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500 ANOS DE HISTORIA E GENEALOGIA DA PRESENCA BARBALHO NO BRASIL

dezembro 4, 2016

500 ANOS DE HISTORIA E GENEALOGIA DA PRESENCA BARBALHO NO BRASIL

INDICE DO MEU BLOG
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01. GENEALOGIA
https://val51mabar.wordpress.com/2018/12/31/as-mais-novas-aventuras-genealogicas/
https://val51mabar.wordpress.com/2018/12/31/a-autobiografia-do-monsenhor-otacilio-augusto-de-sena-queiroz-e-outros-textos/
https://val51mabar.wordpress.com/2017/11/13/a-familia-de-manuel-rodrigues-coelho-em-resumo/
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https://val51mabar.wordpress.com/2016/03/25/os-rodrigues-coelho-e-andrade-do-carlos-drummond-em-minas-gerais/
https://val51mabar.wordpress.com/2015/05/10/nos-os-nobres-e-a-avo-do-juscelino-tambem-pode-ter-sido-barbalho-coelho/
https://val51mabar.wordpress.com/2015/03/07/algumas-notas-genealogicas-20142015/
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https://val51mabar.wordpress.com/2014/04/14/genealidade-e-genealogia-de-ary-barroso/
https://val51mabar.wordpress.com/2013/12/06/genealogias-de-familias-tradicionais-de-virginopolis/
https://val51mabar.wordpress.com/2013/05/30/barbalho-coelho-e-pimenta-no-site-www-ancestry-com/
https://val51mabar.wordpress.com/2012/09/11/barbalho-pimenta-e-talvez-coelho-descendentes-do-rei-d-dinis/
https://val51mabar.wordpress.com/2011/02/24/historico-do-povoamento-mineiro-genealogia-coelho-cidade-por-cidade/
https://val51mabar.wordpress.com/2012/07/02/familia-barbalho-coelho-no-livro-a-america-suicida/
https://val51mabar.wordpress.com/2010/05/23/a-historia-da-familia-coelho-do-centro-nordeste-de-minas-gerais/
https://val51mabar.wordpress.com/2011/04/24/a-familia-coelho-no-livro-a-mata-do-pecanha/
https://val51mabar.wordpress.com/2010/05/03/arvore-genealogica-da-familia-coelho-no-sitio-www-geneaminas-com-br/
https://val51mabar.wordpress.com/2010/09/22/ascendencia-dos-ancestrais-jose-coelho-de-magalhaeseugenia-rodrigues-rocha-uma-saga-a-ser-desvendada/
https://val51mabar.wordpress.com/2013/01/17/a-heranca-furtado-de-mendonca-no-brasil/
02. PURA MISTURA
https://val51mabar.wordpress.com/2018/12/31/mistura-que-se-mistura-da-bom-resultado/
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https://val51mabar.wordpress.com/2016/11/26/trumpando-o-eleitor/
https://val51mabar.wordpress.com/2016/06/08/conspiracoes-alienigenas-tesouros-desaparecidos-e-dominacao/
https://val51mabar.wordpress.com/2016/09/17/ridiculosamente-falando/
https://val51mabar.wordpress.com/2015/12/23/aliens-conspiracies-disappeared-treasures-and-dominance/
03. RELIGIAO
https://val51mabar.wordpress.com/2018/12/31/que-a-paz-de-deus-seja-feita-em-todos-voces/
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https://val51mabar.wordpress.com/2011/01/28/o-livro-do-conhecimento-de-deus/
https://val51mabar.wordpress.com/2010/01/22/carta-de-libertacao/
04. OPINIAO
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https://val51mabar.wordpress.com/2018/04/07/a-verdade-nao-se-trata-de-nenhuma-teoria-de-conspiracao/
https://val51mabar.wordpress.com/2014/06/08/a-iii-gm/
https://val51mabar.wordpress.com/2013/01/03/israel-as-diversas-verdades-e-o-padececer-da-palestina-e-outros-textos/
https://val51mabar.wordpress.com/2010/06/26/faixa-de-gaza-o-travessao-nos-olhos-da-humanidade/
https://val51mabar.wordpress.com/2013/05/12/neste-mundo-so-nao-eh-gay-quem-nao-quizer/
05. MANIFESTO FEMININO
https://val51mabar.wordpress.com/2018/12/31/pelo-tempo-que-me-ausentei-me-perdoem/
https://val51mabar.wordpress.com/2010/07/21/13-estrelas-mulher/
06. MISTO
https://val51mabar.wordpress.com/2018/12/31/ah-que-mistura-boa-gente/
https://val51mabar.wordpress.com/2016/08/20/minhas-postagens-mais-recentes-no-facebook/
https://val51mabar.wordpress.com/2014/06/08/a-iii-gm/
https://val51mabar.wordpress.com/2013/11/06/trilogia-de-variedades/
https://val51mabar.wordpress.com/2012/07/02/familia-barbalho-coelho-no-livro-a-america-suicida/
https://val51mabar.wordpress.com/2015/01/25/03-o-menino-que-gritava-lobo/
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07. POLITICA BRASILEIRA
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https://val51mabar.wordpress.com/2018/12/31/se-nao-queria-que-isso-acontecesse-nao-deveria-ter-aceitado/
https://val51mabar.wordpress.com/2015/04/19/movimento-fora-dilma-fora-pt-que-osso-camarada/
https://val51mabar.wordpress.com/2010/10/16/o-direcionamento-religioso-errado-nas-questoes-eleitorais-brasileiras/
https://val51mabar.wordpress.com/2010/10/19/resposta-de-um-neobobo-ao-excelentissimo-sr-ex-presidente-fernando-henrique-cardoso/
https://val51mabar.wordpress.com/2011/08/01/miilor-melou-ou-melhor-fernandes/
https://val51mabar.wordpress.com/2010/08/05/carta-ao-candidato-do-psol-plinio-de-arruda-sampaio/
https://val51mabar.wordpress.com/2010/05/26/politica-futebol-musas-e-propaganda-eleitoral-antecipada-obama-grandes-corporacoes-e-imigracao/
08. IN ENGLISH
https://val51mabar.wordpress.com/2018/12/31/space-until-to-the-end/
https://val51mabar.wordpress.com/2015/12/23/aliens-conspiracies-disappeared-treasures-and-dominance/
https://val51mabar.wordpress.com/2010/06/02/the-nonsense-law/
https://val51mabar.wordpress.com/2010/08/21/13-stars-woman/
https://val51mabar.wordpress.com/2011/10/05/the-suicidal-americaa-america-suicida/
https://val51mabar.wordpress.com/2010/08/25/100-reasons-to-amnesty-the-undocumented-workers-in-united-states/
https://val51mabar.wordpress.com/2009/09/25/about-the-third-and-last-testament/
https://val51mabar.wordpress.com/2009/09/12/the-third-and-last-testament/
09. IMIGRACAO
https://val51mabar.wordpress.com/2018/12/31/o-que-ha-de-novo-no-assunto-migracao/
https://val51mabar.wordpress.com/2010/06/17/imigracao-sem-lenco-e-sem-documento-o-barril-transbordante-de-injusticas/

 

500 ANOS DE HISTORIA E GENEALOGIA DA PRESENCA BARBALHO NO BRASIL

 

Tenho planejado escrever uma grande obra a respeito da heranca genealogica portuguesa atraves do ponto de vista da minha propria genealogia. A Familia Barbalho entraria mais como referencia que propriamente como assunto unico.

Baseando-se por minha genealogia, a logica (nenhuma) em o sobrenome aparecer em minha assinatura nao explica nossa Historia. Da mesma forma que assino Barbalho, poderia ter outros sobrenomes tais como: Andrade, Monteiro, Bezerra, Tavares, Guardes, Mendonça, Furtado, Carneiro, Bravo, Gomes, Costa, Ramires, Pimenta, Carvalho, Moniz, sobretudo Coelho e, claro, uma infinidade de outros, conhecidos e desconhecidos. O fato foi que meus ancestrais “escolheram” e assim ficou.

Pela lógica que deveria ser seguida, segundo as tradicoes, ate onde sabemos deveriamos ter o apelido de Aguiar, pois, esse foi o apelido que usou o nosso heptavo Manoel de Aguiar, que foi marido da heptavo Maria da Costa Barbalho. No entanto, nossa linhagem masculina seguiu o lado feminino e nao o masculino como ensejava as mais “perfeitas” tradições machocentricas do seculo XVII.

Sao 16 geracoes assinando o apelido Barbalho. Mesmo quebrando a linhagem masculina em tres oportunidades. Sao 500 anos de Historia de Familia e do Brasil, com importantes extensões nas Historias de Portugal e Geral.

Sao elas representadas pelas pessoas: Braz foi o pai de Camila, a mae de Luiz, o pai de Jeronimo, o pai de Paschoa, a mae de Maria, a mae de Manoel, o pai de Jose, o pai de Francisco Marcal, o pai de Marcal, o pai de Trajano, o pai do dr. Odon. Esse foi meu pai e avo de meus filhos.

Os motivos para escrever sao diversos. Entre os quais, trata-se de uma das primeiras familias que foram colonizar o Brasil. Foi para la na pessoa de Braz Barbalho Feyo, junto com o donatário da Capitania de Pernambuco, Duarte Coelho.

Desde o inicio observa-se a formacao da familia atraves da uniao com diversos outros sobrenomes. Portanto, implica ai o que realmente uma família eh, embora erroneamente nos acostumamos a chamar família os apelidos separados, a verdade eh que familia eh a soma de todos os apelidos.

Outra razao importante eh estarmos nos aproximando de comemorações centenárias de diversos fatos que contribuiram para a Historia e Genealogia no Brasil. Ha que salientar-se aqui que se dará o V século do inicio da colonização oficial portuguesa no Brasil a partir de 2032.

Data que marca a fundacao da Villa de Sao Vicente, atualmente no Estado de Sao Paulo, pelo primeiro Governador Geral da nação, Martim Afonso de Sousa, o qual nos eh ancestral e, senão de todos, da maioria das famílias mais antigas brasileiras do Centro-Sul.

No passar das próximas décadas também teremos comemorações pelos centenários de diversas cidades brasileiras importantes. Esses serão os quintocentenarios de Olinda, Salvador, Rio de Janeiro, Niterói, Vitoria, Sao Cristóvão e outras.

Antes de 2032, em 2020, dar-se-a o inicio do capitulo da Historia conhecido como Invasões Holandesas. Essa data marca a tentativa falha da invasao da Bahia em 1620.

Em 2030 se darao os 400 anos de invasao da Capitania de Pernambuco. Onde realmente se inicia esse capitulo da Historia.

E nesse capitulo temos a participacao de todas as familias ja residentes no Brasil. Destaca-se, porem, a Familia Barbalho na pessoa de sua figura mais elevada que foi o governador Luiz Barbalho Bezerra, neto de Braz Barbalho Feyo. Ele, seus irmaos, filhos, sobrinhos e diversos associados dedicaram suas vidas ao combate ao invasor.

Luiz Barbalho foi o comandante de uma famosa retirada estrategica que vai do Rio Grande do Norte ate `a Bahia, `a testa de 1.000 comandados, em sertoes desconhecidos e sob a dominacao de inimigos. Ao chegar `a Bahia, reforça as defesas da Cidade de Sao Salvador, onde ajuda a repelir outra tentativa de invasao holandesa derrotando a esquadra do principe Mauricio de Nassau.

Nassau, entao, eh chamado de volta `a Europa e o dominio holandes comeca a perder o apoio que tinha, abrindo as portas para as batalhas da Guerra dos Guararapes que, enfim, 24 anos apos ao inicio das invasões, liberta do domínio.

Autores renomados apontam essa data como sendo o inicio do surgimento do nativismo brasileiro que mais tarde leva ao nacionalismo e `a Independencia do Brasil e emancipação de Portugal (1822).

Simultaneamente `a expulsão dos holandeses, em 1640, se da a Guerra da Restauracao. Na qual se destaca tambem o filho de Luiz, Agostinho Barbalho Bezerra. Esse luta contra os piratas que infestavam as costas brasileiras, e contra os espanhois nos Acores e na Praça de Elvas.

Agostinho retorna ao Brasil em 1644, em razao do falecimento do pai que entao havia sido nomeado governador do Brasil do Sul e falecido no cargo, em 1644, com sede administrativa na Cidade do Rio de Janeiro.

Ao final de 1660 e inicio de 1661 da-se o capitulo da Historia do Rio de Janeiro conhecido como “A Revolta da Cachaca”. Esta eh chefiada a partir da Ponta do Bravo, onde se localizava a fazenda de Jeronimo Barbalho Bezerra, irmao do Agostinho. A revolta se deu contra os desmandos do governador Salvador Correia de Sa e Benevides.

Os revoltosos indicaram Agostinho para substituir o governador mas logo depois desconfiaram que estivesse servindo aos interesses do governador deposto.

Jeronimo assume o lugar. Logo sera deposto pelas forcas de Sa e Benevides. Foi enforcado, esquartejado e seus membros foram espalhados pelas praças para manter a populacao sob terror e quieta.

Apos julgamento e absolvição dos revoltosos, Sa e Benevides foi condenado pelo crime de executar um heroi de guerra. Alem de outras impropriedades que os revoltosos o acusavam.

Absolvido, Agostinho foi agraciado com o cargo de “Cacador das Esmeraldas” e com a Capitania Hereditaria da Ilha de Santa Catarina. Faleceu por volta de 1667 apos contrair uma doenca palustre oriunda do Vale do Rio Doce, onde fazia expedicao exploratoria. Por nao assumir a Capitania a concessao se esgotou. E o cargo de “Cacador das Esmeraldas” foi passado para o grande bandeirante Fernao Dias Paes.

A familia Barbalho, entao radicada em Pernambuco, distribui-se pelos estados da Bahia, Pernambuco, Paraiba, Sergipe e Rio de Janeiro. Desses ira passar a outros tais como Minas Gerais, a partir do inicio do Ciclo do Ouro, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. E os membros da familia continuaram fazendo parte da governanca do Brasil durante os periodos que se seguem.

Atualmente o sobrenome Barbalho eh um dos mais difundidos no Brasil, embora, pareca que a maioria absoluta se concentre ainda no Nordeste do pais. Mas a verdade eh que o sangue esta embutido em quase todas as familias brasileiras por causa da passagem de geracoes e da eliminacao do sobrenome.

Muitos vultos da Historia passada e personalidades da atualidade tem o sobrenome entre seus ancestrais. E penso que seria interessante que, atraves de um exemplo, as pessoas pudessem enxergar a verdade genealogica de seus proprios apelidos.

Erroneamente, principalmente no caso dos brasileiros, deu-se ênfase aos estudos genealogicos no passado a apelidos a partir de algum recem-chegado europeu. Isso, quando chegaram apos, talvez, seculos de inicio da colonizacao. Porem, para que se multiplicasse houve a necessidade do entrelace com familias ja constituidas e comumente chamadas de “nobres da terra”.

Um exemplo claro desse fato foi a Familia Coelho do Centro-Nordeste de Minas Gerais. Por ter tido como multiplicador da presenca do sobrenome, o portugues Jose Coelho de Magalhaes, mais provavelmente o pai dele que possivelmente sera outro portugues, Manuel Rodrigues Coelho, foi considerado pelos membros mais antigos da familia como a raiz mais importante, a partir do qual as lembranças e estudos se deram.

Mas dando-se prosseguimento `a genealogia de seus filhos, estamos próximos de desvendar que por via materna eram Rodrigues, Magalhaes, Barbalho, Rocha e Nicatisi. Ha apenas que encontrar-se os vinculos e determinar em qual altura da linhagem acima mencionada se encaixa também o ramo Barbalho.

Os “nobres da terra” na verdade, foram os descendentes da alta nobreza mais antiga. Possuiam os mesmos ancestrais que deram carater `a alta nobreza em suas epocas.

A diferenca se dava a partir de que os ancestrais mais proximos dos senhores de alta nobreza haviam continuado ocupando cargos chaves na administração na metropole. E por nao existirem cargos para que todos os descendentes os ocupassem, os destituidos dos privilegios de nobreza passaram para a classificacao de baixa nobreza.

Mas isso foi esquecido. E atualmente somos todos da mesma procedência, uma mesma família com diversos apelidos, que nos diferenciam apenas no exterior.

Torna-se claro, porem, que para o meu plano concretizar-se, ou seja, escrever o livro antes das datas que se aproximam rapidamente, precisaria dedicar-me em tempo integral ao projeto.

Infelizmente, nao tenho fundos financeiros para desenvolve-lo. Ficaria dependente da oferta por parte de patrocinadores que mantivessem um salario para ajudar no sustento de meus filhos, o meu proprio e buscas no Brasil.

O projeto abrangeria principalmente a localização dos vinculos entre diversos assinantes do sobrenome que chegam a Minas Gerais `a epoca do Ciclo do Ouro. Eles se instalam principalmente em torno das antigas capitais: Mariana e Ouro Preto.

Mas a descendencia desaparece das anotações, penso eu, por terem se mudado para a região mais ao Norte, dominio da antiga Villa do Principe, atual Serro.

Um tempo atras, a Igreja dos Santos dos Ultimos Dias, tambem conhecida como Mormon, deu-se ao trabalho de fotografar documentos antigos de todo o mundo. A ela foi dado acesso a diversos arquivos no Estado de Minas Gerais. A documentação copiada esta reunida no site denominado FamilySearch.

Mas por causa do pensamento ultra-conservador, o entao bispo da Arquidiocese de Diamantina, D. Geraldo Proenca Sigaud, proibiu que o trabalho fosse feito em seus dominios porque o estava sendo feito por outra religiao.

Infelizmente, no Brasil nao se agiu ainda como Portugal onde os Arquivos Distritais reunem a documentacao antiga de grandes areas demarcadas. Os arquivos em Minas Gerais, quando existem, sao localizados. No caso dos documentos eclesiásticos, a regiao dominada pela Diocese de Diamantina era imensa. Mais extensa que Portugal inteiro.

Com essa negativa, D. Sigaud nos negou o privilegio de fazer nossas pesquisas em nossos próprios lares. E tornou dificultoso o trabalho para todos, pois, desde o periodo colonial nossos familiares procedem de outras partes do Estado (Distrito) ou de Portugal e sua descendencia desaparece no antigo territorio da Diocese.

Uma parte reaparece quando retorna a residir em areas que os arquivos estao expostos. Mas como as familias moviam em todas as direcoes do compasso a cada geracao, somente o trabalho de campo pode revelar-lhes os segredos.

Outra parte do projeto seria justamente a aquisição e estudo das muitas obras genealogicas ja existentes. Isso para determinar os vinculos que ja existiram no passado com o apelido Barbalho. No projeto, os livros seriam indicados a partir de que se encontrem em raizes comuns, para facilitar as pesquisas de futuros estudiosos.

Acredito que seria possivel enveredarmos na genealogia de todo o Brasil e, atualmente, do mundo, atraves desse metodo. Isso porque a populacao colonial a principio se manteve nas costas brasileiras. Durante o Ciclo do Ouro mudou-se para Minas Gerais, chegando o Estado a possuir 20% do total da populacao brasileira em seu primeiro censo populacional, em 1872.

A partir de entao, a descendencia da antiga populacao de Minas Gerais ajudou a povoar todo o pais.

Atualmente o Ministerio do Exterior brasileiro divulga que existem 1.2 milhoes de brasileiros residindo nos Estados Unidos. O numero que devera estar residindo em Portugal e no restante da Europa deve ser superior.

Em boa parte, essa populacao imigrante tem como base genealogica justamente a regiao da Cidade de Governador Valadares, Minas Gerais. Na verdade, sao imigrantes intermediarios, pois, nasceram em grande parte em outros municipios da regiao do Centro-Nordeste de Minas Gerais, mudaram-se para Governador Valadares e de la partiram para o mundo. Quando nao sairam diretamente dos outros municipios da regiao.

Portanto, o estudo da genealogia ao qual proponho ja tera uma clientela de interesse no futuro, quando a descendencia dessa populacao permanecer nos paises para os quais migrou e a descendência desejar relembrar seus ancestrais. A exemplo de nos brasileiros atualmente buscarmos em Portugal a fonte de nossas raizes.

Nos custos do patrocinio de tal pesquisa ha que considerar-se tambem a parte que cabera `a publicacao. Mas planejo abrir espacos comerciais onde muitos dos atuais descendentes da família tem projecao empresarial, portanto, a publicação de suas propagandas revelaria a alma no negocio.

Penso que uma obra dessa natureza tornar-se-ia marcante e com provável sucesso garantido, pois, ela falaria com intimidade `as pessoas, das pessoas e para as pessoas.

O interesse devera ser desperto a principio nas pessoas que ja sao parte da descendencia mas a cada nova geracao essa descendencia casar-se com membros da propria familia ou com de outras familias, dando-se a junção e multiplicação.

Caso nao encontre o patrocinio desejado, continuarei o que venho fazendo mesmo sem os recursos. Embora isso vira a resultar em nao conseguir realizar todo o projeto e muito menos a tempo de fazermos as comemoracoes planejadas, transferindo-as para o proximo seculo quando, talvez, nossos descendentes se interessarem mais pelo assunto.

Gostaria de lancar a ideia aqui de as pessoas que buscam suas genealogias e encontrarem vinculos com a familia deixarem registrados tais vinculos que posteriormente poderao ser incluidos na obra.

Tambem gostaria do alerta dos amigos para obras ja publicadas ou por ser publicadas que contenham tais vinculos.

Para facilitar aos que estao procurando pelo sobrenome Barbalho, sugiro que busquem na internet:

01. http://objdigital.bn.br/acervo_digital/anais/anais_047_1925.pdf

Contem o “Nobiliarchia Pernambucana”, de Borges da Fonseca. O titulo “Barbalhos” esta na pagina 139. Esse da apenas um inicio pequeno aos primeiros Barbalho no Brasil. `A pagina 35, temos os “Bezerra Felpa de Barbuda” cujo conteúdo eh mais abrangente. Mostra-se ali como formou-se a assinatura “Barbalho Bezerra”, que tornar-se-a a fonte do Barbalho do Centro-Sul do Brasil `a epoca colonial.

A partir da pagina 382 apresentam-se alguns “Appendix”. O segundo, a partir da pagina 384, temos uma quase repeticao do “Titulo dos Barbalho” com acréscimos muito interessantes. De grande interesse se encontra a descendencia que recebeu o sobrenome “Barbalho Uchoa” que mais tarde figurara durante o Imperio Brasileiro.

Existem discrepancias na obra de Borges da Fonseca. Ele afirma que o Jeronimo Barbalho Bezerra que foi “degolado” no Rio de Janeiro era filho do Filippe Barbalho Bezerra, irmao do governador Luiz Barbalho Bezerra. Mas nas obras do Rio de Janeiro consta que fosse filho do proprio Luiz.

Outro detalhe foi o dizer que Antonio Barbalho Bezerra seria filho do Filippe em contraste aos dados do Rio de Janeiro. Haviam dois com o mesmo nome. Mas apenas um deles foi o segundo senhor do “Morgado de Sao Salvador do Mundo”, da Paraiba. Pelas obras nao pude definir com absoluta certeza qual sera.

Borges da Fonseca afirma que Luiz Barbalho Bezerra e dona Maria Furtado de Mendonca foram pais de 10 filhos. Mas ate o momento encontrei apenas 9. Existe uma Celia Carreiro mencionada por alguns como filha dele, mas não tive confirmação.

02. Revista Trimestral do Instituto Historico e Geographico Brazileiro”, 1889.

Essa revista pode ser encontrada no site “Google Livros”. Sao dois volumes na publicacao.

No primeiro, `a pagina 310, temos o titulo “Barbalhos”. Essa conta parte da Historia da familia, sobretudo refere-se `a presenca do governador Luiz Barbalho e seus familiares na Bahia.

A partir da pagina 308 ha o titulo “Negreiros de Sergipe do Conde” onde se descreve as descendencias de dona Cosma Barbalho Bezerra e Guilherme Barbalho Bezerra, filhos do Luiz Barbalho e Maria Furtado, que se casaram nessa familia.

`A pagina 313 descreve-se o titulo “Ferreiras e Souzas” onde a filha Antonia Barbalho Bezerra se casa com Antonio Pereira (Ferreira) de Souza ( pag. 314). Deles foi filha dona Ignez Thereza Barbalho Bezerra, que se casara com o cel. Egas Moniz Barreto, e deles descendera diversas casas de nobreza do Imperio Brasileiro.

03. http://www.historia.uff.br/stricto/teses/Dissert-2003_CAETANO_Antonio_Filipe_Pereira-S.pdf

Interessante obra do professor Antonio Filipe Pereira Caetano a respeito da Revolta da Cachaca. Boa obra para diversificar nosso conhecimento.

De interesse genealogico temos o capitulo: “Os Honoratiores Goncalenses, A Familia Barbalho”, a partir da pagina 187.

Ali temos a descricao da familia do governador Luiz Barbalho Bezerra. Como na obra baiana fala-se em 6 filhos do casal. Porem, 3 sao diferentes em cada uma. A soma dos que sobram resulta em 9.

Os estudos do professor Antonio Filipe baseiam-se na obra de Rheingantz. Possivelmente deve conter apenas parte da familia que residiu no Rio de Janeiro, omitindo a existencia de 3 dos filhos que foram: Antonia, Cosma e Fernão.

Mas também esclarece outra disputa ja que o nome do pai do governador Luiz tem outras versões como: Antonio, em Borges da Fonseca; Fernão em outros e, atualmente, o mais aceito, Guilherme Bezerra Felpa de Barbuda.

O que deve estar mais correto ja que os nomes dos filhos parece obedecer a homenagem aos ancestrais e o primeiro filho chamava-se Guilherme. Natural que fosse o nome do avo.

04. Pode-se encontrar também na internet diversas ligações com o nosso tronco familiar. Entre eles pode-se citar:

a. http://mitoblogos.blogspot.com/2010/08/genealogia-520-um-ramo-barbalho-bezerra.html

Esse ramo vai do Rio de Janeiro a Jose Bezerra Barbalho. Pode-se acompanhar também a descendência dele via:

b. https://www.wikitree.com/wiki/Bezerra-16

Observa-se que ele foi pai de dona Maria Nicolacia da Conceição Bezerra que foi, via casamento, baronesa de Cacequi.

O marido, Frederico Augusto de Mesquita, Barao de Cacequi, foi heroi da Guerra do Paraguai junto com filhos: Marechal, Carlos Frederico de Mesquita, ten.cel. Joao Frederico de Mesquita e cap. Eurico Augusto de Mesquita. Os filhos desempenharam papel importante na Proclamação da Republica.

Diversos outros sites oferecem janelas para a genealogia da Familia Barbalho e suas agregadas.

Ha um site mineiro onde constam meus parentes próximos:

c. http://www.geneaminas.com.br

Ai nesse site ha possivelmente algo profundo a ser corrigido. Todos os genealogistas cometem enganos. E o professor Dermeval Jose Pimenta nao foi exceção. Boa parte dos dados da Familia Pimenta/Vaz Barbalho procede do livro dele: “A MATA DO PECANHA, SUA HISTORIA E SUA GENTE”.

E `a altura dos heptavos (da minha geração) Manoel Vaz Barbalho e Josepha Pimenta de Souza ele identificou como pai dela a Belchior Pimenta de Carvalho, o que parece estar correto. Mas podera ter se enganado quanto `a identificacao dos avos: Belchior Pimenta de Carvalho e Maria de Andrade.

Segundo o confrade Lenio Richa, ele teria sido filho de Joao Pimenta de Carvalho e Maria Machado.

Na verdade, as duas linhagens encontrar-se-ao em ancestrais comuns, procedentes de Portugal, que foram: Gonçalo Pimenta de Carvalho e Maria Jacome de Mello.
Eles foram pais tanto do capitao Manoel quanto do capitao-mor Joao Pimenta de Carvalho. O que muda serao as linhagens dos conjuges das descendencias deles.

Ainda estou tentando identificar qual das duas linhagens sera a correta. Ambos casar-se-ao com descendentes dos reis portugueses. O que eles proprios ja deveriam ser. A diferenca sera apenas os caminhos pelos quais passam essas descendencias que nao as deles.

Tambem suponho que Gonçalo Pimenta de Carvalho tenha sido descendentes de D. Gonçalo Pimenta Telles de Avelar. O ultimo mestre da Ordem do Hospital independente. Apos ele o cargo passou a ser automaticamente passado a membros da familia real portuguesa.

Meu blog também esta disponível com uma gama boa de detalhes do ponto onde ja se encontram as pesquisas:

d. https://val51mabar.wordpress.com/

e. http://engenhosdepernambuco.blogspot.com/p/engenhos-com-letra.html

Apenas por curiosidade, pode-se explorar um pouco de genealogia atraves desse site. Ai temos os engenhos de Pernambuco e seus senhores. Estao expostos em diversas paginas e organizados por ordem alfabetica.

E na letra B temos o Barbalho/Cabo de Santo Agostinho. Onde se fala que pertenceu a Braz Barbalho Feyo (Fero).

Na letra M temos o Monteiro ou Sao Pantaleão. Ha fontes dizendo que foi fundado por Pantaleão Monteiro, que foi pai de Maria Araujo. Ela foi a esposa de Antonio Bezerra Felpa de Barbuda, que foi o pai do Guilherme Bezerra Felpa de Barbuda, marido de Camila Barbalho e foram os pais de governador Luiz Barbalho Bezerra.

Na letra S encontra-se o Sao Paulo da Varzea do Capibaribe. Ali no site afirma que pertenceu a Braz Barbalho Feyo tambem. Mas um de seus senhores foi o governador Luiz Barbalho Bezerra.

f. http://www.usinadeletras.com.br/exibelotexto.php?cod=188&cat=Ensaios

Nessa postagem encontramos os antepassados do compositor Chico Buarque de Holanda e, entre eles, os que tambem sao nossos. Se comecar-se a verificar a partir da 13a. geracao, numeros 19.386 a 19.391, podemos identificar nomes mencionados acima.

g. https://familysearch.org/photos/artifacts/9868721

Mais uma curiosidade. Aqui temos em particular alguns descendentes do Jeronimo Moniz Barreto, cujo bisneto Egas Moniz Barreto de Menezes casou-se com dona Ines Tereza Barbalho Bezerra. Como ja dissemos, ela foi filha de dona Antonia e Antonio Ferreira de Souza, ela, filha do governador Luiz Barbalho e sua esposa Maria Furtado.

h. http://www.genealogiabrasileira.com/titulos_perdidos/cantagalo_ptregos.htm

Nessa pagina, a partir do terco inferior, encontramos um pouco da descendencia de dona Madalena de Campos que foi esposa do Jose da Costa Barbalho, irmão de nossa ancestral Maria da Costa Barbalho.

O confrade Lenio Richa acrescentou ao final da pagina alguns dados vitais dos filhos de nossos ancestrais, Luiz Barbalho e Maria Furtado.

i. https://www.scribd.com/doc/45971157/Sinopse-dos-Inventarios-e-Testamentos-de-Porto-Alegre-RS-1776-1852

Esse endereço contem resumos genealógicos tirados dos Inventários e Testamentos de Porto Alegre entre os anos de 1776 a 1852.

`A pagina 12 mostra-se alguns dados da família do cirurgião-mor Polycarpo Jose Barbalho. `A pagina 33 encontra-se os dados post mortem da dona Bernarda Maria de Azevedo, que foi a viuva dele.

Nem todos os dados estão nas duas paginas.

No site Family Search encontram-se os batismos dos filhos: Umbelino, Anna, Possidônio, Julio, Candida, Eugenia e Manoel, por ordem de nascimentos. Alem disso tem o registro de casamento da Josepha e Jose Peixoto de Miranda.

Relaciono também aqui alguns nomes de famosos que fizeram parte da Família Barbalho.

01. senhor de engenho, Braz Barbalho Feyo
02. governador, Luiz Barbalho Bezerra
03. governador, Agostinho Barbalho Bezerra
04. governador, Jeronymo Barbalho Bezerra
05. Barão, Luis Barbalho Muniz Fiúza Barreto de Meneses
06. Capitão-mor, alferes Gonçalo da Costa Barbalho
07. Inconfidente, Jose Joaquim Maia e Barbalho
08. Barao de Itapororoca, Jose Joaquim Moniz Barreto de Aragao de Sousa e Menezes
09. Barao de Paraguassu, Salvador Moniz Barreto de Aragao de Sousa e Menezes
10. 2a. Baronesa de Rio de Contas, Maria Amalia Ferrao Moniz Barreto Aragao
11. Baronesa de Matuim, Emilia Augusta Ferrao Moniz de Aragao
12. Baronesa de Alenquer, Francisca de Assis Viana Moniz Bandeira
13. 3o. Barao de Sao Francisco, Antonio Araujo de Aragao Bulcao.
14. cirurgião-mor da Vila de Porto Alegre, Polycarpo Joseph Barbalho
15. capitão, Jose Vaz Barbalho
16. padre, Policarpo Jose Barbalho
17. capitão-cirurgiao, Modesto Jose Barbalho Junior
18. juiz de paz em Sabinopolis, Jose Vaz Barbalho
19. juiz de paz em Pecanha, Cirino Jose Barbalho
20. capitão, Francisco Marçal Barbalho

Outros nao assinam mas são igualmente Barbalho. Exemplos significantes são:

01. compositor, Francisco (Chico) Buarque de Holanda
02. presidente, Juscelino de Oliveira Kubitschek
03. Juiz e deputado, dr. Antonio Rodrigues Coelho Junior (dr. Coelho)
04. Ministro do Trabalho, dr. Alírio de Sales Coelho
05. Bispo, D. Manoel Nunes Coelho
06. Genealogista, Dr. Nelson Coelho de Senna
07. Genealogista, Dr. Dermeval Jose Pimenta
08. compositor, Fernando Brant
09. fundador do Hospital Sao Lucas, Dr. Rui Pimenta Filho
10. Reitor da UEMG, professor Aluisio Pimenta
11. jornalista, Francisco Coelho Sobrinho
12. Baronesa de Cacequi, Maria Nicolacia da Conceição Bezerra
13. pioneiro, Sinval Rodrigues Coelho
14. pioneiro, Gil de Magalhães Pacheco
15. pioneiro, Odilon de Magalhães Barbalho
16. dona Yolanda Consuelo de Senna, esposa do dr. Marcelo Silviano Brandao

Atuais membros da familia Barbalho que assinam ou não:

01. escritora, Paula Pimenta
02. presidente do Cruzeiro Esporte Clube, duas vezes campeão brasileiro, Dr. Gilvan de Pinho Tavares
03. jogador, Leandro Almeida (com passe preso ao Palmeiras, campeão de 2016)
04. Roberto Brant, ministro da Previdencia Social na administracao FHC.
05. deputado federal, Jose Bonifácio Barroso Mourão.
06. empresario, Alexandre Cafe Birman
07. modelo, Camila Figueiredo Coelho
08. atriz, Marcela Pereira Coelho
09. ator, Lucio Mauro Barbalho (e filho)
10. governador, Jader Barbalho
11. Dr. Carlucio Rodrigues Campos Coelho, advogado do trabalho
12. Dr. Bernardo Lemos Ferreira, pesquisador da Harvard
13. Dr. Virgilio Jose Coelho, pesquisador da UFMG
14. Dr. Demostenes Jose Coelho, professor da Universidade de Diamantina
15. Dra. Maria Silvia Nunes Coelho, doutora em periodontia
16. Dr. Matosinhos de Souza Figueiredo, professor da UFV, MG
17. Dr. Odon Jose de Magalhaes Barbalho, BC
18. atleta olimpico, Raul Bernardo Nelson de Senna Neto
19. musico, Taique Coelho
20. Juiz de direito, dr. Jose Geraldo Braga
21. jornalista, Carlos de Magalhaes Barbalho
22. jornalista e genealogista, Ormuz Barbalho Simonetti
23. Theodoro Hungria da Silva Machado, marido da princesa do Brasil, D. Maria Gabriela de Orleans e Braganca
24. Sylvia Amelia Hungria da Silva Machado, esposa do principe de Orleans e Braganca, D. Afonso Duarte.
25. ativista da paz, Joaquim Candido da Silva
26. ativista social, Anibal Rodrigues Coelho
27. modelo, Victoria Dreesmann

28. empresario das Confeccoes Babita, Laureano Fernandes Soalheiro

29. cineasta, Flavia Barbalho Paulino

30. cineasta professor na UFMG, Savio Leite

31. atriz, Ohana Marra (participou do concurso para dancarina para o programa Domingao do Faustao, em 2015/16)

Encerro essa lista por aqui porque quanto mais nomes acrescento menos justa ela me parece ser com tantos outros que sei fazer parte. Enfim, a lista tem o objetivo único de despertar o interesse de alguns curiosos. Em meu caso, todos que participam me são igualmente caros.

Ha outros pontos interessantes a apontar em relação `a genealogia. Um deles eh o fato de os sobrenomes de família fazerem parte de heranças genéticas.

Uma bem interessante vem ja do inicio de nossa linhagem. Braz Barbalho Feyo foi marido de Maria Tavares de Guardes. Ela filha dos nobres Francisco Carvalho de Andrade e dona Maria Tavares de Guardes.

Maria, a filha, teve por irma `a dona Ines Tavares de Guardes que foi a esposa de Joao Velho Paes Barreto, o instituidor do Morgado do Cabo, em Pernambuco. Foi um dos homens mais ricos da Capitania e do Imperio Portugues.

Portanto, nos nos encontramos na mesma ascendência dos Carvalho de Andrade e Tavares de Guardes. Quem descender dessa linhagem tera obrigatoriamente pelo menos esse vinculo genético conosco. Mas como o espaço de tempo entre nos eh relativamente longo, espera-se que haverão outros vínculos alem desse.

Isso quer dizer que devemos descender mais de uma vez dos mesmos ancestrais, alem de descender de outros ancestrais que serão comuns a outras pessoas atuais.

Um outro exemplo nessa linha de pensamento vem de dona Isabel Pedrosa. Ela foi a esposa do Jeronymo Barbalho Bezerra, os nossos nonavos. Isabel foi filha de Joao do Couto Carnide e Cordula Gomes.

Cordula Gomes foi filha dos cristãos-novos Miguel Gomes Bravo e Isabel Pedrosa de Gouveia, a poderosa (foi chamada assim por ter falecido centenária, idade semelhante a que a neta também atingiu).

Interessante aqui esta no fato de o casal ter sido pais também de dona Antonia Pedroso de Gouveia, que foi esposa de Belchior de Azeredo, um dos filhos de Marcos de Azeredo, um importante bandeirante da era colonial brasileira. Vide a pagina:

http://www.genealogiabrasileira.com/titulos_perdidos/cantagalo_ptazercout.htm

Dele descendem os Azeredo Coutinho que desempenharão importante papel no Rio de Janeiro e outros destinos brasileiros.

Sendo esses dois exemplos ja tao significantes, imagine-se outros milhares que se dao nas raízes de todas as famílias brasileiras quinhentonas.

No proximo endereço abaixo, basta ir ao ultimo parágrafo da quinta pagina deste trabalho. Ali ira verificar-se que o nome do ancestral Miguel Gomes Bravo se encontra na lista dos ancestrais da linhagem genealógica descrita.

E na penultima pagina ha uma descrição genealógica mostrando descendentes nobiliárquicos dele. Note-se que nesse caso talvez os nobres não serão membros da Família Barbalho, porem, serão tao Gomes Bravo Pedrosa de Gouveia quanto nos que descendemos, pelo menos, do casal: Jeronymo Barbalho Bezerra e Isabel Pedrosa.

http://www.cbg.org.br/baixar/algumas_notas.pdf.

Ha, ainda, outros detalhes colaterais em todas as genealogias.

Teria ainda que pesquisar melhor, porem, sabemos que nossos familiares em Minas Gerais possuem vínculos parentais com pessoas da alta nobreza. Entre eles pode-se citar:

01. Barao do Serro. Diversos ramos da descendencia Barbalho descendem também dos Ferreira Rabello, o mesmo que aparece no sobrenome do barão Jose Joaquim Ferreira Rabello.

02. Barão de Alfie. O Andrade do barão Joaquim Carlos da Cunha Andrade também aparece na descendência dos Barbalho que habitavam o mesmo nicho ecológico, ou seja, região entre Santa Barbara, Alfie, Itabira, Ferros e outras. O barão foi tio-bisavo do poeta Carlos Drummond de Andrade.

03. Barão de Cocais. O barão Jose Feliciano Pinto Coelho da Cunha deixou uma família extra-conjugal que ao multiplicar-se misturou-se com a descendência Barbalho no Município de Virginópolis, MG, e região. Essa descendência tinha o sobrenome Furtado Leite. Hoje prevalece o Leite isolado.

04. Barão de Sao Mateus. Segundo o professor Dermeval Jose Pimenta tal cargo foi solicitado para seu tio Modesto Jose Pimenta, porem, o imperador Pedro II nao o confirmou. A familia Pimenta descende do casal Manoel Vaz Barbalho e Josepha Pimenta de Souza e a ela foi dada a preferencia do apelido materno.

05. Barão e Visconde de Itaúna. Esse foi o dr. Candido Borges Monteiro, medico particular da familia imperial brasileira, nomeado governador da Provincia de Sao Paulo, destacou-se como cirurgião e professor de medicina.

Outro que talvez nao tenha ascendência Barbalho, porem, muitos Barbalho tiveram uma relação parental próxima com ele.

Segundo a genealogista Anamaria Nunes Vieira Ferreira ela tem razoes para crer que ele foi bisneto de Caetano Borges e Joanna Monteiro. O mesmo casal foi, na Municipalidade de Seia, Distrito de Guarda, pais de Antonio Borges Monteiro (sr. Monteiro).

Vide: http://nobiliarquia.blogspot.com/2008/11/cndido-borges-monteiro.html

Esse Antonio transferiu-se para a Villa do Principe (atual Serro) deixando grande descendencia. Entre eles se encontrou o filho Antonio Junior (Borginha), que ajudou a fundar o Arraial de Sao Sebastião dos Correntes, atual Sabinopolis.

Borginha foi pai de dona Maria Balbina de Santana, que desposou Boaventura Jose Pimenta, neto materno de Manoel Vaz Barbalho e Josepha Pimenta de Souza, cuja familia foi descrita pelo professor Dermeval Jose Pimenta.

Por outra via, o sr. Monteiro enviou dois de seus filhos ainda muito jovens para serem educados no Rio de Janeiro. Foram Umbelino e Isidro Borges Monteiro, os quais deixaram grande descendência em Iguaçu e na capital.

Entre os atuais descendentes ha o Eduardo Pellew Wilson, 2o. Conde de Wilson.

Entre os irmãos do dr. Cândido Borges Monteiro, dona Ilydia Maria Candida Borges Monteiro tornou-se, via casamento, Baronesa da Lagoa.

Outras familias importantes também fazem imbrincacoes com a Família Barbalho. Entre as quais a do capitão Joaquim Alvares Barroso. Português de nascimento, casou-se no Serro por volta de 1815. Nas freguesias daquela importante villa (antiga Villa do Principe) ja se encontravam os Barbalho ha cerca de 100 anos atras.

O capitão Joaquim compartilha com outros de nossos ancestrais a primazia da fundação do Arraial de Sao Sebastião dos Correntes. Muitos da atual descendência Barroso compartilham a genética Barbalho.

Foi em homenagem a Sabino Alves Barroso que o antigo arraial veio a ser chamado pelo nome de Cidade de Sabinopolis. Sabino era neto do capitão Joaquim e foi irmão do Joao Evangelista Barroso, pai do grande compositor Ary Evangelista Barroso. Sabino Barroso foi politico importante em Minas Gerais.

Enfim, o trabalho de juntar tudo isso em apenas uma obra não seria pouco e precisaria da dedicação integral. Somente no mergulho nos arquivos que existem no Colégio Brasileiro de Genealogia, RJ, deverão ser necessários meses, senão mais de ano.

Pesquisas nos arquivos das cidades históricas de Minas Gerais seriam imprescindíveis.

Obviamente, pretendo fazer as verificações das interligações do ramo do Centro-Sul Brasileiro com o Nordeste-Norte. Para isso terei que verificar as obras de estudiosos como Antonio de Araújo de Aragão Bulcão que, pelo sobrenome, imagino haver a possibilidade de também ser Barbalho.

Precisarei consultar também ao confrade Ormuz Barbalho Simonetti a respeito dos familiares dele.

Claro, o objetivo seria levar as linhagens pelo menos ate ao inicio do século XX, pois, de então para ca as pessoas que vivem atualmente poderiam identificar seus ancestrais.

Algumas pessoas, mais leigas que eu, costumam duvidar desses meus escritos por pensar que estou querendo “puxar a sardinha para a minha brasa”, como se eu quisesse dizer que sou mais que quaisquer outras pessoas.

Refiro-me a isso apenas para alertar a esses e outros. Na verdade eh justamente em razão do contrario que gostaria de produzir essa nova obra. Não se trata de dizer que eu sou e os outros não.

O que parece magica eh apenas matemática aplicada `a genealogia. Se eu tivesse fontes suficientes para acompanhar a genealogia de meus outros ancestrais como os casais Francisco Carvalho de Andrade e Maria Tavares de Guardes; Antonio Bezerra Felpa de Barbuda e Maria de Araujo ou Pantaleão Monteiro e Brasia de Araujo acabaria apenas ampliando ainda mais o conhecimento que ja temos.

E se tomarmos outros casais da mesma época que não temos o conhecimento ser nossos ancestrais, mas o serão das pessoas que duvidam de mim, muito provavelmente eles serão ascendentes da maioria das pessoas que vivem atualmente no Brasil e de um contingente considerável daquelas que vivem no exterior.

Do que ja sabemos, retornando pouca coisa antes, aos ancestrais desses nossos ancestrais, podemos citar o rei de Portugal D. Afonso I. Ele aparece como ancestral de, pelo menos, 75% dos presidentes dos Estados Unidos. E eh ascendente de uma parte considerável da população brasileira.

O fato eh esse, matematicamente falando, quando estudamos a Historia do passado não tao remoto, estamos na verdade estudando a Historia de Nossos Ancestrais, obrigatoriamente.

E se estivermos estudando a Historia Contemporânea, estaremos estudando os feitos de descendentes de nossos ancestrais, ou seja, no mínimo, feitos de nossos primos.

O que as pessoas que duvidam precisam fazer eh apenas por mãos `a obra e testarem por si próprias, buscando dados para formarem suas próprias genealogias. Duvidar sem saber eh fácil. Fazer da mesmo trabalho, porem, o fazer tira nossas duvidas!

Aguardo respostas. Atenciosamente,

Valquirio de Magalhães Barbalho.

 

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OS CAPITULOS ABAIXO FORAM POSTADOS ANTERIORMENTE EM OUTRA PAGINA DESSE BLOG. RESOLVI REPETI-LOS AQUI POIS DAO NOTICIAS DA CONTINUIDADE DE NOSSAS PESQUISAS. COMO OS CAPITULOS ESTAO DIRETAMENTE LIGADOS A FAMILIA BARBALHO, RESOLVI POSTA-LOS AQUI TAMBEM PARA FACILITAR AS PESQUISAS DOS QUE SE INTERESSARAM PELO TEXTO ACIMA.

 

08. DA FIDALGUIA DA FAMILIA BARBALHO

Fui contatado por uma pessoa residente na Alemanha. Ela esta procurando o rumo ancestral do antepassado dela, Gaspar de Souza Barbalho. E passou-me os dados que procura:

“Gaspar de Souza Barbalho” Ele nasceu em Pernambuco em torno de 1673;

Data da morte: 1 de Jul de 1711.

Local do obito: Quixeramobim, Ceara, Brasil que fica a menos de 100km de Mombaça.

Casado com Vitoria Leonor de Montes (e Silva)

Nascida em torno de 1674 em Penedo, Alagoas, Brasil

Filha do Coronel Joao de Montes Bocarro ou “Bucaro”.

Caso haja algum outro pesquisador com informações que possam ajudar, favor contatar. O nome da nossa nova amiga eh Perlya. Intermedio o contato. Consegui apontar para ela algumas possíveis ligações do ancestral dela com os nossos.

E adiantando o andamento desse capitulo, vou repetir aqui o endereço:

http://objdigital.bn.br/acervo_digital/anais/anais_047_1925.pdf

Trata-se de copia da obra do Borges da Fonseca, intitulada “Nobiliarchia Pernambucana”, escrita por volta de 1750 mas com acréscimos, que notei, ate por volta de 1780.

O Indice esta no rodapé da postagem. Ai temos capítulos como:

Titulo de Bezerras Felpa de Barbuda, pag. 35

Titulo de Barbalhos Silveiras, pag. 45

Titulo dos Barbalhos, pag. 139

Titulo dos Uchoas, pag. 141

Titulo dos Bezerras Barrigas, pag. 164 e, entre outros,

Appendix, pag. 384 (esse apêndice trata de descendencia do Felippe Barbalho Bezerra).

Todos tem algo interessante. E naturalmente, os Barbalho se entrelaçaram com todas as outras famílias da nobiliarquia pernambucana.

O que me falta eh disponibilidade para construir uma Arvore Genealógica a partir do livro porque isso facilitaria muito o entendimento e a procura por nomes. Mas não seria trabalho pouco. O que não me intimida. Mas também não sou relógio, embora venha atuando tal e qual!!!

Bom, para encurtar o discurso, a Perlya fez uma retribuição inestimável. Enviou-me a copia das únicas 3 paginas do capitulo “Barbalhos” da obra escrita por Cristóvão Alão de Morais, sob o titulo: “Pedatura Lusitana, Nobiliário de Familias de Portugal”.

Como ja mencionei antes, faz parte do Tomo Quarto, volume segundo. Antes que descrever mais coisas, vamos logo ao que interessa! Vou postar as 3 paginas.

Perlya enviou-me mais alguma coisa, inclusive o capitulo dos “Bezerras”, mas não se encaixa em nossa genealogia. Segue então:

“pag. 343                    BARBALHOS

  1. Fernão (A) Barbalho era natural de Entre Douro e Minho .. .. .. e teve:

2. Antonio Barbalho

2. Luis Barbalho

2. Alvaro Barbalho

2. Antonio Barbalho filho 1o. este viveo no Porto aonde foi cidadão. Casou com ……… e teve:

3. Antonio Barbalho

3. D. Guiomar …………………….. m.er de Ignacio Cenarche de Noronha co. g.

Casou 2a. vez com D. Antonia Bezerra, ou Monteira, filha de Domingos Bezerra … … … e houve:

3. Luis Barbalho Bezerra

3. Felippe Barbalho Bezerra

3. Antonio Barbalho filho 1o. deste video no Brazil … … …

3. Luis Barbalho Bezerra filho 2o. de Anto. Barbalho E o 1o. de

*******************************

(A) Os f.os deste Fernão Barbalho erao primos de M.el Fran.co Barbalho e tiverao Capella em S. Fran.co do Porto. E o dito M.el Fran.co Barbalho foi pai de Clara Barbalho m.er de G.ar de Carvalho e forao pais de Jo. Lopes Barbalho fidalgo da casa delRei e Com.or de Sanfins de Nespereira e Mestre de Campo no Alentejo.

*******************************

Pag. 354

sua 2a. mulher n.2 foi insigne Soldado nas armas do Brazil: foi fidalgo da Casa delRei E com.or dos casaes na ordem de Christo. E Governador do Rio de Janeiro onde morreo.

Casou com D. Maria Furtado de M.ça  filha de Fernand’Ayres Furtado E de sua m.er Cecilia Carreira E houve:

4. Guilherme Barbalho Bezerra

4. Agostinho Barbalho Bezerra

4. Fernão Barbalho

4. Fran.co Monteiro Barbalho

4. Cosma Bezerra m.er de Fran.co de Negreiros Soeiro Sr. de hu engenho no Brazil

4. D. Antonia Bezerra m.er de Antonio Pereira de Sousa fo. de Eusebio Frra. Dromondo E de Cn.a de Sousa sua m.er.

4. D. Cecilia .. … .. m.er de Anto. Barbosa Calheiros fo. de Io. Barbosa Calheiros em Vianna

4. D. Fran.ca Furtada

4. Guilherme Barbalho Bezerra filho 1o. deste he Alcaide-mor de Serzipe delRei e tem a Comenda de seu pae. Casou com D. Anna Pereira fa. de D.os de Negreiros Soeiro Sr. de Engenho … … … e teve

5. Luis Barbalho

5. Domingos Barbalho

Pag 355

4. Ago. Barbalho Bezerra fo. 2o. de Luis Barbalho Bezerra n.3 Foi correo-mor do Brazil ……

4. Fernão Barbalho filho 3o. de Luis Barbalho Bezerra no. 3 Foi Vedor da Fazenda da India. Casou co D. Maria de Macedo m.er baixa.

4. Fran.co Monteiro Barbalho filho 4o. de Luis Barbalho Bezerra no. 3 Foi G.or da Fortaleza de S. Marcello na Bahia

3. Felippe Barbalho Bezerra filho 3o. de Antonio Barbalho no. 2 E o 2o. de sua m.er……..

2. Luis Barbalho filho 2o. de Fernão Barbalho no. 1 servio na India ……… e teve

3. D. … … … m.er de D. Luis de Sousa ou da Sylva paes delRey de Maldiva tto. de gras.

2. Alvaro Barbalho filho 3o. de Fernão Barbalho n. 1  Casou no Brazil co …. … ….”

Assim se encerram as informações. `A primeira vista pensei que fosse um horror! Isso por causa da inferência que o governador Luiz Barbalho tenha sido filho do Antonio Barbalho e de Antonia Bezerra ou Monteira.

Não teria nada contra, não fossem as muitas outras literaturas garantindo que ele foi filho do Guilherme (Antonio) Bezerra Felpa de Barbuda e de Camila Barbalho. Assim se inverte a procedência do sobrenome dele.

No entanto, quando copiei `a mão o que estava escrito pude conceber melhores ideias. Claro, ha que desculpar-se o autor Cristóvão Alão de Morais. A publicação data de 1673. E ele escreveu a respeito de toda a fidalguia portuguesa. Ou seja, no mínimo umas 500 famílias. Algumas ate com certa profundidade.

Imagine-se, então, buscar todos esses dados num amontoado de papeis, escritos por centenas de outros escrivães, cada qual com sua caligrafia. Documentos esses que ja deviam estar em processo de deterioração.

Alem disso, haviam escrivães que o eram porque não existia outro que soubesse manejar a pena, não porque fosse algum completo alfabetizado!

Um exemplo que prejudicou os trabalhos desse autor pode ser verificado via o sobrenome da sogra do governador Luiz Barbalho. Ele identificou-a com Cecilia Carreira. Na verdade, os atuais genealogistas devem ter pesquisado em maior numero de fontes com letras mais legíveis, pois, dão a ela o nome de Cecilia Carneiro de Andrade.

Certamente, não eh o nosso caso quando, apesar de buscarmos em originais vez por outra, em poucas oportunidade, temos a internet `a nossa disposição. Mesmo que ainda não esteja uma maravilha, em comparação, chega a ser quase o Céu. Exceto quando as informações que estamos procurando ainda estão em branco por essa via!

E observe-se que genealogia costuma ser tão complicado que por quaisquer distrações menores a gente costuma cometer erros crassos!

O certo eh que, após copiar, as coisas não são exatamente como pensei `a primeira vista. A publicação de Borges da Fonseca eh uma das muitas que contradizem essa versão para a origem do governador Luiz.

No entanto, a Revista do Instituto Historico e Geografico Brasileiro, vol. 52, também publica um breviário da genealogia “Barbalhos” no qual afirma que o governador Luiz foi filho de Antonio Barbalho.

Mas não aprofunda alem disso. Como a publicação eh posterior `a “Pedatura Lusitana”, o pesquisador pode ter usado-a como fonte. Mas não o menciona.

A passagem que descreve o titulo “Barbalhos” encontra-se a partir da pagina 310. `A pagina 308 inicia a descrição da família “Negreiros de Sergipe do Conde”. Ficam ai descritos os casamentos dos filhos do governador Luiz: dona Cosma com Francisco de Negreiros Sueiro e Guilherme com dona Anna de Negreiros.

Contudo nessa publicação ficou escrito que Guilherme e Anna foram pais de Domingos Barbalho Bezerra, o que corresponde ao que esta na Pedatura, e de dona Mariana Barbalho, esposa de Manoel Alves da Silva, sem geração.

Do Domingos confirma os dados e acrescenta que ficou solteiro. Nada menciona a respeito do filho Luis. Nesse caso, podemos esperar que haja em Sergipe alguma descendência desse nosso ramo familiar.

Ja `a pagina 313 inicia a descricao da Familia “Ferreiras e Souzas”. Começando por Eusebio Ferreira e seu pai, Leao Ferreira, naturais de Porto-Santo, Ilha da Madeira. Eusebio casou-se com Catarina de Souza filha de Melchior de Souza Dormondo e Micia Darmas, filha de Luiz Darmas e Catarina Jacques.

Eusebio e Catarina foram os pais do Antonio Pereira de Souza, marido da dona Antonio Barbalho Bezerra.

Nessa publicação temos que os filhos do casal Luiz Barbalho e Maria Furtado de Mendonça foram apenas 6: Agostinho, Guilherme, Fernão,  D. Antonia, D. Cosma e Francisco Monteiro.

Veja-se mais essa postagem:

http://www.historia.uff.br/stricto/teses/Dissert-2003_CAETANO_Antonio_Filipe_Pereira-S.pdf

Essa eh uma tese do professor Antonio Filipe Pereira Caetano, com o pomposo nome de:

“Entre a Sombra e o Sol – A Revolta da Cachaca, A Freguesia de Sao Gonçalo de Amarante e a Crise Politica Fluminense (Rio de Janeiro, 1640-1667)”.

O de maior importância no momento esta a partir da pagina 187, no capitulo: “Os Honoratiores Gonçalenses: a família Barbalho”. Ali também afirma-se que Luiz Barbalho e Maria Furtado houveram 6 filhos: Antonio, Guilherme, Francisco Monteiro, Cecilia, Agostinho e Jeronimo.

Fazendo a soma, observa-se que ate ai são 9. Isso porque Guilherme, Francisco Monteiro e Agostinho são repetidos em ambas as listas.

Quem abrir a publicação observara que as ascendências do casal Luiz Barbalho e Maria Furtado são declaradas. Tendo o Luiz como pais: Guilherme Bezerra Felpa de Barbuda e Camilla Barbalho. E era neto paterno de Antonio Bezerra Felpa de Barbuda.

Ja a Camilla Barbalho foi filha mesmo do Bras Barbalho Feyo e de Catarina Tavares de Guardes.

Aqui ocorre-me a possibilidade de o Brás ter usado o nome completo de Antonio Bras Barbalho Feyo. E como abreviava-se muito os nomes das pessoas para economizar tinta, e mesmo verbalmente, uns escritores podem não ter captado o Antonio e outros o Brás.

Obvio que a tese do professor Antonio Felipe não eh voltada para a genealogia. Contudo, os dados foram retirados de obras genealógicas, citadas `a pagina 187, rodapé, de genealogistas muitíssimo conhecidos como Carlos G. Rheingantz e Carlos Eduardo de Almeida Barata, o Cau Barata.

Ja `a pagina 37, da obra de Borges da Fonseca, temos esse extrato:

“3. Luiz Barbalho Bezerra, Fidalgo da Casa Real. Commendador da Ordem de Christo e Mestre de Campo de infantaria, que governou a Bahia e o Rio de Janeiro, de quem os escriptores da guerra dos Hollandezes fazem muitas vezes, digo, fazem innumeráveis vezes a mais honrada memória, e seria prolixa a nossa se a fizéssemos de tantas, tão repetidas e gloriosas acções quando basta o que deste grande soldado disse o general Francisco de Brito Freire neste grande elogio: – A quem tantas continuadas occasiões pelo decurso desta Historia, adiantaram ao insigne Mestre de Campo e deram illustre fama principalmente naquela celebre e portentosa expedição em que socorreo a Bahia, penetrando quatrocentas légoas os desertos da America. Foi casado e teve 10 filhos, dos quais o mais velho foi o Capitão Guilherme Barbalho Bezerra, mas como todos no anno de 1638 embarcaram para a Bahia onde, e no Rio de Janeiro viveram, não temos delles outras noticiais.”

Nessa ai o Borges da Fonseca falhou feio conosco! Fez aquela brincadeira: “eu sei mas não te conto.” Seria inestimável encontrar os escritos do general Francisco de Brito Freire, e outros nos quais se basearam, que nos contassem quem e quais foram os ascendentes de descentes do grande brasileiro, dito por pessoa de tempo mais próximo.

Pode ser que temos ai a primeira constatação da presença de um decimo rebento na família. Tratar-se-ia de dona “Francisca “Furtada”, mencionada apenas no Pedatura. E ai se completam os 10, anunciados via Borges da Fonseca.

Antes de iniciar essa escrita, imaginei que poderíamos ir logo colocando um fim na questão da paternidade do governador Luiz, pois, imaginei: “parece-me que os personagens Fernão Barbalho e Antonio Barbalho, primeiro e segundo mencionados no Pedatura, deverão ser pessoas mais antigas.”

Nesse caso, se encontrássemos datas que me permitissem comprovar isso, chegaríamos `a conclusão de que quem pode ter sido filho do Antonio Barbalho, não identificado pelo Cristóvão Alão de Morais, foi o (Antonio) Brás Barbalho Feyo.

A unica pista que encontrei na internet, nesse sentido, foi a Historia das Maldivas. Esta na Wikipedia, no endereço:

https://pt.wikipedia.org/wiki/Maldivas

Ai se fala que o dominio português deu-se apenas entre 1558 a 1573. Ja o que se diz a respeito de Luis Barbalho, segundo filho de Fernão Barbalho, eh que foi pai da esposa de D. Luis de Sousa (ou da Sylva), os quais haviam sido pais do rei das Maldivas. Muito provavelmente, vice-rei.

Ou seja, se `aquela época tinhamos um bisneto do Fernão Barbalho naquele governo, seria praticamente impossível ao Luis Barbalho Bezerra ter sido neto do mesmo Fernão Barbalho, pois, a data do nascimento dele se deu em 1584.

Portanto, a relação de descendência e ascendência entre Fernão e Luiz Barbalho Bezerra teria mesmo que passar por outras gerações, nesse caso: o avo Brás e a mãe Camilla.

O problema também em relação aos enganos dos genealogistas muito antigos foi não terem documentos disponíveis e datados, para que calculassem primeiro, antes de fazer afirmações. Cristóvão Alão de Morais deve ter tido acesso a documentos que indicassem a procedência dos Barbalho em Pernambuco mas não atinou para esses detalhes.

Com isso nos deixou apenas pistas ótimas a seguir. Entre as quais a de agora sabermos que procedemos da antiga Província do Entre Douro e Minho, o que se repete em nosso lado Coelho.

Torna-se vital também a informação que tivemos “Capela em Sao Francisco do Porto”. Ai podemos buscar, futuramente, os dados que comprovem definitivamente esta ligação com a fidalguia via também os Barbalho. Abram a postagem:

https://www.jornaldaslajes.com.br/integra/igreja-sao-francisco-do-porto-tem-400-a-600-kg-de-ouro-mineiro/1789

Ha ai um pouco da Historia do monumento. Inclusive anuncia-se que ha túmulos que não se pode identificar os enterrados. Pode ser que entre esses existam alguns Barbalho. Somente por muita sorte deveremos encontrar em escritos de época as referencias que confirmariam a informação do Cristóvão Alão de Morais.

Pelo menos, a partir de agora os descendentes Barbalho brasileiros e pelo mundo afora tem um ponto de referencia que eh essa maravilhosa obra arquitetônica. Diga-se de passagem, nos de Minas Gerais teremos duplo motivo para visitar, ja que também poderemos admirar obras de arte tecidas com o ouro mineiro.

Se algum dia for visitar Portugal, O Porto será um de meus destinos. E, em particular, a Igreja de Sao Francisco do Porto.

Observe-se que entre as famílias identificadas com direito a sepultura no interior da Igreja encontra-se a Carneiro. O que indica a proximidade entre ela e a Barbalho. O que, possivelmente, nos da a pista para a origem do Carneiro da ancestral Cecilia.

Mais uma outra publicação interessante:

https://guerradarestauracao.wordpress.com/tag/joao-lopes-barbalho/

Ai se narra batalhas pela restauração da monarquia portuguesa. Logo no inicio ja começa aparecer o nome do “tenente de mestre de campo general Joao Lopes Barbalho”.

As referidas batalhas se deram em 1645. Mas não da para saber a relação de tempo anterior porque o texto no Pedatura apenas diz que os filhos do Fernão Barbalho eram primos do Mel. Francisco Barbalho, que era pai da Clara, a mãe do Joao L. Barbalho.

Não fica explicado primos por qual via nem o grau. Não ha como dizer quem era o mais velho ou o mais novo nessa relação parental.

A reportagem menciona nomes de outros brasileiros que lutaram juntos como: Antonio Soares da Costa, Pedro Craveiro de Campos, Felipe do Vale Caldeira, Simao de Oliveira da Gama, Alvaro Saraiva, Manuel Machado Caldeira e Domingos da Silveira. Todos com recomendação de títulos e honras por bravura. E eram veteranos da expulsão dos holandeses.

Apenas para ilustração, na tese abaixo o capitão Joao Lopes Barbalho eh mencionado, `a pagina 44, como natural de Pernambuco. Veja-se:

http://www.historia.uff.br/stricto/td/1371.pdf

Em caso disso ser verdade, ajuda a confirmar que o mais provável será que a Família Barbalho mudou-se em peso para aquele estado. O que reforça a ideia de que nosso ancestral Luiz Barbalho, alias, mencionado pelo próprio Joao Lopes Barbalho, pertencia ao mesmo ramo de família.

Mais uma postagem que engrandece o sobrenome da Familia Barbalho:

http://historiapostal.blogspot.com/2008/02/o-ofcio-de-correio-mor-de-mar-e-terra.html?m=0

Ai se relata como o Agostinho Barbalho Bezerra conseguiu o “oficio de correio-mor do Brasil”. Foi em 1662, logo após ter sido julgado e absolvido de culpa na participação dele no evento conhecido como A Revolta da Cachaça, e em consequência da qual o Jeronimo foi degolado e esquartejado.

Ao finalzinho do 12o. paragrafo da postagem acima temos:

“…. gastando nelas não so a fazenda, mas ate a mesma vida, por cuja causa ficaram seus filhos falta dela e ele Agostinho Barbalho, com o encargo de três irmãs e uma mãe que esta obrigado a amparar.”

Essa eh uma passagem que foge um pouco `a compreensão. Em primeiro lugar, ele referia-se a que o pai dele, e ele próprio, haviam empenhado todo o patrimônio que possuíam nas guerras que lutaram para defender os interesses do governo português.

Mas a menção a mãe e três irmãs sugere que houve mais uma filha na família e que ainda não consegui identificar. Isso porque D. Cecilia vivia no Rio de Janeiro, ficara viuva e reclamava pobreza. Agora sabe-se que havia a Francisca “Furtada”, que talvez fosse solteira.

Fica ai a satisfação de saber que em 1662 a ancestral Maria Furtado de Mendonça ainda vivia, tendo ela nascido por volta de 1595. Ou seja, estaria com 67 anos. O que falta eh saber qual outra irmã estava sob obrigação do Agostinho. Donas Cosma e Antonia eram casadas na Bahia e tinham filhos e filhas.

A menos que a terceira pessoa, não mencionada, fosse a ancestral Isabel Pedrosa, que se tornou viuva do Jeronimo. O filho mais velho deles, Jeronimo Barbalho, estaria ja com ou completaria 17 anos em 1662. Assim ela entraria como irmã, no lugar do falecido.

Outra possibilidade eh a de que o Jeronimo Barbalho Bezerra da Conjuração Fluminense fosse mesmo o sobrinho do governador Luiz Barbalho. Assim, a 3a. irmã seria mesmo outra pessoa e que ainda não descobrimos.

A informação de que o Fernão, filho do Luiz, foi casado também eh nova para mim. Desde que soube que ele havia ido para a India (Goa), para tornar-se Vedor da Fazenda, fiquei imaginando se não terá deixado herdeiros e por la existam alguns de nossos primos distantes.

Agora fica confirmada que essa possibilidade pode ser real. Ainda mais com a informação de que outro Luis Barbalho, mais antigo, também frequentou a India. Ha a possibilidade de por la ate existir uma Família Barbalho com alguma alteração no sobrenome, devido ao tempo e `a mudança de linguagem.

Quanto ao “mulher baixa” referente `a dona Maria de Macedo, esposa do Fernão, acredito que refira-se `a condição social dela, ou seja, de classe que não fosse de nobreza. Ou da considerada baixa nobreza.

Fica por esclarecer também se o Francisco Monteiro deixou herdeiros. Ele aposentou-se em 1704, como capitão do Forte de Sao Marcelo, também conhecido como Populo. Hoje eh uma atração turística na Baia de Sao Salvador:

https://patrimoniodesalvador.wordpress.com/2009/05/10/forte-de-sao-marcelo/

Faltaram, então, apenas dois nomes de filhos do governador Luiz Barbalho na obra do Cristóvão Alão de Morais. Seriam eles o Jeronimo e o Antonio Barbalho Bezerra. Diga-se de passagem, os dois dão alguma dor de cabeça aos genealogistas antigos.

No caso do Antonio, ha uma disputa entre o texto do Borges da Fonseca e os dados expostos por Rheingantz e levantados no Rio de Janeiro. Segundo Rheingantz, esse Antonio foi o marido da Joana Gomes da Silveira, neta de Duarte Gomes da Silveira, e tornou-se, por casamento, o segundo senhor do Morgado de Sao Salvador do Mundo da Paraíba.

Para o autor Borges da Fonseca, pag. 38, o Antonio que casou-se com a herdeira era filho do Felippe Barbalho Bezerra, irmão do governador Luiz. De qualquer forma, seja qual for, tudo fica em família.

`A mesma pagina 38, o mesmo autor declara que o Jeronymo que morreu degolado no Rio de Janeiro, em consequência da Revolta da Cachaça, era também filho do Felippe. Por azar nosso, o “Titulo de Bezerras Morgados da Pahyba” não esta incluído na publicação, do primeiro endereço postado no presente texto.

Ja `a pagina 35, Borges da Fonseca faz essa afirmação: “3 – Maria Monteiro, que casou com o seu primo Antonio Bezerra, filho de Luiz Barbalho.” Entre tantos Luizes que deviam existir `a epoca, acredito que a intenção dele foi a de identificar o governador.

Em caso de qualquer um deles estiver correto não altera grande coisa em nossa genealogia, pois, no fundo, todos ja descendiam dos mesmos ancestrais. Apenas pode acontecer de repetir mais vezes a nossa ascendência.

Em caso de descendermos do Felippe e nao do Luiz, através do Jeronimo, passaremos a ser da Silveira e Morais. Perderemos ai nosso vinculo com os Furtado de Mendonça e os Carneiro de Andrade, da avo Maria.

Mas, talvez, por outra via o nosso ramo familiar ira encontrar raiz no casal Luiz Barbalho e Maria Furtado de Mendonça, porque somos Barbalho também em nosso lado Coelho de Magalhães.

Sabe-se que dois de nossos sextavos foram: Giuseppe Nicatsi da Rocha e Maria Rodrigues de Magalhães Barbalho. Mas não sabemos ainda quem foram os ancestrais dessa avo Maria Rodrigues.

Ha algum tempo notei que o governador Luiz Barbalho deu os nomes de seus ancestrais a seus filhos. Assim são Antonia e Antonio. Francisca e Francisco. Cecilia e Guilherme. Os que faltavam seriam Cosma, Agostinho, Jeronimo e Fernão.

Agora podemos acrescentar o Fernão, pois, foi a primeira vez que vi o nome Fernand’Aires para o pai da Maria Furtado de Mendonça. Consta apenas Aires Furtado de Mendonça nas diversas literaturas que o encontrei.

Apesar do apego aos ancestrais, estranho não ter posto o nome Camilla, da própria mãe, em alguma das filhas. Nem o Brás que foi o avô materno. Isso reforça a possibilidade mesmo de ambos ter tido outros nomes alem dos quais ficaram conhecidos.

Como ja sugeri, o Brás poderia ter se chamado Antonio Brás. Ja a mãe do Luiz poderia ter chamado Francisca Camilla, ou Cosma Camilla. Ou, ainda, esses poderiam ter sido filhos que faleceram na infância, dai não existirem e não aparecerem em literaturas.

Em ultimo e caso especifico, a 3a. irmã mencionada pelo Agostinho poderá ter sido esquecida pelos genealogistas e chamar-se Camilla.

Agostinho parece ser homenagem a santo de devoção. E Jeronimo era uma situação difícil de escapar, pois, alem do santo ha também o “demônio”. Temos que nos lembrarmos do Jeronimo de Albuquerque, conhecido como o Adão de Pernambuco, por conta de sua promiscuidade e prolífica.

Alem desse Jeronimo, houveram outros descendentes com o mesmo nome que ajudaram na chefia da luta contra a Invasão Holandesa.

Enfim, não podemos negar nem acreditar em tudo que os autores antigos escreveram. Entre as falhas do Pedatura Lusitana, a obvia foi não ter sequer mencionado que Agostinho Barbalho foi casado.

A esposa dele chamava-se Brites Lemes. Filha de Joao Alvares Pereira e Izabel de Montarroyos. Mas não sei se deixou descendência. Ela era neta de um dos fundadores do Rio de Janeiro, Diogo de Montarroyos.

Para facilitar o entendimento vou postar aqui as ascendências do governador Luiz Barbalho Bezerra. A começar do sobrenome Bezerra:

  • Antonio Martins Bezerra c. c. Maria Martins Bezerra, pais de:
  • Antonio Bezerra Felpa de Barbuda c. c. (1) Maria de Araujo, pais de:
  • Guilherme Bezerra Felpa de Barbuda c. c. (2) Camilla Barbalho, pais de:
  • Luiz Barbalho Bezerra c. c. (3) Maria Furtado de Mendonça
(1) Maria de Araujo foi filha dos senhores do Engenho de Sao Pantaleão: Pantaleão Monteiro e Brasia Araujo. O engenho de açúcar fundado por eles depois foi chamado de Engenho do Monteiro.
(2) Camilla Barbalho foi filha de Brás Barbalho Feyo e Catarina Tavares de Guardes. Foi neta materna de Francisco Carvalho de Andrade e Maria Tavares de Guardes.
Brás foi senhor do Engenho do Barbalho que ficava no Cabo de Santo Agostinho e do de Sao Paulo da Várzea do Capibaribe, que havia sido fundado por seu sogro.
http://engenhosdepernambuco.blogspot.com/p/engenhos-com-letra.html
(3) Maria Furtado de Mendonça foi filha de Fernand’Aires Furtado de Mendonça e dona Cecilia Carneiro de Andrade.
Francisco e Maria foram pais também de Ines, a qual foi casada com Joao Paes Velho, que se tornou dono de diversos engenhos de açúcar naquele tempo. Era dos mais ricos de Pernambuco. Francisco foi o primeiro senhor do Engenho de Sao Paulo da Várzea do Capibaribe. Era também armeiro real por profissão.

Os Bezerra procediam, antes de entrarem em Portugal, do Reino da Galicia. Eram naturais da Provincia de Lugo, na Freguesia de Becerrea. Esta faz parte do circuito dos Caminhos de Santiago de Compostela.

Era uma familia da alta nobreza local. Descendiam do rei D. Alfonso VI, de Leao e Castela. Esse ofereceu a mao de suas filhas em casamento aos nobres europeus que o ajudassem a expulsar os mouros.

Dois primos, Raimundo e Henrique da Borgonha aceitaram o desafio. Raimundo casou-se com a filha herdeira, Urraca; e Henrique com a condessa de Portugal, Teresa. Eles foram os pais do Afonso Henriques, primeiro rei de Portugal, e de Urraca de Portugal, que casou-se com Bermudo Perez de Trava. Esses sao ancestrais dos Bezerras.

Ao final dessa postagem, abaixo, pode-se seguir as passagens das gerações ai implicadas. Trata-se da linhagem do Domingos Bezerra Felpa de Barbuda, irmão do Antonio do cabeçalho da linhagem postada acima.

http://familybezerrainternational.blogspot.com/2009/12/fontes-sobre-as-origens-da-familia.html

Domingos teria nascido em 1524. E foi natural de Viana do Lima. Antonio havia sido natural de Ponte de Lima. Acredito que isso o faça  mais velho que o Domingos.

Explica-se assim porque, com a posse do território brasileiro por Portugal, as cidades portuárias devem ter tido um visível crescimento. O que atraia populações novas. Seria natural que moradores de Ponte de Lima, dentro do território português, se mudassem para Viana, que eh litorânea.

Outro detalhe foi que o primeiro donatário da Capitania de Pernambuco, Duarte Coelho, ja deveria estar arregimentando pessoas para implantar o que foi dado a dele. Segundo dados históricos, a implantação se deu em 1535. A carta de doação assinada por D. Joao III foi de 10 de março de 1534.

Isso implica que os preparativos tenham se iniciado muito antes. Ou seja, era preciso procurar famílias voluntárias. Tinha-se que construir navios. Provavelmente os maridos seguiram `a frente para “limpar caminho” para receber suas famílias.

E isso representaria gasto de tempo considerável para os dias atuais. Seriam anos de preparação. As pessoas que se mudaram para Pernambuco no inicio de sua implantação ou eram adultos nascidos em torno de 1500 ou seus filhos com idades variadas.

Nesse caso especifico: Antonio Martins e esposa ja maiores de 30 anos e os filhos Domingos e Antonio Bezerra Felpa de Barbuda ja por volta de suas adolescências.

Minha hipótese também explica a sequencia de gerações. Tomando 30 anos como espaço médio entre uma geração e outra temos, a partir do ano de nascimento do Luiz Barbalho Bezerra: 1584, 1554, 1524, 1494.

Essas seriam as datas bases para cada uma das gerações descritas acima. Não posso afirmar que a minha hipótese encaixa-se de todo na realidade. Acredito que seria muito difícil as gerações substituírem umas `as outras em menos tempo.

E vejam que muitos outros adotam 25 anos, ou seja, 4/século. Isso porque os casamentos podiam se dar em idades mais tenras, podendo as mulheres se casar aos 12 anos de idade.

O que acontece eh que as pessoas viviam pouco, em media. Mas poucos descendem dos primogênitos em cada geração. Sendo assim, haviam filhos que nasciam `a altura das idades próximas a 40 anos de seus pais. E deles descendemos tanto quanto dos que nasceram em suas juventudes.

Antonio e Maria foram pais do Domingos em 1524. Se o filho Antonio filho nasceu por volta de 1520, o Guilherme não devera ter sido filho do primeiro casal, e ter sido pai em 1584. Não era incomum alguns homens chegarem aos 60 anos de idade. Incomum era ser pais com idade tão avançada para a época!

O mais provável foi ter havido uma geração intermediaria que eh representada pelo Antonio filho e Maria Araújo.

Para os que me leem com frequência, irão notar que repeti muitas coisas de escritos anteriores. Assim o fiz para facilitar `as pesquisas que outros poderão fazer a partir desse novo texto. Quero apenas facilitar para os outros e também para mim mesmo.

Principalmente quando precisar consultar todas essas referencias. Vez por outra as busco nos mecanismos eletrônicos e eles se negam a responder satisfatoriamente. E ai fica uma recordação melhorada dos meus textos mais antigos.

 

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09. ARQUIVO HISTORICO ULTRAMARINHO – FUNDO CONSELHO ULTRAMARINHO – SUMARIOS DAS CONSULTAS MISTAS. (AHU_CU_CONSULTAS MISTAS, COD. 13-18

Creio que essas referencias não nos ajudariam em nossas buscas a respeito de nossa genealogia. Mas devem existir muitos dados para fazer-se as biografias dos personagens.

Estudar isso agora seria um adiantamento em relação ao trabalho. Mas por precaução ja vou anotando as referencias, pois, quem sabe algum dia vou a Portugal, para fazer um verdadeiro livro a respeito de nossos familiares!?

Antes disso era mesmo preciso fazer o “mais facil”!!!:

Visitar o Serro e Diamantina para ver se encontramos os fios das meadas, tanto em relação ao sobrenome Barbalho quanto ao Coelho.

Aos Barbalho nos resta aquela passagem entre o Jose Vaz Barbalho e seus pais e avós. Alem de buscar saber o mesmo em relação `a esposa, Anna Joaquina Maria de Sao Jose.

Dos Coelho resta-nos pelo menos o encaixe entre o avo Jose Coelho de Magalhães e seu possível pai, Manuel Rodrigues Coelho e deste para as raizes.

Alem disso, certificar que a Eugenia Rodrigues da Rocha, esposa do Jose Coelho (ou a primeira esposa dele, Escholastica de Magalhaes), era descendente Barbalho. Para tentar encaixar-se uma raiz com a outra.

Se fosse `as duas cidades do Centro-Norte de Minas Gerais, com tempo para pesquisar, faria questão de verificar todos os nossos outros emaranhados genealógicos, como pelos lados Andrade, Moniz, Pinto e dos familiares correlatos, como os Cunha de Meneses, Coelho Pinto, Coelho de Oliveira, Sousa e Silva e muitos mais.

Por enquanto, fiquemos apenas com o que temos:

http://actd.iict.pt/eserv/actd:CUF006a002/AHU_CU_ConsultasMistas_13_18.pdf

`A segunda pagina do ano de 1667 existem duas menções interessantes:

“16 235 Agostinho Barbalho Bezerra da conta da sua jornada ao descobrimento das minas, e serra das esmeraldas, e outros particulares, e vão as cartas e certidões que se acusam 28 SET 1667”

“16 236V Nomeação de pessoas para o cargo de vedor-geral da fazenda do Estado da India. 20 OUT 1667” [nessa segunda devera haver a menção do nome do Fernando Barbalho Bezerra].

CORRECAO:

“16 282v Sobre o que escreve o Provedor-Mor da Fazenda do Brasil acerca de se haver extinto o oficio de guarda-mor da barra da Baia, e ser provido Fernão Barbalho no posto de capitão e governador do forte de Nossa Senhora do Populo, com as entradas e saídas dos navios. 26 MAI 1668.”

O que mostra que nossas datações estão incorretas relativas ao Francisco Monteiro Barbalho Bezerra, irmão do Fernão, ter assumido o cargo em 1667.

Mesmo porque, foi dito que o Francisco Monteiro aposentou-se em 1704, com um pouco mais de 24 anos de serviço. O que jogaria a posse dele para em torno de 1680.

Foi dito também que eles serviram nesses cargos ao rei Pedro II de Portugal, cuja coroação se deu em 1683, porem, houve um período de regência anterior, a partir de 1668, quando passou a governador em lugar do seu irmão, D. Afonso VI.

MAIS A RESPEITO DOS BARBALHO

“13 90v Com a carta inclusa de Luis Barbalho Bezerra, capitão-mor do Rio de Janeiro sobre a partida da frota 9 ABR 1964”

“13 122 Francisco de Soutomayor, governador do Rio de Janeiro, da conta de como tomou posse daquele governo e avisa de alguns particulares tocantes `a segurança daquela companhia. 28 SET 1644.”

3 cartas: 2 de 7 ABR 1661 e outra de 16 MAI 1661, a respeito dos acontecimentos durante o que se conhece como A Revolta da Cachaça. Consta que a revolta se deu contra Tome Correia de Alvarenga, quando foi contra Salvador Correia de Sa e Benevides, que estava em Sao Paulo e deixou o primo dele em seu lugar.

http://actd.iict.pt/eserv/actd:CUc017/CU-RioJaneiro.pdf

Nessa outra publicacao registra-se:

113. 1643, Outubro, 31, Rio de Janeiro.

Carta da Camara Municipal do Rio de Janeiro dando conta da chegado do capitão-mor Luis Barbalho Bezerra e outras deliberações.

AHU-Rio de Janeiro, cx. 2, doc. 31

AHU_CU_017, cx 2, D. 113

116. 1644, Fevereiro, 4, Rio de Janeiro

116- 1644, Fevereiro, 4, Rio de Janeiro CARTA dos oficiais da Câmara da cidade do Rio de Janeiro ao rei [D. João IV] sobre a chegada do novo capitão-mor e governador desta praça Luís Barbalho Bezerra; a aceitação do subsídio dos vinhos e vintena nos bens dos moradores, a fim de socorrer a Infantaria e o presídio do Rio de Janeiro; informando a pobreza em que se encontra a capitania devido à epidemia de bexigas que dizimou os escravos e reduziu a produção do açúcar; solicitando que parte das moeda cunhada nesta capitania seja aplicada nela para a criação de uma fortaleza; acusando o recebimento de ferros para marcar as patacas e a continuação do trabalho da cunhagem da moeda, conforme ordem do governador-geral do Estado do Brasil, António Teles da Silva. AHU-Rio de Janeiro, cx. 2, doc. 36 AHU_CU_017, Cx. 2, D. 116.

118- 1644, Abril, 20, Lisboa CARTA RÉGIA (minuta) do rei [D. João IV] ao governador e capitão-mor do Rio de Janeiro, Luís Barbalho Bezerra, ordenando que os provedores da Fazenda Real das capitanias do Rio de Janeiro, de São Paulo e de São Vicente enviem todas as sobras da Fazenda Real para o Governo do Rio de Janeiro, bem como o dinheiro dos dízimos, da nova imposição dos vinhos e vintenas, e do cunho da moeda, para se meter em um cofre de três chaves, sob a responsabilidade do dito governador, do reitor dos padres da Companhia de Jesus e do almoxarife, do qual não se gastará nenhum dinheiro sem ordem régia. AHU-Rio de Janeiro, cx. 2, doc. 39. AHU_CU_017, Cx. 2, D. 118.

120- 1644, Maio, 19, Rio de Janeiro CARTA do provedor da Fazenda Real do Rio de Janeiro, Francisco da Costa Barros, ao rei [D. João IV] sobre não haver efeitos para as despesas necessárias desta cidade, devido ao pouco rendimento do vinho, dos vinténs por cada caixa de açúcar e da falta de renda proveniente da graxa de baleia; informando a tentativa falhada do último governador [Luís Barbalho Bezerra] em impôr o subsídio dos vinhos e a vintena nos bens dos moradores, por causa da pouca vontade dos oficiais da Câmara em cumprir tais ordens após a morte do mesmo; a necessidade de rendas para o sustento do presídio e da infantaria; indicando como é arrendado o contrato dos dízimos e como a Fazenda Real sai prejudicada; solicitando instruções acerca do caso do prelado administrador eclesiástico da repartição do sul. AHU-Rio de Janeiro, cx. 2, doc. 42. AHU_CU_017, Cx. 2, D. 120.

121- 1644, Maio, 20, Rio de Janeiro CARTA do governador eleito do Rio de Janeiro, Duarte Correia Vasqueanes, ao rei [D. João IV] sobre o falecimento de seu antecessor, Luís Barbalho Bezerra, sua nomeação feita pela Câmara e povo da cidade; as medidas tomadas para enviar a frota ao Reino; a falta de artilharia, armas e munições para as fortalezas da Barra; a necessidade de reparos nas fortalezas e de armas para os soldados que as guarnecem, sugerindo o aumento das companhias de infantaria existentes naquela cidade e informando que foram levantados tanto o subsídio do vinho, quanto à vintena, ficando o presídio sem rendimento, e sua preocupação com a defesa daquela capitania, por causa do perigo holandês que ainda anda por aquela costa. AHU-Rio de Janeiro, cx. 2, doc. 43. AHU_CU_017, Cx. 2, D. 121.

132- 1645, Janeiro, 9, Rio de Janeiro CARTA dos oficiais da Câmara da cidade do Rio de Janeiro ao rei [D. João IV] sobre a disputa política existente entre o governador desta capitania, Duarte Correia Vasqueanes, e o sargento-mor Simão Dias Salgado, gerada após o falecimento do governador do [Rio de Janeiro] Luís Barbalho Bezerra, solicitando resolução acerca do impasse. AHU-Rio de Janeiro, cx. 2, doc. 55. AHU_CU_017, Cx. 2, D. 132.

A DENUNCIA NA CARTA ABAIXO EH DE INTERESSE PARA FAZER A BIOGRAFIA DE JERONIMO BARBALHO BEZERRA, POIS, FOI CONTRA O SALVADOR CORREIA DE SA E BENEVIDES QUE SE DEU A REVOLTA DA CACHACA (1660-61) E O JERONIMO FOI DEGOLADO POR ORDENS DELE.

135- 1645, Janeiro, 18, Rio de Janeiro CARTA do [governador nomeado para o Rio de Janeiro], Francisco de Souto Maior ao rei [D. João IV] sobre o estado das fortalezas da barra, a falta de artilharia e munições, armas e pólvora e as medidas que tomou para melhorar o seu funcionamento; a administração temporal e espiritual dos jesuítas sobre as três aldeias dos índios desta capitania e uma outra administrada pelo capitãomor dos índios Martim Afonso; informando a influência de Catarina Ugarth, esposa do [ex-governador] Salvador Correia de Sá e Benevides, sobre o principal da aldeia de Martim de Sá, Manuel Ubará Pitanga, além das irregularidades praticadas por aquele governador; descrevendo o estado de insegurança em que vivem os moradores, devido à falta da aplicação da Justiça nesta praça. Anexo: cartas. AHU-Rio de Janeiro, cx. 2, doc. 57. AHU_CU_017, Cx. 2, D. 135.

MAIS UM ENDERECO:

http://actd.iict.pt/eserv/actd:CUc030/CU-ServicoPartes.pdf

15- [post. 1644, Lisboa] INFORMAÇÃO do Conselho Ultramarino sobre os serviços de Guilherme Barbalho Bezerra, fidalgo e comendador da Ordem de Cristo, filho de Luís Barbalho Bezerra, como soldado, alferes e capitão de Infantaria, de [1622] até Dezembro de 1644, na luta contra os holandeses, acompanhado de criados e escravos em Pernambuco, onde foi feito prisioneiro e enviado às Índias, regressou ao Reino e voltou para a defesa de São Salvador, lutou no cerco do conde de Nassau em 1638, tendo regressado para a defesa do Alentejo na companhia do mestre-decampo Luís da Silva Teles. AHU_CU_030, Cx. 1, D. 15.

412- [post. 1684, Agosto, 23, Lisboa] INFORMAÇÃO do Conselho Ultramarino sobre os serviços de Antônio Barbalho, de 1 de Agosto de 1634 a 23 de Agosto de 1684, como soldado, alferes e capitão de Infantaria, contra os holandeses em Alagoas, Paraíba, Pernambuco e Bahia. AHU_CU_030, Cx. 3, D. 412.

RESOLVI DAR CONTINUIDADE:

http://actd.iict.pt/eserv/actd:CUc017s01/CU-RJaneiroCA.pdf

1644, Janeiro, 31, Lisboa e 1644, Setembro, 6:

AHU_CU_017-01

CONSULTA (2) do Conselho Ultramarino, sobre o agravo que tirou o Capitão Antonio Corrêa do Capitão mor e Governador do Rio de Janeiro Luiz Barbalho Bezerra por se recusar a dar-lhe posse da companhia de Infantaria de que se lhe fizera mercê.
AHU_CU_017-01, Cx. 2, D. 276-277.

S. d.

CAPÍTULO 35 do Regimento dos Governadores do Estados do Brasil, relativo a sua competência para o provimento das serventias dos ofícios de justiça, guerra e fazenda.
Anexa ao n.o 277.

AHU_CU_017-01, Cx. 2, D. 278.

1644, fevereiro, 13, Lisboa

CONSULTA do Conselho Ultramarino, sobre o dinheiro que se mandara abonar ao Governador e Capitão mor Luiz Barbalho Bezerra para socorrer a gente de guerra que do Rio de Janeiro levava para Angola D. Antonio Ortiz de Mendonça.
AHU_CU_017-01, Cx. 2, D. 279-281.

1661, maio, 14, Lisboa

INFORMAÇÃO do Conselho da Fazenda acerca dos documentos referentes mesma sublevação.
Anexa ao n.o 875.
AHU_CU_017-01, Cx. 5, D. 876.

1660, dezembro, 9, Rio de Janeiro

AUTO que mandou fazer o juiz Ordinário Diogo Lobo Pereira a requerimento dos procuradores do Povo da cidade do Rio de Janeiro, sobre a conjuração que se descobrira estar preparada no Convento de São Bento.
Anexa ao n.o 875.

AHU_CU_017-01, Cx. 5, D. 878.

1660, outubro, 30, Rio de Janeiro

AUTOS que se processarão sobre a expulsão que fez o Povo do Rio de Janeiro do governo a Salvador Corrêa de Sá, Thomé Corrêa d’Alvarenga e nova eleição do Governador Agostinho Barbalho Bezerra, prisão dos ditos e cio provedor da Fazenda Real Pedro de Sousa Pereira.

Anexa ao n.o 875.

AHU-Rio de Janeiro-Calmeida, cx. 5, doc. 879. AHU_CU_017-01, Cx. 5, D. 879.

http://actd.iict.pt/eserv/actd:CUc014/CU-Paraiba.pdf

  1. 11-  [post. 1619, Lisboa]INFORMAÇÂO do [Conselho Ultramarino] sobre pertencer a Luís Barbalho de Vasconcelos, por renúncia de seus pais, os serviços de seu avô Luís Mendes de Vasconcelos.
    AHU-Paraíba, mç. 33AHU_CU_014, Cx. 1, D. 11.##########################################################

    1. 53-  [ant. 1663, março, 1, Paraíba]REQUERIMENTO de Filipe Barbalho Bezerra, ao rei [D. Afonso VI], solicitando o título de fidalgo da casa real, o hábito da Ordem de Cristo com comenda de cem mil réis e provimento de capitão-mor da capitania do Rio Grande ou Ceará,quando houver vaga, pelos serviços prestados na Paraíba e na guerra holandesa.Anexo: 4 docs. AHU-Paraíba, cx. 1 AHU_CU_014, Cx. 1, D. 53.######################################################
    Mais que interessante essa ultima referencia! Isso porque, pode ser que hajam mais Filipes. O que tenho noticias são 3 Filipe Barbalho Bezerra na família.
Segundo o autor Borges da Fonseca, houve o irmão do governador Luis Barbalho. Contudo, também afirma que esse casou-se em 24 de setembro de 1608. Ou seja, deveria estar pelo menos com uns 20 anos.
O que o colocaria com uma idade de 75 anos em 1663. Decerto, não deveria haver alguma utilidade para ele tal carta de fidalguia. Se solicitou alguma, devera te-lo feito muito antes da data.
O segundo Filipe mencionado eh o filho daquele primeiro. Dele foi dito ter sido “Cavalleiro da Ordem de Sao Bento, que não casou.” Então, em 1663, por não termos a data de seu nascimento, estaria por volta de seus 50 anos de vida.
Aqui ha um meio termo. Poderia ser ele solicitando um beneficio a mais. Isso porque, naquela idade, quando a maioria dos seus contemporâneos de idade ja haviam falecido, ele ja deveria ter alcançado seus privilégios antes dessa idade. Mas não se sabe!!!
O terceiro e ultimo que tenho noticias foi o segundo filho do Jeronymo Barbalho Bezerra. Jeronymo o qual Borges da Fonseca o deu como filho do Filipe, o primeiro, mas Rheingantz o da por filho do governador Luis Barbalho Bezerra.
Desse terceiro Filipe temos o ano de nascimento que foi em 1647. Ou seja, em 1663 estaria por volta de seus 16 anos de idade. Nesse caso especifico, as guerras contra os holandeses ja haviam terminado. Mesmo que meninos de 8 anos de idade podiam ser alistados pelos pais, não houve tempo hábil para ele lutar nela.
O unico senão de possibilidade ai seria se o Filipe do Jeronymo estivesse requerendo uma compensação em razão de o pai ter lutado na expulsão dos holandeses. E assim poderia ser feito `aquela época.
Isso porque o pai, Jeronymo Barbalho, havia perdido a vida em 1661, em consequência de degolamento e esquartejamento ordenado por Salvador Correia de Sa e Benevides, como punição por ter sido o líder do episódio histórico, ocorrido no Rio de Janeiro, denominado de A Revolta da Cachaça.
Mas os revoltosos, após julgados, foram considerados inocentes das acusações que o ex-governador Sa e Benevides os acusou. Então, o governo português ficou com essa bomba suja em suas mãos para resolver.
Era uma familia que se tornara órfã. O filho mais velho, Jeronymo também, estaria completando 18 anos. Nesse caso, haveria uma tendência a compensar `a família com alguns privilégios da nobreza, da qual os Barbalho Bezerra faziam parte.
Nesse caso, a patente que o pai possuía e o senhorio de engenho devem ter sido passados para o filho mais velho, capitão Jeronymo Barbalho Bezerra. E o Filipe deve ter escolhido a tal carta de fidalgo.
Não posso garantir mas imagino que a carta de fidalguia deveria garantir ao dono todos os privilégios de nobreza. Isso quer dizer que quando houvesse algum cargo chave na administração governamental, os fidalgos tinham prioridade. E cargo correspondia a renda. Dai o privilegio.
Estou me baseando apenas em suspeita e não em conhecimento. Isso porque, dos filhos do Jeronymo tenho certeza apenas que Páschoa e Michaela casaram-se e permaneceram no Rio de Janeiro mesmo. Não tenho o destino dos outros.
Alias, o quinto filho chamou-se Luis Barbalho Bezerra, pois, um irmão de mesmo nome havia falecido criança.
A suspeita de que o Filipe possa ter ido para Pernambuco ou Paraíba se baseia em que Rheigantz também identificou o tio dele, Antonio Barbalho Bezerra, como marido da Joana Gomes da Silveira. E por isso tornou-se o II senhor do riquíssimo Morgado do Salvador do Mundo da Paraíba.
Outro que ficou no Rio de Janeiro, o Agostinho Barbalho Bezerra, clamou dificuldades financeiras após a Revolta da Cachaça. Em seu pedido de mercês ao sr. rei, argumentou que tinha mãe e 3 irmãs pelas quais era responsável.
Assim, os outros devem ter compartilhado as responsabilidades na assistência `a família do Jeronymo, o enforcado. E se o Antonio, marido da Joana, foi mesmo irmão dele, maior teria sido essa responsabilidade.
Alias, seriam irmãos tanto se ambos foram filhos do Filipe quanto se foram do governador Luis. E isso justificaria a presença do Filipe (III) la na Paraíba. E haviam muitos parentes próximos e abastados na área entre Pernambuco e Paraíba.
Novamente, eh apenas uma suspeita não um conhecimento. Imagino que a solicitação de  “titulo de fidalgo da casa real” devia ter os mesmos componentes do pedido de brasão de armas das famílias. Nesse caso, deveria vir acompanhada de uma resenha genealógica.
E ai eh que gostaria de chegar. Se la no Arquivo Histórico Ultramarino houver o registro completo, poderemos ter acesso a pelo menos os nomes dos pais e avos desse Filipe. E ate talvez uma resenha que remonte a mais de 10 gerações.
Torcendo para que seja o Filipe, filho do Jeronymo, isso jogaria por terra a duvida quanto a Borges da Fonseca ou Rheingantz estar correto em relação `a paternidade do Jeronymo.
E mesmo que o Filipe seja um dos outros dois, iríamos jogar uma pa de cal na questão da paternidade do Luis Barbalho Bezerra. Como ele foi irmão do Filipe, e tio do filho deste, os pais do primeiro, ou avos do segundo, serão os pais do Luis.
Em caso de ficar sanada a duvida em favor do Guilherme Bezerra Felpa de Barbuda e Camilla Barbalho, então, constata-se o engano cometido no Pedatura Lusitana, que tem o Luis como filho de Antonio Barbalho e esposa que poderia ser Bezerra ou “Monteira”.
Quiça, haja na documentação uma boa e longa genealogia. Se o Filipe for tanto o irmão quanto o sobrinho do governador, que do lado Barbalho siga por pelo menos umas 5 gerações, porque ai, talvez, iremos descobrir que Antonio Barbalho e Fernão Barbalho foram também nossos ancestrais e, por isso, o engano no Pedatura terá sido menor.
Contudo, essas reflexões são positivas. Ha que nos lembrarmos que a possibilidade de ter havido outro Filipe Barbalho Bezerra eh relativamente alta. E pode ser primo distante, de forma a que a genealogia dele não esclareça a nossa. Portanto ha que se preparar o espirito para uma resposta menos generosa.
O que nos faltaria eh um candidato para fazer essa verificação!!!

 

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A HERANCA FURTADO DE MENDONCA NO BRASIL

janeiro 17, 2013

A HERANCA FURTADO DE MENDONCA NO BRASIL

 

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09. IMIGRACAO
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Esta eh uma pequena discussao motivada por comentarios anteriores que eu havia feito no Forum do site geneall.net. Aqui pretendo esclarecer melhor os meandros genealogicos em que as assinaturas Furtado de Mendonca e Barbalho Bezerra estao envolvidas com o casamento de d. Maria Furtado de Mendonca e o heroi brasileiro, mestre-de-campo Luis Barbalho Bezerra. Facam, pois, boa leitura.

A HERANCA FURTADO DE MENDONCA NO BRASIL (Publicado no endereco: http://www.geneall.net/P/forum_msg.php?id=320963)

Meus prezados,

repassei anteriormente informacoes imprecisas a respeito do ramo Furtado de Mendonca/Barbalho Bezerra do qual sou descendente. O problema eh encontrar-se muitas informacoes em multiplas fontes literarias que nem sempre sao verdadeiras. Porei uma sequencia genealogica abaixo para sanar alguns fatos. Segue entao:

1494 Antonio Martins Bezerra – Maria Martins Bezerra
1524 Antonio Bezerra Felpa de Barbuda – Maria Araujo
1554 Guilherme Bezerra Felpa de Barbuda – Camila Barbalho
1584 Luis Barbalho Bezerra – Maria Furtado de Mendonca
1616 Jeronimo Barbalho Bezerra – Isabel Pedroso
1650 Paschoa Barbalho – Pedro da Costa Ramiro
1680 Maria da Costa Barbalho – Manoel Aguiar
1702 Manoel Vaz Barbalho – 1716 Josepha Pimenta de Souza
1738 Isidora Maria da Encarnacao – Antonio Francisco Carvalho

Algumas datas aqui sao hipoteticas, apenas para dar-se uma sequencia logica ao texto. Sao as tres primeiras e as de 1680 e 1702. Elas se baseiam em fatos historicos registrados na familia.

A reconstrucao dessa sequencia genealogica tornou-se possivel gracas a diversas fontes literarias diferentes. Mas, basicamente, poderao confirma-la comecando-se por: http://www.historia.uff.br/stricto/teses/Dissert-2003_CAETANO_Antonio_Filipe_Pereira-S.pdf. Essa tese do professor Antonio Filipe: “Entre a Sombra e o Sol, A Revolta da Cachaca, A Freguesia de Sao Goncalo de Amarante e a Crise Politica Fluminense (Rio de Janeiro, 1640-1667)”, nos fornece alguns dados, entre os quais, exclui a geracao 1524 Antonio Bezerra Felpa de Barbuda – Maria Araujo. Os dados genealogicos se encontram entre as paginas 187 a 194, no capitulo: “Os Honoratiores Goncalenses: A Familia Barbalho.”

Porem, acredito que ela exista e por ser indicada no endereco: http://www.usinadeletras.com.br/exibelotexto.php?cod=188&cat=Ensaios. Trata-se de um trabalho postado no site da editora Usina de Letras, de autoria de Pedro Wilson Carrano Albuquerque. O trabalho tem o titulo de “Arvore de Costado de Francisco Buarque de Holanda”, o conhecido compositor brasileiro Chico Buarque. O Chico descende de Brasia Monteiro, irma do Luis Barbalho Bezerra.

No trabalho do Pedro Wilson a geracao 1524 aparece na decima segunda geracao de ascendentes, sob as numeracoes: 9692 e 9693. Nas numeracoes 9694 e 9695 podemos ver os nomes: Bras Barbalho Feio (Feyo) e Maria Guardes, que sao os pais da Camila Barbalho. Ha mencoes em outras literaturas ao nome dela ter sido Catarina Tavares de Guardes. Talvez tenha sido Maria Catarina. Ela era filha de Francisco Carvalho de Andrade, sob o numero 19.391 e de sua esposa Maria Tavares de Guardes, numero 19.392.

Estas primeiras familias foram levadas para Pernambuco por seu primeiro donatario: Duarte Coelho Pereira a partir de 1532. Foram pessoas que receberam a distincao de fidalguia. Francisco Carvalho de Andrade era armeiro real. E tambem foi sogro de Joao Paes Velho Barreto, casado com Ines Tavares de Guardes, que se tornou o senhor de engenho com o maior numero de instalacoes em seu poder.

Bras Barbalho foi senhor do Engenho Barbalho, no Cabo de Santo Agostinho, e do de Sao Paulo, na Varzea do Capiberibe. Isso pode ser verificado nos enderecos: http://engenhosdepernambuco.blogspot.com/p/engenhos-com-letra.html & http://engenhosdepernambuco.blogspot.com/p/engenhos-com-letra-s.html. Estes trazem uma relacao de Engenhos de Pernambuco e na descricao fornecem alguns dados genealogicos importantes. O Engenho Barbalho esta descrito no primeiro endereco e o de Sao Paulo no segundo.

Importante eh salientar que a genealogia explorada pelo autor Antonio Filipe Pereira Caetano esta descrita na bibliografia citada por ele: “Carlos G. Rheingantz. Primeiras Familias do Rio de Janeiro (Seculos XVI e XVII), Rio de Janeiro: Livraria Editora Brasileira, Volume 1, 1965, p. 188.188”; “Bernardino Jose Souza “Luis Barbalho” In: Revista do Instituto Historico e Geografico Brasileiro. Rio de Janeiro: Instituto Historico e Geografico Brasileiro, Volume 13, 1964″ & “Afonso Henriques da Cunha Bueno & Carlos Eduardo de Almeida Barata. Dicionario das Familias Brasileiras. Sao Paulo: Iberoamerica, Volume 1, 2000, p. 368 (Barbalho Bezerra)”. Antonio Filipe eh um dos que menciona o nome Catarina Tavares de Guardes como o da mae de Camila Barbalho, na tese dele.

Aqui nos temos um entroncamento de informacoes. Antonio Martins Bezerra e Maria Martins Bezerra sao mencionados em outro trabalho que esta no endereco: http://familybezerrainternational.blogspot.com/2009/12/fontes-sobre-as-origens-da-familia.html. No final do trabalho, pagina 11, mostra-se a sequencia genealogica resumida de Domingos Bezerra Felpa de Barbuda, casado com Brasia Monteiro, filha do casal: Pantaleao Monteiro e Brasia Araujo. Domingos, tambem era filho de Antonio e Maria Martins Bezerra. A genealogia foi preservada nas notas do livro “Genealogia Pernambucana” do frei Jaboatao. O autor preservou o conteudo de uma carta de fidalguia passada a um descendente do Domingos.

Domingos e Antonio, entao, foram irmaos e tambem concunhados, pois, Maria Araujo, esposa do segundo, era filha do mesmo Pantaleao Monteiro, que foi senhor do Engenho de Sao Pantaleao, e mais tarde passou a ser conhecido como Engenho Monteiro. O Engenho Monteiro esta descrito nas notas do Engenhos de Pernambuco, porem, ali nao consta ter pertencido a Pantaleao. Esta na pagina reservada `as letras M, N, O.

Nao temos data para o nascimento de Antonio Bezerra Felpa de Barbuda, porem, a data para o Domingos foi dita ser 1526. Este nasceu em Viana da Foz do Lima. E eu presumo que o Antonio tenha sido mais velho, porque teria nascido em Ponte de Lima. Como Ponte de Lima esta um pouco afastada da costa e o inicio dos anos de 1500 foram mais prosperos para Viana, por causa do porto que passou a comercializar com o mundo inteiro ja no inicio das Grandes Descobrimentos, penso que a familia mudou-se primeiro para la, onde o Domingos nasceu, seguindo depois para Pernambuco.

E aqui passamos ao ramo Furtado de Mendonca/Barbalho Bezerra que se formou com o casamento entre Luis Barbalho Bezerra e d. Maria Furtado de Mendonca. O autor Antonio Filipe menciona apenas que ela foi: “filha de um dos descendentes das mais ilustres familias fluminenses, os Furtado de Mendonca.” Presume-se, entao, que a bibliografia consultada por ele traga algo mais a respeito da familia Furtado de Mendonca, especificamente, ao ramo do qual d. Maria pertencia.

Contudo penso ser engano a informacao de que d. Maria Furtado de Mendenca tenha origem carioca. Isso porque, ate o momento, tenho como data de nascimento para ela o ano de 1595. O que obriga o pai dela ter nascido 20 anos, ou mais, anteriores a ela. O que nos da a data minima de 1575. Exatamente 10 anos apos `a fundacao da Cidade de Sao Sebastiao do Rio de Janeiro, por Estacio de Sa. Salvando-se mais uns 3 anos de luta para a conquista das terras aos franceses e tamoios, teriamos 7 anos, o que praticamente impede que o pai de Maria Furtado de Mendonca tenha nascido ali.

Fiz algumas pesquisas em torno da vida de Heitor Furtado de Mendonca, pois julguei poder ter sido um aparentado. Ele foi o primeiro visitador da Inquisicao em territorio brasileiro e passou por Pernambuco em 1595, onde o Domingos Bezerra Felpa de Barbuda foi interrogado. Vejam no link familybezerrainternational acima. Entre outros detalhes, tambem tentei encontrar informacoes a respeito dos sobrenomes Furtado e Mendonca.

No endereco:http://www.piracuruca.com/sobrenome_texto.asp?codigo=286, ha uma explicacao para o surgimento do sobrenome Hurtado (Furtado). Conta-se que surgiu com D. Fernao Peres de Lara, “o Hurtado”. O apelido teria sido dado pela rainha Urraca de Castela, esposa de Raimundo da Borgonha, porem, que manteve um caso amoroso com D. Pedro Goncalves de Lara. Assim, o sobrenome Hurtado na Espanha, traduzido para Furtado em Portugal, se propagou. Contudo ha que se fazer a reserva de que: da mesma forma que D. Fernao Peres de Lara nasceu, outros tambem nasceram e nao se pode garantir que todos sejam Furtado da mesma origem. Algum outro podera ter “roubado” a ideia de colocar o sobrenome Furtado.

A rainha de Leao e Castela, D. Urraca, era meio-irma da Condessa Teresa de Portugal. Ambas eram filhas do rei Alfonso VI, e netas de Fernando I, o Magno, rei de Leao e Castela e de sua esposa oficial: Sancha, infanta herdeira de Leao. Ja os maridos delas, respectivamente, Raimundo e Henri de Borgonha eram primos. Como os Barbalho Bezerra descendem de Teresa e Henri, o mais provavel eh que nos descendamos tambem da Urraca e Pedro Goncalves de Lara. Os Lara sao outra familia dominante espanhola.

No endereco:http://ajaneladobraz.blogspot.com/2011/02/origem-da-familia-mendonca.html temos um resuminho da origem do sobrenome Mendonca ou Mendoca, cuja origem esta no senhorio da cidade de Mendoza, na Provincia da Biscaia. Eles teriam passado a Portugal por primeiro na epoca do rei D. Afonso III, que foi o responsavel pela reconquista das ultimas partes de Portugal aos mouros, aproximadamente em 1250.

Ja, segundo o que encontrei em minhas investigacoes a respeito de Heitor Furtado de Mendonca, estas familias estavam presentes no Algarves, de onde tambem se passaram para Lisboa. Elas estavam ligadas aos Arraes que, por coincidencia ou nao, eh sobrenome presente tambem em Pernambuco. Cite-se inclusive o nome da figura historica brasileira recente e ex-governador de Pernambuco, Miguel Arraes.

Em funcao destes dados, penso que os Furtado de Mendonca ingressaram por primeiro no Brasil em Pernambuco. E ha a possibilidade de a familia, por estar associada por lacos matrimoniais com os Barbalho Bezerra, poder ter acompanhado o governador Luis Barbalho Bezerra quando este foi nomeado para exercer o posto em 1643. Luis Barbalho foi governador em 1643 e 1644, nao concluindo o mandato de 3 anos porque faleceu no cargo. Se esta explicacao for verdadeira, os Furtado de Mendonca do Rio eh que seriam filhos de ilustre familia Pernambucana em primeiro lugar. E o mais provavel eh que os ilustres Furtado de Mendonca do Rio de Janeiro tenham origem em Aires Furtado de Mendonca, e nao o contrario.

O Catalogo Genealogico, dos Estatutos do Instituto Historico e Geographico Brasileiro, Volume 52, cita outros Furtado de Mendonca na Bahia, porem, sem definir alguma relacao parental entre estes e o Furtado de Mendonca de d. Maria.

No site do http://www.googlelivros.com.br temos acesso `a leitura dos Estatutos do Instituto Historico e Geographico Brasileiro, Volume 52, parte 1- Catalogo Genealogico, editado em 1889, que nos traz dados a respeito das familias: Negreiros de Sergipe do Conde (a partir da pagina 308, e trata-se da atual municipalidade de Sao Francisco do Conde, mais conhecida por sua producao de petroleo, no Reconcavo Baiano), Os Barbalhos (p. 310) e os Ferreiras e Souzas (313). Ja na pagina 310 temos: “Cazou com D. Maria Furtado de Mendonca, filha de Aires Furtado de Mendonca e de sua mulher Cecilia de Andrade Carneiro e teve filhos:”

O interessante aqui eh que na lista constam 6 filhos: Agostinho, Guilherme, Fernao, Antonia, Cosma e Francisco Monteiro. A lista citada pelo pesquisador Antonio Filipe tambem contem 6, porem, seriam eles: Antonio, Guilherme, Francisco Monteiro, Cecilia, Jeronimo e Agostinho. Presumo que a primeira lista tenha sido retirada de documentos presentes no Estado da Bahia e de conhecimentos gerais, ja a segunda vem de documentos encontrados no Rio de Janeiro. Isso porque a familia foi composta de 9 filhos e filhas.

Embora, extra-documentos, foi dito que houve uma filha de Luis Barbalho com o nome de Celia Carreiro, nao citada em nenhuma das duas listas. Pode ser que o pai seja outro Luis Barbalho.

A verdade eh que se registra: 1. Antonio Barbalho Bezerra. Dito ser o mais novo, deve ter sido o mais velho dos filhos por haver a mencao de que teria sido casado, em 1633, com Joana Gomes da Silveira. “Neta do ilustre Duarte Gomes da Silveira, fundador do morgado de Sao Salvador do Mundo.” (da Paraiba). Duarte Gomes foi um dos conquistadores da Paraiba, e existem mencoes de que teria sido o pai de Joana Gomes e nao avo. Ela seria filha fora do casamento porque o unico filho de sua esposa teria falecido sem filhos quando da Invasao Holandesa.

Antonio Barbalho Bezerra tornou-se o segundo senhor do Morgado de Sao Salvador da Paraiba. E sua descendencia acabou ficando registrada no processo de inquisicao sofrido por sua neta: Mariana Pascoa Bezerra, arquivado no Arquivo Nacional Torre do Tombo. O processo esta resumido na pagina da internet que se segue:http://utinga.wordpress.com/2010/09/21/marianna-paschoa-bezerra-o-santo-oficio-e-os-rocha-bezerra/.

2. Fernando (Fernao) Barbalho Bezerra. Nos Estatutos consta que serviu ao infante D. Pedro (reino de Afonso VI, de Portugal) e que faleceu “Vedor da India”. Vedor era um cargo semelhante a ministro das financas e nao se trata de toda a India mas da provincia portuguesa de Goa. Informa-se tambem que foi capitao do Forte de Nossa Senhora do Populo, cargo que exerceu ate 1667, quando o passou a seu irmao, Francisco Monteiro. Nao ha registro de descendencia dele.

3. Francisco Monteiro Barbalho Bezerra. Parece ter sido o filho mais novo. Aos 8 anos de idade ja assentou praca de soldado, em companhia de seu irmao Agostinho e sob as ordens de D. Felipe de Moura. Tinha um salario de 6 cruzados por mes. Foi instalado como capitao do Forte de Sao Marcelo (o mesmo com o nome de Nossa Senhora do Populo) em 17 de marco de 1667, onde serviu ate 1704.

4. Guilherme Barbalho Bezerra. Fidalgo da casa real, como seus irmaos, coronel respeitado na Bahia, foi tambem cavaleiro da Ordem de Cristo. Casou-se com d. Anna de Negreiros, filha de Domingos de Negreiros e sua esposa Maria Pereira, esta, filha de Martim Lopes Soeiro e Anna Pereira. Gracas aos seus servicos, prestados na luta contra os holandeses, requereu e conseguiu do rei D. Afonso VI o cargo de alcaide-mor da historica Sao Cristovao, antiga capital do Sergipe.

Guilherme e d. Anna tiveram dois filhos: Mariana Barbalho que se casou com Manoel Alves da Silva e nao tiveram filhos. O filho Domingos Barbalho Bezerra herdou as comendas e a alcaideria de seu pai, viveu na Patativa e ficou solteiro. Nao ha mencao de filhos.

5. Antonia Barbalho Bezerra. Casou-se com Antonio Ferreira de Souza, filho de Euzebio Francisco e de D. Catarina de Souza. Casaram-se em 11 de setembro de 1642, sendo ministro e padrinho o bispo D. Pedro da Silva e padrinhos o mestre de campo Luis Barbalho Bezerra e o governador Lourenco Correa de Brito. Casaram-se na Igreja de Sao Bento, na Bahia.

D. Antonia e Antonio foram pais de, entre outros, D. Ines Teresa Barbalho Bezerra (Ines Barbalho), que se casou com o coronel Egas Moniz Barreto e se tornaram ancestrais de diversas casas nobres do Imperio Brasileiro, entre as quais estao: baronato de Itapororoca, baronato de Rio das Contas, baronato de Alenquer e baronato de Sao Francisco, a partir do casamento do terceiro barao no caso dessa ultima casa.

6. Cosma Barbalho Bezerra. Casou-se com Francisco de Negreiros Sueiro, irmao de sua cunhada, Anna de Negreiros. Deixaram extensa descendencia cujas primeiras geracoes sao relatadas no catalogo genealogico dos Estatutos.

7. Cecilia Barbalho Bezerra. Mais conhecida apenas como Cecilia Barbalho. Em sua propria biografia, que esta escrita no “Pantheon Fluminense: Esbocos Biographicos” de Presalindo de Lery Santos, ha o engano de atribuir-lhe ser a esposa do Agostinho Barbalho Bezerra, seu irmao. O mesmo erro eh cometido pelos autores pernambucanos da biografia de Agostinho, que a renomeiam de Cecilia Barbosa e a dao por carioca.

A duvida quanto a ela ser filha, parente proxima, ou nora de mestre de campo Luis Barbalho Bezerra foi divulgada em diversas literaturas. O diagnostico definitivo e mais logico esta no trabalho do professor Antonio Filipe, onde ela aparece com o marido capitao (coronel posteriormente) Antonio Barbosa Calheiros. Tiveram os filhos Antonio e Isabel. Embora as mencoes a ela afirmem que internou-se no abrigo, por ela propria construido, ao lado da Capela de Nossa Senhora da Ajuda, com duas filhas e outras mocas da sociedade carioca.

Ela tem uma grande importancia historica no Rio de Janeiro como a idealizadora e fundadora do primeiro convento feminino, que foi o de Nossa Senhora da Conceicao, localizado na antiga Rua da Ajuda. O convento acabou ficando conhecido como Nossa Senhora da Ajuda. Na verdade ela abracou a ideia e levantou um abrigo transformado no convento nos anos de 1750.

Creio que donas Antonia, Cosma e Cecilia sejam as unicas tres filhas de d. Maria Furtado de Mendonca. Isso porque podemos verificar no endereco na internet: http://historiapostal.blogspot.com/2008/02/o-ofcio-de-correio-mor-de-mar-e-terra.html, que entre muitas alegacoes, Agostinho teria usado o argumento: “e ele Agostinho Barbalho, com o encargo de três irmãs e uma mãe que está obrigado a amparar.” Estas sao as ultimas palavras no 12o. paragrafo. O trabalho de Luiz Guilherme Machado tem o titulo de: “O Oficio de Correio-Mor de Mar e Terra do Estado do Brasil.” Faz-se essa observacao para salientar a ausencia de Celia Carreiro como filha.

Indico a leitura completa do artigo para que obtenham mais informacoes biograficas dos personagens Luis e Agostinho Barbalho Bezerra.

