva Coelho (Sylvio Rodrigues Coelho/Maria Angelina); 10) Oldack/Terezinha Lucio de Oliveira;11) Oneida/Plauto Meira;12)Otacilia/Dr. Francisco Lins Leal; 13) Ovidio/Gilda Coelho (tios Anisio/Adalgisa); e 14) Ozanan/Railda Moreira.

     Nesta familia pode-se exemplificar o fato complicador da formacao das familias nas condicoes de Virginopolis naquele tempo. Por um lado, ter muitos filhos era a esperanca de se perpetuar o nome porque corria-se o risco de morte antes da reproducao. Mas quando a Dindinha Olimpia ainda estava tendo os seis ultimos filhos dela, a Dindinha Zulmira teve os sete primeiros. Assim, varios dos sobrinhos sao mais velhos que os tios. Todos os filhos da Dindinha Zulmira sao mais velhos que os tios deles, filhos do bisavo Joao Rodrigues com a Melita. Ja a tia Odette teve a Wandercy que eh mais velha que os tios Ovidio e Ozanan. E Harold e Maria da Conceicao tambem sao mais velhos que o Ozanan. Alem do tempo e da ignorancia a respeito dos riscos, tambem isso ajudava no favorecimento de casos de sobrinhas se casarem com tios, por exemplo.

     Os primeiros bisnetos do vovo Cista/Dindinha Zulmira, que comecam a nascer com a Tania(1954), se encaixam na mesma faixa etaria que nos, os netos do meio. E a Tania ja eh avo, constituindo-se o inicio da sexta geracao. Isto, num espaco de tempo que vai de 1870, quando nossos bisavos Joao Rodrigues/Dindinha Olimpia nasceram ate 2.000, quando o neto da Tania ja havia nascido.

     Sem duvida, se olharmos a consanguinidade de alguns dos netos da Dindinha Zulmira/vovo Cista, vamos ter um bom material para estudos geneticos.A tia Odette casou-se com o Zinho que eh primo primeiro da Dindinha, filho dos tios-bisavos Altivo/Vitalina. O tio Otacilio tambem foi buscar sangue puro na fonte. Casou-se com a tia Zeze, que eh filha do seo Dimas com a Maria Magdalena. Ela eh filha dos mesmos Altivo/Vitalina. Porem, o seo Dimas eh filho de outros primos primeiros que sao a tia Julia Salles, meio-irma do tio Altivo, com o tio Antonio Paulino, irmao do J. B. C. Jr, o avo da Dindinha.

     Tio Ovidio pode ter batido o recorde nesse quesito. Ele se casou com a prima em primeiro grau: tia  Gilda. Ela eh filha de outros primos em primeiro grau, ou seja, do tio Anisio, irmao da Dindinha, com a d. Adalgisa, que eh a filha mais nova dos tios Altivo/Vitalina. Julia Salles (meio), Altivo, Joao Rodrigues Coelho e Maria Marcolina (Sa Quinha) sao irmaos. Estou incluindo a Sa Quinha aqui porque ela eh avo da mamae.

     O casamento da mamae com o papai eh um extra. Extravagancia. Ja comentei os lacos de familia que ligam o vovo Juca com a Dindinha Zulmira . A mae do vovo Juca, Sa Quinha, eh irma do bisavo Joao Rodrigues. Ja o pai dele, o Ze Coelho, eh irmao do J. B. C. Jr, o avo da Dindinha Zulmira. Ja a mae da mamae eh a vovo Davina. Esta eh filha da Sa Candinha e do tio Joaozinho. A Sa Candinha eh irma do bisavo Marcal e o tio Joaozinho eh primo em segundo grau deles. Assim, a vovo Davina eh prima em primeiro grau do vovo Cista, com o agravante do parentesco com o tio Joaozinho.

     Basicamente, a confusao la em casa eh assim: dos quatro avos do papai e dos quatro da mamae um eh descendente do J. B. C.; um da Eugenia Maria da Cruz e outro do Antonio Rodrigues Coelho, num total de seis de nossos bisavos. Entre estes, ha a pequena diferenca nos descendentes do J.B.C. A mamae eh neta do Ze Coelho, filho do J. B. C. E o papai eh neto da Dindinha Olimpia, filha do J. B. C. Jr, portanto, neta do J. B. C. Era suposto que a Dindinha Olimpia tivesse uma mae de familia diferente. Porem, a mae dela, a Quiteria Rosa (Titi), eh filha do Joaquim Pereira do Amaral com a Maria Rosa dos Santos Carvalhais.

     O problema aqui esta em eu nao saber o grau de parentesco entre o tetravo Joaquim e o tetravo Daniel Pereira do Amaral que, com a tetravo: Maria Francelina Borges Monteiro sao os pais da Maria Marcolina do Amaral, a esposa do trisavo Antonio Rodrigues Coelho e mae da Sa Quinha e do Joao Rodrigues. Certo eh que, parentes eles ja eram. Com a presente revisao a esse texto posso acrescentar que ha uma evidencia indicando que os avos Joaquim e Daniel nao sejam parentes tao proximos, mas nao sabemos nada das origens portuguesas do avo Joaquim.

     Entao, os dois avos restantes do papai e da mamae poderiam ter vindo de origens diferentes. No caso, o papai tem uma avo supostamente diferente que eh a Dindinha Ercila. Contudo, a Dindinha Ercila tem o sobrenome Coelho que nao sabemos se tem ou nao vinculo recente com o Coelho de Magalhaes ou o Nunes Coelho que estao presentes nos nossos outros seis bisavos.

     O avo diferente da mamae eh o tio Joaozinho. Ele parece nao ser Coelho, gracas a Deus se nao for, para o bem da nossa genetica. Mas ele eh filho da Sinh’Anna com um pai desconhecido. E este “desconhecido” pode ser de qualquer origem, Coelho ou nao. Ja a Sinh’Anna eh filha do Jose de Magalhaes Barbalho, com uma desconhecida. Neste caso, pelo menos sabemos que essa avo sem nome eh afro-brasileira, por causa da heranca fisica da avo Sinh’Anna. Contudo, obriga o tio Jaozinho a ser, no minimo, 1/4 Magalhaes Barbalho, porque o Jose eh irmao do Francisco Marcal, o marido da trisavo Eugenia Maria da Cruz, portanto, ele nao eh tao diferente assim.

     Temos que nos lembrar de que a Maria Honoria, esposa do J. B. C., era mulatinha legitima, mesmo que o nome da mae preta nao tenha chegado ate nos. Tem ai a possibilidade de ela ter parentesco com o tio Joaozinho. Outra correcao que devo lembrar. Nao tenho a informacao conclusiva de que a Maria Honoria fosse mulata. Ela pode ter sido meio nativo-brasileira.

     A gente esta acostumado a pensar a mamae como Batista Coelho por ela ser filha do vovo Juca Coelho mas ela eh mais Magalhaes Barbalho que o papai e tao Rodrigues Coelho quanto ele. Nos estamos acostumados a pensar o papai como Magalhaes Barbalho por ele ser filho do vovo Cista mas ele eh tambem Rodrigues Coelho, menos Batista Coelho que a mamae, porem, mais Pereira do Amaral que ela. Nos somos uma perfeita mistura de todos.

     Nos estamos acostumados a pensa-los como primos em terceiro grau mas eh errado pensar assim. Eles tem dois pares de avos que sao irmaos, ou seja, Sa Candinha eh irma do avo Marcal e a Sa Quinha eh irma do avo Joao Rodrigues.Ja, o Ze Coelho, avo da mamae, eh irmao do J. B. C. Jr o bisavo do papai, contudo, pelo lado Pereira do Amaral eles podem ser primos novamente, sem sabermos ao certo em que grau. Isto os coloca, no minimo, num limbo genetico, ou seja, eles compartilham os mesmos gens, em grau superior a primos em primeiro grau e proximo ao de irmaos completos.

     O casamento deles nao eh tao diferente do da tia Odila/tio Eurico nem do tio Ovidio/tia Gilda. Mas isso eh passado e, naquele tempo, as ciencias geneticas ainda estavam na infancia e ninguem sabia os riscos que acarretavam com o nosso nascimento. Gracas a Deus nascemos, embora possamos ter consequencias adversas manifestadas agora que estamos marchando para a segunda metade de seculo de idade.

     Quanto ao tio Otto (Sinhor) e tia Iva, eles tem um pequeno desconto de terem a Maria Angelina bendita “de fora” que entrou na familia. E assim sao muitos outros casos na Grande Familia. Resta dizer apenas que o tio Murillo deve ser primo da tia Lourdes Rocha. Ela eh de sao Joao Evangelista e muitos Rocha por la descendem do Joao Coelho de Magalhaes, o nosso tio-tetravo. Voltemos entao aos filhos dos bisavos Marcal/Dindinha Ercila.

     d) Marcial (1o.) morreu com dois meses de vida.

e) Marcial (2o.) de Magalhaes Barbalho. Casou-se com a tia-avo Ceci, filha do Ze Coelho/Sa Quinha. A familia dos tios Marcial/Ceci nao foge aa regra, com boa parte casando-se na familia mesmo. Em nosso caso particular, o grau de parentesco que pensavamos ter com eles nao eh verdadeiro. O tio Marcial eh irmao do vovo Cista e a tia Ceci eh irma do vovo Juca. Entao, nos nao somos primos de terceiro grau como reza a tradicao e sim em primeiro grau. Agrava-se o fato quando sao casados com primos como eh o caso de Hugo/Maria Jose (ti Nega); d.Cidinha/seo Dimas (tios Daniel/Nenem); Hercy (Cici)/Savio (Fadico = Emidia/Joao da Cunha) e, os mais proximos: Humberto/Marlene (filha da Maria Marcolina (avos Juca/Davina)/Abel Lima). Geneticamente, o Abel Lima eh uma vantagem por ser de outra familia.

     Tenho minhas duvidas quanto ao parentesco que temos com os filhos da Socorro/Walter da Cunha Menezes porque nao sei qual eh a origem do Waltinho.Tambem ele poderia ser descendente do seo Joao da Cunha Menezes (Evangelina (Eva) 1as e Emidia 2as nupcias). As duvidas ja foram desfeitas e eu estava correto em minha suposicao. Tive informacoes que ele descende do seu Joao com a primeira esposa: Evangelina, que eh filha da tia Emidia de Magalhaes Barbalho. O ascendencia dele estaria no Jaime (seo Joao/Eva) mas nao encontrei o vinculo completo.

     Os outros filhos dos tio-avos Marcial e Ceci sao: Heloiza/Felix (1o.) e Geraldo (Lalado – 2o.); Hercilio (Cilico)/d. Lourdinha; Helvecio (falecido); Humberto (1o. – falecido); Herminia/Moises; Hilma (Nana – solteira); Hortencia (Tuca)/Yozinho; Hermes (Mito)/Maria de Lourdes; Henriette/Jose; Maria da Consolacao/Euripedes; e Rita/Lucio de Almeida.

     f, g e h) Os tios Salva (irma Helena), Murillo (falecido) e Filotheia (Tete) nao deixaram progenie.

     i) Olga de Magalhaes Barbalho. Casou-se com o Francisco de Oliveira Catao (Chico Catao). Os filhos sao: 1) Augusto Marcal/Maria Marisa (tios-avos Bernardino/Geralda); 2) Cesar Paraguassu/Nadir Dias de Azevedo; 3) Olgamar/Julia (Julinha) Perpetuo de Andrade; e 4) Julia Ilce.

     k) Dafinis (falecido)

     l) Abila (Biloca) Patrocinio de Magalhaes/Sady Rodrigues Coelho. Embora ja fosse para eu ter comentado melhor o casamento da tia Biloca com o Sady (ti Juca/Mariquinhas), deixei este tecido para o final. No conjunto, eh tudo repetido e fica assim: 1) Jaime/Zeze (filha da Emidia/Joao da Cunha. A Emidia eh filha do Pedro da tia Emidia de Magalhaes Barbalho). 2) Estacio (Tacinho= era  solteiro); 3) Geraldo (Ladico)/Maria Natalia (tio Horacio/Maria Marcolina); 4) Claudio (Tata)/Leonisia (Ninize) Nunes Perpetuo; 5) Ligia/Geraldo (tios Daniel/Nenem); 6) Jairo (Jarico)/Maria do Socorro Perpetuo; 7) Maria Terezinha (Tereza – solteira); 8) Maria Luiza/Dirceu Nunes Coelho (Josephino/Sa Martha); 9) Renato/Maria Celia (Celinha) Perpetuo (irma da Julinha do Olgamar da tia Olga); 10) Adelmo (solteiro); e 11) Ivete/Almiro (Nene) Andrade (Ary Dias/Maria (tios Evencio/Miluca).

     Aqui ha que se recordar que ha mais de um Perpetuo em Virginopolis ou um eh o reavivamento do outro. Talvez, este seja o caso do seo Yeyeh (Jose Coelho Lacerda) que se casou com a Maria de Lourdes de Souza Coelho (tios-bisavos Emygdia/Amaro)e deu o sobrenome aos filhos de Coelho Perpetuo. Porem, eu nao tenho dados suficientes para explicar este fato.

     Observa-se tambem que o casamento do Luiza com o Dirceu da Sa Marta credenciou aos filhos o direito de requerer recordes de ascendencia. Em relacao a outros eu posso apenas especular mas deles eu posso afirmar com certeza. O Dirceu eh descendente da tia Francisca Eufrasia de Assis e do J. B. C., atraves dos avos dele: Joaquim (Quinsoh) e tia Sebastiana Honoria. Ja a Luiza descende do Antonio Rodrigues Coelho e da Eugenia Maria da Cruz, portanto, os filhos sao, simultaneamente,  descendentes dos quatro matripatriarcas Coelho de Magalhaes, em Virginopolis.

     O Dirceu e a Luiza sao os pais de: Conceicao, Martha (Dinha), Marilda (Lilida), Joao (Lolo) e do Emerson. O que de se acrescentar aqui eh o casamento da Dinha com o Dr. Aeliton(Moises Coelho Perpetuo/Taninha) produziu criancas com outro recorde, ou seja, sao descendentes, tambem, dos quatro Coelho, esclarecendo, Coelho de Magalhaes, Nunes Coelho, Coelho de Andrade e Coelho
Lacerda. Assim eles sao duplo recordistas.

     V) Quiteria de Magalhaes Barbalho. Casou-se com o Joaquim Pacheco Moreira. Na familia como um todo, aa medida que a gente vai descrevendo a descendencia de algum dos matripatriarcas, os outros vao sendo absorvidos, antes ate mesmo de serem citados por causa dos casamentos intra-familiares. Esta eh a situacao da familia da tia Quiteria . Os filhos dela e conjuges sao: 1) Jose Pacheco de Magalhaes. Foi o primeiro matrimonio da Celina (tios Anna Honoria/Candido de Oliveira) Nao temos dados da descencencia.
2)Carlota Pacheco Magalhaes. Casou-se com o Jeronimo Jose Figueiredo. Com o nascimento em 25.10.1878, eh provavel que os Figueiredo de Divinolandia e Virginopolis sejam todos descendentes deles. Nao temos detalhe algum desta mas o que reforca a teoria eh a procedencia de Divinolandia do sr. Jeronimo. (Ja confirmei e realmente sao. Mas somente sei que o casal teve uma filha por nome Amandina. Nao sei quais foram os outros.
3) Carmelita (Sianita) Casou-se com o Bernardino (Dino) tambem filho dos tios Anna/Candido. Ja estao presentes nestas recordacoes.
4) Tiers. Nao se casou.
5) Alice. Nao se casou.
6) Maria Julia. Casou-se com o tio Sao. (Wilson Magalhaes (bisavos Sa Candinha/tio Joaozinho).
7) Gil Pacheco de Magalhaes. Casou-se com Maria Vieira. O segundo que fugiu da familia para o casamento. Tiveram a familia em Governador Valadares, onde o seo Gil foi eminente cidadao.
8) tia Dulce. Ja foi lembrada por ter se casado com o tio Aquiles (So Ti) que eh irmao completo do vovo Juca e tia Ceci, entre outros (Ze Coelho/Sa Quinha).
9) Julia Coelho de Magalhaes. Esta se casou com o Jose Claro, filho dos tios-bisavos Chico/Mariquinhas.

     VI)Candida (Sa Candinha) de Magalhaes Barbalho. Casou-se com o Joao Baptista Magalhaes (tio Joaozinho). Entre os muitos causos da vida desses dois personagens, conta-se que a Sa Candinha foi pega plantando um pe de jabuticabas, e ela ja estava bem de idade, quando alguem perguntou a ela: “Pra que a senhora ta plantando jabuticaba na altura da sua vida? Jabuticaba leva tanto tempo para produzir que a senhora nao vai aproveitar nada.” Ao que ela respondeu com alguma simplicidade filosofica: “Quando eu nasci ja havia jabuticabeira para eu chupar porque alguem tinha plantado antes de eu nascer. Agora, eu planto para os que vierem depois de mim.”

     Ja o tio Joaozinho eh aquele que fez serenata de clarineta, na Virginopolis sem luz, usando apenas sapato e gravata. Ele sabia que todo mundo estaria vendo pelas gretas das janelas mas contava com a discricao de todos porque, somente os fofoqueiros ficariam acordados depois das nove da noite. O extratagema dele funcionou. Por longos anos o fato so foi comentado a boca-miuda.  Somente depois de passados muitos anos, onde uma senhora atingiu a idade da inconfidencia, foi que ela resolveu dar-com-a-lingua-nos-dentes contando o que ela vira e que toda a cidade tambem arriscara um olho mas que, naquela altura da vida, ela nao se importava mais o que pensassem dela. Foi assim que este “segredo” deixou de se-lo.

     Apenas um paragrafo para diminuir a possibilidade de confusoes. Esta historia esta posta na pagina http://www.freewebs.com/Certos-Barbalhos-de-Virginopolis e a tia Josefina ficou em duvida se ela versava a respeito do pai dela, o bisavo Joao Rodrigues Coelho. Como outras pessoas podem fazer a mesma confusao, lembro que sao dois bisavos com nome Joao. O Rodrigues e o marido da Sa Candinha.

     Quanto ao Joao Rodrigues, o causo dele eh outro. Este eu havia ouvido como acontecido com o bisavo Marcal, na epoca da Guerra do Paraguai mas, naquele tempo, nossos bisavos ainda eram criancas ou nem eram nascidos. Entao, o Odinho, gracas aa memoria do vovo Juca, corrigiu-me, porque o fato aconteceu com o avo Joao Rodrigues Coelho. Foi logo apos a Proclamacao da Republica (1889) quando houve a separacao das instituicoes estado e igreja no Brasil. Entao, foi ordenado que se fizesse o registro civil de toda a populacao.

     Anteriormente os registros eram feitos pela Igreja Catolica, atraves dos batismos e casamentos. E o bisavo Joao Rodrigues era o escrivao, entao, reuniu a bugrada de Virginopolis na praca para abordar o assunto. Explicacoes dadas, comecou um burbirinho que aumentava com protestos. A turba ficou indignada com o que considerava um desrespeito, substituir o direito divino pelo direito humano. No auge do alvoroco, alguem teve a “boa ideia” de dar um tiro para cima, para restabelecer a calma.Dizem que se deu uma debandada tao grande que nao ficou uma vivalma na praca. O bisavo Joao Rodrigues correu tanto que so parou quando ja se encontrava nos fundos da farmacia, a primeira porta que ele encontrou aberta. La dentro ele falou ao farmaceutico, que nao sei o nome: “Oh fulano, sera que sangue fede?!… Se nao feder eu tou eh todo cagado!…

     (Tenho duvida quanto a essa versao do vovo Juca. Eles eram tio e sobrinho mas eram rivais politicos. Quando houve a Proclamacao da Republica, o bisavo Joao Rodrigues era um pouco jovem, talvez ainda nao fosse escrivao. Ja o bisavo Marcal era o chamado Juiz de Paz. Na epoca, exercia muitas funcoes e, no Distrito de Patrocinio de Guanhaes (Virginopolis) era como se fosse um prefeito). 

     Voltando aa familia da Sa Candinha/tio Joaozinho, parte da familia tambem foi absorvida dentro do seio da grande familia. Vejamos como ficou:
1) Joao Magalhaes Jr. Casou-se com a Alda de Magalhaes Barbalho(tios Pedro/Antonia Honoria) Ja comentados.
2) Eliezer (So Li) Magalhes. Nao se casou. Teve um filho nao computado no livro. O Ze do tio So Li se casou mas nao teve filhos. Adotou o Messias, que eh filho do Joaquim Polvora. Este lhe deu quatro netas e estas ja estao trazendo bisnetos.
3) Emydia (Miluca) Magalhaes. Casou-se com o tio Evencio (Joao Jr/Titi). Ja estao.
4) Wilson (Sao) Magalhaes. Casou-se com a Maria Julia de Magalhaes Pacheco, filha da tia Quiteria/Joaquim Pacheco. Eles comecaram a familia em Virginopolis mas ciganaram por varias outras cidades mineiras. A familia agora se distribui por todo o Brasil, quica mundo.
5) Davina Magalhaes. Eh a vovo Davina esposa do vovo Juca Coelho (Ze Coelho/Sa Quinha)

     6) Getulio Magalhaes. Nao se casou mas eh pai da dona Aracy, que se casou com o Zezito (Zeze Lucio/Sa Ritinha). Assim, a lista de nossos primos eh ligeiramente maior do que estavamos acostumados a contar.
7) Maria (Maricas) Magalhaes. A tia Maricas eh a esposa do tio Sinval (Joao Rodrigues/Dindinha Olimpia). Eles formam mais um par de nossos tio-avos porque ela eh irma da vovo Davina e ele eh irmao da Dindinha Zulmira. Assim, os filhos deles sao primos em primeiro grau tanto do papai quanto da mamae. Somos, geneticamente, primos em primeiro grau tambem dos netos deles.
8) Candida de Magalhaes. Tia Candida foi o segundo casamento do Jose (tios Pedro/Antonia Honoria) e nao tiveram filhos. Conta-se que a tia Candida era a tipica “titia”. Daquelas bem intolerantes e intoleraveis. (Nao tenho nada a reclamar dela. So me lembro dela porque um dia ela estava passeando em Virginopolis e passou la em casa e levou-me para passear com ela na casa de nossos primos Pereira do Amaral que moravam perto do Morro do Retiro, saida para Divinolandia.
Andar era o meu esporte favorito). Mas, quando os filhos da Sa Candinha/tio Joaozinho ainda eram solteiros, eles moravam com os pais, numa casa antiga, em frente aa praca principal. (Ate a ultima vez que fui la, morava no lugar o Fino do Dirceu, numa casa nova). Naquele tempo,aas tardizinhas, os jovens terminavam o jantar e iam fazer o “footing” na pracinha, para esperar o horario de dormir, que se dava la pelas oito horas da noite. Sa Candinha tinha o costume de deixar um copo com leite para cada filho servir-se antes de ir dormir. Um dia, o tio Sao chegou com uma fome brava e se serviu de mais de um copo. Vendo aquilo, a tia Candida comecou o falatorio: “Olha o que voce fez! Agora nao vai ter leite para todo mundo” – e tome bla, bla, bla. Tio Sao, que nao era bento, entao, falou: “Voce quer saber duma coisa Candida?!… Eu tomo o meu leite, tomei o do Li, tomo o seu, tomo do Gastao…” – e assim foi, ate se satisfazer. “Eu vou contar para o papai, -insistiu a tia – voce vai ver o que que vai acontecer.” “Oh Candida, – afirmou o tio Sao – se voce contar o papai eu te dou um tiro na bunda!…” Ela se calou mas, na primeira oportunidade, contou tudo para o tio Joaozinho. Mas o bisavo era um diplomata-sem-canudo. E logo aconselhou a filha: “Ta certo Candida, voce ja me deu a noticia mas vamos fingir que voce ficou calada. Ele eh bem capaz de te dar um tiro na bunda mesmo! E se ele der, voce vai mostrar a bunda para o delegado?!…” Tia Candida nao teve escolha senao fechar o “feixeclair” da boca (zipper atualmente).
9) Gastao de Magalhaes. Casou-se com a Julita (tios Benjamim/tia Nhazinha). Comecaram a familia em Virginopolis mas acabaram indo aumentar a densidade demografica de Valadares.

     VII) Julia de Magalhaes Barbalho. Tia Julia nao se casou.

     VIII) Ambrosina (tia Sinha) de Magalhaes Barbalho. Casou-se com o Miguel Nunes Coelho que eh confirmado filho dos tios Francisca Eufrasia/Joaquim Nunes Coelho que fazem parte da lista de primeiros moradores de Virginopolis. Nao tenho informacoes mais precisas do destino da progenie da tia Sinha mas parece que ela ajudou a povoar Coroacy-MG. Tios Sinha e Miguel sao os pais do bispo Dom Manuel Nunes Coelho, o primeiro bispo de Luz. Foi ordenado bispo no inicio da decada de 1920, quando tambem foi padrinho do batismo do papai. Dos filhos, alem do Dom Manuel, somente sei que o Miguel casou-se com a Maria Marcolina (d. Culica), filha da Sa America (Quinsoh/tia Sebastiana Honoria)/Francisco Furtado Leite. 

     Os filhos da tia Sinha foram: 1) Ismael (1o. faleceu); 2) Consuelo (Beben); 3) D. Manoel; 4) Laurentina (Lala); 5) Miguel; 6) Ismael (2o.); 7) Notel/Maria Isabel Rodrigues (faco esses parenteses para lembrar que foram os pais do Monsenhor Omar Nunes Coelho – 08.05.1915-28.01.2009, tambem serviu em Luz; 8) Laet; 9) Maciel; 10) Gamaliel; 11) Jose; 12) Ottaniel; 13) Misael e 14) Maria de Lourdes.   

16. ALGUMAS CONCLUSOES

     Eh por estas e outras que existe o proverbio em Virginopolis:”Se Virginopolis tivesse uma muralha ao redor, seria um manicomio. Se se jogasse uma lona por cima, seria um circo.”

     Observa-se tambem que as familias que veem de outras localidades e se estabelecem no lugar por um espaco de tempo apropriado, logo sao absorvidas pela heranca Coelho. Pode-se lembrar aqui e adaptar-se outro proverbio local que ficaria assim: “Se correr, um Coelho pega; e se ficar, outro Coelho come.” Antigamente, dizia-se que quem nao era Coelho em Virginopolis, era couve. Hoje pode-se dizer que o Coelho esta se satisfazendo com Coelho mesmo e esta buscando couve e cenoura em outras paragens.

     Devemos nos lembrar que a formacao da nossa familia no Brasil, em se analisando apenas o sobrenome Coelho, comeca muito proximo do inicio da colonizacao de Minas Gerais. Eh provavel ate que sejamos descendentes dos primeiros moradores fixos, alem dos indigenas claro, das Minas Gerais. Antes da descoberta das minas de ouro e pedras preciosas, no final dos anos 1.600 e inicio dos 1.700, a populacao de origem portuguesa permanecia nos limites determinados pelo Tratado de Tordesilhas, mais proximos do litoral. A Guerra dos Emboabas, que nao passou de uma briga entre garimpeiros, alias, escaramucas entre portugueses radicados em Sao Paulo contra os “brasileiros” (pessoas de origem portuguesa e mista que haviam nascido no Brasil), se deu entre 1.708 e 1.709.

     A primeira cidade de Minas foi Mariana. Embora o povoamento tenha comecado antes, o decreto de fundacao se da em 1.711, com o nome de Vila Real de Nossa Senhora do Carmo. Seguem-se: Vila Rica do Pilar (Ouro Preto) e Vila Real de Nossa Senhora da Conceicao de Sabara. No mesmo ano, a edicao do livro: “Livro Cultural e Opulencia do Brasil”, do pe. italiano: Andre Joao Antonil, eh jogado na fogueira por revelar o caminho para as minas. Em 1713 eh criada a Vila Nova de Sao Joao Del Rei. Em 1714 eh criada a Vila do Principe (Serro) e Vila Nova da Rainha (Caete). A Vila de Nossa Senhora da Piedade (Pitangui) vem em 1715. E, assim, Comecaram as Minas Gerais.

     Pela forma como a nossa familia se multiplicou, bem podemos imaginar que o mesmo se deu no passado, em Portugal, apenas eh preciso lembrarmo-nos tambem da forma inversa, ou seja, temos os nomes de umas poucas pessoas no passado resultando nas milhares de pessoas atuais. Assim podemos reconhecer que uma populacao minima formou o povo portugues e quando nossos avos aportaram no Brasil, ja eram milhoes de pessoas de uma mesma familia.

     Devemos agradecer aos outros povos que invadiram a Peninsula Iberica porque, mesmo que pequena, a contribuicao genetica deles deve ter tornado a nossa composicao mais plural, o que eh importante para a saude genetica de todos. A propria Reconquista deve ter nos ajudado porque a retomada dos territorios obrigou a familia a dispersar-se, espalhando-se por todo o territorio ibero e previnindo uma consanguinidade maior.

     Outro fator que contribuiu para a nossa diversidade foi o fato de termos ancestrais oriundos da nobreza. Embora as familias nobres sejam basicamente consanguineas, elas receberam contributos geneticos de diversos povos que eram menos consanguineos aas linhagens portuguesas.

     A colonizacao das Americas foi outro fator que nos favoreceu. Isto fez com que recebessemos contribuicoes geneticas dos nativos, e posteriormente dos africanos. Acredito que esta mistura eh que tenha preparado os nossos ancestrais para enfrentarem os cem anos de quase solidao genetica que a familia passou em Virginopolis e Guanhaes, desde os primeiros moradores (por volta de 1.850) ate o nascimento de nossa geracao (que passa dos 1.950).

     No principio, Virginopolis deve ter parecido um paraiso aos nossos ancestrais que a desbravaram. Eram terras amplas para tao pouca gente do comeco. Entao, passaram-se quatro geracoes sem que fosse percebida a armadilha genetica em que ficariamos presos, se novas terras nao estivessem por ser conquistadas. A evasao da populacao virginopolitana, sobretudo dos anos de 1.940 ate 1.980, ofereceu-nos a oportunidade de casarmo-nos fora da familia com mais frequencia.

     Agora, na era dos transportes aereos, estamo-nos espalhando por todos os continentes e, com a tecnologia das comunicacoes, nao estamos perdendo de todo o contato com a parentalha. O dispersar da familia causa, pelo menos, dois sentimentos: o pesar por nao poder nos vermos com a mesma frequencia e o alivio em saber que nossos filhos e netos terao mais chances de nascerem menos consanguineos.

     Mas devemos ter o cuidado de nao imaginarmos que, o simples fato de os casamentos se darem com pessoas de cidades diferentes, evitara os casamentos consanguineos. Como vimos, tem muito pouco tempo que Minas Gerais foi colonizada. No inicio, recebeu-se gentes de varias nacoes, principalmente Portugal que contribuiu com pessoas de diferentes localidades de la. Porem, essa primeira leva de habitantes se multiplicou e se espalhou, num sentido radial em torno da antiga Estrada Real, que ligava as primeiras cidades aa capital Rio de Janeiro e Sao Paulo.

     Foi essa radiacao que levou aa fundacao de novas vilas que sao as cidades atuais. Nos podemos mostrar isso atraves do exemplo da formacao de nossa familia. Nossos ancestrais mineiros mais antigos, dos quais conhecemos os nomes e origens, vem de Mariana, Congonhas, Itabira, Morro do Pilar, Conceicao do Mato Dentro, Serro, Sabinopolis, Dom Joaquim, Guanhaes ate Virginopolis. A sequencia dessas cidades parece ate o ajuntamento de aguas, formando um rio que corre para o mar. E de Virginopolis segue a formacao de ramos da familia, que tambem irradiam, mas tem como destino principal: Divinolandia, Gonzaga, Santa Efigenia, Sardoa, Governador Valadares e vai ate a Vitoria no Espirito Santo.

     Nos sabemos os nomes de alguns de nossos ancestrais que estavam entre as primeiras levas de migrantes que povoaram as Minas Gerais mas nao sabemos responder a simples questao de, para onde foram os irmaos deles? Eh possivel que tenham agrupado com outros pioneiros e fundado outras cidades, e la se multiplicaram da mesma forma que os nossos ancestrais, ou seja, dentro da nova familia deles. Apenas preferiram usar outros sobrenomes mas, no fundo, sao tao nossos parentes quanto os primos que conhecemos.

     O casamento entre parentes proximos pode ser ate um conforto maior para os que estao se casando. Nao me oponho a isso. A verdade eh que, aa luz dos conhecimentos geneticos atuais, precisamos tambem considerar o futuro da saude da nossa descendencia. Quando pudermos evitar sera melhor. O nosso desafio eh reconhecer as distancias que a vida moderna nos impoe para conservarmos as amizades. Estas sao razoes pelas quais a conservacao da nossa Arvore Genealogica eh muito mais que um simples prazer para nos, os doidos, porque eh uma inestimavel fonte de informacoes que nao cabe nas memorias humanas.

     Gostaria de incluir dois pensamentos, que me ocorrem, nesse capitulo que, talvez, nao facam parte dos objetivos dos presentes escritos. Mas eh fato que, quando eu era nao mais que uma crianca mijona, possivelmente ate aa adolescencia e com as dificuldades proprias de adaptacao da idade, frequentemente, tinha a impressao de que nao estivesse no tempo em que deveria, ou seja, pensava que deveria ter nascido muitos anos antes da data do meu aniversario. Outra impressao foi vivida nao apenas por mim, mas por muitos outros que a compartilham comigo aqui nos Estados Unidos. De vez em quando, passamos em frente a alguma residencia, totalmente desconhecida, e temos a impressao de conhecer o lugar ha muito tempo.

     Bom, se consultarmos aqueles que acreditam em reincarnacao, eh possivel que concluam que isso seja prova de que sejamos reincarnacoes de outras vidas. Mas eu nao apostaria todas as minhas fichas nessa resposta, mesmo nao descartando totalmente a possibilidade de as reincarnacoes realmente existirem.

     Pode-se explicar melhor isso citando o exemplo do documentario “Fantastic Journey” (Viagem Fantastica). Ali se narra a migracao das borboletas que voam do Canada ao Mexico, para cumprir-se um ritual de reproducao milenar. O que ha de espetacular nisso eh que as borboletas retornam em tres etapas. Elas se reproduzem no sul e no norte dos Estados Unidos e depois no Canada, so entao, na quarta geracao, vao repetir o ritual migratorio. Bom, a gente eh acostumado a pensar  que isto se de em funcao do instinto animal. Mas a coisa eh mais complexa que o simples ir e vir que o instinto animal governaria.

Me parece que a explicacao possa envolver um certo tipo de programacao onde os ancestrais passem algo mais que os gens aos descendentes. Talvez eles passem tambem uma parte dos conhecimentos adquiridos. No caso das borboletas, as informacoes seriam passadas de geracao em geracao atraves de algum centro de memoria, no pequenino cerebro do animal. Eh como se houvesse um circuito que ligasse as instrucoes de retorno a cada quatro geracoes.

     Se isso for possivel, eh provavel que nos humanos tenhamos um centro semelhante. Nos nao o usamos regularmente por causa da complexidade cultural a que estamos inseridos e ja ficamos totalmente adaptados a fixar residencia, portanto, nao precisamos recorrer mais aas migracoes estacionais. Todavia, analisando o passado de nossa familia, observamos que nos alternamos geracoes que fixam residencia com geracoes que migram.

     Contudo, a impressao que eu tinha de estar vivendo em uma epoca errada e a de reconhecer locais onde nunca tenha passado antes, talvez, sejam as provas de que este centro de memoria seja ainda formado em nosso cerebro. Assim, as impressoes que vivemos nao seriam de vidas passadas, vividas por nos mesmos, e sim por nossos ancestrais. Eh possivel que existam locais onde alguns de nossos ancestrais tenham vivido emocoes mais intensas e seja por isso que o nosso centro primitivo de memoria seja ativado quando passamos por tais locais.

     Isto seria compativel com o fato de sermos descendentes de milhares de pessoas advindas de todo o planeta. Agora que sabemos que somos tambem descendentes do nativo americano, possivelmente das tres Americas, acredito ser possivel que alguns de nossos ancestrais tenham vivido nesta area dos Estados Unidos. E seria deles a impressao que captamos, nao que tenhamos, necessariamente, reincarnado.

     Quanto aos nossos aparentados nas adjacencias de Virginopolis, nem precisamos citar as cidades como Sabinopolis, Sao Joao Evangelista, Pecanha, Serro e Diamantina. Sabemos que temos grau de parentesco com essas populacoes mas eh dificil determina-lo porque nao tenho em maos, pelo menos, um livro semelhante ao que temos de nossos familiares mais proximos.

     O que sabemos eh que alguns de nossos ancestrais vieram de algumas dessas cidades e que outros descendentes deles se mudaram para elas. Nos sabemos que somos descendentes de uma das netas do Antonio Borges Monteiro Jr, que fixou residencia em Sabinopolis, mas a descendencia dele eh enorme. Coisa semelhante se pode dizer da descendencia do avo Eusebio Nunes Coelho. Conhecemos parte da familia dele que esta entremeada aa nossa, mas nao conhecemos nem a metade dela. O mesmo se dira de varios outros.

     Guanhaes eh outro capitulo aa parte. Sabemos que o distrito de Sapucaia de Guanhaes por exemplo tornou-se o destino de varios ramos de nossa familia, particularmente, os Nunes Leite, Rodrigues Coelho e Coelho da Silva. Mas muitos dos descendentes voltaram para Virginopolis e, depois, reimigraram para o mundo . Uma pequena porcao ainda permanece. De Guanhaes propriamente dita sairam os primeiros moradores de Virginopolis mas o retorno foi minimo, em relacao ao muito que seguiu depois para Governador Valadares, Belo Horizonte, Brasilia e levas menores para muitos outros lugares.

     Cidades menores, que ja foram distritos de Virginopolis, ou seja, Divinolandia, Gonzaga, Santa Efigenia e, possivelmente, Sardoa, tem uma boa proporcao de Coelho e assemelhados. Embora, ha que se ressalvar que o sobrenome nem sempre aparece. Isto podemos atribuir aos filhos da tia Emygdia Honoria Coelho que se casou com o seo Amaro de Souza Silva, que preferiram nao perpetuar o nome materno, o que era normal na sociedade machista em que viveram. Fato parecido se deu com a familia do tio-bisavo Jose Coelho Sobrinho (seo Juca) que se casou com a Maria Marcolina (Culina do tio Ernesto) do Amaral. Eles tiveram 13 criancas mas apenas quatro delas eram do sexo masculino, portanto, a transmissao do sobrenome ficou comprometida.

     Os dois casais: tios Emygdia/Amaro e Seo Juca/Culina, moraram em propriedades localizadas entre Divinolandia e Gonzaga, mais proximas dessa ultima. As datas de nascimentos da tia Emygdia e do seo Juca sao em torno de 1.857 e em 1.884, respectivamente. Portanto, pela quantidade de filhos que tiveram e pela de netos que os filhos lhes deram, facil-facil, se nao houvessem unioes matrimoniais entre primos, eles ja poderiam ser ancestrais de toda a populacao das duas cidades.

     Em Divinolandia pode-se destacar o nosso provavel parentesco com os descendentes da tia Lucinda de Magalhaes Barbalho que se casou com o Manoel Geraldo Fernandes Madeira. Tambem Carlota Pacheco de Magalhaes, nasceu em 1.878, filha da tia Quiteria de Magalhaes Barbalho/Joaquim Pacheco Moreira, que se casou com o Jeronymo Jose de Figueiredo. A palavra provavel acima, nao se refere a alguma duvida quanto ao nosso parentesco mas sim quanto aa falta de comprovante que estes membros da nossa familia tenham mesmo ido morar la ou em outro lugar. Questao ja resolvida. Eles sao ancestrais de parte dos Figueiredo de Divinolandia e outros lugares.

     Existem as certezas quanto aa presenca da familia naquela cidade. Este eh o caso do seo Eloi Perpetuo que se casou com a nossa tia-trisavo, identificada apenas pelo apelido de: Biquita. Ela eh irma da trisavo Quiteria Rosa (Titi), esposa do J. B. C. Jr.

     Outro exemplo eh o sr. Heitor de Aquino que se casou com a Sebastiana Coelho do Amaral, filha do casal: seo Juca/Culina. Eh sabido tambem que a familia do Cesario (tios Emygdia/Amaro), em parte, radicou-se la. Outros contributos partem do lado Barbalho e Nunes Coelho. Este eh o caso de descendentes da Gininha/seo Gabi do Gilberto. Tambem dos tios Pedro/Antonia Honoria. Nao se pode esquecer a parentalha no corrego dos Honorios, descendentes dos avos Joaquim/Joaquina, pais da Dindinha Ercila. Como nasceram antes ou proximo ao ano de 1.900, podemos esperar que Divinolandia seja mesmo um antro da progenie desses personagens.

     Em Gonzaga, a familia eh o Souza, literalmente.

     Em Santa Efigenia, ja identifiquei nomes de matripatriarcas por la, como o da d. Zilda, viuva do sr. Paulo Almeida. Ela eh filha da Maria de Lourdes/seo Yeyeh. Temos o Ze Miguel com a viuva: d. Teresa. Tambem o seo Joao Perpetuo. Todos descendentes dos tios Emygdia/Amaro. Sei que o seo Joao Perpetuo eh nosso parente, apenas ainda nao identifiquei o nosso vinculo. Estes relacionamentos parentais ja identificados por mim em outro texto: Arvore Genealogica da Familia Coelho no sitio: www.geneaminas.com.br, presente neste blog.

     Quanto a Sardoa, tenho apenas a mencao de mais um Juca Coelho.

     A colonizacao da area da Figueira, hoje Governador Valadares, comecou ainda quando a migracao seguia o curso natural da demanda por terras virgens. Para la se dirigiram levas de migrantes de toda a regiao, particularmente de Virginopolis, Guanhaes e Pecanha. A implantacao da Estrada de Ferro Vitoria Minas possibilitou a expansao da cidade. Mas o grande impulso se deu com a construcao asfaltica, durante a Segunda Guerra Mundial, da rodovia Rio-Bahia.

     Ela foi construida pelos americanos que estavam em grande demanda por materias primas, como a mica e a madeira, em consequencia da guerra. Com o asfaltamento da estrada ate Belo Horizonte, ficou momentaneamente consolidada a lideranca de Governador Valadares na regiao. O grande impulso do desenvolvimento de Valadares nas decadas de 1940 ate 1970 sustentou o assentamento de boa parte dos familiares que emigraram de Virginopolis.

     Com o estancamento do crescimento de Governador Valadares, apos os anos 70, as opcoes que se abriram foram: Brasilia (fundada em 1.960) e Ipatinga que recebeu pesados investimentos para o polo industrial aciario. Hoje-em-dia, o centro economico da regiao deslocou-se para la. Mas o fluxo migratorio da familia agora se divide entre estes tradicionais e a opcao de ir-se para o exterior.

     Atualmente, temos varias colonias virginopolitanas nos Estados Unidos, Portugal, Franca, Italia, Australia e Canada. A cidade de Framingham destaca-se entre as dos Estados Unidos. Nesta e no entorno dela ja pude identificar o nascimento de, pelo menos, cem membros da familia Coelho. Mas as espectativas eh que este numero seja bem maior pelo fato de nao conhecer todo mundo. Aqui se encontram representantes de cada ramo, e nascimentos que representam, simultaneamente, varios ramos de nossa familia.

17. A MATEMATICA GENEALOGICA

     Eu abriria esse tema com a pergunta simples: Com qual palavra nos definimos o grau de parentesco que temos com os filhos de nossos tios?!… A resposta eh obvia: primos…, porem, nao eh num todo correta. Estes sao os casos das tias Maria Rosa (Mariquinhas) e Maria Coelho de Oliveira, as esposas do ti Chico. Os filhos do tio delas, elas os chamavam de filhos. Creio que a nossa geracao conheceu a tia Maria Oliveira, sem imaginar qual o grau de parentesco que tinhamos com ela. Penso ser ela que vivia naquela casa antiga, geminada com a casa antiga do tio Antonio (filho do tio Chico), juntamente com a Lucinda, filha do ti Chico com ela. A tia Maria eh filha da tia Virginia Honoria irma do Ze Coelho e dos outros dez filhos dos avos J. B. C./Maria Honoria Nunes Coelho. A Maria a que conhecemos era filha do Ti Chico e nao a segunda esposa.

     Mas a matematica genealogica nao eh dificil, e prova que a gente usa apenas a tradicao para estabelecermos o nosso grau de parentesco com as pessoas e nao a verdade. Basicamente, nos usamos as palavras pai, mae, avo, avo, bisavos, trisavos (tataravos), tetravos, pentavos; tios, tio-avos e primos, atribuindo graus diferentes se sao filhos de nossos tios, tios-avos, primos, tios-bisavos, etc. Contudo, quando a gente quantifica o nosso grau de parentesco, observa- se que nossos parentes, muitas vezes, mudam de categoria, aproximando, de acordo com a consanguinidade.

     Vamos entao aa matematica. Quando um pai e uma mae dos mesmos filhos nao possuem grau de parentesco entre eles proprios, dizemos que os filhos tem uma consanguinidade entre si e com eles de 50%. Isto eh logico. Em teoria, metade de nossos gens vem de nossos pais e a outra de nossas maes.

     O grau de consanguinidade entre irmaos eh considerado tambem de 50%. Isto eh uma media. Os irmaos podem variar de zero a 100% de consanguinidade. Os gemeos identicos tem material genetico identico, portanto, possuem 100% de consanguinidade. Quando os espermatozoides e os ovulos estao sendo formados, metade dos gens de uma celula reprodutiva forma um ovulo e a outra metade forma outro ovulo. O mesmo acontece na formacao dos espermatozoides. Assim, se coincidisse de um destes ovulos ser fecundado por um daqueles espermatozoides e o par oposto tambem se encontrar formando outro ovo, e deles nascerem duas criancas, entao, as criancas seriam irmas completas, filhas de mesmo pai e da mesma mae, seriam uma menina e um menino, com zero% de consanguinidade. Esta eh uma probabilidade quase impossivel de ocorrer ja que o homem lanca bilhoes de espermatozoides no ato sexual. Alem disso, durante a producao dos dois gametas (ovulo ou espermatozoide) acontece uma fase denominada de crossing-over.

