A III GM

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0. PURA MISTURA

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1. GENEALOGIA

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2. RELIGIAO

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3. OPINIAO

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4. MANIFESTO FEMINISTA

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5. POLITICA BRASILEIRA

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6. MISTO

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7. IN INGLISH

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https://val51mabar.wordpress.com/2009/09/25/about-the-third-and-last-testament/

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8. IMIGRACAO

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A III GM

INDICE

ABERTURA
1a. DEFINICAO: COMUNISMO
2a. DEFINICAO: TOTALITARISMO
3a. DEFINICAO: SOCIALISMO
4a. DEFINICAO: DEMOCRACIA
5a. DEFINICAO: CAPITALISMO
6a. DEFINICAO: SISTEMA DE GOVERNO
7a. DEFINICAO: REGIME DE GOVERNO
8a. DEFINICAO: ESQUERDA-DIREITA
9a. DEFINICAO: SOCIEDADE E CONFIANCA
10a. DEFINICAO: A TEORIA DA MAIS VALIA
11a. DEFINICAO: RELIGIAO
12a. DEFINICAO: TEOCRACIA
13a. DEFINICAO: FILOSOFIA DO TER E DO SER
14a. DEFINICAO: PRECONCEITO
15a. DEFINICAO: PIRAMIDE SOCIAL
16a. DEFINICAO: EDUCACAO ESCOLAR
17a. DEFINICAO: INTELIGENCIA ARTIFICIAL
18a. DEFINICAO: POPULACOES
19a. DEFINICAO: SUPREMACIA
20a. DEFINICAO: COMPLEXO DE VIRALATAS

 

ABERTURA

Bem vindos caros visitantes do IV milenio ao inicio do III milenio! Esta eh a ERA DO QUE PARECE SER, e eh o MUNDO DO FAZ DE CONTAS! O mundo eh o de faz de contas mas a dor que ele provoca eh visivelmente real.

Esta eh a luta do bem contra o mal; da verdade contra sua opositora; e da vida para todos ou da vida somente para alguns!

Aqui estamos entre a cruz e a espada, entre a forca e a caldeirinha.

Voces nao sabem e nem imaginam do que estou falando. Pensam que conhecem a Historia do seu passado. Mas a receberam apenas por vias tortas e nao a viveram.

Pois esta passagem de milenio nao eh o que parecer ser. Vive-se de sonhos e solidao. Muita informacao e pouco tempo para compreende-la. Das espertezas escondidas nas entrelinhas do que se le mas nao se enxerga o que esta escrito. Muita licao e pouca sabedoria. Necessidade de uniao e dominio do individualismo. Muita correria para chegar a lugar algum.

Esta bom! Estas mensagens cifradas nao estao entrando em seu entendimento, eu sei!… Mas eh a loucura dos poucos que tem razao!… Farei entao, algumas definicoes para facilitar para voces. Fui professor, tenho o defeito de definir palavras mesmo sem ter ministrado linguagem.

Alguns captam isso como se o escritor se colocasse acima dos outros. Mas ele apenas sabe que sao tres as dimensoes na escrita e leitura. Uma eh a do pensamento e da imaginacao que precisam ser transcritos em letras. Outra eh representada pelo que se escreve que pode ser diferente da intencao. A terceira e ultima, que eh a que fica, a do leitor que interpreta segundo suas limitacoes.

Nao se trata de duvidar do que eh dito. Mas de ter-se duvida do que querem dizer ao falar.

 

1a. DEFINICAO: COMUNISMO

Comunismo eh, como voces sabem, a defesa do interesse comunitario. Em outras palavras podemos usar como exemplo associativo quaisquer dos insetos sociais que continuam existindo no IV milenio, como cupins, formigas e, especialmente, abelhas.

As abelhas formam um otimo exemplo de comunismo. Elas agem naturalmente, nao houve intervencao humana que as ensinasse regras. Ao contrario, o ser humano teve e tem muito a aprender com elas.

Do ponto de vista religioso podemos afirmar que Deus nada tem contra o comunismo, pois, se tudo o que vem da natureza eh regido por Ele, entao, o comunismo eh algo que veio de Deus!

Nao compreenda ai que Deus tenha colocado o comunismo no mundo para que o homem o copie literalmente. Deus nao quer que o ser humano entenda que tudo no mundo eh literal. Os exemplos encontrados na natureza criada por Ele sao para o exercicio do raciocinio humano. Eh para que os humanos os estudem e apliquem em sua sociedade de forma a superar desafios.Todos os desafios precisam ser superados o quanto antes para que nao virem problemas depois.

 

2a. DEFINICAO: TOTALITARISMO

Totalitarismo eh o oposto de democracia. Ele se da quando o poder de decisao de uma comunidade eh suprimido e este poder passa a ser exercido por uma pessoa ou um grupo delas em nome dos interesses de alguns. O exemplo associativo que existe na natureza eh o da onca.

Onca era um felino que tinha seu habitat natural nas Americas do Sul e Central. Ela servira tambem como exemplo associativo para o individualismo. Ela estabelecia o seu territorio onde nao permitia a entrada de membros da sua propria especie. Nem mesmo machos compartilhavam territorio com suas femeas. Por instinto, eles se encontravam apenas no periodo fertil das femeas. Tido as relacoes, cada qual tomava rumo do seu territorio.

A onca tambem expoliava areas de seu territorio ao maximo. Como membro maior da cadeia alimentar, comia todos os outros animais (comestiveis para ela) que encontrava na area. Quando percebia que a caca estava ficando rara, se estabelecia em outra area enquanto a primeira ficava se recuperando, para futuras investidas.

Novamente, em termos religiosos, nao foi para isso que Deus colocou o ser humano na Terra. Embora o individualismo em si nao seja um pecado, quando ele atinge a certo nivel o pecado ocorre em funcao dos resultados. Ate a propria onca conhecia os limites. Ela era feroz. Mas foi dado a ela mais do que podia consumir. Isso mudou apenas quando outro predador comecou a competir com ela em condicoes desiguais. O predador foi o ser humano.

 

3a. DEFINICAO: SOCIALISMO

O gnu (wild beast em lingua inglesa) foi um animal herbivoro que habitou o Quenia e seus vizinhos. Ele servira para voces como exemplo associativo do socialismo. Formava formidavel rebanho, chegando a ter milhoes de individuos no grupo. Nao tinha como defender-se individualmente contra seus predadores. Os principais inimigos eram os leoes, as hienas e os crocodilos quando precisavam atravessar grandes rios a nado.

O grande numero nao servia para atacar os inimigos. Mas servia para impor sua presenca. Os adversarios precisaram aprender estrategias como separar do rebanho os mais fracos e os mais indefesos para ataca-los. Contudo, enquanto se mantivessem fortes e saudaveis, a sobrevivencia da especie estava garantida. Assim viveram em equilibrio ate que a especie humana interferiu em seu meio-ambiente.

O socialismo se da quando os iguais se unem para conseguir superar desafios que o individual nao permite. Socialismo e comunismo sao inimigos naturais do individualismo.

 

4a. DEFINICAO: DEMOCRACIA.

Em sua definicao primordial, democracia seria a associacao popular para governar-se pelo bem de todos.

Eh algo que existe tanto entre as abelhas quanto entre os gnus. Guardadas as proporcoes, pois, os animais outros alem do ser humano nao possuem uma capacidade completa de raciocinio e ja nascem com certa programacao para agir dentro daquilo que a natureza lhes permite.

Em caso de seres humanos, a democracia eh algo voluntario, pois, guardadas as imposicoes de legislacoes elaboradas pelos proprios seres humanos, ela somente funciona quando ha altruismo da parte de todos. Quanto melhor a democracia, melhor ha o dominio da onca que existe dentro de cada ser humano e mais livre eh sua abelha para voar ou o seu gnu para migrar por melhores pastagens.

Aqui, neste inicio de III milenio, democracia virou a imposicao da vontade da maioria. Tornou-se licito enganar o povo. Tornou-se legal omitir-se informacoes para induzir a populacao a votar a favor de objetivos de poucos. Passou a ser permitido “criar verdades” a respeito dos concorrentes em eleicoes. Grupos comandados por pequeno numero de pessoas controladoras de midia podem divulgar mensagens subliminares com o intuito de desviar-se da verdade sem nenhum risco de serem acusados de crime eleitoral.

As chamadas democracias viraram circo. Atores sao candidatos. Atores sao protagonistas. Redatores inventam argumentos. Tudo para vender gatos por lebres. Claro, como nao se pode fugir ao corporativismo, sao os atores mais populares que sao eleitos. E tudo vira um circo de mal gosto!

O defeito das democracias neste tempo eh este: como atores, os candidatos fazem ate bom papel. Agem segundo o script preparados para eles. O problema esta quando se assentam nas poltronas da governanca. Como nao estao preparados para governar, ou nao desejam faze-lo a favor do interesse publico, o fazem por interesse de si proprio e dos seus maiores contribuintes. Ou seja, o poder economico eh que determina a musica que sera tocada.

Assim, os eleitores elegem aqueles que irao primeiro servir ao pequeno grupo com poder economico porque nao sabe exatamente o que se passa nos bastidores.

Neste inicio de III milenio, meus caros viventes do IV milenio, a democracia foi boicotada! Melhor dizendo, “gnucoitada”!

Democracia eh uma Dadiva do Ceu que esta deliberadamente sendo desfacelada na face da Terra gracas `a vontade dos poderosos e omissao de outros. Nao existe exemplo associativo na natureza.

 

5a. DEFINICAO: CAPITALISMO.

Assim como comunismo e socialismo, o capitalismo eh agora confundido como se fosse forma de governo. Mas estes definem apenas o regime de governo monetario. Ou seja, comunismo ou socialismo definem que os bens se tornam coletivos. No capitalismo os bens sao em sua maioria individuais. Ressalva-se apenas os chamados bens publicos.

Ha uma pratica ilegal ja antiga chamada de piramide. Esta pratica consiste basicamente no oferecimento de um produto extremamente rentavel. O sucesso da pratica depende da capacidade de alguns lideres venderem o produto. Eles vendem para um certo numero de incautos que compram e entregam o dinheiro e recebem a tarefa de alistar outro determinado numero de incautos.

`A medida que o sistema vai se expandindo, o numero de incautos cresce exponencialmente, formando uma piramide, cuja base sera sempre de contribuintes enquanto que os que ocupam o topo da piramide e seus degraus mais elevados recebem contribuicoes proporcionais `a altura da construcao. Contudo, o fim de toda piramide financeira eh previsivel, pois, o numero de incautos eh limitado.

Quando se torna impossivel encontrar-se pessoas suficientes para formar novos degraus na base o esquema comeca a ruir. E assim como comeca, da noite para o dia, ela desmorona causando um grande prejuizo `as bases e danos menores aos membros do topo. Mesmo com as intervencoes governamentais e o enquadramento legal dos enganadores, eles sempre restituem muito menos do que usaram. A base sempre tem que conformar-se com os prejuizos!

Capitalismo eh algo muito semelhante a este golpe. Ja existe ha milenios nas comunidades humanas. Existem algumas diferencas. Ao longo da Historia da Humanidade ele iniciou com o sistema de trocas e nao se sabe exatamente quando alguns comecaram a tirar proveito dos outros, dando maior valor ao seu trabalho, o que permitiu acumular bens.

Com o desenvolvimento das civilizacoes essa transferencia de rendimentos tornou-se maior atraves da escravizacao dos semelhantes. Ou seja, uns ficaram encarregados do trabalho enquanto outros acumulavam bens e usufruiam dos prazeres da vida. Nacoes militarmente mais fortes se impunham sobre outras transferindo riquezas para aquelas.

Com o surgimento do mercantilismo e do colonialismo esse acumulo de riquezas em maos de poucos aumentou em muito as discrepancias entre as classes chamadas pobres e ricas, ou seja, da base e topo, respectivamente. O retorno `a escravizacao, subretudo da populacao africana, contribuiu muito com a formacao pontiaguda da piramide capitalista.

O colonialismo dava o direito legal de algumas nacoes que haviam concentrado capital de explorar outras. O colonialismo teve sua morte anunciada mas nunca foi erradicado. Os paises colonialistas apenas conseguiram maquear suas formas de exploracao, assim como o mesmo se deu em relacao `as relacoes de trabalho dentro dos proprios paises.

Em periodos recentes a piramide foi definida como neocolonialismo. Este sistema baseou-se em que com a concentracao de capitais transferidos alguns paises puderam industrializar-se. Criaram-se companhias imensas. Estas espalharam filiais em todos os paises pobres que pensavam estar entrando na era do desenvolvimento somente porque passariam a produzir algo industrializado, que lhes parecia ser a marca do progresso.

O disfarce do neocolonialismo estava no fato de as grandes industrias pagarem salarios imensos aos operarios nas fabricas domesticas e salarios reduzidos nas filiais no exterior. Para isso, usavam da corrupcao para conseguir a colaboracao dos governantes dos paises pobres que vendiam seus concidadaos neste esquema de semiescravizacao.

O resultado era o de que as industrias no chamado “mundo industrializado” angariavam deficits, enquanto as filiais no “mundo em desenvolvimento” acumulavam lucros. Assim, justificava-se a transferencia de capitais dos lucros acontecidos nos paises pobres para zerar a contabilidade nos paises ricos. Foi a lei Robin Hood ao reverso.

Durante este periodo que ainda eh vigente, porem, disfarcado com outra mascara, o grande ganho acumulado pelos paises ricos permitiu-lhes desenvolver tecnologias de grande avanco enquanto os paises chamados pobres acumularam atrasos.

Atualmente vive-se uma partida de xadrez e monopolios onde os paises pobres contam com poucas pecas e jogadas que possibilitam a defesa de suas economias. E o objetivo das chamadas nacoes ricas tem sido o de sabotar quaisquer acoes que permitam aos pobres de virarem a mesa. Mas o sistema de piramide ja esta dando mostras de ruina.