8. Agostinho Barbalho Bezerra. Segundo seus biografos foi o filho que mais se parecia com o pai, nas virtudes. Foi um homem e militar de tantas acoes que terei que resumir ao minimo. Combateu os holandeses desde os primeiros anos da invasao em Pernambuco, 1630, ate `a expulsao, 1654. Salve-se dois anos que permaneceu preso por eles. Foi lobo do mar, combateu a pirataria que gracava nas costas brasileiras. Participou dos combates que houveram para assegurar-se a independencia da coroa portuguesa, destacando-se ai os que se deram na praca de Elvas. Estando em pelo menos duas datas diferentes em Portugal para a expulsao do espanhol invasor, arcou com as despesas dos agregados, cavalos e escravos, sem nada cobrar ao monarca. Alias, exemplo este dado por seu pai, durante a luta contra os invasores holandeses no Brasil.

No plano politico foi nomeado governador do Rio de Janeiro durante a crise que se deu durante a “Revolta da Cachaca”. Mostrou-se habilidoso como gestor e ao mesmo tempo sendo fiel `a coroa portuguesa. Acabou sendo destituido pelos revoltosos que desconfiaram que estivesse tramando para o retorno do destituido governador, Salvador Correia de Sa e Benevides.

Casou-se com d. Brites ou Beatriz de Lemos, filha de Joao Alvares Pereira e Isabel de Montarroios. Joao Alvares foi genro de um dos primeiros moradores do Rio de Janeiro e ele proprio fundou a Fazenda de Sao Mateus, que mais tarde daria inicio a diversos municipios da Baixada Fluminense, particularmente Nilopolis. No livro: Memorial Nilopolitano, Tomo I, existe o engano de identificar o Agostinho como sendo filho do Jeronimo. Isso fez-me perder um tempo longo imaginando as muitas possibilidades que isso resultaria.

Agostinho obteve a doacao perpetua da Ilha de Santa Catarina, no Estado de Santa Catarina, para si e sua descendencia. Nos mesmos termos das Capitanias Hereditarias. Isso se deu em 1662 e nessa epoca ele tambem foi nomeado para o cargo de “cacador das esmeraldas” no Brasil. Na verdade seria: pesquisador de minas de metais e pedras preciosas. Acabou falecendo de febre desconhecida numa Entrada que liderou ao Rio Doce, `a altura do Estado do Espirito Santo. A morte se deu em 1667 e isso o impediu de tornar efetiva a doacao que recebera.

Nao eh exagero dizer-se que o Brasil permaneceu como colonia portuguesa, assim unido sob uma unica bandeira, gracas `as batalhas travadas por Luis, Agostinho, seus parentes e outras familias ja instaladas na epoca no Brasil. Sem o sacrificio deles, o mais provavel eh que hoje o Brasil seria um retalho de dominios europeus, incluindo Portugal, Espanha, Belgica, Franca, Holanda e ate Inglaterra. E assim tendo o territorio dividido em diversas nacionalidades diferentes, nao apenas brasileira como atualmente eh.

Juntando-se as biografias das pessoas acima citadas e outras que virao, imagino ate que se alguma empresa de televisao ou cinema se interessasse por fazer um seriado documentario-novelesco ao estilo do seriado “Roots” (Raizes), realizado pela industria americana nos anos de 1970, teria em maos um material com a possibilidade de se tornar inclusive de maior sucesso que seu exemplo. Omiti-me inclusive de detalhar a vida de Luis Barbalho Bezerra, para nao alongar demais essa narrativa, que porem, tem um conteudo de saga maravilhoso.

Uma diferenca fundamental em relacao ao documentario Raizes eh que aquela narrativa se restringe a um nucleo familiar. Ja a narrativa destas personalidades historicas envolve uma consideravel porcentagem da populacao brasileira, por ela ser diretamente descendente delas. Na sequencia devo mostrar como isso se torna possivel.

Com certeza, se uma serie de filmagem como essa for produzida, os sites de genealogia no Brasil e no restante do mundo, gracas `a heranca portuguesa e iberica espalhada neste, terao grande dificuldade de atender aos novos fregueses, interessados em iniciar suas Arvores Genealogicas.

Ha que se mencionar aqui o detalhe de alguns levantarem a hipotese de que os Barbalho nao fossem tao catolicos quanto o restante a populacao de descendencia portuguesa. E realmente ha um indicio disso presente na lista de nomes dos filhos dele.

Os catolicos mais apegados, quando tinham familias maiores, davam nomes a seus filhos com a preferencia por: Anna, Maria, Joaquim, Jose e Manoel. Este seria o nucleo mais intimo de Jesus que sao, respectivamente, avo, mae, avo, pai e Jesus (a expressao Emanuel tem o significado de “Deus conosco”, atribuido `a pessoa de Jesus).

Em seguida viriam os nomes dos Apostolos, como Joao e Bartolomeu; nomes de personalidades biblicas como David e Salomao e os santos do dia. Contudo, a lista de nomes dos filhos de Luis Barbalho, primeiramente, ignora o nucleo intimo. Em seguida tem mencoes outras que nao a tradicao catolica.

A principal motivacao para as denominacoes eh a hereditariedade. Parece que Luis Barbalho fez questao de fazer sua descendencia lembrar-se dos ancestrais. Assim, os nomes: Antonia, Antonio e Guilherme lembram, inversamente, pai, avo e bisavo dele proprio. Alguns autores tem que o nome do pai do Luis seria tambem Antonio e nao Guilherme, contudo, parece que ele proprio deixou a verdade escrita na descendencia.

O nome Cecilia esta relacionado `a sogra dele. Francisco Monteiro faria homenagem tanto ao bisavo Francisco Carvalho de Andrade quanto a Pantaleao Monteiro. Embora Francisco tenha outro significado importante na vida dele, e este, indiretamente relacionado com o santo.

Durante a luta contra os holandeses, brasileiros, portugueses e espanhois embarcaram numa esquadra com a pretensao de retomar Pernambuco. Porem a esquadra nao teve sucesso, ficando quase `a deriva. Margeando as costas do Rio Grande do Norte, avistaram uma ameaca de tempestade. Ai perceberam que o mais seguro seria desembarcar a soldadesca, no Porto de Touro, para que os navios fossem para o alto mar, numa tentativa de evitar que o mar bravio os lancasse contra as pedras e os afundasse.

Luis Barbalho Bezerra se viu `a frente de 1.000 homens, sem mantimentos e cercado de inimigos. Usando taticas de guerrilha, enfrentou os holandeses e arriscou a sofrer ataques dos indios nas matas. Em combates heroicos venceu e aprisionou alguns holandeses. Usou a tatica de “terra arrasada”, ou seja, atacou e queimou as propriedades de todos os que se passaram para o lado dos holandeses, tomando-lhes os mantimentos.

Apos muitas leguas de desespero, chegou `as margens do Rio Sao Francisco com seus homens, prisioneiros e familias que quizeram acompanha-lo. Atras vinha uma forca bem mais forte que a dele. Mas a comitiva conseguiu atravessar o Rio Sao Francisco antes do confronto e os holandeses perceberam que seria arriscado demais continuar a perseguicao em territorio baiano. Por isso, eh provavel que ali Luis Barbalho Bezerra tenha concluido que nascera uma segunda vez, pois, se o capturassem a morte seria certa.

Outro fato que engrandece a biografia dele eh que, instalando-se na Bahia construiu o Forte de Nossa Senhora da Conceicao. Este foi uma grande ajuda para repelir a tentativa de invasao `a Bahia que o conde Mauricio de Nassau planejou logo em seguida. O forte acabou sendo apelidado de Forte do Barbalho e futuramente serviu de nome de bairro na Cidade de Salvador.

Mesmo o nome Agostinho pode nao ter relacao direta com o santo. O nome pode ter sido dado porque o engenho da familia, Engenho Barbalho, ficava no Cabo de Santo Agostinho. O nome Fernando, ou Fernao, parece ter origem mais na homenagem a algum rei da epoca. Contudo, nao se descarta a possibilidade de ser algum ancestral de d. Maria Furtado de Mendonca.

O unico nome que tem evocao clara ao santo eh o de d. Cosma. Possivelmente ela nasceu no dia dos santos Cosme e Damiao. Ja o de Jeronimo se confunde com o nome do santo, porem, ha que se lembrar que Jeronimo de Albuquerque, irmao de d. Brites de Albuquerque, a esposa de Duarte Coelho Pereira, fora de fato o mandatario da Capitania de Pernambuco. Ele deve ter sido uma referencia para as geracoes da epoca. E eh conhecido como o “Adao de Pernambuco” por ter se tornado pai de mais de 30 filhos e filhas.

9. Jeronimo Barbalho Bezerra. Deixei-o por ultimo nao sem razao. Talvez tenha sido o mais obscuro dos filhos do casal Luis Barbalho Bezerra e Maria Furtado de Mendonca. Ele nao eh mencionado nos relatorios que se encontram na internet a respeito da luta para a expulsao dos holandeses no Brasil. Embora haja a mencao de que fora heroi em tal luta.

Torna-se conhecido apos parte da familia mudar-se para o Rio de Janeiro. Como seu irmao Agostinho, tornou-se dono de engenho de cana de acucar no atual municipio de Sao Goncalo. A fazenda dele ficava na Ponta do Bravo e nela se deram as reunioes para o planejamento do que consumou-se com o apelido de “A Revolta da Cachaca”. Essa comecou em 1660 e findou cinco meses depois em 1661.

Era o lider principal, com outros mais de 120 produtores de acucar e cachaca da Vila de Niteroi. Isso, no tempo em que Sao Goncalo do Amarante ainda era uma das Freguesias desta Vila. Logo apos a deposicao de Agostinho, irmao dele, foi eleito governador em seu lugar por seus camaradas. Adotou medidas tipicas de defesa dos interesses dos fazendeiros, inclusive a perseguicao aos jesuitas que defendiam o direito dos indigenas de nao serem escravizados.

Talvez essa atitude tambem tenha nascido de algum rancor que tivesse contra o clero, pois, o pai dele houvera sido envolvido em uma trama ainda na Bahia, onde o governador geral do Brasil foi deposto e aquele fez parte do governo provisorio que o substituiu. Logo em seguida Luis Barbalho foi preso e enviado a Lisboa para responder por conspiracao. Sendo entao o caso esclarecido que o mensageiro da ordem real, um padre, havia adulterado o documento, incluindo a deposicao do governador.

Enquanto os revoltosos esperavam uma resposta da coroa portuguesa, os quais tinham o objetivo tao somente de livrar-se do excesso de carga tributaria e do nepotismo instituido pelo longevo governador Salvador Correia de Sa e Benevides e de sua familia e agregados, Salvador Correia organizou um contragolpe e deteve os revoltosos. Em julgamento sumario mandou executar Jeronimo que foi enforcado, esquartejado e teve o corpo exposto em publico.

Os outros revoltosos, inclusive Agostinho que fora obrigado a participar do projeto por causa da grande veneracao que o povo tinha por ele, sofreram julgamentos. Enviado Agostinho a Portugal, foi absolvido.

Salvador Correia de Sa tornou-se reu das acusacoes que os revoltosos lhe tinham feito como: roubar o erario publico, obrigar os fazendeiros a emprestar-lhes gratuitamente a mao de obra escrava, delapidar as florestas nativas de fazenda alheias para construcao de um navio proprio, roubar, assassinar, impor monopolios, bancar jogatinas que tomavam o dinheiro de muitos, alem de executar um dos herois da expulsao dos holandeses.

Correia de Sa nao apenas foi condenado como o objetivo de que sua familia nao mais exercesse cargos de sua magestade no Brasil foi alcancado pelos revoltosos. Assim, a grande vitima da “Revolta da Cachaca” foi mesmo seu lider, Jeronimo Barbalho Bezerra e sua familia ainda muito jovem.

Os dados genealogicos da linhagem exposta acima, a partir de Jeronimo, foram por primeiro levantados pelo genealogista, professor Demerval Jose Pimenta, em seu livro: “A Mata do Pecanha, sua Historia e sua Gente”. O livro ja nos era de interesse por tratar da genealogia Borges Monteiro e Pereira do Amaral, familias que se tornaram numerosas e que tiveram grande participacao no povoamento do Centro-Nordeste de Minas Gerais, a partir dos dominios da antiga Vila do Principe, atual Serro.

A bisavo do professor Demerval, Maria Balbina de Santana (Borges Monteiro) e a avo: Ermelinda Querubina Pereira do Amaral foram tias-avos de Maria Marcolina Coelho, bisavo materna, e de Joao Rodrigues Coelho, bisavo paterno na familia de meus pais. O que nao imaginavamos eh que tinhamos com ele um terceiro vinculo, o Barbalho. O ramo Borges Monteiro eh oriundo da Municipalidade de Seia, no Distrito de Guarda. E o Pereira do Amaral da Ilha de Sao Miguel, nos Acores.

O professor Demerval publicou o livro dele em 1965 e talvez nao tenha tido o prazer de saber quem eram os ancestrais de Luis Barbalho nem de sua esposa, Maria Furtado de Mendonca, a qual nem sequer cita no livro por, provavelmente, nao o saber. Tambem pensou que d. Paschoa Barbalho fosse neta e nao filha do Jeronimo. O trabalho do professor Antonio Filipe corrige o engano dele e ainda fornece maiores dados da familia.

Jeronimo Barbalho Bezerra casou-se com Isabel Pedroso, filha de Joao do Couto Carnide e Cordula Gomes. O primeiro casal teve 6 filhos: Jeronimo, nascido em 1645; Felipe, 1647; Paschoa, 1650; Luis, 1651 (falecido crianca), Micaela, 1653 e Luis, 1660.

Alem de Paschoa, pode-se encontrar na internet informacoes de casamento e descendencia apenas de Michaela Barbalho Bezerra Pedroso. Ela casou-se com o portugues Joao Batista de Matos, natural de Lisboa, e os instrumentos eletronicos informam que deixou “um ramo Barbalho Bezerra em Santa Catarina”, verifique, entre outros:http://www.geni.com/people/Micaela-Barbalho-Bezerra-Pedroso/6000000011624035097.

Paschoa Barbalho casou-se com Pedro da Costa Ramiro, cujas informacoes genealogicas se limitam `a propria pessoa, via internet. Contudo abrindo-se o endereco: http://www.ub.edu/geocrit/sn/sn-218-32.htm, pode-se observar que ela e o marido tambem estiveram no negocio de Engenhos de Acucar. No quadro 2, do trabalho do professor Mauricio de Almeida Abreu, da UFRJ, mostra-se que foram donos do Engenho de Sao Bento, cito no local chamado de Mutua, na atual cidade de Sao Goncalo. Eles aparecem como donos desde 1686 ate 1702.

Nao encontrei uma segunda mencao literaria de d. Maria da Costa Barbalho e seu marido, Manoel Aguiar por enquanto. Eles ainda sao os unicos que nao temos a confirmacao. Ja a geracao seguinte, Manoel Vaz Barbalho e Josepha Pimenta de Souza aparecem nos arquivos do Family Search, que eh o braco genealogico da Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Ultimos Dias, ou simplesmente Mormons.

Ali encontram-se dados relativos `a familia de Policarpo Joseph Barbalho, nascido em 1735 e falecido na Villa de Porto Alegre, RS, em 20.06.1801, segundo atestado de obito dele. Era filho de Manoel e Josepha e casado com Bernarda Maria de Azevedo. Eles tiveram 7 filhos registrados em Gravatai, RS. Umbelino, Anna, Pocidonio, Julio, Candida, Eugenia e Manoel. O primeiro nascido em 1782 e o ultimo em 1793.

Contudo, ja tinham uma filha mais velha, com o mesmo nome da avo, Josefa Pimenta de Souza. Ela casou-se em Gravatai, em 05.07.1794, com Jose Peixoto de Miranda, filho de Jose Peixoto Cabral e Eufrazia Maria Caetana. E aqui observo que podera haver uma familia enorme no Rio Grande do Sul e cercanias, conhecida como Familia Peixoto, e que nao necessariamente sabe de suas origens Mendonca Furtado/Barbalho Bezerra.

Gravatai fica na Regiao Metropolitana de Porto Alegre, tem por volta de 250.000 habitantes, e um de seus ex-prefeitos teve a assinatura Peixoto. Vide Historia no site da prefeitura.

Como nao se sabe os sobrenomes que os irmaos usaram e se se casaram ou nao, podemos ter uma descendencia volumosa que, certamente, tambem tera, em parte, a assinatura Barbalho.

No trabalho do professor Demerval Jose Pimenta encontramos apenas um resumo da descendencia da filha do casal Manoel Vaz Barbalho e Josepha Pimenta de Souza: d. Isidora Maria da Encarnacao, nascida em 1738 e casada, em 1759, com o portugues, capitao Antonio Francisco de Carvalho. O capitao foi por muitos anos o sindico-geral dos Santos Lugares da Comarca de Serro Frio. A Comarca do Serro, apos a explosao demografica em Minas Gerais, provocada pelo inicio do Ciclo do Ouro a partir de 1700, foi criada em 1720 e abrangia todo o Norte de Minas e estados interioranos, entao, muito pouco povoados.

Pimenta descreve parcialmente a genealogia da filha Vitoriana Florinda de Ataide e um pouco mais detalhado do filho Boaventura Jose Pimenta. Explica tambem que o “Jose Pimenta” seria uma homenagem `a avo Josepha Pimenta. Boaventura casou-se com Maria Balbina de Santana (Borges Monteiro), ja mencionada, e foram pais de Modesto Jose Pimenta. Modesto casou-se com Ermelinda Querubina Pereira do Amaral, ja mencionada, e tiveram 12 filhos, entre os quais, o coronel Cornelio Jose Pimenta, pai do professor Demerval, sendo o professor nascido em 6 de fevereiro de 1893.

Ele nao conseguiu informacoes a respeito dos outros 6 filhos dos trisavos dele e que foram Joao, Antonio, Luciano, Mariana, Jose, Francisco e Bernardo. E os dados estao restritos `a data da publicacao do livro que eh a de 1965. Ou seja, duas geracoes atras. E, claro, muitas sao as pessoas com outras assinaturas que descendem dos Pimenta, porem, a familia tornou-se conhecida por este sobrenome e nao Barbalho Bezerra ou Furtado de Mendonca.

Nao muito tempo atras, tinhamos o conhecimento que o nosso tetravo (quartavo) se chamava Policarpo Barbalho. E as tradicoes o creditavam como oriundo do Nordeste Brasileiro. Esse mito caiu com a descoberta dos Altos de Genere do padre Emigdio de Magalhaes Barbalho, filho dele, que ordenou-se em Mariana, em 1845.

Somente entao pudemos constatar que o nome completo era Policarpo Jose Barbalho, que se casou em 1808 com Isidora Francisca de Magalhaes. Ele nascido no Distrito de Santa Rita Durao, pertencente `a municipalidade de Mariana, MG; e ela em Itabira, no mesmo estado. Policarpo era filho do capitao Jose Vaz Barbalho e de sua esposa Anna Joaquina Maria de Sao Jose. Teve por irmaos, pelo menos, a Gervasio e Firmiano Jose Barbalho. Jose Vaz Barbalho nasceu na Cidade do Serro e o filho Gervasio em Conceicao do Mato Dentro.

Por todas as informacoes ja reunidas, a unica conclusao `a qual podemos chegar eh a de que: Jose Vaz Barbalho sera outro filho do casal Manoel Vaz Barbalho e Josepha Pimenta de Souza. Este ultimo casal casou-se em 1732, no Distrito de Milho Verde, pertencente ao Serro.

Com o casamento de Policarpo Jose Barbalho em 1808 devemos esperar que tenha nascido por volta de 1780. Tambem esperamos que o pai dele deva ter nascido pelo menos 25 anos antes dele. O que nos da a data de 1755. Possivel por Josepha Pimenta de Souza ter nascido em 1716. E o mais provavel eh que tenha sido mae do Jose em ano anterior a 1755.

Ha, porem, a remota possibilidade de o Policarpo Joseph Barbalho, ou outro irmao, ter sido pai do Jose Vaz Barbalho. O tempo eh curto mas muitas vezes acontece de geracoes masculinas ficarem comprimidas nele, como eh mais comum acontecer com as linhagens femininas. O primeiro Policarpo poderia ter tido uma primeira familia e sido pai do Jose entre os anos de 1755 e 1760. E este teria espaco de tempo para ser pai do Policarpo Jose Barbalho em torno de 1785. Tempo habil para que ele se casasse em 1808. A familia de Gravatai seria a segunda porque nao era comum os homens se casarem a primeira vez com idade acima dos 40 anos.

Apos alguns anos o casal Manoel e Josepha mudou-se para o Arraial de Sao Jose de Tapanhoacanga, que mais tarde foi integrado `a municipalidade de Conceicao do Mato Dentro. (Atualmente chama-se Itapanhoacanga e faz parte da municipalidade de Alvorada de Minas). `A epoca em que o casal residiu no arraial, este era um dos veios mais produtivos de materiais preciosos do Ciclo do Ouro, tendo inclusive morador relacionado na lista de os mais ricos da Provincia de Minas Gerais.

Isso implica dizer que, as diversas familias que descendem do ramo Barbalho do Centro Nordeste de Minas Gerais tambem possuem sangue Furtado de Mendonca nas veias. E ai pode-se afirmar que a maioria da descendencia nao assina nem um nem o outro sobrenome, porque ha uma predominancia de nascimentos femininos na familia, cujos filhos herdam os sobrenomes dos pais obedecendo `as tradicoes.

No Centro-Nordeste de Minas Gerais tambem existe um ramo da familia Coelho. Este iniciado com esse sobrenome pelo portugues alferes de milicia Jose Coelho de Magalhaes. Este Jose casou-se com Eugenia Rodrigues da Rocha e viveram na Cidade de Morro do Pilar, mais precisamente, numa fazenda chamada de Axupe. O detalhe interessante na Arvore Genealogica da Familia Coelho eh que o professor Pimenta indicou posteriormente que a progenitora Eugenia teria tido como pais a Giuseppe Nicatsi da Rocha e Maria Rodrigues de Magalhaes Barbalho.

Estando ele correto, entao, ha a possibilidade de Maria Rodrigues tambem ter sido filha do casal Manoel Vaz Barbalho e Josepha Pimenta da Rocha. As datas, embora apertadas, possibilitam essa ocorrencia porque Maria podera ter nascido no inicio da decada de 1740 ou ate um pouco antes.

Eugenia podera ter nascido em torno do ano de 1760 para que o primeiro filho dela: Jose Coelho de Magalhaes Filho (conhecido como Jose Coelho da Rocha, fundador do arraial que deu origem `a municipalidade de Guanhaes), nascer em 1782, data esta que temos como real e relatada no livro de genealogia da familia.

Novamente, sao muitas familias agregadas ao sobrenome Coelho, porem, somente uma parte do ramo conhecido como “de Magalhaes Barbalho” que descende tambem de Jose Vaz Barbalho, guarda em si a lembranca do seu passado Barbalho Bezerra/Furtado de Mendonca.

Ha a possibilidade de a ancestral Maria Rodrigues de Magalhaes Barbalho vir de ramo diferente, do nucleo Barbalho que se concentrou no Rio de Janeiro, descendente de d. Maria Furtado de Mendonca e Luis Barbalho. Como se pode verificar no site do Family Search, desde os primeiros anos de sua colonizacao, a partir de 1700, Minas Gerais ja recebeu varios membros da Familia Barbalho, particularmente, em Ouro Preto, Mariana, Congonhas do Campo e outras.

Aqui preciso retornar ao que prometi antes. Ou seja, demonstrar como sera possivel milhoes de pessoas atuais serem descendentes do casal: Luiz Barbalho Bezerra e Maria Furtado de Mendonca. Para isso tenho que tomar emprestado as informacoes do genealogista Deusdedit Campos. Dando sequencia ao trabalho que fora do pai dele, estuda a genealogia da ancestral deles: d. Joaquina do Pompeu.

D. Joaquina, a quem os livros de Historia nao prestam as devidas homenagens, tornou-se riquissima. Eh uma verdadeira lenda no Centro-Sul de Minas. Em 1808, quando a familia real portuguesa aportou no Rio de Janeiro em fuga da Invasao Napoleonica a Portugal, com seus calculados 15.000 componentes, ela enviou mantimentos que socorreram a cidade de passar fome porque nao haviam estoques para alimentar a populacao extra.

Ela tem um nome enorme em ambos os sentidos, contudo o apelido eh o mais usado. Foi filha de portugueses imigrados em Minas Gerais durante o Ciclo do Ouro. Nasceu em Mariana, em 1752. Nao um caso raro `a epoca, casou-se aos 12 anos de idade. Teve 8 filhos. E deles procedem uma descendencia que o pesquisador calcula por volta dos 70.000 catalogados, ou mais. Como o numero se refere a todas as geracoes passadas, eu calculo que 60% estejam vivos atualmente. O que nos da mais de 40.000 pessoas.

Nao se pode dizer que bastava ter nascido naquela epoca para se ter tantos descendentes, porem, os calculos que brotam disso eh o que interessa. D. Joaquina teve irmaos. Assim, tendo ela tamanha descendencia, os pais dela terao a descendencia que ela tem mais a dos irmaos. Imagine-se quantos seriam entao! Ora, os avos maternos deles igualmente multiplicam a descendencia porque deverao ser progenitores de outros filhos alem da mae dela.

Assim, nao precisamos esperar que os ancestrais tenham tido muitos filhos em todas as geracoes para que essa multiplicacao se torne exponencial. Neste caso, se os pais de d. Joaquina tivessem tido apenas a ela e outro filho e ambos tem o mesmo numero de descendentes atualmente, entao, seus pais teriam 80.000 descendentes vivos.

O mesmo poderia acontecer se os avos tivessem tido apenas 2 filhos. Eles poderiam ter 160.000 descendentes agora. O mesmo acontecendo aos bisavos, eles poderiam ter 320.000 descendentes atualmente. Assim, a cada geracao anterior, o numero de descendentes dobra.

Na pratica, temos outros fatores que interferem. Por exemplo, alguns filhos podem nao gerar descendentes por qualquer razao que seja. Outro fator eh o de que se primos se casarem com primos a multiplicacao nao sera exponencial. Porem, estudando a vida dos nossos ancestrais, observamos que raramente eles foram pais de apenas 2 filhos. Meus ancestrais mais recentes tiveram um minimo de 5 filhos e um maximo de 19 que chegaram `a vida adulta.

Se contarmos como intervalo entre geracoes o espaco de 30 anos, o que nao eh pouco para o comportamento no passado, temos que: se d. Joaquina fosse descendente de d. Maria Furtado de Mendonca e seu marido Luis Barbalho Bezerra ela seria tetraneta (quartoneta).

Levando o calculo em relacao ao exemplo anterior, de apenas 2 filhos a cada geracao, teremos que Maria e Luis seriam ancestrais de 1.280.000 pessoas vivas. Portanto, podemos esperar, numa visao mais otimista, muito mais que isso, por causa do numero de filhos de d. Maria Furtado de Mendonca ter sido, para comeco de conversa, 9. E numa visao pessimista, teriamos pelo menos uma metade disso.

Lembremos, entao, que o pai e mae dela: Aires Furtado de Mendonca e Cecilia de Andrade Carneiro deverao ter, no minimo, o dobro do numero acima. Embora nao temos noticias de pessoas assinando o sobrenome Furtado de Mendonca em nossos parentes proximos, nao se descarta a possibilidade de Aires ter tido outros filhos, que perpetuaram a assinatura. E a parte desconhecida de nossos familiares pode ter se casado com parte da descendencia deles, e estes sim terao herdado o sobrenome como alcunha.

Aqui, estou demonstrando apenas a possibilidade da descendencia do Aires Furtado de Mendonca estar na casa dos milhoes. Heranca esta que, certamente, sera muito multiplicado por causa dos outros Furtado de Mendonca que imigraram para o Brasil na mesma epoca e depois. Eh possivel que o Brasil inteiro seja Furtado de Mendonca sem o saber.

O que nao podemos esquecer eh que serao Tavares, Andrade, Barbalho, Bezerra, Guardes, Monteiro, Barbuda, Carvalho, Lins, Cavalcante, Albuquerque, Coelho e todos os outros sobrenomes que povoaram o Brasil desde o inicio.

Observo que Josepha Pimenta de Souza, como seu marido, teve origens na Cidade do Rio de Janeiro. Conta-nos o professor Pimenta que fora filha de Belchior Pimenta de Carvalho. Este, filho de outro Belchior de mesmo sobrenome e neto de Manoel Pimenta de Carvalho, portugues, natural de Vila Vicosa e casado com Maria Cardoso, que descobri no “Genealogia Paulistana” tambem ter Souto-Maior no sobrenome.

Maria Cardoso de Souto-Maior era irma inteira de Helena de Souto-Maior, conhecida como a “viuva de pedra” e que tornou-se consorte na “Casa de Jericino” (que contava com 7 engenhos), uma das mais ricas da epoca colonial no Rio de Janeiro. Elas eram filhas de Belchior da Ponte Maciel e Maria Fernandes. Estes eram nobres da Ilha Terceira, Acores, e eram parte da Familia dos Pontes Cardoso. Descendiam do rei D. Afonso III, o que terminou a reconquista e que introduziu a familia Furtado de Mendonca em Portugal.

Recentemente, o genealogista Lenia Richa informou-me que o pesquisador Carlos Rheingantz tinha levantado dados diferentes para o avo de Josepha Pimenta. Para ele, este se chamaria Joao Pimenta de Carvalho, e a mae se chamaria Maria Machado. Porem nao informou quem seria o pai do Joao. No “Genealogia Paulistana” temos que Manoel e Maria haviam sido pais tambem de Maria e Joao Pimenta de Carvalho. Este ultimo tornou-se Deao da Se do Rio de Janeiro. Isso nao impede que tenha se tornado pai do Belchior, pai da Josepha.

Um pouco mais velho que Manoel Pimenta de Carvalho, residiu no Rio de Janeiro outro Joao Pimenta de Carvalho, que deve ter ajudado a multiplicar o sobrenome por la. Este foi capitao-mor da Capitania de Sao Vicente. E loco-tenente da condessa de Vimieiro, que era bisneta de Martim Afonso de Sousa, o primeiro governador-geral do Brasil, fundador e primeiro donatario de Sao Vicente. O Joao Pimenta de Carvalho, do qual estou agora falando, casou-se na nobre familia dos Oliveira Gagos.

Em funcao disso nao ha porque nos preocuparmos em relacao a termos ou nao origem nobre, tambem do lado Pimenta de Carvalho. O Capitao-Mor Joao nasceu em Portel, por volta de 1590. Portel fazia parte do Ducado de Braganca, cujo capital era Vila Vicosa, onde Manoel Pimenta de Carvalho nasceu. As duas cidades nao sao tao distantes uma da outra. E como os sobrenomes sao iguais, ha a possibilidade de terem sido parentes proximos.

Os Pimenta de Carvalho podem mesmo ter algum vinculo familiar com os duques de Braganca. Talvez este seja um dos motivos que permitiu a eles se projetarem na escala social no Rio de Janeiro. O Joao Pimenta de Carvalho foi fidalgo da casa real, porem, nao se pode confundir com a pessoa de mesmo nome dada como pai do Belchior, pai da ancestral Josepha, pelo genealogista Carlos Rheingantz. Belchior nasceu em 1791, e o capitao-mor faleceu em 1660 aos 70 anos de idade. Portanto, ha a possibilidade do Joao ter sido bisavo do Belchior.

Nao pensem que estou mencionando as nossas origens nobres porque considere isso algum privilegio. A verdade eh que, com a capacidade reprodutiva que Deus Concedeu ao ser humano, o provavel eh que todos tenhamos muitos ramos ascendentes, descendentes da nobreza. E se alertarmos para o fato de que tem os indigenas e os africanos tinham suas nobrezas, nos somos triplo-nobre-descendentes. Isso eh um privilegio que compartilhamos com todos.

Mas este nao eh um assunto que devera excitar os neuronios dos Furtado de Mendonca, por agora. A menos que tambem descubram que sao Pimenta de Carvalho.

BARBALHO, PIMENTA E, TALVEZ, COELHO, DESCENDENTES DO REI D. DINIS

setembro 11, 2012

BARBALHO, PIMENTA E, TALVEZ, COELHO, DESCENDENTES DO REI D. DINIS

 

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01. GENEALOGIA
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02. PURA MISTURA
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06. MISTO
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07. POLITICA BRASILEIRA
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09. IMIGRACAO
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BARBALHO, PIMENTA E, TALVEZ, COELHO, DESCENDENTES DO REI D. DINIS

CONTEUDO

O SOBRENOME COELHO
O SOBRENOME BARBALHO
O SOBRENOME PIMENTA DE CARVALHO
LISTA DE DOCUMENTOS QUE PRECISAMOS
MAIS RECENTES NOVIDADES DA FAMILIA BARBALHO

Aos interessados na genealogia das familias Barbalho, Coelho, Pimenta e outros.

Farei um relatorio em funcao dos novos achados e apontarei acoes que poderao ajudar-nos a remover as lacunas ja identificadas para confirmarmos a nossa ascendencia em personalidades historicas do Brasil e de Portugal.

Comecarei por apontar tais lacunas em relacao ao sobrenome Coelho. E logo passarei ao sobrenome Barbalho porque o que for encontrado em relacao a este sera, provavelmente, valido para aquele.

Segundo os estudos do professor Demerval Jose Pimenta, em seu livro: “A Mata do Pecanha, sua Historia e sua Gente”, temos uma sequencia genealogica assim formada para o ramo Coelho:

O SOBRENOME COELHO

(? 173.) Maria Rodrigues de Magalhaes Barbalho – Giuseppe Nicatsi da Rocha
(? 1759) Eugenia Rodrigues da Rocha – alferes Jose Coelho de Magalhaes
1782 capitao Jose Coelho de Magalhaes (ou da Rocha) – Luiza Maria do Espirito Santo
1824 Eugenia Maria da Cruz (Coelho) – capitao Francisco Marcal de Magalhaes Barbalho

Na data provavel em que Maria Rodrigues de Magalhaes Barbalho nasceu havia um casal na regiao do Serro/Conceicao do Mato Dentro, cujos nomes foram Manoel Vaz Barbalho e Josepha Pimenta de Souza. Eles sao candidatos a pais daquela. Porem nao ha como, pelos dados que temos, explicar a presenca do sobrenome Magalhaes no nome dela. Os nomes dos pais de Eugenia Rodrigues foram sugestoes posteriores `a publicacao do livro do professor Demerval em 1966, onde nao constam. Nao sei dizer a origem.

Existem sugestoes, inclusive deixado em escrito pelo professor Nelson Coelho de Senna, que o pai do portugues e alferes Jose Coelho de Magalhaes se chamaria Manoel Rodrigues Coelho. Este foi uma pessoa importante no Ciclo do Ouro em Minas Gerais, possuindo exploracao de minas de ouro e ocupando, em 1719, o cargo de “tesoureiro da Villa Rica”, atual Ouro Preto.

E tambem contribuiu com fartas quantias em dinheiro para a construcao do Santuario de Bom Jesus de Matosinhos, iniciado em 1757, em Congonhas do Campo. Porem, a hipotese de haver relacao de pai e filho entre eles nao se sustenta porque Manoel Rodrigues Coelho ja seria idoso, era residente em Minas Gerais e o Jose Coelho de Magalhaes teria nascido em Portugal, por volta de 1750.

A unica possibilidade para a relacao filial ter havido seria a de que o alferes fosse brasileiro. O que nao eh uma impossibilidade, mesmo a tradicao afirmando ele ser portugues. Posso lembrar que nossas tradicoes afirmaram por muito tempo que o nosso ancestral Policarpo Jose Barbalho era nordestino e os documentos revelaram que nasceu na atual Santa Rita Durao, distrito de Mariana, em Minas Gerais.

Sao irmaos de Eugenia Maria da Cruz e que deixaram descendencia: Francisca Eufrasia de Assis, Jose Coelho da Rocha (Neto), Joao Batista Coelho e Antonio Rodrigues Coelho. Maria Luiza (Nha Moca) e Ana Maria (Nha Ninha) nao se casaram. Antonina faleceu crianca.

1. Acredito que para solucionar as hipoteses de ascendencias seria ideal encontrarmos o registro de casamento do alferes Jose Coelho de Magalhaes e Eugenia Rodrigues da Rocha. Geralmente o documento menciona os nomes dos pais e dos avos dos nubentes. Tambem eh comum mencionarem a procedencia deles, o que facilitaria uma busca posterior caso necessario. Embora ha mencao de que os filhos nasceram em Morro do Pilar, antigo Morro do Gaspar Soares, os registros devem encontrar-se nos Arquivos em Conceicao do Mato Dentro.

Pelo lado Coelho, somente apos encontrarmos tal documento, ou outro que ofereca os dados em consideracao, teremos seguranca em afirmar quem nos legou o nome de Familia Coelho. Nome este que eh considerado como familia dominante na regiao de Guanhaes embora a familia seja o resultado da mistura com diversos outros sobrenomes.

Pode ser que haja uma forma indireta de negar (ou confirmar) que o alferes Jose tenha sido filho do Manoel Rodrigues Coelho. Devido a importancia dele e da opulencia de bens que acumulou durante o Ciclo do Ouro, imagino que tenha se tornado tronco de familias destacadas na sociedade mineira colonial e imperial. Neste caso, o conego Trindade deve ter registrado a descendencia dele no seu livro: “Velhos Troncos Mineiros”. Entao, teriamos que encontrar o alferes Jose Coelho de Magalhaes (ou, pelo menos, Jose Coelho da Rocha) entre seus filhos ou netos. Se nao o encontrarmos saberemos que pertencera a ascendencia diversa.

Contudo, nao se descarta a possibilidade de a Maria Rodrigues de Magalhaes Barbalho constar entre os filhos ou netos do Manoel Rodrigues Coelho. Os sobrenomes atribuidos a ela faziam parte da sociedade presente em Congonhas do Campo, cidade em que o Manoel Rodrigues Coelho deve ter mantido residencia, porque esta tornou-se refugio dos ricos, fugindo das tribulacoes da, entao, capital Vila Rica.

O SOBRENOME BARBALHO

Quanto ao sobrenome Barbalho, pensei que recentemente houvesse encontrado as respostas mais provaveis para a nossa genealogia. Contudo existem controversias que precisam ser resolvidas para garantir que nao venhamos a cometer erros de identificacao por desejarmos ser descendentes de quem nos pareca “mais bonito” e nao de quem realmente somos. Assim, o que temos como hipotese ate o momento eh o exemplo de sequencia abaixo. Ai veremos que ate mesmo o sobrenome Coelho esta posto em duvida por catedraticos que nos apontam ancestrais diversos do que nos foram trazidos pelos nossos familiares. Vejamos a sequencia:

1824 Francisco Marcal de Magalhaes Barbalho – Eugenia Maria da Cruz (Coelho)
(? 1780) Policarpo Jose Barbalho – Isidora Francisca de Magalhaes
(? 1740) Jose Vaz Barbalho – Anna Joaquina Maria de Sao Jose (ou Sam-Jose)
1735 (hipotese) Policarpo Jose Barbalho – esposa nao identificada
Manoel Vaz Barbalho – 1716 Josepha Pimenta de Souza
Maria da Costa Barbalho – Manoel Aguiar (viuvo de Ana Pereira de Araujo)
Paschoa Barbalho – Pedro da Costa Ramiro
(hipotese) Agostinho Barbalho Bezerra – Brites ou Beatriz de Lemos
Jeronimo Barbalho Bezerra – Izabel Pedroso (ou Pedreira)
Luiz Barbalho Bezerra – Maria Furtado de Mendonca (hipotese em relacao `a mae)

Ha aqui que expor a sequencia de ancestrais a partir de Josepha Pimenta de Souza. Tenho descoberto coisas novas a respeito deles, porem, teremos que rever os dados encontrados pelo professor Demerval Jose Pimenta para comprovarmos a versao posta por ele no livro. Sao eles:

1716 Josepha Pimenta de Souza – Manoel Vaz Barbalho
1691 Belchior Pimenta de Carvalho – parceira nao revelada
Belchior Pimenta de Carvalho – Francisca de Almeida
1610 Manoel Pimenta de Carvalho – Maria de Andrade (possivelmente Andrada)

As contestacoes comecam a partir do casal Francisco Marcal e Eugenia Maria da Cruz. Ha algum tempo atras o pesquisador Odon Jose de Magalhaes Barbalho encontrou a “Relacao de Bispos Brasileiros de 1551 a 1952 – Sfreinobreza.com”, via google, no endereco eletronico: http://www.sfreinobreza.com/eclesiasticobispos02.htm. Ali encontra-se uma pequena genealogia do bispo D. Manoel Nunes Coelho, simultaneamente neto das irmas: Francisca Eufrasia de Assis (paterno) e Eugenia Maria da Cruz (materno).

Contudo contem umas informacoes que considero distorcidas naquela pequena genealogia ali apresentada. Afirma-se que Eugenia Coelho (Maria da Cruz) seria ” Filha de João Coelho da Rocha e de Luiza de Magalhães.”.

Nos nao temos duvida quanto ela ter sido filha do Jose Coelho de Magalhaes “Filho”, mais conhecido como Jose Coelho da Rocha, fundador e um dos primeiros moradores de Guanhaes, e de sua esposa Luiza Maria do Espirito Santo. No livro: “Arvore Genealogica da Familia Coelho”, editado em 1979 por nossa prima Ivania Batista Coelho encontram-se todos os dados para comprovacao deste fato. Alem disso, na propria capa do livro apresenta-se o esboco de uma foto que esta publicada na pagina 10.

A foto deve ter sido tirada no maximo em 1870 e traz os filhos vivos do casal capitao Jose e Luiza Maria. Eugenia eh a primeira dos que se encontram em pe. Portanto, nao ha porque duvidar desta informacao. Alem do mais, em 1979, data da publicacao do livro, ainda estavam vivas pessoas que conheceram, senao todos, pelo menos o Antonio Rodrigues Coelho que viveu ate 1910. A Ivania fez a foto circular antes da publicacao e tivemos a oportunidade de ve-la nesse tempo.

Entre os vivos posso citar a neta Vita de Magalhaes Barbalho, nascida em 1887 e falecida 99 anos depois. Marina Coelho de Oliveira, que foi popularmente conhecida como “tia Nenen”, nascida em 1883 e falecida 101 anos depois. Outra neta: Maria Magalhaes, mais conhecida como “Maricas” era mais nova, nasceu em 1899 e faleceu outros 99 anos depois. Alem disso haviam o testemunho de dezenas de pessoas que conheciam os fatos por meio de conhecer os personagens como avos e que teriam reclamado caso as identificacoes no livro da Ivania estivesse incorretas.

Contudo, ha o fato recente que obriga-me a voltar a esse assunto. Eh que encontrei no site: “books.google.com.br” uma sinopse do “Anuario Genealogico Latino: Volume 4”. Eu estava buscando “Genealogia Barbalho”. E o que a sinopse dizia era isso: ” pais de: IV – Miguel Nunes Coelho. c. c. d. Ambrosina Magalhaes Barbalho, filha de Francisco Marcal Barbalho e de d. Eugenia Coelho; n. p. de Policarpo Barbalho e de d. Genoveva … Ver sua biografia na “Revista Genealogico Latina.”” A data do Anuario eh de 1952. Miguel Nunes Coelho foi filho da Francisca Eufrasia de Assis (Coelho) e do tenente Joaquim Nunes Coelho.

O mesmo erro pode ser comprovado no Sfreinobreza.com. O mais provavel eh que um tenha copiado do outro e ambos copiaram de terceiros. Talvez o autor dos enganos tenha sido o conego Trindade. Foi autor de muitas genealogias, inclusive escreveu a genealogia mineira mais conhecida: “Velhos Troncos Mineiros”. O conego Trindade escreveu: “Historia dos Bispos Mineiros”, que deve ter incluido o bispo D. Manoel Nunes Coelho, pois, era bispo `a epoca e nasceu apenas um ano depois do conego.

Nos dados a respeito da Familia Barbalho no site Family Search e comprovados nos Autos de Genere do padre Emigdio de Magalhaes Barbalho temos que Policarpo Jose Barbalho foi casado com Isidora Francisca de Magalhaes. E tiveram os filhos: Joao, Genoveva, Emigdio, Maria e Lucinda. A relacao de filhos dele que encontramos no livro da Ivania foi: Emigdio, Jose, Francisco Marcal, Lucinda e Manoel. Ela nao conseguiu encontrar o nome da esposa. E, ao que parece, os irmaos foram lembrados por serem os mais novos e de alguma forma devem ter mantido contato entre si, mesmo apos a dispersao da familia.

Sabemos que o padre Emigdio e Francisco Marcal foram residentes em Guanhaes. Suspeita-se que o Jose nao tenha sido porem ele enviou para la a filha Sinh’Anna, por esta ter engravidado em Itabira. Em Guanhaes ela tornou-se mae de Joao Batista de Magalhaes, que o conhecemos por “tio Joaozinho”. Este casou-se com sua prima em segundo grau, Candida de Magalhaes Barbalho (conhecida como Sa Candinha), fa. de Francisco Marcal e Eugenia.

Somente recentemente ficou evidente um dos motivos pelo qual o nome da Lucinda ficou na memoria da familia. Ela foi batizada em 10.07.1824. A data de nascimento que tinhamos do Francisco Marcal eh de 30.06.1824. Essa diferenca de 7 dias sugere um nascimento gemelar. Porem, fica sem explicacao o fato de o Family Search ter microfilmado o registro de batismo dela e nao o dele. Alias, nao tinham o registro do pe. Emigdio antes do documento dele “De Genere Et Moribus” ser encontrado. Parece que nao tinham ou haviam escolhido nao publicar os registros masculinos.

Em funcao de existirem estes apontamentos genealogicos, mais provavelmente incorretos, em publicacoes prestigiosas, torna-se necessario comprovarmos as paternidades de nossos ancestrais Francisco Marcal e Eugenia Maria da Cruz. O documento ideal que resolveria as duas questoes ao mesmo tempo seria o registro de casamento dos dois. O casamento deles deve ter se dado entre 1845 e 1848, em Guanhaes. Epoca em que a Frequesia pertenceu a Conceicao do Mato Dentro. O mais provavel eh que tal registro esteja nesta ultima cidade.

Outro documento que poderia resolver a questao da paternidade do Francisco Marcal e outras questoes seria o: “Autos de Genere et Moribus” do pe. Policarpo Jose Barbalho. Sabemos que ele ordenou-se apos ficar viuvo. Viuvez essa que se deu antes de 1838. Mas que a ordenacao se deu apos 1845, quando aconteceu a ordenacao do pe. Emigdio. O filho tornou-se padre mais velho que o pai.

O documento do pe. Policarpo, que deve encontrar-se em Mariana – MG, podera ter sido iniciado antes de 1808, quando Policarpo e Isidora Francisca se casaram. Nossas tradicoes dizem que ele era seminarista antes de casar-se. E concluiu o seminario apos enviuvar. Acredito que por tratar-se da ordenacao de uma pessoa que ja fora casada deveremos encontrar alem da genealogia pregressa ate aos avos pelo menos, como foi feito no caso do pe. Emigdio, tambem havera a inclusao da descendencia.

Neste caso teriamos, pelo menos, a citacao dos nomes dos filhos. Talvez a citacao de nomes de conjuges dos que ja fossem casados e, ainda, de netos que ja haviam comecado a nascer.

O documento “De Genere Et Moribus” do padre Emigdio de Magalhaes Barbalho revelou-nos que o padre Policarpo Jose Barbalho foi filho de Jose Vaz Barbalho e Anna Joaquina Maria de Sam-Jose (ou Sao Jose). O sobrenome Vaz Barbalho no nome do pai nos induz a crer que tenha sido, entao, neto do Manoel Vaz Barbalho e Josepha Pimenta de Souza. Contudo, sem um documento comprovando nao ha como ter certeza porque naquela epoca os sobrenomes nao eram fixos. Geralmente, os filhos decidiam assinar sobrenomes que melhor lhes convinham. Geralmente eram nomes de ancestrais como avos e bisavos. Por isso os sobrenomes de irmaos quase nunca coincidiam uns com os outros.

Ja no caso das mulheres o assunto era mais complicado ainda. Algumas optavam por homenagear os santos de suas devocoes e nao os ancestrais. Este eh o caso da Anna Joaquina Maria de Sam-Jose. Talvez nao encontremos nenhum destes nomes nos pais dela. Como se pode ver, o nome dela refere-se `a genealogia de Jesus, ou seja, Sant”Anna e Sao Joaquim eram os pais de Santa Maria que foi a esposa de Sao Jose. Somente os documentos poderao revelar a familia a qual ela pertencia.

Resolvi incluir na sequencia genealogica acima um intermediario entre Jose Vaz Barbalho e Manoel Vaz Barbalho. Isso porque o Family Search tem publicado fichas referentes ao filho do Manoel e Josepha, Policarpo Joseph Barbalho. Este primeiro Policarpo nasceu em 1735 e a data esperada para o nascimento do padre Policarpo eh por volta de 1783. Neste caso ha a possibilidade de o Jose ter sido filho diretamente do casal ou sido neto dele. Ha espaco de tempo habil para ambas as possibilidades terem acontecido (nao simultaneamente).

Mas era raro acontecer um homem naquela epoca comecar uma primeira familia apos os 40 ou mais anos de idade. Geralmente isso acontecia com os viuvos, no caso de uma segunda familia. E os registros dos filhos do Policarpo Joseph Barbalho em Gravatai – RS se dao apos 1780. Nao ha como garantir que uma opcao ou outra seja a mais verdadeira.

Outro abacaxi que o professor Demerval Jose Pimenta deixou para a gente descascar eh a passagem da geracao do casal Jeronimo Barbalho Bezerra e Izabel Pedreira (ou Pedroso) e d. Paschoa Barbalho. Ele afirmou que esta era neta daquele mas nem mesmo sugeriu quem poderiam ser os pais dela. Ele menciona apenas que: “era casada com PEDRO DA COSTA, no Rio de Janeiro, em 19 de janeiro de 1668.” (pagina 252).

Domingo, 17 de setembro de 2012, encontrei mais uma pequena informacao a respeito do casal. As informacoes se encontram no endereco: http://www.ub.edu/geocrit/sn/sn-218-32.htm e derivados. Eh um estudo com o titulo pomposo de: “Um quebra-Cabeca (Quase) Resolvido: Os Engenhos da Capitania do Rio de Janeiro, Seculos XVI e XVII.” Foi financiado pelo CNPq e eh de autoria do professor Mauricio de Almeida Abreu, da UFRJ. Parece que estao tentando fazer uma recuperacao de dados semelhantes `as que foram feitas em relacao aos engenhos acucareiros de Pernambuco.

O assunto do estudo tem pouca coisa a nos acrescentar. Porem, por pura coincidencia, o segundo quadro postado no trabalho foi um exemplo que o autor escolheu aleatoriamente para explicar as formas de passagem dos engenhos de uns donos para outros. Na data de 1684 descreve-se a venda de metade da propriedade (Engenho de Sao Bento, no Mutua, Sao Goncalo – RJ) a Pedro da Bessa. Porem, a partir de 1686, informa-se que o nome do novo dono era Pedro da Costa Ramiro. Ja a anotacao de 1702 informa ser dona do mesmo: Paschoa Barbalho, viuva de Pedro da Costa Ramiro.

Por ai pode-se concluir que, em primeiro lugar: existiu um casal formado por Paschoa Barbalho e Pedro da Costa como esta proposto no livro do professor Demerval. Segundo, que o nome completo do marido foi Pedro da Costa Ramiro. Embora nao se possa descartar a hipotese de o ultimo nome ser Bessa, e Ramiro ser o apelido pelo qual ele fosse mais conhecido. Por exemplo ele poderia chamar-se Pedro da Costa Bessa e ser filho de algum Rodrigo Bessa, o que justificaria o uso do Ramiro no final como sendo: “filho do”.

A verdade eh que o sobrenome Ramiro existe e eh bastante popular na Espanha e suas antigas colonias. E nao muito tempo antes de 1668, data de casamento de Paschoa e Pedro, o Brasil esteve nas maos da Espanha, sendo que alguns colonos espanhois foram para o Brasil. Exemplo disso foram os irmaos Rendon, que deram nome ao Titulo Rendons, nas genealogias paulistanas.

Outras informacoes interessantes sao que a propriedade ficava em Sao Goncalo, lugar onde, segundo as inferencias historicas, tambem se achava a Fazenda do Bravo, cujo dono foi Jeronimo Barbalho Bezerra, o suposto avo de d. Paschoa. Fica tambem nas proximidades a Fazenda de Sao Mateus, cujo fundador foi Joao Alvares Pereira, o pai de d. Brites ou Beatriz de Lemos, esposa de Agostinho Barbalho Bezerra, o dito: “filho do governador Jeronimo Barbalho Bezerra”. Parece que todas as pecas estao se juntando. E as respostas `as nossas questoes poderao ser encontradas nos registros mais antigos de Sao Goncalo.

Ha aqui outro significado importante para a nossa familia. Quando encontrei os dados da Familia Barbalho desde Pernambuco, a familia ja estava envolvida na producao de acucar desde os tempos em que Duarte Coelho Pereira era o Capitao-Mor daquela Capitania. Passando para o Rio de Janeiro a familia se manteve na mesma atividade, que perdurou por mais de 150 anos de residencia no Brasil. Teremos que rastrear a vida dos ancestrais posteriores a D. Paschoa Barbalho, porem, eh bem provavel que a familia tenha se mantido nesta atividade ate Trajano (Cista) de Magalhaes Barbalho. Mesmo que em menor escala, com a producao de rapadura, ou seja, acucar mascavo.

[Tentei adiantar alguma coisa em relacao `a familia Bessa e busquei por ela no Rio de Janeiro. Nada encontrei que pudesse vincular-nos a eles. Faltam inclusive informacoes a respeito deles na internet. Mas encontrei site dedicado `a familia com alegacoes de que descenderiam de D. Lopo Dias de Haro. Haro foi familia de alta nobreza basca. Frequentemente a vemos envolvida nas misturas genealogicas medievais. E o site alegava que D. Lopo foi casado d. Urraca Alfonso de Leon.

No geneall.net Portugal os nomes estao mais “espanholados”. Para encontra-lo la precisa-se escrever Lope Diaz de Haro. Realmente ele se casou com D. Urraca Alfonso. Alega-se naquele site que tambem tivesse adotado o sobrenome Bessa por ter tomado a Cidade de Baeza aos mouros. Contudo, o geneall.net discorda da adocao do nome Bessa. Nem ele nem os filhos o usaram. Mas eh possivel que algum descendente dele o tenha feito. Nao deu para fazer uma verificacao mais completa porque sao muitos os membros da familia Bessa anotados naquele site.

Mas temos uma informacao do professor Demerval que pode indicar que os Bessa e os Barbalho estiveram juntos no Rio de Janeiro. Seria muita especulacao da minha parte afirmar que sim. Porem, nao estaria fora da logica que as duas familias, por causa de lacos familiares, tenham migrado juntas para Minas Gerais na epoca do Ciclo do Ouro e la termos um encontro paralelo. Neste caso porque o elemento de ligacao entre as duas teria sido a familia Pereira do Amaral. Copiarei aqui a pouca informacao que o professor nos passou no livro: “A Mata do Pecanha, paginas 128-129.

“D. Ana Bessa – 1884. Eh filha de Daniel Pereira do Amaral e Maria Francelina Borges Monteiro. Nasceu em Sao Sebastiao dos Correntes {atual Sabinopolis} em 1855. Casou-se em Guanhaes com Americo Bessa. Enviuvando-se, com a idade de 25 anos, transferiu sua residencia para o Arraial de Sao Joao Evangelista, onde ja se encontrava o seu irmao Antonio Borges do Amaral. Manteve uma pequena casa comercial. Do casal nasceu Cecilia Bessa, casada com Jose Caetano da Silva. Faleceu em 6-3-1947.”

1884 foi a data em que don’Anna mudou-se para Sao Joao. O casal eh relembrado na pagina 127 porque o filho do Antonio Borges do Amaral: Sebastiao Amaral, casou-se com Marilia da Silva Amaral, filha dele. Boa parte do livro eh ocupada com a parentalha de Daniel Pereira do Amaral e Maria Francelina Borges Monteiro. Modesto Jose Pimenta que foi bisneto do casal Manoel Vaz Barbalho e Josepha Pimenta de Souza, alem de ter sido sobrinho de Maria Francelina Borges Monteiro, casou-se com Ermelinda Querubina Pereira do Amaral, que fora irma do Daniel Pereira do Amaral, e Ermelinda e Modesto foram avos paternos do professor Demerval.

A coneccao entre os Coelho de Virginopolis e Guanhaes e os Borges Monteiro & Pereira do Amaral se da atraves do casamento de Antonio Rodrigues Coelho e Maria Marcolina do Amaral, que tambem era filha de Daniel e Maria Francelina. Aqui ha apenas que se lembrar que os Coelho tambem podem ter em sua raiz os mesmo Barbalho, caso se confirme que Maria Rodrigues de Magalhaes Barbalho tenha algum grau de parentesco com o casal Manoel e Josepha.]

Apos dedicar algum tempo buscando por filhos do Jeronimo, encontrei duas mencoes. Uma refere-se `a filha Micaela Barbalho Bezerra Pedroso, que se casou com o portugues: Joao Batista de Matos Lobo. Esta nao poderia ter sido mae de d. Paschoa Barbalho por ter nascido por volta de 1653. Em 1668 ela nao estaria nem sequer tendo filhos, porque a data provavel de seu casamento foi de 1671, quanto mais filhos se casando. Ha a pequena possibilidade de as duas serem irmas.

No livro “Memorial Nilopolitano – Tomo I” encontra-se uma pequena genealogia referente a Joao Alvares Pereira, fundador da Fazenda Sao Mateus, que deu origem a Nilopolis e outras cidades da Baixada Fluminense. Naquele memorial se encontra escrito: “1. Beatriz ou Brites de Lemos – nasceu no Rio de Janeiro e foi batizada em 14 de julho de 1627. Casada provavelmente em 1645, com o capitao Agostinho Barbalho Bezerra, filho do governador Jeronimo Barbalho Bezerra.”

A principio pensei que fosse um engano do autor porque o Jeronimo nunca foi governador do Rio de direito. Ele somente foi governador de fato, durante o periodo da Historia conhecido como “Revolta da Cachaca”. Ele foi nomeado pela populacao rebelada contra o governador Salvador Correia de Sa e Benevides. Mas enquanto aguardavam resposta `a mensagem enviada a Portugal para saber que solucao o rei daria ao conflito, Correia de Sa e seus aliados paulistas surpreenderam os revoltosos e executaram Jeronimo sumariamente. Ha uma boa razao para chama-lo de governador, porem, essa razao nao eh otima.

E eh aqui que as coisas podem estar torcidas na hipotese de descendermos do Jeronimo Barbalho Bezerra. Melhor dizendo, se a d. Paschoa Barbalho for neta dele. Para que ela fosse neta seria esperado que tivesse nascido pelo menos uns 14 anos antes de ter casado, ou seja, em 1654 ou antes.

Acredito que d. Paschoa teria que ter sido filha de um filho do Jeronimo para que pudesse ter recebido o Barbalho como assinatura e este permanecer, como o professor Demerval sugere que permaneceu. Era comum algumas filhas receberem os sobrenomes das maes. Mas nao era muito comum uma sequencia de tres mulheres ligadas por um sobrenome passa-lo depois para um descendente masculino. E assim teria acontecido se o Jeronimo tivesse tido uma filha. Esta fosse mae da d. Paschoa. Que foi a mae de d. Maria da Costa Barbalho. Por fim foi a mae do Manoel Vaz Barbalho.

A principio, vi por alto uma informacao de que o Jeronimo teria tido dois filhos. Neste caso, com d. Micaela e Agostinho essa conta ficaria fechada. No livro “Memorial Nilopolitano – Tomo I” ha uma Paschoa Araujo, que fora sobrinha de d. Beatriz de Lemos. Entao, seria algo comum o nome ser frequente na familia. Assim, ela e o Agostinho poderiam ter sido pais de d. Paschoa Barbalho, o que seria algo bem provavel. Por isso levantei aquela hipotese.

Mas havia que se por em duvida a existencia de outro Agostinho Barbalho Bezerra alem do irmao do Jeronimo. E haviam literaturas citando o irmao do Jeronimo como marido de d. Brites (ou Beatriz) de Lemos. Mas a biografia do Agostinho tio, num livro de biografias de personalidades pernambucanas afirma com todas as letras que o nome da esposa deste fora Cecilia Barbosa. E ainda afirma que a fortuna deixada por ele `a sua viuva foi muito pequena.

Neste ponto a biografia dele entra em acordo com a de d. Cecilia Barbalho. A literatura mostra que ela ficou viuva `a epoca em que Agostinho foi dado por morto. E que por nao poder dar dote `as filhas para que encontrassem casamentos em “boas familias”, recolheu-se com elas em um retiro por ela propria criado junto `a Igreja de Nossa Senhora da Conceicao, na antiga Rua da Ajuda. A intencao dela era a de criar um convento ali, para que as mulheres que nao quizessem se sujeitar `as imposicoes dos pais e dos maridos da epoca tivessem para onde correr e se abrigar. A ideia dela, lancada em 1670-75, so foi posta em pratica em 1750. Mas o Convento de Nossa Senhora da Ajuda tournou-se importante referencia para o Rio de Janeiro por mais de 150 anos.

Mesmo sem buscar por isso, lendo diversas mencoes ao Agostinho Barbalho Bezerra, filho do mestre de campo Luiz Barbalho Bezerra e de sua esposa d. Maria Furtado de Mendonca, comecei a notar algumas discrepancias que, talvez, possam corroborar com a ideia de que foi mesmo um filho do Jeronimo Barbalho Bezerra, homonimo do Agostinho, quem se casou com d. Brites de Lemos. E, por falta de um melhor acompanhamento genealogico, os historiadores poderem ter misturado as duas biografias, tornando-as apenas em uma. Atribuindo todos os feitos ao Agostinho tio.

As evidencias que enxerguei comecam com a data de nascimento para o Agostinho tio. Alguns afirmam ser 1621. Ja nas biografias de pernambucanos ilustres a data eh de 1609. D. Cecilia Barbosa nascera em 1613, no Rio de Janeiro. O que significativamente mostra que era nora e nao filha do governador Luiz Barbalho Bezerra, como algumas literaturas sugerem. Em 1613 os Barbalho residiam ainda na Capitania de Pernambuco. E, como copiado acima, d. Brites nasceu em 1627. Entao, seria bem provavel que se casasse com alguem mais proximo `a propria idade dela.

Ja o Jeronimo Barbalho Bezerra eh, por enquanto, um misterio a ser decifrado. Varias literaturas que visitei o mencionam como filho do Luiz Barbalho Bezerra mas nenhuma menciona o nome da mae dele. Presume-se que teria sido D. Maria Furtado de Mendonca mas presuncao nao eh ciencia exata. Pode tambem nao ser. Alias, na genealogia baiana ela encontra-se como mae de seis filhos. Em ordem de nascimentos: Agostinho, Guilherme, Fernao, Antonia, Cosma e Francisco Monteiro. Nao ha Jeronimo, Celia, e Cecilia, que alguns autores consideram como filha ou parente proxima e nao nora.

E isso talvez seja o indicativo da existencia de uma outra familia que o Luiz Barbalho Bezerra possa ter tido e tenha ficado esquecida pelos historiadores. No site geneall.net Portugal os nomes postos para pais de Maria Furtado de Mendonca sao: Pedro Carreiro Salema e Maria Nunes de Andrade. Estes nomes contradizem toda literatura brasileira que consultei e que afirma serem: Aires Furtado de Mendonca e Cecilia de Andrade Carneiro.

Ha duas hipoteses que podem lancar luz a essa questao. Pedro Carreiro e Maria Nunes poderiam ter sido Cristaos-Novos e terem sido obrigados a converter-se ao catolicismo pelo primeiro visitador da Inquisicao no Brasil e terem sido batizados com os nomes que permaneceram na genealogia brasileira. A visita de Heitor Furtado de Mendonca a Pernambuco se deu em 1595, ano do suposto nascimento de Maria Furtado de Mendonca. O pai dela poderia ter adotado o nome de batismo de Aires Furtado de Mendonca para provar a conversao completa e submissao ao inquisidor. Esta hipotese, embora pareca lunatica, nao foge `a realidade da epoca. Ele teria que optar entre a submissao e as tortura e morte.

Contudo, penso que o mais provavel ter acontecido eh os diligentes mantenedores do site http://www.geneall.net Portugal terem cometido uma distracao e nao ter observado a discrepancia. Pedro Carreiro Salema e Maria Nunes de Andrade realmente poderiam ter sido sogros do Luiz Barbalho Bezerra num possivel primeiro casamento deste. Como era muito comum acontecer de as mulheres falecerem durante ou posterior ao parto, em consequencia dos riscos para a epoca, ele poderia ter ficado viuvo antes do casamento com Maria Furtado. Neste caso, os genealogistas do GeneAll.net podem ter se enganado e dado por pais `a esposa trocada.

Essa hipotese poria luz `a necessidade de o Jeronimo Barbalho Bezerra ter nascido mais proximo dos anos 1600 para que em torno de 1625 pudesse ter-se tornado pai de Agostinho Barbalho Bezerra (o sobrinho), tambem em um possivel primeiro casamento ou, senao, num caso simples de convivio extra-marital, muitissimo comum `a epoca. Somente assim um suposto “filho do governador Jeronimo Barbalho Bezerra” teria idade para casar-se com d. Beatriz de Lemos, batizada em 1627.

Esta hipotese tambem poria luz no sobrenome Carreiro para a filha de Luiz Barbalho Bezerra, Celia. Ou seja, ela seria irma completa do Jeronimo e meio-irma dos outros acima mencionados. Quanto `a Cecilia, nao ha explicacao alguma para ela ter sido filha do Luiz. Porem, podendo acontecer de terem sido duas Cecilias. A Barbosa, suposta esposa do Agostinho Barbalho Bezerra, tio; e a Barbalho, a viuva que tornou-se a mentora intelectual da criacao do primeiro Convento feminino da Cidade do Rio de Janeiro. O que penso eh que elas sejam uma unica pessoa.

Vou copiar alguns dados biograficos creditados ao Agostinho Barbalho Bezerra, tio, para que compreendam porque acredito que os historiadores misturaram as biografias dele e do sobrinho, caso este tenha mesmo existido. As duas primeiras estao tambem em outros, porem, estou copiando do: http://pt.wikipedia.org/wiki/Agostinho_Barbalho_Bezerra:

“Fernando de Camargo, Eu El-Rei vos envio muito saudar. Bem sei que nao e necessario persuadir-vos a que concorrais de vossa parte com o que for necessario para o descobrimento das Minas a que envio Agostinho Barbalho Bezerra, considerando ser natural desse Estado e que como tal mostra particular desejo dos aumentos dele e esperando pela experiencia que tenho do bem com que ate agora me serviu, que assim o fara em tudo o que lhe encarregar, porque pela noticia que me tem chegado do vosso zelo e de como vos houvestes em muitas ocasioes do meu servico me faz certo vos disporeis a me fazer este e ele vos dira o que convir para este efeito. Encomendo-vos que facais toda assistencia para que se consiga com o bom fim o que tanto desejo, o que eu quisera ver conseguido no tempo e posse destes meus reinos, entendendo que, hei de ter muito particular lembranca de tudo que fizerdes nesta materia, para vos fazer merce e honra, que espero me saibais merecer.”

Nesta parte eu saliento os dizeres: “para o descobrimento das Minas a que envio Agostinho Barbalho Bezerra, considerando ser natural desse Estado e que como tal mostra particular desejo dos aumentos dele”, porque nao da para discernir se o rei (Afonso VI) referia-se a Agostinho ou ao proprio Fernando Camargo. O Agostinho tio era pernambucano e o Agostinho sobrinho nasceu no Rio de Janeiro, portanto, era natural daquele Estado. `A epoca, 1663, nao havia divisoes politicas entre Rio de Janeiro e Sao Paulo. Tudo estava incluindo na Capitania de Sao Vicente.

Na sequencia do texto acima citado ha essa missiva do conde de Obidos escrita ao governador do Rio de Janeiro, Pedro de Melo, referindo-se ao mesmo Agostinho que fora nomeado pelo rei como “cacador das esmeraldas”. Depois esse titulo foi passado para Fernao Dias Pais Leme. Segue o texto:

“Tudo isso de Agostinho Barbalho e uma va ambicao e vas quantas promessas ha feito nas minas, por cuja causa e certo nao deve ser a tencao de Sua Majestade que se lhe paguem soldos. Ele entra de pes de la a pedir o que consta do rol que Vossa Senhoria me enviou; pouco a pouco ha de querer ir introduzindo nos soldos, que de nenhuma maneira convem se lhe paguem; Vossa Senhoria tem satisfeito a carta de Sua Majestade no que te aqui tem obrado; sou de parecer que se lhe nao de mais cousa alguma; que ja com o que tem recebido se nao pode desculpar nem Vossa Senhoria deixar de ser o instrumento de todo o bom sucesso que tiver, se acaso for mais feliz a sua confianca do que hao sido as diligencias de Salvador Correia, impossivel que so podera vencer sem esperanca a fortuna de Sua Majestade; pelo que Vossa Senhoria suspenda o concurso de tudo o mais que lhe pedir.”

Essa indisposicao do conde de Obidos mostra duas possibilidades. A primeira sera que se pode colocar duvida quanto a esse Agostinho ser o tio porque diante do alto prestigio que ele gozava como homem que lutou na Guerra dos Holandeses, na Restauracao da Monarquia Portuguesa e na ponderacao com que comportou durante a Revolta da Cachaca, nao seria inteligente da parte do conde escrever algo desse nivel. Como dizia o antigo ditado: “O que se fala nao se escreve.”

Por outro lado, esta ai a comunicacao entre dois partidarios do velho Salvador Correia de Sa e Benevides. A Revolta da Cachaca aconteceu contra este ultimo e houvera sido liderada por Jeronimo Barbalho Bezerra, o suposto pai do Agostinho, sobrinho. Seria mais facil as iras se aflorarem contra este do que contra o tio.

O conde de Obidos, d. Vasco Mascarenhas, foi governador do Brasil e das Indias, tornando-se vice-rei do Brasil de 1663 ate 1667. Este eh o exato periodo entre a nomeacao de Agostinho e o falecimento de ambos. Em escrito anterior eu cometi o engano de atribuir o conteudo dessa missiva ao governador Pedro de Melo quando na verdade ele era o recipiente dela.

No “Diccionario Biographico de Pernambucanos Celebres”, de autoria de Francisco Augusto Pereira da Costa, encontram-se pistas que ajudam a discernir as personalidades dos Agostinhos tio e do sobrinho. E tambem de suas vidas privadas. Extrairei alguns pontos da biografia de Agostinho Barbalho Bezerra e os leitores perceberao ate onde quero chegar:

“Agostinho Barbalho Bezerra, bem jovem ainda, achou-se envolvido nas lutas marciais da invasao hollandeza em Pernambuco…”

“Occupada esta provincia em 1630 pelo exercito hollandez, seu pae que entao estava no comeco de sua carreira militar, apresentou-se ao general Mathias de Albuquerque, com os seus escravos e criados, mantidos a sua custa e sem remuneracao alguma pelo estado, e offerece os servicos de todos pela cauza da patria;…”

“A heroica defesa do Arraial do Bom Jesus, os feitos da Varzea do Capibaribe, de Serinhaem e outros, foram testemunhas do valor de Agostinho Barbalho Bezerra. Cahindo prisioneiro em poder dos hollandezes, por dous annos esteve privado de sua liberdade; mas conseguindo-a, elle apresenta-se de novo no exercito no anno de 1639, entao ja possuindo as dragonas de capitao de infantaria que lhe conferira o Conde de Torre.”

“Estava entao em Portugal travada a luta renhida com a Hespanha. Agostinho Barbalho sobe aos regios pacos de D. Joao IV, e offerece os seus servicos em defesa da causa da liberdade portugueza. Parte sem demora para o Alentejo, acompanhado de criados e cavalleiros mantidos a sua custa, e nos oito dias em que o Marquez de Torre-Cusa teve sitiada a praca de Elvas, Agostinho Barbalho achou-se em todos os combates que se deram.

Recebendo entao a noticia do fallecimento de seu pae na cidade do Rio de Janeiro, Agostinho Barbalho parte para essa provincia, e ahi se demora por algum tempo residindo na freguezia de Sao Goncalo, onde possuia uma fazenda.”

“Poucos dias depois da partida de Sa e Benevides, amotinou-se o povo contra elle, negando-lhe obediencia, depondo e prendendo o seu delegado; e apoiado pela Camara, proclamaram governador a Agostinho Barbalho, Elle nega-se a annuir aos desejos dos revoltosos, refugia-se no convento de S. Francisco, mas elle era o unico homem que merecia as sympathias e confianca do povo e do Senado da Camara.

O povo procura-o, descobre-o afinal, insta para que acceite o cargo que a sua confianca nelle depositava e elle resiste; mas esgotada a paciencia e os meios suasorios, vem a ameaca, a forca, e Agostinho Barbalho, entre a morte e o governo, acceita por fim o mandato popular.”

“Voltando Salvador Correia, e assumindo o governo, remetteu presos para Lisboa Agostinho Barbalho e os autores do levante; mas reconhecendo El-Rei a sua innocencia, permittiu-lhe a volta para o Rio de Janeiro, e honrou-o com a doacao da capitania de Santa Catharina.

A prudencia com que se houve Agostinho Barbalho no seu ephemero governo, aquietou e serenou os animos populares, correndo nao poucas vezes a sua vida, grandes riscos e perigos. No anno de 1662, ja Agostinho Barbalho achava-se de novo em Portugal militando na campanha do Alentejo, acompanhado de criados e cavallos mantidos a sua custa.”

“Na guerra da invasao hollandeza em Pernambuco, e na guerra da restauracao de Portugal do dominio de Hespanha, Agostinho Barbalho Bezerra conquistara titulos taes de benemerencia e de honra, que jamais o seu nome deixara de figurar entre os homens illustres de um e outro paiz.”

“No Rio de Janeiro casara-se Agostinho Barbalho com D. Cecilia Barbosa, e ahi fallecendo, legou a sua esposa e filhas fortuna tao mediocre, que apenas a salvara da pobreza. A data do fallecimento de Agostinho Barbalho Bezerra e desconhecida; mas em 1675 elle ja nao pertencia ao numero dos vivos, pois a 25 de Julho desse anno, sua viuva D. Cecilia Barbosa deu comeco a fundacao de um recolhimento na ermida de Nossa Senhora d’Ajuda, na cidade do Rio de Janeiro, para suas filhas, para si, e para donzellas e senhoras que quizessem viver em clausura, e separadas e desprendidas do seculo, consagradas exclusivamente a Deus.”

“Balthazar da Silva Lisboa, tratando nos seus annaes do Rio de Janeiro, de Luiz Barbalho Bezerra, consagrou estas palavras a memoria de seu filho: Elle deixou a sua imagem e semelhanca em Agostinho Barbalho Bezerra, o bravo debellador dos corsarios que infestavam as costas, tendo logar distincto na apotheose entre os seus patricios pelas suas virtudes, valor, generosidade, e acerto nos negocios; serviu tambem de administrador geral das minas e por seus bons servicos obteve alvara de commenda.”

Enganei-me quanto a ter encontrado a data de 1609 para o nascimento de Agostinho tio nesta biografia. Ela nao menciona data de nascimento mas agora recordei-me que encontrei essa informacao solta nalgum endereco outro da internet.

A publicacao eh de 1882 e contem 804 paginas de biografias de pernambucanos ilustres. Apenas as biografias de Agostinho e Luiz Barbalho Bezerra, das pessoas dessa assinatura, sao encontradas la. Existem varios Barreto, Andrade e Bezerra que devem ter algum grau de parentesco com as personalidades que estou investigando. Porem seria um trabalho um tanto arduo fazer uma busca completa. Conservei a grafia de epoca que nao eh tao diferente da atual. Pelo menos, os sons sao os mesmos e isso nao dificulta tanto a leitura.

A biografia dedicada a Luiz Barbalho Bezerra eh tambem reveladora quanto `a importancia do personagem para a Historia Brasileira. Revela bons detalhes dos combates que se deram contra os holandeses e que equiparam o exercito brasileiro com conhecimentos taticos que levaram posteriormente `a completa expulsao dos invasores. Conhecendo esses detalhes todos torna-se imcompreensivel o porque de os nomes de tais defensores da patria brasileira terem sido expurgados dos livros oficiais de Historia Brasileira!

Nestas minhas idas e vindas, mergulhos estes nem sempre em total estado de alerta, encontrei a informacao de que Agostinho Barbalho Bezerra havia requerido junto ao Conselho Ultramarinho o cargo de Correio-Mor do Brasil. Porem houve um desencontro de informacoes em que o cargo de correios gerais, exceto das Indias orientais, ja haviam sido concedidos a Luis Gomes da Mata. A maior parte da trama pode ser visualizada no endereco: http://historiapostal.blogspot.com/2008/02/o-ofcio-de-correio-mor-de-mar-e-terra.html.

O texto mostra os passos tomados por Agostinho Barbalho, o tio, para obter varios favores da coroa. Porem, sua peticao para Correio-Mor eh contestada por Luis da Mata. E ele faz uma treplica com mais alegacoes a seu favor, entre elas: “lhe faça V. Maj. mercê do posto de Mestre de Campo da mesma praça e do cargo de Administrador das Minas, em que pela experiência que dela tem, espera fazer um grande serviço a V. Maj”.

E, antes disso, tinha levantado um argumento que muito me havia intrigado. Isso ele disse: “gastando nelas não só a fazenda, mas até a mesmo a vida, por cuja causa ficaram seus filhos falta dela e ele Agostinho Barbalho, com o encargo de três irmãs e uma mãe que está obrigado a amparar.” Este foi o argumento mais forte porque ele nao apenas tinha gasto toda sua vida com o servico `a coroa, Portugal e Brasil, tambem tinha empregado o seu proprio meio de vida que era a fazenda.

Mas a informacao que mais me havia chamado a atencao fora a de que estava obrigado a amparar a propria mae e tres irmas. Na primeira vez que li isso nao observei que se tratavam de irmas e enxerguei irmaos. O que obrigatoriamente incluiria pelo menos um homem. O fato eh este, ate agora nao encontrei dados genealogicos de irmas, e muito menos irmaos, que o Agostinho tio pudesse estar obrigado a amparar em 1663. Ou mesmo em 1644, quando do falecimento do pai.

O pai dele, Luiz Barbalho Bezerra, falecera em 1644. Portanto, em 1663, nao poderia ter mais que um filho menor de idade. A esposa dele, d. Maria Furtado de Mendonca, segundo me consta, nasceu por volta de 1595. Em 1644 estaria por volta dos 49 anos de idade. Se se tivesse casado novamente, nao teria filhos.

Por outro lado, eles foram para o Rio de Janeiro em 1643. Os dados genealogicos que tenho sao provenientes da Bahia que nao mencionam em hipotese alguma tais irmas. Elas poderiam ter nascido em Pernambuco, como nasceram os 6 acima citados, mais o Jeronimo e Celia, que nao posso afirmar que fossem filhos de d. Maria Furtado. Mas teriam que ter vivido na Bahia junto com toda a familia, durante o periodo das Invasoes Holandesas. Ai nao creio que todas passariam despercebidas dos geneologistas.

Em razao dessa alegacao de ter mae e tres irmas para amparar, pensei poder tratar-se mais razoavelmente do Agostinho sobrinho. Porem o texto da historia postal nao deixa duvida quanto ao requerente ser o Agostinho tio. E, em sendo irmas, poderia ele, em tese, sim ter tido tres irmas solteironas para amparar. Embora tenhamos que comprovar que elas existiram.

O fato novo para mim foi a alegacao de os “filhos” ficarem na falta da fazenda. Isso implicaria dizer que o Agostinho tio teve pelo menos uma crianca do sexo masculino. Assunto que me era desconhecido ate entao. Todas as referencias anteriores mencionavam filhas. Como isso eh claramente mencionado tanto na biografia do Agostinho acima quanto na de d. Cecilia abaixo citadas.

Embora minha hipotese perca forca, ainda assim ha que considerar-se a possibilidade de que quem tomou as redeas do empreendimento de pesquisar as minas de materiais preciosos no Brasil tenha sido o Agostinho sobrinho. Uma possibilidade do que possa ter acontecido eh a de o tio ter sublocado este encargo ao sobrinho. Naturalmente porque ele pleiteou diversas atividades ao mesmo tempo, sabendo que ele jamais daria conta de administrar tudo sozinho.

E creio na possibilidade de o tio ter falecido por volta de 1665, um pouco antes do alegado falecimento de 1667. Isso porque mesmo tendo sido negada a ele a concessao de Correio-Mor do Brasil, apos recurso de seu competidor, ele nao retrucou neste periodo. Era certo que ele teria que estar contando com outros para ajuda-lo nos encargos de donatario da Ilha de Santa Catarina, mestre de campo no Rio de Janeiro, “cacador das esmeraldas” no Espirito Santo, administrador das minas de Sao Paulo e administracao dos correios, alem da expectativa de se tornar governador do Rio de Janeiro quando Pedro Melo saisse do cargo. No caso dos correios, a prestacao de servico era publica mas executada por iniciativa privada.

No livro: “Pantheon Fluminense: Esbocos Biographicos” de Presalindo de Lery Santos, paginas 235/6, ha uma curta biografia de d. Cecilia Barbalho. Ali se afirmam dois dados que apontam para a confirmacao de minha hipotese. A primeira eh que ela nasceu “na cidade do Rio de Janeiro a 18 de Novembro de 1613”. A segunda eh a de que foi “casada com Agostinho Barbalho Bezerra, filho do mestre de campo Luiz Barbalho Bezerra”. O material eh de 1880 e esta no google livros.

Por fim temos estas palavras no texto, http://pt.wikipedia.org/wiki/Agostinho_Barbalho_Bezerra: “Era casado com Brites de Lemos, que em fins de 1667 em Lisboa vai requerer o pagamento dos soldos que o Governo devia ao marido e as despesas que fizera com a gente que o acompanhara ao mal-aventurado descobrimento da serra das Esmeraldas.” O inicio deste texto nao deixa duvida quanto `a pretendida biografia ser dedicada ao Agostinho tio, “Era pernambucano, filho de Luis Barbalho Bezerra…”

Essa afirmacao acima contrasta totalmente com a biografia de d. Cecilia, escrita no Pantheon Fluminense: “Morrendo Agostinho Barbalho, Cecilia e suas filhas foram-se mantendo honradamente conforme os recursos de que dispunham; sentia nao poder transportar-se para Portugal, onde suas filhas encontrassem casamentos que satisfizessem os sentimentos aristocraticos que a preocupavam,…”

Como contraponto ha tambem essa informacao na internet, no endereco: http://www.arqnet.pt/dicionario/barbalho.html. Ali temos: “Barbalho Bezerra, (Agostinho); Brasileiro corajoso e empreendedor, que viveu no seculo XVII. Natural de S. Paulo, ignora-se a data do nascimento, e fal. em 1667.” Alguns outros autores consideram o falecimento de Agostinho Barbalho Bezerra, filho de Luiz Barbalho Bezerra, ocorrido por entre 1670 e 1671. Certo eh que houve um falecimento em 1667 que parece ser o do sobrinho.

Naturalmente, o “Natural de S. Paulo” trata-se de uma pequena errata. A Capitania era a de Sao Vicente que somente muito depois veio a ser conhecida como Capitania de Sao Paulo. Era dividida em duas partes: uma que ia de Macae-RJ ate Caraguatatuba-SP e outra entre Bertioga-SP e Cananeia-PR. Entre meio as duas partes existia a de Santo Amaro, entre Bertioga a Caraguatatuba. A cidade do Rio de Janeiro foi fundada dentro desta capitania `a revelia do donatario. Somente depois eh que foram definidos os limites entre Rio, Sao Paulo e Minas Gerais. Se formos olhar o atual mapa do Brasil, o Agostinho sobrinho seria fluminense e nao paulista.

Em 1663, seria mais provavel que o Agostinho sobrinho pudesse alegar que tinha mae e irmas para amparar. Tanto d. Antonia quanto d. Cosma, irmas do Agostinho tio, foram bem casadas e permaneceram na Bahia. Nao tenho noticia de outra irma do Agostinho tio alem da Celia Carreiro, que tambem foi casada e, possivelmente, bem casada. Ja o Agostinho sobrinho deveria ter mae viva, d. Izabel Pedroso, e deve ter tido outras irmas alem de d. Michaela que, em 1663, estaria com 9 anos de idade.

Mas a alegacao do sacrificio da fazenda poderia ter partido tanto de um Agostinho quanto do outro. Se ambos tivessem se referindo a seus pais: Luiz Barbalho Bezerra perdeu todas as suas posses na tentativa de expulsao dos holandeses e o Jeronimo deve ter tido os bens confiscados por Salvador Correia de Sa, durante o contra-golpe, no passar da Revolta da Cachaca.

Bom, nao vejo como, de minha parte isolada, dar solucao a todas as questoes ai levantadas. O certo seria fazer o rastreamento dos dados levantados primeiramente pelo professor Demerval Jose Pimenta. Creio que o melhor caminho seria buscar os documentos por ele mencionados em seu livro, a comecar pelo registro de casamento de Manoel Vaz Barbalho e Josepha Pimenta de Souza. O casamento se deu em Milho Verde, em 18.9.1732. Cidade do Serro, MG.

Ele menciona: “Livro 1o. de casamento da Matriz, fls. 78; livro 1o. de Tapanhoacanga, fls. 100; livro de casamento das capelas filiais de fl. 6v”. Acredito que ele estava se referindo ao casamento propriamente dito; ao registro de nascimento de Isidora Maria da Encarnacao (filha do casal) e ao casamento desta. Somente o primeiro nos bastaria. Este documento sera fundamental para tirarmos outra duvida que foi posta em nossa linhagem genealogica do lado Pimenta de Carvalho. Mais abaixo tratarei exclusivamente dela e voltarei ao assunto.

Encontrando tal registro, espero confirmar os nomes dos pais e avos dos nubentes. Assim constatariamos que os pais do noivo foram Maria da Costa Barbalho e Manoel Aguiar (“viuvo de Ana Pereira de Araujo”). E os avos maternos dele seriam: d. Paschoa Barbalho e Pedro da Costa. O casamento destes ultimos teria se dado “no Rio de Janeiro, em 19 de janeiro de 1668”. Mas nao ha a mencao `a Freguesia ou igreja. E eh justamente desse outro registro que dependemos para comprovarmos quem foram os pais dela e se realmente foi neta do Jeronimo Barbalho Bezerra.

Como nao temos os dados genealogicos completos do Jeronimo Barbalho Bezerra, existe a possibilidade de ele ter nascido por volta de 1630 e ser realmente irmao completo do Agostinho Barbalho Bezerra tio, ou seja, filho do Luiz Barbalho Bezerra e Maria Furtado de Mendonca. Neste caso ele ate poderia ter tido o filho Agostinho Barbalho Bezerra sobrinho, que dificilmente teria se casado com d. Brites de Lemos por esta ter idade por volta da idade do pai dele. Mas, neste caso, d. Paschoa Barbalho poderia ter sido irma deste Agostinho e nao filha.

Seria necessario para isso que o professor Demerval tivesse cometido o engano de da-la por neta do Jeronimo e nao filha. Isso reforcaria a ideia de que partiria mesmo do Agostinho sobrinho alguma solicitacao com a alegacao de ter mae viuva (d. Izabel Pedroso, que ficara viuva em 1661 com o enforcamento do Jeronimo) e tres irmas para amparar. Alem de d. Paschoa e d. Michaela, existiria uma terceira irma ainda nao identificada por mim. Mas nesse ponto reconheco que as minhas consideracoes estao um pouco alem dos fatos mais provaveis. Devemos nos ater `as possibilidades mais simples.

Apenas por curiosidade, devo informar que nosso banco de dados em relacao `a familia no Rio de Janeiro esta crescendo. Varias vezes eu havia visto uma observacao na internet a respeito da existencia de um Francisco Barbalho. Mas so me dignei a buscar quando vi os dados nos passados pelo professor Demerval sendo contestados pelo pesquisador Lenio Richa. Nao necessariamente por ele, mas vi os dados na publicacao assinada por ele. Quando falar a respeito do titulo Pimenta de Carvalho voltarei ao assunto.

Porem, depois de procurar o autor para ver a questao na linhagem Pimenta de Carvalho, verifiquei este enunciado no trabalho dele: “3-6. Inacia Rangel, npv. 1652, f. Rio 1737, cpv. 1672, com Francisco Barbalho, npv. 1641 (possivelmente filho ou neto de Luiz Barbalho Bezerra e Maria Furtado de Mendonca), pais de:…” Procurei-o mais uma vez para informa-lo que a possibilidade se ser filho eh praticamente nula e o mais possivel eh que fosse neto.

O enunciado acima esta no endereco: http://www.genealogiabrasileira.com/titulos_perdidos/cantagalo_ptazercout.htm. A pagina trata de complementos ao titulo Azeredo Coutinhos. Assunto tratado pelos famosos genealogistas Pedro Taques e Luiz Gonzaga da Silva Leme. E o extrato acima esta no capitulo 6o., paragrafo 1o. Isso porque a informacao que tinha a respeito do filho do Luiz Barbalho e Maria Furtado eh mais ampla. Encontrei-a na “Revista Trimensal do Instituto Historico e Geographico Brasileiro, Volume 52, Catalogo Genealogico, pagina 312. Ali temos o extrato:

“6. Francisco Monteiro Barbalho Bezerra, que, diz d’elle o liv. 4 a fl. 304, que trata dos servicos das pessoas deste estado, era fidalgo da casa de Sua Majestade, como era o dito seu pai o mestre de campo Luiz Barbalho Bezerra, e natural de Pernambuco, e que este seu filho Francisco Barbalho Bezerra, de idade de 8 annos, assentou praca de soldado na companhia de seu irmao Agostinho Barbalho Bezerra, uma das do mestre de campo D. Felippe de Moura, com seis cruzados por mez, em 20 de Fevereiro de 1642, e servio de soldado em outras companhias ate 17 de Marco de 1667, em que, passando seu irmao Fernao Barbalho para o servico do sr. Infante D. Pedro, como fica dito, entrou o dito Francisco Monteiro Bezerra, ou Barbalho Bezerra, por capitao do forte novo de N. Sra. do Populo do mar, de que era o dito seu irmao Fernao Barbalho, servio n’este ate 1704, que n’este anno, que requeria os seus servicos, faziam 24 annos, 4 mezes e 17 dias, que servia; e e o que d’elle achamos.”

O Forte de Nossa Senhora do Populo, ou Forte de Sao Marcelo, fica dentro da Baia de Todos os Santos, de frente para a centro historico de Salvador. Tem a caracteristica de ser redondo, unico nas Americas. Eh um ponto alto do turismo baiano. Por esse pequeno relatorio pode-se deduzir que este Francisco deve ter se mantido na Bahia, nao indo com os pais para o Rio de Janeiro. E o irmao, que era mais velho que ele, deve ter ficado por tutor. Pode-se ver que o Francisco nasceu em 1634 e, pelas anotacoes baianas, foi o derradeiro de d. Maria Furtado. Tambem que a aposentadoria compulsoria dele se deu aos 70 anos de idade. Infelizmente nao se informa geracao alguma que acaso ele tenha tido. Eh dito apenas que o Fernao nao teve.

O Francisco suspeito de ser filho ou neto do Luiz Barbalho pode ser filho do Jeronimo Barbalho Bezerra. Embora, agora tenhamos que levar em conta a possibilidade de ele ser filho do Agostinho tio. Penso que esta seja uma possibilidade de menor credito porque, exceto por aquela mencao de “filhos” no “historiapostal”, sempre encontrei a expressao filhas, tanto para Agostinho tio quanto para d. Cecilia, esposa dele. E isso reforca a ideia de que o Agostinho sobrinho estivesse envolvido nas pesquisas minerais porque, neste caso, os filhos poderiam ser dele.

Terei que entrar em contato novamente com o pesquisador Lenio Richa, para alerta-lo em relacao `aquela possibilidade nova, para mim.

Nao tenho a intencao de detalhar muito mais essa nossa linhagem Barbalho. Creio que ela tem sido fartamente estudada, pelo menos em direcao `as suas raizes a partir de Luiz Barbalho Bezerra e d. Maria Furtado de Mendonca. Outras linhagens a partir deles tambem devem ter sido bem estudadas por causa de serem ascendentes de grandes nomes da Historia do Brasil, embora, nao ha tanto alarde a esse respeito. A minha preocupacao maior tem que ser a de comprovar primeiro que descendemos deles, o restante sera lucro.

Como ja passei em escrito anterior, atraves do ancestral Antonio Bezerra Felpa de Barbuda nao devera ser dificil comprovar parentesco com o Domingos Bezerra Felpa de Barbuda, que acredito ser irmaos. Pode-se comprovar a linhagem deste segundo que o liga `a familia real portuguesa no endereco: http://familybezerrainternational.blogspot.com/2009/12/fontes-sobre-as-origens-da-familia.html. Basta-nos, entao, confirmar que tiveram ancestral comum na linhagem Bezerra. E dai para tras ja estara tudo mastigado. A linhagem inclusive pode ser acompanhada no site do GeneAll.net Portugal.

A “Revista Trimensal do Instituto Historico e Geographico Brasileiro, Volume 52, Catalogo Genealogico”, mostra nao apenas os filhos do mestre de campo Luiz Barbalho Bezerra e d. Maria Furtado de Mendonca, a partir da pagina 308. Mostra tambem o envolvimento deles com os Ferreiras de Souzas, pagina 313 e os Negreiros de Sergipe do Conde, pagina 308.

Alem disso temos varias outras insercoes, que nao verifiquei a fundo o suficiente para dizer que encontrei todas, como: “N-5. O doutor Joao de Aguiar Villas-Boas, filho de Joao de Aguiar Villas-Boas, n.1, cazou com D. Joana de Souza Barreto, filha do Capitao Jeronimo Moniz Barreto e de sua mulher D. Thereza de Souza, filha de Antonio Ferreira de Souza e de sua mulher D. Antonia Bezerra Barbalho, a fl…, n.5 e seg.” D. Antonia Barbalho era filha do mestre de campo Luiz Barbalho e d. Maria Furtado de Mendonca. Aquilo esta na pagina 359.

Em Monizes do Socorro e Fiuzas, na pagina 373, encontramos: “N-2. Jeronimo Moniz Barreto, filho de Francisco Moniz de Menezes, acima, e de sua mulher D. Maria Lobo de Mendonca, cazou com Thereza de Souza (1), filha de Antonio Ferreira de Souza e de sua mulher D. Antonia Bezerra…”

Nos Maciel e Sa, na pagina 386, esta: “Diego de Sa Soutomaior cazou com D. Francisca Barbalho, filha de Antonio Ferreira de Souza… na capela do Bom Jezus do Socorro em 1o. de Dez. de 1668.”

Mais `a frente, pagina 391, tem-se: “D. Roza Maria de Sa casou com Egas Moniz Barreto, filho de Egas Moniz Barreto e D. Ignez Thereza Barbalho Bezerra…” D. Ignez era filha de Antonio Ferreira e d. Antonia Barbalho Bezerra.

E na pagina 247 encontramos esta informacao: “N-2. Rafael Soares de Franca, filho de Joao Alvares Soares e de sua mulher D. Catharina de Souza, filha de Antonio Pereira de Souza, cavalleiro de habito de Santiago, e de sua mulher D. Antonia Bezerra, filha do mestre de campo Luiz Barbalho Bezerra; foi homem rico e senhor de engenho no rio de Parana-mirim; teve filhos:”

Outro extrato importante eh este: “N-6. Francisco de Negreiros Sueiro, filho de Domingos de Negreiros, n.2, e de sua mulher Maria Pereira, foi cazado com D. Cosma Barbalho, filha do mestre de campo Luiz Barbalho e de sua mulher D. Maria Furtado de Mendonca, a fl…, e teve filhos:”

Para complicar, ou melhor, explicar a minha confianca em que os dados genealogicos pregressos ja estejam fartamente estudados, basta coletar alguns dados encontrados no GeneAll.net Portugal. Para quem nao eh cliente plus do site nao podera visualizar que d. Antonia Barbalho Bezerra eh filha do mestre de campo Luiz Barbalho Bezerra e d. Maria Furtado de Mendonca mas, como sabemos, podemos ver que a filha dela, D. Ignez Thereza Barbalho Bezerra casou-se com o nobre Egas Moniz Barreto e deles descendem:

1. Jose Joaquim Moniz Barreto de Aragao, 1o. barao de Itapororoca; 2. Maria Amalia Ferrao Moniz Barreto Aragao, que se casou com Frutuoso Vicente Viana, 2o. barao de Rio das Contas; 3. Emilia Augusta Ferrao Moniz Aragao, que se casou com Joaquim Inacio de Aragao Bulcao, 1o. barao de Matuim; 4. Salvador Moniz Barreto de Aragao e Menezes, 1o. Barao de Paraguassu; 5. Francisco Moniz Barreto de Aragao, 2o. barao de Paraguassu; 6. Pedro Moniz Barreto de Aragao, 1o. barao de Rio das Contas; 7. Francisca de Assis Viana Moniz Bandeira, 1a. baronesa de Alenquer e Antonio Araujo de Aragao Bulcao, 3o. barao de Sao Francisco casou-se com duas filhas do 2o. barao de Rio das Contas, sendo elas: Maria Clara e Maria Jose Moniz Viana.

As constatacoes acima foram feitas em uma rapida inspecao. Nao procurei descobrir mais detalhes da genealogia que, mais certamente, levar-me-iam `as muitas autoridades atuais espalhadas pelo Brasil afora. Uma boa referencia de onde devemos encontrar bons dados a respeito da linhagem acima citada sera a obra do genealogista: Antonio de Araujo de Aragao Bulcao Sobrinho (1898 – 1965). Um resumo da biografia dele encontra-se na pagina: http://www.cbg.org.br/patronos_27.html. Ela nos informa que ele escreveu: “Os Tres Baroes de Rio das Contas”, de 1944. E, entre outras, estudou as familias: Soeiro, Villas-Boas, Bandeira, Fiuza, Bulcao e Sa Menezes. Certamente sao as mesmas que se envolveram com a descendencia Barbalho.

Tambem, sera bem provavel que existam os registros de fidalguia de varios membros da familia. Os fidalgos pediam cartas de fidalguia e armas para comprovar seus privilegios junto `as autoridades administrativas do reino. E para a sua expedicao era feito um levantamento genealogico que penso, era registrado nos livros de fidalguia na corte portuguesa e, posteriormente, na brasileira. E foram fidalgos os ancestrais de Luiz Barbalho Bezerra: Francisco Carvalho de Andrade, Pantaleao Monteiro, Antonio Bezerra Felpa de Barbuda, Braz Barbalho Feio e outros.

O proprio Luiz Barbalho Bezerra foi fidalgo da mais alta estirpe brasileira. E os filhos Agostinho, Guilherme, Fernao e, penso, tambem o Jeronimo conquistaram o direito de fidalguia por causa do envolvimento nas guerras contra os holandeses. Ja o Francisco Monteiro, que foi capitao do Forte de Nossa Senhora do Populo, pode ter conquistado o direito de fidalguia apos os combates contra os holandeses, ou pela influencia paterna.

Voltando `a questao da solucao do problema de provarmos que descendemos do padre Policarpo Jose Barbalho e de sua esposa Isidora Francisca de Magalhaes, lembrei-me que existem outros documentos que podem ate “quebrar mais de um galho” em nossas pesquisas. Um deles seria o registro de casamento do Marcal de Magalhaes Barbalho e (H)Ercila Coelho de Andrade. Marcal de M. Barbalho foi um dos filhos do casal Francisco Marcal e Eugenia Maria da Cruz (Coelho). Eles sao a razao de as assinaturas Barbalho e Coelho estarem tao intimamente ligadas. E sao avos maternos do bispo D. Manoel Nunes Coelho tambem.

O registro de casamento deles podera revelar os nomes dos avos paternos do Marcal que, espero, foram Policarpo e Isidora. Marcal e Ercila casaram-se a 05.07.1879, provavelmente, em Guanhaes. Esta data eh um pouco capiciosa para determinarmos com exatidao onde o registro podera se encontrar. A Vila de Sao Miguel de Guanhaes adquiriu o direito de emancipacao em 1875, porem, a instalacao da nova vila so se deu em 9 de setembro de 1879. Marcal de Magalhaes Barbalho foi um dos vereadores eleitos, representando a Paroquia de N. Sra. do Patrocinio de Guanhaes (atual Virginopolis). Antes destas datas, Guanhaes pertencia ao Serro. Portanto, o registro podera encontrar-se em uma ou outra cidades.

A vantagem eh que este documento poderia expor tambem os avos paternos da Eugenia. Neste caso comprovariamos que serao Jose Coelho da Rocha (ou Magalhaes) e Luiza Maria do Espirito Santo e nao Joao e Luiza de Magalhaes como advogam o site sfreinobreza e a Revista Latina de Genealogia.

Nao menos importante, este documento revelaria tambem os avos da “Dindinha Ercila”, como continua a ser tratada por netos, bisnetos e diversas outras geracoes. Segundo nos consta foi filha de Joaquim Coelho de Andrade e Joaquina Umbelina da Fonseca. Nao temos dados anteriores a eles mas a descendencia loira e de olhos verdes seria uma das garantias de que tivessem forte ascendencia goda europeia. E outro indicativo disso foi a tradicao mantida pela descendencia de que “Dindinha Ercila” dizia que era prima do Carlos Drummond de Andrade. A tradicao nao menciona o grau. Ela faleceu em 1937 e nao falava isso por vaidade.

Caso este registro mencionar os nomes dos avos paternos dela, poderemos comparar com a lista de tios-avos ou bisavos do poeta. O mais provavel eh que uma das tias tenha se casado com alguem que assinasse Coelho e, por esta razao, ela ter assinado Coelho de Andrade que herdou do pai. Segundo nossas anotacoes, os pais dela deveriam ter nascido em Itabira e ela propria ja deve ter sido registrada em Guanhaes.

Massageia o nosso ego saber que podemos ter parentesco com um grande poeta como foi o Carlos Drummond de Andrade. Porem, conhecendo o pouco que conheco de genetica, penso ser mais importante para a nossa saude saber que ele e, provavelmente, nos descendemos dos indios brasileiros. Isso nos garante um pouco mais de variabilidade genetica que nao teriamos se fossemos descendentes apenas de europeus puros. Massageia o ego sim, mas consola mais saber que a nossa genetica nao eh tao igual `a de frangos de granja.

Outro registro de casamento que poderia solucionar a questao das paternidades de Francisco Marcal e Eugenia Coelho seria o de Ambrosina de Magalhaes Barbalho e Miguel Nunes Coelho. Eles foram os pais do bispo D. Manoel Nunes Coelho. Casaram-se em Virginopolis, porem, eh possivel que o registro tenha se dado nos livros de Guanhaes. Devem ter casado tambem em 1879, ou em 1880.

O mesmo se daria com o registro de casamento de mais uma filha de Francisco Marcal e Eugenia Maria. Trata-se de Candida de Magalhaes Barbalho, mais conhecida pelo apelido de Sa Candinha, com Joao Batista Magalhaes, mais conhecido como tio Joaozinho. Este casamento se deu em 30.06.1883, tambem em Virginopolis. Mas o registro pode tambem estar em Guanhaes. Pelo lado de Sa Candinha devera revelar que seus avos paternos serao Policarpo e Isidora e, pelo materno, Jose e Luiza Maria.

Ja pelo lado do tio Joaozinho ha que se torcer que o escrivao tenha ignorado o que se tinha por costume e escrito a verdade. Isso porque ele era bisneto do padre Policarpo e Isidora, porem, atraves do filho Jose de Magalhaes Barbalho. Deste nao temos ainda o registro. O Jose foi pai de Anna, que ficou na memoria da descendencia como Sinh’Anna de Magalhaes. A Sinh’Anna engravidou de alguem em Itabira e foi enviada para Guanhaes, para que os tios dela, padre Emigdio e Francisco Marcal, tomassem conta.

Antes mesmo de ela dar `a luz, parece que os tios acertaram o casamento dela com um certo Domingos. Quando tio Joaozinho nasceu foi criado como se fosse filho dessa pessoa. Inclusive era chamado de Joao do Domingos, que acabou sendo abreviado para Joao Domingos, embora nunca tenha assinado o Domingos como nome. O normal acontecer em casos como estes seria os escrivaes deixarem em branco o espaco para os pais biologicos. E isso ocultava parte da historia genetica das pessoas. Portanto, se o escrivao no caso quebrou a regra, devemos entao ficar sabendo quem foi o pai do tio Joaozinho e, talvez, o nome da avo materna. Sabemos que a mae da Sinh’Anna tinha origem africana porque ela foi mulata, mas nao lhe temos sequer o primeiro nome.

Outra explicacao que ocorreu-me para o fato de o nome Isidora ter sido trocado por Genoveva como mae do Francisco Marcal na Revista Latina de Genealogia e no sfreinobreza eh a de que a Isidora Francisca de Magalhaes pudesse ser conhecida como Isidora ou Francisca da Genoveva. Isso porque a mae dela chamava-se Genoveva Nunes Filgueiras, ou Ferreira. Como a tendencia popular eh de simplificar os nomes, pode ser que as pessoas que a conheceram acabaram optando por chama-la de Vita, como diminutivo de Genoveva, ao inves de Dorinha ou Chiquinha.

Com isso, seus netos e bisnetos lembrar-se-iam mais de ouvirem ter falado de Vita, principalmente porque haviam algumas descendentes que receberam o nome Vita como homenagem a ela. Quando tentaram lembrar-se do nome a partir do apelido acabaram celebrando o Genoveva e nao Isidora Francisca. E a unica solucao para o problema agora sera encontrarmos documentos mais antigos que tenham as anotacoes corretas. De preferencia, os do tempo em que ela ainda estava viva.

O SOBRENOME PIMENTA DE CARVALHO

Comecarei a partir daquei copiando parte da pagina 253 do livro do professor Demerval Jose Pimenta. Paricularmente a parte que ele deu nome de “Ascendentes de Josefa Pimenta”. Vamos la entao:

“I – Capitao MANOEL PIMENTA DE CARVALHO, nascido em Vila Vicosa, Alentejo em Portugal, por volta de 1610 e falecido no Rio (Candelaria 2o., 25v), a 3-5-1676; foi casado nos anos de 1640, com MARIA DE ANDRADE, nascida por volta de 1622, filha de BELCHIOR DE ANDRADE e de MARIA CARDOSO. Deste casal nasceram varios filhos, entre os quais:

II – BELCHIOR PIMENTA DE CARVALHO, casado no Rio (Campo Grande, 3o., 60v) em 6-7-1693, na Capela de Sao Joao do Tarairaponga, com FRANCISCA DE ALMEIDA, nascida no Rio (Iraja 6o., 37), batizada em 2-5-1677, sendo filha de AMARO DE AGUIAR e de FRANCISCA DE ALMEIDA.

Pais de:

III – BELCHIOR PIMENTA DE CARVALHO, nascido no Rio (Iraja 6o.v), batizado a 10-4-1691, casado em primeiras nupcias no Rio (Guaratiba 3o. 4v) a 25-10-1616, na Capela de Nossa Senhora da Conceicao, com URSULA TELES DE MENEZES, nascida no Rio e ali falecida a 23-10-1727. Deste primeiro matrimonio, nasceram dois filhos: JOAO PIMENTA DE MENEZES e MATIAS PIMENTA TELES. Em segunda nupcias, casou-se com MARIA COUTINHO DE MOURA, com a qual teve varios filhos. Alem desses filhos, BELCHIOR PIMENTA DE CARVALHO, era pai de uma filha, nascida no Rio por volta de 1716 e criada desde crianca, em sua propria residencia. Esta sua filha chamava-se:

IV – JOSEFA PIMENTA DE SOUZA, nascida no Rio, nos anos de 1716, criada e educada na residencia de seu pai, tendo sido batizada na Freguesia de Nossa Senhora do Mosteiro, do Rio de Janeiro; casou-se aos 18-9-1732, na Capela de Nossa Senhora dos Prazeres de Milho Verde, em Minas Gerais, com MANOEL VAZ BARBALHO (Livro 1o. de casamento da Matriz, fls. 78; livro 1o. de Tapanhoacanga, fls 100; livro de casamento das capelas filiais de fl. 6v) conforme consta do arquivo do Alferes LUIZ ANTONIO PINTO.”

O que levantou a duvida quanto a esta linhagem genealogica descoberta pelo professor Pimenta em estar correta foi um pequeno trecho que extrai do pagina: http://www.genealogiabrasileira.com/titulos_perdidos/cantagalo_ptmoreiras.htm. A pagina pertence ao site do genealogista Lenio L. Richa e o que chamou-me a atencao esta no Capitulo 4o., paragrafo 3o.:

“5-2 Maria Coutinho de Moura, b. Jacarepagua, Rio, 1705, c. 1738, com Belchior Pimenta de Carvalho (viuvo de Ursula Teles de Menezes), n. Iraja, f. de Joao Pimenta de Carvalho e Maria Machado, com pelo menos (CR, 2, 134 e 341).”

Foi esse trechinho que fez-me contatar aquele genealogista para alertar a respeito do fato de que havia o conflito de informacoes com o livro “A Mata do Pecanha”. Nao conseguimos ainda sanar a duvida. Os dados que ele tinha procediam do trabalho do genealogista Carlos Rheingantz (abreviado por CR, nas anotacoes dele).

O CR foi quem fez um grande trabalho de coleta genealogica no Rio de Janeiro e ate parece que foi o mesmo quem criou um arquivo de fichario com anotacoes dos documentos por ele pesquisados e que eh referencia para muitos pesquisadores. O fichario eh propriedade do Colegio Brasileiro de Genealogia, CBG, situado no Rio de Janeiro. E o proprio professor Demerval mencionou esse fichario em suas pesquisas.

O Lenio L. Richa e eu concordamos com a possibilidade de o CR ter-se enganado quanto a fazer a troca de casais (Belchior Pimenta de Carvalho e Francisca de Almeida pelo Joao Pimenta de Carvalho e Maria Machado), porem, ha que se lembrar que genealogia eh um trabalho melindroso e a possibilidade de engano eh igual para ambas as partes. Sera preciso manter a mente aberta para aceitar-se qualquer que for o resultado correto.

E, pelo que vemos, as consultas do professor Pimenta foram feitas nao diretamente nos livros de registros paroquiais e sim nos arquivos do alferes Luiz Antonio Pinto. Segundo um comentario, se nao me engano do proprio professor Pimenta, este arquivo andou perdido e talvez nao se encontre completo. Contudo, seja la o que restou dele, encontra-se no Arquivo Publico Mineiro – APM -, em Belo Horizonte. Assim, ha a opcao de pesquisar-se nas duas fontes: paroquiais no Serro e Arquivos no APM.

O Arquivo do alferes Luiz Antonio Pinto eh vasto e ele deve ter sido o primeiro genealogista a coletar dados e organizar genealogias da populacao do Centro-Nordeste de Minas Gerais. Ele nasceu em 1841 e foi jornalista no Serro na maior parte de sua vida. Tinha o bom costume de armar arvores genealogicas dos conhecidos e registrou diversas familias da regiao. Faleceu no ano de 1924 deixando uma vasta obra nessa area.

Entre as familias pesquisadas encontram-se: Pereira, Melo, Rodrigues, Araujo, Silva, Pinheiro, Carvalho, Miranda, Gomes, Africa, Brant, Leal, Vargas, Chagas, Borges, Pinto, Coelho, Dumont, Andrade, Oliveira, Sanches etc. Praticamente todas sao do nosso direto interesse por estarem interligadas com a descendencia de nossos ancestrais, senao nos troncos no passado com certeza nos ramos do presente.

Mesmo antes de ter conhecimento desse desacordo, vez por outra eu encontrava a mencao ao nome de algumas pessoas dessa linhagem e ja estava ajuntando alguns dados, no intuito de completa-la porque tinha a impressao de que estava proximo a encontrar algum fio perdido da meada que nos levasse a outras ligacoes com as familias reais da Peninsula Iberica. Ja havia encontrado outras versoes do trecho que copiarei abaixo. Resolvi posta-lo por considera-lo o mais completo.

Isto encontra-se na “Revista do Instituto Historico e Geografico Brasileiro – Volume 34 – Parte Segunda, pagina 165 – Capitulo V e ultimo. Trata-se do Titulo Rendons, retirado da obra “Nobiliarquia Paulistana Historica e Genealogica” de Pedro Taques de Almeida Pais Leme, que eh o genealogista referencia dos tempos coloniais. Ele nasceu em 1714 e faleceu em 1777, portanto, bem proximo do tempo que os mais antigos que temos noticia dessa linhagem, em documentos brasileiros, viveram. Segue entao:

“1 – 5. D. Anna de Alarcao e Luna, nasceu em S. Paulo e de um mesmo parto com seu irmao D. Jose Rendon, supra. Na companhia de seu pai D. Joao Matheus Rendon pelos annos de 1655, se recolheu ao Rio de Janeiro. Este fidalgo viuvou pelos annos de 1646 em S. Paulo, onde segunda vez casou com D. Catharina Goes de Siqueira, como adiante mostramos, e com ella se passou para a capitania do Rio de Janeiro, onde ja era morador desde 1651 seu irmao D. Jose Rendon de Quebedo, do n. 3o. adiante, como alli tratamos. No Rio de Janeiro casou D. Anna de Alarcao e Luna com Ignacio de Andrade Souto Maior (*D’aqui por diante vai esta descendencia copiada de um titulo de Rendons feita pelo Illmo. Sr. Joao Siqueira Ramos em 1746, que me foi confiado depois de sua morte) senhor da casa de Jerecino com sete engenhos, capitao e muitas vezes vereador da mesma cidade, filho de Ignacio de Andrada Machado, natural da Ilha Terceira, d’onde passou ao Rio de Janeiro, o qual era legitimo descendente das familias dos seus apellidos, de cuja origem se trata em titulo de Machados, das ilhas, e de sua mulher Helena de Souto-Maior, chamada a viuva de Pedra, sua parenta e filha de Belchior da Ponte Maciel, da familia dos Pontes Cardoso, da mesma ilha, como se ve em titulo de Pontes:

teve:

paragrafo 1o. Jose de Andrada Souto-Maior
paragrafo 2o. D. Helena de Andrada Souto-Maior

2 – 1. Jose de Andrada Souto-Maior, nasceu no Rio de Janeiro, onde vive neste anno de 1746 senhor da casa de Jerecino, que fora de seus pais. Casou com sua prima D. Anna de Araujo e Andrada, filha de Francisco de Araujo de Andrada e de sua mulher D. Maria de Souro, filha de Joao de Souro, e neta pela parte paterna de Belchior de Andrada e Araujo, natural da Villa de Arcos e capitao no Rio de Janeiro, e de sua mulher Maria Cardoso de Souto-Maior, irma inteira de Helena de Souto-Maior, de quem fallamos acima, cap. 5o.”.

Neste caso, Francisco de Araujo de Andrada foi irmao de Maria de Andrade(a), que foi a esposa de Manoel Pimenta de Carvalho, natural de Villa Vicosa do Alentejo. No paragrafo 2o. temos que D. Helena de Andrada Souto-Maior casou-se com Clemente Pereira de Azeredo Coutinho. A familia Azeredo Coutinho foi uma das mais importantes do Rio de Janeiro dos tempos coloniais e, certamente, tem descendentes em todo o Brasil atualmente.

Existem algumas informacoes importantes para nossa genealogia caso o pesquisador Carlos Rheingantz ter cometido engano e o alferes Luiz Antonio Pinto, copiado pelo professor Demerval, estiver correto. A primeira, ja ha muito que encontrei, eh que Belchior de Andrade, citado no “A Mata do Pecanha” chama-se realmente: Belchior de Andrada e Araujo e procedia da Villa de Arcos “de Valdevez”. Isso ja esta destacado em meu texto: https://val51mabar.wordpress.com/2011/02/24/historico-do-povoamento-mineiro-genealogia-coelho-cidade-por-cidade/, capitulo 70, Arcos de Valdevez.

E agora tambem sabemos que o nome completo da nossa possivel ancestral seria Maria Cardoso de Souto-Maior, irma de “Helena de Souto-Maior, chamada a viuva de Pedra”, e filhas de Belchior da Ponte Maciel, procedente da Ilha Terceira, que faz parte do Arquipelago dos Acores.

Por infelicidade, nao encontrei o tal “titulo Pontes” inteiramente publicado na internet. Porem, pelo que parece, do pouco que pude ver, esse capitulo foi parcialmente perdido ou o autor cometeu algum engano. Parece que diferentemente das outras familias estudadas por Pedro Taques, a familia comeca a partir de ancestrais ja presentes no Brasil e nao traz seus ancestrais dos reinos de Portugal ou Espanha.

A melhor noticia, porem, surgiu do Ancestry.com e do GeneAll.net Portugal. Atraves do primeiro informei-me que Belchior da Ponte Maciel foi casado com Ignez Fernandes e que era descendente de D. Joao Peres de Vasconcelos, o Tenreiro. Se alguem puxar pela memoria de meus escritos anteriores lembrar-se-a que este foi o marido de D. Maria Soares Coelho, filha do D. Soeiro Viegas Coelho, o primeiro a adotar e a repassar essa alcunha aos descendentes e que era bisneto do Egas Moniz, o Aio.

Com estes dado em maos, dei uma rapida olhada no GeneAll.net Portugal e para minha surpresa, ja que nao tinha corrido a ele desde quando soube o nome do pai de Maria Cardoso Souto-Maior, la estava ele e as bolinhas que indicam descender da familia real portuguesa. A quintavo (pentavo) de Belchior da Ponte Maciel, na linhagem Cardoso, foi Maria Nunes de Faria, cuja ascendencia leva ao rei D. Dinis de Portugal e a todas as familias reais europeias e alem. [Ja corrigi abaixo este dado, porque foi descendente de Afonso Dinis, meio-irmao do rei, e filhos do D. Afonso III, outro dos reis de Portugal].

Ou seja, caso comprovada a linhagem genealogica proposta pelo alfere Luiz Antonio Pinto e secundada pelo professor Demerval, ja teremos mais este vinculo com os mesmos ancestrais que ate agora venho encontrando em outras linhagens. Estes resultados, segundo o que venho ha muito propondo, nao sao meras coincidencias. Sao apenas respostas `as probabilidades matematicas de sermos inumeras vezes saidos do mesmo grupo de ancestrais. Quanto mais antigas forem as linhagens, multiplicadas serao as probabilidades de reencontrarmos ancestrais comuns em todas as linhagens.

Bom, alertado por aquela discrepancia expressa nos trabalhos do professor Demerval e do pesquisador Rheingantz, andei procurando pelo nome Joao Pimenta de Carvalho. Como capitulo `aparte, encontrei um Joao Pimenta de Carvalho na Historia Brasileira, completamente distinto da descendencia do Manoel Pimenta de Carvalho, oriundo de Villa Vicosa do Alentejo.

Este Joao Pimenta de Carvalho aparece, entre outros, no endereco: http://www.valedoparaiba.com/cidadesdaregiao_novo/?pagina=cidade&cid=30&menu=111. Trata-se de um site dedicado a Paraty – RJ. Uma rapida biografia dele nos informa que foi o primeiro morador deste local. Foi locotenente da condessa de Vimieiro, d. Mariana de Sousa Guerra, neta de Martim Afonso de Sousa. Tambem foi capitao-mor da Capitania de Sao Vicente.

Este Joao Pimenta de Carvalho faleceu por volta de 1660, bem antes do nosso ancestral Belchior Pimenta de Carvalho, o novo, ter nascido. Foi casado com Maria de Lara que descendia dos Oliveira Gagos de Santos. Nao encontrei na descendencia deste outro Joao Pimenta de Carvalho quem pudesse ocupar o cargo de pai de Belchior. Porem nao posso garantir que nao houvesse nenhum. Ha que se buscar mais porque em Pedro Taques e Silva Leme temos apenas a mencao de que foi casado com Maria Lara, (da nobilissima familia dos Lara, cap. 1o. paragrafo 3o. (3-4) doTitulo Laras, naquelas genealogias), sem a descricao de descendencia.

Porem, o passo mais correto nao eh buscar no sentido dos troncos para a descendencia. Melhor mesmo eh buscar o registro de casamento de Manoel Vaz Barbalho e Josepha Pimenta de Souza para verificar se ha mencao aos nomes dos avos paternos dela. Se houver, teremos a resposta.

Fica aqui tambem o registro do engano do professor Demerval Jose Pimenta que chegou a pensar que a familia Pimenta de Carvalho da qual descendemos tenha sido a unica na epoca colonial no Rio de Janeiro. Temos ai um tronco mais antigo a partir do capitao-mor Joao Pimenta de Carvalho e outro, do capitao Manoel Pimenta de Carvalho, procedente de Villa Vicosa do Alentejo.