     No crossing-over, os pares correspondentes de cromossomas estao paralelos uns com os outros e fazem trocas de partes de seus segmentos.Seria como se uma pessoa trocasse um dedo midinho, um olho, uma orelha, um figado e um rim com o irmao. No final, cada pessoa ficaria completa, contudo, ficariam um pouco diferentes do que eram antes. Este eh um recurso natural com que Deus nos Proveu justamente para aumentar a diversidade genetica das populacoes, com isso favorecendo a possibilidade de sobrevivencia das especies, pois, mesmo entre irmaos, exceto os univitelinos, nao nascem dois iguais. De qualquer forma, convencionou-se que o grau de consanguinidade entre irmaos seja de 50%.

     Quando dois irmaos se casam com duas pessoas diferentes, nao aparentadas, entao, os filhos de um casal sao primos dos filhos do outro casal, e estes sao primos em primeiro grau. Neste caso, o grau de consanguinidade entre estes primos eh de 25%. O mesmo grau que se tem com os avos, quando nao ha casamentos entre parentes. Isto eh logico porque o esperado eh que nos tenhamos quatro avos, portanto, esperamos receber 25% de contribuicao genetica de cada um.

     De um modo geral, a cada geracao que se passa, a consanguinidade deveria ser reduzida aa metade. Assim, esperariamos ter apenas 12,5% de consanguinidade com nossos bisavos; 6,25% com nossos trisavos; 3,125% com nossos tetravos, etc.

     Tambem eh esperado que tenhamos 25% de consanguinidade com nossos tios; 12,5% com nossos tios-avos; 6,25% com nossos tios-bisavos e a metade disso com os tios-trisavos. O mesmo se da com primos. Os de primeiro grau deveriam ter 25% de consanguinidade; os de segundo 12,5% e os de terceiro 6,25%, etc.

     Neste caso, a consanguinidade que temos com nossos avos, com nossos primos de primeiro grau e nossos tios eh a mesma, ou seja, 25%. Deixo o resto do raciocinio para que os leitores o desenvolvam.

     Mas toda essa teoria cai por terra quando ja ha algum grau de parentesco entre os nossos progenitores ou para os nossos descendentes. Esta eh a situacao dos de la da casa de meus pais, tios, primos etc. No caso particular la de casa, nos temos pai e mae, avos e bisavos como o esperado. Contudo, quando chega a vez dos trisavos e tetravos, o numero esperado comeca a reduzir-se drasticamente.

     Observem o caso da avo Eugenia Maria das Cruz (Coelho) e o avo Francisco Marcal de Magalhaes Barbalho. Eles sao nossos trisavos em dose dupla porque sao os pais dos bisavos: Sa Candinha e Marcal. Nos deveriamos ter um grau de consanguinidade com estes trisavos igual a 6,25% mas temos, pelo menos, 12,5%, o mesmo grau esperado para bisavos, portanto, eles sao, geneticamente, no minimo, nossos bisavos.

     A situacao eh identica em relacao aos trisavos Antonio Rodrigues Coelho e Maria Marcolina do Amaral. Somos bisnetos de dois dos filhos deles, ou seja, da Maria Marcolina (Sa Quinha) e do Joao Rodrigues Coelho. Entao, herdamos deles tambem, no minimo, 12,5% de consanguinidade.

     Os fatos em relacao aos tri e tetravos Joao Baptista Coelho e Maria Honoria Nunes Coelho sao ligeiramente mais complicados. Eles sao nossos trisavos na linhagem do bisavo Jose (Ze Coelho) e tetravos na do Joao Baptista Coelho Jr. Entao, supoe-se que eles nos passaram uma consanguinidade de 6,25% mais 3, 125%, o que soma 9,375%. Somente aparentemente nos nao teriamos com eles uma consanguinidade igual ou superior aa de bisavos, ou seja, 12,5%.

     Como o J. B. C., a Eugenia Maria da Cruz (Coelho) e o Antonio Rodrigues Coelho sao irmaos, eles tornam-se consanguineos conosco por tambem serem nosso tios-trisavos e tios-tetravos. No caso do J.B.C., ele eh quatro vezes nosso tio-trisavo. Assim, espera-se que parte da genetica transmitida para nos pela Eugenia e pelo Antonio seja identica aa genetica do J. B. C., mesmo que ele proprio nao nos tenha transmitido isso. Esta heranca, somada aos 9,375% que as Ciencias Geneticas afimam que eles nos passariam, deve coloca-lo na condicao proxima aa consanguinidade de um avo. No caso, a Maria Honoria eh menos consanguinea conosco porque ela eh somente tri e tetravo uma vez cada.

     E o que dizer, entao, do Cap. Jose Coelho de Magalhaes e da Luiza Maria do Espirito Santo que sao, simultaneamente, cinco vezes nossos tetravos e uma vez pentavos!?… Neste caso, nos temos cinco vezes 3,125%, o que somam 16,125%. Ai se somam mais 1.57% referente ao penta avolato formando os 17,295% de consanguinidade. Entao, eles estao entre serem, geneticamete falando, nossos bisavos e avos e nao tetra e pentavos como a tradicao manda reconhecer.

     Da mesma forma, podemos calcular o grau de consanguinidade entre os filhos de: Dindinha Olimpia/Joao Rodrigues; Tios Simao/Carmelita; e tios Nhazinha/Benjamim. Eles sao considerados primo-irmaos pela tradicao, ou seja, filhos de tres irmaos casados com outros tres irmaos. Por serem primos em primeiro grau, o esperado eh que tivessem 25% de consanguinidade mas, por serem duplo primos em primeiro grau, a consanguinidade dobra. Entao, entre eles proprios ha a consanguinidade semelhante a de irmaos.

     Considerando que o Antonio Rodrigues Coelho eh pai do bisavo Joao Rodrigues e dos tios-bisavos Carmelita e Benjamim e, simultaneamente, irmao do Joao Baptista Coelho, o avo da Dindinha Olimpia, tia Nhazinha e tio Simao, entao, os filhos dos tres casais teriam consanguinidade superior a de irmaos. Eh por isso que brinquei antes, dizendo que a tia Odila tinha se casado com o tio dela e nem
sabia. Na verdade, ela, que eh filha do vovo Cista, que eh neto da Eugenia Maria da Cruz, irma do J. B. C. e do Antonio R. Coelho, com a Dindinha Zulmira (Olimpia/Joao R.) passou proxima a ter se casado com alguem de consanguinidade semelhante a de irmaos, Ja que o tio Eurico eh um dos primo-irmaos por ser filhos do casal Carmelita/Simao.

     Observo aqui que os meus calculos podem nao estar perfeitamente corretos porque existe um diferencial que nao considerei como parte da heranca genetica vinculada aos mesmos pares de cromossomos. A minha intencao eh a de mostrar uma versao simplificada das Ciencias Geneticas de forma a que todos possam compreender os principios dela.

     Um exemplo disso eh o cormossoma X. Ele eh passado da mae para os filhos. A mae sempre passa um X porque ela possui dois. Ja os pais passam o X ou o Y. Assim, um dos X que a tia Odila possui, passado atraves do vovo Cista, vem da mae dele, a Dindinha Ercila . O outro tem tres origens possiveis. A primeira eh o X que a Maria Honoria passou para o J. B. C. Jr. A segunda eh o que a Titi passou para a Dindinha Olimpia. E a terceira eh o que a Dindinha Zulmira recebeu do bisavo Joao Rodrigues que, em primeira mao, havia sido passado a ele pela mae dele, a Maria Marcolina do Amaral.

     Em resumo, o concreto eh que os dois cromossomos X que a Dindinha Zulmira poderia passar, nao vem da linhagem Coelho de Magalhaes, nem eh possivel ter vindo da avo Luiza Maria do Espirito Santo, mesmo ela tendo passado os dela aos tres filhos: Eugenia, Joao e Antonio. Por outro lado, sao poucas as variedades possiveis na especie humana, tanto para o cromossoma X quanto para o Y. Mesmo que venham de familias diferentes, eles podem ser iguais.

     Ha outro diferencial tambem no conjunto dos outros cromossomas. Como parte da heranca passada aos irmaos pelos pais pode ser identica, ou seja, no mesmo cromossoma e mesmo espaco neste cromossoma, ha a possibilidade dessa heranca ser repetida nos tres irmaos e ser possivel de ser repassada apenas uma vez a cada descendente. Neste caso, a simples soma das porcentagens da herdabilidade nao corresponderia aa verdade. Mas estes sao detalhes a cargo da engenharia genetica. Nao influi muito no entendimento geral da materia. Isso so seria missivel atraves da identificacao de um por um dos milhoes de gens que possuimos.

     Outro fator que influi muito na manifestacao dos fatores geneticos eh o estilo de vida que as pessoas levam. Ja se fez pesquisas onde ficou comprovado que as pessoas podem ter mesmas predisposicoes geneticas que outras de sofrerem algum problema de saude. Estas prediposicoes sao mais frequentes em pessoas mais consanguineas, no entanto, as manifestacoes podem ser mais ou menos precoce ficando ligadas ao estilo de vida que as pessoas praticam. Assim, pessoas que cultivam habitos saudaveis apresentam menor quadro de manifestacao de herancas ruins mas que pessoas que nao cultivam bons habitos, embora as predisposicoes geneticas delas possam ser as mesmas.

     Nos, que estudamos na area agropecuaria, sabemos que os hibridos sao mais resistentes que os racas-puras. A gente sabe que o cruzamento entre animais de racas ou linhagens geneticas diferentes produzem filhos mais saudaveis. Isto eh ate quantificado atraves das observacoes de campo e pesquisas. Quando a gente faz o cruzamento dos bovinos de origem indiana com os bovinos de origem europeia, a intencao eh a de produzir animais com aptidao mista de carne e leite. Porem, o que se observa eh que as aptidoes se manifestam 10% acima do que, em teoria, deveriamos obter. Esta performance melhor eh conhecida como vigor hibrido.

     Isto pode se dar porque algumas deficiencias de funcionamento do organismo so se manifestam quando alguns fatores geneticos ocorrem, simultaneamente, nos pares de cromossomos. Numas racas ou linhagens, esses fatores predisponentes ja estao agrupados e ocorrem com frequencia. Racas e linhagens diferentes tem fragilidades tambem diferentes. O cruzamento entre elas impede a manifestacao das fragilidades e resultam na melhor producao.

     Em seres humanos nao ha a preocupacao com a producao dos produtos esperados dos bovinos mas pode-se esperar um efeito benefico em relacao aa saude dos filhos, quando os casamentos se dao entre pessoas de origens diferentes umas das outras. Assim, eu nao me fixo aa ideia, mas creio que seja util todos saberem disso.

     Outra observacao que pode ser feita eh quanto aos comentarios em relacao aa progenie se parecer com os ancestrais, sobretudo os mais consanguineos. Quando vi a foto que a Roxane nos mandou, em que o vovo Cista estava com 13 anos de idade, percebi logo a semelhanca dele conosco, os netos. Isto faz-me recordar uma pintura que vi ha mais tempo, com a figura do Agostinho Bezerra Barbalho, filho do Luis Bezerra Barbalho. Estes dois sao herois do combate aa invasao holandesa no Nordeste do Brasil.

     O luis chegou a governar a Bahia e lutou na restauracao da monarquia portuguesa contra a Espanha (1640). O Agostinho chegou a governar o Rio de Janeiro e tambem teve o cargo regio que hoje corresponderia ao ministerio das minas, representando a coroa no Brasil. Este faleceu em consequencia de febre, contraida numa expedicao exploratoria do Rio Doce, ainda no Estado do Espirito Santo. Pelos servicos prestados aa coroa portuguesa, o Agostinho ganhou a Ilha de Santa Catarina, hoje, eh a capital Florianopolis. (Uma informacao extra eh a de que o sobrenome Bezerra seja oriundo de uma familia nobre da Galicia e norte de Portugal).

     Mas o assunto que trouxe os nomes aa tona eh a aparencia fisica que o Agostinho tem em comum conosco. Nao sabemos se eles sao ou nao nossos ancestrais. Nao sabemos quem sao os pais do Pe Policarpo Barbalho que foi quem levou o sobrenome aa nossa familia. O Pe. Policarpo deve ter nascido em torno de 1.800. Ja o Luis eh de 1.590 e o Agostinho de 1.619 mais ou menos. Portanto, existem uns 130 anos ou mais de linhagem separando o Agostinho do Pe Policarpo, a ser desvendada para chegarmos, pelo menos, aos ultimos anos de vida do Agostinho. Mas, se formos descendentes deles, as aparencias nao enganam.

18. INFORMACOES ADICIONAIS

     A) NOSSO PARENTESCO COM ANTONIO BORGES MONTEIRO

     Eu havia preparado um texto ligeiramente diferente para este subtitulo mas, antes que o passasse a limpo, surgiram informacoes novas. Tudo gracas aa agradavel coincidencia de ter encontrado mais um investigador das historias de nossos ancestrais. Ele se chama Felix Tolentino e eh nosso parente por ser tambem descendente do Antonio Borges Monteiro. Ainda nao o conheco pessoalmente. Mas informou-me que esta filmando um roteiro em torno da vida desse nosso ancestral comum. Mais que isso partilhou comigo preciosas informacoes em torno da vida do Antonio Borges Monteiro.

     Para quem nao sabe ainda, Antonio Borges Monteiro eh natural de Portugal. Nasceu no distrito de Pinhancos (Pinho Grande), no municipio de Seia, no estado da Guarda, em 06.11.1751. Ele eh filho de Caettano Borges e Joana Monteiro e neto materno de: Estevao Rodrigues e Maria Monteiro e paterno de: Manoel Borges e Izabel Rodrigues.

     O avo Antonio Borges Monteiro foi para o Brasil e se casou na Vila do Principe (Serro) com a Maria de Souza Fiuza, em 15.11.1775. Em 03.05.1777 veio ao mundo o Antonio Borges Monteiro Jr. Este casou-se tambem, com a Maria Magdalena de Santana na mesma Vila do Principe, em 17.11.1805. Deste casamento nasceram oito filhos: Antonio Borges Monteiro Jr, Maria Balbina de Santana, Senhorinha Rosa de Jesus, Leonel Tolentino Monteiro, Jose Polidoro Monteiro, Blandina Flora do Patrocinio, Manoel Borges Monteiro e Maria Francelina Borges Monteiro.

     O Antonio Borges Monteiro Jr, ja criando a familia, mudou-se para o arraial de Sao Sebastiao dos Correntes (Sabinopolis) em 1.819. Ai nos encontramos o fio-da-meada do nosso vinculo com nossos ancestrais. A Maria Francelina Borges Monteiro casou-se com o Daniel Pereira do Amaral e foram os pais da Maria Marcolina do Amaral em 25.04.1843. Ela se casou com o trisavo Antonio Rodrigues Coelho e sao ancestrais dos la da casa dos meus pais por dois caminhos, como ja venho comentando.

     Apenas para enriquecimento de informacoes, a nossa tia: Senhorinha Rosa de Jesus casou-se com Jose Carvalho da Fonseca e foram pais da Maria Augusta Cesarina de Carvalho, que se casou com o Cap. Francisco Nunes Coelho, filho dos avos Eusebio Nunes Coelho e Anna Pinto de Jesus. O Cap. Francisco e Maria Augusta sao os pais do Dr. Francisco Nunes Coelho (filho) que foi deputado, senador e proeminente cidadao do Serro, casou-se com Inah de Carvalho e foram os pais do ex-deputado Dr. Rafael Caio Nunes Coelho.

     Do primeiro casamento, o ancestral Antonio Borges Monteiro teve ainda: Doroteia e Joao Barbosa Monteiro. Teve um segundo Casamento com Margarida Maria do Rosario e foi pai de: Maria, Manoel, Margarida, Jose, Ana, Umbelino, Francisco e Isidro.

     Dos filhos, o Isidro mudou-se para o Rio de Janeiro e eh ancestral de Eduardo Pellew Wilson, 2o. conde de Wilson (nao tenho a menor ideia do que o titulo signifique). Este nasceu em 05.10.1964 e casou-se com Maria Augusta de Araujo Jobim.

     A ascendencia nos avos Antonio Jr/Maria Magdalena e Daniel Pereira do Amaral nos credencia como descendentes simultaneamente dos fundadores de Sabinopolis, Guanhaes e Virginopolis.

     Em minhas pesquisas a respeito do avo Antonio Borges Monteiro, acabei encontrando outra parte da familia. Tudo comecou quando encontrei a biografia do Dr. Candido Borges Monteiro na Internet. O Dr Candido foi o medico de familia da familia imperial brasileira, sendo medico particular dos Pedro (I e II), da imperatriz d. Leopoldina. Foi ele quem assistiu ao parto em que foi dada aa luz a princesa Isabel, em 29 de julho de 1846. Se ela nao foi espertinha e chorou de imediato, deve ter sido o primeiro a tamborilar na bundinha branca da prima. Ele assistiu aos partos dela depois.

     O Dr. Candido exerceu muitas funcoes como profissional medico e a servico do Imperio. Foi o primeiro a usar instrumentos modernos (para a epoca) em cirurgias. Foi deputado, senador e presidente nomeado da provincia de Sao Paulo. Pelos servicos prestados, recebeu os titulos de 1o. barao e 1o. visconde de Itauna. Apesar da expressao dos servicos prestados, ha o relato de que continuou honesto por toda a vida.

     Por meio do casamento, a irma do dr. Candido: Ilydia Maria Candida Borges Monteiro tornou-se a primeira baronesa da Lagoa, que acredito ser a Rodrigo de Freitas.

     O fato eh que o dr. Candido, a Ilydia Maria e outros sao filhos de jose Borges Monteiro com a brasileira: Gertrudes Maria da Conceicao. Jose era capitao de milicias e deve ter aportado no Brasil junto com a familia real portuguesa que fugia das investidas de Napoleao Bonaparte. Ele se casou em 1.809. Era filho de Manoel Borges Monteiro e Maria Vaz. Na certidao de nascimento do barao de Itauna (dr. Candido) foi encontrado que, o Manoel havia nascido em Sao Martinho da Guarda.

     Encontrei, via Google Earth, um distrito com o nome de Sao Martinho, perto de Pinhancos, na mesma cidade de Seia, onde o nosso avo Antonio nasceu. Como os nomes dos pais de ambos sao Caettano Borges e Joana Monteiro, vejo que todos somos de uma mesma familia.

     Ha, porem, uma diferenca nos documentos analisados. Nos documentos do avo Antonio indica Seia como bispado de Coimbra. Nos outros documentos esta escrito que o bispado eh do Porto. Ai eh uma estrutura da Igreja Catolica que nao sei se mudaria por alguma razao. Contudo, verifiquei a Historia de Portugal e recordei que o terrivel terremoto de Lisboa se deu em 1.755. Eh possivel que este fato possa tambem ter mexido temporariamente com a estrutura da Igreja.O avo Antonio nasceu quatro anos antes do ano do terremoto, pode ser que o Manoel tenha nascido logo depois. Nao temos a data do nascimento dele.

          B) O NOSSO LADO NUNES COELHO

     Segundo os dados que tenho em maos, o nosso antepassado penta e hexavo Eusebio Nunes Coelho eh natural de Sao Domingos do Peixe, ou seja, a atual Dom Joaquim. Casou-se com Ana Pinto de Jesus, natural de Sao Domingos. Naquele local teriam tido os filhos, na Fazenda Folheta, propriedade da familia. Depois transferiram-se para a Fazenda do Grama, a quatro quilometros do Arraial de Sao Miguel e Almas (Guanhaes).

     Somente temos registros de cinco filhos, dos quais, nao ha mencao a descendencia do Bento e do Antonio. O Cap. Francisco casou-se com a Maria Augusta Cesarina de Carvalho, neta do avo Antonio Borges Monteiro Jr, como ja comentei. O tenente Joaquim Nunes Coelho casou-se com a tia-trisavo Francisca Eufrasia de Assis (Coelho) e fazem parte do nucleo de primeiros moradores de Virginopolis.

     Tudo indica que eles sejam os pais do Jose Coelho Nunes, que se casou com a tia Emidia de Magalhaes Barbalho e do Joao Nunes Coelho, que se casou com a tia Petronilha (tia Pitu) de Magalhaes Barbalho. Definitivo e certo eh que sao pais do Miguel Nunes Coelho, que se casou com a tia Ambrosina (tia Sinha) de Magalhaes Barbalho, confirmando-se ai mais uma trinca de casamentos entre irmaos. Afinal, as maes dessa turma: tia Francisca e trisavo Eugenia eram irmas, os maridos: Joaquim e Francisco Marcal eram concunhados, criaram as familias num quase deserto demografico e tinham filhos de sobra para os casamentos. (nove da tia Francisca e oito da avo Eugenia). E moravam muito proximos uns dos outros, relativamente falando.

     Outro fato eh que o casal Francisca/Joaquim era progenitor do Joaquim (Quinsoh), que se casou com a tia Sebastiana Honoria, que lhe era duplo prima ja que a Maria Honoria Nunes Coelho era sobrinha do tio Joaquim e esposa do J. B. C., o irmao da tia Francisca. Ai se mostra a preferencia que os antigos tinham de casar-se dentro da propria familia.

O mais complicado dos filhos dos avos Eusebio/Anna eh o Clemente Nunes Coelho. Justamente ele tinha que ser nosso ancestral. Eh pai, com uma mulher nao identificada, da tri e tetravo Maria Honoria Nunes Coelho, do Prudencio e do Antonio. Este Clemente teria nascido por volta de 1.806, justo o tempo habil para ele ter sido pai da Maria Honoria e ela tornar-se mae do avo Joao Baptista Coelho Jr, em 1.846.

     Sabe-se que a Maria Honoria era escurinha porque o nome pejorativo que davam a ela era: “a cabrita do Joao Coelho”. Tambem eh dela que se conta que estava nos afazeres domesticos quando um estranho bateu aa serventia da casa. Ao ve-la, o estranho logo sapecou um:”Oh nega, vai chamar o seu sinho…” Ela o fez em silencio. Para surpresa do estranho, aa hora do almoco, se viu sentado aa mesma mesa que a patroa que ele, desrespeitosamente, chamara de “nega”.

     Ao citar outra trinca de irmaos casados na mesma casa, a Ivania cita os tios-bisavos: Lindolpho, Altivo e Josephina (Antonio Rodrigues Coelho/Maria Marcolina) casados, respectivamente, com: Marcolina, Vitalina e Pio, filhos do Clemente Nunes Coelho e Anna Maria. Nao se cita ali a procedencia deste Clemente mas tudo indica que seja o mesmo, porem, com uma segunda esposa, agora identificada. Isto se da pelas datas de 1.864, 1.865 e 1.867, respectivas para os nascimentos dos tios Pio, Vitalina e Marca. Nao se espera que a mesma mulher tenha tido filhos por volta dos anos 1.830 e depois voltar a ter outros nos anos 1.860. Para o avo Clemente, nao seria uma improbabilidade ter uma familia na Juventude e outra em meados dos 50 ate aos 60 da idade dele.

     Isto deve ter criado uma daquelas situacoes complicadas de parentesco nessa familia. Sendo os Pio, Vitalina e Marca meio-irmaos da Maria Honoria, eles sao tios dos filhos do Joao Baptista Coelho que deveriam ser em torno de vinte anos mais velhos que eles. Isto aumentaria em muito a consanguinidade nas familias dos tios: Anisio Rodrigues Coelho, Odette e Otacilio de Magalhaes Barbalho por terem se casado com os descendentes da tia Vitalina com o tio Altivo Rodrigues Coelho. A tia Vitalina seria ao mesmo tempo: tia-afim e meio-tia-bisavo da Dindinha Zulmira e do tio Anisio. Va se la entender essa bagunca!…

C) A NOSSA PORCAO PEREIRA DO AMARAL

     No livro do prof. Demerval Jose Pimenta: “A MATA DO PECANHA – SUA GENTE E SUA HISTORIA” eh mencionado que Miguel Pereira do Amaral teria vindo para o Brasil , em meados de 1.760, da Ilha de Sao Miguel. Este teria se casado com Francisca Angelica da Encarnacao, em Congonhas do Campo, e depois teria se estabelecido no Serro. Menciona-se ainda que a familia teria se mudado para Sao Sebastiao dos Correntes – Sabinopolis.

     Bem, tanto o trisavo Antonio Rodrigues Coelho quanto o trisavo Joao Baptista Coelho Junior casaram-se com representantes da familia Pereira do Amaral. Como ja foi anunciado, a Maria Marcolina do Amaral eh filha do tetravo Daniel e a Quiteria Rosa (Titi) do Amaral eh filha do Joaquim Pereira do Amaral. Nao temos fontes para afirmar se sao irmaos ou primos. O certo eh que, tanto a Maria Marcolina quanto a Titi devem ter datas de nascimentos proximas uma da outra porque se casaram num intervalo de oito anos entre a primeira e a segunda. Isto nos remonta a 25 de abril de 1.848, data de nascimento da Maria Marcolina e 28.11.1.863, do casamento. Nao tenho dados do nascimento da trisavo Titi mas o casamento se deu em 25.11.1.887

     Certo eh que: o Miguel Pereira do Amaral, citado pelo prof. Demerval, deve ser de idade parecida aa idade do avo Antonio Borges Monteiro, portanto, me parece estar faltando uma geracao entre o nosso suposto ancestral: Miguel e os supostos descendentes dele: Daniel e Joaquim. (Essa questao ja foi resolvida em relacao ao ancestral Daniel, que eh filho do Malaquias Pereira do Amaral e Ana Maria de Jesus. Falta localizar os ancestrais do avo Joaquim). Na linhagem do avo Antonio B. Monteiro, nos temos o Antonio Jr e a Maria Francelina para chegarmos aa Maria Marcolina. Portanto, acredito que exista mais uma geracao de ancestrais Pereira do Amaral nascida no Serro ou ja em Sabinopolis. Para o bem da saude genetica de nos que somos duplo Pereira do Amaral, espero que essa possibilidade se concretize e que os avos Daniel e Joaquim sejam apenas primos.

     De qualquer forma, outras possibilidades existem. Em minhas pesquisas, encontrei os registros de casamento da ouropretana Teresa Angelica de Jesus com o cirurgiao Joao Pinto Salgado, em 1.757, na Vila Rica, ou seja, ao lado de Congonhas. Ela eh filha de Ignacio Pereira do Amaral e neta do Antonio Pereira do Amaral. Com isso, mesmo sendo um sobrenome pouco comum, segundo o que encontrei, o Pereira do Amaral esta radicado no Brasil ha mais tempo do que tinhamos noticias. Ha a possibilidade de os nossos dois tetravos virem de ramos diferentes da mesma familia Pereira do Amaral. Atualmente ja encontrei que houve uma familia Pereira do Amaral na regiao de Sao Joao Del’Rei, Carrancas e Lavras no final dos anos 1.700. Espero que tenhamos vinculos com esses.

     Estudando a Historia do Serro, encontrei uma razao logica para a formacao da nossa familia. Quando a gente pensa apenas no lado Coelho, legado pelo Rochinha (Jose Coelho de Magalhaes) a gente tende a interpretar nossa Historia como saindo do Morro do Pilar, aa beira do Corrego do Axupe, passando por Conceicao “do Serro”, e Guanhaes, antes de chegar a Virginopolis. Mas a verdade eh que o Serro foi a origem da colonizacao do Centro-Nordeste Mineiro. Todo o territorio nordeste e norte mineiros pertenceu ao Serro porque la encontrou-se ouro primeiro. O Tejuco, por exemplo, era distrito do Serro quando se encontraram os diamantes que o rebatizaram por Diamantina.

     Em minhas pesquisas a respeito do Serro encontrei, no sitio Flogao, as biografias de muitos serranos ilustres. Entre eles estao o Antonio Rodrigues Coelho Jr, nosso tio-bisavo, que nasceu no distrito de Sao Miguel e Almas, pertencendo ainda ao Serro. La tambem estao os drs. Euler e Alyrio de Salles Coelho, filhos do duplo tio-bisavo Antonio. Outro eh o ilustre prof. Nelson de Senna Coelho. La tambem se encontra o dr. Francisco Nunes Coelho (filho).Vale a pena conferir.

     Em resumo,para os nossos bisavos, o nome Serro soava como capital da Provincia de Minas do Norte. Ouro Preto era tao distante que parecia tao longe quanto o Extremo Oriente eh das Gerais nos dias de hoje. Se nao fosse pelo fato de Ouro Preto ficar no caminho do Rio de Janeiro, passando pela Estrada Real, ninguem nem se lembraria que era a capital do estado.

     Temos de lembrar que Belo Horizonte so surgiu no finalzinho do seculo XIX, e para sair-se de Virginopolis para o Rio de Janeiro precisava-se fazer todas as voltas que a estrada exigia. Neste caso, tinha-se que ir a Guanhaes, D. Joaquim ou Sabinopolis, dirigir-se a Conceicao, Morro do Pilar, Itabira, Santa Barbara, Sabara etc. O atual tracado das rodovias nem sempre respeitam a Historia e isso faz com que a gente perca um pouco do entendimento dela.

D) A QUEDA DA BOLSA DE NOVA IORQUE E A DECADENCIA DE VIRGINOPOLIS.

     Virginopolis foi fundada por pessoas dinamicas e empreendedoras. A vastidao do territorio, ai se conta os municipios de Divinolandia, Gonzaga, Santa Efigenina, Sardoa e Sao Geraldo da Piedade, alem da propria sede em si que foi desmembrada a partir de 1.960, permitiu que o pequeno grupo inicial de moradores se multiplicasse na contagem de dez filhos ou mais por familia. O numero de filhos respondia a uma necessidade por mao-de-obra para o trabalho pesado com a quase total ausencia de ajuda mecanica. Naquela epoca, a maioria das sedes das fazendas eram cercadas por outras construcoes, especialmente os paiois para o estoque de cereais e cafe, o moinho e o engenho d’agua.

     No inicio, a principal atividade era a agricultura e nao a pecuaria como atualmente. Inclusive, um dos derivados dessa agricultura surgiu ja no inicio do seculo XX, ou seja, uma pequena fabrica de charutos. Nao sei informar porque essa atividade cessou. Porem, o plantio do fumo e a producao do fumo de rolo continuou em pequena escala por muitos anos depois.

     A atividade pecuaria mais importante era a suinocultura. Isto porque antes de encontrar-se oleos vegetais nas prateleiras das vendas e bodegas, as cozinhas no Brasil eram tocadas a base de gordura de porco, a famosa banha. A suinocultura tinha a dupla funcao de fornecer banha e carne.

     Usava-se o bovino na producao leiteira e no trabalho mas este nao era a primeira opcao no fornecimento de carne. Isto se dava inclusive porque usava-se o gado de origem portuguesa, o caracu. Era uma raca considerada tardia porque demorava ate cinco anos para ser abatido, enquanto os suinos ja poderiam fornecer carne e gordura aos seis meses de idade. Enquanto se retirava uma partida de bovinos, podia-se obter dez de suinos.

     Um dos carro-chefes da producao agricola em Virginopolis era a cafeicultura. Alias, o clima e o relevo da regiao eram perfeitos para essa producao, alem do que, por a regiao ser de relevo acidentado, a cultura permanente torna-se mais adequada que as culturas anuais, como feijao, arroz e milho. Em poucas decadas depois de os primeiros moradores assentarem suas moradias o distrito atraira a atencao de migrantes de outras areas.

     Mas tudo comecou a andar para tras com a queda da bolsa de Nova Iorque, no final dos anos 1.920. Com a reducao do comercio internacional, a producao cafeeira foi uma das primeiras vitimas. A producao brasileira ultrapassou em muito a demanda e os precos foram para o buraco. Num primeiro momento, o governo brasileiro adotou a medida de queimar, literalmente, parte dos estoques. Mas essa nao era uma medida para dar solucao prolongada ao problema.

Percebendo que nao se podia continuar produzindo apenas para lancar ao fogo depois, o governo do ditador Getulio Vargas decidiu cortar a producao pela metade. Contudo, a metade que ele definiu para o corte dos pes de cafe foi a metade mais ao norte, ou seja, atingindo em cheio o estado de Minas Gerais. O que estava plantado abaixo, de Sao Paulo ao Parana, foi poupado. Ele poderia ter mandado arrancar a metade de cada lavoura e todos sofreriam e se salvariam com isso, mas preferiu proteger os que lhe eram mais proximos.

     Somente mais tarde eh que se percebeu o erro da medida. As terras ao sul do estado de Minas Gerais estavam mais sujeitas aas geadas que matavam a producao do cafe. Foram necessarias decadas para os proprios agricultores do sul substituirem a producao cafeeira por outras menos susceptiveis ao desastre geada, como a soja por exemplo. Mas, de toda forma, Virginopolis ja havia sido prejudicada pela decisao atabalhoada e tendenciosa da ditadura Vargas.

     Aa epoca, uma outra industria comecara a surgir na cidade. Na fazenda do vovo Cista estava sendo implantado o primeiro engenho de acucar da regiao. Como as proibicoes atingiam tambem essa atividade, ai a vaca foi mesmo para o brejo.

     Embora, nos anos que se seguiram, Virginopolis tenha continuado a produzir cereais, a atividade agricola foi rapidamente sendo substituida pela pecuaria de leite e corte. O problema era que a atividade pecuaria, sem a industrializacao dos subprodutos, emprega um numero bem menor de mao-de-obra. Assim, todo o desenvolvimento que se esperava foi por agua abaixo e parte da populacao se viu obrigada a migrar. Foi quando a antiga Figueira, ou seja, Governador Valadares tornou-se opcao. Porque la existia ainda terras devolutas, e logo depois veio o desenvolvimento que acompanhou a implantacao da rodovia Rio-Bahia.

     Mas nem tudo parecia perdido quando os filhos do vovo Juca, particularmente o tio Murillo, decidiram implantar uma fabrica de manteiga ja aproveitando a introducao da pecuaria de leite. O projeto nasceu e o empreendimento estava dando certo. Mas, como aa epoca tudo girava em torno da politica, (e da inveja) o grupo adversario, ainda que sendo gente da propria familia, resolveu abrir uma concorrencia. A atitude sem uma correta analise das consequencias levou os dois empreendimentos aa falencia.

     Desde esse tempo em diante, Virginopolis deixou de atrair contingente de moradores novos e passou a exportar seu excesso populacional. Isso nao quer dizer que nao tenha recebido novas familias, contudo, o que sai eh muito maior do que os imigrantes. Lembro-me do inicio dos anos 1.960 quando haviam na cidade varios imoveis abandonados, registros de que ja havia existido uma populacao maior que a daquele tempo.

     Eh por isso que a populacao virginopolitana que evadiu e os descendentes dela formam hoje um contingente de pessoas cinco ou mais vezes maior que a atual populacao residente no municipio. Nao eh de se admirar que em quase toda viagem que a gente faca pelo mundo encontre alguem com alguma ligacao com Virginopolis. Nem tudo eh mera coincidencia mas sim uma questao de probabilidade.

19. NOSSA GENEALOGIA ANTERIOR AO JOSE COELHO DE MAGALHAES (ROCHINHA)

     Primeiro eh preciso esclarecer que encontrei os dados de uma genealogia, referente a Jose Coelho de Magalhaes, no sitio GeneAll.net. Ainda nao posso confirmar se este eh realmente o nosso Rochinha (ele foi apelidado por Jose Coelho da Rocha). O fato eh que acredito existir naquele sitio algo que se aproxime em torno de um milhao de nomes, entre repetidos em pessoas diferentes ou nao. Mas existe apenas um Jose Coelho de Magalhaes. O Jose no sitio nasceu por volta dos anos 1.750.

     Nao temos a data do nascimento do nosso avo mas como ele foi pai em 1.782 do Jose Coelho de Magalhaes Filho, a data se encaixa perfeitamente no esperado. O sitio tras aquele Jose mas nao  revela o estado civil dele. Tambem eh compativel com o nosso antepassado, ja que ele se casou no Brasil, com uma brasileira, portanto, os dados poderiam ter ficado retidos no Brasil. Um dos motivos pelos quais se deu a Revolucao Pernambucana em 1.817 foi porque era ate proibido o casamento entre brasileiros natos e portugueses.

     Para nos constatarmos, ou nao, se somos descendentes da pessoa que tem o nome posto no GeneAll.net, precisamos encontrar o registro de batismo de qualquer um dos filhos do casal Jose Coelho de Magalhaes/Eugenia Rodrigues da Rocha. O registro pode ser tanto do Jose Coelho de Magalhaes Filho quanto dos irmaos dele: Joao, Antonio e/ou Felix Coelho de Magalhaes e da Clara Maria de Jesus. Importante eh que revele os nomes dos avos paternos. Eh possivel que este registro esteja sob a guarda de alguma igreja no Serro porque la era a sede municipal na epoca. Senao, pode estar no Arquivo Mineiro. Talvez valha a pena cacar esse papelinho. (Minhas investigacoes posteriores a este texto nada revelaram a este respeito mas algo pode ser encontrado em Conceicao do Mato Dentro – MG. Ha la um arquivo organizado e talvez se encontre o testamento, um registro de sesmarias ou mesmo os documentos pessoais dos casamentos dos irmaos Joao e/ou Jose Coelho de Magalhaes Filho).

     Isto seria para que comprovassemos que realmente pertecemos aa linhagem que irei transcrever neste capitulo. Contudo, mesmo que nao sejamos descendente especificamente do Jose postado naquele sitio, eh provavel que sejamos descendentes de um primo e homonimo dele. Isto por causa das tradicoes de nossa familia que nos dao como certo que o nosso ancestral, vindo de Portugal, da Provincia do Minho (antiga Provincia do Entre Douro e Minho que era mais conhecida apenas por Minho), pertencia aa nobreza portuguesa, era descendente do Egas Moniz, o Aio, e, como nos lembra o prof. Nelson Coelho de Senna: “Nos procedemos do sangue dos Reis e os Reis provem do nosso sangue.” E isto foi exatamente o que encontrei na genealogia dos Coelho. Vamos a ela entao. 

     Primeiramente, vou apenas recordar os nomes dos quatro matripatriarcas Coelho de Magalhaes em Virginopolis, sao eles, em ordem de nascimento:
1.818 Francisca Eufrasia de Assis/Joaquim Nunes Coelho
05.04.1.822 Joao Baptista Coelho/Maria Honoria Nunes Coelho
10.09.1.824 Eugenia Maria da Cruz/Francisco Marcal de Magalhaes Barbalho
22.01.1.829 Antonio Rodrigues Coelho/Maria Marcolina do Amaral

     Os quatro eram filhos do Cap. Jose Coelho de Magalhaes Filho, tambem conhecido como Jose Coelho da Rocha Filho que nasceu em 1.782 e da Luiza Maria do Espirito Santo, nascida em 1.789. O Cap. Jose Coelho de Magalhaes Filho e os irmaos dele eram filhos do portugues, natural da Provincia do Entre Douro e Minho era alferes de milicia que se transformou em fazendeiro no Morro do Pilar: Jose Coelho da Rocha e da brasileira, provavelmente, natural de Morro do Pilar: Eugenia Rodrigues Rocha. (Recentemente encontrei uma foto na Internet, de uma Fazenda Axupe e identificada como sendo em Conceicao do Mato Dentro e nao Morro do Pilar. Se for a fazendo de nossos ancestrais talvez os nossos dados anteriores estejam incorretos. O endereco da foto eh: http://www.panoramio.com/photo/2352337).

     Agora porei a genealogia que encontrei. Ela se refere ao portugues, encontrado no sitio GeneAll.net, com o nome de Jose Coelho de Magalhaes. Vou colocar os nomes em sequencia. A pessoa colocada em primeiro lugar sera filha do casal que estiver logo na linha abaixo. Assim estaremos caminhando cada vez mais para as raizes. Em primeiro lugar, porei os nomes dos pais do nosso suposto ancestral. Colocarei uma linhagem materna e a paterna, ate encontrarmos o Soeiro Viegas Coelho, que seria o primeiro Coelho a adotar a assinatura e transmiti-la aa descendencia. Segue entao:

     Ana Josefa de Magalhaes Pinto/Bernardo Antonio Pinto de Mesquita
Joao de Magalhaes Coelho/Isabel Maria Pinto
Jeronimo Ribeiro/Maria Teixeira de Seixas
Domingos Coelho de Magalhaes/Antonia Ribeiro
Isabel Pinto de Magalhaes/Belchior Dias
Ana Coelho/Gregorio Magalhaes de Azevedo
Fernando Coelho/Violante Pinto

     1.450 Diogo Coelho de Sampaio/Isabel de Sampaio
Rodrigo de Sao Paio Coelho/N (desconhecida)
1.370 Fernao Coelho (1o. sr. de Filgueiras e Vieira)/Catarina de Freitas
1.340 Goncalo Pires Coelho/Maria Silva
1.320 Pero Esteves Coelho/D. Aldonca Vasques Pereira
1.290 Estevao Coelho/Maria Mendes Petite
1.260 Pero anes Coelho/D. Margarida Esteves
1.200 Joao Soares Coelho/Maria Fernandes
1.160 Soeiro Viegas Coelho/Mor Mendes Gandarei

     Agora vou inverter o genealogia do Jose Coelho de Magalhaes de materna para paterna:

     Bernardo Antonio Pinto de Mesquita/Ana Josefa de Magalhaes Pinto
     Antonio Pinto de Mesquita/Angela Vieira Seixas
Simao Pinto de Mesquita/Maria Barbosa
Antonio Pinto de Mesquita/Maria de Lemos
1.550 Simeao Pinto Machado/Ana da Mesquita 1.560
1.525 Violante de Freitas “a mentirosa”/Lancarote Pinto 1.510
1.475 Manuel Dias Ribeiro de Vasconcelos/Joana Ferreira
1.450 Diogo Anes Ribeiro de Vasconcelos/Isabel Francisca de Queiroz
1.425 Joao Goncalves Ribeiro de Vasconcelos/Maria Anes Calva
1.400 Goncalo Ribeiro (comendador)/Maria Goncalves
1.360 Rui Vasques Ribeiro (sr.)/Violante de Sousa
1.340 Rui Mendes de Vasconcelos/Constanca Alvares
1.320 Goncalo Mendes de Vasconcelos (alcaide)/Teresa Rodrigues Ribeiro
1.275 Mem Rodrigues de Vasconcelos(sr.)/Constanca Afonso de Brito
1.230 Rodrigos Anes de Vasconcelos/Mecia Rodrigues de Penela 1.245
1.210 Maria Soares Coelho/D. Joao Peres de Vasconcelos (sr. da Torre de Vasconcelos).
1.160 Soeiro Viegas Coelho/Mor Mendes de Gandarei 1.170

     A genealogia que se segue refere-se ao avo Soeiro para tras:

     1.135 Egas Lourenco Coelho/N…. de Penagate
Lourenco Viegas/Maria Gomes de Pombeiro
1.080 Egas Moniz, o Aio/Dordia Pais Azevedo
1.050 Monio Ermiges, sr. de Ribadouro/Ouroana
1.020 Ermigio Viegas, ” ” ” /Unisco Pais
1.000 Toda Ermiges/Egas Moniz de Ribadouro 977
980 Ermigio Aboazar/Vivili Turtezendes
960 Aboazar Lovesendes/Unisco Godinhes
940 Lovesendo Ramires/Zayra ibn Zayda
900 Ramiro II, rei de Leon/Onega?….
860 Ordonho II, ” ” ” /Elvira Mendes de Portugal
838 Alfonso III, ” ” ” /Ximena Garcez de Pamplona
800 Ordonho I, ” ” ” /Munadona de Vierzo
780 Ramiro I, ” ” ” /Paterna de Castilla
760 Bermudo, principe de Leon/Ursinda Muniadona de Coimbra
743 Froila de Leon/N (desconhecida)
725 Froila I, rei de Leon/Munia Froilaz
690 Alfonso I, rei das Asturias/Ermesinda de Asturias
660 Pedro, duque da Cantabria/N
630 Ervigio Favila/Liubigotona Balthes
610 Adrebasto Balthes/N
580 Antanaguildo Balthes/N
550 Hermenegildo II Balthes/Ingunda d’Austrasie
525 Leovigildo de Septimania Balthes/Theodosia de Cartagena
502 Amalric I Balthes (rei)/Clothilde de France
Alaric II Balthes (rei visigodo)/Theodegota dos Ostrogodos
Euric I Balthes (rei)/Ragnahild
Theodoric I (rei)/N
Teodorico (rei)/Flavia Gala Placida
Gala Placida/Ataulfo (rei)
346 Gala/Teodosio I, imperador de Roma
Valentiniano I, imperador do Ocidente/Justina
Graciano, o velho/N

Aa altura da nossa ancestral, Clothilde de France (data referencia 502), encontramos que ela eh filha de:

       466 Clovis, rei dos Francos/Santa Clotilda de Bourgogne 470
Childeric I, ” ” ” / Barsine
415 Meroveco/Vercia 419
395 Clodio’Basina 398
Pharamond, rei Franco/Imbergide

     A Santa Clothilde eh filha de:

            Chiperic/Agrippine
Gundovech, co-rei dos Burgoes/N
Gundicar, ” ” ” ” /Helene
Godemar, rei dos Burgoes/N
Gebicca, rei dos Burgoes/N

     Na altura dos nascimentos por volta de 1.320, onde se localiza o nosso ancestral: Pero Esteves Coelho, na linhagem da Ana Josepha de Magalhaes Pinto, encontramos um cruzamento que nos leva aa familia Pereira, mais precisamente aa esposa do Pero que eh a D. Aldonca Vasques Pereira. Ela eh prima em segundo grau do D. Nuno Alvares Pereira, o santo Nun’Alvares, ou Nuno de Santa Maria, o segundo condestavel de Portugal. Nos somos descendentes de duas das meio-irmas dele. Mas por eu ter encontrado primeiro a genealogia da D. Aldonca, vou coloca-la aqui tambem. Ela eh filha de:

     1.280 D. Vasco Pereira, conde de Trastamarra/Ines Lourenco da Cunha
1.250 D. Goncalo Pereira/D. Urraca Vasques Pimentel
1.220 D. Pedro Rodrigues Pereira/Estevainha Rodrigues Teixeira
1.170 D. Rui Goncalves Pereira/Sancha Henriques de Portocarreiro
1.150 D. Goncalo Rodrigues da Palmeira/D. Froille Afonso de Celanova
1.130 D. Rodrigo Froias de Trastamarra/D. Urraca Rodrigues de Castro
1.100 Forjaz Vermuis de Trastamarra/Elvira Goncalves de Vilalobos
1.080 Moninha Goncalves da Maia/Rodrigo Forjaz de Trastamarra 1.070
1.060 Goncalo Mendes, o Lidador/Urraca Teles
1.020 Mendo Goncalves, 3o. sr. da Maia/Ledegundia Soares Tainha
1.000 Goncalo Trastamires, 2o. sr. da Maia/Unisco Sisnandes
Trastamiro Aboazar, 1o. sr. da Maia/Dordia Soares.