Paises antes pobres comecam a reagir e dando mostras de que a piramide nao se sustentara. Como resposta, os paises ricos estrangularam os salarios dentro de suas proprias fronteiras. Mas esta luta ainda nao esta definida.

Internamente, os resultados da piramide capitalista tem mostrado o surgimento de uma forma mais aguda do projeto piramidal. Os ricos estao ficando cada vez mais ricos e as discrepancias entre as classes sociais estao se tornando cada vez mais abismais.

A piramide capitalista tem se mostrado resistente ao tempo nao acontecendo o desmoronamento que o golpe comum esta destinado. Isso se da por algumas razoes sutis. Primeiro o capitalismo, mesmo favorecendo a poucos eh legalizado. Segundo, baseia-se em multiplos esquemas combinados. Assim, os esquemas vao falindo alternadamente, permitindo que uns sustentem os outros, mascarando os prejuizos.

Em tereceiro e principal trata-se da resistencia da forca de trabalho. Esta eh exercida pela base da piramide. Trata-se de parte da populacao que mais contribui, trocando seu trabalho de hoje pela roupa e comida de amanha. Como o boi, nao sabe a forca que tem. Assim, contribui com o couro, o chifre e ate o berro eh aproveitado. Sem receber o que lhe eh devido. Porem, a base da piramide eh sempre formada pelo boi domestico. Aquele que se resigna com sua sorte.

 

6a. DEFINICAO: SISTEMA DE GOVERNO

Governos basicamente sao quase a mesma coisa em todos os paises. O principio basico eh este: existem os que mandam e os que obedecem. Isso tem ficado cada vez mais visivel. Claro, esse mando pode ser disfarcado em alguns paises.

Eles sao divididos em tres poderes: legislativo, executivo e judiciario. Os criadores do sistema tinha um sonho! Que estes tres poderes se tornassem independentes para o seu bom funcionamento. Mas, como todo sistema criado pelas pessoas humanas, mostra-se falho.

Teoricamente deveria existir um legislativo. Pessoas eleitas pelo povo com a funcao de prestar servico a ele. Estas deveriam ser as mais sabias dentre a populacao, com afinidades com o povo de sua procedencia. Como existem paises com imensas extensoes territoriais, elas deveriam ter origens regionais para, conhecendo os desafios particulares de cada regiao, atendessem as necessidades regionais.

O trabalho do legislador, em teoria, deveria ser o de, atraves de seu conhecimento de causa, elaborar legislacoes que dessem fundamento `as acoes para dar solucoes aos desafios enfrentados pelo povo. Isso torna-se importante porque muitas pessoas humanas vivem mais como as oncas que como as abelhas e para nao terem a liberdade de usarem suas proprias forcas contra as outras, precisam ter por escrito um regulamento do como se conduzir. Por outro lado, o escrito deveria ser a garantia da semelhanca de direitos para todos.

Esta atividade esta universalmente corrompida porque existe um desvio comportamental humano chamado oportunismo. Teoricamente, oportunismo nao deveria ser algo ruim, ou seja, alguem poderia usar as oportunidades para fazer melhorar a vida coletiva. Porem, o legislador oportunista usa sua posicao de vantagem para conceder oportunidade primeiramente a si mesmo e a seus correligionarios. Transformando a defesa do interesse publico em defesa de interesses proprios ou de quem lhe oferecer a melhor oferta.

O grande desafio da sociedade humana eh aprender a identificar os oportunistas para vedar-lhes a participacao em atividades que possam tornar-se prejudiciais ao grupo. O que se sabe deles eh isto: sempre estarao espreitando oportunidades e onde se abrir portas ou janelas pelas quais possam entrar para tirar proveito eles serao os primeiros a procurar entrar, mesmo sem forcar suas entradas, pois, disfarcar-se-ao do que necessario for para que lhes seja permitida a entrada

O trabalho do membro executivo, igualmente eleito pelo povo, deveria ser administrar os bens coletivos e por em pratica o que foi determinado por lei. Teoricamente, o trabalhado do funcionario do executivo deveria ser o de viver da execucao dos servicos que deveriam ajudar a manter o bom funcionamento da sociedade como um todo, sobretudo, protegendo aos mais fracos contra as investidas das oncas.

Este eh um principio ja existente desde as eras mais remotas da presenca humana na Terra, quando os desafios `a existencia de grupos humanos eram literalmente as feras. Mas os governantes se ja nao fazem parte do time das oncas, dao toda corda a elas em prejuizo do publico.

Igualmente, as funcoes tem sido exercida nao por pessoas integras como os cargos exigem. Afinal, sao cargos de confianca do povo. Ao eleger um administrador, o povo o transforma em seu procurador, para agir do ponto de vista legal como se o proprio povo fosse. Quando o membro do executivo assina qualquer contrato, ele nao esta assinando em seu proprio nome e sim em nome de quem lhe passou a procuracao para faze-lo. Portanto, se este procurador nao eh de confianca, ou representa mal os interesses de seu patrao (povo), deveria ser direito do povo demiti-lo automaticamente.

Mas isso nao acontece porque ha uma relacao incestuosa entre o executivo e o legislativo, pois, este legisla ja pensando em algum dia tornar-se um comandante no executivo. Executivo e legislativo nao sao instituicoes separadas, ja que membros dos dois poderes sao oriundos das mesmas agremiacoes partidarias. Assim, os que legislam sao os mesmos que executam e viceversa. Apenas se alternam.

O judiciario tambem deveria ser independente. Porem o sistema nao permite independencia total. Primeiro porque os juizes so poderiam julgar em cima das leis ja prontas. Portanto, o juiz honesto ja recebe a obrigacao de fazer cumprir leis que sao viciadas pelas praticas inexcrupulosas dos membros do legislativo e do executivo. O juiz pode observar a ilegitimidade de uma lei, mesmo assim tem que obedecer o que nela esta previsto.

O judiciario, que tambem eh exercido por pessoas humanas, nao esta isento dos juizos corruptos e erroneos de parte de seus membros.

Um exemplo pratico ocorrido recentemente nos Estados Unidos. Um homem usou o celular para fotografar por debaixo da saia de uma mulher em local publico. A mulher ofendida entrou na justica. O veredito foi de que, mesmo que moralmente se pudesse julgar que havia alguma violacao, as leis que regiam o uso do aparelho nao previam punicao para a atitude.

Como o assunto criou muita repercussao na imprensa, uma lei foi aprovada em questao de horas para cobrir essa omissao da legislacao anterior. Fato bastante discrepante em relacao a outras causas onde os danos podem ser considerados muito mais prejudiciais para a coletividade, mas que nao causa o mesmo furor popular.

Exemplo disso eh o reconhecimento de que falta regulamentacao melhor para legislar a respeito da presenca de imigrantes sem documentos nos Estados Unidos. Algo reconhecido pela imprensa, pela maioria do povo e ate mesmo pelo presidente. Sao milhoes de pessoas que vivem numa especie de limbo, onde nao podem seguir suas vidas normais nem retornar a seus paises. Milhoes de filhos sao separados de seus pais e familiares.

O que antes era um desafio ja virou um imenso problema ja que estas milhoes de vitimas nao tem o poder de votar e alguns legisladores desejam consertar a situacao mas a maioria pensa que nao deve, pois, corre o risco de legalizar estas pessoas e elas tornarem-se eleitores contrarios. Exemplo claro onde os interesses corporativos sao melhor tratados que o beneficio da populacao. O judiciario que deveria fazer cumprir a justica nao tem poder algum de interferir, pois, isso nao eh da sua alcada.

 

7a. DEFINICAO: REGIME DE GOVERNO

Em tempos passados haviam poucos regimes. Se o Estado fosse governado por um monarca, chamava-se monarquia. Se o Estado obedecesse as instituicoes republicanas, deveria ser governado por um presidente, e chamar-se-ia republica.

Os governantes mais antigos retinham grande poder em suas maos. Os reis, por exemplo, em sua maioria abusavam de seus poderes. Para conter essa corrupcao da intencao do legislador, introduziu-se o parlamentarismo. Ou seja, algumas monarquias continuaram a existir, porem, as funcoes dos reis passaram a assemelhar-se mais com as de um embaixardor, que se assemelha a espelhos da monarquia em relacoes internas e externas, mas nao governa. Eh mais uma atracao midiatica.

No parlamentarismo o poder executivo eh exercido por um parlamentar que eh tornado primeiroministro por seus pares. Apos `as eleicoes dos parlamentares pelo povo, estes se reunem para escolher um regente, oriundo dos partidos ou coligacoes majoritarias. Nessas reunioes fazem-se as barganhas de como o poder executivo sera compartilhado.

O primeiroministro nao tem um tempo definido de governo, pois, em caso de os pares desacriditarem dele podem aprovar sua remocao e substituicao por outro. O proprio pode decidir renunciar por suas proprias razoes. Nao havendo, porem, a necessidade de nova eleicao enquanto durar aquela legislatura.

O sistema republicano pode tambem se combinado com o parlamentarismo. Neste caso, o presidente eleito torna-se uma figura secundario no governo. O primeiroministro continua a principal.

O mais comum porem sao as republicas serem presidencialistas. Neste caso, eleito o presidente e seu vice, o primeiro assumira o comando. O segundo estara sempre na reserva para assumir em situacoes que forem exigidas.

Como foi falado no inicio, esta eh a ERA DO QUE PARECE SER, e eh o MUNDO DO FAZ DE CONTAS. Deliberadamente criaram-se corruptelas dos sistemas. E os inimigos de cada um usam a desinformacao do publico para caracteriza-los como aquilo que o publico deve detestar, manipulando-lhe a opiniao e dela se aproveitando para seus proprios proveitos.

Fantasias gerais sao as de que capitalismo e democracia sao sinonimos. Comunismo ou socialismo sao um mal representado pelo totalitarismo. Capitalismo tem que ser o antro do reacionarismo. Comunismo e socialismo sao a vanguarda da civilizacao. Ditadores sao pais de nacoes. E varias outras discrepancias cujo unico objetivo eh o de manipular a opiniao publica.

Em verdade, em verdade, devera ser dito. Os sistemas e os regimes nao sao culpados de nada. Eles nada fazem. Quem o faz sao as pessoas humanas que os regem.

O que o visitante do 4o. milenio precisa saber eh que: capitalismo, comunismo e socialismo serao regimes monetarios e nao de governo. Totalitarismo, geralmente exercido em nome de um presidente ao qual se chama de ditador, eh quando um presidente (`as vezes chanceler) comeca a ter sonhos de monarca com poderes absolutos. Ele pode transformar a vida dos cidadaos de seu pais tanto num pesadelo capitalista quanto num pesadelo comunista. Depende da preferencia do safardana.

A forma de governar um pais pode muito bem ser democratica, exercida por um presidente eleito pelo povo e tanto ser capitalista ou comunista. Nao pode ser as duas coisas ao mesmo tempo! Claro, ha a possibilidade de combinar-se valores de um e de outro no mesmo sistema.

E parece que esta eh a licao ainda a ser aprendida pelos torcedores mais radicais, pois, o que deveria importar no final de tudo seria o bem comum e nao o beneficio de uns em detrimento de outros.

 

8a. DEFINICAO: ESQUERDA-DIREITA

Estas definicoes surgiram de uma jogada de marqueteiros. Trata-se de coisa bastante antiga e baseia-se em preconceitos latentes. Especialmente nas eras mais antigas da Historia da Humanidade as minorias sempre foram perseguidas, servindo de bode expiatorio para tudo o que fosse feito de errado pelos governantes. Um fato eh o de que a maioria das pessoas humanas usa preferencialmente seus membros direitos do corpo.

Assim, as pessoas que nasciam com tendencias a usar seus membros esquerdos passaram a ser vistas como de menor qualidade e ate mesmo como agentes de algum mal. Muitos foram perseguidos por essa simples condicao natural.

Paralelo a isso, as culturas criaram metodos para conduzirem o consumo, tanto o politico quanto o comercial. A principio esse trabalho de marketing era ufanista, ou seja, criava metaforas que jogavam para o alto as expectativas populares. Uns diziam: “meu pais tem mais estrelas”. Outros: “o explodir das bombas faz os herois”. `A medida que estes incentivos mostravam-se efetivos com parte da populacao, principalmente a jovem, pessoas se dedicaram mais a observar e estudar os efeitos que palavras podem causar `as pessoas.

Desde ha muito tempo este estudo virou ciencia. A principio estudada por pessoas sem formacao academica mas com o tempo tornou-se profissao. Entre os profissionais surgiram verdadeiros magos do ilusionismo. Alguns chegam a acreditar que sao capazes de fazer as pessoas fazerem o impossivel, induzindo-as a faze-lo atraves do uso das palavras.

E o maior ou menor sucesso desses magos depende apenas da vulnerabilidade das pessoas que serao induzidas por eles. Ou seja, as pessoas menos informadas do que realmente esta se passando podem mesmo cair nos contos mais estupidos do vigario. Estas sao praticas que agora no inicio do III milenio sao abertamente usadas em marketings politico e comercial. Nao se trata mais de realizar acoes para o beneficio do povo e sim metodos de conducoes que farao o povo responder a estimulos, mesmo com consequencias prejudiciais a ele proprio.

Assim, por longo tempo as forcas dominantes na politica passaram a usar essa armadilha. Neste caso, associou-se o preconceito que ja era tradicional contra as pessoas que usavam seus membros esquerdos para apelidar as oposicoes de esquerda. As acoes de um governo poderiam estar sendo visivelmente danosas ao povo. Mas os que reagiam eram classificados como militantes da esquerda, o que induzia a muitos a nao aderir a seus movimentos, mesmo quando estes eram a favor de uma proposta melhor de governo.

Esta esperteza porem foi contratacada por outra. Ja que os termos direita e esquerda se firmaram como definicoes de governos e oposicoes, os esquerdistas assumiram a pecha e passaram a usar como sinonimo de direita os termos: conservador, reacionario e atraso.