Continuando minhas pesquisas encontrei outro Joao Pimenta de Carvalho de interesse. Na pagina 424 encontra-se este enunciado, no endereco na net : http://www.arvore.net.br/Paulistana/ACastanhos.htm:

“6-1 Manoel Pimenta de Sampaio, nobre cidadao do Rio de Janeiro em 1671, sendo entao capitao de ordenanca de Jacarepagua, casado com Anna Joaquina de Menezes, fa. de Francisco Moniz de Albuquerque e de Maria Pimenta de Menezes, n. p. de Pedro Moniz Tello (este irmao de Manoel Pimenta Tello, que foi mestre de campo dos auxiliares no Rio de Janeiro) e de Ignez de Andrade, naturais do Rio de Janeiro, bisn. de Egas Moniz Tello, cavaleiro fidalgo, natural da ilha da Madeira, e de Maria Pimenta de Carvalho (irma direita do revdmo doutor Joao Pimenta de Carvalho, que foi deao da se do Rio de Janeiro); tern. de Manoel Pimenta de Carvalho, natural de Vila Vicosa do Alem Tejo, e de Maria de Andrade, natural do Rio de Janeiro, esta fa. de Belchior de Andrade de Araujo, natural de vila dos Arcos de Valdevez.”

Como sempre, os nossos familiares sao os ultimos. Parece que os membros de nossos troncos familiares no Rio de Janeiro foram considerados de menor importancia pelos genealogistas do passado. Nossos antepassados para eles nao foram “gente boa” o suficiente para constituirem um titulo de genealogia completo, porem, foram bons o suficiente para receberem mencoes honrosas como ancestrais de membros das familias troncos. Nao interessa as razoes que tenham tido os autores, o importante eh que podemos aproveitar as pedrinhas rejeitadas por eles para usa-las como pedras angulares na construcao de nossa Arvore Genealogica.

Neste trecho encontramos dois provaveis irmaos do primeiro Belchior Pimenta de Carvalho encontrado no livro do professor Demerval. D. Maria Pimenta de Carvalho e seu irmao direito, Revmo. Dr. Joao Pimenta de Carvalho, que foi deao da Se do Rio de Janeiro. O Aurelio nos define a palavra deao como: “1. Ecles. Dignitario eclesiastico que preside ao cabido; decano. 2. Decano. 3. Ecles. Coordenador de um grupo de parocos.” E define decano como: “1. O mais antigo ou mais velho dos membros de uma classe, instituicao ou corporacao; deao.”

Entendo, pois, que este Joao Pimenta de Carvalho devia ser o clerigo mais antigo e que possuia uma certa ascendencia sobre seus confrades. Apesar dessa informacao aparentemente elimina-lo como ancestral de alguem por causa do celibato instituido pela Igreja Catolica e rigorosamente fiscalizado naquela epoca da Inquisicao, ha que se manter a mente ligeiramente aberta para uma possibilidade. A de que ele tenha se relacionado com Maria Machado, antes ou mesmo depois de ordenado. Quanto a isso, naquele tempo essas coisas aconteciam e eram melhor toleradas, em nome da Santa Madre Igreja. Exigia-se apenas a discricao no tratamento do assunto entre os paroquianos.

Para acobertar o deslise do irmao, o Belchior Pimenta de Carvalho, o velho, poderia ter adotado como seu proprio filho aquele que seria nosso ancestral. Se algo assim aconteceu, nao alteraria muito a nossa genealogia em termos paternos. Alteraria o lado materno onde teriamos que trocar nossa linhagem Almeida, de d. Francisca de Almeida, para a Machado, de d. Maria Machado. Isso na verdade, possivel, nao muda muito a genetica. Eh provavel que os Almeida e os Machado tivessem muitos ancestrais comuns em Portugal. E isso se tornaria como montar um quebra-cabecas que possui todas as pecas com formatos iguais. Uma peca em ordem trocada mudaria a figura, porem, nao mudaria o formato do conjunto do quadro.

Contudo, mesmo que todas estas minhas conjecturas possam ser entendidas como boas, somente se tornarao grandes hipoteses a partir do momento em que forem comprovadas. Se encontrarmos documentos comprovando a linhagem descrita pelo professor Demerval, algum interessado depois podera buscar o que levou o pesquisador Carlos Rheingantz ao engano, e vice-versa.

As duas versoes cairam como um encruzilhada em nossa genealogia. Nao creio que mudara muita coisa em relacao ao nosso conteudo genealogico tambem porque, embora a encruzilhada nos ofereca dois caminhos diferentes, ambos levarao ao mesmo fim. Supondo que o Joao Pimenta de Carvalho, com Maria Machado, que teria sido pai do Belchior Pimenta de Carvalho, o moco, fosse descendente do capitao-mor Joao Pimenta de Carvalho e nao do Manoel Pimenta de Carvalho, procedente de Vila Vicosa, talvez tenhamos ai somente um pouco mais de trabalho para recompor a nossa Arvore Genealogica, mas o resultado continuara sendo que seremos descendentes das mesmas familias nobres europeias. Senao atraves do proprio capitao-mor, sera atraves de sua esposa que era oriunda dos Oliveira Gago paulistas.

Nos estudos que tenho feito ate agora ja encontrei outros Pimenta de Carvalho no Rio de Janeiro, inclua-se ai (tanto) Joao (quanto Maria), mas nenhum com idade apropriada para encaixar-se em nosso quebra-cabecas. Creio que sejam nossos familiares mas nao tive dados suficientes para comprovar isso. Continuo acreditanto que nao podemos dispensar uma boa lida na obra: “Primeiras Familias do Rio de Janeiro (Seculos XVI e XVII ….) do Carlos Rheingantz.

Nao muito tempo atras, recebi a divulgacao, via CBG, da publicacao de um livro com a genealogia do Bananal. Nome dado a uma das partes das capitanias que deram origem a Rio, Minas e Sao Paulo. Talvez neste tambem encontremos melhores informacoes. Sobretudo a respeito da genealogia do capitao-mor Joao Pimenta de Carvalho.

Caso nao aconteca outra alternativa senao a de sermos mesmo descendentes do Manoel Pimenta de Carvalho e Maria de Andrade, apos comprovada nossa ascendencia em Manoel Vaz Barbalho e Josepha Pimenta de Souza, poderemos buscar o documento “De Genere Et Moribus” do Revmo. Dr. Joao Pimenta de Carvalho. Se o encontrarmos eh provavel que tenhamos um passaporte para encontrarmo-nos com varias raizes da familia.

Ele nasceu na epoca em que Portugal estava sob a Dinastia Filipina, ou seja, estava sob o dominio espanhol, quando a Inquisicao era das mais ferrenhas. Isso implica dizer que antes da ordenacao sua genealogia deve ter sido profundamente investigada para garantir que fosse cristao velho e “sem manchas judaizantes” ou que os ancestrais estiveram envolvidos em qualquer acusacao de sacrilegios. Dai podemos esperar descobrir quem na epoca eram nossos ancestrais em Arcos de Valdevez, Vila Vicosa e no proprio Rio de Janeiro e outros. No caso da Ilha Terceira a “onca ja eh morta”, no caso dos ancestrais de Belchior da Ponte Maciel. Porem, temos outros ancestrais de la.

Eh possivel que mesmo fazendo a troca do casal Belchior Pimenta de Carvalho e Francisca de Almeida pelo Joao Pimenta de Carvalho e Maria Cardoso a nossa genealogia nao ira alterar-se sensivelmente. O sobrenome Machado, tanto quanto o Almeida, estao mesclados com varias das familias primeiro-chegadas ao Brasil. Sera bem possivel que trocando um pelo outro mudaremos algumas pecas do nosso quebra-cabecas de lugar mas logo descobriremos que haverao ancestrais comuns a ambos em suas raizes portuguesas. Seria bom encontrarmos a verdade porque isso retificaria os caminhos genealogicos, contudo, muito pouco devera alterar geneticamente falando. Mesmo que o nosso possivel ancestral Joao Pimenta de Carvalho seja outro que nao estes que ja identificamos.

Como diz o antigo ditado: “Todos os caminhos levam a Roma.” (E o novo que acabo de inventar: “Se correr o bicho pega, se ficar o bicho vaticana.” Um dia explicarei o senso de humor nisso ai). Eu mencionei anteriormente o fato de todas as linhagens genealogicas tenderem para convergir para ancestrais comuns. Mesmo que partamos de linhagens diferentes haverao sempre muitos encontros no final. E pelo que observei dos nossos possiveis ancestrais a partir de Belchior da Ponte Maciel e Ignez Fernandes, nos teremos, repetidamente, os mesmos ancestrais.

Digo isso porque se encontrarmos o nosso vinculo de parentesco com o poeta Carlos Drummond de Andrade, a genealogia dele, ja tao bem estudada, nos informara que descendemos inumeras vezes da familia real portuguesa, particularmente do rei D. Dinis e, em consequencia, de Henri de Bourgogne e Tereza de Leon. Ou seja, os mesmos ancestrais que a familia Barbalho repetira, caso comprovado que o nosso ancestral Antonio Bezerra Felpa de Barbuda, nascido em Ponte de Lima, seja irmao ou primo do Domingos Bezerra Felpa de Barbuda, natural da vizinha Viana do Castelo.

Ambos, alem de, certamente, parentes proximos entre si foram concunhados. O primeiro casou-se com Maria de Araujo e o segundo com Brazia Monteiro, filhas do fidalgo Pantaleao Monteiro e Brazia de Araujo. O Bezerra, segundo o familybezerrainternational tambem descende do casal Henri de Bourgogne e Tereza de Leon. Diga-se de passagem, sao os pais de D. Afonso Henriques, primeiro rei de Portugal.

Como afirmei anteriormente, isso nada tem o que ver com coincidencia e sim com um fato derivado da probabilidade matematica. No caso de comprovar-se a tradicao de que os descendentes Furtado Leite do Centro-Nordeste de Minas Gerais sao descendentes de Jose Feliciano Pinto Coelho da Cunha, o barao de Cocais, terao repetidamente os mesmos ancestrais.

Por fim, se as tradicoes que dizem que os Coelho, descendentes do alferes Jose Coelho de Magalhaes, falharem e nao forem descendentes do personagem historico em Minas Gerais: Manoel Rodrigues Coelho, e sim de Bernardo Antonio Pinto de Mesquita e Ana Josefa de Magalhaes Pinto, teremos a constatacao imediata de que voltaremos aos mesmos ancestrais, atraves dos reis dos quais eles descendem. E se a tradicao estiver correta, talvez teriamos apenas um pouco mais de trabalho para comprovar que Manoel Rodrigues Coelho tambem tinha os mesmos ancestrais.

O fato eh este, “nada acontece por acaso”. O “mundo eh que eh pequeno” demais para que estas “falsas coincidencias” nao se cansem de repetir.

Vou postar aqui tambem uma observacao deixada pelo professor Demerval Pimenta, na pagina 254 de seu livro: “A Mata do Pecanha, sua Historia e sua Gente”.

“Do estudo que acabamos de proceder sobre a descendencia do casal MANOEL VAZ BARBALHO e JOSEFA PIMENTA DE SOUZA, verificamos que este casal, entre outros, teve uma filha de nome ISIDORA MARIA DA ENCARNACAO, casada naquele mesmo Arraial, com o portugues Capitao ANTONIO FRANCISCO DE CARVALHO. Foi nos dado constatar que este ultimo casal teve nove filhos, [Joao, 1761; Vitoriana, 1762; Antonio, 1764; Luciano, 1766; Mariana, 1767; Jose, 1769; Francisco, 1771; Bernardo, 1776 e Boaventura Jose Pimenta, 1779] mas, somente de dois deles, VITORIANA e BOAVENTURA, pudemos obter dados sobre os seus descendentes, os quais receberam o sobrenome de JOSE PIMENTA, herdados de JOSEFA PIMENTA. Face a esta cisrcunstancia supomos que os demais filhos do casal MANOEL VAZ BARBALHO e JOSEFA PIMENTA bem como seus outros netos, filhos que eram de ISIDORA MARIA DA ENCARNACAO, tenham tambem recebido o sobrenome de JOSE PIMENTA, derivado da avo JOSEFA. Ha fortes indicios de que as varias familias PIMENTA residentes no Norte e Nordeste de Minas se originaram de Sao Jose do Tapanhoacanga e de Milho Verde. Todavia, nao desprezamos a hipotese de que alguns dos possiveis filhos do casal MANOEL e JOSEFA tenham usado o sobrenome de PIMENTA BARBALHO ou VAZ BARBALHO, os quais teriam dado origem `as familias de sobrenomes VAZ e BARBALHO.”

Acredito que em 1966, quando da publicacao do seu livro, o professor Demerval nao fizesse a menor ideia de quao rapido se dava a multiplicacao humana. Ele menciona tanto os Barbalho quanto os Coelho de Guanhaes e Virginopolis como apendices das familias Borges Monteiro e Pereira do Amaral sem muito de preocupar com a possibilidade de tambem serem descendentes do mesmo casal Manoel Vaz Barbalho e Josefa Pimenta de Souza.

Talvez a desatencao dele para o fato tenha se devido por ja possuir em maos as publicacoes “Algumas Notas Genealogicas” do professor Nelson Coelho de Senna e o “Genealogia e Biografias de Serranos e Diamantinenses” do Dr. Luiz Eugenio Pimenta Mourao. Estes abordam ramos das familias citadas que o professor Pimenta nao abordou. Alem, claro, dos trabalhos do alferes Luiz Antonio Pinto. Eh possivel que o professor Pimenta tenha pensado que, se os outros nao encontraram ligacoes sera porque nao as haviam. E, possivelmente, os outros nao as encontraram porque tinham em mente outras prioridades que nao as de encontrar justamente essas respostas que hoje buscamos.

Como “nada acontece por coincidencia” mesmo, acredito que se tomarmos o casal JOSEPHA PIMENTA DE SOUZA e MANOEL VAZ BARBALHO como ponto-de-partida, nao me sera surpresa encontra-lo como tronco de todas as familias da regiao do entorno da Cidade do Serro, antiga Capital do Norte de Minas. E o mesmo podera se dar se o mesmo fizermos a partir de outros casais que tenham plantado suas dinastias nos mesmos area e tempo. Nao sera “por acaso” que todos seremos: Amaral, Andrade, Barbalho, Borges, Coelho, Ferreira, Monteiro, Pereira, Pimenta e muitos outros, simultaneamente. Sera tudo uma questao de constatacao matematica. E seremos, consequentemente, inumeras vezes descendentes dos mesmos ancestrais que viveram em Portugal em seculos passados.

Alias, temos versao diferente daquela que escrevi acima dando o capitao-mor Joao Pimenta de Carvalho como casado com Maria de Lara. No endereco: http://www.genealogiabrasileira.com/titulos_perdidos/cantagalo_ptoligagos.htm, o pesquisador Lenio Richa apresenta esta versao, no cap. 1o., paragrafo 4o., numero “3 -1. Susana Requeixo, cc. o Cap. Mor Joao Pimenta de Carvalho, n. Portugal, Cavaleiro Fidalgo da Casa Real, morador na Ilha Grande, 1620, Cap. Mor e Ouvidor Loco-Ten. da condessa de Vimieiro, “o qual casou na familia dos Oliveiras Gagos, de Santos”, f. de Goncalo Pimenta de Carvalho, n. Portel, e Maria Jacome de Melo, n. Vila Vicosa, Alentejo, talvez pais de pelo menos:”

No endereco: http://www.valedoparaiba.com/cidadesdaregiao_novo/?pagina=cidade&cid=30&menu=111, acima mencionado, ha a citacao a outra Maria Jacome de Melo, filha do locotenente acima mencionado, segundo a curta biografia dele ali colocada, e uma das primeiras residentes em Paraty, segundo as poucas informacoes a ela dedicadas. No trabalho do pesquisador Lenio Richa esta ainda nao esta presente entre os descendentes dele.

Senti a necessidade de acrescentar mais algumas linhas a este texto. Minhas consideracoes aqui tratam-se de esclarecer um pouco mais o que penso a respeito de, talvez, termos que alterar a proposta da linhagem Pimenta de Carvalho da qual descendemos. Como ja abordei anteriormente, talvez teremos que trocar o casal Belchior Pimenta de Carvalho e Francisca de Almeida pelo Joao Pimenta de Carvalho e Maria Machado. Se for o caso, posso apenas especular por enquanto mas as pecas estao se ajuntando para resultar naquilo que afirmei antes de que a gente altera a figura mas nao altera o formato do quadro em nosso quebra-cabecas.

Ocorreu-me de explicar para os aprendizes de genealogistas que acaso venham a ler este texto a diferenca entre alta e baixa nobreza. As pessoas geralmente pensam que os termos se refiram apenas ao fato de os membros da alta nobreza ocuparem os postos de reis, duques, marqueses, viscondes etc. E os membros da baixa nobreza sejam pessoas feitas nobres por qualquer outro valor que nao a ascendencia nos de alta nobreza, particularmente, dos reis. Mas a verdade eh auspiciosamente diferente disso.

A probabilidade matematica nos ajuda a definir isso melhor. Realmente, os considerados de alta nobreza sao geralmente os reis e seus descendentes mais proximos. Mas devemos lembrar que os casamentos dos reis partiam de interesses em fazer aliancas. Portanto, os reis e as rainhas tinham filhos destes casamentos que, por direito legal, eram os sucessores. Algumas monarquias adotavam o primeiro nascido como sucessor legal (incluia filho ou filha). Mas a maioria dava esse direito somente aos descendentes do sexo masculino. Ou seja, o rei deveria sempre ser o primogenito do rei anterior.

Um dos problemas que Portugal viveu foi justamente por essa questao. D. Maria I era a filha de D. Jose I, que nao teve herdeiros masculinos. A solucao encontrada foi faze-la casar-se com o proprio tio para garantir a sucessao na linhagem bragantina. Se ela ficou louca depois disso nao deve ter sido por poucas razoes.

Porem, alem dos reis e rainhas poderem ter diversos filhos proprios, era comum eles, os homens principalmente, terem outras familias em regime de concumbinato. Isso servia como plano de contingencia para o caso de nao nascerem filhos dos rei e rainha legais, ou os nascidos fossem incompetentes para governar. Pessoas portadoras de impedimentos como a demencia desde a infancia.

Portugal sofreu duas vezes por falta de herdeiros legimos ao trono. Uma no que se chamou de “Crise de 1383 a 1385”, quando a Espanha reclamou o trono portugues. A solucao so se deu apos ter havido guerra entre os dois paises. Com a derrota da Espanha subiu ao trono D. Joao I, o mestre de Aviz. Ele era filho extra-marital do rei.

Alem disso, ele foi tambem pai extra-marital da dinastia de Braganca. Ja seus herdeiros de direito continuaram a dinastia ate 1580, quando novamente o problema se repetiu e, dessa vez, o rei espanhol, Felipe II, nao deixou a peteca cair em maos de outros. Somente a partir de 1640 a monarquia portuguesa foi restaurada na pessoa de D. Joao IV, que era o VIII duque de Braganca.

Voltando ao ponto que quero chegar, os reis geralmente eram pais de inumeros filhos. Muitas vezes as filhas eram enviadas a outras cortes para tornarem-se rainhas consorte (termo muitissimo apropriado!) ou se casavam com membros da alta nobreza local. Dos filhos, o mais velho estava destinado a tornar-se rei. Os outros recebiam titulos subalternos dentro da alta nobreza.

Na proxima geracao, a de netos de determinado rei, a familia poderia ser multiplicada exponencialmente. Nos podemos ter ideia disso lembrando-nos do numero de descendentes de nossos avos. Em meu caso particular, tive cem primos do lado paterno e quase o mesmo numero do lado materno. Mas o cargo de rei era apenas um e os outros postos tambem nao eram suficientes para encaixar todo mundo na mesma esfera. Com isso, uma parte da descendencia, automaticamente, era forcada a entrar numa expiral de desvalorizacao hierarquica. E tambem era em funcao disso que a descendencia procurava casar-se entre si para nao perder de todo o “status magico” de ser parente do rei.

Para complicar as coisas, cada rei novo que subia ao trono repetia a situacao. E o numero de descendentes, mesmo se repetindo o casamento de primos com primos, continuava aumentando em escala exponencial. Imaginem uma situacao dessas ocorrendo num pais do tamanho de Portugal, cuja populacao era pequena em consideracao aos nossos dias, e antes das conquistas em outros continentes que, sem elas nao havia como expandir. Ora, com o passar de 3 ou 4 seculos o primeiro rei seria ascendente de todos os portugueses, desde o rei mais recente ate ao indigente que por qualquer situacao adversa estivesse obrigado a pedir esmola.

Pois eh, a partir de entao eh que os que ocupavam cargos considerados de menor importancia passaram a ser conhecidos como de baixa nobreza. Muitas vezes eram pessoas promovidas pelo valor que demonstravam em guerras ou conhecimentos (descobrimentos em particular). E, estes, se nao haviam guardado a Arvore Genealogica que comprovava suas ascendencias em reis do passado, adquiriam o direito de se casarem com as filhas daqueles que tinham “pedigree”. Eh por isso que, muitas vezes, se torna mais facil encontrarmos uma linhagem nobre atraves de linhagem materna que paterna.

Bom, ocorreu-me lembrar aqui estes fatos por causa da encruzilhada que ficamos entre descendermos do Manoel Pimenta de Carvalho ou do capitao-mor Joao Pimenta de Carvalho. (Podemos ate descender de ambos ou de nenhum deles.) Se observarmos nos detalhes, podemos esperar que ambos, possivelmente, teriam ja algum grau de parentesco. Primeiro porque as assinaturas eram iguais. Depois porque o primeiro procedia de Vila Vicosa e o segundo de Portel. Ambas as localidades estao relativamente proximas uma da outra no mapa.

Para completar a mae de Joao Pimenta tambem era natural de Vila Vicosa. Ambas as localidades estavam contidas no territorio do Ducado de Braganca, cujo titulo foi instituido no final dos anos 1300. Alias, Vila Vicosa era a sede do Ducado de Braganca. Quem desejar saber um pouco mais a respeito de Portel, visite o endereco: http://www.cm-portel.pt/pt/conteudos/freguesias/portel/Breve+Historia+da+Freguesia.htm. Ai pode-se constatar que em 1257 o local fora doado por D. Afonso III, rei de Portugal, ao nobre D. Joao Peres de Alboim, Mordomo-Mor do rei. Apos a Crise de 1383-1385, ele foi doado a D. Nuno Alvares Pereira, o II Condestavel de Portugal.

Acredito que tanto Joao quanto Manoel Pimenta de Carvalho faziam parte da pequena nobreza portuguesa, mesmo antes de o primeiro ter sido feito fidalgo da casa real, ou casado com uma Oliveira Gago e o segundo ter casado com uma Ponte Maciel. Embora nao tenhamos a genealogia pregressa deles, todos os indicios apontam para essa conclusao. Mas nao desejo entrar em mais detalhes do que o necessario neste assunto. Antes ha que provarmos ser descendentes de um ou outro para somente depois visitarmos os detalhes que poderiam interessar-nos. E diga-se de passagem, sendo esta hipotese correta, voltaremos aos mesmos ancestrais do passado em Portugal.

Outra conclusao que tiro deste estudo eh a de que nos falta a construcao de uma Arvore Genealogica a partir desses nossos ancestrais abordados ate aqui. Era a minha vontade, pelo menos, construir uma Arvore Genealogica abrangendo especialmente o sobrenome Barbalho desde o inicio da colonizacao portuguesa no Brasil e fazer as coneccoes dela com as diversas outras genealogias ja prontas e que os nossos ancestrais Barbalho lhes sejam ancestrais, mesmo que nao como troncos masculinos como normalmente se faz.

Acredito que um trabalho como este nao prestaria maior favor `as pessoas particulares que usam o sobrenome Barbalho nos dias atuais do que `a Historia dos brasileiros como um todo. Isso porque o sobrenome Barbalho chegou ao Brasil junto com os outros primeiros povoadores portugueses do pais. Alem disso, as biografias de Luiz Barbalho Bezerra e seus filhos serviriam de icones a serem seguidos, pelos sacrificios que fizeram pela liberdade de Brasil e Portugal e pelos exemplos de vida que foram. Exemplos estes que a populacao atual precisava saber reconhecer e seguir.

Pouco depois de eu ter publicado este texto em meu blog, descobri um pequeno engano de minha parte quanto `a identificacao do rei D. Dinis como nosso ancestral nessa linhagem, porem, trata-se do D. Afonso Dinis, meio-irmao do rei, sendo ambos filhos do D. Afonso III. Por isso escrevi uma carta, que agora acrescento aqui, para enviar aos meus contatos. Ha muito tenho noticias de D. Afonso Dinis como nosso possivel ancestral na linhagem Coelho, caso o nosso ancestral alferes Jose Coelho de Magalhaes for filho de Bernardo Antonio Pinto de Mesquita e Ana Josefa de Magalhaes Pinto. Segue entao:

Meus prezados,

Publiquei ontem o que penso ser a ultima pagina em meu blog, no endereco: https://val51mabar.wordpress.com/2012/09/11/barbalho-pimenta-e-talvez-coelho-descendentes-do-rei-d-dinis/. Revisando agora de manha os dados contidos no geneall.net Portugal, observei um pequeno engano de minha parte. A ascendencia que encontrei foi em D. Afonso Dinis, irmao do rei D. Dinis e filhos do D. Afonso III, rei de Portugal.

De qualquer forma, ficou estabelecido o vinculo entre a populacao (boa parte) da regiao da antiga Villa do Principe, atual Serro, com a casa real portuguesa. Contudo, ficou uma grande duvida quanto `a sequencia genealogica naquele site estar correta. Vou copia-la aqui, com as datas para que fique melhor esclarecido. Vejam entao:

1824 Francisco Marcal de Magalhaes Barbalho – Eugenia Maria da Cruz
+ – 1780 Policarpo Jose Barbalho – Isidora Francisca de Magalhaes
+ – 1740 Jose Vaz Barbalho – Anna Joaquina Maria de Sam-Jose
1716 Josepha Pimenta de Souza – Manoel Vaz Barbalho
1691 Belchior Pimenta de Carvalho – parceira nao identificada
+ – 1650 Belchior Pimenta de Carvalho – Francisca de Almeida
1622 Maria de Andrade – Manoel Pimenta de Carvalho
+ – 1590 Maria Cardoso de Souto-Maior – Belchior de Andrade de Araujo
1577 Belchior da Ponte Maciel – Ines Fernandes

Daqui para frente eh o que se encontra no geneall.net Portugal, porque la ja continha os ancestrais de Helena de Sottomayor (ou Souto-Maior), a viuva de Pedra, que na pagina: http://www.arvore.net.br/Paulistana/Rendons.htm esta apresentada assim: “f.º de Innocencio de Andrade Machado, natural da ilha Terceira (legítimo descendente da família de seu apelido), e de Helena de Souto-Maior, chamada a viúva da Pedra, por esta neto de Belchior da Ponte Maciel, da família dos Pontes Cardoso da mesma ilha. Teve:” Esta pagina eh copiada dos trabalhos dos genealogistas Pedro Taques de Almeida Pais Leme e Luiz Gonzaga da Silva Leme. As descricoes nos trabalhos originais estao melhor trabalhadas. O extrato da pagina mencionada esta no capitulo 5o., paragrafo 1o, na passagem das paginas 14 para 15.

No item 1-1 Jose de Andrada Souto-Maior, ha a informacao de que Maria Cardoso de Souto-Maior era irma inteira da Helena de Souto-Maior ja mencionada. continua entao:

1540 Gaspar de Souto Cardoso – Catarina Valadao
+ – 1510 Maria Alvares Cardosa de Souto Maior – Roque da Ponte Maciel
1485 Margarida Cardoso – Pedro Goncalves do Souto, “o Cavaleiro”
1460 Henrique Cardoso – Beatriz Afonso Homem
Martim Anes Cardoso, “o Pequeno” – parceira nao identificada
Maria Nunes Faria – Joao Vaz Cardoso
Duarte de Faria – parceira nao identificada
1440 Lourenco de Faria – Luisa Pires
1420 Alvaro de Faria – Isabel da Silva
1400 Joao Alvares de Faria – Alda Martins de Meira
1380 Maria de Sousa – Alvaro Goncalves de Faria
1362 D. Lopo Dias de Sousa, sr. de Mafra, Ericeia e Enxara dos Cavaleiros – parceira nao identificada
1330 D. Alvaro Dias de Sousa – Maria Teles de Menezes*
1305 D. Diogo Afonso de Sousa – D. Violante Lopes Pacheco
1260 D. Afonso Dinis – D. Maria Pais Ribeira
1210 D. Afonso III, rei de Portugal – Maria Peres de Enxara
1185 D. Afonso II, rei de Portugal – Urraca, Infanta de Castela
1154 D. Sancho I, rei de Portugal – Dulce de Barcelona, Infanta de Aragao
1109 D. Afonso Henriques, 1o. rei de Portugal – Mahaut (ou Mafalda) de Savoia (Saboia)

*Maria Teles de Menezes – 1330 D. Alvaro Dias de Sousa
1310 D. Martim Afonso Telo de Menezes – Aldonca Anes de Vasconcelos
1280 D. Afonso Martins Teles Raposo – Berengaria Lourenco de Valadares
1250 D. Goncalo Anes Raposo – D. Urraca Fernandes de Lima
1225 D. Joao Afonso Telo de Menezes – Elvira Gonzalez Giron
1205 D. Teresa Sanches – Alfonso Tellez, sr. de Menezes e Albuquerque
1154 D. Sancho I, rei de Portugal – D. Maria Pais Ribeira, “a Ribeirinha”

Como se pode ver, sendo estas linhagens corretas, somos duas vezes descendentes da familia real portuguesa na mesma linhagem. A partir do D. Sancho I, temos que ele deu origem a linhagens diferentes, com parceiras diferentes, que se encontraram no casamento de primos em Maria Teles e D. Alvaro Dias.

O que leva `a suspeita de algum engano eh haverem tres geracoes inseridas no espaco de 20 anos, de 1440 a 1460. Porem, as datas nao refletem, necessariamente, os anos de nascimento dos personagens. O que pode ter acontecido eh uma ou mais geracoes terem sido representadas pelas datas de casamentos e isso fez as idades aparentemente aproximadas. Ou, ainda, pode ser um simples erro de inclusao de geracoes, confusao de ter sido colocado irmaos como sendo pais uns dos outros, quando os filhos se casaram primo com primo

LISTA DE DOCUMENTOS QUE PRECISAMOS

01. Registro de casamento do alferes Jose Coelho de Magalhaes (talvez tenha sido conhecido como Jose Coelho da Rocha) e Eugenia Rodrigues Rocha (talvez tenha sido conhecida como Eugenia Maria da Cruz, 1a.) – deve ser encontrado em Conceicao do Mato Dentro ou em Belo Horizonte, caso Morro do Pilar pertenca `a Arquidiocese de Belo Horizonte. Talvez haja Testamento passado por um deles.

02. Registro de casamento de Maria Rodrigues de Magalhaes Barbalho e Giuseppe Nicatisi da Rocha. Talvez exista em Conceicao do Mato Dentro ou Serro. Solucionaria a questao de ela ser ou nao ser filha de Manoel Vaz Barbalho e Josepha Pimenta de Souza.

03. Registro de casamento de Francisco Marcal de Magalhaes Barbalho e Eugenia Maria da Cruz. Deve ser encontrado em Conceicao do Mato Dentro. Dariamos fim `a duvida `a paternidade de ambos.

04. Documento “De Genere Et Moribus” do padre Policarpo Jose Barbalho. Deve ser encontrado em Mariana nos Arquivos Diocesanos desta cidade mineira. Podera em uma so cajadada liquidar varios “coelhos” que temos a resolver. Podera estabelecer a filiacao do Francisco Marcal de Magalhaes Barbalho e de seus irmaos Jose e Manoel. E, talvez, revelar mais algum que nao seja do nosso conhecimento.

Tambem revelaria quem seriam os avos dele. O “De Genere” do padre Emigdio revelou que ele era filho de Jose Vaz Barbalho e Anna Joaquina Maria de Sao Jose. Isso levou-me a considerar duas hipoteses em relacao aos avos paternos. Poderiam ser os mesmos Manoel Vaz Barbalho e Josepha Pimenta de Souza. Porem, Policarpo casou-se em 1808, deixando suspeita que tenha nascido por volta de 1780. O casal citado acima casou-se em 1732, em Milho Verde do Serro.

Em 1735 o casal Manoel e Josepha teve um filho com o nome Policarpo Joseph Barbalho. Entao, ha espaco de tempo suficiente para que este filho tenha se casado por volta de 1758 e tenha sido pai de Jose Vaz Barbalho. E este, por volta de 23 anos depois, ter sido pai de um Policarpo neto, que tornar-se-ia muito depois o padre Policarpo Jose Barbalho. Esta possibilidade baseia-se no fato de se mudarem as geracoes e os nomes se repetirem em homenagem aos ancestrais. E isso eh muito comum na Familia Barbalho.

O Policarpo Joseph Barbalho pode ter ficado viuvo e se casado uma segunda vez. Esta seria a razao de ele aparecer nos registros de Gravatai – RS. Neste segundo casamento ele casou-se com Bernarda Maria de Azevedo e naquela cidade tiveram varios filhos. Uma delas, Josefa Pimenta de Souza casou-se em 1784. E o registro de obito dele foi lavrado na Villa de Porto Alegre, em 1801, onde faleceu aos 66 anos de idade. Mas a hipotese que penso ser mais provavel eh a de o Jose Vaz Barbalho ser mesmo filho do casal Manoel e Josepha e ser irmao deste Policarpo, alem de Isidora Maria da Encarnacao, cuja descendencia eh retratada no livro do professor Demerval.

05. Registro de casamento de Jose Vaz Barbalho e Anna Joaquina Maria de Sam-Jose. Este deve ser encontrado em Conceicao do Mato Dentro porque ele nasceu no Serro e ela naquela cidade. Uma segunda opcao seria encontra-lo no Serro porque nao se sabe quem mudou para onde. Ajudaria-nos a encontrar os nomes dos pais e dos avos.

06. Registro de casamento de Manoel Vaz Barbalho e Josepha Pimenta de Souza. Este se deu no Distrito de Milho Verde, pertencente a Villa do Principe, atual Serro – MG. A data eh de 18.09.1732. A referencia eh: “Livro 1o. de casamento da Matriz, fls. 78”.

07. Registro de casamento de Paschoa Barbalho e Pedro da Costa, acontecido “no Rio de Janeiro, em 19 de janeiro de 1668.” Isso nao significa que somente estes documentos nos interessam. Se encontrassemos o registro de batismo de d. Paschoa ja poderia ajudar a solucionar essa questao. E mesmo o registro de casamento de d. Maria da Costa Barbalho e Manoel Aguiar ja mostraria os pais dela e os avos. Enfim, qualquer outros documentos narrando essa genealogia ja nos ajudaria a montar o nosso quebra cabeca genealogico. Ao que tudo indica, os registros podem estar nos livros referentes a Sao Goncalo, pois, ali deve ter nascido d. Paschoa.

08. Arquivos do alferes Luiz Antonio Pinto, que se encontra no Arquivo Publico Mineiro – APM -, em Belo Horizonte. Segundo o professor Demerval Jose Pimenta existem anotacoes do registro de casamento de Manoel Vaz Barbalho e Josepha Pimenta de Souza neste.

09. Documento “De Genere Et Moribus” do Revmo. Dr. Joao Pimenta de Carvalho, que deve ter nascido por volta de 1630, nascido no Rio de Janeiro.

10. Registro de casamento de Marcal de Magalhaes Barbalho e (H)Ercila Coelho de Andrade. Deve ter-se dado em Guanhaes, em 05.07.1879 mas os registros podem estar na Cidade do Serro.

11. Registro de casamento de Candida de Magalhaes Barbalho e Joao Batista Magalhaes. Aconteceu em 30.06.1883, em Virginopolis ou Guanhaes.

12. Registro de casamento de Ambrosina de Magalhaes Barbalho e Miguel Nunes Coelho. O casamento deve ter-se dado em 1879 ou 1880 e, mais provavel, em Virginopolis. Mas os registros podem estar em Guanhaes por aquila ainda ser distrito desta `a epoca.

Os registros de casamentos dos outros irmaos: Emigdia de Magalhaes Barbalho, casada com Jose Coelho Nunes (ou Nunes Coelho), sem data; Petronilha de Magalhaes Barbalho, c.c. Joao Nunes Coelho, sem data; Pedro de Magalhaes Barbalho, c.c. Antonia Honoria Coelho, a 25.11.1876 e Quiteria de Magalhaes Barbalho, c.c. Joaquim Pacheco Moreira, sem data, tambem ajudariam a dar resposta `a parte de nossas duvidas e ajudariam a melhorar o nosso conhecimento a respeito dos ancestrais dos conjuges.

MAIS RECENTES NOVIDADES DA FAMILIA BARBALHO

Recentemente encontrei as informacoes que muito procurava, com relacao `a paternidade de nossa ancestral Paschoa Barbalho e ao encaixe entre o Antonio Bezerra Felpa de Barbuda e o tronco familiar da Familia Bezerra de Menezes. Ha agora um indicativo mais forte que tenha mesmo sido irmao de Domingos Bezerra Felpa de Barbuda. Para facilitar meu trabalho, vou anexar aqui dois capitulos do texto do meu blog: https://val51mabar.wordpress.com/2011/02/24/historico-do-povoamento-mineiro-genealogia-coelho-cidade-por-cidade/. Assim nao terei que reescrever o que ja esta pronto. Segue entao:

81. CIDADE DE SAO GONCALO, RIO DE JANEIRO

Este capitulo deveria ser encaixado entre meio o do Rio de Janeiro e o de Nilopolis. Mas somente nos ultimos dias, hoje eh 12.10.2012, consegui algumas informacoes que tanto procurava. Alias, encontrei ate um pouco mais. Isso se deu gracas a uma navegacao que fiz na Internet e, por curiosidade cliquei sobre o endereco: http://www.historia.uff.br/stricto/teses/Dissert-2003_CAETANO_Antonio_Filipe_Pereira-S.pdf.

Ali se encontra uma tese intitulada: “ENTRE A SOMBRA E O SOL, A REVOLTA DA CACHACA, A FREGUESIA DE SAO GONCALO DE AMARANTE E A CRISE POLITICA FLUMINENSE (RIO DE JANEIRO, 1640-1667). O autor eh Antonio Filipe Pereira Caetano. A tese dele eh complexa e longa, porem, da pagina 187 a 194 ha um capitulo: “Os Honoratiores Goncalenses: A Familia Barbalho” que, logico, despertou mais o meu interesse.

Nao li toda a tese, porem, ressaltou `as minhas vistas o detalhe de o autor defender o casamento entre a Historia e a Genealogia para melhor compreensao dos fatos. Pensei: perfeito, justamente o que venho debatendo em meus proprios estudos. Embora, ha que se adicionar tambem Geografia. Geralmente, os estudiosos mais antigos procuram estudar o que eh chamado de “fato”. Contudo, na maioria das vezes eles nos apresentam topicos com uma boa dosagem de opiniao. Isso se da porque nunca os fatos sao aquilo que aconteceu porque eles sao consequencia de processos que, muitas vezes, transcorrem ao longo de muitos anos.

Aquilo que aconteceu em 11 de setembro de 2011 aqui nos Estados Unidos nao foi um fato, foi apenas um capitulo de uma extensa novela que vem se desenrolando ao longo dos seculos. E quem pensa como a maioria dos americanos que resolvera a questao reagindo apenas em funcao daquele “topico” de nossa Historia, ira perder o tempo dele e somente ira prolongar mais as consequencias desastrosas das respostas irresponsaveis. Isso foi o que o presidente George W. Bush fez. Mas aqui estou desviando um pouco do nosso assunto. Que isso sirva apenas de um parametro de como as coisas realmente sao.

Nao posso afirmar que o autor Antonio Filipe tenha sido perfeito na tese dele ja que nao a li por completo. Porem, a ideia de aliar-se a genealogia com a Historia faz um sentido perfeito. E os dados que ele nos passa em sua obra comprova isso ja que temos inumeras literaturas ja arroladas em nossos estudos que, como veremos mais na frente, estao repletas de dados falsos, portanto, nao podem ser consideradas pontos de Historia e sim fantasias que misturam fatos e interpretacoes erroneas.

Vou dar um credito para o Antonio Filipe em alguns dados que ele fornece no capitulo acima mencionado. Principalmente naqueles que ele recolheu de estudos anteriores e que tenham ligacao direta com Sao Goncalo. Depois mencionarei algumas informacoes que, a meu ver, sao distorcidas. Nao que ele as tenha inventado, porem, nao creio que as literaturas que ele consultou apresentem a essencia da verdade. E, claro, nos que somos humanos e tentamos trabalhar com uma gama enorme de informacoes ao mesmo tempo, estamos sujeitos aos nossos proprios erros. Eu proprio estou sempre procurando voltar e consertar os meus. Uma pequena distracao e … la se vai a vaca para o brejo!

Vamos, entao, primeiro passar uma pequena pincelada pela Historia de Sao Goncalo, do Rio de Janeiro. E para isso eu estou recorrendo `as postagens de Historia de Sao Goncalo nos sites da Prefeitura de la e da Wikipedia. Enderecos: http://www.saogoncalo.rj.gov.br/historia.php & http://pt.wikipedia.org/wiki/S%C3%A3o_Gon%C3%A7alo_(Rio_de_Janeiro).

A regiao em torno da Baia da Guanabara foi habitada pelos indios tamoios. Como ja vimos no capitulo do Rio de Janeiro, essa nacao indigena era arredia em relacao aos portugueses e preferia o contato com os franceses. Logo apos `a implantacao da Cidade de Sao Sebastiao do Rio de Janeiro e o exterminio dos indios resistentes, comecou-se a distribuicao de Sesmarias para que os colonos ocupassem e fizessem a defesa do territorio.

No site da prefeitura ha um “quadro sinotico” que resume o processo historico da cidade. Vou copiar e depois dar mais detalhes. Segue:

1579 – a area eh dada como Sesmaria ao nobre Goncalo Goncalves. Ele funda o arraial em torno da capela erguida em homenagem ao santo de sua devocao, Sao Goncalo do Amarante que, na verdade, foi beatificado porem nao canonizado.
16… – Foi implantada uma fazenda conhecida como Colubande, pelos jesuitas. A sede da fazenda foi preservada e hoje eh usada pelo Batalhao da Policia Florestal do Estado do Rio de Janeiro.
1644 – O arraial eh elevado `a categoria de freguesia.
1645 – Pedido de Jurisdicao da freguesia
1646 – Elevacao `a categoria de Paroquia de Sao Goncalo do Amarante. Contava, entao, com 6.000 habitantes.
1647 – confirmacao da freguesia.
1660/1661 – De Sao Goncalo e Niteroi nasce A Revolta da Cachaca, importante marco na Historia Fluminense.
1819 – Suspensao da condicao de Freguesia e eh rebaixada a distrito de Niteroi.
1890 – Elevada a Vila e Municipio. Instalacao do Municipio no mesmo ano, em 12.10.
1892 – Supressao do Municipio em maio e restauracao em dezembro.
1922 – Elevacao `a categoria de cidade.
1923 – Supressao da condicao de Cidade e retorno `a de Vila.
1929 – Restauracao definitiva `a condicao de Cidade.
1940/1950 – Instalam-se grandes industrias e recebe o apelido de “Manchester Fluminense”.

Atualmente, Sao Goncalo eh a segunda cidade mais populosa do Rio de Janeiro e conta com 1.1 milhoes de habitantes aproximadamente. Alguns pontos turisticos podem ser observados a partir do endereco: http://www.saogoncalo.rj.gov.br/sao_goncalo.php.

Talvez os estudiosos que escreveram os dois primeiros textos referidos logo acima nao tenham feito a ligacao dos fatos, pelo menos aparentes, de que as datas de 1644 a 1661 coincidem com a chegada e o assentamento da Familia Barbalho no Estado do Rio de Janeiro, particularmente, na Cidade de Sao Goncalo. Desde 1643 ate 15.04.1644, quando faleceu, o governador do Rio de Janeiro era Luiz Barbalho Bezerra que viera da Bahia para este fim, substituindo a Salvador Correia de Sa e Benevides que teria que viajar para Portugal, para responder a processo aberto contra ele.

Devido `a proximidade da data do falecimento de Luiz Barbalho e a implantacao da Freguesia, eh presumivel pensar que o ato tenha nascido na mesa daquele governador, embora implantado pelo seu sucessor: Francisco de Souto-Maior. Francisco de Souto-Maior era mestre de campo de um terco na Bahia e, certamente, tinha bom relacionamento com Luiz Barbalho que fora mestre de campo tambem na Bahia antes de dirigir-se para o Rio de Janeiro. (Talvez seja nosso aparentado pelo lado Pimenta de Carvalho. Os detalhes mais intimos dessa ligacao encontram-se no meu texto: https://val51mabar.wordpress.com/2012/09/11/barbalho-pimenta-e-talvez-coelho-descendentes-do-rei-d-dinis/).

A observacao que se faz aqui eh a de que a comitiva que deve ter acompanhado Luiz Barbalho, incluindo seus filhos, deve ter se instalado toda em Sao Goncalo, dai o crescimento e a melhoria do local poder ter sido a justificativa para o acelaramento do crescimento no seculo XVII. Tambem nao podemos ignorar a razao obvia de que os recem-chegados tinham o interesse de consolidar um status social elevado que traziam desde Pernambuco.

A criacao da Freguesia significava uma oportunidade de se verem representados nos meios politicos locais. Cada freguesia devia ter o direito a ser representada por pelo menos um senador na Camara Municipal. E isso fazia parte das tramitacoes politicas naquela epoca, como o eh hoje, em escala maior.

Nao ha necessidade de aprofundarmos muito em relacao `a Historia de Sao Goncalo – RJ. Temos acima os enderecos na Internete para os que desejarem mais alguns detalhes. Infelizmente nao temos muito mais `a nossa disposicao. Percebi que o estudo do Antonio Filipe apresenta um pouco mais de genealogia alem da da Familia Barbalho. Contudo, eh muito pouco para o que eu desejava.

O que pretendo agora eh mostrar um pouco de nossa genealogia, suspeita e/ou confirmada, com ligacoes diretas com a Cidade de Sao Goncalo. Comecarei por outro ramo que nao o Barbalho. Copiarei aqui um pequeno extrato do livro: “A Mata do Pecanha, sua Historia e sua Gente”, do professor Demerval Jose Pimenta, que se encontra na pagina 248:

“Os ascendentes da primeira mulher de ANTONIO BORGES MONTEIRO, de nome MARIA DE SOUZA FIUZA, progenitora de ANTONIO BORGES MONTEIRO JUNIOR (Borginha), fazendeiro em Sao Sebastiao dos Correntes {atual Sabinopolis – MG}, sao os seguintes:

Sargento-Mor DOMINGOS BARBOSA MOREIRA, portugues, casado com TERESA DE JESUS, brasileira, natural de Tabaiana, na Bahia. {atualmente se chama Itabaiana, e localiza-se em Sergipe}.

Pais de:

F 1 – NOROTEA BARBOSA FIUZA, brasileira, natural de Sao Goncalo, casada com JOAO DE SOUZA AZEVEDO, natural de Portugal.

Pais de:

N 1 – MARIA DE SOUZA FIUZA, nascida na Vila do Principe, atual Cidade do Serro. Casou-se em 15 de novembro de 1775, na mesma Vila, com ANTONIO BORGES MONTEIRO. Faleceu em 20 de novembro de 1780.”

Estes foram os pais de Antonio Jr, Dorothea e Joao Borges Monteiro. Atualmente encontramos os dados de que Joao de Souza Azevedo, portugues, natural de Vila Nova do Norte, era filho de Manoel de Sousa Azevedo e Anna Coelho. Suspeito que o nome Vila Nova do Norte se refira a Vila Nova de Gaia, Vila Nova do Famalicao ou Vila Nova, no extremo norte da Ilha Terceira, Acores. O problema eh que nao encontrei nenhuma referencia a Vila Nova do Norte em Portugal.

Outro problema a ser resolvido eh saber a qual Sao Goncalo se refere o local de nascimento da ancestral Norothea. A principio eu optei por dar a resposta mais simples `a questao, ou seja, que ela tivesse nascido em Sao Goncalo do Rio das Pedras, que eh um Distrito da antiga Vila do Principe. Alem do mais, consta que este Sao Goncalo surgiu como arraial por volta de 1779 e foi implantado por Domingos Barbosa.

Existe no Arquivo Publico Mineiro – APM – o registro de uma Carta de Sesmarias, datada de 25 de agosto de 1739. O sesmeiro contemplado chamava-se Domingos Barbosa Moreira. Porem, nao obtive informacao se a tal carta trata da posse do local. Mas torna-se razoavel pensar que o fundador do Arraial tenha sido, talvez, um filho do sargento-mor. Isso por causa das datas que podemos deduzir a partir do que temos de concreto.

Maria de Souza Fiuza casou-se em 1775. Deveria ter no minimo 15 anos. Se a mae dela nasceu uns 15 anos antes, seria possivel que esta ja houvesse nascido em Sao Goncalo do Rio das Pedras, embora, o local nao tivesse tal nome. Poderia ter sido o nome da Sesmaria. Mas se a media de casamento da mae e da filha foi 18 anos, temos que o nascimento de d. Dorothea foi na epoca ou anterior `a Sesmaria, dai ela teria que ter nascido em outro Sao Goncalo, e a cidade candidata mais provavel seria a do Rio de Janeiro.

Como foi dito que Domingos era portugues e casou-se com Teresa de Jesus, de Sergipe, era muito provavel que tivessem residido no Rio de Janeiro antes de “assentarem praca” em Minas Gerais. Outro detalhe eh o de que nao sabemos dizer se Dorothea foi a primogenita de Teresa, e Maria Fiuza foi a primogenita de Dorothea. Se nao foram, as datas podem recuar ate por volta de trinta anos ao ano de 1739. Dai o nascimento de Manoel e Teresa poderiam recuar para as voltas de 1680, o que tornaria inviavel tanto eles estarem presentes na fundacao do Arraial quanto Dorothea ter nascido em Sao Goncalo do Rio das Pedras.

Contudo, tudo isso nao passa de hipoteses. O que temos de concreto eh o nome desses ancestrais e o de Sao Goncalo como referencia. Qual deles, nao podemos tomar partido ainda.

Vamos, entao, `a tese do Antonio Filipe Pereira Caetano, referencia acima. Logo de inicio, no capitulo “Os Honoratiores Goncalenses: A Familia Barbalho” ele da uma versao para o inicio da Familia Barbalho Bezerra no Brasil. Ali ele menciona o casal Antonio Martins Bezerra , tambem conhecido como Felpa Bezerra, e Maria Martins Bezerra. A novidade maior para mim eh a informacao de que o casal foi para o Brasil junto com o primeiro donatario de Pernambuco, Duarte Coelho Pereira.

Recorramos entao a outras fontes para sabermos quem era esse Antonio Felpa Bezerra. Para simplificar, postarei aqui uma linhagem genealogica a partir dos reis da Peninsula Iberica, dos quais ele descendia. A primeira informacao que encontrei dos ancestrais dele encontra-se no endereco: http://familybezerrainternational.blogspot.com/2009/12/fontes-sobre-as-origens-da-familia.html. E em segundo plano, confirmei no sitio http://www.geneall.net Portugal. Segue e depois explico:

1016 Fernando I Magno, rei de Castela e Leao – Sancha, infanta herdeira de Leao
1039 Alfonso VI, rei de Castela – Ximena Moniz
1080 Teresa de Leao, condessa soberana de Portugal – Henri de Bourgogne
1095 D. Urraca Henriques – Bermudo Perez de Trava
D. Teresa Bermudez de Trava – D. Fernando Aires de Lima
1176 D. Rodrigo Fernandes, o Codorniz – ? Rodrigues
1198 Maria Rodrigues Codorniz – Joao Bezerra
Goncalo Gomes Bezerra – ?
Soeiro Goncalvez Bezerra – ?
1340 Fernao Bezerra – Maior Fernandes de Moscoso
Martim Bezerra de Moscoso – ? do Campo
Lopo Bezerra de Moscoso – N
Fernao Lopes Bezerra – ?
Lopo Fernandes Bezerra – ?
Rodrigo ou Affonso Bezerra – Violante Moscoso
Martim Bezerra – ?
Antonio Pires ( ou Martins) Bezerra – Maria Martins Bezerra
1526 Domingos Bezerra Felpa de Barbuda – Brasia Monteiro

O autor do texto da Familia Bezerra nao menciona os primeiro reis no topo dessa linhagem. Ele comeca de Teresa, a condessa soberana de Portugal. Ela foi a mae tambem do Afonso Henriques, que foi tutorado pelo famoso Egas Moniz, o Aio. Afonso Henriques tornou-se o primeiro rei de Portugal. Egas Moniz foi o bisavo do Soeiro Viegas Coelho, o primeiro a adotar o sobrenome e a passa-lo para os filhos.

No final da linhagem apresenta-se a definicao que o Antonio Martins Bezerra tambem foi mencionado como Antonio Pires, porem, para ser filho de Martim, a regra determinava que ele fosse cognominado mesmo de Martins. E a sequencia leva a Domingos Bezerra Felpa de Barbuda, casado com Brasia Monteiro. Brasia era filha de Pantaleao Monteiro e Brasia Araujo. Essa sequencia leva `a uma das muitas linhagens da familia Bezerra no Nordeste brasileiro.

O que nos interessa aqui eh o autor Antonio Filipe nos ter informado que Antonio Martins Bezerra e Maria Martins Bezerra se instalaram em Pernambuco. Porem, por outras fontes, acredito que ele tenha cometido um engano ao dizer que o casal fora tambem os pais de Guilhereme Bezerra Felpa de Barbuda. Pode ate ser, porem, este sera outro Guilherme, acredito, um tio do Guilherme casado com Camila Barbalho.

No endereco: http://www.usinadeletras.com.br/exibelotexto.php?cod=188&cat=Ensaios&vinda=S, “Arvore de Costado de Francisco Buarque de Holanda”, de autoria de Pedro Wilson Carrano de Albuquerque, disponibilizado pela Usina de Letras, nao temos os nomes do Antonio Martins Bezerra e Maria, porem, temos o de Antonio Bezerra Felpa de Barbuda, casado com Maria Araujo, irma da Brasia Monteiro. Estes sim sao indicados como pais de um Guilherme, possivel, marido da Camila Barbalho, que era filha de Braz Barbalho Feyo e Catharina Tavares de Guardes. Catharina era filha de Francisco Carvalho de Andrade, armeiro real, e Maria Tavares de Guardes, tambem chegados a Pernambuco com Duarte Coelho Pereira.

Desta parte para cima deste capitulo eu o estava escrevendo diretamente no computador, no qual deixei o escrito no inbox. Agora o terminei no papel antes de passa-lo para o computador.

A razao pela qual nao estou podendo continuar meu trabalho no aparelho se da por minha esposa e eu termos tido uma briga sem maiores fundamentos. Porem ela eh a dona dele e decidiu que nao poderia mais manipula-lo. (Morre de ciumes de eu estar procurando namorada ali…, ah aha ha!…). De minha parte, posso a abster-me da regalia de mexer no que eh dela e guardado com tanto ciume. Estou agora usando algumas horas de emprestimo para tornar publico os meus pensamentos.

Voltando um pouco aos dados que ja coletei, temos que o nucleo inicial que formou o ramo Barbalho (e a Familia Brasileira de um modo geral) ao qual pertencemos se compoe a partir de tres senhores de engenho, assentados em Pernambuco, desde o periodo em que Duarte Coelho Pereira foi seu primeiro Capitao-Mor. Sao Eles:

1. Pantaleao Monteiro, casou-se com Brazia de Araujo. Foi senhor do Engenho de Sao Pantaleao, que ficava na Varzea do Beberibe. Este engenho passou a ser conhecido como Engenho do Monteiro, porem, por causa do sobrenome de dono posterior. No local onde existiu o engenho, atualmente se encontra o Bairro do Monteiro, em Recife. Pantaleao e Brazia foram pais de: Maria de Araujo, esposa de Antonio Bezerra Felpa de Barbuda.

2. Francisco Carvalho de Andrade, casou-se com Maria Tavares de Guardes. Foi senhor do Engenho Sao Paulo, tambem na Varzea do Capibaribe. Era armeiro real. O casal foi pai de Catharina ou Maria Tavares de Guardes que se casou com Braz Barbalho Feyo.

3. Braz Barbalho Feyo, casou-se com Catharina (ou Maria) Tavares de Guardes. Foi senhor do Engenho do Barbalho, que se encontrava no Cabo de Santo Agostinho, tambem em Pernambuco. Foram pais de Camila Barbalho que se casou com Guilherme ou Antonio Bezerra Felpa de Barbuda.

Segundo o pesquisador Antonio Filipe Pereira Caetano, foi desta mesma epoca a chegada do casal Antonio Martins Bezerra e Maria Martins Bezerra a Pernambuco. Ele atribui a paternidade do Guilherme a este casal, enquanto que no estudo: “Chico Buarque e seus Antepassados” especifica-se que houve um filho com esse nome atribuido a Antonio Bezerra Felpa de Barbuda e Maria Araujo.

Creio que a segunda versao faca mais sentido. Isso porque no site familybezerrainternational (vejam o resumo no final do texto) mostra-se que Antonio e Maria Martins Bezerra foram os pais de Domingos Bezerra Felpa de Barbuda, que foi o marido de Brazia Monteiro, tambem filha dos senhores de engenho: Pantaleao Monteiro e Maria Araujo.

Naquele site ha tambem a infromacao de que Domingos nascera em Viana, em 1526. Disso podemos deduzir que os pais dele terao nascido em torno de 1500, podendo ser um pouco mais ou um pouco menos. Nao muito menos ou mais para o caso da Maria Martins, por causa do limite util da vida reprodutiva feminina.

No ensaio publicado pela Usina de Letras ha a informacao de que Antonio Bezerra Felpa de Barbuda nasceu na Cidade de Ponte de Lima. Ele esta identificado no estudo sob a numeracao: 9692. Maria Araujo eh o numero seguinte. O proximo eh Braz Barbalho Feyo, seguido da esposa: Catharina (ou Maria) Tavares de Guardes. Observando-se o mapa de Portugal, percebe-se que Ponte de Lima e Viana estao na mesma linha do Vale do Rio de Lima e sao vizinhas.

Isso leva ao pensamento de que Antonio e Maria Martins tenham iniciado suas vidas em Ponte de Lima e depois se mudado para Viana, antes de embarcarem para Pernambuco. A razao para isso eh que, ja no inicio dos anos 1500 a Cidade de Viana experimentou um grande progresso por ter sido favorecida pelo fato de estar nas proximidades do oceano e, por esta razao, ter se tornado um dos mais ativos entrepostos comerciais na epoca das Grandes Descobertas. Portanto, seria natural que houvesse um fluxo migratorio nesse sentido. Neste caso, a data esperada para o nascimento do irmao do Domingos, o Antonio, seria anterior a 1526.

O que, em segunda hipotese, o fluxo migratorio ser invertido. Isso porque os primeiros exploradores embarcados junto com Duarte Coelho foram para o Brasil por volta de 1535. Naturalmente, deverao ter seguido apenas os homens que implantaram primeiro algumas construcoes, fizeram os contatos com os indigenas e decidiram locais de moradas. Temos que nos lembrar que a viagem que atualmente se da em questao de horas sobre o Atlantico era feita em meses naquela epoca. Ate as primeiras mulheres poderem ter sido levadas passaram-se uns poucos anos.

Porem, isso nao implica que a mudanca da familia tenha sido no sentido que apresensei primeiro. Se a Maria Martins fosse natural de Ponte de Lima poderia ter sido mais conveniente para ela voltar a residir na cidade natal, enquanto esperava o marido. E este podera ter feito viagens de visita, embora as dificuldades fossem enormes. Mas nunca se sabe! O que atualmente considerariamos grande dificuldade, muitas vezes, era considerado como sendo apenas “parte da vida” por nossos ancestrais. Para alguns, a travessia do Atlantico talvez fosse diversao, como hoje eh a pratica de esportes superradicais para uns poucos.

Se essa segunda opcao ocorreu eles poderiam ter sido pais de um dos Guilherme Bezerra Felpa de Barbuda, que poderia ter nascido entre 1535 e 1550, caso a Maria Martins tivesse se casado bastante nova. Ai sim este, com certa dificuldade, poderia ter se casado com a Camila Barbalho que seria bem mais nova que ele. Mas o que penso ser mais provavel eh encaixar-se ai uma geracao intermediaria entre o nascimento dos filhos do casal: Antonio e Maria Martins Bezerra e o provavel bisneto (e nao neto) Luis Barbalho Bezerra, nascido “em 1584, na propria Capitania de Pernambuco.”

Como na primeira hipotese espera-se que o Antonio Bezerra Felpa de Barbudo tenha nascido por volta de 1524, ou antes, em Ponte de Lima, sera perfeitamente esperado que possa ter sido pai do Guilherme, cerca de 30 anos depois e ter-se tornado avo, outros 30 anos seguintes do nosso heroi Luis Barbalho Bezerra. A media de 30 anos entre geracoes eh ate um pouco esticada em relacao `as condicoes da epoca, onde a media de vida das pessoas girava em torno de 30 anos. Apenas nos dias de hoje essa media eh considerada normal.

Neste caso, eh perfeitamente possivel que o Guilherme, filho do Antonio e que realmente existiu, seja mesmo o pai do Luis, o bisneto de Antonio e Maria Martins Bezerra. Contudo, se a segunda hipotese ocorreu e o Guilherme foi um filho tardio do casal Antonio e Maria, ha tambem a possibilidade de o Luis ter sido um filho tardio do Guilherme.

Observem aqui que nao estou querendo contradizer o pesquisador Antonio Filipe e os autores que ele consultou apenas para ser “do contra”. Ele nos revela que outros autores encontravam informacoes que corroboram com uma hipotese que eu levantei antes, ou seja, que Antonio e Maria Martins Bezerra, pais do Domingos Bezerra Felpa de Barbuda seriam tambem nossos ancestrais. E, ate entao, que o Domingos e o Antonio de mesmo sobrenome dele eram irmaos.

O importante eh que o trabalho do Antonio Filipe ajudou-me a preencher duas lacunas que existiam em minha hipotese de linhagem de familia que vinculava a Familia Barbalho do Centro-Nordeste de Minas Gerais a alguns reis da Peninsula Iberica. Neste ponto, a resposta que eu procurava ja foi confirmada. Nos temos a linhagem entre as familias reais ate ao Antonio Martins Bezerra. Agora sabemos que ele eh, via Guilherme ou via Antonio e Guilherme, ancestral do Jeronimo Barbalho Bezerra. A segunda lacuna, que veremos mais `a frente, diz respeito aos filhos do Jeronimo, que nos poe diretamente ligados com os mesmos ancestrais.

O autor do “Entre a Sombra e o Sol …” menciona que a origem do sobrenome Bezerra se deu na Provincia de Lugo, na Galiza, que eh a parte Noroeste da Espanha, vizinha do Norte de Portugal. Galiza ou Galicia foi o primeiro reino de sistema medieval implantado na Europa e se deu com a queda do Imperio Romano em 511 d. C., com as invasoes germanicas. Os galegos (ou gaios) e os visigodos foram os ancestrais loiros das familias iberoamericanas. Eu acrescento que o local foi Becerrea, uma Freguesia onde os Becerra eram dominantes. Passando para Portugal o sobrenome foi traduzido para Bezerra.

O interessante eh que, do ponto de vista genealogico, aos descendentes que desejam sentir-se mais proximos das familias reais, a hipotese de que foi o Guilherme, filho do Antonio e Maria, o nosso ancestral sera mais atrativa porque economisa-se uma geracao, o que dobraria os nossos vinculos geneticos. Mas o meu questionamento vem em funcao da questao do tempo da passagem das geracoes. Entre 1494, data de nascimento provavel que eu hipotetizo como sendo a do Antonio Martins Bezerra, e 1584, data de nascimento do Luis, passam-se 90 anos. Essa distancia entre avo e neto nao era impossivel naquela epoca, mas era improvavel, e eh mais apropriada para a relacao entre bisavo e bisneto.

Dando sequencia `a nossa linhagem genealogica temos entao o seguinte:

1494 Antonio Martins Bezerra – Maria Martins Bezerra
1524 Antonio Bezerra Felpa de Barbuda – Maria Araujo
1554 Guilherme Bezerra Felpa de Barbuda – Camila Barbalho
1584 Luis Barbalho Bezerra – Maria Furtado de Mendonca
1616 Jeronimo Barbalho Bezerra – Izabel Pedroso
1650 Paschoa Barbalho – Pedro da Costa Ramiro
1678 Maria da Costa Barbalho – Manoel Aguiar
1706 Manoel Vaz Barbalho – 1716 Josepha Pimenta de Souza
1738 Isidora Maria da Encarnacao – Antonio Francisco Carvalho
1779 Boaventura Jose Pimenta – Maria Balbina de Santana (Borges Monteiro)
1821 Modesto Jose Pimenta – Ermelinda Querubina Pereira do Amaral
1853 Cornelio Jose Pimenta – Josephina Carvalho de Souza
1893 Demerval Jose Pimenta – Lucia Pinheiro Pimenta

As tres primeiras datas e as para Maria e seu filho Manoel sao hipoteticas apenas para que tenhamos nocao de uma linha de tempo razoavel. Por razoes obvias estiquei a genealogica ate ao autor do livro: “A Mata do Pecanha, sua Historia e sua Gente”. O pai dele, coronel Cornelio, foi um dos primeiros moradores do Arraial que deu origem ao Municipio de Sao Joao Evangelista – MG, onde ja residia antes da fundacao. Os nossos vinculos com eles se dao pela linhagem Barbalho; atraves da bisavo Maria Balbina de Santana (Borges Monteiro) e da avo: Ermelinda Querubina Pereira do Amaral.

A segunda lacuna que o Antonio Filipe nos ajudou a preencher foi o fato de ele ter encontrado que d. Paschoa Barbalho era filha do Jeronimo Barbalho Bezerra. Descrevendo o ramo Barbalho ate onde conseguiu dados, foi o professor Pimenta quem nos passou a consciencia de sermos descendentes do Luis Barbalho Bezerra. Nome este que esta invertido em seu livro. A descricao apresentada pelo professor Demerval eh a seguinte:

“Ascendentes de Manoel Vaz Barbalho

I – LUIZ BEZERRA BARBALHO, heroi brasileiro, nascido em Pernambuco, imortalizado nas lutas contra os holandeses, e principalmente na sua famosa retirada `a testa de mil homens, desde o Rio Grande do Norte ate a Bahia, em 1638. Foi nomeado Governador do Rio de Janeiro. Faleceu em 1654.

Pais de:

II – Capitao JERONIMO BEZERRA BARBALHO, casado com IZABEL PEDREIRA. Faleceu no cadafalso, no Rio de Janeiro, em 8 de abril de 1661.

III – PASCOA BARBALHO, neta de JERONIMO BEZERRA BARBALHO, era casada com PEDRO DA COSTA, no Rio de Janeiro, em 19 de Janeiro de 1668. Deste casal procede:

IV – MARIA DA COSTA BARBALHO, batizada na Freguesia de Nossa Senhora da Apresentacao de Iraja, distrito do Rio de Janeiro, casou-se com MANOEL AGUIAR, viuvo de ANA PEREIRA DE ARAUJO.

Pais de:

V – MANOEL VAZ BARBALHO, casado em 18.9.1732, em Milho Verde, com JOSEFA PIMENTA, filha de BELCHIOR PIMENTA DE CARVALHO.”

Apesar dos pequenos enganos do professor Demerval, como a inversao da assinatura; a troca da data de falecimento do dia 6 para o dia 8; a troca do sobrenome Pedroso, em Izabel, para Pedreira, e a data para o falecimento do Luis, de 1644 para 1654, acredito que possamos confiar nos resultados das pesquisas dele, embora, sempre havera que se fazer uma verificacao.

Uma dessas verificacoes foi a que encontrei numa tese a respeito dos engenhos do Rio de Janeiro (www.ub.edu/geocrit/sn/sn-218-32.htm, segundo quadro – 1686 – 1705) onde se comprova que d. Paschoa Barbalho realmente existiu; o nome completo do marido dela era Pedro da Costa Ramiro, e no final do seculo XVII foram donos do Engenho de Sao Bento, situado no Mutua, nas bandas de Sao Goncalo.

Quanto ao sobrenome “da Costa”, gostaria de verificar posteriormente se tinha algum relacionamento com Antonio da Costa, o navegador que participou da conquista do Rio de Janeiro, apoiando Estacio de Sa, e/ou com Pedro da Costa, o primeiro “tabeliao do publico e judiciario” da Cidade de Sao Sebastiao do Rio de Janeiro.

Essa curiosidade a respeito de relacionamento se extende tambem ao sobrenome Aguiar, em Manoel Aguiar, marido de Maria da Costa Barbalho. Sabemos que estes sobrenomes permanecem presentes no Rio de Janeiro entre as familias mais conhecidas de la. Eh possivel que estejam ligados aos fundadores e personalidades historicas do Rio de Janeiro, pelo menos no que se trata `as familias da classe de servidores publicos.

Voltando entao ao trabalho do Antonio Filipe Pereira Caetano e a Sao Goncalo. Na pagina 179 encontram-se algumas informacoes da passagem da geracao do Jeronimo Barbalho Bezerra para a de Paschoa Barbalho. Levantei anteriormente varias hipoteses baseadas nos indicios distorcidos que encontrei em textos na internet. Todas erradas, exceto por uma.

Num resumo de biografia do mestre de campo Luis Barbalho Bezerra, na Wikipedia, foi dito que os irmaos Jeronimo e Agostinho haviam chegado jovens ao Rio de Janeiro, com os pais deles. Eles foram para la em 1643. Portanto seria algo totalmente inesperado que uma neta do Jeronimo estivesse se casando em 1668, segundo o proposto pelo professor Demerval. Assim, sugeri que ela fosse filha. Tambem duvidei da informacao da Wikipedia a respeito das idades dos personagens. O dado de que o Jeronimo nasceu por volta de 1616 o coloca com 28 anos, o que era para la de meia-idade naquela epoca.

Mas o que mais ajudou em nosso caso foram os dados abaixo:

Joao do Couto Carnide – Cordula Gomes, pais de:
Isabel Pedroso – Jeronimo Barbalho Bezerra

Estes nossos ancestrais foram pais de : Jeronimo Barbalho, 1645; Felipe Barbalho Bezerra, 1647; Paschoa Barbalho, 1650; Luis Barbalho, 1651 (falecido antes de 1660); Micaela Barbalho Bezerra Pedroso, 1653; e Luis Barbalho Bezerra, 1660. O Antonio Filipe informa que estes filhos nasceram no Rio de Janeiro, porem, os netos, principalmente os oriundos das filhas possuiram ligacoes com Sao Goncalo.

Os dados que ja encontraramos realmente informam que Agostinho e Jeronimo possuiram fazendas em Sao Goncalo. A nota da presenca do Agostinho em Sao Goncalo nos vem na biografia dele, escrita por Francisco Augusto Pereira da Costa, no “Diccionario Biographico de Pernambucanos Celebres”.

Ja a presenca do Jeronimo eh mais especifica. O trabalho do Antonio Filipe e outros afirmam que teve fazenda na Ponta do Bravo. Este foi o local onde ocorreram as reunioes que decidiram pela eclosao do feito mais conhecido do Jeronimo que foi liderar “A Revolta da Cachaca”. Ele foi o unico dos lideres que foi sumariamente condenado e executado. Os outros foram presos e, julgados em Portugal, ganharam as simpatias dos cabecas da realeza, e que os deram por inocentes, enquanto Salvador Correa de Sa e Benevides tornou-se reu e culpado do assassinato de um dos herois da resistencia ao invasor holandes.

Fica, assim, confirmado os nossos vinculos com Sao Goncalo e justificado a abertura deste capitulo.

Numa das literaturas que consultei ha a mencao de que houvera um segundo Luiz Barbalho Bezerra que aparece como capitao no Rio de Janeiro. O que posso presumir eh que o tal seja o filho mais novo do Jeronimo.

As fontes literarias consultadas pelo Antonio Filipe, em relacao `a nossa genealogia, foram o “Dicionario das Familias Brasileiras”, p. 368 (Barbalho Bezerra) de Afonso Henriques da Cunha Bueno & Carlos Eduardo de Almeida Barata, lancado em 2000; e “Primeiras Familias do Rio de Janeiro (seculos XVI e XVII), pags. 188-195 do Carlos Rheingantz, lancado em 1965. O “Dicionario de Familias Brasileiras” a partir de agora fara parte de literaturas a serem consultadas para a ampliacao dos nossos conhecimentos genealogicos. Foi a primeira vez que ouvi mencao a respeito dele.

Acrescente-se agora a definicao de que Cecilia Barbalho era mesmo filha do Luis Barbalho Bezerra, o velho, e nao esposa do Agostinho, como muitos erroneamente o indicaram. Este erro esta inclusive anotado na propria biografia dela. No livro “Pantheon Fluminense; Esbocos Biographicos” este engano esta ali registrado tambem. Observe-se que ali se menciona a presenca de filhas do casal, porem, nao da nome a elas.

Outra grande novidade, para mim, que o trabalho do Antonio Filipe nos da eh a de que houve um filho dos ancestrais Luis Barbalho e Maria Mendonca chamado Antonio Barbalho Bezerra, casado com Joana Gomes da Silveira. Nao posso afirmar com certeza mas penso que possa have ai um engano de informacao. O casal realmente existiu e faz parte da Historia da Vila de Nossa Senhora das Neves, atual Joao Pessoa.

Ao mencionar o Antonio Barbalho Bezerra o Antonio Filipe pode ter cometido os enganos de dizer que ele fora o filho mais novo (“casou, em 6 de novembro de 1633”) e de que a esposa fosse neta de Duarte Gomes da Silveira. Acredito que o Francisco Monteiro tenha sido o filho mais novo e antes eu calculei errado que tivesse nascido em 1634. O mais provavel eh que tenha nascido em 1644, pois, recebeu a aposentadoria compulsoria em 1704. Se bem recordo, as aposentadorias compulsorias no servico militar se davam aos 60 anos e nao aos 70. Oferecerei mais detalhes da vida do Antonio Bezerra no capitulo 82, dedicado `a Cidade de Joao Pessoa.

Outro engano que o Antonio Filipe cometeu tambem foi o dizer que Luis Barbalho Bezerra foi pai de apenas seis filhos. Acredito que os genealogistas baianos basearam os estudos deles apenas nos documentos encontrados na Bahia. O mesmo deve ter sido feito no Rio de Janeiro. Assim, ambos os times encontraram o numero 6, porem, a relacao de nomes difere uma da outra lista. Da Bahia constam: Agostinho, Guilherme, Fernao, Antonia, Cosma e Francisco Monteiro. No Rio temos: Antonio, Guilherme, Cecilia, Francisco Monteiro, Agostinho e Jeronimo. Ou seja, 3 sao repetidos, o que nos da um total de 9 filhos.

Infelizmente, perdi a fonte onde encontrei o nome Celia Carreiro. Nao posso usar o geneall.net Portugal como referencia porque fui eu quem indicou o nome e a referencia. Ela parece nao ser filha da Maria Furtado de Mendonca, por nao se encontrar em nenhuma das listas. E, talvez, se encaixe perfeitamente como filha de alguma possivel primeira esposa falecida do Luis Barbalho, por causa do indicativo da data de 1600 para o nascimento do marido dela: Fernao Aires Furtado.

Segundo o Antonio Filipe, Luis Barbalho e Maria Furtado teriam se casado em 1644, quando o Luis contava 30 anos. Algo nao muito comum para os homens de familias bem posicionadas socialmente como era a dele.

Assim ficam definidos 9 filhos e filhas de Luis Barbalho Bezerra (mais uma a ser confirmada) e Maria Furtado de Mendonca. Eh interessante que, se esta lista estiver correta, nos podemos ter uma visao de como uma unica familia poderia dominar o cenario nacional naquele tempo, bastando ser numerosa, fazer parte da nobreza da terra e colocar-se `a disposicao do servico Publico, ou de sua magestade.

Nao posso dizer que a familia tivesse um plano de dominio do pais mas isso poderia ter ocorrido se alguns acontecimentos infelizes nao tivessem ocorrido. Certamente, nao houve um planejamento porque foram as guerras contra os holandeses que praticamente forcaram a familia a entrar toda para o servico militar e, em consequencia disso, ser dispersada para os pontos estrategicos da nacao `a epoca.

Tirando Pernambuco que, aparentemente, Luis Barbalho nao deixou descendentes e tambem nao seria necessario porque ja possuia vinculos familiares com os mais poderosos locais, vejamos para onde foram os filhos. Observando-se antes que, em Pernambuco, o avo do Luis Barbalho: Bras Barbalho Feyo, era concunhado de Joao Paes Velho Barreto que se tornou o senhor de engenhos mais prospero daquela Capitania. Joao Paes casou-se com Ines e Bras com Catharina (ou Maria), filhas de Francisco Carvalho de Andrade e Maria Tavares de Guardes. Outros Barbalho da familia tambem devem ter permanecido em Pernambuco.

Por um certo tempo, o Guilherme foi o alcaide-mor de Sao Christovao, a entao capital de Sergipe. E o filho dele, Domingos, o sucedeu.

Em tambem sendo filho, o Antonio tornou-se o segundo senhor do morgado de Sao Salvador do Mundo da Paraiba. Foi um morgado riquissimo e criado pelo sogro dele: Duarte Gomes da Silveira (ou avo de sua esposa Joana Gomes da Silveira).

Em Salvador, o Fernao Barbalho era capitao do Forte de Sao Marcelo, tambem conhecido como Nossa Senhora do Populo. Ele deixou o cargo para servir ao Infante e futuro rei D. Pedro, em Portugal. Este Pedro foi o cabeca da armacao que destituiu o rei Afonso VI em 1668, tornando-se Pedro, o regente, antes de tornar-se rei apos `a morte do irmao em 1686.

Fernao colocou em seu posto como capitao do Forte de Sao Marcelo o seu irmao: Francisco Monteiro Barbalho Bezerra. Essa manobra manteve um dos varoes da familia na Bahia, porem, enfraqueceu um pouco o poder dela no pais porque o Francisco poderia ter sido destacado para algum outro ponto estrategico, como a Capitania de Sao Paulo por exemplo, onde nao tinha representantes.

As aliancas continuam na Bahia, com os casamentos das filhas Antonia e cosma. Elas se casaram respectivamente com Antonio Ferreira de Souza e Francisco de Negreiros Sueiro. Familias estas que dominavam o rico Reconcavo Baiano. Para se ter uma melhor ideia dessas aliancas, d. Ines Theresa Barbalho Bezerra, filha de d. Antonia, casou-se com o fidalgo Egas Moniz Barreto, que no mesmo ano do casamento foi promovido a coronel, e que cuja influencia genetica nas familias nobres do Imperio torna-se bastante acentuada.

A existencia do Jeronimo fora discreta, sobressaindo-se apenas durante “A Revolta da Cachaca”. Nao tenho como afirmar realmente que fora discreta porque existe a possibilidade de os inimigos deles terem queimado alguns documentos com registros da presenca dele na Terra. Um tipo de vinganca ate facil de prever em casos de pessoas que eram executadas, principalmente de forma sumaria. Talvez ele tenha aparecido menos justamente por talvez ter sido encarregado de ser o Aio da familia. Enquanto tinha ainda irmaos menores, filhos e sobrinhos, alem dos mais velhos estarem envolvidos nas guerras, alguem teria que assumir os negocios e a pageanca do cla.

O falecimento do Jeronimo em consequencia da “Revolta da Cachaca” deve ter castrado as mehores oportunidades da familia porque os filhos eram ainda muito jovens e nao poderiam assumir cargos de maiores responsabilidades.

No Rio de Janeiro a familia teve la seu apice com o Agostinho. Alem de “bem casado” e bem relacionado com as altas esferas do poder, tinha um curriculum invejavel e quase impecavel. A ambicao dele foi enorme. Pediu e ganhou o direito perpetuo sobre a Ilha de Santa Catarina. Mas nunca tomou posse porque faleceu logo depois de ter conseguido. Lembremos que Santa Catarina, a ilha, onde hoje se localiza Florianopolis, foi o quartel avancado que assegurou a posse dos Estados da Regiao Sul para o Brasil.

Na ocasiao do falecimento dele, ele acumulava o cargo de “cacador das esmeraldas”. Era administrador das minas de Sao Paulo. Se o encontro das minas tivesse se dado na administracao dele, Minas Gerais teria ganhado pelo menos um marques com o sobrenome Barbalho.

Ainda no Rio de Janeiro, a Cecilia Barbalho casara-se com Antonio Barbosa Calheiros. Oriundo de familia (Barbosa) que fazia parte das altas rodas do poder. Igualmente triste, neste sentido, foi a Cecilia ter ficado viuva sem que o marido lhe tivesse deixado heranca muito relevante. Foi dito que por esta razao internou-se, com as filhas, em um abrigo construido por ela propria na propriedade da Capela de Nossa Senhora da Conceicao, na famosa Rua da Ajuda. Mais tarde ela tornou-se a mentora do Convento de Nossa Senhora da Ajuda. Foi o primeiro convento feminino do Rio de Janeiro

Ha que se fazer aqui uma ressalva. Parece que a informacao a respeito dos detalhes genealogicos da Cecilia Barbalho encontram-se no “Primeiras Familias do Rio de Janeiro, 1:195”, do genealogista Carlos Rheingantz. No livro: “Alfandega do Rio de Janeiro”, do Jose Eduardo Pimentel de Godoy, na passagem das paginas 16 para 17, a respeito de Joao Barbosa Calheiros, ele menciona que este personagem: “era certamente parente de Antonio Barbosa Calheiros, genro de Agostinho Barbalho Bezerra, e cunhado de Jeronimo Barbalho Bezerra, poderosa familia que desafiou o predominio de Salvador Correa de Sa e Benevides.”

Obviamente, o Antonio Filipe, abrindo a mesma pagina do mesmo livro, informa-nos que Antonio Barbosa foi cunhado do Agostinho e do Jeronimo simultaneamente, ao dizer que a esposa: Cecilia Barbalho, era irma deles. Tudo eh possivel mas estou dando credito maior ao Antonio Filipe. Todos estamos sujeitos a distracoes. Mas a segunda hipotese parece ter mais logica.

Outro detalhe dessa genealogia foi que eu havia encontrado na pagina: http://www.genealogiabrasileira.com/titulos_perdidos/Cantagalo_ptazercout.htm, do nosso confrade Lenio Richa, no capitulo 6o., paragrafo 1o., item 3 – 6, que Inacia Rangel havia se casado com Francisco Barbalho. O Lenio sugeria que esse Francisco fosse filho ou neto do Luis Barbalho e que o nascimento provavel dele teria se dado por volta de 1650.

Baseado em minha interpretacao anterior de que o Francisco Monteiro Barbalho Bezerra havia nascido em 1634, sugeri que aquele Francisco Barbalho pudesse ser neto.

Com a eventualidade de o nascimento do Francisco Monteiro poder ter se dado em 1644, penso ai haver uma remota possibilidade de serem a mesma pessoa, embora, ressalte-se que os filhos de Inacia e Francisco nasceram no Rio, praticamente impedindo essa possibilidade, em funcao de o Francisco Monteiro ter-se capitao do Forte de Nossa Senhora do Populo, na Bahia, desde 1667 ate 1704.

Se acaso o Francisco Barbalho, marido da Inacia Rangel, for mesmo descendente dos nossos ancestrais, nao sera filho do Jeronimo como pensei primeiro. Podera ser filho do Agostinho, embora, nao tenho a relacao de filhos dele.

Voltando agora ao assunto principal deste capitulo que eh o nosso relacionamento com a Cidade de Sao Goncalo, no Rio de Janeiro, fiz contato com a administracao da “SAL” – Sociedade de Artes e Letras de Sao Goncalo – que agora estou impedido de manter contato frequente via internet. O contato era no sentido de encontrar entre os associados alguem mais interessado tambem em genealogia. O primeiro contato havia sido otimo, com pronto retorno.

Com o impedimento, penso que o assunto podera morrer ai. Havia enviado uma treplica apenas falando por alto o que eu pretendia, porem, nao havia posto substancia em minhas ideias ainda. Mas o que eu gostaria de incentivar era o contato entre as pessoas e penso que com isso poderia ocorrer um movimento turistico em torno da genealogia. Tomo a Familia Barbalho apenas como um exemplo mas as outras linhagens familiares brasileiras poderiam espelhar-se no padrao e fazer o mesmo.

O que pretendo precisava do apoio das pessoas que ja se ocupam com genealogia, historia, cultura e com as prefeituras e seus orgaos correspondentes. Dentro do que visualizo, cada prefeitura poderia ter pelo menos uma salinha para abrigar um genealogista local que tivesse acesso `as documentacoes antigas. Melhor seria entao que se criasse um site novo de genealogia ou aproveitar-se algum ja existente.

Assim poderiamos combinar todos os nossos achados genealogicos num unico local, para podermos desvendar os graus de parentesco que existe na populacao como um todo. Lembrem-se que o principio podera ser dificultoso, porem, eh um trabalho que se fara uma vez e servira para sempre, dependendo apenas de manutencao e atualizacao corriqueira.

Outra contribuicao importante ao plano sera a identificacao de locais e propriedades relacionadas aos ancestrais. Ha a necessidade de presevar-se esse patrimonio historico e de familia. Um exemplo disso eh a preservacao de casas que pertencderam ou foram locais onde os personagens historicos nasceram, tornando-as museus patrimoniais e biograficos deles.

Neste ponto gostaria de salientar que a Cidade de Sao Goncalo nao esta aproveitando a oportunidade que possui em maos. Ate ao momento nao encontrei relacionamento historico algum entre os pontos turisticos que ela explora e o sobrenome Barbalho. As unicas referencias q Baue encontrei sao as indicacoes de que atualmente o Bairro do Gradim se encontra em terras que antes faziam parte da Ponta do Bravo que, agora, relaciono com a propriedade que pertenceu a Jeronimo Barbalho. Tambem que houve um engenho, invocando o nome de Sao Bento, que foi propriedade de d. Paschoa Barbalho e Pedro da Costa Ramiro, nossos ancestrais.

Tenho a curiosidade de saber onde e como os meus ancestrais viveram. E penso que se todos os descendentes deles tambem soubessem que os tem como ascendentes, teriam curiosidade igual e ate maior. O problema eh que a informacao nao esta disponivel para todos. Digo mais. Esta restrita a uma minoria! Ora, quem no Brasil sabe quem foram e o que fizeram Luis, Jeronimo, Antonio, Fernao, Gulherme, Agostinho, Francisco e outros Barbalho Bezerra daquela e outras epocas? A divulgacao da genealogia facilitaria o despertar da curiosidade das pessoas pelos fatos historicos e pelos locais por onde passaram os ancestrais delas.

Se eu fosse visitar Sao Goncalo hoje, entre um hotel cinco estrelas e uma pousada num local das fazendas que pertenceram aos meus ancestrais eu preferiria a pousada, desde que eu pudesse realmente conhecesse a relacao que existe entre a minha pessoa e os antigos moradores do local. Claro, ficaria satisfeito tambem se encontrasse outras pessoas, atuais moradoras da cidade, que fossem descendentes dos mesmos ancestrais.

Bom, a seguir, o projeto passaria para uma segunda etapa. Identificados os personagens historicos e suas propriedades, juntamente com a identificacao das descendencias, viriam as comemoracoes. Digamos que, devido ao projeto estar em fase apenas de elaboracao, podemos tomar a data de 2030 como uma possivel data de inicio. Dai para frente observe-se o que ha por se lembrar:

2030 – Encontro cultural Brasil/Holanda e discussoes dos 400 anos da Invasao Holandesa em Pernambuco.

2032 – 300 anos do casamento dos patriarcas Manoel Vaz Barbalho e Josepha Pimenta de Souza, ocorrido em Minho Verde, distrito da Cidade do Serro, MG.

2034 – 400 anos da Invasao Holandesa em Joao Pessoa.

2038 – 400 anos da rechacao da Invasao Holandesa `a Bahia, importante capitulo da Historia. Existem varias datas em torno deste acontecimento como, por exemplo, a construcao do Forte de Nossa Senhora da Conceicao, tambem conhecido como o Forte do Barbalho, por Luis Barbalho Bezerra.

2043 – Chegada da Familia Barbalho ao Rio de Janeiro e instalacao do governador Luis Barbalho Bezerra. Estas sao outras comemoracoes quarto-centenarias.

2044 – 15 de abril, quarto-centenario do falecimento do governador Luis Barbalho, no Rio de Janeiro.

2060/2061 – Comemoracao do quarto-centenario da “Revolta da Cachaca”, com enfase especial em Sao Goncalo, Niteroi e Rio de Janeiro.

2084 – Quinto-centenario do nascimento de Luis Barbalho Bezerra.

Aqui estou apresentando apenas um resumo de datas a serem comemoradas nao me atendo a acontecimentos menores como os de criacoes de muitos municipios do pais, nos quais estavam presentes a descendencia dos personagens. Seria o caso, por exemplo, da criacao da Paroquia de Nossa Senhora do Patrocinio de Guanhaes, atual Virginopolis, MG, em 1858. Dai havera o que se comemorar em 2058. (duocentenario).

A descendencia tambem se extende ao Rio Grande do Sul – Gravatai em particular – desde o final dos anos 1700. O mesmo se da em Florianopolis. Possivelmente haverao personagens e feitos importantes de descendentes a que se comemorar e ser colocado no calendario comemorativo. Nossas pesquisas precisam ser construidas a muitas maos em conjunto para obtermos um conhecimento mais completo de nossos parentes.

O objetivo dessas comemoracoes seria tambem o de criar-se um fluxo continuo de turismo da descendencia aos locais vinculados aos seus ancestrais em anos e datas nao comemorativos. Creio que somente da descendencia Barbalho existam ja milhoes de brasileiros e estrangeiros. Entre os que assinam e os que nao assinam o sobrenome. Se cada uma dessas pessoas pagarem pelo menos uma visita na vida aos locais de seus ancestrais, este fluxo estara criado. E vira o tempo em que se tornara ate superlotado.

E aqui estou mencionando apenas uma linhagem familiar. Imagine-se o que se dara se o levantamento genealogico for feito nas inumeras familias ou, pelo menos, em relacao aos principais patri e matriarcas, desde as primeiras colonizacoes no pais ate aos dias de hoje!…

Quanto `as informacoes a respeito de moradores e/ou nascidos no exterior, visitem o Family Search e busquem o sobrenome Barbalho. Observarao nao muitas mas ja ha um numero razoavel de pessoas com este sobrenome aqui nos EEUU. A maioria delas pertencem ao ramo familiar do qual herdei meu sobrenome e as conheci pessoalmente. Acredito que quanto mais o tempo passar, mais este numero se multiplicara, e seria saudavel para a economia de todos nos que estas pessoas nao perdessem os rumos de onde vieram. Mas se os descendentes delas nao tiverem referencias fisicas de onde os seus ancestrais partiram, o que as motivara visitar o pais de origem deles?

Um dos pontos que penso ser necessario para que o projeto de certo eh fazer a pesquisa e a divulgacao dos feitos heroicos praticados pelos ancestrais. Livros a respeito das vidas do Luis, do Agostinho, do Jeronimo e outros ajudariam muito.

Uso este argumento por uma razao. Se poucos sao os que no Brasil podem dizer: conheco os personagens, no exterior eles sao totalmente ignorados. Mesmo que as acoes deles no Brasil tenham tido o efeito nao intencional de influenciar na Historia dos Estados Unidos, por exemplo.

Com a expulsao dos holandeses do Brasil, alguns judeus preferiram voltar para a Europa mas acabaram atracando em Nova Amisterda, atual Nova Iorque. Ali fundaram a primeira, e por quase dois seculos a unica, sinagoga no pais. Estes portugueses e espanhois de origem e brasileiros temporarios deixaram descendentes que lutaram nas Guerras de Independencia e na de 1812, alem de terem ajudado a criar o sistema economico que fez deste pais a nacao mais poderosa do mundo durante o decorrer do seculo XX.

Apesar dessa verdade, entrei em contato com uma empresa de pesquisa de heraldica aqui. Alegaram possuir um banco de dados contendo mais de um milhao de sobrenomes mas que nem sequer tinham noticia do sobrenome Barbalho. Ate parece piada!

Certamente, os outros nomes comuns portugueses e espanhois eles possuem porque fazem parte da heranca genetica de passado mais remoto por aqui. Isso em parte porque metade do territorio da parte continental continua dos Estados Unidos foi tomada aos mexicanos e espanhois e nela os espanhois de origem foram assimilados. Em outra parte por causa da migracao portuguesa que vem ocorrendo desde os tempos coloniais para aqui tambem. Portanto, eh muito comum encontramos americanos “velhos” com assinaturas tais como Pereira, Mesquita, Sanchez e outros.

Aproveitando que estou recordando, gostaria de fazer aqui algumas observacoes a respeito da genealogia dos Barbalho no Rio de Janeiro. Inclusive o Antonio Filipe repete no trabalho dele a data de nascimento do Agostinho Barbalho como sendo 1619. Vi apenas uma mencao como sendo 1609, mas creio que devo levantar o alerta para que se pesquise melhor a respeito da duvida porque a ultima data parece se encaixar melhor em alguns fatos da vida dele.

Neste caso, o dado de que o Luis Barbalho Bezerra, o velho, tenha nascido em 1584 e se casado 30 anos depois nao se casa com dados de outros pesquisadores. A biografia da Cecilia, no “Pantheon Fluminense”, afirma que ela nascera em 1613.

Tambem temos o fato de que o Agostinho foi elevado `a patente de capitao pelo conde de Torre em 1639. `A epoca ele servia sob o comando do proprio pai, Luis Barbalho, e se ele tivesse nascido em 1619 seria mais novo que Antonio, Guilherme, Fernao e Jeronimo, alem de centenas de outros que estariam prestando servico na mesma companhia. Alem dessa clausula de hierarquia em funcao de idade, note-se que os que possuissem recursos proprios teriam preferencia.

Segundo informacoes mais que conhecidas, Luis Barbalho Bezerra havia gasto tudo o que possuia combatendo os holandeses, a ponto de que quando chegou ao Rio de Janeiro para governa-lo foi-lhe concedida uma pensao para ele, pelo menos, poder alugar uma casa de morada. Seria quase hilario o pai alegar peticao de miseria enquanto o filho estivesse em condicao financeira aceitavel mas nao o ajudasse. A ressurreicao financeira do Agostinho deve ter-se dado atraves do dote que recebeu, “pelo sacrificio que fez” de casar-se com Brites ou Beatriz de Lemos, filha do riquissimo Joao Alvares Pereira.

Face a estas razoes, penso que seja mais logico que Agostinho tenha nascido em 1609 e sido promovido a capitao por volta dos 30 anos, o que o faria um dos mais velhos em sua companhia e menos necessario estar com as burras cheias de dinheiro para tal. Alem disso, sendo mais velho que o Jeronimo, ficaria explicado o fato de o povo ter recorrido a ele primeiro para governar o Rio de Janeiro. O lider da Revolta da Cachaca foi o Jeronimo e nao o Agostinho. Este aceitou o cargo somente sob ameaca de morte. Se ele nao fosse o mais velho, possivelmente, o Jeronimo teria assumido o governo desde o inicio porque hierarquicamente ambos preencheriam os mesmos requisitos.

Como pudemos observar anteriormente, ficou completamente comprovado que a Familia Pimenta e suas correlatas por descendencia desta eh mesmo descendente das familias reais ibericas e alhures. Isso significa que todos os nossos primos que sao “folhas” na Arvore Genealogica do Tronco Pimenta – Vaz Barbalho, descrito pelo professor Demerval Jose Pimenta em sua obra prima: “A Mata do Pecanha, sua Historia e sua Gente” fazem parte da linhagem nobre descendente do ramo Bezerra oriundo da Galiza.

O que falta agora em minha pesquisa eh a confirmacao de que as Familias Barbalho e Coelho, do Norte e Centro-Nordeste de Minas Gerais tenham vinculo igual ou semelhante com o casal Manoel Vaz Barbalho e Josepha Pimenta de Souza. Quanto `a linhagem Barbalho ela ja esta definida ate Jose Vaz Barbalho, natural do Serro, que se casou com Anna Joaquina Maria de Sao Jose, natural de Conceicao do Mato Dentro, ambas cidades em Minas Gerais. A data presumivel do nascimento do Jose Vaz Barbalho o colocam na possibilidade de ser filho ou neto do casal Manoel/Josepha. E o sobrenome quase o “condena” a isso.

O documento que poderia nos mostrar todas as comprovacoes que precisamos em relacao ao sobrenome Barbalho seria “os Autos de Genere” do padre Policarpo Jose Barbalho. Estes deverao ser encontrados em Mariana – MG. O padre Policarpo foi filho de Jose/Anna Joaquina e este vinculo paterno foi constatado nos “Autos de Genere” do padre Emigdio de Magalhaes Barbalho, filho do padre Policarpo e sua esposa Isidora Francisca de Magalhaes. Nao ha confusao nenhuma ai. O padre Policarpo casou-se, ficou viuvo, criou a familia e retornou ao seminario que comecara antes de casar-se em 1808.

Uma alternativa seria encontrarmos os registros do casamento de Jose Vaz e Anna Joaquina. Provavelmente, as nupcias se deram em Conceicao do Mato Dentro ou em alguma de suas muitas Freguesias na epoca. Embora nao tenhamos data para este acontecimento, ele deve ter ocorrido entre 1760 a 1780. Depende do nascimento do Jose que pode ter nascido entre 1733 a 1755.

Quanto ao ramo Coelho, creio que tanto os registros de casamento de Jose Coelho de Magalhaes e Eugenia Rodrigues da Rocha, quanto os do casamento dos pais dela: Giuseppe Nicatsi da Rocha e Maria Rodrigues de Magalhaes Barbalho mostrariam o casal Manoel/Josepha como pais da Maria Rodrigues, caso assim o for mesmo. As datas que temos como base indicam que Maria Rodrigues poderia ser filha mas nao teria tempo habil para ser neta. Porem, podera haver grau alternativo de parentesco.

Essa duvida quanto a ser filha ou nao deriva dos sobrenomes Rodrigues de Magalhaes que, segundo anotacao posterior do professor Demerval, ela usava. Por volta dos anos de 1600 e 1700 tornou-se muito comum as pessoas de origem nobre usarem um maior numero de sobrenomes, na maioria dos casos relacionados a ancestrais mais antigos e, algumas vezes, em homenagem a padrinhos. Como nao sabemos ainda quem foram os ancestrais da Maria Rodrigues, nao temos como explicar o sobrenome completo dela.

Uma hipotese alternativa seria a de ela ter sido irma, sobrinha ou prima do Manoel Vaz Barbalho. Pelo o que o professor Demerval nos apresentou na genealogia encontrada por ele, Manoel Vaz Barbalho era filho de Maria da Costa Barbalho e Manoel Aguiar, todos naturais do Rio de Janeiro, muito provavelmente de Sao Goncalo. E existe uma razao muito boa para que um possivel nucleo familiar tenha se mudado para Minas Gerais na decada de 1720. O mesmo pode ter se dado com parte da familia de Josepha Pimenta, dai a razao de os dois se encontrarem em Milho Verde e ali se casarem.

Em primeiro lugar, Minas Gerais atraiu milhares de aventureiros a partir de 1700 em razao da descoberta das minas de ouro e por isso ter se dado o inicio do “Ciclo do Ouro” no pais. Porem na decada de 20 a febre inicial ja deveria ter se arrefecido porque os veios conhecidos ja tinham donos e estavam sendo explorados. Mas em 1720 houveram tres fatos que deverao ter dado um impulso menor, porem certeiro, ao fluxo imigratorio para Minas.

Em primeiro lugar, 1720 marca a data da revolta chefiada por Filipe dos Santos Freire. Essa foi uma revolta quase nos mesmos moldes da chamada “Guerra dos Emboabas” que nao apenas estava vinculada `a exploracao do ouro mas, principalmente, com a falta de liberdade do povo da terra e o monopolio do comercio garantido aos lusitanos. Dominada a revolta, o governador da entao Capitania de Sao Paulo e das Minas de Ouro: Antonio de Albuquerque Coelho de Carvalho, criou a nova Capitania das Minas Gerais separando-a da de Sao Paulo para obter maior controle da situacao. O risco de ocorrer outro movimento de emancipacao incentivou essa criacao.

Junto com a criacao da nova Capitania criou-se tambem a Comarca do Serro Frio, os diamantes foram encontrados no Distrito do Tejuco (atual Diamantina) e, em 1725, foi criada a casa de fundicao na Vila do Principe, atual Serro. Destes fatos, o de menor importancia para o movimento migratorio foi o encontro dos diamantes porque o monopolio de exploracao foi tao acirrado que muitos moradores (mesmo os escravos) foram expulsos para prevenir o extravio da riqueza. Restou, naturalmente, o fluxo migratorio de servidores publicos que, certamente, ha muito esperavam tal oportunidade de arranjar um bom cabide de emprego naquela terra que estava praticamente sem lei.

Eh possivel que tenha sido este o contexto que pode ter levado toda a Familia Aguiar da Costa Barbalho para, primeiramente, Milho Verde. Este distrito fazia parte do quadrilatero dos diamantes e a demora do governo portugues em autorizar concessoes de exploracao da pedra pode ter sido o motivo que levou o casal Manoel Barbalho/Josepha Pimenta a mudar-se dele para Tapanhoacanga (atual distrito de Alvorada de Minas, Itapanhoacanga). Local este que pertencia a Conceicao do Mato Dentro, que ainda fazia parte da Vila do Principe (Serro), e que `a epoca era um dos maiores produtores de ouro da Capitania.

Neste contexto podemos ter tido mais de um membro da familia se instalando na regiao. D. Paschoa Barbalho havia nascido em 1650 e se casado em 1668. Desde entao ate 1690 poderia perfeitamente ter filhos. Supondo que Maria da Costa Barbalho tenha nascido em torno de 1685, nao seria impossivel ter sido mae da Maria Rodrigues de Magalhaes Barbalho. Apesar de o sobrenome de Magalhaes Barbalho indicar a maior probabilidade de ai ter ocorrido uma geracao intermediaria. Sabemos que a Eugenia Rodrigues Rocha nasceu apos 1750. Portanto, a mae dela tera que ter nascido, no maximo, por volta de 40 anos antes.

O que poe o nascimento da mae dela em torno de 1720 ou mais. Espaco suficiente para que o avo ou a avo dela, na linhagem Barbalho, tenha sido filho ou filha da Maria da Costa Barbalho, nao sendo o Manoel Vaz Barbalho. O que tambem nao elimina a possibilidade de a linhagem Coelho descender dos outros irmaos de d. Paschoa Barbalho. Nao quero fazer mais conjecturas a este respeito. Por enquanto, o que temos de concreto eh que o casal Manoel Vaz/Josepha Pimenta residiam no local e no tempo certo em que a Maria Rodrigues de Magalhaes Barbalho nasceu. Portanto, eles sao os primeiros candidatos a serem os pais dela.

So mesmo com os documentos esclareceremos as duvidas. E creio que qualquer que venha a ser o resultado, penso que os registros dos casamentos acima citados estejam todos em Conceicao do Mato Dentro. So espero que algum anjo os localize e nos mande os resultados porque estou impedido de tentar acha-los por conta propria.

Outro fato eh este, se em ambos os casos, Barbalho e Coelho, encontrarmos respostas positivas em relacao a todos sermos ramos do mesmo tronco Pimenta – Vaz Barbalho, poderemos afirmar que o Norte e Nordeste de Minas Gerais terao se tornado um grande feudo de ascendencia Barbalho Bezerra, embora, o sobrenome Barbalho tenha sido mantido apenas em uma pequena parcela da populacao. Outros sobrenomes predominam em numero de assinantes mas a maioria teria igual ascendencia Barbalho.

Apenas concluindo este capitulo. Uma das razoes de minha esposa manter as discordias dela comigo eh a questao dela muito agradar-se de torturar-me com as frequentes perguntas: “E em que isso esta de dando dinheiro? Os outros estao ganhando dinheiro e nao estao nem ai para suas pesquisas, e quanto a sua familia esta te pagando? O que os seus antepassados vao te dar agora?”

As perguntas sao realmente embaracosas se colocarmos somente a prespectiva financeira como objetivo. Para minha esposa, como para a maioria das pessoas na atualidade, o prazer esta em possuir. Ela que foi e continua uma das pessoas destituidas em nossa Historia, jamais compreendera que o dinheiro jamais comprara todos os prazeres da vida.

Descendermos de determinados ancestrais nos da um prazer que nao depende de dinheiro algum. Conheco milhares de descendentes de meus ancestrais e a classe social financeira desta descendencia varia dos mais pobres aos mais ricos. Portanto, a presenca ou a ausencia do dinheiro nao impede de termos o mesmo prazer. Neste caso hao apenas duas alternativas: ou se eh ou nao se eh descendente.

Nao ha meios termos. Sendo que quem nao for podera ser descendente de outros ancestrais ingualmente importantes, e dos quais nos nao somos. Dai o prazer eh para todos. Nao se faz distincao alguma. Porem, quando tratamos de ancestrais que nasceram ha mil anos anteriores ao nosso nascimento, quase que podemos afirmar com absoluta certeza que o prazer eh para todos, exceto em casos excepcionais.

Quem nao descente de determinados ancestrais, pode ser rico do jeito que for, nao tera dinheiro para tornar-se descendente. O dinheiro nao compra ascendencia para ninguem, portanto, cada um tenha prazer naquela heranca que lhe eh propria, sabendo que os descendentes que acaso gerar acabarao se tornando tambem descendentes de outros ancestrais que este cada um nao foi. Ora, se alguem tem prazer em seus ancestrais, maior prazer terao os descendentes dele, porque terao mais ancestrais do que aqueles que os geraram.

O conhecimento da genealogia so aumenta o nosso prazer. Quanto mais conhecemos maior eh o nosso prazer. E deixar estes estudos como heranca `a nossa descendencia eh a garantia de que deixaremos heranca prazeirosa que nao se acabar; so se multiplica. Heranca genealogica eh algo que nao se compra e algo que nao se vende mas, por ser eterna, vale mais que todos os valores financeiros da Terra.

Nao comparo os valores espirituais com os valores genealogicos. Mas se a espiritualidade depende do surgimento de um primeiro casal formatado pelas Maos de um Creador, entao, a genealogia eh uma Carta Escrita pelo Creador, atraves de suas letras geneticas. Desde a formacao do primeiro casal a receita para a nossa formacao ja estava escrita. Genetica e genealogia andam juntas. Nos somos a traducao da Ordem do Creador de crescermos e multiplicarmo-nos. Nos somos o que os nossos ancestrais ja foram e o que sera a nossa descendencia. Se houve um Creador no surgimento do primeiro casal, entao, ha uma ligacao direta entre o Creador e nos atraves de nossa genetica.

Alguem podera dizer que falo do prazer genealogico mas que nao conheco o prazer do dinheiro. Eh verdade! Dinheiro eh algo que jamais tive na vida. Nem nunca esforcei para te-lo. Ou melhor, esforcei por coisas que acabaram nao me dando dinheiro algum. Mas observando o mundo percebo que o prazer na genealogia eh maior porque o dinheiro nao foi feito para que todos o tenham em abundancia. Por mais que todos se esforcem igualmente, sempre haverao os que ficarao com a maior parte, enquanto outro nao o terao. Ja a genetica parece ser algo que brota da Fonte Divina, pois, todos possuimos com abundancia. Falta-nos apenas conhecer o que nos cabe. E nossa parte ninguem toma.

*Micaela Barbalho Bezerra Pedroso, filha de Jeronimo Barbalho Bezerra e Izabel Pedroso, casou-se com o portugues Joao Batista de Matos. Existem diversas referencias a ela na internet e ao ramo genealogico que partiu dela e foi para Santa Catarina. Agora podemos confirmar que este e o nosso Barbalho eh o mesmo com a constatacao de que Micaela e Paschoa Barbalho eram irmas.

Maiores informacoes a respeito da nossa genealogia Barbalho na pagina: https://val51mabar.wordpress.com/2012/09/11/barbalho-pimenta-e-talvez-coelho-descendentes-do-rei-d-dinis/.

Acrescentarei mais um assunto aqui neste capitulo que tem apenas uma relacao indireta com a nossa genealogia. Ha alguns anos atras fui premiado com a inscricao e possibilidade de visitar o site geneall.net Portugal. Algo que apareceu como um “pop up” no computador. Aceitei, me inscrevi e gozei de otimos momentos estudando o banco de dados que eles possuem, particularmente no que se trata da genealogia pregressa de um certo Jose Coelho de Magalhaes, nobre de ascendencia e com todas as caracteristicas de poder ser o nosso ancestral de mesmo nome.

Recentemente, apos perder minha regalia de ter a conveniencia de possuir um computador dentro de casa, desejei voltar ao site para enviar aos administradores o encontro da ligacao entre d. Paschoa Barbalho e os pais dela: Jeronimo Barbalho Bezerra e Isabel Pedreira (Pedroso). Para minha surpresa, a inscricao havia sido cancelada e em lugar dela a oferta de associar-me sob um preco confortavel, por seis meses e, claro, a consequente expiracao no final do contrato e a automatica elevacao de meus custos.

A surpresa nao foi nada agradavel. Nao que eu seja mal agradecido. Ao contrario, fico devendo eterna gratidao pela oportunidade que me foi dada nos ultimos anos. O problema eh que a administracao do site mexeu com a pessoa errada com esta atitude comercial. Claro, eu pagaria a anuidade com o maior prazer se o dinheiro em meu bolso estivesse sobrando. Mas a realidade eh justamente o contrario. O que estao sobrando sao as minhas dividas e nao posso dar-me ao luxo de acrescentar nem mais um centavo a elas.

Neste caso, termina aqui nossa parceria. Nao creio que para mim havera consequencia maior porque sei que o que tenho que buscar eh justamente aquilo que nao se encontra naquele site. Alias, como gratuitamente recebi o direito de acesso a parte dos dados que la se encontram, gratuitamente enviei tambem as minhas descobertas que, na maioria dos casos, so nao foram mais completas porque o site nao atualizou o que enviei, assim, nao pude dar sequencia ao que considero o mais importante da genealogia.

Sendo sincero neste ponto, o site geneall.net Portugal possui mais dados a respeito de pessoas do passado. Eh contido primeiramente de nossos falecidos. Estes, em muitos casos, foram personalidades da Historia Universal e seus aparentados mais proximos. Claro, eles sao o atrativo para o site, porem nem tanto. Refiro-me ao fato de serem os nossos falecidos e somente atrairao mais usuarios se eles forem conectados com a descendencia que estiver viva. A verdade pode ser cruel, porem, os falecidos nao compram nada.

Se nao os ligarmos `as pessoas que estao vivas, eles despertarao o interesse apenas de alguns mais abinegados, como os historiadores que ja conhecam o fato de que a genealogia esta diretamente afetando os fatos historicos. Com a genealogia ha uma melhor compreensao e uso deles. Porem, acredito que os sites genealogicos somente terao sucesso completo quando oferecerem dados que liguem a maioria das pessoas vivas `a rede de linhagens ascendentes e que demonstrem que temos ligacoes parentais com todas ou a maioria das personalidades historicas.

Constatei isso atraves do desenvolvimento da minha propria curiosidade pelo assunto. Se nao tivesse encontrado naquele site uma pessoa, que pudesse ser meu ancestral, ha alguns anos atras, as minhas visitas nao teriam passado de uma ou duas. E jamais teria voltado porque ficaria para mim dificil sentir as pessoas que la estao como referencia em minha vida. Nao sou professor de Historia, portanto, so me interessariam aqueles que tivessem algum vinculo comigo, direta ou indiretamente. Hoje seria, por exemplo, o caso dos presidentes dos Estados Unidos que tem vinculo genetico conosco, incluindo o atual. Sao por volta de 75% deles.

Voltando `a ligacao que estava prestes a passar para o geneall.net Portugal, a ligacao de nossa ancestral d. Paschoa Barbalho ao pai dela, conecta naquele mesmo site o inicio da familia do professor Demerval Jose Pimenta, ou seja, os nossos primos Pimenta. Mesmo os dados do livro do professor nao conecta toda a familia `as pessoas da atualidade. Como a publicacao se deu em 1965, existem 2 ou 3 geracoes ainda sem recordar. Importante agora seria que os dados estivessem disponiveis no site porque os possiveis inscritos contribuintes dos dias de hoje poderiam reconhecer seus pais, avos e/ou bisavos. Se as geracoes permanecerem como la estao, no campo dos tri, tetra e pentavos, a maioria nao tera informacao para fazer tal coneccao e o interesse nao sera despertado em todos, apenas em alguns poucos como eu. Que infelizmente, poderao, como eu, nao ter a disposicao financeira de comprar o acesso.

Este eh o caso particular das familias Coelho e Magalhaes Barbalho ja parcialmente postadas naquele site. Do lado Magalhaes Barbalho, a pessoa mais antiga com a assinatura Barbalho e, provavelmente, conectavel `a mesma linhagem eh o Jose Vaz Barbalho, que eh pentavo da minha geracao mas que ja possui nonanetos e esta a caminho da proxima geracao. Se nao se descobrir e fazer a devida coneccao, seria muito dificil estes descendentes mais distantes encontrarem as informacoes que nos, que estamos a caminho do encerramento de nossa visita `a Terra, temos ainda em nossas memorias. Estes sim seriam os clientes mais almejados pelo site, porque terao mais o que viver e mais com que contribuir, financeiramente.

Pelo lado Coelho temos a hexavo (sextavo) Maria Rodrigues de Magalhaes Barbalho. Ha a possibilidade de ser irma do Jose Vaz Barbalho e ambos serem filhos do Manoel Vaz Barbalho e Josepha Pimenta de Souza. Mas tambem pode nao ser irma e sim uma parente proxima. Qualquer que seja a verdade, precisamos encontrar os dados que conectem as tres linhagens. Caso consigamos, entao, poderemos realmente dizer que podemos fazer este “negocio”, como dizem os bons mineiros. Ou seja, nos ficaremos felizes com a coneccao entre os nossos vivos e os nossos falecidos. E os sites de genealogia poderao faturar melhor com a oportunidade de se abrir um numero muito maior de candidatos a associados.

E aqui esta uma das razoes pelas quais a minha esposa odeia o que eu tenho feito. Para ela, as pessoas que entendem dos assuntos de internet eh que sao as inteligentes. Segundo ela, enquanto a gente tem que dar um duro danado para conseguirmos o nosso dinheiro suado, os inteligentes ficam la do outro lado, sentados em suas cadeiras e mesas, apenas elaborando falcatruas para o toma-lo de nos. E nisso nao discordo plenamente dela. As pessoas que estao do outro lado da coneccao nao se interessam pelo sacrificio que temos feito, elas desejam que contribuamos com nossos achados e com nosso suado dinheiro. E as informacoes que tornamos publicas se revertem em beneficios para elas, a cada vez que conseguem outro “pato” de nossa familia em seu quadro de associados.

Aqui preciso pedir desculpas aos meus primos pelas muitas vezes que indiquei o geneall.net Portugal como fonte de acesso a dados genealogicos. Sempre pensei que os dados mais antigos fossem publicos e nao imaginava que os estava indicando uma arapuca. De agora para sempre, entao, continuo recomendando o site, quando isso for absolutamente necessario, porem, com o aviso de que precisarao contribuir para ter acesso. Quem nao se importar de contribuir podera ter suas curiosidades satisfeitas.

O melhor de tudo, porem, eh que nao precisam do geneall.net Portugal para terem acesso aos dados relativos ao sobrenome Barbalho em nosso ramo. Eles estao disponiveis no http://www.geneaminas.com.br. Pelo menos, por enquanto, eh do dominio publico e a matricula eh gratuita, em caso de haver o interesse. O que, alias, esta muito mais completo porque ja lancei la todos os dados que ja coletei ate hoje. Assim, nao sera dificil para milhares de pessoas que nao tenho os dados encontrarem seus ancestrais proximos. Apenas alerto para o fato de que a nossa coneccao com as familias reais da Peninsula Iberica ja estar pronta la, porem, por enquanto apenas em relacao ao ramo Pimenta da familia. O Coelho e o Magalhaes Barbalho esta pendente.

Quando a confirmacao dos dados que ali se encontram registrados, caso alguem os queiram comprovar, indico o familybezerrainternational para os dados entre o Antonio Martins Bezerra e os ancestrais Teresa de Leao, condessa de Portugal e Henri de Bourgogne. Sao umas dez geracoes, indo dos anos 1.000 a 1500 aproximadamente. Mais dados em relacao a este nucleo familiar podem ser obtidos atraves da Wikipedia. Geralmente o site oferece biografias e informacoes genealogicas das personalidades historicas. Assim fica ate melhor informativo porque podemos aprender algo mais em relacao a nossos ancestrais.

No caso da Teresa de Leao, por exemplo, podemos ver que foi filha do rei Alfonso VI e neta dos Fernando I Magno e Sancha, Infanta de Leao. Passando para a biografia deles tambem pode-se ver que entre os ancestrais deles estao o heroi Vimara Peres, e outros reis e imperadores de varias realezas europeias e outras. Teresa e Henri tambem foram os pais de Afonso Henriques, fundador da monarquia e primeiro rei de Portugal.

A coneccao do Antonio Martins Bezerra e sua descendencia Barbalho Bezerra pode ser feita atraves do trabalho do Antonio Filipe Pereira Caetano. “Entre a Sombra e o Sol, A Revolta da Cachaca, a Freguesia de Sao Goncalo de Amarante e a Crise Politica Fluminense” paginas de 187 a 194: “Os Honoratiores Goncalenses: A Familia Barbalho.” Deste ponto em diante encontramos com o livro do professor Demerval Pimenta. Cuja coneccao eh feita ao livro da Ivania Batista Coelho: “Arvore Genealogica da Familia Coelho” atraves das assinaturas Borges Monteiro e Pereira do Amaral, por enquanto. Em breve o faremos atraves do Barbalho tambem.

Assim, chegamos aos dias modernos, porem, ha que se ressalvar que eu estou colocando uma geracao a mais que o Antonio Filipe indicou. Assim, pode-se visitar tambem o ensaio de genealogia do Chico Buarque de Holanda no site da Usina de Letras. Outro site que enriquece o nosso conhecimento eh aquele que contem os dados a respeito dos “Engenhos Pernambucanos”. Ali podemos buscar os engenhos: Barbalho, Monteiro (ou Sao Pantaleao) e Sao Paulo. Todos pertencentes aos nossos ancestrais que foram primeiros povoadores de Pernambuco. No Rio de Janeiro temos o Engenho de Sao Bento, na regiao do Mutua, Sao Goncalo, que pertenceu a d. Paschoa Barbalho e a seu marido: Pedro da Costa Ramiro.

Enfim, no mais eh continuar pesquisando. Antes que me esqueca, nos sites GENi e Google Genealogia podemos ver nossas ligacoes com a Familia Barbalho em Santa Catarina atraves da irma de d. Paschoa Barbalho: Micaela Barbalho Bezerra Pedroso; e do Rio Grande do Sul, atraves do site Family Search, atraves de Policarpo Joseph Barbalho, particularmente com Gravatai. A busca continua.

82. JOAO PESSOA, PARAIBA

Iniciarei este capitulo um pouco no escuro porque nao tive tempo de fazer um estudo mais profundo, antes de eu perder a coneccao com meu antigo computador. Exceto por alguns dados que ja os estava ajuntando, o restante vira da memoria propria e, portanto, sujeito a enganos. Envitarei aprofundar muito para procurar evitar tambem os erros.

Como se sabe, apos descoberto o Brasil, Portugal estava envolvido com a franca expansao economica, por causa da descoberta do caminho alternativo para as Indias Orientais, por D. Vasco da Gama. Portugal nao abandonou totalmente o Brasil pela simples razao de que, se o fizesse outros tomariam posse. No inicio foram feitas apenas algumas feitorias nas costas de Pindorama, para que os degredados por la fizessem contato com os indigenas, colhessem deles o que lhes parecesse ter algum valor para ser enviado a Portugal, a troco de bugingangas e ferramentas de metal.

O que fez os portugueses acordarem para o que estavam perdendo foi a intervencao dos destituidos europeus, pelo Tratado de Tordesilhas. Por este Tratado, sob as bencaos poderosas do papa, as Americas tornaram-se feudo exclusivo da Espanha e de Portugal. Inconformados, franceses, ingleses e nierlandeses (conglomerado dos paises-baixos e vizinhos) passaram a fazer contato com tribos indigenas, hostis aos portugueses, e comercio com elas, em termos extremamente vantajosos para os europeus. Somente assim Portugal descobriu o Brasil de riquezas a serem exploradas.