     Aqui a nossa genealogia se encontra com o ramo inicial porque nosso ancestral Trastamiro eh irmao do Ermigio Aboazar e eles sao bisnetos do rei Ramiro II, de Leon. Tambem eh preciso voltarmos um pouco aa altura dos anos 1.370 e 1.360 onde encontramos os nossos antepassados Violante de Sousa, esposa do Rui Vasques Ribeiro, na linhagem do Bernardo Antonio Pinto de Mesquita. A avo Violante foi a primeira que encontrei com vinculo com a familia real portuguesa. Por isso colocarei a genealogia dela mas sao muitos outros os vinculos com os mesmos ancestrais. Segue, entao, ela eh filha de:

     1.350 D. Lopo Dias de Sousa/Maria Ribeiro
1.330 D. Alvaro Dias de Sousa/D. Maria Teles de Menezes 1.338
1.305 D. Diogo Afonso de Sousa/D. Violante Lopes Pacheco 1.310
1.260 D. Afonso Dinis/D. Maria Pais Ribeiro 1.285
1.210 D. Afonso III, rei de Portugal/Maria Peres de Enxara
1.185 D. Afonso II, rei de Portugal/Urraca, Infanta de Castilla
1.154 D. Sancho I, rei de Portugal/Dulce de Barcelona 1.160
1.109 D. Afonso Henriques, 1o. rei de Portugal/Mahaut (Mafalda) de Savoia 1.125
1.069 Henri de Bourgogne/Teresa de Leon 1.080
1.035 Henri, duque de Bourgogne/Beatriz (?) de Barcelona 1.035
1.011 Robert I, o velho, duque de Bourgogne/Helie de Semur 1.015
972 Robert II, o piedoso, rei da Franca/Constance d’Arles 986
941 Hugues I Capet, rei da Franca/Adelaide de Poitou 950
895 Hugues, o Grande, marques de Neustrie/Heduvige von Sachsen 922
866 Robert I, rei da Franca/Beatrice de Vermandois 880
820 Robert, o Forte, marques de Neustrie/Ema d’Auxerre 830
800 Guido, graf von Maine/Oda

     Esta linhagem genealogica segue por mais umas dez geracoes, envolvendo a nobreza Franca mas sem nomes com impacto na Historia Universal, por isso, vou abandona-la agora. Somente para que tenham uma ideia de um dos caminhos em que a nossa genealogia se cruza com o imperador do Sacro Imperio Romano, Carlos Magno, vou pegar como exemplo a nossa avo Beatrice de Vermandois, que eh esposa do Robert I, rei da Franca. Segue entao, ela eh filha de:

        840 Herbert I, conde de Vermandois/Berthe de Morvois
818 Pepino II, conde de Vermandois/Rothaeide de Bobbio
795 Bernardo, rei da Italia/Cunegonde de Gellome de Toulouse
773 Pepino I, rei da Italia/Ingeltrude d’Autun
747 Carlos Magno, imperador/Hildegard von Vintschgau 758
714 Pepino III, o Breve, rei dos Francos/Berthe de Laon
690 Carlos Martelo, duc de Austrasiens/Rotruda de Treves
635 Pepino d’Heristal/Alpaide von Sachsen
600 Ansegisa, prefeito do palacio/Santa Begga 610
580 Santo Arnoldo, eveque de Metz/Oda.

     Se voces lerem estas genealogias, nome por nome, lembrar-se-ao de outros vultos historicos que estao ligados a eles. Eh tanta gente que fica dificil citar todos. Mas lembrem-se que a avo Zayra ibn Zayda eh descendente do profeta Mohammed. A Urraca, Infanta de Castilla eh filha da Eleanor Plantagenet, princesa da Inglaterra com o Alfonso VII, rei de Castilla e, portanto, sobrinha do Ricardo, Coracao de Leao.

     A Teresa de Leon, esposa do Henri de Bourgogne, eh filha do Alfonso VI, rei de Castilha, que eh filho do Fernando I, o Magno, rei de Castilha e Leon. A avo Mahaut de Savoia, vem  da familia de Savoia que descende de nossas raizes mais profundas. Ela e outros. E por ai vai. Boa sorte a quem desejar saber mais.

20. UM INSTITUTO DE GENEALOGIA

     Esta eh uma ideia que tenho desenvolvido aa medida que transcorrem as minhas descobertas genealogicas de nossa familia e de todas as familias, possivelmente, do mundo. A principio pensei em que se poderia criar uma instituicao assim, em Virginopolis e regiao, para que a Grande Familia, mesmo aqueles que ja tenham perdido contato com a cidade, tivesse um ponto de referencia para quando desejasse visitar os locais de morada de seus ancestrais. Ai eu estava pensando apenas na parte da familia que se formou la, e sua descendencia.

     Porem, vejo que o projeto pode crescer e muito. Assim como desejamos visitar os locais onde viveram os nossos avos, eh possivel que tenhamos vontade de conhecer outros lugares que foram o destino de parentes proximos de nossos ancestrais. Por exemplo, o avo do Duarte Coelho, ou seja, o Martim Coelho, tambem eh nosso ancestral. (Marim Coelho, II sr. de Felgueiras, eh irmao do Rodrigo de Sao Paio Coelho). Portanto, quando estivermos fazendo alguma visita turistica a Pernambuco, acredito que esta visita tera um colorido especial, porque quando ele for mencionado como construtor ou residente de alguma benfeitoria, nos lembraremos de que ele eh nosso primo e nao apenas uma figura importante da Historia Brasileira. Eh possivel que algumas pessoas sintam as emocoes saltarem sob a pele, diante de uma situacao dessa. E isto enriquece a visita turistica.

     Como ja comentei, Minas Gerais nasceu a partir da Estrada Real. Para determinados pontos foram as primeiras levas de moradores europeus em busca do ouro e outras coisas preciosas. Esgotado o ouro, percebeu-se que as riquezas e belezas do lugar eram muito maiores e poderiam sustentar a vida dos que desejassem residir definitivamente nela. Assim, foram se formando grupos de pioneiros que foram implantando novas vilas, num sentido radial aos centros historicos. As primeiras cidades de Minas Gerais como: Mariana, Ouro Preto, Sabara, Serro, Pitangui, Caete, Sao Joao Del Rei e outras mais se tornaram maes de outras. Destas filhas surgiram netas. E hoje temos um estado com quase mil municipios.

     Paralelo aa multiplicacao dos municipios, as populacoes que as habitam, sao descendentes dos antigos moradores das primeiras. Por isso, devemos ter em conta que nossos ancestrais, depois de ter aportado no estado, oriundos geralmente de Sao Paulo ou diretamente de Portugal sao, da mesma forma ancestrais de muita gente que a gente nem sequer imagina ser nossa aparentada. Eh so nos lembrarmos daqueles calculos de que nos temos pai e mae. Eles tem pai e mae para que tenhamos quatro avos. Assim, esperamos que tenhamos oito bisavos. Numa sucessao que tornam as possibilidades infinitas.

     Eh tambem por causa disso que sei que temos algum vinculo com aquela genealogia postada no capitulo anterior. Entre 1.750 e 1.250, ou seja, em quinhentos anos de Historia, as possibilidades sao tantas que acredito ser impossivel que nao encontremos ancestrais que nos liguem a aquele exemplo de genealogia. Basta um unico caso e nos faremos parte, com toda certeza, desta Arvore.

     Mas o Instituto Genealogico que penso, deve ter um sitio oficial. Poderia ate ser o GeneAll.net se isso for possivel, ou outro, com banco de dados semelhantes. Neste seriam postados as nossas genealogias, nao apenas da familia Coelho, de acordo com os documentos e registros civis e religiosos nos quais for possivel ter acesso. Paralelo a isso devem ser acrescentadas biografias das pessoas que se tenha conhecimento dos dados de suas vidas. Posteriormente postei nossos dados no www.geneaminas.com.br. Quem quizer pode visita-los.

     Em cada cidade porem, preferivelmente nas bibliotecas frequentadas pelas criancas em idade escolar, deve-se ter um resumo, semelhante aas linhagens que eu apresentei no capitulo anterior, da genealogia local com as ligacoes que levam aas figuras historicas do Brasil e do mundo, exposto em ambiente que todos possam ver, tipo em um mural de parede. O objetivo eh fazer com que as criancas vejam, desde a mais tenra idade, o grau de parentesco que possuem com os vultos da Historia. Acredito que elas iriam memorizando o grau de parentesco que possuem com estes personagens para quando estudarem a disciplina se sentirem mais atraidas para o assunto. Espera-se que a mesma emocao em se conhecer lugares relacionados aos nossos parentes importantes se de tambem no aprendizado.

     No fundo, os objetivos do Centro Genealogico seriam muitos. Vou apenas relacionar alguns. O primeiro seria obvio, o conhecimento da nossa genealogia. O conhecimento da genealogia levaria a um melhor interesse pelo conhecimento da Historia como um todo.Teria tambem a consequencia de saber-se o grau de consanguinidade que temos com as pessoas, para que se possa fazer uma melhor prevencao no caso de casamentos consanguineos, e ate instruir os jovens e alerta-los para, na medida do possivel, evita-los.

     Outro objetivo que considero importante eh a elevacao da autoestima do povo brasileiro. Muitos de nos se sente inferiorizados pelo baixo grau educacional de nossa populacao. Demonstrar que nos somos descendentes das figuras historicas mundiais ira provar que nao somos inferiores em nada. O que nos falta sao investimentos na educacao. Sabendo disso, o povo brasileiro podera aprender a reinvindicar aos governantes um melhor respeito a seus direitos.

     Tambem as prefeituras municipais poderiam usar estas informacoes para atrair turistas para as suas cidades. Elas poderiam cadastrar os descendentes de seus cidadaos para convida-los a visitar as propriedades que pertenceram a seus ancestrais, alias, o proprio povo da cidade poderia tornar-se um atrativo a mais por ter algum parentesco com o visitante.

     Por outro lado, pode tambem procurar atrair visitantes do exterior mostrando a eles, que sao descendentes das mesmas pessoas que os moradores de suas cidades. Muitos se sentirao atraidos em conhecer o que foi construido por seus aparentados. Eh importante que nao haja aqui um clima de competicao entre prefeituras. Com o trabalho em conjunto e solidario poder-se-ia atrair mais turistas para todas.

     Bom, esta eh a ideia. Ofereco-a a quem desejar aproveitar porque vivendo no exterior como estou vivendo, nao tenho como po-la em pratica.

 

 

 

ARVORE GENEALOGICA DA FAMILIA COELHO NO SITIO: www.geneaminas.com.br

maio 3, 2010

Conteudo deste blog – All contents

0. PURA MISTURA

https://val51mabar.wordpress.com/2016/11/26/trumpando-o-eleitor/

https://val51mabar.wordpress.com/2016/09/17/ridiculosamente-falando/

https://val51mabar.wordpress.com/2016/06/08/conspiracoes-alienigenas-tesouros-desaparecidos-e-dominacao/

https://val51mabar.wordpress.com/2015/12/23/aliens-conspiracies-disappeared-treasures-and-dominance/

1. GENEALOGIA

https://val51mabar.wordpress.com/2017/11/13/a-familia-de-manuel-rodrigues-coelho-em-resumo/

https://val51mabar.wordpress.com/2017/03/11/a-historia-e-a-familia-barbalho-coelho-andrade-na-historia/

https://val51mabar.wordpress.com/2016/12/04/500-anos-de-historia-e-genealogia-da-presenca-barbalho-no-brasil/

https://val51mabar.wordpress.com/2016/10/22/encontro-jose-vaz-barbalho-mais-uma-vez-e-outras-noticias-para-a-familia-coelho/

https://val51mabar.wordpress.com/2016/03/25/os-rodrigues-coelho-e-andrade-do-carlos-drummond-em-minas-gerais/

https://val51mabar.wordpress.com/2015/07/22/um-nosso-lado-cristao-novo-e-talvez-outro-paulistano/

https://val51mabar.wordpress.com/2015/05/10/nos-os-nobres-e-a-avo-d0-juscelino-tambem-pode-ter-sido-barbalho-coelho/

https://val51mabar.wordpress.com/2015/03/07/algumas-notas-genealogicas-20132014/

https://val51mabar.wordpress.com/2014/04/14/genealidade-e-genealogia-de-ary-barroso/

https://val51mabar.wordpress.com/2013/12/06/genealogias-de-familias-tradicionais-de-virginopolis/

https://val51mabar.wordpress.com/2013/05/30/barbalho-coelho-pimenta-no-site-www-ancestry-com/

https://val51mabar.wordpress.com/2012/09/11/barbalho-pimenta-e-talvez-coelho-descendentes-do-rei-d-dinis/

https://val51mabar.wordpress.com/2011/02/24/historico-do-povoamento-mineiro-genealogia-coelho-cidade-por-cidade/

https://val51mabar.wordpress.com/2012/07/02/familia-barbalho-coelho-no-livro-a-america-suicida/

https://val51mabar.wordpress.com/2010/05/23/a-historia-da-familia-coelho-do-centro-nordeste-de-minas-gerais/

https://val51mabar.wordpress.com/2011/04/24/a-familia-coelho-no-livro-a-mata-do-pecanha/

https://val51mabar.wordpress.com/2010/05/03/arvore-genealogica-da-familia-coelho-no-sitio-www-geneaminas-com-br/

https://val51mabar.wordpress.com/2010/09/22/ascendencia-dos-ancestrais-jose-coelho-de-magalhaeseugenia-rodrigues-rocha-uma-saga-a-ser-desvendada/

https://val51mabar.wordpress.com/2012/01/17/a-heranca-furtado-de-mendonca-no-brasil/

2. RELIGIAO

https://val51mabar.wordpress.com/2011/05/29/a-divina-parabola/

https://val51mabar.wordpress.com/2011/01/28/o-livro-do-conhecimento-de-deus/

https://val51mabar.wordpress.com/2010/01/22/carta-de-libertacao/

3. OPINIAO

https://val51mabar.wordpress.com/2014/06/08/a-iii-gm/

https://val51mabar.wordpress.com/2013/01/03/israel-as-diversas-verdades-e-o-padececer-da-palestina-e-outros-textos/

https://val51mabar.wordpress.com/2010/06/26/faixa-de-gaza-o-travessao-nos-olhos-da-humanidade/

https://val51mabar.wordpress.com/2013/05/12/neste-mundo-so-nao-eh-gay-quem-nao-quizer/

4. MANIFESTO FEMINISTA

https://val51mabar.wordpress.com/2010/07/21/13-estrelas-mulher/

5. POLITICA BRASILEIRA

https://val51mabar.wordpress.com/2014/04/19/movimento-fora-dilma-fora-pt-que-osso-camarada

https://val51mabar.wordpress.com/2010/10/16/o-direcionamento-religioso-errado-nas-questoes-eleitorais-brasileiras/

https://val51mabar.wordpress.com/2010/10/19/resposta-de-um-neobobo-ao-excelentissimo-sr-ex-presidente-fernando-henrique-cardoso/

https://val51mabar.wordpress.com/2011/08/01/miilor-melou-ou-melhor-fernandes/

https://val51mabar.wordpress.com/2010/08/05/carta-ao-candidato-do-psol-plinio-de-arruda-sampaio/

https://val51mabar.wordpress.com/2010/05/26/politica-futebol-musas-e-propaganda-eleitoral-antecipada-obama-grandes-corporacoes-e-imigracao/

6. MISTO

https://val51mabar.wordpress.com/2014/06/08/a-iii-gm/

https://val51mabar.wordpress.com/2013/11/06/trilogia-de-variedades/

https://val51mabar.wordpress.com/2012/12/30/2012-in-review/

https://val51mabar.wordpress.com/2012/07/02/familia-barbalho-coelho-no-livro-a-america-suicida/

https://val51mabar.wordpress.com/2015/01/25/03-o-menino-que-gritava-lobo/

https://val51mabar.wordpress.com/2015/01/25/minhas-postagens-no-facebook-i/

https://val51mabar.wordpress.com/2015/01/25/minhas-postagens-no-facebook-ii/

https://val51mabar.wordpress.com/2015/01/25/minhas-postagens-no-facebook-iii/

https://val51mabar.wordpress.com/2015/01/25/meus-escritos-no-facebook-iv/

https://val51mabar.wordpress.com/2015/02/14/uma-volta-ao-mundo-em-4-ou-3-atos-politica-internacional-do-momento/

7. IN INGLISH

https://val51mabar.wordpress.com/2010/06/02/the-nonsense-law/

https://val51mabar.wordpress.com/2010/08/21/13-stars-woman/

https://val51mabar.wordpress.com/2011/10/05/the-suicidal-americaa-america-suicida/

https://val51mabar.wordpress.com/2010/08/25/100-reasons-to-amnesty-the-undocumented-workers-in-united-states/

https://val51mabar.wordpress.com/2009/09/25/about-the-third-and-last-testament/

https://val51mabar.wordpress.com/2009/09/12/the-third-and-last-testament/

8. IMIGRACAO

https://val51mabar.wordpress.com/2010/06/17/imigracao-sem-lenco-e-sem-documento-o-barril-transbordante-de-injusticas/.

 

Framingham, 31 de marco de 2010

INDICE

01. INTRODUCAO
02. PECO PERDAO AOS OUTROS GENEALOGISTAS DA FAMILIA.
03. COMO NAVEGAR NA ARVORE.
04. OS MOTIVOS QUE ME LEVAM A INCENTIVAR E AJUDAR A MANTER UMA ARVORE GENEALOGICA.
05. RELEMBRANDO A HISTORIA PARA COMPREENDER A GENEALOGIA.
06. A HISTORIA E GENEALOGIA MEDIEVAIS EM PORTUGAL.
07. HISTORIA E GENEALOGIA BRASILEIRAS E MINEIRAS.
08. PERSONALIDADES E REFERENCIAS NA FAMILIA.
09. DA NECESSIDADE DA INCLUSAO DE PARENTES DOS PARENTES NA ARVORE.
10. EFEITO DAS ESTRADAS NA CONFECCAO GENEALOGICA E CONCEPCAO GEOGRAFICA.
11. PEQUENO EXERCICIO DE FUTUROLOGIA.
12. A RELATIVIDADE DO TEMPO E A RECONSTITUICAO DOS ANOS DE 1960 EM VIRGINOPOLIS.
13. EPILOGO.
14. POST SCRIPTUM.

01. INTRODUCAO.

Um grande e afetuoso abraco a toda essa nossa familia maravilhosa, incluindo os parentes dos parentes.

Vou diretamente ao assunto para nao incomodar aos que nao se interessarem por ele.

Acabei de passar os dados, que tenho em maos, da nossa Arvore Genealogica, aos administradores do sitio: http://www.geneaminas.com.br e eles ja os estao publicando. O grosso das informacoes sao os contidos no livro: ARVORE GENEALOGICA DA FAMILIA COELHO, da Ivania. Complementando este, mandei tambem os dados contidos no livro: ARVORE GENEALOGICA DA FAMILIA DE JOSE BAPTISTA COELHO, da tia Ruth e da Mariza (Preta).

Em menor proporcao, acoplei os dados citados no livro: A MATA DO PECANHA, do prof. Demerval Jose Pimenta. O livro dele eh mais um registro das familias que se estabeleceram no Centro-Nordeste de Minas Gerais durante e logo apos ao “CICLO DO OURO”.

Estas publicacoes sao complementares entre si em relacao aa nossa familia porque o livro do prof. Demerval Pimenta mostra os registros de varios sobrenomes vindos de Portugal e o caminho que fizeram ate chegar a alguns dos nossos antepassados, que estao presentes nas primeiras geracoes citadas pela Ivania. (Ressalva-se que ele cita Maria Rodrigues de Magalhaes Barbalho como mae da avo Eugenia Rodrigues da Rocha (vulgo Eugenia Maria da Cruz I) mas acreditamos que o sobrenome correto possa ser Rodrigues Coelho). Ja o livrinho da tia Ruth e da Preta eh mais especifico e atualiza a familia do “padrim” Ze Coelho ate o ano de 1996.

Embora o livro mais recente seja especifico e limitado aa descendencia do bisavo Ze Coelho, ele atualiza um pouco da descendencia de outros ramos da nossa familia, na medida em que primos casaram-se entre si. Este eh o caso do seo Dimas, do ramo dos tios-bisavos: Daniel R. Coelho/Marina – Tia Nenen que se casou com a d. Cidinha, filha da tia Ceci. Os casos sao inumeros.

Geralmente, quando a gente visita os sitios de genealogia, um dos primeiros avisos expostos eh o de que genealogia alguma eh completa. Isso eh verdade, principalmente quando a gente busca as geracoes mais distantes da nossa. A dificuldade esta em as pessoas nem sempre ligarem para o assunto, atribuindo isso a uma “frescura” de algumas pessoas excentricas. Mas a verdade eh bem outra e a manutencao de Arvores Genealogicas com o maior numero de informacoes corretas e possiveis tem grande importancia em assuntos de historia, medicina, politica e ate geografica. No decorrer desta carta eu procurarei informa-los melhor a esse respeito.

Neste caso, voces que forem estudar a propria genealogia, observarao que partes dos dados de nossa familia, mesmo em ramos com grande proximidade, estao vazias. Em alguns casos a gente encontra o nome do casal de algumas geracoe anteriores aa nossa. Sao pessoas que conhecemos de fato ou de ouvir falar mas cuja descendencia nao esta registrada.

Bom, um dos motivos para isso ter acontecido, e me lembro bem quando a Ivania estava em vias de publicar o livro dela, eh que muita gente simplesmente nao enviou os dados ou estava “enrolando”. Outras vezes trata-se de pessoas que estavam espalhadas ja pelo mundo e nao puderam ser contatadas. Lembrem-se ainda que a edicao a que estou me referindo data de 1979. 31 anos atras nao existia Internet, o celular era um projeto de ficcao cientifica e so existia no filme: “Jornada nas Estrelas”.

Sabendo de toda a dificuldade que era naquela epoca fazer algo mais completo, a Ivania tomou a decisao correta de publicar o que possuia em maos, sob pena de nunca publicar nada se insistisse em publicar algo mais completo.

Alem do que ja citei, eu passei dados que eu proprio venho recolhendo. E durante o pouco tempo que tenho pesquisado, ja experimetei uma boa dose da dificuldade que eh realizar um projeto desses. Nem todo mundo compreende a necessidade, outros desconfiam de alguma intencao nao revelada. Isso se da principalmente com pessoas que conviveram menos ou nem conviveram com a gente, mas fazem parte da imensa familia que eh a nossa.

O que eu tenho procurado fazer eh recolher dados novos e dar continuidade a aqueles ramos que muitas vezes estao limitados ao nome do casal. Mas claro, tenho feito isso gracas aas circunstancias. Uma delas eh a minha idade atual que caminha, aceleradamente, mais que o Rubinho Barrichelo, para os 52 anos. Outra eh ter morado em Virginopolis toda a minha juventude, o que me permitiu conhecer pessoalmente, ou de ouvir falar, um numero razoavel dos componentes da nossa Arvore Genealogica.

Um exemplo pratico da ajuda que esta circunstancias me dao. No livro da Ivania esta apenas citado que o seo Fernando, filho dos tios-bisavos: Anna Honoria e Candido de Oliveira Freire, casou-se com a sa Luiza. Quando eu comecei meus estudos nao tinha a menor ideia de onde vinha a sa Luiza, porem, eu conheci quase todos os filhos deles. Um deles eh o tio Miguel, marido da tia Lia.

E foi essa proximidade com a familia eh que levou-me a descobrir que a sa Luiza eh filha de outro casal de tios-bisavos, que sao: Emygdia Honoria/Amaro de Souza Silva. No livro da Ivania esta registrado apenas o seo Joao de Souza Coelho como filho do casal. Depois que descobri os nomes dos outros, ampliou-se muito o pouco entendimento que eu tinha de nossas relacoes familiares porque era muita gente que conheci, sabia que tinha algum vinculo familiar mas nao sabia explicar porque.

Assim, para recompor, em parte, a familia dos seo Fernando/sa Luiza foi so recorrer ao proprio livro e aa minha memoria. Primeiro, no livro encontravam-se os dados do tio Miguel, dona Chiquinha (segunda esposa do seo Elifas) e o seo Gabriel. Eles voltaram aas paginas do livro por terem se casado com primos. Depois foi so ir lembrando, com a ajuda da Edna do tio Miguel, os nomes dos outros. Claro que: Virginia, Vita, Rafael e Juvenal fizeram de uma forma ou outra parte da minha infancia ou juventude por morarem em Virginopolis e, no caso do seo Rafael, ser pai de meus colegas. Outros como o Secundo e Ana ficaram mais na lembranca pela descendencia que conheci. Eu so me dei conta que existiu o Jose porque estava em Virginopolis no dia em que o tio Miguel foi ao enterro dele em Gonzaga. Claro, nao se pode esquecer da Cira Guimaraes. Ela tem dois motivos para entrar na familia. Um por ser adotiva e outro por ser, de fato, sobrinha-neta da sa Luiza.

Outra familia que se pode reconstituir, em parte, eh a do Ostino (Washington) e d. Lili. O casal esta sem os filhos no livro da Ivania. Mas nele proprio voltam o Jaime, que casou com a Cirinha da d. Diva; o Amilar, que se casou com a Darcilia do tio Darcy e a Amilza, casou com o Ze do seo Octavio Coelho. Na genealogia do Ze Coelho temos a Amira que casou com o Walter do tio Bernardino. Dai vem o Joao Bosco, cuja idade eh semelhante aa dos mais velhos da casa de meus pais; o apelidado de Fio que acabou de brotar em minha memoria e, pelo menos, mais uma que fugiu pelo ladrao da mesma memoria.

Fora o recurso de usar os proprios livros para recompor os ramos nao registrados, eu tenho buscado informacoes de pessoas mais antigas. Em julho de 2009 eu passei ferias em Virginopolis e Santa Efigenia. Na medida do possivel eu colhi varias informacoes. Por coincidencia, foi entre Virginopolis e Santa Efigenia, abrangendo Divinolandia e Gonzaga que a familia dos tios-bisavos: Emygdia Honoria/Amaro de Souza se multiplicou, antes de ganhar o mundo. Assim, atraves de um contato ou outro, acabei localizando oito nomes dos outros filhos, alem dos dois que ja estavam no livro, a saber: sa Luiza e seo Joao de Souza.

E os meus contatos por la acabaram rendendo frutos. Um tempo apos retornar, recebi um e-mail da Socorro de Souza, a quem conheci quando crianca por ela ter morada na casa dos seo Dimas/d. Cidinha em Virginopolis. No e-mail ela enviou-me uma boa colecao de nomes de parte da descendencia da familia Souza Coelho. Embora a relacao enviada contivesse basicamente apenas os primeiros nomes de cada pessoa, eu resolvi publicar assim mesmo. Acredito que esta citacao sera suficiente para aumentar a empatia das pessoas que se virem nos dados e, assim, se animem a ajudar a completar as informacoes.

Enfim. Este eh o objetivo da publicacao. Eh facilitar o reencontro das pessoas com suas raizes, seus amigos, suas memorias, suas historias. Quando a gente se inclui em uma Arvore Genealogica, a gente esta, automaticamente, entrando para um livro de Historia porque somos a consequencia do passado e a causa do futuro.

02. PECO PERDAO AOS OUTROS GENEALOGISTAS DA FAMILIA.

Antes de continuar estas notas, preciso enderecar as minhas desculpas mais sinceras aos outros genealogistas da familia. Foi que eu agi um pouco por impulso ao enviar nossos dados ao geneaminas.com antes de qualquer consulta previa. (Lembrando-me do tio Murillo Coelho que faleceu recentemente, eu corri como um Zatopeck – sobrenome de um famoso corredor de maratonas dos anos 40/50 que acabou dando origem aa giria usada pelo tio).

Tudo aconteceu meio aas pressas. Em contatos com a Ivania e a Preta (Mariza da tia Ruth) por exemplo, eu ja sabia da intencao delas em publicar os trabalhos delas. Porem, qualquer atividade extra aa rotina leva sempre as pessoas humanas a duvidarem de si mesmas. E esse trabalho demanda muito tempo disponivel, conhecimento e paciencia, portanto, eu compreendo o adiamento da concretizacao da vontade delas.

Paralelo a isso, eu estava buscando na Internet fontes que me pudessem fornecer dados de nossos ancestrais anteriores aos que eu ja tinha acesso. Joguei varias palavras chaves mas nao encontrei o que estava buscando. Pelos sobrenomes, por exemplo, encontrei alguns de nossos parentes. Um exemplo que me lembro eh o Tacinho da tia Biloca. Lembro-me que encontrei varios outros Rodrigues Coelho com extensao a ele mas nao era nada completo. Tinha que ir montando como se fosse um quebra-cabecas.

Depois eu encontrei o Familiaridades. Quando acessei, ja estava la uma parte pequena da nossa Arvore. Ate me animei com o visual e as possibilidades.

Ja estavam nela o Antonio Augusto (Braga e Graciola – filha dos tios-bisavos: Benjamin/Nnhazinha – pag. 121 do livro da Ivania) e a Aline Perim (Salome do Joao Batista Neto/Lucinda Xavier – pag. 142 do livro da Ivania).

O visual do sitio eh bonito porque a gente pode acoplar as fotografias das pessoas aos nomes. Reconheci logo o tio Benjamin porque ja vi fotografia dele na biblioteca em Virginopolis. Foi bom conhecer por foto a simpatia que era a tia Nnhazinha. Ate entao eu conhecia somente de nome. A foto do Braga revelou-me a mesma imagem dele que conheci quando crianca.

Porem, veio o lado pratico da coisa. Quando comecei a colocar os dados, percebi que existiam elementos complicadores. Quando voce coloca o seu nome, o sistema te instala e aparece uma pagina que da varias opcoes como: nome de pais, irmaos, conjuges, filhos etc.

Quando voce da qualquer sequencia, por exemplo, o nome do seu pai, o sistema ate oferece a comodidade de voce poder lancar o nome da pessoa desejada numa linha de consulta para que ele verifique se o nome ja esta registrado como parente de outra pessoa. Se a resposta for positiva, eh so mandar o sistema copiar que as duas descendencias se acoplam.

Porem, toda vez que voce registra uma pessoa, o sistema te transfere automaticamente para a pagina daquela pessoa. Assim, se eu registrar o meu pai, aparece o nome dele como central. Ai a gente pode se enganar e registrar o nome de nossa mae no espaco que esta pedindo mae. Quando voce registra eh que percebe que voce registrou sua mae no lugar da mae do seu pai.

Navegando a parte da Arvore que esta naquele sitio eu percebi um engano. Eh que uma de nossas trisavos, pelo lado Magalhaes Barbalho, se chama Eugenia Maria da Cruz. Ela esta registrada no local exato onde deveria estar. Contudo, a avo dela se chamava: Eugenia Rodrigues Rocha mas tinha o apelido de Eugenia Maria da Cruz.

O fato complicador nisso ai eh que, se voce ja registrou o nome de uma pessoa e tiver outra com o mesmo nome, o sistema te indica isso. Se for a mesma pessoa eh so copiar. A Aline deve ter pedido para copiar o nome e, talvez, nao tenha percebido que todos os dados foram copiados. Com isso, a nossa trisavo virou nossa pentavo tambem. Eu tentei consertar mas o sistema nao me permitiu. Deve ser porque nao fui eu quem fez o primeiro registro. Assim temos la: duas Eugenia Maria da Cruz, com as mesmas datas de nascimento, mesmas de falecimento etc. O problema eh que, na verdade, uma eh avo da outra.

Voltei novamente aa Internet e mandei buscar o nome genealogia. Entre as respostas eu encontrei o http://www.geneaminas.com.br.

Ele eh um sitio pequeno ainda mas agradou pela simplicidade e organizacao. Eram poucas as colecoes mas acessiveis por estarem organizadas pelos nomes das cidades que as originaram.

Eu logo acessei a porcao de Itabira porque nossa tradicao afirma que a Dindinha Ercila eh prima dos Carlos Drummond de Andrade, porem, ate hoje nao encontramos o vinculo que mostrasse em qual grau. Para a minha decepcao, encontrei a familia do poeta mas os dados eram, em parte, os que eu ja conhecia porque estao publicados no GeneAll.net. Essas colecoes nao trazem as descendencias de todos os tios-avos e tios-bisavos do Carlos Drummond, o que nos impede de identificar o vinculo da Dindinha com ele.

Porem, em contrapartida, encontrei la o Fabio dos tios-bisavos: Benjamin/Nnhazinha e o ex-deputado Rafael Caio Nunes Coelho. Ambos, claro, constam nos nossos livros por serem de nossa familia tambem.

Por eu ter dados mais antigos que mostram o Serro como sendo berco de parte de nossos ancestrais, xeretei la tambem. Nas raizes da familia serrana encontrei o casal Joao de Souza Azevedo e Doroteia Barbosa Fiuza. Eles sao trisavos da Maria Marcolina Borges Monteiro. Na colecao do Serro esta a descendencia de uma de nossas tias-hexavos por parte do heptavo: Joao de Souza Azevedo. Alem disso, enriquece o nosso conhecimento indicando que os nomes de nossos octavos por esse lado se chamam: Ana Coelho e Manuel de Souza Azevedo.

Outra informacao util eh que esse Coelho Souza Azevedo veio direto de Portugal. Mais precisamente de Vila Nova do Norte que pesquisei e, provavelmente, se refira a Vila Nova de Gaia ou Vila Nova do Familicao. Ambas no entorno da cidade do Porto.

Esses dados me animaram a optar pelo geneaminas, embora eu tivesse duas duvidas. A primeira se dava porque eu nao sabia se seria possivel fazer-se as coneccoes de primos casados com primos. Por exemplo, o bisavo Joao Rodrigues Coelho casou-se com a Dindinha: Olimpia Coelho do Amaral e eles sao primos em segundo grau. Se eu registrasse a descendencia na pagina da Dindinha, para navegar ate aa casa dos pais do avo Joao Rodrigues, ter-se-ia que dar a volta, ou seja, clicar no Joao Baptista Coelho Junior, Joao Baptista Coelho, Cap. Jose Coelho da Rocha, ai voltar nos filhos: Antonio Rodrigues Coelho e Joao Rodrigues? Ou seria feita a ponte direta e o Joao Rodrigues seria ligado diretamente aos pais dele?

Outra comodidade que favoreceu ao geneaminas foi que bastou um e-mail e a questao foi esclarecida de modo pessoal e positiva. Ate ao momento em que estou escrevendo essas notas, as coneccoes nao foram feitas mas a promessa eh de que serao. A garantia veio de um dos administradores, o Jose Eduardo, com o qual tenho tido contato.

A outra duvida que eu tinha era a de que: se a minha iniciativa de disponibilizar nossos dados para o geneaminas iria desagradar ou nao aos outros genealogistas da familia, em particular a Ivania e a Preta. Bom, essa duvida eu devo ficar com ela ate o dia em que voces receberem esse e-mail.

Dai o motivo pelo qual, de antemao, ja estou pedindo desculpas. No momento que comecei eu imaginei que a surpresa fosse causar apenas sentimentos agradaveis mas nunca se sabe. Mas reconheco que a atitude unilateral tambem eh uma intrusao. Com todo direito e razao as pessoas podem ter o sentimento contrario ao que era o nosso primeiro pensamento.

03. COMO NAVEGAR NA ARVORE.

Certamente, quando todas as coneccoes ficarem prontas isso ficara muito facil. Mas por enquanto a navegacao segue uma disposicao semelhante ao que esta no livro da Ivania. A imensa diferenca foi ela ter dado preferencia ao ramo Antonio Rodrigues Coelho/Maria Marcolina e eu aos trisavos Joao Baptista Coelho/Maria Honoria.

Quem tiver o livro em maos, basta pegar o mapinha que o acompanha para ficar mais facil de entender. No cabecalho estao os ancestrais Jose Coelho de Magalhaes/Eugenia Rodrigues Rocha. Eles tiveram cinco filhos. Clara Maria, Felix e Antonio que ficaram solteiros. Joao e Jose tiveram a terceira geracao de descendentes representada nele.

Na realidade, o livro nao abrange propriamente toda a descendencia dos avos Jose e Eugenia. Ele eh dedicado a tres dos filhos do Jose Filho. Este casou-se com a avo Luiza Maria do Espirito Santo e foram pais de oito filhos: Jose Neto; Maria Luiza (Nha Moca); Francisca Eufrasia; Ana Maria (Nha Ninha); Joao Baptista; Eugenia Maria; Antonina (que faleceu crianca) e Antonio Rodrigues.

Apos apresentar essa familia, o livro abre apenas a pagina 11 para apresentar os primeiros descendentes do primeiro neto que foi o Jose Coelho da Rocha Neto. A dificuldade esta em que a familia dele deve ter permanecido em Conceicao do Mato Dentro e, com o passar das geracoes, perdeu-se o cantato com ela.

A tia Francisca Eufrasia de Assis (tia Francisquinha segundo o recente falecido Joao Coelho), a segunda da familia que se casou, tem a familia representada em apenas duas paginas. A 12, onde estao ela, o tio Joaquim e os filhos. E a 13, que apresenta um pouquinho da descendencia do Joaquim Filho (Quinsoh). Mas ai ja eh uma descendencia compartilhada porque o Quinsoh casou-se com a tia Sebastiana Honoria Coelho, prima em primeiro grau dele e filha dos trisavos: Joao Baptista/Maria Honoria.

Da pagina 14 aa 20, o livro muda da descendencia dos avos Jose/Luiza para a do irmao dele: Joao Coelho de Magalhaes/Bebiana Lourenca de Araujo. Esta parte eh apenas uma pincelada rapida. Creio que tenha tido o objetivo de demonstrar o nosso relacionamento com o ex-deputado e prestigiado autor: Nelson Coelho de Senna e a familia da neta do capitao Joao: Agueda (Gueda). Esta, com o major Innocente de Leao Freire, deu inicio aos Coelho Leao e alguns deles acabaram se casando na familia dos avos Jose/Luiza.

Somente a partir da pagina 20 eh que o livro demonstra ao que veio. Nela estao explicadas as relacoes amorosas do trisavo Antonio Rodrigues Coelho. Na pagina 21 vem o enlistamento dos 16 filhos e filhas do trisavo Antonio, sendo os 14 primeiros, na lista, com a avo Maria Marcolina Borges do Amaral e as outras duas filhas com duas amantes diferentes. Exceto por um Benjamin que faleceu por volta dos 3 ou 4 anos de idade, todos se casaram.

Dai o livro segue a sequencia dos filhos do trisavo Antonio com a trisavo Maria Marcolina. Primeiro os 13, depois a Julia Salles, filha dele com a amante Anna Girou Bonefoi. O livro nao apresenta nada da tia Emidia Justiniana de Aguiar que foi filha da outra amante: Getulia Justiniana de Aguiar, alem do marido: Joaquim Leandro Pereira.

Somente na pagina 136 eh colocado o trisavo Joao Baptista Coelho com a trisavo Maria Honoria Nunes Coelho e a relacao dos 12 filhos e filhas. Dai comeca novamente, familia por familia, do mais velho para o mais novo. A diferenca eh que nao precisou colocar a descendencia de varios descendentes do casal por causa dos casamentos intrafamiliares. Seis dos descendentes dos trisavos Joao Baptista/Maria Honoria casaram-se com sete filhos e filhas do trisavo Antonio Rodrigues Coelho. Isso, somente nas duas primeiras geracoes depois deles.

Entre as paginas 163 e 164 ha uma extra que apresenta a familia Magalhaes Barbalho. Ela foi iniciada pelo pe. Policarpo Barbalho e a avo Genoveva (Vita) de Magalhaes. O nome da avo Vita nao eh citado no livro mas o Odinho o encontrou numa biografia do bispo d. Manoel Nunes Coelho, que eh bisneto do casal. (O sitio eh: http://www.sfreinobreza.com/eclesiasticobispos02.htm – O nome do D. Manoel esta grafado como Manuel e existe alguns erros la como indicar que a trisavo Eugenia seria filha do tio-tetravo Joao). O sobrenome perdura ate aas geracoes atuais gracas ao trisavo Francisco Marcal de Magalhaes Barbalho. Ele conservou o sobrenome em todos os filhos.

Mas, apesar do sobrenome, a familia nao eh menos Coelho que o restante. A trisavo Eugenia Maria da Cruz e a filha dos tetravos: Cap. Jose Coelho de Magalhaes Filho, mais conhecido pelo apelido de Jose Coelho da Rocha Filho e Luiza Maria do Espirito Santo. O sobrenome Magalhaes Barbalho deve ser o menos numeroso mas o mesmo nao posso afirmar do sangue. Eh que os trisavos Francisco Marcal/Eugenia Maria da Cruz tiveram apenas oito filhos e filhas. Seis mulheres e dois homens. Uma delas nao se casou, a tia Julia. As outras cinco deram origem a filhos Nunes Coelho, Magalhaes Pacheco e Magalhaes. Nenhum Barbalho. Somente o Ti Pedro e o bisavo Marcal mantiveram a alcunha.

E a ordem no livro segue o mesmo esquema dos anteriores. Mas o numero aparente poderia ate ter ficado menor do que o que esta anotado no livro porque os familiares do Ti Pedro, Raul da tia Vita, tio Marcial, tia Biloca e outros poderiam ter sido transferidos para as descendencias postas em paginas previas por descenderem simultaneamente dos Rodrigues Coelho e/ou Baptista Coelho.

Da pagina 218 a 230, temos um rescaldo de quem havia ficado de fora. Temos um pouco da descendencia dos tetravos: Daniel Pereira do Amaral/Maria Francelina Borges Monteiro, pais da trisavo: Maria Marcolina Borges do Amaral. Um tanto menos dos pentavos: Eusebio Nunes Coelho/Ana Pinto de Jesus (que no sitio dos bispos esta como Ana Honorata), que sao os avos da Maria Honoria Nunes Coelho, a esposa do trisavo: Joao Baptista Coelho. Um resumo da descendencia dos tetravos: Joaquim Pereira do Amaral e Maria Rosa dos Santos Carvalhais, que sao os pais da trisavo: Quiteria Rosa do Amaral – Titi, que foi a esposa do trisavo: Joao Baptista Coelho Junior. E, para finalizar, a descendencia do Joaquim Bento Filho que havia ficado de fora da ordem natural do livro. Ele eh filho dos tios-bisavos: Quim Bento/tia Cunuta.

No livro, varias familias nao estao na ordem sequencial. Mas nao eh motivo de nenhum alarme porque sao poucos os casos. Um desses casos eh o Antonio Ferreira da Silva (pag.88), filho dos tios-bisavos: Angelina Marcolina/Janjao (pag. 96). O tio Anisio esta na pagina 99 e o Guido e o Justino na 87. Sao casos em que os filhos, aparentemente, nasceram primeiro que os pais.

Como eu disse antes, a organizacao da familia no sitio: http://www.geneaminas.com.br eh semelhante aa do livro. O fato eh que eu estava em duvida se as coneccoes seriam possiveis ou nao. Dai eu preferi centralizar primeiro a descendencia dos trisavos: Joao Baptista/Maria Honoria. Assim, enquanto as coneccoes nao forem feitas, todo mundo que descende deles deve procurar saber as vias que descende porque eh la que se encontrarao.

Isso eh valido para os sete filhos e filhas do trisavo: Antonio Rodrigues Coelho. Assim, a descendencia da tia Julia Salles esta na casa do tio Antonio Paulino Coelho. As da bisavo Maria Marcolina (sa Quinha) e tia Virginia estao na pagina do bisavo: Ze Coelho. O mesmo se da com o bisavo Joao Rodrigues e os tios Benjamin e Maria Carmelita. A descendencia deles esta na pagina da Dindinha Olimpia, tia Julia (Nnhazinha) e tio Simao, respectivamente. Eles sao filhos do trisavo Joao Baptista Coelho Junior e Titi.

Em alguns casos eu estava em duvida onde postar algumas familias. Este eh o caso da do Henrique da tia Elgita com a Ester (Teca) dos tios-avos: Sinval/Maricas. A principio eu pensei em nao posta-los e deixar que os membros da familia decidissem em qual casa eles preferiam. Mas na certeza de que depois serao feitas as coneccoes e ai nao fara diferenca porque a familia ira aparecer tanto em uma casa como na outra, eu decidi posta-los na pagina dos tios-avos: Sinval/Maricas. Em principio eu havia pensado em nao postar as geracoes com menos de 50 anos de idade para facilitar o meu trabalho porque depois as proprias pessoas iriam preencher os seus dados. Resolvi aumentar a minha carga por causa dos que nao ligam para essas coisas e nao iriam completar, ou que ainda nao tem acesso aa Internet.

No caso do tio Daniel Rodrigues Coelho, a descendencia dele sera encontrada na pagina da tia Nenen (Marina Coelho de Oliveira). Ela eh filha dos tios-bisavos: Anna Honoria Coelho e Candido de Oliveira Freire.

A familia dos tios-bisavos: Altivo Rodrigues Coelho/Vitalina foi quase toda absorvida pelos Batista Coelho tambem. Maria Magdalena e Palmira casaram-se com o seo Dimas Batista Coelho, que eh filho do Antonio Paulino e da transferida Julia Salles. O Cecil casou-se com a Ephigenia Guimaraes que eh neta tambem dos tios Antonio Paulino/Julia Salles. O Zinho (Hercy) casou-se com a tia Odette (Dindinha Zulmira/vovo Cista). E a dona Adalgisa com o tio Anisio (Dindinha Olimpia/Joao Rodrigues).

O mesmo acontece com o lado Magalhaes Barbalho. O Ti Pedro foi com toda a descendencia para a casa da tia Antonia Honoria. O vovo Cista continuou na pagina da Dindinha Zulmira como esta no livro. O tio Marcial voou para a casa do sogro: Ze Coelho. A Carmelita Pacheco – Sianita – permaneceu tambem como nora da tia Anna Honoria e a descendencia esta na casa do Bernardino – Dino. O Ze Claro e a Julia da tia Quiteria voltaram para a casa do Ti Xico, pai dele. Tia Dulce continuou na casa do ti so Ti (Ze Coelho/Sa Quinha).