Ou seja, dizia-se que toda direita era automaticamente conservadora, reacionaria e atrasada, enquanto as esquerdas seriam progressistas. Como o que era antes era uma farsa, essa nova farsa tambem passou a ser largamente usada. Embora o uso tivesse seu fundo de verdade, nunca foi valido para 100% dos casos. Atualmente, direita e esquerda dao definicao a um conjunto de pensamentos, onde a esquerda pode ser governo e a direita oposicao.

Na verdade, o que implica este uso eh a consequencia de `as vezes jogar umas pessoas contra as outras, nao apenas no sentido de possuirem opinioes adversarias mas no senso de faze-las tornar-se inimigas.

Para as dirigencias consideradas de esquerda ou de direita esse sentido torna-se um verdadeiro achado, pois, transforma-se no meio de puxar as cordinhas para conduzir suas marionetes dentro de um caminho escolhido por elas. As dirigencias prendem a atencao do povo a um mundo bidimensional, ou seja, no restrito mundo da esquerda/direita.

Nele as pessoas que se consideram de esquerda somente enxergam a si mesmas e aos inimigos. Vice-versa em relacao para as pessoas que se consideram de direita. A luta se torna um espetaculo primitivo e grotesco, onde a politica, que deveria ser o caminho para superar os desafios enfrentados pela humanidade, transforma-se em campo de batalha onde os meios nao interessam, o que importa sera vencer o inimigo. Algo digno de ser classificado como metodo troglodita, no mais puro senso estrito do sentido distorcido da palavra.

Este posicionamento direita/esquerda nao eh a luta do capitalismo contra o comunismo; do cristao contra o muculmano; do rico contra o pobre; ou das diversas opinioes contra suas contrarias. Eh apenas um ilusionismo cuja finalidade unica eh desviar a atencao do povo porque enquanto o povo estiver iludido, sem conhecer a verdade, os dirigentes continuarao se alternando no poder e fazendo aquilo que lhes melhor convir, nao importa se isso ira ou nao solucionar as questoes humanas.

Um fato ocorrido pode servir de exemplo associativo. Houveram dois jovens que se candidataram ao cargo de prefeito e vice-prefeito de um pequeno municipio no Brasil. Eram formados recentemente numa universidade. Como toda cidade do interior, a populacao fora tradicionalmente dividia entre dois grupos. Estes grupos nao poderiam ser necessariamente classificados localmente como direita/esquerda, pois, ambos nao se enquadram em filosofias politicas mais profundas. Representavam apenas a figura de peoes no jogo de xadrez que eh a politica no pais e no mundo.

Os jovens candidatos puderam visitar mais de 50% das casas existentes no pequeno municipio. Normalmente, boa parte dos eleitores dos municipios pequenos nao se sente confortavel em revelar em quem ira votar porque teme represalias se seus candidatos forem derrotados. O que nao ocorria diante dos jovens.

Na maioria absoluta das casas em que entraram as manifestacoes foram as mesmas: “Dessa vez nao vamos votar em voces nao. A gente sabe que voces sao os melhores candidatos, mas iremos votar no grupo A porque temos medo de que o grupo B ganhe.” Em outras casas mudavam a preferencia ao grupo B contra o grupo A. Exceto isso, tudo era igual!

Os jovens nao criam que a condicao de universitarios lhes dessem garantias de maior capacidade administrativa contra seus adversarios cujo nivel educacional era menor. Mas este conceito tambem enganoso era voluntariamente levantado pelo povo, pois, sempre ouviam essa mentira contada em ambito nacional quando um candidato `a presidencia de menor escolaridade enfrentava adversarios com mais estudos. O que eles tinham a oferecer era sua proposta de governo.

As eleicoes se passaram e os jovens nao foram eleitos. Devido a condicoes adversas nao puderam mais se candidatar. O lado que ganhou foi o que estava fora da prefeitura. Nas eleicoes posteriores a alternancia continuou. Passadas duas decadas nunca se apresentou propostas realmente novas que pudessem pelo menos aliviar a condicao de dependencia do povo.

Nao existem garantias de que os jovens fariam um governo excepcionalmente melhor segundo as expectativas populares, afinal, as pequenas cidades tornaram-se dependentes dos niveis de governo mais elevados. Aqui, porem, torna-se obvio que o medo eh uma das armas usadas pelo sistema direita/esquerda para manter-se no poder. As duas faccoes tem conhecimento dessa inseguranca popular e a manipulam de forma a impedir que alternativas `as suas formas incorretas de governar possam crescer.

A filosofia esquerda/direita nao tem necessariamente o intuito de construir uma sociedade melhor. O objetivo principal eh o de manter-se no poder. O que eh correto e o que eh incorreto nao faz parte da filosofia deste sistema.

 

9a. DEFINICAO: SOCIEDADE E CONFIANCA

“O ser humano eh o ser social”. Esta eh uma afirmativa tao antiga quanto a primeira democracia no mundo. Social implica em que haja a formacao de grupo. Ou seja, um ser humano isolado nao tem a mesma funcionalidade que quando trabalha em grupo.

Pela propria inteligencia a pessoa humana sabe que nao deve ter o egoismo da onca. Todas as pessoas humanas sabem que dependem das outras. Isso foi constatado pela especie desde seus tempos primordiais. Quando se vivia em grupos pequenos, inevitavelmente familiares, essa necessidade de associar-se era pouco percebida, pois, todos faziam tudo que precisava ser feito, porem, o resultado era que tinha-se que gastar muito tempo dedicado a buscar alimentacao. E a especie humana passou milhares de anos vivendo como os outros animais.

Com a criacao de novos instrumentos de trabalho e a descoberta da agricultura, isso mudou radicalmente. As pessoas tiveram que estabelecer-se em regioes localizadas e nelas passar mais tempo cuidando de suas plantacoes. Isso tornou-se possivel apenas porque a atividade agricola passou a produzir um volume maior de mantimentos do que retira-los da natureza atraves da caca e da coleta, embora estas nao puderam ser abolidas de imediato.

A grande ideia que permitiu o dominio da especie humana sobre todas as outras especies e sobre ate mesmo certas inconveniencias da natureza, foi a divisao do trabalho. A especializacao das pessoas tornou-se possivel a partir do momento em que alguns puderam dedicar-se apenas `a agricultura, outros `a caca, alguns `a defesa, outros mais aos demais trabalhos que permitem o funcionamento de uma comunidade.

Outro grande componente do viver-se em associacao ou em sociedade eh a confianca. Os que trabalhavam nas plantacoes confiavam que os cacadores iriam trazer-lhes carne suficiente para completar-lhes a alimentacao. Ambos confiavam naqueles que lhes preparariam as vestimentas que esperavam, em troca, receber a alimentacao necessaria. Disso puderam surgir as civilizacoes e tribos puderam ser reunidas em nacoes.

Todas as vezes que a confianca era quebrada, geralmente surgiam as guerras. E muitas foram as atitudes das pessoas humanas que resultaram em quebra de confianca. A mais comum foi a ganancia e o preconceito. Desde sempre, muitas pessoas nunca contiveram as oncas que existiam dentro de si. Elas apenas disfarcaram-se de “boasmocas”, mas sempre se postaram `a espreita para explorar as oportunidades de explorar seus semelhantes.

As atitudes mais hediondas que levaram a quebra de confianca foram as guerras com intuito unico de pilhagem e a escravizacao de alguns seres humanos por outros. O que pode parecer contraditorio eh isso: as grandes riquezas materiais iniciaram exatamente atraves da pilhagem e escravizacao. Talvez seja por isso que o grande mal a ser enfrentado pela humanidade eh o de nao reconhecer que o que permitiu a evolucao social e economica da especie foi a associacao das pessoas. E a pilhagem e a escravizacao, ao contrario de deixar a evolucao progredir, trava o progresso da humanidade.

Os metodos de pilhagem e escravizacao atuais sao fruto do ilusionismo das oncas em relacao suas presas. Muitas formas existem de fazer isso. Entre elas estao os juros, os salarios aviltantes, o subemprego, a mais valia, os contratos subliminares, o marketing de falsidades, as muitas formas de oferecer-se produtos com promessas enganosas, a corrupcao e outros. Enfim, a humanidade foi colocada `a beira de um abismo cujo resultado tem sido as quebras do contrato social inicial e da confianca.

 

10a. DEFINICAO: A TEORIA DA MAIS VALIA

O termo “mais valia” foi criado para definir uma discrepancia bem antiga. Trata-se do menor valor que se paga em troca de servico que eh recebido. Ocorre nas relacoes entre empregadores e empregados. Isso quer dizer que, pela filosofia da “mais valia”, os senhores patroes se dao ao direito de cobrar um certo imposto das pessoas que trabalham para eles.

Atualmente estes senhores inclusive adotaram a figura linguistica de “criadores de empregos” em substituicao a patroes. A verdade eh que ultimamente a palavra patrao passou a ser um dos sinonimos de explorador, entao, o recurso foi tentar disfarcar a condicao real atraves de uma expressao mais simpatica. Mas isso revela apenas uma coisa. Nao ha vontade de melhorar-se os salarios mais baixos.

Outro detalhe eh criar a ideia de que os antigos patroes sao insubstituiveis. A expressao quer dar a ideia de que facam parte do caminho unico pelo qual a sociedade avanca economicamente falando. Na verdade trata-se apenas de um marketing onde se vende a figura do eu em detrimento do nos.

“Mais valia” tratava-se antigamente da base economica entre senhores e servos. O senhor tinha o dominio das terras que eram loteadas para que os servos fizessem suas plantacoes. Quando as colheitas se davam o senhor recebia uma porcao dela, como se fosse o pagamento de um aluguel. No passado essa relacao poderia ir muito alem dessa simples operacao comercial, pois, senhores aproveitavam-se de suas posicoes privilegiadas para impor um verdadeiro regime escravocrata sobre seus servos.

Com a industrializacao, essa pratica saiu dos campos e entrou na vida urbana. Sobretudo os donos de industrias que precisavam de um maior numero de empregados exploravam despudoradamente a seus empregados. Segundo as teorias economicas, sempre havera uma defazagem entre o que o empregado rende para a empresa e o que ela seu remunera o trabalho. Essa diferenca eh a “mais valia”, que sai do esforco do empregado e passa para a empresa e seus investidores.

Ha, porem, outro tipo de mais valia que tornou-se muito comum atualmente. Quanto mais as relacoes de trabalho se diversificaram dentro da sociedade houve a necessidade de uma maior especializacao da forca de trabalho. No principio uma unica pessoa poderia ser o lider espiritual, o medico e lider politico em sua comunidade. Neste inicio de III milenio cada uma destas posicoes sao ocupadas por pessoas diferentes. E cada posicao sera exercida por muitas pessoas diferentes com niveis diferentes de especializacao.

Quanto mais a pessoa se especializa eh dado a ela um credito em beneficios financeiros. Reclamam estes que eh justo receberem um melhor pagamento devido ao tempo que precisam dedicar aos estudos em suas especializacoes. Na verdade, essa diferenca nada mais eh que uma “mais valia” e o argumento de precisar estudar para chegar `a especializacao trata-se de uma cortina que oculta a verdade.

Claro, nao se trata de desmerecer `aqueles que estudam. Trata-se apenas de chamar a atencao para o `as vezes pensar-se ser justica quando a metade do assunto se trata de “ocultacao de cadaver”. Quanto mais as relacoes sociais tem evoluido mais os profissionais tem sido obrigados a estudar e quando se trata de profissionais que viverao de empregos o ganho equivalente tem ficado menor.

Isso nao se trata de uma culpa destes profissionais que ocupam a chamada classe media. A verdade eh que a filosofia que esta estrangulando a classe media eh um reflexo da filosofia de manter o povao “em seu devido lugar”, ou seja, no sope da piramide. Quando se estuda a evolucao da economia nos ultimos 80 anos, percebe-se um ganho crescente dos ganhos reais das classes pobre e media ate `a metade do periodo. De la para ca, a classe pobre tem sido estrangulada, a media sofre o efeito colataral e a rica concentra mais riquezas, cada vez maiores em maos de menos pessoas.

Digamos, entao, que sera justo uma pessoa que se dedica aos estudos para sua especializacao receba um salario melhor. Mas quando este salario melhor chega a ser 100 vezes, 200 vezes e ate 1.000 vezes maior que aquele que o trabalhador comum, esperava-se que o senhor estudado fizesse algo excepcionalmente superior ao que o cidadao comum fosse capaz.

Geralmente, para desencargo de consciencia, as pessoas pensam que por terem estudado muito sabem tanto que isso as torna superiores aos outros trabalhadores que consideram comuns. No fundo, eh nisso que se baseiam para justificar seus salarios superiores. Pensam elas que existe algo especial nelas que as fazem merecedoras, afinal, nao ha necessidade de estudar-se tanto para capinar uma roca, ser um motorista, ou cortar a cana que ira adocar a vida de todos!

No fundo, a “mais valia” eh o fruto do preconceito de que o eu eh mais importante que o nos. Esquece-se que so se torna possivel que alguns estudem porque existem aqueles que comecam a trabalhar sem estudar. Que enquanto se esta estudando, continua necessario consumir-se alimentos que precisam ser produzidos ininterruptamente, eh preciso calcar, vestir, e fazer funcionar todas aquelas coisas que fazem o nosso dia-a-dia menos trabalhoso, para que tenhamos tempo de estudar. Afinal, ninguem pode ficar anos sem se alimentar enquanto estuda.

Esta eh uma das clausulas rompidas do contrato social inicial. Ou seja, eu te ajudo nos tempos de sua dificuldade para quando chegar a minha ora de dificuldade nao precise te pedir esmolas, pois, voce ficara feliz e agradecido por ter a oportunidade de retribuir o que fiz por voce. Ora, quando as pessoas se reuniam em pequenos grupos, que eram necessariamente familiares, tornava-se um sacrilegio romper essa clausula, pois, era o mesmo que renegar a seu pai e sua mae.