Dentro deste quadro, temos um padrao que ocorre desde o inicio, em tres pontos do territorio brasileiro. Sao eles: Rio de Janeiro, Paraiba e Sergipe. Nestes tres pontos os franceses chegaram e se instalaram primeiro. Posteriormente da-se tambem a invasao francesa ao Maranhao. Mas Rio e Sergipe ja se encontram recordados nestes meus escritos. Falta, entao, a Paraiba.

Os portugueses, com a criacao das Capitanias Hereditarias no Brasil, haviam se firmado em Sao Vicente (Sao Paulo), Salvador (Bahia) e Olinda (Pernambuco). O restante da costa estava excassamente habitada por europeus e as distancias imensas impediam uma acao de protecao policial maior. Assim os navios mercantes e piratas de outras nacoes nao encontravam o menor problema em aportar e negociar diretamente com o homem da terra e esse comercio levou a relacoes de amizade entre nativos e franceses. Em alguns casos tambem a relacionamento parental.

No caso especifico da Paraiba aconteceu de os portugueses ja estarem procurando implantar ali engenhos de acucar, a entao mola propulsora do comercio internacional. Por volta dos anos 1570 houve o rapto da filha de um dos caciques paraibanos. O autor da facanha foi um empregado mas um senhor de engenho se encantou pela beleza da menina e a tomou para si. Nisso os franceses sentiram a oportunidade de fazer a intriga e instigar a vinganca por parte dos indigenas. A tribo cometeu o maior massacre a moradores, tanto na area ocupada pelo engenho quanto na regiao. Fala-se em 600 mortos.

A Paraiba estava entre as Capitanias de Pernambuco e Marica. Marica pertencia a Pero Lopes de Sousa, irmao do Martim Afonso de Sousa, o primeiro Governador-Geral do Brasil e donatario e fundador da Capitania de Sao Vicente. Mas como a Capitania de Pernambuco era muito mais prospera, foi dela que partiu a reacao. A primeira ordem real foi a de criar-se a Capitania Real da Paraiba, em 1574. Assim como foram criadas as Capitanias de Sergipe d’El Rei e a Capitania Real do Rio de Janeiro. Estes territorios foram recomprados pela coroa, que nomeou para elas administradores. Essa recompra ja havia sido feita tambem na Bahia.

De inicio, em relacao `a Paraiba, a criacao ficou apenas no papel, enquanto se davam as guerras de conquista. Houveram algumas tentativas rechacadas pelos indigenas e franceses mas, em 1585, a expedicao de Joao Tavares eliminou a resistencia. Foi ai que se deu a criacao da Vila Real de Nossa Senhora das Neves, em homenagem `a santa do dia. Este nome muda para Felipeia de Nossa Senhora das Neves, em homenagem a Felipe II. (3 Felipes governaram a Uniao Iberica entre 1580 e 1640).

A cidade recebe outro nome a partir de 1634, quando os holandeses a conquistaram. Retorna ao primeiro nome 20 anos depois, 1654, quando os holandeses foram expulsos e, ja no seculo XX, troca o nome para Joao Pessoa. Sendo o ultimo nome uma homenagem ao “presidente do Estado” que foi assassinado por razoes politicas na sublevacao da Ditadura Vargas.

Desde o inicio de sua criacao ate aos meados do seculo XX, a Cidade de Joao Pessoa teve a caracteristica de ser uma municipalidade quartel, servindo de residencia para militares e funcionarios do setor publico em primeiro lugar. Por esta razao sempre foi uma cidade mais com caracteristicas bucolicas interioranas, vindo a despertar-se para a industrializacao e desenvolvimento apenas a partir da segunda metade do seculo XX. Ou seja, acompanhou o lento processo brasileiro de despertar de seu “berco explendido”.

O professor Antonio Filipe referiu-se a Antonio Barbalho Bezerra (poder) ser filho dos nossos ancestrais: o governador Luis Barbalho Bezerra e sua esposa Maria Furtado de Mendonca. Se ele estiver correto, a Paraiba tambem sera “nossa” (aparentada).

Brincadeira `a parte, temos que falar um pouco a respeito de quem foi Duarte Gomes da Silveira. Segundo informacoes soltas, encontrei que era neto de Antonio Gomes Bezerra, um descendente da Casa do Morgado de Paredes de Viana do Castelo. Este Antonio Gomes havia sido expedicionario no Norte da Africa, na epoca em que Portugal estava estabelecendo ali suas conquistas. Na africa ele tomou para si uma escrava, descendente de Aboali, um dos conquistadores da Peninsula Iberica, quando os mouros a tomaram. Levando a esposa para Portugal, ela lhe gerou Maria Gomes Bezerra que, ao contrario do que fala o autor onde li essa passagem, nao deveria ser mulata e sim morena como parte das espanholas e portuguesas.

Aqui ha que se fazer essa distincao que ja abordei antes no texto: A Historia da Familia Coelho do Centro-Nordeste de Minas Gerais. Ali fica claro que a populacao europeia e do Norte da Africa, sobretudo aquela mais proxima ao Estreito de Gibraltar, teve origem comum. Com a dispersao apos a ultima Era Glacial, houveram distincoes entre os diversos grupos familiares europeus do Norte, do Centro e do Sul Europeus e do Norte da Africa, sendo que, as miscigenacoes ocorreram em maior quantidade nas partes mais ao Sul. Contudo, o que fica claro eh que os habitantes do Norte da Africa nao tem as mesmas caracteristicas dos africanos subsaarianos. Dai nao se pode caracterizar, sem sombra de duvida, que o resultado do casamento de Antonio Gomes Bezerra e uma descendente do Aboali fosse mulata. Mais certamente era morena.

O certo eh que, Maria Gomes Bezerra foi esposa de Pedro Alves da Silveira, casal tambem pioneiro em Pernambuco nos tempos de Duarte Coelho Pereira. Estes foram os pais de: Domingos, Duarte, Ana e outros filhos. O Domingos estudou em Portugal e ocupou cargos de relevancia, que dependiam de escrituracao, em Pernambuco.

O irmao Duarte, porem, foi o aventureiro. Casou-se com D. Fulgencia Tavares, filha de Joao Tavares, o conquistador e primeiro governador efetivo da Paraiba. Para o Duarte, essa situacao apenas “juntou a fome com a vontade de comer”. Junto com o sogro fora um dos combatentes mais efetivos aos adversarios franceses e indigenas. Com as vitorias vieram-lhe os premios, em forma de benesses e propriedades de terras. Alem disso, teve a cobertura do irmao Domingos e da nata administradora de Pernambuco que a tudo lhe dava o crivo de aprovado.

A fortuna de Duarte Gomes da Silveira constituiu-se de, pelo menos, dois engenhos: o Velho e o Novo, nos arredores de Joao Pessoa e diversas outras fazendas de gado no sertao. Foi a partir disso que ele criou o riquissimo morgado de Sao Salvador do Mundo da Paraiba.

Como possuia economias de sobra e desejava por todos os meios ver a Vila de Nossa Senhora das Neves properar, estabeleceu premios aos que construissem casas de qualidade o local. Com isso deve ter garantido a prosperidade inicial da capital do futuro Estado da Paraiba.

Mas a vida dele nem sempre foi sucesso. Durante a invasao holandesa perdeu o unico filho e um dos irmaos. Nao deixou herdeiros considerados corretos `a epoca. E aqui ha uma discordancia entre a informacao no trabalho do Antonio Filipe (capitulo 81) e outroas fontes diversas. Segundo aquele, Joana Gomes da Silveira era neta e para as outras fontes foi filha extra-conjugal. Mas o que importa eh que ela foi a herdeira de fato que, casando-se com o Antonio Barbalho Bezerra, passou ao “consorte” o morgadio de Sao Salvador do Mundo da Paraiba.

Outro detalhe da vida de Duarte Gomes da Silveira foi o de ter sido processado por sonegacao de impostos e de ter sido colaboracionista com o invasor holandes. Li essas informacoes rapidamente e me parece que existem teses que desaprovam tais ideias. Eu proprio questionaria tais insinuacoes porque ele deve ter falecido antes de 1654, quando da retomada da Paraiba pelos brasileiros, portanto, nao teria sobrado tempo para ser acusado no caso de traicao.

Uma virada de sorte na vida de uma membro dessa familia nos presta maiores informacoes genealogicas a respeito dela. Em 1731, Marianna Paschoa Bezerra* foi obrigada a comparecer ao Tribunal do Santo Oficio, em Lisboa, para responder `a acusacao de pratica de judaismo. Embora tenha alegado ser crista velha, pareceu-me que foi condenada. Penso que foi uma verdadeira caca `as bruxas. (Hoje eh Halloween, e ha ai um certo paralelo entre este caso e o das bruxas de Salem aqui em Massachusetts).

Na internet encontrei o endereco: utinga.wordpress.com/2010/09/21/marianna-paschoa-bezerra-o-santo-oficio-e-os-rocha-bezerra/. Parece-me que a postagem foi feita pelo genealogista Joao Felipe da Trindade (jfhipotenusa@gmail.com). Existe la um link para o site da Torre do Tombo, Portugal, em que o processo completo pode ser analisado. Eu busquei apenas o que ja estava mastigado. E isso se restringe ao que, em um depoimento, a Marianna Paschoa cita tanto sua genealogia paterna quanto materna. Mostro aqui apenas a materna, acompanhando o autor Joao Felipe.

Faco ainda a ressalva de que nao tenho como garantir que o Antonio Barbalho Bezerra tenha mesmo sido filho do nosso ancestral: Luis Barbalho Bezerra. Tudo pode acontecer mas isso me parece um tanto quanto grandioso, mas as mencoes nos textos de autores nordestinos nao mencionam a relacao parental. Nao eh um tanto esquisito isso!?

Outra informacao que vi e que nao consegui voltar `a mesma fonte foi a de que existiu outro Antonio Barbalho Bezerra, um com e outro sem o Pinto no final. Parece-me que o primeiro casou-se com Anna da Silveira, irma do Duarte. Foi dito que o tal Antonio era natural do reino, dai penso poder ser irmao ou parente proximo do Bras Barbalho Feyo, o avo materno do Luis Barbalho.

Em todos casos, ja eh dificil esperar que o Antonio, suposto filho do Luis, tenha se casado com uma filha do Duarte, cuja data proposta de nascimento eh de 1555, muito menos com uma irma dele. Mas Anna e Joana sao duas pessoas diferentes que, talvez, tenham mesmo se casado com homonimos.

Segue entao o resumo que fiz do pouco de genealogia coletado na pagina do Utinga.

Luis Barbalho Bezerra – Maria Furtado de Mendonca (acrescimo meu)
Antonio Barbalho Bezerra – Joana Gomes da Silveira, pais de:

1. Serafina Moraes – solteira
2. Antonio Barbalho Bezerra – Maria Teixeira
3. Antonio Bezerra Monteiro – foi casado, com pessoa nao identificada.
4. Duarte Gomes da Silveira
5. Maria Barbalho Bezerra – Balthasar da Rocha Bezerra
6. Victoria Barbalho Bezerra – Diogo Nunes Thomas

2. Antonio Barbalho Bezerra – Maria Teixeira, pais de:

2.1 Salvador – falecido crianca
2.2 Andreza – falecida crianca
2.3 Joana – Joao Peixoto

2.3 Joana – Joao Peixoto, paid de:

2.3.1 Jose Gomes
2.3.2 Luzia
2.3.3 Joana
2.3.4 Quiteria
2.3.5 Antonio Barbalho
2.3.6 Joao Peixoto
2.3.7 Duarte Gomes
2.3.8 Bartholomeu Peixoto
2.3.9 Jose

5. Maria Barbalho Bezerra – Balthasar da Rocha Bezerra, pais de:

5.1 Antonio da Rocha Bezerra
5.2 Manoel da Rocha Bezerra – Magdalena Luna
5.3 Balthasar da Rocha Bezerra – Marianna
5.4 Miguel Barbalho Bezerra – Maria Jacome Barbalho
5.5 Maria Bezerra Vasconcelos – Manoel Ribeiro de Carvalho
5.6 Archangela da Silveira – Ventura Pereira Parente + Pedro da Rocha Bezerra
5.7 Simao da Rocha Bezerra

5.2 Manoel da Rocha Bezerra – Magdalena Luna, pais de:

5.2.1 Antonio da Rocha Bezerra – (?) Josefa de Oliveira Leite

Obs.: Manoel da Rocha Bezerra foi tambem pai extra-conjugal de um filho, com sua prima: 6.5 Joana Gomes da Silveira (abaixo)

6.5.1 Joao Gomes da Silveira

5.6 Archangela da Silveira -I- Ventura Pereira Parente, pais de:

5.6.1 Maria Barbalho
5.6.2 Ignacia
5.6.3 Luzia
5.6.4 Joao – falecido crianca

Obs.: Os filhos foram naturais e moradores de Taquara, no Bispado de Pernambuco. Ventura Pereira Parente foi senhor de engenho.

5.6 Archangela da Silveira – II – Pedro da Rocha Bezerra, pais de:

5.6.5 – Marcos (natural e morador de Juazeiro).

Obs.: “A Sesmaria 552 concedida ao Sargento-Mor Jose Pedro Tinoco, na Ribeira do Assu, pertenceu aos irmaos Capitao-Mor Balthasar da Rocha Bezerra, Coronel Miguel Barbalho Bezerra e seu cunhado Pedro da Rocha Bezerra.”

6. Victoria Barbalho Bezerra – Diogo Nunes Thomas, pais de:

6.1 Antonio Barbalho – falecido crianca
6.2 Luiza Barbalho – solteira
6.3 Thereza Barbalho – solteira
6.4 Joanna Gomes da Silveira*
6.5 Maria da Silveira – Gaspar Henriques
6.6 Guiomar Nunes
6.7 Diogo Nunes Thomas – Catharina Ferreira Barreto
6.8 Marianna Paschoa Bezerra*

Obs.: Diogo Nunes Thomas, pai de Marianna Paschoa e seus irmaos, era filho de outro Diogo Nunes Thomas e de Guiomar Nunes, todos naturais de Pernambuco.

6.5 Joanna Gomes da Silveira* foi a mae do filho extra-conjugal de seu primo 5.2 Manoel da Rocha (acima), pais de:

6.5.1 Joao Gomes da Silveira

O que reforca a hipotese de tratar-se essa familia de descendencia do possivel filho do governador Luis Barbalho Bezerra: Antonio Barbalho Bezerra, eh o nome Antonio Bezerra Monteiro entre seus filhos. Temos que recordar que o sobrenome Monteiro corria na familia como secundario e tratando-se de heranca genetica proveniente de Pantaleao Monteiro. Isso reforca a hipotese de sermos mesmo descendentes do Antonio Bezerra Felpa de Barbuda, que foi marido da Maria Araujo, filha daquele senhor de engenho. O proprio Luis Barbalho teve uma irma com o nome de Brasia Monteiro. Ela casou-se com Luis Bras Bezerra e sao eles que se alinham como ancestrais do Chico Buarque de Holanda. O Luis, nosso ancestral, colocou o nome Francisco Monteiro Barbalho Bezerra no filho mais novo.

Por outro lado, eh suspeito que a Marianna Paschoa Bezerra* nao tenha tido a brilhante ideia de citar os Luis Barbalho Bezerra e sua esposa Maria Furtado de Mendonca como bisavos dela no processo que enfrentou. Naquela hora dificil, o nome deles continuariam valendo como peso favoravel `a sua defesa. Por outro lado, eh possivel que ela nem sequer soubesse disso, pois, nascendo em 1681, nao deve ter conhecido sequer os avos, que supostamente teriam se casado em 1633. Parece que o intervalo de geracoes foi realmente longo para o caso de ela se lembrar do detalhe.

Saindo do assunto genealogia de pessoas e passando ao de genealogia de cidades, ha que se corrigir as ambicoes das cidades de Joao Pessoa-PB e Sao Christovao-SE de serem, respectivamente, as terceira e quarta cidades a serem criadas no Brasil. Nao foi preciso grande esforco para verificar algumas outras datas de fundacoes mais antigas, apenas de algumas cidades que conheco a parte de suas Historias ligadas `a Historia do Brasil.

Sao Vicente, fundada por Martim Afonso de Sousa, surgiu em 22.01.1532; Olinda, fundada por Duarte Coelho Pereira, em 09.03.1535; em seguida surge Vila Velha do Espirito Santo, 23.05.1535; Salvador eh de 1549; Vitoria surge em 08.09.1551; a propria Sao Paulo foi criada em 1560 e o Rio de Janeiro, fundado por Estacio de Sa, em 01.03.1565. Estes foram apenas os nomes que lembrei-me de imediato e que estao ligados aos primeiros administradores que o pais teve.

FAMILIA: BARBALHO, COELHO … NO LIVRO A AMERICA SUICIDA

julho 2, 2012

FAMILIA: BARBALHO, COELHO … NO LIVRO A AMERICA SUICIDA

 

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01. GENEALOGIA
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02. PURA MISTURA
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03. RELIGIAO
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04. OPINIAO
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05. MANIFESTO FEMININO
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06. MISTO
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07. POLITICA BRASILEIRA
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08. IN ENGLISH
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09. IMIGRACAO
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FAMILIA: BARBALHO, COELHO … NO LIVRO A AMERICA SUICIDA

 

FAMILIA: AGUIAR, AMARAL, ANDRADE, ARAUJO, BARBALHO, BORGES, CAMPOS, CARVALHAIS, COELHO, CUNHA, FERREIRA, GONCALVES, GUIMARAES, LEAO, LEITE, MAGALHAES, MARTINS, MENEZES, MONTEIRO, NUNES, OLIVEIRA, PACHECO, PEREIRA, PINTO, REIS, ROCHA, SALLES, SILVA, SOUSA, SOUZA, VILLA REAL, XAVIER… NO LIVRO “A AMERICA SUICIDA”.

INDICE

01. INTRODUCAO
02. A AMERICA SUICIDA
03. UM BOCADINHO A RESPEITO DE GENEALOGIA HUMANA
04. O QUE EH SER UM EUROPEU?
05. UM POUQUINHO DE GENEALOGIA EUROPEIA
06. UM FUTURO MELHOR PARA NOSSO FILHOS E…
07. UMA PEQUENA QUANTIDADE DE GENEALOGIA IBERICA
08. SECULOS E PESSOAS QUE AJUDARAM A FORMAR NOSSA HISTORIA EM COMUM
09. O COMECO DE NOVA IORQUE E ESTADOS UNIDOS
10. O INCIO DE NOVA IORQUE E ESTADOS UNIDOS
11. ESTADOS UNIDOS E BRASIL JUNTOS
12. DA REPUBLICA E INVENCAO DO AVIAO `A SEGUNDA GUERRA
13. UMA RELACAO DE AMOR E ODIO
14. BUSCANDO O PARAISO PERDIDO, A SAGA DE UMA FAMILIA
15. TUDO ERA COM RESPEITO `A FAMILIA, MINHA SAGA
16. “ISSO SERA O COMECO DAS DORES” Marcos 13, 8
17. O ESQUEMA PIRAMIDAL
18. QUEM ESTA VENCENDO A GUERRA DE TERRORISTAS?
19. O DISCURSO DE NETANYAHU
20. O APOCALIPSE DO DIA SEGUINTE
21. SOLUCOES
EPILOGO

01. INTRODUCAO

Este pode ser o ultimo livro que escreverei. Apesar do nome do livro eu nao estou planejando “sair de cena”. A razao para ele poder ser o ultimo eh muito simples. Eu nao me lembro desde quando eu escrevo em minha vida sem nunca ter recebido qualquer pagamento. Eu tenho escrito pelo prazer de oferecer conselhos e na intencao de ser util `as pessoas que nem sequer conheco e a amigos. Porem, isso comecou a tomar muito do meu tempo. E eu tenho uma vida independente. Uma vida que muitos chamam de moderna. Uma vida tao moderna que temos que pagar por tudo que a gente usa. Algumas vezes pagamos ate por aquilo que nunca usaremos. Coisas que nem sempre sao essenciais. E o custo disso nao eh barato. E tempo eh dinheiro.

Falando nisso, escrever tem sido um passatempo que eu tenho tido que pagar por ele. Como um pai responsavel, sera preciso que eu sacrifique meu prazer em favor de um futuro mais seguro para minha descendencia.

Esta escrita esta coincidindo com a minha naturalizao como americano. Isso deve ocorrer em primeiro de setembro de 2011, hoje eh dia 11 de agosto, e nao serei capaz de terminar o livro antes daquela data. Nao sei se tornar-me naturalizado ira ser suficiente para que os outros nao me venham com a velha desculpa para desacreditar-me dizendo: “Ah, ele nao eh americano!” Mas eu prefiro olhar as coisas atraves dos angulos positivos. Como americano novo ninguem podera acusar-me de inveja por nao se-lo.

Outro lado positivo eh este, eu poderei me tornar um brasilianista com informacoes que os nascidos americanos nao possuem.

Nada eh novo para mim mas eh sempre interessante saber que, a liberdade de expressao “eh um direito ou liberdade garantido pelo primeiro adendo” da nossa constituicao. Observe-se que a liberdade de expressao eh um direito de todos que vivem nos Estados Unidos. Nao importa que tenha ou nao documentacao. Finalmente, “comunicar sua opiniao sobre qualquer assunto a um funcionario eleito” eh uma “maneira de os americanos participarem da construcao de sua democracia”. Em minha forma de pensar, dar uma opiniao eh meu direito em primeiro lugar. E tambem eh uma responsabilidade, em segundo. Tudo isso esta no folheto: “Aprenda a Respeito das Licoes Civicas Fundamentais para o Teste de Naturalizacao” autorizado pelo Departamento de Seguranca Publica dos Estados Unidos [Reparticao de Servicos de Imigracao e Cidadania].

Eu vou oferecer este conselho a todos os funcionarios eleitos, especialmente aos presidentes.

Mas algumas coisas precisam ficar absolutamente claras aqui. Nao sou doutor em nada. Nada sei alem da minha propria experiencia de vida. As opinioes que irei expor nestes escritos nao pertencem a nenhuma instituicao ou nacionalidade. Sou o unico responsavel por pensa-las e escreve-las. A responsabilidade no ler e entender nao serao minhas. Assim, eu pedirei licenca aos leitores para compreenderem algumas incorrecoes no uso das palavras que poderao leva-los a alguma conclusao errada. Eh preciso que entendam que eu vim para esse pais depois de completar 35 anos, sem saber quase nada de ingles. E o que eu sei agora foi atraves da pratica e nao da escola. Como estou familiarizado com o escrever em portugues, eu sei que uma pequena troca na ordem das palavras pode levar a uma grande diferenca no que se quer dizer. Portanto, desconsiderem quando eu escrever homem grande em lugar de grande homem. Em portugues nos temos a mesma diferenca. Voce deve escrever homem grande quando quer dizer “big man” e grande homem quando a intencao eh “great man”.

O conteudo que eu pretendo por nesse livro esta relacionado com Historia, economia, politica, migracao, orgulho e preconceito. Talvez, um bocadinho de genealogia. Tambem usarei um pouco da minha autobiografia. Tentarei evitar citar nomes quando isso nao for essencial. Em outros casos eu ficarei feliz em dar nome aos bois quando isso se tornar importante para identificar de quem estarei falando.

Como eu nao conheco os detalhes das Historias de outros paises, melhor dizendo, eu conheco alguma coisa a respeito da Historia Mundial mas nao conheco os detalhes das Historias dos paises individualmente. Vou precisar usar a Historia do Brasil, que eh a que melhor conheco, para fazer alguma comparacao. Nao penso comparar Estados Unidos com Brasil. Mas quero destacar eventos onde os dois caminharam juntos em suas Historias, ou mostrar fatos ocorridos num deles e isso atingiu o outro. Imagino que em alguns dos fatos historicos muitos dos outros paises estavam juntos, acompanhando os Estados Unidos, mas me fogem certos detalhes ate mesmo destas parcerias com o Brasil.

Eh parte da minha intencao organizar o que penso em cronicas separadas. Cada uma tratando de um assunto diferente. Tentarei colocar os acontecimentos em ordem cronologica. Assim, os leitores poderam ler os artigos separadamente. Porem, sera preciso ler a obra completa para compreender melhor o conteudo.

Alguns que irao ler este livro deverao sentir-se ofendidos por minhas opinioes. Esta nao eh a minha vontade. Eh um problema na natureza humana. Algumas pessoas sao incapazes de aceitar o pensamento diferente do delas. Elas pensam que o mundo nas mentes delas eh o melhor. Entao, tudo o que pareca contradizer isso eh tratado como abominacao. Eu nao posso controlar os sentimentos dos outros. Tento controlar os meus deixando os outros terem as proprias opinioes mesmo sem concordar com elas. Se alguem desejar por em pratos limpos as nossas razoes, civilizadamente, eu estou totalmente aberto para a ideia.

Algumas das pessoas contrarias quererao assumir que meus escritos tem a finalidade de atingir aos Estados Unidos. Talvez elas irao pensar assim: Ele eh parte de complo, assim como em algumas teorias de conspiracao, com a finalidade de enfraquecer a imagem americana perante ao mundo. Estou escrevendo isso em antecipacao para que nao tenham a desculpa, e saibam que penso assim: sou totalmente favoravel `a verdade. Eu nao imagino a verdade feita para prejudicar. O que prejudica eh ver a verdade e nega-la. O que prejudica eh ver a verdade e nao assumir a responsabilidade frente a ela. Aqueles que veem a verdade e assumem suas responsabilidades frente a ela sao os que sao dignificados pelo respeito.

Em todo caso, eu tenho duas grandes razoes para nao prejudicar aos Estados Unidos. A primeira eh que sou nascido brasileiro. Se alguem pensa que estou escrevendo para prejudicar aos Estados Unidos sera porque tambem pensa que eu faria isso, nao sei como, para beneficiar ao Brasil. Para estes que nada sabem a respeito das relacoes existentes entre Brasil e Estados Unidos, precisam saber isso: o Brasil tem uma reserva monetaria de aproximadamente 320 bilhoes de dolares. E esta eh a unica salvaguarda dele. Dois tercos disso estao investidos em papeis do governo americano. Prejudicar aos Estados Unidos resultaria em prejudicar ao Brasil. O Brasil esta tomando um risco muito serio ao ajudar aos Estados Unidos dessa maneira, no momento de dificuldade deles. Se os Estados Unidos for para o buraco, quase certamente, o Brasil ficara na beira do abismo. Eu nao faria o mesmo que o Brasil esta fazendo senao por familiares ou grande amizade.

Outra razao a meu favor eh esta. Sou pai de dois filhos. Sao os unicos que tenho. Nasceram e vivem nos Estados Unidos, e nunca disse a eles para serem mais brasileiros que americanos. Eu nao faco pressao em nenhum deles. Se algum dia eles sentirem a necessidade de escolher entre um pais ou outro, esta decisao sera deles, nao minha. O que eu quero eh o melhor para eles, mas a escolha eh deles. Assim como eu nunca prejudicaria meus filhos tambem nao quero prejuizos para os paises deles.

Particularmente, penso que a melhor maneira de solucionar nossos problemas eh ficarmos juntos. Paises e povos. Ate agora, o que nos tem sido dito eh isso, nos temos que competir para que isso faca de nos os melhores. Nao concordo com isso em nenhum sentido. Competir implica nisso, alguem ficara prejudicado nalguma forma. Eu sou a favor de trabalharmos juntos. Todo mundo trabalha. E o premio eh repartido com todos. Todas as vezes que se compete ninguem leva o premio melhor. Quando voce esta competindo gasta energia em excesso fazendo coisas que prejudicam a voce mesmo. Se esta energia, esperdicada pelos dois lados, for usada para coisas boas, o premio sempre sera dobrado ou triplicado.

02. A AMERICA SUICIDA

Este capitulo nao obedecera a minha intencao de postar tudo em ordem cronologica. Servira para explicar o nome da obra e tracar um paralelo de uma questao muito importante para a saude publica americana.

Eu estou acostumado a ouvir a 90.9 FM, Radio da Universidade de Boston. Todas as vezes que estou dirigindo estou ouvindo algo util. Tanto faz, noticias nacionais ou internacionais, programas de musica ou simples entrevistas. Geralmente eles entrevistam outores de best sellers, produtores de filmes ou qualquer assunto envolvendo cultura. E eh isso que eu gosto.

Tenho uma historia longa de aprendizado com eles. Logo depois de eu vir para os Estados Unidos eu descobri a 89.7 FM, Radio Publica, que transmite quase o mesmo conteudo. Isso ajudou-me a aprender ingles porque eles falam compassadamente, ai a gente pode ouvir palavra por palavra. Alem disso eu tinha o interesse em tomar conhecimento a respeito da maioria dos assuntos mostrados nestas radios. A minha unica tristeza eh essa, durante todos estes anos, quase 17, eu nunca tive dinheiro suficiente para contribuir com a causa destas radios.

Bem, so por coincidencia, ha pouco eu ouvi num programa de entrevistas a respeito do problema dos suicidios nos Estados Unidos. O entrevistado era um doutor que escreveu um livro com esse respeito. Infelizmente eu nao tinha tempo para ouvir a entrevista toda. Nao peguei nem o nome do autor. Pesquei apenas algumas informacoes importantes. Dai resolvi buscar mais informacoes no site da Fundacao Americana para Prevencao do Suicidio – AMERICAN FOUNDATION FOR SUICIDE PREVENTION – AFSP.

As estatisticas sao chocantes. As informacoes mais recentes sao do ano de 2007. Aproximadamente 34.000 americanos perderam suas vidas em suicidios. Isto eh a “11a. causa de mortes nos Estados Unidos.” “Suicidio eh a 4a. causa de mortes em adultos entre as idades de 18-65 anos. (28.628 suicidios).” “90% que morrem por suicidio tem alguma desordem psiquiatrica diagnosticavel no momento da morte deles.” “A proporcao eh de 4 suicidios masculinos para um feminimo, porem, as mulheres tentam o suicidio tres vezes mais que os homens.” “Ha uma estimativa entre 8-25 tentativas para cada morte causada por suicidio.”

O site tras muitas outras informacoes interessantes a respeito do problema, como: “Suicidio eh o 3a. causa de morte entre pessoas entre as idades de 15-24 anos.” Mas a conclusao deles era esta: “Estudos indicam que o melhor modo de previnir o suicidio eh atraves do reconhecimento antecipado e tratamento de depressoes e outras problemas psiquiatricos.”

Ouvindo a respeito do problema atraves da entrevista na 90.9 FM, as coisas nao parecem ser tao claras quanto os numeros estatisticos da AFSP. Primeiramente, o entrevistado deixou claro isso: ninguem sabe exatamente o que conduz uma pessoa ao suicidio. Ha uma teoria que diz que, isso eh resultado das pressoes dos nossos tempos. Poderia ser algo vinculado `a nossa era. Em oposicao a este ponto de vista ele salientou: existe uma tribo na regiao amazonica que riu quando soube que suicidio eh problema nos Estados Unidos. Eles nao poderiam entender porque nao conhecem nenhum caso de suicidio no meio deles. Para eles, suicidio eh tabu.

Quando o argumento de que o estilo de vida primitivo nao os levasse `as mesmas condicoes de pressao foi levantado, ele respondeu que esta alegacao nao se fundamenta em verdade. O pessoal na tribo esta nos limites da existencia. Frequentemente eh atacado por doencas tropicais. Metade das criancas morrem antes de chegar `a idade adulta. Afinal, eles sofrem tanta pressao quanto um novaiorquino. A diferenca seria esta, Nova Iorque oferece muito mais oportunidades de diversao que a Bacia Amazonica inteira.

O entrevistado ainda falou, que nao apenas aquela tribo especifica mas observando a humanidade como um todo a gente pode notar um alto grau de perseveranca em pessoas que estao `a beira da existencia material. Por que nao poderia ser igual nas sociedades de maior sucesso no mundo?! O suicidio nao eh problema apenas nos Estados Unidos.

Nao sei se o entrevistado disse alguma coisa relacionada a respeito da relacao entre o suicidio e tendencia genetica para ele. Os dados da AFSP nao mencionam isso. Quando eu vivia no Brasil lembro-me de tal mencao. Nao me lembro de quem falou, mas parece que algumas familias sofrem o problema com maior frequencia.

Na entrevista o doutor tambem falou que, frequentemente voce consegue identificar um fato que leva uma pessoa a decidir pelo suicidio mas nao se sabe de onde vem a vontade. Tambem falou que, apesar do suicidio ser o problema maior que o assassinato a gente nao ve isso no noticiario. Quando perguntado porque isso acontece, ele nao tinha certeza mas ofereceu uma explicacao. Poderia ser que no caso de assassinato ha a apresentacao de um vilao e uma vitima identificaveis. Assim fica mais facil trabalhar isso como noticia.

Eu proprio nao estou certo disso. A noticia de suicidio pode ser mais dificil de vender mas sendo maior o problema, entao, seria mais importante que o publico soubesse a verdade. O que parece eh que, apesar de nossa cultura ser avancada, nos temos os nossos tabus tambem. Ele nos desperta o medo porque o suicida eh nossa imagem e semelhanca.

O que me assombrou mais nos dados da AFSP eh o calculo de “8-25 tentativas de suicidio para cada fatalidade.” Isso implica dizer que entre 272.000 e 750.000 pessoas tentam o suicidio anualmente nos Estados Unidos. Eh um numero enorme! Mas se isso eh verdade, nao estou convencido que isso traduza a verdade por inteiro. Estou em duvida se a populacao americana esta afetada pela tendencia para o suicidio. Este comportamente altodestrutivo pode ser observado atraves do preconceito demonstrado pelo Partido do Cha (Tea Party), KKK, grupos neo-nazistas e setores do partido republicano.

Talvez o suicidio seja um comportamento inconsciente e nao intencional mas o resultado eh o mesmo se fosse. Essas pessoas maleficas talvez nao percebam o quanto as atitudes delas estao levando os Estados Unidos `a altodestruicao. Espero que o meu manifesto possa ajuda-las a reconsiderar seus preconceitos para que a autodestruicao nao aconteca.

No meu pobre ponto de vista, penso que assassinato e suicidio sao parte do mesmo problema. Sao resultantes de frustracoes. A resposta diferente esta nos autores serem mais egoistas ou mais altruistas. O altruista prefere acabar com a propria vida. O oposto eh observado nas pessoas egoistas. O bomba-suicida tem que ser considerado um caso aparte porque ele eh manipulado para fazer isso.

O doutor tambem disse que, qualquer que seja o numero de suicidios efetivos eh o dobro dos assassinatos. Sim, nos Estados Unidos sao mais frequentes que nos outros paises industrializados. Mas, nao interessa quao grande seja esse numero, suicidios vem em dobro.

Agora eu preciso especular um pouco. Sera que eh apenas isso? E se, somente se, ha algo muito maior por tras disso tudo? Se parte das mortes ditas acidentais nao forem outra coisa senao tentativas de suicidio bem sucedidas? Nao estou pensando apenas em acidentes de carro. Nos sabemos. A maioria dos acidentes de carro diz-se ter origem na alta velocidade. Mas se todo mundo sabe que a alta velocidade eh a causa numero de mortes, por que tantas pessoas continuam dirigindo acima da velocidade permitida em toda e qualquer estrada?

Por que pessoas continuam fumando sabendo que este eh um fator de risco para suas saudes? Todo mundo sabe ou ouviu falar a respeito do problema poluicao mas porque somente um pequeno numero de pessoas esta tirando de suas vidas alguns confortos modernos responsaveis pela poluicao? Eh muitissimo sabido que, se cada pessoa no mundo comecar a consumir igual a um americano medio nos nao teriamos como servir produtos a todo mundo. Tambem, por que isso nao se torna suficiente para as pessoas entenderem que o modelo de vida esta errado e precisa ser repensado? Por que tamanha resistencia contra a tecnologia limpa? Tudo isso e muitos outros assuntos nao poderiam ser postos como tentativas de suicidio?

Eu realmente penso assim. Eu penso que existem dois tipos de suicidios. Um voce pode chamar de Sindrome Severa do Suicidio. Eh dela que o entrevistado e a AFSP cuidam. O outro eh a Sindrome Cronica para o Suicidio. Pode-se descrever essa assim: eu sei que morrerei um dia, eu quero isso mas nao tenho a coragem de comete-lo rapidamente, entao, melhor eh tomar um comportamento de risco que acabara me levando ao mesmo lugar onde outros decidem ir de forma drastica.

Eu penso que esse segundo tipo esta presente em pessoas como o George W. Bush, nas pessoas que controlam a Wall Street, etc. Estou em duvida quanto ao mesmo comportamento continuar presente na Casa Branca durante o governo do presidente Obama.!

O que eles ja fizeram e continuam fazendo parece ser um tipo de comportamento covarde. Parece nao quererem vida pacifica para eles proprios. Entao, transformam a vida dos outros em um inferno. Parece que eles pensam assim, ja que eu tenho que me ir, melhor eh carregar todo mundo comigo. Sozinho eu nao quero.

Nao culpo ninguem por estar programado para o suicidio. Penso que cada e todos nos guarda um plano secreto de contingencia de vida. A maioria apenas jamais ira usa-lo porque a vida sempre andara como pode e nao como a gente a deseja. Se eu pudesse dizer algo `as pessoas que estao nessa situacao, eu falaria isto: nao interessa o quao grande o problema que voce esta enfrentando lhe pareca, se voce der tempo ao tempo o problema ira passar por ele mesmo. Pense nalgum problema que voce tinha ha 10 anos atras. Possivelmente voce nem sequer se lembre dele. Mas se voce tentar contra sua propria vida e conseguir este objetivo, sera uma decisao da qual voce nao podera se arrepender porque eh uma decisao sem volta. Nao tente tomar decisoes definitivas em tempo de crise. Ninguem eh perfeito. Um julgamento ruim pode induzi-lo a criar um grande problema de uma situacao sem problema algum. Seja mais paciente.

A gente dar alguma interpretacao aos numeros mostrados no relatorio da AFSP e `as causas gerais de suicidio. Estas conclusoes nao foram baseadas em pesquisas apropriadas mas sim fruto das minhas proprias observacoes da vida moderna. No meu ponto de vista, as pessoas nas sociedades ditas primitivas se ajustam `as condicoes que o mundo oferece a elas. O ideal delas eh buscar a felicidade. Felicidade pode ser encontrada em coisas simples como familia, amizade, etc. “Busca pela felicidade” eh uma das respostas para a questao: “Quais sao dois entre os direitos estipulados na Declaracao da Independencia?” dos Estados Unidos.

Atualmente, nossa sociedade esta baseada em possuir as coisas. As pessoas estao passando a vida inteira procurando ter. Isso inclui ter outras pessoas para elas proprias. Para isso elas estao sacrificando as coisas simples da vida e nunca encontram satisfacao naquilo que fazem. Desta forma, a depressao se torna inevitavel e o que vem a acontecer depois serao apenas as consequencias.

Talvez isso explique porque muito mais mulheres tentam o suicidio. Apesar da emancipacao feminina no seculo passado nos continuamos levando um estilo de vida de orientacao machista. Sera preciso entender que homens estao competindo contra os outros desde milhares de anos atras. As mulheres sempre estiveram presentes mas a natureza nos colocou na linha de frente dos riscos. E nos aprendermos a ser mais agressivos com isso. Algumas vezes, irracionalmente agressivos. Em consequencia disso, mulheres mais afeitas `a racionalidade sofrerao maiores pressoes neste mundo de orientacao machista.

Geralmente, as pessoas leigas atribuem aos povos antigos e ao pessoal sem educacao escolar algum tipo de inferioridade. As pessoas olham para outras e pensam: Como eles podem ter vida alguma? Eles andam ao inves de ir de carro! Eles inclusive nao usam aparelhos eletricos, nem assistem televisao! A vida deles so pode ser terrivel! Porem, o que os leigos nao sabem eh o quanto mais os “povos primitivos” riem e gargalham. Nem o quanto mais eles se ajudam uns aos outros.

A gente imagina que a vida que nos estamos levando agora eh a melhor desde o surgimento da pessoa humana na Terra. O problema esta ai, a quantidade de avancos deveria traduzir-se em mais tempo para o lazer, mais tempo para o amor e, especialmente, mais dinheiro na carteiro de todo mundo. Porem, o que a gente ta sempre encontrando sao mais e mais contas a pagar, menos e menos tempo de qualidade com a familia. Seguindo assim eu nao penso que nos estejamos no caminho para o Ceu. Nos estamos mais no caminho para o Juizo Final.

Em capitulo posterior tenho a intencao de escrever alguma coisa a respeito de pessoas sem educacao escolar e imigrante sem documentos perseguidas que comprovam que tais suposicoes nao tem fundamento algum em verdade.

03. UM BOCADINHO A RESPEITO DE GENEALOGIA HUMANA

Ouvi de uma pessoa leiga isso: “Voce eh parente de alguem somente ate ao quarto grau.” Para mim isso eh um pouco complicado explicar no ingles exato. Mas o que ela pensava era alguma coisa assim. Voce nao precisa considerar como parente aos seus primos se o ancestral comum de voces for seus bisavos ou geracoes anteriores. Nao sei de onde ela tirou essa ideia errada. Ela mencionou algo a respeito de religiao, no que penso existir a possibilidade de engano, ou referencia medica, no que eu duvido. A verdade eh muito diferente.

Tenho estudado a genealogia da minha familia. Portanto tenho uma boa ideia do que vou dizer. Tambem sou medico veterinario cursado e tenho o diploma como medico dos animais. Uma disciplina em que tive dificuldades foi justamente uma com o tema: Melhoramento Animal. Eh algo que envolve genetica e ensina como fazer as vacas produzirem mais leite, galinhas botar mais ovos, etc. Eh verdade, eu tive dificuldade em concluir o curso porque matematica esta envolvida nele e eu nunca fui bom em memorizacao de formulas. Sempre preferi resolver os problemas atraves da racionalizacao. Ter dificuldade, neste caso, nao implica que nao aprendi. Algumas vezes a gente aprende melhor quando erra e revisa os erros. E foi isso que fiz.

Muito antes da Historia alguns fatos da genealogia ja eram verdadeiros. Mesmo genealogia nao sendo ainda pensada. E quando ela comecou a ser usada muito erros foram cometidos. Mesmo agora a primeira coisa que nos pensamos a respeito de genealogia que nos vimos da familia so nosso sobrenome. Esta eh uma das ideias erradas que os leigos tem com respeito a genealogia. Normalmente, o seu sobrenome vem do seu pai, que herdou do pai dele e assim por diante. Mas isso so eh verdade se voce estiver pensando na sua linhagem paterna. E isso pode valer pouco ou nada, geneticamente falando.

A gente sabe que, metade mais um pouquinho da nossa genetica vem da nossa mae, e o resto do nosso pai. Dai voce precisa saber disso: se o seu bisavo casou com uma mulher sem parentesco com ele, os seus avos serao praticamente meio-a-meio. Se o seu avo se casou com outra mulher tambem sem parentesco com ele, o seu pai sera 1/4 de qualquer coisa que seu bisavo era. Ainda, se sua mae nao tiver parentesco algum com seu pai, voce recebera apenas 1/8 da parte do seu bisavo. Mesmo assim voce podera ter o sobrenome dele. E ainda podera passa-lo para seus filhos, para os filhos dos filhos e assim vai. Apesar dos seus netos poderem herdar quase nada do seu bisavo.

Se voce eh um leigo, possivelmente voce sabe que tem pai e mae. E tambem que cada um deles tem mae e pai. Entao, voce tem quatro avos. O que voce espera eh que tenha 8 bisavos. E a coisa anda assim, em cada geracao anterior `a sua espera-se que se dobre o numero de seus ancestrais. Entao, se voce esta disposto a fazer um pequeno exercicio, pegue uma calculadora e multiplique 2 X 2 e continue multiplicando os resultados por dois ate chegar `a 33a. geracao. Se voce for persistente em fazer isso ira aprender que, na 33a. geracao anterior `a sua voce eh suposto ter 8.589.934.592 ancestrais. Eh muito para voce? Na proxima geracao voce tem direito a mais de 17 bilhoes. E por ai segue.

O tempo! O tempo eh mais que precioso. Se calcularmos a grosso modo como media, 30 anos entre uma geracao e outra, no final da 33a. geracao terao se passado 1.000 anos. Isso quer dizer que ha 1.000 anos atras voce era suposto ter mais de 8.5 bilhoes de ancestrais, somente da 33a. geracao isoladamente e nao a adicao de todas. Agora eu digo isso a voce, se voce nao tiver alguem ocupando cada um desses lugares voce nao existe. Voce que sabe algo a respeito dos dados populacionais de 1.000 anos atras deve perguntar: Mas como? Ha mil anos atras nao havia gente o suficiente. Mesmo hoje o total da populacao no mundo eh inferior a 7 bilhoes.

Essa questao tem resposta simples. Assim acontece porque alguns dos seus ancestrais daquela geracao sao muitas e muitas vezes seu ancestrais. Possivelmente alguns sao milhoes de vezes e essa eh a razao de voce existir, apesar do numero inferior de ancestrais em relacao ao esperado.

Porem o problema eh bem maior. Se voce fizer o calculo oposto, encontrara o mesmo numero. O que eu quero dizer eh isso, suponha que voce tenha dois filhos. E cada um deles tenha dois filhos. Tambem que seus quatro netos tenham, cada um, dois filhos, assim por diante, ate chegar `a 33a. geracao. Eh esperado que voce tenha mais de 8.5 bilhoes de descendentes somente daquela geracao. Isso significa que, se voce tivesse nascido ha 1.000 anos atras, voce era suposto ter, pelo menos, aquele numero de descendentes. Porem, se nao existe numero suficiente de pessoas na Terra, para onde elas foram?! Isso eh simples de responder.

Se os seus netos, ao contrario de se casarem com alguem diferente da familia se casarem com eles proprios voce nao tera 8 bisnetos como esperado mas somente 4. Estou pensando no caso de voce ter 2 netas e 2 netos. Para que voce tenha o numero esperado de bisnetos eles precisarao ter 4 filhos para cada casal formado. Toda vez que um primo se casa com outro nossa multiplicacao eh esperada cair. Quanto mais as geracoes se passam e primos se casam com primos repetidamente, a media de filhos para manter nossas expectativas precisa ser cada vez maior. Em alguns casos seria preciso que alguns casais tivessem milhares ou milhoes de filhos, e isso ainda nao eh algo facil para o ser humano.

A verdade eh essa, os seus ancestrais nao preencheram repetidamente os lugares como seus ancestrais apenas. Eles fazem o mesmo para um numero enorme de pessoas. Essas sao mais ou menos suas primas, mesmo que nao as conheca. Deixa eu te dizer isso, mesmo que voce tenha 10.000 casais de ancestrais de 1.000 anos atras, o que eh apenas uma fracao do que esperamos, voce pode estar caindo em uma armadilha genetica. Isso sera porque os seus 10.000 casais de ancestrais poderao ja ser parentes proximos. O que nos tem protegido contra a extincao eh a migracao e a multiplicacao sem limites. Agora, a migracao sozinha e os casamentos entre as linhagens diferentes sao o melhor caminho para evitar a nosso extincao.

Vamos simplificar as coisas, saiba isso. Se ha 300 anos, na decima geracao antes da nossa, um casal de nossos ancestrais teve 10 filhos e todos se casaram, e tambem tiveram 10 filhos seguindo assim ate antes da nossa geracao. Tambem, que nenhum descendente do casal tenha casado com outro, entao, ele era suposto ter 10 bilhoes de descendentes, somente da nossa geracao. Isso nao eh legal? Como o povo antigamente tinha filhos de acordo como a natureza permitia, nos somos supostos ter, pelo menos, um casal de ancestrais comuns daquela geracao com todo e qualquer de nossos vizinhos.

Mas as coisas nao sao tao simples. Nem todo mundo naquele tempo teve tantos filhos. Muitos de nossos tios e tias nunca tiveram filhos. Mesmo assim, o esperado eh isso, todos os casais de outrora que tiveram alguns filhos que se casaram e tiveram seus proprios filhos ate a nossa geracao provavelmente sao ancestrais de milhares, talvez ate 1 milhao de pessoas. E nao estou falando a respeito dos poligamistas.

Tai, quando algum site de genealogia anuncia que alguma personalidade descobriu ser parente de algum personagem historico atraves do site eh porque estao usando a popularidade da personalidade para levar vantagem no obvio. Se qualquer um buscar seus ancestrais, mesmo sem se sentir uma pessoa de respeito e, naturalmente, com um pouquinho de sorte porque muitos de nossos ancestrais nao nos passaram seus dados, voce provavelmente encontrara alguma personalidade historica como ancestral. Tambem, as pessoas atuais que sao ditas personalidades sao, provavelmente, seus primos. Alguem disse uma vez a respeito da minha familia: “Nos procedemos do sangue dos REis e os Reis provem do nosso sangue.” E isso eh absolutamente verdadeiro para todos nos.

Esta eh uma das razoes que me fez comecar a estudar nossa genealogia. Nao estou exatamente interessado em identificar reis na minha lista de ancestrais. Estou interessado na propria Historia. Tambem, quando eu encontrar qualquer personalidade como minha ancestral estarei mais interessado em conhecer melhor a Historia dela. E isso deveria ser considerado util para todos e nao para poucos.

As pessoas costumam dizer isso: “A Historia sempre se repete.” Estou certo que nao. Historia nada faz por si mesma. Pessoas repetem seus repetem seus proprios erros muitas vezes, porque ignoram a Historia. Conhecer a Historia nao eh um hobby para excentricos mas sim uma forma de defesa propria.

Outra razao que faz a genealogia tornar-se importante para mim esta nas implicacoes medicas dela. Apesar da gente saber tanto a respeito de genetica hoje eu penso que as mas consequencias de nossa relacao familiar estreita com a maior parte da humanidade tem sido totalmente ignoradas pelos governos. Entao, imagino que as pessoas deveriam conhecer melhor sobre isso para previnirem-se contra um possivel futuro colapso de nossa sociedade. Desde que a gente aprendeu que nao deveriamos ter tantos filhos quanto nossos ancestrais porque nosso planeta eh limitado, nos precisamos procurar nao ter filhos com problemas previsiveis. Nossos ancestrais podiam se dar ao luxo de ter tantos filhos quanto quizessem porque uns cuidavam dos outros mas se nos tivermos um filho com saude e outro sem ela, o problema tornar-se-a maior por causa da familia menor. Pense, e se as duas criancas tiverem problemas?!…

Entao, quando alguem diz que nos somos parentes de outra pessoa baseado no numero de geracoes eh porque ele ou ela nada sabe de genetica. O que acontece eh que nossa vida eh muito limitada quando consideramos o tempo como um todo. Temos o privilegio de conhecer um numero muito pequeno de geracoes dos nossos parentes mais intimos. Algumas vezes nos consideramos melhor algumas pessoas menos parentas nossas que outras mais proximas porque a gente eh guiado pela ideia errada de que, parentes sao aqueles que a gente conhece.

Baseado no que eu sei de genetica e manejamento animal eu posso dizer isso: humanos se parecem mais com galinhas de granja.

Falo isso com consciencia. A maioria das pessoas nem imagina como os cientistas criaram as linhagens de galinha para fornecer ovos ou carne. O que eles fizeram primeiro foi selecionar aquelas que ja botavam ou que cresciam mais rapida e naturalmente. Dai fizeram o cruzamento das mais produtivas umas com as outras. Fizeram isso repetidamente por anos a fio. Fizeram ate o cruzamento entre maes com filhos e pais com filhas.

Quanto conseguiram o que queriam, isto eh, uma linhagem que puzesse mais ovos ou crescia mais rapido, comercializaram-nas. Mas eles guardam seus segredos. Eles desemvolveram pelo menos duas linhagens para cada marca. O que voce encontra no mercado eh o cruzamento das duas. Se voce tentar comecar seu negocio a partir das galinhas que voce pode comprar vivas, elas nao serao tao produtivas como as originais. A menos que voce saiba repetir os experimentos deles e isso ira tomar tempo e dinheiro seus. Para que voce abra um negocio nessa area, voce precisa fazer parcerias com eles. Neste caso, voce ficara com o trabalho e eles partilharam contigo o dinheiro que voce ganhar. Isso eh negocio, eh o que eles dizem!

Mas o que tal pesquisa tambem levou `as galinhas de granja foi isso: elas sao muitisso susceptiveis a doencas e problemas geneticos. Tambem, o manejo ao qual as galinhas estao sujeitas, vivendo em espaco minimo, pode fazer a disseminacao das doencas em um piscar de olhos. Eh por isso que as galinhas de granja precisam de muitas vacinas e antibioticos adicionados em sua alimentacao. Se voce for visitar uma granja de ovos ou carne os donos te pedirao para vestir uma roupa propria que protegera contras as contaminacoes que voce podera levar, mesmo que nao saiba disso.

`A medida que nosso conhecimento genetico avanca temos aprendido a ler o que esta escrito na sequencia de DNA. E, logo apos aos primeiros resultados, os cientistas ficaram assombrados ao descobrir a semelhanca da escrita entre todos nos. Nao faz diferenca se for um esquimo, um caucasiano, um nativo sulafricano ou aborigene. Em nosso DNA somos mesmo como as galinhas de granja.

Se isso eh verdade, por que temos tantas diferencas em nossa aparencia? Talvez eu possa explicar isso. Nas vidas primitivas fomos treinados para observar mais as diferencas. Ver as semelhancas nao tinha tanta importancia. Isso esta relacionado ao nosso meio. Existe um exemplo facil disso no Brasil. Algumas plantas foram usadas como base na alimentacao dos povos. Os orientais tiveram o arroz. Os mediorientais tinham o trigo. Os norte americanos e os sul americanos ocidentais tiveram o milho. Os brasileiros, a mandioca (Manihot utilissima).

Ela eh uma raiz parecida com a batata mas com mais fibras e muito amido. Existem muitos jeitos de conzinha-la. Alguns sao deliciosos. Mas a mandioca tem sua irma gemea. Brasileiros a chamam de mandioca brava. Em ingles poderiamos chama-la de wild mandioca. A mandioca brava tem contem um dos venenos mais efetivos. Ela tem cianidro. Um pedacinho da planta em seu estomago e voce vira historia. Entao, conhecer a diferenca entre elas era uma questao de vida ou morte.

Mandioca pode fornece uma grande quantidade de comida em sua mesa em uma pequena area de cultivo. Ate a mandioca mansa pode conter cianidro suficiente para matar qualquer um ou coisa que come-la. A boa novidade eh que, cozinha-la faz evaporar o veneno. Brasileiros usam-na in natura para tratar do gado apesar do veneno. Eles aprenderam que se ela for fatiada e exposta ao sol ficara limpa. Entao assim se faz antes de tratar-se das vacas.

A parte mais venenosa da planta sao as folhas. Contudo, um grupo inteligente de pesquisadores desenvolveram um suplemento alimentar baseado em folhas de mandioca. Isso eh usado para enriquecer alimentos pouco nutritivos. Uma quantidade diaria pequena do suplemento na comida fraca em nutrientes pode rapidamente trazer saude para criancas com deficiencias nutricionais. O segredo esta em retirar o feneno antes da folha virar alimento.

E essas coisas foram aprendidas dos chamados nativos brasileiros primitivos. Agora eu posso tracar uma relacao entre as folhas de mandioca e os imigrantes sem documentos. Se voce tenta olha-los com menos preconceito voce pode esquecer tudo o que lhe parece veneno e transforma-los num futuro glorioso para os Estados Unidos. Quanto a isso eu tenho certeza, o veneno esta nos olhos das pessoas que sao preconceituosas e nao nos proprios imigrantes sem documentos. Depois eu falarei mais a respeito desse assunto.

Os preconceituosos foram inteligentes ao detectarem os que lhes sao diferentes na face mas nao o suficiente para separar a diferenca que prejudica da diferenca sem malicia.

Existem todo tipo de exemplos destas coisas em todos os lugares. No mundo inteiro as pessoas tinham que reparar cuidadosamente na paisagem, antes de sair das cavernas. Predadores sao conhecidos pela habilidade de misturarem-se aos meios e nao serem detectados. Quem nao tinha a habilidade de identificar as diferencas nao teve chance de passar heranca genetica a nos.

Mas o problema nao existe porque somos tao diferentes uns dos outros. Algumas vezes, ainda no Brasil, eu fui confundido com meus primos. Inclusive nos Estados Unidos e comum pessoas me olharem e pensarem estar diante de um americano de origem europeia. Isso pode parecer loucura. Mas eu pretendo retornar a isso posteriormente. Os meus parentes proximos que me viam constantemente nunca me confundiram com outra pessoa. Mas aqueles que me viam menos sempre cometiam algum erro. Mesmo parentes proximos que me viam pouco faziam isso.

Isso pode ser facilmente verificado por pais de gemeos identicos. Se sao identicos, como se saber suas diferencas? Diferencas minimas sao a resposta. Voce precisa todos os seus sensos em alerta para encontra-las. E esta habilidade todo mundo tem mas tambem podemos ser treinados para apurar nossos sentidos. Dependendo da cultura em que vivemos isso pode ser direcionado para incentivar o preconceito contra os diferentes. Preconceito nao eh uma habilidade natural ou racional. Eh aprendido por defeitos nas culturas.

Talvez, desgotar de algo diferente nao eh um preconceito intencional. Pode ser somente uma reacao natural aprendida nos milenios. O que se transforma em preconceito intencional eh a pessoa comecar a lutar contra a razao. Fazendo uma analogia, quando a pessoa comeca a ver a diferenca na pele do seu vizinho sabendo que isso nao eh nenhum sinal de perigo mas ela se acomoda na primeira impressao, mantendo aceso o sinal de alerta e ate cometendo atos contra o vizinho como se ele realmente estivesse ameacando sua vida ou suas posses.

Todavia, cor da pele eh algo vinculado ao meio. A pessoa tem pele escura por causa da habilidade dela de viver em ambientes quentes, tropicais ou equatoriais. Eh somente uma proteina que quase todos temos a habilidade de produzir. Ela tem o nome de melanina. Ela serve como protetor solar natural. Voce ter a pele mais clara so significa que seus ancestrais viveram por um tempo longo num ambiente menos luminoso. Assim, eles foram forcados pela selecao natural a permitirem uma quantidade maior de luz passar pela pela para que pudessem produzir vitamina D.

O problema eh que `as vezes uma coisa boa leva a certos efeitos colaterais. Se alguem que tem pele clara acompanhada de olhos azuis pensa que isso seja uma grande vantagem, pode tirar o cavalinho da chuva. Olhos azuis significam falta de melanina na iris ocular. Isso nao te atrapalha a visao mas pode causar-lhe cataratas nos olhos, se voce tem a tendencia para esse mal, mais cedo se voce se expuzer muito ao sol.

Se um povo de pele clara estiver sujeito a um ambiente quente por milhares de geracoes e sob a influencia da selecao natural, no final, todo e qualquer descendente dele tera pele mais escura. O mesmo eh verdadeiro para pessoas de pele mais escura que for sujeito a condicoes parecidas ao do Polo Norte. Se eles se recusarem a evoluir numa forma apropriada, eles virarao historia. Assim sera a menos que os de pele escuro encontrem outra fonte de vitamina D, como as pilulas e os de pele clara comecarem a usar bloqueadores solares naturais. Outra alternativa para os de pele clara seria adaptarem-se a ter somente atividade noturna e dormirem durante o dia.

As pessoas preconceituosas tem inteligencia suficiente para perceberem as diferencas mas nao tanto para serem capazes de serem ou fazerem diferente. Posteriormente eu voltarei a esse assunto.

04. O QUE EH SER UM EUROPEU?

Possivelmente, ate os americanos sabem que europeu eh alguem que nasceu na Europa. Mesmo nao sabendo exatamente o que ou onde a Europa eh. Nao falo isso por mim mesmo apenas estou criticando a mim mesmo porque o mundo inteiro conhece a ignorancia geografica americana. Talvez fosse melhor eu chamar este capitulo de: De Onde Surgiram os Europeus? Esta eh uma questao mais interessante.

Primeiro de tudo, nao apenas europeus mas toda a raca humana veio da Africa. Se voce nao acredita nisso e puder provar erro nessa afirmacao, provavelmente ira ganhar o premio Nobel logo depois de tornar publico este seu conhecimento novo.

Algumas vezes vejo pessoas revoltadas contra esta e outras teorias cientificas porque nao gostam ou elas parecem contradizer credos religiosos antigos. Tambem vejo as mesmas pessoas assistindo tv, acreditando que algumas imagens foram geradas no Japao e quase instanteamente podem ser vistas nos Estados Unidos. Tambem tem a capacidade de acreditar em medicos retirando o coracao do seu peito, fazendo nele alguma cirurgia, e reimplantando para que voce tenha uma chance nova de vida. Nao importa. Tudo isso so eh possivel por causa do conhecimento cientifico acumulado pelos cientistas.

Eu sei muito bem que cientistas cometem erros todos os dias. Nao vejo problema nisso. Todos os cometemos. Estao na natureza humana. Isso se torna problema quando alguem os comete e nao aprende nada com isso. E esta eh uma razao de precisarmos que alguns de nos conhecam a Historia Humana melhor para assim, identificando os erros, tentar evitar repeti-los. Um exemplo disso foi que aqui nos Estados Unidos a populacao estava aprendendo a contornar os preconceitos mas parece que essa doenca foi capaz de reinventar ela mesma e esta rapidamente superando a boa vontade de parte da populacao. Agora voltou. E esta mais forte que antes.

Entao, fica muito conveniente acreditar em alguns dizeres cientificos mas nao nisso: todos os humanos tem origem na Africa. Tambem: todo e cada um dos humanos sao parentes proximos uns dos outros. Nao sei o que leva as pessoas a agirem assim mas estou absolutamente certo da presenca de preconceito em decidir negar isso.

Da Africa sairam diversas especies de humanos. Mas todas, exceto pelo Homo Sapiens sapiens, foram extintas. Os cientistas atribuem a nossa permanencia `a nossa abilidade de nos adaptarmos. Adaptacao pode ser traduzida como capacidade em resolver problemas. Nao como na matematica mas eh parecido. Nem sempre isso depende da nossa vontade. Por exemplo, isso acontece quando encontramos uma situacao de epidemia quando uma nova doenca elimina a maioria mas alguns sobrevivem porque eles tem uma defesa natural contra o agente em questao.

Assim, os sobreviventes transmitem para sua descendencia essa capacidade. Temos muitos exemplos de adaptacoes na pessoa humana. Nos vivemos em quase todo tipo de clima na Terra e isso so eh possivel porque somos capazes de modificar nossos corpos de acordo com cada ambiente. Mas eh preciso afirmar isso tambem: “Devagar com o andor porque o santo eh de barro.” Sera preciso tomar cuidado para nao se cometer erros. Algumas adaptacoes precisam de tempo para se tornarem efetivas e ninguem esta preparado para todas as mudancas grandes e repentinas.

Voltemos entao ao nosso assunto. Da Africa nos viemos. E alguns migraram para uma area entre os Mares Negro e Caspio. Esta regiao eh chamada de Caucaso. E este primeiro grupo de pessoas que morou la foi chamada caucasiana. O caucasiano multiplicou-se ali e, possivelmente, nas adjacencias ate 75.000 anos atras. Por volta dessa data eh bem conhecido que um supervulcao entrou em erupcao na Indonesia. Cientistas nao estao certos se so isso ou mais alguma coisa foi responsavel por comecar a nova Era Glacial.

A teoria cientifica diz que, o supervulcao entrou em erupcao e lancou tanta poeira e gas na atmosfera que isso bloqueou uma parte da luz solar. E esta poluicao ficou la por um tempo suficiente para baixar as temperaturas medias na Terra por alguns anos. E isso induziu a natureza a continuar produzindo neve sem derrete-la. Quando a atmosfera voltou a ficar limpa a luz solar voltou mas ela era refletida pela superficie branca maior da Terra. Nos sabemos que superficies brancas refletem luz e escuras absorvem. Entao a Terra entrou num ciclo vicioso sem retorno.

Quanto mais a temperatura caia mais neve vinha. Maior ficava a superficie branca. Mais luz solar era refletida. Ai os invernos ficaram maiores e mais frios. Desde 70.000 anos atras, os cientistas podem detectar o sinal claro de que a Terra estava de novo em nova Era Glacial. Ciclos de menores e maiores temperaturas deixam sinais na paisagem terrestre.

Nosso planeta funciona exatamente como num livro onde as paginas sao as camadas de sedimentos. Se a gente nao retirar a poeira de nossa casa por um ano a gente pode imaginar aonde isso vai levar. A Terra funciona da mesma maneira. O que acontece na superficie por milhares de anos eh transformado em sedimentos nos fundos dos lagos e oceanos. Se isso ficar por muito tempo sob pressao pode ficar duro como pedra. E as camadas podem ser distinguidas umas das outras dependendo do clima em que foram formadas. E o tempo em que foram formadas pode ser medido por atomos presentes no material.

Entao, `a medida que o planeta esfriava menos alimentos ficaram disponiveis para os animais, incluindo humanos. Nos estivemos a um passo da extincao. Um cientista disse uma vez que eles tinham calculado em cerca de 1.500 pessoas vivas pouco tempo depois da erupcao do supervulcao. Agora, alguns animais selvagens estao retornando dessa condicao com a ajuda de fundacoes de protecao aos animais. Humanos nao tinham a quem recorrer senao `a sua propria adaptabilidade. Mas tambem usaram inteligencia.

Agora voce precisa tirar uma boa licao disso. Naquele tempo nos tinhamos pelo menos duas linhagenes de Homo Sapiens sapiens, uma o africano e outra o caucasiano, debatendo-se para manter a especie no cenario terrestre. Mesmo a cultura Neanthertal conseguiu isso, enquanto pode. Isso eh prova de que, alguns de nos, nao importa de qual origem, fomos feitos para ficar. E todos nos que vivemos hoje somos simbolos dessa resistencia herdada de nossos ancestrais.

Contudo, todos nos temos que pensar nisso e tentar responder essa questao simples: se um desastre igual acontecer em nosso tempo como faremos para manter nossas vidas e passar `a nossa descendencia a prova da nossa existencia? Quando isso acontecer de novo, possivelmente, mais de 90% de nos nao sobrevivera. E a unica forma de tentar manter nossos gens por mais um milhao de anos eh aconselhar nossos filhos: misturem-se o maximo possivel e digam o mesmo para seus filhos e netos. Ame a multiplicidade e esqueca qualquer preconceito racial aprendido dos seus ancestrais. Ser racialmente puro eh arriscar-se desnecessariamente.

Ao inves de dizer se, sera melhor dizer: quando o ser humano voltar a uma situacao de quase extincao as primeiras vitimas serao as galinhas de granja. Infelizmente, os cientistas ja sabem que muitos dos desastres imensos que ocorreram no passado voltarao a ocorrer e isso nao eh uma questao de se e sim de quando. Essa resposta ninguem sabe. Quando as galinhas de granja se virem forcadas a viver do que a natureza oferece nao serao capazes de viver por causa das modificacoes que os cientistas fizeram nelas, que as fizeram totalmente dependentes do ser humano. Pode ser que o mesmo aconteca ao proprio ser humano porque agora quase ninguem saberia viver das condicoes naturais. Para piorar, a desordem que a erupcao de um supervulcao traria pode alterar a propria natureza de uma maneira que poucas coisas naturais sobreviverao para manter vida sustentavel.

Veio do Polo Norte um paredao de gelo. Como camadas apos camadas de neve se juntavam, isso ficava pesado demais. Entao, a pressao fez a glaciacao andar na direcao de lugares subtropicais. Em passos de preguicas, ano apos anos apos anos, isso tomou conta da paisagem. Humanos foram inteligentes o suficiente para saber que tinham que buscar abrigos em lugares mais mornos. E eles foram tangidos em direcao ao sul. A populacao se dividiu em grupos que acabaram no Sul da India, provavelmente no Oriente Medio e pelo caminho ate a Penisula Iberica. Isso eh o mesmo que dizer Espanha e Portugal.

Deixem que eu tome por emprestimo a definicao do Webster’s II New Riverside Dictionary – Revised Edition – a definicao de caucasiano: “Eh o estabelecido como classificacao racial humana definida pela cor de pele variando entre branca ate morena que inclui povos nativos da Europa, Norte da Africa, Asia Ocidental e India. – no. 1: Nativo ou habitante do Caucaso. 2: Um membro da classificacao racial caucasiana.”

O que ha de errado na definicao? Primeiramente agora sabemos que humanos nao podem ser classificados por racas. Sim! Para que a gente dividisse humanos em grupos de racas nos precisavamos uma certa quantidade de diferencas acumuladas nalguns grupos sendo isso verificavel em nosso DNA, mas nao temos diferencas suficientes nele. Nos somos parecidos demais, equiparaveis a galinhas de granja. A cor da pele nao pode ser usada em nosso caso. Os caucasianos nao variam a cor da pele de branca a morena. Indo a alguns lugares na India nos podemos verificar que a pele deles varia desde o branco ate ao preto, e nao para no moreno.

Outra “cosita mas”, caucasianos foram os primeiros habitantes da America do Norte e a presenca deles aqui ja foi medida em, pelo menos, 17.000 anos atras. E este foi um dos grandes erros cometidos por cientistas ao longo da Historia. Os mais antigos teorizaram que humanos nao teriam a capacidade de sair da Asia a nao ser a pe e por volta de 7.000 anos atras quando o degelo da Era Glacial produziu uma passagem natural da Russia ate `as Grandes Planicies nos Estados Unidos. Eles tambem levantaram a teoria de que a populacao asiatica foi a primeira a chegar `as Americas porque os europeus no tempo das Grandes Descobertas encontraram apenas asiaticos aqui.

Agora eh largamente conhecido que, muito antes, causianos ja haviam morado aqui. Porem, eh possivel que os caucasianos norte-americanos foram extintos mesmo antes dos asiaticos chegarem. Ninguem sabe ainda ao certo. A fauna gigante que existiu na America do Norte durante a Era Glacial tambem foi extinta. Tigre-dente-de-sabre, mamutes, preguica gigante e tatus do tamanho de um carro viveram na America do Norte enquanto nao veio uma catastrofe que extinguiu a fauna gigante. O que a gente sabe com certeza eh isso: humanos estavam aqui milhares de anos antes da passagem entre Asia e America do Norte ser aberta. Os asiaticos podem ser um deles.

Outro detalhe eh este: as caracteristicas da populacao asiatica comecam a aparecer nos sedimentos apenas de 25.000 anos para ca. O que isso sugere eh que, eles sairam de uma familia caucasiana que primeiro vivia na Mongolia. De la eles multiplicaram e se espalharam atraves da Asia, ilhas do Pacifico e Americas. O Japao eh um bom exemplo da presenca dos dois. Pessoas completamente caucasianas viviam la ate 2.000 anos atras quando os asiaticos chegaram. Inclusive no inicio do seculo XX ainda existia uma populacao pequena de caucasianos la mas ela foi absorvida pelo numero muito maior de pessoas com o visual asiatico.

Mais uma informacao extra. Os primeiros sulamericanos nao foram caucasianos nem asiaticos. Eles pareciam mais com os africanos. Isso eh visto no esqueleto encontrado na cidade de Santa Luzia, Minas Gerais, Brasil. Mais velho que 10.000 anos, esse fossil foi revivido atraves de tecnicas de reconstituicao policial e tinha a fisionomia africana ou aborigene. E se deres uma olhadinha no Mapa Mundi pode imaginar logo: se o gelo estava tao presente no Norte do Globo eh possivel que estivesse mais presente ainda no Sul. Isso porque nao temos terras no Polo Norte e no Polo Sul temos um continente inteiro.

Cientistas mais velhos tendiam a ignorar o quanto humanos sao inventivos. Assim, eles nao gostam de imaginar que ninguem antes de 10.000 anos atras pudesse navegar longas distancias ou usar a beira das geleiras para fazer isso. Mas a beira do gelo do Polo Sul poderia ser muito atrativa para os africanos, por causa da abundancia de alimentos. Na Era Glacial ela estava muito mais proxima da Africa do Sul e as pessoas de la poderiam navegar ate `a beira da calota polar e, indo atras da comida ou por simples acidente, pode ter acabado descobrindo a Australia e a America do Sul.

Mas em umas partes do ano o clima nao era amistoso aos humanos por la, entao, eles tinham que voltar para o norte. E isso poderia explicar como o aborigene chegou `a Australia e ao Brasil. Dai eles andaram muito, muito longe do Polo Sul. Eu indico uma pagina na internet para que possam tirar uma conclusao melhor. Ele eh: http://www.andaman.org/BOOK/chapter54/text-PedraFurada/text-PedraFurada.htm. Trata-se do trabalho da professora Niede Guidon no Brasil. Ali se explica a presenca de sinais de que o ser humano habita a America do Sul desde antes de 36.000 anos atras. Talvez ate 50.000 como a professora acredita.

OBS: Indo diretamente `a pagina acima voce ira encontrar um texto em ingles. Portanto, quem nao conhecer a lingua podera buscar textos similares na Internet. Basta consultar o seu provedor usando o nome da professora Niede Guidon e a localidade Pedra Furada como referencias.

Talvez existam outras possibilidades de como explicar a presenca do ser humana na America do Sul em tempos anteriores que acreditavamos. Pegando o mapa atual voce nao vera exatamente o que era 50.000 anos atras porque as ilhas pequenas eram maiores e o espaco entre continentes eram menores. Mesmo assim a distancia entre eles era grande demais para navega-la em barcos primitivos. Apesar da distancia entre o Nordeste Brasileiro e a Africa Ocidental ser a menor, penso que a viagem via Atlantico Sul eh a mais provavel de ter acontecido porque o gelo poderia servir como referencia do para onde seguir.

Voltemos ao assunto principal desse capitulo. Por volta de 40.000 anos atras, Espanha e Portugal eram os melhores lugares na Europa para pessoas viverem o ano inteiro apesar do frio. O mesmo grupo de pessoas conseguiu transpor o Gilbratar e morar no Norte da Africa. Naquele tempo eles estavam enfrentando o momento mais frio da Era Glacial.

Tinha tanta agua transformada em gelo que a beira da glaciacao na linha de Nova Yorque existia uma muralha com um quilometro e meio de altura. A linha que passa em Nova Yorque passa tambem por Portugal, Espanha, Italia e acima da Grecia. Desde que tinhamos menos agua liquida disponivel, o nivel dos oceanos estava bem abaixo do atual. Entao, nas imediacoes das praias de agora nao tinhamos agua. Para irmos `a praia em alguns casos a gente teria que andar uns 150 quilometros dentro dos mares atuais, no seco.

O Mar Negro nem existia. Isso se deu porque o Mar Mediterraneo estava tao baixo que nao havia comunicacao entre eles. No lugar dele nos tinhamos um volume menor de agua doce. Este era alimentado pelos rios em torno. Como a pressao atmosferica eh maior em lugares mais baixos e isso se traduz em temperaturas mais elevadas, naquele tempo, as margens do Mar Negro poderiam ser um bom lugar para se viver. Tambem, uma parte da terra seca da Europa eh agora o fundo dos mares dela. Entao, sera possivel acharmos provas da existencia de civilizacoes primitivas na pre-historia, bastando cavar os sendimentos nos fundos dos mares.

Dai, entre 40.000 e 13.000 anos atras, europeus viviam somente no sul europeu. Por volta do ano 13.000 atras algo aconteceu e o gelo comecou a derreter. Alguns cientistas pensam que gases congelados no fundo dos oceanos podem ter sido queimados numa erupcao vulcanica menor e o gas foi liberado no Atlantico Norte. Houve uma grande producao de CO2 e este tem a capacidade de absorver calor da luz solar para esquentar a atmosfera. A glaciacao entao comecou a mover-se de volta na direcao do Polo Norte. 10.000 anos atras, a grande familia europeia voltou a migrar. Agora em direcao ao norte.

Agora use a imaginacao e faca as ligacoes. Como as pessoas humanas sao capazes de multiplicar-se como eu disse antes, explicando: um casal tendo 2 filhos que terao 2 outros cada um, ate a 33a. geracao, podendo isso chegar a 8.5 bilhoes em apenas 1.000 anos, entao, voce pode lembrar-se que na Peninsula Iberica os europeus se esconderam por 30.000 anos. O que voce pode esperar disso eh que: O primeiro grupo que chegou la ja era, pelo menos, parente. Mas Espanha e Portugal juntos, mais uma area sob os mares, nao sao tao grandes nem tao pequenos. Este grupo estava organizado como numa tribo.

Depois de algum tempo possivelmente eles fossem milhares, porem, continuavam primos. Como havia multiplicacao eles tem que ter se dividido em outras tribos. Mesmo sendo parentes e primos, faz parte dos seres vivos possuirem alguma variabilidade. Um exemplo pratico disso eh meus pais terem tido 9 filhos. Cada um de nos, mesmo sendo muito parecidos, tem sua diferenca. Eu sou o mais alto de todos. Alguns sao menores. A cor da minha pele lembra europeus e um de meus irmaos eh moreno. Alguns tem cabelo encaracolado e outros ondulados. Alguns tem cabelo escuro e outros castanho, embora estes ultimos fossem loiros quando criancas. Se formos olhar cada parte de nossos corpos veremos combinacoes multiplas.

Entao, imaginemos. Se nossos pais fossem reis e decidissem dividir a nacao em 9 reinos para cada um de nos se tornar novo rei ou rainha. Mais, se para a divisao do reino o rei estabelecer que, as pessoas do reino antigo serao divididas por sua aparencia e os mais parecidos com cada nova rainha ou rei devera segui-los, segundo suas similaridades com cada um dos novos soberanos. Neste caso, os maiores, mais parecidos com europeus, de cabelos ondulados etc me seguiriam. O mesmo aconteceria aos outros.

Imaginem agora se as novas tribos fossem mantidas separadas nao apenas por uma geracao mas por milhares de anos. Eh esperado que nossa descendencia parecesse conosco mesmo mas o que ficaria mais visivel seriam nossas diferencas. Iria ser chocante o reencontro numa reuniao de descendentes. Alguns nunca teriam visto povo tao alto em suas vidas. Outros nunca iriam ter visto povo tao moreno. E como eu disse antes, as diferencas fariam tocar os alarmes em muitos. Lembrem-se, nos fomos condicionados pela natureza a enxergar primeiro as diferencas e fazer uma ligacao delas como sendo aviso de perigo.

Uma parte disso foi exatamente o que aconteceu com os europeus. A Historia nao aconteceu exatamente assim porque a populacao abrigada na Peninsula Iberica ha 10.000 anos atras comecou a mover-se para os lugares mais ao norte mas manteve alguma ligacao cultural entre si. A religiao era parecida; eles faziam encontros em alguns determinados pontos para as festas anuais; nao havia superpopulacao e tinham muita terra a conquistar. Tambem, por volta de 7.000 anos atras a costa atlantica funcionava como uma estrada de comercio livre entre o Norte da Africa ate a Escandinavia. Porem, num determinado momento eles se esqueceram totalmente que eram descendentes do mesmo grupo de pessoas.

Antes que eu me esqueca, a comunidade cientifica ainda nao sabe se houve ou nao trocas geneticas entre caucasianos e outra variedade de humanos que viveram desde o Oriente Medio ate os confins da Europa. Eles sao o povo Neanthertal. `A medida que o caucasiano avancou no territorio europeu esse povo foi desaparecendo. Mas nao se tem evidencias suficientes para dizer-se que houve guerra e o Neanthertal foi extinto. O que as evidencias mostram eh que, em alguns casos, eles residiram ao lado um do outro. Ate existe um esqueleto de uma crianca, de 25-28.000 anos atras, encontrado em Portugal, que parece ser um hibrido dessas duas familias humanas. O europeu pode ter um pouquinho de Neanthertal mas nao o suficiente para alguem afirmar isso ainda.

Mesmo que essa possibilidade seja verdadeira, o que eu escrevi antes continua valido porque por volta de 30.000 atras o Neanthertal tinha desaparecido dos sedimentos. Naquele tempo, a populacao europeia estava chegando por ultimo na Espanha e Portugal. Dai as familias reunidas ali fizeram trocas de material genetico entre elas e todo mundo recebeu a mesma heranca. Alguns podem ter um pouquinho a mais que os outros mas nao o suficiente para fazer alguma diferenca.

O que aconteceu depois eh que eh o problema. As civilizacoes humanas comecaram a desenvolver-se ao redor do mundo. Em varios pontos do Mediterraneo nos tivemos os fenicios ou povo do mar. A Grecia veio depois e deu nome ao restante dos europeus de Keltai. Romanos vieram apos e herdaram o mesmo preconceito introduzindo o nome celtae em sua lingua. Em nossa lingua foi traduzido isso para barbaros.

Por que o nome? So porque os barbaros eram povos mais rurais que urbanos. Eles nao tinham sua Historia escrita. Eles levavam a comida `a boca usando facas e nao colheres e garfos. O povo civilizado jamais cometeria uma barbaridade dessa! Ao contrario, o povo civilizado comecou a caca-los e fazer guerra contra eles. Somente porque os civilizados queriam as terras deles, qualquer outra coisa que eles produzissem, e transforma-los em escravos. Foi com intencao como essa que Roma se tornou a toda poderosa do momento.

Roma tornou-se dona de todas as terras em volta do Mediterraneo tornando-o um lago particular. Ela conquistou ate a Inglaterra. O territorio que corresponde a Inglaterra, Franca, Italia, Portugal, Espanha, Grecia eh um pouco do conquistado por Roma. A maioria dos europeus do Norte nao tinham nada que despertasse a cobica romana, exceto por pessoas para serem escravas. Assim, Roma nao conquistou o Norte Europeu, so fez incursoes la para cacar escravos.

E Roma implantou a Pax Romana. Isso significa que quem estava sob a autoridade romana tinha que seguir sua lideranca ou de outra forma poderia ser apagado da existencia. Sob a lideranca romana voce era obrigado a pagar impostos mas nada recebia em retorno. Roma punha as tropas em suas terras com a desculpa de protege-lo contra invasoes estrangeiras mas os soldados eram mesmo usados para oprimi-lo. Ninguem tinha o direito de ter opiniao diferente.

Apesar de ser assim, numa coisa o governo romano era mais democratico. Qualquer um poderia ter sua religiao desde que ela nao representasse nenhum obstaculo aos interesses de Roma. Ate judeus puderam praticar a religiao deles apesar dessa religiao proibi-los de adorar o imperador. A principio, Roma virou-se conta o cristianismo, tendo ou nao razao para isso, mas depois o imperador Constantino fez do cristianismo a religiao oficial do imperio. Mas isso nao foi para o bem. O que ele queria era que todo mundo fosse submisso a ele proprio e aos seguidores dele.

Dai para adiante o imperio desestruturou. O Cristianismo era dividido em varios credos. Constantino queria uma Igreja que o subsidiasse e queria apagar as diferencas. Para tanto ele ordenou que os bispos fizessem um Concilio em Nicea. Apos o Concilio de Nicea foi proclamado o Credo de Nicea que instituia que todo o Imperio era obrigado a tornar-se cristao e seguir o dogma da Trindade segundo o modelo de Nicea. Os opositores `a crendice de Nicea eram os arianos.

Os arianos receberam esse nome mais ou menos na epoca do Concilio de Nicea porque o representante dessa teologia tinha o nome de Arius. A teologia ariana era mais antiga que Arius e por razoes obvias instituia que existe uma Entidade Superior que nao fora criada. E os primeiros cristaos obviamente sabiam que Jesus era uma criatura concebida por esta Entidade. E isso fica muito claro lendo-se as palavras atribuidas ao proprio Jesus em Joao, 14, 28: “…o Pai eh maior que eu…” Sendo assim, nao adianta a gente querer se enganar dizendo que Jesus e Deus sao a Mesma Pessoa porque nem Deus eh Maior que Ele Proprio.

A teologia ariana foi considerada heretica pelo Concilio de Nicea em 325 mas depois foi reaceita mas isso pode ter contribuido para a queda de Roma. Ate Jesus tinha avisado aos seguidores dele a respeito do reino dividido. O que eu pretendo dizer aqui eh isso: eh super importante permitir opinioes diferentes em nosso meio, desde que todos se respeitem, porque nos podemos ser alertados dos nossos erros por outros. Se todo mundo pensar exatamente igual nunca saberiamos quando fomos errados, nos enganos ou fomos falsos.

Quando voce tenta impor aos outros algo que nao eh essencial voce fara inimigos por acoes que nada lhe valem. Em toda ditadura eh essencial existir um grupo de pessoas que se acredita superior e capaz de decidir as melhores solucoes em nome dos outros. Isso nao passa de empafia, o atribuir a si mesmo o destino dos outros ate sem ouvir ou se abrir ao que os outros tambem desejam.

Entao, antes do ano 381 o arianismo era tolerado e Roma foi administrada por imperadores arianos. Eles ate enviaram sacerdores para ensinar o cristianismo ariano aos povos barbaros extra fronteira do imperio. Mas, naquele tempo, no I Concilio de Constantinopla, o arianismo foi considerado heretico outra vez e os seguidores foram perseguidos. Demais para ser apenas uma mera coincidencia, os barbaros liderados pelos godos invadiram e conquistaram o imperio em 411.

O Imperio Romano foi dividido em 2 partes. Os godos ficaram com a propria Roma mas o Imperio do Leste, com a capital em Constantinopla ou Bizantium continuou. Posteriomente ele foi chamado de Imperio Bizantino.

Os godos dividiram suas conquistas em 2 partes. A Europa Ocidental que inclui o centro e o sul frances mais Espanha e Portugal ficou com os visigodos. A Italia e as areas adjacentes com os ostrogodos. Desde o comeco do governo dos Ostrogodos as coisas nao andaram bem. Eles tentaram conciliar coisas como serem estrangeiros governando outro povo nas proprias terras dos governados. O povo tinha vinculos com Constantinopla que sempre estava tramando contra os ostrogodos. Godos eram arianos e a populacao seguia a orientacao do credo niceano. Eles estavam abertos a entender as opinioes diferentes mas a populacao nao.

Historiadores classificam esse periodo como Idade Media, e algumas vezes como Era da Obscuridade. Os ostrogodos nao permaneceram no poder embora deixaram descendencia que continuou no comando. Os visigodos permaneceram por mais tempo. O esplendor da Roma antiga se foi. Europa tornou-se um lugar de guerras anuais. Cada povo tentando conquistar seu vizinho ou tentando libertar-se do despotismo deles.

Os francos foram outro povo com a mesma origem que os godos na Alemanha mas ja havia algum tempo que viviam no Norte da Franca com autorizacao do Imperio Romano. Eles ate se opuzeram `a invasao dos godos e foram derrotados. Posteriormente esse povo se tornou a maior forca da Europa. Mas houve um acontecimento antes disso.

Muhammad comecou seu ensinamento messianico no Oriente Medio e 100 anos depois o Imperio Muculmano era o maior ja visto. Eles conquistaram desde a India ate o Norte da Africa. Em 711 os visigodos estavam numa guerra de disputa pela sucessao. Os muculmanos nao perderam a oportunidade, cruzaram o Gibraltar e invadiram a Europa desde a Espanha ate a Franca. Imediatamente surgiu a reacao.

Um dos lideres francos foi Charles Martel ou Carlos Martelo. Ele organizou o contra-ataque e teve sucesso em parte. Interceptou o avanco das forcas inimigas e as obrigou a retirarem-se para a Espanha. De la eles nao conseguiram remover o invasor.

Mais tarde, o neto do Carlos Martelo, o Carlos Magno, estava no poder e conquistou toda a Europa Central. Desde a Italia ate a Alemanha. Somente alguns reinos menores ficaram de fora. No tempo dele, o papa em Roma era uma marionete nas maos dos lombardos. Mas Carlos Magno nao era um simples catolico e sim meio fanatico. Assim, ele derrotou os lombardos e se colocou sob a bencao da Igreja Catolica Romana. Em 800 ele foi coroado Imperador do Sagrado Imperio Romano. Essa foi uma tentativa de restaurar o Imperio Romano sob a protecao da Igreja Catolica.

Mas isso nao foi longe. Os barbaros tinham uma tradicao de parcerias. Todos os filhos do rei eram co-reis. E cada um tinha o direito de ficar com uma parte do reino para si mesmo. Em seguida era comum eles fazerem guerra uns contra os outros para reunificar o reino sob um soberano. O melhor que podia acontecer disso era quando eles concordavam em apenas crias novos reinos e nao entrarem em confusao. Dai, com o passar do tempo, a Europa estava mais dividida. Mas o poder de verdade passou para as maos dos papas. Entao, a Igreja Catolica tornou-se o poder dos poderes na Europa.

Carlos Magno foi um rei que alguns quizeram santificar depois de morto. Mas enquanto vivo ele foi capaz de mandar matar 10.000 saxoes porque eles nao aceitavam converter-se do paganismo. Ele eh considerado o pai das monarquias da Franca e Alemanha. Era catolico mas tambem tinha varias esposas. Nao recebeu educacao escolar mas criou o sistema escolar para todos e mandou todos os filhos, inclusives as filhas, estudar. Ele foi mais que uma controversia.

Uma pequena informacao a respeito do reino dele ou do filho, Carlos I, o Piedoso, com utilidade eh que: ele nao foi capaz de reconquistar a Espanha e Portugal e teve sua unica derrota na vida quando estava voltando da Espanha e a retaguarda de suas tropas foram surpreendidas pelos bascos. Mais tarde, Carlos I, o Piedoso reconquistou Barcelona e as imediacoes que se tornaram o reino franco de Aragao.

O que mais temos que mencionar a respeito dos europeus eh isso, eles se esqueceram a respeito de suas origens. Eles se dividiram em familias menores. Deram nome a essas familias de Saxoes, Bretoes, Gauleses, Godos, Lombardos, Bascos, Luzitanos, Francos, Viquingues e outros mais. Eles criaram muitas opressoes de uns para com os outros e exportaram isso atraves da Invasao das Americas e da expoliacao colonial em todos os cantos do globo. Eles recriaram a escravidao e a pioraram. Eles foram capazes de criar a Inquisicao. Exportaram guerras como as napoleonicas e as I e II guerras.

Este capitulo foi feito para apontar algumas coisas ruins feitas pelos europeus. Nao ignoro as boas coisas que fizeram. Mas penso que apontar o mal seja necessario para identificarmos o lado diabolico europeu porque muito do preconceito atual no mundo veio deles e de sua descendencia. Assim, se estes tem algum sentimento de preconceito, pensando que nasceram superiores, estas pessoas preconceituosas precisam ser lembradas do sua heranca ruim. Isso se da porque se a pessoa nao reconhecer sua fraqueza e nao lutar contra ela, a fraqueza acaba se voltando contra a propria pessoa.

05. UM POUQUINHO DE GENEALOGIA EUROPEIA

Ha pouco tempo atras comecei a estudar minha genealogia. Esta eh uma tradicao na familia no Brasil e meu pai servia de inspiracao a toda a familia nisso. Meus estudos comecaram quando das Bodas de Ouro de meus pais. Minha esposa e eu tinhamos acabado de adquirir o green card em novembro de 2001. A gente retornou ao Brasil apos 8 anos sem podermos voltar. Ou melhor, nos poderiamos voltar, o que nao tinhamos era garantias de reentrar nos Estados Unidos. 10 de janeiro de 2002 seria o dia das Bodas.

As comemoracoes foram em dezembro porque 7 de janeiro de 2002 nos tinhamos outras bodas de casamento. Era a festa de 60 anos de tia Odila e tio Eurico. Tambem era o dia de aniversario do meu pai. Entao, nao tinhamos pouco a comemorar!

Tia Odila foi irma do meu pai ate ele morrer em 2003. E a filha dela, Ivania, tinha escrito o livro: ARVORE GENEALOGICA DA FAMILIA COELHO. Nos tinhamos crescido com o livro em casa sem estuda-lo a fundo. Isso nao nos parecia necessario porque a maioria dos dados que estavam la a gente ja conhecia por conhecer as pessoas presentes nas paginas. E se a gente nao tinha conhecido algumas pessoas por elas ja terem morrido antes da gente nascer, elas permaneciam em nossas memorias atraves dos nossos saraus. Penso que posso dizer que eram nossas reunioes em torno da fogueira. A maioria delas eram em casa do meu avo materno ou nas cozinhas dos parentes. Nesse caso, o fogo estava presente nos fogoes a lenha.

Cozinha para nossa grande familia eh um simbolo e um sistema de vida. Pouco interessa se os outros tem um lugar proprio para se reunir. Algumas vezes, o lugar onde nascemos fica bem frio, abaixo dos 20 graus e chegando ao 0. Mas nossas reunioes em torno do fogo faziam a gente esquecer qualquer frio. O calor humano incentivado pelos risos continuos era o que dirigia a nossa conversa. O assunto de sempre eram nossos ancestrais e nossos parentes.

Ai, na casa da tia Odila meu pai teve a ideia de comprar mais exemplares do livro. A tia deu alguns a ele e ele repassou-me um. Eu o trouxe comigo e comecei a estudar os detalhes como nunca tinha feito antes. Em particular o grau de nosso parentesco com quase 90% da populacao da nossa cidade e outras proximas. Porem, faltava ao livro alguns ramos de nossa Arvore Genealogica. Nos a chamamos de Familia Coelho mas o nome nao passa de uma mencao a um de nossos ancestrais que nasceu na metade dos anos 1700.

O ancestral em pessoa era portugues e casado com uma Brasileira. Eles tiveram cinco filhos e somente dois se casaram. Naquele tempo, o estado em que nascemos no Brasil tinha menos de 100 anos em termos de colonizacao de origem europeia. O Estado de Minas Gerais eh o que o proprio nome fala. Eh um lugar enorme, pouca coisa menor que o Texas, com uma corrente montanhosa cujo nome eh Serra do Espinhaco (montanhas em forma de espinha) desde o sul ate ao norte. Foi o lugar onde ouro, prata, ferro, diamantes e muito mais estiveram juntos, enquanto os europeus nao chegaram.

Entao, na primeira metade dos 1700, o Brasil teve sua Corrida do Ouro e Minas Gerais foi o lugar. Por ser colonia, Portugal mandava e tentou bloquear a migracao para la. Portugal queria controlar tudo mas isso nao era facil. A mata dominava tudo. Os rios, exceto por alguns, eram dificeis de navegar. Eles correm nas quatro principais e direcoes intermediarias. Algumas vezes o estado inclusive eh chamado de Caixa d’Agua do Brasil. La eh um dos locais mais altos do Brasil e suas aguas alimentam rios que fazem contato com varios outros estados do Sul e Nordeste Brasileiros. Junte-se a este problemas as muitas doencas tropicais nos locais mais quentes, que eram desconhecidas.

Os europeus, especialmente portugueses e brasileiros das outras capitanias, invadiram o lugar desordenadamente. E eles comecaram a levar escravos para la. Os brasileiros nativos ja estavam la muito antes e se tornaram sujeitos `a escravidao, conversoes forcadas e as indegenas serem usadas para casamentos depois disso.

A nossa genealogia, naquele livro, comeca um pouco depois, quando o ouro ficou escasso e os mineiros comecaram a ser mais fazendeiros que mineiros. O portugues que nos trouxe o sobrenome na familia, o qual muitos de nos continua portando, tinha o nome de Jose Coelho de Magalhaes. Mais tarde eu mencionarei o motivo pelo qual o bicho coelho virou nome de nossa familia. Eh possivel que o avo Jose tenha ficado conhecido pelo apelido de Jose Coelho da Rocha, no final da vida.

Posteriormente fiquei sabendo que a mulher dele, Eugenia Rodrigues Rocha, tambem era chamada de Eugenia Maria da Cruz e era filha de Giuseppe Nicatsi da Rocha e Maria Rodrigues. Giuseppe era meio-a-meio portugues e italiano. Mas ate agora nao sabemos nada a respeito dos ancestrais dele. Maria Rodrigues era brasileira e alguns falam que usava o sobrenome: de Magalhaes Barbalho. Igual em meu nome mas tenho duvidas quanto a isso. Nos temos razoes para duvidar e para acreditar porque o sobrenome Barbalho ja estava presente na area em que ela, provavelmente, nasceu, viveu e faleceu. Mas estou procurando ainda por evidencias para provar como era composto o nome real dela.

O que estou mais interessado agora eh voltar ao assunto que da titulo ao presente capitulo. Nos temos uma tradicao que afirma que o nosso ancestral Jose Coelho de Magalhaes descendia de outro portugues com o nome de Manoel Rodrigues Coelho. O portugues Manoel era rico e amealhou a fortuna dele mineirando ouro e tambem que foi para Minas Gerais nos primeiros momentos da Corrida do Ouro de la. Mas o tempo nao se encaixa na tradicao porque sabemos que os dois nasceram em Portugal. Jose nasceu por volta de 1.750. Manoel entrou para oi servico publico em Ouro Preto, em 1.719. Nessa data ele deveria ter 25 anos ou mais porque ele se tornou tesoureiro da Camara Municipal.

Era muito complicado para um homem naquele tempo com seus 60 anos de idade, rico e correr o risco da viagem oceanica, casar de novo, ter um filho e retornar. Naquele tempo, a probabilidade de vida ou morte numa viagem transatlantica estava na faixa de 50 e 50%. As coisas tinham que ser assim porque temos evidencias que indicam que ele estava no Brasil em dadas posteriores a 1.750. Manoel fez contribuicoes vultosas para a construcao do Santuario de Bom Jesus do Matosinhos, em Congonhas do Campo. Este eh um dos monumentos mais conhecidos do Estado de Minas Gerais e continua sendo um marco no marketing do Estado. Teve sua construcao iniciada em 1.757 e foi terminado por volta de 30 anos depois.

Por tais razoes eu comecei a procurar as origens de nosso ancestral em outras fontes. E encontrei alguem com o mesmo nome, possivelmente da mesma idade, num site da Internet. O nome do site eh geneall.net – Portugal, que recolhe informacoes genealogicas de toda a Europa e outros lugares. Ele ja tem uns 10 anos de idade mas os dados procedem de documentos antigos, talvez, desde quando a atividade de genealogia comecou na Terra. Nao tem tudo mas a quantidade eh suficiente para assombrar uma pessoa comum.

Da Idade Media ou antes dela o que eles tem eh um pouco das chamadas familias nobres. Mas o que eh uma familia nobre? Nao eh nada mais que uma familia comum com titulos. E eu sei porque eh assim. Isso vem desde as nossas origens tribais. Uma tribo eh, necessariamente, um grupo de pessoas com ligacoes familiares proximas. Os cientistas calcularam que os egipcios antigos que construiram as grandes piramides nao passavam de 100.000 pessoas. E o Egito antigo era uma nacao, nao apenas uma tribo.

E, no que eu sei ate agora, eu tenho mais de 100.000 parentes ou mais. Nao. Nao estou falando de pessoas que conheco como parentes mas nao saberia dizer nome dos ancestrais delas. Estou falando apenas dos descendentes diretos dos pioneiros que povoaram as cidades em torno daquela onde nasci. Entao, nos tempos antigos a minha familia seria chamada de nacao, nao apenas familia.

Entre meus parentes existe alguns com bons empregos como funcionarios publicos. Outros tem bons empregos por causa dos diplomas universitarios. Alguns sao comerciantes ricos. Tambem temos os sacerdores e qualquer outro exemplo que se possa dizer, sao pessoas de sucesso. Porem a maioria eh de pessoas comuns. Eh como se diz no Brasil: “Eu tenho pessoas ricas entre meus parentes mas eles nao me conhecem, e tambem pessoas pobres mas nao as conheco.”

Atualmente, se alguem fala que trabalha como ferreiro ninguem liga. Ha 1.000 anos atras esse seria filho das familias mais nobres. Isto foi o que fez a chamada nobreza antes e isso foi passado para os dias de hoje atraves da genealogia. Nobilidade nunca foi exclusividade europeia. Em todos os cantos da Terra a gente teve esse tipo de diferenciacao que separou alguns dos outros. Mesmo que pareca a muitos de nos que na Africa e nas Americas antigas nao existia nobreza, essa impressao nasce da nossa historica ignorancia. Os europeus massacraram todas as culturas nestes continentes e monopolizaram o direito `a nobreza. A acao deles foi facilitada porque a maioria das culturas massacradas nao possuiam escrita.

Nobreza nao significa necessariamente carater nobre. Algumas vezes isso se aplica melhor a aventureirismo, soldados da fortuna ou alguem que busca fortuna e posicao social inexcrupulosamente, como o aventureiro esta definido no dicionario.

A justificativa para a existencia de genealogia nos tempos antigos eram as sucessoes. Precisamos pensar isso melhor. Se alguem era rei e tinha muitos filhos mas apenas um tinha o direito de ser o sucessor, os outros tinham que ficar na reserva e nao eram descartados. Tinham que esperar e ver se o novo rei seria capaz ou nao de ter filhos e se os filhos teriam capacidade de reinar. Mesmo assim, todo mundo continuaria na linha de sucessao para qualquer eventualidade. Precisamos lembrar disso, nao era incomum, numa epidemia ou numa guerra desastrosa, a maioria dos nobres serem mortos. Entao, o primeiro da linha de sucessao seria escolhido pela proximidade de parentesco com o rei morto.

Mas algumas vezes a linha sucessoria nao se quebrava durante geracoes. E os irmaos e irmas do primeiro rei deixavam suas proprias descendencias. No principio, eles eram nomeados para os melhores cargos do governo. Depois, os filhos deles caiam para cargos menores para os filhos dos novos reis serem favorecidos. Os netos caiam ainda mais, a menos que casassem com outra pessoa de status elevado. Mantendo a queda na linha de importancia, cinco ou dez geracoes depois, a maioria da descendencia do primeiro rei poderia nao passar de pessoas comuns. Como comuns eles se casavam com outros comuns. Isso aconteceu com a maioria de nos.

Em alguns casos isso foi o que levou algumas familias a se casar mais com os proprios parentes. No Brasil, por falta de informacao a esse respeito, as pessoas brincam dizendo, isso eh para nao espalhar a fortuna. Mas a intencao era a de nao perder os elos com o sangue real. Por ignorancia, tais familias punham suas descendencias no risco de terem doencas degenerativas.

Bem, voltemos ao assunto de novo! Alguns dos descendentes dos meus ancestrais, Jose Coelho de Magalhaes e Eugenia Rodrigues Rocha estao postos no site geneall.net. Baseado em alguns dados que eu enviei a primeira geracao deles esta tambem postada como descendente do Jose Coelho de Magalhaes, o nobre. Antes o site nao havia postado familia para ele. Mas na realidade eu nao posso ainda afirmar que sejam a mesma pessoa. Mas isso nao eh tao importante. Por que?

Se aquele nobre nao for nosso ancestral tera que ser parente. Nao sendo ele sera outra pessoa ligada `as familias reais que nos passaram muitos sobrenomes que temos em nossa genealogia. Como demonstrei antes, qualquer pessoa nascida ha 1.000 anos antes de nos poderia facilmente ser ancestral de todo mundo vivendo na Terra hoje. Mas porque existiam fronteiras e preconceitos desde mais de 1.000 anos atras, somente um pequeno numero de ancestrais tera que ter gerado a populacao inteira de cada pais de hoje. Este pequeno numero pode ser milhares e ate poucos milhoes. Isso nao importa.

Tomemos um exemplo. 1.000 anos atras, Portugal nao tinha mais de 1.000.000 de pessoas. E la tinha que ter algumas centenas ou alguns milhares de nobres. Apesar de alguma migracao para la ter ocorrido na Historia, isso nao mudou nada porque os imigrados se casaram com nas antigas familias. Entao, o nosso ancestral Jose Coelho de Magalhaes, nascido 750 anos depois, seria uma total anomalia se nao tivesse vinculos familiares com elas. E os sobrenomes dele sao as evidencias mais significantes destes vinculos.

Deve ser muito facil nos sermos, simultaneamente, descendentes de toda e qualquer pessoa que viveu e deixou descendencia em Portugal 1.000 anos atras. Desde que sabemos disso: eh possivel termos mais de 8.5 bilhoes de ancestrais que viveram naquele tempo, nos temos espaco mais que de sobra para sermos descendentes de todo e qualquer portugues da 33a. geracao anterior `a nossa e ainda de uma grande quantidade de africanos e nativos sulamericanos. So nao posso garantir os asiaticos da India ao Japao alem da ilhas do Pacifico e Oceano Indico porque nao temos dados que nos liguem a eles como nossos ancestrais. Baseado em meus calculos, nos temos espaco suficiente para sermos descendentes de toda e qualquer pessoa pobre ou nobre da Peninsula Iberica de 1.000 anos atras, repetidamente, muitas e muitas vezes.

Agora eu preciso fazer um resumo dos principais acontecimentos que fizeram a genetica iberica. Como disse antes, povos, agora e no passado, vivendo na Peninsula Iberica eram descendentes do grupo de caucasianos que se estabeleceram naquela area por volta de 40.000 anos atras. Por volta de 10.000 anos atras alguns se mudaram em direcao ao norte. Ate ao tempo de Jesus Cristo a genetica nao mudou.

O povo que vivia em Portugal era chamado de luzitani. E os primos deles viviam em torno. Eles tiveram influencia da Cultura Celta. E permaneceram celtas com um pouco de influencia grega e cartiginesa. Contudo, estas influencias foram apenas culturais. Nao promoveram mudanca alguma na genetica. Depois que os romanos conquistaram cartago eles resistiram `a influencia romana.

Desde 219 a 19 a.C. os luzitani eram os povos mais agressivos na fronteira romana. Os nativos romanos temiam ser destacados para as proximidades do territorio luzitani. Porem, em 19 a.C., Julio Cesar, com ajuda de traicao, conquistou o territorio. A regiao foi transformada na Provincia Romana Hispania Luzitania. Mas o nome nao durou muito por causa das diferencas entre os habitantes dos dois territorios. Ai a provincia virou duas, Hispania e Luzitania.

Um fato curioso aconteceu em torno de 70 d.C. Depois de uma repressao violenta da primeira revolta judia em Israel, os romanos deportaram parte do povo de Israel para a Peninsula. Eles proprios se denominaram Safardins que significava que agora estavam vivendo muito longe de casa. Agora imaginem, se 1.000 anos eh tempo suficiente para um casal deixar tantos descendentes, os judeus que chegaram primeiro tiveram quase 1.000 anos para se tornarem ancestrais dos nossos ancestrais que nasceram 1.000 anos antes de nos. E nao eram apenas um casal, eram, pelo menos, alguns milhares.

Mas o numero deles era pequeno comparando-se com o total da populacao vivendo na Peninsula Iberica que poderia ser em torno de 300.000 pessoas. E os judeus se multiplicaram de duas maneiras. Casando-se entre si e convertendo os celtas pagaos iberianos. Dessa forma, a comunidade judia tornou-se parte importante na vida iberiana. Apesar disso, a presenca dela nao mudou muito a genetica da populacao como um todo.

Outra influencia significante veio por volta de 400 anos depois. Com a invasao do Imperio Romano pelos godos, a Peninsula Iberica tambem foi conquistada. Com os godos veio um povo chamado suevi ou suebi. Eles se instalaram na costa atlantica norte de Portugal e Espanha. Fundaram o primeiro reino medieval verdadeiro la com o nome de Gaelecia. Eles haveriam que ser loiros porque posteriormente a palavra galego em portugues virou sinonimo de loiro.

Nao sei qual foi exatamente o impacto genetico deles na genetica iberiana. Mas alguns afirmam que os godos e os aliados deles contavam cerca de 10% da populacao local. Se for assim, o impacto nao foi nem grande nem insignificante. Os iberos ja tinham longa tradicao de cultura romana e eram cristaos catolicos desde o reino de Constantino. E o povo suevo foi absorvido por essa cultura. O reino dos suevos durou por uns 200 anos ate ser conquistado pelos visigodos, perto do ano 700.

Mais duas informacoes interessantes. Tem que ter sido antes desse tempo que houve uma migracao da area da Gaelecia para povoar a Irlanda e algumas partes proximas na Inglaterra e Escocia. Essa migracao tem que ter acontecido antes da conversao ao catolicismo porque Irlanda e as outras partes povoadas permaneceram culturalmente celtas. Os modernos estudos de DNA demonstram que os irlandeses e ingleses sao os parentes mais proximos dos portugueses e espanhois em toda a Europa. Geneticamente eles sao primos. E o povo loiro da Gaelecia antiga tambem mudou-se em grande numero para o Brasil no tempo da Corrida do Ouro (Ciclo do Ouro), em Minas Gerais nos anos 1.700.

Em 711 os muculmanos conquistaram a Peninsula Iberica quase toda. Depois eu tenho que voltar a esse assunto porque o que eles nao conquistaram foi uma pequena parte com os nomes de Cantabria e Asturias. La tem um terreno montanhoso que vem dos Pirineus passando pelo Norte da Espanha. Ali, Pelagio das Asturias e Pedro da Cantabria foram capazes de iniciar a resistencia que terminou em 1.496 com a expulsao dos muculmanos de volta para Africa.

Tambem as invasoes muculmanas nao fizeram diferenca genetica na Peninsula Iberica porque os arabes eram em pequeno numero em comparacao com o tamanho do Imperio conquistado por eles. A forma como fizeram suas conquistas foi invadir um territorio e oferecer conversao `a populacao. Depois eles treinavam o povo em religiao e armas. Formado o novo exercito que era liderado por um pequeno numero de arabes eles partiam para nova conquista. O que eles levaram para a Peninsula foram os mouros. Os mouros eram antigos habitantes do Norte da Africa em coneccao com Gibraltar. Eram povos caucasianos que cruzaram o Gibraltar na ultima Idade do Gelo e eram parentes proximos dos europeus.

Porem havia um pequeno numero de arabes presentes. E eles legaram mais que palavras nas linguas espanhola e portuguesa. Eles tambem legaram componentes culturais e geneticos. Nao tanto para que possamos dizer que sejamos arabes mas o suficiente para dizermos que somos primos distantes.

As ultimas contribuicoes geneticas que os ibericos receberam vieram da propria Europa. Durante o periodo chamado Reconquista, que durou 500 anos para Portugal e quase 800 para Espanha, logo depois dos cristaos reconquistarem cada parte do territorio eles convidavam outros europeus para migrarem para la. Isso foi chamado pelo nome de repovoamento. Entao, pessoas da Holanda e da Bourgonha tambem fizeram parte da nossa mistura genetica.

Estatisticamente falando, uma parte da populacao europeia de hoje tem uma pequena contribuicao genetica de africanos subsaarianos e asiaticos de diversas partes do globo.

Dito isso, posso voltar aos meus ancestrais. Assim, mergulhei fundo na genealogia do Jose Coelho de Magalhaes que encontrei primeiro no sitio geneall.net – Portugal, mais do que certo de que, se ele nao for nosso ancestral, os ancestrais dele o sao. E disso eu aprendi certas coisas que gostaria de repassar a quem quer que esteja interessado no que escrevo. Porei aqui uma sequencia de ancestrais que ele teve. Comecarei do casal mais velho, que serao os pais da primeira pessoa abaixo deles. Isso ira continuar ate encontrarmos o Pedro, duque da Cantabria.

Graciano, o Velho – esposa desconhecida
Valentiniano I, imperador do Ocidente – Justina
Gala – Theodosio I, imperador de Roma
Gala Placida – Ataulfo (rei)
Theodorico (rei) – Flavia Gala Placida
Theodorico I (rei) – esposa desconhecida
Eurico I Balthes (rei) – Ragnahild
Alarico II Balthes (rei) – Theodegota dos Ostrogodos
Amalric I Balthes (rei) – Clothilde de France
Leovigildo da Septmania Balthes – Theodosia de Cartagena
Hermenegildo II Balthes – Ingunda d’Austrasia
Antanagildo Balthes – esposa desconhecida
Adrebasto Balthes – esposa desconhecida
Ervigio Balthes – Liubigotona Balthes
Pedro, duque da Cantabria – esposa desconhecida

Por esta linhagem a gente pode observar cruzamentos interessantes. Um exemplo eh a Clotilde da Franca que foi filha do Clovis, o rei dos francos. A mae dela era a Santa Clotilda da Bourgonha. Entao, os poderosos do final do Imperio Romano e do comeco da Idade Media tornaram-se da maioria das familias reais governantes do Periodo Medieval na Europa.

Temos muitas outras linhagens cruzando ai mas estou limitando a essa para nao ficar confuso. Pedro, como o titulo fala, foi o duque da Cantabria. E daquele territorio ele liderou a resistencia.

Outro lider foi o Pelagio. Nao temos a ascendencia dele mas ele provinha de familias nobres porque ele foi pego como refem pelas forcas muculmanas. Ele conseguiu escapar e juntar outro grupo de resistencia com patricios das Asturias. Pelagio foi pai de um filho mas este foi morto por um urso numa cerimonia de passagem para adulto. Era uma tradicao antiga que os lideres eram submetidos. Por isso a filha dele, Ermesinda das Asturias tornou-se a herdeira.

Pedro da Cantabria tinha um herdeiro chamado Alfonso. Alfonso casou-se com Ermesinda e virou Alfonso I, Rei das Asturias. Desde entao o nome Cantabria desaparece dos dados e os reinos foram unidos. Eles tiveram um herdeiro que virou rei sob o nome de Alfonso II. Alfonso II se tornou o rei mais celebrado pelos cristaos da Peninsula Iberia daquele tempo. Ele foi chamado de o Casto porque nao se casou e foi inteirmante dedicado `a causa crista da reconquista.

O reino dele durou 52 anos. Alguns dizem que ele transformou uma vasta area entre as Asturias e o norte do territorio muculmano no sul num deserto de pessoas viventes. Outros afirmam que isso aconteceu por causa da peste. O importante foi o resultado disso. As Asturias foram um reino pequeno demais para sobreviver `a superioridade muculmana. Assim, o deserto deu tempo para o reino ganhar mais populacao.

Um evento foi a chave para a salvacao do reino. Encontraram uma cova e a identificaram como sendo de Sao Tiago, o Menor. Sao Tiago, conhecido pelo nome ingles de James ou outras linguagens como Lago e Iago foi o Apostolo de Jesus. A lenda diz que ele foi o primeiro cristao a ensinar o cristianismo na Espanha. Depois ele voltou para Jerusalem e foi decaptado pelo rei Herodes Antipas. Os seguidores dele levaram o corpo de volta para Espanha e o enterraram la.

Depois da identificacao da cova em Compostela (Campo das Estrelas) isso virou um centro famoso de peregrinacao. Cristaos de todos os cantos da Europa comecaram a visitacao e sentir algo magico. Os Caminhos de Santiago de Compostela tem uma extensao de uns 800 quilometros. E os penitentes tinham que percorre-los a pe. Depois da experiencia eles faziam votos de defender a terra e faziam doacoes que ajudavam na Reconquista. A lenda inclusive afirma que Sao Tiago em pessoa veio do ceu num cavalo e armadura resplandecentes para lutar ao lado dos cristaos.

Os Caminhos de Santiago de Compostela foram percorridos pelo escritor brasileiro mais famoso da atualidade, Paulo Coelho. Ele atribuiu sua carreira como escritor de livros a essa passagem da vida dele. Mas eu nao tenho a minima ideia se o Coelho dele tem algo haver com algum conhecido meu.

Alfonso II nao teve herdeiros. Assim, a linhagem sucessoria foi produzida pelo irmao dele, Froila, que recebeu o privilegio. Dai a sequencia passou a ser essa:

725 Froila I – Munia Froilaz
743 Froila das Asturias – esposa desconhecida
760 Bermudo, principe das Asturias – Ursina Muniadona de Coimbra
780 Ramiro I, rei das Asturias – Paterna de Castela
800 Ordonho I, rei das Asturias – Munadona de Vierzo
838 Alfonso III, rei das Asturias – Ximena Garcez, de Pamplona
860 Ordonho II, rei das Arturias – Elvira Mendes de Portugal
900 Ramiro II, rei de Leon – Onega?…

Como se pode ver, as linhagens que estou apresentando sao somente paternais. Quase sempre dos primogenitos dos reis. Mas se qualquer um se interessar por essa genealogia pode ir ao geneall.net – Portugal e dar uma olhadinha nos ancestrais das maes que aparecem. Elas pertencem a familias nobres e a maioria era da Peninsula Iberica. Desde aquele tempo ja existia certo preconceito contra os iberos. Eles eram concebidos como sendo barbaros cuja unica atividade civilizada foi fazer aco e ferramentas dele.

Alfonso III eh mentor de uma importante passagem na retomada de Portugal. Ele foi o rei que comissionou Vimara Peres na retomada do Norte do pais. Vimara eh o heroi portugues daquele tempo. Ele dominou o territorio entre os Rios Minho, ao Norte, e Douro, ao Sul. Ele construiu fortificacoes que viraram uma vila chamada Vimaranes em homenagem a ele proprio. Ele recebeu o titulo de conde, e o titulo virou hereditario. Alguns dizem que em outras monarquias europeias o titulo dele seria duque. O nome Vimaranes tambem foi modificado para Guimaraes. Assim surgiu o nome de familia e, provavelmente, todos que o tem no nome sao descendentes de Vimara Peres.

Mais tarde um descendente de Vimara, Nuno Vimaranes, tentou libertar Portugal do dominio do Reino da Galicia mas ele foi morto na batalha.

Ramiro II foi um guerreiro tenaz contra os muculmanos. Eles o chamavam de “El Diablo” (O Demonio). O reino dele coincide com o de um lider famoso do lado muculmano. O nome dele era Adb al Rahman III ibn Muhammad, o Grande. Nos podemos ver detalhes interessantes desse periodo no video produzido e distribuido pela PBS HOME VIDEO. No site http://www.pbs.org a gente pode buscar: ISLAM, EMPIRE OF FAITH. O que mais chama atencao eh a comparacao entre a Europa do Norte, representada pelo dominio cristao, e a Peninsula Iberica islamica. Foi dito que, uma irma conheceu a beleza e higiene na Espanha islamica e ela nao teve duvida em dizer: “Eh como comparar escuridao e luz.”

Adb al Rahman III foi capaz de conciliar as tres fes diferentes sob seu dominio. Judeus, cristaos e muculmanos serviam a ele em todos os aspectos como iguais. Mas ele confrontou uma oposicao ferrenha dos proprios correligionarios. Eles se sentiam negligenciados e mesmo o reino dele tendo sido de grande progresso em termos de renascimento cultural tambem foi um constante campo de batalhas.

Apesar da rivalidade entre as fes, Ramiro II e Adb al Rahman III concordaram no casamento do filho do Ramiro com uma prima do Adb. Assim, o casamento de Lovesendo Ramires e Zayra ibn Zayda foi tratado para levar paz entre os dois povos. E eu vou postar um pouco mais da genealogia deles. Com respeito a Zayra e Adb al Rahman III se pode seguir a ascendencia deles no site mencionado acima. Eles sao descendentes diretos do proprio profeta Muhammad. O que se segue eh um pouco da descendencia deles:

940 Lovesendo Ramires – Zayra ibn Zayda
960 Aboazar Lovesendes – Unisco Godinhes
980 Ermigio Aboazar – Vivili Turtezendes
1.000 Toda Ermiges – Egas Moniz de Ribadouro, Senhor de Ribadouro
1.020 Ermigio Viegas, Senhor de Ribadouro – Unisco Pais
1.050 Monio Ermiges, Senhor de Ribadouro – Ouroana
1.080 Egas Moniz, o Aio – Dordia Pais Azevedo
Lourenco Viegas – Maria Gomes de Pombeiro
1.135 Egas Lourenco (Coelho) – Esposa desconhecida, de Pombeiro
1.160 Soeiro Viegas Coelho – Mor Mendes de Gandarei

Ai temos uma sequencia interessante. Atraves de uma mulher, Toda Ermiges, o sangue real foi passado `a familia que dominava a regiao chamada de Ribadouro. O que o nome significa eh, Acima do Rio Douro e a familia residia ao Norte do Rio Douro. Toda Ermiges foi uma das bisavos de Egas Moniz, o Aio. Na lingua portuguesa o Aio parece significar masculino de baba (aia). O apelido dado a Egas Moniz se deve a ele ter aceitado ser mentor do Afonso Henriques que depois veio a se tornar o primeiro rei de Portugal.

Na sequencia, ele se tornou avo do Egas Lourenco Coelho. Alguns autores falam que, Egas Lourenco foi o primeiro a usar o sobrenome Coelho. Isto teria acontecido porque ele foi dono de uma propriedade chamada de Quinta da Coelha. Mas isso nao parece ser verdade porque ele nao passou o nome para a descendencia.

Porem, o filho dele passou. E a razao pela qual o filho, Soeiro, passou a usar o nome teve origem na luta da Reconquista. Alguem contou vantagem dele ao rei dizendo que era capaz de penetrar a retaguarda inimiga sem ser notado, como se passasse por tocas de coelhos. Dai ele adotou o nome Coelho e o passou aos filhos. E eh por isso que o bicho coelho virou sobrenome de nossa familia.