A casa dos bisavos: Candida (Sa Candinha)/tio Joaozinho ficou vazia. O Joao Magalhaes foi pra casa da Alda (Ti Pedro/tia Antonia). A tia Emidia (Miluca) esta na pagina do tio Evencio (Joao Jr/Titi). A avo Davina, claro, mudou-se para… Nao, depois eu conto. A tia Maricas esta na pagina do tio Sinval (Dindinha Olimpia/Joao Rodrigues). A tia Candida eh do Jose(tia Antonia/Ti Pedro). O tio Gastao voou para o espaco da Julita (tios-bisavos: Nnhazinha – Julia/Benjamin).

Os unicos que sobraram foram: o tio Sao (Wilson); o so Li e o tio Getulio que, apesar de o livro nao registrar, deixaram descendencia. O tio so Li foi pai do Jose. E o tio Getulio eh o pai biologico da dona Aracy que se casou com o Zezito do Zeze Lucio.

Aqui eh bom que se abra uma nota explicativa. A informacao foi indiretamente passada pela propria dona Aracy. A gente sabe que legalmente ela eh filha do Sinclair. Porem, sempre foi notorio que a esposa do Sinclair dava os pulos de cerca dela. Tanto que o Sinclair acabou sendo assassinado por uma fatalidade. Ele surpreendeu um dos amantes dela com a esposa. No desespero, o amante matou o marido por medo de ser morto.

Mas eu vim a conhecer que a dona Aracy eh prima em primeiro grau da mamae porque a propria, um dia, aproximou-se da mamae e perguntou: “Oh Judith, voce sabia que nos somos primas?” A mamae foi pega totalmente de surpresa porque esse era um assunto que o puritanismo ja ate fizera esquecer. Mas, diante da surpresa, mamae nao teve alternativa senao de reconhecer o conhecimento do fato. Mas parece que a dona Aracy queria apenas confirmar que o fato era conhecido e nao um segredo guardado a sete chaves. Assim, isso ficou conhecido entre a nossa geracao. Nos tinhamos sido colegas dos filhos da dona Aracy sem imaginar que se tratasse de outros primos tao proximos. A Ione chegou a ser estagiaria em minha sala que ja tinha a Maria Carmelita como aluna.

Para asseguarar que ninguem se perca, quando voces estiverem navegando numa familia e ali voces encontrarem apenas o conjuge do filho da casa e sentirem falta da descendencia, verifiquem, entao, nas informacoes pessoais dessa pessoa. Se a descendencia tiver sido posta na pagina do marido ou da esposa que entrou na familia, eu deixei la escrito de quem eles sao filhos e netos. A intencao eh facilitar a localizacao da descendencia, enquanto as coneccoes nao forem feitas.

Nalguns casos eu deixei escrito que deixaria aa escolha da familia se incluir na pagina do pai ou da mae. Depois eu acabei mudando de ideia. Assim, seguindo ao meu raciocinio de concentrar toda a descendencia dos avos: Joao Baptista/Maria Honoria no tronco iniciado por eles, eu transferi a familia do Raul da tia Vita para a casa da Maria Helena. Ela eh filha do Cesario de Souza Coelho, filho dos tios-bisavos: Emygdia Honoria/Amaro de Souza Silva. Eu mudei de ideia porque, ja que as coneccoes sao possiveis de ser feitas, quando essa ponte estiver pronta, todos os transferidos compartilharao as casas dos pais. Assim, ao chegar aa casa da Maria Helena, por exemplo, o Raul estara la e, automaticamente, os pais e ancestrais dele.

Agora, voltando ao caso das preferencias, eu acabei concentrando toda a descendencia do bisavo Jose Baptista Coelho – Ze Coelho – no ramo produzido por ele. Isso se deu porque, quando comecei a estudar a nossa genealogia, era o unico ramo que eu tinha atualizacao em maos. Nesse caso, eu preferi os que os dados mais completos ficassem num so bloco porque isso facilitaria a navegacao e postagem dos dados.

A consequencia disso eh que, por exemplo, os descendentes da Vandinha e do Harold dos tios: Odette/Zinho devem buscar-se nas paginas do Oldemar e da Maria Natalia, respectivamente. O mesmo se da com a Ionia da tia Oneida e outros. Toda descendencia do Ze Coelho esta ligada a ele, por enquanto.

A unica excecao, ao que me lembre, eh a do vovo Juca. Quando eu comecei a instalar a Arvore no sitio, o sistema exigia que eu comecasse de mim mesmo. Assim, eu postei a mim mesmo, meus pais e meus avos. Depois, eu postei meu lado paterno, indo ate ao pe. Policarpo/Vita. Ja raciocinando que as coneccoes seriam feitas, acabei seguindo tambem a linhagem da Dindinha Zulmira, ou seja, Dindinha Olimpia, Joao Baptista Coelho Junior, Joao Baptista Coelho, Cap. Jose Coelho de Magalhaes Filho (ou Coelho da Rocha), alferes Jose Coelho de Magalhaes e Bernardo Antonio Pinto de Mesquita. (Se quizerem constatar o que vem depois a partir dai, visitem o sitio GeneAll.net, na divisao pessoas).

Dai para frente, eu fui preenchendo da raiz para os galhos.

So que as coneccoes nao vieram tao rapido quanto eu esperava. Assim, eu puz a descendencia toda do vovo Juca no inicio da minha Postagem. Quando puz a relacao de filhos dos trisavos: Joao Baptista Coelho/Maria Honoria Nunes Coelho, eu tive que catalogar la o Ze Coelho. Eh por isso que o nome do vovo Juca esta colocado quatro vezes. Uma como meu avo, outra como filho do Ze Coelho, a terceira como genro dos bisavos: sa Candinha/tio Joaozinho e, a quarta, como genro da Sinha Gininha/Gabi Pereira. Porem, a descendencia esta apenas na parte em que ele aparece como meu avo. Ali estao tanto a descendencia da vovo Davina quanto da vovo Petrina.

Tomem cuidado com um detalhe de navegacao. Quando voces entrarem nessa parte, e forem visitar a descendencia da vovo Petrina, voces terao que olhar na ficha do vovo Juca. La esta escrito: “casou-se com” e o nome dela estara la. Depois que entrarem e quizerem voltar, poderao ter a sensacao de que estao presos porque nao aparecerao nem os pais do vovo Juca nem da vovo Petrina. Para voltar eh preciso ir novamente na ficha do vovo Juca e clicar o nome da vovo Davina. Isso pode acontecer com todas as pessoas que tiveram mais de um conjuge. Isso acontece na casa do trisavo: Antonio Rodrigues Coelho tambem. Portanto, eh preciso estar sempre atento.

Enfim, enquanto as coneccoes nao ficarem prontas, o tronco Magalhaes Barbalho estara separado dos outros Coelho. E o caminho eh em forma de U. Se voce ja estiver no lado Barbalho, eh preciso ir ate ao casal Eugenia Maria da Cruz/Francisco Marcal. Dai se vai em direcao aos filhos e clica sobre o nome do bisavo Marcal e depois o nome do vovo Cista (Trajano). Neste caso ja aparecem os nomes da Dindinha Olimpia e do Joao Rodrigues. Ai se vai em direcao aos pais e clica-se sobre o da Dindinha, depois do pai dela e, por fim, do avo. Basta inverter essa ordem se o caminho contrario for o desejado.

Para visitar-se os outros troncos tem-se que clicar o nome do Cap. Jose Coelho. Ai eh so escolher qual tronco dos filhos dele deseja visitar. O restante, facam como mandar a intuicao. Para facilitar, tomem uma folha de papel e vao anotando a sequencia dos nomes que estiverem clicando. Se quizerem retornar ao que ja viram antes, o mapa estara em suas maos.

Se nao souberem por onde comecar ou desejarem localizar uma pessoa que nao saibam sua relacao familiar com ela, joguem o nome dela no espaco de busca. Se souberem apenas o sobrenome, eh so joga-lo na busca e depois verificar na lista que aparecera. Clique sobre o nome desejado e o sistema os transportara para a pagina da pessoa.

Enfim, divirtam-se e atualizem seus dados. O sitio geneaminas.com eh publico e gratuito. E a comunicacao com os administradores eh relativamente facil.

04. OS MOTIVOS QUE ME LEVAM A INCENTIVAR E A AJUDAR NA MANUTENCAO DE UMA
ARVORE GENEALOGICA

Existem muitos motivos praticos que favorecem a argumentacao de manter-se uma Arvore Genealogica organizada. Embora nem todas sejam do conhecimento da maioria das pessoas. Os motivos vao desde os mais simples aos mais elaborados.

Um dos simples eh o aprendizado e entendimento da Historia Humana. Quando a gente estuda as disciplinas de Historia, na forma que elas sao lecionadas ate hoje, a gente adquire certos vicios decorrentes da ma informacao. Isso se da porque, desde quando os primeiros historiadores comecaram a escrever, eles usavam o escrito como material de propaganda a favor de algumas pessoas, geralmente, as que estavam pagando o salario dos historiadores, ou de algum pensamento dominante.

A prova disso eh que a Historia oficial versa sobre a vida de alguns personagens dela que, ao contrario do que se pensa, nao sao o personagem principal mas sim os que colheram os melhores frutos dos fatos. O personagem principal da Historia deveria sempre ser o povo.

E a realizacao dos fatos historicos somente eh possivel com a participacao do povo. Nenhum farao do Egito corregou sequer uma pedra para construir as grandes piramides. Portanto, eh enganoso dizer-se que certo farao construiu essa ou aquela piramide. Mesmo os projetos foram feitos por engenheiros. (Alias, o grande elaborador da forma final das piramides foi um certo Imhotep, que tinha grandes conhecimentos de diversas areas mas ele ainda eh um enigma ate para os egiptologistas porque nao encontraram a tumba dele, onde deveriam encontrar descritas as realizacoes da vida dele). E a construcao das piramides so se tornou possivel porque, nos seculos anteriores, houve uma evolucao do conhecimento, atraves do processo: erro X acerto, ate que o acumulo de conhecimentos levou aa quase perfeicao.

Atraves da genealogia pode-se identificar as pessoas que viviam aa epoca dos acontecimetnos. Assim, cada pessoa pode ver a passagem dos fatos historicos por meio dos olhos dos proprios ancestrais que os promoveram.

Geralmente, as pessoas nao param para pensar com cuidado a respeito das nuances da propria propaganda oficial. Conta-se que d. Pedro I (do Brasil) disse a celebre frase: “Se eh para o bem do povo, e felicidade geral da nacao, diga ao povo que fico.” O dia ficou conhecido como o ” Dia do Fico.” E o imperador permaneceu no Brasil, contrariando o mando das cortes portuguesas.

Porem, a propria frase revela o fato de que o povo eh quem demandava a permanencia do imperador. E ele sabia de antemao que a saida dele do pais levaria aa proclamacao da republica como outros paises da America ja haviam feito. Tanto o “Fico” quanto o “Grito do Ipiranga” eram formas do imperador garantir seus proprios privilegios. Fazendo a vontade do povo ele neutralizava a forca das oposicoes que ja queriam tanto a Independencia quanto a Republica.

Ele so voltou para Portugal apos deixar a figura do filho, que era simbolica, porque estava com apenas 5 anos. O simbolismo contudo nao era sem forca. Varias revoltas aconteceram ate o imperador Pedro II ser coroado aos 14 anos de idade. Com certeza, sem a presenca do infante Pedro no Brasil, as revoltas teriam a adesao dos brasileiros do norte ao sul e a Historia seria outra.

Neste ponto o conhecimento da nossa genealogia nao apenas facilitaria a compreensao da Historia como tambem mostraria a participacao de nossos parentes nela. Se voces procurarem na Historia de Guanhaes, verificarao que o decreto de fundacao dela se deu em 1821. O nosso tetravo: Capitao Jose Coelho da Rocha Filho (Cap. Jose Coelho de Magalhaes Filho) havia sido designado pelo imperador D. Joao VI para essa missao. Esse foi um periodo de transicao onde: D. Joao voltou para Portugal; D. Pedro I assumiu como regente e logo em seguida declarou a Independencia do Brasil. Depois, com a morte de D. Joao VI, em Portugal, o imperador Pedro I acabou renunciando aa coroa brasileira em favor do filho, para voltar a Portugal porque o irmao dele havia usurpado o trono.

A propria familia imperial era nossa aparentada, descendia dos Coelho em Portugal e um dos colaboradores mais proximos do imperador D. Pedro II, o Dr. Candido Borges Monteiro, era sobrinho-neto do nosso ancestral: Antonio Borges Monteiro. As biografias do Dr. Candido estao na Internet e ele teve o titulo de primeiro barao e visconde de Itauna.

Mais na frente eu explico melhor a nossa genealogia, em razao dos fatos. Porem, uma coisa eh certa, se o Cap. Jose nao fosse da confianca dos imperadores, com certeza, ele nao teria sido escolhido para chefiar missao alguma. Ao mesmo tempo, se nao fosse o apoio dele e da maioria da populacao brasileira que tinha voz, a monarquia nao teria se mantido por mais sete decadas como os fatos revelam.

Outro motivo para se manter uma Arvore Genealogica escrita eh de ordem pratica dos relacionamentos familiares mais simples. Recentemente aconteceram dois fatos que ajudam a justificativa.

Apos eu iniciar as minhas aventuras pela Internet o assunto genealogia acabou facilitando o contato com gente que ha decadas nao tinha noticias. Entre estes contatados estao membros da familia da tia-avo Vita. E eu passei esse reencontro para outras pessoas da familia, incluindo a Magda, minha irma. Passados alguns dias recebi um e-mail dela perguntando se eu sabia quem estava vivo ou nao dos filhos da tia Vita porque ela estava constrangida em perguntar diretamente.

Eu proprio passei pelo constrangimento de perguntar para a Rogerita do tio Lucio em qual dimensao estava a tia Dayse. Menos mal pois esta viva e com boa saude.

Mais recentemente eu recebi um e-mail do Ubirajara do tio Odilon anunciando que a Lolo do tio-avo Sinval tinha falecido. Como o recebi, reenviei. Mais tarde recebi uma replica com a pergunta: “Eh a Lolo da tia Maricas?” Ao que eu respondi: “Da tia Maricas e do tio Sinval, irmao da Dindinha Zulmira.” A pessoa que questionara havia se esquecido que era sobrinha-neta do tio Sinval por vias consanguineas e da tia Maricas por afinidade.

Esse tipo de esquecimento eh muito normal. Eu proprio teria dificuldade de lembrar disso, nao fossem os meus estudos de nossa Arvore Genealogica. O fato eh que o tio Sinval faleceu em 1952, pouco antes do nascimento da maioria dos sobrinhos-netos como nos. La em casa, quando o papai mencionava o tio, ele se referia a ele como: o Sinval. Enquanto que sabiamos que a tia Maricas era irma da vovo Davina. Conhecimento decorrente de termos tido a felicidade de conviver com ela e a familia. Foi quase um choque para o Fernando la de casa quando descobriu que “o Sinval” tambem era tio do papai. Isso, ha umas boas tres decadas ou mais.

A manutencao da Arvore Genealogica por todos poderia evitar tais constrangimentos porque as pessoas poderiam sempre atualizar os dados novos. Qualquer duvida poderiamos ter este mecanismo de consulta rapida. A vantagem de manter-se os dados na Internet eh a de faciltar conhecermos as atualizacoes que podem ser postadas por qualquer de nos. Bastando inscrever-se no sitio que eh publico e gratuito.

Outro motivo super importante constitui-se da finalidade medico-preventiva. Quem conhece nossa Arvore sabe o quanto muitos de nos somos consanguineos. Ou melhor, quem tem uma ideia disso, porque faltam muitos dados para considerarmos a nossa Arvore Genealogica completa, portanto, nao sabemos qual o grau de consanguinidade que muitos de nossos ancestrais ja poderiam ter entre si.

E os casamentos intra-familiares continuam acontecendo e, pelas minhas previsoes, nao vao parar. Mais tarde, quando eu apresentar um historico da formacao da nossa familia, isso ficara mais claro. Porem, desde ja, aconselho a todos os primos que se casarem entre si e tiverem filhos deles proprios, leva-los ao geriatra o mais cedo possivel. Nao eh confusao nao! Eh ao geriatra mesmo, nao apenas ao pediatra.

Isto se explica pelo fato de estarmos vivendo cada vez mais. Contudo, de que valera vivermos mais se isso acontecer com uma consequente perda de qualidade de vida, que sabemos, que a consanguinidade excessiva provoca? A gente precisa lembrar que o nosso envelhecimento comeca desde o momento em que nascemos. Entre as pessoas muito consanguineas as dores do envelhecimento costumam chegar primeiro. Com a prevencao pode-se ameniza-las.

05. RELEMBRANDO A HISTORIA PARA COMPREENDER A GENEALOGIA.

Vou fazer um resuminho da Historia de Portugal e do Brasil porque isso facilita o entendimento da genealogia e vice-versa. Os que vem recebendo os meus e-mails ha mais tempo terao a impressao que estou repetindo as coisas mas isso eh necessario porque temos gente nova na lista de meus contatos que nao acompanharam a evolucao do pensamento. Contudo eh sempre util recordar, porque a cada vez que se recorda a Historia sempre enxergamos novos angulos que nao haviam sido observados anteriormente.

Claro, a formacao genealogica europeia comecou desde quando a especie humana saiu da Africa e acabou se dando bem por la. Porem, ha uma fase importante induzida pela ultima Era Glacial. Foi um periodo de glaciacao da Terra que aconteceu entre 75.000 a 10.000 anos atras, mais ou menos. Por volta de 40.000 anos atras formou-se tanto gelo no norte do hemisferio que a vida humana tornou-se impossivel nas regioes polares e em quase toda area temperada.

A familia humana que dominava a paisagem europeia era o homem de Neandertal. Ao contrario do que foi divulgado nos seculos logo apos a descoberta de fosseis dele, era uma familia com inteligencia semelhante a nossa e tinha um comportamento normal, longe de ser o brucutu que pintaram.

Outro grupo humano se formou na regiao do Caucaso, ou seja, entre os mares Caspio e Negro. Por causa dessa origem ele eh chamado de caucasiano. Essa familia acabou se espalhando desde a Europa ate a America do Norte. Na America do Norte e na Asia ela foi substituida pela familia asiatica que surgiu a partir de 25.000 anos atras. O Japao foi o unico lugar que conservou remanescente puro dessa populacao ate o inicio do seculo XX.

Porem, o que nos interessa para o nosso proposito no momento eh o grupo que domina desde a India ate a Europa. Essa populacao eh chamada de caucasiana e deu a origem aas linguagens classificadas como indu-europeias. Nossa familia, na maioria, guarda caracteristicas fisicas e/ou linguisticas desse grupo. Apesar de sermos uma mistura de tudo o que ha na Terra.

Um grupo caucasiano que foi classificado como cro-magno foi tangido pelas geleiras, do Caucaso ate aa Peninsula Iberica. Portugal e Espanha tornaram-se o ultimo refugio habitavel da Europa por nao terem sido cobertos por geleiras. La tambem se deu a extincao da familia de Neandertal. Ainda nao se tem certeza da via que isso aconteceu. Pode ter havido a simples extincao por qualquer motivo ou a absorcao do Neandertalensis pelo Cro-magno. Se isso aconteceu, o europeu eh um semi-hibrido.

Assim, entre 35.000 e 10.000 anos atras, toda a populacao do ramo europeu estava limitada a viver na Peninsula Iberica e no norte da Africa, adjacente aa Europa. Por causa da glaciacao, os oceanos estavam a, pelo menos, uns 80 metros abaixo do nivel atual, assim, eh provavel que o Canal de Gibraltar fosse navegavel ate por troncos isolados, quanto mais canoas simples. O ser humano nesse periodo ja se aventurava em algum tipo de navegacao costeira.

De qualquer forma, pode-se imaginar que a consanguinidade ja corria solta nessa populacao reduzida em quantidade e espaco limitado para viver. Somando Portugal e Espanha juntos nao da o estado de Minas Gerais hoje-em-dia. A Peninsula Iberica era maior do que eh hoje por causa das aguas baixas dos oceanos.

13.000 anos atras comeca o aquecimento global e se inicia o derretimento das grandes geleiras. 3.000 anos depois partes da Europa ja comecam a tornar-se habitaveis novamente e a populacao comeca a crescer em direcao ao norte. 7.000 anos atras ja se forma uma avenida de comercio maritimo desde o norte africano ate o Baltico.

Neste periodo tambem ha a interiorizacao da populacao e comecam a aparecer os sinais do desenvolvimento da Cultura Celta. As construcoes do tipo megalitica, ou seja, usando-se pedras enormes, surgem. Provavelmente elas servissem para cultos religiosos e/ou marcacao do calendario mas nao para habitacao.

Resumindo-se aa Peninsula Iberica, Portugal eh habitado por um remanescente da populacao que buscou abrigo la durante o periodo mais duro da Era Glacial. Essa tribo se autodenominava Luzitani e conservava a Cultura Celta que dominava toda a Europa.

A partir do Oriente Medio, outras civilizacoes se desenvolvem e elas comecam a difundir culturas e colonias no entorno do Mediterraneo. Primeiro foram os fenicios, depois os gregos e, por fim, os cartagineses. Todos tiveram alguma influencia cultural na Peninsula Iberica mas nada que mudasse a caracteristica genetica da populacao local.

Ate mesmo a Cultura Celta que evoluiu de um sistema mais inicial para o druidismo, no restante da Europa, permaneceu preservado por nossos ancestrais luzitanos. O druidismo era um sistema cultural religioso onde os sacerdotes chamados de druidas tinham o completo dominio da sociedade. Inclusive os reis tinham que aconselhar-se com eles antes de qualquer decisao, sob o risco de serem destronados e executados. O luzitano permaneceu na era pre-druidismo.

Com a destruicao de Cartago pelos romanos as coisas modificaram um pouco. Por dois seculos os luzitanos resistiram ao dominio romano. Somente em 19 a.C., Julio Cesar conseguiu vencer a resistencia, com a ajuda de traidores. Portugal foi anexado ao Imperio Romano. No inicio, sob o nome de provincia de Hispania-Luzitania. Mas as rivalidades desde entao separaram as provincias ibericas em Hispania e Luzitania.

O grande impacto do dominio romano foi a imposicao da cultura e lingua. Mais tarde, nos anos 300 d.C., Constantino I, o imperador romano, converte-se ao catolicismo e o decreta como religiao oficial do imperio. O povo luzitano se converte.

Geneticamente porem, nao ha alteracao do povo portugues, em razao das caracteristicas do dominio romano. Eles conquistavam uma colonia e alistavam os jovens em seus exercitos. Estes eram levados a servir em outras conquistas e sobretudo na guarda das fronteiras do imperio. Depois de totalmente aculturados, eram destacados para as proprias provincias de origem. Acostumados a usufruir das benesses do imperio, acabavam impondo o dominio cultural dele sobre o proprio povo.

Apos a conversao ao catolicismo o Imperio Romano logo desfacelou. Existem varias causas para a queda do imperio. A provavel inapetencia dos imperadores que seguiram a Constantino I pode ser uma. Mas pode ter acontecido uma alteracao climatica que levou aa perda consecutiva de producoes agricolas. Tambem o surgimento de uma epidemia da peste bubonica pode ter enfraquecido o imperio. Enfim, a combinacao dos fatores nao eh descartada.

Certo eh que, o resultado final foi um so. Os povos germanicos, chefiados pelos godos, tomaram conta do pedaco. Os Visigodos tomaram conta de quase toda a Peninsula Iberica e a parte central e leste da Franca. Os Ostrogodos tomaram conta da Italia e as adjacencias. O Imperio Romano do Oriente, que abrangia Grecia, Turquia e outros ainda permaneceu sob a capital Constantinopla.

Entre os povos germanicos invasores, liderados por Odorico, o Grande, estava o Suevo. Ele tomou conta da area que hoje corresponde ao noroeste da Espanha e o norte de Portugal. A invasao se deu em 411 d.C. Os suevos criaram o primeiro reinado com caracteristicas tipicamente medievais. O reino permanceu por 200 anos mais ou menos. Recebeu o nome de Gaelecia. Porem, os suevos acabaram convertendo-se aa religiao local, ou seja, ao catolicismo e foram geneticamente absorvidos atraves dos casamentos com os luzitanos.

Essa pode ter sido a unica alteracao genetica que os luzitanos poderiam ter sofrido ate entao. Mas essa alteracao teria que ser minima em todos casos, porque basta lembrar que a populacao europeia do norte eh originaria do mesmo grupo remanescente que habitou a Peninsula Iberica por 20.000 anos antes de espalhar-se.

No final dos anos 500 d.C. os Visigodos conquistaram a Gaelecia e a anexaram ao grande reino da Hispania. Nao muito tempo depois, o movimento muculmano, que havia se iniciado com Mohammed na Arabia Saudita, aproveitou-se das disputas internas entre os Visigodos e invadiu a Europa, comecando pela Peninsula Iberica. Em 711 d.C. toda a Peninsula Iberica e grande parte da Franca haviam sido anexadas.

Do norte da Franca porem, comeca a surgir uma dinastia formada para vencer. Ela eh procedente de outra populacao germanica. Eram os Francos que haviam se instalado desde o tempo do Imperio Romano, porem, com a permissao oficial do imperio para viver sob o dominio dele. Sob a ameaca do invasor muculmano, Carlos Martelo organiza a resistencia e, em seguida, vence e expulsa os invasores da Franca.

Carlos Martelo eh o pai do Pepino, o Breve e avo do Carlos Magno que, no rastro do avo, unifica grande parte da Europa, incluindo Franca, Italia, Alemanha e varios outros territorios dos paises nos quais a Europa se divide atualmente. Carlos Magno foi coroado imperador e o reino dele passou a ser chamado de Sacro Imperio Romano. Mas nem ele conseguiu retomar dos arabes o dominio da Iberia.

A “Reconquista”, como eh chamada a retomada crista da Peninsula Iberica, comeca desde os dias da Conquisa. Os muculmanos entravam nos territorios ocupados e sequestravam as pessoas influentes. Eles as mantinham em suas capitais para que as populacoes subalternas a elas nao se revoltassem. Porem, eles deixaram o nobre das Asturias: Pelagio, fugir. Ao mesmo tempo em que nao haviam conseguido sequestrar Pedro, duque da Cantabria. Cantabria e Asturias sao duas provincias do norte da Espanha cujos relevos sao bastante acidentados. O terreno favorecia aa instalacao da guerrilha.

Com o casamento do Alfonso I, filho do duque da Cantabria com Ermesinda, filha do heroi Pelagio, inicia-se a dinastia que originou a nobreza hispano-luzitana, da qual todos somos descendentes.

No principio, fundiu-se os dois reinos sob o nome comum de Asturias. Assim, o Reino das Asturias permaneceu como a unica resistencia crista. Por cerca de 200 anos esse nome permaneceu. Posteriormente, com a reconquista da antiga capital, a cidade de Leao, passou a ser chamado de Reino de Leao (Leon).

Enquanto as reconquistas iam se acumulando e o territorio e a populacao sendo recuperados, foram surgindo outros reinos e condados. Por causa da linha de castelos que formavam a linha de defesa do territorio conquistado, surgiu o nome do Reino de Castilla. O condado de Porto Cale surgiu quando o heroi: Vimara Peres tomou o territorio entre o Douro e o Minho, sob o comissionamento do rei Alfonso III, de Leao. Vimara fundou a cidade de Vimaranes, hoje-em-dia eh Guimaraes, como primeira linha de defesa do territorio. Isso, girando em torno dos anos 940 mais ou menos. O nome Porto Cale acabou sendo modificado para Portugal mais aa frente na Historia.

Mesmo a invasao muculmana nao produziu alteracao significativa da composicao genetica da populacao iberica. A verdade eh que entre o surgimento e a expansao do movimento iniciado por Mohammed, o tempo foi curtissimo. Em menos de um seculo o Imperio Muculmano ja era maior que qualquer outro que surgira antes dele. Ele tinha pouco mais de cem anos desde o inicio quando houve a tomada da Peninsula Iberica.

O esquema usado era semelhante ao romano. Eles invadiam e convertiam a populacao. A populacao convertida era usada para a invasao seguinte. Apenas o comando e os imediatos eram arabes. Com isso, os invasores da Pennsula Iberica eram da populacao chamada Berbere de procedencia do norte da Africa, ou seja, geneticamente semelhante aa populacao iberica desde os tempos da Era Glacial.

Alem do mais, o crescimento da populacao muculmana se deu por meio da conversao nativa da propria familia iberica. Portanto, quando se ler em algum livro de Historia que o dominio se deu por meio da populacao berbere ou moura, entenda-se que, geneticamente, nada havia mudado.

Apenas para enriquecimento de nossos conhecimentos geneticos. Houve um tempo em que um contingente da populacao da antiga Gaelecia saiu de la e colonizou o que hoje eh a Irlanda e o oeste da Gran Bretanha. E aquelas sao as populacoes geneticamente mais semelhantes aos povos ibericos hoje-em-dia. So nao tenho a data do periodo historico quando isso aconteceu.

Outra particularidade da formacao genetico-cultural da populacao iberica foi a introducao de um pequeno contingente de origem judia. Ela se deu na epoca em que os romanos promoveram a Diaspora nos anos 60 e 70 da Era Crista. Desde entao foi permitido que essa populacao mantivesse suas tradicoes culturais. Assim, ela se multiplicou convertendo parte da populacao nativa. Dessa forma eh enganoso esperar encontrar-se grandes sinais geneticos dessa populacao em nosso sangue. Principalmente porque, alem da miscigenacao, grande parte da populacao judaica (de culto) que existiu na Peninsula Iberica preferiu evadir-se de la quando das perseguicoes da Inquisicao. (Iniciada pelos reis catolicos Fernando e Isabel no inicio dos anos 1.500 e so revogada nos 1.700). Essa populacao escapou da perseguicao inquisitoria e a sua descendencia foi sofrer o holocausto perpetrado pelos nazistas.

Possivelmente, toda e qualquer pessoa de origem luzitana tenha algum ascendente de origem judia (genetica) mas pode nao se encontrar nenhum registro genetico disso em um exame de DNA. O fato de poder ser descendente porem em geracoes alternadas paternas e maternas, pode mascarar parte dos resultados do exame.

06. A HISTORIA E A GENEALOGIA MEDIEVAIS EM PORTUGAL.

Como eu ja havia dito antes, a Reconquista do territorio da Peninsula Iberica pelos cristaos iniciou-se em seguida aa invasao muculmana. Pelagio das Asturias e Pedro, duque da Cantabria foram os responsaveis por esse inicio. Em seguida, com o casamento de Alfonso I, rei das Asturias (filho do Pedro) e Ermesinda de Asturias, (filha do Pelagio) reiniciou-se a dinastia crista que iria governar todos os reinos cristaos que foram criados na Peninsula Iberica e desse casal tambem descendem todas as familias com titulo de nobreza e sem titulo tambem. O Alfonso vem de uma linhagem conhecida de nobreza de seculos anteriores a ele. Sabe-se apenas que Pelagio, pai da Ermesinda, era um nobre das Asturias e que possivelmente vinha da mesma linhagem, porem, nao encontraram a ascendencia dele.

Portugal, nessa fase atual de sua Historia, iniciou-se a partir do momento em que o pentaneto de Alfonso e Ermesinda: Alfonso II, rei das Asturias, comissionou o Vimara Peres para retomar e proteger o territorio entre o Douro e o Minho. Vimara tornou-se o primeiro conde de Portugal que, em outras divisoes politicas europeias equivalia ao ducado. Seguiram-se varias geracoes dinasticas descendentes do Vimara. Porem, a dinastia governante acabou sendo deposta porque um dos descendentes: Nuno III, desejou emancipar o condado mas foi morto pelo rei Garcia, da Galicia.

Apesar de destituida do governo, a descendencia do Vimara Peres ja estava infiltrada na nobreza, assim, ela faz parte do componente genetico de toda a populacao iberica.

Alfonso III eh o avo do Ramiro II, que reconquista a cidade de Leon e passa a governar a partir dela. Ele se torna um entroncamento importante na formacao genetica das familias portuguesas. Em primeiro lugar, ele da sequencia aa dinastia reinante por meio de Ordonho III que eh o pai do Alfonso IV. O Alfonso IV eh o pai da Sancha, que se casou com o Fernando I, o Magno, rei de Castela, entao, ja existente como mais um reino cristao formado na Peninsula Iberica. Fernando I nasceu em 1.016 e Sancha em 1.015.

Sancha e Fernando I se tornam os pais do Alfonso VI, rei de Castela. O Alfonso VI pede ajuda aas outras familias nobres da Europa para combater os mouros. Como premio ele da a mao da filha: Teresa, ao Henri, que vinha da casa de Bourgogne. Teresa e Henri ganham como dote o Condado de Portugal. Deles nasce o Afonso Henriques, a Sancha Henriques e outros.

Voltando ao Ramiro II, ele foi tambem pai do Lovesendo Ramires. Nesta epoca, por volta da metade para o final dos anos 900, quem mandava mesmo na maior parte da Peninsula Iberica eram os muculmanos. Abd-ar-Raman III era o manda-chuva, porem, ele teve ao mesmo tempo que combater a oposicao crista e outros grupos que disputavam o poder islamico com ele. Ele concordou em casar a prima em segundo grau dele: Zayra-ibn-Zayda com o Lovesendo. A elite muculmana, inclusive os dois citados acima, descendiam do profeta Mohammed.

Dos filhos que o casal teve (Lovesendo e Zayra), um foi o Aboazar Lovesendes. Este eh o pai do Ermigio Aboazar, pai da Toda Ermiges. A Toda Ermiges casou-se com Egas Moniz de Ribadouro. Ribadouro eh um nome que se confunde com a Historia de Portugal. Eh provincia e ao mesmo tempo designa um dos apelidos das familias mais nobres. Do casal Egas e Toda nasceram os senhores (lordes) do Ribadouro: Ermigio, pai do Monio, pai do Egas Moniz, o Aio.

Aqui nos temos um reencontro de familia. O nosso ancestral Egas Moniz, recebeu o apelido de Aio porque o Henri de Bourgogne confiou a ele a educacao do filho: Afonso Henriques. Depois o Afonso Henriques tornou-se o primeiro rei de Portugal.

O avo Aboazar Lovesendes foi tambem pai do Trastamiro Aboazar. O Trastamiro se torna o 1o. sr. da Maia. Uma trineta do Trastamiro, a Moninha Goncalves da Maia casa-se com o Rodrigo Forjaz de Trastamarra. Essa ja era outra linhagem nobre da Peninsula.

Aa epoca, antes dos anos de 1.100 e ate depois, nao se havia ainda adotado nomes de familia. Assim, as pessoas geralmente recebiam o nome proprio e um derivado do nome paterno para indicar de quem era filho. Assim, o Moninho Viegas foi o Pai do Egas Moniz de Ribadouro. Este foi pai do Ermigio Viegas, o pai do Monio Ermiges. Ai o Monio foi pai do Egas Moniz, o Aio.

Assim, da familia de Trastamarra, ja em 1170, nasceu o D. Goncalo Rodrigues da Palmeira. Este deu nome ao filho de Rui Goncalves Pereira. Isso faz surgir a familia com a assinatura Pereira e mais na frente eu vou explicar a influencia dessa linhagem na Historia de Portugal.

Segundo alguns historiadores considera-se apenas cinco nomes de familias como verdadeiramente nobres em Portugal. Sao elas: a Ribadouro e a Maia que ja citei. D. Sancha Henriques, irma do Afonso, primeiro rei de Portugal, casou-se om D. Sancho Nunes de Barbosa. Eles foram pais de D. Fruilhe Sanches de Barbosa que se casou com D. Pero Fernandes. Desse segundo casal nasceram muitos filhos. Todos receberam o sobrenome: de Braganca. O D. Sancho Barbosa tambem era descendente do Fernando I, o Magno. So que por vias tortas, com uma das amantes dele.

A quarta familia eh o Sousa. Literalmente. Porem, vi varias origens para o sobrenome. Geralmente comecaram tambem como descendentes dos reis de Portugal. Os filhos do casamento oficial do rei com a rainha eram o principe e infantes e infantas de Portugal, ou seja, nao necessitavam sobrenomes. Porem, os filhos dos reis por fora do casamento oficial costumavam receber o sobrenome Sousa. Isso nao quer dizer que fossem considerados menos nobres.

O quinto sobrenome considerado nobre por certos autores eh o Baiao. O sobrenome deve designar local de nascimento porque ha um Arnaldo de Baiao desde o ano 950, quando ainda nao havia sido adotado sobrenomes na Europa. Porem ele nao passa o apelido aos filhos. Contudo, uma filha do casal: D. Pero Fernandes/D. Fruilhe Sanches de Barbosa, a D. Teresa Peres de Braganca, casou-se com o Afonso Hermiges de Baiao. Nao tenho acesso aos nomes dos ancestrais dele mas todos os filhos, inclusive da segunda esposa, recebem a assinatura Baiao e eles seguem a dinastia.

Porem, o apontar nomes de familias como nobres em detrimento de outras eh fantasioso e nao reflete a realidade genetica. Talvez, essa tendencia de alguns autores se deva a eles considerarem as cinco como as primeiras. A maioria dos outros sobrenomes derivaram delas. Trata-se de pessoas de uma certa origem nobre que, ao mudarem-se para outros locais, ao assumirem algum cargo, adotavam o nome do local como seu sobrenome. Eu ja mostrei como surgiu o sobrenome Pereira. Ja o sobrenome Coelho eh uma sequencia da familia Ribadouro. O Egas Moniz, o Aio foi pai do Lourenco Viegas; que foi pai do Egas Lourenco; que foi pai do Soeiro Viegas.

Alguns dizem que o Egas Lourenco ja havia adotado o sobrenome Coelho porque era dono da Quinta da Coelha. Mas isso nao se comprova porque o unico filho dele que continuou Coelho foi o Soeiro. Contudo, o Coelho do Soeiro foi conquistado. Segundo se conta, na Guerra da Reconquista, ele tinha a habilidade de infiltrar-se na retaguarda das forcas inimigas sem que elas dessem conta disso. Dai, o apelido Coelho teria surgido pela comparacao de que ele fizesse essa manobra como se estivesse passando por tocas de Coelho.

Basicamente, estes sao exemplos de familias que levaram aa formacao genetica do povo portugues. E claro que houve muita gente mais na formacao do componente genetico portugues, porem, com o passar dos seculos, todo mundo que eh descendente das outras pessoas descendem tambem dessas. E os principais fatos da Historia de Portugal estao ligados aos descendentes dessas pessoas. Embora nem de todos os descendentes de portugueses se tenha uma Arvore Genealogica para se comprovar isso.

O sobrenome Magalhaes eh um exemplo de como as alcunhas foram surgindo ao longo da Historia. Era um lugar onde construiu-se a Torre de Magalhaes. Em 1312 estabeleceu-se la D. Afonso Rodrigues que tinha ascendencia em Novais. Passando a chamar-se Afonso Rodrigues de Magalhaes, por causa da Torre, tornou-se a raiz dessa familia. Aa essa semelhanca estao os que assinam Valadares, os que assinam Vasconcelos, Guimaraes e outros.

Entre os fatos mais importantes da Historia Portuguesa esta a criacao do estado portugues que se deu com o Afonso Henriques assumindo a coroa, gracas ao apoio dos nobres, cujas origens se encontravam com a dele proprio.

Outro ponto crucial se deu na crise de 1.383/85. Naquela epoca a dinastia hereditaria do Afonso Henriques nao produziu herdeiro masculino oficial. Os espanhois quizeram assumir a coroa portuguesa ja que a herdeira havia se casado com o rei de Castela. Neste ponto aparece a figura do D. Nunes Alvares Pereira. Ele foi o segundo Condestavel de Portugal. Condestavel era mais ou menos o ministro que fazia as coisas funcionarem enquanto o rei tomava conta das aparencias. D. Nuno Alvares descende daquela linhagem Pereira iniciada dos Trastamarra.

Com a participacao de todos os portugueses, liderados por D. Nuno, fez-se a guerra contra os espanhois. A batalha de Aljubarrota foi fundamental. Nela as forcas espanholas e aliadas a ela foram quase aniquiladas. Os portugueses tiveram auxilio de 2.000 besteiros enviados pela Inglaterra e, desde entao, ha um tratado de amizade e defesa mutua entre os dois paises. (Besta, era o nome daquela arma, meio arco e flexa disparada por gatilho). Nessa batalha estavam os Coelho e todos os sobrenomes ja existentes das familias portuguesas.

Eu estava me esquecendo. Antes disso, a Reconquista de Portugal havia sido concluida nos anos 1.200 ainda, com o rei D. Afonso III. A ultima cidade a ser tomada foi o Faro. Os espanhois so concluiram a Reconsquista deles com o casamento entre Isabel de Leao e Fernando de Castilla. Eles foram conhecidos como os reis catolicos e venceram os mouros em 1.492.

Apos a crise de 1.383/85 assumiu o trono de Portugal D. Joao I que era filho do rei: D. Pedro I (de Portugal) com uma nobre, nao a rainha. Ele casou-se com a Philippa de Lancaster, princesa da Inglaterra. Por nao ser filho da rainha, D. Joao era considerado bastardo e foi eternamente agradecido ao D. Nuno crendo que nao fosse a atuacao dele ele jamais teria assumido o trono.

Nos estudos que eu fiz, tomando como base os pais do portugues: Jose Coelho de Magalhaes, que sao: Bernardo Antonio Pinto de Mesquita e Ana Josefa de Magalhaes Pinto, eu encontrei que descendemos de todas as familias ditas nobres de Portugal e Espanha alem das nobrezas de toda a Europa e alem. Alem do Coelho, por esta via, descendemos dos reis de Portugal que vai desde o Afonso Henriques ate ao D. Diniz. Isso, repetidas vezes.

Neste intervalo da Historia portuguesa tambem acontece outro fato genetico importante. O D. Nuno Alvares Pereira casou-se com D. Leonor Alvim. Aqui a gente pode olhar tanto em direcao aos ancestrais quanto da descendencia. D. Leonor Alvim era filha de Joao Pires Alvim e Branca Pires Coelho. Ela descende do Soeiro Viegas Coelho, consequentemente, dos outros ancestrais ja comentados.

Joao Pires Alvim e a esposa ja tinham raizes comuns. Eles descendiam de um Pero Fernandes de Fromarigues. A diferenca eh que ele vinha de linhagem paterna. Contudo os ancestrais dele foram trocando de sobrenome, passando de Guimaraes para Riba de Vizela antes de adotarem o Alvim. Ela tinha ascendencia materna que se uniu ao Coelho.

Ja a filha de D. Nuno e Leonor Alvim foi a D. Beatriz Pereira de Alvim. Ela se casou com o D. Afonso, o primeiro duque de Braganca. D. Afonso nao assinava Braganca. Ele era filho do D. Joao I com a amante Ines Pires. Assim, era um filho fora do casamento oficial, filho de outro filho fora do casamento oficial. Mas isso nao vem ao caso.

A nova dinastia estabelecida em 1.385 tambem nao durou eternamente. Dessa vez, o mesmo problema se repetiu. Os reis portugueses, D. Manoel, o Venturoso em particular, foi pai de muitas princesas nao deixando varoes. Embora houvessem candidatos a assumir o trono, o Felipe II da Espanha achou que seria muito desaforo levarem os espanhois duas vezes na mesma conversa e ele era o marido da primogenita. Dai, Portugal virou um reino cujo rei era o espanhol, embora houvesse alguma autonomia administrativa portuguesa.

A dinastia filipina, como ficou conhecida a serie de tres Felipes que governou os dois imperios, durou de 1.560 ate 1.640. Tambem os portugueses decidiram que era hora de dar um basta naquela historia. Mandaram o Felipe aas favas e elegeram o oitavo duque de Braganca como rei: D. Joao IV de Portugal. Ai seguiu a sequencia: D. Afonso VI, que nao deixou descendencia, dai assumiu o irmao dele: D. Pedro II. A seguir: D. Joao V, D. Jose I, D. Maria I (a louca), D. Joao VI e D. Pedro III. (IV)

D. Pedro III eh o mesmo Pedro I do imperio brasileiro. O Brasil foi governado apenas por ele, D. Pedro II e, parcialmente, pela princesa Isabel.

Muitos fatos historicos estao ligados a essa genealogia. Por exemplo, a rainha Isabel da Espanha descende do D. Nuno e Leonor Alvim. Ela eh a mae da Catarina de Aragao que se casou com o Henrique VIII, da Inglaterra. Foi a primeira esposa e depois foi rejeitada por nao dar a ele um descendente varao que sobrevivesse. Eles tiveram uma filha, a Maria I, que governou a Inglaterra e recebeu o apelido de Maria Sanguinaria. O apelido se deve a ela ter mandado sufocar uma revolta onde morreram 300 pessoas que resitiram aa tentativa dela de fazer a Inglaterra voltar ao catolicismo ja que o pai dela tinha criado a Igreja Anglicana.

Maria I casou com Felipe II da Espanha e foi mae do Felipe III mas nao deu herdeiros aa Inglaterra. Quem assumiu o trono apos ela foi uma meio-irma dela.

07. HISTORIAS E GENEALOGIAS MINEIRAS E BRASILEIRAS.

Claro que nao vou entrar em detalhes de fatos historicos nesse capitulo mas pretendo fazer dele um resumo simples e facil de entender. A Historia que nos contam nas escolas sao sempre limitadas e, aas vezes, perdem o sentido mais obvio das questoes.

Imaginem que estamos em 1.500. Para compreender melhor o que se passou naquela epoca devemos deixar-nos pensar semelhantemente ao povo da epoca.

As grandes navegacoes nao eram propriamente um cruzeiro maritimo que qualquer pessoa que quizesse pudesse fazer. Cada expedicao era semelhante ao que seria uma viagem aa Lua nos dias de hoje. Tudo era feito, em parte, com sigilo. Quem viajava nao sabia se iria voltar. O servico era uma grande oportunidade para os aventureiros e vedado aas mulheres.

Mesmo assim, algumas pessoas de origem nobre, como Pedro Alvares Cabral, que eh primo dos Coelho, criavam coragem para correr os riscos. Apos a descoberta, o Brasil ficou algum tempo jogado aas tracas. A cultura indigena nao produzia nada de grande interesse para o mercado europeu. A tentativa de explorar as pessoas como escravas deu com os burros n’agua. Criou-se ate o conceito errado de que o indigena fosse indolente, preguicoso. Mas a verdade era que nosso indigena nao era besta de servir como escravo em cima de uma propriedade que era dele proprio.