Mas como a populacao multiplicou-se muito, criou-se essa separacao: entre aqueles que sustentam a sociedade e aqueles que usufruem dos beneficios sociais. A verdade eh que o orgulho fez com que uns fossem tornados menos importantes que outros, embora todos procedam de uma matriz genetica unica. Devido `a multiplicacao do numero de pessoas tornou-se possivel a uma parte das familias se especializarem nos servicos da base da piramide e outras em area mediana, por isso as pessoas da area mediana romperam com a base, pensando que esta nao faz parte de sua familia!

O preconceito eh a pessoa em escala social considerada mais elevada olhar para os que consideram inferiores e pensar que merece ser muito melhor remunerada porque o que ela faz eh superior ao que as pessoas da base sao capazes de fazer. As pessoas que ocupam as classes medias costumam olhar as classes das bases e pensar que elas nao estudaram e nao sabem fazer o que tais pessoas fazem, mas que elas seriam capazes de fazer perfeitamente o que os das classes da base fazem.

Dois enganos neste tipo de pensamento. O primeiro eh o de que se se der oportunidades iguais `as criancas oriundas de familias de baixa renda elas demonstrarao indices iguais de inteligencia aos das criancas oriundas das classes restantes, portanto, tem o potencial de, estudando, ocupar qualquer profissao da escala social. Isso demonstra que a diferenca esta nas diferencas de oportunidades e nao na qualidade das pessoas.

Outro detalhe. As pessoas que ocupam faixas mais elevadas da piramide sempre pensam que os da faixa abaixo nao seriam capazes de fazer o mesmo que elas fazem. Se nao terao as mesmas oportunidades eh logico que isso se torna uma verdade. Porem, faca-se o contrario. Tome-se as pessoas que pensam ser superiores porque ocupam faixas economicas mais elevadas na sociedade e ponham-nas para viver dos trabalhos executados pelas faixas de baixa renda da piramide.

As pessoas e seus preconceitos poderao, claro, tornar-se ate melhor trabalhadoras que uma parte dos trabalhadores de baixa renda porque existem variacoes de competencia em todos os setores. Mas somente ficara provado que existe pessoas superiores `as outras quando houver aquelas que serao capazes de produzir em seus trabalhos, guardando igualdade de condicoes, as 100, 200, ou 1.000 vezes a producao que as outras tem capacidade de produzir.

O dia que alguem cortar cana, com os proprios recursos fisicos, 100, 200, ou 1.000 vezes o que um trabalhador comum for capaz, entao, estarao justificadas essas diferencas de ganhos que muitos acreditam serem justas mas que, ate provarem o contrario, sao apenas ilusorias.

 

11a. RELIGIAO

Religiao eh uma palavra derivada da lingua latina, “religare”, cuja intencao eh descrever um retorno para Deus. Segundo as teorias religiosas das maiores religioes da Terra, o ser humano seria uma criatura moldada por Deus que, por desobediencia a seu Creador, foi condenada a servir um tempo separado da Pessoa Santa. Durante essa passagem pela materia a pessoa humana deveria receber os preceitos que a fariam reconciliar com Deus podendo, entao, receber a permissao de voltar `a Presenca do Pai. Falhar nessa missao pode significar o banimento eterno.

Dentre o que se acredita em religiao somente um item pode ser comprovado e eh o fundamental em todas as religioes, ou seja, Deus existe.

Sim, nessa passagem de milenio ainda existe uma controversia enorme quanto a admitir-se isso. Entre as proprias pessoas que creem existem as controversias, pois, uns afirmam que Deus fez isso ou aquilo, em franca contradicao de uns para com os outros. Os que nao creem tomam como base estas contradicoes para concluirem que Deus nao existe, afinal, se uns dizem que Deus falou algo e outros dizem que Deus falou o oposto, entao, ha nisso uma clara evidencia de que Deus seja criatura da imaginacao humana.

Mas a verdade eh unica. Nao existe polemica no mundo em que se chegue `a unanimidade, pois, faz parte da natureza humana ser contraditoria. O conhecimento de que a Terra era esferica remonta a tempos ancestrais, porem, a teoria de que fosse uma base plana sustentou-se como contradicao por muitos e muitos seculos, ate que as viagens de circunavegacao da Terra puderam provar sua forma esferica. Mesmo assim, ainda existem uns poucos que duvidam, seculos depois! Ignorancia existe em todo setor e nivel humanos.

Como se pode comprovar a existencia de Deus eh relativamente facil. Mas enquanto a “circunavegacao” comprobatoria nao acontecer, a controversia permanecera por causa da natureza humana.

Mas a verdade eh esta: pode a absoluta inexistencia fazer surgir a existencia? A absoluta inexistencia eh o absolutamente nada. Ou seja, eh algo sem tempo, sem materia, sem espaco, sem energia, sem principio, sem fim, sem leis, ou seja, eh o completo vazio. Por mais inacreditavel que possa parecer, a resposta sera nao. A inexistencia nao pode criar a existencia. Portanto, a existencia so pode surgir a partir da Existencia.

Este eh o ponto em que os cientistas esbarraram quando criaram a “Teoria do Big Bang”. Por essa teoria, o universo conhecido no inicio do III milenio surgiu a partir de um evento, numa fracao infima de tempo, que ocasionou uma explosao colossal. Esta explosao liberou tamanha energia que resultou na formacao da materia. A materia evoluiu por meio de eventos que vem ocorrendo ha cerca de 16 bilhoes de anos. Entao os eventos e fatos tem sido desvendados pelos cientistas.

Acontece que os conhecimentos cientificos comecaram a questionar a teoria deste inicio, pois, o que teria provocado tamanha explosao? Por mais que procurem explicar, nao se deu uma resposta a isso. Teoriza-se a respeito da existencia de outros universos. Alguns pensam que o universo em que vivemos seja o resultado da friccao de dois outros universos que, ao se tocarem, criaram o “Big Bang”. O que implica na existencia de algo antes da existencia do que eh conhecido pelas pessoas humanas atuais.

Outra teoria seria a de que este universo seria o resultado da evolucao de um universo anterior que pode ter sido gerado por outro anterior e que o nosso caminha para a criacao do proximo, numa sequencia infinita de universos.

Pode parecer complicado para os simples mortais que estao preocupados com o que terao para comer amanha, com o que terao para vestir-se na proxima festa, e o como fazer para conseguir o dinheiro que precisam para pagar suas contas. Os cientistas ja trabalham num mundo onde contam os anos em bilhoes, as distancias em anos luz e as medidas desde o extremo maior ate ao extremo menor. Mas nos queremos mesmo eh saber o que se passa nos proximos dias ou, no maximo, daqui a um ano!

Acontece que pessoas do passado remoto ja haviam chegado `a conclusao, e muitas pessoas tem se dado por satisfeitas, e somente agora os cientistas estao chegando `a mesma conclusao. Ou seja, a existencia vem da Existencia que eh infinita. Os filosofos antigos chegaram a conclusao de que: “Ha um so Deus, que nao teve inicio nem tera fim, e que Creou tudo o que conhecemos.”

Este eh o principio basico. Dai para frente as coisas evoluiram de acordo com a Historia da Humanidade. Nesta evolucao, pensadores passaram a questionar: “Ora, ja que Deus existe, o que faria Ele nesta situacao que agora estamos enfrentando?” ou “Como Deus existe, quais os regulamentos que Ele ditaria para nos humanos?” Estes questionamentos foram sendo respondidos de acordo com culturas e fases do desenvolvimento humano. Os conceitos de culturas mais antigas foram influenciando as que se seguiram.

Ao conjunto destas respostas chamamos de credos, crencas, crendices e dogmas e a isso se da o nome de religiao. Os credos podemos definir como respostas com nivel aceitavel para questoes. Crencas sao respostas intermediarias. Crendices eh a absoluta falta de sentido, porem, as pessoas creem em funcao de suas ignorancias. Ja os dogmas sao semelhantes `as crendices. Por falta de alguma resposta para determinada questao, os lideres em cada religiao determinam que tal assunto fica fora da pauta de discussoes creditando a resposta exata a um segredo reservado por Deus para Si Proprio. Como se Deus fosse pessoa para segredos!

O Que e Quem eh Deus eh um desses dogmas. Na verdade, a pessoa humana tem a consciencia da existencia de Algo muito superior ao Que se credita o Poder de ter Creado todas as coisas. Esta Pessoa Poderosa eh Quem chamamos de Deus, sem conhecer-Lhe a natureza exata. Apesar disso, ousou-se definir que o ser humano foi Creado `a Imagem e Semelhanca de Deus. Algo bastante contraditorio, pois, na pratica tambem eh dito que a pessoa humana e oposta `a Divina.

O certo, porem, foi que as religioes se formaram e se firmaram, tornando-se fundamentais para a organizacao da sociedade humana. Elas tiveram tanta influencia que por milenios fazia parte da governanca das civilizacoes. Muitas eram inclusive chefiadas pelo sacerdote supremo da religiao dominante nos imperios. Outras separavam o poder temporal do poder religioso, contudo formando um conjunto que governava de comum acordo.

Somente nos seculos recentes com a fundacao dos sistemas republicanos de governo foi que preferiu-se separar estes dois poderes. As pessoas mais civilizadas perceberam que, por melhores que fossem as pessoas, o excesso de poder corrompe. Muitas vezes sacerdotes que governavam abusavam de seus poderes. A solucao encontrada foi separar os poderes temporal do religioso e fatiar o poder temporal em tres: executivo, legislativo e judiciario.

Mas estas definicoes nao valeram de imediato para todos e frequentemente houveram os usurpadores que sequestraram essa nova ordem, tomando para si ou para alguns poucos a reuniao dos poderes. Estes formaram os regimes ditatoriais, exercido por um ditador ou por uma junta ditatorial. Em alguns casos com a colaboracao dos membros do clero.

Como seres humanos primitivos chegaram `a conclusao semelhante a dos atuais cientistas nao se pode afirmar mas ha uma boa resposta. Buscando pela logica temos que: uma criatura que ignorasse completamente a Existencia de seu Creador jamais procuraria fazer a Vontade Dele. Portanto, uma possivel solucao seria o implante de alguma consciencia inata nestas criaturas. `A medida que as criaturas buscam explicacoes para os fatos que as cercam, esta consciencia vai aos poucos sendo ativada.

Isso seria como um jogo de evolucao. Mas nao cabe aqui esgotar todas as respostas da questao. Basta saber-se que existe essa consciencia inata e que nem todos a atingem, nem ao mesmo tempo nem no mesmo nivel. Esse processo de aprendizagem eh inerente `a materia. Isso ocorre em relacao a todas as outras areas do conhecimento humano.

Neste inicio de milenio existem tres religioes mais conhecidas no Ocidente da Terra, as quais sao monoteistas. Sao elas: judaismo, cristianismo e maometismo, segundo a ordem de seus surgimentos. O judaismo eh numericamente quase insignificante mas de grande importancia para as outras duas devido a ter passado a elas como heranca muitas de suas tradicoes.

O Cristianismo eh a mais numerosa, contando com duas faccoes. A mais numerosa chama-se Catolica, com cerca de 1.5 bilhoes de seguidores. A outra foi uma dissidencia desta, chamada de Protestante. A Protestante primeiro dividiu-se em ramos diferentes. Estes ramos deram origem a outro, o Evangelico. Protestantes e Evangelicos reunem milhares de denominacoes diferentes. Nao tem um centro unico de governanca. E contam com mais de 1 bilhao de seguidores.

A Religiao Muculmana eh mais numerosa que a faccao catolica da religiao crista. Embora nao seja maior que o conjunto cristao. Divide-se em diversas faccoes entre as quais destacam-se sunitas e xiitas.

Estas tres religioes atuam tambem no oriente do Planeta. Contudo, considerando a area como um todo, existem outras religioes mais populares, sendo estas politeistas, destacando-se o Induismo e o Budismo. Estas duas tambem sao subdivididas em milhares de cultos diferentes, seguindo principios basicos comuns.

Alem dessa diversidade o Planeta conta com outros milhares de religioes.

Mas tambem ja existem uma parte consideravel da populacao planetaria que nao cre na Existencia de Pessoa Divina alguma. Mas isso faz parte de uma equacao unica, pois, a funcao dos que nao creem eh levantar os questionamentos que deveriam ser respondidos pelos que creem. O desafio eh fazer com que os que creem aceitarem que isso eh bom ja que as questoes respondidas os faria melhor crentes.

O desafio a ser superado eh tornar democraticas as pessoas que se dizem religiosas. Sao muitas que detem o poder religioso e nao se conformam com os questionamentos, escudando-se no falso principio de que a fe eh o que da forca `a religiao. Mas este eh um engano, pois, por ser uma caracteristica humana, toda fe pode ser enganosa.

O contrario da fe eh o conhecimento. Isso pode ser atestado por uma argumentacao simples. Todas as pessoas que creem sabem que Deus tudo Sabe e a tudo Conhece. Sendo a fe uma expectativa de coisas que se deseja que acontecam e evidencia daquilo que nao se ve, entao, ela eh diferente de conhecimento. Isso porque o conhecimento eh a garantia, a certeza. O saber descarta a necessidade da expectativa, o conhecimento se baseia em fato e nao em evidencia. O conhecimento eh a esfera ja circunavegada. Portanto, o Conhecimento tem origem Divina e deve ser procurado. Fe sera algo necessario ao ser humano ao qual falta conhecimento!

No inicio do III milenio ainda eh perigoso questionar-se os dogmas religiosos, pois, existem muitas pessoas que creem sem ser democraticas e nao aceitam que a fe delas seja questionada nem mesmo pelo conhecimento. Elas se apegam `a fe pensando isso ser conhecimento. E a isso chamam de sua religiao.

 

12a. DEFINICAO: TEOCRACIA

Entre os regimes de governo nao mecionados anteriormente, as teocracias nao foram incluidas por serem menos usadas. Mas as teocracias sao regimes que se adaptam aos outros. Pode-se ter monarquia ou republica, ser parlamentarista ou presidencialista e tambem ser uma teocracia. As teocracias usam a ficcao de afirmar que Deus eh quem governa e homens apenas exercem o poder em Nome Dele.