Outra linhagem importante deixada pelos reis das Asturias eh esta:

900 Ramiro II, rei das Asturias – Ausenda Guterres de Coimbra
925 Ordonho III, rei de Leon – Elvira Pais Daza
956 Bermudo II, rei de Leon – Elvira Garcez de Castela
994 Alfonso V, rei de Leon – Elvira Mendes, condessa soberana de Portugal
1.015 Sancha, herdeira de Leon – Fernando Magno, rei de Castela
1.039 Alfonso VI, rei de Castela – Ximena Moniz
Teresa de Leon, condessa de Portugal – Henry da Bourgonha

Teresa, condessa de Portugal, como Egas Moniz, o Aio, era descendente do rei Ramiro II que era descendente de Pedro e Pelagio. E o pai dela, Alfonso VI, mandou uma mensagem a todas as familias nobres da Europa, prometendo riquezas e ate a mao das filhas dele em casamento para aqueles que desejassem ajuda-lo na luta contra os mouros. Henry, que era filho do Henry, duque da Bourgonha e outros aceitaram o desafio. Alfonso VI manteve a palavra e casou a Teresa com o Henry. Eles tiveram varios filhos e filhas.

Um dos filhos foi batizado com o nome de Afonso, filho do Henry ou Afonso Henriques como esta na Historia de Portugal. E foi para essa crianca que o Egas Moniz prometeu ao pai dela ser o mentor. Depois que o Henry da Bourgonha faleceu, a mulher dele, Teresa, teve outro homem e talvez tenha sido essa razao que levou o Afonso Henriques a comecar a rebeliao para tentar separar Portugal do Reino de Leon.

Na primeira tentativa ele falhou. Como mentor dele, Egas Moniz deu a palavra ao rei Alfonso VII, garantindo que Afonso Henriques nao iria tentar de novo. Mas ele tentou e conseguiu. E isso foi dito depois: o mentor saiu de Portugal indo ate `a Cidade de Leon com uma canga no pescoco, em companhia de todos os descendentes para oferecer as vidas deles por causa da palavra quebrada. Vendo tal gesto de nobreza, o rei concedeu perdao a ele e mais riquezas. Ninguem sabe o que aconteceu realmente mas penso que ele deu a palavra em primeiro lugar para dar tempo ao Afonso Henriques para reorganizar seu exercito para ter uma segunda chance de vencer o exercito da propria mae. Porem, eh dificil acreditar que, Egas Moniz, tenha sido tao louco a ponto de jogar com sua propria vida e da familia assim. Ele, provavelmente, foi sincero em tudo.

A proxima sequencia genealogica comeca no rei Afonso Henriques.

1.109 D. Afonso Henriques, primeiro rei de Portugal – Mafalda da Savoia
1.154 D. Sancho I, rei de Portugal – Dulce de Barcelona
1.185 D. Afonso II, rei de Portugal – Urraca de Castela
1.210 D. Afonso III, rei de Portugal – Maria Peres de Enxara
1.260 D. Afonso Dinis – Maria Pais Ribeiro
1,305 D. Diogo Afonso de Sousa – Violante Lopes Pacheco
1.330 D. Alvaro Dias de Sousa – Maria Teles de Menezes
1.350 D. Lopo Dias de Sousa – Maria Ribeiro
1.370 Violante de Sousa – Rui Vasques Ribeiro
1.410 Pedro (ou Rodrigo) Ribeiro de Vasconcelos – esposa desconhecida
1.440 Francisco Queiroz Ribeiro de Vasconcelos – Maria Goncalves
1.470 Isabel Francisca de Queiroz – Diogo Anes Ribeiro de Vasconcelos
1.495 Manuel Dias Ribeiro de Vasconcelos – Joana Ferreira
1.525 Violante de Freitas, a Mentirosa – Lancarote Pinto
1.550 Simeao Pinto Machado – Ana da Mesquita
Antonio Pinto de Mesquita – Maria de Lemos
Simao Pinto de Mesquita – Maria Barbosa
Antonio Pinto de Mesquita – Angela Vieira de Seixas
Bernardo Antonio Pinto de Mesquita – Ana Josefa de Magalhaes Pinto
1.750 Jose Coelho de Magalhaes – (?) Eugenia Rodrigues Rocha

Novamente, nao posso afirmar, sem duvida, que este Jose Coelho de Magalhaes eh realmente meu pentavo e ancestral de minha familia. Mas, se nao for, algum outro sera e a linhagem deste tera uma ligacao com os aqui mostrados. Com certeza seria uma impossibilidade matematica se nao for assim. Eu nao aposto minha vida na hipotese dessa ser a linhagem. Ninguem precisa fazer isso. Infelizmente, a maioria de nos nao sabe a linhagem de onde veio mas todo mundo tem la suas linhagens de sangue real. Isto eh um clube que nao exige exclusividade alguma.

Uma figura historica importante dessa linhagem que gostaria de mencionar eh D. Afonso III, rei de Portugal. Durante o reino dele, os portugueses reconquistaram as ultimas partes de Portugal nas maos dos mouros. Ele nao era para ser rei porque tinha um irmao mais velho que se tornou o rei Sancho II. Porem, Sancho II nao queria ficar submisso `a poderosa Igreja Catolica e ela ordenou a saida dele do trono. Afonso III foi surpreendido com a decisao onde ele se tornou inesperadamente o numero um em Portugal.

D. Afonso III foi quem completou a Reconquista quando tomou Algarves e a Cidade do Faro que fazem parte do Sul de Portugal e proximos ao Gibraltar. Para Portugal, o governo dele representa uma reviravolta no que fora antes. Tomemos este extrato da Wikipedia como exemplo: “Afonso III deu atencao especial ao que a classe media, compostas por comerciantes e pequenos fazendeiros diziam. Em 1.254, na Cidade de leiria, ele realizou a primeira sessao das Cortes, que foi uma Assembleia Geral composta de nobres, classe media e representantes das cidades. Tambem fez leis com a intencao de proibir as classes altas de aproveitarem da fragilidade das classes mais pobres. Lembrado como um legislador notavel, Afonso III fundou varias cidades, emancipou distritos e reorganizou o servico publico.” Ele foi o criador do Parlamentarismo muito antes disso ter ficado conhecido como sistema de governo.

Igual a outros reis do seu tempo, Afonso III tinha mulheres e concubinas. Uma das concubinas foi Madragana, depois rebatizada por Mor Afonso. Temos informacoes interessantes a respeito dela. Em primeiro lugar, ela era filha do prefeito do Faro. E eles eram judeus. Penso que isso seja interessante porque sabemos que todas as pessoas com ligacoes genealogicas com a Peninsula Iberica sao provavelmente descendente de judeus por causa dos judeus que foram levados pelos romanos desde 70 d.C. Porem eh quase impossivel ter dados que mostrem isso. Por outro lado, nao eh tao dificil achar essa heranca atraves da ascendencia nela e outros. Atraves dela, personalidades de hoje como a Rainha Elizabeth II, da Inglaterra, sao, comprovadamente, descendentes de judeus tanto quanto descendentes de arabes atraves da Zayra ibn Zayda, a nora do Ramiro II, rei das Asturias.

Estou devendo a voces porque comecei a mostrar uma linhagem Coelho da qual minha familia herdou este nome importante. A linhagem posta acima que termina no nosso suposto ancestral Jose Coelho de Magalhaes tem varias ligacoes com o primeiro dos Coelho, Soeiro Viegas Coelho. O ancestral mais proximo a usar o sobrenome Coelho foi o avo materno. Eu mostrarei outra sequencia genealogica tomando a direcao contraria, dos mais novos para os mais velhos. Comecarei com meu ancestral e o casal abaixo da linha dele serao seus pais. A proxima linha estarao os avos e assim por diante.

1.750 Jose Coelho de Magalhaes – (?) Eugenia Rodrigues Rocha
Ana Josefa de Magalhaes Pinto – Bernardo Antonio Pinto da Mesquita
Joao de Magalhaes Coelho – Isabel Maria Pinto
Jeronimo Ribeiro – Maria Teixeira de Seixas
Domingos Coelho de Magalhaes – Antonia Ribeiro
Isabel Pinto de Magalhaes – Belchior Dias
Ana Coelho – Gregorio Magalhaes de Azevedo
Fernando Coelho – Violante Pinto
1.450 Diogo Coelho de Sampaio – Isabel Sampaio
Rodrigo de Sao Paio Coelho – esposa desconhecida
1.370 Fernao Coelho – Catarina de Freitas
1.340 Goncalo Pires Coelho – Maria Silva
1.320 Pero Esteves Coelho – D. Aldonca Vasques Pereira
1.290 Estevao Coelho – Maria Mendes Petite
1.260 Pero Anes Coelho – D. Margarida Esteves
1.200 Joao Soares Coelho – Maria Fernandes
1.160 Soeiro Viegas Coelho – Mor Mendes Gandarei

Deste ponto em diante a gente pode ligar o Soeiro Viegas Coelho com ele proprio na segunda linhagem apresentada neste capitulo. O que se pode ver no geneall.net – Portugal eh isso: muitas das pessoas dessa linhagem tem parentesco umas com as outras. O sitio nos da um recurso que facilita encontrar isso. Quando alguem eh descendente de certos reis, recebe uma bolinha debaixo do nome. Cores diferentes representam cada rei. Apontando a seta do computador para a bola fara aparecer o nome dele. Assim fica facil seguir algumas linhagens. Algumas vezes voce encontra pai e mae identificados com a mesma bolinha e precisa decidir qual deles buscar primeiro. Boa ideia eh voce escrever num papel a linhagem que voce esta buscando. Se voce precisar voltar sera mais facil para nao se perder.

Agora eu preciso justificar o titulo deste capitulo. O nome menciona genealogia europeia, nao apenas ibera. A razao para eu falar especificamente de Portugal eh tao somente porque eu estou melhor familiarizado com sua Historia e genealogia. Se eu tivesse tomado qualquer outro pais europeu como exemplo, inclusive o menor de todos, os resultados poderiam ser quase iguais porque as familias reais de la tem seus principais ancestrais nas mesmas linhagens. Elas sao apenas a mesma familia porque o tempo todo elas trocavam noivas e noivos e nao eram nada diferentes de um bando de galinhas de granja.

Na segunda sequencia genealogica acima eu postei apenas alguns reis de Portugal porque nao identifiquei outros alem de D. Dinis, filho de Afonso III e tambem rei de Portugal, como meu ancestral. Nao se confunda com o nome Afonso Dinis, tambem filho de Afonso III, mas nao rei. Nao precisamos ter uma lista extensa de reis ancestrais para sermos parentes do resto todo. Podemos pegar a mae do Afonso II, Urraca, princesa de Castela, como exemplo para mostras as ligacoes. Vamos pegar uma sequencia genealogica a partir dela:

Urraca, princesa de Castela – Afonso II, rei de Portugal
Eleanor Plantagenet, princesa da Inglaterra – Alfonso VIII, rei de Castela
Henry II, rei da Inglaterra – Eleonor d’Aquitaine
Matilda, rainha da Inglaterra – Godefroy V Plantagenet, conde d’Anjou
Henry I, rei da Inglaterra – Santa Mathilda, pricesa da Escocia
William I, o Conquistador, rei da Inglaterra – Mathilde de Flandres
Robert I, duque da Normandia – Herleva da Falesia
Richard II, duque da Normandia – Judith da Bretanha
Richard I, conde da Normandia – Gunnor, princesa da Dinamarca

Olhando essa sequencia genealogica podemos fazer muitas ligacoes no mapa europeu. Somente para que saibam, a mae da Urraca, Eleanor Plantagenet, era irma do Ricardo Coracao de Leao. Qualquer um que conheca um pouco de Historia tera visto muito mais que uma sequencia genealogica nessa lista. Eh mais. Eh a propria Historia em cada nome e titulo. Na proxima sequencia comerei a partir da Judith da Bretanha. Segue entao:

Judith da Bretanha – Richard II, duque da Normandia
Ermengarda d’Anjou – Connon I, duque da Bretanha
Adelaide de Vermandois, senhora de Donzy – Geoffroi I Grisegonelle, conde d”Anjou
Robert I, conde de Vermandois e Troyes – Adelaide Werra da Bourgonha
Herbert II, conde de Vermandois – Luitegarde ou Adelia da Franca
Herbert I, conde de Vermandois – Berthe de Morvois
Pepino II, conde de Vermandois – Rothaeide de Bobbio
Bernardo, rei da Italia – Conegonde de Gellome de Toulouse
Pepino I, rei da Italia – Ingeltude d’Autun
Carlos Magno, Imperador do Ocidente – Hildegarde von Vintschgau

Uma lembranca, o nome Normandia significa, homens do norte. Ela foi colonizada por um grupo de Viquingues que desejava se acomodar depois de causarem muito terror `a populacao europeia. Como se pode ver, Judith e Richard II eram avos do William, o Conquistador, que tomou a Inglaterra das maos dos antigos senhores, os reis do Wessex. Os reis do Wessex tambem sao ancestrais das familias reais iberas. Mas nao mostrarei sequencias mostrando isso porque o que temos ja eh suficiente. Pretendo por apenas mais uma sequencia nesse capitulo.

Luitegarde ou Adelia da Franca, esposa do Herbert II, conde de Vermandois, era filha do Robert I, rei da Franca e Adelia de Perthois. Mas o rei Robert I, como era comum `as suas magestades, teve outra esposa com o nome de Beatrice de Vermandois. Assim, eu porei mais uma sequencia para mostrar algo que parece coincidencia mas nao eh. Vejamos:

Robert I, rei da Franca – Beatrice de Vermandois
Hugo, o Grande, duque da Franca – Heduvige von Sachsen
Hugo I Capet, rei da Franca – Adelaide de Poitou
Robert II, o Piedoso, rei da Franca – Constance d’Arles
Robert I, o Velho, duque da Bourgonha – Helie de Semur
Henri, duque da Bourgonha – Beatriz (?) de Barcelona
Henry da Bourgonha – Teresa de Leon
Afonso Henriques, 1o. rei de Portugal – Mafalda de Savoia

Entao, nos comecamos nossa viagem a partir da mae do Afonso III, rei de Portugal, Urraca, princesa de Castela, e terminamos nos bisavos dele. Nao porei a sequencia genealogica que mostra isso mas vou mencionar apenas. Mafalda de Savoia, como o nome ja diz, vem da Casa de Savoia, a ultima familia real da Italia. A Casa Real de Savoia eh herdeira do Umberto I Biancamano (Mao Branca), conde de Savoia. A nivel de seus bisavos ele era descendente do Luis III, l’Aveugle, Imperador do Ocidente e Anna de Bizantium. Penso que nem precisa mencionar que o Luiz III era tambem descendente do Carlos Magno. Mas a Anna de Bizantium eh quem nos acrescenta mais Historia.

O titulo dela ja explica, a heranca dela comeca no Imperio Bizantino, passando por Santa Teodora, Imperatriz de Bizatium; Santo Isaac e Santo Narso, reis da Armenia e isso mergulha nos tempos antes de Cristo. Por volta de 500 b.C., dois dos ancestrais dela sao o Xerxes I, rei da Persia e a esposa dele, Ester, a mulher que teve o nome de um livro biblico em homenagem a ela. Depois disso, a heranca da Anna de Bizantium continua mergulhando no tempo e termina numa sequencia de faraos egipcios, incluindo-se ai, Ramses II, o Grande. Mas isso eh grande demais para postar aqui. Atraves da Casa de Savoia, todas as familias reais da Europa sao multiplas vezes descendentes destas figuras historicas.

Muitas outras familias reais europeias surgem como nossas ancestrais mas eu nao quero perder tempo mostrando isso. Posso mencionar alguns como: Aragao, Navarra, Pamplona, Leon, Galicia, Holanda, Hungria, Constantinopla, Alemanha, Russia, Polonia, Austria, Dinamarca, Luxemburgo. Ate do Reino de Jerusalem, o qual nao durou muito e nao passava de um ramo da familia real francesa nos temos ancestrais.

Tambem posso dar exemplos de noivas e noivos da familia real portuguesa que se casaram na alta nobreza do resto da Europa. E eu verifiquei antes se os casamentos resultaram em descendentes porque nos temos muitos casos em que isso nao aconteceu, provavelmente em consequencia da consanguinidade excessiva. Nesse caso nos temos: Berengaria, filha de D. Sancho I e Dulce de Barcelona que se casou com Valdemar II, conde da Dinamarca; D. Afonso, filho do D. Afonso II e Beatriz de Castela, que casou-se com sua prima, Violante Manoel, princesa de Castela. Temos tambem D. Constanca, filha do D. Dinis e Santa Isabel de Aragao, que se casou com o rei Fernando IV, rei de Castela.

Para resumir e permanecer apenas nos primeiros reis de Portugal, nos tivemos o exemplo de D. Maria, filha de D. Afonso IV e Beatriz de Castela, que casou-se com Alfonso IX, rei de Castela. D. Maria e o rei Alfonso IX foram os pais do rei Pedro I de Castela. Pedro teve duas filhas com sua parceira, Maria Padilha. A primeira, Constanza, foi casada com John, o Grande, duque de Lancaster. A segunda, Isabel, casou-se com Edmund de Langley, duque de York. E, numa rapida olhada na genealogia presente no geneall.net – Portugal, pude constatar que o atual duque de Manchester eh um direto descendente desta linhagem.

06. UM FUTURO MELHOR PARA NOSSOS FILHOS E…

Vou fugir um pouquinho `a ordem que estava escrevendo. Isso se da porque gostaria de mostrar algo pratico nos meus estudos.

Essa intervencao vem da observacao de que, praticamente, toda e qualquer pessoa com uma longa Historia genealogica no Ocidente eh descendente das figuras historicas mais importantes de 800 ou mais anos atras. Nao apenas deles mas tambem da maioria da populacao que viveu no tempo delas. Mas o que a genealogia disponivel pode nos mostrar nao passa de quase nada do que eh verdadeiro.

Uma pratica comum era os reis terem suas esposas e concubinas, inclusive quando isso nao acontecia como bigamia porque eles se casaram mais de uma vez apos cada esposa anterior ter falecido. Algumas vezes eles tiveram concubinas paralelas ao casamento oficial ou no intervalo deles. O que eles queriam era ter certeza de terem herdeiros ao trono. Mas o que eh util para nos agora eh saber que, a descendencia paralela deles ganhava uma classificacao de nobreza menor. E quando as geracoes iam passando, essa descendencia se misturava com as pessoas comuns. E, como comuns, seus dados nao foram guardados com cuidado. A propria nobreza menor pensava que tivesse coisas mais importantes a fazer do que se certificar que sua heranca genetica fosse lembrada.

Mas se a gente pegar a descendencia de Carlos Magno como exemplo pode-se assegurar que, desde o mais rico ate ao mais pobre, a maioria das pessoas dos paises ocidentais sao descendentes dele. Alguns do Oriente tambem sao. E, matematicamente, nao eh nenhuma surpresa porque ele viveu ate morrer em 814. Cerca de 1.200 anos atras. E ele teve muitas esposas e concubinas para garantir essa heranca imensa.

Baseado nos meus calculos, qualquer um que tivesse dois filhos poderia facilmente ser ancestral da populacao inteira da Terra hoje, bastando apenas ter nascido por volta de 1.000 anos atras. Apenas recordando, se alguem teve 2 filhos, 4 netos, 8 bisnetos e assim por diante, no final de 1.000 anos, ele ou ela poderia ter mais de 8.5 bilhoes de descendentes. O mais importante de tudo eh isso, nossa populacao de hoje poderia ser, simultaneamente, descendente de toda e qualquer pessoa viva ha 1.000 anos atras, desde que tivessem filhos.

Assim se da porque a possibilidade matematica funciona dos dois lados. No espaco de 1.000 anos qualquer um tem o possibilidade de produzir mais de 8.5 bilhoes de descendentes tanto quanto se pode tambem ser descendente de mais de 8.5 bilhoes de ancestrais. E estou falando apenas a respeito da 33a. depois e da 33a. geracao antes da pessoa. Em 1.000 anos voce nao precisa ter mais de 2 criancas para ser ancestral de mais de 15 bilhoes de pessoas vivas. Isso acontece porque nos podemos fazer a adicao das 31a., 32a. e 33a. geracoes porque serao os avos, pais e filhos.

Eu compreendo. O modelo matematico nao funciona tao bem na vida pratica. Isso se da porque na verdade o casamento entre seus descendentes teriam que ser evitados. Em termos praticos isso eh quase impossivel porque algumas familias passam tempo demais residindo numa area muito pequena. Dai, a descendencia das primeiras pessoas comeca a casar-se uns com os outros, repetidamente. Isso acaba transformando-os num bando de galinhas de granja que ja mencionei. Porem, se apenas um descendente sair do circulo vicioso, que seja ha 300 anos atras, sera o suficiente por ser responsavel por multiplicar a familia grandemente em numero. Neste caso, estou pensando numa pessoa que nao limitou o numero de filhos que teve.

Todavia, inclusive quando os descendentes de alguem mantenham se casando entre si por 1.000 anos, baseado no que foi nossa Historia durante este periodo, o que podemos esperar disso eh, a pessoa que teve filhos por volta de 1.000 anos atras e seus filhos foram saudaveis o suficiente para manter a linhagem ate hoje eh, certamente, ancestral de milhoes de pessoas.

Ha uma outra consideracao que voce precisa fazer do modelo matematico. Nao antes de pouco tempo atras ninguem limitava o numero de filhos a um numero como o dois. Se o meu avo paterno tivesse nascido ha 1.000 anos atras e tivesse tido tantos filhos e netos como ele teve, hoje a populacao da Terra poderia ser muitas e muitas vezes descendente dele. Ele teve 14 filhos. Dos quais 13 se casaram e deram a ele 101 netos. Somente pelo lado dele nos somos cerca de 500 pessoas entre vivas e falecidas. Ele nasceu em 1.890. Eh! Quem sabe qual sera o numero de nos daqui a 880 anos!?

Qual eh a pergunta mais importante dos nossos dias? Penso que eh esta: O que acontecera aos nossos descendentes? A maioria de nos fala isso: Eu quero construir um futuro melhor para meus filhos e filhos dos meus filhos. Penso que ha algo de errado na construcao da frase. Primeiramente nos precisamos construir um mundo melhor para eles terem um futuro. Em segundo lugar, nos precisamos de pessoas melhores em nosso mundo e isso inclui nossos proprios filhos.

O que quero dizer com isso eh que, provavelmente, Carlos Magno lutou a vida inteira pensando em dar um futuro melhor para a descendencia dele. Mas provavelmente ele tambem pensou a respeito apenas dos filhos que conheceu e, talvez, esperava que isso seguiria por algumas geracoes apos a partida dele. Tenho certeza que ele nao pensou nos descendentes de hoje-em-dia. E este eh o maior erro que qualquer um pode cometer.

Se ele soubesse o que estou falando agora, talvez tivesse tentado algo diferente do que fez. Isso se da comigo hoje. Sou diferente porque a mim foi permitido saber algo melhor. Carlos Magno pensou em um mundo melhor para os que ele ja conhecia ou esperava vir pouco depois dele. Eu penso a respeito de todos que conheco e que nao conheco. Por que? Porque eu bem sei disso, para que eu tenha milhoes, talvez bilhoes de descendentes na 33a. geracao depois da minha sera urgente que eu cuide de todo mundo que vive no meu tempo porque meus descendentes irao casar-se com os seus descendentes. Entao, ama-los e cuidar deles eh o mesmo que fazer o mesmo por minhas proprias criancas.

Eu sei. Uma vez isso foi ensinado a voces, nas igrejas, para os que acreditam em religiao, pelos sacerdotes. O pensamento religioso eh baseado nisso, se temos um Creador responsavel pelo nosso nascimento, entao, deveriamos honra-Lo, amando as creaturas Dele. Mas isso nunca foi bem entendido pelas pessoas. Agora, o que estou falando eh isso, nos temos outra razao para fazer a mesma coisa. E essa outra razao nao exige acreditar em Deus ou ter uma religiao especifica. Se voce tem planos de ter ou ja tem filhos, entao voce precisa comecar a pensar o que acontecera `a sua descendencia 1.000 anos adiante porque se voce nao os preparar para isso, talvez ela nao chegara ate la e o tempo que dedicou a ela sera um desperdicio.

Isso pode ate parecer magico mas nao eh. Ha quase 1.000 anos atras os piores inimigos no mundo eram os cruzados e muculmanos. Hoje nos somos a descendencia de ambos. Ai, o que de bom a guerra nos trouxe? So posso responder por mim mesmo: nada. Cada um que ler esse texto deve responder essa questao a si mesmo.

O mesmo se repetira. Nao interessa qual sejam os motivos dos cruzados de hoje ou guerra santa. O que os envolvidos nisso estao fazendo eh errado. E daqui a 1.000 ou menos anos adiante a descendencia de Osama Bin Laden ira se casar com a descendencia de George W. Bush e Barack H. Obama. Nao. Nao estou jogando praga em ninguem. Tambem nao estou adivinhando o futuro. Estou apenas falando o que eh provado por meus calculos.

Eu posso estar terrivelmente enganado nos meus calculos porque estou falando do daqui a 1.000 anos sem ao menos saber o que acontecera de concreto amanha. Porem, minha consciencia esta tranquila. Nao estou afirmando que isso acontecera sem condicao alguma. Como crente, eu sei que para isso acontecer Deus precisa permitir-nos 1.000 anos adiante e a multiplicacao de todos precisa ser o mais normal possivel. Neste caso, nos precisamos da participacao de todos em nossa multiplicacao.

Estou fazendo esses calculos na presuncao de que a populacao da Terra daqui a 1.000 anos nao excedera muito ao que ja temos agora. Penso ser uma otima precaucao se nos nao termos mais que duas criancas desde ja porque o nosso planeta ja esta superpovoado por humanos. Alguns criticos dessa concepcao andam dizendo que esse aviso tem sido feito por longo tempo e a populacao continua crescendo e nada aconteceu. Eles dizem assim, humanos tem sempre seus recursos e quando qualquer problema se apresentar alguem apresentara uma resposta para solucionar isso.

O nosso maior problema eh esse, os recursos em nosso planeta sao limitados. E ja estao nos enviando sinais de exaustao. O proprio planeta eh limitado. Dai eu nao penso que ha qualquer inteligencia em nao termos precaucoes quanto a isso. Se formos ir ate ao ponto sem retorno o que acontecera sera nada mais que guerras terriveis pelos ultimos recursos de vida na Terra. E nos temos que nos lembrar que, hoje nos temos recursos suficientes talvez ate para cuidar de 50 bilhoes de pessoas na Terra mas mesmo que a populacao se estabilize nisso, as geracoes continuarao se sucedendo.

Entao, 1.000 anos depois de tal ponto, nos teremos tido 33 geracoes de 50 bilhoes de pessoas vivendo na Terra. Isso eh o mesmo que 1.65 trilhoes vivendo na Terra num mesmo tempo. E nos nao temos a menor ideia por quantos milhares de anos nos teremos somente essa mae Terra para nos dar comida e abrigo. Ser cauteloso nao eh uma questao de nao ter coragem e sim uma questao de conhecer os fatos.

Se voce quizer outra a respeito do que genealogia e genetica pode nos oferecer, peguem o casal Bill e Melinda Gates como exemplo. Penso que eles sao o casal mais rico do mundo. Agora vamos imaginar que, os filhos deles terao filhos e assim por diante, multiplicando como eu tenho dito. Mesmo que nas primeiras geracoes eles nao terao problemas com falta de dinheiro, quando eles forem numerosos como 5.000 pessoas eles nao serao ricos como os ancestrais deles e alguns terao, provavelmente, vida pobre.

Se continuarem multiplicando-se como calculei, eles acabarao se casando com a nossa descendencia, desde dos mais ricos aos mais pobres de cada um de nos. E se a gente nao cuidar uns dos outros desde agora, todos os criminosos, todos os politicos, todos os sofredores serao nossos descendentes coletivos, tanto quanto as pessoas de maior sucesso e intermediarias no tempo delas.

07. UMA PITADA DE GENEALOGIA IBERA

A genealogia da Peninsula Iberica, no comeco, nao foi complicada. O que nao eh facil estuda-la eh justamente quando voce comeca a voltar aos mesmos ancestrais repetidamente. Com certeza, a mesma coisa acontece com as outras genealogias no mundo. Mesmo se a gente tivesse dados completos da Idade Media ate hoje isso nao seria diferente. A unica coisa que a gente poderia esperar ser diferente em relacao ao que ja temos seria, mesmo se a gente achasse linhagens que nunca suspeitassemos que tivessemos, certamente, elas acabariam nos levando aos mesmos ancestrais que ja temos.

Nao eh surpresa alguma termos dados somente das personalidades historicas conhecidas e, quando muito, das pessoas que as acompanhavam em suas Historias. Frequentemente nos encontramos dados de alguem que so aparece nos documentos porque ele ou ela foi casado com alguma personalidade ou com um dos filhos dela. Esta pessoa que parece nascer do ar tras consigo somente o pai ou tambem a mae. Parece que o recem-chegado nem teve um comeco ha milhares de anos atras exatamente como tudo mundo tem.

O recem chegado eh uma pessoa comumente chamada de comum ou gentinha. Algumas vezes tambem conhecida como: o pobre. Porem, o que eu tenho certeza eh isso: esquecido na falta de documentacao e na tradicao falada, nalgum ponto da Historia de cada pessoa, todos nos tivemos os mesmos ancestrais, nao tao distante quanto o leigo supoe. Nossa Historia de privilegios de alguns e exclusao dos outros eh responsavel por essa diferenciacao. E o povo comum nao eh nada mais comum que quem quer que seja no planeta. Todos nos vimos dos dois, comuns e privilegiados. E o que nos separa agora esta mais relacionado ao ter ou nao ter dinheiro.

Como eu disse antes, a Peninsula Iberica foi invadida pelos muculmanos em 711. A unica area que continuou nas maos dos cristaos foram duas partes pequenas do territorio, chamadas de Cantabria e Asturias. De la os cristaos comecaram a luta tentando reconquistar suas terras. Mas a guerra durou geracoes e mais geracoes. Algumas geracoes ate mesmo se esqueceram do porque das guerras.

Como tambem disse antes, somente um reino cristao na Peninsual foi implantado por outros sem ser os proprios iberos. Durante a Historia ele recebeu o nome de Aragao. O responsavel pela criacao foi Luis I, o Piedoso, Imperador do Ocidente. Ele era filho do Carlos Magno e herdou a coroa dele.

O Reino de Leao surgiu apenas em 910. Naquele tempo ele estava desertico e foi conquistado pelo rei Alfonso III das Asturias, e o filho dele, Garcia I, transferiu e a adotou a cidade de Leon como capital do reino. A partir de entao o reino se tornou o principal reinado cristao na Peninsula Iberica.

Outro povo presente eram os bascos. O dominio deles era a costa atlantica sul da Franca e o centro-norte da Espanha. No principio o reino deles se chamava Pamplona e depois virou Navarra.

Durante o reino de Alfonso III, rei das Asturias, o Norte de Portugal foi tomado e estabelecido como condado pelas maos de Vimara Peres.

Apos isso ou ao mesmo tempo, Fernan Gonzalez unificou o Reino de Castela. O reino ganhou este nome porque tinha uma linha de castelos para defender o Reino de Leon. Na Wikipedia a gente pode ler isso: “Em 931 o Condado foi reunificado pelo conde Fernan Gonzalez, que iniciou uma rebeliao contra o Reino de Leon, estado sucessor do de Asturias, e conseguiu seu status de autonomia, passando o condado a ser herdado por seus descendentes e deixando de ser sujeito a imposicoes dos reis leoneses.”

Mais um reino foi somado `a mistura. Este foi o Reino da Galicia que herdou o Condado de Portugal como parte do seu territorio. Porem, em 1.128, Portugal tambem se tornou um reino separado. Dai, todos esses reinos cristaos no seculo XII ja haviam retomado perto da metade da Peninsula Iberica dos conquistadores muculmanos. E algumas vezes eles estavam mais envolvidos em guerras de uns contra os outros que contra os reinos muculmanos localizados nas partes do sul. A forma e a extensao destes reinos estavam em constante mudancas enquanto: Afonso III de Portugal e Fernando, o Catolico, rei de Aragao, e Isabel, a Catolica, rainha de Castela, que se casaram e uniram a Espanha, nao completassem a Reconquista.

Cada um destes reinos produziu sua nobreza. E eles fizeram trocas de noivos e noivas uns com os outros e com todas as familias reais da Europa. E dai, como eu disse antes, os sangues que haviam recebido do povo comum retornou ao povo comum. Como?

Basicamente, quando uma dominacao foi trocada como dos poderosos antigos para os romanos, dos romanos para os suevos e visigodos, dos godos para os muculmanos e dos muculmanos de volta para os cristaos, cada nobreza permaneceu, porem, como nobreza menor. Tambem, de acordo com que praticavam guerras, os considerados povo comum lutaram lado-a-lado com seus senhores. Aqueles que se destacaram dos outros por bravura ganhavam riquezas, posses e ate noivas das novas familias dominantes. Nos podemos verificar isso quando homens, aparentemente vindos do nada, se casam com mulheres da nobreza. Da mesma forma, mulheres sem ascendencia nobre se casando com homens da nobreza.

O mais comum eh vermos um nome vindo `a luz e quando a gente comeca a buscar a origem, encontra isso: la no fundo a origem esta num rei ou parente dele. Depois darei exemplos disso. Vamos comecar pelo como os sobrenomes foram adotados.

Por volta de 1.000 anos atras nao tinhamos exatamente nomes de familia. Porei aqui mais uma sequencia genealogica para facilitar a explicacao:

Moninho Viegas, o Gasco – Valida Trocozendes
Egas Moniz de Ribadouro – Toda Ermiges
Ermigio Viegas – Unisco Pais
Monio Ermiges – Ouroana
Egas Moniz, o Aio – Dordia Pais Azevedo
Lourenco Viegas – Maria Gomes de Pombeiro
Egas Lourenco – esposa desconhecida, de Penagate
Soeiro Viegas Coelho – Mor Mendes de Gandarei

Esta eh a linhagem paterna do conhecido primeiro a usar o apelido Coelho. Se voce prestar atencao nos segundos nomes, provavelmente, nao ira enxergar o padrao. Mas existe um padrao bem claro ai. Naquele tempo era suposto usarmos o nosso nome mais uma mencao a nossos pais. Era dado um nome acompanhado de uma expressao que significava: filho de. O primeiro da lista, possivelmente, se chamava Monio e nao Moninho. O sufixo inho em Portugues eh diminutivo. Entao, Egas Moniz filho dele era: Egas, filho do Monio. Algumas vezes, a expressao: filho de, vem como prefixo como em Viegas. Viegas significa: filho do Egas.

Daquele tempo nos temos muitos nomes usados hoje. Os sobrenomes foram adotados no transcorrer da Historia. Dai alguns nomes de origem paterna foram mantidos e deixaram de corresponder aos nomes dos pais. Neste caso nos continuamos tendo familias com nomes Viegas e Moniz mas isso quer dizer apenas que, em algum tempo passado, os usuarios tiveram ancestrais que se chamavam Egas e Monio.

Eh por causa disso que temos nomes como: Rodrigues, que significa: filho de Rodrigo. Nunes significa: filho de Nuno. Peres/Pero. Fernandes/Fernando. Esteves/Estevao. Soares/Soeiro. Martins/Martim. Mendes/Mendo. Vasques/Vasco. Uma excecao eh Anes. Esse vem de Joao. A diferenca esta na antiga forma de escrever que era Johanes. Entao, Anes significa filho de Joao, o moderno equivalente a Johanes na linguagem portuguesa. Na Espanha a tradicao eh a mesma, trocando-se apenas a letra s pelo z. La os nomes sao: Nunez, Rodriguez, Perez e assim por diante. Uma pequena diferenca para Martins que vem como: Martinez.

Eh verdade, iberos usam dois nomes ou mais. Isso eh outra tradicao. No seculo XII esse sistema de dar nomes estava ultrapassado. A populacao comecara a crescer e tinha gente demais com o mesmo nome. A Igreja Catolica incentivou as pessoas a usarem mais apelidos. Muitos ja eram identificados pelo segundo sobrenome naquele tempo. Eram precedidos das palavras da, de e do. As tres significam, lugar de onde a pessoa vem. Da eh usado para lugares com nome feminino, o que eh o oposto de do. De nao menciona sexo.

O sistema americano se engana ao identificar as tres palavras como nomes. Eh comum o meu nome estar escrito como De Magalhaes mas nao deveria ser assim. De significa lugar de onde se veio e sempre deveria ser escrito em minusculas. Com o tempo algumas pessoas suprimiram as tres palavras dos proprios nomes sem saber a importancia delas. Este eh o caso de alguns de meus familiares que herdaram o Magalhaes sem o de.

Exemplos de nomes e seus signifcados: 1. Geraldo Rodrigues da Costa, que significa, Geraldo, filho do Rodrigo, nascido na costa. 2. Antonio Alvares do Couto: Antonio, filho do Alvaro, de um lugar pequeno. 3. Jose Anes de Guimaraes: Jose, filho do Joao (Johanes), da Cidade de Guimaraes.

Com o tempo, muitos outros nomes foram somados `a lista. Alguns eram lembranca da caracteristica fisica do primeiro usuario. Exemplos disso sao: 1. Alvim, eh o mesmo que Branquinho; 2. Rouco, voz rouca; 3. Barbalho, barba em forma de raiz de alho. Ha algum tempo atras eu ouvi outra explicacao para o meu sobrenome. Alguem disse que vem do Oriente e a origem seria algo como: Barb Al, que foi transformado em Barbalho em Portugal. Mas nao conheco nenhuma evidencia concreta disso.

Tambem as profissoes de ancestrais viraram sobrenome para alguns. Um exemplo eh Cavaleiro. Outro eh Sapateiro ou Zapatero. Alguns receberam o sobrenome de Navegante.

Encontrei na literatura que, em Portugal existiam cinco familias nobres. E os nomes delas eram: Baiao, Braganca, Maia, Ribadouro e Sousa. Mas essa nao eh uma informacao exata. O que possivelmente aconteceu foi algo como na minha familia no Brasil. Ela eh chamada de Familia Coelho. Mas por que eu chamaria a minha familia por este nome se nao o uso?

O que aconteceu foi isso: quando os europeus comecaram a colonizar a area de onde nos somos, meus ancestrais estavam no comando dos primeiros europeus que viveram la. Mesmo que outros estivessem juntos ou vieram depois, a maioria acabou se casando na parentalha Coelho. Dai a familia assina varios nomes mas comumente passou a ser chamada pelo nome Coelho. E todo mundo eh pelo menos uma vez Coelho. E tambem haviam outros ramos Coelho juntos. Na lista de meus ancestrais existem os que assinam: Coelho, Coelho de Magalhaes, Nunes Coelho, Coelho de Andrade e Coelho de Almeida. E nao estou falando aqui de outras combinacoes que apareceram depois mas tao somente dos ramos originais que nao sabemos se ja tinham ligacoes uns com os outros.

Minha duvida quanto a cinco ser igual ao numero de familias nobres foi despertada pelos muitos nomes diferentes que os nobres usavam e suas origens. Como a gente ja viu, o sobrenome Coelho veio depois. Ele era parte da familia chamada de Ribadouro. E eu posso mostrar outra sequencia genealogica para mostrar isso. Se voltarmos ao capitulo 5 nos podemos dar uma olhadinha nas segunda e terceira linhagens postadas la. A segunda termina no rei Ramiro II das Asturias. E a terceira comeca num dos filhos: Lovesendo Ramires. Assim, eu comecarei outra vez a partir deles:

900 Ramiro II, rei das Asturias – Onega (?)
940 Lovesendo Ramires – Zayra ibn Zayda
960 Aboazar Lovesendes – Unisco Godinhes
980 Trastamiro Aboazar, 1o. sr. da Maia – Dordia Soares
1,000 Goncalo Trastamires, 2o. sr. da Maia – Unisco Sisnandes
1.020 Mendo Goncalves, 3o. sr. da Maia – Ledegundia Soares Tainha
1,060 Goncalo Mendes, o Lidador – Urraca Teles
1,080 Moninha Goncalves da Maia – Rodrigo Forjas de Trastamarra
1,100 Forjaz Vermuis de Trastamarra – Elvira Goncalves de Vilalobos
1,130 D. Rodrigo Froias de Trastamarra – D. Urraca Rodrigues de Castro
1,150 D. Goncalo Rodrigues da Palmeira – D. Froille Afonso de Celanova
1,170 D. Rui Goncalves Pereira – Sancha Henriques de Portocarreiro
1,220 D. Pedro Rodrigues Pereira – Estevainha Rodrigues Teixeira
1,250 D. Goncalo Pereira – D. Urraca Vasques Pimentel
1,280 D. Vasco Pereira, conde de Trastamarra – Ines Lourenco da Cunha
1,320 D. Aldonca Vasques Pereira – Pero Esteves Coelho

Se voltarmos ao capitulo 5 para olharmos a sequencia genealogica numero 6, nos acharemos o ultimo casal: Pero Esteves Coelho – D. Aldonca Vasques Pereira. O que eu quero mostrar aqui eh como nomes novos eram criados. Na geracao de D. Rodrigo Froias de Trastamarra, o Palmeira comeca sem uma explicacao melhor. Os filhos dele adotaram o Palmeira como sobrenome e o filho dele, D. Goncalo Rodrigues da Palmeira, deu este nome a todos os filhos, exceto para um, D. Rui Goncalves Pereira. Dai para frente o nome Pereira tambem tornou-se um dos mais comuns na Peninsula Iberica.

Deem uma olhadinha nos sobrenomes das esposas para ver muitas outras familias importantes. Elas vinham de familias nobres tambem. Estevainha Rodrigues Teixeira, esposa do D. Pedro Rodrigues Pereira era descendente do Carlos Magno e do Fernando Magno, rei de Leon e Castela. Este eh o mesmo que aparece como bisavo do rei Afonso Henrique de Portugal na quinta sequencia genealogica, no capitulo 5.

Eu gostaria de apresentar algumas sequencias genealogicas que estao no amago da Historia de Portugal. Comecarei por Estevao Coelho que era o pai do Pero Esteves Coelho.

1,290 Estevao Coelho – Maria Mendes Petite
1,330 Branca Pires Coelho – Joao Pires Alvim
1,360 Leonor Alvim – D. Nuno Alvares Pereira, 2o. Condestavel de Portugal
1,380 D. Beatriz Pereira Alvim – D. Afonso, 1o. duque de Braganca

Ai nos podemos ver que: o ancestral Pero Esteves Coelho era irmao de Branca Pires Coelho, que era mae da Leonor Alvim e avo da D. Beatriz Pereira Alvim, que era esposa do D. Afonso, 1o. duque de Braganca. Naquele tempo a nome Braganca ja estava estabelecido em Portugal e somente depois os duques de Braganca o adotaram como sobrenome mas eles tambem ja eram descendentes de ancestrais de Braganca. Vou mostrar a linhagem paterna do D. Afonso.

1,377 D. Afonso, 1o. duque de Braganca – D. Beatriz Pereira Alvim
1,357 D. Joao I, rei de Portugal – Ines Pires
1,320 D. Pedro I, rei de Portugal – Teresa Lourenco
1,291 D. Afonso IV, rei de Portugal – Beatriz, Infanta de Castela
1,261 D. Dinis, rei de Portugal – Santa Isabel de Aragao

Ai a gente voltou aos primeiros reis de Portugal e D. Dinis era filho do Afonso III. Mas D. Joao I nao era para ser rei. O irmao dele, D. Fernando I, era de direito o herdeiro e ele se tornou rei. Mas o problema veio depois porque a herdeira dele era D. Beatriz e ela se casou com o rei Juan I de Castela. Juan exigiu o direito de ser rei de Portugal depois do falecimento do rei Fernando I. Isso iniciou o que eh conhecido como Crise de 1.383 a 1.385. Nisso Castela e Portugal se envolveram numa guerra sangrenta. E o grande heroi da vez foi D. Nuno Alvares Pereira, que era o sogro do D. Afonso, 1o. duque de Braganca. E vamos colocar mais uma sequencia genealogica para mostrar mais uma coisinha.

1,360 D. Nuno Alvares Pereira – Leonor Alvim
1,310 D. Alvaro Goncalves Pereira – Iria Goncalves do Carvalhal
1,280 D. Goncalo Pereira, arcebispo de Braga – Teresa Peres Vilarinho
1,250 D. Goncalo Pereira – D. Urraca Vasques Pimentel

Como podemos ver acima, os bisavos de D. Nuno Alvares Pereira eram os avos de D. Aldonca Vasques Pereira. E o marido dela, Pero Esteves Coelho era tio da Leonor Alvim, a esposa do D. Nuno. Porei mais uma sequencia:

1,377 D. Afonso, 1o. duque de Braganca – D. Beatriz Pereira Alvim
1,402 D. Isabel de Braganaca – D. Joao, principe de Portugal
1,428 D. Isabel, Infanta de Portugal – Juan II, rei de Castela
1,451 Isabel, a Catolica, rainha de Castela – Fernando II, o Catolico, rei de Aragao
1,485 Catalina de Aragao, Infanta de Aragao – Henrique VIII, rei da Inglaterra
1,506 Maria I, rainha da Inglaterra – Felipe II, rei da Espanha

Nessa ultima sequence nos podemos ver algo para assombrar. A rainha Maria I nao teve filhos. O apelido dela era Maria Sanguinaria porque o pai separou a Igreja Anglicana da Igreja Catolica e ela queria restaurar isso. Mas como parte do povo nao queria, isso gerou manifestacoes e, somente de uma vez, cerca de 300 pessoas foram mortas. Felipe II tambem exigiu o direito dele de usar a coroa inglesa e isso resultou no afundamento de sua Armada Invencivel. Naquele tempo era mesmo a Armada mais poderosa do mundo. Mas isso eh outra Historia.

Eu gostaria apenas de falar um pouco mais a respeito do D. Nuno Alvares Pereira e como ele salvou Portugal na Crise de 1.383/85. Ele era jovem e tinha 25 irmaos. Pelo menos duas de suas irmas foram ancestrais do nobre Jose Coelho de Magalhaes que pode ser meu ancestral tambem. Outros de meus ancestrais tem o sobrenome Pereira. Mas nos ainda nao temos os meios para dizer se hao ligacoes entre meus ancestrais Pereira dos anos 1.700 com os anteriores. Apenas observem mais essa sequencia:

1,280 D. Goncalo Pereira – Teresa Peres de Vilarinho
1,310 D. Goncalo Pereira – esposa desconhecida
1,360 D. Brites Pereira – Lourenco Mendes de Vasconcelos
1,400 Rui Mendes de Vasconcelos – Ana Rodrigues Carvalho
1,440 Brites Mendes Carvalho – Fernao da Mesquita, o Velho
1,475 Lopo da Mesquita – Violante Machado
1,500 Joao Lopes da Mesquita – Ana Roiz Sobrinho da Mesquita
1,530 Miguel Sobrinho da Mesquita – Catarina Vaz
1,560 Ana da Mesquita – Semiao Pinto Machado

O ultimo casal ja esta na quinta sequencia do capitulo 5 acima. Eles sao ancestrais do Jose Coelho de Magalhaes. Muitos dos ancestrais deles levam o nome de Vasconcelos. Este vem da Torre de Vasconcelos onde D. Joao Peres de Vasconcelos foi um dos senhores, por volta de 1.220. Ele foi casado com Maria Soares Coelho, filha do Soeiro Viegas Coelho. Ate agora estava mostrando a descendencia do Soeiro por meio do filho: Joao Soares Coelho. Na terceira linha esta D. Brites Pereira que era meio-irma do D. Nuno Alvares Pereira.

O cargo que D. Nuno tinha eh como se fosse um primeiro ministro e ministro da defesa juntos, alem de comandante geral do exercito. Como os Portugueses nao tinham vontade alguma de se tornarem vassalos do rei castelhano houve guerra. As forcas portuguesas eram muito inferiores `as do inimigo. E isso as encheu de confianca. Os castelhanos foram ajudados por franceses tambem. D. Nuno Alvares entao armou uma arapuca e fez seus companheiros esperarem o ataque. Ele escolheu um campo estreito, mais para brejo, para batalhar. Como as forcas inimigas mais pesadas nao tiveram a liberdade de se movimentar como em campos normais de batalha viraram alvos faceis para os portugueses.

D. Nuno certificou-se que nao houvesse escapatoria e ate o povao veio com instrumentos de trabalho para matar os soldados. Historiadores pensam que milhares de nobres foram mortos. Isso baixou o moral do inimigo. Provavelmente, a maioria dos mortos eram da mesma familia que dos portugueses. Depois dessa batalha que ficou conhecida como Aljubarrota (tambem chamada de Padeira) ele organizou muitos ataques rapidos no territorio inimigo para assegurar que nao houvesse reacao. Claro, ele venceu a guerra. O reconhecimento da Independencia Portuguesa foi assinado em 1.411, no Tratado de Ayllon. E D. Joao I que nao era para ser rei ganhou o trono e a coroa de rei.

Presentes estavam 200 soldados da Inglaterra. Eles estavam armados de bestas e fizeram alguma diferenca a favor dos portugueses. Desde entao, Portugal e Inglaterra tem um Tratado de ajuda mutua contra invasoes externas. Eh com certeza o mais antigo do genero no mundo.

Coincidentemente, D. Nuno Alvares Pereira morreu de causas naturais no mesmo dia que Joana d’Arc foi executada.

D. Joao I casou-se com Philippa de Lancaster, princesa da Inglaterra. Depois o sobrenome dela foi adotado em Portugal como Lancastre. A Familia Lancastre de Portugal eh descendente direta dos Lancaster da Inglaterra. Mas essa segunda dinastia em Portugal durou pouco. Portugal continuou recebendo e enviando noivas e noivos para os reinos espanhois e, em 1.560, a situacao se repetiu. A diferenca eh que neste tempo o rei da Espanha foi o poderoso Felipe II, que foi casado com a Maria I, rainha da Inglaterra.

As linhagens sucessorias em Portugal seguiram nem sempre observando a primogenitura. D. Manuel I subiu ao trono. Ele foi chamado de o Venturoso. Isso foi porque ele herdou o trono sem ter sido o primeiro da linha. Depois vieram as Grandes Descobrimentos no seu tempo. Vasco da Gama transpos o Cabo da Boa Esperanca na Africa do Sul abrindo o Caminho para as Indias aos interesses comerciais portugueses e Pedro Alvares Cabral descobriu o Brasil.

Mas isso era bom demais. Ele foi pai do proximo rei, Joao III, que foi pai da Maria, Infanta de Portugal, que tinha sido a primeira esposa do Felipe II, rei da Espanha. Joao III, rei de Portugal teve um primogenito com o nome de Joao. E este foi o pai do D. Sebastiao. Sebastiao tornou-se rei mas era um tanto quanto lunatico e resolveu reeditar as Cruzadas e reuniu seus exercitos com a intencao de conquistar o territorio dos mouros no Norte da Africa. La ele desapareceu sem deixar um primogenito. Felipe II viu nisso sua oportunidade de conquistar Portugal, unificando as duas coroas. Ele quase nao encontrou resistencia.

Somente 80 anos depois, de 1.560 ate 1.640, a soberania do Reino de Portugal foi restaurada. O novo rei foi D. Joao IV. Este quarto Joao, rei de Portugal, era tambem o oitavo duque de Braganca. Voltando `a linhagem, ele era pentaneto do D. Afonso, 1o. duque de Braganca e de D. Beatriz Pereira Alvim, a filha do D. Nuno Alvares Pereira.

Alem do nome Coelho estar envolvido na genetica dos reis de Portugal, as mulheres que se casaram com os duques de Braganca tinham ancestrais que tambem eram ancestrasi das linhagens que originaram Jose Coelho de Magalhaes. E por volta de 1.820 a familia real portuguesa foi dividida em dois ramos. Um manteve-se no reino de Portugal e outra se estabeleceu no Brasil. Mais tarde a Republica foi proclamada no Brasil, em 1.889, enquanto em Portugal so veio em 1.910.

Na Espanha nos temos os mesmos nomes de familia que em Portugal. Algumas eh dito que foram traduzidos de uma lingua para outra. Ate do Coelho eh dito que virou Conejo, que eh o mesmo Coelho dos dois lados. Os portugueses tambem usam nomes importados da Espanha. Exemplos disso sao: Menezes, Gurgel, Ponce de Leon, Lima, Bezerra, Lara, Maldonado e muitos outros. Um que eu nunca vi no Brasil eh o Bivar. Ele aparece no nome do D. Rodrigo Diaz de Bivar. Ele tinha o apelido de El Cid. Tambem, Matamouros. (Matador dos mouros). Algo que nao soma nada ao nosso orgulho mas ele eh tambem ancestral do Jose Coelho de Magalhaes. El Cid eh mencionado no video “Islam, Imperio da Fe” produzido pelo http://www.pbs.org.

Gostaria de adicionar mais um evento da Historia Portuguesa neste capitulo, com a intencao mais de mostrar uma curiosidade genealogica. Um nome da Historia da Peninsula Iberica sempre lembrado eh o de Ines de Castro. Castro tambem eh nome nobre da Espanha e de nossos ancestrais. Porem, ninguem sabe quem ela eh.

Para comecar, leiamos um extrato da Wikipedia: “Ines foi para Portugal em 1.340 como dama da Infanta Constanca de Castela, recem-casada com o principe Pedro, o primogenito do rei portugues. O principe se apaixonou por ela e comecou a deixar de lado sua legitima esposa, pondo em perigo as ja fracas relacoes com Castela. Para complicar, o amor de Pedro por Ines levou nobres Castelhanos ali exilados para as proximidades do poder, com os irmaos da Ines se tornando amigos do principe e seus conselheiros de confianca. O rei Afonso IV de Portugal, pai do Pedro, nao gostava da influencia da Ines sobre o filho e esperou que o entusiasmo mutuo acabasse, mas isso nao aconteceu.”

Afonso IV fez de tudo para separar o casal mas nao conseguiu. Entao, ele deu ordens a tres de seus confidentes para matar Ines. Um deles foi o Pero Esteves Coelho, que seria nosso ancestral. Pedro deu a palavra ao pai que nao se vingaria o assassinato. Porem, depois que ele subiu ao trono do pai foi justamente isso que ele fez. Capturou dois dos executores e os matou, abrindo a caixa toracica e tirando os coracoes com as maos, em exibicao publica. Isso foi para simbolizar o proprio coracao partido.

Estas passagens foram conservadas pelo poeta Luis Vaz de Camoes no seu epico memoravel, Os Lusiadas. Todos os elementos da trama estao la e eu penso que o Shakspeare usou isso como inspiracao da novela: Romeu e Julieta. A genialidade dele esta no fato de ter amaciado os fatos e transposto a estoria para outro cenario. Nao digo que ele copiou Camoes. Mas, como de costume, todo artista eh inspirado pelo trabalho de outros. Foi melhor mesmo ele ter amaciado os fatos porque a verdade foi muito mais cruel. Se os escritos tivessem sido muito parecidos com os fatos ele poderia se colocar em risco, por causa das relacoes diplomaticas entre Portugal e Inglaterra.

Porem, de alguma forma a Historia eh melhor que a novela. Quem tiver a curiosidade, a Internet esta repleta de outras informacoes.

Meu objetivo nao eh, em momento algum, mostrar que sou descendente das familias reais e nobres europeias. Nao penso que isso me traria nenhum beneficio. O que desejo mostrar eh que: nao sou so eu quem sou. Desde que as Americas foram colonizadas pelos europeus, acredito que, a maioria absoluta das pessoas nascidas nas Americas, com ligacoes com as familias europeias, eh inquestionavelmente descendente das familias reais e nobres europeias. Isso nao nos garante outro privilegio senao, de alguma maneira, sermos primos.

08. SECULOS E PESSOAS QUE DESENHARAM A NOSSA HISTORIA EM COMUM

Comumente a Historia dos Estados Unidos eh apresentada como uma extensao da Historia Inglesa. Mas isso eh mais uma consequencia do que estava acontecendo na Europa como um todo e tem pontos comuns com a Historia do Brasil, apesar do Brasil tambem nao existir como pais autonomo naquela epoca.

Cada evento maior da Historia Europeia dos ultimos seculos da Idade Media deixou marcas em nossa Historia comum. Primeiramente, no final da Idade Media tinhamos a poderosa Igreja Catolica dominando tudo da vida coditiana na Europa. No seculo XIII aparecem descontetamentos com os desvios de comportamento dos clerigos em relacao ao compartamento que deveriam ter. O clero eh o poder dominante mas permite `a aristocracia exerce-lo em seu nome. A Igreja transformou-se num caso incestuoso onde era a mae que gerava a aristocracia e juntos eles geravam a proxima geracao de aristocratas.

A populacao sob o poder deles nao passava de escrava. Muitas ideias novas, inclusive as religiosas, eram julgadas como simples heresias. A Igreja nao prestou atencao nos anseios nem das almas nem dos corpos. A Igreja considerava seu proprio pensamento acima de todo e qualquer pensamento diferente. Foi instituido o Tribunal do Santo Oficio, comumente conhecido como Inquisicao. Isso significava que, nao importava o que voce fez, voce poderia ser acusado de heresia se isso envolvesse duvidas em relacao a religiao ou autoridade. Tudo virou: “Mandado por Deus”.

Outro capitulo de interesse foi a Renascenca. Os historiadores classificam isso como um movimento intelectual entre os seculos XIV e XVII. Ele teria comecado e nos vindo da Italia, trazendo mudancas na “literatura, filosofia, arte, politica, ciencia, religiao, e outros aspectos da busca racional”, como esta descrito na Wikipedia. Embora essa seja a importante para nos, nos tivemos uma Renascenca anterior, dentro do Imperio Muculmano.

Os Muculmanos ja haviam traduzido muitos textos antigos de origem latina e grega. E eles foram os que ja os aplicavam nas artes e vidas. Foi levando algum conhecimento renascido para a Peninsula Iberica que causaram a comparacao do Imperio deles como luz em contraste com o resto da Europa como total escuridao nos primeiros seculos da Idade Media. Eh por isso que a Idade Media tambem eh conhecida como uma era inculta.

E eu penso que foi por esta razao, da Europa estar culturalmente atrasada em relacao ao mundo muculmano, que a Reconquista da Peninsula Iberica demorou tanto. Depois de se estabelecerem la e demonstrarem ser um poder mais tolerante e mais justo, para a epoca, em relacao ao povo pobre, o povo nao tinha razao para revoltas sabendo que, a revolta significaria uma queda de paz em suas vidas.

Para lancar o povo contra os senhores muculmanos, o estrategistas cristaos lancaram mao de uma serie de demonizacoes, inclusive acusando Adb al Rahman III ibn Muhammed, o Grande, de ser homossexual. Eles se aproveitaram do fato que, o lider muculmano tinha mandado executar um jovem cristao, Pelagio, porque ele se recusou se converter ao Isla. Isso tambem eh deploravel, mas os cristaos nunca sentiram vergonha de terem praticado o mesmo aos de outras fes. Nos sabemos o que se fez contra os pagaos, judeus e inclusive aos muculmanos naquele tempo. Entao, acusar ao Abd al Rahman de homossexualismo era a forma de manipular a horda ignara da Idade Media. Isso continua, apesar de nao ser mais um bicho-de-sete-cabecas para a maioria de nos hoje.

Outro capitulo vinculado sao as cruzadas. As cruzadas serviram como cortina de fumaca usada pela Igreja Catolica para desviar a atencao dos malfeitos da administracao dela. Esta eh uma pratica antiga, usada pelos maus governantes. As Cruzadas nao sao exatamente o que se diz delas. Nos tivemos perto de 12 cruzadas contra o poder muculmano sobre Jerusalem e cerca de tres duzias contra eles na Peninsula Iberica e contra europeus que tinham crencas diferentes dos dogmas catolicos. Inclusive, os catolicos da Peninsula Iberica foram dispensados de lutar contra os muculmanos em Jerusalem porque eles ja estavam na luta para recuperar seu territorio.

Mas o tiro da Igreja saiu pela culatra. Durante as Cruzadas os soldados europeus aprenderam um sistema melhor de vida e levaram a licao para casa. Nas bagagens levaram conhecimento novo e gosto por mercadorias que a Europa nao oferecia. Mesmo apos o fim das Cruzadas por Jerusalem nos ultimos anos do seculo XII o comercio ja estabelecido continuou. Os muculmanos tinham o controle do comercio com a Asia e a Africa mas os italianos foram os que intermediaram com o resto da Europa.

E eh nesse contexto que europeus comecam a buscar o conhecimento humanistico que levou `a quebra do monopolio da Igreja. Os clerigos e a aristocracia eram os unicos capazes de produzir e consumir conhecimento e produtos caros. E a populacao comeca a multiplicar-se em numero e riqueza. A urbanizacao da populacao que antes vivia em maioria no campo eh a responsavel pelo surgimento de uma classe nova, os burgueses. O termo se refere a morador urbano.

O uso e a producao do papel que os muculmanos ja comercializavam com a China e a invencao da imprensa por Gutemberg foram as precondicoes para tornar o conhecimento mais atingivel pela crescente populacao de estudantes. Maior conhecimento tambem resultou em mais universidades disponiveis.

O povo portugues estava ha muito tempo tentando fazer a navegacao oceanica e nisso o grande nome eh o principe Henrique, o Navegador, filho do rei D. Joao I e de Philippa de Lancaster, princesa da Inglaterra. Ele dedicou-se a vida inteira `a causa da navegacao e isso deu retorno. No principio eles comecaram a navegar as costas africanas onde, em 1.415, conquistaram Ceuta das forcas mouras. Naquele tempo tambem solicitaram permissao ao papa para escravizar os muculmanos conquistados e a autorizacao foi dada. Posteriormente, essa permissao foi reinterpretada para justificar a escravizacao dos africanos subsaarianos.

Durante o seculo XV os portugueses tambem descobriram os Arquipelagos da Madeira e Acores. Ai esta o inicio das Grandes Descobertas e a colonizacao a partir da Peninsula Iberica. Em 1.498, Vasco da Gama realizou o maior dos sonhos ibericos descobrindo o Caminho das Indias via navegacao oceanica. Em 21 de abril de 1.500, o capitao Pedro Alvares Cabral descobre o que sua tripulacao pensou ser uma ilha mas eles haviam chegado ao Brasil. Depois o engano foi corrigido mas a coroa portuguesa se entregou inteiramente `a exploracao das riquezas mais imediatas atraves do comercio com a Asia. O Brasil ficou 50 anos sem desperta-lhe o interesse.

Do lado da Espanha, os monarcas Fernando II, o Catolico, rei de Aragao e sua esposa, Isabel, a Catolica, rainha de Castela, concluiram a Reconquista da Espanha, tomando o ultimo reino muculmano, Granada, em 1.492. Em 1.494 eles tiraram a sorte grande quando Cristovao Colombo chegou `as Americas, navegando para o oeste, ao contrario de encontrar as Indias como ele estava querendo. No mesmo ano, Espanha e Portugal assinaram o Tratado de Tordesilhas garantindo a partilha das Americas para os dois. A porcao de Portugal nao era mais que o que hoje eh o Nordeste Brasileiro quase todo e a metade do Sudeste. Isso eh perto de um quarto das terras brasileiras atuais mas eh duzias de vezes maior que Portugal.

Agora precisamos usar nossos cerebros para entendermos a situacao. Logo apos estes fatos o trabalho duro de Portugal estava rendendo. A Espanha estava afogada na incompetencia dos administradores dela. Eles tinham conquistado Granada e logo depois o que fizeram foi matar ou escravizar um quinto da populacao muculmana. Dois quintos foram expulsos para o dominio mouro no Norte da Africa. Os dois quintos restantes foram perseguidos de tal maneira que se exilou posteriormente. Eles fizeram o mesmo aos judeus. E estes migraram para lugares mais tolerantes, onde atualmente eh Holanda, Belgica, Luxemburgo, Alemanha, Polonia e outros paises por perto. Mais tarde a descendencia deles ira arrepender-se dessa escolha mas ninguem imaginava o que estava por vir.

Como eu ja disse antes, Portugal tinha nao mais que 1.7 milhoes de habitantes naquele tempo. A Espanha expulsou perto de 1 milhao, o que era uma parte consideravel da sua populacao. Entre os expulsos, mortos e escravizados estavam a maioria dos artesaos e comerciantes. Ela usou a religiao como desculpa para fazer isso. Mas o que eles queriam mesmo era ganhar dinheiro rapido para financiar a exploracao das promissoras novas colonias.

Isso eh o que a gente sempre ve na Historia. Maus governantes nao olham as consequencias. Se os governos estao numa maior necessidade de dinheiro o primeiro pensamento eh: de quem nos vamos tomar? Os muculmanos e judeus foram as primeiras vitimas dos descobrimentos espanhois. Os amerindios e africanos foram afetados logo depois. Porem como a gente vera depois, o povo da Espanha tambem virou vitima da loucura dos seus reis.

Nao mencionei antes mas havia outro grande acontecimento ajudando a desenhar a nossa Historia a partir do seculo XV em diante. Comecou com as criticas do Eramus de Rotterdam contra o mau comportamento dos clerigos. A intencao dele era mudar o comportamento interno na Igreja. Porem o orgulho dos clerigos era demais para permitir isso. Depois dele chegaram outros como Martinho Lutero e Joao Calvino (Jean Cauvin) que eram mais explicitos em suas criticas ao velho estilo da Igreja Catolica. A atitude deles levou ao movimento chamado de Reforma. E ate o Lutero arrependeu-se da desordem que sem querer o criticismo dele provocou.

No passar dos seculos a Igreja Catolica fingiu-se de surda diante dos pedidos do povo para mudar. Ela monopolizava o conhecimento e a interpretacao das Escrituras Cristas. Os livros eram escritos apenas em Latim, que era uma linguagem morta, a nao ser dentro do meio sacerdotal. Os proprios religiosos que atendiam aos grotoes nao conheciam todos os aspectos da linguagem. Assim, quando Lutero traduziu a Biblia para a linguagem corrente, muitas pessoas puderam ver a diferenca entre o que estava escrito do que era ensinado.

A Reforma ganhou forca a partir dai. Tivemos muitos conflitos dentro da Europa e parte dos principes e reis viram nela a oportunidade de sair do controle do Vaticano. Basicamente, a Reforma lhes deu a oportunidade de terem uma religiao nacional em maos, para usa-la segundo os proprios interesses. Mais tarde isso leva ao surgimento dos Despotas Esclarecidos que foram reis que pensavam que poderiam fazer o que quizessem, sem prestar contas a ninguem, senao a Deus. Exemplos de reinos que se separaram da influencia do Vaticano com a Reforma foram: Suecia, Finlandia, varias partes da Alemanha, Inglaterra e varios outros. Exemplos dos que se opuseram `a Reforma: Portugal, Espanha e Italia.

E os reis daquelas nacoes vincularam a bagunca logo depois do inicio da Reforma `a alfabetizacao. Assim, despresar a educacao transformou-se num instrumento nas maos deles para dominar as proprias populacoes. Eles mantiveram o latim nos textos biblicos e o povo no analfabetismo. Este eh um dos fatos que repercutiram negativamente contra os povos daqueles paises e suas colonias. A desordem nao foi uma consequencia direta da Reforma mas sim das cabecas duras dos papas e reis.

Para que eu faca este capitulo ficar mais interessante, precisarei postar mais duas sequencias genealogicas. A primeira eh um dos exemplos de como o rei Fernando II era descendente dos reis de Portugal.

1,261 D. Dinis, rei de Portugal – Santa Isabel of Aragao
1,290 D. Constanca, Infanta de Portugal – Fernando IV, rei de Castela
1,311 Alfonso XI, rei de Castela – Leonor Nunez de Guzman
1,335 Fradique Alfonso de Castela – esposa desconhecida
1,354 Alfonso Enriquez de Castela – Juana Mendoza de Ayala
1,390 Fradique Enriquez de Castela – Mariana Ayala de Cordoba
1,425 Juana Enriquez – Juan II, rei de Aragao
1,452 Fernando II, o Catolico, rei de Aragao – Isabel, a Catolica, rainha de Castela

A segunda vem dos ancestrais do rei Felipe II. Isso nos ajudara a explicar alguns vinculos entre as Historias dos Estados Unidos, Peninsula Iberica e Brasil.

1,357 D. Joao I, rei de Portugal – Philippa de Lancaster, princesa da Inglaterra
1,391 D. Duarte, rei de Portugal – Leonor, Infanta de Aragao
1,434 D. Leonor, Infanta de Portugal – Friedrich III, kaiser des Heiligen Romischen Reiches
1,459 Maximilian I von Osterreich – Marie, duquesa da Bourgogne
1,478 Philipp I der Schone, Erzherzog von Osterreich e rei de Castela – Juana, a Louca, Rainha de Castela
1,500 Karl V, Kaiser des Heiligen Romischen Reiches e rei da Espanha – D. Isabel, Infanta de Portugal
1,527 Felipe II, rei da Espanha – D. Maria/Maria I/Elisabeth of Valois/Anna von Osterreich

Agora, o que temos aqui!? Felipe II teve quatro casamentos estrategicos que o colocaram na via sucessoria de outros paises. Sua primeira esposa, Maria, era filha do D. Joao III, rei de Portugal. Maria I era a Rainha da Inglaterra. Elisabeth de Valois era princesa da Franca, filha do Henrique II, rei da Franca. A Anna era filha do kaiser, Maximiliano II. A mae do Felipe, D. Isabel, era filha do D. Manuel I, o Venturoso, rei de Portugal. E a avo dele, Juana, a Louca, era filha do Fernando II, o Catolico e Isabel, a Catolica. Viche Maria! Isso eh algo de se levar em conta!

O pai do Felipe, Carlos V, Imperador do Sacro Imperio Germanico, estava na linha de frente da oposicao contra a Reforma. E ele apenas seguiu os passos dele.

Depois que a Reforma nao tinha mais volta a Igreja Catolica e os reis que se opuseram a ela tentaram fazer a Contra-Reforma. E a Igreja Catolica tambem foi reformada mas, mesmo que isso tenha feita dela uma Igreja melhor do que era antes, a mudanca nao foi suficiente para recuperar o poder perdido. Os paises que haviam adotado ramos religiosos novos nao retornaram ao catolicismo, exceto por Polonia, Bohemia, Hungria, partes da Holanda, Franca e o sul da Alemanha. Entre as mudancas aprovadas pela Contra-Reforma foi a criacao da Ordem dos Jesuitas por Ignacio de Loyola.

Como o Velho Mundo nao era mais um monopolio da fe na Igreja Catolica os Jesuitas foram usados como ponta de lanca na catequizacao do Novo Mundo. E, `a medida que o dominio espanhol e portugues ganhou o mundo, o catolicismo foi levado junto.

Eu tenho que voltar a um assunto importante. A Inquisicao Espanhola. Inquisicao ja fora usada pela Igreja Catolica na Idade Media. Para o bem ela havia sido desativada. Mas os reis catolicos, Fernando II de Aragao e sua esposa Isabel de Castela chantagearam o papa para autoriza-los a ter esse instrumento nas maos para usar contra seus inimigos. Eles disseram ao papa que, se eles nao recebecem o que queriam repatriariam os soldados que estavam protegendo os interesses do Vaticano.

Como o papa ficou numa posicao inferior ele concordou, porem, arrependeu-se porque a Inquisicao Espanhola foi usada tambem contra bons cristaos. A permissao tinha o intento de dar poderes aos reis de julgar os judeus e muculmanos convertidos `a forca, em caso deles retornarem a suas fes antigas. Os reis haviam decidico a conversao mandatoria dos praticantes das outras fes pelo decreto que estabelecia: a conversao seria obrigatoria e a opcao seria a de mudar-se para fora do alcance do poder deles. Muita gente aceitou ser batizada como crista mas praticava suas fes, secretamente.

Mas a Inquisicao espanhola nas maos do Tomas de Torquemada, o antigo confessor da rainha Isabel, passou a servir de instrumento de terror contra qualquer oposicao. E isso enviou parte do povo espanhol para outros cantos do planeta so porque ela era judia ou muculmana.

Mais tarde eu terei que retornar a esse assunto. Nos nossos dias temos parte da populacao americana tentando mandar de volta 12.000.000 de imigrantes sem documentos como se isso fosse a coisa certa a fazer para resolver os problemas de nossa economia. Ela tem sido enganada por falsos profetas e falsas profecias. Mesmo o presidente dos Estados Unidos, o sr. Barack H. Obama e o pessoal dele, por volta de 2,5 anos no governo, estao aceitando essa maneira torta de enxergar as coisas e ja deportaram cerca de 1.000.000 de cidadaos uteis sem documentos. Nos ja estamos tomando o retorno disso na cara.

Recentemente o sr. Obama suspendeu a deportacao massiva numa tentativa de revisao de cada caso, alegando que a administracao deseja devolver somente os envolvidos em crimes. A suspeita eh a de que ele esteja usando essa estrategia para nao perder os votos dos imigrantes nas eleicoes do ano que vem. A verdade eh essa, em suas palavras parece que o presidente entende os riscos dos Estados Unidos perderem tamanha populacao mas pela postura do governo dele parece tudo palhacada.

A prova de que o D. Manuel I, o Venturoso, nao era tao venturoso esta nos casamentos. Ele teve tres esposas. A primeira foi Isabel de Aragao e Castela; a segundo foi Maria de Aragao e Castela. As duas eram irmas e filhas do Fernando II com a Isabel. A terceira foi Leonor da Austria, princesa da Espanha. Ela era filha do Carlos V, o Kaiser e rei da Espanha, e que tambem era pai do Felipe II, rei da Espanha. Assim, ele nao estava cercado apenas pelas fronteiras com a Espanha mas tambem pelos casamentos.

E uma das condicoes para o casamento dele foi a de que ele teria que fazer o mesmo que os reis da Espanha, em Portugal. D. Manuel I nao tinha vontade para expulsar o povo portugues. Mas nao podia ficar sem fazer nada. Os portugueses eram mais liberais nesse assunto e permitiram aos judeus migrarem para suas colonias, incluindo o Brasil. Eh provavel que neste tempo a populacao muculmana portuguesa fosse muito pequena porque Portugal ja havia reconquistado seu territoria ha muito e os que nao se haviam convertido naquela primeira hora devem ter-se mudado para os territorios muculmanos na Espanha.

Portugal foi o responsavel pelo inicio das Grandes Navegacoes e, como o proverbio brasileiro nos ensina, “matou dois coelhos com uma so cajadada”. Aos poucos e sempre, o comercio mundial foi deslocado das cidades italianas e muculmanas em torno do Mediterraneo para Lisboa. As cidades estado na Italia tinham o monopolio antes para comercializar com os muculmanos.

A Espanha tinha uma parte nisso porque Granada era parte do Imperio Muculmano. Quando Fernando II e Isabel conquistaram Granada e passaram a perseguir os muculmanos por causa da fe, isso voltou-se contra suas economias. Lisboa virou o porto que atraia os mercadores antes residentes na Italia e no mundo muculmano. Essa eh a primeira migracao na Historia em que pessoas ricas migraram para novos lugares em busca de novas oportunidades. Normalmente, migracao esta relacionada aos pobres e perseguidos.

O ambiente que eles encontraram em Portugal era diferente do que tinham na Italia. Em Portugal e na Espanha os reis estavam procurando negocios que pagassem impostos e desejavam o monopolio para o Estado. Mas na Italia ja estavam praticando as primeiras nocoes de capitalismo. Eles tinham bancos e ja trabalhavam com papeis. O unico lugar onde encontraram um ambiente economico parecido foi nas cidades que hoje estao na Holanda. As cidades la pareciam com as Cidades Estados da antiga Grecia.

Holanda era apenas um Condado, territorio da Burgonha. Mas ela foi herdada por Carlos V, o kaiser do Sacro Imperio Germanico e rei da Espanha. Carlos V havia resistido `a Reforma mas nao teve a capacidade de impor a propria vontade. Parte do reino dele era liberal em relacao a religiao. Assim, protestantes, judeus e catolicos eram livres para comercializar em cidades como Amsterdam e Rotterdam como tambem praticar suas religioes. E esta parte do Imperio foi dada a Felipe II, como um presente do pai dele, Carlos V.

Um sinal da importancia dos italianos no comercio e navegacao transcontinentais esta nos nomes de alguns dos exploradores nas Grandes Descobertas. Como sabemos, Cristovao Colombo eh creditado como o primeiro capitao a trazer uma frota ao Mundo Novo. Americo Vespucio estava na frota capitaneada por Pedro Alvares Cabral que aportou no Brasil. E Giovanni da Verrazzano foi o primeiro navegante na Costa Atlantica da America do Norte, a servico da Franca, em 1.524, quando ele entrou na Baia de Nova York e Baia de Narragansett, Massachusetts. Martin Waldssemuller deu nome Americas aos Novos Continentes no Mapa do Mundo dele, de 1.503, in Lorraine, apos latinizar o nome Amerigo, homenageando Vespucio.

O publico geral teve noticia da descoberta do Mundo Novo somente em 1.503, atraves da publicacao de uma carta atribuida a Amerigo Vespucci. Nunca devemos nos esquecer que, no tempo das Grandes Navegacoes, os marinheiros eram como os astronautas de hoje. O que eles encontraram pode ser comparavel a descobrir um novo planeta, cheio de plantas alienigenas, cheio de animais alienigenas e cheio de civilizacoes alienigenas. E o regime de secredo servia ao monopolio da exploracao.

Colocarei mais duas sequencias genealogicas. A primeira eh de Nicolau Coelho. Ele foi piloto de navio e navegou na expedicao de D. Vasco da Gama. Quando regressaram ele estava tao exaltado com a descoberta que partiu na expedicao de Pedro Alvares Cabral que chegou ao Brasil. Posteriormente ele faleceu, em 1.504, retornando da India, possivelmente na costa de Mocambique. O navio desapareceu.

1,450 Nicolau Coelho – Brites Rodrigues de Ataide
1,420 Pedro Coelho – Luisa de Gois
1,400 Catarina de Freitas – Fernao Coelho, I senhor de Felgueiras e Vieira
1,380 Mecia Vaz Sampaio – Martim Fernandes de Freitas
1,360 D. Maria Pereira – Vasco Pires de Sampaio
1,370 D. Maria de Menezes – Alvaro Pereira
1,330 D. Afonso Telo de Menezes – esposa desconhecida
1,310 D. Guiomar Lopes Pacheco – D. Joao Afonso Telo de Menezes
1,290 D. Maria Rodrigues de Vilalobos – D. Lopo Fernandes Pacheco
1,260 Rui Gil de Vilalobos – Teresa Sanchez
1,240 Maria Diaz de Haro – D. Rui Gil de Vilalobos
1,220 Lope Lopez de Haro, el Chico – Berengaria Gozalez Giron
1,190 Urraca Alfonso de Leon – Lope III Diaz de Haro
1,171 Alfonso IX, rei de Leon e Castela – Inez Iniguez de Mendonza
1,151 D. Urraca, Infanta de Portugal – Fernando II, rei de Leon
1,109 D. Afonso Henriques, 1o. rei de Portugal – Mahaut de Savoie

Bem, nao penso ser necessario repetir o que vem depois. Na terceira linha dessa sequencia genealogica nos podemos ver os nomes de Catarina de Freitas e Fernao Coelho. No capitulo 5 eles aparecem como ancestrais do meu suposto ancestral, Jose Coelho de Magalhaes. Ha algum tempo eu olhei no site geneall.net – Portugal para verificar se Nicolau Coelho tinha o nosso sangue nas veias e o sitio nao mostrava. Agora parece que foi feita a atualizacao. Isso eh novo para mim inclusive. Nesta linhagem nos podemos apontar varios outros ancestrais comuns como no sobrenome Pereira da bisavo de Nicolau que vem dos mesmos ancestrais do D. Nuno Alvares Pereira.

Somente uma reserva nessa sequencia. Se olharmos as datas antes dos nomes nos vamos ver algo incoerente na sequencia porque parece que, D. Maria de Menezes teria nascido depois da filha, D. Maria Pereira. Mas isso acontece por as datas virem de documentos diferentes e nem sempre de certidoes de batismos. Algumas datas sao estimativas porque nem todos os nossos ancestrais foram registrados ou tiveram certidoes de batismo que sobreviveram. O mais comum eh que as datas foram retiradas de registros de casamentos.

Vamos colocar algo da sequencia genealogica de Pedro Alvares Cabral:

1,468 Pedro Alvares Cabral – D. Isabel de Castro
1,433 Isabel Gouveia de Queiroz – Fernao Cabral
1,405 Joao Gouveia de Queiroz – Leonor Fernandes Coutinho
1,380 Leonor Alvares de Queiroz – Vasco Fernandes Gouveia
1,350 D. Elvira de Castro – Fernao Goncalves de Queiroz
1,310 D. Alvaro Pires de Castro – Maria Ponce de Leon
1,290 Pedro Fernandes de Castro – Aldonca Lourenco de Valadares
1,270 Violante Sanchez – Fernando Rodrigues de Castro
1,250 D. Maria Afonso Teles de Menezes – Sancho IV, rei de Castela
1,225 D. Afonso Teles de Menezes – Maior Gonzalez de Giron
1,205 D. Teresa Sanchez – Alfonso Tellez
1,154 D. Sancho I, rei de Portugal – D. Maria Pais Ribeiro
1,109 D. Afonso Henriques, 1o. rei de Portugal – Mahaut de Savoie

Para simplificar os nossos dados aqui eu nao mencionei os muitos titulos estas personalidades usaram. Porem, como eu pesquisei a fundo os ancestrais do Jose Coelho de Magalhaes, notei muitos outros vinculos entre os ancestrais dele e essa turma de figuras historicas. Um exemplo de outro ancestral comum que os navegantes partilham eh D. Alfonso IX, presente na linhagem do Nicolau Coelho. Ele foi ancestral do Sancho IV, rei de Castela, presente como ancestral do Pedro Alvares Cabral.

Outra personalidade importante em nossos livros de Historia eh Fernao de Magalhaes, o navegante. Ele era o capitao da frota que circunavegou a Terra pela primeira vez na Historia. Ele morreu durante a viagem, em 1.524, mas o nome dele permaneceu como quem fez isso. Ele tambem descende de varios dos ancestrais acima. E tambem era descendente direto de D. Afonso III de Portugal em parceria com Maria Peres de Enxara.

Com respeito a Vasco da Gama, o navegador mais conhecido mundialmente daquele tempo, nao temos dados dizendo que tivesse vinculos familiares com as familias nobres e reais. Mas a esposa dele, Catarina de Ataide, tinha. Ela era descendente do Egas Moniz, o Aio, assim como do Carlos Magno, Hugo I Capet, rei da Franca e Fernando I Magno, rei de Leon e Castela. Pelo lado do Egas Moniz, ela era da linhagem que criou o nome de familia Fonseca (fonte seca). D. Vasco da Gama tornou-se o segundo Vice-Rei da India. Apesar de nao ser atraves deles, eu encontrei na Internet uma familia de la com a assinatura Fonseka e eles clamam ser descendentes do Fonseca portugues.

O fato de os maiores exploradores portugueses terem sido de familias nobres indica-nos que: o segredo da exploracao estava em curso. E isso era usado para evitar a competicao com outros paises. Desde o principio, Portugal e Espanha fizeram de tudo para manter o monopolio da colonizacao do Mundo Novo. Mas, como os Brasileiros dizem: o que eles queriam era “abracar o mundo com as pernas.” O mundo era grande demais para o tamanho pequeno da populacao da Peninsula Iberica. E os reis da Espanha, com o orgulho e preconceito deles, perderam a oportunidade de terem um melhor lugar na Historia para eles proprios.

09. O INCIO DE NOVA IORQUE E ESTADOS UNIDOS

Antes de entrar no assunto temos que relembrar um pouco da Historia comunitaria das Americas. Antes de 1.600, as Americas eram praticamente um monopolio da Espanha e Portugal. E logo depois das novas descobertas elas nao estavam dando retorno pelos custos dos descobrimentos. O que incentivou a maioria das expedicoes nos primeiros momentos era a busca pelo Caminho das Indias, como os portugueses e espanhois chamavam a Asia. Portugal ja estava lucrando via contorno da Africa. E exceto pela exuberante diversidade biologica eles pensaram que as Americas nada mais tinham a oferecer. A mencao ao: “Em se plantando tudo da” pelo correspondente da expedicao de Cabral, Pero Vaz de Caminha, nao havia sido levada em consideracao ainda.

Assim, `a medida que as dificuldades iam se multiplicando, o uso da imaginacao tambem explodia. Tres lendas comecaram a povoar as mentes dos aventureiros naquele tempo. Uma era a Fonte da Juventude. Com origem na mitologia grega, como se fosse possivel ter uma nascente que nos desse vida eterna em nossos corpos. A segunda era da “El Dourado” ou a cidade de ouro. E a terceira era a “Serra das Esmeraldas”.

Nos primeiros dias da exploracao, Juan Ponce de Leon veio `as Americas na segunda viagem do Cristovao Colombo. Ele era um ex-combatente da Guerra da Reconquista e tinha ajudado `a Espanha na luta por Granada. Seguindo instrucoes dadas pelos caribenhos ele conquistou Porto Rico. Foi estabelecido como governador da ilha mas foi deposto pelos adversarios politicos. Continuou seguindo seus sonhos e chegou a Ilha de Bimini, nas Bahamas, na pista de uma lenda nativa da Fonte da Juventude por la. Nesta viagem ele experimentou a Corrente do Golfo, que eh uma forte corrente que sai do Golfo do Mexico indo `a Europa, posteriormente usada para impulsionar os barcos a vela em retorno para o Velho Continente.

De Bimini ele continuou na busca pela Fonte da Juventude e acabou indo `a Costa da Florida. O nome Florida veio do tempo em que ele descobriu o lugar que era a Pascoa (Pascua Florida, em espanhol). O nome tambem esta ligado `a riqueza vegetal. Florida em ingles eh Blossom e nao deveria ser pronunciada com acento na primeira silaba desde que o nome nao foi traduzido. Flores e Flowers sao sinonimos em espanhol e ingles. Juan Ponce de Leon nunca encontrou o que procurava e morreu em consequencia de uma flechada indigena, em 1.521, depois de ser retirado da Florida para Cuba.

Mais de 20 anos depois da descoberta, Vasco Nunez de Balboa foi o primeiro a encontrar a passagem do lado atlantico para o Pacifico. Ele cruzou o Istimo do Panama em 1,513, abrindo o caminho para os espanhois conquistarem as costas a oeste das Americas.

Somente em 1.519, Hernan Cortez, com esperteza e ajuda dos inimigos dos Maias, conquistou a Cidade do Mexico e seu Imperio. Imediatamente a seguir as riquezas que os reis espanhois tanto queriam comecaram a fluir. A Civilizacao Maia ja ha muito sabia trabalhar metais preciosos e gemas. Entao, sem precisar trabalhar para ganha-los, os espanhois assaltaram os cofres dos outros.

Desde que a passagem atraves do Istimo do Panama estava aberta, isso facilitou aos espanhois fazer contato com os incas, em 1,532, que viviam nos Andes. E Francisco Pizarro conquistou a populacao e levou mais riquezas para a Espanha.

Mas o que mais excitou a imaginacao europeia foi a viagem desastrosa feita por Francisco de Orellana e seus companheiros. Ele tentou algo diferente para a epoca. Do Peru eles viajaram ao interior da Floresta Amazonica. Eles desmontaram seus barcos, carregaram-nos pelas montanhas e floresta ate encontrar rios navegaveis da Bacia Amazonica. Dai eles comecaram a viagem dificil, procurando chegar de novo ao Atlantico.

A viagem dele foi narrada pelo frei Gaspar de Carvajal e transcorreu de 1.541 a 1.542. Somente alguns dos viajantes sobreviveram mas foi o suficiente para o Frei Carvajal descrever uma civilizacao que residia na Bacia Amazonica e que era tao grande que eles puderam ver o brilho da brancura das casas durante o dia e os fogos durante a noite por centenas de quilometros. Constantemente eles tinham que navegar no meio dos rios para evitar as flechadas dos indigenas.

Mas eles tambem foram convidados por alguns para comer uma surpreendente variedade de iguarias. Os espanhois nunca haviam visto tamanha variedade de cada, pesca, frutas e vegetais. E a descricao do frei Carvajal foi creditada como lenda porque, depois, esta civilizacao nunca havia sido reencontrada, ate agora. Foi isso que criou a lenda do “El Dourado”. Durante seculos os europeus buscaram por cidades de pedra, folheadas a ouro, assim como estavam acostumados a ver em outras civilizacoes antigas no mundo. Mas pedra na Bacia Amazonas eh um material dificil de encontrar.

So recentemente, a historia do frei Carvajal foi comprovada. A terra amazonica eh um solo pobre. E se nao fosse pela floresta ela poderia parecer-se a um deserto. Arqueologos encontraram sitios numerosos de habitacoes nas margens dos rios. Muito mais, eles encontraram quilometros e quilometros de solo fabricado pelo homem. Estes sitios sao chamados de “Terra Preta” ou “Terra Preta de Indio”. Tambem descobriram que, a fabricacao comecou em cerca de 500 anos a.C. e se extendeu ate depois de 900 d.C. Isto eh a terra comum com adicoes de carvao, ossos e esterco de animais e ceramica quebrada.

A altura da “Terra Preta” varia entre 1 a 2 metros de profundidade. Mesmo depois de milhares de anos o solo continua sua producao, inclusive ha sugestoes de que existam componentes microbianos porque existem os relatos de regeneracao depois que parte do solo eh removido. O que eh impressionante eh isso, la existe o equivalente ao tamanho da Franca e Alemanha combinadas de “Terra Preta” feita pelo homem da Bacia Amazonica. Cientistas estao tentando reproduzir esse formidavel avanco da agricultura mas nao foram capazes ainda de compreender como foi feito. A producao de alimentos da “Terra Preta” pode ser melhor que as das tecnologias mais avancadas de hoje. Se for, isso pode ser usada para salvar bilhoes de vidas no futuro.

Mesmo assim, no estagio de civilizacao em que o povo europeu se encontrava no seculo XVI, talvez nao fosse possivel a eles conquistarem as Americas da populacao nativa se nao tivessem tido a ajuda do inferno. O que quero dizer eh que, inadivertidamente, eles levaram consigo suas doencas comuns como catapora, variola, tuberculose e ate a gripe. Ja haviam milenios que as populacoes da Africa, Asia e Europa mantinham contatos entre si e tambem com animais domesticos maiores. Isso lhes dava uma certa imunidade contra germes que se mostraram mortais para os nativamericanos. Num calculo grosseiro, alguns dizem que cerca de 90% da populacao morreu apos encontrar os europeus. Em alguns casos, eles foram infectados mesmo antes de conhecerem qualquer europeu e isso foi causa de exterminio de civilizacoes inteiras.

Atualmente, os cientistas estao concluindo que foi exatamente isso que aconteceu `as civilizacoes da Bacia Amazonica. E os europeus que procuravam cidades de pedra estavam totalmente enganados por suas ignorancias. As civilizacoes que viviam na Bacia Amazonica construiram daquilo que lhes era disponivel: madeira, solo e outras partes das plantas.

Na viagem do Francisco Orellana o nome do rio foi trocado para Amazonas. A lenda diz que, os navegantes viram o que parecia a eles ser cavaleiras montadas em seus cavalos nas margens do rio. Dai o nome do rio ser uma lembranca das amazonas da Historia Grega. Permanece, porem, na lingua portuguesa a palavra amazonas com o significado de cavaleira.

Todos os exploradores espanhois vem de familias nobres. Eu dei uma olhada no geneall.net portugal mas o site ainda nao mostra isso. Alguns como o Juan Ponce de Leon tem ancestrais la, mas sem as ligacoes com as familias reais. Porem eu sei que, o nome Ponce de Leon eh o resultado do casamento entre Aldonca Alonso de Leon e Pedro Ponce de Cabrera. D. Aldonca era filha do Alfonso IX, rei de Castela e Leon com D. Aldonca Martins da Silva. E ela nasceru por volta de 1.215. Tambem, os sobrenomes das ancestrais do Juan sao comumente usados pelas familias nobres como: Guzman, Baeza, Ayala, Figueroa y Manuel.

Outra observacao interessante eh a respeito de Francisco Pizarro, o conquistador do Imperio Inca. O site nao indica que venha de familias reais mas, como conquistador, o primeiro tesouro que tomou dos Incas foram duas filhas do Atahualpa, o ultimo imperador, que foi morto pelos espanhois para pavimentar o caminho de manter o Imperio. Angelina e Ines Youpanqui fizeram parte de um padrao de comportamento dos conquistadores portugueses e espanhois. No seculo XVI a maioria deles nao levaram as mulheres brancas. Eles se casaram ou simplesmente se juntaram `as nativas convertidas.

Vamos ao lado portugues da Historia. Mesmo que Pedro Alvares Cabral seja dito o primeiro portugues a ir ao Brasil, existem controversias a este respeito. A gente sabe que, o explorador espanhol: Francisco Yanez Pinzon, esteve nas costas brasileiras antes. E ele entrou no Rio Amazonas. A expedicao dele deu o nome “Mar Dulce” (Mar Doce) ao rio, talvez sem saber que era um rio, tres meses antes do Cabral. Mas la ainda nao era Brasil porque pelo Tratado de Tordesilhas pertencia `a Espanha.

Eh dito que outros exploradores portugueses ja haviam estado nas Americas, inclusive antes de Colombo. Segundo eh dito, Afonso Sanches foi quem indicou-lhe onde estavam as Antilhas porque ja havia estado la, quando o explorador famoso aportou na Ilha da Madeira. E pelo menos mais dois outros portugueses: Joao Coelho e Duarte Pacheco ja haviam ido ao Brasil antes do ano 1.500. Porem, oficialmente, quem recebeu a ordem de D. Manuel I, o Venturoso, para tomar posse do territorio foi o Cabral.

Durante os 30 primeiros anos, a unica atividade comercial que Portugal tinha no Brasil era a exploracao do pau-brasil, por ele oferecer uma tinta vermelha muito apreciada pelos europeus. O Brasil oferecia muitas outras madeiras ao longo de seu luxuoso tapete verde costal. A exploracao foi tao intensa que nas costas do Brasil atualmente existem apenas umas lembrancas do que foi antes. A maioria dos brasileiros nem sequer conhecem o pau-brasil que deu nome ao pais.

A respeito dos 30 primeiros anos se diz que: o Brasil se transformou no lugar de criminosos exilados. E eh corrente uma piada a respeito. “Um anjo perguntou a Deus: “Senhor, todos os outros paises no mundo tem problemas serios como os vulcoes, terremotos, tornados, furacoes, montanhas imensas, neve, inverno frio, desertos e outros mais, por que o Senhor deu aos brasileiros um lugar como o Paraiso?” E Deus respondeu ao anjo: “Meu amigo, voce precisa olhar com cuidado. Voce percebeu a gentinha que esta destinada a viver la?”

A piada eh repetida pelos ignorantes que nao sabem que, os exilados iniciais que foram para o Brasil nao eram criminosos como assassinos e ladroes. Eles foram exilados em razao das crencas diferentes ou em razao de terem tomado posicoes partidarias diferentes da da classe dominante. A piada tambem foi usada pelos preconceituosos todas as vezes que a economia brasileira passou por dificuldades. E isso era o mais frequente. E os preconceituosos, normalmente, ricos ou descendentes de origem nobre, referem-se como “Ze Povinho” aos descendentes dos nativo-brasileiros, africanos e exilados, lingando-os `a pilheria.

Como veremos mais tarde, a maioria dos brasileiros, pelo menos aqueles que tem raizes desde os tempos coloniais, sao descendentes deles. E mais, o “Ze Povinho” nunca teve culpa. Ele nunca mandou em nada e o trabalho duro dele sempre foi usado pelos ricos e pela elite menor. A pilheria sempre foi um truque dos covardes com mente perniciosa que desejavam culpar as vitimas pelos seus proprios crimes.

Os 30 primeiros anos da colonizacao portuguesa no Brasil nao se resumem somente `as trocas de madeira valiosa por bugingangas entre os indigenas e os colonizadores, como isso eh mencionado por alguns historiadores. O evento mais importante deste periodo foi a iniciacao da genetica do povo brasileiro. Temos que nos lembrar que a colonizacao inglesa comecou mais de um seculo depois da espanhola e portuguesa. O inicio de cada uma teve motivacoes diferentes. E, mais importante de tudo, espanhois e portugueses nao mandaram mulheres com os colonos porque as suas culturas eram machistas e as viagens transoceanicas estavam em fase experimental.

Ora pois, os homens portugueses nao sabiam resistir a seus instintos machistas. E eles se apaixonaram pelas indias `a primeira vista. Eles tinham tempo de sobra para juntar o pau-brasil com a ajuda dos indios e amontoa-lo nas imediacoes das praias, nalguns galpoes improvisados, na espera do proximo embarque que tanto poderia vir em seis meses quanto no ano seguinte. Eles nunca tinham certeza. Enquanto isso eles ocupavam o tempo deles fazendo a proxima geracao, literalmente.

Martim Afonso de Sousa foi enviado ao Brasil para organizar o primeira tentativa de colonizacao. Portugal estava avisado sobre as incursoes dos ingleses, franceses e holandeses que exploravam o pau-brasil na ausencia de defensores portugueses. Martim Afonso foi ao Brasil para estabelecer colonias e organizar a defesa do territorio. Com a ajuda dos Jesuitas ele fundou Sao Vicente, a primeira cidade do Brasil; Sao Paulo do Piratininga, onde hoje esta Sao Paulo, a maior cidade por la; e tambem Santos, o porto mais movimentado da America do Sul e, ainda, Santo Andre, que virou uma cidade industrial, na Grande Sao Paulo.

Em 1.533 ele retornou a Portugal e foi enviado para a India onde tambem era requerido para defender as possessoes portuguesas de la. Em 1.542 foi nomeado vice-rei da India. Ele terminou os dias dele em Portugal, onde em 1.571 veio a falecer.

O proximo capitulo da Historia do Brasil eh conhecido como Capitanias Hereditarias. Logo apos Martim Afonso estar no Brasil, o rei D. Joao III tomou outras medidas para defender as colonias portuguesas contra invasoes estrangeiras. O que se decidiu foi dividir o territorio brasileiro em colonias, dadas aos nobres para comecarem a colonizacao europeia, efetivamente. Para o Martim Afonso foram dadas duas colinias, Sao Vicente e Rio de Janeiro. Mas ele nunca voltou la. So os descendentes herdaram.

Martim Afonso estabeleceu um padrao de organizacao que permaneceu na administracao brasileira por seculos. O filho dele, Pero Lopes de Sousa, herdou a Capitania de Sao Vicente. E, provavelmente, o genro, Estevao Gomes da Costa, herdou a Capitania do Rio de Janeiro. Estou falando provavelmente porque nao estou tao certo mas minha duvida eh baseada em fatos. A minha intencao eh mostrar mais uma sequencia genealogica para dar uma ideia melhor do que estava acontecendo no Brasil naquele tempo.

1,210 D. Afonso III, rei de Portugal – Madragana ou Mor Afonso
1,250 Martim Afonso Chichorro – Ines Lourenco de Valadares
1,280 Martim Afonso Chichorro II – D. Aldonca Anes de Briteiros
1,320 Vasco Martins de Sousa Chichorro – Ines Dias Manoel
1,341 Martim Afonso de Sousa – Aldonca Rodrigues de Sa
1,385 Martim Afonso de Sousa – Violante Lopes de Tavora
1,425 Pedro de Sousa – Maria Pinheiro
1,460 Lopo de Sousa – Brites de Albuquerque
1,490 Martim Afonso de Sousa – esposa desconhecida
Isabel Lopes de Sousa – Estevao Gomes da Costa
Felipa Gomes da Costa – Vasco Pires da Mota
Atanasio da Mota – Luzia Machado
Eufemia da Costa Mota – Joao de Godoy Moreira
Gaspar de Godoy Colaco – Sebastiana Ribeiro de Morais
Maria Pedroso de Morais – Joao Correia da Silva
Escolastica de Morais – Joao da Cunha Ataide
Maria Candida da Cunha Ataide – Francisco Joaquim de Andrade
1,798 Francisco de Paula Andrade – Joana Rosa de Andrade Lage
1,835 Elias de Paula Andrade – Rosa Amelia Silveira Drummond
1,860 Carlos de Paula Andrade – Julieta Augusta Drummond
1,902 Carlos Drummond de Andrade – Julieta Augusta Drummond

Do que estava acontecendo no Brasil eu decidi alongar a sequencia genealogica que coloca o Martim Afonso quase no meio. Primeiramente eu queria mostrar o primeiro casal que eh formado pelo nossos conhecidos ancestrais, rei Afonso III de Portugal e sua amante, Madragana. Eu ja a mencionei porque ela foi filha do prefeito do Faro quando a Reconquista de Portugal foi completada por aquele rei. Ela procede de familia judia e eh ancestral de muitos outros importantes, como a rainha Victoria da Inglaterra.

Mas eu tambem queria relembrar o poeta brasileiro Carlos Drummond de Andrade que era um dos descendentes do Martim Afonso de Sousa. A Familia Andrade dele estabeleceu-se em Itabira, Minas Gerais, desde o bisavo dele. Uma de minhas bisavos, Ercila Coelho de Andrade, nasceu la e nos passou isso: ela seria prima do poeta mas ninguem na epoca prestou atencao em qual grau ou por quais vias. Atraves de uma outra linhagem eu descobri que o poeta tambem descende do D. Dinis, rei de Portugal, e tambem eh primo do poeta portugues mais famoso, Luis Vaz de Camoes.

Em nossos dias nos temos tentado localisar a ligacao mas estamos de maos vazias por enquanto. Em tempos passados os registros eram feitos pela Igreja Catolica e a tinta de algumas paginas dos livros de Itabira evaporaram. Para ver o que esta escrito agora nos precisaremos de instrumentos especiais que nao temos. Entao, precisamos ter paciencia e sorte porque, no Brasil, algumas pessoas podem pegar os livros e jogar no lixo imaginando que nao tenham nada de interesse.

Desde ja eu indicarei o seguinte video no endereco: http://e-relevante2009.blogspot.com/2010/4/apresentacao-de-belo-horizonte-para-o.html. Nao se preocupe, tudo esta falado em ingles porque foi produzido pelo Departamento de Relacoes Exteriores Americanos. Ele da uma pequenissima ideia das parcerias entre Brasil e Estados Unidos em 1.948. O interessante eh ver nele as cidades de Itabira, Belo Horizonte, Ouro Preto e Minas de um modo geral. Quem souber ingles, preste atencao especial no que eh dito a respeito da importancia estrategica do Estado para a defesa americana naquele tempo. Eu volterei a tocar neste video posteriormente.

Gostaria de apresentar algo mais a respeito da Historia do Brasil. Nos Estados Unidos nos temos a Lenda de Pokahontas que eh baseada em fatos reais. No Brasil tambem existem varias estorias que parecem similar a Pokahontas. Uma delas eh a respeito de Joao Ramalho. A lenda a respeito dele fala que, ele seria morto pelo cacique indigena quando a filha do chefe se colocou entre os dois e pediu pela vida dele porque ela planejava casar-se com ele. Mas isso esta apenas na lenda.

De fato, o que se sabe eh isso, quando Martim Afonso de Sousa desembarcou em Sao Vicente, o contingente dele foi cercado por membros da tribo local. Quando eles pensaram que teriam que lutar por suas vidas, alguem apareceu para anunciar que, estava tudo bem. Era Joao Ramalho, um aventureiro portugues que ha muito tinha feito amizade com os indios. Joao tinha deixado esposa em Portugal. Mas o padre Manoel da Nobrega, que era um Jesuita do contingente do Martim Afonso, casou-o com a antiga companheira chamada Bartira. Bartira foi batizada com o nome de Isabel Dias. Ela era filha de Tibirica, o grande cacique da tribo.

Mas essa nao eh a verdade por inteiro. Os indios nao tinham regras contra o homem ter mais de uma mulher. Como consideravam o Joao com grande respeito, muitos outros caciques traziam suas filhas para casar-se com ele. E ele era muito do bigamo. Mas ninguem estava preocupado com isso naquele ambiente. Joao Ramalho e seus muitos filhos viviam na regiao de Sao Vicente, Santos, Sao Paulo e no Vale da Ribeira. Eles forneciam mercadorias aos navios que passavam, faziam reparos nas embarcacoes e cacavam outros indigenas para vender como escravos. Tambem eh dito que os filhos de Joao Ramalho eram particularmente crueis com esses parentes deles.

Foi desta forma que a genetica brasileira comecou. E eu vou colocar mais uma sequencia genealogica mostrando uma via como, possivelmente, milhoes de Brasileiros sao descendentes diretos dos nativos brasileiros. Eu queria mostrar um exemplo como os descendentes do Martim Afonso de Sousa e Joao Ramalho tornam-se os mesmos. Ele estava com o Martim na fundacao de Sao Vicente, Sao Paulo e Santo Andre e, se nao fosse por ele, talvez tivessemos uma Historia do Brasil diferente. Outra observacao a respeito do Joao eh essa: alguns historiadores suspeitam que fosse um Cristao Novo (judeu convertido ao catolicismo por forca de lei). Os nomes dos pais dele eram: Joao Velho Maldonado e Catarina Afonso.

Tibirica – nome desconhecido da esposa
1,500 Isabel Dias (Bartira) – 1,493 Joao Ramalho
Catarina Ramalho – Bartolomeu Camacho
desconhecida Camacho – Jeronimo Dias Cortes
Ana Camacho – Domingos Luis, o carvoeiro
Bernarda Luis Camacho – 1,575 Amador Bueno da Ribeira, o aclamado
Isabel da Ribeira – Domingos da Silva Guimaraes
Isabel da Silva Bueno – 1,670 Domingos de Castro Correia
Joao Correia da Silva – Maria Pedroso de Morais.

Daqui para frente nos voltamos aos ancestrais do poeta Carlos Drummond. O casal acima eh um dos pentavos dele, ja apareceram na sequencia genealogica anterior.

O nosso proximo topico sao as Capitanias Hereditarias. Como eu disse, o rei Joao III de Portugal certamente foi avisado por Martim Afonso de Sousa a respeito das incursoes que os piratas de outros paises europeus faziam para carregar mercadorias da costa brasileira e ele decidiu criar as Capitanias Hereditarias. O sistema ja havia sido usado nas Ilhas da Madeira. O territorio brasileiro, colonizado por Portugal, foi dividido em 15 partes. Cada uma dada a um nobre para administrar. Todos os riscos e obrigacoes financeiras corriam por conta do donatario (Capitao-Mor), que era um investidor privado. Em troca o donatario tinha o poder de decisoes.

Porem, apenas duas das capitanias deram bons resultados. As duas tinham dado prioridade para a producao de acucar. Uma foi a Capitania de Pernambuco que foi ganha por Duarte Coelho. Hoje-em-dia, ocupando o mesmo espaco existe o Estado de Pernambuco. Contando a partir daquele tempo, os livros de Historia do Brasil classificam os proximos 150 anos como Ciclo do Acucar. Vamos por mais uma sequencia genealogica:

1,370 Fernao Coelho, 1o. senhor de Felgueiras e Vieira – Catarina de Freitas
1,420 Martim Coelho – Joana de Azevedo
1,435 Goncalo Coelho – (Violante Magalhaes)
1,480 Duarte Coelho, senhor de Pernambuco – Beatriz de Albuquerque
1,539 Jorge de Albuquerque Coelho – D. Catarina da Silva
1,591 Duarte de Albuquerque Coelho, conde de Pernambuco – D. Joana de Castro

Eu comecei do Fernao Coelho e Catarina de Freitas agora porque eles ja estao presentes no capitulo 5, como ancestrais do Jose Coelho de Magalhaes e no capitulo 7, como avos do Nicolau Coelho, o piloto de navio das viagens do D. Vasco da Gama e Pedro Alvares Cabral. Entao, o Duarte Coelho era parente proximo do Nicolau. Temos que tomar cuidado aqui para nao afirmar que Violante Magalhaes fosse a mae do Duarte Coelho. Possivelmente nao era. Ele era filho do Goncalo Coelho, 3o. senhor de Felgueiras e Vieira, mas ninguem tem certeza do nome materno.

Duarte Coelho foi chamado pelo rei D. Sebastiao de Portugal para ajuda-lo em sua aventura desastrosa no Norte da Africa, onde ele desapareceu. A morte de D. Sebastiao acabou sendo aproveitada pelo Felipe II para unificar as duas coroas. No periodo de 1.580 a 1,640 Portugal e Espanha formaram a Uniao Iberica sob a coroa espanhola. Este periodo eh classificado com Dinastia Filipina, porque Portugal foi administrado por tres reis da Espanha com nome Felipe.

Em Pernambuco, Duarte Coelho fundou sua capital, Olinda. A lenda diz que, `a primeira vista ele disse admirado: “Oh Linda!”, ai o nome ficou cravado. Provavelmente, ele levou com ele uma familia de colonizadores que assinava Barbalho. A Familia Barbalho esta presente no proximo capitulo da Historia do Brasil, mas eh muito ignorada pelos historiadores fora do Estado da Bahia. A familia tambem tem uma ligacao importante com a Historia de Nova Iorque, apesar de ser indiretamente.

Somente para ilustrar a ignorancia dos fatos que ajudaram a construir a nossa Historia comum, eu contarei aqui um acontecimento comigo nos Estados Unidos. Vi uma propaganda na tv do Historical Research Corp. dizendo que: nos podiamos contata-los e eles mandariam algo a respeito da origem dos nomes de nossa familia. Ainda, nos poderiamos ter uma segunda opcao, de graca. Ai eu pedi informacoes a respeito dos meus dois nomes: Magalhes e Barbalho. Do Magalhaes eles informaram corretamente, mas do Barbalho, vejam a resposta que me foi dada:

“O Historical Research Center tem pesquisado nomes por 20 anos. Nossos dados sao os mais completos do mundo nessa materia, contendo mais de 1.000.000 de sobrenomes de 135 paises e culturas diferentes. Cada nome eh pesquisado individualmente e informacoes especificas ligadas ao nome sao fornecidas.

Infelizmente, um dos sobrenomes pedido para informarmos a origem e darmos o certificado gratuito nao se encontra nos dados que temos. Estamos enviando sua ordem incompleta. Nossos dados sao constantemente atualizados com sobrenomes e informacoes a respeito dos nomes ja pesquisados. Para o estimado cliente, oferecemos 25% de desconto se voce desejar fazer o pedido para um certificado celebratorio para o sobrenome que nao se encontra em nossos dados. Ordenando o certificado celebratorio para o nome, nossos pesquisadores irao compor um documento que contera informacoes fascinantes a respeito do nome, incluindo os dados mais antigos documentados e as razoes para os fatos, o significado e a origem, nomes de pessoas importantes que usaram a assinatura, dados imigratorios e variacoes na escrita do nome. Nos tambem fornecemos uma descricao escrita do escudo da familia e uma estampa colorida deste escudo. Colocando um pedido do registro celebratorio para este sobrenome nos o adicionaremos em nossos dados e outros membros de sua familia poderao obter as mesmas informacoes a respeito desse sobrenome.”

Ta bom! Isso nao passa de uma correspondencia comercial. Mas eu esperaria algo mais de qualquer um que alegasse ter mais de 1.000.000 de sobrenomes em seu banco de dados. O escudo da familia eu encontrei posteriormente no blog de um de meus contatos no Brasil. O nome dele eh Ormuz Barbalho Simonetti. Ha tambem no Orkut uma comunidade em nome da familia que tambem mostra o escudo. Na internet brasileira encontramos muitas informacoes a respeito do nome, infelizmente, a maioria em nome de certo politico que foi defenestrado por ma conduta. Continuemos a nossa historia para depois mostrar a ligacao entre a familia Barbalho e a Historia de Nova Iorque.

Infelizmente, o que parece sucesso aos Brasileiros nao trouxe bons resultados para a Africa. O cultivo da cana-de-acucar naquele tempo, da mesma forma que qualquer outra atividade, demandava muita mao-de-obra bracal e os europeus fizeram opcao por importar escravos de la, porque seria muito mais dificil escravizar os nativos na propria terra deles. Desde entao, os africanos foram escambados pelos proprios produtos da cana como a cachaca ou pelo dinheiro que rendia.

A comercializacao nao era apenas nojenta por reduzir a pessoa humana a tamanho disrespeito. Isso levou `a disrupcao da sociedade africana. Levou guerras ao continente e aventureiros com uma unica coisa na cabeca, ganhar dinheiro facil. A Africa tornou-se refem da loucura de nossos ancestrais por, pelo menos, quatro seculos e meio.

Depois dos resultados negativos da maioria das Capitanias Hereditarias no Brasil, a coroa portuguesa decidiu mudar de tatica de colonizacao. Assim, foi nomeado um Governador-Geral que tinha o poder de um vice-rei. O escolhido para ocupar o cargo foi Tome de Sousa. Alguns ancestrais dele eram os mesmos ancestrais do Martim Afonso de Sousa, comecando por Alfonso III e Madragana. Ele foi para o Brasil em 1.549 com 1.000 pessoas. Eram militares, sacerdotes (os primeiros Jesuitas no Brasil), colonos e 400 exilados por crimes menores em Portugal.

Tome de Sousa fundou a cidade de Sao Salvador que continua como capital da Bahia. Ali era um ponto estrategico, equidistante entre Sao Vicente no sul e Olinda no norte. Ela veio a ser a primeira capital do Brasil e permaneceu ate `a proxima fase da Historia do Brasil, quando a capital foi transferida para o Rio de Janeiro. Tome ficou no Brasil so 4 anos, a partir de 1.549. Depois ele retornou a Portugal e permaneceu como conselheiro do rei para assuntos brasileiros. E ele aconselhou a criacao de mais vilas para atrair mais colonos.

Naquele tempo, Portugal estava com problemas por causa da competicao no comercio oriental, os espanhois estavam tendo sucesso na obtencao das riquezas minerais das Americas e o Brasil estava cercado pelos outros europeus, que tambem queriam colonizar as Americas. Os ingleses, franceses e holandeses nao reconheciam o Tratado de Tordesilhas, alegando que eles nunca tinham ouvido falar no Testamento de Adao que desse o monopolio `a Espanha e Portugal. Este eh um dos sinais da nossa Historia comum. A lei sempre sera suprema, ate que os interesses se tormam superiores.

Um problema que Tome de Sousa encontrou no Brasil foi a falta de respeito com as leis. Um de seus companheiros: Pero Borges, o responsavel pelos assuntos juridicos, expressou numa carta ao rei algo assim: “Existem nestas terras muitos homens casados no reino que estao vivendo aqui por muitos dias, fazendo nada para viver e ainda vivendo em concubinato com, pelo menos, um par de gentias, tornando-se, pois, piores que os gentios…”

Pero Borges pediu punicao para todo mundo mas o rei Joao III, inteligentemente, deu anistia a tudo o que fora feito antes da presenca de Tome de Sousa naquela terra, exceto por: “cinco casos de heresia, traicao, moeda falsa e morte de homem cristao”. Ele estava muito bem informado do quao dura a vida parecia para aqueles tao longe de casa e sabia ser mais sabio ter aquela gente corajosa como aliada que como inimiga. E depois isso deu bom retorno.

Desde o comeco da colonizacao no Brasil, como eu mencionei antes, tambem a genetica brasileira comecou a ser formada. E tambem a lingua portuguesa comecou a ganhar palavras novas para definir situacoes novas. Os filhos de portugueses com as nativas precisavam definicao. E eles comecaram a chama-los de caboclos (as). Desde que os africanos foram levados para o Brasil em condicao de escravos, logo perceberam ser mais inteligente levar tambem as africanas porque era mais barato produzir criancas escravas no Brasil que importar o original.

Porem, um numero muito maior de europeus andava pelo Brasil que mulheres brancas. O portugues nao se envergonhava de fazer sexo com qualquer linhagem feminina. Desse relacionamento formou-se o mulato (a). Mesmo apos os seculos se passarem, pessoas ricas que tinham muitos escravos continuaram fazendo concubinas em suas senzalas. Para os brasileiros, o casamento ou relacionamento interracial nao era nada do que se admirar. Isso passou a ser preconceito depois, quando mais europeus chegaram ao Brasil e foi formada uma elite mais clara.

Mesmo assim, o preconceito no Brasil foi amaciado pela maior presenca da populacao produzida pelos casamentos interraciais. Ate eu pude constatar isso em minha juventude quando a musica brasileira era repleta de tres palavras: mulata, cabocla e saudade. Naquele tempo, os homens nao sonhavam com Cinderela, Branca de Neve ou Bela Adormecida. Estas sempre foram estorias para criancas. Nossas princesas eram reconhecidas por suas geneticas. O que se dizia era isso, era quase impossivel para o homem resistir ao charme da mulata ou cabocla.

Eu penso que os americanos experimentaram o poder magico do resultado do casamento interracial na eleicao presidencial de 2008. O presidente Obama comete um erro identificando-se como preto. Ele eh mulato, o que nao eh ruim ou bom. Ele eh apenas a prova de que, quando o amor existe todas as fronteiras desaparecem. O amor nao se importa com barreiras. Voltarei a esse assunto posteriormente.

Saudade eh uma palavra que os brasileiros acreditavam nao existir nas outras linguagens. Isso eh o sentimento tamanho da falta de alguem ou de alguma coisa que chega perto de ser uma doenca. Era o sentimento dos africanos e portugueses a respeito de suas terras de nascimentos e seus parentes. Eh um sentimento do fundo do coracao indigena pela perda de sua liberdade. Agora eh o sentimento de todos que sao resultados dos casamentos interraciais.

Entao, com a riqueza das terras e a beleza da paisagem, o Brasil instigava a avareza dos outros povos europeus. Nos temos um capitulo dedicado `as tentativas de invasao das terras brasileiras. Nos temos dois capitulos na Historia Brasileira chamados: Invasoes Francesas e Invasoes Holandesas.

As Invasoes Francesas tiveram alguma influencia na Historia Brasileira. Desde que Martim Afonso de Sousa esteve no Brasil ele havia recomendado a construcao de uma cidade na Baia de Guanabara. Mas os indegenas do lugar nao tinham afinidades como os portugueses e o assunto nao passou de projeto. No tempo do segundo governador-geral, Duarte da Costa, um frances, Nicolas Durand de Villegagnon, que ja conhecia o lugar, convenceu alguns a estabelecer uma colonia francesa la. O nome desse projeto foi Franca Antartica.

E eles comecaram construindo um forte, fizeram contato com as tribos que nao gostavam dos portugueses, faziam trocas com os indios por mercadorias locais e mandaram para a Franca. O comercio estava se desenvolvendo bem, ate que o terceiro governador-geral do Brasil nao chegou. O nome dele era Mem de Sa, e uma pequena parte da genealogia dele eh mostrada na proxima sequencia genetica:

1,500 Mem de Sa – Guiomar de Faria
1,460 Goncalves Mendes de Sa – esposa desconhecida
1,410 Joao Goncalves de Miranda Sotomaior – Filipa de Sa
1,380 Fernao Anes Sotomaior – Constanza de Zuniga
1,340 Pedro Alvares de Sotomaior – 1,360 Elvira Mendes de Benevides
1,310 Fernan Anes de Sotomaior – Maria Anes da Novoa
Alvaro Pires de Sotomaior – Ines Anes de Castro
1,290 Elvira Anes Marinho – Pedro Alvares de Sotomaior
1,270 Joao Pires Marinho – Teresa Pais Marinho
1,250 Sancha Vasques Sarraza – D. Pedro Anes Marinho
1,230 Vasco Peres Sarraza – nao identificada Anes da Novoa
1,210 Pedro Soares Sarraza – Elvira Nunes Maldonado
1,190 Maria Alfonso de Leon – Soeiro Aires de Valadares
1,171 Alfonso IX, rei de Leon e Castela – D. Teresa Gil de Soverosa
1,151 D. Urraca, Infanta de Portugal – Fernando II, rei de Leon
1,109 D. Afonso Henriques, 1o. rei de Portugal – Mafalda de Sovoia

Frequentemente, os nobres nao estao ligados por apenas uma linhagem `as familias reais. No caso do Mem de Sa isso nao eh diferente. Uma das alternativas que o ligam `as familias reais eh mostrada pela sequencia genealogica abaixo. Comecando por D. Sancho I, segundo rei de Portugal, que tambem era filho de D. Afonso e Mafalda de Savoia.

1,154 D. Sancho I, rei de Portugal – D. Maria Pais Ribeira, a Ribeirinha
1,205 D. Teresa Sanches – Alfonso Tellez
1,225 D. Joao Telo de Menezes – Elvira Goncalves Giron
1,250 D. Goncalo Anes Raposo – D. Urraca Fernandes de Lima
1,280 D. Beatriz Goncalves Raposo – Joao Pires da Novoa
1,310 Maria Anes da Novoa – Fernan Anes de Sotomaior

O ultimo casal ja esta na sequencia genealogica anterior por ser tetravo do Mem de Sa duas vezes. E se prestarmos melhor atencao aos outros nomes nos podemos ver tambem ligacoes com as sequencias genealogicas apresentadas para os navegadores. Como eu ja disse, todo mundo eh parente, de uma ou outra maneira.