A segunda tentativa foi trazer os condenados pela justica portuguesa. Eram pessoas degredadas da sociedade portuguesa mas nem por isso eram criminosas como era ensinado nas escolas. Qualquer desavenca com as elites tornava-se motivo para condenacao. Ai a pessoa era condenada a ir para o Brasil e passava a produzir algo como passar a tecnologia para algum indigena ou outro de derrubar as arvores de madeira nobre e transporta-las para algum entreposto, onde seriam periodicamente recolhidas.

Foi ai que os degredados comecaram a produzir o melhor de todos os produtos que a coroa jamais imaginara. Eles estavam ali e a tentacao morava ao lado. Comecaram a juntar com as indigenas e produzir brasileirinhos com dupla nacionalidade. Gostaram tanto da ideia que aboliram a imposicao da cultura europeia onde o casamento se dava apenas entre um homem e uma mulher. Tornaram-se verdadeiros califas com harens. Ao saber disso, muitos dos frangotes portugueses devem ter aprontado la na matriz para ser degredados. Os puritanos estavam pensando em dar a eles o inferno e eles estavam recebendo o paraiso.

Uma referencia a este fato esta na musica do Chico Buarque que diz mais ou menos assim: “Nao existe pecado do lado de baixo do Equador. Vamos fazer um pecado, rasgado e suado, a todo vapor…” Claro, a Igreja Catolica pretendeu agir contra isso mas ninguem nunca foi punido.

No inicio das grandes navegacoes as viagens ate aas Indias Orientais eram mais lucrativas porque o nivel de civilizacao encontrado por la era semelhante ao europeu. De la podia-se trazer as sedas, as porcelanas chinesas, os produtos agricolas da India, enfim, toda uma gama de especiarias que o Brasil nao produzia.

O achado importante foi descobrir que a viagem ao Brasil era mais curta, que o clima do Brasil permitia produzir certas especiarias. Dai a cana de acucar passou a ser o nosso principal produto. Segundo o que ouvi dizer, um quilo de acucar no passado chegou a valer o equivalente a R$ 200,00 no mercado europeu. Mas com a producao de cana veio tambem a necessidade de mao-de-obra e forca. Foi onde os coitados dos africanos viraram mercadoria de alto consumo.

Claro, no inicio, podemos imaginar que a absoluta maioria era do sexo masculino. As primeiras levas de africanos que chegaram ao Brasil nao devem ter deixado descendencia. Por serem escravos nao serviam para as mulheres, fossem indigenas ou mesticas, porque elas eram livres. Mas com o crescimento da economia exploratoria, algumas mulheres europeias comecaram a vir com os maridos. Eram as esposas dos burocratas e dos senhores de engenhos. Neste ponto, a demanda por africanas tambem aumentou porque comecaram a exigir as mucamas para o servico grosso das casas grandes.

Muito senhor de escravo deve ter percebido, entao, que seria melhor trazer africanos de ambos os sexos porque uma populacao completa de escravos produziria as geracoes seguintes de escravos, sem necessidade de importar um “produto” que era carissimo. Cada escravo na epoca chegava a valer ao equivalente ao preco de um carro atualmente.

Com isso, reuniram-se num mesmo ambiente os tres elementos que, numericamente, se tornaram o material genetico na formacao do povo brasileiro. Claro, nos devemos imaginar tambem que, basicamente, o que era chamado de brasileiro eram as pessoas com caracteristicas raciais mistas, ou seja, principalmente do elemento indigena e o de aparencia tipica nordestina. Lembremos que o Brasil correspondia praticamente ao que esta no Nordeste atualmente. Do sul da Bahia ate Sao Paulo, o Tratado de Tordesilhas limitava o nosso territorio aas imediacoes do litoral. Os primeiros 150 anos de Brasil estao limitados a esse territorio. Nao imaginem a populacao do sudeste brasileiro na aparencia que ela eh atualmente porque a colonizacao europeia era minima ate entao. E a lingua que o brasileiro falava era mais semelhante ao tupi-guarani que qualquer outra.

Agora eh preciso que peguem um mapa fisico brasileiro onde se mostre apenas os detalhes do relevo. Transportem suas mentes para o seculo XVII e se lembrem que nao existem estradas ou cidades em Minas Gerais. O mapa poderia ser pintado em verde para lembrar que o que existia por la era o desconhecido, ate entao, Inferno Verde. As almas que viviam eram indigenas agrupados em pequenos grupos familiares, em vilarejos distantes uns dos outros e sem nenhum mapa que indicasse sua existencia.

As primeiras tentativas exploratorias, como a do bandeirante Pecanha, nada revelaram de interessante alem de ser de alto risco, por causa das febres tropicais contra as quais nao se conhecia nenhum tratamento. Alem do mais, o territorio era, oficialmente, espanhol. Mas, por a coroa portuguesa ter sido assimilada pela espanhola no periodo de 1.560 a 1.640 nao era crime invadi-lo. Some-se a tudo isso o fato de que os espanhois haviam encontrado duas civilizacoes que ja conheciam a metalurgia e produziam ouro e prata com abundancia. O sonho dos bandeirantes era encontrar um “El Dourado” em terras brasileiras.

Quando eu vi o tracado da Estrada Real a primeira vez, o que logo chamou-me a atencao foi o tracado torto. Era estranho porque ela sai do Rio de Janeiro em direcao a Sao Paulo, depois retorna para Minas Gerais, passa pelo sul, zona da Mata e vai ate ao Serro e Diamantina, num tracado quase alienigena para os dias de hoje.

A razao para isso eh simples. Rio de Janeiro e Sao Paulo eram uns dos poucos nucleos de habitacao europeia no Brasil. E as verdadeiras estradas eram os rios. A exploracao do territorio se dava via fluvial. Posteriormente, aproveitava-se as baixadas que margeavam os leitos para construir-se os caminhos. O Rio Paraiba era a ligacao natural entre Sao Paulo e o Rio de Janeiro. Pelo menos na maior parte dela.

Pelo mapa fisico de Minas Gerais pode-se observar que a porta de entrada de Minas, via litoral, poderia ser o Rio Doce. Mas dele a Historia atestava ser um caminho proibitivo. E isso esta ligado a um dos sobrenomes presentes na nossa familia.

O nome Luis Barbalho Bezerra consta em nossos livros como heroi em dois continentes. Ele liderou uma confederacao da familia Barbalho contra a invasao holandesa no Nordeste. Foi preso e chegou a ser deportado para a Holanda. Conseguiu escapar e ir para Portugal. A chegada dele em Portugal coincidiu com a revolta da nobreza portuguesa contra o dominio espanhol. Lutando ao lado dos portugueses ele ajudou a restaurar a coroa portuguesa e a coroar o rei D. Joao IV de Braganca. Ele usou a fortuna que possuia na luta contra os holandeses.

Retornando ao Brasil, continuou a luta. Construiu o Forte do Barbalho na periferia de Salvador. Ai se deu a origem do bairro de mesmo nome na capital bahiana. Ele foi governador da Bahia.

Outro heroi da expulsao dos holandeses foi o filho do Luis, o Agostinho Barbalho Bezerra. Apos a vitoria chegou a governar o Rio de Janeiro.

Como o equivalente a ministro das minas, representando a coroa portuguesa no Brasil, o Agostinho organizou uma bandeira que desejava exatamente conquistar o territorio de Minas, usando o Rio Doce como porta de entrada. Nao chegou a sair da parte que hoje eh o Espirito Santo. Contraiu uma das molestias tropicais que o matou. Contudo, nos nao temos a menor ideia do grau de parentesco que existe entre o nosso ancestral: pe. Policarpo Barbalho e estes herois. Em 1.660 eles estavam em plena atividade mas o pe. Policarpo deve ter nascido no final dos anos 1.790 ate aos primeiros de 1.800.

Os livros de Historia do Brasil citam frequentemente apenas os donos de engenho: Andre Vidal de Negreiros e Joao Fernandes Vieira; alem do afro-brasileiro: Henrique Dias e o indigena: Felipe Camarao como lideres no combate aos holandeses. Mas essa preferencia tem o fundo ideologico de salientar a formacao genetica brasileira ja que a revolta tinha um componente popular e expontaneo. Nao girava em torno de alguns lideres mas todos os que nao queriam a permanencia dos holandeses tinham a liberdade de tirar uma casquinha como quizessem ja que a tatica adotada foi a da guerrilha.

Voltando aa conquista de Minas Gerais propriamente dita, devemos nos lembrar que as terras eram um imenso desconhecido e que Minas fazia parte da Provincia de Sao Paulo. Ou seja, nunca fomos os bahianos cansados como fala a piada. Antes de sermos mineiros eramos paulistas.

A Historia so comeca a mudar a partir do final do seculo XVII quando comecaram a aparecer as descobertas do ouro e pedras preciosas. Ai a gente pode compreender porque a Estrada Real, que foi o verdadeiro berco de Minas Gerais, pouco tem de identidade com o mapa rodoviario mineiro atual. Os minerais preciosos foram descobertos nao aas margens dos grandes rios mas ao longo da Serra do Espinhaco, que pode ser comparada a uma coluna vertebral que corta todo o estado.

Dai, nao eh de se admirar que as cidades mais antigas de Minas Gerais estejam nessa linha do Espinhaco. Assim, a primeira cidade eh Mariana que data de 1.712. Em 1.714 ja eram pelo menos quatro porque na outra ponta do Espinhaco esta o Serro que eh daquele ano, e foi a quarta cidade de Minas Gerais. Para a sorte dos portugueses e brasileiros da epoca, as riquezas que buscavam estavam nas montanhas, onde o clima era mais ameno e menos tropical, menos favoravel aas febres tropicais. Outras cidades como Ouro Preto, Sabara, Santa Barbara, Caete, Pitangui, Congonhas e Sao Joao d’El Rei foram surgindo. Entre elas foram surgindo os entrepostos que serviam de apoio, por causa das grandes distancias (para a epoca em que se andava a pe), que depois viraram cidades como: Itabira, Morro do Pilar e Conceicao do Mato Dentro.

Lembremo-nos que, ate entao, nao existia nem sinal das atuais maiores cidades de Minas Gerais. A propria Belo Horizonte foi planejada e nasceu quase dois seculos depois. Entao, devemos entender que as mentes de nossos antepassados, que iniciaram o povoamento europeu em Minas Gerais, tinham uma concepcao de Minas Completamente diferente da atual.

A concepcao do estado e a formacao genealogica mineiras comecam a ser modificadas com o final do Ciclo do Ouro. A Inconfidencia Mineira pode ser tratada como um marco dessa evolucao. As cidades do garimpo estavam sem mais opcao de trabalho para a populacao. Lembre-se que um pouco antes havia acontecido o grande terremoto de Lisboa. Isso destruiu a economia na Metropole (Portugal) que buscou na elevacao de impostos a forma de se recapitalizar. O terremoto se deu em 1.755.

Atraves do pouco que ja temos de nossa Arvore Genealogica nos podemos sentir o grande fluxo de imigrantes de Portugal que foi para Minas Gerais. Sao mais ou menos da mesma epoca de nascimento os avos: Jose Coelho de Magalhaes que veio do Entre Douro e Minho; Miguel Pereira do Amaral que veio da Ilha de Sao Miguel nos Acores; Antonio Borges Monteiro que veio de cidade da Seia, centro de Portugal. Estes nasceram por volta de 1.750. Temos o Antonio Coelho de Almeida na mesma epoca mas os dados que possuo indicam apenas que ele ja estava em Congonhas, sem datacao.

Anterior a estes tem o Francisco Jose Barboza Fruao que veio de Barcelos e que foi o sogro do Miguel Pereira. Tambem o Giuseppe Nicatsi da Rocha que nao se tem certeza de onde veio e era o sogro do avo Jose Coelho de Magalhaes. Mas a avo Eugenia Rodrigues Rocha, filha dele, presumivelmente nasceu em Morro do Pilar. Nessa faixa de idade, que a data de nascimento deve girar em torno de 1730, esta tambem o Joao de Souza Azevedo (que era filho de Manuel de Souza Azevedo e Anna Coelho) que tem como referencia de local de nascimento a Vila Nova do Norte. Mais certo eh que essa seja atualmente: Vila Nova de Gaia ou a Vila Nova do Familicao, que ficam no entorno da cidade do Porto, na antiga provincia de nome: Entre Douro e Minho.

Temos que observar aqui que, como nao temos as paternidades de algumas avos que se casaram com estes antepassados nossos, eh bem provavel que venham de familias ja estabelecidas anteriormente no Brasil e que tenham ascendencia portuguesa e indigena simultaneamente, quica tambem africana.

Bom, esgotado o ouro, essa populacao tinha que procurar o que fazer para se manter. Dai o povoamento se deu em forma de radiacao. Aqui ja estamos entrando no seculo XIX. Um exemplo disso foi o Serro. O Serro foi a grande capital do Norte de Minas Gerais. Desde Conceicao do Mato Dentro ate aa divisa com a Bahia e Goias. Montes Claros, Diamantina, Guanhaes, Pecanha e outras emanciparam diretamente do Serro. Praticamente todas as familias do Norte e Nordeste mineiros tem pelo menos uma geracao de ancestrais nascida no Serro. Nos temos mais de uma. Em nosso caso, nao apenas no Serro mas em Mariana, Itabira, Conceicao etc. O grosso da populacao atual de Minas tem origem nos nucleos habitacionais do tempo do Ciclo do Ouro e eh possivel que todos tenhamos vinculos familiares relativamente proximos com todos.

Vamos tomar a formacao da nossa familia como exemplo para explicar isso melhor. Como sabemos, Guanhaes foi fundada pelo Cap. Jose Coelho da Rocha (Jose Coelho de Magalhaes Filho) e outros. Isso quer dizer que um pequeno grupo de familias se juntou para construir o nucleo inicial. Mas alguns dos primeiros moradores ja eram parentes entre si. O Cap. Jose era irmao do Cap. Joao Coelho de Magalhaes e segundo citacao, sem especificar como, o Cap. Joao foi casado com uma prima deles: Bebiana Lourenca de Araujo. Certo eh que, a descendencia dos mesmos fundadores de Guanhaes fundou Virginopolis. A descendencia dai expandiu para Divinolandia, Gonzaga, Santa Efigenia, uma menor quantidade em Sardoa e Sao Geraldo da Piedade e grande parte em Governador Valadares. Estou mencionando apenas um sentido da radiacao mas a familia espalhou por todas as direcoes.

Contudo, os dados que temos anotados sao restritos apenas aa descendencia de alguns de nossos ancestrais, porem, eles nao abrangem a descendencia dos irmaos deles. Um exemplo pratico disso eh o de que o avo Antonio Borges Monteiro teve nove filhos, dos quais pouco sabemos da vida. Dele nasceu o Antonio Jr que teve oito filhos.

Dos oito filhos do avo Antonio Jr. nos temos dados parciais apenas da descendencia da Maria Francelina Borges Monteiro, por ela ser a mae da Maria Marcolina Borges do Amaral, a nossa trisavo junto com o Antonio Rodrigues Coelho. Somente desse ultimo casal nos sabemos que somos milhares de descendentes. Mesmo que os outros irmaos nao tenham se multiplicado na mesma proporcao, nos podemos esperar termos ai, pelo menos, algumas dezenas de milhares de primos que nao conhecemos o destino. Isso, considerando apenas uma das linhagens das quais descendemos.

Existe ainda a possibilidade de alguma vila ter sido fundada por descendentes dos mesmos nossos ancestrais e que, ressalvando uma ou outra introducao genetica diferente, essa populacao pode ter se multiplicado da mesma forma que nossos antepassados, ou seja, casando-se primo com primo em diversas geracoes. Se isso aconteceu, a atual cidade que essa vila originou eh tao nossa parente quanto as pessoas que nasceram em nossa propria cidade.

Em sintese, o resumo eh este: Gracas a Deus, por uma felicidade ou outra, sempre entra um sangue diferente ou outro nas grandes familias pois que senao: casar seria um pecado por incesto.

Tomara Deus que em pouco tempo se reunam os dados geneticos da maioria das cidades mineiras em um unico sitio de genealogia, principalmente os que registram a chegada dos primeiros habitantes europeus de Minas Gerais. Infelizmente a gente sabe que os dados dos nativos e africanos foram neglegenciados, portanto, nunca saberemos ao certo de onde vieram muitos de nossos familiares. Com essas informacoes disponiveis, muita prevencao podera ser feita em favor de se dar uma vida mais saudavel aa nossa descendencia.

Essa minha ressalva tem o senso de que, como a vida da gente corresponde a um periodo muito curto, a gente, aas vezes, nao percebe essas coisas. Mas quando a gente estuda os dados de muitas geracoes eh que se ve quao grande eh a nossa capacidade reprodutiva. Parece ate magica. Baseado no que sei, eu posso dizer que em algumas geracoes a minha descendencia estara se casando com a descendencia de voces.

Eu nao estou querendo aqui desafiar nenhuma Lei de Deus. Ao contrario, eu quero reafirma-la com conhecimento. Eu sei que meus filhos podem vir a nao ter filhos. Que o mundo pode acabar antes de a minha previsao se concretizar. Eu estou apenas dizendo que se tudo andar normalmente como sempre andou, por pelo menos mais uns mil anos, cada um de nos tera tantos descendentes que sera impossivel que os meus nao se casem com os seus.

Dai eh que se pode dizer que a descendencia do Bush ira se casar com a do Bin Laden e nao se tem como escapar disso. Isso ja aconteceu antes e continuara acontecendo. Refiro-me aas descendencias de outros inimigos famosos no passado. Nos somos descendentes tanto dos cruzados catolicos quanto dos muculmanos, inclusive do proprio profeta Mohammed.

E isso nao eh nenhum segredo. Eu ja demonstrei antes isso. Eh so a gente imaginar-se tendo dois filhos. Estes eu ja tenho. E os filhos tendo dois filhos cada um. Assim, o esperado eh que no final de 33 geracoes se tenha mais de 8,5 bilhoes de descendentes, somente nessa 33a. geracao. Ou seja, isso so nao acontece se a nossa descendencia casar-se entre ela mesma antes das 33 geracoes. Os nossos ancestrais nunca tiveram limites reprodutivos e eh por isso tambem que somos descendentes repetidas vezes das mesmas pessoas. 33 geracoes equivalem mais ou menos a 1.000 anos.

Como cantou o John Lenon. “Faca amor, nao faca a guerra.” Nao adianta voce odiar. A sua descendencia acabara indo para a cama com a descendencia de seus inimigos. Quando os escritores biblicos disseram que Deus prometeu a Abraao que a descendencia dele iria ser tao numerosa quanto os graos de areia eles nao imaginavam a verdade que estavam dizendo. O que eles nao sabiam eh que a descendencia dos inimigos de Abraao iriam multiplicar-se junto, ou seja, Gracas a Deus nao descendemos apenas de Abraao senao a especie humana ja teria se extinguido ha muito tempo.

08. PERSONALIDADES E REFERENCIAS NA FAMILIA.

Geralmente, as pessoas buscam as proprias genealogias para verificarem os graus de parentesco que possuem com as personalidades com alguma fama. Por isso eu escolhi alguns nomes em nossa Arvore Genealogica que podem causar algum atrativo nesse sentido, para que voces saibam como navegar ate elas.

Tomarei como referencia o pentavo Jose Coelho de Magalhaes. Eu postei apenas os pais dele que sao: Bernardo Antonio Pinto de Mesquita e Ana Josefa de Magalhaes Pinto. Eu nao postei ancestrais anteriores a eles porque ficaria um pouco complicado copiar alguns milhares de nomes que estao ja postados no sitio: GeneAll.net. Quem desejar saber como eles descendem de personalidades historicas mundiais como o imperador Carlos Magno, o rei Fernando I, o Magno, rei de Leao e Castela etc, basta seguir o caminho das bolinhas coloridas que aquele sitio oferece, colocadas abaixo dos nomes das pessoas que descendem deles. Se desejarem, vao anotando em um papel os nomes das pessoas que forem clicando para terem um lembrete por onde ja passaram.

Quanto aa referencia de que o nosso ancestral: Jose Coelho de Magalhaes “procede” do portugues: Manuel Rodrigues Coelho, como esta na pagina 06 do livro da Ivania, nao encontramos nada que sustente tal hipotese. O Manuel Rodrigues Coelho referido no livro da Ivania (referencia alias que nao eh dela propria mas de autores anteriores aos quais ela consultou) ja estava no Brasil desde antes dos anos de 1.720 e, naquela epoca, ja era adulto porque foi eleito tesoureiro da Camara Municipal de Vila Rica em 1.719. Portanto, seria muito improvavel que ele tivesse voltado para Portugal por volta dos anos 1.750 para tornar-se pai do nosso pai Jose. O mais provavel eh que o autor original do texto resumido pela Ivania tenha usado a palavra “procede” para indicar que suspeitava de algum relacionamento entre os dois que nao fosse pai e filho. Se o Jose fosse filho do Manuel aquele autor nao usaria a palavra “procede”, usaria: eh filho de. Uma possibilidade eh a de ele ter sido pai ou avo da Maria Rodrigues, a mae da Eugenia Rodrigues Rocha e que eh nossa pentavo junto com o Jose.

Esse detalhe, porem, eh passivo de debates e pesquisas. Quem puder ajudar na confirmacao ou negacao das minhas afirmacoes pode tentar encontrar dados mais precisos junto ao Arquivo Arquidiocesano em Belo Horizonte (Nao encontrando la, pode ser que os originais dos documentos estejam nos arquivos da diocese de Nova Lima aa qual Morro do Pilar pertence). Em Belo Horizonte eles so aceitam interessados que forem la pessoalmente e que facam a pesquisa eles proprios porque nao tem pessoal para fazer isso. Como nao estou vivendo no Brasil, sera muito dificil eu ter oportunidade de fazer isso. Eh possivel que tenham os registros do casamento do avo Jose com a avo Eugenia. Ele deve ter acontecido em 07 de julho de 1779, no Morro do Pilar. O que tambem pode ajudar eh encontrar a certidao de batismo ou nascimento do irmao do avo Jose Filho, o Cap. Joao Coelho de Magalhaes. Dele nos temos a data completa de nascimento que eh: 19 de marco de 1785. Do avo Jose temos apenas o ano que eh: 1782, ambos no Morro do Pilar.

Na versao anterior desse texto eu  havia me esquecido completamente de uma grande personalidade em nossa familia e que ate seria uma tremenda ingratidao nao corrigir esse fato. Trata-se de um descendente do nosso tio-tetravo: Joao Coelho de Magalhaes.

Eu ja havia percebido o erro mas ajudou-me tambem um fato que ocorreu logo apos aa primeira publicacao. A verdade eh que mantenho aqui nos Estados Unidos outra Arvore Genealogica de nossa familia. No site Ancestry.com. Eu a montei porque penso que ficara mais facil para a descendencia de nossos ancestrais que nasceram e nascerao aqui encontrarem-se com suas raizes no futuro.

Porem, os assinantes do site tem acesso a alguns dados das Arvores dos outros. E uma pessoa de Ohio comunicou-se comigo, buscando informacoes a respeito da familia Senna que estava em minha postagem. A pessoa disse que tambem era Senna e sabia que parte da familia dela tinha migrado para o Vermont, estado que faz divisa aqui com Massachusetts e estava pedindo noticias dela.

Eu nao pensei muito para responder e acabei apenas dando uma olhada no livro da Ivania. Respondi apenas que nao eramos Senna, que alguns de nossos primos eram mas, no momento, tinhamos perdido contato com eles. Mais tarde veio-me a dor de consciencia por nao ter pesquisado e informado melhor.

Assim, busquei no site GeneAll.net o sobrenome Senna. Por sorte, haviam apenas duas paginas de pessoas com assinatura Senna por la. Comecei a verificar nome por nome e esbarrei no Mucio Emilio e Sylvia Emilia. Eles sao pai e filha. Gracas aa minha rapida pesquisa para a pessoa de Ohio anteriormente, eu acabei me lembrando de ter visto os nomes recetemente. Busquei no livro e la estavam eles. No site GeneAll.net o Mucio entra como um associado que se casou com a Sylvia Amelia Alvim de Mello Franco (a grafia esta como encontrada em nosso livro, no site esta Silvia Amelia de Melo Franco). Na nossa genealogia eh o inverso. Ela eh a associada.

Pelo site descobri que o nome completo da filha eh: Sylvia Emilia de Melo Franco Senna e que ela havia se casado com: Paulo Argemiro Hungria da Silva Machado. Alem disso, eles sao os pais de: Silvia Amelia Hungria Silva Machado que se casou com: D. Afonso Duarte, principe de Orleans e Braganca; e do Theodoro Hungria da Silva Machado, que se casou com: D. Maria Gabriela de Orleans e Braganca, que possui o titulo de: princesa do Brasil.

Claro, vantagem alguma iremos tirar disso. Principalmente porque tais titulos na Republica Federativa do Brasil ja perderam a validade desde 1.889, quando proclamamos a nossa republica. Porem, fica ai registrada a curiosidade porque a descendencia dos dois casais acima devera ter acesso a familias reais das monarquias espalhadas pelo mundo como: Inglaterra, Suecia, Holanda, Espanha etc. Numa dessas, um de nossos primos pode vir a tornar-se co-governantes de tais monarquias e algum gabiru que resolver contar vantagem do fato podera nao apenas menciona-lo como tambem podera “mostrar a cobra”, ou seja, dizer: sou primo sim e aqui esta a genealogia que prova isso.

Como eu ja postei no www.geneaminas.com.br essa parte da nossa genealogia, agora posso contar como fazerem para chegar aos nossos primos, principes do Brasil. A partir dos tios-tetravos: Joao e Bebiana eh so clicar sobre a filha deles: Emilia Brasiliana Coelho da Rocha, que se casou com: Jose Coelho da Rocha Ribeiro (Ten. Jose Querino). Depois sobre a filha deles: Maria Brasiliana Coelho (Mariquinhas) de Senna que se casou com o coronel: Candido Jose de Senna.

Este segundo casal eh o pai do prof. Nelson Coelho de Senna que tambem foi deputado e escritor de certo renome. O prof. Nelson casou-se com: Emilia Gentil de Senna e eles sao os pais do Mucio Emilio.

No sitio GeneAll.net, por enquanto, ainda nao existe essa ligacao de fatos. A nossa Arvore esta quebrada nele. De um lado esta apenas a mencao do nome do tio-tetravo: Joao Coelho de Magalhes e do outro o do Mucio. Com o tempo eles deverao corrigir isso porque ja passei as informacoes para eles e, se nao fosse o caso, eles teriam como descobrir por outros meios.

Estou incluindo essa secao de famosos agora neste arquivo porque preciso mencionar outro fato importante em nossa familia, relacionado com a pessoa do prof. Nelson Coelho de Senna. No site: http://www.freewebs.com/certos-barbalhos-de-virginopolis, eu contei o milagre mas nao disse o nome do santo. Porem, foi ele quem emprestou dinheiro ao vovo Cista para quitar a Fazenda Jardim no prazo combinado com o tio Benjamin e os irmaos dele. Se o dinheiro nao tivesse aparecido, o vovo Cista perderia tudo o que ja tinha investido, alem de perder a honra da palavra dada. (Algo que era fundamental entre os homens daquela epoca).

Caso queiram navegar para terem uma ideia do nosso parentesco com alguns famosos eh so sairem a partir do pai Jose, passar pelo Jose Filho e ir ao Antonio Rodrigues Coelho para comecar. Aqui se pode passar para a avo Maria Marcolina. Seguindo os ancestrais Borges Monteiro dela, podemos ir ate ao avo Caettano Borges. Ai, seguir o caminho do Manoel Borges Monteiro, irmao do Antonio Borges Monteiro. Sao netos do Manoel: o dr. Candido Borges Monteiro, o 1o. barao e visconde de Itauna e a irma deste: Illydia, baronesa da Lagoa. O dr. Candido foi o medico particular da familia imperial brasileira e quem deu os famosos tapinhas na budinha da prima princesa Isabel. Consultem aa Internet para saberem mais.

Voltando aa descendencia do avo Antonio Borges Monteiro, pode-se seguir a descendencia do filho dele, meio-irmao do nosso avo Antonio Jr.: Isidro Borges Monteiro. Eu postei apenas a linhagem que leva ao Eduardo Pellew Wilson, 2o. conde de Wilson. Acredito que essa personalidade seja herdeira da marca Wilson, dai o titulo. Embora, se voces tiverem mais curiosidade para verificar o nome dele no sitio GeneAll.net, verao que ele descende por outro lado da familia dele das mesmas personalidades historicas que nos.

Agora, podemos voltar ate ao casal Maria Marcolina/Antonio Rodrigues Coelho. Dentre os filhos, podem visitar o Antonio Jr. Ele proprio e os filhos dele drs. Euler e Alyrio sao considerados personalidades serranas importantes. Foram deputados e exerceram funcoes importantes dos governos brasileiros. Busquem na Internet e terao melhores informacoes.

Voltando aos avos Antonio e Maria Marcolina, clicar sobre a tia Luiza, filha deles. Ai eh so seguir a sequencia: Corina, Gilberto, Maria Lucia e Alexandre Cafe Birman. Eles estao nas paginas 96 e 97 do livro da Ivania. Quem quizer muita informacao a respeito do Alexandre eh so buscar o nome dele na Internet. Ele eh designer de calcados, muito famoso. Alem de aparecer em muitas colunas de fofocas.

Agora eh preciso retornar ao Cap. Jose e aa avo Maria Luiza. Pode-se acessar a filha deles: Francisca Eufrasia de Assis e passar para o marido dela, o ten. Joaquim Nunes Coelho. Indo aos pais dele: Euzebio e Ana, acessar outro filho que eh o Francisco e, em seguida, o Francisco Filho. Na lista de filhos deste esta o ex-deputado: dr. Rafael Caio Nunes Coelho. O proprio Francisco Filho havia sido deputado antes e eh personalidade serrana importante.

Aqui devera haver um acesso, quando as coneccoes ficarem prontas, aa familia do avo: Antonio Borges Monteiro Junior. A Maria Augusta Cesarina de Carvalho, esposa do primeiro Francisco, eh neta dele.

Voltando ao avo Euzebio, deveremos ter outra coneccao importante porque o filho dele: Clemente Nunes Coelho eh o pai da Maria Honoria Nunes Coelho. Mas, por enquanto, temos que voltar aa tia Francisca Eufrasia, ao pai dela e ir ao avo Joao Baptista Coelho, o marido da Maria Honoria.

Outra coneccao importante a ser feita sera a do filho dos tios-trisavos: Francisca/Joaquim: Miguel Nunes Coelho. Ele se casou com a tia-bisavo: Ambrosina de Magalhaes Barbalho – tia Sinha – e sao os pais do bispo D. Manoel Nunes Coelho, o 1o. bispo de Aterrado e tambem de Luz.

Tenho duvida mas eh quase certo que o Jose que se casou com a tia-bisavo Emidia de Magalhaes Barbalho e o Joao que se casou com o tia-bisavo: Petronilha de Magalhaes Barbalho – tia Pitu, irmas da tia Sinha, sejam filhos dos mesmos tios-trisavos: Francisca e Joaquim. Se alguem tiver qualquer informacao a este respeito, comunique-se comigo para eu solicitar que tambem essas coneccoes sejam feitas para facilitar ainda mais a navegacao. Enquanto as coneccoes nao ficarem prontas, esse caminho so dara acesso aa familia do Dr. Rafael Caio. Os outros estao no tronco Magalhaes Barbalho.

Para retornar-se ao tronco Joao Baptista/Maria Honoria, temos que voltar ao Cap. Jose e a tetravo Luiza Maria e ai clicar sobre o nome do filho deles: Joao Baptista. Por enquanto, vou saltar a familia do trisavo Joao Jr. Ai podemos ir ao terceiro filho que eh o tio-bisavo: Antonio Paulino. Ele eh o pai do seo Dimas Baptista Coelho que, com a primeira esposa: Maria Magdalena, filha dos tios-bisavos: Altivo Rodrigues Coelho/Vitalina Nunes Coelho, sao os pais da Ondina. Ela eh a esposa do ex-deputado: Vicente Fernandes Guabiroba. A Ondina eh irma da tia Zeze do tio Otacilio.

Voltando-se aos avos Joao Baptista/Maria Honoria, pode-se acessar a familia da tia-bisavo: Anna Honoria. Neste caso, basta seguir a sequencia: Bernardino (Dino), Maria Efigenia, Luisa (d. Lulu), Laureano e Barbara Soalheiro. A Barbara , com o apelido de Babita, inspirou o nome de confeccao e loja de Belo Horizonte quando crianca. Atualmente eh autora de livro e foi entrevistada no programa do Jo.

Na casa do Bernardino (Dino) temos tambem a Ina que se casou com o primo em primeiro grau dela: Gabriel Coelho de Oliveira, filho do seo Fernando, irmao do Dino. Seo Gabriel eh o recordista de longevidade conhecida na familia por ter vivido 103 anos. Ele faleceu em setembro de 2008, em Virginopolis.

Da casa da tia Anna podemos destacar a tia Nenen (Marina). Ela eh a recordista feminina em longevidade com 101 anos. Alem disso, eh a mae da d. Helena que eh mae da d. Bernardete Campos. D. Bernardete eh a representante virginopolitana na Academia Municipalista de Letras de Minas Gerais. Eh irma de outra poetisa, a Maria Helena.

Voltando aos avos Joao Baptista/Maria Honoria pode-se acessar agora o Joao Jr. Ele eh pai, dentre onze, do tio Chiquinho. Ha ai uma faceta que fiquei sabendo ha poucos dias. Encontrei com o Adriano, filho do Cilico (Hercilio dos tios-avos: Marcial/Ceci). Eu estava com um pouco de pressa porque deveria buscar minha filha no ponto do onibus escolar mas conversamos o suficiente.

O Adriano perguntou-me se eu havia assistido ao seriado da Globo a respeito do Juscelino Kubitschek. Eu nao assiti pela simples razao de que eu me imponho o horario de dormir ate no maximo 11 horas. Exporadicamente nao vejo mal em quebrar essa rotina mas nunca se essa quebra demandar mais de dois dias. Assim, deixei de assistir muita coisa interessante, inclusive o Programa do Jo, por causa da inconveniencia da programacao passar aqui muito tarde.

O fato que fez o Adriano mencionar o assunto foi que uma sobrinha dele esta(va) em vias de casar-se com um descendente do tio Chiquinho. Mas ele contou-me que no seriado deixou-se entender que houve um encontro entre o tio Chiquinho, reporter na epoca, e o Juscelino, no sul de Minas e que este encontro teria determinado o apoio da Familia Coelho ao, entao, candidato.

Se a Globo passou essa ideia ao publico, faltou aos autores pesquisar melhor o assunto. Eh que a intimidade que nossos parentes tinham com o Juscelino vai muito alem de um encontro casual. Apesar de relativamente muito mais dificeis, as viagens entre Virginopolis ou Guanhaes e Diamantina eram frequentes e mais necessarias no passado. Eh que no final do seculo XIX e inicio do XX, Diamantina tornou-se um centro de educacao por excelencia. Assim, muitos que seguiriam a carreita estudantil tinham la como opcao mais viavel. Virginopolis so veio a ter um grupo escolar em 1910. O ensino ginasial, que correspondia da quinta aa oitava series, somente se iniciou nos anos 1.950.

Alem disso, houveram casamentos entre nossos ancestrais e nativos de Diamantina. Um exemplo foi o segundo casamento oficial do trisavo Antonio Rodrigues Coelho com Virginia de Campos Nelson. Membros de nossa Arvore Genealogica tambem se transferiram para Diamantina.

Outro detalhe eh o de que a avo materna do Juscelino se chamava Maria Joaquina Coelho. Na Arvore Genealogica dele nao se encontram dados da origem do Coelho que ela assinava. Porem, pode ser que na epoca dos nossos ancestrais eles tivessem alguma ideia porque sao varios nucleos de assinatura Coelho que se juntaram para formar a nossa familia. Mesmo que nao houvesse vinculo com estes, na epoca, o sobrenome igual ja definia alguma simpatia, somente pela possibilidade de se ser parente.

Agora, a informacao mais marcante eh a de que a mae do Juscelino: d. Julia Kubitschek, dava pensao para mocas que iam estudar em Diamantina. Uma dessas pensionistas foi a tia Edith que, por ser filha da Dindinha Olimpia, era sobrinha do tio Chiquinho.

Quando a tia Edith dividiu o mesmo teto com a familia do Juscelino, ela, naturalmente, era uma adolescente e ele devia estar na fase de pirralho. Ela eh quatro anos mais velha que ele. As mocas da pensao da d. Julia devem te-lo usado como menino de recados e ele deve ter feito muitos favores a elas. Ninguem poderia imaginar na epoca que estava diante do futuro presidente do Brasil.

A intimdade era tanta que a tia Edith nunca deixou de chama-lo pelo apelido de infancia: Nono.

Posteriormente, ja em campanhas anteriores aa da presidencia, o Juscelino ia a Virginopolis e era recebido com bailes e famfarras. A gente tem fotografia da tia Oneida (sobrinha da tia Edith e sobrinha-neta do tio Chiquinho), ainda muito mocinha, dancando com o pe-de-valsa, em Virginopolis. A tia Oneida, que completou os oitenta em outubro de 2009, deve ter boas lembrancas dessa fase porque esta bastante lucida e jovial.

Porem, o apoio da familia Coelho nunca foi unanime. O vovo Cista, pai da tia Oneida, respeitava cavalherescamente ao Juscelino mas lhe era adversario programatico e partidario. Quem quizer ver mais detalhes, acesse o endereco: http://www.freewebs.com/certos-barbalhos-de-virginopolis.

Ja que falamos a respeito do tio Chiquinho, podem visitar o filho dele, o Jorge Campos. Ele foi um grande brasileiro na area de educacao. Foi um dos idealistas do CNEG (Campanha Nacional de Escolas Gratuitas) que passou depois a CNEC (Escolas da Comunidade). Foi gracas aa atuacao dele e de outros abnegados da cidade de Virginopolis que levou-se para la o ginasio e, posteriormente, o segundo grau, numa epoca em que isso ainda era considerado luxo pelos governos incompetentes do Brasil. A foto do Jorge Campos na biblioteca do ginasio nao era uma homenagem, era uma obrigacao que a cidade devia a ele.

Agora, voltemos ao avo Joao Jr. Acessando o nome da Dindinha Olimpia, pode-se visitar a familia da tia Elgita. Ela casou-se com o primo em primeiro grau dela: Cantidio Ferreira da Silva. Ele eh filho da tia Angelina Marcolina Coelho, irma do bisavo Joao Rodrigues. Falta tambem ai a coneccao.

Na casa da Dindinha Olimpia tem tambem o tio Antonio Rodrigues Coelho (neto) que foi dono de farmacia famosa em Governador Valadares. Ele tambem eh o pai do Toninho Coelho que nao muito tempo atras foi vice-prefeito em Valadares. Enfim, visitando-se essa parte da familia pode-se encontrar varias personalidades locais para os Valadarenses e mesmo para a regiao do entorno dela.

Da casa da Dindinha Olimpia ha que se acessar a Dindinha Zulmira. Enquanto as coneccoes nao forem feitas, ela e o vovo Cista estao sendo a ponte entre os outros ramos Coelho e o que assina Magalhaes Barbalho. Acessando a linhagem paterna do vovo Cista (Trajano) pode-se ir ate ao pe. Policarpo Barbalho, que foi quem introduziu o sobrenome na familia. O filho dele: Francisco Marcal, casou-e com a trisavo: Eugenia Maria da Cruz. Quando as coneccoes ficarem prontas, dela poderemos ir diretamente aos pais dela: Cap. Jose Coelho de Magalhaes/Luiza Maria do Espirito Santo.

Aa familia Magalhaes Barbalho falta muita atualizacao mas quando as coneccoes ficarem prontas deixarao aa vista o quanto consanguinea eh a nossa familia. Neste caso, poderemos verificar que o seo Gabriel, o centenario, ao casar-se com a Ina, misturou sangue Barbalho ao dele. A mae da Ina: Maria Carmelita (Sianita) eh filha da tia Quiteria de Magalhaes Barbalho e do Joaquim Pacheco Moreira. Filho deles eh tambem o seo Gil Pacheco, outra personalidade que ficou muito conhecida na regiao de Governador Valadares.

Como ja foi dito, a tia Ambrosina – tia Sinha – eh a mae do bispo d. Manoel.

Bom, o objetivo deste capitulo nao era mencionar todas as personalidades porque senao eu teria que citar prefeitos e vereadores de varias cidades, medicos, advogados, professores e outros titulares. O que eu fiz foi resumir o texto do volume de uma Biblia em apenas um capitulo. Nisso, seria bom que os descendentes escrevessem pequenas biografias associadas aos nomes de seus ancestrais. Assim, teriamos uma Historia mais completa porque eh muito dificil para eu sozinho homenagear a tantas pessoas que merecem.

09. A INCLUSAO DOS PARENTES DOS PARENTES NA ARVORE.

A ideia de democratizar o espaco da Arvore Genealogica tem varias finalidades. O que eu denomino de democratizacao, na verdade, pode ser chamada de extensao da familia. Ate hoje, nos tivemos o privilegio de guardar os dados genealogicos das pessoas com uma certa consanguinidade conosco, do passado e do presente. Porem, depois de estudar a nossa heranca genetica por algum tempo, percebi que deveriamos guardar simultaneamente a Historia. Isso porque, se guardarmos apenas a genealogia, daqui ha uns 200 anos ou mais, a maioria da nossa descendencia ira olhar para a propria genealogia dela e enxergara apenas um quadro, repleto de nomes, que pouco ou nada significara para ela.

Para que nossa Historia faca sentido, eh desejavel que os nomes das pessoas que conhecemos e convivemos tambem sejam lembrados. Uma forma de isso ser feito eh fazer a combinacao dos dados da nossa Arvore Genealogica com os dados genealogicos dos parentes de nossos parentes.

Eh importante salientar que isso em nada prejudica a manutencao da nossa Arvore Genealogica. Pelo menos no que se trata do espaco na Internet. Isso se da porque a estrutura nao sera alterada. Se quizermos navegar ou anotar apenas a descendencia de determinado casal ou determinados casais, eh facil seguir somente a descendencia deles sem se perder nos galhos laterais que serao povoados.

Isso sera de suma importancia para as geracoes futuras de nossa familia. Como eu disse antes, eh inevitavel que haja casamentos entre a nossa descendencia com a descendencia dos contemporaneos que conhecemos e dos que nao conhecemos. Assim, a presenca de muitas pessoas que sao apenas parentes de nossos parentes nos dias de hoje pode nada significar para nos, mas fara diferenca para a nossa descendencia mais distante porque ela ira ser descendente, simultaneamente, de nos e deles.

Exemplo pratico disso eh a familia Lucio de Oliveira. Somente recentemente eh que, em contato com o Claudinho do Ze Passos, ele revelou-me o parentesco que ele tem com os nossos parentes. Por termos vivido em Virginopolis na mesma epoca, eu conheci toda a familia dele, fui colega de escola da Neusa, da Lala e do Webinha, e companheiro de esportes do Webinha e do Newton.

O Ze Passos, pai do Claudinho, fez parte da vida de todos os contemporaneos em Virginopolis porque foi agente dos correios. Eh possivel que a d. Das Dores tenha feito igualmente, por causa da expansividade que ela tinha e, claro, Virginopolis era muito pequena para que as pessoas que sempre moraram la nao se conhecessem mutuamente.

Eu mencionei ao Claudinho que me lembrava da amizade que eu via entre a d. Das Dores e a tia Iva e a mulherada ali das imediacoes da rua Francisco Dias, incluindo ai a d. Enoi. Ca pra nos, e em segredo, era uma tagarelice agradavel de se ver. Estou mencionando fatos que remontam ha mais de 40 anos, quando os tios Iva e Otto (Sinhou) ainda moravam em Virginopolis, e em frente aa casa do Ze Passos.

Foi entao que o Claudinho explicou-me que a d. Das Dores era tia da tia Iva e irma da d. Enoi. Isso se dava porque a mae da tia Iva: Maria Angelina Lucio de Oliveira era irma das outras duas. Assim, a familia ficou toda incrustrada na familia Coelho. Somam-se a elas o seo Antonio Lucio e o seo Jose (Zeze) Lucio que tambem entram na irmandade.

Ai a coisa ficou assim, ate onde eu ja sei: a Maria Angelina casou-se com o seo Sylvio Rodrigues Coelho (filho dos tios-bisavos: Benjamin/Julia – Nnhazinha); o seo Antonio Lucio casou-se duas vezes: a primeira com a d. Cira e a segunda com a d. Diva, ambas filhas dos tios-bisavos: Simao/Maria Carmelita. A d. Enoi, casou com o De (Euler) que eh filho dos tios-avos: Onesimo e Marietta. (Obs.: A tia Marietta nao era da familia proxima mas era irma da d. Blandina, que tambem se casou na familia, com o Gabriel Nunes Coelho, filho da tia Petronilha de Magalhaes Barbalho – tia Pitu).

Nao sei afirmar se eles, incluindo o seo Zeze Lucio e/ou Sa Ritinha, tinham ja algum vinculo conosco mas uma parte dos filhos casou-se na familia. Ao que me recordo, sao os casos da d. Lourdinha que casou com o Cilico (Hercilio dos tios-avos: Marcial/Ceci); a Terezinha que casou com o tio Oldack (Avos Trajano – Cista/Zulmira); a Cira Lucio que se casou com o Alipio (Julia da tia Quiteria/Ze Claro do Ti Xico) e o Zezito que se casou com a d. Aracy. Para os que ainda nao sabem, ela eh filha biologica do tio-avo Getulio Magalhaes (bisavos: Sa Candinha/tio Joaozinho).

Um dos filhos do seo Zeze Lucio que, acredito, escapou de casar-se na familia foi o Henrique. Pelo menos penso isso enquanto nao tenho conhecimento algum dos dados genealogicos da d. Mirna, esposa dele. Mas dos tres filhos deles: a Kedina casou-se com o Odilonzinho (Dil), filho do Odilon, filho da Gininha, filha do Durval, filho da tia-bisavo Emidia de Magalhaes Barbalho; a Atila casou-se com o Ivan Generoso que conheco a familia mas ignoro se ha algum vinculo conosco. Ja o Lucinho, casou-se com uma pessoa que, aa epoca, ouvi apenas dizer que era prima dele. Se for prima pelo lado paterno, grandes chances existe que seja da nossa familia tambem.