Esta eh uma das alegorias mais grotescas que se pode imagirnar contudo existem pessoas que dao suas vidas pela defesa de isso ser uma verdade. Pior, sao mesmo capazes de matar os que conhecem o teor e se manifestam contra essa ilusao. Claro, existem muitas pessoas cheias de boas intencoes que creem nessa inverdade e se deixam enganar por falta de filtro no que acreditam. Nao poderao ser condenadas por suas proprias ignorancias!

Existem tres exemplos claros de teocracias nestes tempos bicudos. Regimes teocraticos geralmente estao relacionados `a religiao muculmana. Em epocas medievais, a civilizacao muculmana tornou-se a mais evoluida de todas, conseguindo um grande desenvolvimento tecnologico e conquistando um dos maiores imperios ja existidos na Terra. Mas o explendor nao evoluiu.

Com o fim da Idade Media e o dominio das rotas de comercio pelos reinos cristaos, o antigo Imperio Muculmano foi sendo reduzido e colonizado pela nova forca motriz da economia mundial. Sob a condicao de dominados, os povos muculmanos tornaram-se mais tradicionalistas, mais apegados a usos e costumes que remontam `a epoca de seu explendor. E entre os principios que ainda nao haviam surgido `a epoca deste explendor inclui-se a democracia. Por isso, as teocracias muculmanas nao defendem a democracia como valor a ser respeitado.

Nao se pode afirmar que todas as teocracias muculmanas estao no mesmo nivel antidemocratico. Os teores e graus de ditatorialismo teocratico variam. Entre os exemplos praticos da teocracia muculmana encontram-se os regimes da Republica Islamica do Iran, da Arabia Saudita, e os mais radicais a exemplo do reinvindicado pelo grupo chamado de Taliban.

Este ultimo grupo defende um governo teocratico com aplicacao de leis conhecidas como Sharia. Eh um conjunto arcaico de leis que inclui outras como a Lei do Taliao. O taliao impunha uma reciprocidade contra as quebras da lei, ou seja, os assassinos seriam mortos, uma mao cortada era punida pelo corte da mao do culpado, um olho vazado ordenava o vazamento do olho de quem provocou o primeiro.

A impressao de justica neste tipo de lei a torna desejada por pessoas com menos dotes civilizatorios. Tudo parece justo na descricao, exceto na analise de consequencias. Uma delas eh o de que a lei seria aplicada por pessoas humanas, reconhecidamente imperfeitas. Algumas dessas pessoas e suas imperfeicoes podem levar `a condenacao de inocentes por erros involuntarios. Em outros casos, pessoas imperfeitas sempre fizeram uso desse tipo de lei, quando tiveram oportunidade, para perseguir seus desafetos.

Outro regime teocratico eh o governo do Estado de Israel. Este eh um exemplo de teocracia judaica. Voces do IV milenio sabem o fim que este regime levou. Nao precisa descrever aqui tambem.

Tambem o catolicismo tem seu exemplo de teocracia. Trata-se da Cidade do Vaticano. Nada mais eh que um enclave no territorio italiano que ocupa um espaco reduzido dentro da Cidade de Roma. Em termos legais eh considerado um Estado, governado por seu rei que eh chamado de papa. Nao se trata exatamente de uma nacao, ja que o territorio alem de reduzido nao eh ocupado por uma populacao regular.

O Vaticano em verdade eh a sede da Religiao Catolica. De la seu rei emite seus pareceres para cerca de seus 1 bilhao e meio de incluidos na religiao. Contudo, estes incluidos nao sao cidadaos. Sao seguidores com maior ou menor afinidade com sua dirigencia. Do Vaticano o papa fala mas de longe somente uma parte dos catolicos realmente segue seus principios.

Os cidadaos do Vaticano nao passam de um milhar. Fogem completamente `a descricao de cidadaos com nacionalidade, pois, o regime catolico preve o celibato para seus sacerdotes, portanto, nao ha formacao de familias no sentido regular da palavra. Eh possivel que seja o Estado com a idade media mais elevada do planeta, porque os cidadaos nascem em outros lugares, tem sua formacao nos paises de origem e somente se alcancam algum favor da hierarquia catolica eh que poderao tornar-se cidadaos efetivados. Ou seja, quando ja em idade adulta.

As relacoes entre o Vaticano e os seguidores da Religiao Catolica sao dificultadas por causa dessa estrutura antiquada de governo. Devido a exercer certa lideranca sobre as mais variadas linhas do pensamento e concepcoes religiosas, existe uma grande lentidao na atuacao burocratica da Igreja. Exemplos dessa dificuldade sao os assuntos que dividem os ultraconservadores e os liberais catolicos.

Catolicos liberais, principalmente aqueles radicados nos Estados Unidos, cuja tradicao tem sido mais liberal em relacao `a maior parte dos outros paises, estao ha decadas reinvindicando a liberacao dos casamentos para o clero, a restituicao do divorcio e uma serie de outras mudancas que o Vaticano sempre se postou contrario, independentemente das consequencias. Tais mudancas, porem, nao sao respondidas atraves de dialogo aberto mas por alegacoes dogmaticas.

Esta eh uma das razoes pelas quais o crescimento numerico do catolicismo desacelerou nos ultimos 50 anos, tornando-se ate mesmo negativo em alguns paises de tradicao quase exclusivamente catolica. O crescimento `as vezes nao eh negativo como tem acontecido na Europa, porem, a percentagem do crescimento da populacao como um todo tem sido superior ao crescimento dos adeptos da religiao. Exemplos dessa condicao particular sao os paises da America Latina.

Outro exemplo de teocracia eh o Reino Unido, onde o rei eh considerado tambem o chefe da Igreja Anglicana. Contudo o reino ingles eh virtualmente representativo e nao eh governado por seu monarca.

 

13a. DEFINICAO: FILOSOFIA DO TER E DO SER

No inicio deste III milenio talvez nunca antes o ter tenha sido tao dominante sobre o ser. Nao ha um motivo unico para isso ter ficado assim. Existe toda a Historia da Humanidade induzindo `a multidao a buscar seguranca no possuir. Porem, o ultimo seculo foi decisivo no levar a populacao a esquecer o ser e adorar o ter.

Em tempos anteriores, o ter estava submisso a uma ordem imposta pelas instituicoes que existiam. Como o sistema predominante de governo era o monarquico, o ter era uma concessao do rei. Toda atividade economica era submissa ao monarca que reservava para si e para seus achegados os melhores quinhoes da economia. Com a intensificacao da atividade comercial e o colonialismo as riquezas se multiplicaram e as chamadas pequena e alta nobrezas puderam usufruir dos beneficios.

A populacao de um modo geral foi alienada deste processo, porem, era conformada com sua sorte, pois, se nao era escrava ou silvicola, podia agregar-se a algum nobre, ofertando-lhe o trabalho em troca de local para morar, produzir alimentos e vestir-se. Eram as atividades regulares exercidas pela populacao. A atividade economica era principalmente agropastoril e a comercial dependente desta atividade primaria.

Com a industrializacao e a ocupacao das terras disponiveis na maioria dos paises, as atividades agropastoris e comerciais foram perdendo a importancia e sendo substituidas por atividades industrializadas. Isso promoveu a concentracao das populacoes em zonas urbanas. A principio, essa populacao urbana foi submetida a sistema semelhante de servilismo que existia na vida agraria. Mas o servilismo era mais drastico, pois, no campo havia uma certa independencia para produzir-se algo por conta propria. Na vida urbana o operario esta reduzido a seu salario e compra de acordo com o que eh possivel estica-lo.

Houveram revoltas e muitos sofrimentos para tentar ajustar-se estes salarios `as necessidades da pessoa humana. Este ajuste ocorreu de forma diferente em cada pais do planeta. Sendo que no inicio deste III milenio pelo menos 30% da populacao humana vive em condicoes abaixo da linha de pobreza e outro tanto tornou-se pobre.

Em contraste a isso, a industrializacao e a descoberta de novas tecnologias passaram a oferecer uma gama quase infinita de produtos novos, que nunca foram contemplados pelas geracoes anteriores. Tornou possivel ter-se tudo, desde que se tenha o dinheiro para isso.

Com o surgimento da tecnologia tambem multiplicou-se as formas de ganhar-se dinheiro. Algumas profissoes antigas continuam tendo demanda, embora nao nos mesmos moldes do passado.

Uma das principais razoes para o ter ter-se tornado tao almejado pelas pessoas humanas eh o carater do defeito da vaidade. Normalmente, uma pessoa humana pode estar satisfeita com o que possui, mesmo que nao seja algo visivelmente espetacular. Para muitas, o desafio eh ver que o vizinho tem algo que elas nao tem. Entao, a vaidade as induz a competir umas com as outras.

Ter aquele aparelho de televisao de 32 polegadas deixa de ser sonho a partir do momento que o vizinho comprou uma de 42 polegadas. Entao, o objetivo passa a ser obter-se uma de 60. Nao importa que a programacao apresentada sera a mesma, os envolvidos nas apresentacoes serao os mesmos, o conteudo tambem sera o mesmo! Importante passa ser possuir algo maior ou melhor do que o que o vizinho tem.

Junto a isso, surgiram as discrepancias maiores entre os que tem e os que nao tem. Nao sem motivo, algumas profissoes passaram a ser regiamente remuneradas, enquanto outras nao apenas nao evoluiram, ate mesmo encolheram salarialmente falando. Naturalmente, estas profissoes regiamente remuneradas nao sao para todo mundo. Os ocupantes de tais cargos representam uma parte infinitesimal da populacao humana, porem, que servem de exemplo que a sociedade deseja para seus filhos.

Entre tais profissoes inclui-se os atletas de primeira linha, os profissionais das diversas midias melhor estabelecidas, os politicos (particularmente os corruptos), alguns atuantes na area de moda, cantores de qualquer genero de musica que desperte o interesse de algum publico, etc. Estes profissionais, exceto os politicos, podem ja, desde sua tenra idade conseguir contratos milionarios, algo que o trabalhador regular nao somara nem mesmo durante toda a sua vida de trabalho.

Obviamente, estes exemplos nao sao as grandes riquezas do Planeta Terra. Estes sao apenas o espelho daquilo que eh mostrado `a populacao, para que ela pense que eh mesmo possivel que qualquer um pode atingir o status de estrela, bastando ter um sonho e trabalhar por ele. A populacao eh mesmo assim! Enxerga somente um lado da moeda. Age como o burro puxando carroca sob a visao de uma cenoura!

Nao percebe que todos tem um sonho de poder aquisitivo. E que os sucessos serao contados nos dedos. Ela nao enxerga que nao ha espaco na piramide social para que pelo menos uma quantidade razoavel de pessoas atinja o mesmo nivel. Nao enxerga que o que resulta disso eh um milhao de frustracoes para cada sucesso.

Outro desafio para a populacao eh aprender a nao reagir como a manada de gnu. Certo, nao no bom sentido de associar-se para superar algum desafio. Ela se associa no agir como gado. Esta expressao ainda em uso no inicio do III milenio deriva do dominio dos rebanhos de animais pelo ser humano. O ser humano percebeu que os rebanhos escolhem um lider para imitar-lhe o exemplo. Assim, as pessoas humanas adestravam e tornavam doceis os lideres dos rebanhos, e estes acabavam fazendo indiretamente o que o ser humano queria, o fazendo por imitacao.

As pessoas do povo nao atentam para as consequencias do que suas liderancas fazem porque seguem a outros como se fosse gado!

No incio deste III milenio, o ter eh o mais popular. E o ser eh interpretado como: ser jogador de futebol, ser ator de qualquer coisa, ser jornalista que esconde as verdades, ser cantor, ser atleta de primeira linha em qualquer modalidade, ser politico, etc. Em tudo isso ha o ser inconsequente.

Quanto ao ser bom, ser fiel, ser honesto, ser de confianca, ser realizado, ser feliz e outras coisas mais que a pessoa humana valorizou no passado esta sendo relegado a valor inferior a ser prostituta. Alias, diga-se de passagem, prostituicao tornou-se profissao que pode levar o prostituido a uma vida bastante digna! Nao ha aqui que discriminar-se a profissao da prostituicao dita a profissao mais antiga do mundo. Mas o deixar-se vender. A prostituicao profissao tem pelo menos uma utilidade!

 

14a. DEFINICAO: PRECONCEITO

Preconceito eh uma patologia social seria, porem, bastante negligenciada pelas forcas dominantes porque sempre a usaram para o seu proprio favorecimento. Ela eh disseminada com muito mais eficacia que o virus da gripe. Devido a seu tempo longo de incubacao as pessoas nao percebem que estao adoencendo e tambem nao percebem que sao doentes, por causa dela ter um carater endemico, manifestando-se ocasionalmente como epidemia.

O animal reservatorio eh a pessoa humana. O vetor da doenca sao suas proprias palavras e atitudes. O quadro da doenca nao se manifesta de forma homogenea. Como biologia nao eh matematica, todos sao portadores do virus, contudo, a manifestacao depende da formacao dos carateres.

O preconceito eh algo que nao nasce com as criancas. Elas nada sabem e nao tem como fazer julgamentos nem falsos nem verdadeiros. Porem, todas sao susceptiveis a contrair essa “virose” porque eh uma doenca mental implantada no cerebro em formacao. A mente infantil eh um papel em branco onde grande parte do seu comportamento sera escrito atraves daquilo que ela ver e ouvir ate enquanto nao tiver personalidade propria. Uma vez escrita uma norma enganosa e nao corrigida, quanto mais velha for tornando a pessoa mais dificil sera a remocao da programacao errada.

Um exemplo associativo de como nasce o preconceito pode ser feito com o uso da cor da pele. Os leigos precisam saber que as cores da pele nao caracterizam raca, e nao existe diferenciacao suficiente para caracterizar pessoas com pele de cor diferente como de racas diferentes. No inicio deste terceiro milenio existe apenas uma raca, a raca humana. Racas que existiram anteriores a esta foram extintas ao longo da evolucao humana.