Mem de Sa teve que fazer a seguranca do resto da costa brasileira e pacificar tribos revoltadas em torno da capital Salvador. Ele enviou o sobrinho, Estacio de Sa, para lidar com o problema frances. Estacio fez uma alianca com indigenas do Espirito Santo e pediu socorro de Sao Vicente. Eles conseguiram destruir o Fort Coligny, construido por Villegagnon. Tambem fundou uma nova cidade com nome em homenagem ao infante rei, D. Sebastiao. Assim surgiu a cidade de Sao Sebastiao do Rio de Janeiro. Posteriormente o nome foi reduzido para Rio de Janeiro.

Mas este foi apenas o principio da guerra. Os colonos franceses se embrenharam nas matas junto com seus aliados indigenas onde eles continuaram fazendo comercio e atacando os colonos portugueses. Estacio de Sa reorganizou a defesa e continuou a luta ate que os franceses fossem totalmente vencidos. Ele teve a ajuda de dois jesuitas: Manoel da Nobrega e Jose de Anchieta. Os dois sao veradeiras lendas no Brasil. Sao eles que catequizaram os indios, os organizaram em povoacoes semelhantes `as europeias e os introduziram `a cultura europeia.

Mesmo que o trabalho dos jesuitas tenha reduzido os indigenas a um grau de menor importancia na sociedade brasileira , por outro lado, eles tentaram impedir a escravidao deles. Eles nunca conseguiram impor essa vontade e os descendentes de portugueses com indios foram os responsaveis por conquistar o interior do Brasil de forma nada amigavel para os outros indios de la. Outro nome daquele tempo foi o cacique Arariboia. Por ter ajudado ao Estacio de Sa ele foi presenteado com terras proximas ao Rio de Janeiro. Ele fundou uma povoacao que agora eh Niteroi, ex-capital do Estado do Rio de Janeiro.

No final da conquista, Estacio de Sa morreu em consequencia das feridas de batalha. Mas os franceses foram expulsos. Posteriormente eles tentaram outra invasao no Nordeste do Brasil onde tiveram mais sucesso. Fundaram a Cidade de Sao Luiz, agora a capital do Maranhao. La eles planejaram estabelecer a colonia com nome de Franca Equinocial. E foram expulsos de la em 1.616 pelos portugueses. Por fim acabaram encontrando um lugar na America do Sul que se tornou a Guiana Francesa. Brasileiros e franceses tiveram outros entreveros em seus relacionamentos mas nada mais serio quanto estes primeiros.

Agora, voltemos aos negocios. O titulo do capitulo promete algo a respeito do comeco de Nova Iorque e dos Estados Unidos. Mas esse comeco se da na Europa com a bagunca criada em torno das questoes religiosa e do poder economico. Quando o Carlos I, o Kaiser e rei da Espanha deixou o poder, Felipe II, rei da Espanha, herdou a Espanha e o que depois ficou conhecido como Paises Baixos. E la existia uma certa liberdade economica e religiosa. Mas o Felipe II nao concordava com a ideia. Entao, as partes nortes da possessao declararam sua independencia.

Eles tiveram oito anos de guerra, apos 1.581, contra as forcas do Felipe II. E a guerra foi espalhada mundo afora. Tambem se diz que, a guerra contra a Espanha criou o sentimento de nacionalismo que criou uma nova nacao. Mas um componente fundamental dessa nova nacao foi a criacao da primeira multinacional do mundo. A Companhia das Indias Ocidentais. E a companhia comecou a buscar outra via de ir `a India e encontrou um otimo campo de trocas de peles no Estado de Nova Iorque, em torno do Rio Hadson. A companhia foi a responsavel pelo inicio da colonizacao, fixando colonos e distribuindo terras para eles trabalharem. Eles sao os responsaveis pela fundacao da Nova Amsterda que se tornou Nova Iorque depois que a colonia foi tomada pelo rei ingles. Fundaram tambem Nova Orange, que hoje eh Albany, a capital do Estado de Nova Iorque.

Nao podemos esquecer que, aquela multinacional tinha um capital imenso. Da metade do seculo XVI ate que a Inglaterra tomou o poder, os holandeses foram a maior forca naval do mundo. Talvez Felipe II tenha construido a maior marinha de guerra naquele tempo mas os holandeses controlavam a marinha mercante associada a outra de guerra. E depois que a Armada Invencivel do Felipe II foi afundada pela Marinha Inglesa, os Holandeses dominaram o comercio ao redor do mundo.

Os holandeses tambem sao responsaveis por tres tentativas de invasao do Brasil. Eles haviam investido na producao do acucar e desde que estavam em guerra contra a Espanha, e o Brasil virou uma colonia dela na Uniao Iberica, eles pensaram que tivessem o direito de retaliar o rei Felipe II pela proibicao do comercio entre os holandeses e as possessoes sob o controle daquele rei.

A primeira tentativa deles foi contra a capital, Salvador, na Bahia. Isso aconteceu durante os anos de 1.624 a 1,625 mas a populacao repeliu o ataque. A operacao custou caro para a companhia mas em 1.630 eles conseguiram interseptar o carregamento inteiro de um ano de exploracao de prata das colonias espanholas. E usaram isso para financiar a Invasao da Capitania de Pernambuco. Durante 24 anos a colonia foi dominada pelos holandeses.

A principio a resistencia foi feita pela populacao. Basicamente foi liderada pelos Senhores de Engenho. A resistencia nao tinha um comando unificado. Cada lider tinha seu grupo e atacava `a moda dos indios, estilo guerrilha. Isso manteve os holandeses restritos `a imediacao de Olinda. Mas com o prolongamento da guerra alguns Senhores de Engenho aderiram `a causa dos holandeses.

Entre 1.637 a 1.644, e os brasileiros celebram isso, foi o periodo da presenca do conde Joao Mauricio de Nassau que teve uma boa administracao para o povo. Ele remodelou a Cidade de Olinda e seu porto, Recife. Posteriormente, Recife virou a capital do Estado. Ele foi tolerante em questoes religiosas e abriu a colonia para a imigracao de protestantes e judeus. Inclusive esta em Pernambuco a Sinagoga mais antiga das Americas.

A monarquia portuguesa foi restaurada em 1.640, findando 60 anos de dominio da coroa espanhola. Os brasileiros aderiram ao partido do duque de Braganca que se tornou rei sob o nome de Joao IV. Mas os holandeses conquistaram mais terras, tomando toda a area costal entre Pernambuco ate ao Estado do Maranhao, incluindo-se a capital, Sao Luiz. Dai eles comecaram a invasao do interior. Isso revoltou a populacao. Alguns lideres se mudaram para Salvador na Bahia.

O conde Joao Mauricio de Nassau visualizou uma colonia mais potente se ele tambem tomasse Salvador. E preparou uma nova expedicao `a cidade com sua forca principal, muitas vezes superior que a luso-brasileira. Do lado dos brasileiros, porem, estava um militar experiente cujo nome era: Luis Barbalho Bezerra. Luis organizou a defesa e entregou a Nassau uma vitoria de Pirro. A vitoria nao lhes deu premio porque os holandeses nao foram capazes de se impor em Salvador e os custos foram tao altos que Nassau foi chamado de volta para Holanda.

Entao, a situacao deteriorou quando a nova administracao da companhia resolveu aumentar os impostos e liquidar os emprestimos concedidos aos Senhores de Engenho. O povo brasileiro se juntou dessa vez e a nacionalidade brasileira comecou a ser construida. Os livros de Historia sempre mencionam tres lideres da revolta: o senhor de engenho Andre Vidal de Negreiros, o nativo Felipe Camarao e o africano, Henrique Dias. Eles representam todo o povo, com toda a sua genetica, que lutou para libertar o Brasil da colonizacao holandesa.

Eh aceito como final da guerra a data de 1.654 mas somente em 1.664 foi assinado o tratado final e Portugal concordou em pagar 63 toneladas de ouro pelas benfeitorias que tinham feito no Brasil. Isso foi pago em 40 anos com a producao de acucar. Com o fim da dominacao holandesa, muitos judeus e protestantes mudaram-se para Nova Amsterda. Os holandeses que haviam aprendido o processo de producao do acucar a tranferiram para suas ilhas no Caribe. Quando o acucar era praticamente um monopolio brasileiro o produto valia quase como ouro, chegando a custar por volta de R$ 250,00 o quilo em dinheiro atual. Desde entao a producao aumentou muito e o preco caiu. E isso levou ao fim do Ciclo da Cana-de-acucar no Brasil.

Luiz Barbalho Bezerra, o heroi, perdeu a saude e a fortuna na guerra. Muito antes do termino ele mudou para o Rio de Janeiro onde foi governador entre 1.643 a 1.644 quando do seu falecimento. Deixou dois filhos jovens: Agostinho e Jeronimo Barbalho Bezerra que herdaram o prestigio do pai. Agostinho depois tambem foi governador do Rio de Janeiro e morreu de uma febre desconhecida enquanto estava procurando por metais e gemas preciosas no Rio Doce, na altura do Espirito Santo.

Jeronimo foi lider de uma importante revolta chamada: “A Revolta da Cachaca”, no Rio de Janeiro. Esta revolta foi causada pela corrupcao na administracao. Ele foi enforcado numa contra-revolta lancada pelo governador deposto pela revolta, enquanto eles estavam esperando por uma decisao da coroa portuguesa. A razao foi dada ao povo revoltado do Rio de Janeiro, que removeu o governador corrupto do poder. Mais tarde nos veremos que grande numero de mineiros sao descendentes desses Barbalho Bezerra.

Do lado americano, antes do pais ter Estados e ainda menos Unidos, o rei Carlos II da Inglaterra foi o responsavel pela unificacao das colonias, tomando o controle delas. Das treze colonias iniciais, quatro foram criadas a partir do territorio da Nova Inglaterra. Como sabemos, esta parte do pais foi colonizada por uma populacao faminta por liberdade religiosa. Mas o que ela desejava mesmo era a liberdade religiosa para si mesma porque os Pilgrims nao sao conhecidos por tolerancia com as outras religioes. Da Nova Inglaterra surgiram as colonias de New Hampshire, Massachusetts, Rhode Island e Connecticut.

As outras oito, ao sul e oeste de Nova Iorque, foram mais diversificadas mas nao tinham vontade alguma de fazer do pais um Estado Democratico, onde todos poderiam viver igualmente como criaturas de Deus. Os nomes delas sao: Nova Jersey, Pennsylvania, Delaware, Maryland, Virginia Carolina do Norte, Carolina do Sul e Georgia. Nova Iorque, a ultima das 13 colonias a aderir `a Uniao de todas, teve influencia fundamental: intelectual, religiosa e economica na constituicao das liberdades nos Estados Unidos. Sem os principios de liberdade estabelecidos pelos fundadores na Constituicao, provavelmente, os Estados Unidos jamais seriam o grande pais de hoje.

E, de alguma forma, os Estados Unidos sao um produto de todos os capitulos da Historia que precederam sua criacao. Ate, mesmo que em menor grau de importancia, do capitulo da Historia do Brasil chamado de “Invasoes Holandesas” e “Insurreicao Pernambucana” que foi liderada por brancos, indios e negros, contra imposicoes economicas. Ironicamente, o opressor no Brasil trouxe brasileiros para os Estados Unidos cujos descendentes depois ajudaram a criar essa nobre nacao. E, inadivertidamente, a Familia Barbalho esteve envolvida em toda a Historia dos Estados Unidos.

Somente apos 1.664 Carlos II da Inglaterra tomou dos holandeses a Colonia da Nova Holanda. Ela foi rebatizada por Nova Iorque em homenagem ao duque de York e Albany. Os holandeses reconquistaram a provincia durante os anos de 1.673 e 1.674 quando trocaram-na pelo que hoje eh Suriname, no norte da America do Sul. Para terminar esse capitulo quero mostrar mais uma sequencia genealogica.

1,630 Carlos II, rei da Inglaterra – D. Catarina de Braganca, Infanta de Portugal
1,600 Carlos I, rei da Inglaterra – Henriett Marie de Bourbon – princesa da Franca
1,566 Jaime I, rei da Inglaterra, Escocia e Irlanda – Anna, princesa da Dinamarca
1,545 Henry Stewart, duque de Albany – Mary Stewart, rainha da Escocia
1,516 Matthew Stewart, 4o. senhor de Lennox – Margaret Douglas
1,490 John Stewart, 3o. senhor de Lennox – Anne (Elizabeth) Stewart
1,475 Elizabeth Hamilton – Matthew Stewart, 2o. senhor de Lennox
1,450 Mary Stewart, princesa da Escocia – Jaime Hamilton, 1o. barao de Hamilton
1,430 Jaime II Stewart, rei da Escocia – Maria van Egmond
Joan Beaufort – 1,394 Jaime I Stewart, rei da Escocia
1,373 John Beaufort, 1o. senhor de Somerset – Margaret Holland
1,340 John of Gand, duque de Lancaster – Catherine Swinford Roelt
1,312 Edward III, rei da Inglaterra – Philippa de Hainaut
1,284 Edward II, rei da Inglaterra – Isabelle, princesa da Franca
1,240 (?)Leonor, princesa de Castela – Edward I, rei da Inglaterra
1,200 Fernando III, o Santo, rei de Castela – Jeanne d’Aumale, condessa de Ponthieu
1,171 Alfonso IX, rei de Leon e Castela – Berengaria, princesa de Castela
1,151 D. Urraca, Infanta de Portugal – 1,137 Fernando II, rei de Leon
1,109 D. Afonso Henriques, 1o. rei de Portugal – Mafalda da Savoia

A linhagem postada acima nao mostra as muitas vezes que Carlos II eh descendente dos mesmos reis de Portugal e Espanha. Somente quando a gente segue cada uma das linhagens maternais dele eh que podemos ver isso. D. Catarina de Braganca, esposa dele, era filha do primeiro rei de Portugal depois da restauracao em 1.640, rei Joao IV e sua esposa Luisa de Guzman. Carlos II nao teve filhos com D. Catarina mas teve 8 concubinas e foi pai de 15 filhos. E isso nao era uma excecao para o comportamento dos reis do tempo dele. Assim, podemos imaginar: por que nao pode todo e qualquer um de nos ser descendente de tamanha “produtividade”!?

INDICE

01. INTRODUCAO
02. A AMERICA SUICIDA
03. UM BOCADINHO A RESPEITO DE GENEALOGIA HUMANA
04. O QUE EH SER UM EUROPEU?
05. UM POUQUINHO DE GENEALOGIA EUROPEIA
06. UM FUTURO MELHOR PARA NOSSO FILHOS E…
07. UMA PEQUENA QUANTIDADE DE GENEALOGIA IBERICA
08. SECULOS E PESSOAS QUE AJUDARAM A FORMAR NOSSA HISTORIA EM COMUM
08. O COMECO DE NOVA IORQUE E ESTADOS UNIDOS

01. INTRODUCAO

Este pode ser o ultimo livro que escreverei. Apesar do nome do livro eu nao estou planejando “sair de cena”. A razao para ele poder ser o ultimo eh muito simples. Eu nao me lembro desde quando eu escrevo em minha vida sem nunca ter recebido qualquer pagamento. Eu tenho escrito pelo prazer de oferecer conselhos e na intencao de ser util `as pessoas que nem sequer conheco e a amigos. Porem, isso comecou a tomar muito do meu tempo. E eu tenho uma vida independente. Uma vida que muitos chamam de moderna. Uma vida tao moderna que temos que pagar por tudo que a gente usa. Algumas vezes pagamos ate por aquilo que nunca usaremos. Coisas que nem sempre sao essenciais. E o custo disso nao eh barato. E tempo eh dinheiro.

Falando nisso, escrever tem sido um passatempo que eu tenho tido que pagar por ele. Como um pai responsavel, sera preciso que eu sacrifique meu prazer em favor de um futuro mais seguro para minha descendencia.

Esta escrita esta coincidindo com a minha naturalizao como americano. Isso deve ocorrer em primeiro de setembro de 2011, hoje eh dia 11 de agosto, e nao serei capaz de terminar o livro antes daquela data. Nao sei se tornar-me naturalizado ira ser suficiente para que os outros nao me venham com a velha desculpa para desacreditar-me dizendo: “Ah, ele nao eh americano!” Mas eu prefiro olhar as coisas atraves dos angulos positivos. Como americano novo ninguem podera acusar-me de inveja por nao se-lo.

Outro lado positivo eh este, eu poderei me tornar um brasilianista com informacoes que os nascidos americanos nao possuem.

Nada eh novo para mim mas eh sempre interessante saber que, a liberdade de expressao “eh um direito ou liberdade garantido pelo primeiro adendo” da nossa constituicao. Observe-se que a liberdade de expressao eh um direito de todos que vivem nos Estados Unidos. Nao importa que tenha ou nao documentacao. Finalmente, “comunicar sua opiniao sobre qualquer assunto a um funcionario eleito” eh uma “maneira de os americanos participarem da construcao de sua democracia”. Em minha forma de pensar, dar uma opiniao eh meu direito em primeiro lugar. E tambem eh uma responsabilidade, em segundo. Tudo isso esta no folheto: “Aprenda a Respeito das Licoes Civicas Fundamentais para o Teste de Naturalizacao” autorizado pelo Departamento de Seguranca Publica dos Estados Unidos [Reparticao de Servicos de Imigracao e Cidadania].

Eu vou oferecer este conselho a todos os funcionarios eleitos, especialmente aos presidentes.

Mas algumas coisas precisam ficar absolutamente claras aqui. Nao sou doutor em nada. Nada sei alem da minha propria experiencia de vida. As opinioes que irei expor nestes escritos nao pertencem a nenhuma instituicao ou nacionalidade. Sou o unico responsavel por pensa-las e escreve-las. A responsabilidade no ler e entender nao serao minhas. Assim, eu pedirei licenca aos leitores para compreenderem algumas incorrecoes no uso das palavras que poderao leva-los a alguma conclusao errada. Eh preciso que entendam que eu vim para esse pais depois de completar 35 anos, sem saber quase nada de ingles. E o que eu sei agora foi atraves da pratica e nao da escola. Como estou familiarizado com o escrever em portugues, eu sei que uma pequena troca na ordem das palavras pode levar a uma grande diferenca no que se quer dizer. Portanto, desconsiderem quando eu escrever homem grande em lugar de grande homem. Em portugues nos temos a mesma diferenca. Voce deve escrever homem grande quando quer dizer “big man” e grande homem quando a intencao eh “great man”.

O conteudo que eu pretendo por nesse livro esta relacionado com Historia, economia, politica, migracao, orgulho e preconceito. Talvez, um bocadinho de genealogia. Tambem usarei um pouco da minha autobiografia. Tentarei evitar citar nomes quando isso nao for essencial. Em outros casos eu ficarei feliz em dar nome aos bois quando isso se tornar importante para identificar de quem estarei falando.

Como eu nao conheco os detalhes das Historias de outros paises, melhor dizendo, eu conheco alguma coisa a respeito da Historia Mundial mas nao conheco os detalhes das Historias dos paises individualmente. Vou precisar usar a Historia do Brasil, que eh a que melhor conheco, para fazer alguma comparacao. Nao penso comparar Estados Unidos com Brasil. Mas quero destacar eventos onde os dois caminharam juntos em suas Historias, ou mostrar fatos ocorridos num deles e isso atingiu o outro. Imagino que em alguns dos fatos historicos muitos dos outros paises estavam juntos, acompanhando os Estados Unidos, mas me fogem certos detalhes ate mesmo destas parcerias com o Brasil.

Eh parte da minha intencao organizar o que penso em cronicas separadas. Cada uma tratando de um assunto diferente. Tentarei colocar os acontecimentos em ordem cronologica. Assim, os leitores poderam ler os artigos separadamente. Porem, sera preciso ler a obra completa para compreender melhor o conteudo.

Alguns que irao ler este livro deverao sentir-se ofendidos por minhas opinioes. Esta nao eh a minha vontade. Eh um problema na natureza humana. Algumas pessoas sao incapazes de aceitar o pensamento diferente do delas. Elas pensam que o mundo nas mentes delas eh o melhor. Entao, tudo o que pareca contradizer isso eh tratado como abominacao. Eu nao posso controlar os sentimentos dos outros. Tento controlar os meus deixando os outros terem as proprias opinioes mesmo sem concordar com elas. Se alguem desejar por em pratos limpos as nossas razoes, civilizadamente, eu estou totalmente aberto para a ideia.

Algumas das pessoas contrarias quererao assumir que meus escritos tem a finalidade de atingir aos Estados Unidos. Talvez elas irao pensar assim: Ele eh parte de complo, assim como em algumas teorias de conspiracao, com a finalidade de enfraquecer a imagem americana perante ao mundo. Estou escrevendo isso em antecipacao para que nao tenham a desculpa, e saibam que penso assim: sou totalmente favoravel `a verdade. Eu nao imagino a verdade feita para prejudicar. O que prejudica eh ver a verdade e nega-la. O que prejudica eh ver a verdade e nao assumir a responsabilidade frente a ela. Aqueles que veem a verdade e assumem suas responsabilidades frente a ela sao os que sao dignificados pelo respeito.

Em todo caso, eu tenho duas grandes razoes para nao prejudicar aos Estados Unidos. A primeira eh que sou nascido brasileiro. Se alguem pensa que estou escrevendo para prejudicar aos Estados Unidos sera porque tambem pensa que eu faria isso, nao sei como, para beneficiar ao Brasil. Para estes que nada sabem a respeito das relacoes existentes entre Brasil e Estados Unidos, precisam saber isso: o Brasil tem uma reserva monetaria de aproximadamente 320 bilhoes de dolares. E esta eh a unica salvaguarda dele. Dois tercos disso estao investidos em papeis do governo americano. Prejudicar aos Estados Unidos resultaria em prejudicar ao Brasil. O Brasil esta tomando um risco muito serio ao ajudar aos Estados Unidos dessa maneira, no momento de dificuldade deles. Se os Estados Unidos for para o buraco, quase certamente, o Brasil ficara na beira do abismo. Eu nao faria o mesmo que o Brasil esta fazendo senao por familiares ou grande amizade.

Outra razao a meu favor eh esta. Sou pai de dois filhos. Sao os unicos que tenho. Nasceram e vivem nos Estados Unidos, e nunca disse a eles para serem mais brasileiros que americanos. Eu nao faco pressao em nenhum deles. Se algum dia eles sentirem a necessidade de escolher entre um pais ou outro, esta decisao sera deles, nao minha. O que eu quero eh o melhor para eles, mas a escolha eh deles. Assim como eu nunca prejudicaria meus filhos tambem nao quero prejuizos para os paises deles.

Particularmente, penso que a melhor maneira de solucionar nossos problemas eh ficarmos juntos. Paises e povos. Ate agora, o que nos tem sido dito eh isso, nos temos que competir para que isso faca de nos os melhores. Nao concordo com isso em nenhum sentido. Competir implica nisso, alguem ficara prejudicado nalguma forma. Eu sou a favor de trabalharmos juntos. Todo mundo trabalha. E o premio eh repartido com todos. Todas as vezes que se compete ninguem leva o premio melhor. Quando voce esta competindo gasta energia em excesso fazendo coisas que prejudicam a voce mesmo. Se esta energia, esperdicada pelos dois lados, for usada para coisas boas, o premio sempre sera dobrado ou triplicado.

02. A AMERICA SUICIDA

Este capitulo nao obedecera a minha intencao de postar tudo em ordem cronologica. Servira para explicar o nome da obra e tracar um paralelo de uma questao muito importante para a saude publica americana.

Eu estou acostumado a ouvir a 90.9 FM, Radio da Universidade de Boston. Todas as vezes que estou dirigindo estou ouvindo algo util. Tanto faz, noticias nacionais ou internacionais, programas de musica ou simples entrevistas. Geralmente eles entrevistam outores de best sellers, produtores de filmes ou qualquer assunto envolvendo cultura. E eh isso que eu gosto.

Tenho uma historia longa de aprendizado com eles. Logo depois de eu vir para os Estados Unidos eu descobri a 89.7 FM, Radio Publica, que transmite quase o mesmo conteudo. Isso ajudou-me a aprender ingles porque eles falam compassadamente, ai a gente pode ouvir palavra por palavra. Alem disso eu tinha o interesse em tomar conhecimento a respeito da maioria dos assuntos mostrados nestas radios. A minha unica tristeza eh essa, durante todos estes anos, quase 17, eu nunca tive dinheiro suficiente para contribuir com a causa destas radios.

Bem, so por coincidencia, ha pouco eu ouvi num programa de entrevistas a respeito do problema dos suicidios nos Estados Unidos. O entrevistado era um doutor que escreveu um livro com esse respeito. Infelizmente eu nao tinha tempo para ouvir a entrevista toda. Nao peguei nem o nome do autor. Pesquei apenas algumas informacoes importantes. Dai resolvi buscar mais informacoes no site da Fundacao Americana para Prevencao do Suicidio – AMERICAN FOUNDATION FOR SUICIDE PREVENTION – AFSP.

As estatisticas sao chocantes. As informacoes mais recentes sao do ano de 2007. Aproximadamente 34.000 americanos perderam suas vidas em suicidios. Isto eh a “11a. causa de mortes nos Estados Unidos.” “Suicidio eh a 4a. causa de mortes em adultos entre as idades de 18-65 anos. (28.628 suicidios).” “90% que morrem por suicidio tem alguma desordem psiquiatrica diagnosticavel no momento da morte deles.” “A proporcao eh de 4 suicidios masculinos para um feminimo, porem, as mulheres tentam o suicidio tres vezes mais que os homens.” “Ha uma estimativa entre 8-25 tentativas para cada morte causada por suicidio.”

O site tras muitas outras informacoes interessantes a respeito do problema, como: “Suicidio eh o 3a. causa de morte entre pessoas entre as idades de 15-24 anos.” Mas a conclusao deles era esta: “Estudos indicam que o melhor modo de previnir o suicidio eh atraves do reconhecimento antecipado e tratamento de depressoes e outras problemas psiquiatricos.”

Ouvindo a respeito do problema atraves da entrevista na 90.9 FM, as coisas nao parecem ser tao claras quanto os numeros estatisticos da AFSP. Primeiramente, o entrevistado deixou claro isso: ninguem sabe exatamente o que conduz uma pessoa ao suicidio. Ha uma teoria que diz que, isso eh resultado das pressoes dos nossos tempos. Poderia ser algo vinculado `a nossa era. Em oposicao a este ponto de vista ele salientou: existe uma tribo na regiao amazonica que riu quando soube que suicidio eh problema nos Estados Unidos. Eles nao poderiam entender porque nao conhecem nenhum caso de suicidio no meio deles. Para eles, suicidio eh tabu.

Quando o argumento de que o estilo de vida primitivo nao os levasse `as mesmas condicoes de pressao foi levantado, ele respondeu que esta alegacao nao se fundamenta em verdade. O pessoal na tribo esta nos limites da existencia. Frequentemente eh atacado por doencas tropicais. Metade das criancas morrem antes de chegar `a idade adulta. Afinal, eles sofrem tanta pressao quanto um novaiorquino. A diferenca seria esta, Nova Iorque oferece muito mais oportunidades de diversao que a Bacia Amazonica inteira.

O entrevistado ainda falou, que nao apenas aquela tribo especifica mas observando a humanidade como um todo a gente pode notar um alto grau de perseveranca em pessoas que estao `a beira da existencia material. Por que nao poderia ser igual nas sociedades de maior sucesso no mundo?! O suicidio nao eh problema apenas nos Estados Unidos.

Nao sei se o entrevistado disse alguma coisa relacionada a respeito da relacao entre o suicidio e tendencia genetica para ele. Os dados da AFSP nao mencionam isso. Quando eu vivia no Brasil lembro-me de tal mencao. Nao me lembro de quem falou, mas parece que algumas familias sofrem o problema com maior frequencia.

Na entrevista o doutor tambem falou que, frequentemente voce consegue identificar um fato que leva uma pessoa a decidir pelo suicidio mas nao se sabe de onde vem a vontade. Tambem falou que, apesar do suicidio ser o problema maior que o assassinato a gente nao ve isso no noticiario. Quando perguntado porque isso acontece, ele nao tinha certeza mas ofereceu uma explicacao. Poderia ser que no caso de assassinato ha a apresentacao de um vilao e uma vitima identificaveis. Assim fica mais facil trabalhar isso como noticia.

Eu proprio nao estou certo disso. A noticia de suicidio pode ser mais dificil de vender mas sendo maior o problema, entao, seria mais importante que o publico soubesse a verdade. O que parece eh que, apesar de nossa cultura ser avancada, nos temos os nossos tabus tambem. Ele nos desperta o medo porque o suicida eh nossa imagem e semelhanca.

O que me assombrou mais nos dados da AFSP eh o calculo de “8-25 tentativas de suicidio para cada fatalidade.” Isso implica dizer que entre 272.000 e 750.000 pessoas tentam o suicidio anualmente nos Estados Unidos. Eh um numero enorme! Mas se isso eh verdade, nao estou convencido que isso traduza a verdade por inteiro. Estou em duvida se a populacao americana esta afetada pela tendencia para o suicidio. Este comportamente altodestrutivo pode ser observado atraves do preconceito demonstrado pelo Partido do Cha (Tea Party), KKK, grupos neo-nazistas e setores do partido republicano.

Talvez o suicidio seja um comportamento inconsciente e nao intencional mas o resultado eh o mesmo se fosse. Essas pessoas maleficas talvez nao percebam o quanto as atitudes delas estao levando os Estados Unidos `a altodestruicao. Espero que o meu manifesto possa ajuda-las a reconsiderar seus preconceitos para que a autodestruicao nao aconteca.

No meu pobre ponto de vista, penso que assassinato e suicidio sao parte do mesmo problema. Sao resultantes de frustracoes. A resposta diferente esta nos autores serem mais egoistas ou mais altruistas. O altruista prefere acabar com a propria vida. O oposto eh observado nas pessoas egoistas. O bomba-suicida tem que ser considerado um caso aparte porque ele eh manipulado para fazer isso.

O doutor tambem disse que, qualquer que seja o numero de suicidios efetivos eh o dobro dos assassinatos. Sim, nos Estados Unidos sao mais frequentes que nos outros paises industrializados. Mas, nao interessa quao grande seja esse numero, suicidios vem em dobro.

Agora eu preciso especular um pouco. Sera que eh apenas isso? E se, somente se, ha algo muito maior por tras disso tudo? Se parte das mortes ditas acidentais nao forem outra coisa senao tentativas de suicidio bem sucedidas? Nao estou pensando apenas em acidentes de carro. Nos sabemos. A maioria dos acidentes de carro diz-se ter origem na alta velocidade. Mas se todo mundo sabe que a alta velocidade eh a causa numero de mortes, por que tantas pessoas continuam dirigindo acima da velocidade permitida em toda e qualquer estrada?

Por que pessoas continuam fumando sabendo que este eh um fator de risco para suas saudes? Todo mundo sabe ou ouviu falar a respeito do problema poluicao mas porque somente um pequeno numero de pessoas esta tirando de suas vidas alguns confortos modernos responsaveis pela poluicao? Eh muitissimo sabido que, se cada pessoa no mundo comecar a consumir igual a um americano medio nos nao teriamos como servir produtos a todo mundo. Tambem, por que isso nao se torna suficiente para as pessoas entenderem que o modelo de vida esta errado e precisa ser repensado? Por que tamanha resistencia contra a tecnologia limpa? Tudo isso e muitos outros assuntos nao poderiam ser postos como tentativas de suicidio?

Eu realmente penso assim. Eu penso que existem dois tipos de suicidios. Um voce pode chamar de Sindrome Severa do Suicidio. Eh dela que o entrevistado e a AFSP cuidam. O outro eh a Sindrome Cronica para o Suicidio. Pode-se descrever essa assim: eu sei que morrerei um dia, eu quero isso mas nao tenho a coragem de comete-lo rapidamente, entao, melhor eh tomar um comportamento de risco que acabara me levando ao mesmo lugar onde outros decidem ir de forma drastica.

Eu penso que esse segundo tipo esta presente em pessoas como o George W. Bush, nas pessoas que controlam a Wall Street, etc. Estou em duvida quanto ao mesmo comportamento continuar presente na Casa Branca durante o governo do presidente Obama.!

O que eles ja fizeram e continuam fazendo parece ser um tipo de comportamento covarde. Parece nao quererem vida pacifica para eles proprios. Entao, transformam a vida dos outros em um inferno. Parece que eles pensam assim, ja que eu tenho que me ir, melhor eh carregar todo mundo comigo. Sozinho eu nao quero.

Nao culpo ninguem por estar programado para o suicidio. Penso que cada e todos nos guarda um plano secreto de contingencia de vida. A maioria apenas jamais ira usa-lo porque a vida sempre andara como pode e nao como a gente a deseja. Se eu pudesse dizer algo `as pessoas que estao nessa situacao, eu falaria isto: nao interessa o quao grande o problema que voce esta enfrentando lhe pareca, se voce der tempo ao tempo o problema ira passar por ele mesmo. Pense nalgum problema que voce tinha ha 10 anos atras. Possivelmente voce nem sequer se lembre dele. Mas se voce tentar contra sua propria vida e conseguir este objetivo, sera uma decisao da qual voce nao podera se arrepender porque eh uma decisao sem volta. Nao tente tomar decisoes definitivas em tempo de crise. Ninguem eh perfeito. Um julgamento ruim pode induzi-lo a criar um grande problema de uma situacao sem problema algum. Seja mais paciente.

A gente dar alguma interpretacao aos numeros mostrados no relatorio da AFSP e `as causas gerais de suicidio. Estas conclusoes nao foram baseadas em pesquisas apropriadas mas sim fruto das minhas proprias observacoes da vida moderna. No meu ponto de vista, as pessoas nas sociedades ditas primitivas se ajustam `as condicoes que o mundo oferece a elas. O ideal delas eh buscar a felicidade. Felicidade pode ser encontrada em coisas simples como familia, amizade, etc. “Busca pela felicidade” eh uma das respostas para a questao: “Quais sao dois entre os direitos estipulados na Declaracao da Independencia?” dos Estados Unidos.

Atualmente, nossa sociedade esta baseada em possuir as coisas. As pessoas estao passando a vida inteira procurando ter. Isso inclui ter outras pessoas para elas proprias. Para isso elas estao sacrificando as coisas simples da vida e nunca encontram satisfacao naquilo que fazem. Desta forma, a depressao se torna inevitavel e o que vem a acontecer depois serao apenas as consequencias.

Talvez isso explique porque muito mais mulheres tentam o suicidio. Apesar da emancipacao feminina no seculo passado nos continuamos levando um estilo de vida de orientacao machista. Sera preciso entender que homens estao competindo contra os outros desde milhares de anos atras. As mulheres sempre estiveram presentes mas a natureza nos colocou na linha de frente dos riscos. E nos aprendermos a ser mais agressivos com isso. Algumas vezes, irracionalmente agressivos. Em consequencia disso, mulheres mais afeitas `a racionalidade sofrerao maiores pressoes neste mundo de orientacao machista.

Geralmente, as pessoas leigas atribuem aos povos antigos e ao pessoal sem educacao escolar algum tipo de inferioridade. As pessoas olham para outras e pensam: Como eles podem ter vida alguma? Eles andam ao inves de ir de carro! Eles inclusive nao usam aparelhos eletricos, nem assistem televisao! A vida deles so pode ser terrivel! Porem, o que os leigos nao sabem eh o quanto mais os “povos primitivos” riem e gargalham. Nem o quanto mais eles se ajudam uns aos outros.

A gente imagina que a vida que nos estamos levando agora eh a melhor desde o surgimento da pessoa humana na Terra. O problema esta ai, a quantidade de avancos deveria traduzir-se em mais tempo para o lazer, mais tempo para o amor e, especialmente, mais dinheiro na carteiro de todo mundo. Porem, o que a gente ta sempre encontrando sao mais e mais contas a pagar, menos e menos tempo de qualidade com a familia. Seguindo assim eu nao penso que nos estejamos no caminho para o Ceu. Nos estamos mais no caminho para o Juizo Final.

Em capitulo posterior tenho a intencao de escrever alguma coisa a respeito de pessoas sem educacao escolar e imigrante sem documentos perseguidas que comprovam que tais suposicoes nao tem fundamento algum em verdade.

03. UM BOCADINHO A RESPEITO DE GENEALOGIA HUMANA

Ouvi de uma pessoa leiga isso: “Voce eh parente de alguem somente ate ao quarto grau.” Para mim isso eh um pouco complicado explicar no ingles exato. Mas o que ela pensava era alguma coisa assim. Voce nao precisa considerar como parente aos seus primos se o ancestral comum de voces for seus bisavos ou geracoes anteriores. Nao sei de onde ela tirou essa ideia errada. Ela mencionou algo a respeito de religiao, no que penso existir a possibilidade de engano, ou referencia medica, no que eu duvido. A verdade eh muito diferente.

Tenho estudado a genealogia da minha familia. Portanto tenho uma boa ideia do que vou dizer. Tambem sou medico veterinario cursado e tenho o diploma como medico dos animais. Uma disciplina em que tive dificuldades foi justamente uma com o tema: Melhoramento Animal. Eh algo que envolve genetica e ensina como fazer as vacas produzirem mais leite, galinhas botar mais ovos, etc. Eh verdade, eu tive dificuldade em concluir o curso porque matematica esta envolvida nele e eu nunca fui bom em memorizacao de formulas. Sempre preferi resolver os problemas atraves da racionalizacao. Ter dificuldade, neste caso, nao implica que nao aprendi. Algumas vezes a gente aprende melhor quando erra e revisa os erros. E foi isso que fiz.

Muito antes da Historia alguns fatos da genealogia ja eram verdadeiros. Mesmo genealogia nao sendo ainda pensada. E quando ela comecou a ser usada muito erros foram cometidos. Mesmo agora a primeira coisa que nos pensamos a respeito de genealogia que nos vimos da familia so nosso sobrenome. Esta eh uma das ideias erradas que os leigos tem com respeito a genealogia. Normalmente, o seu sobrenome vem do seu pai, que herdou do pai dele e assim por diante. Mas isso so eh verdade se voce estiver pensando na sua linhagem paterna. E isso pode valer pouco ou nada, geneticamente falando.

A gente sabe que, metade mais um pouquinho da nossa genetica vem da nossa mae, e o resto do nosso pai. Dai voce precisa saber disso: se o seu bisavo casou com uma mulher sem parentesco com ele, os seus avos serao praticamente meio-a-meio. Se o seu avo se casou com outra mulher tambem sem parentesco com ele, o seu pai sera 1/4 de qualquer coisa que seu bisavo era. Ainda, se sua mae nao tiver parentesco algum com seu pai, voce recebera apenas 1/8 da parte do seu bisavo. Mesmo assim voce podera ter o sobrenome dele. E ainda podera passa-lo para seus filhos, para os filhos dos filhos e assim vai. Apesar dos seus netos poderem herdar quase nada do seu bisavo.

Se voce eh um leigo, possivelmente voce sabe que tem pai e mae. E tambem que cada um deles tem mae e pai. Entao, voce tem quatro avos. O que voce espera eh que tenha 8 bisavos. E a coisa anda assim, em cada geracao anterior `a sua espera-se que se dobre o numero de seus ancestrais. Entao, se voce esta disposto a fazer um pequeno exercicio, pegue uma calculadora e multiplique 2 X 2 e continue multiplicando os resultados por dois ate chegar `a 33a. geracao. Se voce for persistente em fazer isso ira aprender que, na 33a. geracao anterior `a sua voce eh suposto ter 8.589.934.592 ancestrais. Eh muito para voce? Na proxima geracao voce tem direito a mais de 17 bilhoes. E por ai segue.

O tempo! O tempo eh mais que precioso. Se calcularmos a grosso modo como media, 30 anos entre uma geracao e outra, no final da 33a. geracao terao se passado 1.000 anos. Isso quer dizer que ha 1.000 anos atras voce era suposto ter mais de 8.5 bilhoes de ancestrais, somente da 33a. geracao isoladamente e nao a adicao de todas. Agora eu digo isso a voce, se voce nao tiver alguem ocupando cada um desses lugares voce nao existe. Voce que sabe algo a respeito dos dados populacionais de 1.000 anos atras deve perguntar: Mas como? Ha mil anos atras nao havia gente o suficiente. Mesmo hoje o total da populacao no mundo eh inferior a 7 bilhoes.

Essa questao tem resposta simples. Assim acontece porque alguns dos seus ancestrais daquela geracao sao muitas e muitas vezes seu ancestrais. Possivelmente alguns sao milhoes de vezes e essa eh a razao de voce existir, apesar do numero inferior de ancestrais em relacao ao esperado.

Porem o problema eh bem maior. Se voce fizer o calculo oposto, encontrara o mesmo numero. O que eu quero dizer eh isso, suponha que voce tenha dois filhos. E cada um deles tenha dois filhos. Tambem que seus quatro netos tenham, cada um, dois filhos, assim por diante, ate chegar `a 33a. geracao. Eh esperado que voce tenha mais de 8.5 bilhoes de descendentes somente daquela geracao. Isso significa que, se voce tivesse nascido ha 1.000 anos atras, voce era suposto ter, pelo menos, aquele numero de descendentes. Porem, se nao existe numero suficiente de pessoas na Terra, para onde elas foram?! Isso eh simples de responder.

Se os seus netos, ao contrario de se casarem com alguem diferente da familia se casarem com eles proprios voce nao tera 8 bisnetos como esperado mas somente 4. Estou pensando no caso de voce ter 2 netas e 2 netos. Para que voce tenha o numero esperado de bisnetos eles precisarao ter 4 filhos para cada casal formado. Toda vez que um primo se casa com outro nossa multiplicacao eh esperada cair. Quanto mais as geracoes se passam e primos se casam com primos repetidamente, a media de filhos para manter nossas expectativas precisa ser cada vez maior. Em alguns casos seria preciso que alguns casais tivessem milhares ou milhoes de filhos, e isso ainda nao eh algo facil para o ser humano.

A verdade eh essa, os seus ancestrais nao preencheram repetidamente os lugares como seus ancestrais apenas. Eles fazem o mesmo para um numero enorme de pessoas. Essas sao mais ou menos suas primas, mesmo que nao as conheca. Deixa eu te dizer isso, mesmo que voce tenha 10.000 casais de ancestrais de 1.000 anos atras, o que eh apenas uma fracao do que esperamos, voce pode estar caindo em uma armadilha genetica. Isso sera porque os seus 10.000 casais de ancestrais poderao ja ser parentes proximos. O que nos tem protegido contra a extincao eh a migracao e a multiplicacao sem limites. Agora, a migracao sozinha e os casamentos entre as linhagens diferentes sao o melhor caminho para evitar a nosso extincao.

Vamos simplificar as coisas, saiba isso. Se ha 300 anos, na decima geracao antes da nossa, um casal de nossos ancestrais teve 10 filhos e todos se casaram, e tambem tiveram 10 filhos seguindo assim ate antes da nossa geracao. Tambem, que nenhum descendente do casal tenha casado com outro, entao, ele era suposto ter 10 bilhoes de descendentes, somente da nossa geracao. Isso nao eh legal? Como o povo antigamente tinha filhos de acordo como a natureza permitia, nos somos supostos ter, pelo menos, um casal de ancestrais comuns daquela geracao com todo e qualquer de nossos vizinhos.

Mas as coisas nao sao tao simples. Nem todo mundo naquele tempo teve tantos filhos. Muitos de nossos tios e tias nunca tiveram filhos. Mesmo assim, o esperado eh isso, todos os casais de outrora que tiveram alguns filhos que se casaram e tiveram seus proprios filhos ate a nossa geracao provavelmente sao ancestrais de milhares, talvez ate 1 milhao de pessoas. E nao estou falando a respeito dos poligamistas.

Tai, quando algum site de genealogia anuncia que alguma personalidade descobriu ser parente de algum personagem historico atraves do site eh porque estao usando a popularidade da personalidade para levar vantagem no obvio. Se qualquer um buscar seus ancestrais, mesmo sem se sentir uma pessoa de respeito e, naturalmente, com um pouquinho de sorte porque muitos de nossos ancestrais nao nos passaram seus dados, voce provavelmente encontrara alguma personalidade historica como ancestral. Tambem, as pessoas atuais que sao ditas personalidades sao, provavelmente, seus primos. Alguem disse uma vez a respeito da minha familia: “Nos procedemos do sangue dos REis e os Reis provem do nosso sangue.” E isso eh absolutamente verdadeiro para todos nos.

Esta eh uma das razoes que me fez comecar a estudar nossa genealogia. Nao estou exatamente interessado em identificar reis na minha lista de ancestrais. Estou interessado na propria Historia. Tambem, quando eu encontrar qualquer personalidade como minha ancestral estarei mais interessado em conhecer melhor a Historia dela. E isso deveria ser considerado util para todos e nao para poucos.

As pessoas costumam dizer isso: “A Historia sempre se repete.” Estou certo que nao. Historia nada faz por si mesma. Pessoas repetem seus repetem seus proprios erros muitas vezes, porque ignoram a Historia. Conhecer a Historia nao eh um hobby para excentricos mas sim uma forma de defesa propria.

Outra razao que faz a genealogia tornar-se importante para mim esta nas implicacoes medicas dela. Apesar da gente saber tanto a respeito de genetica hoje eu penso que as mas consequencias de nossa relacao familiar estreita com a maior parte da humanidade tem sido totalmente ignoradas pelos governos. Entao, imagino que as pessoas deveriam conhecer melhor sobre isso para previnirem-se contra um possivel futuro colapso de nossa sociedade. Desde que a gente aprendeu que nao deveriamos ter tantos filhos quanto nossos ancestrais porque nosso planeta eh limitado, nos precisamos procurar nao ter filhos com problemas previsiveis. Nossos ancestrais podiam se dar ao luxo de ter tantos filhos quanto quizessem porque uns cuidavam dos outros mas se nos tivermos um filho com saude e outro sem ela, o problema tornar-se-a maior por causa da familia menor. Pense, e se as duas criancas tiverem problemas?!…

Entao, quando alguem diz que nos somos parentes de outra pessoa baseado no numero de geracoes eh porque ele ou ela nada sabe de genetica. O que acontece eh que nossa vida eh muito limitada quando consideramos o tempo como um todo. Temos o privilegio de conhecer um numero muito pequeno de geracoes dos nossos parentes mais intimos. Algumas vezes nos consideramos melhor algumas pessoas menos parentas nossas que outras mais proximas porque a gente eh guiado pela ideia errada de que, parentes sao aqueles que a gente conhece.

Baseado no que eu sei de genetica e manejamento animal eu posso dizer isso: humanos se parecem mais com galinhas de granja.

Falo isso com consciencia. A maioria das pessoas nem imagina como os cientistas criaram as linhagens de galinha para fornecer ovos ou carne. O que eles fizeram primeiro foi selecionar aquelas que ja botavam ou que cresciam mais rapida e naturalmente. Dai fizeram o cruzamento das mais produtivas umas com as outras. Fizeram isso repetidamente por anos a fio. Fizeram ate o cruzamento entre maes com filhos e pais com filhas.

Quanto conseguiram o que queriam, isto eh, uma linhagem que puzesse mais ovos ou crescia mais rapido, comercializaram-nas. Mas eles guardam seus segredos. Eles desemvolveram pelo menos duas linhagens para cada marca. O que voce encontra no mercado eh o cruzamento das duas. Se voce tentar comecar seu negocio a partir das galinhas que voce pode comprar vivas, elas nao serao tao produtivas como as originais. A menos que voce saiba repetir os experimentos deles e isso ira tomar tempo e dinheiro seus. Para que voce abra um negocio nessa area, voce precisa fazer parcerias com eles. Neste caso, voce ficara com o trabalho e eles partilharam contigo o dinheiro que voce ganhar. Isso eh negocio, eh o que eles dizem!

Mas o que tal pesquisa tambem levou `as galinhas de granja foi isso: elas sao muitisso susceptiveis a doencas e problemas geneticos. Tambem, o manejo ao qual as galinhas estao sujeitas, vivendo em espaco minimo, pode fazer a disseminacao das doencas em um piscar de olhos. Eh por isso que as galinhas de granja precisam de muitas vacinas e antibioticos adicionados em sua alimentacao. Se voce for visitar uma granja de ovos ou carne os donos te pedirao para vestir uma roupa propria que protegera contras as contaminacoes que voce podera levar, mesmo que nao saiba disso.

`A medida que nosso conhecimento genetico avanca temos aprendido a ler o que esta escrito na sequencia de DNA. E, logo apos aos primeiros resultados, os cientistas ficaram assombrados ao descobrir a semelhanca da escrita entre todos nos. Nao faz diferenca se for um esquimo, um caucasiano, um nativo sulafricano ou aborigene. Em nosso DNA somos mesmo como as galinhas de granja.

Se isso eh verdade, por que temos tantas diferencas em nossa aparencia? Talvez eu possa explicar isso. Nas vidas primitivas fomos treinados para observar mais as diferencas. Ver as semelhancas nao tinha tanta importancia. Isso esta relacionado ao nosso meio. Existe um exemplo facil disso no Brasil. Algumas plantas foram usadas como base na alimentacao dos povos. Os orientais tiveram o arroz. Os mediorientais tinham o trigo. Os norte americanos e os sul americanos ocidentais tiveram o milho. Os brasileiros, a mandioca (Manihot utilissima).

Ela eh uma raiz parecida com a batata mas com mais fibras e muito amido. Existem muitos jeitos de conzinha-la. Alguns sao deliciosos. Mas a mandioca tem sua irma gemea. Brasileiros a chamam de mandioca brava. Em ingles poderiamos chama-la de wild mandioca. A mandioca brava tem contem um dos venenos mais efetivos. Ela tem cianidro. Um pedacinho da planta em seu estomago e voce vira historia. Entao, conhecer a diferenca entre elas era uma questao de vida ou morte.

Mandioca pode fornece uma grande quantidade de comida em sua mesa em uma pequena area de cultivo. Ate a mandioca mansa pode conter cianidro suficiente para matar qualquer um ou coisa que come-la. A boa novidade eh que, cozinha-la faz evaporar o veneno. Brasileiros usam-na in natura para tratar do gado apesar do veneno. Eles aprenderam que se ela for fatiada e exposta ao sol ficara limpa. Entao assim se faz antes de tratar-se das vacas.

A parte mais venenosa da planta sao as folhas. Contudo, um grupo inteligente de pesquisadores desenvolveram um suplemento alimentar baseado em folhas de mandioca. Isso eh usado para enriquecer alimentos pouco nutritivos. Uma quantidade diaria pequena do suplemento na comida fraca em nutrientes pode rapidamente trazer saude para criancas com deficiencias nutricionais. O segredo esta em retirar o feneno antes da folha virar alimento.

E essas coisas foram aprendidas dos chamados nativos brasileiros primitivos. Agora eu posso tracar uma relacao entre as folhas de mandioca e os imigrantes sem documentos. Se voce tenta olha-los com menos preconceito voce pode esquecer tudo o que lhe parece veneno e transforma-los num futuro glorioso para os Estados Unidos. Quanto a isso eu tenho certeza, o veneno esta nos olhos das pessoas que sao preconceituosas e nao nos proprios imigrantes sem documentos. Depois eu falarei mais a respeito desse assunto.

Os preconceituosos foram inteligentes ao detectarem os que lhes sao diferentes na face mas nao o suficiente para separar a diferenca que prejudica da diferenca sem malicia.

Existem todo tipo de exemplos destas coisas em todos os lugares. No mundo inteiro as pessoas tinham que reparar cuidadosamente na paisagem, antes de sair das cavernas. Predadores sao conhecidos pela habilidade de misturarem-se aos meios e nao serem detectados. Quem nao tinha a habilidade de identificar as diferencas nao teve chance de passar heranca genetica a nos.

Mas o problema nao existe porque somos tao diferentes uns dos outros. Algumas vezes, ainda no Brasil, eu fui confundido com meus primos. Inclusive nos Estados Unidos e comum pessoas me olharem e pensarem estar diante de um americano de origem europeia. Isso pode parecer loucura. Mas eu pretendo retornar a isso posteriormente. Os meus parentes proximos que me viam constantemente nunca me confundiram com outra pessoa. Mas aqueles que me viam menos sempre cometiam algum erro. Mesmo parentes proximos que me viam pouco faziam isso.

Isso pode ser facilmente verificado por pais de gemeos identicos. Se sao identicos, como se saber suas diferencas? Diferencas minimas sao a resposta. Voce precisa todos os seus sensos em alerta para encontra-las. E esta habilidade todo mundo tem mas tambem podemos ser treinados para apurar nossos sentidos. Dependendo da cultura em que vivemos isso pode ser direcionado para incentivar o preconceito contra os diferentes. Preconceito nao eh uma habilidade natural ou racional. Eh aprendido por defeitos nas culturas.

Talvez, desgotar de algo diferente nao eh um preconceito intencional. Pode ser somente uma reacao natural aprendida nos milenios. O que se transforma em preconceito intencional eh a pessoa comecar a lutar contra a razao. Fazendo uma analogia, quando a pessoa comeca a ver a diferenca na pele do seu vizinho sabendo que isso nao eh nenhum sinal de perigo mas ela se acomoda na primeira impressao, mantendo aceso o sinal de alerta e ate cometendo atos contra o vizinho como se ele realmente estivesse ameacando sua vida ou suas posses.

Todavia, cor da pele eh algo vinculado ao meio. A pessoa tem pele escura por causa da habilidade dela de viver em ambientes quentes, tropicais ou equatoriais. Eh somente uma proteina que quase todos temos a habilidade de produzir. Ela tem o nome de melanina. Ela serve como protetor solar natural. Voce ter a pele mais clara so significa que seus ancestrais viveram por um tempo longo num ambiente menos luminoso. Assim, eles foram forcados pela selecao natural a permitirem uma quantidade maior de luz passar pela pela para que pudessem produzir vitamina D.

O problema eh que `as vezes uma coisa boa leva a certos efeitos colaterais. Se alguem que tem pele clara acompanhada de olhos azuis pensa que isso seja uma grande vantagem, pode tirar o cavalinho da chuva. Olhos azuis significam falta de melanina na iris ocular. Isso nao te atrapalha a visao mas pode causar-lhe cataratas nos olhos, se voce tem a tendencia para esse mal, mais cedo se voce se expuzer muito ao sol.

Se um povo de pele clara estiver sujeito a um ambiente quente por milhares de geracoes e sob a influencia da selecao natural, no final, todo e qualquer descendente dele tera pele mais escura. O mesmo eh verdadeiro para pessoas de pele mais escura que for sujeito a condicoes parecidas ao do Polo Norte. Se eles se recusarem a evoluir numa forma apropriada, eles virarao historia. Assim sera a menos que os de pele escuro encontrem outra fonte de vitamina D, como as pilulas e os de pele clara comecarem a usar bloqueadores solares naturais. Outra alternativa para os de pele clara seria adaptarem-se a ter somente atividade noturna e dormirem durante o dia.

As pessoas preconceituosas tem inteligencia suficiente para perceberem as diferencas mas nao tanto para serem capazes de serem ou fazerem diferente. Posteriormente eu voltarei a esse assunto.

04. O QUE EH SER UM EUROPEU?

Possivelmente, ate os americanos sabem que europeu eh alguem que nasceu na Europa. Mesmo nao sabendo exatamente o que ou onde a Europa eh. Nao falo isso por mim mesmo apenas estou criticando a mim mesmo porque o mundo inteiro conhece a ignorancia geografica americana. Talvez fosse melhor eu chamar este capitulo de: De Onde Surgiram os Europeus? Esta eh uma questao mais interessante.

Primeiro de tudo, nao apenas europeus mas toda a raca humana veio da Africa. Se voce nao acredita nisso e puder provar erro nessa afirmacao, provavelmente ira ganhar o premio Nobel logo depois de tornar publico este seu conhecimento novo.

Algumas vezes vejo pessoas revoltadas contra esta e outras teorias cientificas porque nao gostam ou elas parecem contradizer credos religiosos antigos. Tambem vejo as mesmas pessoas assistindo tv, acreditando que algumas imagens foram geradas no Japao e quase instanteamente podem ser vistas nos Estados Unidos. Tambem tem a capacidade de acreditar em medicos retirando o coracao do seu peito, fazendo nele alguma cirurgia, e reimplantando para que voce tenha uma chance nova de vida. Nao importa. Tudo isso so eh possivel por causa do conhecimento cientifico acumulado pelos cientistas.

Eu sei muito bem que cientistas cometem erros todos os dias. Nao vejo problema nisso. Todos os cometemos. Estao na natureza humana. Isso se torna problema quando alguem os comete e nao aprende nada com isso. E esta eh uma razao de precisarmos que alguns de nos conhecam a Historia Humana melhor para assim, identificando os erros, tentar evitar repeti-los. Um exemplo disso foi que aqui nos Estados Unidos a populacao estava aprendendo a contornar os preconceitos mas parece que essa doenca foi capaz de reinventar ela mesma e esta rapidamente superando a boa vontade de parte da populacao. Agora voltou. E esta mais forte que antes.

Entao, fica muito conveniente acreditar em alguns dizeres cientificos mas nao nisso: todos os humanos tem origem na Africa. Tambem: todo e cada um dos humanos sao parentes proximos uns dos outros. Nao sei o que leva as pessoas a agirem assim mas estou absolutamente certo da presenca de preconceito em decidir negar isso.

Da Africa sairam diversas especies de humanos. Mas todas, exceto pelo Homo Sapiens sapiens, foram extintas. Os cientistas atribuem a nossa permanencia `a nossa abilidade de nos adaptarmos. Adaptacao pode ser traduzida como capacidade em resolver problemas. Nao como na matematica mas eh parecido. Nem sempre isso depende da nossa vontade. Por exemplo, isso acontece quando encontramos uma situacao de epidemia quando uma nova doenca elimina a maioria mas alguns sobrevivem porque eles tem uma defesa natural contra o agente em questao.

Assim, os sobreviventes transmitem para sua descendencia essa capacidade. Temos muitos exemplos de adaptacoes na pessoa humana. Nos vivemos em quase todo tipo de clima na Terra e isso so eh possivel porque somos capazes de modificar nossos corpos de acordo com cada ambiente. Mas eh preciso afirmar isso tambem: “Devagar com o andor porque o santo eh de barro.” Sera preciso tomar cuidado para nao se cometer erros. Algumas adaptacoes precisam de tempo para se tornarem efetivas e ninguem esta preparado para todas as mudancas grandes e repentinas.

Voltemos entao ao nosso assunto. Da Africa nos viemos. E alguns migraram para uma area entre os Mares Negro e Caspio. Esta regiao eh chamada de Caucaso. E este primeiro grupo de pessoas que morou la foi chamada caucasiana. O caucasiano multiplicou-se ali e, possivelmente, nas adjacencias ate 75.000 anos atras. Por volta dessa data eh bem conhecido que um supervulcao entrou em erupcao na Indonesia. Cientistas nao estao certos se so isso ou mais alguma coisa foi responsavel por comecar a nova Era Glacial.

A teoria cientifica diz que, o supervulcao entrou em erupcao e lancou tanta poeira e gas na atmosfera que isso bloqueou uma parte da luz solar. E esta poluicao ficou la por um tempo suficiente para baixar as temperaturas medias na Terra por alguns anos. E isso induziu a natureza a continuar produzindo neve sem derrete-la. Quando a atmosfera voltou a ficar limpa a luz solar voltou mas ela era refletida pela superficie branca maior da Terra. Nos sabemos que superficies brancas refletem luz e escuras absorvem. Entao a Terra entrou num ciclo vicioso sem retorno.

Quanto mais a temperatura caia mais neve vinha. Maior ficava a superficie branca. Mais luz solar era refletida. Ai os invernos ficaram maiores e mais frios. Desde 70.000 anos atras, os cientistas podem detectar o sinal claro de que a Terra estava de novo em nova Era Glacial. Ciclos de menores e maiores temperaturas deixam sinais na paisagem terrestre.

Nosso planeta funciona exatamente como num livro onde as paginas sao as camadas de sedimentos. Se a gente nao retirar a poeira de nossa casa por um ano a gente pode imaginar aonde isso vai levar. A Terra funciona da mesma maneira. O que acontece na superficie por milhares de anos eh transformado em sedimentos nos fundos dos lagos e oceanos. Se isso ficar por muito tempo sob pressao pode ficar duro como pedra. E as camadas podem ser distinguidas umas das outras dependendo do clima em que foram formadas. E o tempo em que foram formadas pode ser medido por atomos presentes no material.

Entao, `a medida que o planeta esfriava menos alimentos ficaram disponiveis para os animais, incluindo humanos. Nos estivemos a um passo da extincao. Um cientista disse uma vez que eles tinham calculado em cerca de 1.500 pessoas vivas pouco tempo depois da erupcao do supervulcao. Agora, alguns animais selvagens estao retornando dessa condicao com a ajuda de fundacoes de protecao aos animais. Humanos nao tinham a quem recorrer senao `a sua propria adaptabilidade. Mas tambem usaram inteligencia.

Agora voce precisa tirar uma boa licao disso. Naquele tempo nos tinhamos pelo menos duas linhagenes de Homo Sapiens sapiens, uma o africano e outra o caucasiano, debatendo-se para manter a especie no cenario terrestre. Mesmo a cultura Neanthertal conseguiu isso, enquanto pode. Isso eh prova de que, alguns de nos, nao importa de qual origem, fomos feitos para ficar. E todos nos que vivemos hoje somos simbolos dessa resistencia herdada de nossos ancestrais.

Contudo, todos nos temos que pensar nisso e tentar responder essa questao simples: se um desastre igual acontecer em nosso tempo como faremos para manter nossas vidas e passar `a nossa descendencia a prova da nossa existencia? Quando isso acontecer de novo, possivelmente, mais de 90% de nos nao sobrevivera. E a unica forma de tentar manter nossos gens por mais um milhao de anos eh aconselhar nossos filhos: misturem-se o maximo possivel e digam o mesmo para seus filhos e netos. Ame a multiplicidade e esqueca qualquer preconceito racial aprendido dos seus ancestrais. Ser racialmente puro eh arriscar-se desnecessariamente.

Ao inves de dizer se, sera melhor dizer: quando o ser humano voltar a uma situacao de quase extincao as primeiras vitimas serao as galinhas de granja. Infelizmente, os cientistas ja sabem que muitos dos desastres imensos que ocorreram no passado voltarao a ocorrer e isso nao eh uma questao de se e sim de quando. Essa resposta ninguem sabe. Quando as galinhas de granja se virem forcadas a viver do que a natureza oferece nao serao capazes de viver por causa das modificacoes que os cientistas fizeram nelas, que as fizeram totalmente dependentes do ser humano. Pode ser que o mesmo aconteca ao proprio ser humano porque agora quase ninguem saberia viver das condicoes naturais. Para piorar, a desordem que a erupcao de um supervulcao traria pode alterar a propria natureza de uma maneira que poucas coisas naturais sobreviverao para manter vida sustentavel.

Veio do Polo Norte um paredao de gelo. Como camadas apos camadas de neve se juntavam, isso ficava pesado demais. Entao, a pressao fez a glaciacao andar na direcao de lugares subtropicais. Em passos de preguicas, ano apos anos apos anos, isso tomou conta da paisagem. Humanos foram inteligentes o suficiente para saber que tinham que buscar abrigos em lugares mais mornos. E eles foram tangidos em direcao ao sul. A populacao se dividiu em grupos que acabaram no Sul da India, provavelmente no Oriente Medio e pelo caminho ate a Penisula Iberica. Isso eh o mesmo que dizer Espanha e Portugal.

Deixem que eu tome por emprestimo a definicao do Webster’s II New Riverside Dictionary – Revised Edition – a definicao de caucasiano: “Eh o estabelecido como classificacao racial humana definida pela cor de pele variando entre branca ate morena que inclui povos nativos da Europa, Norte da Africa, Asia Ocidental e India. – no. 1: Nativo ou habitante do Caucaso. 2: Um membro da classificacao racial caucasiana.”

O que ha de errado na definicao? Primeiramente agora sabemos que humanos nao podem ser classificados por racas. Sim! Para que a gente dividisse humanos em grupos de racas nos precisavamos uma certa quantidade de diferencas acumuladas nalguns grupos sendo isso verificavel em nosso DNA, mas nao temos diferencas suficientes nele. Nos somos parecidos demais, equiparaveis a galinhas de granja. A cor da pele nao pode ser usada em nosso caso. Os caucasianos nao variam a cor da pele de branca a morena. Indo a alguns lugares na India nos podemos verificar que a pele deles varia desde o branco ate ao preto, e nao para no moreno.

Outra “cosita mas”, caucasianos foram os primeiros habitantes da America do Norte e a presenca deles aqui ja foi medida em, pelo menos, 17.000 anos atras. E este foi um dos grandes erros cometidos por cientistas ao longo da Historia. Os mais antigos teorizaram que humanos nao teriam a capacidade de sair da Asia a nao ser a pe e por volta de 7.000 anos atras quando o degelo da Era Glacial produziu uma passagem natural da Russia ate `as Grandes Planicies nos Estados Unidos. Eles tambem levantaram a teoria de que a populacao asiatica foi a primeira a chegar `as Americas porque os europeus no tempo das Grandes Descobertas encontraram apenas asiaticos aqui.

Agora eh largamente conhecido que, muito antes, causianos ja haviam morado aqui. Porem, eh possivel que os caucasianos norte-americanos foram extintos mesmo antes dos asiaticos chegarem. Ninguem sabe ainda ao certo. A fauna gigante que existiu na America do Norte durante a Era Glacial tambem foi extinta. Tigre-dente-de-sabre, mamutes, preguica gigante e tatus do tamanho de um carro viveram na America do Norte enquanto nao veio uma catastrofe que extinguiu a fauna gigante. O que a gente sabe com certeza eh isso: humanos estavam aqui milhares de anos antes da passagem entre Asia e America do Norte ser aberta. Os asiaticos podem ser um deles.

Outro detalhe eh este: as caracteristicas da populacao asiatica comecam a aparecer nos sedimentos apenas de 25.000 anos para ca. O que isso sugere eh que, eles sairam de uma familia caucasiana que primeiro vivia na Mongolia. De la eles multiplicaram e se espalharam atraves da Asia, ilhas do Pacifico e Americas. O Japao eh um bom exemplo da presenca dos dois. Pessoas completamente caucasianas viviam la ate 2.000 anos atras quando os asiaticos chegaram. Inclusive no inicio do seculo XX ainda existia uma populacao pequena de caucasianos la mas ela foi absorvida pelo numero muito maior de pessoas com o visual asiatico.

Mais uma informacao extra. Os primeiros sulamericanos nao foram caucasianos nem asiaticos. Eles pareciam mais com os africanos. Isso eh visto no esqueleto encontrado na cidade de Santa Luzia, Minas Gerais, Brasil. Mais velho que 10.000 anos, esse fossil foi revivido atraves de tecnicas de reconstituicao policial e tinha a fisionomia africana ou aborigene. E se deres uma olhadinha no Mapa Mundi pode imaginar logo: se o gelo estava tao presente no Norte do Globo eh possivel que estivesse mais presente ainda no Sul. Isso porque nao temos terras no Polo Norte e no Polo Sul temos um continente inteiro.

Cientistas mais velhos tendiam a ignorar o quanto humanos sao inventivos. Assim, eles nao gostam de imaginar que ninguem antes de 10.000 anos atras pudesse navegar longas distancias ou usar a beira das geleiras para fazer isso. Mas a beira do gelo do Polo Sul poderia ser muito atrativa para os africanos, por causa da abundancia de alimentos. Na Era Glacial ela estava muito mais proxima da Africa do Sul e as pessoas de la poderiam navegar ate `a beira da calota polar e, indo atras da comida ou por simples acidente, pode ter acabado descobrindo a Australia e a America do Sul.

Mas em umas partes do ano o clima nao era amistoso aos humanos por la, entao, eles tinham que voltar para o norte. E isso poderia explicar como o aborigene chegou `a Australia e ao Brasil. Dai eles andaram muito, muito longe do Polo Sul. Eu indico uma pagina na internet para que possam tirar uma conclusao melhor. Ele eh: http://www.andaman.org/BOOK/chapter54/text-PedraFurada/text-PedraFurada.htm. Trata-se do trabalho da professora Niede Guidon no Brasil. Ali se explica a presenca de sinais de que o ser humano habita a America do Sul desde antes de 36.000 anos atras. Talvez ate 50.000 como a professora acredita.

OBS: Indo diretamente `a pagina acima voce ira encontrar um texto em ingles. Portanto, quem nao conhecer a lingua podera buscar textos similares na Internet. Basta consultar o seu provedor usando o nome da professora Niede Guidon e a localidade Pedra Furada como referencias.

Talvez existam outras possibilidades de como explicar a presenca do ser humana na America do Sul em tempos anteriores que acreditavamos. Pegando o mapa atual voce nao vera exatamente o que era 50.000 anos atras porque as ilhas pequenas eram maiores e o espaco entre continentes eram menores. Mesmo assim a distancia entre eles era grande demais para navega-la em barcos primitivos. Apesar da distancia entre o Nordeste Brasileiro e a Africa Ocidental ser a menor, penso que a viagem via Atlantico Sul eh a mais provavel de ter acontecido porque o gelo poderia servir como referencia do para onde seguir.

Voltemos ao assunto principal desse capitulo. Por volta de 40.000 anos atras, Espanha e Portugal eram os melhores lugares na Europa para pessoas viverem o ano inteiro apesar do frio. O mesmo grupo de pessoas conseguiu transpor o Gilbratar e morar no Norte da Africa. Naquele tempo eles estavam enfrentando o momento mais frio da Era Glacial.

Tinha tanta agua transformada em gelo que a beira da glaciacao na linha de Nova Yorque existia uma muralha com um quilometro e meio de altura. A linha que passa em Nova Yorque passa tambem por Portugal, Espanha, Italia e acima da Grecia. Desde que tinhamos menos agua liquida disponivel, o nivel dos oceanos estava bem abaixo do atual. Entao, nas imediacoes das praias de agora nao tinhamos agua. Para irmos `a praia em alguns casos a gente teria que andar uns 150 quilometros dentro dos mares atuais, no seco.

O Mar Negro nem existia. Isso se deu porque o Mar Mediterraneo estava tao baixo que nao havia comunicacao entre eles. No lugar dele nos tinhamos um volume menor de agua doce. Este era alimentado pelos rios em torno. Como a pressao atmosferica eh maior em lugares mais baixos e isso se traduz em temperaturas mais elevadas, naquele tempo, as margens do Mar Negro poderiam ser um bom lugar para se viver. Tambem, uma parte da terra seca da Europa eh agora o fundo dos mares dela. Entao, sera possivel acharmos provas da existencia de civilizacoes primitivas na pre-historia, bastando cavar os sendimentos nos fundos dos mares.

Dai, entre 40.000 e 13.000 anos atras, europeus viviam somente no sul europeu. Por volta do ano 13.000 atras algo aconteceu e o gelo comecou a derreter. Alguns cientistas pensam que gases congelados no fundo dos oceanos podem ter sido queimados numa erupcao vulcanica menor e o gas foi liberado no Atlantico Norte. Houve uma grande producao de CO2 e este tem a capacidade de absorver calor da luz solar para esquentar a atmosfera. A glaciacao entao comecou a mover-se de volta na direcao do Polo Norte. 10.000 anos atras, a grande familia europeia voltou a migrar. Agora em direcao ao norte.

Agora use a imaginacao e faca as ligacoes. Como as pessoas humanas sao capazes de multiplicar-se como eu disse antes, explicando: um casal tendo 2 filhos que terao 2 outros cada um, ate a 33a. geracao, podendo isso chegar a 8.5 bilhoes em apenas 1.000 anos, entao, voce pode lembrar-se que na Peninsula Iberica os europeus se esconderam por 30.000 anos. O que voce pode esperar disso eh que: O primeiro grupo que chegou la ja era, pelo menos, parente. Mas Espanha e Portugal juntos, mais uma area sob os mares, nao sao tao grandes nem tao pequenos. Este grupo estava organizado como numa tribo.

Depois de algum tempo possivelmente eles fossem milhares, porem, continuavam primos. Como havia multiplicacao eles tem que ter se dividido em outras tribos. Mesmo sendo parentes e primos, faz parte dos seres vivos possuirem alguma variabilidade. Um exemplo pratico disso eh meus pais terem tido 9 filhos. Cada um de nos, mesmo sendo muito parecidos, tem sua diferenca. Eu sou o mais alto de todos. Alguns sao menores. A cor da minha pele lembra europeus e um de meus irmaos eh moreno. Alguns tem cabelo encaracolado e outros ondulados. Alguns tem cabelo escuro e outros castanho, embora estes ultimos fossem loiros quando criancas. Se formos olhar cada parte de nossos corpos veremos combinacoes multiplas.

Entao, imaginemos. Se nossos pais fossem reis e decidissem dividir a nacao em 9 reinos para cada um de nos se tornar novo rei ou rainha. Mais, se para a divisao do reino o rei estabelecer que, as pessoas do reino antigo serao divididas por sua aparencia e os mais parecidos com cada nova rainha ou rei devera segui-los, segundo suas similaridades com cada um dos novos soberanos. Neste caso, os maiores, mais parecidos com europeus, de cabelos ondulados etc me seguiriam. O mesmo aconteceria aos outros.

Imaginem agora se as novas tribos fossem mantidas separadas nao apenas por uma geracao mas por milhares de anos. Eh esperado que nossa descendencia parecesse conosco mesmo mas o que ficaria mais visivel seriam nossas diferencas. Iria ser chocante o reencontro numa reuniao de descendentes. Alguns nunca teriam visto povo tao alto em suas vidas. Outros nunca iriam ter visto povo tao moreno. E como eu disse antes, as diferencas fariam tocar os alarmes em muitos. Lembrem-se, nos fomos condicionados pela natureza a enxergar primeiro as diferencas e fazer uma ligacao delas como sendo aviso de perigo.

Uma parte disso foi exatamente o que aconteceu com os europeus. A Historia nao aconteceu exatamente assim porque a populacao abrigada na Peninsula Iberica ha 10.000 anos atras comecou a mover-se para os lugares mais ao norte mas manteve alguma ligacao cultural entre si. A religiao era parecida; eles faziam encontros em alguns determinados pontos para as festas anuais; nao havia superpopulacao e tinham muita terra a conquistar. Tambem, por volta de 7.000 anos atras a costa atlantica funcionava como uma estrada de comercio livre entre o Norte da Africa ate a Escandinavia. Porem, num determinado momento eles se esqueceram totalmente que eram descendentes do mesmo grupo de pessoas.

Antes que eu me esqueca, a comunidade cientifica ainda nao sabe se houve ou nao trocas geneticas entre caucasianos e outra variedade de humanos que viveram desde o Oriente Medio ate os confins da Europa. Eles sao o povo Neanthertal. `A medida que o caucasiano avancou no territorio europeu esse povo foi desaparecendo. Mas nao se tem evidencias suficientes para dizer-se que houve guerra e o Neanthertal foi extinto. O que as evidencias mostram eh que, em alguns casos, eles residiram ao lado um do outro. Ate existe um esqueleto de uma crianca, de 25-28.000 anos atras, encontrado em Portugal, que parece ser um hibrido dessas duas familias humanas. O europeu pode ter um pouquinho de Neanthertal mas nao o suficiente para alguem afirmar isso ainda.

Mesmo que essa possibilidade seja verdadeira, o que eu escrevi antes continua valido porque por volta de 30.000 atras o Neanthertal tinha desaparecido dos sedimentos. Naquele tempo, a populacao europeia estava chegando por ultimo na Espanha e Portugal. Dai as familias reunidas ali fizeram trocas de material genetico entre elas e todo mundo recebeu a mesma heranca. Alguns podem ter um pouquinho a mais que os outros mas nao o suficiente para fazer alguma diferenca.

O que aconteceu depois eh que eh o problema. As civilizacoes humanas comecaram a desenvolver-se ao redor do mundo. Em varios pontos do Mediterraneo nos tivemos os fenicios ou povo do mar. A Grecia veio depois e deu nome ao restante dos europeus de Keltai. Romanos vieram apos e herdaram o mesmo preconceito introduzindo o nome celtae em sua lingua. Em nossa lingua foi traduzido isso para barbaros.

Por que o nome? So porque os barbaros eram povos mais rurais que urbanos. Eles nao tinham sua Historia escrita. Eles levavam a comida `a boca usando facas e nao colheres e garfos. O povo civilizado jamais cometeria uma barbaridade dessa! Ao contrario, o povo civilizado comecou a caca-los e fazer guerra contra eles. Somente porque os civilizados queriam as terras deles, qualquer outra coisa que eles produzissem, e transforma-los em escravos. Foi com intencao como essa que Roma se tornou a toda poderosa do momento.

Roma tornou-se dona de todas as terras em volta do Mediterraneo tornando-o um lago particular. Ela conquistou ate a Inglaterra. O territorio que corresponde a Inglaterra, Franca, Italia, Portugal, Espanha, Grecia eh um pouco do conquistado por Roma. A maioria dos europeus do Norte nao tinham nada que despertasse a cobica romana, exceto por pessoas para serem escravas. Assim, Roma nao conquistou o Norte Europeu, so fez incursoes la para cacar escravos.

E Roma implantou a Pax Romana. Isso significa que quem estava sob a autoridade romana tinha que seguir sua lideranca ou de outra forma poderia ser apagado da existencia. Sob a lideranca romana voce era obrigado a pagar impostos mas nada recebia em retorno. Roma punha as tropas em suas terras com a desculpa de protege-lo contra invasoes estrangeiras mas os soldados eram mesmo usados para oprimi-lo. Ninguem tinha o direito de ter opiniao diferente.

Apesar de ser assim, numa coisa o governo romano era mais democratico. Qualquer um poderia ter sua religiao desde que ela nao representasse nenhum obstaculo aos interesses de Roma. Ate judeus puderam praticar a religiao deles apesar dessa religiao proibi-los de adorar o imperador. A principio, Roma virou-se conta o cristianismo, tendo ou nao razao para isso, mas depois o imperador Constantino fez do cristianismo a religiao oficial do imperio. Mas isso nao foi para o bem. O que ele queria era que todo mundo fosse submisso a ele proprio e aos seguidores dele.

Dai para adiante o imperio desestruturou. O Cristianismo era dividido em varios credos. Constantino queria uma Igreja que o subsidiasse e queria apagar as diferencas. Para tanto ele ordenou que os bispos fizessem um Concilio em Nicea. Apos o Concilio de Nicea foi proclamado o Credo de Nicea que instituia que todo o Imperio era obrigado a tornar-se cristao e seguir o dogma da Trindade segundo o modelo de Nicea. Os opositores `a crendice de Nicea eram os arianos.

Os arianos receberam esse nome mais ou menos na epoca do Concilio de Nicea porque o representante dessa teologia tinha o nome de Arius. A teologia ariana era mais antiga que Arius e por razoes obvias instituia que existe uma Entidade Superior que nao fora criada. E os primeiros cristaos obviamente sabiam que Jesus era uma criatura concebida por esta Entidade. E isso fica muito claro lendo-se as palavras atribuidas ao proprio Jesus em Joao, 14, 28: “…o Pai eh maior que eu…” Sendo assim, nao adianta a gente querer se enganar dizendo que Jesus e Deus sao a Mesma Pessoa porque nem Deus eh Maior que Ele Proprio.

A teologia ariana foi considerada heretica pelo Concilio de Nicea em 325 mas depois foi reaceita mas isso pode ter contribuido para a queda de Roma. Ate Jesus tinha avisado aos seguidores dele a respeito do reino dividido. O que eu pretendo dizer aqui eh isso: eh super importante permitir opinioes diferentes em nosso meio, desde que todos se respeitem, porque nos podemos ser alertados dos nossos erros por outros. Se todo mundo pensar exatamente igual nunca saberiamos quando fomos errados, nos enganos ou fomos falsos.

Quando voce tenta impor aos outros algo que nao eh essencial voce fara inimigos por acoes que nada lhe valem. Em toda ditadura eh essencial existir um grupo de pessoas que se acredita superior e capaz de decidir as melhores solucoes em nome dos outros. Isso nao passa de empafia, o atribuir a si mesmo o destino dos outros ate sem ouvir ou se abrir ao que os outros tambem desejam.

Entao, antes do ano 381 o arianismo era tolerado e Roma foi administrada por imperadores arianos. Eles ate enviaram sacerdores para ensinar o cristianismo ariano aos povos barbaros extra fronteira do imperio. Mas, naquele tempo, no I Concilio de Constantinopla, o arianismo foi considerado heretico outra vez e os seguidores foram perseguidos. Demais para ser apenas uma mera coincidencia, os barbaros liderados pelos godos invadiram e conquistaram o imperio em 411.

O Imperio Romano foi dividido em 2 partes. Os godos ficaram com a propria Roma mas o Imperio do Leste, com a capital em Constantinopla ou Bizantium continuou. Posteriomente ele foi chamado de Imperio Bizantino.

Os godos dividiram suas conquistas em 2 partes. A Europa Ocidental que inclui o centro e o sul frances mais Espanha e Portugal ficou com os visigodos. A Italia e as areas adjacentes com os ostrogodos. Desde o comeco do governo dos Ostrogodos as coisas nao andaram bem. Eles tentaram conciliar coisas como serem estrangeiros governando outro povo nas proprias terras dos governados. O povo tinha vinculos com Constantinopla que sempre estava tramando contra os ostrogodos. Godos eram arianos e a populacao seguia a orientacao do credo niceano. Eles estavam abertos a entender as opinioes diferentes mas a populacao nao.

Historiadores classificam esse periodo como Idade Media, e algumas vezes como Era da Obscuridade. Os ostrogodos nao permaneceram no poder embora deixaram descendencia que continuou no comando. Os visigodos permaneceram por mais tempo. O esplendor da Roma antiga se foi. Europa tornou-se um lugar de guerras anuais. Cada povo tentando conquistar seu vizinho ou tentando libertar-se do despotismo deles.

Os francos foram outro povo com a mesma origem que os godos na Alemanha mas ja havia algum tempo que viviam no Norte da Franca com autorizacao do Imperio Romano. Eles ate se opuzeram `a invasao dos godos e foram derrotados. Posteriormente esse povo se tornou a maior forca da Europa. Mas houve um acontecimento antes disso.

Muhammad comecou seu ensinamento messianico no Oriente Medio e 100 anos depois o Imperio Muculmano era o maior ja visto. Eles conquistaram desde a India ate o Norte da Africa. Em 711 os visigodos estavam numa guerra de disputa pela sucessao. Os muculmanos nao perderam a oportunidade, cruzaram o Gibraltar e invadiram a Europa desde a Espanha ate a Franca. Imediatamente surgiu a reacao.

Um dos lideres francos foi Charles Martel ou Carlos Martelo. Ele organizou o contra-ataque e teve sucesso em parte. Interceptou o avanco das forcas inimigas e as obrigou a retirarem-se para a Espanha. De la eles nao conseguiram remover o invasor.

Mais tarde, o neto do Carlos Martelo, o Carlos Magno, estava no poder e conquistou toda a Europa Central. Desde a Italia ate a Alemanha. Somente alguns reinos menores ficaram de fora. No tempo dele, o papa em Roma era uma marionete nas maos dos lombardos. Mas Carlos Magno nao era um simples catolico e sim meio fanatico. Assim, ele derrotou os lombardos e se colocou sob a bencao da Igreja Catolica Romana. Em 800 ele foi coroado Imperador do Sagrado Imperio Romano. Essa foi uma tentativa de restaurar o Imperio Romano sob a protecao da Igreja Catolica.

Mas isso nao foi longe. Os barbaros tinham uma tradicao de parcerias. Todos os filhos do rei eram co-reis. E cada um tinha o direito de ficar com uma parte do reino para si mesmo. Em seguida era comum eles fazerem guerra uns contra os outros para reunificar o reino sob um soberano. O melhor que podia acontecer disso era quando eles concordavam em apenas crias novos reinos e nao entrarem em confusao. Dai, com o passar do tempo, a Europa estava mais dividida. Mas o poder de verdade passou para as maos dos papas. Entao, a Igreja Catolica tornou-se o poder dos poderes na Europa.

Carlos Magno foi um rei que alguns quizeram santificar depois de morto. Mas enquanto vivo ele foi capaz de mandar matar 10.000 saxoes porque eles nao aceitavam converter-se do paganismo. Ele eh considerado o pai das monarquias da Franca e Alemanha. Era catolico mas tambem tinha varias esposas. Nao recebeu educacao escolar mas criou o sistema escolar para todos e mandou todos os filhos, inclusives as filhas, estudar. Ele foi mais que uma controversia.

Uma pequena informacao a respeito do reino dele ou do filho, Carlos I, o Piedoso, com utilidade eh que: ele nao foi capaz de reconquistar a Espanha e Portugal e teve sua unica derrota na vida quando estava voltando da Espanha e a retaguarda de suas tropas foram surpreendidas pelos bascos. Mais tarde, Carlos I, o Piedoso reconquistou Barcelona e as imediacoes que se tornaram o reino franco de Aragao.

O que mais temos que mencionar a respeito dos europeus eh isso, eles se esqueceram a respeito de suas origens. Eles se dividiram em familias menores. Deram nome a essas familias de Saxoes, Bretoes, Gauleses, Godos, Lombardos, Bascos, Luzitanos, Francos, Viquingues e outros mais. Eles criaram muitas opressoes de uns para com os outros e exportaram isso atraves da Invasao das Americas e da expoliacao colonial em todos os cantos do globo. Eles recriaram a escravidao e a pioraram. Eles foram capazes de criar a Inquisicao. Exportaram guerras como as napoleonicas e as I e II guerras.

Este capitulo foi feito para apontar algumas coisas ruins feitas pelos europeus. Nao ignoro as boas coisas que fizeram. Mas penso que apontar o mal seja necessario para identificarmos o lado diabolico europeu porque muito do preconceito atual no mundo veio deles e de sua descendencia. Assim, se estes tem algum sentimento de preconceito, pensando que nasceram superiores, estas pessoas preconceituosas precisam ser lembradas do sua heranca ruim. Isso se da porque se a pessoa nao reconhecer sua fraqueza e nao lutar contra ela, a fraqueza acaba se voltando contra a propria pessoa.

05. UM POUQUINHO DE GENEALOGIA EUROPEIA

Ha pouco tempo atras comecei a estudar minha genealogia. Esta eh uma tradicao na familia no Brasil e meu pai servia de inspiracao a toda a familia nisso. Meus estudos comecaram quando das Bodas de Ouro de meus pais. Minha esposa e eu tinhamos acabado de adquirir o green card em novembro de 2001. A gente retornou ao Brasil apos 8 anos sem podermos voltar. Ou melhor, nos poderiamos voltar, o que nao tinhamos era garantias de reentrar nos Estados Unidos. 10 de janeiro de 2002 seria o dia das Bodas.

As comemoracoes foram em dezembro porque 7 de janeiro de 2002 nos tinhamos outras bodas de casamento. Era a festa de 60 anos de tia Odila e tio Eurico. Tambem era o dia de aniversario do meu pai. Entao, nao tinhamos pouco a comemorar!

Tia Odila foi irma do meu pai ate ele morrer em 2003. E a filha dela, Ivania, tinha escrito o livro: ARVORE GENEALOGICA DA FAMILIA COELHO. Nos tinhamos crescido com o livro em casa sem estuda-lo a fundo. Isso nao nos parecia necessario porque a maioria dos dados que estavam la a gente ja conhecia por conhecer as pessoas presentes nas paginas. E se a gente nao tinha conhecido algumas pessoas por elas ja terem morrido antes da gente nascer, elas permaneciam em nossas memorias atraves dos nossos saraus. Penso que posso dizer que eram nossas reunioes em torno da fogueira. A maioria delas eram em casa do meu avo materno ou nas cozinhas dos parentes. Nesse caso, o fogo estava presente nos fogoes a lenha.

Cozinha para nossa grande familia eh um simbolo e um sistema de vida. Pouco interessa se os outros tem um lugar proprio para se reunir. Algumas vezes, o lugar onde nascemos fica bem frio, abaixo dos 20 graus e chegando ao 0. Mas nossas reunioes em torno do fogo faziam a gente esquecer qualquer frio. O calor humano incentivado pelos risos continuos era o que dirigia a nossa conversa. O assunto de sempre eram nossos ancestrais e nossos parentes.

Ai, na casa da tia Odila meu pai teve a ideia de comprar mais exemplares do livro. A tia deu alguns a ele e ele repassou-me um. Eu o trouxe comigo e comecei a estudar os detalhes como nunca tinha feito antes. Em particular o grau de nosso parentesco com quase 90% da populacao da nossa cidade e outras proximas. Porem, faltava ao livro alguns ramos de nossa Arvore Genealogica. Nos a chamamos de Familia Coelho mas o nome nao passa de uma mencao a um de nossos ancestrais que nasceu na metade dos anos 1700.

O ancestral em pessoa era portugues e casado com uma Brasileira. Eles tiveram cinco filhos e somente dois se casaram. Naquele tempo, o estado em que nascemos no Brasil tinha menos de 100 anos em termos de colonizacao de origem europeia. O Estado de Minas Gerais eh o que o proprio nome fala. Eh um lugar enorme, pouca coisa menor que o Texas, com uma corrente montanhosa cujo nome eh Serra do Espinhaco (montanhas em forma de espinha) desde o sul ate ao norte. Foi o lugar onde ouro, prata, ferro, diamantes e muito mais estiveram juntos, enquanto os europeus nao chegaram.

Entao, na primeira metade dos 1700, o Brasil teve sua Corrida do Ouro e Minas Gerais foi o lugar. Por ser colonia, Portugal mandava e tentou bloquear a migracao para la. Portugal queria controlar tudo mas isso nao era facil. A mata dominava tudo. Os rios, exceto por alguns, eram dificeis de navegar. Eles correm nas quatro principais e direcoes intermediarias. Algumas vezes o estado inclusive eh chamado de Caixa d’Agua do Brasil. La eh um dos locais mais altos do Brasil e suas aguas alimentam rios que fazem contato com varios outros estados do Sul e Nordeste Brasileiros. Junte-se a este problemas as muitas doencas tropicais nos locais mais quentes, que eram desconhecidas.

Os europeus, especialmente portugueses e brasileiros das outras capitanias, invadiram o lugar desordenadamente. E eles comecaram a levar escravos para la. Os brasileiros nativos ja estavam la muito antes e se tornaram sujeitos `a escravidao, conversoes forcadas e as indegenas serem usadas para casamentos depois disso.

A nossa genealogia, naquele livro, comeca um pouco depois, quando o ouro ficou escasso e os mineiros comecaram a ser mais fazendeiros que mineiros. O portugues que nos trouxe o sobrenome na familia, o qual muitos de nos continua portando, tinha o nome de Jose Coelho de Magalhaes. Mais tarde eu mencionarei o motivo pelo qual o bicho coelho virou nome de nossa familia. Eh possivel que o avo Jose tenha ficado conhecido pelo apelido de Jose Coelho da Rocha, no final da vida.

Posteriormente fiquei sabendo que a mulher dele, Eugenia Rodrigues Rocha, tambem era chamada de Eugenia Maria da Cruz e era filha de Giuseppe Nicatsi da Rocha e Maria Rodrigues. Giuseppe era meio-a-meio portugues e italiano. Mas ate agora nao sabemos nada a respeito dos ancestrais dele. Maria Rodrigues era brasileira e alguns falam que usava o sobrenome: de Magalhaes Barbalho. Igual em meu nome mas tenho duvidas quanto a isso. Nos temos razoes para duvidar e para acreditar porque o sobrenome Barbalho ja estava presente na area em que ela, provavelmente, nasceu, viveu e faleceu. Mas estou procurando ainda por evidencias para provar como era composto o nome real dela.

O que estou mais interessado agora eh voltar ao assunto que da titulo ao presente capitulo. Nos temos uma tradicao que afirma que o nosso ancestral Jose Coelho de Magalhaes descendia de outro portugues com o nome de Manoel Rodrigues Coelho. O portugues Manoel era rico e amealhou a fortuna dele mineirando ouro e tambem que foi para Minas Gerais nos primeiros momentos da Corrida do Ouro de la. Mas o tempo nao se encaixa na tradicao porque sabemos que os dois nasceram em Portugal. Jose nasceu por volta de 1.750. Manoel entrou para oi servico publico em Ouro Preto, em 1.719. Nessa data ele deveria ter 25 anos ou mais porque ele se tornou tesoureiro da Camara Municipal.

Era muito complicado para um homem naquele tempo com seus 60 anos de idade, rico e correr o risco da viagem oceanica, casar de novo, ter um filho e retornar. Naquele tempo, a probabilidade de vida ou morte numa viagem transatlantica estava na faixa de 50 e 50%. As coisas tinham que ser assim porque temos evidencias que indicam que ele estava no Brasil em dadas posteriores a 1.750. Manoel fez contribuicoes vultosas para a construcao do Santuario de Bom Jesus do Matosinhos, em Congonhas do Campo. Este eh um dos monumentos mais conhecidos do Estado de Minas Gerais e continua sendo um marco no marketing do Estado. Teve sua construcao iniciada em 1.757 e foi terminado por volta de 30 anos depois.

Por tais razoes eu comecei a procurar as origens de nosso ancestral em outras fontes. E encontrei alguem com o mesmo nome, possivelmente da mesma idade, num site da Internet. O nome do site eh geneall.net – Portugal, que recolhe informacoes genealogicas de toda a Europa e outros lugares. Ele ja tem uns 10 anos de idade mas os dados procedem de documentos antigos, talvez, desde quando a atividade de genealogia comecou na Terra. Nao tem tudo mas a quantidade eh suficiente para assombrar uma pessoa comum.

Da Idade Media ou antes dela o que eles tem eh um pouco das chamadas familias nobres. Mas o que eh uma familia nobre? Nao eh nada mais que uma familia comum com titulos. E eu sei porque eh assim. Isso vem desde as nossas origens tribais. Uma tribo eh, necessariamente, um grupo de pessoas com ligacoes familiares proximas. Os cientistas calcularam que os egipcios antigos que construiram as grandes piramides nao passavam de 100.000 pessoas. E o Egito antigo era uma nacao, nao apenas uma tribo.

E, no que eu sei ate agora, eu tenho mais de 100.000 parentes ou mais. Nao. Nao estou falando de pessoas que conheco como parentes mas nao saberia dizer nome dos ancestrais delas. Estou falando apenas dos descendentes diretos dos pioneiros que povoaram as cidades em torno daquela onde nasci. Entao, nos tempos antigos a minha familia seria chamada de nacao, nao apenas familia.

Entre meus parentes existe alguns com bons empregos como funcionarios publicos. Outros tem bons empregos por causa dos diplomas universitarios. Alguns sao comerciantes ricos. Tambem temos os sacerdores e qualquer outro exemplo que se possa dizer, sao pessoas de sucesso. Porem a maioria eh de pessoas comuns. Eh como se diz no Brasil: “Eu tenho pessoas ricas entre meus parentes mas eles nao me conhecem, e tambem pessoas pobres mas nao as conheco.”

Atualmente, se alguem fala que trabalha como ferreiro ninguem liga. Ha 1.000 anos atras esse seria filho das familias mais nobres. Isto foi o que fez a chamada nobreza antes e isso foi passado para os dias de hoje atraves da genealogia. Nobilidade nunca foi exclusividade europeia. Em todos os cantos da Terra a gente teve esse tipo de diferenciacao que separou alguns dos outros. Mesmo que pareca a muitos de nos que na Africa e nas Americas antigas nao existia nobreza, essa impressao nasce da nossa historica ignorancia. Os europeus massacraram todas as culturas nestes continentes e monopolizaram o direito `a nobreza. A acao deles foi facilitada porque a maioria das culturas massacradas nao possuiam escrita.

Nobreza nao significa necessariamente carater nobre. Algumas vezes isso se aplica melhor a aventureirismo, soldados da fortuna ou alguem que busca fortuna e posicao social inexcrupulosamente, como o aventureiro esta definido no dicionario.

A justificativa para a existencia de genealogia nos tempos antigos eram as sucessoes. Precisamos pensar isso melhor. Se alguem era rei e tinha muitos filhos mas apenas um tinha o direito de ser o sucessor, os outros tinham que ficar na reserva e nao eram descartados. Tinham que esperar e ver se o novo rei seria capaz ou nao de ter filhos e se os filhos teriam capacidade de reinar. Mesmo assim, todo mundo continuaria na linha de sucessao para qualquer eventualidade. Precisamos lembrar disso, nao era incomum, numa epidemia ou numa guerra desastrosa, a maioria dos nobres serem mortos. Entao, o primeiro da linha de sucessao seria escolhido pela proximidade de parentesco com o rei morto.

Mas algumas vezes a linha sucessoria nao se quebrava durante geracoes. E os irmaos e irmas do primeiro rei deixavam suas proprias descendencias. No principio, eles eram nomeados para os melhores cargos do governo. Depois, os filhos deles caiam para cargos menores para os filhos dos novos reis serem favorecidos. Os netos caiam ainda mais, a menos que casassem com outra pessoa de status elevado. Mantendo a queda na linha de importancia, cinco ou dez geracoes depois, a maioria da descendencia do primeiro rei poderia nao passar de pessoas comuns. Como comuns eles se casavam com outros comuns. Isso aconteceu com a maioria de nos.

Em alguns casos isso foi o que levou algumas familias a se casar mais com os proprios parentes. No Brasil, por falta de informacao a esse respeito, as pessoas brincam dizendo, isso eh para nao espalhar a fortuna. Mas a intencao era a de nao perder os elos com o sangue real. Por ignorancia, tais familias punham suas descendencias no risco de terem doencas degenerativas.

Bem, voltemos ao assunto de novo! Alguns dos descendentes dos meus ancestrais, Jose Coelho de Magalhaes e Eugenia Rodrigues Rocha estao postos no site geneall.net. Baseado em alguns dados que eu enviei a primeira geracao deles esta tambem postada como descendente do Jose Coelho de Magalhaes, o nobre. Antes o site nao havia postado familia para ele. Mas na realidade eu nao posso ainda afirmar que sejam a mesma pessoa. Mas isso nao eh tao importante. Por que?

Se aquele nobre nao for nosso ancestral tera que ser parente. Nao sendo ele sera outra pessoa ligada `as familias reais que nos passaram muitos sobrenomes que temos em nossa genealogia. Como demonstrei antes, qualquer pessoa nascida ha 1.000 anos antes de nos poderia facilmente ser ancestral de todo mundo vivendo na Terra hoje. Mas porque existiam fronteiras e preconceitos desde mais de 1.000 anos atras, somente um pequeno numero de ancestrais tera que ter gerado a populacao inteira de cada pais de hoje. Este pequeno numero pode ser milhares e ate poucos milhoes. Isso nao importa.

Tomemos um exemplo. 1.000 anos atras, Portugal nao tinha mais de 1.000.000 de pessoas. E la tinha que ter algumas centenas ou alguns milhares de nobres. Apesar de alguma migracao para la ter ocorrido na Historia, isso nao mudou nada porque os imigrados se casaram com nas antigas familias. Entao, o nosso ancestral Jose Coelho de Magalhaes, nascido 750 anos depois, seria uma total anomalia se nao tivesse vinculos familiares com elas. E os sobrenomes dele sao as evidencias mais significantes destes vinculos.

Deve ser muito facil nos sermos, simultaneamente, descendentes de toda e qualquer pessoa que viveu e deixou descendencia em Portugal 1.000 anos atras. Desde que sabemos disso: eh possivel termos mais de 8.5 bilhoes de ancestrais que viveram naquele tempo, nos temos espaco mais que de sobra para sermos descendentes de todo e qualquer portugues da 33a. geracao anterior `a nossa e ainda de uma grande quantidade de africanos e nativos sulamericanos. So nao posso garantir os asiaticos da India ao Japao alem da ilhas do Pacifico e Oceano Indico porque nao temos dados que nos liguem a eles como nossos ancestrais. Baseado em meus calculos, nos temos espaco suficiente para sermos descendentes de toda e qualquer pessoa pobre ou nobre da Peninsula Iberica de 1.000 anos atras, repetidamente, muitas e muitas vezes.

Agora eu preciso fazer um resumo dos principais acontecimentos que fizeram a genetica iberica. Como disse antes, povos, agora e no passado, vivendo na Peninsula Iberica eram descendentes do grupo de caucasianos que se estabeleceram naquela area por volta de 40.000 anos atras. Por volta de 10.000 anos atras alguns se mudaram em direcao ao norte. Ate ao tempo de Jesus Cristo a genetica nao mudou.

O povo que vivia em Portugal era chamado de luzitani. E os primos deles viviam em torno. Eles tiveram influencia da Cultura Celta. E permaneceram celtas com um pouco de influencia grega e cartiginesa. Contudo, estas influencias foram apenas culturais. Nao promoveram mudanca alguma na genetica. Depois que os romanos conquistaram cartago eles resistiram `a influencia romana.

Desde 219 a 19 a.C. os luzitani eram os povos mais agressivos na fronteira romana. Os nativos romanos temiam ser destacados para as proximidades do territorio luzitani. Porem, em 19 a.C., Julio Cesar, com ajuda de traicao, conquistou o territorio. A regiao foi transformada na Provincia Romana Hispania Luzitania. Mas o nome nao durou muito por causa das diferencas entre os habitantes dos dois territorios. Ai a provincia virou duas, Hispania e Luzitania.

Um fato curioso aconteceu em torno de 70 d.C. Depois de uma repressao violenta da primeira revolta judia em Israel, os romanos deportaram parte do povo de Israel para a Peninsula. Eles proprios se denominaram Safardins que significava que agora estavam vivendo muito longe de casa. Agora imaginem, se 1.000 anos eh tempo suficiente para um casal deixar tantos descendentes, os judeus que chegaram primeiro tiveram quase 1.000 anos para se tornarem ancestrais dos nossos ancestrais que nasceram 1.000 anos antes de nos. E nao eram apenas um casal, eram, pelo menos, alguns milhares.

Mas o numero deles era pequeno comparando-se com o total da populacao vivendo na Peninsula Iberica que poderia ser em torno de 300.000 pessoas. E os judeus se multiplicaram de duas maneiras. Casando-se entre si e convertendo os celtas pagaos iberianos. Dessa forma, a comunidade judia tornou-se parte importante na vida iberiana. Apesar disso, a presenca dela nao mudou muito a genetica da populacao como um todo.

Outra influencia significante veio por volta de 400 anos depois. Com a invasao do Imperio Romano pelos godos, a Peninsula Iberica tambem foi conquistada. Com os godos veio um povo chamado suevi ou suebi. Eles se instalaram na costa atlantica norte de Portugal e Espanha. Fundaram o primeiro reino medieval verdadeiro la com o nome de Gaelecia. Eles haveriam que ser loiros porque posteriormente a palavra galego em portugues virou sinonimo de loiro.

Nao sei qual foi exatamente o impacto genetico deles na genetica iberiana. Mas alguns afirmam que os godos e os aliados deles contavam cerca de 10% da populacao local. Se for assim, o impacto nao foi nem grande nem insignificante. Os iberos ja tinham longa tradicao de cultura romana e eram cristaos catolicos desde o reino de Constantino. E o povo suevo foi absorvido por essa cultura. O reino dos suevos durou por uns 200 anos ate ser conquistado pelos visigodos, perto do ano 700.

Mais duas informacoes interessantes. Tem que ter sido antes desse tempo que houve uma migracao da area da Gaelecia para povoar a Irlanda e algumas partes proximas na Inglaterra e Escocia. Essa migracao tem que ter acontecido antes da conversao ao catolicismo porque Irlanda e as outras partes povoadas permaneceram culturalmente celtas. Os modernos estudos de DNA demonstram que os irlandeses e ingleses sao os parentes mais proximos dos portugueses e espanhois em toda a Europa. Geneticamente eles sao primos. E o povo loiro da Gaelecia antiga tambem mudou-se em grande numero para o Brasil no tempo da Corrida do Ouro (Ciclo do Ouro), em Minas Gerais nos anos 1.700.

Em 711 os muculmanos conquistaram a Peninsula Iberica quase toda. Depois eu tenho que voltar a esse assunto porque o que eles nao conquistaram foi uma pequena parte com os nomes de Cantabria e Asturias. La tem um terreno montanhoso que vem dos Pirineus passando pelo Norte da Espanha. Ali, Pelagio das Asturias e Pedro da Cantabria foram capazes de iniciar a resistencia que terminou em 1.496 com a expulsao dos muculmanos de volta para Africa.

Tambem as invasoes muculmanas nao fizeram diferenca genetica na Peninsula Iberica porque os arabes eram em pequeno numero em comparacao com o tamanho do Imperio conquistado por eles. A forma como fizeram suas conquistas foi invadir um territorio e oferecer conversao `a populacao. Depois eles treinavam o povo em religiao e armas. Formado o novo exercito que era liderado por um pequeno numero de arabes eles partiam para nova conquista. O que eles levaram para a Peninsula foram os mouros. Os mouros eram antigos habitantes do Norte da Africa em coneccao com Gibraltar. Eram povos caucasianos que cruzaram o Gibraltar na ultima Idade do Gelo e eram parentes proximos dos europeus.

Porem havia um pequeno numero de arabes presentes. E eles legaram mais que palavras nas linguas espanhola e portuguesa. Eles tambem legaram componentes culturais e geneticos. Nao tanto para que possamos dizer que sejamos arabes mas o suficiente para dizermos que somos primos distantes.

As ultimas contribuicoes geneticas que os ibericos receberam vieram da propria Europa. Durante o periodo chamado Reconquista, que durou 500 anos para Portugal e quase 800 para Espanha, logo depois dos cristaos reconquistarem cada parte do territorio eles convidavam outros europeus para migrarem para la. Isso foi chamado pelo nome de repovoamento. Entao, pessoas da Holanda e da Bourgonha tambem fizeram parte da nossa mistura genetica.

Estatisticamente falando, uma parte da populacao europeia de hoje tem uma pequena contribuicao genetica de africanos subsaarianos e asiaticos de diversas partes do globo.

Dito isso, posso voltar aos meus ancestrais. Assim, mergulhei fundo na genealogia do Jose Coelho de Magalhaes que encontrei primeiro no sitio geneall.net – Portugal, mais do que certo de que, se ele nao for nosso ancestral, os ancestrais dele o sao. E disso eu aprendi certas coisas que gostaria de repassar a quem quer que esteja interessado no que escrevo. Porei aqui uma sequencia de ancestrais que ele teve. Comecarei do casal mais velho, que serao os pais da primeira pessoa abaixo deles. Isso ira continuar ate encontrarmos o Pedro, duque da Cantabria.

Graciano, o Velho – esposa desconhecida
Valentiniano I, imperador do Ocidente – Justina
Gala – Theodosio I, imperador de Roma
Gala Placida – Ataulfo (rei)
Theodorico (rei) – Flavia Gala Placida
Theodorico I (rei) – esposa desconhecida
Eurico I Balthes (rei) – Ragnahild
Alarico II Balthes (rei) – Theodegota dos Ostrogodos
Amalric I Balthes (rei) – Clothilde de France
Leovigildo da Septmania Balthes – Theodosia de Cartagena
Hermenegildo II Balthes – Ingunda d’Austrasia
Antanagildo Balthes – esposa desconhecida
Adrebasto Balthes – esposa desconhecida
Ervigio Balthes – Liubigotona Balthes
Pedro, duque da Cantabria – esposa desconhecida

Por esta linhagem a gente pode observar cruzamentos interessantes. Um exemplo eh a Clotilde da Franca que foi filha do Clovis, o rei dos francos. A mae dela era a Santa Clotilda da Bourgonha. Entao, os poderosos do final do Imperio Romano e do comeco da Idade Media tornaram-se da maioria das familias reais governantes do Periodo Medieval na Europa.

Temos muitas outras linhagens cruzando ai mas estou limitando a essa para nao ficar confuso. Pedro, como o titulo fala, foi o duque da Cantabria. E daquele territorio ele liderou a resistencia.

Outro lider foi o Pelagio. Nao temos a ascendencia dele mas ele provinha de familias nobres porque ele foi pego como refem pelas forcas muculmanas. Ele conseguiu escapar e juntar outro grupo de resistencia com patricios das Asturias. Pelagio foi pai de um filho mas este foi morto por um urso numa cerimonia de passagem para adulto. Era uma tradicao antiga que os lideres eram submetidos. Por isso a filha dele, Ermesinda das Asturias tornou-se a herdeira.

Pedro da Cantabria tinha um herdeiro chamado Alfonso. Alfonso casou-se com Ermesinda e virou Alfonso I, Rei das Asturias. Desde entao o nome Cantabria desaparece dos dados e os reinos foram unidos. Eles tiveram um herdeiro que virou rei sob o nome de Alfonso II. Alfonso II se tornou o rei mais celebrado pelos cristaos da Peninsula Iberia daquele tempo. Ele foi chamado de o Casto porque nao se casou e foi inteirmante dedicado `a causa crista da reconquista.

O reino dele durou 52 anos. Alguns dizem que ele transformou uma vasta area entre as Asturias e o norte do territorio muculmano no sul num deserto de pessoas viventes. Outros afirmam que isso aconteceu por causa da peste. O importante foi o resultado disso. As Asturias foram um reino pequeno demais para sobreviver `a superioridade muculmana. Assim, o deserto deu tempo para o reino ganhar mais populacao.

Um evento foi a chave para a salvacao do reino. Encontraram uma cova e a identificaram como sendo de Sao Tiago, o Menor. Sao Tiago, conhecido pelo nome ingles de James ou outras linguagens como Lago e Iago foi o Apostolo de Jesus. A lenda diz que ele foi o primeiro cristao a ensinar o cristianismo na Espanha. Depois ele voltou para Jerusalem e foi decaptado pelo rei Herodes Antipas. Os seguidores dele levaram o corpo de volta para Espanha e o enterraram la.

Depois da identificacao da cova em Compostela (Campo das Estrelas) isso virou um centro famoso de peregrinacao. Cristaos de todos os cantos da Europa comecaram a visitacao e sentir algo magico. Os Caminhos de Santiago de Compostela tem uma extensao de uns 800 quilometros. E os penitentes tinham que percorre-los a pe. Depois da experiencia eles faziam votos de defender a terra e faziam doacoes que ajudavam na Reconquista. A lenda inclusive afirma que Sao Tiago em pessoa veio do ceu num cavalo e armadura resplandecentes para lutar ao lado dos cristaos.

Os Caminhos de Santiago de Compostela foram percorridos pelo escritor brasileiro mais famoso da atualidade, Paulo Coelho. Ele atribuiu sua carreira como escritor de livros a essa passagem da vida dele. Mas eu nao tenho a minima ideia se o Coelho dele tem algo haver com algum conhecido meu.

Alfonso II nao teve herdeiros. Assim, a linhagem sucessoria foi produzida pelo irmao dele, Froila, que recebeu o privilegio. Dai a sequencia passou a ser essa:

725 Froila I – Munia Froilaz
743 Froila das Asturias – esposa desconhecida
760 Bermudo, principe das Asturias – Ursina Muniadona de Coimbra
780 Ramiro I, rei das Asturias – Paterna de Castela
800 Ordonho I, rei das Asturias – Munadona de Vierzo
838 Alfonso III, rei das Asturias – Ximena Garcez, de Pamplona
860 Ordonho II, rei das Arturias – Elvira Mendes de Portugal
900 Ramiro II, rei de Leon – Onega?…

Como se pode ver, as linhagens que estou apresentando sao somente paternais. Quase sempre dos primogenitos dos reis. Mas se qualquer um se interessar por essa genealogia pode ir ao geneall.net – Portugal e dar uma olhadinha nos ancestrais das maes que aparecem. Elas pertencem a familias nobres e a maioria era da Peninsula Iberica. Desde aquele tempo ja existia certo preconceito contra os iberos. Eles eram concebidos como sendo barbaros cuja unica atividade civilizada foi fazer aco e ferramentas dele.

Alfonso III eh mentor de uma importante passagem na retomada de Portugal. Ele foi o rei que comissionou Vimara Peres na retomada do Norte do pais. Vimara eh o heroi portugues daquele tempo. Ele dominou o territorio entre os Rios Minho, ao Norte, e Douro, ao Sul. Ele construiu fortificacoes que viraram uma vila chamada Vimaranes em homenagem a ele proprio. Ele recebeu o titulo de conde, e o titulo virou hereditario. Alguns dizem que em outras monarquias europeias o titulo dele seria duque. O nome Vimaranes tambem foi modificado para Guimaraes. Assim surgiu o nome de familia e, provavelmente, todos que o tem no nome sao descendentes de Vimara Peres.

Mais tarde um descendente de Vimara, Nuno Vimaranes, tentou libertar Portugal do dominio do Reino da Galicia mas ele foi morto na batalha.

Ramiro II foi um guerreiro tenaz contra os muculmanos. Eles o chamavam de “El Diablo” (O Demonio). O reino dele coincide com o de um lider famoso do lado muculmano. O nome dele era Adb al Rahman III ibn Muhammad, o Grande. Nos podemos ver detalhes interessantes desse periodo no video produzido e distribuido pela PBS HOME VIDEO. No site http://www.pbs.org a gente pode buscar: ISLAM, EMPIRE OF FAITH. O que mais chama atencao eh a comparacao entre a Europa do Norte, representada pelo dominio cristao, e a Peninsula Iberica islamica. Foi dito que, uma irma conheceu a beleza e higiene na Espanha islamica e ela nao teve duvida em dizer: “Eh como comparar escuridao e luz.”

Adb al Rahman III foi capaz de conciliar as tres fes diferentes sob seu dominio. Judeus, cristaos e muculmanos serviam a ele em todos os aspectos como iguais. Mas ele confrontou uma oposicao ferrenha dos proprios correligionarios. Eles se sentiam negligenciados e mesmo o reino dele tendo sido de grande progresso em termos de renascimento cultural tambem foi um constante campo de batalhas.

Apesar da rivalidade entre as fes, Ramiro II e Adb al Rahman III concordaram no casamento do filho do Ramiro com uma prima do Adb. Assim, o casamento de Lovesendo Ramires e Zayra ibn Zayda foi tratado para levar paz entre os dois povos. E eu vou postar um pouco mais da genealogia deles. Com respeito a Zayra e Adb al Rahman III se pode seguir a ascendencia deles no site mencionado acima. Eles sao descendentes diretos do proprio profeta Muhammad. O que se segue eh um pouco da descendencia deles:

940 Lovesendo Ramires – Zayra ibn Zayda
960 Aboazar Lovesendes – Unisco Godinhes
980 Ermigio Aboazar – Vivili Turtezendes
1.000 Toda Ermiges – Egas Moniz de Ribadouro, Senhor de Ribadouro
1.020 Ermigio Viegas, Senhor de Ribadouro – Unisco Pais
1.050 Monio Ermiges, Senhor de Ribadouro – Ouroana
1.080 Egas Moniz, o Aio – Dordia Pais Azevedo
Lourenco Viegas – Maria Gomes de Pombeiro
1.135 Egas Lourenco (Coelho) – Esposa desconhecida, de Pombeiro
1.160 Soeiro Viegas Coelho – Mor Mendes de Gandarei

Ai temos uma sequencia interessante. Atraves de uma mulher, Toda Ermiges, o sangue real foi passado `a familia que dominava a regiao chamada de Ribadouro. O que o nome significa eh, Acima do Rio Douro e a familia residia ao Norte do Rio Douro. Toda Ermiges foi uma das bisavos de Egas Moniz, o Aio. Na lingua portuguesa o Aio parece significar masculino de baba (aia). O apelido dado a Egas Moniz se deve a ele ter aceitado ser mentor do Afonso Henriques que depois veio a se tornar o primeiro rei de Portugal.

Na sequencia, ele se tornou avo do Egas Lourenco Coelho. Alguns autores falam que, Egas Lourenco foi o primeiro a usar o sobrenome Coelho. Isto teria acontecido porque ele foi dono de uma propriedade chamada de Quinta da Coelha. Mas isso nao parece ser verdade porque ele nao passou o nome para a descendencia.

Porem, o filho dele passou. E a razao pela qual o filho, Soeiro, passou a usar o nome teve origem na luta da Reconquista. Alguem contou vantagem dele ao rei dizendo que era capaz de penetrar a retaguarda inimiga sem ser notado, como se passasse por tocas de coelhos. Dai ele adotou o nome Coelho e o passou aos filhos. E eh por isso que o bicho coelho virou sobrenome de nossa familia.

Outra linhagem importante deixada pelos reis das Asturias eh esta:

900 Ramiro II, rei das Asturias – Ausenda Guterres de Coimbra
925 Ordonho III, rei de Leon – Elvira Pais Daza
956 Bermudo II, rei de Leon – Elvira Garcez de Castela
994 Alfonso V, rei de Leon – Elvira Mendes, condessa soberana de Portugal
1.015 Sancha, herdeira de Leon – Fernando Magno, rei de Castela
1.039 Alfonso VI, rei de Castela – Ximena Moniz
Teresa de Leon, condessa de Portugal – Henry da Bourgonha

Teresa, condessa de Portugal, como Egas Moniz, o Aio, era descendente do rei Ramiro II que era descendente de Pedro e Pelagio. E o pai dela, Alfonso VI, mandou uma mensagem a todas as familias nobres da Europa, prometendo riquezas e ate a mao das filhas dele em casamento para aqueles que desejassem ajuda-lo na luta contra os mouros. Henry, que era filho do Henry, duque da Bourgonha e outros aceitaram o desafio. Alfonso VI manteve a palavra e casou a Teresa com o Henry. Eles tiveram varios filhos e filhas.

Um dos filhos foi batizado com o nome de Afonso, filho do Henry ou Afonso Henriques como esta na Historia de Portugal. E foi para essa crianca que o Egas Moniz prometeu ao pai dela ser o mentor. Depois que o Henry da Bourgonha faleceu, a mulher dele, Teresa, teve outro homem e talvez tenha sido essa razao que levou o Afonso Henriques a comecar a rebeliao para tentar separar Portugal do Reino de Leon.

Na primeira tentativa ele falhou. Como mentor dele, Egas Moniz deu a palavra ao rei Alfonso VII, garantindo que Afonso Henriques nao iria tentar de novo. Mas ele tentou e conseguiu. E isso foi dito depois: o mentor saiu de Portugal indo ate `a Cidade de Leon com uma canga no pescoco, em companhia de todos os descendentes para oferecer as vidas deles por causa da palavra quebrada. Vendo tal gesto de nobreza, o rei concedeu perdao a ele e mais riquezas. Ninguem sabe o que aconteceu realmente mas penso que ele deu a palavra em primeiro lugar para dar tempo ao Afonso Henriques para reorganizar seu exercito para ter uma segunda chance de vencer o exercito da propria mae. Porem, eh dificil acreditar que, Egas Moniz, tenha sido tao louco a ponto de jogar com sua propria vida e da familia assim. Ele, provavelmente, foi sincero em tudo.

A proxima sequencia genealogica comeca no rei Afonso Henriques.

1.109 D. Afonso Henriques, primeiro rei de Portugal – Mafalda da Savoia
1.154 D. Sancho I, rei de Portugal – Dulce de Barcelona
1.185 D. Afonso II, rei de Portugal – Urraca de Castela
1.210 D. Afonso III, rei de Portugal – Maria Peres de Enxara
1.260 D. Afonso Dinis – Maria Pais Ribeiro
1,305 D. Diogo Afonso de Sousa – Violante Lopes Pacheco
1.330 D. Alvaro Dias de Sousa – Maria Teles de Menezes
1.350 D. Lopo Dias de Sousa – Maria Ribeiro
1.370 Violante de Sousa – Rui Vasques Ribeiro
1.410 Pedro (ou Rodrigo) Ribeiro de Vasconcelos – esposa desconhecida
1.440 Francisco Queiroz Ribeiro de Vasconcelos – Maria Goncalves
1.470 Isabel Francisca de Queiroz – Diogo Anes Ribeiro de Vasconcelos
1.495 Manuel Dias Ribeiro de Vasconcelos – Joana Ferreira
1.525 Violante de Freitas, a Mentirosa – Lancarote Pinto
1.550 Simeao Pinto Machado – Ana da Mesquita
Antonio Pinto de Mesquita – Maria de Lemos
Simao Pinto de Mesquita – Maria Barbosa
Antonio Pinto de Mesquita – Angela Vieira de Seixas
Bernardo Antonio Pinto de Mesquita – Ana Josefa de Magalhaes Pinto
1.750 Jose Coelho de Magalhaes – (?) Eugenia Rodrigues Rocha

Novamente, nao posso afirmar, sem duvida, que este Jose Coelho de Magalhaes eh realmente meu pentavo e ancestral de minha familia. Mas, se nao for, algum outro sera e a linhagem deste tera uma ligacao com os aqui mostrados. Com certeza seria uma impossibilidade matematica se nao for assim. Eu nao aposto minha vida na hipotese dessa ser a linhagem. Ninguem precisa fazer isso. Infelizmente, a maioria de nos nao sabe a linhagem de onde veio mas todo mundo tem la suas linhagens de sangue real. Isto eh um clube que nao exige exclusividade alguma.