So nao posso dizer nada a respeito da familia da d. Das Dores. Sei apenas que o pai do Ze Passos se chamava Emidio e, por isso, ele era conhecido pelo apelido de Ze do Midinho. A familia do seo Emidio se multiplicou a partir do Santo Antonio do Correntinho, tambem apelidado por Santo Antonio da Linguica. (Antigamente saia ate revolver se se mencionasse o apelido que era uma referencia zombeteira aa disposicao daquele distrito de Guanhaes por ter se iniciado a partir de uma unica rua comprida.) Porem, a nossa familia andou por la tambem e a mamae nasceu naquele distrito.

Apesar do impacto da familia Lucio de Oliveira na formacao da familia Coelho, eu nao tenho a menor ideia do casal que a originou nem sua origem geografica. Eh obvio que se os familiares encaixassem as pecas e compuzessem a Arvore deles em conjunto com a nossa, poderiam contribuir muito com o esclarecimento dos eventos historicos. Mesmo porque eh inseparavel da nossa Historia o fato de que, em um pequeno espaco de tempo, nos tivemos tres prefeitos dessa familia em Virginopolis. Eles foram o seo Zeze Lucio; o Henrique, filho dele; e o Lincoln, sobrinho do seo Zeze e filho do seo Antonio Lucio com a d. Diva (tios-bisavos: Simao/Carmelita).

Para citar-se apenas mais um exemplo da utilidade de as familias associadas aa nossa Arvore tambem serem registradas, vejam o exemplo da do seo Longino Pereira. Ele foi o eterno prefeito em Braunas mas residia em Virginopolis e era conhecido pelo apelido de Bezinho. Dela nos temos a Maria de Fatima que se casou com o Geraldo – Pagavela (tios-avos: Bernardino/Geralda); a Maria do Carmo casou-se com o William (seo Juvenal do seo Fernando/d. Nair); a Marilu casou-se com o Adriano (Cilico/d. Lourdinha) e a Alice casou-se com o Geraldo Jose Coelho – Ge (Seo Oswaldo Coelho Perpetuo/Socorro Soares). Aqui faltou o nome aa memoria porque a esposa do seo Bezinho era irma do seo Alipio Teixeira. O seo Alipio eh o avo da Stella Maris, esposa do Rui da tia Odette (vovo Cista/Dindinha Zulmira). Todo esse intrincado genealogico torna-se digno de anotacao.

E assim, sao muitos os exemplos de familias que precisavam ser recuperadas (no sentido de acolher os dados delas junto aos nossos) para que se aperfeicoasse o expressar de nossas Historia e Genealogia. Seria fundamental, por exemplo, associar nossa Arvore Genealogica ao que falta da Arvore da familia Nunes Coelho. Mais de oitenta por cento da nossa familia eh, simultaneamente, Coelho de Magalhaes e Nunes Coelho.

Isso se da porque tanto o tronco da tia-trisavo Francisca quanto do trisavo Joao Baptista Coelho foram formadas por casamentos com os Nunes Coelho. A familia do trisavo Antonio Rodrigues Coelho nao tinha a heranca Nunes Coelho mas sete dos filhos dele se casaram com seis da descendencia dos trisavos Joao Baptista/Maria Honoria Nunes Coelho. Alem disso, os tios-bisavos: Lindolpho, Altivo e Josephina casaram-se na familia Nunes Coelho. E as descendencias dos tios-bisavos: Jose (ti Juca), Luiza e Angelina tambem ja foram, em parte, absorvidas no lado que contem heranca Nunes Coelho.

So nao posso dizer nada a respeito dos tios-bisavos: Emidia Justiniana e Antonio Jr. A familia do tio Antonio foi formada no Serro e de la foi para Belo Horizonte e Rio de Janeiro, devido aos compromissos parlamentares dele. Quanto aa tia Emidia, falta-nos informacoes da descendencia.

No lado Magalhaes Barbalho nos temos as tias-bisavos Emidia, Pitu e Sinha que se casaram com tres Nunes Coelho. O ti Pedro se casou com a tia Antonia que eh filha da Maria Honoria. Boa parte da descendencia da bisavo sa Candinha, bisavo Marcal e ti Quitirinha acabou se casando com a descendencia da Maria Honoria tambem.

Por falta de dados da familia Nunes Coelho, existem varios casos deles se casando com os identificados mas faltam informacoes dos ancestrais. Um bom exemplo desses eh o caso do Ulisses Nunes Coelho. Ele casou-se com a Alzira Nunes Coelho (tios-bisavos: Josephina e Pio Nunes Coelho). Ele eh um dos recordistas porque somou 22 filhos com tres esposas. Provavelmente, ele tambem eh descendente dos ancestrais: Euzebio Nunes Coelho e Ana Pinto de Jesus. Mas as vias como isso aconteceu nao temos informacoes.

Outras familias que, em caso de associarmos as Arvores Genealogicas, ajudariam a explicar a nossa Historia, ja de imediato, seriam: Ferreira da Silva, Salles, Pereira do Amaral, Xavier, Campos, Pereira, Oliveira, Pacheco Moreira, Souza, Andrade, Lacerda, isso, somente para lembrar algumas.

Espero que com a publicacao da nossa Arvore Genealogica na Internet isso se torne possivel e encontremos um numero maior de pessoas, de cada e todas as familias, com as mesmas curiosidades e interesses que nos e que postem os dados delas em associacao com os nossos. Assim poderemos ter uma melhor ideia da nossa propria Historia.

10. EFEITO DAS ESTRADAS NA CONFECCAO GENEALOGICA E CONCEPCAO GEOGRAFICA.

Eu ja comecei esse assunto anteriormente. Agora nos devemos exercitar nossas imaginacoes para concebermos como a populacao mineira enxergava a geografia do estado. Como dito anteriormente, Minas Gerais nao passava de uma rua compridona com inicio em Sao Paulo, passando pelo sul do Rio de Janeiro e limitada aos contornos da espinha dorsal que eh a Serra Espinhaco. Minas Gerais so foi emancipada de Sao Paulo em 1.720. A capital do Brasil era Salvador e o caminho mais rapido de chegar-se la, do Centro e Norte de Minas, era pelo sertao, via Rio Sao Francisco.

Nao se sabe o quanto de indigena habitava o estado mas, pelo estagio que se encontrava do desenvolvimento cultural, deveria ser uma populacao mais rarefeita que aquela que os portugueses encontraram no litoral. Essa populacao nao deve ter representado nenhum impedimento para a invasao europeia.

Junto com a populacao europeia veio a de origem africana tambem, em proporcao, deve ter vindo em quantidade relativamente modesta no inicio. Ao contrario da agricultura em que o produtor tem um negocio estabelecido com uma certa previsao do quanto ira produzir, a mineracao aa epoca era mais uma pratica exercida por aventureiros. Envolvia alto risco de nao encontrar-se um veio lucrativo. Assim, o envolvimento de um contingente maior de escravos deve ter se dado quando algum veio ja havia se mostrado produtivo, ja existia uma populacao estabelecida e os cargos burocraticos haviam sido criados. Contudo, o numero de veios pouco ou nada lucrativos era imensamente maior.

Numa segunda fase, quando o Ciclo do Ouro havia se esgotado e a agricultura passou a ser a principal atividade economica, principalmente com o plantio do cafe, deve ter havido um fluxo maior de escravos.

Como eu nao tenho numeros estatisticos, so posso imaginar, mas nao podemos esperar um formigueiro de gente semelhante aquele da epoca da Serra Pelada no Estado do Para nos anos 1.970s. Por volta dos 1.714 houve um recolhimento e destruicao de um livro com o titulo longo que falava da Opulencia e dava a localizacao dos veios de ouro em Minas Gerais. A censura se deu por questoes de seguranca e monopolio do imperio portugues justamente para evitar uma invasao indesejada.

O fluxo inicial deve ter sido modesto em se comparando os dois movimentos (Ciclo do Ouro e Serra dos Carajas – Serra Pelada) por causa da capacidade limitada que os meios de transporte ofereciam. Tudo era controlado pelo governo portugues; a travessia do Atlantico durava meses, e mais outro a pe, as pequenas embarcacoes comportavam numero limitado de passageiros, principalmente porque eram embarcacoes de carga. Qualquer navio de cruzeiro atualmente deve carregar mais pessoas que um ano inteiro de transporte na primeira metade os anos 1.700s. Mesmo assim, boa parte da populacao loura (Gaia ou gaelica – antigos germanicos) que habitava o norte de Portugal deslocou-se para o Brasil. Mas, para isso acontecer, um seculo deve ter se passado.

Findo o Ciclo do Ouro, que se deu antes dos anos 1.800s chegar, a atividade principal do estado mudou para a atividade agricola. Claro, antes disso ja havia atividade agricola porque os garimpeiros nao poderiam fazer seus trabalhos se nao tivessem quem lhes fornecesse os alimentos. Mas nos devemos imaginar isso em escala bastante inferior ao que existe atualmente. Ressalve-se que sem nenhuma mecanizacao, o trabalho agricola era todo feito aas custas de bracos humanos e patas animais. Tambem, com o fim da producao de ouro, ou uma producao reduzidissima, o que tinhamos era um contingente grande de pessoas com coragem e muita terra considerada sem dono. (Coitados dos indigenas!… Consideravam a terra sagrada e nao tinham a cultura de registra-las em documentos).

Dai podemos concluir que o povoamento europeu de Minas Gerais se deu por radiacao, ou seja, a partir dos antigos centros mineradores a populacao saiu em todas as direcoes em busca de terras novas para explorar. Nao podemos dizer que a mao-de-obra escrava tenha sido pequena nessa segunda fase mas temos que resguarda-la com certo limite porque a maioria dos novos exploradores estavam comecando do nada e nao teriam condicoes de comecar a vida pagando o alto valor de um escravo. Assim, levavam vantagem aqueles que tinham a capacidade de produzir um maior numero de filhos e filhas. De preferencia os primeiros que se tornavam mao-de-obra desde cedo enquanto as filhas precisavam crescer para proporcionar genros.

Assim, nos chegamos aos nossos tetravos. A concepcao que eles deveriam ter de Minas Gerais era diferente da que temos hoje. Estrada mesmo, ou caminho, era a Estrada Real. Dela partiam ramificacoes que serviam para ir e voltar mas nao para se ir a outro lugar. Os grandes rios ainda serviam como vias de transporte tambem. Assim, o Rio Sao Francisco, que foi chamado de “Rio da Integracao Nacional” trazia e levava gente do Nordeste, especialmente da Bahia para o Norte de Minas. Dai se explica o sotaque abaianado do norte-mineiro. O Rio Grande ajudava os paulistas a colonizarem o sul e o oeste mineiros. Dai se explica o sotaque. A maior proximidade com o Rio de Janeiro deu o sotaque ao pessoal da Zona da Mata mineira.

O Centro de Minas eh uma mistura de tudo isso com uma identidade propria. A regiao do Vale do Rio Doce foi a ultima porcao de Minas a ser povoada pela populacao europeia. E ai comeca a Historia da Familia, que comumente chamamos de Coelho.

Em 1.779, depois de chegar ao Brasil, o pentavo Jose Coelho de Magalhaes casou-se e instalou-se como fazendeiro aas margens do riacho Axupe, em Morro do Pilar. A pentavo Eugenia Rodrigues da Rocha nao lhe deu mais que cinco filhos. Dai o Jose e o Joao acabaram se tornando militares. Os outros tres nao se casaram.

Em 1.821 os Capitaes Jose e Joao sao enviados em missao de povoamento e fundam o arraial de Sao Miguel e Almas que se tornaria Guanhaes depois. Com certeza, varias outros pioneiros estavam com eles. A historiografia registra Francisco de Souza Ferreira, Antonio de Oliveira Braga, Faustino Xavier Caldeira e Jose de Oliveira Rosa. Observem que os sobrenomes sao prenuncio dos que frequentam a nossa genealogia. A historiografia oficial eh sempre falha porque apresenta apenas os nomes dos senhores. Nao menciona as senhoras, nem os indigenas, nem os afro-brasileiros.

Ja anteriormente, existia movimento de colonizacao no arraial de Sao Jose dos Correntes, atual Sabinopolis. Oriundo da Vila do Principe – Serro – o Antonio Borges Monteiro Junior se instala com outros pioneiros, incluindo o Malaquias Pereira do Amaral.

Tambem o pentavo Euzebio Nunes Coelho sai de Dom Joaquim e se muda para Guanhaes. Mais tarde, do Nordeste, sai o tetravo Policarpo Barbalho e casa-se com a tetravo Genoveva (Vita) de Magalhaes em Mariana, criam a familia em Itabira do Mato Dentro. Ai esta o caldo de cultura inicial da familia.

A descendencia dessas e outras pessoas se espalha pela regiao mas eu vou acompanhar a que seguiu em direcao a Virginopolis. O primeiro nucleo de moradores da antiga Patrocinio de Guanhaes deve ter se reunido por volta de 1.858 na praca que se tornaria Virginopolis. As familias ja moravam nas fazendas nos arredores mas a construcao da primeira igreja, onde hoje eh a praca da rodoviaria, a instalacao do cemiterio e a construcao das primeiras casas eh que marcam o evento.

Na escola eles ensinam que os primeiros moradoes foram: Felix Gomes de Brito, quem doou o terreno para as construcoes sacras; Joao Baptista Coelho; ten. Joaquim Nunes Coelho e um quarto nome que me fugiu aa memoria, mas penso que assinava Ferreira. Nada eh dito a respeito das mulheres que os acompanhavam. Assim, faca-se justica a, pelo menos, Maria Honoria Nunes Coelho, esposa do Joao Coelho e sobrinha do ten. Joaquim e aa tia Francisca Eufrasia de Assis, esposa do ten. Joaquim e irma do trisavo Joao Coelho.

Diziam antigamente que o nucleo residencial que deu origem a Divinolandia teria sido anterior ao de Virginopolis mas nao tenho informacoes que possam confirmar ou desmentir isso.

Certo eh que, os caminhos que foram sendo construidos eram as veias do estado. Alias, desde o tempo dos romanos conhecia-se a importancia das estradas. Eles pavimentaram, com pedras, milhares de quilometros de estradas por todo o imperio e sabiam da importancia do deslocamento rapido de mercadorias e tropas, para combater qualquer tipo de desgoverno ou invasao. Em retribuicao aa sabedoria deles, o Imperio Romano perdurou por 1.000 anos.

Nossos caminhos nao permitiam mobilidade rapida. Nosso comercio era transportado em tropas de animais. Dos que eu sei que exerceram a atividade de tropeiro na familia estao o tio-bisavo Benjamin, o avo Cista (Trajano – havia sido cozinheiro da tropa do tio Benjamin e comecou aos 10 anos de idade) e o tio Juca (Jose Coelho Sobrinho, filho do Joao Jr/Quiteria Rosa – Titi).

As tropas que saiam de Virginopolis iam ate ao Rio de Janeiro. Deixavam la os produtos agricolas e levavam de volta os materiais que nao eram prudizidos nos interiores como: vidros, tecidos, produtos metalicos, querosene, e o sal que eh um produto tipico do litoral. A viagem da tropa era em compasso de lentidao. Cada viagem demorava mais de um mes. Isso para transportar menos que o equivalente a um caminhao de mercadoria nos dias de hoje.

Nisso, as mercadorias tinham que valer o preco de especiarias porque nao poderia ficar barato as despezas dos homens das tropas, dos animais e da producao delas. Portanto, em termos de alimentos e a maior parte dos utensilios que se usava na epoca, eram produzidos nas proprias cidades que tinham que ser praticamente autosuficientes. E eram.

Havia a tecnologia para produzir-se alguns dos produtos importados desde entao. O problema estava em que, na epoca da colonia, a administracao portuguesa nao permitia essa producao para reter o monopolio de certos produtos e garantir a lucratividade da sua balanca comercial. E isso eh, em parte, razao para o atraso em que o interior brasileiro se encontra ate hoje.

Uma vez o papai contou-nos uma justificativa para o vovo Cista ter obtido posses na vida enquanto um contemporaneo dele nao teve a mesma sorte. Nao me lembro quem era o outro. Certo eh que eles tinham levado meses criando porcos para vender o toucinho (gordura do porco que era o carro chefe nas cozinhas antes da substituicao pelo oleo vegetal). Quando se preparavam para ir para o Rio de Janeiro, ouviram pelo radio que o preco la estava muito baixo. Ao mesmo tempo, receberm a informacao de que o preco em Curvelo estava bom.

Viajaram para Curvelo e muita gente tinha chegado primeiro e o preco tinha despencado. Tiveram que vender pelo preco que nao dava para carregar as tropas com mercadorias para o retorno. Por coincidencia, estava sendo aberta uma estrada que passava por Curvelo. Os dois tropeiros se alistaram para transportar os materiais que os trabalhadores precisariam na estrada, para recuperar o prejuizo.

Um mes apos iniciado o servico, o outro tropeiro resolveu voltar porque nao aguentava mais ficar longe da familia. O vovo trabalhou seis meses, ate recuperar o que havia perdido, carregou a tropa e voltou.

No centro da ultima regiao mineira que foi conquistada, Governador Valadares, ou Figueira como era chamada, tornou-se o ponto de encontro de varios ramos da familia. Haviam duas formas, mais curtas, como ate hoje existem, de sair de Guanhaes e Virginopolis para se chegar la. Virginopolis eh o entroncamento das duas. A primeira e mais usada antigamente eh a que parte em direcao a Sapucaia de Guanhaes, Acucena e Naque.

A outra eh a que passa por Divinolandia, Gonzaga, Santa Efigenia e Sardoa.

Lembremo-nos que Valadares pertencia a Pecanha e que ha outra estrada entre as duas cidades, passando-se por Coroaci.

A Historia de Minas, construcao das estradas e a evolucao do mundo fez mudar completamente o mapa e os destinos do estado. Em primeiro lugar veio a construcao da nova capital em Curral d’El Rei que se tornou Belo Horizonte, no finalzinho do seculo XIX. Isso desviou completamente o centro das atencoes de Ouro Preto e Mariana.

Como as oportunidades se abrem em ocasioes de grandes construcoes, Belo Horizonte passou a receber migrantes de todas as regioes do estado, inclusive nossos familiares. O principio centralizador da politica e economia leva aa construcao das estradas de ferro que ligam Belo Horizonte ao Rio de Janeiro e Sao Paulo. A EFVM (Estrada de Ferro Vitoria Minas) que acompanha em sua maior parte o leito do Rio Doce torna Governador Valadares um centro de futuro promissor. Outro ramo de via ferrea sai de Belo Horizonte em direcao ao Norte de Minas para conectar a nova capital ao leito do Rio Sao Francisco que era importante via de comercio com o Nordeste brasileiro. Pirapora eh o destino desse braco mas eh feito uma extensao que passa por Montes Claros levando a Salvador, a antiga capital do Brasil.

No desenhar dessas estradas decretou-se o isolamento das areas de colonizacao mais antiga e a prosperidade de novas. A cidade do Serro, que fora a capital de todos nos, desde o Centro ate o Norte de Minas, ficou ate esquecida pela maioria de nos de minha geracao. A vantagem nisso foi a cidade preservar o patrimonio historico e hoje ser menos poluida com aquilo que se chama de “moderno”.

Voltando aos antigos caminhos, lembro-me de a mamae contar que ia de Virginopolis a Governador Valadares numa viagem de tres dias a cavalo quando moca. Ela nasceu em 1.925, no ano seguinte aa emancipacao de Virginopolis, que se separara de Guanhaes que, por sua vez, desmembrara-se, no final do seculo XIX, do Serro. A via preferida pela populacao na epoca era passando por Sapucaia, indo-se ate ao Porto de Pedra, Naque, para ainda ter que tomar o trem.

Neste ponto, eh preciso ressalvar-se a grande importancia das pensoes, anteriores aos hoteis, que serviam de apoio aos viajantes para o descando noturno e a alimentacao. Nao eh sem motivo que as cidades ou vilas guardassem mais ou menos a distancia de 30 km entre uma e outra. Era mais ou menos a distancia de um dia de viagem.

A gente pode observar a importancia que esse caminho tinha pelo movimento que ha em nossa Arvore Genealogica. Varios grupos familiares acorrem para Sapucaia e os nascimentos registram isso. Para la vao familiares do Ti Quim Bento, tio Daniel e os ramos Nunes Leite (tanto da sa America/Francisco Furtado Leite quanto da d. Isaura/Waldemar Leite). Infelizmente, nossa coleta de dados em relacao aos Coelho Leite e Silva Coelho eh ainda muito deficitaria. Outros como os tios-avos: Gastao/Julita chegam a morar em Acucena antes de mudarem-se para Valadares.

Contudo, o grande salto que Valadares deu foi gracas aa II Guerra Mundial e a intervencao dos Estados Unidos. Durante a guerra, os aliados precisaram de muitos materiais como o ferro, a mica e a madeira. A nossa regiao tinha o grande potencial de fornecer isso. Porem, o transporte desses materiais via oceanica estava sob a ameaca dos submarinos germanicos. Entao, resolveram construir a Rio/Bahia ou Br 116. A estrada foi construida em tempo record e Governador virou o entroncamento da rodovia com a ferrovia. A Br 116 escancarou as portas para invadirmos a nossa ultima reserva nativa no estado.

Mais tarde asfaltou-se a rodovia entre Valadares e Belo Horizonte que deveria ser parte da rodovia completa de ligacao ate Vitoria. Capital a capital.

Enquanto isso, estavamos numa duvida. Qual seria a melhor via para fazer a ligacao entre Governador Valadares e Guanhaes!? Dizem que o que determinou a abertura da rodovia passando por Divinolandia e as outras foi um censo que teria indicado haver mais moradores nos, entao, quatro distritos de Virginopolis que na outra direcao. Mas eh obvio que era de grande interesse de Virginopolis ter a estrada passando pelos distritos de Divinolandia, Gonzaga, Santa Efigenia, Sardoa, ainda com acesso para Sao Geraldo da Piedade. Tudo era Virginopolis. Enquanto a via que passava por Sapucaia favoreceria esse distrito de Guanhaes e outras cidades.

Nos anos sessenta nos sentimos o impacto negativo, para a parte da nossa familia que optara dirigir-se para Sapucaia, em relacao a essa decisao. Enquanto dezenas de familias estavam mudando inteiras para Valadares, as de Sapucaia fizeram o caminho inverso e voltaram para Virginopolis. Muitos dos nossos amigos e colegas de escola procedem de la.

Em contrapartida, boa parte da populacao de Divinolandia e das outras que tem ligacoes familiares conosco se viram beneficiadas. Destacam-se ai as familias dos tios-bisavos: Emygdia Honoria/Amaro de Souza Silva e Jose Coelho Sobrinho – tio Juca/Maria Marcolina do Amaral – tia Culina. A tia Emygdia eh tia do tio Juca que eh filho do Joao Baptista Coelho Jr.

As propriedades onde estes ultimos moravam ficam entre Divinolandia e Gonzaga, mais proximas da segunda, e boa parte da populacao da regiao descende deles. Mas os dados que temos nessa area ainda estao muito incompletos. Destaca-se, porem, o Julinho de Souza que descende da tia Emygdia, via seo Joao de Souza, que se casou com a Eduarda, filha da Marta do tio Juca. O Julinho foi prefeito de Gonzaga nas duas legislaturas anteriores aa atual e mudou o visual da cidade. Nenhum outro prefeito da regiao fez algo semelhante. Nem os que tambem sao parte da familia Coelho.

Por volta dos anos 1.900 eh preciso destacar que Rio de Janeiro e Sao Paulo ja eram as grandes cidades do Brasil. So que a primeira tinha 140.000 habitantes e a segunda apenas 70.000. As coisas comecaram a mudar rapidamente apos a I Guerra Mundial com o inicio da industrializacao das duas capitais e o fluxo de refugiados europeus e do mundo.

Na decada de 1.920, ou seja, no decurso de apenas uma geracao, Sao Paulo saltou para 500.000 habitantes. E o crescimento desenfreado continuou nas duas capitais. Nessa fase, Minas Gerais era o estado mais populoso da federacao. Mas como nao oferecia as mesmas oportunidades, comecou a perder contingente humano rapidamente para elas. Mesmo Belo Horizonte sendo ainda jovem e com muito a crescer tambem.

Pode-se observar por nossa genealogia que nossa familia nao contribuiu tanto para o crescimento do Rio e Sao Paulo. Enquanto as pessoas das outras regioes usavam esse canal, a familia preferiu a nova capital: Belo Horizonte e as terras novas: regiao de Governador Valadares.

Posteriormente, na decada de sessenta, outra oportunidade se abriu com a construcao de Brasilia. Muitos de nossos familiares preferiram a capital novissima.

Tambem vem da decada de 60 a instalacao das usinas siderurgicas em Ipatinga e a aceleracao da industrializacao em torno de Belo Horizonte. Tudo isso esta refletido em nossa genealogia, bastando verificar-se os nascimentos mais recentes.

Claro, nao podemos deixar de mencionar as duas decadas de desenvolvimento perdido que aconteceram entre os anos 1.980 e inicio dos 2.000. Para amenizar essa paralisia brasileira a familia, outra vez, recusou-se a seguir os passos da massa brasileira e uma parte emigrou para o exterior, basicamente para os Estados Unidos e Europa. As atualizacoes dos nascimentos tem demonstrado esse movimento, embora com dados ainda muito incompletos.

Eh importante destacar-se tambem que, com a construcao de Brasilia, mudou-se novamente a concepcao do transporte no estado. Ja nos planos daquela construcao incluia-se o das estradas radiais, ou seja, as codificadas pelo zero. Com isso surgiu a 040 que liga Brasilia ao Rio de Janeiro, passando por Belo Horizonte. A estrada Brasilia/Sao Paulo deu um grande impulso ao Triangulo Mineiro.

A estrada Brasilia/Salvador ja deve estar dando um impulso razoavel ao Norte de Minas. Porem, a nossa regiao sempre foi preterida e a rodovia Brasilia/Vitoria, que deveria aumentar o nosso poder de barganha, vai a passos de tartaruga. Ela ja quase existe e devera dar um salto em pouco tempo. Mas esse eh assunto para um capitulo de futurologia.

11. PEQUENO EXERCICIO DE FUTUROLOGIA.

Em primeiro lugar eh bom que saibam que Deu nao concede saber o futuro. Portanto, tudo o que eu disser esta sujeito ao condicional.

Nos sabemos que o lema escrito na bandeira brasileira eh “ORDEM E PROGRESSO” mas quando comparamos isso com a nossa Historia pouco vinculo encontramos entre os tres. Ou melhor dizendo nao no sentido intencionado pelos idealizadores da bandeira. O que a gente sempre viu na Historia eh que a ORDEM eh: “Manda quem pode e obedece quem tem juizo.”

Quanto ao PROGRESSO eh preciso definir melhor a palavra. Se nos estamos em um curso da Historia e em frente estiver um pantanal, se continuarmos seguindo o mesmo curso nos estaremos, de alguma forma, progredindo em nossa caminhada, mesmo que nao seja o progresso desejavel. Desenvolver eh passar pelo pantanal sem se correr o risco de um dia se vir atolado nele. Voce pode dar a volta ou construir uma ponte suspensa. Eh preciso aprender a explorar o pantanal sem destrui-lo.

Quando a gente pega o mapa de Minas Gerais e observa o tracado da estrada que vai de Belo Horizonte aa nossa regiao a gente se intriga com a volta que se da. Antigamente dizia-se que o tracado original era para seguir de Santa Maria de Itabira para Ferros, Braunas e Virginopolis. E ai haveria a distribuicao. E o mapa transmite exatamente a ideia de que essa seria o trajeto mais racional.

Ja cheguei a ouvir a explicacao de que a volta se deu porque um deputado por nossa regiao tinha uma fazenda no outro caminho e queria se beneficiar com a estrada. Nao estou aqui para fazer acusacoes anonimas, acredito mais que o tracado se deva ao fato de que o trajeto da Estrada Real dava uma volta muito maior por ir ate Conceicao do Mato Dentro, dai a tendencia da segunda estrada nao distanciar-se tanto desta. Nao sei se a lorota tem fundamento nem sei o nome do suposto deputado. O meu objetivo eh apenas revelar o que foi dito. Se eu soubesse os nomes eu os citaria porque, para mim, a verdade vem em primeiro lugar. Se a ideia era intriga de alguma oposicao, nao endosso e nem sou testemunha.

Ja nos anos 1.970s houve a instalacao da fabrica da Itambe em Guanhaes. Novamente, circulou a conversa de que o Fernando do seo Elifas trabalhava na companhia e tinha sido dado a ele o poder de escolha se a fabrica seria instalada em Guanhaes ou Virginopolis. Ele teria preferido Guanhaes e justificado que gostava muito de Virginopolis e que nao gostaria que a cidade perdesse a caracteristica de cidade calma a acolhedora. Ele cria que a fabrica levaria a essa perda. Ja ouvi outras opinioes que concordam com esse parecer. (Fofoca eh dizer, entao, que ele deteste Guanhaes. Brincadeira!…)

Indo mais aa frente, nos sabemos que o asfaltamento chegou muito mais rapido a Virginopolis vindo pelo lado menos esperado. Tambem nos anos setenta foi formada a empresa nipo-brasileira CENIBRA. Sob o nome de FLORESTAS RIO DOCE, a subsidiaria dela comprou milhares de alqueires de terra e os infestou de eucalipto. A fabrica de celulose foi instalada em Belo Horiente. Mas como o transporte da madeira ficava prejudicado na epoca das chuvas, acabaram asfaltando a estrada que liga Belo Horiente a Virginopolis, passando por Sapucaia e Acucena.

Segundo o que me foi dito, o asfaltamento foi pago pelas empresas que iriam fazer uso da estrada, gracas aa troca de favores com o governador Newton Cardoso. Ele teria dado isencao de impostos equivalentes ao custo da obra. Nunca antes fora considerado o beneficio aa populacao da regiao. As estradas requisitadas pela populacao por decadas foram adiadas enquanto quizeram. Mas para o beneficio de empresas o empreendimento “saiu na lata”. Prova de que nunca houve respeito aa populacao eh a de que, inicialmente, a estrada passava por dentro dos nucleos de habitacoes. Somente depois de anos de protestos em funcao da trepidacao que estava dando prejuizos aas residencias das povoacoes foi que se fizeram os contornos.

Mas, outra vez, se se quizesse pensar na regiao, no sentido das pessoas humanas que vivem la, ja se teria construido uma estrada, de qualidade, ligando Virginopolis, Braunas, Joanesia, Mesquita a Ipatinga. A estrada que ligasse Ferros a Virginopolis, passando por Braunas traria outro beneficio aa populacao geral. A viagem ate Ipatinga ou Belo Horizonte ficaria diminuida em dezenas de quilomentros. Seria uma mao-na-roda para o povo de Pecanha e do Norte de Minas se se fizesse a bobagem de ligar Pecanha a Virginopolis com estrada direta e de qualidade.

Bom, por que eu estou falando isso? Porque nos anos setenta, quando ainda adolescente, era o meu projeto. Agora estou enxergando que ele ira se concretizar, nao por ser meu projeto ou porque ira facilitar o transporte dos doentes para as cidades de melhor recurso no estado, mas porque existe logica nele e agora ele ira representar interesses das grandes companhias. Alias, elas deverao querer nao apenas a ligacao rodoviaria mas tambem a ferrea.

Os fatos sao esses. Segundo o que ouvi em minha viagem ao Brasil em julho de 2009. Ja existe muita gente excitada porque, finalmente, irao construir a usina hidreletrica da Cachoeira da Fumaca, entre o territorio de Guanhaes e Virginopolis, mas no caminho para Braunas. E esse eh o menor dos projetos.

Outro fato conhecido eh que a jazida de minerio de ferro em Itabira, apos decadas ininterruptas de exploracao, esta se esgotando. A propria Cia. Vale do Rio Doce ja anunciou isso, como forma de preparar psicologicamente a populacao para o fim anunciado. Todo mundo sabe que jazidas nao sao renovaveis.

Outra informacao privilegiada que tenho, nem eh que Virginopolis tem deposito de minerio de ferro, eu sei ate onde existe um veio. Conhecer isso se deu porque o meu melhor passatempo na infancia era passear nas fazendas dos tios e ficava ate mais de uma semana por ferias nas casas deles. A fazenda que eu mais frequentei foi a do tio Miguel (seo Fernando/sa Luiza). La eu tinha o Ze Maria, o Severino e o Angelo como companhia.

Numa dessas passagens, o Ze e eu estavamos perambulando pelas estradas da fazenda quando localizamos uns homens fazendo prospeccao no local. Anos depois eu tentei ver se encontrava o buraco mas era obvio que eles o taparam para evitar acidentes com animais no pasto. A prospeccao que eles estavam fazendo consistia em fazer o que a cavadeira de boca foi elaborada para fazer. Cavaram apenas um buraco estreito no solo, em sentido vertical. A partir de uns dois metros de profundidade comecaram a retirar uma areia de cor cinza. O que mais chamava a atencao era que as maos em concha cheias, das nossas ainda meninos, devia pesar entre cinco e dez quilos.

Como eu pude avaliar o peso? Simples, ha mais de quarenta anos atras nao existiam balancas metricas ou digitais. So existiam a de dois pratos onde se punha a quantidade de quilos em pesos aferidos de ferro de um lado e a mercadoria a ser pesada do outro. Eu podia dizer que tinha as maos ja calibradas tantas vezes carreguei os quilos de arroz, feijao, acucar, batatas e todos os tipos de mercadorias pesaveis das vendas para casa. Alem disso, a minha curiosidade sempre leva-me a pegar os pesos de ferro para sentir-lhes o peso. O que me era facilitado porque quase todos os donos de venda e vendeiros na cidade eram parentes proximos e amigaveis.

Portanto, o papo que ouvi em julho, de que tambem iriam comecar a explorar minerio de ferro em Virginopolis tem fundo de verdade. Se Virginopolis virara uma segunda Itabira, ou nao, nao posso afirmar nada. Fato eh que, se isso acontecer, as estradas que imaginei antes acabarao virando realidade porque cada quilometro a menos entre o produto e a fabrica e a comunicacao com a capital representara economia de milhoes, no tempo em que o minerio for explorado.

Ai fica a dica para os familiares, ou outros, de onde investir, pensando num futuro. Muitas oportunidades de negocios se abrirao nesse novo mapa da nossa regiao. Nao quero com isso criar ilusoes. Como a prospeccao foi feita ha tantos anos atras, nao se sabe a que hora a exploracao ira comecar. Tambem ha que se levar em conta o periodo relativamente curto de tempo que o minerio durara.

Caberia aas autoridades do municipio ja pedirem a implantacao de um centro de ensino e aplicacao tecnologico. Assim, quando o minerio acabar nao deixar a cidade com aspecto de cidade fantasma como foi, em parte, nos anos 1.960s. Nao penso aqui em niveis de segundo grau e sim do mais elevado possivel.

Ai eh o caso. Se alguem desviou a estrada antigamente nao prejudicou Virginopolis mas sim o estado e o pais por tornar o transporte menos eficiente. Se o Fernando do seo Elifas desejou preservar a tranquilidade da cidade, apenas adiou a vocacao que ela tem para crescer.

Falando a respeito de preservacao, confesso que fiquei bem decepcionado com a visita que fiz a Virginopolis dessa ultima vez. O crescimento vertical no centro, com paredes sem revestimento de alguns predios; a simples eliminacao da caracteristica da cidade que eram os grandes quintais e as construcoes nos barrancos convidando aos desastres; alem da destruicao das referencias historicas, demonstraram para mim que os virginopolitanos viraram tipicos novos-ricos. Ficaram encantados com o poder de compra que o dinheiro lhes deu mas se esquecem das consequencias dos gastos mal planejados. Claro, nao faco disso uma acusacao. Espero que sirva de alerta para que se use a razao e nao a ganancia.

Outro detalhe, caso se concretize a previsao de que Virginopolis ira tornar-se sede temporaria da exploracao de ferro em Minas Gerais, isso vai implicar num grande afluxo de pessoas para ela. Dentre estas, certamente, se encontrarao descendentes de pessoas que antes sairam de Virginopolis imaginando que de forma alguma iriam voltar. E a descendencia acabara voltando a repetir os casamentos intra-familiares. Espero que com o crescimento do numero populacional evite-se repetir o erro dos casamentos entre consanguineos muito proximos, para o bem da saude da descendencia.

12. A RELATIVIDADE DO TEMPO E A RECONSTITUICAO DOS ANOS 1.960s EM VIRGINOPOLIS.

Tempo em termos das ciencias fisicas eh uma constante quase invariavel. Pelo menos era o que se supunha no passado. Se voce pegar um relogio e for medir cientificamente a passagem do tempo, ficara irritado com a mesmice de cada segundo, minuto e hora.

Contudo, quando a gente comeca a pensar no tempo de nossas vidas a gente tem diferentes concepcoes da passagem, dependendo de nossas idades. Quando criancas eh dificil suportar os meses na escola. Nossa vontade eh que cheguem logo as ferias e que completemos logo os dezoito anos para se ver livre das proibicoes que os menores estao sujeitos. Eh como se a gente estivesse querendo empurrar um carro, morro acima, que nao liga na ignicao.

Para as criancas novas, os avos parecem ter vivido desde o inicio dos tempos. Aquele capitulo da “Guerra dos Emboabas” (pintos de botas) parece que aconteceu num passado tao distante que nos eh inconcebivel. Ela se deu entre 1.707 a 1.710. Nao passou de escaramucas entre os primeiros garimpeiros das Minas Gerais.

Na fase dos trinta e quarenta anos as pessoas comecam a se questionar se a vida nao esta passando rapido demais. Tem saudades daquele anos que pareciam dificeis na infancia. E comecam a desejar que tivessem o poder de segurar o carro que pegou no tranco, e agora nao tem freio. As preocupacoes da vida nao nos deixa refletir a respeito da extensao do tempo. Comecamos a ficar mais parecidos com nossos pais na epoca em que a gente tinha comecado a tomar consciencia do mundo, onde eles nos pareciam ser tao velhos. Ate ao inicio dos quarenta nos sentimos que nao somos velhos como pensavamos que eram nossos pais; sentimos que dentro de nos vive o mesmo jovem de vinte anos atras e comecamos a temer a idade porque comecamos a nos conscientizar de que estamos mais proximos do eterno que do nascer.

Estou na fase dos cinquenta. Considero-a uma fase otima. Perdi a ansiedade das criancas. Nao quero nem saber se estou mais perto do eterno ou se vou viver outros cinquenta. Bom eh lembrarmos que ainda temos tempo. Ate talvez uns quarenta ou mais com saude toleravel. Essas decadas que podem nos restar podem ser bem mais que o tempo que vivemos antes. Porque, quando criancas, tinhamos coisas demais para aprender ainda e, na fase de jovem adulto, a gente nao sabia aplicar direito o que havia aprendido.

Quem atinge um pouco de sabedoria, reconhece que a gente precisa continuar aprendendo coisas novas. Contudo nao precisa ter a avidez do passado. Aos 52 anos pode-se observar que essa idade corresponde exatamente a um cesto do tempo em que Minas Gerais comecou a ser colonizada pela populacao europeia. Com a particularidade de que, dos 312 anos atras, quando as primeiras minas foram descobertas, voce viveu 52 junto, portanto, nao foi ha tanto tempo quanto lhe parecia. Espera-se que o mesmo possa ser dito daqui a outros 312 anos, ou seja, os seus descendentes poderao lembrar-se de voce como se fosse um avo que passou para a eternidade pouco antes de eles nascerem.

Como eu ja estudei a nossa ascendencia que vem desde os faraos do Egito, de forma escrita, mais a ascendencia atraves dos milhares de anos da formacao dos povos, vejo que a nossa coneccao com os ancestrais mais longinquos trata-se mais de uma questao de conhecimento do que eles fizeram e nao propriamente do tempo. Uma coisa eh voce estudar que o farao Ramises II transformou o imperio em sua dinastia. Muito mais completo se torna o seu interesse e conhecimento quando descobre que ele eh seu ancestral, tendo ainda em maos os nomes das pessoas que o ligam a ele. Essa coneccao fica muito melhor a partir do momento em que a experiencia nos ensina que o tempo que existe entre as nossas geracoes nao passa de miragem.

Essa relatividade pode ser extendida aos numeros de imigrantes que foram para Minas Gerais, durante o seculo XVIII, ou seja, anos dos 1.700s. Eu calculo que, dificilmente, tenha sido mais que 200.000 pessoas. Ha ai um desequilibrio grande em favor do numero de homens. Mas nem todos ficaram sem mulheres. Lembremos que os que estavam chegando somavam o pleno vigor da juventude aa esperanca de ganharem na loteria do garimpo. Muitas indigenas foram sequestradas de suas tribos. O uso das escravas era comum. As casas de prostituicao faziam parte da paisagem de qualquer vilarejo. E nem todos homens se reproduziram.

Claro, os que foram chegando primeiro geraram filhos e filhas. As filhas foram servindo como senhoras esposas de muitos recem-chegados. O falecimento de mulheres em razao de parto era uma das maiores causas de morte feminina em anos anteriores ao seculo XX. Dai a fertilidade das mulheres, como media, nao ser tao alta como chegou a ser naquele seculo.

As praticas desumanas com as indigenas e as afro-brasileiras nao estavam restritas a determinado tipo de classe. Um exemplo famoso de concepcao entre escrava e senhor foi o do Antonio Francisco Lisboa, o Aleijadinho. O pai era um arquiteto portugues com o nome de Manoel Francisco Lisboa e a mae era uma escrava da qual so se sabe que se chamava Isabel. Mas isso era visto ate como oportunidade de as escravas conseguirem alforria por se tornarem maes de filhos dos senhores.

Certo eh que, se partirmos de uma populacao de 200.000 pessoas, esperando que dobre de geracao em geracao a cada 25 anos, a partir de 1.775, encontraremos perto de 100.000.000 de descendentes, por volta do ano 2.000 e somente da ultima geracao. Embora o calculo possa parecer irreal, ele pode estar correto. Ele leva em conta uma media de fertilidade de 4 filhos por casal que se reproduziu. Nos devemos nos lembrar que entre as geracoes de 1.950 e 2.000, o indice de natalidade caiu para menos de quatro filhos. E parte da populacao de Minas vem migrando para outras partes do mundo desde a decada de 1.920, dai a possibilidade de os numeros se ajustarem aa realidade.

Por ai pode-se dizer que, talvez, mais da metade da populacao brasileira eh mineira ou tem ascendencia em Minas Gerais. Tambem que essa populacao eh proveniente de um numero reduzido de ancestrais, oriundos sobretudo: da populacao mestica que habitava o litoral brasileiro, principalmente, Bahia, Rio de Janeiro e Sao Paulo; da populacao nativo-brasileira; da populacao afro-brasileira e com o aditivo significante da migracao portuguesa e menos representativa de espanhois, ingleses, italianos e de outras partes da Europa e do mundo. Toda essa populacao tem que, por obrigacao do destino, ter algum grau de aparentamento entre si e com o restante da populacao brasileira.

Nos, aas vezes, nao enxergamos isso porque nos falta o conhecimento ou nao paramos para pensar a respeito do assunto. Mas faz parte daquilo que eu apelidei de magica genealogica. Um exemplo eh que a maioria das pessoas da familia nao sabe ou esquece que a Maria Honoria Nunes Coelho, nossa trisavo junto com o Joao Coelho, era mulata. Dai, os milhares de descendentes dela serem afro-brasileiros, apesar do loiro de muitas cabecas e o branco da pele. O mesmo se pode dizer dos descendentes da avo Sinh’Anna que tambem era mulata. Ela eh a mae do bisavo Joaozinho (tio Joaozinho) que se casou com a bisavo sa Candinha. Por esse lado ai devemos salientar a nossa provavel ascendencia indigena do Nordeste do Brasil que deve ter vindo com o pe. Policarpo Barbalho. Assim, todo Magalhaes Barbalho e descendencia tem a marca pouco conhecida de nativo descendente.

Alias, eh mesmo como os cientistas atualmente estao concluindo. O conceito de racas eh totalmente falso e baseado em preconceitos. Geneticamente a populacao humana eh tao sem variabilidade que nao se justifica o termo raca. Taxar de raca as pessoas que tenham as consideradas peles brancas, negras e amarelas eh semelhante a separar como raca as pessoas em funcao do tamanho dos narizes, cor dos cabelos ou estatura. Todas sao variacoes que ocorrem no mesmo grupo familiar mais completo.

Quando eu estudei a nossa ascendencia em Portugal, eu pude bem verificar o quao reduzido eh o numero de ancestrais que formaram a populacao portuguesa. Conhecendo a formacao da nossa familia podemos transportar os nossos conhecimentos imediatamente para a formacao das familias portuguesas nos tempos medievais. Todo mundo descende das mesmas pessoas, porem, o que deixou isso um pouco mascarado foi a necessidade de usar-se sobrenomes. No principio, ninguem se apegava a sobrenome algum. Alguem podia nascer de uma familia e escolher um novo nome para si mesmo ou para os filhos. Dai, muitas familias originarem dos mesmos ancestrais.

Nao foi propriamente essa a Historia que aprendi na escola e penso que seja por isso que a disciplina nao passava de decoreba para mim. E, como tal, por eu detestar decoreba desde a mais tenra infancia, eu tinha perdido toda a afinidade com o assunto.

Porem, eu me lembro bem o quanto era agradavel sentarmo-nos na varanda ou sala da casa do vovo Juca para ouvir os papos das tias. Tudo ganhava um colorido mais forte quando as “meninas” da tia Maricas estavam presentes. O assunto eram as recordacoes do passado e os personagens eram as proprias pessoas da familia, ou seja, gente que a gente conhecia de fato ou de ouvir falar.

Nao tive o privilegio de conhecer nenhum bisavo. Pela epoca que eles nasceram, entre 1.854 e 1.876, esperava-se que vivessem ate por volta da decada de 1.940. Dois faleceram mais cedo: Marcal (1.909) e a Maria Marcolina (1.902). Os outros: Ze Coelho (1.944); Dindinha Olimpia (1.936); Joao Rodrigues (1.948); tio Joaozinho (1.942) e Dindinha Ercila (1.937) corresponderam a essa espectativa. Ja a sa Candinha excedeu, indo falecer no final da decada de 1.950. Nao tenho a data mas foi pouco antes do meu nascimento. Ela quase virou centenaria.

Dos avos, so nao conheci a Davina que faleceu prematuramente, em 1.940, com 44 anos. Convivi com a vovo Petrina que a substituiu. Tambem conheci tres bisavos substitutas. A tia Virginia, que era irma da bisavo Maria Marcolina – sa Quinha – e casou-se com o viuvo dela: Ze Coelho; a sinha Gininha, que era prima em primeiro grau da avo Davina e mae da substituta dela: avo Petrina e, vagamente, a Melita, que se casou com o Joao Rodrigues.