Ao que se sabe neste inicio de III milenio, o ser humano surgiu na Africa. Todos os ancestrais humanos tinham a tonalidade negra de pele. Com o passar do tempo um grupo separou-se e por habitar regioes mais proximas ao polo norte, de menor incidencia solar, necessitou que a pele tornasse branca para possibilitar a sintetizacao de vitamina D num quadro de incidencia menor de raios solares. Durante a evolucao surgiu tambem a pele considerada amarela, com outras adaptacoes e ocupou o Oriente e as Americas. Em nenhum momento isso constituiu novas racas. Sao diferenciacoes da mesma raca.

O conceito de racas para pessoas humanas remonta a um tempo primitivo em que alguns viram nisso a oportunidade de explorar aos outros. A exploracao de outros torna-se justificavel no sistema preconceituoso de explorador/explorado quando se inventa meios para diferenciar as pessoas, separa-las em grupos aos quais se coloca um selo de superior/inferior. Estas classificacoes cheias de farsa tem o objetivo de desonerar as consciencias.

Ou seja aquele que se julga superior pensa que pode abusar do pobre porque ele eh rico e da pessoa de pele de cor negra porque ele eh branco, pois, aqueles em seu conceito deturpado sao inferiores. Assim, a exploracao deixa de ser um motivo de vergonha, pois, torna-se um “direito”.

Para que tais desvios de comportamento se tornem aceitos nas comunidades humanas, a mentira eh repetida quantas vezes necessario para que crie um clima de aceitacao como se fosse verdade. Isso tem sido usado muito frequentemente neste inicio de III milenio como relacao aos mais variados assuntos.

Mas o preconceito eh implantado nas mentes das criancas quando seus pais, ou pessoas ao redor delas, usam palavras ofensivas contra o objeto de seu preconceito. Se a pessoa relaciona um servico mal feito `a cor da pele de um empregado, isso vai ficando impresso na mente da crianca. Quando esta assiste apresentacoes de teatros e seus similares, onde os papeis principais sao sempre representados por pessoas brancas, de beleza exuberante, e de fino trato, enquanto, os papeis de servicais sao sempre representados por pessoas de outras cores de pele, alem disso se mostram menos inteligentes e sem nenhuma iniciativa propria, isso fica gravado na mente da crianca.

Outra forma de criar falsas imagens se da quando os noticiarios dao detalhes de crimes acontecidos nas periferias deixando entender isso ser algo tipico de classes mais pobres, normalmente com pele de cor diferente do da cor branca pura, sem explicar as razoes historicas da pobreza, ocorre um desvio claro da realidade que ficara imprenso nas mentes em formacao.

Ate quando se exibe o sucesso, mostrando sempre que as pessoas de pele negra sao otimas para se tornarem esportistas e cantores de qualquer genero, pode tornar-se uma armadilha para a mente da crianca em formacao, pois, ela podera tomar isso como norma de que as pessoas com a pele de cor negra so prestam, no maximo, para se tornarem exportistas ou artistas cenicos de sucesso.

Apos essa formacao distorcida, o preconceituoso esta pronto. O preconceito ira manifestar-se quando, em qualquer idade, a pessoa com a personalidade distorcida for a um hospital e la deparar-se com um medico com a pele de cor negra. Automaticamente o cerebro dessa pessoa reagira contra a situacao, pois, nao concebe uma pessoa com a pele negra tornar-se medica. Ela sofre do controle da mente sem o saber.

A manifestacao tambem se da quando o adulto ja casado tem filhos que fazem amizade com coleguinhas com pele de cor diferente da sua. Este fica aterrorizado quando tem a noticia de que uma filha comecou a namorar um rapaz diferente de sua cultura. Ou seja, o preconceito se manifesta todas as vezes que para o preconceituoso alguem esta exercendo uma funcao que nao lhe compete: por causa da cor da pele, por causa do seu poder aquisitivo, por causa de sua escolaridade, enfim, por todo e qualquer motivo injusto.

Importante eh tambem quantificar a dosagem de preconceito. Embora o preconceito seja um erro, a priori nao tem que ser um pecado. A pessoa ser pega de surpresa por essas coisas eh aceitavel, pois, trata-se de uma programacao enganosa no cerebro independente de sua propria vontade. Porem a propria natureza oferece certas escapatorias que chamamos de racionalizacao da questao.

Por ter ouvido falar tambem na questao do preconceito e saber ser algo ruim, a pessoa honesta ira procurar deletar sua programacao enganosa e substitui-la pela verdadeira. Alguns conseguem fazer isso perfeitamente, reprogramando-se de acordo com a verdade e nao com os implantes falsos. Mas por nao ser matematica, existe toda uma porcao de pessoas que assume posicoes intermediarias ate ao extremo de defender os implantes falsos como verdadeiros. Estes sofrem de um quadro incuravel da doenca. Nada se pode fazer por eles senao trata-los com caridade.

Estes sao aqueles que agitam a populacao atualmente afirmando que “nao precisamos de politicas afirmativas” na busca de incluir os excluidos historicos. No fundo sabem que se nao houver cotas de inclusao nas universidades, nos empregos publicos etc, as irregularidades serao mantidas para sempre. Dizem que os pobres e de cor de pele diferente nao precisam de cotas de inclusao e sim de melhor educacao e trabalho.

A proposicao parece justa, apenas com dois detalhes. O primeiro eh o de que toda melhoria da educacao somente surtira efeito a longo prazo, portanto, os excluidos de tempos atras jamais serao beneficiados. Alem disso a educacao publica, o possivel destino de 99,9% dos excluidos, jamais sera considerada realmente boa, baseando-se na retrospectiva dos seculos de Historia desse sistema de educacao.

O segundo sera o de que nao importa qual for a melhoria feita nas escolas publicas, os ricos sempre terao a oportunidade de melhorar o desempenho de seus filhos adquirindo algo melhor. A possibilidade de implantar-se alguma justica ai seria a de obrigar a todos a frequentar o mesmo sistema de ensino. Neste caso, os ricos que desejassem investir num melhor sistema de educacao para seus filhos seriam obrigados a investir igualmente para todos os colegas deles. Mesmo assim ainda haveriam formas de burlar o sistema, pois, os mais ricos poderiam educar seus filhos, como ja o fazem, fora do pais.

Portanto, enquanto a sociedade nao for justa para todos, os sistemas de cotas nao sao o melhor remedio para curar a ferida, porem, eh uma tentativa de que isso venha a tornar-se possivel algum dia.

Mas o pior do sistema preconceituoso eh ele atingir igualmente a todas as criancas. Ele age dentro das escolas quando se formam as classes dos adiantados e as classes dos atrasados. Quando um representante das minorias perseguidas eh punido com mais rigor que o representante das maiorias dominantes, apesar das faltas terem sido de mesmo nivel.

O preconceito age na formacao das personalidades das criancas que sao vitimas dos preconceitos, pois, elas tambem passam a se enxergar somente como atletas de primeira linha, artistas das diversas modalidades e criminosos das favelas. Acabam tornando-se incapazes de sair do ciclo vicioso imposto a elas, pois, por serem filhos de servicais, perdem as esperancas de se tornarem “alguem na vida”.

Enfim, o sistema preconceituoso eh tambem responsavel por sufocar muitas aptidoes das criancas nascidas em classes desfavorecidas, pois elas tambem passam creditar-se como inferiores. Aliado `a ja precaria situacao economica da familia que nao oferece suporte para que a crianca desenvolva todo o seu potencial, a combinacao destas formas de preconceito eh o que oprime e determina que os ricos tendam a continuar ricos e os pobres continuarem pobres.

Estes componentes do preconceito sao os responsaveis por grande parte do status quo da atualidade. Torna-se importante para alguns setores das classes dominantes fazer acreditar que os “inferiores” serao sempre inferiores e os “superiores” serao sempre superiores. O acreditar na inverdade faz com que muitas criancas oriundas das classes desfavorecidas deixem de sonhar com dias melhores e, diante das barreiras sorrateiramente impostas a elas, com o alcancar posicoes outras na sociedade alem das ja mencionadas.

Algo que muito eleva a manifestacao dos preconceitos eh o sistema de competicao imposto pela escala social. As pessoas que se esquecem do ser e apostam tudo no ter podem se ver vencidas por alguem com a mesma cor da pele ou da mesma classe social. Mas o sistema piramidal nao oferece oportunidades iguais para todos. Ele eh feito justamente para que as pessoas compitam para, enquanto isso, atentem para o que for justo.

Muitos nao se conformam com as derrotas para os seus, considerados, pares. Estas pessoas se tornam amargas mas controladas, ate o momento em que se veem superadas por algum dos objetos de seu preconceito. Esta tem sido a constatacao que se pode ter diante de atitudes que vem surgindo cada vez mais frequentes no mundo. Quanto mais a competicao se acirra, acirram-se tambem as manifestacoes e mas consequencias do preconceito.

A ma distribuicao das riquezas que sao produzidas por todos na sociedade tornaram as coisas muito mais dificeis neste inicio de III milenio. As formas ilicitas de adquirir riquezas como traficos diversos, roubos, trafico de influencia, manipulacao do mercado, corrupcao, golpes diversos, oportunismos baratos tambem tem contribuido muito para a situacao do caos e do preconceito.

O preconceito tem acirrado as lutas de classes visivelmente. Ricos ficando cada vez mais ricos procuraram cada vez mais isolar-se da presenca dos pobres. Cerca de um seculo antes deste inicio do III milenio, as pessoas mais ricas das pequenas cidades viviam proximas das pessoas pobres. Apenas em centros urbanos maiores era que as classes foram separadas por guetos diferenciados. Com o transpor do seculo esta separacao tornou-se visivel em todas as comunidades.

Parece que isso acelerou a concepcao preconceituosa dos ricos em relacao aos pobres e vice-versa, como se fossem procedentes de planetas diferentes. A situacao de respeito dos superricos em relacao aos pobres esta semelhante aos tempos que precederam em principio a Revolucao Francesa e depois a Revolucao Russa. As classes nao se reconhecem mais como descendentes dos mesmos ancestrais.

 

15a. DEFINICAO: PIRAMIDE SOCIAL

Piramide social, tem componentes semelhantes `a piramide do capitalismo. Uma esta na origem da outra. Ela demonstra bem como a sociedade foi organizada, o que nao deveria ser problema algum. Afinal, nao passa de uma representacao realistica. O problema maior que esta acontecendo neste inicio de III milenio eh a agudizacao dos vertices desta piramide.

Antigamente, ou em algum ponto de nossa Historia ela representava atraves dos 10% de sua area mais elevada a classe rica; abaixo dessa vinham 25% representando a classe media e os 65% restantes representavam a classe pobre. Nao se fazia alusao a medio alta e medio baixa por exemplo. Assim, rico era rico; medio era medio e pobre era pobre. Nao se trata de dizer que fosse mais justa. A sociedade sim eh que era mais solidaria, apesar de o conjunto como um todo ter sido bem mais pobre.

Para fazer-se uma ideia, por volta dos anos 1950 os ricos nos Estados Unidos recolhiam mais de 50% de suas rendas em forma de impostos. Era parte de seu sacrificio. Cada um contribuia como podia. Com a arrecadacao o governo pode investir e resgatar da pobreza a muitos. Deu grandes oportunidades `aqueles que serviram nas guerras. Houve um crescimento ecomico que nunca se repetiu.

Nas ultimas decadas os ricos nao apenas criaram novas formas de ganhar dinheiro. Fizeram e fazem lobby por isencoes cada vez maiores. Propagam aos 7 ventos que sao a classe de criadores de empregos. Os salarios das classes baixas foram achatados. A pobreza no pais esta caminhando em ritmo acelerado. As classes media e alta sao menores percentualmente falando atualmente. Contudo as riquezas concentradas em seu poder se tornaram muito maiores.

Voces do IV milenio poderao encontrar as estatisticas.

A agudizacao dos angulos tem se dado por varios motivos. Um eh a automatizacao dos antigos trabalhos manuais. Isso diminui as ofertas de empregos alem de possibilitar que uma unica pessoa possa realizar o trabalho de dezenas. Porem, as dezenas tem que procurar outra atividade a exercer. E o funcionario que permanece jamais ira receber o equivalente ao trabalho que estara realizando. No maximo, o dobro do que ganhava.

Outra forma eh a “eliminacao das gorduras nas empresas”. A resultante do jargao centra-se principalmente sobre a eliminacao de parte da folha de pagamentos. Da-se um jeito de eliminar empregos. Inclusive oferecendo horas extras para os trabalhadores que permanecerao empregados. Com isso, elimina-se encargos trabalhistas. Igualmente, a economia realizada nunca chega `as maos dos trabalhadores mais baixos e que sustentam a empresa. Ja os onus sim. Quem reclamar eh mandado para o olho da rua, a ficar a ver navios, pois, tem muita gente la fora querendo trabalhar por menos do que voce ganha.

A origem da piramide social eh decorrente de tempos nao tao ancestrais como se pode pensar. Nao se sabe sua origem exata mas o mais provavel eh que tenha se manifestado com a criacao dos governos monarquicos e com o surgimento do comercio. Nao se pode dizer que tenha mais de 10.000 anos. Como o ser humano que conhecemos existe ha algumas decadas de milhares de anos, pode-se observar que, necessariamente, o sistema eh relativamente novo.

O que se pode dizer eh que antes da piramide social as pessoas humanas se reuniam em grupos numa unica classe social. Semelhante ao encontrado pelos europeus nos nativos mais primitivos vivendo nas Americas. Entrevistado, um cacique declarou: “Quem tem chefe eh o branco. Nos indios nao temos chefe. Eu sou o cacique. Nao sou chefe. Cacique eh uma especie de diplomata. Fala pelo povo. Eh um embaixador dele. O povo eh que se reune e decide o que quer. O cacique so transmite.”