Uma figura historica importante dessa linhagem que gostaria de mencionar eh D. Afonso III, rei de Portugal. Durante o reino dele, os portugueses reconquistaram as ultimas partes de Portugal nas maos dos mouros. Ele nao era para ser rei porque tinha um irmao mais velho que se tornou o rei Sancho II. Porem, Sancho II nao queria ficar submisso `a poderosa Igreja Catolica e ela ordenou a saida dele do trono. Afonso III foi surpreendido com a decisao onde ele se tornou inesperadamente o numero um em Portugal.

D. Afonso III foi quem completou a Reconquista quando tomou Algarves e a Cidade do Faro que fazem parte do Sul de Portugal e proximos ao Gibraltar. Para Portugal, o governo dele representa uma reviravolta no que fora antes. Tomemos este extrato da Wikipedia como exemplo: “Afonso III deu atencao especial ao que a classe media, compostas por comerciantes e pequenos fazendeiros diziam. Em 1.254, na Cidade de leiria, ele realizou a primeira sessao das Cortes, que foi uma Assembleia Geral composta de nobres, classe media e representantes das cidades. Tambem fez leis com a intencao de proibir as classes altas de aproveitarem da fragilidade das classes mais pobres. Lembrado como um legislador notavel, Afonso III fundou varias cidades, emancipou distritos e reorganizou o servico publico.” Ele foi o criador do Parlamentarismo muito antes disso ter ficado conhecido como sistema de governo.

Igual a outros reis do seu tempo, Afonso III tinha mulheres e concubinas. Uma das concubinas foi Madragana, depois rebatizada por Mor Afonso. Temos informacoes interessantes a respeito dela. Em primeiro lugar, ela era filha do prefeito do Faro. E eles eram judeus. Penso que isso seja interessante porque sabemos que todas as pessoas com ligacoes genealogicas com a Peninsula Iberica sao provavelmente descendente de judeus por causa dos judeus que foram levados pelos romanos desde 70 d.C. Porem eh quase impossivel ter dados que mostrem isso. Por outro lado, nao eh tao dificil achar essa heranca atraves da ascendencia nela e outros. Atraves dela, personalidades de hoje como a Rainha Elizabeth II, da Inglaterra, sao, comprovadamente, descendentes de judeus tanto quanto descendentes de arabes atraves da Zayra ibn Zayda, a nora do Ramiro II, rei das Asturias.

Estou devendo a voces porque comecei a mostrar uma linhagem Coelho da qual minha familia herdou este nome importante. A linhagem posta acima que termina no nosso suposto ancestral Jose Coelho de Magalhaes tem varias ligacoes com o primeiro dos Coelho, Soeiro Viegas Coelho. O ancestral mais proximo a usar o sobrenome Coelho foi o avo materno. Eu mostrarei outra sequencia genealogica tomando a direcao contraria, dos mais novos para os mais velhos. Comecarei com meu ancestral e o casal abaixo da linha dele serao seus pais. A proxima linha estarao os avos e assim por diante.

1.750 Jose Coelho de Magalhaes – (?) Eugenia Rodrigues Rocha
Ana Josefa de Magalhaes Pinto – Bernardo Antonio Pinto da Mesquita
Joao de Magalhaes Coelho – Isabel Maria Pinto
Jeronimo Ribeiro – Maria Teixeira de Seixas
Domingos Coelho de Magalhaes – Antonia Ribeiro
Isabel Pinto de Magalhaes – Belchior Dias
Ana Coelho – Gregorio Magalhaes de Azevedo
Fernando Coelho – Violante Pinto
1.450 Diogo Coelho de Sampaio – Isabel Sampaio
Rodrigo de Sao Paio Coelho – esposa desconhecida
1.370 Fernao Coelho – Catarina de Freitas
1.340 Goncalo Pires Coelho – Maria Silva
1.320 Pero Esteves Coelho – D. Aldonca Vasques Pereira
1.290 Estevao Coelho – Maria Mendes Petite
1.260 Pero Anes Coelho – D. Margarida Esteves
1.200 Joao Soares Coelho – Maria Fernandes
1.160 Soeiro Viegas Coelho – Mor Mendes Gandarei

Deste ponto em diante a gente pode ligar o Soeiro Viegas Coelho com ele proprio na segunda linhagem apresentada neste capitulo. O que se pode ver no geneall.net – Portugal eh isso: muitas das pessoas dessa linhagem tem parentesco umas com as outras. O sitio nos da um recurso que facilita encontrar isso. Quando alguem eh descendente de certos reis, recebe uma bolinha debaixo do nome. Cores diferentes representam cada rei. Apontando a seta do computador para a bola fara aparecer o nome dele. Assim fica facil seguir algumas linhagens. Algumas vezes voce encontra pai e mae identificados com a mesma bolinha e precisa decidir qual deles buscar primeiro. Boa ideia eh voce escrever num papel a linhagem que voce esta buscando. Se voce precisar voltar sera mais facil para nao se perder.

Agora eu preciso justificar o titulo deste capitulo. O nome menciona genealogia europeia, nao apenas ibera. A razao para eu falar especificamente de Portugal eh tao somente porque eu estou melhor familiarizado com sua Historia e genealogia. Se eu tivesse tomado qualquer outro pais europeu como exemplo, inclusive o menor de todos, os resultados poderiam ser quase iguais porque as familias reais de la tem seus principais ancestrais nas mesmas linhagens. Elas sao apenas a mesma familia porque o tempo todo elas trocavam noivas e noivos e nao eram nada diferentes de um bando de galinhas de granja.

Na segunda sequencia genealogica acima eu postei apenas alguns reis de Portugal porque nao identifiquei outros alem de D. Dinis, filho de Afonso III e tambem rei de Portugal, como meu ancestral. Nao se confunda com o nome Afonso Dinis, tambem filho de Afonso III, mas nao rei. Nao precisamos ter uma lista extensa de reis ancestrais para sermos parentes do resto todo. Podemos pegar a mae do Afonso II, Urraca, princesa de Castela, como exemplo para mostras as ligacoes. Vamos pegar uma sequencia genealogica a partir dela:

Urraca, princesa de Castela – Afonso II, rei de Portugal
Eleanor Plantagenet, princesa da Inglaterra – Alfonso VIII, rei de Castela
Henry II, rei da Inglaterra – Eleonor d’Aquitaine
Matilda, rainha da Inglaterra – Godefroy V Plantagenet, conde d’Anjou
Henry I, rei da Inglaterra – Santa Mathilda, pricesa da Escocia
William I, o Conquistador, rei da Inglaterra – Mathilde de Flandres
Robert I, duque da Normandia – Herleva da Falesia
Richard II, duque da Normandia – Judith da Bretanha
Richard I, conde da Normandia – Gunnor, princesa da Dinamarca

Olhando essa sequencia genealogica podemos fazer muitas ligacoes no mapa europeu. Somente para que saibam, a mae da Urraca, Eleanor Plantagenet, era irma do Ricardo Coracao de Leao. Qualquer um que conheca um pouco de Historia tera visto muito mais que uma sequencia genealogica nessa lista. Eh mais. Eh a propria Historia em cada nome e titulo. Na proxima sequencia comerei a partir da Judith da Bretanha. Segue entao:

Judith da Bretanha – Richard II, duque da Normandia
Ermengarda d’Anjou – Connon I, duque da Bretanha
Adelaide de Vermandois, senhora de Donzy – Geoffroi I Grisegonelle, conde d”Anjou
Robert I, conde de Vermandois e Troyes – Adelaide Werra da Bourgonha
Herbert II, conde de Vermandois – Luitegarde ou Adelia da Franca
Herbert I, conde de Vermandois – Berthe de Morvois
Pepino II, conde de Vermandois – Rothaeide de Bobbio
Bernardo, rei da Italia – Conegonde de Gellome de Toulouse
Pepino I, rei da Italia – Ingeltude d’Autun
Carlos Magno, Imperador do Ocidente – Hildegarde von Vintschgau

Uma lembranca, o nome Normandia significa, homens do norte. Ela foi colonizada por um grupo de Viquingues que desejava se acomodar depois de causarem muito terror `a populacao europeia. Como se pode ver, Judith e Richard II eram avos do William, o Conquistador, que tomou a Inglaterra das maos dos antigos senhores, os reis do Wessex. Os reis do Wessex tambem sao ancestrais das familias reais iberas. Mas nao mostrarei sequencias mostrando isso porque o que temos ja eh suficiente. Pretendo por apenas mais uma sequencia nesse capitulo.

Luitegarde ou Adelia da Franca, esposa do Herbert II, conde de Vermandois, era filha do Robert I, rei da Franca e Adelia de Perthois. Mas o rei Robert I, como era comum `as suas magestades, teve outra esposa com o nome de Beatrice de Vermandois. Assim, eu porei mais uma sequencia para mostrar algo que parece coincidencia mas nao eh. Vejamos:

Robert I, rei da Franca – Beatrice de Vermandois
Hugo, o Grande, duque da Franca – Heduvige von Sachsen
Hugo I Capet, rei da Franca – Adelaide de Poitou
Robert II, o Piedoso, rei da Franca – Constance d’Arles
Robert I, o Velho, duque da Bourgonha – Helie de Semur
Henri, duque da Bourgonha – Beatriz (?) de Barcelona
Henry da Bourgonha – Teresa de Leon
Afonso Henriques, 1o. rei de Portugal – Mafalda de Savoia

Entao, nos comecamos nossa viagem a partir da mae do Afonso III, rei de Portugal, Urraca, princesa de Castela, e terminamos nos bisavos dele. Nao porei a sequencia genealogica que mostra isso mas vou mencionar apenas. Mafalda de Savoia, como o nome ja diz, vem da Casa de Savoia, a ultima familia real da Italia. A Casa Real de Savoia eh herdeira do Umberto I Biancamano (Mao Branca), conde de Savoia. A nivel de seus bisavos ele era descendente do Luis III, l’Aveugle, Imperador do Ocidente e Anna de Bizantium. Penso que nem precisa mencionar que o Luiz III era tambem descendente do Carlos Magno. Mas a Anna de Bizantium eh quem nos acrescenta mais Historia.

O titulo dela ja explica, a heranca dela comeca no Imperio Bizantino, passando por Santa Teodora, Imperatriz de Bizatium; Santo Isaac e Santo Narso, reis da Armenia e isso mergulha nos tempos antes de Cristo. Por volta de 500 b.C., dois dos ancestrais dela sao o Xerxes I, rei da Persia e a esposa dele, Ester, a mulher que teve o nome de um livro biblico em homenagem a ela. Depois disso, a heranca da Anna de Bizantium continua mergulhando no tempo e termina numa sequencia de faraos egipcios, incluindo-se ai, Ramses II, o Grande. Mas isso eh grande demais para postar aqui. Atraves da Casa de Savoia, todas as familias reais da Europa sao multiplas vezes descendentes destas figuras historicas.

Muitas outras familias reais europeias surgem como nossas ancestrais mas eu nao quero perder tempo mostrando isso. Posso mencionar alguns como: Aragao, Navarra, Pamplona, Leon, Galicia, Holanda, Hungria, Constantinopla, Alemanha, Russia, Polonia, Austria, Dinamarca, Luxemburgo. Ate do Reino de Jerusalem, o qual nao durou muito e nao passava de um ramo da familia real francesa nos temos ancestrais.

Tambem posso dar exemplos de noivas e noivos da familia real portuguesa que se casaram na alta nobreza do resto da Europa. E eu verifiquei antes se os casamentos resultaram em descendentes porque nos temos muitos casos em que isso nao aconteceu, provavelmente em consequencia da consanguinidade excessiva. Nesse caso nos temos: Berengaria, filha de D. Sancho I e Dulce de Barcelona que se casou com Valdemar II, conde da Dinamarca; D. Afonso, filho do D. Afonso II e Beatriz de Castela, que casou-se com sua prima, Violante Manoel, princesa de Castela. Temos tambem D. Constanca, filha do D. Dinis e Santa Isabel de Aragao, que se casou com o rei Fernando IV, rei de Castela.

Para resumir e permanecer apenas nos primeiros reis de Portugal, nos tivemos o exemplo de D. Maria, filha de D. Afonso IV e Beatriz de Castela, que casou-se com Alfonso IX, rei de Castela. D. Maria e o rei Alfonso IX foram os pais do rei Pedro I de Castela. Pedro teve duas filhas com sua parceira, Maria Padilha. A primeira, Constanza, foi casada com John, o Grande, duque de Lancaster. A segunda, Isabel, casou-se com Edmund de Langley, duque de York. E, numa rapida olhada na genealogia presente no geneall.net – Portugal, pude constatar que o atual duque de Manchester eh um direto descendente desta linhagem.

06. UM FUTURO MELHOR PARA NOSSOS FILHOS E…

Vou fugir um pouquinho `a ordem que estava escrevendo. Isso se da porque gostaria de mostrar algo pratico nos meus estudos.

Essa intervencao vem da observacao de que, praticamente, toda e qualquer pessoa com uma longa Historia genealogica no Ocidente eh descendente das figuras historicas mais importantes de 800 ou mais anos atras. Nao apenas deles mas tambem da maioria da populacao que viveu no tempo delas. Mas o que a genealogia disponivel pode nos mostrar nao passa de quase nada do que eh verdadeiro.

Uma pratica comum era os reis terem suas esposas e concubinas, inclusive quando isso nao acontecia como bigamia porque eles se casaram mais de uma vez apos cada esposa anterior ter falecido. Algumas vezes eles tiveram concubinas paralelas ao casamento oficial ou no intervalo deles. O que eles queriam era ter certeza de terem herdeiros ao trono. Mas o que eh util para nos agora eh saber que, a descendencia paralela deles ganhava uma classificacao de nobreza menor. E quando as geracoes iam passando, essa descendencia se misturava com as pessoas comuns. E, como comuns, seus dados nao foram guardados com cuidado. A propria nobreza menor pensava que tivesse coisas mais importantes a fazer do que se certificar que sua heranca genetica fosse lembrada.

Mas se a gente pegar a descendencia de Carlos Magno como exemplo pode-se assegurar que, desde o mais rico ate ao mais pobre, a maioria das pessoas dos paises ocidentais sao descendentes dele. Alguns do Oriente tambem sao. E, matematicamente, nao eh nenhuma surpresa porque ele viveu ate morrer em 814. Cerca de 1.200 anos atras. E ele teve muitas esposas e concubinas para garantir essa heranca imensa.

Baseado nos meus calculos, qualquer um que tivesse dois filhos poderia facilmente ser ancestral da populacao inteira da Terra hoje, bastando apenas ter nascido por volta de 1.000 anos atras. Apenas recordando, se alguem teve 2 filhos, 4 netos, 8 bisnetos e assim por diante, no final de 1.000 anos, ele ou ela poderia ter mais de 8.5 bilhoes de descendentes. O mais importante de tudo eh isso, nossa populacao de hoje poderia ser, simultaneamente, descendente de toda e qualquer pessoa viva ha 1.000 anos atras, desde que tivessem filhos.

Assim se da porque a possibilidade matematica funciona dos dois lados. No espaco de 1.000 anos qualquer um tem o possibilidade de produzir mais de 8.5 bilhoes de descendentes tanto quanto se pode tambem ser descendente de mais de 8.5 bilhoes de ancestrais. E estou falando apenas a respeito da 33a. depois e da 33a. geracao antes da pessoa. Em 1.000 anos voce nao precisa ter mais de 2 criancas para ser ancestral de mais de 15 bilhoes de pessoas vivas. Isso acontece porque nos podemos fazer a adicao das 31a., 32a. e 33a. geracoes porque serao os avos, pais e filhos.

Eu compreendo. O modelo matematico nao funciona tao bem na vida pratica. Isso se da porque na verdade o casamento entre seus descendentes teriam que ser evitados. Em termos praticos isso eh quase impossivel porque algumas familias passam tempo demais residindo numa area muito pequena. Dai, a descendencia das primeiras pessoas comeca a casar-se uns com os outros, repetidamente. Isso acaba transformando-os num bando de galinhas de granja que ja mencionei. Porem, se apenas um descendente sair do circulo vicioso, que seja ha 300 anos atras, sera o suficiente por ser responsavel por multiplicar a familia grandemente em numero. Neste caso, estou pensando numa pessoa que nao limitou o numero de filhos que teve.

Todavia, inclusive quando os descendentes de alguem mantenham se casando entre si por 1.000 anos, baseado no que foi nossa Historia durante este periodo, o que podemos esperar disso eh, a pessoa que teve filhos por volta de 1.000 anos atras e seus filhos foram saudaveis o suficiente para manter a linhagem ate hoje eh, certamente, ancestral de milhoes de pessoas.

Ha uma outra consideracao que voce precisa fazer do modelo matematico. Nao antes de pouco tempo atras ninguem limitava o numero de filhos a um numero como o dois. Se o meu avo paterno tivesse nascido ha 1.000 anos atras e tivesse tido tantos filhos e netos como ele teve, hoje a populacao da Terra poderia ser muitas e muitas vezes descendente dele. Ele teve 14 filhos. Dos quais 13 se casaram e deram a ele 101 netos. Somente pelo lado dele nos somos cerca de 500 pessoas entre vivas e falecidas. Ele nasceu em 1.890. Eh! Quem sabe qual sera o numero de nos daqui a 880 anos!?

Qual eh a pergunta mais importante dos nossos dias? Penso que eh esta: O que acontecera aos nossos descendentes? A maioria de nos fala isso: Eu quero construir um futuro melhor para meus filhos e filhos dos meus filhos. Penso que ha algo de errado na construcao da frase. Primeiramente nos precisamos construir um mundo melhor para eles terem um futuro. Em segundo lugar, nos precisamos de pessoas melhores em nosso mundo e isso inclui nossos proprios filhos.

O que quero dizer com isso eh que, provavelmente, Carlos Magno lutou a vida inteira pensando em dar um futuro melhor para a descendencia dele. Mas provavelmente ele tambem pensou a respeito apenas dos filhos que conheceu e, talvez, esperava que isso seguiria por algumas geracoes apos a partida dele. Tenho certeza que ele nao pensou nos descendentes de hoje-em-dia. E este eh o maior erro que qualquer um pode cometer.

Se ele soubesse o que estou falando agora, talvez tivesse tentado algo diferente do que fez. Isso se da comigo hoje. Sou diferente porque a mim foi permitido saber algo melhor. Carlos Magno pensou em um mundo melhor para os que ele ja conhecia ou esperava vir pouco depois dele. Eu penso a respeito de todos que conheco e que nao conheco. Por que? Porque eu bem sei disso, para que eu tenha milhoes, talvez bilhoes de descendentes na 33a. geracao depois da minha sera urgente que eu cuide de todo mundo que vive no meu tempo porque meus descendentes irao casar-se com os seus descendentes. Entao, ama-los e cuidar deles eh o mesmo que fazer o mesmo por minhas proprias criancas.

Eu sei. Uma vez isso foi ensinado a voces, nas igrejas, para os que acreditam em religiao, pelos sacerdotes. O pensamento religioso eh baseado nisso, se temos um Creador responsavel pelo nosso nascimento, entao, deveriamos honra-Lo, amando as creaturas Dele. Mas isso nunca foi bem entendido pelas pessoas. Agora, o que estou falando eh isso, nos temos outra razao para fazer a mesma coisa. E essa outra razao nao exige acreditar em Deus ou ter uma religiao especifica. Se voce tem planos de ter ou ja tem filhos, entao voce precisa comecar a pensar o que acontecera `a sua descendencia 1.000 anos adiante porque se voce nao os preparar para isso, talvez ela nao chegara ate la e o tempo que dedicou a ela sera um desperdicio.

Isso pode ate parecer magico mas nao eh. Ha quase 1.000 anos atras os piores inimigos no mundo eram os cruzados e muculmanos. Hoje nos somos a descendencia de ambos. Ai, o que de bom a guerra nos trouxe? So posso responder por mim mesmo: nada. Cada um que ler esse texto deve responder essa questao a si mesmo.

O mesmo se repetira. Nao interessa qual sejam os motivos dos cruzados de hoje ou guerra santa. O que os envolvidos nisso estao fazendo eh errado. E daqui a 1.000 ou menos anos adiante a descendencia de Osama Bin Laden ira se casar com a descendencia de George W. Bush e Barack H. Obama. Nao. Nao estou jogando praga em ninguem. Tambem nao estou adivinhando o futuro. Estou apenas falando o que eh provado por meus calculos.

Eu posso estar terrivelmente enganado nos meus calculos porque estou falando do daqui a 1.000 anos sem ao menos saber o que acontecera de concreto amanha. Porem, minha consciencia esta tranquila. Nao estou afirmando que isso acontecera sem condicao alguma. Como crente, eu sei que para isso acontecer Deus precisa permitir-nos 1.000 anos adiante e a multiplicacao de todos precisa ser o mais normal possivel. Neste caso, nos precisamos da participacao de todos em nossa multiplicacao.

Estou fazendo esses calculos na presuncao de que a populacao da Terra daqui a 1.000 anos nao excedera muito ao que ja temos agora. Penso ser uma otima precaucao se nos nao termos mais que duas criancas desde ja porque o nosso planeta ja esta superpovoado por humanos. Alguns criticos dessa concepcao andam dizendo que esse aviso tem sido feito por longo tempo e a populacao continua crescendo e nada aconteceu. Eles dizem assim, humanos tem sempre seus recursos e quando qualquer problema se apresentar alguem apresentara uma resposta para solucionar isso.

O nosso maior problema eh esse, os recursos em nosso planeta sao limitados. E ja estao nos enviando sinais de exaustao. O proprio planeta eh limitado. Dai eu nao penso que ha qualquer inteligencia em nao termos precaucoes quanto a isso. Se formos ir ate ao ponto sem retorno o que acontecera sera nada mais que guerras terriveis pelos ultimos recursos de vida na Terra. E nos temos que nos lembrar que, hoje nos temos recursos suficientes talvez ate para cuidar de 50 bilhoes de pessoas na Terra mas mesmo que a populacao se estabilize nisso, as geracoes continuarao se sucedendo.

Entao, 1.000 anos depois de tal ponto, nos teremos tido 33 geracoes de 50 bilhoes de pessoas vivendo na Terra. Isso eh o mesmo que 1.65 trilhoes vivendo na Terra num mesmo tempo. E nos nao temos a menor ideia por quantos milhares de anos nos teremos somente essa mae Terra para nos dar comida e abrigo. Ser cauteloso nao eh uma questao de nao ter coragem e sim uma questao de conhecer os fatos.

Se voce quizer outra a respeito do que genealogia e genetica pode nos oferecer, peguem o casal Bill e Melinda Gates como exemplo. Penso que eles sao o casal mais rico do mundo. Agora vamos imaginar que, os filhos deles terao filhos e assim por diante, multiplicando como eu tenho dito. Mesmo que nas primeiras geracoes eles nao terao problemas com falta de dinheiro, quando eles forem numerosos como 5.000 pessoas eles nao serao ricos como os ancestrais deles e alguns terao, provavelmente, vida pobre.

Se continuarem multiplicando-se como calculei, eles acabarao se casando com a nossa descendencia, desde dos mais ricos aos mais pobres de cada um de nos. E se a gente nao cuidar uns dos outros desde agora, todos os criminosos, todos os politicos, todos os sofredores serao nossos descendentes coletivos, tanto quanto as pessoas de maior sucesso e intermediarias no tempo delas.

07. UMA PITADA DE GENEALOGIA IBERA

A genealogia da Peninsula Iberica, no comeco, nao foi complicada. O que nao eh facil estuda-la eh justamente quando voce comeca a voltar aos mesmos ancestrais repetidamente. Com certeza, a mesma coisa acontece com as outras genealogias no mundo. Mesmo se a gente tivesse dados completos da Idade Media ate hoje isso nao seria diferente. A unica coisa que a gente poderia esperar ser diferente em relacao ao que ja temos seria, mesmo se a gente achasse linhagens que nunca suspeitassemos que tivessemos, certamente, elas acabariam nos levando aos mesmos ancestrais que ja temos.

Nao eh surpresa alguma termos dados somente das personalidades historicas conhecidas e, quando muito, das pessoas que as acompanhavam em suas Historias. Frequentemente nos encontramos dados de alguem que so aparece nos documentos porque ele ou ela foi casado com alguma personalidade ou com um dos filhos dela. Esta pessoa que parece nascer do ar tras consigo somente o pai ou tambem a mae. Parece que o recem-chegado nem teve um comeco ha milhares de anos atras exatamente como tudo mundo tem.

O recem chegado eh uma pessoa comumente chamada de comum ou gentinha. Algumas vezes tambem conhecida como: o pobre. Porem, o que eu tenho certeza eh isso: esquecido na falta de documentacao e na tradicao falada, nalgum ponto da Historia de cada pessoa, todos nos tivemos os mesmos ancestrais, nao tao distante quanto o leigo supoe. Nossa Historia de privilegios de alguns e exclusao dos outros eh responsavel por essa diferenciacao. E o povo comum nao eh nada mais comum que quem quer que seja no planeta. Todos nos vimos dos dois, comuns e privilegiados. E o que nos separa agora esta mais relacionado ao ter ou nao ter dinheiro.

Como eu disse antes, a Peninsula Iberica foi invadida pelos muculmanos em 711. A unica area que continuou nas maos dos cristaos foram duas partes pequenas do territorio, chamadas de Cantabria e Asturias. De la os cristaos comecaram a luta tentando reconquistar suas terras. Mas a guerra durou geracoes e mais geracoes. Algumas geracoes ate mesmo se esqueceram do porque das guerras.

Como tambem disse antes, somente um reino cristao na Peninsual foi implantado por outros sem ser os proprios iberos. Durante a Historia ele recebeu o nome de Aragao. O responsavel pela criacao foi Luis I, o Piedoso, Imperador do Ocidente. Ele era filho do Carlos Magno e herdou a coroa dele.

O Reino de Leao surgiu apenas em 910. Naquele tempo ele estava desertico e foi conquistado pelo rei Alfonso III das Asturias, e o filho dele, Garcia I, transferiu e a adotou a cidade de Leon como capital do reino. A partir de entao o reino se tornou o principal reinado cristao na Peninsula Iberica.

Outro povo presente eram os bascos. O dominio deles era a costa atlantica sul da Franca e o centro-norte da Espanha. No principio o reino deles se chamava Pamplona e depois virou Navarra.

Durante o reino de Alfonso III, rei das Asturias, o Norte de Portugal foi tomado e estabelecido como condado pelas maos de Vimara Peres.

Apos isso ou ao mesmo tempo, Fernan Gonzalez unificou o Reino de Castela. O reino ganhou este nome porque tinha uma linha de castelos para defender o Reino de Leon. Na Wikipedia a gente pode ler isso: “Em 931 o Condado foi reunificado pelo conde Fernan Gonzalez, que iniciou uma rebeliao contra o Reino de Leon, estado sucessor do de Asturias, e conseguiu seu status de autonomia, passando o condado a ser herdado por seus descendentes e deixando de ser sujeito a imposicoes dos reis leoneses.”

Mais um reino foi somado `a mistura. Este foi o Reino da Galicia que herdou o Condado de Portugal como parte do seu territorio. Porem, em 1.128, Portugal tambem se tornou um reino separado. Dai, todos esses reinos cristaos no seculo XII ja haviam retomado perto da metade da Peninsula Iberica dos conquistadores muculmanos. E algumas vezes eles estavam mais envolvidos em guerras de uns contra os outros que contra os reinos muculmanos localizados nas partes do sul. A forma e a extensao destes reinos estavam em constante mudancas enquanto: Afonso III de Portugal e Fernando, o Catolico, rei de Aragao, e Isabel, a Catolica, rainha de Castela, que se casaram e uniram a Espanha, nao completassem a Reconquista.

Cada um destes reinos produziu sua nobreza. E eles fizeram trocas de noivos e noivas uns com os outros e com todas as familias reais da Europa. E dai, como eu disse antes, os sangues que haviam recebido do povo comum retornou ao povo comum. Como?

Basicamente, quando uma dominacao foi trocada como dos poderosos antigos para os romanos, dos romanos para os suevos e visigodos, dos godos para os muculmanos e dos muculmanos de volta para os cristaos, cada nobreza permaneceu, porem, como nobreza menor. Tambem, de acordo com que praticavam guerras, os considerados povo comum lutaram lado-a-lado com seus senhores. Aqueles que se destacaram dos outros por bravura ganhavam riquezas, posses e ate noivas das novas familias dominantes. Nos podemos verificar isso quando homens, aparentemente vindos do nada, se casam com mulheres da nobreza. Da mesma forma, mulheres sem ascendencia nobre se casando com homens da nobreza.

O mais comum eh vermos um nome vindo `a luz e quando a gente comeca a buscar a origem, encontra isso: la no fundo a origem esta num rei ou parente dele. Depois darei exemplos disso. Vamos comecar pelo como os sobrenomes foram adotados.

Por volta de 1.000 anos atras nao tinhamos exatamente nomes de familia. Porei aqui mais uma sequencia genealogica para facilitar a explicacao:

Moninho Viegas, o Gasco – Valida Trocozendes
Egas Moniz de Ribadouro – Toda Ermiges
Ermigio Viegas – Unisco Pais
Monio Ermiges – Ouroana
Egas Moniz, o Aio – Dordia Pais Azevedo
Lourenco Viegas – Maria Gomes de Pombeiro
Egas Lourenco – esposa desconhecida, de Penagate
Soeiro Viegas Coelho – Mor Mendes de Gandarei

Esta eh a linhagem paterna do conhecido primeiro a usar o apelido Coelho. Se voce prestar atencao nos segundos nomes, provavelmente, nao ira enxergar o padrao. Mas existe um padrao bem claro ai. Naquele tempo era suposto usarmos o nosso nome mais uma mencao a nossos pais. Era dado um nome acompanhado de uma expressao que significava: filho de. O primeiro da lista, possivelmente, se chamava Monio e nao Moninho. O sufixo inho em Portugues eh diminutivo. Entao, Egas Moniz filho dele era: Egas, filho do Monio. Algumas vezes, a expressao: filho de, vem como prefixo como em Viegas. Viegas significa: filho do Egas.

Daquele tempo nos temos muitos nomes usados hoje. Os sobrenomes foram adotados no transcorrer da Historia. Dai alguns nomes de origem paterna foram mantidos e deixaram de corresponder aos nomes dos pais. Neste caso nos continuamos tendo familias com nomes Viegas e Moniz mas isso quer dizer apenas que, em algum tempo passado, os usuarios tiveram ancestrais que se chamavam Egas e Monio.

Eh por causa disso que temos nomes como: Rodrigues, que significa: filho de Rodrigo. Nunes significa: filho de Nuno. Peres/Pero. Fernandes/Fernando. Esteves/Estevao. Soares/Soeiro. Martins/Martim. Mendes/Mendo. Vasques/Vasco. Uma excecao eh Anes. Esse vem de Joao. A diferenca esta na antiga forma de escrever que era Johanes. Entao, Anes significa filho de Joao, o moderno equivalente a Johanes na linguagem portuguesa. Na Espanha a tradicao eh a mesma, trocando-se apenas a letra s pelo z. La os nomes sao: Nunez, Rodriguez, Perez e assim por diante. Uma pequena diferenca para Martins que vem como: Martinez.

Eh verdade, iberos usam dois nomes ou mais. Isso eh outra tradicao. No seculo XII esse sistema de dar nomes estava ultrapassado. A populacao comecara a crescer e tinha gente demais com o mesmo nome. A Igreja Catolica incentivou as pessoas a usarem mais apelidos. Muitos ja eram identificados pelo segundo sobrenome naquele tempo. Eram precedidos das palavras da, de e do. As tres significam, lugar de onde a pessoa vem. Da eh usado para lugares com nome feminino, o que eh o oposto de do. De nao menciona sexo.

O sistema americano se engana ao identificar as tres palavras como nomes. Eh comum o meu nome estar escrito como De Magalhaes mas nao deveria ser assim. De significa lugar de onde se veio e sempre deveria ser escrito em minusculas. Com o tempo algumas pessoas suprimiram as tres palavras dos proprios nomes sem saber a importancia delas. Este eh o caso de alguns de meus familiares que herdaram o Magalhaes sem o de.

Exemplos de nomes e seus signifcados: 1. Geraldo Rodrigues da Costa, que significa, Geraldo, filho do Rodrigo, nascido na costa. 2. Antonio Alvares do Couto: Antonio, filho do Alvaro, de um lugar pequeno. 3. Jose Anes de Guimaraes: Jose, filho do Joao (Johanes), da Cidade de Guimaraes.

Com o tempo, muitos outros nomes foram somados `a lista. Alguns eram lembranca da caracteristica fisica do primeiro usuario. Exemplos disso sao: 1. Alvim, eh o mesmo que Branquinho; 2. Rouco, voz rouca; 3. Barbalho, barba em forma de raiz de alho. Ha algum tempo atras eu ouvi outra explicacao para o meu sobrenome. Alguem disse que vem do Oriente e a origem seria algo como: Barb Al, que foi transformado em Barbalho em Portugal. Mas nao conheco nenhuma evidencia concreta disso.

Tambem as profissoes de ancestrais viraram sobrenome para alguns. Um exemplo eh Cavaleiro. Outro eh Sapateiro ou Zapatero. Alguns receberam o sobrenome de Navegante.

Encontrei na literatura que, em Portugal existiam cinco familias nobres. E os nomes delas eram: Baiao, Braganca, Maia, Ribadouro e Sousa. Mas essa nao eh uma informacao exata. O que possivelmente aconteceu foi algo como na minha familia no Brasil. Ela eh chamada de Familia Coelho. Mas por que eu chamaria a minha familia por este nome se nao o uso?

O que aconteceu foi isso: quando os europeus comecaram a colonizar a area de onde nos somos, meus ancestrais estavam no comando dos primeiros europeus que viveram la. Mesmo que outros estivessem juntos ou vieram depois, a maioria acabou se casando na parentalha Coelho. Dai a familia assina varios nomes mas comumente passou a ser chamada pelo nome Coelho. E todo mundo eh pelo menos uma vez Coelho. E tambem haviam outros ramos Coelho juntos. Na lista de meus ancestrais existem os que assinam: Coelho, Coelho de Magalhaes, Nunes Coelho, Coelho de Andrade e Coelho de Almeida. E nao estou falando aqui de outras combinacoes que apareceram depois mas tao somente dos ramos originais que nao sabemos se ja tinham ligacoes uns com os outros.

Minha duvida quanto a cinco ser igual ao numero de familias nobres foi despertada pelos muitos nomes diferentes que os nobres usavam e suas origens. Como a gente ja viu, o sobrenome Coelho veio depois. Ele era parte da familia chamada de Ribadouro. E eu posso mostrar outra sequencia genealogica para mostrar isso. Se voltarmos ao capitulo 5 nos podemos dar uma olhadinha nas segunda e terceira linhagens postadas la. A segunda termina no rei Ramiro II das Asturias. E a terceira comeca num dos filhos: Lovesendo Ramires. Assim, eu comecarei outra vez a partir deles:

900 Ramiro II, rei das Asturias – Onega (?)
940 Lovesendo Ramires – Zayra ibn Zayda
960 Aboazar Lovesendes – Unisco Godinhes
980 Trastamiro Aboazar, 1o. sr. da Maia – Dordia Soares
1,000 Goncalo Trastamires, 2o. sr. da Maia – Unisco Sisnandes
1.020 Mendo Goncalves, 3o. sr. da Maia – Ledegundia Soares Tainha
1,060 Goncalo Mendes, o Lidador – Urraca Teles
1,080 Moninha Goncalves da Maia – Rodrigo Forjas de Trastamarra
1,100 Forjaz Vermuis de Trastamarra – Elvira Goncalves de Vilalobos
1,130 D. Rodrigo Froias de Trastamarra – D. Urraca Rodrigues de Castro
1,150 D. Goncalo Rodrigues da Palmeira – D. Froille Afonso de Celanova
1,170 D. Rui Goncalves Pereira – Sancha Henriques de Portocarreiro
1,220 D. Pedro Rodrigues Pereira – Estevainha Rodrigues Teixeira
1,250 D. Goncalo Pereira – D. Urraca Vasques Pimentel
1,280 D. Vasco Pereira, conde de Trastamarra – Ines Lourenco da Cunha
1,320 D. Aldonca Vasques Pereira – Pero Esteves Coelho

Se voltarmos ao capitulo 5 para olharmos a sequencia genealogica numero 6, nos acharemos o ultimo casal: Pero Esteves Coelho – D. Aldonca Vasques Pereira. O que eu quero mostrar aqui eh como nomes novos eram criados. Na geracao de D. Rodrigo Froias de Trastamarra, o Palmeira comeca sem uma explicacao melhor. Os filhos dele adotaram o Palmeira como sobrenome e o filho dele, D. Goncalo Rodrigues da Palmeira, deu este nome a todos os filhos, exceto para um, D. Rui Goncalves Pereira. Dai para frente o nome Pereira tambem tornou-se um dos mais comuns na Peninsula Iberica.

Deem uma olhadinha nos sobrenomes das esposas para ver muitas outras familias importantes. Elas vinham de familias nobres tambem. Estevainha Rodrigues Teixeira, esposa do D. Pedro Rodrigues Pereira era descendente do Carlos Magno e do Fernando Magno, rei de Leon e Castela. Este eh o mesmo que aparece como bisavo do rei Afonso Henrique de Portugal na quinta sequencia genealogica, no capitulo 5.

Eu gostaria de apresentar algumas sequencias genealogicas que estao no amago da Historia de Portugal. Comecarei por Estevao Coelho que era o pai do Pero Esteves Coelho.

1,290 Estevao Coelho – Maria Mendes Petite
1,330 Branca Pires Coelho – Joao Pires Alvim
1,360 Leonor Alvim – D. Nuno Alvares Pereira, 2o. Condestavel de Portugal
1,380 D. Beatriz Pereira Alvim – D. Afonso, 1o. duque de Braganca

Ai nos podemos ver que: o ancestral Pero Esteves Coelho era irmao de Branca Pires Coelho, que era mae da Leonor Alvim e avo da D. Beatriz Pereira Alvim, que era esposa do D. Afonso, 1o. duque de Braganca. Naquele tempo a nome Braganca ja estava estabelecido em Portugal e somente depois os duques de Braganca o adotaram como sobrenome mas eles tambem ja eram descendentes de ancestrais de Braganca. Vou mostrar a linhagem paterna do D. Afonso.

1,377 D. Afonso, 1o. duque de Braganca – D. Beatriz Pereira Alvim
1,357 D. Joao I, rei de Portugal – Ines Pires
1,320 D. Pedro I, rei de Portugal – Teresa Lourenco
1,291 D. Afonso IV, rei de Portugal – Beatriz, Infanta de Castela
1,261 D. Dinis, rei de Portugal – Santa Isabel de Aragao

Ai a gente voltou aos primeiros reis de Portugal e D. Dinis era filho do Afonso III. Mas D. Joao I nao era para ser rei. O irmao dele, D. Fernando I, era de direito o herdeiro e ele se tornou rei. Mas o problema veio depois porque a herdeira dele era D. Beatriz e ela se casou com o rei Juan I de Castela. Juan exigiu o direito de ser rei de Portugal depois do falecimento do rei Fernando I. Isso iniciou o que eh conhecido como Crise de 1.383 a 1.385. Nisso Castela e Portugal se envolveram numa guerra sangrenta. E o grande heroi da vez foi D. Nuno Alvares Pereira, que era o sogro do D. Afonso, 1o. duque de Braganca. E vamos colocar mais uma sequencia genealogica para mostrar mais uma coisinha.

1,360 D. Nuno Alvares Pereira – Leonor Alvim
1,310 D. Alvaro Goncalves Pereira – Iria Goncalves do Carvalhal
1,280 D. Goncalo Pereira, arcebispo de Braga – Teresa Peres Vilarinho
1,250 D. Goncalo Pereira – D. Urraca Vasques Pimentel

Como podemos ver acima, os bisavos de D. Nuno Alvares Pereira eram os avos de D. Aldonca Vasques Pereira. E o marido dela, Pero Esteves Coelho era tio da Leonor Alvim, a esposa do D. Nuno. Porei mais uma sequencia:

1,377 D. Afonso, 1o. duque de Braganca – D. Beatriz Pereira Alvim
1,402 D. Isabel de Braganaca – D. Joao, principe de Portugal
1,428 D. Isabel, Infanta de Portugal – Juan II, rei de Castela
1,451 Isabel, a Catolica, rainha de Castela – Fernando II, o Catolico, rei de Aragao
1,485 Catalina de Aragao, Infanta de Aragao – Henrique VIII, rei da Inglaterra
1,506 Maria I, rainha da Inglaterra – Felipe II, rei da Espanha

Nessa ultima sequence nos podemos ver algo para assombrar. A rainha Maria I nao teve filhos. O apelido dela era Maria Sanguinaria porque o pai separou a Igreja Anglicana da Igreja Catolica e ela queria restaurar isso. Mas como parte do povo nao queria, isso gerou manifestacoes e, somente de uma vez, cerca de 300 pessoas foram mortas. Felipe II tambem exigiu o direito dele de usar a coroa inglesa e isso resultou no afundamento de sua Armada Invencivel. Naquele tempo era mesmo a Armada mais poderosa do mundo. Mas isso eh outra Historia.

Eu gostaria apenas de falar um pouco mais a respeito do D. Nuno Alvares Pereira e como ele salvou Portugal na Crise de 1.383/85. Ele era jovem e tinha 25 irmaos. Pelo menos duas de suas irmas foram ancestrais do nobre Jose Coelho de Magalhaes que pode ser meu ancestral tambem. Outros de meus ancestrais tem o sobrenome Pereira. Mas nos ainda nao temos os meios para dizer se hao ligacoes entre meus ancestrais Pereira dos anos 1.700 com os anteriores. Apenas observem mais essa sequencia:

1,280 D. Goncalo Pereira – Teresa Peres de Vilarinho
1,310 D. Goncalo Pereira – esposa desconhecida
1,360 D. Brites Pereira – Lourenco Mendes de Vasconcelos
1,400 Rui Mendes de Vasconcelos – Ana Rodrigues Carvalho
1,440 Brites Mendes Carvalho – Fernao da Mesquita, o Velho
1,475 Lopo da Mesquita – Violante Machado
1,500 Joao Lopes da Mesquita – Ana Roiz Sobrinho da Mesquita
1,530 Miguel Sobrinho da Mesquita – Catarina Vaz
1,560 Ana da Mesquita – Semiao Pinto Machado

O ultimo casal ja esta na quinta sequencia do capitulo 5 acima. Eles sao ancestrais do Jose Coelho de Magalhaes. Muitos dos ancestrais deles levam o nome de Vasconcelos. Este vem da Torre de Vasconcelos onde D. Joao Peres de Vasconcelos foi um dos senhores, por volta de 1.220. Ele foi casado com Maria Soares Coelho, filha do Soeiro Viegas Coelho. Ate agora estava mostrando a descendencia do Soeiro por meio do filho: Joao Soares Coelho. Na terceira linha esta D. Brites Pereira que era meio-irma do D. Nuno Alvares Pereira.

O cargo que D. Nuno tinha eh como se fosse um primeiro ministro e ministro da defesa juntos, alem de comandante geral do exercito. Como os Portugueses nao tinham vontade alguma de se tornarem vassalos do rei castelhano houve guerra. As forcas portuguesas eram muito inferiores `as do inimigo. E isso as encheu de confianca. Os castelhanos foram ajudados por franceses tambem. D. Nuno Alvares entao armou uma arapuca e fez seus companheiros esperarem o ataque. Ele escolheu um campo estreito, mais para brejo, para batalhar. Como as forcas inimigas mais pesadas nao tiveram a liberdade de se movimentar como em campos normais de batalha viraram alvos faceis para os portugueses.

D. Nuno certificou-se que nao houvesse escapatoria e ate o povao veio com instrumentos de trabalho para matar os soldados. Historiadores pensam que milhares de nobres foram mortos. Isso baixou o moral do inimigo. Provavelmente, a maioria dos mortos eram da mesma familia que dos portugueses. Depois dessa batalha que ficou conhecida como Aljubarrota (tambem chamada de Padeira) ele organizou muitos ataques rapidos no territorio inimigo para assegurar que nao houvesse reacao. Claro, ele venceu a guerra. O reconhecimento da Independencia Portuguesa foi assinado em 1.411, no Tratado de Ayllon. E D. Joao I que nao era para ser rei ganhou o trono e a coroa de rei.

Presentes estavam 200 soldados da Inglaterra. Eles estavam armados de bestas e fizeram alguma diferenca a favor dos portugueses. Desde entao, Portugal e Inglaterra tem um Tratado de ajuda mutua contra invasoes externas. Eh com certeza o mais antigo do genero no mundo.

Coincidentemente, D. Nuno Alvares Pereira morreu de causas naturais no mesmo dia que Joana d’Arc foi executada.

D. Joao I casou-se com Philippa de Lancaster, princesa da Inglaterra. Depois o sobrenome dela foi adotado em Portugal como Lancastre. A Familia Lancastre de Portugal eh descendente direta dos Lancaster da Inglaterra. Mas essa segunda dinastia em Portugal durou pouco. Portugal continuou recebendo e enviando noivas e noivos para os reinos espanhois e, em 1.560, a situacao se repetiu. A diferenca eh que neste tempo o rei da Espanha foi o poderoso Felipe II, que foi casado com a Maria I, rainha da Inglaterra.

As linhagens sucessorias em Portugal seguiram nem sempre observando a primogenitura. D. Manuel I subiu ao trono. Ele foi chamado de o Venturoso. Isso foi porque ele herdou o trono sem ter sido o primeiro da linha. Depois vieram as Grandes Descobrimentos no seu tempo. Vasco da Gama transpos o Cabo da Boa Esperanca na Africa do Sul abrindo o Caminho para as Indias aos interesses comerciais portugueses e Pedro Alvares Cabral descobriu o Brasil.

Mas isso era bom demais. Ele foi pai do proximo rei, Joao III, que foi pai da Maria, Infanta de Portugal, que tinha sido a primeira esposa do Felipe II, rei da Espanha. Joao III, rei de Portugal teve um primogenito com o nome de Joao. E este foi o pai do D. Sebastiao. Sebastiao tornou-se rei mas era um tanto quanto lunatico e resolveu reeditar as Cruzadas e reuniu seus exercitos com a intencao de conquistar o territorio dos mouros no Norte da Africa. La ele desapareceu sem deixar um primogenito. Felipe II viu nisso sua oportunidade de conquistar Portugal, unificando as duas coroas. Ele quase nao encontrou resistencia.

Somente 80 anos depois, de 1.560 ate 1.640, a soberania do Reino de Portugal foi restaurada. O novo rei foi D. Joao IV. Este quarto Joao, rei de Portugal, era tambem o oitavo duque de Braganca. Voltando `a linhagem, ele era pentaneto do D. Afonso, 1o. duque de Braganca e de D. Beatriz Pereira Alvim, a filha do D. Nuno Alvares Pereira.

Alem do nome Coelho estar envolvido na genetica dos reis de Portugal, as mulheres que se casaram com os duques de Braganca tinham ancestrais que tambem eram ancestrasi das linhagens que originaram Jose Coelho de Magalhaes. E por volta de 1.820 a familia real portuguesa foi dividida em dois ramos. Um manteve-se no reino de Portugal e outra se estabeleceu no Brasil. Mais tarde a Republica foi proclamada no Brasil, em 1.889, enquanto em Portugal so veio em 1.910.

Na Espanha nos temos os mesmos nomes de familia que em Portugal. Algumas eh dito que foram traduzidos de uma lingua para outra. Ate do Coelho eh dito que virou Conejo, que eh o mesmo Coelho dos dois lados. Os portugueses tambem usam nomes importados da Espanha. Exemplos disso sao: Menezes, Gurgel, Ponce de Leon, Lima, Bezerra, Lara, Maldonado e muitos outros. Um que eu nunca vi no Brasil eh o Bivar. Ele aparece no nome do D. Rodrigo Diaz de Bivar. Ele tinha o apelido de El Cid. Tambem, Matamouros. (Matador dos mouros). Algo que nao soma nada ao nosso orgulho mas ele eh tambem ancestral do Jose Coelho de Magalhaes. El Cid eh mencionado no video “Islam, Imperio da Fe” produzido pelo http://www.pbs.org.

Gostaria de adicionar mais um evento da Historia Portuguesa neste capitulo, com a intencao mais de mostrar uma curiosidade genealogica. Um nome da Historia da Peninsula Iberica sempre lembrado eh o de Ines de Castro. Castro tambem eh nome nobre da Espanha e de nossos ancestrais. Porem, ninguem sabe quem ela eh.

Para comecar, leiamos um extrato da Wikipedia: “Ines foi para Portugal em 1.340 como dama da Infanta Constanca de Castela, recem-casada com o principe Pedro, o primogenito do rei portugues. O principe se apaixonou por ela e comecou a deixar de lado sua legitima esposa, pondo em perigo as ja fracas relacoes com Castela. Para complicar, o amor de Pedro por Ines levou nobres Castelhanos ali exilados para as proximidades do poder, com os irmaos da Ines se tornando amigos do principe e seus conselheiros de confianca. O rei Afonso IV de Portugal, pai do Pedro, nao gostava da influencia da Ines sobre o filho e esperou que o entusiasmo mutuo acabasse, mas isso nao aconteceu.”

Afonso IV fez de tudo para separar o casal mas nao conseguiu. Entao, ele deu ordens a tres de seus confidentes para matar Ines. Um deles foi o Pero Esteves Coelho, que seria nosso ancestral. Pedro deu a palavra ao pai que nao se vingaria o assassinato. Porem, depois que ele subiu ao trono do pai foi justamente isso que ele fez. Capturou dois dos executores e os matou, abrindo a caixa toracica e tirando os coracoes com as maos, em exibicao publica. Isso foi para simbolizar o proprio coracao partido.

Estas passagens foram conservadas pelo poeta Luis Vaz de Camoes no seu epico memoravel, Os Lusiadas. Todos os elementos da trama estao la e eu penso que o Shakspeare usou isso como inspiracao da novela: Romeu e Julieta. A genialidade dele esta no fato de ter amaciado os fatos e transposto a estoria para outro cenario. Nao digo que ele copiou Camoes. Mas, como de costume, todo artista eh inspirado pelo trabalho de outros. Foi melhor mesmo ele ter amaciado os fatos porque a verdade foi muito mais cruel. Se os escritos tivessem sido muito parecidos com os fatos ele poderia se colocar em risco, por causa das relacoes diplomaticas entre Portugal e Inglaterra.

Porem, de alguma forma a Historia eh melhor que a novela. Quem tiver a curiosidade, a Internet esta repleta de outras informacoes.

Meu objetivo nao eh, em momento algum, mostrar que sou descendente das familias reais e nobres europeias. Nao penso que isso me traria nenhum beneficio. O que desejo mostrar eh que: nao sou so eu quem sou. Desde que as Americas foram colonizadas pelos europeus, acredito que, a maioria absoluta das pessoas nascidas nas Americas, com ligacoes com as familias europeias, eh inquestionavelmente descendente das familias reais e nobres europeias. Isso nao nos garante outro privilegio senao, de alguma maneira, sermos primos.

08. SECULOS E PESSOAS QUE DESENHARAM A NOSSA HISTORIA EM COMUM

Comumente a Historia dos Estados Unidos eh apresentada como uma extensao da Historia Inglesa. Mas isso eh mais uma consequencia do que estava acontecendo na Europa como um todo e tem pontos comuns com a Historia do Brasil, apesar do Brasil tambem nao existir como pais autonomo naquela epoca.

Cada evento maior da Historia Europeia dos ultimos seculos da Idade Media deixou marcas em nossa Historia comum. Primeiramente, no final da Idade Media tinhamos a poderosa Igreja Catolica dominando tudo da vida coditiana na Europa. No seculo XIII aparecem descontetamentos com os desvios de comportamento dos clerigos em relacao ao compartamento que deveriam ter. O clero eh o poder dominante mas permite `a aristocracia exerce-lo em seu nome. A Igreja transformou-se num caso incestuoso onde era a mae que gerava a aristocracia e juntos eles geravam a proxima geracao de aristocratas.

A populacao sob o poder deles nao passava de escrava. Muitas ideias novas, inclusive as religiosas, eram julgadas como simples heresias. A Igreja nao prestou atencao nos anseios nem das almas nem dos corpos. A Igreja considerava seu proprio pensamento acima de todo e qualquer pensamento diferente. Foi instituido o Tribunal do Santo Oficio, comumente conhecido como Inquisicao. Isso significava que, nao importava o que voce fez, voce poderia ser acusado de heresia se isso envolvesse duvidas em relacao a religiao ou autoridade. Tudo virou: “Mandado por Deus”.

Outro capitulo de interesse foi a Renascenca. Os historiadores classificam isso como um movimento intelectual entre os seculos XIV e XVII. Ele teria comecado e nos vindo da Italia, trazendo mudancas na “literatura, filosofia, arte, politica, ciencia, religiao, e outros aspectos da busca racional”, como esta descrito na Wikipedia. Embora essa seja a importante para nos, nos tivemos uma Renascenca anterior, dentro do Imperio Muculmano.

Os Muculmanos ja haviam traduzido muitos textos antigos de origem latina e grega. E eles foram os que ja os aplicavam nas artes e vidas. Foi levando algum conhecimento renascido para a Peninsula Iberica que causaram a comparacao do Imperio deles como luz em contraste com o resto da Europa como total escuridao nos primeiros seculos da Idade Media. Eh por isso que a Idade Media tambem eh conhecida como uma era inculta.

E eu penso que foi por esta razao, da Europa estar culturalmente atrasada em relacao ao mundo muculmano, que a Reconquista da Peninsula Iberica demorou tanto. Depois de se estabelecerem la e demonstrarem ser um poder mais tolerante e mais justo, para a epoca, em relacao ao povo pobre, o povo nao tinha razao para revoltas sabendo que, a revolta significaria uma queda de paz em suas vidas.

Para lancar o povo contra os senhores muculmanos, o estrategistas cristaos lancaram mao de uma serie de demonizacoes, inclusive acusando Adb al Rahman III ibn Muhammed, o Grande, de ser homossexual. Eles se aproveitaram do fato que, o lider muculmano tinha mandado executar um jovem cristao, Pelagio, porque ele se recusou se converter ao Isla. Isso tambem eh deploravel, mas os cristaos nunca sentiram vergonha de terem praticado o mesmo aos de outras fes. Nos sabemos o que se fez contra os pagaos, judeus e inclusive aos muculmanos naquele tempo. Entao, acusar ao Abd al Rahman de homossexualismo era a forma de manipular a horda ignara da Idade Media. Isso continua, apesar de nao ser mais um bicho-de-sete-cabecas para a maioria de nos hoje.

Outro capitulo vinculado sao as cruzadas. As cruzadas serviram como cortina de fumaca usada pela Igreja Catolica para desviar a atencao dos malfeitos da administracao dela. Esta eh uma pratica antiga, usada pelos maus governantes. As Cruzadas nao sao exatamente o que se diz delas. Nos tivemos perto de 12 cruzadas contra o poder muculmano sobre Jerusalem e cerca de tres duzias contra eles na Peninsula Iberica e contra europeus que tinham crencas diferentes dos dogmas catolicos. Inclusive, os catolicos da Peninsula Iberica foram dispensados de lutar contra os muculmanos em Jerusalem porque eles ja estavam na luta para recuperar seu territorio.

Mas o tiro da Igreja saiu pela culatra. Durante as Cruzadas os soldados europeus aprenderam um sistema melhor de vida e levaram a licao para casa. Nas bagagens levaram conhecimento novo e gosto por mercadorias que a Europa nao oferecia. Mesmo apos o fim das Cruzadas por Jerusalem nos ultimos anos do seculo XII o comercio ja estabelecido continuou. Os muculmanos tinham o controle do comercio com a Asia e a Africa mas os italianos foram os que intermediaram com o resto da Europa.

E eh nesse contexto que europeus comecam a buscar o conhecimento humanistico que levou `a quebra do monopolio da Igreja. Os clerigos e a aristocracia eram os unicos capazes de produzir e consumir conhecimento e produtos caros. E a populacao comeca a multiplicar-se em numero e riqueza. A urbanizacao da populacao que antes vivia em maioria no campo eh a responsavel pelo surgimento de uma classe nova, os burgueses. O termo se refere a morador urbano.

O uso e a producao do papel que os muculmanos ja comercializavam com a China e a invencao da imprensa por Gutemberg foram as precondicoes para tornar o conhecimento mais atingivel pela crescente populacao de estudantes. Maior conhecimento tambem resultou em mais universidades disponiveis.

O povo portugues estava ha muito tempo tentando fazer a navegacao oceanica e nisso o grande nome eh o principe Henrique, o Navegador, filho do rei D. Joao I e de Philippa de Lancaster, princesa da Inglaterra. Ele dedicou-se a vida inteira `a causa da navegacao e isso deu retorno. No principio eles comecaram a navegar as costas africanas onde, em 1.415, conquistaram Ceuta das forcas mouras. Naquele tempo tambem solicitaram permissao ao papa para escravizar os muculmanos conquistados e a autorizacao foi dada. Posteriormente, essa permissao foi reinterpretada para justificar a escravizacao dos africanos subsaarianos.

Durante o seculo XV os portugueses tambem descobriram os Arquipelagos da Madeira e Acores. Ai esta o inicio das Grandes Descobertas e a colonizacao a partir da Peninsula Iberica. Em 1.498, Vasco da Gama realizou o maior dos sonhos ibericos descobrindo o Caminho das Indias via navegacao oceanica. Em 21 de abril de 1.500, o capitao Pedro Alvares Cabral descobre o que sua tripulacao pensou ser uma ilha mas eles haviam chegado ao Brasil. Depois o engano foi corrigido mas a coroa portuguesa se entregou inteiramente `a exploracao das riquezas mais imediatas atraves do comercio com a Asia. O Brasil ficou 50 anos sem desperta-lhe o interesse.

Do lado da Espanha, os monarcas Fernando II, o Catolico, rei de Aragao e sua esposa, Isabel, a Catolica, rainha de Castela, concluiram a Reconquista da Espanha, tomando o ultimo reino muculmano, Granada, em 1.492. Em 1.494 eles tiraram a sorte grande quando Cristovao Colombo chegou `as Americas, navegando para o oeste, ao contrario de encontrar as Indias como ele estava querendo. No mesmo ano, Espanha e Portugal assinaram o Tratado de Tordesilhas garantindo a partilha das Americas para os dois. A porcao de Portugal nao era mais que o que hoje eh o Nordeste Brasileiro quase todo e a metade do Sudeste. Isso eh perto de um quarto das terras brasileiras atuais mas eh duzias de vezes maior que Portugal.

Agora precisamos usar nossos cerebros para entendermos a situacao. Logo apos estes fatos o trabalho duro de Portugal estava rendendo. A Espanha estava afogada na incompetencia dos administradores dela. Eles tinham conquistado Granada e logo depois o que fizeram foi matar ou escravizar um quinto da populacao muculmana. Dois quintos foram expulsos para o dominio mouro no Norte da Africa. Os dois quintos restantes foram perseguidos de tal maneira que se exilou posteriormente. Eles fizeram o mesmo aos judeus. E estes migraram para lugares mais tolerantes, onde atualmente eh Holanda, Belgica, Luxemburgo, Alemanha, Polonia e outros paises por perto. Mais tarde a descendencia deles ira arrepender-se dessa escolha mas ninguem imaginava o que estava por vir.

Como eu ja disse antes, Portugal tinha nao mais que 1.7 milhoes de habitantes naquele tempo. A Espanha expulsou perto de 1 milhao, o que era uma parte consideravel da sua populacao. Entre os expulsos, mortos e escravizados estavam a maioria dos artesaos e comerciantes. Ela usou a religiao como desculpa para fazer isso. Mas o que eles queriam mesmo era ganhar dinheiro rapido para financiar a exploracao das promissoras novas colonias.

Isso eh o que a gente sempre ve na Historia. Maus governantes nao olham as consequencias. Se os governos estao numa maior necessidade de dinheiro o primeiro pensamento eh: de quem nos vamos tomar? Os muculmanos e judeus foram as primeiras vitimas dos descobrimentos espanhois. Os amerindios e africanos foram afetados logo depois. Porem como a gente vera depois, o povo da Espanha tambem virou vitima da loucura dos seus reis.

Nao mencionei antes mas havia outro grande acontecimento ajudando a desenhar a nossa Historia a partir do seculo XV em diante. Comecou com as criticas do Eramus de Rotterdam contra o mau comportamento dos clerigos. A intencao dele era mudar o comportamento interno na Igreja. Porem o orgulho dos clerigos era demais para permitir isso. Depois dele chegaram outros como Martinho Lutero e Joao Calvino (Jean Cauvin) que eram mais explicitos em suas criticas ao velho estilo da Igreja Catolica. A atitude deles levou ao movimento chamado de Reforma. E ate o Lutero arrependeu-se da desordem que sem querer o criticismo dele provocou.

No passar dos seculos a Igreja Catolica fingiu-se de surda diante dos pedidos do povo para mudar. Ela monopolizava o conhecimento e a interpretacao das Escrituras Cristas. Os livros eram escritos apenas em Latim, que era uma linguagem morta, a nao ser dentro do meio sacerdotal. Os proprios religiosos que atendiam aos grotoes nao conheciam todos os aspectos da linguagem. Assim, quando Lutero traduziu a Biblia para a linguagem corrente, muitas pessoas puderam ver a diferenca entre o que estava escrito do que era ensinado.

A Reforma ganhou forca a partir dai. Tivemos muitos conflitos dentro da Europa e parte dos principes e reis viram nela a oportunidade de sair do controle do Vaticano. Basicamente, a Reforma lhes deu a oportunidade de terem uma religiao nacional em maos, para usa-la segundo os proprios interesses. Mais tarde isso leva ao surgimento dos Despotas Esclarecidos que foram reis que pensavam que poderiam fazer o que quizessem, sem prestar contas a ninguem, senao a Deus. Exemplos de reinos que se separaram da influencia do Vaticano com a Reforma foram: Suecia, Finlandia, varias partes da Alemanha, Inglaterra e varios outros. Exemplos dos que se opuseram `a Reforma: Portugal, Espanha e Italia.

E os reis daquelas nacoes vincularam a bagunca logo depois do inicio da Reforma `a alfabetizacao. Assim, despresar a educacao transformou-se num instrumento nas maos deles para dominar as proprias populacoes. Eles mantiveram o latim nos textos biblicos e o povo no analfabetismo. Este eh um dos fatos que repercutiram negativamente contra os povos daqueles paises e suas colonias. A desordem nao foi uma consequencia direta da Reforma mas sim das cabecas duras dos papas e reis.

Para que eu faca este capitulo ficar mais interessante, precisarei postar mais duas sequencias genealogicas. A primeira eh um dos exemplos de como o rei Fernando II era descendente dos reis de Portugal.

1,261 D. Dinis, rei de Portugal – Santa Isabel of Aragao
1,290 D. Constanca, Infanta de Portugal – Fernando IV, rei de Castela
1,311 Alfonso XI, rei de Castela – Leonor Nunez de Guzman
1,335 Fradique Alfonso de Castela – esposa desconhecida
1,354 Alfonso Enriquez de Castela – Juana Mendoza de Ayala
1,390 Fradique Enriquez de Castela – Mariana Ayala de Cordoba
1,425 Juana Enriquez – Juan II, rei de Aragao
1,452 Fernando II, o Catolico, rei de Aragao – Isabel, a Catolica, rainha de Castela

A segunda vem dos ancestrais do rei Felipe II. Isso nos ajudara a explicar alguns vinculos entre as Historias dos Estados Unidos, Peninsula Iberica e Brasil.

1,357 D. Joao I, rei de Portugal – Philippa de Lancaster, princesa da Inglaterra
1,391 D. Duarte, rei de Portugal – Leonor, Infanta de Aragao
1,434 D. Leonor, Infanta de Portugal – Friedrich III, kaiser des Heiligen Romischen Reiches
1,459 Maximilian I von Osterreich – Marie, duquesa da Bourgogne
1,478 Philipp I der Schone, Erzherzog von Osterreich e rei de Castela – Juana, a Louca, Rainha de Castela
1,500 Karl V, Kaiser des Heiligen Romischen Reiches e rei da Espanha – D. Isabel, Infanta de Portugal
1,527 Felipe II, rei da Espanha – D. Maria/Maria I/Elisabeth of Valois/Anna von Osterreich

Agora, o que temos aqui!? Felipe II teve quatro casamentos estrategicos que o colocaram na via sucessoria de outros paises. Sua primeira esposa, Maria, era filha do D. Joao III, rei de Portugal. Maria I era a Rainha da Inglaterra. Elisabeth de Valois era princesa da Franca, filha do Henrique II, rei da Franca. A Anna era filha do kaiser, Maximiliano II. A mae do Felipe, D. Isabel, era filha do D. Manuel I, o Venturoso, rei de Portugal. E a avo dele, Juana, a Louca, era filha do Fernando II, o Catolico e Isabel, a Catolica. Viche Maria! Isso eh algo de se levar em conta!

O pai do Felipe, Carlos V, Imperador do Sacro Imperio Germanico, estava na linha de frente da oposicao contra a Reforma. E ele apenas seguiu os passos dele.

Depois que a Reforma nao tinha mais volta a Igreja Catolica e os reis que se opuseram a ela tentaram fazer a Contra-Reforma. E a Igreja Catolica tambem foi reformada mas, mesmo que isso tenha feita dela uma Igreja melhor do que era antes, a mudanca nao foi suficiente para recuperar o poder perdido. Os paises que haviam adotado ramos religiosos novos nao retornaram ao catolicismo, exceto por Polonia, Bohemia, Hungria, partes da Holanda, Franca e o sul da Alemanha. Entre as mudancas aprovadas pela Contra-Reforma foi a criacao da Ordem dos Jesuitas por Ignacio de Loyola.

Como o Velho Mundo nao era mais um monopolio da fe na Igreja Catolica os Jesuitas foram usados como ponta de lanca na catequizacao do Novo Mundo. E, `a medida que o dominio espanhol e portugues ganhou o mundo, o catolicismo foi levado junto.

Eu tenho que voltar a um assunto importante. A Inquisicao Espanhola. Inquisicao ja fora usada pela Igreja Catolica na Idade Media. Para o bem ela havia sido desativada. Mas os reis catolicos, Fernando II de Aragao e sua esposa Isabel de Castela chantagearam o papa para autoriza-los a ter esse instrumento nas maos para usar contra seus inimigos. Eles disseram ao papa que, se eles nao recebecem o que queriam repatriariam os soldados que estavam protegendo os interesses do Vaticano.

Como o papa ficou numa posicao inferior ele concordou, porem, arrependeu-se porque a Inquisicao Espanhola foi usada tambem contra bons cristaos. A permissao tinha o intento de dar poderes aos reis de julgar os judeus e muculmanos convertidos `a forca, em caso deles retornarem a suas fes antigas. Os reis haviam decidico a conversao mandatoria dos praticantes das outras fes pelo decreto que estabelecia: a conversao seria obrigatoria e a opcao seria a de mudar-se para fora do alcance do poder deles. Muita gente aceitou ser batizada como crista mas praticava suas fes, secretamente.

Mas a Inquisicao espanhola nas maos do Tomas de Torquemada, o antigo confessor da rainha Isabel, passou a servir de instrumento de terror contra qualquer oposicao. E isso enviou parte do povo espanhol para outros cantos do planeta so porque ela era judia ou muculmana.

Mais tarde eu terei que retornar a esse assunto. Nos nossos dias temos parte da populacao americana tentando mandar de volta 12.000.000 de imigrantes sem documentos como se isso fosse a coisa certa a fazer para resolver os problemas de nossa economia. Ela tem sido enganada por falsos profetas e falsas profecias. Mesmo o presidente dos Estados Unidos, o sr. Barack H. Obama e o pessoal dele, por volta de 2,5 anos no governo, estao aceitando essa maneira torta de enxergar as coisas e ja deportaram cerca de 1.000.000 de cidadaos uteis sem documentos. Nos ja estamos tomando o retorno disso na cara.

Recentemente o sr. Obama suspendeu a deportacao massiva numa tentativa de revisao de cada caso, alegando que a administracao deseja devolver somente os envolvidos em crimes. A suspeita eh a de que ele esteja usando essa estrategia para nao perder os votos dos imigrantes nas eleicoes do ano que vem. A verdade eh essa, em suas palavras parece que o presidente entende os riscos dos Estados Unidos perderem tamanha populacao mas pela postura do governo dele parece tudo palhacada.

A prova de que o D. Manuel I, o Venturoso, nao era tao venturoso esta nos casamentos. Ele teve tres esposas. A primeira foi Isabel de Aragao e Castela; a segundo foi Maria de Aragao e Castela. As duas eram irmas e filhas do Fernando II com a Isabel. A terceira foi Leonor da Austria, princesa da Espanha. Ela era filha do Carlos V, o Kaiser e rei da Espanha, e que tambem era pai do Felipe II, rei da Espanha. Assim, ele nao estava cercado apenas pelas fronteiras com a Espanha mas tambem pelos casamentos.

E uma das condicoes para o casamento dele foi a de que ele teria que fazer o mesmo que os reis da Espanha, em Portugal. D. Manuel I nao tinha vontade para expulsar o povo portugues. Mas nao podia ficar sem fazer nada. Os portugueses eram mais liberais nesse assunto e permitiram aos judeus migrarem para suas colonias, incluindo o Brasil. Eh provavel que neste tempo a populacao muculmana portuguesa fosse muito pequena porque Portugal ja havia reconquistado seu territoria ha muito e os que nao se haviam convertido naquela primeira hora devem ter-se mudado para os territorios muculmanos na Espanha.

Portugal foi o responsavel pelo inicio das Grandes Navegacoes e, como o proverbio brasileiro nos ensina, “matou dois coelhos com uma so cajadada”. Aos poucos e sempre, o comercio mundial foi deslocado das cidades italianas e muculmanas em torno do Mediterraneo para Lisboa. As cidades estado na Italia tinham o monopolio antes para comercializar com os muculmanos.

A Espanha tinha uma parte nisso porque Granada era parte do Imperio Muculmano. Quando Fernando II e Isabel conquistaram Granada e passaram a perseguir os muculmanos por causa da fe, isso voltou-se contra suas economias. Lisboa virou o porto que atraia os mercadores antes residentes na Italia e no mundo muculmano. Essa eh a primeira migracao na Historia em que pessoas ricas migraram para novos lugares em busca de novas oportunidades. Normalmente, migracao esta relacionada aos pobres e perseguidos.

O ambiente que eles encontraram em Portugal era diferente do que tinham na Italia. Em Portugal e na Espanha os reis estavam procurando negocios que pagassem impostos e desejavam o monopolio para o Estado. Mas na Italia ja estavam praticando as primeiras nocoes de capitalismo. Eles tinham bancos e ja trabalhavam com papeis. O unico lugar onde encontraram um ambiente economico parecido foi nas cidades que hoje estao na Holanda. As cidades la pareciam com as Cidades Estados da antiga Grecia.

Holanda era apenas um Condado, territorio da Burgonha. Mas ela foi herdada por Carlos V, o kaiser do Sacro Imperio Germanico e rei da Espanha. Carlos V havia resistido `a Reforma mas nao teve a capacidade de impor a propria vontade. Parte do reino dele era liberal em relacao a religiao. Assim, protestantes, judeus e catolicos eram livres para comercializar em cidades como Amsterdam e Rotterdam como tambem praticar suas religioes. E esta parte do Imperio foi dada a Felipe II, como um presente do pai dele, Carlos V.

Um sinal da importancia dos italianos no comercio e navegacao transcontinentais esta nos nomes de alguns dos exploradores nas Grandes Descobertas. Como sabemos, Cristovao Colombo eh creditado como o primeiro capitao a trazer uma frota ao Mundo Novo. Americo Vespucio estava na frota capitaneada por Pedro Alvares Cabral que aportou no Brasil. E Giovanni da Verrazzano foi o primeiro navegante na Costa Atlantica da America do Norte, a servico da Franca, em 1.524, quando ele entrou na Baia de Nova York e Baia de Narragansett, Massachusetts. Martin Waldssemuller deu nome Americas aos Novos Continentes no Mapa do Mundo dele, de 1.503, in Lorraine, apos latinizar o nome Amerigo, homenageando Vespucio.

O publico geral teve noticia da descoberta do Mundo Novo somente em 1.503, atraves da publicacao de uma carta atribuida a Amerigo Vespucci. Nunca devemos nos esquecer que, no tempo das Grandes Navegacoes, os marinheiros eram como os astronautas de hoje. O que eles encontraram pode ser comparavel a descobrir um novo planeta, cheio de plantas alienigenas, cheio de animais alienigenas e cheio de civilizacoes alienigenas. E o regime de secredo servia ao monopolio da exploracao.

Colocarei mais duas sequencias genealogicas. A primeira eh de Nicolau Coelho. Ele foi piloto de navio e navegou na expedicao de D. Vasco da Gama. Quando regressaram ele estava tao exaltado com a descoberta que partiu na expedicao de Pedro Alvares Cabral que chegou ao Brasil. Posteriormente ele faleceu, em 1.504, retornando da India, possivelmente na costa de Mocambique. O navio desapareceu.

1,450 Nicolau Coelho – Brites Rodrigues de Ataide
1,420 Pedro Coelho – Luisa de Gois
1,400 Catarina de Freitas – Fernao Coelho, I senhor de Felgueiras e Vieira
1,380 Mecia Vaz Sampaio – Martim Fernandes de Freitas
1,360 D. Maria Pereira – Vasco Pires de Sampaio
1,370 D. Maria de Menezes – Alvaro Pereira
1,330 D. Afonso Telo de Menezes – esposa desconhecida
1,310 D. Guiomar Lopes Pacheco – D. Joao Afonso Telo de Menezes
1,290 D. Maria Rodrigues de Vilalobos – D. Lopo Fernandes Pacheco
1,260 Rui Gil de Vilalobos – Teresa Sanchez
1,240 Maria Diaz de Haro – D. Rui Gil de Vilalobos
1,220 Lope Lopez de Haro, el Chico – Berengaria Gozalez Giron
1,190 Urraca Alfonso de Leon – Lope III Diaz de Haro
1,171 Alfonso IX, rei de Leon e Castela – Inez Iniguez de Mendonza
1,151 D. Urraca, Infanta de Portugal – Fernando II, rei de Leon
1,109 D. Afonso Henriques, 1o. rei de Portugal – Mahaut de Savoie

Bem, nao penso ser necessario repetir o que vem depois. Na terceira linha dessa sequencia genealogica nos podemos ver os nomes de Catarina de Freitas e Fernao Coelho. No capitulo 5 eles aparecem como ancestrais do meu suposto ancestral, Jose Coelho de Magalhaes. Ha algum tempo eu olhei no site geneall.net – Portugal para verificar se Nicolau Coelho tinha o nosso sangue nas veias e o sitio nao mostrava. Agora parece que foi feita a atualizacao. Isso eh novo para mim inclusive. Nesta linhagem nos podemos apontar varios outros ancestrais comuns como no sobrenome Pereira da bisavo de Nicolau que vem dos mesmos ancestrais do D. Nuno Alvares Pereira.

Somente uma reserva nessa sequencia. Se olharmos as datas antes dos nomes nos vamos ver algo incoerente na sequencia porque parece que, D. Maria de Menezes teria nascido depois da filha, D. Maria Pereira. Mas isso acontece por as datas virem de documentos diferentes e nem sempre de certidoes de batismos. Algumas datas sao estimativas porque nem todos os nossos ancestrais foram registrados ou tiveram certidoes de batismo que sobreviveram. O mais comum eh que as datas foram retiradas de registros de casamentos.

Vamos colocar algo da sequencia genealogica de Pedro Alvares Cabral:

1,468 Pedro Alvares Cabral – D. Isabel de Castro
1,433 Isabel Gouveia de Queiroz – Fernao Cabral
1,405 Joao Gouveia de Queiroz – Leonor Fernandes Coutinho
1,380 Leonor Alvares de Queiroz – Vasco Fernandes Gouveia
1,350 D. Elvira de Castro – Fernao Goncalves de Queiroz
1,310 D. Alvaro Pires de Castro – Maria Ponce de Leon
1,290 Pedro Fernandes de Castro – Aldonca Lourenco de Valadares
1,270 Violante Sanchez – Fernando Rodrigues de Castro
1,250 D. Maria Afonso Teles de Menezes – Sancho IV, rei de Castela
1,225 D. Afonso Teles de Menezes – Maior Gonzalez de Giron
1,205 D. Teresa Sanchez – Alfonso Tellez
1,154 D. Sancho I, rei de Portugal – D. Maria Pais Ribeiro
1,109 D. Afonso Henriques, 1o. rei de Portugal – Mahaut de Savoie

Para simplificar os nossos dados aqui eu nao mencionei os muitos titulos estas personalidades usaram. Porem, como eu pesquisei a fundo os ancestrais do Jose Coelho de Magalhaes, notei muitos outros vinculos entre os ancestrais dele e essa turma de figuras historicas. Um exemplo de outro ancestral comum que os navegantes partilham eh D. Alfonso IX, presente na linhagem do Nicolau Coelho. Ele foi ancestral do Sancho IV, rei de Castela, presente como ancestral do Pedro Alvares Cabral.

Outra personalidade importante em nossos livros de Historia eh Fernao de Magalhaes, o navegante. Ele era o capitao da frota que circunavegou a Terra pela primeira vez na Historia. Ele morreu durante a viagem, em 1.524, mas o nome dele permaneceu como quem fez isso. Ele tambem descende de varios dos ancestrais acima. E tambem era descendente direto de D. Afonso III de Portugal em parceria com Maria Peres de Enxara.

Com respeito a Vasco da Gama, o navegador mais conhecido mundialmente daquele tempo, nao temos dados dizendo que tivesse vinculos familiares com as familias nobres e reais. Mas a esposa dele, Catarina de Ataide, tinha. Ela era descendente do Egas Moniz, o Aio, assim como do Carlos Magno, Hugo I Capet, rei da Franca e Fernando I Magno, rei de Leon e Castela. Pelo lado do Egas Moniz, ela era da linhagem que criou o nome de familia Fonseca (fonte seca). D. Vasco da Gama tornou-se o segundo Vice-Rei da India. Apesar de nao ser atraves deles, eu encontrei na Internet uma familia de la com a assinatura Fonseka e eles clamam ser descendentes do Fonseca portugues.

O fato de os maiores exploradores portugueses terem sido de familias nobres indica-nos que: o segredo da exploracao estava em curso. E isso era usado para evitar a competicao com outros paises. Desde o principio, Portugal e Espanha fizeram de tudo para manter o monopolio da colonizacao do Mundo Novo. Mas, como os Brasileiros dizem: o que eles queriam era “abracar o mundo com as pernas.” O mundo era grande demais para o tamanho pequeno da populacao da Peninsula Iberica. E os reis da Espanha, com o orgulho e preconceito deles, perderam a oportunidade de terem um melhor lugar na Historia para eles proprios.

10. O INCIO DE NOVA IORQUE E ESTADOS UNIDOS

Antes de entrar no assunto temos que relembrar um pouco da Historia comunitaria das Americas. Antes de 1.600, as Americas eram praticamente um monopolio da Espanha e Portugal. E logo depois das novas descobertas elas nao estavam dando retorno pelos custos dos descobrimentos. O que incentivou a maioria das expedicoes nos primeiros momentos era a busca pelo Caminho das Indias, como os portugueses e espanhois chamavam a Asia. Portugal ja estava lucrando via contorno da Africa. E exceto pela exuberante diversidade biologica eles pensaram que as Americas nada mais tinham a oferecer. A mencao ao: “Em se plantando tudo da” pelo correspondente da expedicao de Cabral, Pero Vaz de Caminha, nao havia sido levada em consideracao ainda.

Assim, `a medida que as dificuldades iam se multiplicando, o uso da imaginacao tambem explodia. Tres lendas comecaram a povoar as mentes dos aventureiros naquele tempo. Uma era a Fonte da Juventude. Com origem na mitologia grega, como se fosse possivel ter uma nascente que nos desse vida eterna em nossos corpos. A segunda era da “El Dourado” ou a cidade de ouro. E a terceira era a “Serra das Esmeraldas”.

Nos primeiros dias da exploracao, Juan Ponce de Leon veio `as Americas na segunda viagem do Cristovao Colombo. Ele era um ex-combatente da Guerra da Reconquista e tinha ajudado `a Espanha na luta por Granada. Seguindo instrucoes dadas pelos caribenhos ele conquistou Porto Rico. Foi estabelecido como governador da ilha mas foi deposto pelos adversarios politicos. Continuou seguindo seus sonhos e chegou a Ilha de Bimini, nas Bahamas, na pista de uma lenda nativa da Fonte da Juventude por la. Nesta viagem ele experimentou a Corrente do Golfo, que eh uma forte corrente que sai do Golfo do Mexico indo `a Europa, posteriormente usada para impulsionar os barcos a vela em retorno para o Velho Continente.

De Bimini ele continuou na busca pela Fonte da Juventude e acabou indo `a Costa da Florida. O nome Florida veio do tempo em que ele descobriu o lugar que era a Pascoa (Pascua Florida, em espanhol). O nome tambem esta ligado `a riqueza vegetal. Florida em ingles eh Blossom e nao deveria ser pronunciada com acento na primeira silaba desde que o nome nao foi traduzido. Flores e Flowers sao sinonimos em espanhol e ingles. Juan Ponce de Leon nunca encontrou o que procurava e morreu em consequencia de uma flechada indigena, em 1.521, depois de ser retirado da Florida para Cuba.

Mais de 20 anos depois da descoberta, Vasco Nunez de Balboa foi o primeiro a encontrar a passagem do lado atlantico para o Pacifico. Ele cruzou o Istimo do Panama em 1,513, abrindo o caminho para os espanhois conquistarem as costas a oeste das Americas.

Somente em 1.519, Hernan Cortez, com esperteza e ajuda dos inimigos dos Maias, conquistou a Cidade do Mexico e seu Imperio. Imediatamente a seguir as riquezas que os reis espanhois tanto queriam comecaram a fluir. A Civilizacao Maia ja ha muito sabia trabalhar metais preciosos e gemas. Entao, sem precisar trabalhar para ganha-los, os espanhois assaltaram os cofres dos outros.

Desde que a passagem atraves do Istimo do Panama estava aberta, isso facilitou aos espanhois fazer contato com os incas, em 1,532, que viviam nos Andes. E Francisco Pizarro conquistou a populacao e levou mais riquezas para a Espanha.

Mas o que mais excitou a imaginacao europeia foi a viagem desastrosa feita por Francisco de Orellana e seus companheiros. Ele tentou algo diferente para a epoca. Do Peru eles viajaram ao interior da Floresta Amazonica. Eles desmontaram seus barcos, carregaram-nos pelas montanhas e floresta ate encontrar rios navegaveis da Bacia Amazonica. Dai eles comecaram a viagem dificil, procurando chegar de novo ao Atlantico.

A viagem dele foi narrada pelo frei Gaspar de Carvajal e transcorreu de 1.541 a 1.542. Somente alguns dos viajantes sobreviveram mas foi o suficiente para o Frei Carvajal descrever uma civilizacao que residia na Bacia Amazonica e que era tao grande que eles puderam ver o brilho da brancura das casas durante o dia e os fogos durante a noite por centenas de quilometros. Constantemente eles tinham que navegar no meio dos rios para evitar as flechadas dos indigenas.

Mas eles tambem foram convidados por alguns para comer uma surpreendente variedade de iguarias. Os espanhois nunca haviam visto tamanha variedade de cada, pesca, frutas e vegetais. E a descricao do frei Carvajal foi creditada como lenda porque, depois, esta civilizacao nunca havia sido reencontrada, ate agora. Foi isso que criou a lenda do “El Dourado”. Durante seculos os europeus buscaram por cidades de pedra, folheadas a ouro, assim como estavam acostumados a ver em outras civilizacoes antigas no mundo. Mas pedra na Bacia Amazonas eh um material dificil de encontrar.

So recentemente, a historia do frei Carvajal foi comprovada. A terra amazonica eh um solo pobre. E se nao fosse pela floresta ela poderia parecer-se a um deserto. Arqueologos encontraram sitios numerosos de habitacoes nas margens dos rios. Muito mais, eles encontraram quilometros e quilometros de solo fabricado pelo homem. Estes sitios sao chamados de “Terra Preta” ou “Terra Preta de Indio”. Tambem descobriram que, a fabricacao comecou em cerca de 500 anos a.C. e se extendeu ate depois de 900 d.C. Isto eh a terra comum com adicoes de carvao, ossos e esterco de animais e ceramica quebrada.

A altura da “Terra Preta” varia entre 1 a 2 metros de profundidade. Mesmo depois de milhares de anos o solo continua sua producao, inclusive ha sugestoes de que existam componentes microbianos porque existem os relatos de regeneracao depois que parte do solo eh removido. O que eh impressionante eh isso, la existe o equivalente ao tamanho da Franca e Alemanha combinadas de “Terra Preta” feita pelo homem da Bacia Amazonica. Cientistas estao tentando reproduzir esse formidavel avanco da agricultura mas nao foram capazes ainda de compreender como foi feito. A producao de alimentos da “Terra Preta” pode ser melhor que as das tecnologias mais avancadas de hoje. Se for, isso pode ser usada para salvar bilhoes de vidas no futuro.

Mesmo assim, no estagio de civilizacao em que o povo europeu se encontrava no seculo XVI, talvez nao fosse possivel a eles conquistarem as Americas da populacao nativa se nao tivessem tido a ajuda do inferno. O que quero dizer eh que, inadivertidamente, eles levaram consigo suas doencas comuns como catapora, variola, tuberculose e ate a gripe. Ja haviam milenios que as populacoes da Africa, Asia e Europa mantinham contatos entre si e tambem com animais domesticos maiores. Isso lhes dava uma certa imunidade contra germes que se mostraram mortais para os nativamericanos. Num calculo grosseiro, alguns dizem que cerca de 90% da populacao morreu apos encontrar os europeus. Em alguns casos, eles foram infectados mesmo antes de conhecerem qualquer europeu e isso foi causa de exterminio de civilizacoes inteiras.

Atualmente, os cientistas estao concluindo que foi exatamente isso que aconteceu `as civilizacoes da Bacia Amazonica. E os europeus que procuravam cidades de pedra estavam totalmente enganados por suas ignorancias. As civilizacoes que viviam na Bacia Amazonica construiram daquilo que lhes era disponivel: madeira, solo e outras partes das plantas.

Na viagem do Francisco Orellana o nome do rio foi trocado para Amazonas. A lenda diz que, os navegantes viram o que parecia a eles ser cavaleiras montadas em seus cavalos nas margens do rio. Dai o nome do rio ser uma lembranca das amazonas da Historia Grega. Permanece, porem, na lingua portuguesa a palavra amazonas com o significado de cavaleira.

Todos os exploradores espanhois vem de familias nobres. Eu dei uma olhada no geneall.net portugal mas o site ainda nao mostra isso. Alguns como o Juan Ponce de Leon tem ancestrais la, mas sem as ligacoes com as familias reais. Porem eu sei que, o nome Ponce de Leon eh o resultado do casamento entre Aldonca Alonso de Leon e Pedro Ponce de Cabrera. D. Aldonca era filha do Alfonso IX, rei de Castela e Leon com D. Aldonca Martins da Silva. E ela nasceru por volta de 1.215. Tambem, os sobrenomes das ancestrais do Juan sao comumente usados pelas familias nobres como: Guzman, Baeza, Ayala, Figueroa y Manuel.

Outra observacao interessante eh a respeito de Francisco Pizarro, o conquistador do Imperio Inca. O site nao indica que venha de familias reais mas, como conquistador, o primeiro tesouro que tomou dos Incas foram duas filhas do Atahualpa, o ultimo imperador, que foi morto pelos espanhois para pavimentar o caminho de manter o Imperio. Angelina e Ines Youpanqui fizeram parte de um padrao de comportamento dos conquistadores portugueses e espanhois. No seculo XVI a maioria deles nao levaram as mulheres brancas. Eles se casaram ou simplesmente se juntaram `as nativas convertidas.

Vamos ao lado portugues da Historia. Mesmo que Pedro Alvares Cabral seja dito o primeiro portugues a ir ao Brasil, existem controversias a este respeito. A gente sabe que, o explorador espanhol: Francisco Yanez Pinzon, esteve nas costas brasileiras antes. E ele entrou no Rio Amazonas. A expedicao dele deu o nome “Mar Dulce” (Mar Doce) ao rio, talvez sem saber que era um rio, tres meses antes do Cabral. Mas la ainda nao era Brasil porque pelo Tratado de Tordesilhas pertencia `a Espanha.

Eh dito que outros exploradores portugueses ja haviam estado nas Americas, inclusive antes de Colombo. Segundo eh dito, Afonso Sanches foi quem indicou-lhe onde estavam as Antilhas porque ja havia estado la, quando o explorador famoso aportou na Ilha da Madeira. E pelo menos mais dois outros portugueses: Joao Coelho e Duarte Pacheco ja haviam ido ao Brasil antes do ano 1.500. Porem, oficialmente, quem recebeu a ordem de D. Manuel I, o Venturoso, para tomar posse do territorio foi o Cabral.

Durante os 30 primeiros anos, a unica atividade comercial que Portugal tinha no Brasil era a exploracao do pau-brasil, por ele oferecer uma tinta vermelha muito apreciada pelos europeus. O Brasil oferecia muitas outras madeiras ao longo de seu luxuoso tapete verde costal. A exploracao foi tao intensa que nas costas do Brasil atualmente existem apenas umas lembrancas do que foi antes. A maioria dos brasileiros nem sequer conhecem o pau-brasil que deu nome ao pais.

A respeito dos 30 primeiros anos se diz que: o Brasil se transformou no lugar de criminosos exilados. E eh corrente uma piada a respeito. “Um anjo perguntou a Deus: “Senhor, todos os outros paises no mundo tem problemas serios como os vulcoes, terremotos, tornados, furacoes, montanhas imensas, neve, inverno frio, desertos e outros mais, por que o Senhor deu aos brasileiros um lugar como o Paraiso?” E Deus respondeu ao anjo: “Meu amigo, voce precisa olhar com cuidado. Voce percebeu a gentinha que esta destinada a viver la?”

A piada eh repetida pelos ignorantes que nao sabem que, os exilados iniciais que foram para o Brasil nao eram criminosos como assassinos e ladroes. Eles foram exilados em razao das crencas diferentes ou em razao de terem tomado posicoes partidarias diferentes da da classe dominante. A piada tambem foi usada pelos preconceituosos todas as vezes que a economia brasileira passou por dificuldades. E isso era o mais frequente. E os preconceituosos, normalmente, ricos ou descendentes de origem nobre, referem-se como “Ze Povinho” aos descendentes dos nativo-brasileiros, africanos e exilados, lingando-os `a pilheria.

Como veremos mais tarde, a maioria dos brasileiros, pelo menos aqueles que tem raizes desde os tempos coloniais, sao descendentes deles. E mais, o “Ze Povinho” nunca teve culpa. Ele nunca mandou em nada e o trabalho duro dele sempre foi usado pelos ricos e pela elite menor. A pilheria sempre foi um truque dos covardes com mente perniciosa que desejavam culpar as vitimas pelos seus proprios crimes.

Os 30 primeiros anos da colonizacao portuguesa no Brasil nao se resumem somente `as trocas de madeira valiosa por bugingangas entre os indigenas e os colonizadores, como isso eh mencionado por alguns historiadores. O evento mais importante deste periodo foi a iniciacao da genetica do povo brasileiro. Temos que nos lembrar que a colonizacao inglesa comecou mais de um seculo depois da espanhola e portuguesa. O inicio de cada uma teve motivacoes diferentes. E, mais importante de tudo, espanhois e portugueses nao mandaram mulheres com os colonos porque as suas culturas eram machistas e as viagens transoceanicas estavam em fase experimental.

Ora pois, os homens portugueses nao sabiam resistir a seus instintos machistas. E eles se apaixonaram pelas indias `a primeira vista. Eles tinham tempo de sobra para juntar o pau-brasil com a ajuda dos indios e amontoa-lo nas imediacoes das praias, nalguns galpoes improvisados, na espera do proximo embarque que tanto poderia vir em seis meses quanto no ano seguinte. Eles nunca tinham certeza. Enquanto isso eles ocupavam o tempo deles fazendo a proxima geracao, literalmente.

Martim Afonso de Sousa foi enviado ao Brasil para organizar o primeira tentativa de colonizacao. Portugal estava avisado sobre as incursoes dos ingleses, franceses e holandeses que exploravam o pau-brasil na ausencia de defensores portugueses. Martim Afonso foi ao Brasil para estabelecer colonias e organizar a defesa do territorio. Com a ajuda dos Jesuitas ele fundou Sao Vicente, a primeira cidade do Brasil; Sao Paulo do Piratininga, onde hoje esta Sao Paulo, a maior cidade por la; e tambem Santos, o porto mais movimentado da America do Sul e, ainda, Santo Andre, que virou uma cidade industrial, na Grande Sao Paulo.

Em 1.533 ele retornou a Portugal e foi enviado para a India onde tambem era requerido para defender as possessoes portuguesas de la. Em 1.542 foi nomeado vice-rei da India. Ele terminou os dias dele em Portugal, onde em 1.571 veio a falecer.

O proximo capitulo da Historia do Brasil eh conhecido como Capitanias Hereditarias. Logo apos Martim Afonso estar no Brasil, o rei D. Joao III tomou outras medidas para defender as colonias portuguesas contra invasoes estrangeiras. O que se decidiu foi dividir o territorio brasileiro em colonias, dadas aos nobres para comecarem a colonizacao europeia, efetivamente. Para o Martim Afonso foram dadas duas colinias, Sao Vicente e Rio de Janeiro. Mas ele nunca voltou la. So os descendentes herdaram.

Martim Afonso estabeleceu um padrao de organizacao que permaneceu na administracao brasileira por seculos. O filho dele, Pero Lopes de Sousa, herdou a Capitania de Sao Vicente. E, provavelmente, o genro, Estevao Gomes da Costa, herdou a Capitania do Rio de Janeiro. Estou falando provavelmente porque nao estou tao certo mas minha duvida eh baseada em fatos. A minha intencao eh mostrar mais uma sequencia genealogica para dar uma ideia melhor do que estava acontecendo no Brasil naquele tempo.

1,210 D. Afonso III, rei de Portugal – Madragana ou Mor Afonso
1,250 Martim Afonso Chichorro – Ines Lourenco de Valadares
1,280 Martim Afonso Chichorro II – D. Aldonca Anes de Briteiros
1,320 Vasco Martins de Sousa Chichorro – Ines Dias Manoel
1,341 Martim Afonso de Sousa – Aldonca Rodrigues de Sa
1,385 Martim Afonso de Sousa – Violante Lopes de Tavora
1,425 Pedro de Sousa – Maria Pinheiro
1,460 Lopo de Sousa – Brites de Albuquerque
1,490 Martim Afonso de Sousa – esposa desconhecida
Isabel Lopes de Sousa – Estevao Gomes da Costa
Felipa Gomes da Costa – Vasco Pires da Mota
Atanasio da Mota – Luzia Machado
Eufemia da Costa Mota – Joao de Godoy Moreira
Gaspar de Godoy Colaco – Sebastiana Ribeiro de Morais
Maria Pedroso de Morais – Joao Correia da Silva
Escolastica de Morais – Joao da Cunha Ataide
Maria Candida da Cunha Ataide – Francisco Joaquim de Andrade
1,798 Francisco de Paula Andrade – Joana Rosa de Andrade Lage
1,835 Elias de Paula Andrade – Rosa Amelia Silveira Drummond
1,860 Carlos de Paula Andrade – Julieta Augusta Drummond
1,902 Carlos Drummond de Andrade – Julieta Augusta Drummond

Do que estava acontecendo no Brasil eu decidi alongar a sequencia genealogica que coloca o Martim Afonso quase no meio. Primeiramente eu queria mostrar o primeiro casal que eh formado pelo nossos conhecidos ancestrais, rei Afonso III de Portugal e sua amante, Madragana. Eu ja a mencionei porque ela foi filha do prefeito do Faro quando a Reconquista de Portugal foi completada por aquele rei. Ela procede de familia judia e eh ancestral de muitos outros importantes, como a rainha Victoria da Inglaterra.

Mas eu tambem queria relembrar o poeta brasileiro Carlos Drummond de Andrade que era um dos descendentes do Martim Afonso de Sousa. A Familia Andrade dele estabeleceu-se em Itabira, Minas Gerais, desde o bisavo dele. Uma de minhas bisavos, Ercila Coelho de Andrade, nasceu la e nos passou isso: ela seria prima do poeta mas ninguem na epoca prestou atencao em qual grau ou por quais vias. Atraves de uma outra linhagem eu descobri que o poeta tambem descende do D. Dinis, rei de Portugal, e tambem eh primo do poeta portugues mais famoso, Luis Vaz de Camoes.

Em nossos dias nos temos tentado localisar a ligacao mas estamos de maos vazias por enquanto. Em tempos passados os registros eram feitos pela Igreja Catolica e a tinta de algumas paginas dos livros de Itabira evaporaram. Para ver o que esta escrito agora nos precisaremos de instrumentos especiais que nao temos. Entao, precisamos ter paciencia e sorte porque, no Brasil, algumas pessoas podem pegar os livros e jogar no lixo imaginando que nao tenham nada de interesse.

Desde ja eu indicarei o seguinte video no endereco: http://e-relevante2009.blogspot.com/2010/4/apresentacao-de-belo-horizonte-para-o.html. Nao se preocupe, tudo esta falado em ingles porque foi produzido pelo Departamento de Relacoes Exteriores Americanos. Ele da uma pequenissima ideia das parcerias entre Brasil e Estados Unidos em 1.948. O interessante eh ver nele as cidades de Itabira, Belo Horizonte, Ouro Preto e Minas de um modo geral. Quem souber ingles, preste atencao especial no que eh dito a respeito da importancia estrategica do Estado para a defesa americana naquele tempo. Eu volterei a tocar neste video posteriormente.

Gostaria de apresentar algo mais a respeito da Historia do Brasil. Nos Estados Unidos nos temos a Lenda de Pokahontas que eh baseada em fatos reais. No Brasil tambem existem varias estorias que parecem similar a Pokahontas. Uma delas eh a respeito de Joao Ramalho. A lenda a respeito dele fala que, ele seria morto pelo cacique indigena quando a filha do chefe se colocou entre os dois e pediu pela vida dele porque ela planejava casar-se com ele. Mas isso esta apenas na lenda.

De fato, o que se sabe eh isso, quando Martim Afonso de Sousa desembarcou em Sao Vicente, o contingente dele foi cercado por membros da tribo local. Quando eles pensaram que teriam que lutar por suas vidas, alguem apareceu para anunciar que, estava tudo bem. Era Joao Ramalho, um aventureiro portugues que ha muito tinha feito amizade com os indios. Joao tinha deixado esposa em Portugal. Mas o padre Manoel da Nobrega, que era um Jesuita do contingente do Martim Afonso, casou-o com a antiga companheira chamada Bartira. Bartira foi batizada com o nome de Isabel Dias. Ela era filha de Tibirica, o grande cacique da tribo.

Mas essa nao eh a verdade por inteiro. Os indios nao tinham regras contra o homem ter mais de uma mulher. Como consideravam o Joao com grande respeito, muitos outros caciques traziam suas filhas para casar-se com ele. E ele era muito do bigamo. Mas ninguem estava preocupado com isso naquele ambiente. Joao Ramalho e seus muitos filhos viviam na regiao de Sao Vicente, Santos, Sao Paulo e no Vale da Ribeira. Eles forneciam mercadorias aos navios que passavam, faziam reparos nas embarcacoes e cacavam outros indigenas para vender como escravos. Tambem eh dito que os filhos de Joao Ramalho eram particularmente crueis com esses parentes deles.

Foi desta forma que a genetica brasileira comecou. E eu vou colocar mais uma sequencia genealogica mostrando uma via como, possivelmente, milhoes de Brasileiros sao descendentes diretos dos nativos brasileiros. Eu queria mostrar um exemplo como os descendentes do Martim Afonso de Sousa e Joao Ramalho tornam-se os mesmos. Ele estava com o Martim na fundacao de Sao Vicente, Sao Paulo e Santo Andre e, se nao fosse por ele, talvez tivessemos uma Historia do Brasil diferente. Outra observacao a respeito do Joao eh essa: alguns historiadores suspeitam que fosse um Cristao Novo (judeu convertido ao catolicismo por forca de lei). Os nomes dos pais dele eram: Joao Velho Maldonado e Catarina Afonso.

Tibirica – nome desconhecido da esposa
1,500 Isabel Dias (Bartira) – 1,493 Joao Ramalho
Catarina Ramalho – Bartolomeu Camacho
desconhecida Camacho – Jeronimo Dias Cortes
Ana Camacho – Domingos Luis, o carvoeiro
Bernarda Luis Camacho – 1,575 Amador Bueno da Ribeira, o aclamado
Isabel da Ribeira – Domingos da Silva Guimaraes
Isabel da Silva Bueno – 1,670 Domingos de Castro Correia
Joao Correia da Silva – Maria Pedroso de Morais.

Daqui para frente nos voltamos aos ancestrais do poeta Carlos Drummond. O casal acima eh um dos pentavos dele, ja apareceram na sequencia genealogica anterior.

O nosso proximo topico sao as Capitanias Hereditarias. Como eu disse, o rei Joao III de Portugal certamente foi avisado por Martim Afonso de Sousa a respeito das incursoes que os piratas de outros paises europeus faziam para carregar mercadorias da costa brasileira e ele decidiu criar as Capitanias Hereditarias. O sistema ja havia sido usado nas Ilhas da Madeira. O territorio brasileiro, colonizado por Portugal, foi dividido em 15 partes. Cada uma dada a um nobre para administrar. Todos os riscos e obrigacoes financeiras corriam por conta do donatario (Capitao-Mor), que era um investidor privado. Em troca o donatario tinha o poder de decisoes.

Porem, apenas duas das capitanias deram bons resultados. As duas tinham dado prioridade para a producao de acucar. Uma foi a Capitania de Pernambuco que foi ganha por Duarte Coelho. Hoje-em-dia, ocupando o mesmo espaco existe o Estado de Pernambuco. Contando a partir daquele tempo, os livros de Historia do Brasil classificam os proximos 150 anos como Ciclo do Acucar. Vamos por mais uma sequencia genealogica:

1,370 Fernao Coelho, 1o. senhor de Felgueiras e Vieira – Catarina de Freitas
1,420 Martim Coelho – Joana de Azevedo
1,435 Goncalo Coelho – (Violante Magalhaes)
1,480 Duarte Coelho, senhor de Pernambuco – Beatriz de Albuquerque
1,539 Jorge de Albuquerque Coelho – D. Catarina da Silva
1,591 Duarte de Albuquerque Coelho, conde de Pernambuco – D. Joana de Castro

Eu comecei do Fernao Coelho e Catarina de Freitas agora porque eles ja estao presentes no capitulo 5, como ancestrais do Jose Coelho de Magalhaes e no capitulo 7, como avos do Nicolau Coelho, o piloto de navio das viagens do D. Vasco da Gama e Pedro Alvares Cabral. Entao, o Duarte Coelho era parente proximo do Nicolau. Temos que tomar cuidado aqui para nao afirmar que Violante Magalhaes fosse a mae do Duarte Coelho. Possivelmente nao era. Ele era filho do Goncalo Coelho, 3o. senhor de Felgueiras e Vieira, mas ninguem tem certeza do nome materno.

Duarte Coelho foi chamado pelo rei D. Sebastiao de Portugal para ajuda-lo em sua aventura desastrosa no Norte da Africa, onde ele desapareceu. A morte de D. Sebastiao acabou sendo aproveitada pelo Felipe II para unificar as duas coroas. No periodo de 1.580 a 1,640 Portugal e Espanha formaram a Uniao Iberica sob a coroa espanhola. Este periodo eh classificado com Dinastia Filipina, porque Portugal foi administrado por tres reis da Espanha com nome Felipe.

Em Pernambuco, Duarte Coelho fundou sua capital, Olinda. A lenda diz que, `a primeira vista ele disse admirado: “Oh Linda!”, ai o nome ficou cravado. Provavelmente, ele levou com ele uma familia de colonizadores que assinava Barbalho. A Familia Barbalho esta presente no proximo capitulo da Historia do Brasil, mas eh muito ignorada pelos historiadores fora do Estado da Bahia. A familia tambem tem uma ligacao importante com a Historia de Nova Iorque, apesar de ser indiretamente.

Somente para ilustrar a ignorancia dos fatos que ajudaram a construir a nossa Historia comum, eu contarei aqui um acontecimento comigo nos Estados Unidos. Vi uma propaganda na tv do Historical Research Corp. dizendo que: nos podiamos contata-los e eles mandariam algo a respeito da origem dos nomes de nossa familia. Ainda, nos poderiamos ter uma segunda opcao, de graca. Ai eu pedi informacoes a respeito dos meus dois nomes: Magalhes e Barbalho. Do Magalhaes eles informaram corretamente, mas do Barbalho, vejam a resposta que me foi dada:

“O Historical Research Center tem pesquisado nomes por 20 anos. Nossos dados sao os mais completos do mundo nessa materia, contendo mais de 1.000.000 de sobrenomes de 135 paises e culturas diferentes. Cada nome eh pesquisado individualmente e informacoes especificas ligadas ao nome sao fornecidas.

Infelizmente, um dos sobrenomes pedido para informarmos a origem e darmos o certificado gratuito nao se encontra nos dados que temos. Estamos enviando sua ordem incompleta. Nossos dados sao constantemente atualizados com sobrenomes e informacoes a respeito dos nomes ja pesquisados. Para o estimado cliente, oferecemos 25% de desconto se voce desejar fazer o pedido para um certificado celebratorio para o sobrenome que nao se encontra em nossos dados. Ordenando o certificado celebratorio para o nome, nossos pesquisadores irao compor um documento que contera informacoes fascinantes a respeito do nome, incluindo os dados mais antigos documentados e as razoes para os fatos, o significado e a origem, nomes de pessoas importantes que usaram a assinatura, dados imigratorios e variacoes na escrita do nome. Nos tambem fornecemos uma descricao escrita do escudo da familia e uma estampa colorida deste escudo. Colocando um pedido do registro celebratorio para este sobrenome nos o adicionaremos em nossos dados e outros membros de sua familia poderao obter as mesmas informacoes a respeito desse sobrenome.”

Ta bom! Isso nao passa de uma correspondencia comercial. Mas eu esperaria algo mais de qualquer um que alegasse ter mais de 1.000.000 de sobrenomes em seu banco de dados. O escudo da familia eu encontrei posteriormente no blog de um de meus contatos no Brasil. O nome dele eh Ormuz Barbalho Simonetti. Ha tambem no Orkut uma comunidade em nome da familia que tambem mostra o escudo. Na internet brasileira encontramos muitas informacoes a respeito do nome, infelizmente, a maioria em nome de certo politico que foi defenestrado por ma conduta. Continuemos a nossa historia para depois mostrar a ligacao entre a familia Barbalho e a Historia de Nova Iorque.

Infelizmente, o que parece sucesso aos Brasileiros nao trouxe bons resultados para a Africa. O cultivo da cana-de-acucar naquele tempo, da mesma forma que qualquer outra atividade, demandava muita mao-de-obra bracal e os europeus fizeram opcao por importar escravos de la, porque seria muito mais dificil escravizar os nativos na propria terra deles. Desde entao, os africanos foram escambados pelos proprios produtos da cana como a cachaca ou pelo dinheiro que rendia.

A comercializacao nao era apenas nojenta por reduzir a pessoa humana a tamanho disrespeito. Isso levou `a disrupcao da sociedade africana. Levou guerras ao continente e aventureiros com uma unica coisa na cabeca, ganhar dinheiro facil. A Africa tornou-se refem da loucura de nossos ancestrais por, pelo menos, quatro seculos e meio.

Depois dos resultados negativos da maioria das Capitanias Hereditarias no Brasil, a coroa portuguesa decidiu mudar de tatica de colonizacao. Assim, foi nomeado um Governador-Geral que tinha o poder de um vice-rei. O escolhido para ocupar o cargo foi Tome de Sousa. Alguns ancestrais dele eram os mesmos ancestrais do Martim Afonso de Sousa, comecando por Alfonso III e Madragana. Ele foi para o Brasil em 1.549 com 1.000 pessoas. Eram militares, sacerdotes (os primeiros Jesuitas no Brasil), colonos e 400 exilados por crimes menores em Portugal.

Tome de Sousa fundou a cidade de Sao Salvador que continua como capital da Bahia. Ali era um ponto estrategico, equidistante entre Sao Vicente no sul e Olinda no norte. Ela veio a ser a primeira capital do Brasil e permaneceu ate `a proxima fase da Historia do Brasil, quando a capital foi transferida para o Rio de Janeiro. Tome ficou no Brasil so 4 anos, a partir de 1.549. Depois ele retornou a Portugal e permaneceu como conselheiro do rei para assuntos brasileiros. E ele aconselhou a criacao de mais vilas para atrair mais colonos.

Naquele tempo, Portugal estava com problemas por causa da competicao no comercio oriental, os espanhois estavam tendo sucesso na obtencao das riquezas minerais das Americas e o Brasil estava cercado pelos outros europeus, que tambem queriam colonizar as Americas. Os ingleses, franceses e holandeses nao reconheciam o Tratado de Tordesilhas, alegando que eles nunca tinham ouvido falar no Testamento de Adao que desse o monopolio `a Espanha e Portugal. Este eh um dos sinais da nossa Historia comum. A lei sempre sera suprema, ate que os interesses se tormam superiores.

Um problema que Tome de Sousa encontrou no Brasil foi a falta de respeito com as leis. Um de seus companheiros: Pero Borges, o responsavel pelos assuntos juridicos, expressou numa carta ao rei algo assim: “Existem nestas terras muitos homens casados no reino que estao vivendo aqui por muitos dias, fazendo nada para viver e ainda vivendo em concubinato com, pelo menos, um par de gentias, tornando-se, pois, piores que os gentios…”

Pero Borges pediu punicao para todo mundo mas o rei Joao III, inteligentemente, deu anistia a tudo o que fora feito antes da presenca de Tome de Sousa naquela terra, exceto por: “cinco casos de heresia, traicao, moeda falsa e morte de homem cristao”. Ele estava muito bem informado do quao dura a vida parecia para aqueles tao longe de casa e sabia ser mais sabio ter aquela gente corajosa como aliada que como inimiga. E depois isso deu bom retorno.

Desde o comeco da colonizacao no Brasil, como eu mencionei antes, tambem a genetica brasileira comecou a ser formada. E tambem a lingua portuguesa comecou a ganhar palavras novas para definir situacoes novas. Os filhos de portugueses com as nativas precisavam definicao. E eles comecaram a chama-los de caboclos (as). Desde que os africanos foram levados para o Brasil em condicao de escravos, logo perceberam ser mais inteligente levar tambem as africanas porque era mais barato produzir criancas escravas no Brasil que importar o original.

Porem, um numero muito maior de europeus andava pelo Brasil que mulheres brancas. O portugues nao se envergonhava de fazer sexo com qualquer linhagem feminina. Desse relacionamento formou-se o mulato (a). Mesmo apos os seculos se passarem, pessoas ricas que tinham muitos escravos continuaram fazendo concubinas em suas senzalas. Para os brasileiros, o casamento ou relacionamento interracial nao era nada do que se admirar. Isso passou a ser preconceito depois, quando mais europeus chegaram ao Brasil e foi formada uma elite mais clara.

Mesmo assim, o preconceito no Brasil foi amaciado pela maior presenca da populacao produzida pelos casamentos interraciais. Ate eu pude constatar isso em minha juventude quando a musica brasileira era repleta de tres palavras: mulata, cabocla e saudade. Naquele tempo, os homens nao sonhavam com Cinderela, Branca de Neve ou Bela Adormecida. Estas sempre foram estorias para criancas. Nossas princesas eram reconhecidas por suas geneticas. O que se dizia era isso, era quase impossivel para o homem resistir ao charme da mulata ou cabocla.

Eu penso que os americanos experimentaram o poder magico do resultado do casamento interracial na eleicao presidencial de 2008. O presidente Obama comete um erro identificando-se como preto. Ele eh mulato, o que nao eh ruim ou bom. Ele eh apenas a prova de que, quando o amor existe todas as fronteiras desaparecem. O amor nao se importa com barreiras. Voltarei a esse assunto posteriormente.

Saudade eh uma palavra que os brasileiros acreditavam nao existir nas outras linguagens. Isso eh o sentimento tamanho da falta de alguem ou de alguma coisa que chega perto de ser uma doenca. Era o sentimento dos africanos e portugueses a respeito de suas terras de nascimentos e seus parentes. Eh um sentimento do fundo do coracao indigena pela perda de sua liberdade. Agora eh o sentimento de todos que sao resultados dos casamentos interraciais.

Entao, com a riqueza das terras e a beleza da paisagem, o Brasil instigava a avareza dos outros povos europeus. Nos temos um capitulo dedicado `as tentativas de invasao das terras brasileiras. Nos temos dois capitulos na Historia Brasileira chamados: Invasoes Francesas e Invasoes Holandesas.

As Invasoes Francesas tiveram alguma influencia na Historia Brasileira. Desde que Martim Afonso de Sousa esteve no Brasil ele havia recomendado a construcao de uma cidade na Baia de Guanabara. Mas os indegenas do lugar nao tinham afinidades como os portugueses e o assunto nao passou de projeto. No tempo do segundo governador-geral, Duarte da Costa, um frances, Nicolas Durand de Villegagnon, que ja conhecia o lugar, convenceu alguns a estabelecer uma colonia francesa la. O nome desse projeto foi Franca Antartica.

E eles comecaram construindo um forte, fizeram contato com as tribos que nao gostavam dos portugueses, faziam trocas com os indios por mercadorias locais e mandaram para a Franca. O comercio estava se desenvolvendo bem, ate que o terceiro governador-geral do Brasil nao chegou. O nome dele era Mem de Sa, e uma pequena parte da genealogia dele eh mostrada na proxima sequencia genetica:

1,500 Mem de Sa – Guiomar de Faria
1,460 Goncalves Mendes de Sa – esposa desconhecida
1,410 Joao Goncalves de Miranda Sotomaior – Filipa de Sa
1,380 Fernao Anes Sotomaior – Constanza de Zuniga
1,340 Pedro Alvares de Sotomaior – 1,360 Elvira Mendes de Benevides
1,310 Fernan Anes de Sotomaior – Maria Anes da Novoa
Alvaro Pires de Sotomaior – Ines Anes de Castro
1,290 Elvira Anes Marinho – Pedro Alvares de Sotomaior
1,270 Joao Pires Marinho – Teresa Pais Marinho
1,250 Sancha Vasques Sarraza – D. Pedro Anes Marinho
1,230 Vasco Peres Sarraza – nao identificada Anes da Novoa
1,210 Pedro Soares Sarraza – Elvira Nunes Maldonado
1,190 Maria Alfonso de Leon – Soeiro Aires de Valadares
1,171 Alfonso IX, rei de Leon e Castela – D. Teresa Gil de Soverosa
1,151 D. Urraca, Infanta de Portugal – Fernando II, rei de Leon
1,109 D. Afonso Henriques, 1o. rei de Portugal – Mafalda de Sovoia

Frequentemente, os nobres nao estao ligados por apenas uma linhagem `as familias reais. No caso do Mem de Sa isso nao eh diferente. Uma das alternativas que o ligam `as familias reais eh mostrada pela sequencia genealogica abaixo. Comecando por D. Sancho I, segundo rei de Portugal, que tambem era filho de D. Afonso e Mafalda de Savoia.

1,154 D. Sancho I, rei de Portugal – D. Maria Pais Ribeira, a Ribeirinha
1,205 D. Teresa Sanches – Alfonso Tellez
1,225 D. Joao Telo de Menezes – Elvira Goncalves Giron
1,250 D. Goncalo Anes Raposo – D. Urraca Fernandes de Lima
1,280 D. Beatriz Goncalves Raposo – Joao Pires da Novoa
1,310 Maria Anes da Novoa – Fernan Anes de Sotomaior

O ultimo casal ja esta na sequencia genealogica anterior por ser tetravo do Mem de Sa duas vezes. E se prestarmos melhor atencao aos outros nomes nos podemos ver tambem ligacoes com as sequencias genealogicas apresentadas para os navegadores. Como eu ja disse, todo mundo eh parente, de uma ou outra maneira.

Mem de Sa teve que fazer a seguranca do resto da costa brasileira e pacificar tribos revoltadas em torno da capital Salvador. Ele enviou o sobrinho, Estacio de Sa, para lidar com o problema frances. Estacio fez uma alianca com indigenas do Espirito Santo e pediu socorro de Sao Vicente. Eles conseguiram destruir o Fort Coligny, construido por Villegagnon. Tambem fundou uma nova cidade com nome em homenagem ao infante rei, D. Sebastiao. Assim surgiu a cidade de Sao Sebastiao do Rio de Janeiro. Posteriormente o nome foi reduzido para Rio de Janeiro.

Mas este foi apenas o principio da guerra. Os colonos franceses se embrenharam nas matas junto com seus aliados indigenas onde eles continuaram fazendo comercio e atacando os colonos portugueses. Estacio de Sa reorganizou a defesa e continuou a luta ate que os franceses fossem totalmente vencidos. Ele teve a ajuda de dois jesuitas: Manoel da Nobrega e Jose de Anchieta. Os dois sao veradeiras lendas no Brasil. Sao eles que catequizaram os indios, os organizaram em povoacoes semelhantes `as europeias e os introduziram `a cultura europeia.

Mesmo que o trabalho dos jesuitas tenha reduzido os indigenas a um grau de menor importancia na sociedade brasileira , por outro lado, eles tentaram impedir a escravidao deles. Eles nunca conseguiram impor essa vontade e os descendentes de portugueses com indios foram os responsaveis por conquistar o interior do Brasil de forma nada amigavel para os outros indios de la. Outro nome daquele tempo foi o cacique Arariboia. Por ter ajudado ao Estacio de Sa ele foi presenteado com terras proximas ao Rio de Janeiro. Ele fundou uma povoacao que agora eh Niteroi, ex-capital do Estado do Rio de Janeiro.

No final da conquista, Estacio de Sa morreu em consequencia das feridas de batalha. Mas os franceses foram expulsos. Posteriormente eles tentaram outra invasao no Nordeste do Brasil onde tiveram mais sucesso. Fundaram a Cidade de Sao Luiz, agora a capital do Maranhao. La eles planejaram estabelecer a colonia com nome de Franca Equinocial. E foram expulsos de la em 1.616 pelos portugueses. Por fim acabaram encontrando um lugar na America do Sul que se tornou a Guiana Francesa. Brasileiros e franceses tiveram outros entreveros em seus relacionamentos mas nada mais serio quanto estes primeiros.

Agora, voltemos aos negocios. O titulo do capitulo promete algo a respeito do comeco de Nova Iorque e dos Estados Unidos. Mas esse comeco se da na Europa com a bagunca criada em torno das questoes religiosa e do poder economico. Quando o Carlos I, o Kaiser e rei da Espanha deixou o poder, Felipe II, rei da Espanha, herdou a Espanha e o que depois ficou conhecido como Paises Baixos. E la existia uma certa liberdade economica e religiosa. Mas o Felipe II nao concordava com a ideia. Entao, as partes nortes da possessao declararam sua independencia.

Eles tiveram oito anos de guerra, apos 1.581, contra as forcas do Felipe II. E a guerra foi espalhada mundo afora. Tambem se diz que, a guerra contra a Espanha criou o sentimento de nacionalismo que criou uma nova nacao. Mas um componente fundamental dessa nova nacao foi a criacao da primeira multinacional do mundo. A Companhia das Indias Ocidentais. E a companhia comecou a buscar outra via de ir `a India e encontrou um otimo campo de trocas de peles no Estado de Nova Iorque, em torno do Rio Hadson. A companhia foi a responsavel pelo inicio da colonizacao, fixando colonos e distribuindo terras para eles trabalharem. Eles sao os responsaveis pela fundacao da Nova Amsterda que se tornou Nova Iorque depois que a colonia foi tomada pelo rei ingles. Fundaram tambem Nova Orange, que hoje eh Albany, a capital do Estado de Nova Iorque.