Portanto, nao era de se admirar que a memoria dos antepassados permanecesse tao nitida no seio da familia. As tias eram netas de alguns bisavos e ouviram deles os causos dos nossos tetravos e pentavos. Essa eh uma parte da formacao da minha memoria em relacao aa familia. Mas esta tambem se deve ao fato de parte da familia ter ficado quase 100 anos restrita aas cidades vizinhas e, particularmente, em Virginopolis. Isso me transporta para os anos sessenta. Eu nasci em 1.958 e desde o inicio dos sessenta tenho gravado nitido em minha memoria as cenas de nossa Historia.

Tambem papai, que nao era de socializar-se muito com ninguem, gostava de contar alguns casos de modo mais particular. Mas quando se tratava de dizer quem era filho de quem etc, ele era mais expansivo.

Antes de entrar no assunto da reconstituicao de Virginopolis nos anos 1.960s quero expor um pensamento que me ocorreu agora: O tamanho do mundo eh relativo aa porcentagem dele que voce conhece. Se voce conhece apenas a cidade onde vive, o mundo te parecera imenso. Se conhece 1% dele, os 99% restantes sao imensos mas ha de ser muito menor que para aqueles que conhecam apenas as proprias cidades. A partir do momento em que se conhecer 10% do mundo, as outras nove partes lhe parecerao algo bem menor.

O mesmo se pode dizer da familia. Se voce conhece apenas os pais, avos, irmaos e descendentes, voce quase nao conhece a si mesmo. Se voce conhece todos da sua cidade e os ancestrais que os geraram, voce tem um conhecimento inapropriado do mundo. Mas se voce conhece a sua genealogia e faz ideia do seu parentesco como o mundo, os mais de seis bilhoes de habitantes da Terra irao lhe parecer uma quantidade ate modesta perante ao numero que ainda ira nascer.

Quanto menor for o conhecimento desses fatos, maior eh o possibilidade de as pessoas desenvolverem preconceitos contra as pessoas que so lhes parecem diferentes por causa da propria ignorancia de mundo que elas possuem.

Refletindo agora a respeito da reconstituicao de Virginopolis nos anos 1.960s, tempo em que eu vivi a minha mais tenra infancia, resolvi relembrar os nomes dos moradores da regiao central da cidade, apenas para que se tenha a ideia do quanto a familia dominava a paisagem e para que se torne um registro historico.

Basicamente, o centro de Virginopolis era composto de seis pequenos quarteiroes, sendo que a praca central eh um deles. Entre as primeiras lembrancas que tenho, havia um predio antigo entre a praca central e o monumento dedicado ao Jaime da Cunha Menezes. Lembro-me mais das escadas que levavam ao segundo andar porque ele estava sendo demolido quando eu tentei subi-las. Minhas pernas ainda eram tao curtas que eu o fiz com dificuldades. Nao tenho lembranca da faxada enterna dele. Parece-me que funcionava la os antigos forum e prefeitura.

A praca tinha o desenho semelhante ao que tem hoje. A diferenca eh que as arvores eram grandes demais. os passeios eram de cimento grosseiro e com muitas partes levantadas pelas raizes. O ajardinado estava mal cuidado no inicio da decada, sendo reformado pela administracao do Serafim Coelho no final dela, e um repuxo antigo estava desativado. (Lembro-me dizerem que uma crianca do sr. Jose Perpetuo havia se afogado nele. Na entrada da decada o prefeito era o proprio)(Fui lembrado pela prima Roxane Barbalho que a crianca que faleceu no repuxo era de outro ex-prefeito, anterior ao primo Jose Perpetuo, era filha do sr. Antonio Meireles e d. Nelci Lara). No lado da rua Felix Gomes, em frente aa casa da d. Lili, havia uma castanheira enorme, cujos galhos quase atravessavam a rua. Uma vez alguem soltou uma preguica por la.

O quarteirao adjacente eh aquele que divisa de um lado com a praca principal, do outro com a praca da igreja matriz e a terceira a outra praca. No lado da praca principal havia uma venda por um breve periodo de tempo da minha infancia, nao me recordo de quem. Era uma construcao muito antiga e ao nivel da rua Felix Gomes. Por baixo deveria ter um vao mas nao me recordo se era utilizado para qualquer finalidade.

Os animais de carga dos compradores que vinham da roca ficavam amarrados do lado de fora. Na ladeirinha ao lado da praca central. Foi ali que uma certa vez eu estava com os meninos do seo Adalto Leite, ajudando-os a catar esterco para utilizarem na horta. Uma jumentinha tinha acabado de soltar o produto e eu aproximei-me para puxa-lo com a enxadinha. O coice acertou-me na testa de raspao. O suficiente para eu cair sentado. Mas a minha unica preocupacao fora se a minha roupa tivesse sujado porque nao tinhamos fartura de nada em casa. Ainda poderia sofrer alguma punicao drastica pelo descuido.

Colado aa venda anterior ficava o Clube Recreativo que, ao modelo dela, era construido abrangendo desde a frente virada para a rua Felix Gomes ate os fundos para a rua do meio. Devido ao desnivel entre a rua Felix Gomes e a rua de baixo, havia um espaco aproveitado nessa segunda, como se fosse um primeiro andar, que servia de escritorio. Nao tenho mais certeza se funcionava o cartorio do Jaime da tia Biloca que posteriormente deve ter passado para o Renato, irmao dele.

O terceiro endereco, voltado para a Felix Gomes, era uma construcao comercial bem pequena que servia aa Caixa Economica do Estado de Minas Gerais. Os funcionarios eram: papai como gerente; Adams Serra como subgerente; Tinah e Arizinho. A agencia era monopolizada por familiares, exceto pela presenca da funcionaria Salome esposa do Abelar Almeida, e irma do Taozinho marido da tia Ju (Angela do avos Davina/Juca).

Entre o clube a a Minascaixa havia um portao que dava para os fundos da casa da d. Maria Clara. A frente da casa dava para a rua de baixo. Parece que a construcao que servia aa Minascaixa era propriedade alugada aos donos da casa. Moravam com d. Maria Clara as filhas solteiras: Maria de Jesus e Maria Jose.

Seguindo a rua Felix Gomes vinham o buteco do Fafa, a loja de tecidos do seo Octavio Coelho, o buteco do seo Ze Feliciano e as Casas Sao Pedro. Nos primeiros anos o proprio Pedro da sa Marta gerenciava. Apos a morte dele o Dirceu, irmao dele, assumiu. Os atendentes eram, geralmente, o Fino, o Bene, e o proprio Dirceu. O Gil do Pedro tambem atendia.

Virando a esquina das Casa Sao Pedro passava-se pelo Hotel da cidade. O dono era o seo Antonio Macuco. Houve um tempo em que um sargento que chefiava o destacamento policial morou nele com a familia. Um dos filhos desse sargento, o Venilton, foi meu colega. Eles devem ter permanecido somente uns dois ou tres anos na cidade.

Na esquina oposta tinhamos a casa dita do vovo Juca. A casa era uma heranca das filhas e ele morava na Fazenda dos Ambrosios, que tambem era heranca vinda da bisavo sa Candinha para os filhos da vovo Davina, porem, era usufruto do vovo Juca. Moravam na casa as filhas solteiras: Merces, Marta e Lucinda. Da segunda familia do vovo so me lembro vagamente de ver a Matilde ainda morando em Virginopolis e frequentemente estava na casa. Davina e Maria Eugenia (Maro) devem ter mudado no inicio da decada para o Rio de Janeiro e Belo Horizonte mas nao tenho recordacao delas morando la. As ferias eh que ficavam cheias de vida com a presenca delas tambem. A casa era frequentadissima pela parentalha mesmo que fosse apenas para os comprimentos dos que passavam na rua porque era a via de acesso a varias comercios, tanto para os que moravam de um lado quanto do outro da cidade.

O terreno oposto aa loja do seo Octavio era vago na rua de baixo.

Outro quarteirao pequeno eh a praca que da de frente para a praca da igreja matriz. Na verdade, era um terreno praticamente baldio que nem mesmo mato tinha de tao pisado por pessoas e animais. O Serafim Coelho cuidou de melhorar esse visual tambem.

O quarto quarteirao eh aquele que faz frente para o anterior. Circulando-o a partir da esquina exatamente oposta aa casa do vovo Juca, tinhamos uma construcao antiga de dois andares que era a casa do seo Jose Soares e d. Efigenia. Moravam o casal e filhos solteiros. Num anexo a esta casa funcionava a agencia dos correios. Na metade da decada a reparticao foi transferida para o predio da esquina do beco com a rua Sao Jose. O anexo virou moradia para a familia do seo Tarcisio Lima e d. Helena. Eu era companheiro de bola do Ronaldo (Veio), amigo da Nilce e do Cizinho. Havia uma moca mais velha que nao me lembro o nome e o menor de todos: Romercy – Mercy. D. Helena eh filha do “Luiz da sa Ritinha”.

A seguir vinha a casa do seo Osvaldo Marcatti e d. Nana. A principio era, como as outras, uma construco antiga que foi uma das primeiras a ser derrubada para dar lugar aa nova. No inicio, os filhos eram todos solteiros. Ao lado da casa, ja na esquina do quarteirao, vinha a garagem para o caminhao que, somente depois do final da decada, virou ponto de comercio. O terreno do seo Osvaldo ia ate o outro lado do quarteirao e servia de quintal, sem construcoes. Havia um portao de acesso no muro que o separava da rua Sao Jose.

Ja de frente para a rua pe. Felix ficava a casa do seo Zeze Lucio e d. Ritinha (nao a mesma mae do Luiz citado acima). O terreno dele contornava todo o restante do quarteirao ate aa rua Sao Jose. Tinha a forma de um L. O beco que hoje fica do lado da rodoviaria era mais estreito e em lugar da rodoviaria tinhamos a igrejinha velha. Ela ocupava sozinha o quarteirao, aa semelhanca da rodoviaria atualmente. O pequeno triangulo ajardinado do lado oposto aa propriedade do seo Zeze Lucio ja existia.

A propriedade do seo Zeze Lucio tinha uma entrada pelo beco que coincidia com os fundos da igrejinha. Ali ele tinha uma especie de garagem para a charrete que o levava e trazia da fazenda. A charrete foi anterior aa camionete. Na esquina oposta, que esta na rua Sao Jose, porem voltada para os fundos da igrejinha, o Henrique Lucio, filho do seo Zeze, construiu a primeira moradia propria dele.

Para terminar esse quarteirao, falta apenas lembrar que havia um terreno baldio que ocupava a esquina da rua Sao Jose com o beco. Nele existia a fundacao de uma construcao que nao cheguei a conhecer. Nos anos sessenta a meninada do centro se organizou para limpar esse terreno e transforma-lo num campinho de peladas. Contudo, a nossa alegria nao durou muito. Amontoaram neles as pedras (pes-de-moleque doadas pelo vovo Cista) para calcar o centro da cidade. O prefeito era o seo Zeze Lucio. Posteriormente, o Serafim Coelho o desapropriou (era propriedade do tio Murillo Coelho) para construir o predio novo da prefeitura, com dois apartamentos em cima: um para o promotor e o outro para o juiz de direito da comarca. Recentemente o tio Murillo subiu para o andar de cima e ja deve estar sanando as diferencas que tinha com o Serafim, que era tio da tia Adir, esposa do tio Murillo.

O ultimo quarteirao, e o mais central, era ocupado, em parte, pelo terreno do tio Anisio e tia Adalgisa e ia da esquina oposta aa prefeitura ate ao beco central. A casa dos tios ficava na esquina de frente para a casa do vovo Juca e a do seo Jose Soares na esquina oposta. (Justamente no espaco da rua que separava as casas do tio Anisio e seo Ze Soares punha-se o conhecido morador de rua. Era conhecido por todos como Tunico doido. Tinha problemas mentais e vivia da caridade das matriarcas das duas casas. Era menos violenta que a violencia que sofria da populacao que, por falta de compreensao e caridade, gritava de lonte: “Oh Tunico doido!” somente pelo gosto de ve-lo irritado, e ameacando jogar pedras nos agressores. Quando eu era menino, Tunico doido, foi um dos meus apelidos, e a minha reacao a ele era semelhante aa do original). Na parte que fazia frente para a rua Sao Jose, o Guido do tio Anisio construiu a casa dele onde morou ate os anos setenta, antes de mudar-se para Valadares. Anexo aa casa dos tios, abrindo-se para o lado da casa do vovo Juca, a Carminha do tio Anisio tinha uma especie de escritorio. Nao me lembro a finalidade, parece-me um cartorio. Na casa ainda moravam os filhos solteiros como: Carminha, Nilza, Helio, Joaozinho, Miguel e Itala.

Vizinho deles era o Luiz da sa Ritinha. A propriedade deste era totalmente voltada para o beco em frente aa casa do vovo Juca. Tinha um pequeno galpao que assemelhava a um paiol e costumava servir de local para a jogatina local, mais a casa propria. Na esquina oposta aa casa do tio Anisio e ja de frente para a praca principal, tinha a alfaiataria dos irmaos Barreto: Geraldo e Zezinho. O Nilson do seo Geraldo e o Ze Geraldo do Nilo eram os colaboradores. O vao das portas da alfataria virava abrigo noturno para os casais de namorados.

Ocupando o centro dessa parte lateral do quarteirao ficava o mesmo predio que hoje eh ocupado pela biblioteca publica atualmente. Ai funcionava a venda do seo Amavel. Em 1.970 o espaco estava desocupado e puzeram la uma televisao para o publico assistir aos jogos da copa do mundo. Nessa epoca nos ja tinhamos a nossa propria televisao. Um luxo para poucos, embora, mais pessoas tivessem carros.

Na esquina da praca com a rua Sao Jose funcionava a loja do seo Antonio Lucio. No segundo andar tinha a residencia que, a principio foi ocupada pelo Braga e a Graciola (tios-bisavos: Benjamin/Julia – Nnhazinha). Quando eles se mudaram para Governador Valadares a casa foi ocupada pelo Dr. Batista, o eterno promotor de justica, e d. Marilda. Ai nasceram os tres filhos do casal: Cristina, Carla e Mayran. Nao tenho certeza de todos mas creio que sejam casados na familia. O prof. Abelar Terezinha de Almeida deve ter passado a morar na casa no finalzinho da decada ja como marido da Jacira (d. Helena/seo Chiquinho Campos).

Para fecharmos o quarteirao faltam duas casas de frente para a rua Sao Jose e espremidas entre a propriedade do seo Antonio Lucio e aa casa do Guido do tio Anisio. Meus pais moravam do outro lado da rua, de frente para elas. Na da esquerda que divisava com um quintalzinho adjacente aa loja do seu Antonio Lucio e a casa sobre esta, moraram os tios-bisavos: Francisco Coelho Sobrinho – seo Chiquinho/Salome Campos – d. Memeh. Tambem moraram a tia Virginia, entao, viuva do bisavo: padrim Ze Coelho junto com: o enteado dela tio-avo Gama, e os filhos dela: tios-avos, Tarcisio, Ines e Joao. O sargento ao qual me referi antes tambem teve uma rapida presenca na casa.

Na ultima casa, entre esta e aa do Guido, moraram a viuva d. Isaura e familiares, no principio. Neste ponto tenho que me recordar que o Gil do Pedro-da-sa-Marta ia todas as tardinhas namorar a secretaria da d. Isaura. Eu era uma das pestinhas que ficava de la enchendo a paciencia: “Ai Gil, ta namorando heim!” O Gil se abria naquele sorriso largo e prazeiroso, mais que mostrar-se chateado. Hoje o namoro esta na fase de muitos netos.

Nessa casa, por um breve momento, morou a familia do seo Salvador Lacerda. Quando o Henrique Lucio de casou ele morou tambem nessa casa. Quando este se mudou para a casa que construira no lote do pai dele levou as meninas e o Lucinho no colo.

Moraram na mesma decada nessa casa a tambem viuva e tia-avo Olga e os filhos: Cezar Paraguassu e Augusto, comecando as respectivas familias e a Ilce.

Existia um anexo a esta ultima casa, que parecia quase ter sido planejado para funcionar como uma garagem, espremido entre as duas ultimas residencias. Nesse compartimento funcionou a barbearia do sr. Manasses do Dodou. Ele me puxou algum cabelo ao corta-lo com tesoura meio cega.

Voltando ao ponto-de-partida, na esquina da rua Sao Jose com a Felix Gomes, na entrada da praca central, comecamos com uma casa antiga cuja parede quase nao dava espaco para o passeio na rua, tinha o madeirame exposto pintado de verde e as paredes de adobe em amarelo. Ali moraram o Jaime da tia Biloca e a Zeze com os filhos. Posteriormente, apos a mudanca deles para Valadares moraram a Luiza e o Dirceu. Os filhos nasceram ali.

A proxima casa era do seo Amavel e d. Odette. O Bene, irmao do seo Amavel, trabalhava na venda deste antes de ela fechar e ele transferir-se para o Dirceu.

A terceira casa fora a moradia dos bisavos: sa Candinha/tio Joaozinho. Nela moravam a d. Lourdinha, o seo Walter Lopes com a familia. Depois que eles se mudaram para a rua do ginasio a casa ficou vazia. (Muito depois o Fino a derrubou e construiu casa nova no lugar).

Estava me esquecendo que entre as duas casas anteriores existe um compartimento pequeno de comercio. Ele era a barbearia dos imaos Crioulo e Edson (Tica) do Marinho. Era o ponto da resenha futebolistica na cidade porque o Crioulo torcia para o Cruzeiro e o Tica para o Atletico. O Tica casou-se com a Ondina (d. Helena/seo Chiquinho Campos).

A quarta casa, voltada para o centro da praca central, era do tio-avo so Li (Eliezer). No inicio da decada ele morava sozinho. Num quarto de fora da casa se escondia o seo Guilherme. Era um alemao com neurose de guerra e que vivia de pequenos consertos de eletrodomesticos. Ele faleceu, possivelmente, de ataque cardiaco mas o povo atribuiu a algum choque daquela corrente quase morrendo que tinhamos. Depois do inicio da decada, a Marlene da tia Maria e o Humberto – Guelo – vieram morar com o tio para assisti-lo na caduquice. (Eles haviam morado antes na entrada da rua da Varzea e noutra casa na rua do Paqueta).

O seo Serafim Coelho e d. Julia moravam ao lado. Primeiro em uma casa antiga. Quase nao me recordo desta porque a derrubaram para construir a que ainda existe.

Ja, no final da praca central, moravam o seo Yeyeh com a segunda esposa e a segunda familia. O Toco, que ja era casado com a Nazinha, morava numa casa anexa. A casa do seo Yeyeh era em forma de L e esta anexa ficava escondida atras da letra. Tinha um beco de acesso onde o Toco estacionava o caminhao e, nos fundos, uns dois quartos, tipo quartos de despejo.

Ao lado deles vinham o Ze Padeiro (Jose Gomes Lessa), d. Petrina Carvalho e toda a familia. Entre o casarao antigo em que moravamos e a casa destes havia a padaria, porem, era nos fundos, ainda sem comercio na frente. Foi nas engrenagens do cilindro de fazer pao que eu perdi a falange do dedao da minha mao direita quando estava ainda com nove anos. Trofeu que tornou-se inseparavel do meu corpo.

Nossa casa era um composto geminado. Moravamos de um lado. Do outro lado funcionava, na frente, o gabinete dentario do papai. O casarao havia abrigado a primeira agencia dos correios de Virginopolis. Na janela de um quarto na esquina oposta da entrada para nossa casa tinha uma fresta feita por carpinteiro, onde as cartas poderiam ser depositadas a qualquer hora. A Dindinha Ercila tinha exercido o cargo de agente. Mais para dentro moravam a tia-avo solteira: Philoteia (Teteh), a (improvavel) ex-escrava Filomena (Filoh) e a “doida” Vitoria. Num quarto da casa residiam o desquitado Hugo (tios-avos: Marcial/Ceci) com os dois filhos mais velhos: Eustaquio e Ricardo.

Como era do costume na epoca, residiam conosco colaboradoras do lar. Na minha mais tenra infancia convivemos com a Dos Anjos. A Ninica deve ser da mesma fase. Lembro-me de sentar-me para almocar, e pedir a ela a colher, ao que ela respondeu-me: “A colher ai na sua mao menino!…” . Era verdade, sentei-me ao mesmo tempo que segurei a colher, quando olhei para o banco com assento e mesa (tipo uma escada), onde a colher deveria estar, nao a vi. Foi uma gargalhada geral. Ate hoje, quando encontro-me com ela, ela se impressiona por ter-me carregado no colo. Isso por causa das nossas diferencas de altura que deve estar por volta de uns 30cm.

Desde entao, o papai impunha, a todas as colaboradoras que residissem na casa e ainda estivessem em idade escolar, a condicao de estudar. Nessa condicao entraram Altina, Fatima, Fizinha (irma da Palmira que era colaboradora na casa da tia Odette) e Celina do seo Ze Durao, irma da Ninica. A Altina era rebelde e detestava essa condicao. Os pais dela mudaram-se para o Mato Grosso e, tempos depois, ela escreveu uma carta agradecendo muito a meus pais. No lugar em que estavam morando ela era a unica precariamente alfabetizada, porem, foi o suficiente para ser encarregada de tomar conta da contabilidade da fazenda em que passaram a morar, o que havia garantido uma melhor condicao de vida a eles. A Celina acabou dando sorte na vida. Casou-se com o tio Cirano e agora eh minha tia. (Brincadeirinha Celina). Creio que tambem nessa epoca tivemos uma Cirinha que nao sei de onde veio.

Continuando o resgate da rua Sao Jose, o nosso vizinho do lado oposto ao Ze Padeiro eh o seo Dimas e d. Cidinha. (Primos em varios graus, tanto do papai quanto da mamae). No inicio da decada moravam com todos os filhos que logo comecaram a sair. Eles alternavam a tia-avo Ceci com a d. Heloisa. Ora a tia morava com uma, outra hora com a outra filha. Moraram nessa casa como estudantes tambem: a Socorro Souza (neta do seo Joao de Souza Coelho) e o Newton que nao sei dizer nada da genealogia.

A casa do seu Dimas ja esta na esquina do beco da prefeitura. O unico outro vizinho que eles tinham, ja no fundo do beco, eram as instalacoes da Sociedade Casa de Sao Vicente. O seo Dimas tinha um quintal que equivale a um pequeno lote entre a casa dele e a Casa de Sao Vicente e esta o impedia de possuir um quintal grande como as outras casas da rua tinham, indo divisar com o ribeirao nos fundos.

Do lado oposto aa Casa de Sao Vicente no beco, a casa mais ao fundo era ocupada pelo sr. Adalto Leite, no inicio da decada. O tio Ze (Jose Fabiano Coelho) ocupou a casa no final da decada. Vizinhas desta eram d. Iolanda com os filhos e a irma dela: Odila. Elas sao netas do Ti Quim Bento e irmas da d. Lourdinha do Valter Lopes.

Na metade do beco moravam seo Gil Batista Coelho (Ti Xico/Maria) e toda a familia.

Na esquina da rua Sao Jose com o beco, no lado oposto aa casa do seo Dimas, moravam no segundo andar o Jose, filho dos tios bisavos: Daniel/Marina – Nenen – e a esposa d. Ida.

No comodo de baixo funcionou, com a porta voltada para o beco, a agencia dos Correios (segunda localizacao). Nos correios o agente era o Ze Passos mas tinham os colaboradores. Nao me lembro a ordem mas o dr. Silvestre (Menininho, apelido da epoca) e o Socrates do Pedro do Dodou ocuparam o cargo. Quase todos os filhos do Ze Passos ajudaram, de acordo com a epoca e as idades. Os mais novos somente o fizeram posteriormente ao final da decada.

Fazendo meia-parede com a agencia e com as portas voltadas para rua Sao Jose, funcionou a prefeitura (antes da construcao mais nova). Lembro-me de ver tres funcionarios da area administrativa. Eram eles: o tio-avo: Darcy Baptista Coelho; a tia Te (Terezinha Aguiar (tios-avos: Armando/Nazinha) e o seo Dimas.

No mesmo predio, fazendo meia-parede com a prefeitura, ficava a coletoria. Nela trabalhavam a tia Maria Helena (vovo Juca/vovo Davina); o Geraldo Pereira Pinto (marido da dona Bernardete Campos) e o Rubinho, casado com a Ilza do seo Octavio Coelho.

A casa seguinte era do seo Eliphas e d. Chiquinha. Com eles moravam os solteiros do primeiro casamento do seo Eliphas e com a d. Chiquinha. Tambem, como filho adotivo, o Robinho. Sobrinho da d. Chiquinha, mas nasceu com um problema de saude. Pensaram na epoca que ele nao fosse durar muito mas acabou chegando aos 36 anos de idade e deixou descendencia.

A seguir, vinha a casa que foi primeiro ocupada pelos tios: Longino/Lucia Coelho. Logo eles se mudaram para Guanhaes e deram o lugar para o seo Joao Lucio (Zeze Lucio/sa Ritinha). Na proxima casa moravam d. Heloisa e Geraldo (Lalado) e todos os filhos, inclusive o Joao que era filho do primeiro casamento da d. Heloisa com o Felix Aguiar.

A casa seguinte havia pertencido ao bisavo Joao Rodrigues e da segunda esposa: Melita. Nela moraram o seo Ze Simao, d. Regina e alguns netos. Com eles moravam outro Ze, o Bento, que era o mestre em fabricar rodas perfeitas para os nossos carros de direcao. Sem ele faltaria muita alegria aa criancada. Fabricava raias e papagaios tambem.

Vizinho deles eram o Geraldo (tios-bisavos Daniel/Nenen) e Ligia (tios-avos: Biloca/Sady). Quando eles se mudaram para Governador Valadares a tia Biloca passou a morar nela. Tia Biloca foi uma das primeiras a ter televisao na cidade e a varanda dela ficava repleta de pessoas para ver pela janela de vidro aquela imagem pouco nitida, preto e branca, mas que tanto hipnotizou as pessoas da epoca. (Esqueci-me de mencionar na versao anterior mas morava na casa da tia Biloca, alem dos filhos solteiros, o David, conhecido por todos pelo apelido de Quati. Ele era afro-brasileiro, nao sei a origem genetica dele mas foi criado como se fosse filho pela tia-avo. Foi um dos grandes companheiros de futebol que tivemos. Um craque em nosso meio).

No terreno seguinte foi construido o comercio para a Cooperativa dos Produtores Rurais de Virginopolis. O atendente da epoca era o Lucas (Luquinha).

Em seguida vinha a propriedade da d. Mariinha Leite, com tres moradias. Duas antigas ladeando uma moderna. Na primeira casa velha moravam as donas Mariinha e Culica. Na moderna, tia Maria Helena e Carlucio moraram por uns tempos. Depois ela serviu de escritorio para a Emater mas creio que ja foi nos setenta. A casa antiga, que ficava no final da rua Sao Jose estava abandonada. Foi demolida para a construcao da Central Telefonica local. No comeco eram apenas cinquenta telefones. O numero da casa de meus pais era o 57. A numeracao ia de 10 a 60.

A esquina da rua Sao Jose com a pe. Felix, que eh um dos angulos do triangulo central da cidade, tem uma casa que nao me recordo quem morou antes do sr. Salvio Rodrigues Coelho. Nao sei dizer a epoca que seu Salvio mudou-se para ela porque ele morava na chacara do pai dele, o Ze do tio Daniel. Tambem nao recordo se foi ainda durante a decada de 60 que a tia Virginia e os filhos se mudaram para esta mesma casa.

Seguindo o lado direito da rua pe. Felix, em direcao aa praca da matriz, tinhamos a casa da tia Nenen, entao, viuva do tio Daniel. Com ela moravam as solteiras: Geralda, Olga e Elsa. A “tia” Geralda era professora de catecismo. E eu ia aas aulas para comer o queijo americano que ofereciam, no antigo posto de puericultura. Sabe-se la hoje-em-dia o que eh isso!…

A proxima casa era a dos tios-avos Levy e Fina. A seguir, outra antiga, ao que me lembre, foi a segunda morada da tia Olga e familia. No ultimo lote, antes do beco que levava aas chacaras do David e do Jose dos tios Daniel/Nenen o prof. Celso, filho do seo Eliphas, construiu a casa dele, possivelmente, no final da decada.

Passando o beco, vinha a casa de dois pavimentos onde moravam o Zezito e d. Aracy, com toda a familia. A vizinha era uma casa que, no principio da decada fora ocupada por um juiz, procedente de Pecanha, cujo filho: Sergio, foi meu colega de grupo. No finalzinho da decada o Everardes, filho do Mario do tio Daniel, passou a ocupar a casa com a primeira esposa: Madalena, filha do seo Ze Simao.

Em seguida vinha uma construcao muito antiga e com um quintal enorme. Era usado como “casa das velhas”. Era o asilo na versao anos 1.960 e nela moravam as residentes: sa sinhana, “Maria-fura-bolo” e uma terceira idosa: Sebastianinha, com mais juizo. Ela tinha apenas uma perna mas ainda assim era capaz de capinar o quintal.

Em seguida vinha a residencia do Ioio e Naide do tio Tavico. Eles eram vizinhos tambem da Farmacia Boa Esperanca que o Ioio dividia propriedade com o seo Elifas.

Apos aa farmacia havia uma casa que nao tenho lembranca exata de moradores. Creio que fosse uma senhora de idade, tinha o respeito de todos e o nome que estourou em minha memoria eh Rosalia. Nao tenho certeza.

A casa anterior era o preambulo do conjunto geminado formado por uma casa menor, um comodo de comercio no meio e o solar que fora do bisavo Joao Rodrigues e Dindinha Olimpia. Na casa menor moravam os tios Ovidio/Gilda. O comercio era ocupado pela loja de tecidos do tio Anisio. O sobrado ja era morada para tia Edith mas a Dindinha Zulmira convalesceu ali os tres ultimos anos de vida dela. Ela faleceu em 1.963 e eu nunca presenciara um cortejo funebre com tamanha multidao. Eu o acompanhei do alto de um pe de jabuticabas do nosso quintal. Nao pudera ir porque cortara o pe, de lado-a-lado, pisando em um caco de vidro.

Quando o tio Ovidio se mudou para Governador Valadares, morou na casa menor um casal que me fugiu os nomes. Creio que o marido se chamava Jose Maria. Eram os pais dos meus colegas de bola: Geraldo (Dinho) e Leleco. As relacoes extraconjugais da esposa com o nosso primo Carlos Knipp foi o motivo da separacao. E desse relacionamento nasceram primo ou primos nossos que nao foram ainda computados em nossa Arvore Genealogica. O caso era tao aberto que nao causou propriamente um escandalo na sociedade.

Ja na parte superior da praca, adiante deste ultimo conjunto, ficava o Grupo Escolar Nossa Senhora do Patrocinio. No local onde hoje funciona o forum da comarca.

Agora, ao inves de subir em direcao aa igreja, vou seguir em direcao aa rua Felix Gomes. Como eu ja narrei o lado esquerdo, agora descreverei o direito. Passa-se toda a extensao da praca da matriz para chegar-se aa esquina seguinte. Nela tinhamos um casarao de dois pavimentos que fora construido pelo vovo Cista. Mas nos anos sessenta nao me lembro de moradores na casa que ficava no segundo pavimento. Lembro-me que o seo Antonio Macuco transferiu para la por um tempo mas nao sei dizer qual decada era. O primeiro piso era ocupado por comercio. Era a venda que passou nas maos dos tres irmaos: Dede (Ademar), Alonso e Aramis, filhos do sr. Jose Martinho. Os dois primeiros na decada de sessenta. O Jose Virgilio, filho dos tio Murillo Coelho eh sobrinho dos donos e foi um dos atendentes. Nao me recordo se Dante e Catito (dr. Demostenes) tiveram a mesma sorte.

Havia um quarto anexo aa venda que creio, nos sessenta, servia de deposito mas pode ter sido boteco tambem. Em tempos mais recentes foi a loja de consertos do Joao do Getulio mas nao me lembro se o proprio Getulio ja nao o utilizasse antes.

Encostado aa construcao anterior havia outro galpao pequeno que serviu de boteco para o seo Ze do Feliciano. Mas nao sei precisar a data, se ele iniciou ali antes do final dos anos sessenta. Ele tambem morou no andar de cima da construcao anterior mas creio que essa seja parte dos setenta, quando a Lenira foi minha colega. Um tempo depois o boteco virou o bar do tio Murillo Coelho.

Na sequencia vinha a casa do seo Ze Randolfo. Nao tenho lembrancas dele alem do fato de que o Angelo Figueiredo (Angelo da d. Geni) morava na casa por ser sobrinho. Falta-nos reconstituir parte da familia Figueiredo na regiao. Segundo informacoes que tive, ela descende da Carlota de Magalhaes Pacheco, filha dos tios-bisavos: Quiteria de Magalhaes Barbalho e Joaquim Pacheco Moreira. Porem, o livro da Ivania registra apenas que a Carlota se casou com o Jeronymo Jose de Figueiredo, de Divinolandia. Em julho estive com a Emidia (94), Vita (91), Xisto (80) e Diva (76), filhos do seo Joao de Souza Coelho e eles informaram que o casal era ancestral dos Figueiredo da regiao e a d. Genoveva, esposa do seo Joao e mae deles, era sobrinha.

No nosso caminho esta a casa do seo Antonio Lucio e o cartorio do Jaime da Cunha Menezes. Depois do assassinato do Jaime a Cirinha teve que assumir o negocio da familia.

Apos a propriedade do seo Antonio Lucio vinha o complexo da d. Lili. Era uma construcao em forma de L, apenas que, aos olhos de quem passasse pela rua, de cabeca para baixo. No vao do L havia um ajardinado com um repuxo. A perna do L era uma construcao independente. O corpo do L era a casa da propria dona, no segundo piso, e o bar no primeiro. O bar era ocupado por terceiros. Lembro-me que foi o primeiro ponto explorado pelo tio Murillo Coelho mas nao sei precisar as datas.

Adiante vinha o Cine Lili. Tinhamos cinema em Virginopolis naquela epoca e ate hoje tenho na mente as musicas que eram difundidas pelo mega-auto-falante. O disco devia ser um so, a decada inteira e alem. Os namorados e os pretendentes ficavam fazendo “footing” na pracinha a espera do horario da secao comecar. Dado a musica que anunciava o inicio, corria-se para a sala de exibicao. Dai so se ouvia os barulhos do filme e os latidos de algum cachorro. Em cinco minutos apos encerrada a secao todos ja haviam se dirigido para as casas. Entao, imperava o silencio da noite na cidade do interior. As exibicoes so aconteciam nos finais de semana. Periodicamente havia Matines para a meninada. (Matine eh de origem francesa e pode ser traduzido como manha (matin em frances) literalmente, ou secao da tarde (para nosso objetivo).

No predio do cinema existiam duas salinhas laterais aa entrada para a sala de exibicao. A da direita de quem estava entrando servia como ponto de venda dos ingressos. Ali tambem funcionou como grafica, onde era produzido o jornal: “A Peneira”. O proprietario da grafica era o Amilar da Cunha Menezes e o operador da impressora era o Bastiaozinho Galo. Na sala oposta o Domingao puxava os cabelos dos clientes. Era mais uma barbearia na cidade.

Os dois pavimentos da construcao do seo Moises Coelho Perpetuo ja funcionava no vizinho seguinte. No segundo piso ele residia, no primeiro era o comercio e numa extensao acompanhando a rua funcionava um posto de recebimento de queijo dos fazendeiros da regiao. Dizem que o “Ostramiro” ficou rico intermediando a vendagem desse queijo em BH.

A construcao seguinte que existia era o bar do Beijo. (Benjamin do Ti Xico/Maria). Haviam ali dois produtos que so existiam em Virginopolis. Eram o picole e o doce cremoso de leite que era fabricacao caseira. Dizia-se, entao, que se se fosse a Virginopolis e nao se chupasse o picole do Beijo, nao se tinha ido la. O atrativo para os mais velhos eram os sinucoes, unicos na praca.

Deve ser nessa epoca que se contruiu o predio para o Forum antigo, que era vizinho do bar. Depois deste vinha uma casa que nao me lembro de moradores. Para encerrar esse lado da rua, vinha o armazem. Este pertencia aa familia do vovo Cista. Quando o tio Ovidio se mudou para Valadares, vendeu-o para o seo Osvaldo Marcatti. Os eternos atendentes eram o Nico, o Luiz e o Parana. No ano passado o Glauco do tio Bernardino enviou-me fotos da comemoracao dos 90 anos do Nico que era filho adotivo da Sinha Gininha, a avo do Glauco.

Como nesse ponto dessa descricao ja chegamos aa Praca d. Augusta Campos, eh preciso retornar um pouco na rua, aa entrada da rua Sao Jose, onde comecei a descrever pela casa do Jaime da tia Biloca. Logo apos ao Jaime, ja na rua Felix Gomes e em frente ao bar do Beijo, vinha a casa do seo Titito (Francisco) que eh neto do Ti Quim Bento. Na sequencia vinha um meio lote vago que ja fazia parte da propriedade onde ficava a loja de tecidos e calcados do “tio” Antonio Coelho, filho do Ti Xico/Maria (irmao do Beijo).

O proximo vizinho eram os tios Otacilio/Zeze que, entao, tinha uma vendinha de comercio diversificado, particularmente, material escolar. A loja era anexa aa residencia dele e tia Zeze com as nove filhas e tres filhos.

A proxima porta dava entrada para a casa da Vita e da Cira, filhas dos seo Fernando/sa Luiza. Eu frequentava a casa nos finais de semana quando os tios Miguel/Lia chegavam com os meninos da fazenda e pernoitavam la.

Lembro-me, entao, de um lote vago antes das casas geminadas que abrigavam as filhas solteiras do Ti Xico: Maria e Lucinda e a casa do irmao delas: “tio” Antonio, o dono da loja, que habitava com a “tia” Laurinha e os filhos. Pelo menos no inicio da decada ninguem havia saido. Dai para frente, de moradia, somente a casa da sinha Gininha que ja ficava no Paqueta.

Assim, ja estamos no final da Praca d. Augusta Campos e seguindo em direcao aa saida para Divinolandia tinhamos o restaurante da cidade e a casa de pecas e posto de gasolina dos irmaos Cesar e Salvio Rodrigues Coelho.

Esta me faltando aa memoria se na saida para Divinolandia havia uma ou duas casas. Mas creio que seja a mesma. Nela moraram os tios Otto (Sinhou)/Iva com a familia. A mesma casa deve ter sido ocupada posteriormente pelo Joao Cancio (Ti Quim Bento/tia Cunuta).

Dando uma rapida tournee pela rua prof. Francisco Dias, porque ela era curta, tinhamos no lado de baixo as casas: do Fino; do Abelar/Salome (primeira esposa); do Mauricio/Euridice; do De (Euler)/d. Enoi; do seo Alipio Teixeira; do Zande/d. Leta e a rua terminava na casa do Binha (Nao tenho certeza se o nome dele eh Rubens Dias de Andrade). Dele para frente era estrada. Voltando pelo lado de cima da rua, a entrada era um pasto que os meninos dela aproveitaram para fazer um campinho de futebol. Na epoca eles tinham dois bons jogadores, os irmaos Rene e Romero do Binha. Essa area foi incorporada pelo UAI Campestre Clube ja na decada de 70. O capinho corresponde aa quadra do clube.

O proximo vizinho era o seo Antonio Sapateiro que tinha como filhos e ajudantes o Zinho e o Jacy. Depois vinha uma casa grande e geminada onde o Tinho (Ernesto Pereira do Amaral Filho, filho do tio Ernesto) vivia nos fundos, enquanto o seo Ary Dias e a Tinah moravam na porcao anterior. Moravam com eles os filhos, alguns simultaneamente enteados e sobrinhos da Tinah.

Ja na esquina que dava inicio aa rua da Gloria e abrindo-se para a Praca d. Augusta Campos moravam o Ze Passos e d. Das Dores. Ali eh que a algazarra se dava. So de meninos existiam mais de cinquenta nesse pequeno trecho da cidade.

Na rua da Gloria existia apenas uma unica casa do lado de baixo. Porem, no outro extremo dela. Seguindo o lado de cima vinha a casa do seo Minervino Nunes Leite e d. Zina. Creio que havia uma casa entre eles e a do dr. Rabelinho/d. Maria Aguiar (tios-avos: Armando/Nazinha). Porem nao sei dizer se havia morador nela.

Apos a casa do dr. Rabelinho vinha uma serie de casas que nao sei indicar com absoluta certeza a ordem dos moradores. Mas eram a Gloria (neta do Ti Xico); a “tia” Te (Terezinha Aguiar); uma casa que era alugada e onde moraram a tia Maria Helena e o Carlucio (tiveram dois enderecos na cidade antes de mudarem para Brasilia) e o seo Ze Campinho e d. Eliza. Numa das casas anteriores, nao me recordo se na que a Maria Helena ou a tia Te moraram, residiu tambem o seo Adalto Leite.

Entre essas casas haviam lotes vagos e a proxima construcao era a entrada do cemiterio. E de frente para ela, a unica casa do outro lado da rua. Nesta moravam a Rachel dos tios-avos: Darcy/Biluca, o Wilton e os filhos. Voltando ao lado de cima, logo apos aa entrada do cemiterio, vinha a casa mais ao alto, onde moravam a Darcilia, irma da Rachel, com o Amilar (Ostino/d. Lili) com a familia. Nessa mesma direcao ficava a casa paroquial antiga, que abrigava o conego Francisco, o irmao dele: Luiz (vulgo chapeu mas que arrancava o canivete para qualquer que o chamasse pelo apelido) e a mae de ambos. Ai ja estamos no alto da praca da matriz. E diziam que o Chapeu e o conego Francisco, as vezes, se pegavam na briga a ponto de rolarem no chao. Nunca fui testemunha de tal suposicao.

Para o bom funcionamento dos servicos na paroquia, o padre tinha a assistencia do sr. Efigenio Batista; Joao, o sinaleiro e o Juquinha do ti Caco (que depois tornou-se o pe. Juca). Penso que antes de o pe. Bernardo assumir a paroquia, o Miguel do Fino ja ajudava tambem. Alem disso haviam muitas senhoras que colaboravam e existia inclusive um coral bem afinado que incluia as vozes de varios senhores ja maduros como o tio So Li, Abelar de Almeida, penso que os Barreto e outros.

Na praca, ladeando os contornos laterais da Matriz, tinhamos tres casas. Nao me lembro quem morava na primeira. A do meio era habitada pelo Lincoln Lucio/Margarida e filhos pequenos. A ultima era a moradia da d. Cira Lucio/Jaime, tambem com os filhos pequenos.

Para finalizar o centro da cidade, somente nos resta a lateral oposta da praca da Matriz. Comecando do fundo do beco tinha-se a casa da d. Franca. Logo vinha a dos tios Oswaldo/Lourdes Campos, seguida da do Pedro de sa Marta/sa Virginia e, por ultimo e na beira da ladeira a, imponente na epoca, casa do dr. Helio/d. Cremilda.

Enfim, os anos dos sessenta do seculo XX foram anos de divisao de aguas em que se substituiu o mundo antigo pelo tecnologico no Brasil. Claro, o atraso continuou mas a decada demarca o inicio de alguma mudanca.

Alguns fatos foram marcantes em Virginopolis e no mundo. Foi um tempo em que as paixoes foram vividas com maior intensidade. Dessa epoca trago a marca do bicampeonato de futebol do Brasil no Chile. Ele aconteceu em 1962 e a unica coisa que me lembro foi o papai ter-se permitido ao luxo de soltar dois foguetes no quintal de nossa casa.

No ano seguinte a Dindinha Zulmira faleceu. E as tragedias envolvendo pessoas da intimidade daquele nosso centro quase me desviaram o juizo. Primeiramente veio o assassinato do Jaime da Cunha Menezes e logo em seguida do Lulu, filho do seo Jose Soares. Um surto esquizofrenico levou a sa Virginia a matar o proprio marido: Pedro da sa Marta, enquanto ele dormia. Creio que ainda estavamos na decada quanto tanto a Salome do Abelar quanto a Madalena do Everardes faleceram nos partos. No fim da decada, em 1969, perdemos o vovo Cista. (Que completaria 120 anos neste 20 de abril se estivesse vivo).

O falecimento dos avos era o esperado para a epoca ja que a media de vida das pessoas nao ultrapassava os 70 anos. Contudo eu ainda nao tinha maturidade alguma para compreender isso. Estavamos na fase do tempo em que a geracao dos avos iria ser gradativamente substituida. A geracao de nossos pais estava assumindo as responsabilidades de chefes de familias numerosas e os netos mais velhos ja tinham comecado a dar bisnetos aos avos.

A decada ja havia sido balancada pelos assassinatos dos Kennedy aqui nos Estados Unidos. E a morte do dois teve mais repercussao no Brasil que a do reverendo Martin Luther King. E o mais provavel eh que assim aconteceu por os Kennedy serem catolicos como era a absoluta maioria do povo brasileiro. Ca, o reverendo foi a unica pessoa do seculo que ganhou como homenagem um dia de feriado dedicado a ele.

Encerrando a decada os americanos pisaram a lua pela primeira vez na Historia. No dia estava sendo anunciado na tv que passariam ao vivo. Demoraram tanto que eu desisti de esperar e fui dormir. Acordei com uma exclamacao do tio Murillo Coelho na sala com papai e os meus irmaos assistindo ao fato. Lembro-me de ter virado para o lado pensando: “amanha tem reprise e eu vou ver do mesmo jeito!…”

E para a total alegria do povo, o Brasil consagrou-se tricampeao na copa mundial de futebol em 1.970 no Mexico. Embora a copa tenha sido ganha nos setenta, as “feras do Saldanha” forma preparadas na vespera. Isso marcou o inicio das transmissoes do sinal de televisao ao vivo e a cores no Brasil.

Virginopolis ja comecara a receber o sinal de televisao desde a metade da decada. O canal era unico, a Itacolomi, canal 4 de Belo Horizonte que era afiliada da Rede Tupi. As primeiras novelas de que me lembro foram: “O Direito de nascer” “Xeique de Agadir” e “Antonio Maria” (d’Alencastro Figueiroa). Nessa ocasiao a Zenolia do tio Onesimo tentou ser a guardia da moralidade comunitaria espalhando que as novelas eram improprias porque os atores se beijavam na boca. Tia Biloca, com toda aquela sabedoria e paciencia, refutou tal intimidacao afimando que nao via mal algum naquilo. O Valtir do Ze Passos chegou a ser exibido no show dos sabados aa tarde, sob o codinome de: Tony Passos. Se todos tivessem televisao como atualmente, provavelmente a cidade pararia para ver o conterraneo.