A piramide social tornou-se mais visivel `a medida que as populacoes se multiplicaram e os monarcas concentraram mais poderes. Aos reis foi dado o poder sobre todos. Tudo passou a pertencer aos reis. A eles cabia distribuir as riquezas produzidas segundo suas vontades. Eh possivel que no inicio eles tenham sido mais justos porque dependiam dos favores de todos. Dai se trocavam as benevolencias. Mas isso nao deve ter demorado muito, pois, o poder corrompe.

Os reis reservaram para si e para os filhos os melhores quinhoes da economia. E favoreciam os mais fortes, pois, essa era a forma de corrompe-los e conter sob o seu comando os mais fracos. Assim, os reis e seus familiares formaram o apice da piramide, os mais fortes a classe media e o povo o sustento ou base. A divisao do trabalho passou a ser: o rei ordenava, o povo trabalhava e a classe media fiscalizava.

Reis mais antigos usavam a forma de aparentamento para dominar o povo. Em epoca em que lhes era permitido ter harens, eles buscavam as filhas dos suditos com mais influencia nas diversas regioes do reino. O aparentamento era uma forma de prestigiar o sudito, dos que se orgulhavam disso, ou submete-lo a seu poder, dos que nao gostassem. As esposas dos reis poderiam ser tanto privilegiadas como simples refens para que todo o povo ficasse submisso.

A funcao da classe media, em muitos casos, passou a servir de acolchoado que protegia os tiranos contra as revoltas populares. Nem sempre funcionou porque as revoltas podiam surgir dentro da classe media.

A piramide social agravou-se muito com o uso da escravidao, do servico de clerigos que usavam o sentimento religioso do povo para oprimi-lo, justificando a monarquia como se fosse alguma vontade divina e o uso de forcas armadas contra a populacao de um modo geral. `A medida que as civilizacoes foram evoluindo, houve tambem o uso da legalidade, ou seja, o rei nao era apenas o executivo maior, era o legislador e outorgante maior de todas as leis de um reino, consequentemente, seu maior beneficiario.

Auspiciosamente, sabemos como os povos se formaram. Eles se formaram atraves de grupos familiares que se espalharam pela superficie da Terra. As pessoas ficaram confinadas em areas que chamavam, geralmente, de terras dos ancestrais. Nada mais eram as terras que um grupo inicial se estabeleceu atraves da agricultura. Com a multiplicacao, formaram-se tribos que, por descenderem dos mesmos ancestrais, formaram nacoes.

Cada nacao passou a formar um povo, com suas caracteristicas familiares. Quando uma pessoa de um povo visitava outros povos, logo era identificada como membro de determinado povo pela propria aparencia. As diferencas de aparencencias entre povos vizinhos eram minimas, pois, os ancestrais um pouco remotos foram os mesmos.

Os primeiros reis foram escolhidos dentro do povo. Eles tinham funcoes de diplomacia interna e externa. Estas relacoes nem sempre foram amistosas. Como nao haviam leis bem definidas e sistema adequado para fiscalizar suas aplicacoes, abusos tornaram-se regra geral. Como tambem nao havia um sistema otimo de producao, principalmente dos alimentos, frequentemente os povos foram submetidos `a inclemencia do tempo, tendo suas despensas esvaziadas. Isso produziu guerras entre os que tinham e os que foram poupados.

Os inventores das guerras tambem criaram o sistema de escravidao. Ou seja, o povo vencido foi obrigado a trabalhar mais para sustentar-se e sustentar seu vencedor. As diferencas sociais aumentaram a partir dai, pois, os vencedores a principio puderam concentrar riquezas. E isso fascinou aos seres humanos que passaram a usar as guerras como instrumento de adquirir riquezas. Todas as civilizacoes classicas se sustentaram sob este sistema de furto e escravizacao. Aos mais fortes chamou-se de civilizados e aos mais fracos de barbaros.

Essa forma verbal de definicao foi fundamental para a aceitacao da exploracao do ser humano pelo ser humano. As definicoes civilizado e barbaro nao baseava-se em justica. Tinha a unica funcao de denegrir, amiscuir, apequenar a humanidade que existia nas pessoas diferentes. Assim, na mente dos povos chamados de civilizados passava um filme onde eles seriam superiores e os outros inferiores, e tudo lhes era permitido fazer contra os outros.

Como a dispersao da populacao de seres humanos se deu por milhares e milhares de anos sobre a Terra, houve tempo suficiente para que os grupos familiares e os povos concentrassem diferenciacoes fisicas e culturais. Assim, quanto maiores as diferencas fisicas e culturais se mostravam, mais os “civilizados” punham nos outros o carimbo de “barbaros”. E com isso justificavam suas formas de exploracao.

Assim, a definicao de civilizacao esta vinculada `a exploracao; e barbarismo a ser explorado. Os “civilizados” passaram a usar os termos nos, quando se tratava de sua propria imagem no espelho, e outros, aqueles que enxergam como barbaros.

Os reis surgiram do povo. Porem a concentracao do poder e de riqueza os fez mais inimigos que amigos de seus familiares mais distantes. O que os primeiros reis nunca imaginariam foi isso. Eles tiveram seus filhos. Como o sistema eh piramidal, dentre eles era esperado que apenas um tomasse o seu posto e, depois deste, seu neto. Mas o rei poderia ter diversos outros filhos que nao podendo ocupar o cargo de rei, ocupavam cargos outros proximo a ele, porem, em menor escala social.

A nivel de netos, reis poderiam ter dezenas ou centenas de descendentes, portanto, ate na propria familia real ja surgia uma diferenciacao social entre os primos de primeiro grau. Haviam o primo rei, os primos ministros, os primos de segunda classe e ate de terceira classe. Na geracao seguinte, apesar do parentesco proximo com o novo rei, muitos primos caiam para a classe medio baixa.

`A medida que as geracoes se passavam, os descendentes do primeiro rei nao tinham alternativa senao casar-se com pessoas do povo e, naturalmente, como a multiplicacao da descendencia de cada pessoa se da de forma exponencial, principalmente daquelas que iniciam ja com numeros maiores de filhos, em relativamente pouco tempo todo o povo descendendia do primeiro rei. Mas isso se tornava menos significante porque, passadas geracoes, so se enxergava como familia real aqueles que descendiam dos reis de determinada atualidade.

Para reconquistar o direito de conviver com os membros da alta nobreza, os descendentes de reis agora considerados gente do povo, tinham que provar ser de alguma forma especiais. Uma delas era ser valorosos guerreiros. A outra era tornar-se muito, muito ricos. Estes foram os dois criterios principais dos conceitos de dominantes/dominados, durante o que se chamou de Periodo Colonial.

O chamado periodo colonial e suas consequencias agonizou por pelo menos um seculo ate que a maioria das monarquias foram substituidas pelas republicas. Neste novo tipo de regime de governo, os chamados nobres de sangue foram substituidos pelos nobres da fortuna. Em teoria, qualquer um pode chegar ao topo da piramide, bastando comprar seu ingresso.

Isso tornou-se uma verdade com meandros disfarcados. Nao existe uma competicao justa. Nao existe uma norma que valide os meios. O que importa eh ter capital. O ingresso eh automatico. Quem ja o tem eh mais facil mante-lo. Eh como nas monarquias, ja o tem de berco. Como estao por cima, se acham no direito de jogar pedras nos que estao embaixo para que nao subam e compitam com eles por um lugar ao sol.

Aos que estao por baixo, nao interessa o merito. Como o importante eh o ter e nao o ser, entao, o mais comum eh adquirir-se mesmo furando os olhos de muitos. Nao existe uma obrigacao de ser honesto, ser honrado. A obrigacao eh trapacear sem ser pilhado com a mao na massa. Nao ha um caminho garantido pela meritocracia. Quando existem muitos no mesmo nivel de merito eles sao obrigados a competir entre si, para que as injusticas sejam validadas e consideradas justas.

O conceito civilizados/barbaros nunca foi abandonado pelas culturas. Na formacao dos povos do inicio do III milenio instituiu-se que os barbaros seriam os diferentes dos europeus, particularmente os africanos e os indigenas. Com a queda de algumas correntes, os barbaros passaram a ser os de cores diferentes dos brancos. Logo adiante os barbaros eram os analfabetos, sem se importar a cor da pele e nem que o analfabetismo fosse um barbarismo da sociedade como um todo.

Nestes tempos mais recentes, os barbaros sao aquelas pessoas que a propria sociedade segregou em condicoes subumanas. Quem for iletrado, de cor e residente de uma favela, torna-se automaticamente barbaro. Nao importando que seja bom. Nos paises mais desenvolvidos, barbaro eh o recem-chegado, o imigrante. Barbaro eh tambem o pobre, de qualquer origem e de qualquer indole. Como ressalvado acima, o conceito barbaro/civilizado eh o codigo traduzido por: poder ser explorado/ter autorizacao para explorar.

Pouco mudou em relacao ao tempo em que barbaros eram povos a serem conquistados, roubados e postos nos estadios como gladiadores pelos romanos. Civilizados eram aqueles que assistiam a tudo e vibravam com o circo. Em parte, eh por isso que para alcancar uma escala social melhor o barbaro tem que ser “de circo”.

Eh preciso, porem, levar o andor com cuidado porque o santo eh de barro. A questao nao eh tao simples quanto se demonstra aqui. A verdade eh que a injustica eh muito grande. Mas tambem existe algum abuso, intencional ou nao, no uso dessas informacoes para fomentar a luta de classes nas atuais sociedades. Alguns querem instigar a luta de classes para criar confusao e dela tirar seu proveito politico.

Outros transformam o proprio conhecimento parcial das coisas para alimentar suas raivas, aumentando o estado confuso do momento. Talvez desejem apontar as discrepancias para alertar e assim chegar a uma solucao negociada. Mas espalhando uma visao unilateral acabam nao fazendo outra coisa senao a de servir aos interesses dos alguns.

Exemplo de uma situacao destas eh a do estudioso brasileiro que mencionou a desumanizacao da pessoa negra durante o periodo colonial. Citou o viajante estrangeiro que irritado com algo feito por um escravo fez a mencao de esbofetea-lo e nao viu no escravo outra reacao senao a resignacao de receber o golpe, mesmo fisicamente mais desenvolvido que o quase agressor.

Mencionou tambem o corpo de um africano morto que ficou esquecido no movimento das aguas do mar. Embora fosse visto por todos que passavam, ninguem nem por caridade recolheu o corpo para um sepultamento adequado. O militante interpretou tal descaso como algo particular contra os africanos.

Eh preciso levar em conta o contexto historico do colonialismo. Em tres movimentos diferentes, Jeronymo Barbalho Bezerra, Felipe dos Santos e Joaquim Jose da Silva Xavier foram mortos, esquartejados, e as partes de seus corpos foram espalhadas em pracas publicas. Nao eram africanos. A crueldade do colonialismo tem reflexos que ecoam ate ao momento em todas as nacoes, contudo, os que mais sofreram nao sofreram sozinhos tais violencias.

Eh preciso conhecer o passado e saber que a influencia dele esta presente em todos os meios de atualidade, contudo, eh preciso saber medi-las para que nao se cometa erros acreditando-se que se esteja agindo corretamente.

Os reflexos do conceito barbaro/civilizado torna-se bastante visivel atraves dos estudos mais recentes nos Estados Unidos. As estatisticas demonstram que a violencia mata mais de dois africanos ou latinos para cada branco que morre. Aprisiona-se muito mais “barbaros” que “civilizados”, em termos proporcionais `as suas repectivas populacoes. Se um “civilizado” comete um crime equivalente ao do “barbaro”, este eh punido com mais rigor e com mais tempo de emprisionamento que aquele. Isso sao fatos constatados. Requeriam solucoes e nao se tornarem causa de conflitos gratuitos.

No Brasil a situacao nao eh diferente. Barbaros e civilizados estao separados por areas de moradia. Nas areas civilizadas o policial se apresenta para proteger o cidadao e seus pertences. Todos sao inocentes ate que se prove o contrario em qualquer crime que ali seja cometido. Nas areas barbaras o policiamento esta ausente. Quando age eh a partir do principio de que todos sao culpados ate que provem o contrario. Os civilizados recebem as garantias da lei e os barbaros as responsabilidades por elas estabelecidas.

As separacoes de guetos barbaros e bairros civilizados somente tem agravado as relacoes sociais. Isso por causa dos civilizados possuirem o poder do consumismo e se anestesiarem contra o sentimento de solidariedade em relacao aos barbaros. Um milionario que ja nasceu rico nao conhece o verdadeiro significado da palavra dificuldade. E a maioria pensa que os “outros” nao sao ricos como ele porque nao trabalham o suficiente.

Essa insensibilidade por causa de nao se ter o devido conhecimento do que se passa com os “outros” poderia ser diminuida se todos vivessem lado-a-lado. Mas o que ocorre eh os civilizados estarem buscando cada vez maior isolamento. Esta eh a situacao verificada nos Estados Unidos onde o pais ficou economicamente de joelhos com a crise do mercado imobiliario a partir de 2008. Passados seis anos, milhoes de pobres nao recuperaram suas casas e muitos se tornaram sem teto. Enquanto as mansoes dos superricos tem ficado cada vez maiores e mais confortaveis.

Essa eh uma tendencia mundial, em maior ou menor escala dentro de cada pais. Em paises onde a variabilidade genetica eh maior, ha tendencia de um quadro maior de injusticas. Isso porque as minorias diferentes tornam-se objeto mais facil dos preconceitos e das perseguicoes. Como os Estados sao governados pelas maiorias, elas sao menos afetadas e tendem a negligenciar a seus deveres.

 

16a. DEFINICAO: EDUCACAO ESCOLAR

Antigamente existia a educacao de berco que era aquela que os pais mais zelavam por ela. Ensinava-se os filhos por meio do exemplos a serem atenciosos, prestativos, respeitadores, honestos, corretos etc, alem de, em muitas vezes, a temer. Os pais ensinavam mas cobravam com a vara!