Nao podemos esquecer que, aquela multinacional tinha um capital imenso. Da metade do seculo XVI ate que a Inglaterra tomou o poder, os holandeses foram a maior forca naval do mundo. Talvez Felipe II tenha construido a maior marinha de guerra naquele tempo mas os holandeses controlavam a marinha mercante associada a outra de guerra. E depois que a Armada Invencivel do Felipe II foi afundada pela Marinha Inglesa, os Holandeses dominaram o comercio ao redor do mundo.

Os holandeses tambem sao responsaveis por tres tentativas de invasao do Brasil. Eles haviam investido na producao do acucar e desde que estavam em guerra contra a Espanha, e o Brasil virou uma colonia dela na Uniao Iberica, eles pensaram que tivessem o direito de retaliar o rei Felipe II pela proibicao do comercio entre os holandeses e as possessoes sob o controle daquele rei.

A primeira tentativa deles foi contra a capital, Salvador, na Bahia. Isso aconteceu durante os anos de 1.624 a 1,625 mas a populacao repeliu o ataque. A operacao custou caro para a companhia mas em 1.630 eles conseguiram interseptar o carregamento inteiro de um ano de exploracao de prata das colonias espanholas. E usaram isso para financiar a Invasao da Capitania de Pernambuco. Durante 24 anos a colonia foi dominada pelos holandeses.

A principio a resistencia foi feita pela populacao. Basicamente foi liderada pelos Senhores de Engenho. A resistencia nao tinha um comando unificado. Cada lider tinha seu grupo e atacava `a moda dos indios, estilo guerrilha. Isso manteve os holandeses restritos `a imediacao de Olinda. Mas com o prolongamento da guerra alguns Senhores de Engenho aderiram `a causa dos holandeses.

Entre 1.637 a 1.644, e os brasileiros celebram isso, foi o periodo da presenca do conde Joao Mauricio de Nassau que teve uma boa administracao para o povo. Ele remodelou a Cidade de Olinda e seu porto, Recife. Posteriormente, Recife virou a capital do Estado. Ele foi tolerante em questoes religiosas e abriu a colonia para a imigracao de protestantes e judeus. Inclusive esta em Pernambuco a Sinagoga mais antiga das Americas.

A monarquia portuguesa foi restaurada em 1.640, findando 60 anos de dominio da coroa espanhola. Os brasileiros aderiram ao partido do duque de Braganca que se tornou rei sob o nome de Joao IV. Mas os holandeses conquistaram mais terras, tomando toda a area costal entre Pernambuco ate ao Estado do Maranhao, incluindo-se a capital, Sao Luiz. Dai eles comecaram a invasao do interior. Isso revoltou a populacao. Alguns lideres se mudaram para Salvador na Bahia.

O conde Joao Mauricio de Nassau visualizou uma colonia mais potente se ele tambem tomasse Salvador. E preparou uma nova expedicao `a cidade com sua forca principal, muitas vezes superior que a luso-brasileira. Do lado dos brasileiros, porem, estava um militar experiente cujo nome era: Luis Barbalho Bezerra. Luis organizou a defesa e entregou a Nassau uma vitoria de Pirro. A vitoria nao lhes deu premio porque os holandeses nao foram capazes de se impor em Salvador e os custos foram tao altos que Nassau foi chamado de volta para Holanda.

Entao, a situacao deteriorou quando a nova administracao da companhia resolveu aumentar os impostos e liquidar os emprestimos concedidos aos Senhores de Engenho. O povo brasileiro se juntou dessa vez e a nacionalidade brasileira comecou a ser construida. Os livros de Historia sempre mencionam tres lideres da revolta: o senhor de engenho Andre Vidal de Negreiros, o nativo Felipe Camarao e o africano, Henrique Dias. Eles representam todo o povo, com toda a sua genetica, que lutou para libertar o Brasil da colonizacao holandesa.

Eh aceito como final da guerra a data de 1.654 mas somente em 1.664 foi assinado o tratado final e Portugal concordou em pagar 63 toneladas de ouro pelas benfeitorias que tinham feito no Brasil. Isso foi pago em 40 anos com a producao de acucar. Com o fim da dominacao holandesa, muitos judeus e protestantes mudaram-se para Nova Amsterda. Os holandeses que haviam aprendido o processo de producao do acucar a tranferiram para suas ilhas no Caribe. Quando o acucar era praticamente um monopolio brasileiro o produto valia quase como ouro, chegando a custar por volta de R$ 250,00 o quilo em dinheiro atual. Desde entao a producao aumentou muito e o preco caiu. E isso levou ao fim do Ciclo da Cana-de-acucar no Brasil.

Luiz Barbalho Bezerra, o heroi, perdeu a saude e a fortuna na guerra. Muito antes do termino ele mudou para o Rio de Janeiro onde foi governador entre 1.643 a 1.644 quando do seu falecimento. Deixou dois filhos jovens: Agostinho e Jeronimo Barbalho Bezerra que herdaram o prestigio do pai. Agostinho depois tambem foi governador do Rio de Janeiro e morreu de uma febre desconhecida enquanto estava procurando por metais e gemas preciosas no Rio Doce, na altura do Espirito Santo.

Jeronimo foi lider de uma importante revolta chamada: “A Revolta da Cachaca”, no Rio de Janeiro. Esta revolta foi causada pela corrupcao na administracao. Ele foi enforcado numa contra-revolta lancada pelo governador deposto pela revolta, enquanto eles estavam esperando por uma decisao da coroa portuguesa. A razao foi dada ao povo revoltado do Rio de Janeiro, que removeu o governador corrupto do poder. Mais tarde nos veremos que grande numero de mineiros sao descendentes desses Barbalho Bezerra.

Do lado americano, antes do pais ter Estados e ainda menos Unidos, o rei Carlos II da Inglaterra foi o responsavel pela unificacao das colonias, tomando o controle delas. Das treze colonias iniciais, quatro foram criadas a partir do territorio da Nova Inglaterra. Como sabemos, esta parte do pais foi colonizada por uma populacao faminta por liberdade religiosa. Mas o que ela desejava mesmo era a liberdade religiosa para si mesma porque os Pilgrims nao sao conhecidos por tolerancia com as outras religioes. Da Nova Inglaterra surgiram as colonias de New Hampshire, Massachusetts, Rhode Island e Connecticut.

As outras oito, ao sul e oeste de Nova Iorque, foram mais diversificadas mas nao tinham vontade alguma de fazer do pais um Estado Democratico, onde todos poderiam viver igualmente como criaturas de Deus. Os nomes delas sao: Nova Jersey, Pennsylvania, Delaware, Maryland, Virginia Carolina do Norte, Carolina do Sul e Georgia. Nova Iorque, a ultima das 13 colonias a aderir `a Uniao de todas, teve influencia fundamental: intelectual, religiosa e economica na constituicao das liberdades nos Estados Unidos. Sem os principios de liberdade estabelecidos pelos fundadores na Constituicao, provavelmente, os Estados Unidos jamais seriam o grande pais de hoje.

E, de alguma forma, os Estados Unidos sao um produto de todos os capitulos da Historia que precederam sua criacao. Ate, mesmo que em menor grau de importancia, do capitulo da Historia do Brasil chamado de “Invasoes Holandesas” e “Insurreicao Pernambucana” que foi liderada por brancos, indios e negros, contra imposicoes economicas. Ironicamente, o opressor no Brasil trouxe brasileiros para os Estados Unidos cujos descendentes depois ajudaram a criar essa nobre nacao. E, inadivertidamente, a Familia Barbalho esteve envolvida em toda a Historia dos Estados Unidos.

Somente apos 1.664 Carlos II da Inglaterra tomou dos holandeses a Colonia da Nova Holanda. Ela foi rebatizada por Nova Iorque em homenagem ao duque de York e Albany. Os holandeses reconquistaram a provincia durante os anos de 1.673 e 1.674 quando trocaram-na pelo que hoje eh Suriname, no norte da America do Sul. Para terminar esse capitulo quero mostrar mais uma sequencia genealogica.

1,630 Carlos II, rei da Inglaterra – D. Catarina de Braganca, Infanta de Portugal
1,600 Carlos I, rei da Inglaterra – Henriett Marie de Bourbon – princesa da Franca
1,566 Jaime I, rei da Inglaterra, Escocia e Irlanda – Anna, princesa da Dinamarca
1,545 Henry Stewart, duque de Albany – Mary Stewart, rainha da Escocia
1,516 Matthew Stewart, 4o. senhor de Lennox – Margaret Douglas
1,490 John Stewart, 3o. senhor de Lennox – Anne (Elizabeth) Stewart
1,475 Elizabeth Hamilton – Matthew Stewart, 2o. senhor de Lennox
1,450 Mary Stewart, princesa da Escocia – Jaime Hamilton, 1o. barao de Hamilton
1,430 Jaime II Stewart, rei da Escocia – Maria van Egmond
Joan Beaufort – 1,394 Jaime I Stewart, rei da Escocia
1,373 John Beaufort, 1o. senhor de Somerset – Margaret Holland
1,340 John of Gand, duque de Lancaster – Catherine Swinford Roelt
1,312 Edward III, rei da Inglaterra – Philippa de Hainaut
1,284 Edward II, rei da Inglaterra – Isabelle, princesa da Franca
1,240 (?)Leonor, princesa de Castela – Edward I, rei da Inglaterra
1,200 Fernando III, o Santo, rei de Castela – Jeanne d’Aumale, condessa de Ponthieu
1,171 Alfonso IX, rei de Leon e Castela – Berengaria, princesa de Castela
1,151 D. Urraca, Infanta de Portugal – 1,137 Fernando II, rei de Leon
1,109 D. Afonso Henriques, 1o. rei de Portugal – Mafalda da Savoia

A linhagem postada acima nao mostra as muitas vezes que Carlos II eh descendente dos mesmos reis de Portugal e Espanha. Somente quando a gente segue cada uma das linhagens maternais dele eh que podemos ver isso. D. Catarina de Braganca, esposa dele, era filha do primeiro rei de Portugal depois da restauracao em 1.640, rei Joao IV e sua esposa Luisa de Guzman. Carlos II nao teve filhos com D. Catarina mas teve 8 concubinas e foi pai de 15 filhos. E isso nao era uma excecao para o comportamento dos reis do tempo dele. Assim, podemos imaginar: por que nao pode todo e qualquer um de nos ser descendente de tamanha “produtividade”!?

11. ESTADOS UNIDOS E BRASIL JUNTOS

Por um longo tempo, Estados Unidos e Brasil nao tiveram uma Historia conjunta. Tiveram encontros casuais. As razoes para isso nao estavam sob o controle de ambos. Como sabemos, ao mesmo tempo que a Inconfidencia Mineira estava indo por aguabaixo a Revolucao Francesa comecou. Apos um inicio tenebroso as portas ficaram abertas para a subida de Napoleao Bonaparte e, com ele, as Guerras Napoleonicas.

O Brasil acabou sendo beneficiado por essas guerras de forma inesperada. Ja se pensava ha muito em Portugal em transferir a condicao de Metropole para o Brasil, onde a monarquia poderia prosperar. Isso seria feito para proteger melhor os interesses portugueses porque Portugal eh um pais muito pequeno e sujeito `a possibilidade de invasao por paises mais fortes na Europa. Mas os portugueses sempre pensaram neste plano com um pe atras.

Portugal e Inglaterra tinham aquele Tratado desde 1.385 quando concordaram proteger um ao outro contra invasao estrangeira. Em razao de a Inglaterra estar em guerra contra a Franca napoleonica, Portugal ficou acuado para tomar algum partido. Ele tinha uma rainha, Maria I, que era louca. Ela ja era a rainha no tempo da condenacao dos Inconfidentes, em Minas Gerais. Era contemporanea do rei George III da Inglaterra que tambem sofria de problemas mentais. Ele fora o rei ingles no tempo da Revolucao de Independencia Americana.

Igual ao rei George III, Maria I, a Louca, como era conhecida, foi substituida por um principe regente. O filho dela, Joao, estava reinando no lugar dela desde antes do confronto com Napoleao. Ele nao havia sido preparado para ser rei porque tinha um irmao mais velho, porem, o irmao dele morreu de variola. E a morte dele pode ser atribuida `a atitude conservadora da mae deles porque nao aceitou a vacinacao contra a doenca. Na epoca a vacina ja existia e era a primeira que as pessoas tinham disponivel. Maria I considerava a vacina uma violacao da natureza e um ato contra a determinacao divina.

O principe regente Joao, que depois se tornou o rei D. Joao VI, foi um governante relutante. O que parece eh que qualquer decisao provocava muita dor nele. Entao, as decisoes eram tomadas a passos de preguica. Assim, antes de ele decidir qual lado tomar parte, Napoleao Bonaparte ordenou a seu exercito invadir Portugal e destituir o rei. Por sorte, o tempo usado para pensar o lado do muro que deveria pular ajudou-o decidir a transferir as cortes para o Brasil. Foi bem na hora porque quando a esquadra dele nao tinha chegado ao horizonte as tropas de Napoleao estavam entrando em Lisboa.

A esquadra de Portugal nao era mais nem a sombra do que os portugueses tiveram no tempo das Grandes Descobertas. E o principe levou consigo todo o tesouro portugues e cerca de 15.000 pessoas da corte. Na saida do porto ele encontrou a esquadra Inglesa que estava esperando para escolta-lo na viagem ao Brasil. Gastou-se tempo demais na viagem e correu-se riscos pela imprevidencia de transportar as tres geracoes de herdeiros ao trono numa mesma nau. De qualquer forma eles chegaram ao Brasil. Era 1.808.

O rei da Espanha nao teve a mesma sorte. Antes que a esquadra dele zarpasse, o exercito napoleonico o prendeu. Ele foi deposto e substituido por parente do Napoleao.

No Brasil, as cortes foram recebidas com um entusiasmo inocente do povo brasileiro. A comitiva fez primeiro uma parada em Salvador e logo zarpou para o Rio de Janeiro. O Porto do Rio de Janeiro era, nao sem razao, o mais movimentado no pais. Se alguem quisesse fazer uma viagem segura ao redor do mundo ele era uma parada obrigatoria no caminho. Qualquer um viajando da Europa ou da costa leste das Americas teria que ser reabastecido no Porto do Rio. Na epoca havia la uma esquadra americana pequena. E os americanos cometeram uma gafe diplomatica.

No momento do desembarque do principe regente o povo estava num clima de carnaval. Todos os navios presentes na Baia de Guanabara comecaram a salda-lo com suas armas. Um dos capitaes americanos ficou tao entusiasmado pela onda de alegria que tambem ordenou uma salva de tiros. Alguem deve te-lo lembrado o motivo da Guerra da Independencia nos Estados Unidos e ele ordenou o silencio dos canhoes.

Eu disse que isso fora uma gafe porque Portugal e Brasil nao estavam envolvidos no conflito entre Inglaterra e os Estados Unidos. E no Brasil existe um dito que fala: “Celebrar com os que celebram.” Isso significa nao ser polido alguem ver o vizinho celebrando e se esconder da alegria dele. Seria como se alguem estivesse condenando o direito dele de celebrar. Mas estou certo de que os brasileiros nao levaram isso em conta.

Eu disse antes que a celebracao brasileira era inocente porque a presenca das cortes portuguesas no Brasil foram uma mistura de boas e mas noticias. E o pior veio primeiro. O Rio de Janeiro era uma cidade pequena, talvez umas 40.000 almas ou menos. E nao teve tempo para preparar-se para receber 15.000 novos moradores. E o que o principe regente e sua corte decidiram em seguida foi tomar as casas dos moradores. Assim, os soldados portugueses inspecionaram cada uma das casas do lugar, e quando julgavam estar em condicoes suficientes eles pregavam uma placa com as letras P.R. Significava, “Propriedade do Regente”. E os gaiatos logo interpretaram como: “Propriedade Roubada.”

Juntando-se aos problemas, o principe Joao era casado com Carlota Joaquina. Ela era princesa espanhola muito antipatica e detestou o Brasil `a primeira vista. O temperamento dela e por certo a personalidade timida de D. Joao os colocou em linha de colisao o que acabou separando-os. Eles fingiam-se casados para os olhos do publico mas eram separados. E Carlota Joaquina era escandalosa. Mas a unica informacao util aqui eh esta: cedo o publico brasileiro aprendeu a detesta-la tanto quanto ela detestava ao Brasil e aos brasileiros.

Do lado bom temos para comeco a abertura de todos os portos brasileiros `as nacoes amigas, entenda-se ai, Inglaterra. Antes, Portugal tinha este monopolio. E a Inglaterra era igual `a China de hoje. Ela era a lider na industrializacao e foi la que comecou a Revolucao Industrial, porem, os empregados eram mal pagos, tinha uma producao imensa que era levada a todos os cantos do globo, exceto para Franca e aliados, por causa da guerra. E a Inglaterra aproveitou-se disso para inundar o mercado brasileiro ate com coisas que os brasileiros nao usavam, como patins de gelo. O jeitinho brasileiro acabou descobrindo usos alternativos para as bugingangas.

Desde que as cortes estavam no Brasil e nao tinham a menor ideia de quando iriam voltar, o principe decidiu tomar algumas medidas para desenvolver a nacao. Reurbanizou o Rio de Janeiro, fundou o primeiro Colegio, criou o Jardim Botanico e o primeiro Banco do Brasil. Naquele tempo ele tambem abriu o Brasil para a investigacao cientifica de europeus como Augusto de Saint-Hilaire. Saint-Hilaire era frances e chegou ao Brasil depois da queda de Napoleao em 1.815.

Saint-Hilaire, mencionado por um primo antigo, Dermeval Jose Pimenta, no livro dele: A Mata do Pecanha, sua Historia e sua Gente, fez um comentario a respeito do povo do Estado de Minas Gerais naquele tempo. Ele estava admirado pela visao das maquinas movidas a agua, usadas para prensar a cana-de-acucar. “Nao pude deixar de admirar as engrenagens que, embora enormes, sao, ao mesmo tempo, de uma estranha leveza, e foram feitas primorosamente. Nao foi essa, alias, a unica vez que tive as provas da habilidade do operario mineiro; se sao lentos na execucao de seus trabalhos, pelo menos capricham muito e creio mesmo que dao melhor acabamento que os artesaos europeus.”

Antes da familia real portuguesa chegar ao Brasil, em 1.803 os Estados Unidos compraram o Territorio da Lousiana que ficava na margem leste do Rio Mississipi. Essa compra dobrou o territorio americano. Logo apos isso veio a Guerra de 1.812. Esta eh considerada uma segunda Guerra de Independencia. Isso porque a Inglaterra era o poder hegemonico na Terra, especialmente no mar, e tambem era o provocador da epoca. Mesmo que os Estados Unidos tivessem ganho a Independencia na primeira Guerra da Independencia, a Inglaterra continuava tratando a nova nacao como uma colonia.

O que agravou mais a situacao foi que os Estados Unidos eram amigos da Franca que tinha investido capital na Revolucao Americana. A Inglaterra estava em guerra contra a Franca Napoleonica. E ela tinha a maior Armada mas faltava-lhe marinheiros experientes. Dai comecou a abordar os navios americanos e levar os marinheiros nascidos na Inglaterra, inclusive os naturalizados americanos. Chegaram a sequestrar alguns nascidos nos Estados Unidos que haviam esquecido os documentos para prova-lo. Uma boa parte das exportacoes americanas eram para a Franca e a Inglaterra decretara um bloqueio contra ela, causando danos `a economia americana.

Outro problema serio foi que, possivelmente, a coroa inglesa interpretou como ameaca ao seu poder o expansionismo americano para o oeste. E como a Inglaterra nao tinha populacao suficiente para invadir o mundo ao bel prazer, ela comecou a armar os indios americanos que estavam lutando contra o expansionismo. Tais atitudes inglesas convenceram ao presidente James Madison a declarar a guerra contra a Inglaterra em 1.812, com a aprovacao do congresso. Postarei um pouco da sequencia genealogica do sr. presidente, James Madison.

1.751 James Madison – Dolley Payne Todd
1.731 Eleanor Rose Conway – James Madison
1.696 Francis Conway – Rebecca Catlett
1.675 Elizabeth Thornton – Edwin Conway
Alice Savage – 1.651 Francis Thornton
1.605 Anthony Savage – Alice Stafford
1.556 Anthony Savage – Elizabeth Hall
1.528 Francis Savage – Anne Sheldon
1.510 Christopher Savage – Anne Lygon
1.450 Christopher Savage – Anne Stanley*
1.430 Katherine Stanley – Sir John Savage
1.409 Jean Goushill – Sir Thomas Stanley, 1o. barao de Stanley

Deste ponto da sequence genealogica do presidente Madison em diante ela se encontra com a de John Adams, capitulo 10, que foi o pai do John Quincy Adams, que sucedeu ao James Madison logo apos James Monroe. Outro personagem importante daquele tempo foi o Andrew Jackson, que se tornou o setimo presidente americano. Andrew Jackson tem o rosto na nota de vinte dolares como sabemos. Ele tambem tem sua sequencia genealogica vinculada aos reis de Portugal. Vejamos:

1,767 Andrew Jackson – Rachel Donelson
Elizabeth Hutchinson – Andrew Jackson
1,700 Cirus Hutchinson – Margareth Lisle
1,675 John Hutchinson – Mary Hobart
John Hutchinson – nao identificada
Lucy Apsley – 1,615 John Hutchinson
Lucy Saint John – Allen Apsley
1,473 Sir John Saint John – Jane Inwardby
1,437 Oliver Saint John – Elizabeth Scrope*
1,410 Margareth Beauchamp – Oliver Saint John
Edith Storton – John of Beauchamp, 3o. barao de Bletsho
Catherine Beaumont – Sir John Stourton
1,340 Henry Beaumont, lord Beaumont – Margareth de Vere
1,310 John, lord Beaumont – Aleanor de Lancaster
1,265 Henry Beaumont, lord Beaumont – Alicia Comyn
1,230 Louis de Brienne – Agnes de Beaumont-Maine
Berengaria, Infanta de Castilla – 1,148 Jean I de Brienne
1,171 Alfonso IX, rei de Leon e Castela – Berengaria, Infanta de Castela
1,151 D. Urraca, Infanta de Portugal – Fernando II, rei de Leon
1,109 D. Afonso Henriques, 1ol rei de Portugal – Mafalda de Savoia

Dei uma olhadinha nos dados da geneall.net portugal para todos os 43 presidentes dos Estados Unidos. Nao desejo postar outras sequencias genealogicas deles. Mas aqui cabem uns pequenos detalhes. 29 deles sao descendentes dos reis de Portugal. 3 sao descendentes somente dos reis: Carlos Magno, Hugo Capet da Franca e William I da Inglaterra. Os tres sao: James Buchanan, Dwight D. Eisenhower e Barack H. Obama. Assim eles tambem sao parentes das Familias Reais Ibericas que tambem descendem dos 3 reis.

Os que nao estao indicados com descendentes dos reis sao: Martin van Buren, Abraham Lincoln, Rutherford B. Hayes, James A. Garfield, Chester A. Arthur, William McKinley, Woodrow Wilson, Warren G. Harding, Harry S. Truman, John F. Kennedy e lyndon B. Johnson. Isso nao significa que nao sejam descendentes dos reis mas o que provavelmente aconteceu eh isso, certos dados genealogicos se perderam em algum ponto da ascendencia deles. Isso aconteceu com a maioria de nos.

A lista de presidentes dos Estados Unidos descendentes do rei Afonso Henriques em ordem de suas eleicoes eh: George Washington, John Adams, Thomas Jefferson, James Madison, James Monroe, John Quincy Adams (filho de John Adams), Andrew Jackson, William Henry Harrison, John Tyler, James K. Polk, Zachary Taylor, Millard Fillmore, Franklin Pierce, Andrew Johnson, Ulysses S. Grant, Grover Cleveland (que foi reeleito apos seu sucessor), Benjamin Harrison (neto de William H. Harrison), Theodore Roosevelt, William Howard Taft, Calvin Coolidge, Herbert Hoover, Franklin D. Roosevelt, Richard Nixon, Gerard Ford, Jimmy Carter, Ronald W. Reagan, George H. W. Bush (pai), Bill Clinton e George W. Bush (filho).

O que poderia ser um pouco de surpresa eh que tambem olhei 40 nomes vinculados `a presidencia brasileira. Isso inclui presidentes eleitos, ditadores e conselhos administrativos. Somente 11 dos 40 tem dados indicando descender dos reis, de acordo com aquele site. Isso nao eh algo de se estranhar porque eu sei o quao duro eh juntar tais dados no Brasil. O clima nao eh amigavel para conservacao de papeis. Como eu ja disse, somente apos 1.808 os jornais foram permitidos circular, com restricoes. O analfabetismo foi uma forma de dominar a populacao. E, acima de tudo, somente umas poucas pessoas procuram realmente quebrar esse ciclo vicioso. Eu proprio tenho visto coisas que sao de cortar o coracao nesse assunto.

A lista de nossos primos presidentes no Brasil eh: Floriano Peixoto, Prudente de Morais, Manuel Ferraz de Campos Salles, Augusto Moreira Afonso Pena, Nilo Procopio Pecanha, Jose Linhares, Carlos Coimbra da Luz, Nereu Ramos, Joao Belchior Marques Goulart, Humberto de Alencar Castelo Branco e Tancredo Neves (foi eleito pelo colegio eleitoral mas morreu antes de assumir a presidencia).

A Guerra de 1.812 poderia ter sido evitada naquele tempo se tivessemos pelo menos uma linha telefonica transatlantica. O Parlamento Ingles tinha revogado algumas decisoes que estavam causando a guerra mas antes de ficar sabendo disso os Estados Unidos estavam tentando invadir as Possessoes Inglesas no Canada. Entretanto, nao houve momento melhor para fazer-se uma guerra contra a Inglaterra porque ela estava involvida noutra muito maior, contra a Franca, dai a Inglaterra teve que usar um contingente menor contra os americanos. Todavia, embora em menor numero era muito bem preparado.

Durante o curso da guerra os ingleses invadiram a capital Washington e queimaram os predios principais. A esquadra inglesa entao se dirigiu para Baltimore, no Maryland. Mas eles nao foram capazes de tomar o forte melhor defendido. La, apesar do intenso bombardeio os defensores do Fort McHenry nao abandonaram suas posicoes e os ingleses desistiram. O comandante do Forte tinha instruido mulheres de Baltimore para costurarem uma bandeira enorme e assim que o bombardeio parou a bandeira foi levantada. Ele queria certificar-se que os ingleses a veriam mesmo quando estivessem de longe.

No momento, Francis Scott Key estava retido num navio mercante e testemunhou a cena. Imediatamente apos ele teve a inspiracao de escrever um poema que posteriormente foi chamado de: The Star-Spangled Banner (A Bandeira de Estrelas Resplandecentes). Em 1.831 o Congresso passou uma lei nomeando o poema como hino nacional.

Dai as forcas inglesas decidiram atacar Nova Orleans que era o portao para a fronteira agricola americana. La eles confrontaram Andrew Jackson e seu exercito. Ele era um ex-combatente da Guerra da Independencia e nutria odio pelos ingleses desde entao. A mae e irmaos haviam morrido naquele tempo.

No cenario da ultima batalha, a forcas comandadas por Jackson eram bem menores e estavam intrincheiradas, esperando o inimigo. O lider das forcas ingleses tentou resolver tudo de uma vez. Dividiu seu grupo em tres frontes: direita, esquerda e frontal. Porem o grupo da esquerda teria que atravessar para o outro lado do rio e quando tentou faze-lo uma forte ventania atrasou sua parte no plano. Tambem, uma unidade avancada de franco-atiradores americanos emboscou o grupo que estava atacando pela direita e matou o comandante.

Quando o batalhao ficou cara-a-cara com as forcas americanas ele estava exposto e desorganizado. Melhor posicionado para atirar e matar as forcas do Andrew Jackson exerceram sua funcao como se estivesse atirando em patos. No final, cerca de 2.000 ingleses foram mortos enquanto nao mais que 3 duzias de americanos teve a mesma sorte. Outra vez, o episodio poderia ter sido evitado se houvesem comunicacoes rapidas naquele tempo. As diplomacias americana e inglesa ja haviam chegado a um acordo para terminar a guerra mas a noticia disso so chegou umas 3 semanas depois.

O que foi mais interessante nesta ultima batalha foi que os voluntarios sairam de tao longe quanto do Estado de Connecticut para defender a nacao americana. Todas as cores de pele se fizeram presentes, dispostas a morrer por ela. E Jackson se tornou um heroi nacional.

O que eh triste a este respeito eh que parece que Andrew Jackson virou sua ira contra os indios na Fronteira Oeste. Ele se tornou o presidente dos Estados Unidos de 1.829 a 1.837 e expulsou muitas tribos das terras de seus ancestrais provocando o que se chama: “Marcha das 1.000 lagrimas.” Foi praticamente um genocidio. Mesmo que ele nao possa ser julgado pelas leis de hoje, ate naquele tempo houveram aqueles que perceberam o excessivo uso de forca. Com esta atrocidade ele pavimentou a via para a expansao americana em direcao ao Oceano Pacifico. Se ele tivesse feito o que fez nos nossos dias, com certeza, seria comparavel a Saddhan Hussein ou Moammar Gadhafi. (Nota: hoje, 20 de outubro de 2011, o ditador libio foi morto pelos insurgentes).

As outras faces das notas do dolar americano sao: 1,00 George Washington; 2,00 Thomas Jefferson; 5,00 Abraham Lincoln; 10,00 Alexander Hamilton, que nunca chegou a ser presidente mas foi ministro das financas que forneceu instrumentacao ao governo de George Washington e foi outro escritor dos Jornais Federalistas; 50,00 Ulysses S. Grant; 100,00 Benjamin Franklin, outro que nao chegou `a presidencia mas ajudou a escrever a Declaracao da Independencia e prestou outros servicos; 500,00 William McKinley; 1.000,00 Grover Cleveland; 5.000,00 James Madison; 10.000,00 Salmon P. Chase, tambem nao foi presidente e 100.000,00 Woodrow Wilson.

As moedas americanas tem a face de: 0,01 Abraham Lincoln; 0,05 Thomas Jefferson; 0,10 Franklin D. Roosevelt; 0,25 George Washington e 0,50 John F. Kennedy.

Penso ser melhor colocar aqui mais umas sequencias genealogicas. A primeira sera dos reis e rainhas de Portugal e Brasil, comecando de certos ancestrais dos duques de Braganca.

1,290 Estevao Coelho – Maria Mendes Petite
1,330 Branca Pires Coelho – Joao Pires de Alvim
1,360 Leonor Alvim – D. Nuno Alvares Pereira
1,380 D. Beatriz Pereira Alvim – D. Afonso, 1o. duque de Branganca
1,403 D. Fernando I, 2o. Braganca – D. Joana de Castro*
1,430 D. Fernando II, 3o. Braganca – D. Isabel, Infanta de Portugal*
1,470 D. Jaime, 4o. Braganca – Leonor de Mendonca*
1,510 D. Teodosio, 5o. Braganca – D. Isabel de Lancastre*
1,543 D. Joao I, 6o. Braganca – D. Catarina de Portugal*
1,568 D. Teodosio II, 7o. Braganca – Ana de Velasco y Giron*
1,604 D. Joao IV, rei de Portugal – Luiza de Guzman*
1,648 D. Pedro II, rei de Portugal – Marie Sophie Elisabeth*
1,689 D. Joao V, rei de Portugal – Maria Anna Josepha*
1,714 D. Jose I, rei de Portugal – Maria Ana Victoria de Bourbon*
1,734 D. Maria I, rainha de Portugal – D. Pedro III, rei de Portugal*
1,767 D. Joao VI, rei de Portugal – Carlota Joaquina de Bourbon*
1,798 D. Pedro I, imperador do Brasil – Maria Leopoldina*
1,825 D. Pedro II, Imperador do Brasil – Teresa de Bourbon*
1,846 D. Isabel de Braganca – princesa imperial do Brasil – Gaston d’Orleans, conde d’Eu*

Somente para lembrar, na 4a. linha, D. Afonso, o 1o. duque de Braganca era filho do D. Joao I, rei de Portugal e Ines Pires. D. Joao I tornou-se rei depois da Crise de 1.383-1.385 quando o rei espanhol exigiu a coroa portuguesa para si. Mas ele foi derrotado pelas forcas combinadas de Portugal e Inglaterra lideradas pelo proprio rei e pelo seu servo fiel: D. Nuno Alvares Pereira.

Na 12a. linha, o rei D. Pedro II de Portugal era irmao de D. Catarina de Braganca, Infanta de Portugal e esposa do Charles II, rei da Inglaterra, Escocia e Irlanda, aquele que unificou as colonias americanas e tomou Nova Iorque dos holandeses. Tambem, D. Pedro III, rei de Portugal e marido de D. Maria I era irmao de D. Jose I, rei de Portugal, o pai dela. Assim ele era tio da propria esposa.

Ao falecimento de D. Joao VI, rei de Portugal, em 1.826, o herdeiro por direito era D. Pedro I, imperador do Brasil. Mas o irmao dele assumiu o cargo como D. Miguel I, rei de Portugal. Isso levou a confrontos entre dois partidos, cada um em favor de um dos reis. D. Pedro I, imperador do Brasil, renunciou ao trono brasileiro, deixando la o filho Pedro como herdeiro e tomou o trono portugues. Ele assumiu como Pedro IV, rei de Portugal. E sua sucessao de deu mais ou menos assim:

1,798 D. Pedro IV, rei de Portugal – Maria Leopoldina*
1.819 D. Maria II, rainha de Portugal – D. Fernando II, rei de Portugal*
1,838 D. Luis I, rei de Portugal – Maria Pia, princesa da Savoia*
1,863 D. Carlos I, rei de Portugal – Amelie d’Orleans, princesa da Franca*
1,889 D. Manuel II, rei de Portugal – Augusta Viktoria*

A monarquia terminou em 1.889 no Brasil com a Proclamacao da Republica. O mesmo se deu em Portugal no ano de 1.910. Desde entao as familias reais continuam existindo sem o trono. Usam titulos mas nao os de reis e rainhas.

Aproveitarei esse momento para postar pequenas sequencias genealogicas que tem algo com o presente, mesmo que isso nao seja tao importante para os dados no presente livro. Comecarei com a princesa Isabel e o marido dela: Gastao d’Orleans, conde d’Eu.

1.846 D. Isabel de Braganca, princesa imperial do Brasil – Gaston d’Orleans, conde d’Eu*
1,875 D. Pedro de Alcantara de Orleans e Braganca- Elisabeth*
1,913 D. Pedro de Orleans e Braganca, principe de Orleans e Braganca – Maria de la Esperanca de Borbon*
1,948 D. Afonso Duarte, principe de Orleans e Braganca – Silvia Amelia Hungria Silva Machado*

Outro exemplo:

1,846 D. Isabel de Braganca, princesa imperial do Brasil – Gaston d’Orleans, conde d’Eu*
1,878 D. Luis de Orleans e Braganca, principe do Brasil – Maria Pia de Borbon*
1,909 D. Pedro Henrique de Orleans e Braganca – Maria Elisabeth, princesa de Bayern*
1,959 D. Maria Gabriela de Orleans e Braganca, princesa do Brasil – Theodoro Hungria da Silva Machado*

O ultimo casal de cada sequencia termina com uma irma e um irmao. Por meio da linhagem da avo deles, sao descendentes com certeza de Fernao Coelho, 1o. sr. de Felgueiras e Vieira e da esposa dele Catarina de Freitas. Fernao Coelho era bisneto de Estevao Coelho e Maria Mendes Petite, a partir dos quais comecei a postagem da sequencia genealogica para os reis do Brasil e Portugal. Catarina de Freitas era descendente de todas as familias reais da Peninsula Iberica e alem. Porei uma sequencia genealogica do lado materno dos irmaos.

Silvia Amelia* e Theodoro Hungria da Silva Machado*
1,930 Sylvia Emilia de Mello Franco Senna* – Paulo Argemiro Hungria da Silva Machado
1,900 Mucio Emilio de Senna(*?) – Sylvia Amelia de Mello Franco*
1,876 Nelson Coelho de Senna(*?) – Emilia Gentil Horta Gomes Candido
1,847 Maria Brasiliana Coelho(*?) – Candido Jose de Senna
1,785 Joao Coelho de Magalhaes(*?)- Bebiana Lourenca de Araujo
1,759 Jose Coelho de Magalhaes(*?) – Eugenia Rodrigues Rocha

Como eu chamei a atencao antes, nao podemos dizer sim ou nao, com certeza, que o patriarca de nossa familia: Jose Coelho de Magalhaes, seja o mesmo nobre que estava por primeiro postado no geneall.net portugal. Se for, nossos primos Silvia e Theodoro sao, pelo menos, duas vezes descendentes dos mesmos ancestrais. Mas eh melhor voltar ao nosso assunto principal.

Depois da queda de Napoleao Bonaparte o Brasil foi o unico pais americano a ter assento no Congresso de Viena que remapeou a Europa. Nao foi por o Brasil ser especial e sim porque a familia real portuguesa morando no Brasil tinha seus interesses por la, desde que Portugal e Algarves eram parte do Imperio dominado por eles. E Portugal foi naquele tempo colonia do Brasil. Essa inversao de lugares nao agradava ao povo portugues. Naquela epoca o Brasil devolveu a Guiana `a Franca. Tinha sido uma pequena contribuicao brasileira para derrotar Napoleao. Os brasileiros invadiram a Guiana e a conquistaram quase sem resistencia.

Desde entao o povo portugues comecou a pressionar o rei D. Joao VI para voltar a Portugal. Os brasileiros tambem nao tinham a menor vontade de voltar `a condicao de colonia. D. Joao VI queria ficar no Brasil onde era querido e respeitado incondicionalmente. E o filho dele, Pedro de Alcantara, ainda um homem jovem, que entrara no Brasil aos 9 anos, se sentia mais brasileiro que portugues e recusou-se a ir no lugar do pai. Apos um bom periodo brincando de esconder, D. Joao VI concordou em ir para Portugal, mas quando estava a ponto de embarcar no navio ele sussurrou no ouvido do Pedro: “Antes que algum aventureiro o faca, faca voce mesmo.”

Ele estava mencionando a Independencia Brasileira. Outros paises latino-americanos ja haviam conseguido suas independencias e D. Joao VI sabia que seria uma questao de tempo para alguem fazer o mesmo no Brasil. No seu retorno a Portugal, D. Joao VI teve que adaptar-se ao novo estilo de vida. O exercito portugues tinha ocupado o pais e nao iria aceitar mais um rei absolutista. As cortes tambem exigiram que o Brasil voltasse `a sua velha condicao de colonia.

Em movimentos rapidos da Historia logo depois, o principe regente do Brasil, Pedro, foi pressionado a nao voltar para Portugal e mostrou isso no episodio conhecido como “Dia do Fico”. Quando as cortes portuguesas decidiram reduzir os poderes dele, Pedro declarou a Independencia do Brasil em 7 de setembro de 1.822. Ele foi coroado como D. Pedro I, imperador do Brasil.

Porem, o sucesso dele deve ser em grande parte agradecido ao nobre: Jose Bonifacio de Andrada e Silva. Este era brasileiro e havia estudado na Europa. Ele inclusive estava la durante a Revolucao Francesa. Era liberal ao ponto de querer o fim da escravidao e desejar promover um certo tipo de reforma agraria. Reconhecia que o imenso territorio do Brasil estava em poucas maos e era improdutivo. Ele foi o braco direito do imperador enquanto os confrontos iniciais estavam ocorrendo.

O Brasil estava dividido entre os que queriam permanecer com Portugal, como na Provincia da Bahia; os que queriam o regime republicano, como os da Provincia de Pernambuco e diante da ameaca de Portugal de enviar tropas para retomar o Brasil. Mas o liberalismo de Jose Bonifacio acabou levando-o `a queda porque os latifundiarios e os escravocratas, somados `a sua propria inabilidade de negociar estavam contra ele. Logo ele foi exilado e mudou-se para a Franca, onde viveu por 6 anos.

Em 1.831 o imperador D. Pedro I iria retornar a Portugal. Ele nomeou Jose Bonifacio como tutor dos filhos, inclusive do principe Pedro que se tornaria D. Pedro, o segundo imperador do Brasil. Outra vez ele entrou em conflito com os conservadores e foi acusado de conspirar para trazer D. Pedro I de volta ao Brasil. Desta vez ele foi mantido em prisao domiciliar na Ilha de Paqueta, no Rio de Janeiro. Pelos servicos prestados ele ganhou a alcunha de o Patriarca da Independencia. Era descendente dos reis de Portugal e casado com uma irlandesa de nome: Narcisa Emilia O’ Leary.

Foi substituido no cargo de tutor do infante Pedro pelo nobre de nome comprido: Manuel Inacio de Andrada Souto Maior Pinto Coelho. Este tambem era muitas vezes descendente dos reis. Vajamos exemplos de sequencias genealogicas para esses dois.

1,763 Jose Bonifacio de Andrada e Silva – Narcisa Emilia O’Leary
1,726 Bonifacio Jose Ribeiro de Andrade – Maria Barbara da Silva
1,678 Jose Ribeiro de Andrade – Ana da Silva Borges
1,645 Filipa de Andrade Machado – Gaspar Ribeiro da Silva
1,610 Antonio Pacheco de Andrade – Catarina Rebelo Machado*
1,580 Maria de Gouveia de Andrade – D. Francisco Pacheco*
1,540 Maria de Andrade – Cristovao Rebelo de Meireles
1,515 Leonor de Andrade – Rui Pires de Gouveia*
1,480 Leonor Freire de Andrade – Luis Machado, sr. de Sandomil e Loriga
1,385 Joao Freire de Andrade, 2o. sr. de Bobadela – Catarina de Sousa

O ultimo casal ja se encontra na sequencia genealogica do Inconfidente: Francisco de Paula Freire de Andrade, no capitulo 10. Ponhamos algo para o Manuel Inacio de Andrada Souto Maior Pinto Coelho, marquez de Itanhaem.

1,782 Manuel Inacio de Andrada … – Maria Angelina Beltrao
1,735 Antonia Joaquina Luisa Ataide Portugal Pinto Coelho – Inacio de Andrade Souttomayor*
1,700 Luis Jose Pinto Coelho da Cunha – Antonia Joana Miranda Costa
1,671 Antonio Caetano Pinto Coelho – Maria Josefa Azevedo Coutinho
1,640 Francisco Pinto da Cunha – D. Francisca Maria da Silva e Castro*
1,600 Antonio Pinto Coelho, 9o. sr. de Felgueiras e Vieira – D. Francisca de Ataide*
1,560 Francisca Maria da Silva Coelho de Noronha – Francisco Pinto da Cunha*
1,540 Aires Coelho, 7o. sr. de Felgueiras – Maria de Noronha
1,510 Goncalo Coelho da Silva, 6o. sr. de Felgueiras – D. Maria de Melo*
1,470 Aires Coelho, 5o. sr. de Felgueiras – Maria de Castro*
1,435 Goncalo Coelho – 3o. sr. de Felgueiras e Vieira – Violante de Magalhaes*
1,420 Martim Coelho, 2o. sr. de Felgueiras – Joana de Azevedo
1,370 Fernao Coelho, 1o. sr. de Felgueiras e Vieira – Catarina de Freitas*

Fernao Coelho era bisneto de Estevao Coelho e Maria Mendes Petite a partir dos quais eu comecei a postar a ultima sequencia genealogica dos reis do Brasil e de Portugal neste capitulo.

Com a ida de D. Pedro I em 1.831 para Portugal, o Brasil passou por uma serie de Regencias ate 1.840 quando teve uma revolta e o povo exigiu que Pedro, com 14 anos de idade, fosse considerado adulto para usar a coroa por si mesmo. Contudo, uma decisao de 1.831 teve consequencias no resto da Historia do Brasil. Foi a criacao da Guarda Nacional. O problema foi esse: o Brasil estava dividido em tres partidos. O Conservador, o Liberal e o da Restauracao. Este ultimo queria o retorno de Pedro I. Os Conservadores desconfiavam do exercito porque ele poderia ser liderado por alguem que desejasse o poder. Os liberais tambem nao confiavam porque temiam que ele fosse usado para suprimir as opinioes deles.

A ideia da Guarda Nacional no Brasil era baseada na experiencia francesa onde cada cidadao era chamado a defender o pais. Mas no Brasil isso tinha outras particularidades. Para voce se tornar membro era preciso ser eleitor. Para ser eleitor voce precisava possuir uma renda anual que poderia coloca-lo na classe media ou superior. Tambem, para ser eleitor tinha que ser homem. Dai grande parte da sociedade nao era considerada cidada completa.

Os filiados `a Guarda Nacional nao recebiam salario para isso. Eles tinham que custear os proprios uniformes, armas e pagar uma taxa pequena para manter a instituicao. Porem tinham todos os privilegios que a posicao garantia. Naquele tempo e por muito tempo depois a populacao brasileira vivia nas areas rurais conhecidas como ”Grotoes”. Os “Grotoes” foram dominados pelos membros graduados da Guarda Nacional.

Desse sistema acabou derivando a palavra portuguesa “coronelismo”. E tambem o dizer: “Manda quem pode e obedece quem tem juizo”. Algumas vezes esses lideres rurais eram pessoas violentas e tomavam as populacoes em seu dominio como refens de suas vontades. O Brasil esta cheio de estorias de confrontos entre dois ou mais coroneis. Alguns foram verdadeiros chefes de quadrilhas.

O que os mantinha no poder eram suas liderancas politicas. Quaisquer beneficios que poderiam vir dos governos tinham que passar pela aprovacao deles para chegar aos pequenos. Todas os cargos publicos locais eram preenchidos pelos aliados de confianca deles, particularmente os parentes. Com o controle deles sobre tudo, o Brasil nunca desenvolveu uma economia de mercado verdadeira pelo menos antes do meio do seculo XX. Mesmo a Guarda Nacional tendo sido extinta nos anos 1.920, a sociedade nao se viu livre do sistema enquanto a velha guarda nao morreu.

Mesmo depois, o poder dos “Grotoes” permaneceu num processo de morte demorada. E isso manteve o Brasil num sistema de quase Idade Media. Nem mesmo os chamados liberais no Brasil foram campeoes pelas liberdades e independencia do povo. Eram liberais apenas em comparacao aos conservadores. E a instituicao da Guarda Nacional no Brasil favoreceu aos conservadores porque era restrita `as elites economicas. E quando a pessoa humana se conforta nos privilegios a ultima coisa que deseja eh a mudanca do sistema. Mesmo que a mudanca fosse boa para a sociedade como um todo.

Em 1.860 o numero de membros era 500.000. Enquanto o Exercito Brasileiro nao tinha mais que 20.000 de efetivo. De acordo com um calculo conservador, se cada membro teve 500 descendentes em media, o Brasil deveria ter 250 milhoes de pessoas sem contarmos os descendentes dos que nao fossem membros. Mas o Brasil tem uma populacao um pouco abaixo de 200 milhoes. Entao, para onde foi todo esse povo?! Praticamente todos estao dentro do numero da atual populacao brasileira. E o numero poderia ser muito maior nao fosse pelo casamento entre as descendencias deles, combinadas.

O que quero dizer eh isso: nos somos descendentes de muitos deles ao mesmo tempo e, muitas vezes, somos descendentes de alguns deles mutiplas vezes. Eu mesmo sou seis vezes descendente do capitao Jose Coelho de Magalhaes Filho, tambem conhecido como Jose Coelho da Rocha. Tambem descendente dos filhos deles que usaram as patentes de tenentes, e de outro capitao. Em razao disso, cada membro pode ter muitos milhares de descendentes em media hoje mas nao podemos apenas somar os numeros de descendentes de cada um para calcular a populacao brasileira.

A maioria dos brasileiro sao descendentes deles mas o que eh triste eh isso: a Guarda Nacional tinha um fichario com informacoes genealogicas valiosas de seus membros mas isso pode ter sido destruido pelas tracas, mofo e desrespeito pelo que eh historico.

Temos muitas pessoas que participaram na construcao da Historia do Brasil no seculo XIX. Cada uma delas merecia um filme representado pelos atores mais conhecidos de Hollywood. Mas eu escolhi apenas dois para falar algo. Luis Alves de Lima e Silva, o duque de Caxias e Theofilo Benedicto Ottoni. Se buscarmos os dados genealogicos deles presentes no sitio geneall.net portugal, nao podemos dizer se eles sao ou nao descendentes de nossos ancestrais reis mas eu suspeito que sejam. Nao porque eles tinham isso escrito na testa ou exista alguma forma que indique que a pessoa seja ou nao nobre. Mas as probabilidades sao favoraveis a isso como ja discuti no inicio deste livro.

O primeiro: Luis Alves de Lima e Silva, o duque de Caxias, tem alguns ancestrais la, desde os anos 1.200. Porem, a maioria dos dados genealogicos dele estao incompletos da mesma forma que outros. Ele foi aceito como praca no exercito quando tinha 5 anos. Ele foi criado no quartel. Foi escolhido para combater a resistencia `a Independencia Brasileira no Estado da Bahia.

Luis Alves de Lima e Silva foi um genio militar. Lutou do norte ao sul do Brasil em campanhas numerosas como no Estado do Maranhao, chamada de Balaiada. La, a ultima cidade a ser conquistada foi Caxias, dai ele ganhou o titulo de barao de Caxias. Depois ele lutou no sul, primeiro contra os ditadores da Argentina e do Uruguai. Ele tambem pacificou uma revolta que tinha a intencao de criar a Republica a partir dos estados do Sul do Brasil. Esta revolta eh chamada de Farroupilha.

A vitoria sobre os Farroupilhas teve um sabor especial. Um dos combatentes foi Giuseppe Garibaldi que era casado com a “Braziliana” Anita Garibaldi. Depois que a paz foi feita no Brasil, o casal foi para a Italia onde eles lutaram pela unificacao daquele pais e se tornaram grandes herois la tambem. No Brasil eles lutaram ao lado dos Farroupilhas.

Luis Alves mereceu todos os titulos militares e de nobreza. Ele eh bem conhecido por sua participacao na Guerra do Paraguai. Sob o “caudilho” Solano Lopez, o Paraguai virou uma grande forca militar e queria conquistar toda a regiao em torno da Bacia do Prata. Isso significava tomar terras do Brasil, Uruguai e Argentina. Os tres paises fizeram a Triplice Alianca. Mesmo lutando do mesmo lado, nao foi o suficiente a principio para depor a ditadura do Solano Lopez. E eles lutaram por quatro anos.

Quando Caxias assumiu o comando ele primeiro treinou as tropas em taticas especificas do exercito. A maioria era da Guarda Nacional. E ele as comandou pessoalmente. Depois de uma serie de vitorias encontraram um fim de linha. Os aliados tinham que cruzar uma ponte carregada com explosivos. Foi dito que, aos mais de 60 anos o velho Caxias com bravura tomou a frente aos subordinados e cruzou primeiro gritando: “Os que forem brasileiros, sigam-me.” Nao houve explosao e ele ganhou a Batalha de Itororo. A partir dai os aliados conquistaram todo o Paraguai em um tempo curto e a guerra terminou. E isso ja era quase o ano de 1.870.

O que o duque de Caxias representou para o imperador D. Pedro II eh similar ao que D. Nuno Alvares Pereira representou para o rei D. Joao I de Portugal. Se nao fosse por D. Nuno, talvez D. Joao I nao teria sido rei em Portugal. Se nao fosse por Luis Alves de Lima e Silva, talvez o Brasil nao tivesse seu segundo imperador. O duque de Caxias morreu em 1.878. Mesmo sua genealogia nao apontando vinculos com as familias reais anteriormente, as duas filhas dele se casaram com pessoas de origem nobre. Assim a descendencia dele passou a ter vinculos nobres conhecidos.

O outro heroi brasileiro, Theofilo Benedicto Ottoni, teve um encontro desagradavel com Caxias. Ele era um militante do Partido Liberal. E em 1.842 teve um impasse politico porque os conservadores estavam manipulando o governo. Disso comecou a Revolta dos Liberais. Primeiro na Provincia de Sao Paulo e depois na Provincia de Minas Gerais. Theofilo Ottoni foi o lider em Minas Gerais e organizou a resistencia. Mas na Batalha da Cidade de Santa Luzia as forcas dele foram dominadas pelas Forcas Imperiais lideradas por Caxias que o levou preso. Depois ele foi julgado e inocentado. Um dos companheiros do Ottoni foi o Modesto Jose Pimenta, um primo da Familia Coelho.

Theofilo Ottoni tem uma pequena genealogia conhecida. Nasceu em 1.807, na Cidade do Serro – Minas Gerais. O trisavo dele, Emmanuel Antao Ottoni foi um imigrante de Genova – Italia. Penso que ele tenha vinculos com as familias nobres ibericas porque teve ancestrais com sobrenomes tais como: Sousa, Maia e Paes Leme. Paes Leme tambem eh sobrenome do Fernao Dias, o conhecido Bandeirante. Mas isso nao importa agora. O que importa mesmo eh, ele nao foi considerado digno de atencao para muitos historiadores brasileiros mas fez coisas que estavam muito acima da capacidade de outros brasilieiros do tempo dele.

A vida dele foi dedicada a combater o absolutismo monarquico, ao amor `a democracia e `a busca por vias economicas novas para os arredores de sua cidade natal e para o Brasil em geral. Apos muitos percalcos na vida, ele fundou a Cia de Comercio e Navegacao do Rio Mucuri. O Rio Mucuri esta no Nordeste de Minas Gerais e eh bacia de uma regiao extensa onde esta situada a Cidade do Serro.

Minas Gerais tinha um problema grande naquele tempo porque era servida apenas pela Estrada Real, e a Cidade do Serro ficava quase no final dela. Dai, para ter acesso ao Oceano Atlantico os norte-mineiros tinham que viajar mais de 1.000 quilometros em direcao ao sul. A leste porem a distancia era menos de um quinto para fazer-se o mesmo. Mas entre o Serro e as localidades ja povoadas na beira do Atlantico dos vizinhos Estados da Bahia e Espirito Santo tinha uma area quase sem colonizacao, habitada por indios.

Em homenagem ao seu idolo e mentor, Thomas Jefferson, criou o Projeto Filadelfia. Era um tipo de colonizacao diferente da que o mundo ja conhecia. Primeiramente ele fez acordos com os indios que os incluia no projeto. Abriu o projeto `a participacao de pessoas de todas as nacionalidades. O centro do projeto foi a Cidade de Filadelfia que mais tarde outros trocaram o nome para, em homenagem ao fundador: Teofilo Otoni. Para la imigraram pessoas da China, Italia, Alemanha, Holanda, Belgica, Suica, Portugal e Espanha.

Para um brasileiro do tempo dele, Theofilo Ottoni era muito avancado. A Cidade de Filadelfia dele nasceu com escola para linguas diferentes, jornal, igreja catolica e luterana (o Catolicismo era religiao oficial do imperio e para estar aberto para outros ramos religiosos era semelhante a desaviar a dominancia catolica) e logo completou mais de 160 km de estrada ligando Filadelfia `a Vila de Santa Clara, hoje Nanuque, que fazia parte do projeto. Ele tambem fez sociedade com o barao de Maua para recriar o Banco do Brasil. A primeira versao havia sido fundada por D. Joao VI e nao passava de um “esquema de piramide”.

Os ideais de Theofilo Ottoni incluiam a Proclamacao da Republica no Brasil porem o pais estava em maos muito conservadoras para isso. Queria a industrializacao mas os brasileiros conservadores estavam presos `as tradicoes. Visualizava a abolicao da escravidao mas isso so aconteceu quase 20 anos apos a morte dele. Ele faleceu em 1.869 em consequencia `as muitas malarias que pegou trabalhando no Projeto Filadelfia.

Nos ultimos anos da vida, Theofilo Ottoni era uma figura popular respeitada pelo publico brasileiro. Tornou-se senador e lider natural do povo. Um exemplo de sua participacao na Historia do Brasil esta no capitulo chamado: “Questao Christie”. Naquele tempo uma sequencia de acontecimentos infelizes puzeram o Brasil e a Inglaterra em clima de guerra. O embaixador ingles: William Dougal Christie, tentou pressionar o imperador D. Pedro II dizendo que a Armada Inglesa poderia vir e arrasar a capital Rio de Janeiro.

Isso irritou a populacao ao ponto de levar alguns a desejar fazer justica com as proprias maos. Estes pensaram em depredar as propriedades de nativos ingleses no Brasil. O imperador pediu o arbitramento do rei Leopoldo, que era parente dele e tio da rainha Victoria da Inglaterra. Antes de uma resposta e para prevenir coisas piores, tambem cortou as relacoes diplomaticas com a Inglaterra e pagou em antecipacao o que a Inglaterra exigia, pensando que o Brasil nao fosse ter uma resposta favoravel.

A decisao somente foi comunicada muito depois e era favoravel ao Brasil. Theofilo Ottoni liderou o povo neste caso. Os brasileiros experimentaram um pouco da arrogancia inglesa que era a onipotente na epoca. As relacoes foram restauradas posteriormente, quando a Guerra do Paraguai ja havia comecado.

Coloquemos mais um pouco de genealogia. Comecarei pelo rainha Elizabeth II da Inglaterra, lembrando-nos que a rainha Victoria era trisavo dela e esta presente ai.

1,926 Elizabeth II, rainha do Reino Unido (RU) – Philip, principe da Grecia e Dinamarca*
1,895 George VI, rei do RU – Elizabeth A. M. Bowes-Lyon*
1,865 George V, rei do RU – Mary, princesa de Teck*
1,841 Edward VII, rei do RU – Alexandra, princesa da Dinamarca*
1,819 Victoria, rainha do RU – Albrecht, principe de Sachsen*
1,767 Edward Augustus, duque de Kent – Viktoria, princesa de Sachsen*
1,738 George III, rei da Gra-Bretanha – Charlotte, princesa de Mecklenburg-Strelitz*
1,707 Frederick Louis, principe de Wales – Augusta, princesa de Sachsen*
1,683 George II, rei da Gra-Bretanha – Carolina, marquesa de Brandenburg-Ansback*
1,660 George I, rei da Gra-Bretanha – Sophie Dorothea, princesa de …*
1,630 Sophie von der Pfalz – Ernst August von Hannover*
1,596 Elisabeth Stuart, princesa da Inglaterra – Friedrick V von der Pfalz*
1,566 James I, rei da Inglaterra – Anna, princesa da Dinamarca*
1,542 Mary Stuart, rainha da Escocia – Henry Stewart, duque de Albany*
1,512 James V, rei da Escocia – Marrie de Lorraine*
1,473 James IV, rei da Escocia – Margareth Tudor, princesa da Inglaterra*
1,451 James III Stuart, rei da Escocia – Margrethe, princesa da Dinamarca*
1,430 James II, Stuart, rei da Escocia – Maria von Egmond*
1,399 Joan Beaufort – James I Stuart, rei da Escocia

Os dois casais do final ja estao na sequencia genealogica que postei no final do capitulo 9, do rei Charles II da Inglaterra. Como podemos ver, os conjuges dessa linhagem receberam o asterisco como sinal de tambem serem descendentes dos reis da Peninsula Iberica. Eu nao segui toda a genealogia mas no site geneall.net portugal todos recebem a bolinha azul indicando descenderem do Afonso Henriques, primeiro rei de Portugal.

Seguindo a descendencia da rainha Elizabeth II: a primeira esposa do principe Charles, Lady Diana eh descendente. E na linha de tornar-se a rainha consorte da Inglaterra, Catherine E. Middleton tambem descente do Afonso Henriques.

Por aquela epoca, nos Estados Unidos, ou Mexico, em 1.836 foi proclamada a Republica do Texas. Alguns autores dizem que isso fora parte do plano expansionista americano. Antes de isso acontecer os colonos foram estimulados a invadir o territorio e se estabelecerem em terras mexicanas. Como o Mexico tinha um territorio imenso, uma populacao rarefeita e nao tinha sido capaz de atrair mais populacao ele tornou-se vulneravel a essa tatica. Dai a proclamacao da Republica do Texas fora manipulada pelos politicos americanos.

Nao interessa se isso eh apenas uma teoria de conspiracao. No final o resultado foi o mesmo. O que se sabe com certeza eh que o presidente James K. Polk era uma figura expansionista e apressou-se para a Anexacao do Texas em 1.845. O Mexico considerava o Texas sua provincia rebelde e isso levou `a Guerra Mexico-Americana que comecou em 25 de abril de 1.846 e terminou em 12 de fevereiro de 1.848. Junto aos territorios anexados estavam a Alta California e o Novo Mexico, o que estabeleceu a fronteira no Rio Grande. Depois disso, os Estados Unidos pagaram 18 milhoes de dolares como compensacao.

O povo americano nao estava tao animado com a guerra contra o Mexico mas o proximo capitulo da Historia Americana deixou os descontentes sem argumentos. Mesmo antes de a guerra terminar, em 24 de janeiro de 1.848, iniciou-se a Corrida do Ouro na California. Isso levou a um movimento migratorio sem prescedentes nos Estados Unidos. O ouro de aluviao terminou por volta de 1.855 quando 300.000 pessoas de todo o mundo haviam chegado.

De acordo com um texto da Wikipedia, por volta de 4.000 pessoas com ascendencia africana eram oriundas dos Estados do Sul, do Caribe e do Brasil. Essa mencao nao deixa claro se haviam outros brasileiros, especialmente os brancos. Possivelmente sim porque a escravidao nao havia acontecido la. Apesar do que houveram muitos ex-escravos que haviam comprado suas liberdades.

Tambem nao esta claro se os brasileiros permaneceram nos Estados Unidos e, talvez, tenham participado da Corrida do Ouro do Wyoming comecada em 1.871. Se for, parte da populacao dos dois estados e de outros pontos de migracao interna podem esperar ter um pouco do sangue brasileiro, especialmente do Estado de Minas Gerais de onde esses migrantes devem ter partido.

Parece coincidencia mas assim que a Guerra Civil nos Estados Unidos acabou, a Guerra do Paraguai estourou na America do Sul. Como eu disse antes, ela aconteceu em consequencia da tentativa de Solano Lopez de tomar as terras em torno do Rio da Prata, o que garantiria ao Paraguai uma via particular para suas exportacoes. Desde 1.811 os presidentes do Paraguai tinham desenvolvido uma politica diferente das outras nacoes latino-americanas. Eles haviam decidido erradicar o analfabetismo e investido na industrializacao.

Porem, Solano Lopez comecou a usar isso para formar uma nacao militarizada. Alguns historiadores creem que, o que aconteceu foi, a industria paraguaia estava competindo com a da Inglaterra. Entao, a Inglaterra prometeu creditos faceis `a Argentina, Brasil e Uruguai e instigou-os a fazer a guerra. Mas isso nao se encaica na situacao. Primeiro, Brasil e Inglaterra nao haviam restaurado as relacoes diplomaticas.

Por outro lado, brasileiros, uruguaios e argentinos teriam que ser bestas se estivessem dancando conforme a musica inglesa. E Solano Lopez teria que ser santo, e o exercito formidavel que preparou nao teria sido usado na invasao das terras da Bacia do Prata. O resultado da guerra foi devastador para o Paraguai e os inimigos dele. 80% dos jovens adultos do Paraguai foram mortos. A industria foi perdida. Do lado do Uruguai, Argentina e Brasil tambem se perdeu inumeravel quantidade da populacao masculina. Apos `a guerra, o Brasil tinha uma divida tremenda a pagar. E a Inglaterra teria que ter sido trouxa em nao levar em conta a possibilidade de o Paraguai vencer a guerra.

Com certeza, a Inglaterra foi o unico beneficiario nisso porque foi um competidor a menos no mundo e ganhou os dividendos dos emprestimos da guerra. Porem, deve ter perdido muito mais porque o empobrecimento da regiao significou menor comercio por la. Se a Inglaterra induziu `a guerra, fez a si mesma de palhaca. Porem, nunca se sabe ate aonde chega a estupidez da cabeca humana. Os capitulos do colonialismo estao ai como ”bons” (ou maus) exemplos disso.

De qualquer forma o que acrescenta na Historia eh a presenca de Americanos no Brasil. Penso que o imperador D. Pedro II aprendeu algo do Projeto Filadelfia. Apesar do bom exemplo do Paraguai que havia provado ser possivel trabalhar-se com a populacao local para desenvolver-se um pais, ele saiu a procura de colonos de fora na esperanca que levassem desenvolvimento ao Brasil. E disponibilizou terras e emprestimos facilitados para quaisquer europeus que fossem atraidos pelo Brasil. Para ele o Brasil tinha um grande problema. Era habitado por pessoas de pele escura. Como um homem do seu tempo ele acreditava que pessoas de pele escura nao prestavam para o desenvolvimento. Em outras palavras, era preconceituoso.

E ele ofereceu as boas-vindas `as familias confederadas que quizessem migrar para o Brasil apos perderem a Guerra Civil. Cerca de 1.500 familias aceitaram a oferta e migrou para la. Nem todos ficaram mas um numero consideravel sim. Um bom exemplo foi o senador pelo Alabama, William Hutchinson Norris. Ele nao apenas fez um bom negocio. Depois de ver as oportunidades, levou muitos membros da familia dele. Foram responsaveis pela colonizacao das Cidades de Santa Barbara d’Oeste e Americana, em Sao Paulo. Outro eh do engenheiro Clement Willmot, que iniciou uma fabrica de produtos do algodao e ajudou no sucesso da Cidade de Americana.

Eh provavel que os migrantes dos Estados do Sul dos Estados Unidos se sentiram muito confortaveis no imperio brasileiro desde que a escravidao la nao tinha terminado. Porem, nem toda tentativa de migrar para o Brasil teve bom sucesso.

Atualmente, aquelas cidades continuam mantendo certas tradicoes dos Estados do Sul dos EEUU. Eles promovem paradas durante o ano que sao atracoes turisticas. Americana inclusive eh bem conhecida por formar bons times de basquetebol o que nao eh comum fora das grandes capitais brasileiras. Um detalhe, o nome Hutchinson esta representado no sitio geneall.net portugal mas o senador William esta fora. Hutchinson faz parte da ancestralidade tambem de Andrew Jackson.

A imigracao americana para o Brasil foi so uma parte minima do que aconteceu naquele tempo. O esforco de D. Pedro II levou muitos europeus oferecendo as mesmas vantagens. Os italianos devem ser a maioria nao considerando portugueses. E a migracao para la entrou pelo seculo XX adentro. No Sul do Brasil encontramos muitas cidades com base nessas migracoes. Qualquer um pode ir a Novo Hamburgo ou Caxias do Sul e sentir-se como se estivesse na Alemanha ou Italia. Os asiaticos e os mediorientais tambem sao visiveis no Brasil.

Diferentemente dos Estados Unidos, a abolicao no Brasil foi um longo processo. Nada comentei ate agora mas desde o Periodo Colonial os escravos buscaram sua propria liberdade. Muitos fugiram para os sertoes e estabeleceram as comunidades chamadas Quilombo. Um destes foi o Quilombo dos Palmares que foi como uma mini nacao africana e existiu por algumas geracoes enquanto nao foi destruido pelos colonos europeus.

No tempo do Imperio Brasileiro ficou evidente para alguns que a escravidao nao era um bom negocio em geral. Mas o Brasil estava dominado por uma minoria conservadora que nao enxergava isso tao bem. Liberais como Theophilo Ottoni tinham feito da abolicao um de seus objetivos desde os anos 1.820 e isso foi aos poucos entrando nas mentes das pessoas comuns.

A Inglaterra viu o assunto como uma oportunidade e lancou o decreto “Bill Aberdeen” que proibia o trafico de africanos. Mas a lei levou a um efeito contrario, intensificando o trafico desde que ele nao estaria mais disponivel para o futuro. A lei tambem teve consequencias contrarias na propria Inglaterra porque parte do publico ingles nao enxergava razao para a Inglaterra envolver-se em conflitos que nao tinham o interesse deles. A Lei Eusebio de Queiros apoiou a Aberdeen no Brasil e pos um fim ao trafico.

Somente em 1.871 foi promulgada a Lei do Ventre Livre. Com ela as criancas nascidas de maes escravas nao eram mais escravas. A particularidade dessa lei eh que ela foi proposta pelo Partido Conservador. Eles foram pressionados pelas exigencias do mercado externo e a alegacao a favor da lei incluia a imagem brasileira no exterior. Porem, por tras da fachada, o Partido Conservador, que representava as oligarquias agrarias, estava lutando por prolongar a escravidao ao seu maximo.

Desde entao, um pequeno numero de jovens de origem urbana, principalmente estudantes, comecou a lutar pela abolicao. Muitas sociedade foram fundadas para sustentar o ideal. Os abolicionistas comecaram a organizar sociedades em aberto e secretas para pagar pelo alvara ou invadir propriedades privadas e libertar os escravos. Escravos fugiram por si mesmos e os Quilombos se multiplicaram. Poetas como Castro Alves e o sabio Rui Barbosa de Oliveira, tambem chamado de “O Aguia de Haia”, abracaram a causa de forma que ficou dificil aos conservadores imporem suas vontades.

Um tento contra o posicionamento conservador aconteceu quando o exercito recusou-se a ser usado para buscar fugitivos. Neste tempo o governo brasileiro intensificou as promocoes para atrair mais imigrantes europeus, especialmente italianos, para substituir os escravos na lida das fazendas de cafe. Porem, muitos fazendeiros ricos comecaram a tratar os imigrantes `a semelhanca de escravos e as agencias de imigracao comecaram a protestar contra os abusos.

Outra derrota veio em 1.887 quando passou a Lei do Sexagenario. Ela impunha que a escravidao terminava para todos que tivessem 60 ou mais anos de idade e para os que os completassem. A escravidao no Brasil ja estava a caminho de acabar mas a derrocada final dos conservadores veio a 13 de maio de 1.888. D. Pedro II estava na Europa a negocios e deixou sua filha, princesa Isabel, como imperatriz e ela assinou a Lei Aurea, que emancipava todos os escravos.

A princesa Isabel foi uma mulher e tanto. Era abolicionista militante, que ajudou muitos a fugir. Eu nao abordei o assunto mas a mulher brasileira nem sempre foi submissa como dizem. Com o da princesa Isabel temos muitos outros exemplos de mulheres que fizeram a Historia no Brasil mas elas sempre foram deixadas em segundo plano pela Historia oficial. Isso se faz verdade para Bartira (Isabel Dias), D. Joaquina do Pompeu, D. Beja, Chica da Silva, Anita Garibaldi, Maria Quiteria e muitas outras.

A escravidao estava em vias de terminar quando a princesa Isabel assinou a Lei Aurea mas o Partido Conservador nunca perdoou os monarcas pela audacia dela. Os Liberais ja eram republicanos, dai os conservadores aderiram aos Partidos Republicanos e empurraram os militares para a lideranca na Proclamacao da Republica no Brasil. Em 15 de novembro de 1.889 isso aconteceu.

Algo interessante foi isso: a familia real brasileira foi exilada na Europa e haviam muitos Clubes Republicanos envolvidos no movimento. Cada um deles tinha sua bandeira. Entao, enquanto nao se decidiu qual seria a Bandeira Brasileira, o navio que transportou os monarcas depostos navegou sob uma bandeira parecida com a americana. A diferenca era que as listras eram verde e amarelo e o numero de estrelas era 21.

A bandeira pode ser visualizada no endereco: http://en.wikipedia.org/wiki/Flag_of_Brazil juntamente com outras ideias. O nome do pais como Republica nao poderia ser mais sugestivo: Republica dos Estados Unidos do Brasil. Somente apos 28 de maio de 1.968 o Brasil adotou um nome novo que refletia uma identidade autonoma e transmitia um pouco de animosidade contra as interferencias do parceiro da America do Norte. O pais adotou: Republica Federativa do Brasil, como seu nome. Em outro capitulo eu pretendo dar razoes para a mudanca de relacionamento da admiracao para a quase inimizade.

12. DA REPUBLICA E INVENCAO DO AVIAO `A SEGUNDA GUERRA

Em geral, a America Latina e o Brasil ficaram para tras em diversos aspectos, no inicio do seculo XX. Um exemplo eh o de que no Censo de 1.900 constata-se que o Brasil tinha somente 17.438.434 habitantes, em contraste com os Estados Unidos que tinham 76.212.168. Para piorar o fato, 75% da populacao brasileira era analfabeta e a expectativa de vida era somente 33,4 anos.

Perto do ano de 1.900 os Estados Unidos tinham cidades como Nova Iorque, com quase 3.5; Chicago, perto de 1.7 e Filadelfia com 1.193.697 habitantes. No mesmo ano no Brasil, Rio de Janeiro tinha 275.000; Sao Paulo 240.000 e Salvador 206.000. Vinte anos depois, o Rio de Janeiro contava com 1.148.000; Sao Paulo 579.033 e Salvador tinha 283.422 habitantes. Belo Horizonte, que era ainda uma jovem cidade, planejada para ser a capital do Estado de Minas Gerais, tinha 55.563.

Apos a Proclamacao da Republica no Brasil, em 1.889, Brasil e Estados Unidos comecaram um relacionamento estranho. E o precedente vem de origem diferente. Em 1.826 o heroi Simon Bolivar, que eh chamado pelo apelido de O Libertador de Cinco Nacoes, lancou a proposta de alianca militar e um congresso comum para todas as nacoes americanas. O objetivo de Simon Bolivar era proteger as jovens nacoes, que estavam se tornando independentes, contra os interesses coloniais europeus. A ideia nao prosperou por causa do desmembramento das nacoes iniciais em paises menores, mais interessados em seus proprios problemas que nos do coletivo.

Como nao podemos esperar de outra forma, Bolivar tinha o imenso nome de: Simon Jose Antonio de la Santissima Trindade Bolivar Palacios y Blanco, O Libertador. E tambem ele era descendente dos monarcas ibericos como uma de suas linhagens mostra:

1.783 Simon Bolivar – Maria Teresa Rodriguez del Toro
1.726 Juan Vicente Bolivar y Ponte – Maria de la Concepcion Palacios y Blanco*
1.665 Juan de Bolivar y Martinez de Villegas – Maria Petronilla de Ponte y Marin*
1.627 Luis de Bolivar y Rebolledo – Maria de Martinez de Villegas e Guevara*
Antonio de Bolivar Y Diaz de Rojas – Leonor de Rebolledo y Maldonado de Almendariz
1.573 Beatriz Diaz de Rojas – Simon de Bolivar y Castro
Ana Gomez de Aguero y Rojas – Alonso Diaz Moreno
Ana de Rojas – Diego Gomes de Aguero
Lazaro Vasquez de Rojas – Mariana de Rojas
Juan de Rojas e Escobar – Aldonza de Ayala
Alonso de Caceres y Escobar – Mariana de Rojas y Cervantes
Mencia de Caceres y Solis – Diego Hernandez de Escobar
Leonor de Noron(h)a – Diogo de Caceres y Solis
D. Diego Henriquez – Beatriz de Guzman
1.365 D. Fernando Henriquez – Leonor Sarmiento
1.333 Enrique II, rei de Castela – Beatriz Fernandez de Angulo
1.311 Alfonso XI, rei de Castela – Leonor Nunez de Guzman*
1.290 D. Constanca, infanta de Portugal – Fernando IV, rei de Castela*
1.261 D. Dinis, rei de Portugal – Santa Isabel, Infanta de Aragao

Bolivar deu a ideia e o ideal mas somente em 1.889 os paises americanos se reuniram em Washington com decisoes mais concretas. Os objetivos eram comerciais, defesa mutua e arbitramento de disputas entre os paises membros. O nome inicial da entidade era Uniao Internacional das Republicas Americanas, depois passou a Uniao Pan-Americana e, finalmente, Organizacao dos Estados Americanos (OEA).

Pondo em pratica o que seria desejavel entre duas nacoes, brasileiros e norteamericanos assinaram o Tratado Blaine-Mendonca que deu acesso aos acucar e cafe brasileiros e farinhas americanas em condicoes preferenciais aos mercados reciprocos. Isso se deu em 1.891.

A coisa mais esquisita com respeito `as relacoes bilaterais Brasil/Estados Unidos veio no ano seguinte, apesar de ter tido inicio no mesmo ano. O Brasil nao tinha se preparado para virar republica e so em 1.891 teve uma assembleia para aprovar a primeira Constituicao Republicana. Neste tempo, o marechal Deodoro da Fonseca era o presidente. E ele nao tinha qualidade alguma para negociar com a assembleia eleita, dai ele renunciou e abriu espaco para o vice, marechal Floriano Peixoto.

Na Constituicao de 1.891 esta situacao estava prevista e dispunha que, uma nova eleicao teria de acontecer no maximo 2 anos depois. Contudo, o ano de 1,894 chegou e o mal. Floriano estava se fazendo de bobo sem tomar providencia alguma. Alguns patentes elevadas da marinha lhe mandaram uma carta exigindo as eleicoes. Estes foram presos, o que levou `a Revolta da Armada.

Os lideres dessa revolta foram os almirantes Luiz Philippe Saldanha da Gama, Eduardo Wandenkok e Custodio Jose de Melo. Alguns dos aliados deles eram monarquistas, o que era compreensivel ja que se eles desejassem voltar ao sistema algum dia eles teriam que passar pelo processo democratico. Num regime de ditadura isso nao seria possivel. Vejamos, entao, uma sequencia genealogica para o almirante:
1.846 Luiz Philippe Saldanha da Gama – Emilia Josefina de Melo
1.808 Jose de Saldanha da Gama – Maria Carolina Reis Barroso
1.773 Joao de Saldanha da Gama Melo Torres Guedes Brito – Maria Constanca de Saldanha Oliveira e Daun*
1.715 Manuel de Saldanha da Gama – Francisca Joana Josefa da Camara*
1.686 Joana Bernarda de Noronha e Lancastre – Joao de Saldanha da Gama*, 41o. vice-rei da India
1.657 D. Mariana de Lancastre – Luis Cesar de Menezes*
1.620 D. Rodrigo de Lancastre – Ines Teresa de Noronha*
1.580 D. Lourenco de Lancastre – Ines de Noronha*
1.550 D. Joao de Lancastre – Paula da Silva*
1.505 D. Luis de Lancastre, 1o. comendador-mor de Avis – Madalena de Granada
1.481 D. Jorge de Lancastre, 2o. duque de Coimbra – D. Beatriz de Vilhena*
1.455 D. Joao II, rei de Portugal – Ana de Mendonca*
1.432 D. Afonso V, rei de Portugal – D. Isabel, Infanta de Portugal*
1.391 D. Duarte, rei de Portugal – Leonor, Infanta de Aragao*
1.357 D. Joao I, rei de Portugal – Philippa de Lancaster, princesa da Inglaterra*

Preferi postar a sequencia acima e nao outras duas que vasculhei porque essa mostra algo mais a respeito da genealogia da familia real portuguesa. Nao podemos nos esquecer que o rei D. Joao I tornou-se rei apos a Crise de 1.383-1.385.

Ao contrario de tudo o que se entende como respeito `a nossa Constituicao aqui nos Estados Unidos, o presidente Grover Cleveland autorizou uma frota americana, 80% da frota da Costa Atlantica na epoca, a intervir a favor do ditador brasileiro Floriano Peixoto. E essa atitude virou um padrao de comportomento dos Estados Unidos no passar da Historia, junto `a America Latina. Sempre se alegou ser protecao dos interesses americanos. Tambem o banqueiro Charles R. Flint ajudou `aqueles que estavam infringindo as leis de ambos os paises.

Com a ajuda do exercito e da Guarda Nacional Brasileiros, o ditador Floriano Peixoto defendeu o emprego dele. As forcas rebeldes ficaram isoladas e a rebeliao desvaneceu porque o restante do pais ainda nao estava preparado para a democratizacao. Floriano Peixoto passou a ser chamado pelo apelido de Marechal de Ferro em referencia a ter se tornado ditador em causa propria.

No passar da Historia das Americas, a Uniao Pan-Americana teve um papel preponderante ao camuflar os efeitos do que se tornou a relacao entre os latinos e os Estados Unidos. A principio todos desejavam se ver livres do colonialismo europeu e tambem das monarquias que eram vistas como fator de atraso ao desenvolvimento da regiao. Basicamente o alinhamento com os Estados Unidos era visto como libertador do colonialismo formal.

Somente mais tarde muitos compreenderam a ingenuidade porque os Estados Unidos tiveram grande vantagem sobre os outros paises que foram tratados nada mais do que: como propriedade deles e nao parceiros. Para os paises latino-americanos o sentimento eh como se fosse, como dizem os brasileiros: “trocaram 6 por meia duzia.” O colonialismo continuou, apenas disfarcou-se de uma forma mais digerivel. Mas em alguns casos ele tornou-se pior. E essa eh uma Historia para mais tarde.

Antes que me esqueca, os presidentes Cleveland e Peixoto eram igualmente descendentes dos reis de Portugal mas nao me dei ao trabalho de verificar as sequencias genealogicas deles.

Outro desencontro no relacionamento entre as duas nacoes nasce da questao: “Quem inventou o aviao?”. Em nossos dias isso nao parece ter a mesma importancia que tinha no inicio do seculo XX. Pelo que se sabe, a maquina de transporte aereo de pessoas foi inventada pelo padre Bartolomeu Lourenco de Gusmao. Ele nasceu no Brasil, na Cidade de Santos, Sao Paulo, em 1.685. Muito jovem iniciou a desenhar baloes quando estava no seminario, na Bahia.

Foi um homem de muitas invencoes e mudou-se para Portugal onde tornou-se o paroco das Cortes. Em 1.709 o rei D. Joao V concedeu a ele a patente de sua invencao, o balao. Ele deu demonstracoes publicas e numa delas a massa ignara o acusou de feiticaria, um crime que era sujeito `a pena-de-morte, via Inquisicao. Desesperado, ele destruiu muito dos proprios escritos e buscou protecao, com a intencao de ir para a Inglaterra, mas quando chegou a Toledo, na Espanha, teve uma febre muito forte e faleceu em 1.724.

Do tempo dele em diante o balonismo desenvolveu-se lentamente. Os americanos o usaram na Guerra da Secessao (Guerra Civil ou Sul contra o Norte) para observarem os movimentos dos inimigos. Eh possivel que os ex-combatentes que imigraram para o Brasil tenham se tornado conselheiros do exercito brasileiro e o duque de Caxias usou o balao na Guerra do Paraguai. Esse uso esta registrado nos livros de Historia e a suposicao de aconselhamento eh teoria minha porque nao tenho noticias de que os brasileiros o usassem regularmente antes.

Nasceu em 20 de julho de 1.873, em Minas Gerais, na cidade denominada de Santos-Dumont, o menino Alberto. A cidade ganhou o nome depois, em homenagem a ele. Foi criado pelo pai brasileiro com ancestrais franceses que era rico e tinha plantacoes de cafe imensas. Tinham muito interesse pelo maquinario usado nas fazendas. Exceto pelas duas irmas mais novas, os outros filhos de Henrique Dumont, pai do Alberto, nasceram em Minas Gerais e depois foram criados no de Sao Paulo. E a familia mudou-se para Paris quando Santos-Dumont tinha 17 anos.

Como contribuicao do nosso primo Rogerio Alvarenga, que eh dono do site: http://rogerioalvarenga.blogspot.com, sem o www. O pai era de Diamantina e a mae de Ouro Preto. (Os avos paternos eram franceses). Henrique Dumont, o pai, era engenheiro e um trabalho dele foi a ponte da EFCB – Estrada de Ferro Central do Brasil, na cidade de Sabara.

Ele estudou disciplinas diversas e leu a colecao de Julio Vernes antes de completar 10 anos. Mas o que ele se interessava mesmo, desde a infancia, era voar. Em Paris teve aulas de voo em baloes com um instrutor experiente e passou a construir os proprios baloes. Em 1.898 inventou o dirigivel. Em 1.901 ganhou um premio enorme por ter sido capaz de levantar voo a 9 km de distancia, fazer o contorno na Torre Eiffel, e voltar ao ponto de partida num mesmo voo. Tornou-se conhecido no mundo inteiro por isso.

Logo apos ele se dispos a conquistar do ar. Queria inventar a maquina voadora mais pesada que este. A Federacao Aeronautica Intenacional tinha estabelecido algumas regras que definiam qual seria o significado de fazer voar uma maquina mais pesada que o ar e todos os inventores trabalharam duro para se encaixarem nas regras. Em 1.906 Santos-Dumont montou e voou o 14-Bis e venceu a corrida.

Os americanos tinham anunciado um voo de 1.903 dos irmaos Wright mas isso jamais foi comprovado. Ate hoje ninguem foi capaz de replicar a maquina feita pelos Wright e faze-la voar. Inclusive nas comemoracoes dos supostos 100 anos da aviacao em 2.003 nao tivemos um voo para comemorar tal maquina. Ao contrario, o voo do 14-Bis eh muito bem documentado pelo Aero-Clube da Franca. E, em 2.006, a replica do 14-Bis foi mostrada voando na comemoracao dos seus 100 anos de aviacao.

Posteriormente, os Wright se apresentaram em Paris, em 1.908, e realmente voaram para o publico frances. Mas a duvida sempre estara a favor do Santos-Dumont, se o voo de 1.909 no aviao Libelula for considerado. Depois ele aperfeicoou o modelo e deu o nome de Demoiselle (Senhorita) e distribuiu o desenho gratuitamente. A importancia disso eh que o modelo dele ja apresentava todos os recursos considerados necessarios para o verdadeiro voo. Em nossos dias a maioria das aeronaves mantem algo da Demoiselle.

A distribuicao do desenho tinha uma razao. Santos-Dumont imaginava que a invencao dele fosse trazer paz ao mundo. Ele pensava que facilitando o contato entre as pessoas diferentes resultaria somente em paz na Terra. A ilusao dele nao durou muito desde que a I Guerra iniciou e a invencao dele tornou-se muito usada para o mal. O remorso dele foi tao grande que entrou numa crise existencial e tornou-se depressivo.

Ele testemunhou o assassinato de irmao matando irmao numa revolucao brasileira com sua invencao. Isso passou dos limites para ele e dai ele entrou no quarto do hotel e se enforcou. Foi em 23 de julho de 1.932, dois dias apos ele completar 59 anos.

Para os brasileiros de geracoes mais passadas a reinvindicacao dos irmaos Wright como inventores do aviao eh como dizer que as Olimpiadas serao em 2.012 mas alguem fara um excelente tempo em sua modalidade de esporte em 2.011. Este nao comparecera aos jogos olimpicos mas reinvindicara uma medalha baseada em sua marca. Para eles a reinvindicacao dos Wright nao tem sentido desde que eles nao compareceram aos jogos.

Como eu disse, o brasileiro comum nem leva isso em consideracao mas a soma dos conflitos na Historia faz diferenca. Se alguem desejar conhecer mais detalhes pode buscar pelo livro: WINGS OF MADNESS, Alberto Santos-Dumont and the Invention of Flight, do autor: Paul Hoffman ou a versao em video da Nova, veja o site: http://www.pbs.org/wgbh/nova/santos/. Como o predecessor: padre Bartolomeu de Gusmao, Santos-Dumont tambem foi um homem de muitas invencoes. No Brasil e em varias outras nacoes ele tem o titulo de Pai da Aviacao.

Apenas para nos lembrarmos. Para brasileiros isso nao eh uma questao de simples nacionalismo desde que algo so se torna considerado cientifico a partir do momento em que pode ser reproduzido por outros, seguindo as instrucoes do autor.

Ao mesmo tempo, o proximo capitulo da Historia do Brasil nos da uma boa ideia no que a sociedade brasileira era. O capitulo eh chamado de A Revolta da Chibata. A Marinha Brasileira mantinha as velhas normas de punicao aos marinheiros ate 1.910. Nao era uma forma de corrigir erros ou enganos dos marinheiros mas era uma forma de mostrar quem mandava, por meio da humilhacao.

Outro aspecto era que, a maioria dos marinheiros brasileiros eram negros ou pardos. Os oficiais eram brancos. Dai os marinheiros comecaram a planejar uma revolta para se emanciparem dessa estupidez. Mas o plano saiu por um caminho errado porque eles haviam planejado comecar no dia seguinte, quando os oficiais estariam voltando de uma recepcao. Alguns deles voltaram antes do que se pensou. A antecipacao acabou dando oportunidade a estes de descobrirem o plano e um deles reagiu, nao aceitando o pedido dos marinheiros para desembarcar pacificamente. O oficial reagiu e deve ter entrado em luta corporal com os marinheiros.

Na luta o oficial foi morto e, na sequencia, situacao semelhante terminou na morte de mais dois oficiais. A Revolta continuou por varios dias enquanto o governo nao concordou em aceitar as exigencias dos marinheiros de suspender a humilhacao da chibata e anistia-los. Apos o acordo a revolta terminou mas os conservadores nos Congresso e jornais comecaram a provocar os sentimentos de vinganca.

As fofocas comecaram a circular pondo medo nos marinheiros de perderem os direitos. E alguns oficiais arquitetaram manobras que levaram os marinheiros `a nova revolta. Isso deu oportunidade ao governo Hermes Rodrigo da Fonseca de decretar a Lei Marcial para perseguir nao apenas os marinheiros mas tambem a oposicao politica que se manteve a favor da revolta. Mais de 200 marinheiros foram mortos. Houveram algumas execucoes com extrema crueldade. 2.000 marinheiros foram destituidos e alguns foram exilados na Amazonia.

A licao que o governo e seus parceiros conservadores queriam passar era esta: O Brasil vivia em um regime de Apartheid e o povo que estava sujeito a ele tinha que se por no seu lugar inferior. O pais tinha uma elite economica branca que se julgava geneticamente superior e qualquer interpretacao contraria seria como desafiar as leis da natureza.

Assim se explica porque, apos a abolicao dos escravos, a elite brasileira buscou trabalhadores europeus e asiaticos. Os negros e pardos nao eram instruidos nas escolas e tinham que se sujeitar a serem a rale da sociedade. Quem aceitava a condicao faria o trabalho mais duro e mal pago. E somente os que aceitavam essa condicao eram reconhecidos como pessoas de boa indole.

O preconceito no Brasil nao era algo escrito nas leis. Era imposto nas mentes. A carga era tao pesada que ate as pessoas negras nao gostavam de se-lo. Elas se envergonhavam disso. Eu recordo um caso testemunhado por meu pai que ele comentava privativamente. Ele conheceu um caso raro de uma pessoa negra na juventude que sempre dizia isso: “Vou casar-me com uma branca para limpar minha raca.”

Ele sempre repetia isso ate ao dia em que um amigo comum deles falou: “Voce deve se lembrar que, para limpar sua raca voce vai sujar a dos outros.” Mesmo assim ele encontrou a princesa branca que queria. A gente nunca tocou no assunto concordando que o casamento fosse uma forma de limpar ou sujar a heranca por causa da cor da pele. Desejo somente demonstrar aqui o quanto as pessoas daquele tempo andaram erradas.

O preconceito no Brasil era imenso e ha um dizer que define isso: “No Brasil o peso da lei foi feito para tres PP. Pobre, prostituta e preto.” Mesmo que o preconceito contra o negro seja mais visivel ele eh igualmente dirigido contra os indigenas e aos pobres em geral, nao importando a classificacao racial das pessoas. Somente na Historia do Brasil recente algumas medidas tem sido adotadas para amenizar o problema e esta longe de resolve-lo. Esta eh a pura verdade, apesar do romantismo com que os mulatos e caboclos foram exaltados.

Perto do inicio do seculo, 1.914, apenas uma ligacao curiosa entre Brasil e Estados Unidos. O vaqueiro `a moda antiga, ex-presidente Theodore Roosevelt, foi ao Brasil para desviar-se de problemas pessoais nos Estados Unidos. Ele queria fazer algo excepcional e naquele tempo havia um rio na Bacia Amazonica desconhecido pelo mundo la fora. Ele decidiu coloca-lo no mapa. O rio era chamado de Rio da Duvida porque era navegavel e conhecido em sua desembocadura. No Planalto Brasileiro existia outra parte conhecida mas nao se sabia se as duas partes se ligavam. Entre as duas partes, somente o desconhecido.

Para sinceronear o presidente foi destacado o coronel Candido Mariano da Silva Rondon, um experiente naturalista. O proprio Rondon era descendente dos nativos brasileiros e trabalhou toda a vida mapeando, estabelecendo linhas telegraficas e fazendo contato com tribos desconhecidas no imenso territorio nacional. Num desses contatos ele foi atingido por uma flecha envenenada mas se salvou por causa da bainha da faca. Mesmo assim ele disse aos subordinados: “Morrer se preciso for, matar nunca.”

Apesar do conhecimento de vaqueiro, Theodore Roosevelt nao tinha a menor ideia do que pretendia fazer. Mas ele pensou que, isso nao poderia ser diferente de ser presidente dos Estados Unidos ou ser o manda-chuva numa fazenda americana. Contrariado, Rondon passou maus-pedacos com os modos de Roosevelt para mante-lo a salvo na floresta. E eles passaram por muitos perigos desnecessarios, como a falta de mantimentos, navegacao inadequada e morte de assistentes.

A arrogancia do ex-presidente foi polidamente esquecida pelo heroi brasileiro. O marechal Rondon concluiu uma missao quase impossivel. Ele havia sido nomeado para cuidar da seguranca e trazer Roosevelt de volta e isso ele fez, apesar das muitas dificuldades como as doencas e as possiveis tribos inamistosas que poderiam existir por la. Porem, o ex-presidente nao escapou de contrair doencas tropicais. E faleceu 5 anos apos voltar aos Estados Unidos.

Pelo trabalho concluido de decifrar o Rio da Duvida, o ex-presidente foi homenageado. Um rio da Bacia Amazonica, do tamanho do Rio Grande, tem o nome de Rio Roosevelt.

O Marechal Rondon viveu por muito depois. Faleceu aos 93 anos de idade, em 1.958, ano que nasci. Ele foi responsavel pela criacao do “Servico de Protecao ao Indio” – SPI. Ajudou a criar muitas reservas indigenas porque sem elas os outros brasileiros continuariam a invadir e tomar as terras dos povos indigenas. Apos o falecimento dele o sistema de protecao jamais funcionou direito por causa da negligencia dos governantes brasileiros.

Rondon tambem foi indicado para o premio Nobel da Paz mas nao ganhou. Um territorio de bom tamanho foi emancipado e tornou-se o progressista Estado de Rondonia.

O periodo entre 1.889 a 1.930 eh chamado de “Republica Velha”. Em portugues isso nao significa apenas uma republica antiga mas tambem algo vinculado ao sistema anterior. Na verdade, nao durou tanto para ser chamada de velha. Ela era decrepita, desde o inicio.

O sistema foi dominado pelos dois estados mais poderosos da epoca, Sao Paulo e Minas Gerais. Esta republica tambem eh chamada de Cafe-com-Leite. Eh uma referencia aos principais produtos da economia deles. Em resumo, era a forca das elites da velha monarquia que queriam manter-se no poder. Minas Gerais era o estado mais populoso e tambem o mais rico.

O sistema eleitoral era, como dizem os brasileiros: “So para ingles ver”. Somente uma percentagem minima da populacao votava e o voto era declarado sem segredo. Isso se deu quando o Coronelismo mandava no Brasil. Eles tinham o poder de controlar os Grotoes, que elegiam os representantes. Os representantes elegiam os governadores e tambem os presidentes. As forcas armadas sempre estavam ali para sustentar o sistema e tornou-se um quarto poder no pais. Frequentemente os militares eram governadores.

Neste periodo, Europa e o Imperio Turco Otomano andavam no desgoverno e eles enviaram ondas de imigrantes para as Americas. No Brasil eles se instalaram principalmente nos estados do sul como Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Parana e Sao Paulo. A maioria veio de Portugal, Italia, Alemanha, Polonia, Espanha e tambem do Oriente Medio e Japao. Entraram tambem em outros estados. Para se ter uma ideia do que foi essa onda eh so dizer que, o Brasil eh o pais com maior populacao japonesa fora do Japao.

No meio dessa populacao haviam os sindicalistas, anarquistas, socialistas e os comunistas. Nesse tempo o Brasil multiplicou suas industrias potenciais e estas aumentaram a urbanizacao. Cidades de pequeno e medio porte comecaram a crescer e a exigencia por melhores condicoes sociais abriu espaco para uma sociedade mais reinvindicatoria. Porem, o governo conservador brasileiro tornou-se mais restritivo e com orientacoes ditatoriais.

Um exemplo dessa situacao foi a administracao do presidente Arthur da Silva Bernardes. Ele teve que governar sob a Lei Marcial. Porem tinha um bom relacionamento com os Estados Unidos. Um dos feitos dele foi a fundacao da “Universidade Federal de Vicosa”. A Cidade de Vicosa, em Minas Gerais, eh o torrao natal dele e ele convidou o professor americano: P. H. Rolphs, para ajuda-lo nessa tarefa. Este eh o lugar onde eu fui conquistar o meu diploma universitario.

Em 1.922 artistas jovens brasileiros criaram a “Semana das Artes Modernas”. A exposicao das artes deles tinha a intencao de quebrar o conservadorismo dominante no Brasil. Acabaram mesmo sendo muito criticados pelos artistas mais velhos como: Jose Bento Monteiro Lobato. Contudo, as sementes que plantaram frutificou nas decadas seguintes. Muitos deles sao famosos, inclusive no exterior.

Alguns dos nomes dos que ficaram mais famosos sao: Emiliano Di Cavalcanti, Mario Raul de Morais de Andrade, Oswald de Andrade Souza, Anita Malfatti, Menotti del Picchia, Sergio Milliet, Jose Pereira da Graca Aranha, Guilherme de Andrade Almeida, Heitor Villa-Lobos, Guiomar Novais e Tarsila do Amaral. A Semana das Artes Modernas nao causou maior impacto na sociedade brasileira mas deu ideia aos artistas jovens de se tornarem culturalmente independentes. Antes dela, em quase todas as artes, os artistas brasileiros apenas seguiam os moldes do exterior.

Um dos artistas que se destacou dos outros, de forma errada, foi Plinio Salgado. Ele se tornou politico com orientacao facista. E liderou o movimento conhecido como “Integralismo,” que deu apoio ao regime ditatorial que estava por vir.

Postarei sequencias genealogicas para tres dos intelectuais brasileiros daquele tempo.

1.893 Mario Raul Morais de Andrade (Mario de Andrade)
Maria Luisa Leite de Morais – Carlos Augusto de Andrade
1.834 Joaquim de Almeida Leite Morais – Ana Francisca de Almeida
1.796 Joaquim de Almeida Leite Morais – Isabel Rodrigues da Silva
Manuel Jose Leite de Morais – Maria Luisa de Almeida*
Tomas Correia de Morais – Isabel de Anhaya Leite*
Francisco Correia de Morais – Ines Monteiro Carneiro
Simao Correia de Lemos Morais – Izabel da Silva Pinto*
Maria de Morais – Francisco Correia de Lemos
Sebastiana Ribeiro de Morais – Vittore Antonio de Castronuovo
Jose Godoi Colaco – Ana Pires Ribeiro
Gaspar de Godoy Colaco – 1.652 Sebastiana Ribeiro de Morais
Eufemia da Costa Mota – Joao de Godoy Moreira
Atanasio da Mota – Luzia Machado
Felipa Gomes da Costa – Vasco Pires da Mota
Isabel Lopes de Sousa – Estevao Gomes da Costa
1.490 Martim Afonso de Sousa, governador da India – esposa desconhecida
1.460 Lopo de Sousa, senhor do Prado – Brites de Albuquerque*
1.425 Pedro de Sousa, senhor do Prado – Maria Pinheiro
1.385 Martim Afonso de Sousa – Violante Lopes da Tavora
1.341 Martim Afonso de Sousa – Aldonca Rodrigues de Sa
1.320 Vasco Martins de Sousa Chichorro – Ines Dias Manoel*
1.280 Martim Afonso Chichorro II – D. Aldonca Anes de Briteiros
1.250 Martim Afonso Chichorro – Ines Lourenco de Valadares (ou de Sousa)
1.210 D. Afonso III, rei de Portugal – Madragana (depois, Mor Afonso)

A partir de Gaspar de Godoy Colaco e Sebastiana Ribeiro de Morais esta sequencia ja esta presente para o poeta Carlos Drummond de Andrade. Eu tinha antecipado a genealogia dele quando postei a genealogia do Martim Afonso de Sousa, governador da India, que tambem foi o primeiro Governador Geral do Brasil, e esta no capitulo 09. Repeti aqui so para facilitar para os leitores.

1.890 Jose Oswald de Andrade Souza (Oswald de Andrade) – Tarcila do Amaral* (foi a segunda esposa dele)
Jose Oswald Nogueira de Andrade – Ines Henriqueta Ingles de Sousa
Antonia Eugenia Nogueira – Hipolito Jose de Andrade
Antonio Gomes Nogueira Cobra – Maria Custodia de Meireles Freire
Caetana Nogueira de Lemos – Domingos Rodrigues Cobra
Joana Nogueira do Prado Leme – Joao Gomes de Lemos
1.690 Maria de Leme do Prado – Tome Rodrigues Nogueira do O
1.667 Antonio da Rocha Leme – Antonia Leme do Prado*
Maria Leme Bicudo – Cornelio da Rocha
Thomasia Ribeiro de Alvarenga – Francisco Bicudo de Brito
Luzia de Leme – Francisco de Alvarenga*
Aleixo Leme – Ines Dias
1.568 Leonor Leme – Bras Esteves
Pedro Leme – Luzia Fernandes

A partir desse ponto podemos voltar `a sequencia genealogica do “bandeirante” Fernao Dias Pais Leme. Pedro Leme era um bisavo dele com uma esposa diferente, Izabel Paes, da bisavo do Fernao Dias. Tambem esta no capitulo 09. O nome da segunda esposa do Oswald de Andrade Souza, Tarsila do Amaral, tambem eh um mito das artes brasileiras. Ela participou da Semana das Artes em Sao Paulo. Vejamos uma sequencia genealogica para ela.

1.886 Tarsila do Amaral – Jose Oswald de Andrade Souza*
Jose Estanislau do Amaral – Lidia Dias de Aguiar*
Jose Estanislau do Amaral Campos, o milionario – Teresa de Jesus Aguirre
Estanislau do Amaral Campos – Ana Leoniza de Camargo
Estanislau Jose de Abreu – Ana do Amaral Campos
Jeronimo de Almeida de Abreu – Leonarda de Moura
Antonio Proenca de Abreu – Francisca de Almeida*
Maria Bicudo de Brito – Paulo Proenca de Abreu
Ana Ribeiro – Joao Bicudo de Brito
Francisco de Alvarenga – Luzia de Leme*

Outra vez, aqui se repete o mesmo casal que aparece na sequencia genealogica do Oswald de Andrade Souza, logo acima.

A Republica Velha findou dentro do desgoverno em que o Brasil vivia. As insatisfacoes politicas e sociais, a Quebra da Bolsa de Nova Iorque e a ambicao pelo poder de alguns setores da sociedade brasileira, leia-se: os militares, levou a um golpe de estado iniciado com Getulio Dorneles Vargas como presidente e terminou com ele como ditador, durante os proximos 15 anos.

O regime ditatorial foi ambiguo na natureza. Getulio Vargas era civil e tinha os militares em sua retaguarda. Como de costume, perseguiu seus oponentes, particularmente os intelectuais. Nos calaboucos da ditadura passaram personalidades como os escritores: Graciliano Ramos, Rachel de Queiroz e ate o Jose Bento Monteiro Lobato. O Getulio era populista em uma face e elitista na outra. Por isso ele ganhou o apelido de “Pai dos pobres, e mae dos ricos.”

Durante o governo dele iniciou-se a polemica do petroleo no Brasil. Foi descoberto primeiramente no Estado da Bahia e ele foi acusado de nao fazer nada: “nao explorava e nao deixava outros explorarem”. Foi por essa razao que o nacionalista Monteiro Lobato foi levado `a prisao. As politicas de governo dele pareciam ser de orientacao nacionalista mas tinha muito de fantasia, para aumentar sua popularidade.

O Estado de Minas Gerais e sua populacao nao teve o que agradecer ao ditador. Como o comercio afundou no mundo todo por causa da Quebra da Bolsa de Nova Iorque, o Brasil se estrepou por ter sua economia baseada em exportacoes de materias primas e produtos agricolas. O modo como o governo enfrentou o problema foi ordenar o fim da producao de cafe e acucar no estado. Ele privilegiou os estados do Sul, especialmente Sao Paulo.

Getulio Vargas tambem criou a Previdencia Federal (INPS) e comecou a retirar a contribuicao dos contracheques. Com o dinheiro ele acelerou a industrializacao. Ele foi responsavel pela criacao da Companhia Siderurgica Nacional (CSN), instalada no Rio de Janeiro. O que pode ser curioso foi isso, toda a materia prima era produzida no Estado de Minas Gerais e exportada para ser industrializada.

O Brasil sofreu com a depressao mundial, antes e durante a Segunda Guerra. Porem, Minas Gerais foi mais prejudicada por ter sido deixada para tras no processo de industrializacao. Os Estados de Sao Paulo e Rio de Janeiro foram visivelmente beneficiados. E a, antes, crescente populacao de Minas Gerais foi empurrada para a migracao para as ultimas areas selvagens dele e para os estados privilegiados. Sao Paulo hoje eh populacional e economicamente o primeiro lugar com larga vantagem. Rio de Janeiro e Minas Gerais tem disputado o segundo lugar, tendo alternado posicoes ao longo do tempo.

Os anos 40 foram uma senhora decada. O Brasil tinha um governo alinhado com os ditadores europeus como Hitler na Alemanha, Mussolini na Italia, Franco na Espanha e Salazar em Portugal. Eles tinham algo mais em comum em sua propaganda. Tinham de ter uma desculpa para se manterem no poder e, inicialmente, o bode expiatorio foi o comunismo. E qual seria a razao para o comunismo ser algo tao ruim? Aquilo que sempre sera, o totalitarismo.

O totalitarismo se manifesta quando um pequeno grupo de pessoas pensa que: “todos sao iguais perante a lei, mas alguns sao mais iguais que os outros”. E os mais iguais sao eles, os iluminados. Aqueles que sofrem da doenca de saberem melhor que voce o que eh bom para voce e para todo mundo, inclusive para si mesmos. Dai eles passam a fazer coisas incompreensiveis tais como: “matar aqueles que nao compreendem o que eh bom para eles proprios”.

Na desordem em que o Brasil estava nos anos 20 e 30, algumas pessoas comecaram a pensar que o comunismo fosse uma alternativa viavel para resolver todos os problemas. Um lider do movimento foi Luiz Carlos Prestes, nascido em 1.898 e que ficara orfao aos 10 anos de idade e que tentou vencer as dificuldades atraves da carreira militar. Ele acabou sendo exilado na Russia, onde se casou com a alema: Olga Benario, que tambem era judia.

Apos o retorno ao Brasil e a tentativa falha de assumir o poder, no episodio conhecido como “Intentona Comunista”, o casal foi preso e Olga Benario, em seu setimo mes de gravidez, foi extraditada para a Alemanha Nazista, onde ela foi morta na camara de gas. Antes disso ela deu `a luz `a sua filha: Anita Leocadia. Prestes nunca buscou vinganca por estas intemperies na vida e manteve seus ideiais e riqueza biografica ate `a morte em 1.990.

Eu usei este fato para ilustrar o quao ruim um regime ditatorial pode ser, inclusive quando o povo se deixa enganar pela impressao de que alguns ditadores nao sao tao ruins. E a loucura do Getulio Vargas eh melhor demonstrada no proximo capitulo da Historia. A Segunda Guerra estava ocorrendo e ele estava relutando para escolher o lado de se aliar. O povo brasileiro ja sabia que o Eixo nao seria solucao e estava crescendo a impaciencia com Getulio. Eh possivel que a duvida dele em escolher tinha algo mais a ver com o proprio cargo que saber qual era a decisao correta. Ele sabia que no evento de os Aliados vencerem ele nao seria mantido no cargo, como realmente se deu.

A ditadura do Getulio Vargas foi chamada de “Estado Novo” o que nada tinha de novo. Era a mesma elite antiga querendo manter-se no poder contra a maioria da populacao. Justamente como sempre foi, desde o inicio em 1.500, a Historia do Brasil era a mesma. Poucas pessoas amealhavam as riquezas e o restante nao tinha escolha senao ficar por perto, como satelites. E o sistema tinha funcionado a favor das elites enquanto um numero maior de imigrantes nao chegou, as cidades se tornaram cada vez maiores e a populacao se tornou melhor educada e mais exigente.

Quando a populacao brasileira era mais limitada, todos tinham um parentesco conhecido com os outros, e o sistema de apadrinhamento da Igreja Catolica funcionava bem porque a pessoa poderia ser pobre mas uma das criancas dela era afilhada dos coroneis da vida e isso garantia uma pequena participacao nos beneficios da sociedade e lealdade a eles. Era um contrato sem escrita que funcionava na maioria das vezes.

Mas nas cidades grandes e sociedades mais conscientes, onde o parentesco eh mais volatil, a populacao deseja independencia financeira. Se voce trabalha, nao importa o que faca, voce espera ser capaz de suprir as necessidades de sua familia como voce deseja e nao dentro de limites que os chefes querem te impor. Usando esta espectativa, Getulio Vargas criou o salario minimo no Brasil mas a maioria da populacao vivia nos interiores e os salarios nao passavam de fracoes do minimo.

A exigencia por justica social foi demais para os conservadores de menor inteligencia no Brasil. Eles pensaram que tudo era complo dos imigrantes e a primeira reacao foi limitar o numero deles. O Brasil adotou um sistema de cotas para cada pais, os quais tradicionalmente enviavam imigrantes para la. E isso contribuiu para manter o pais numa situacao de atraso porque as forcas dos conservadores inconsequentes permaneceram por mais tempo no poder. Curiosamente, qualquer opiniao contraria a tais forcas eram taxadas de partirem de comunistas ou serem ideias comunistas e muitos, como a escritora Rachel de Queiroz, foi presa sob a falsa acusacao de ser uma deles.

Tambem, ja que a populacao das cidades eram privilegiadas em relacao `a educacao, saude, seguranca e empregos melhor pagos, a grande migracao em direcao a elas comecou. Porem isso eh acelerado nos anos 60 e 70. As favelas que aparecem na Historia do Brasil no final do seculo XIX, com a emancipacao dos escravos que foram libertos mas nao tinham para onde ir porque haviam sido totalmente abondonados pela sociedade, se multiplicaram. Algumas viraram cidades dentro de cidades. Assim, tambem o ciclo da pobreza se multiplicou.

Voltando ao nosso ponto, a Segunda Guerra continuou e ate 1.942 Getulio Vargas nao tinha decidido que lado seguir. Ele tentou manter o Brasil neutro, apesar de no campo da diplomacia alguns diplomatas permitiram a falsificacao de passaportes para salvar alguns perseguidos pelos nazistas, especialmente judeus.

A partir de 1.941 a posicao neutra do Brasil se abalou. Como os Estados Unidos entraram na Guerra e as nacoes americanas tinham o acordo de defesa mutua contra agressoes externas, o povo comecou a pressionar o governo a decidir. O Brasil era o principal fornecedor de materia prima necessaria pelos Estados Unidos para manter sua industria belica. E o Estado de Minas Gerais era a “mina de ouro” nisso.

Esta eh uma boa hora para vermos o video que mencionei antes, no endereco: http://e-relevante.2009.blogspot.com/2010/04/apresentacao-de-belo-horizonte-para-o-mundo.html/. Mesmo que o video seja datado de 1.948 ele demonstra a importancia do Estado de Minas Gerais como fornecedor das materias primas mais importantes durante a guerra. O video apresenta em relance o ex-prefeito e, entao, futuro presidente do Brasil: Dr. Juscelino Kubistchek. Ele nasceu em Diamantina e por meio de sua avo, Joaquina Coelho, eh primo.

Quando os Estados Unidos estavam em guerra o Brasil estava no meio do caminho. Ele nao estava legalmente em guerra mas enviava materia prima que estava sendo transformada em poder de fogo e armas secretas. Mas num curto periodo de tempo 19 navios mercantes brasileiros foram torpedeados. Foram perdidas centenas de vidas. E a pressao para entrar na guerra do lado dos aliados ficou demais para ser ignorada pela ditadura. Em agosto de 1.948 o Brasil formalizou sua entrada.

Existe uma teoria de conspiracao que acusa aos americanos e nao os alemaes de terem torpedeado e desde que ninguem viu quem fez concluiu-se ter sido os alemaes. Os teoristas levantam suas razoes porque seria do interesse dos alemaes o Brasil permanecer neutro e, se eles tivessem feito, o tiro deles sairia pela culatra. Por outro lado, os Aliados precisavam desesperadamente do Brasil do lado deles. Uma das linhas da teoria inclusive acusa os americanos de terem invadido as costas da Regiao Nordeste, especialmente a Cidade de Natal no Rio Grande do Norte, onde uma grande base aerea foi criada e foi de la que se deram os embarques de armas e tropas para a invasao do Norte Africano e a expulsao das forcas do Eixo.

Devo lembrar aqui que nao estou falando dessas suspeitas como se fossem verdade. Estou falando porque nao importa se sejam verdade ou nao. O que interessa mais eh que existem pessoas que creem nelas e isso eh parte das razoes que multiplicam os sentimentos contrarios aos americanos em parte da populacao brasileira.

No meu ponto de vista, se os americanos houvessem entrado no Brasil sem permissao mesmo antes dele decidir qual lado tomar parte, foi feito algo estupido. Qualquer um pode ver o mapa e observar o quao estrategica Natal era naquela operacao porque era o caminho mais curto entre Africa e Americas. Mas, por outro lado, se os brasileiros tivessem decidido juntar-se com o Eixo, os americanos poderiam ser facilmente derrotados por uma forca alema de submarinos no mar e forcas combinadas via terra.

Eu bem sei que o Brasil nao tinha uma forca de combate comparavel `a dos Estados Unidos, porem, com o aconselhamento alemao um exercito poderia ser treinado rapidamente, aproveitando-se a vantagem numerica local e o nacionalismo seria algo mais a acrescentar. Como eu nasci la, so 13 anos apos a Guerra, eu conheci o sentimento naquele tempo e era contrario aos nazistas. Getulio Vargas ainda nao estava preparado para o suicidio e se ele tivesse escolhido o outro lado, contra a vontade de todos, poderia mergulhar o pais em um banho de sangue.

O Brasil entrou na guerra com um pequeno contigente. A mobilizacao foi muito maior no sentido de fazer outros trabalhos como entrar na Amazonia para produzir latex, que era imprescindivel naquele momento. O pequeno numero de brasileiro envolvidos diretamente no combate eh refletido nas estatisticas. Perdeu em torno de 1.500 soldados. E a pequena Forca Expedicionaria tornou-se vital para as tomadas de Monte Castelo e Monte Cassino, na Italia.

Estranho, quando posso os olhos em alguns documentarios americanos com respeito `a Segunda Guerra essa participacao brasileira eh redondamente ignorada. Nao se fala nas forcas de combate nem nas bases que deram suporte `as operacoes no Norte da Africa. Eh como se a mencao disso fosse um tabu. Conheci, ha alguns anos, um ex-combatente americano que serviu no Brasil e mencionou gostar muito do pais. Mas naquele tempo eu tinha muito pouco dominio da lingua e nao consegui maiores informacoes dele.

Tenho que lembrar dois parentes que foram pracinhas, porque hoje eh 11 de novembro de 2011, dia dos ex-combatentes nos Estados Unidos. Um deles, Felix de Aguiar Coelho, lutou na Italia. Como para todos os nativos de Virginopolis era fundamental para ele ir `a igreja. Algumas vezes a gente brinca com os outros conterraneos dizendo: “se quizer encontrar uma pessoa da cidade eh so ir `a igreja!”

E ele entrou numa igreja na Italia apos convidar os irmaos-nas-armas para ir junto. Eles cacoaram da devocao dele e ficaram do lado de fora. Quando ele estava rezando, ouviu explosoes e quando foi verificar o que era, havia sido um ataque aereo surpresa e alguns companheiros haviam morrido. Nao me recordo de te-lo conhecido pessoalmente mas disseram que ele ficou com “neurose de guerra”. Era assim que se chamava a “Desordem do Stress Pos-Traumatica.” Antigamente nao se conhecia os detalhes do problema.

O outro ex-combatente na familia foi o nosso tio mais engracado, Otacilio de M. Barbalho. Ele foi convocado e se preparou para ir. Quem ficou stressada com isso foi a Dindinha Zulmira. Ela foi `a igreja para pedir concelhos ao padre Felix Natalicio de Aguiar que era o paraco em Virginopolis. (Nao me recordo se ela recorreu foi ao padre David de Alcantara Miranda que ja atendia em Valadares e eh tido como santo). E o padre disse a ela: “Nao se preocupe, a guerra ira terminar antes dele chegar `a Italia”. Quando o navio estava ainda nas costas do Nordeste foi o que aconteceu. Mas ele se tornou heroi em dobro mesmo assim.

Primeiro porque eles enfrentaram uma tempestade na viagem. E um dos companheiros dele caiu no mar sem saber nadar. E o velho tio mergulhou atras dele e o salvou. Quando voltaram, os ex-combatentes ganharam varios privilegios como: estudos gratuitos para os filhos, seguro saude de graca e muito mais. O tio, naquela humildade toda, pensava que nao tinha feito nada para merecer tanto. E faleceu numa existencia modesta, os filhos tiveram que dar duro na vida para nao cair na pobreza. Alguns deles acabaram migrando para os Estados Unidos.

Da guerra ficou a lenda de um soldado brasileiro, maluco de todo, que de vez em quando decidia assaltar a dispensa dos alemaes. Deve ter algo de verdade nisso porque ja li isso em jornais. Ele saia driblando as balas inimigas por pura farra. Fazia isso na hora do almoco, quando dava vontade de tomar um vinhozinho. Ha uma alusao `a cena na versao antiga de Os Tres Mosqueteiros. Aqui nao sei dizer se a arte copiou a vida ou a vida copiou a arte.

O que eh mais importante para as lembrancas da nossa Historia comum foi a construcao de uma estrada. Atualmente eh chamada de Rio-Bahia ou Br 116. Ela foi construida num piscar de olhos. E como o nome fala, eh a ligacao entre as cidade do Rio de Janeiro e Salvador. O que ha de importante nela eh ter sido um grande esforco de americanos e brasileiros que precisavam de uma via de transporte segura para as materias primas, especialmente a mica.

A mica eh um mineral mas, para quem nao a conhece, parece um pedaco de papelao transparente. Tambem eh leve e era usada nos equipamentos eletronicos. A ocorrencia dela na regiao de Valadares eh abundante. Algumas vezes encontra-se saindo da terra, sem a gente esperar. No video que indiquei acima eh possivel ve-la sendo manufaturada, para os que nao tem idade suficiente para te-la conhecido nos radios, televisoes e outros aparelhos antigos.

Ainda hoje a mica eh usada como escudo nos corpos das espaconaves Shuttle com o proposito de isolante termico, o que protege-as contra o superaquecimento na reentrada na atmosfera. Sem ela, talvez nao teriamos o programa espacial como ele existe.

A regiao da Cidade de Governador Valadares foi praticamente redescoberta quando a estrada ficou pronta. Por coincidencia, a estrada passa tambem por Filadelfia, a cidade fundada por Theophilo Benedicto Ottoni e que agora tem o nome dele. O povo antigo da familia costumava dizer que, quando os tratores passavam cortando a terra o povo seguia atras andando e colhendo gemas preciosas e semi-preciosas nas quais o vale eh rico.

A riqueza era tao visivel que, ate aos nossos dias, as duas cidades sao conhecidas como capitais das gemas no Brasil. Elas tiveram Feiras Internacionais para comercializa-las. Valadares foi a primeira a ter a dela mas foi obrigada a transferi-la para Belo Horizonte porque la era mais facil para o publico internacional ter acesso. E um dos meus tios, que continua morando la, brincava que: “Valadares estava querendo era dar o peido maior que a bunda.” Como se ela fosse pequena demais para tanta importancia!

A estrada foi construida em funcao de seguranca porque o transporte das mercadorias estrategicas pelo mar ficava sujeito aos ataques dos submarinos alemaes. Mas tambem acabou servindo para os americanos conhecerem Minas Gerais atraves desse lado rico dele. Durante algumas decadas a exploracao de madeira nobre se manteve, ate `a quase extincao.

A Cidade de Governador Valadares ficou conhecida como: Cidade das Serrarias. E essa riqueza foi exportada baratissimo. A preco de banana como se costuma dizer. O povo antigamente nao tinha ideia do quanto estava sendo enganado. As pessoas repetem a Historia, do mesmo modo que os nativo-brasileiros se desfizeram de suas florestas por bugingangas. Mas a cidade atraiu populacao numa velocidade raramente observada na Historia. De 5.000 em 1.940 ela passou para mais d