Bem, a reconstituicao que fiz nao eh justa porque Virginopolis nao era somente o centro. Porem, eh dele que eu tenho memoria mais nitida. Tambem, se eu fosse reconstituir as outras partes eu faria um capitulo que nao acabaria mais alem de cometer mais injusticas contra os moradores dos quais nao me recordo. A ideia que eu queria passar aqui era o quanto a cidade era habitada por familiares nossos. Somente uns dez por cento ou menos dos moradores do centro nao eram da familia. Nas outras areas tinhamos uma proporcao menor de parentes morando mas em toda a extensao das ruas tinhamos primos, tios etc residindo em meio aa populacao geral. Acredito que hoje-em-dia, embora a populacao seja mais mista, nos temos um relacionamento mais democratizado com os que nao sao da familia porque praticamente todas as familias da epoca tem descendentes casados na familia.

Mesmo que alguem venha a considerar essa reconstituicao tendenciosa agora, por ser centrada em uma das familias de Virginopolis, espero que no futuro ela se torne do interesse de um numero cada vez maior de pessoas, a cada geracao que passar. Isso se revela assim porque a cada geracao havera um numero maior de descendentes das pessoas que foram lembradas aqui e, certamente, acabarao se tornando ascendentes de milhares e milhoes de pessoas, quica, de toda Virginopolis do futuro tambem.

Ideal seria que qualquer que nao se sinta satisfeito com essa reconstituicao faca a sua propria versao para que somemos forca. Eu nao sou perfeito e a minha memoria eh muito falha. Para completar, bom seria que todos ajudassem a preencher os espacos vagos na Arvore Genealogica postada no http://www.geneaminas.com.br. Acrescentando-se os dados dos parentes dos parentes, talvez a gente consiga fazer justica a todos os que ainda nao entraram.

13. EPILOGO

Eu gostaria de encerrar essa minha carta aos familiares do presente e do futuro relembrando a relatividade do tempo e a velocidade da sucessao de geracoes, alem de outros pontos de conclusao.

Em 1.979 a Ivania publicou o livro: ARVORE GENEALOGICA DA FAMILIA COELHO. Naquele tempo eu era pouco mais que um menino, tinha acabado de completar 21 anos. Devido ao grande numero de filhos que os casais tinham antigamente as geracoes se encontravam muito frequentemente. Por exemplo, a Dindinha Zulmira e o vovo Cista comecaram a ter netos em 1.933 com o nascimento da Vandinha da tia Odette. Em 1.938 nascia a Marlene, filha da tia Maria Marcolina, filha dos avos Juca/Davina.

Eu nasci em 1.958, respectivamente, 25 e 20 anos mais novo que Vandinha e Marlene. Sou mais ou menos um dos netos do meio da safra total porque o Trajano do Ozanan eh exatos 20 anos mais novo que eu (jul/78) e o Lucas do Cirano (filho mais novo do vovo Juca) quase 30 (jul/87). Nao me esquecendo que o Eduardo (segundo mais novo do vovo Juca) teve um temporao agora na estrada dos 2.000. (Nao tenho os dados do evento ainda).

O certo eh que os bisnetos comecaram a nascer justamente nos anos 1.950. A Tania, primeira bisneta dos avos Cista/Zulmira, eh quatro anos mais velha que eu e o Humbertinho, primeiro bisneto dos avos Davina/Juca, eh seis meses mais novo. Alguns vao com mais pressa e outros mais devagar mas acaba todo mundo chegando ao mesmo lugar.

Voltando a 1.979, o Gladison, ou Coquinha, o quinto do casal Marlene/Humberto, cinco anos mais novo que eu, era um adolescente de 16 anos. Pois ele comecou a ter filhos em 1.987, sete anos antes do meu primeiro nascer. Mas o fato que eu desejava recordar eh que eu estava andando pelo Mall da cidade de Natick e encontrei a Marlene, o neto (filho do Coquinha) ja com a esposa e a proxima geracao recem-nascida. Ai eu pensei: por tabela ja sou bisavo. Infelizmente nao coletei os dados mas o rebento eh de 2.009. Antes que eu me esqueca, a Maria da Conceicao da tia Odette tornou-se bisavo desde 1.997 com o nascimento do Pedro Henrique da Michele que, por sua vez, eh filha da Tania.

O que tambem de interessante na velocidade da sucessao de geracoes eh quando as pessoas tem oportunidade de ficar em contato com as pessoas mais velhas da familia, quando novas, e das novas, quando de idade. O tio Joao Coelho faleceu agora em dez/2.009 e, sendo irmao do vovo Juca, era tio-tetravo do bisneto da Marlene. Caso o tio Joao tivesse vivido mais 10 anos ate atingir os 104 e convivido com a crianca, poderia ter-lhe passado experiencias de convivencia do pentavo dela: o “padrinho” Ze Coelho. O tio Joao era o ultimo filho vivo do bisavo Ze Coelho.

Assim, como nem sempre temos vida longa o suficiente para estes contatos, melhor eh que escrevamos as nossas Historias. Essa eh a unica forma de nao sermos apagados das memorias, ate mesmo das nossas descendencias. Eh a oportunidade de passarmos as nossas experiencias e deixarmos os nossos conselhos para que as futuras geracoes nao incorram nos mesmos erros que nos e que copiem as nossas boas praticas.

Talvez eu va ter a oportunidade de falar a essa crianca a respeito das lembrancas que tenho do tetravo dela, o vovo Juca, do qual tenho muita recordacao por ter convivido por mais de vinte ano com ele. Eu fui “da cozinha” da casa do vovo, desde quando nasci ate os dias em que ele faleceu. Continuo agora “da cozinha” da tia Merces que ira completar 90 anos no 23 de setembro de 2.010. Contudo, deixando por escrito o mesmo que eu falaria para a crianca, poderei passar informacoes para essa e todas as geracoes que seguirao, independentemente do tempo que isso levar.

Mas deixando de lado as divagacoes, nao era sem frequencia que aconteciam os encontros de geracoes. A Marlene da tia Maria Marcolina e o Humberto dos tios-avos Ceci/Marcial sao exemplos. Ela eh bisneta dos avos Ze Coelho/Maria Marcolina – sa Quinha. O Humberto, pelo lado da tia Ceci, eh neto. Dai os filhos serem bisnetos e trinetos do mesmo casal, simultaneamente.

Isso ja havia acontecido conosco la na casa de meus pais porque o papai eh bisneto do trisavo Joao Baptista Coelho Jr, que eh irmao do Ze Coelho. O Ze Coelho eh avo da mamae, assim, nos somos, simultaneamente, trinetos e tetranetos do casal: Joao Baptista Coelho/Maria Honoria Nunes Coelho, os pais do Joao Jr e do Ze Coelho.

Encontro de geracoes mais proximas sao os casos da tia Odila, neta do Joao Rodrigues Coelho, com o tio Eurico, sobrinho do mesmo Joao Rodrigues e primo em primeiro grau da Dindinha Zulmira, a mae da tia Odila. O tio Eurico eh filho da tia-bisavo Maria Carmelita, irma do Joao Rodrigues, alem de ser do tio Simao, irmao da Dindinha Olimpia e mae da Dindinha Zulmira. Coisa semelhante aconteceu com o Ze do Cantidio filho da tia-avo Elgita que se casou com a Alaide do tio Benjamim. A tia Elgita eh filha do bisavo Joao Rodrigues, irmao do tio Benjamin, portanto, prima em primeiro grau da Alaide. Vou ate parar por aqui para nao dar noh no tico e no teco.

Mas nao se imagine que isso seja coisa do passado. O Trajano do Ozanan saiu de Virginopolis para casar-se com a Ursula em Brasilia. Ela eh filha da Silvia, filha da Naide, que eh filha do tio Tavico, que eh irmao da Dindinha Zulmira, a mae do Ozanan.

Que ninguem se espante com essas coisas. Como eu ja mencionei, nos estamos entrando na geracao dos tetranetos de nossos avos sendo que a safra de bisnetos ainda nao terminou. Como a familia eh mais complexa que a recordada numa Arvore Genealogica da descendencia de apenas um casal, esses encontros tambem acontecem em relacao a outros casais. Pela quantidade de pessoas que compoem a familia, contando-se com os parentes dos parentes, esses reencontros tornar-se-ao cada vez mais frequentes, embora, com menor probabilidade de causar danos aa saude da descendencia, por causa dos casamentos extrafamiliares tambem estarem sendo cada vez mais frequentes. Contudo, a melhor solucao eh mesmo manter uma Arvore Genealogica cada vez mais completa para, ja que o inevitavel acontecera, se atue na area preventiva da saude de nossa descendencia.

A necessidade de anotar-se as genealogias dos parentes dos parentes se mostra em todos os casos em geral mas tambem nos particulares. Um exemplo pratico eh a familia do sr. Jose Pedro (Ze do Pedro). So me lembro do apelido mas ele eh conhecido em Virginopolis pela boa cachaca que produzia na comunidade do Corrego do Samora. Por a familia ser Figueiredo, eles ja tem uma grande chance de serem incluidos como descendentes da Carlota Magalhaes Pacheco (tios-bisavos: Quiteria/Joaquim Pacheco)/Jeronymo Jose Figueiredo. Mas o Ze Pedro tem varios filhos, sendo que a Ana casou-se com o Mauricio (d. Dalva/Joaozinho Lacerda); a Adriana como o Laercio – Lecinho (Justino do tio Anisio/Socorro do De); a Cleidiana com o Andre (Cilico dos tios Marcial/Ceci/d. Lourdinha Lucio) e a Miriam com o Newton (Osvaldo Coelho Perpetuo/Socorro Soares). Dos filhos que eu sei que ja casaram, somente a Leila casou-se fora da familia Coelho, por ter casado com o Denis, filho do seo Efigenio Henrique. Porem, o Denis eh irmao da Terezinha que casou-se com o Ilo (d. Heloisa (dos tios Marcial/Ceci)/Geraldo – Lalado).

De antemao, podemos afirmar que: Laura e Livia, filhas do Lecinho; Felipe e Bruna, filhos do Andre – Tideco; Erick e Mariana, do Newtinho; Lissa Carolina, do Ilo e mais os do Mauricio que ainda nao tenho os nomes, sao Coelho comprovados. Fica obvio ser do interesse particular dessa geracao ter uma Arvore que inclua todos os parentes, pelo menos os mais proximos. Contudo, sera tao obvio quanto isso que futuras geracoes terao interesse em saber o maior numero de ancestrais possiveis e a descendencia dos que ainda nao sao, ou nao sabemos se sao ou nao Coelho, ira casar-se com a descendencia de nos que ja somos. Por isso, a anotacao dos parentes dos parentes eh do interesse de nossa descendencia, mesmo que a tenhamos pequena por enquanto, entao, por conseguinte, eh interesse nosso tambem.

Extensivamente, podemos afirmar que eh do nosso interesse, ja de imediato, conhecer e completar a nossa propria Arvore Genealogica. Nao precisamos nem mencionar que cidades como Guanhaes, Virginopolis, Governador Valadares, Belo Horizonte e Brasilia estao tomadas de Coelho porque cada um de nos deve lembrar-se de parentes proximos que residem nelas. Mas eu particularmente gostaria que os primos em outras cidades levantassem os dados e puzessem as pecas na Arvore Frondosa. Algumas cidades em particular nos ja temos anotacoes das raizes que nos facilitariam conectar uns com os outros. Vejamos entao:

1. Divinolandia de Minas. Apenas suponho que a descendencia dos tios-trisavos: Lucinda de Magalhaes Barbalho/Manoel Geraldo Fernandes Madeira esteja por la. Ja a descendencia dos trisavos: Joaquim Coeho de Andrade – o Joaquim Honorio/Joaquina Umbelina da Fonseca, pais da Dindinha Ercila, multiplicou-se a partir da comunidade do Corrego do Honorio por la. Entra tambem a descendencia da tia Biquita, que so conhecemos pelo apelido mas que foi a esposa do, por demais conhecido, seo Eloi Perpetuo. (A tia Biquita era irma da Titi, nossa trisavo junto com o Joao Baptista Coelho Jr).

Outro casal de importancia na formacao da familia em Divinolandia eh a Sebastiana, filha dos tios-bisavos: Jose Coelho Sobrinho – seo Juca/Maria Marcolina – Culina, com o sr. Heitor de Aquino. Os ja citados Carlota Pacheco/Jeronymo Figueiredo fazem parte. Tambem os tios-bisavos: Pedro de M. B./Antonia Honoria Coelho deram sua contribuicao atraves da filha Maria Marcolina. Outros casais como: Efigenia – Gininha/Gabriel Soares – seo Gabi tambem contribuiram. Estes sao os que ainda nao temos anotacoes da descendencia em nossa Arvore.

2. Gonzaga e Santa Efigenia. Basicamente as populacoes dessas duas cidades tem dois vinculos conosco. Elas descendem dos tios-bisavos: Emygdia Honoria Coelho/Amaro de Souza Silva e Jose Coelho Sobrino – seo Juca/Maria Marcolina do Amaral – Culina. Em Santa Efigenia eu encontrei as descendencia dos Joao Perpetuo/Lia Soares; Zilda Coelho Perpetuo/Paulo Almeida; Ze Miguel/d. Teresa (ambos Coelho da tia Emygdia); Eliezer Nunes Coelho/Dica; Alzira Coelho Perpetuo/Anisio Martins da Silva e apenas noticias de outros. Parece-me que la os sobrenomes mais comuns sao Almeida, Lino e Pinto. E a descendencia dos nossos parentes esta entremeada nestas familias.

Em Gonzaga, o Coelho e o Souza se juntaram para formar uma familia numerosa. Eu ainda nao consegui configurar direito o espaco que a familia ocupa por la porque os dados que me foram remetidos contem apenas o primeiro nome da maioria das pessoas. Nao ha indicacao de onde nasceram nem as datas. A gente so pode imaginar que muitos ainda residam por la. Mas tambem eh certo que as ultimas geracoes tem se espalhado pelo mundo.

Tambem constatei que alguns dos filhos dos tios-bisavos citados acima ajudaram a povoar Divinolandia. Esse eh o caso do Cesario, Emidio e parte da descendencia de outros.

3. Sardoa. So encontrei informacoes de que existe descendencia dos tios Emygdia/Amaro na zona rural da cidade. Ha por la a descendencia de outro Juca Coelho mas nao sei dizer se ha vinculo conosco.

4. Coroaci. Temos la a descendencia dos tios-bisavos: Joao Batista Coelho Neto/Lucinda Xavier Andrade. Ha tambem a possibilidade de ainda residir por la alguns descendentes dos tios-bisavos: Ambrosina de Magalhaes Barbalho – tia Sinhah/Miguel Nunes Coelho. As proprias pessoas de la podem nao se lembrar destes, porem, devem conhecer quem eh parente do bispo d. Manoel Nunes Coelho, que era filho do casal.

5. Conceicao do Mato Dentro. So existe a indicacao da possibilidade de nosso tio-trisavo: Jose Coelho da Rocha Neto ter permanecido por la. Ele teve duas esposas: Candida Jovina Pereira e Maria de Deus Villa Real. Infelizmente nos falta os dados mais precisos da descendencia.

6. Dom Joaquim. Sabemos que o ancestral Euzebio Nunes Coelho mudou-se desta cidade para Guanhaes. Tambem que o pai dele chamava-se Manuel Nunes Coelho. Eh possivel que tenha tido irmaos que tenham permanecido por la.

7. Serro. Os nossos vinculos com o Serro sao tambem vinculos de ascendencia. Foi la que o nosso ancestral: Antonio Borges Monteiro fixou residencia e de la a familia se multiplicou. Contudo, foi la que ele encontrou os sogros: Joao de Souza Azevedo e Doroteia (Norotea) Barbosa Fiuza. Como os sogros devem ter nascido por volta de 1.725 e tiveram mais filhos, alem da nossa ancestral: Maria de Souza Fiuza, eh bem provavel que tenhamos vinculos com toda a regiao por este caminho. A familia do tio-bisavo: Antonio Rodrigues Coelho Jr. foi formada no Serro mas nao sei dizer se ficou descendencia por la. A familia da esposa dele: Rita Ferreira Salles (Peixao) deve ser melhor representativa.

8. Sabinopolis. Sabinopolis deve ser um antro de familiares nossos, nao necessariamente Coelho. Os nossos pentavos: Antonio Borges Monteiro Jr, o Borginha e Maria Magdalena de Santana deixaram apenas oito filhos por la mas entre nos e eles existem mais de 150 anos de distancia. A filha deles, Maria Francelina Borges Monteiro casou-se por la com o nosso tetravo: Daniel Pereira do Amaral. E como a Ivania fala no livro dela: “Eles tiveram diversos filhos mas somente de 3 tenho informacoes.” Um desses tres eh a trisavo: Maria Marcolina Borges do Amaral, a esposa do Antonio Rodrigues Coelho. Se os outros tiveram descendencia do tamanho que ela tem, precisaremos de mais de uma Sabinopolis para comportar tanta gente.

9. Itambe. Apenas para informacao que interessara a pessoas da nossa familia. Informaram-me que a familia Coelho Lacerda eh oriunda de Itambe. Essa familia esta entremeada na nossa e eh representada pelo seo Jose Coelho Lacerda (Yeyeh)/Maria de Lourdes de Souza Coelho; Maria Salome Coelho Lacerda – sa Lica/Cesario de Souza Coelho e tambem o seo Joaozinho Lacerda/Dalva Soares. Ha outros mas agora eu nao sei especificar como se ligam aa familia. Pode ser que eles sejam provenientes de algum dos outros ramos Coelho que ja compoe a nossa heranca genetica e eh possivel que em Itambe tenha ficado remanescentes Coelho Lacerda, e todos tenham vinculos com essa parte de nossa familia.

10. Outras cidades. Nos apenas ouvimos dizer que temos vinculos familiares com as populacoes de cidades como Sao Joao Evangelista, Pecanha, Santa Maria do Suacui. Com os dados que ja temos em maos isso nao se mostra visivel. Temos dados que mostram familiares que se casaram com pessoas nascidas nessas cidades mas nao uma linha divisoria como: nosso ancestral tal teve certo filho que eh nosso ancestral e outro que ajudou a povoar as outras cidades. O nao termos a informacao nao impede que tenha acontecido mas esperamos que, aa medida que a Arvore for crescendo, isso seja comprovado. Um exemplo de familiar nosso casado com pessoa de Pecanha eh o ex-deputado: Rafael Caio Nunes Coelho. Nosso problema tambem eh nao termos dados completos de todos os nossos ancestrais.

Em minhas pesquisas, acabei encontrando dados a respeito do conego Lafayette da Costa Coelho. Ele nasceu em 1.886 no Serro e faleceu em Santa Maria do Suacui em 1.961. Esta em processo de canonizacao. Entrei em contato com o pe. Ismar, que eh um dos defensores da causa, autor de livro a respeito da vida do conego. Ele gentilmente mandou-me alguns dados genealogicos do conego que eh Costa Coelho ate onde foi possivel verificar, duas ou tres geracoes anteriores a ele. Nao pude descobrir vinculo conosco mas ha que se duvidar de que nao tenha. Os devotos do catolicismo que acaso visitarem Santa Maria do Suacui podem visitar o tumulo do beatificado e conhecer melhor a obra dele, ou comprarem o livro que deve ser oferecido via Internet. Santa Maria do Suacui pertence aa Diocese de Guanhaes. Eh so acessar o sitio: Diocese de Guanhaes.

11. Cidades como Congonhas e Mariana contribuiram para a formacao da nossa genetica. Da primeira nos temos uma: Ana Maria de Jesus na familia que se casou com o Malaquias Pereira do Amaral e sao pais do tetravo: Daniel Pereira do Amaral. Eh possivel que irmaos da avo Ana Maria tenham deixado ascendencia que ate agora habite em Congonhas.

Mariana contribuiu com a avo Genoveva (Vita) de Magalhaes. Como nao temos dado algum da familia dela nos podemos muito bem ser aparentados de toda Mariana, Ouro Preto e adjacencias, sem o sabermos. Ela se casou com o, entao, futuro padre: Policarpo Barbalho.

12. Ceara ou Rio Grande do Norte. O que sabemos do Policarpo Barbalho eh que procede de um desses dois estados. Como ele foi jovem para Minas, e nunca mais voltou, eh provavel que tenhamos uma cidade irma, repleta de parentes que nao conhecemos. E como o nordestino tem mais experiencia migratoria que nos, pode ser que nos tenhamos muito mais parentes relativamente proximos do que jamais imaginamos em todo o Brasil. Alias, pode ser nao. Eh.

13. Itabira. Nos sabemos que os trisavos: Joaquim Coelho de Andrade e Joaquina Umbelina da Fonseca procedem de la. Mas ai termina o nosso conhecimento, por enquanto. Embora ha na familia a lenda de que a Dindinha Ercila seja prima do poeta Carlos Drummond de Andrade. Quando encontrarmos o vinculo, seremos.

14. Nao temos informacao alguma de imigracao chinesa no Brasil antes dos tempos atuais. No entanto, Portugal fez contato maritimo com India, China e Japao. Da India eu ja encontrei informacoes que ficou la o sobrenome Fonseka (versao do Fonseca em portugues). A familia Fonseca originou-se de um ramo da descendencia do ancestral Egas Moniz, o Aio. O nosso Coelho descende dos Fonseca desde o inicio quando adotaram o sobrenome.

Macau foi uma colonia portuguesa na China. Se houve a imigracao de uma unica pessoa chinesa para o Brasil, por volta dos anos 1.500s e essa pessoa tiver deixado descendencia fertil, eh provavel que a grande maioria dos brasileiros tenha um vinculo rescente com a populacao chinesa e nos estaremos conectados com toda a populacao chinesa, por meio dos ancestrais daquela pessoa. Eles trazem milhares de anos de linhagens chinesas. O oposto eh tambem verdadeiro em relacao aos portugueses que tiverem deixado descendencia nos paises do Oriente. Isso nao eh magica, eh a pura verdade.

Por falar em possibilidades, tive noticias de que a familia Barbalho possa ter tido origem no Oriente e veio para o Brasil sob a alcunha de “Barb All”. Eh facil imaginar que depois o nome evoluiu para a forma atual. Segundo me contaram, essa informacao foi colocada em um livro de autoria de um juiz mineiro, cujo sobrenome tambem eh Coelho. Infelizmente eu perdi os dados e nao tenho mais nem o nome do livro nem do autor que, parece-me, faleceu em um acidente recentemente.

Nao sei se no livro o tal juiz estava passando uma informacao concreta ou levantando alguma hipotese. Em se tratando de hipotese eu tenho uma segunda. Eh que em Portugal existe a familia cujo sobrenome eh Barba. Dai, baseado no espirito humoristico e na tradicao da origem de alguns sobrenomes podemos tambem supor que houve a combinacao das palavras Barba e alho. O fato eh que, quando adolescente, a minha barba lembrava bem as raizes do alho. Era pouca, grossa e contorcida. Como devemos ter ascendencia indigena em nosso lado Barbalho, eh facil imaginar que os primeiros Barbalho tivessem essa configuracao na barba, dai o sobrenome ter permanecido. Mas tudo nao passa de hipotese por enquanto. Eh que em minhas pesquisas ate o momento nao encontrei Barbalho antigo em nenhum outro local do mundo senao no Brasil.

15. Rio de Janeiro. Um dos filhos do Antonio Borges Monteiro: o tio-pentavo: Isidro Borges Monteiro mudou-se para o Rio de Janeiro, isso, por volta dos 1.800s. Parte da descendencia do tio-bisavo: Antonio Rodrigues Coelho Jr tambem radicou-se por la. Estes sao os que temos noticias. Somando um pingadinho aqui e outro acola, o Rio tambem tem um pouco do nosso sangue, que esperamos nao estar sendo inultimente derramado.

Em resumo, genealogia eh isso ai. Se as pessoas tivessem prestado mais atencao aa genealogia no passado, eh possivel que tambem tivessem decifrado a estrutura do DNA muito mais cedo que foi (1.953). O DNA eh isso ai, uma linha reta de dois fios com ligacoes que se assemelham a uma escada de cordas. Depois a escada vai sendo enovelada e, pelo contato, novas ligacoes vao se formando ate o novelo parecer uma peca unica e aparentemente impossivel, para o leigo, desenovelar. Assim como os geneticistas podem agora desenrolar o novelo, o geneologo pode decifrar a formacao dos componentes da familia. Mas, no fundo, no fundo, o novelo que representa a especie humana e tao bem feito que as diferencas nao passam de aparencias e nunca uma realidade.

14. POST SCRIPTUM

Eu havia elaborado esta parte como um anexo para o capitulo de reconstituicao dos anos 1.960s mas somente agora lembrei-me de que o havia planejado antes.

Como parte dos anos 60, eu gostaria de lembrar da minha turma dos primeiros anos do primeiro grau. Ela serve como exemplo da quantidade de possoas da familia que compunham a populacao geral. Eu nao posso afirmar que a proporcao de familiares em minha turma refletisse a proporcao da familia em relacao aa populacao geral da cidade. A minha falta desse conhecimento eh um reflexo de aa epoca o numero de criancas ser tamanho que criara-se uma nova unidade escolar que foi o Grupo Escolar Professor Francisco Dias. E a CNEC tambem comecou uma terceira unidade que era chamada de Escolinha. Assim, os meus numeros refletem apenas a turma do Grupo Escolar Nossa Senhora do Patrocinio.

Tambem nao sei informar se haviam ou onde ficavam as escolas rurais. Naquela epoca, grande parte das criancas que morava na area rural tinha que conduzir-se a pe para estudar. Era comum ter-se de andar mais de uma legua. Nao havia transporte escolar de forma alguma. A educacao nao era prioridade para muitos pais. Alguns nao faziam o menor esforco para que os filhos estudassem. Virginopolis ainda era uma especie de oasis nesse sentido. O Brasil como um todo tinha um indice de analfabetismo girando em torno dos 70%.

A nossa geracao pagou-o-pato pela incompetencia das administracoes anteriores. A educacao foi universalizada, o que era bom, porem, sem medidas preparatorias para isso, o que foi pessimo. Assim, o normal era existirem classes como a nossa, com uma unica professora e 35 alunos. Para tentar controlar tamanha inconsistencia as professoras tinham que ser severas.

Lembro-me de algumas delas como: Elzira, Neuza e Neide (filhas do seo Gabriel/Ina) e salvo engano meu, a d. Ina, meio-irma das outras. Penso que a d. Celeste Campos tambem foi professora. Tinha algumas que tinham verdadeira fama de bravas como por exemplo: Sebastiana e Solange (seo Elifas/Sebastiana). Ate a Ana Coelho (tios: Fina/Levy) entrava nesse time. Nao sei dizer ao certo de Didica e Ilca Perpetuo jogavam nesse time. Mas a d. Terezinha Baracho era meia-esquerda dele. Lembro-me da d. Socorro, esposa do Daniel Pereira Pinto, que diziam ser uma fera. O problema eh que eu posso estar misturando professores de unidades escolares diferentes. Acredito que o time antigo do Nossa Senhora do Patrocinio tenha sido dividido para formar o do Francisco Dias. Eu nao fui aluno dessas professoras. E como as aulas eram divididas em dois turnos nem sequer via algumas delas dentro da escola.

Acredito que tenha tido tres diretoras em minha epoca. Quando comecei, fugiu-me o nome, a esposa do Ze Folhao estava saindo. Depois veio a d. Maria Aguiar (tios-avos: Armando/Nazinha). Por fim veio a d. Bernardete Campos.

Na biblioteca eramos assistidos pela Maria Helena (d. Helena/seo Chiquinho Campos que tambem sao os pais de d. Celeste e d. Bernardete). D. Nize era a professora de artes. O eterno sinaleiro e eximio apontador de lapis usando um canivete era o seo Orlando. As cozinheiras eram a Dezica e as “tias” Eponina e Ana (nao eram nossas tias de fato, eram uns doces de pessoas e junto com a “tia” Luiza formavam o que se acostumara a dizer: “as meninas do seo Ze Lino”. Meninas de cabecas alvas).

Nao esqueci. Apenas deixei por ultimo. A Marli do seo Quincas e d. Dos Reis foi a unica professora que tive durante os quatro primeiros anos. Foi uma experiencia nos tendo como cobaias. A experiencia nao foi adiante, portanto, deve ter sido falha. Parece que desejavam saber se o fato de mudar-se a professora em cada ano refletia negativamente no aprendizado dos alunos. Esperava-se que a intimidade conquistada durante os anos pudesse melhorar o desenpenho academico das criancas. Com a Marli, nos os meninos nos distraiamos muito porque ela era marinheira de primeira viagem, era nova e tinha otima aparencia. Todos gostavamos dela em mais de um sentido.

No primeiro ano estudamos no turno da tarde que ia do meio-dia ate quatro horas. Sempre estudamos nas salas da porcao superior do grupo escolar. A nossa primeira sala de aula tinha a janela e a porta voltadas para o sobrado que fora do bisavo Joao Rodrigues e, entao, era a casa da tia Edith. De dentro a minha mente acompanhava tanto a aula que a professora se propunha quanto os voos das andorinhas que se alojavam naquelas construcoes de madeira e adobe. O corpo perdia a nocao de onde se encontrava.

Aa medida que mudamos de ano, a partir do segundo, passamos para o turno da manha, e mudavamos tambem de sala. A cada ano aproximavamos mais da sala da diretoria. Talvez fosse para causar algum efeito psicologico. Mas eramos todos de bom comportamento. Talvez dispersos, talvez inconscientes de nossa algazarra, porem, sem nenhuma maldade.

Nos patios havia a separacao no horario do recreio. Meninos ficavam no de cima, entre a diretoria e a visao da igreja matriz. Meninas na parte de baixo, perto da Cantina e com visao do jardim lateral da casa da tia Edith.

Entramos para a escola no inicio de 1.966. Alguns de nos, como eu, ja estavamos com quase oito anos de idade. Era o castigo por ter nascido em julho. Parece que somente os que completassem sete anos ate maio poderiam entrar com pouco menos de sete anos. Por trinta e poucos dias acabei caindo naquela turma. Mas nao imagino o que seria de mim se fosse diferente!

Como as criancas eram concebidas no limite da capacidade humana de reproducao (quase um por ano) era frequente haver uma certa sincronizacao entre as familias, ou seja, a cada ano uma crianca era colega das criancas de certas casas. No ano seguinte, os irmaos das mesmas casas formavam a proxima turma de colegas.

Devo agora passar aa chamada, ou seja, escrever os nomes e os nomes dos pais em seguida, quando os souber. Que me perdoem os que eu esquecer, afinal, estamos perto de completar 45 anos desde entao. Segue assim:

01. Adailson Borges Perpetuo (Otavio Perpetuo/?). Nao sei se tem vinculo conosco mas tem irmaos casados na familia.
02. Adriano de Magalhaes Barbalho (Cilico/d. Lourdinha)
03. Antonio Carlos da Cunha Menezes – Paozinho (Eder – Betinho/Cenira Campos).
04. Breno de Oliveira Figueiredo (seo Rafael do seo Fernando/d. Geralda Figueiredo). Logo apos nos formarmos no segundo grau, ja em 1.977, o Breno foi para Belo Horizonte e em seguida eu tambem fui. Fomos buscar emprego e meios de continuar os estudos. Por volta de julho de 1.978 ele desapareceu e ate hoje nao fez mais contato com a familia.
05. Carlucio da Silva Coelho (Carlos/d. Iria – os dois sao netos do Ti Quim Bento).
06. Cassio Nunes Coelho Filho – Cassinho (Cassio/d. Lulu).
07. Celio Antonio Moreira – Celinho. Morava na comunidade conhecida como Cooperativa e andava ate a cidade. Era um dos melhores alunos. Nao me lembro dos pais dele. Tem irma casada na familia.
08. Claudia Rodrigues Coelho (Claudio – Tata da tia Biloca/Leonisia – Ninise).
09. Dalila Coelho do Amaral (Josefino – Fino do Dirceu/faltou o nome da mae que tambem eh parente).
10. Daniel Pereira Pinto Filho- Danielzinho. Quando recordei-me dele baixou a duvida se eh mesmo ou nao porque penso que a d. Socorro era diretora do Prof. Francisco Dias. Acho que a coisa andou por ai mesmo. Ela preferiu manter o filho na escola antiga, embora a outra ficasse a possos da nossa.
11. Dilma Lucio de Oliveira – Dilminha (Orlando Lucio de Oliveira/?)
12. Fernando Vidal (seo Rubens Vidal, tecnico do posto agricola/?)
13. Franklin Otavio de Mendonca (Ilza do seo Otavio/Rubinho Mendonca que trabalhava na coletoria).
14. Hayde Celestina de Andrade – Dede (d. Heloisa/Geraldo – Lalado)
15. Herminia Coelho do Amaral (seo Titito – Francisco/d. Nize) duas vezes prima.
16. Herminio Coelho Pereira (Geraldo Pereira/Zita Coelho) duplo primo tambem.
17. Joao Gualberto Leite (Adalto Leite/?) Tambem eh Coelho mas nao sei dizer como.
18. Jose Geraldo M. Coelho – Joao (tios Murillo/Adir Coelho). No dia em que foi feita a primeira chamada houve um ar de interrogacao em toda a classe. Somente o proprio, a professora e eu sabiamos que o verdadeiro nome do Joao era Jose Geraldo.
Anos depois o xara dele, Geraldo Jose Coelho (Ge), ingressou na escola de tecnicos agricolas em Campos – RJ e la ja estava o veterano que todos conheciam pelo apenlido de Joao. Intrigado, ele questionou os colegas porque eles chamavam o Jose Geraldo de Joao ja que ele sabia de toda a historia por ser aparentado e ter sido vizinho na rua do Buraco. Entao ouviu a explicacao logica: “Ele se parece com o Joao Saldanha”, o famoso jonalista esportivo. Eh! Quem nasceu para ser Joao jamais chegara a Jose Geraldo!
19. Julio Flavio Coelho Menezes – Julinho (Maria Rachel do tio Darcy/Wilton Menezes).
20. Leda Soares (Joao dos Gabi e Gininha/?)
21. Marta Maria Coelho – Martinho do Gil (seo Gil Batista Coelho/d. Cici)
22. Maria Carmelita Lucio – Miita (d. Aracy/Zezito Lucio)
23. Maria da Conceicao. Nao tenho nenhuma lembranca genealogica dela. Ela nao devia ter parentesco conosco mas residia na casa dos tios Oswaldo Barbalho/Lourdes. Deve ter saido da turma no segundo ano.
24. Maria de Lourdes Siman – Duquinha, Duca. Neta do seo Alipio Teixeira, tambem nao recordo mais dados genealogicos dela e eh irma da Stela Maris, que se casou com o Rui dos tios Odette/Zinho.
25. Natalia Campos (Afonso Campos/?)
26. Neuza Passos – Neuzinha (Ze Passos/d. Das Dores).
27. Nicassio. Nao tenho lembranca alguma dos pais. Era primo do Carlucio, por isso, tem uma boa possibilidade de ser nosso tambem. Desde o tempo de nossa infancia eu nao o vi mais ate um brevissimo encontro aqui nos Estados Unidos.
28. Otacilio de Magalhaes Barbalho Filho – Tilim (tios Otacilio Barbalho/Zeze).
29. Otto Soares? (Eh neto da Gininha/Gabi). Nao sei dizer se foi pela afinidade que tinhamos que me lembrei dele, nem tenho certeza absoluta que tenha feito parte do grupo. A familia dele nao morava em Virginopolis e ele ficava na casa dos tios: d. Conceicao/Jose Lino de Souza – o famoso Ti Caco.
30. Paulo Vidal – Doutor (seo Rubens Vidal) eh irmao do Fernando.
31. Sebastiana Maria Campos Coelho (Nelson do seo Elifas/d. Iris). Ela juntou-se aa turma quando estavamos no terceiro ano. Os pais haviam se mudado da Sapucaia para Virginopolis.
32. Seleme. (Generoso/?). Era o pararraio da turma, coitado! Filho do seo Generoso e moravam no alto do morro da Culina. Nao era mal educado mas tinha mal rendimento. Chegava a ser timido mas era traquina. Nao importava o que, ele era o culpado e, as vezes, era humilhado pela professora em frente aos colegas. Atitude considerada normal na epoca. Era um bom amigo.
Apos certas ferias o Seleme voltou aa escola com um dos lados do rosto queimado. Nao tinha sombrancelha e por pouco nao perdera o olho. A professora revelou o segredo para toda a turma. Ele tinha pegado um vidro com polvora, colocou uma brasa dentro e jogou longe para ver a explosao. Nada aconteceu. Entao, o aprendiz de cientista localizou o vidro e o abriu. Dai deu um sopro para avivar a brasa. Imediatamente tomou o sopro de volta na metade do rosto.
33. Sergio I. Este Sergio eh filho do juiz em Virginopolis na epoca. Parece que a familia era de Pecanha e no segundo ano o pai dele foi transferido para la. Quando adolescentes ele jogava bola em um dos times de Pecanha. O Joao (Jose Geraldo) o viu comentando na beira do campo em Virginopolis que deveria ter sido colega dos nossos jogadores mas nao se lembrava mais de quem. Carlucio, Adriano e eu deveriamos ser os tais aos quais ele se referia. Mas o Joao somente comentou o caso depois de tudo ter se passado.
34. Sergio II Pereira Amaral – Serginho. (Levy Pereira do Amaral Filho – Vivi/Maria das Dores Rosa). Embora sejamos aparentados nao tenho absoluta certeza do caminho e do grau mais proximo desse parentesco. Como parece, eh neto do seo Levi Pereira. Neste caso, entao, eh bisneto do Ti Quim Bento pelo lado paterno-materno e do tio Ernesto pelo lado paterno-paterno.
Passou-se algum tempo sem nos encontrarmos apos concluido o primeiro grau. Nao fosse ele proprio ter tocado no assunto ha uns vinte e cinco anos atras eu nao me recordaria dele como nosso colega. Mas ele fazia parte dos ultra timidos. Na hora do recreio, juntava-se com o Herminio (Visconde) e o irmao do Herminio, o Jose do Patrocinio – Patrou – num cantinho do patio e ficavam somente observando o restante dos meninos brincar. Eu ficava incomodado com isso e tentava puxa-los mas nunca aceitavam o convite.
35. Taize Barreto (Geraldo Barreto/?)
36. Tarcilia de Magalhaes Barbalho – Tate (tios Otacilio Barbalho/Zeze). Irma do Tilim.
37. Valquiria Maria Coelho Lopes (d. Lourdinha/Walter Lopes).
38. Valquirio de Magalhaes Barbalho. Gostava da algazarra na sala de aula. Um dia estava com as maos sobre carteira enquanto conversava em hora inapropriada. A professora deu a volta vindo por tras. Aproveitando a distracao, desceu a regua. Institivamente puxou os bracos e a reguada bateu na carteira. Antes que desconsertados, ambos, professora e aluno tiveram uma crise de gargalhada que toda a turma acompanhou e a coisa ficou por isso mesmo.
39. Venilton. O filho do sargento que chefiou temporariamente o destacamento policial da cidade. Eles devem ter morado uns dois ou tres anos em Virginopolis mas nao sei dizer quais.
40. Yole Coelho Menezes (Rachel do tio Darcy/Wilton). Irma do Julinho.
41. Washington? Tenho que registrar que encontrei essa pessoa, por volta de 1.992, la no Cachimbo (comunidade rural do municipio de Guanhaes mas com o eleitorado registrado em Virginopolis), salvo engano Washington eh mesmo o nome dele. Afirmou que fora meu colega nessa fase de nossas vidas. A bem da verdade, eu nao tenho sequer um minimo de lembranca dele junto conosco. Mas nao posso deixar de cita-lo porque lapso de memoria semelhante se deu com o Serginho tambem. O que eu me lembrava era que, geralmente, a chamada terminava comigo e a Yole. Para ele ter sido nosso colega haveria uma terceira pessoa alem do Venilton, que deve ter estudado no maximo dois anos conosco. Desculpe-me se eu estiver enganado.

Essa turma toda nao foi colega ao mesmo tempo. Maria da Conceicao, Franklin, Sergio I e Venilton mudaram-se de Virginopolis ou de turma antes da formatura.

Nos formamos em 1.969. Foi a ultima turma que teve o privilegio de receber o diploma numa cerimonia religiosa unica realizada na igrejinha velha. Depois disso ela ficou fechada ate ser demolida. Nossa paraninfa foi a tia Edith. Ao abraca-la, eu dei uns tapoes nas costas dela tal era o meu entusiasmo.

Dias depois, fizemos uma prova para a Admissao. Era uma especie de vestibular obrigatorio para se ter acesso ao ginasio, que correspondia de quinta a oitava series atualmente. Quem nao fosse aprovado nessa prova seria obrigado a fazer um curso preparatorio durante dois meses das ferias no final do qual era dado uma segunda chance. Caso se perdesse essa chance era-se obrigado a fazer o curso de admissao que durava o ano seguinte inteiro. A avaliacao rigorosa naquela epoca era um dos motivos que levavam as criancas a repetirem os anos e muitos deixavam a escola definitivamente.

Foram poucos de nos que nao precisamos de fazer a Admissao. Eu fui um deles. Gracas aa ajuda da professora Marli. Uma das perguntas da prova de Historia era: “O que comemoramos no dia 21 de abril?” Lembrar datas e associa-las aos fatos era justamente a razao que me fazia detestar a disciplina. Entao, ela pos as maos em meu pescoco e falou, de forma a que toda a turma captasse: “Se voce nao souber essa, eu te enforco!…” Passei pela aprovacao minima de pontos que era de 50%.

So me resta dizer aqui que posso estar cometendo alguma injustica por falta de memoria. Eh possivel que eu esteja me esquecendo de pelo menos mais um colega, e talvez tenha incluido algum que nao foi. Mas, a partir da quinta serie, por muitos motivos, eu tive um numero exagerado de colegas que fica quase impossivel determinar a epoca exata em que cada um foi. Espero que publicando esses dados os colegas me refresquem a memoria. Nao quero “colar” dos registros, se eh que os conservam, porque senao perde a graca de se usar a memoria. A menos que se decida depois fazer dessas recordacoes um livro de memorias de fato. Nesse caso seria melhor usar-se a exatidao dos registros porque eles sao a Historia mais perfeita de nossas memorias.

Ontem foi dia 15 de abril de 2010. De estalo me veio uma daquelas ideias que costumo ter. Seria a criacao do dia internacional da Arvore Genealogica. Penso que essa nova data deveria ser criada coincidindo-a com o mesmo dia em que os orientais comemoram o dia dos ancestrais. O motivo para isso eh o de que sinto que a linha imaginaria que divide o Oriente do Ocidente acaba induzindo aa concepcao erronea de que realmente exista uma diferenca real entre as pessoas humanas. Nesse caso, termos uma data comum talvez ajude a desfazer as falsas impressoes e possamos buscar mais as afinidades que impor barreiras ao nosso convivio mutuo.

Penso que o dia internacional da Arvore Genealogica deva ter um lema que sugiro que seja: “SE NAO HONRARMOS OS NOSSOS ANCESTRAIS NAO DEVEMOS ESPERAR HONRA ALGUMA DE NOSSA DESCENDENCIA.”

Essa eh uma reflexao que tenho a respeito do assunto. Muita gente pensa ser inutil dar atencao aa nossa ancestralidade mas muita coisa nova se pode aprender dela. Uma das mais simples eh funcionarmos como espelho do passado e imagem para o futuro. Ou seja, o que o nosso pentavo eh para nos hoje, nos seremos para a geracao dos nossos pentanetos.

Nao eh comum as pessoas pensarem em geracoes que lhes parecam tao distantes. Isso se da porque nos nos concentramos mais naquilo que a gente ve ou percebe, ou seja, nos somos como Sao Tome e os outros apostolos que sem ver nao acreditaram. Contudo, sao as pessoas que conhecem as regras do passado, as estudam e medem suas consequencias no futuro (que elas precisam usar a imaginacao para conceber) eh que proporcionam os grandes avancos aa humanidade. Se os nossos antepassados portugueses nao tivessem tido a imaginacao que tiveram, eles nao estariam nos livros de Historia em razao dos grandes descobrimentos. Mas como a Historia contada eh sempre tendenciosa e favoravel a poucos participantes dela, os registros genealogicos sao a unica via de reconhecer a importancia de todos e de cada um como individuo. Pensem nisso.

Finalmente. Ja falei antes na criacao de um Instituto de Genealogia da familia. Eh claro que isso nao depende de mim que nao tenho nenhuma influencia economica ou politica. E estas foram razoes para que eu decidisse dispor de nossos dados no sitio: http://www.geneaminas.com.br Este nao substitui o Instituto Genealogico mas um pode complementar o outro.

O ideal do Instituto Genealogico seria que cada municipio ou comunidade tivesse uma unidade. Mesmo que fosse uma pequena sala no canto de uma biblioteca. Ali deveria atender uma pessoa que se especializasse em genealogia para anotar e estudar os dados de cada comunidade. Assim, teriamos o geral na Internet que permitisse vincular as pessoas historicas aos ancestrais de cada comunidade. Depois, o genealogista local poderia mostrar a cada pessoa interessada da comunidade os caminhos que as torna descendentes das figuras mundiais.

Isso seria a oportunidade de, desde mais cedo, mostrar esses vinculos para as criancas que estivessem comecando nas escolas. Alem de despertar nelas a satisfacao de ser gente de verdade, tambem despertaria nelas o interesse pelas disciplinas associadas. Isso porque a Historia eh nossa e eh de nos que ela nasce.

Enviem essas notas aos seus contatos para que tenham conhecimento da existencia do sitio com a nossa Arvore Genealogica e para que atualizem os dados deles e acrescentem os dados que possuirem dos parentes que nao sejam Coelho. Quanto a isso eu ja contribui com uma parte da familia de minha esposa. A familia dela ja esta entremeada na nossa, com varios representantes casados com Coelho. Infelizmente, do lado materno se conhece o nome do avo mas a mae dela nao sabe quem foi o avo dela. Minha sogra perdeu o pai quando ainda crianca e foi criada pelo padrasto. Mas o pai dela chamava-se: Francisco Martins de Sousa. Tudo o que ver com parte de nossa familia.

Obrigado pela paciencia de todos que chegarem a ler isso ate a esse final.