Alem desta usava-se a educacao escolar. Houveram tempos em que a educacao escolar foi dada por preceptores, ou professores particulares, mais conhecidos como mestres. Estes preceptores se tornavam como segundos pais para os alunos, chamados de discipulos. O mestre esforcava-se nao apenas para ensinar materias escolares, mas tambem uma linhagem filosofica de vida.

Melhor dizendo, procuravam fazer discipulos, ou seja seguidores de seus pensamentos. O bom mestre nao era aquele que dava boas notas para os alunos mas sim aqueles que ensinavam o fazer.

Naturalmente, a cada epoca essas coisas mudaram. Em tempos dos avos dessa geracao do inicio do III milenio as pessoas tinham tudo pronto na mente. O mundo era padronizado. Em paises capitalistas dizia-se que o correto era o capitalismo e o comunismo era a aberracao demoniaca. Vice-versa nos paises comunistas. Os avos pensavam que sabiam tudo, por isso, o caminho a seguir era o que eles conheciam. A vida nao tinha segredos.

Mas, na verdade, a Historia havia demonstrado que no passado as coisas nao tinham sido nunca amistosas. Falava-se muito nos sucessos e pouco das derrotas.

Em tempos passados surgiram as escolas publicas onde se procurou seguir o exemplo dos antigos mestres. Por um tempo deu certo, pois, formaram-se mestres suficientes para as poucas escolas que existiam. As classes eram reduzidas. Nao havendo uma obrigatoriedade de todos estudarem, logo os que tinham dificuldades se retiravam. Trabalhar mesmo ainda na infancia era mais objetivo e de resultados mais imediatos que estudar. Mas isso so foi possivel quando sobravam terras e a populacao era excassa.

O detalhe dessa situacao era a de que certos mestres adotaram posicoes autoritarias. Eles sabiam, portanto, o defeito de deficit de apredizagem era todo creditado na conta dos alunos. So nao aprendia quem nao queria, diziam eles! Nao assumiam que o ensino padronizado nao valia para todo e qualquer aluno, portanto, a incapacidade dos mestres de ministrar diferenciais para alunos culturalmente diferentes acarretava muitas falhas, mas toda a culpa era do aluno reprovado!

Neste interim, poucos eram os que logravam fazer um curso universitario. E mesmo sem almejar salarios regios, suas rendas chegavam a niveis confortaveis. Com o tempo adquiriam posses e, tendo tino comercial, garantiam formosas herancas para sua descendencia.

Os conflitos de filosofias, porem, modificaram a situacao. Tudo passou a ser relativo. Nada mais era certo ou errado. Tudo depende. A obrigatoriedade da frequencia nas escolas para criancas e jovens causou a massificacao nas unidades escolares. E, sem a devida formacao de mestres, o nivel da educacao foi-se deteriorando a olhos vistos. Embora a deterioracao nao tenha acontecido em todos os lugares, os desniveis dentro dos paises ressaltam ainda aos olhos.

Somado a essa deterioracao conjuntural muitos governos, principalmente de paises mais pobres com governantes corruptos, foram cortando paulatinamente os investimentos na educacao. Os estudantes de ha poucas decadas ainda se recordam do objetivo de seus movimentos que era o de tentar evitar o corte de verbas para a educacao. Para a tristeza dos conscientes, nao podem cantar vitorias, podem apenas lembrar as cicatrizes que ficaram de suas tentativas. Foram vencidos, nao tem o que comemorar.

Ha que se perguntar, qual o interesse que guiou os governantes a reduzirem a qualidade do ensino se espera-se que soubessem que o futuro prospero de qualquer nacao estava vinculado a uma educacao de qualidade para todos? Muito ha o que se especular, mas obvias e sem beleza alguma algumas sao.

Educacao escolar virou uma verdadeira Caixa da Pandora. Todos foram levados a acreditar que um diploma superior era a salvacao de todos os males. Independetemente do beneficio pessoal, pois, como ensinava o antigo adagio: “O saber nao ocupa lugar”, e as pessoas que concluem um curso superior podem desenvolver uma visao mais critica dos fatos. Embora isso nao se concretizando em todos, pode ajudar em situacoes de escolhas na vida visando um futuro melhor.

Mas do ponto de vista pratico, a inducao `a massificacao do ensino superior tem objetivos outros que o bem estar da populacao. E alguns fatos podem ser relembrados para alertar a respeito de consequencias danosas. Intencionais ou nao, essas consequencias tem se mostrado atraves, particularmente, das reducoes dos salarios de profissionais com cursos superiores.

Isso porque o mercado de trabalho nao foi pensado para acolher o numero de formados e muitos sao os possiveis interesses por tras disso. Nao se pode dizer que esteja havendo a execucao de algum plano diabolico. Porem, intencional ou nao, ha algo suspeito no ar.

Retrocedendo aos anos 1980, a preocupacao dos estudantes universitarios no Brasil com a baixa qualidade do ensino era enorme. Outro detalhe era de que somente uma percentagem minima de ingressos nas escolas primarias conseguiam continuar ate alcancar entrada num curso superior. Os numeros apontados eram os de 17 pessoas ingressavam nas universidades, a cada 1.000 que entravam nas escolas fundamentais. Naturalmente, a evasao era enorme.

Medindo a eficiencia das escolas, os alunos reclamavam da flagrante ineficiencia do sistema de ensino. Um professor entao chamou-lhes a atencao para pensarem. Eles estavam pensando que a cifra 17/1.000 seria a marca de ineficiencia de um sistema que pretendia dar oportunidade a todos. Entao, revertessem o pensamento assumindo que 17/1.000 seria a eficiencia de outro sistema que quizesse manter a desigualdade entre as classes. Admiravelmente, o sistema nao era falho, falha era a interpretacao que os alunos davam ao sistema. No caso invertido o sistema se mostra supereficiente!

Pondo as coisas em perspectiva atual, pode-se observar que a qualidade do ensino nao foi incrementada. Contudo as oportunidades de obtencao de diploma multiplicaram. Por um breve momento pode-se constatar o entusiasmo que isso despertou nas populacoes. Mas ha que se pensar! Sera que os interesses que estavam por tras da maquina que produzia 17 alunos universitarios para cada 1.000 alunos iniciados mudaram? Ou nada mudou no objetivo mas sim a estrategia de alcancar o mesmo resultado que se conseguia antes!?

Outra experiencia garimpada dos anos 1980 foi a tentativa de empresas privadas comprarem lotes de alunos nas universidades brasileiras. A ideia era simples. Como o governo nao estava interessado em elevar os gastos publicos em suas escolas, estava, entao, em vias de aceitar a ingerencia de grandes empresas nelas. As empresas fariam os custos da formacao de uma quantidade de alunos, porem, as universidades seriam usadas para formar empregados para elas, que estudariam curriculos de acordo com as necessidades particulares delas.

Ou seja, o resultado era o de obter tecnologos. O termo nao se aplica no sentido lato. O termo aqui eh usado para definir uma pessoa ensinada a trabalhar de acordo com as necessidades de uma empresa, mas nao ensinada a pensar por si mesma o assunto geral que o diploma deveria lhe dar autoridade.

Esta proposta caiu como uma ultraje no meio estudantil. Os estudantes viram a ameaca de que muitos seriam formados para servir a uma determinada empresa, mas a ela caberia o direito de escolha a quem contratar, assim, alguns seriam descartados como rejeitos, mas o que haviam estudado poderia nao ter utilidade em outras empresas. Desta forma, o tempo de estudo do aluno estaria esperdicado e ele teria que se conformar ou retornar a estudar.

Novamente, mesmo o movimento estudantil tendo rejeitado a intrusao em teoria, na pratica ela continuou sendo implantada por interesses obscuros. O Estado deixou de investir na educacao mas permitiu a abertura de faculdades sem o devido criterio de qualidade. Estas formam os profissionais que carregam o diploma sem conhecimento necessario para exerce-lo. Porem, concorrem com os melhores orientados nas filas de empregos. Os quais sao obrigados a se submeterem a salarios inferiores.

Outro fato ligado a essa analise era o valor do profissional formado em tempos anteriores e o valor recente. No Brasil, o sonho de consumo em datas anteriores a 1980 era um veiculo automotor. Ter um carro no Brasil era sinonimo de status, pois, o custo era muito elevado e somente poucos o conseguiam. Diziam os estudantes mais velhos que, tempos antes, qualquer formando podia entrar em uma concessionaria, mostrar o diploma para sair motorizado. O diploma era a garantia nao apenas de prestigio mas tambem o sinal de que se nao se tinha antes o poder aquisitivo ele acabara de bater na porta.

Ronald Reagan foi autor da frase: “Nos republicanos acreditamos que a melhor forma de garantir prosperidade eh criando mais empregos.” O que ele nao disse era, empregos para quem e prosperidade para quem. O que se supunha com a massificacao do ensino superior era criar-se mais prosperidade e mais empregos. Porem nota-se que a resultante maior eh: melhores empregados para as empresas, maior concentracao de renda e profissionais com salarios menores. Nao ha vantagem para o povo!

Na epoca dos avos dos avos da geracao do inicio do III milenio o dizer do Reagan passaria por um sacrilegio. Eles ate iriam questionar-se o que que aquele ator de classe secundaria estava querendo dizer. Eh verdade! No tempo daqueles avos do passado o ex-presidente era um ator de cinema. Talvez seja por isso que foi contratado para o papel de candidato e depois para defender certas normas do conservadorismo. Nesta fita ele merereu o oscar! Os que o viam aplaudiam sem pensar. Tanto que atualmente ele tem sido considerado um icone a ser seguido pelas forcas conservadoras de todo o mundo.

Porem, as pessoas com idades aproximadas `a dele rir-se-iam dessa deixa simploria e enganosa. Os mais esclarecidos diriam: “engane os barbaros, porque nos civilizados nao estamos atras de empregos, nos estamos atras de independencia, montar o nosso proprio negocio, abrir caminho para nossos filhos ou, no minimo, dar a eles condicoes de terem uma profissao liberal.”

Os avos dos avos sabiam que nao era possivel todo mundo ter seu proprio negocio ou ser trabalhador liberal. Como muitos eram donos de seus negocios, tinham seus empregados, sabiam que uma parte da populacao nao tem o mesmo pendor de liberdade. Nao que as pessoas que se adaptam aos cargos de emprego sejam inferiores. Mas como o ser humano nao eh abelha, e sua civilizacao nao eh uma colmeia, a organizacao social em forma piramidal nao permite que todos ocupem o mesmo espaco. Eh uma questao de fisica e nao apenas de economia.

O que se discute aqui nao eh necessariamente a questao apenas da criacao dos empregos mas o quanto de prosperidade sera partilhada com as bases. Mas as formas atuais de adquirir-se capitais sao ligeiramente diferentes daquelas disponiveis no tempo dos avos dos avos. E a tendencia neste inicio de III milenio eh a de retornar a um sistema economico semelhante ao regime escravocrata, onde pouquissimos tinham muito e muitos ficavam apenas com os encargos. A prosperidade nao era partilhada.

Tudo faz parte de um mesmo sistema que parece ter sido planejado para ser dominado pelas maos de poucos e que pretenderiam manipular as cordas fazendo as marionetes dancarem segundo a musica.

Nao parece ser sem motivos que o povo foi conduzido a deixar o campo para ser melhor controlado por empregos nos municipios que se industrializavam. Aparentemente, os salarios e os beneficios urbanos foram os que atrairam o povo. Contudo, na troca ele perdeu seu meio de producao proprio. Por pior que fossem as relacoes empregador rural e empregado, este tinha onde produzir seu proprio alimento e produzir algo para si mesmo. Nos centros urbanos ele tornou-se totalmente dependente do salario que esta perdendo poder de compra em quase todo o mundo capitalista.

Nos dias mais proximos deste inicio de III milenio estao se criando formas para o retorno de parte da populacao para as cidades rurais. Porem, nas mesmas condicoes desvantajosas dos empregos nas cidades industrializadas.

Com a saida dos trabalhadores rurais para as cidades e a pouca informacao, e a resistencia em se modernizar, a maioria dos antigos proprietarios rurais nao conseguiu industrializar-se ja que nao tinha capital. O preco da producao agricola foi sistematicamente reduzido tornando seus lucros pifios.

Os proprios proprietarios rurais tradicionais perderam a posse das terras mecanizaveis para grandes empresas. Essas sao as atuais empregadoras. As que trocam o servico dos trabalhadores rurais pelos salarios no modelo urbano.

Mas essas inferencias `as causas trabalhistas nao esclarecem o que ocorre a nivel de educacao escolar. Em cada pais a situacao eh ligeiramente diferente. No Brasil, boa parte das universidades sao publicas e gratuitas. Ja nos Estados Unidos, mesmo as publicas sao pagas com taxas ligeiramente reduzidas. Contudo, a maioria delas tem a funcao de produzir tecnologos. Aquelas que produzem pensadores dentro da area de formacao sao, na maioria, particulares e regiamente pagas.

Nao bastasse a economia do pais ter deteriorado em consequencia de duas guerras sem nexo, iniciadas pela administracao do governo George W. Bush, o mercado imobiliario foi atacado pela pirataria financeira, o que por pouco nao levou `a quebradeira total. Suspeitamente, os prejuizos ficaram todos para as pessoas comuns mas particularmente para os jovens iniciantes de carreira e os que se formaram logo apos o inicio da crise em 2008.

Acontece que o mercado ja nao estava oferecendo boas vindas a todos aqueles que se formavam. Muitos estavam tendo que formar e fazer uso de seus diplomas como tranpolim para seguir outras carreiras. Porem, sujeitos a salarios de qualidade inferior. Com a quebra financeira os mais vulneraveis perderam seus empregos, economias e, alguns, ate mesmo o animo para viver. Muitos que estavam em vias de aposentadoria adiaram sua intencao, pois, o que tinham nao daria para cobrir os custos da nova vida que desejavam inaugurar. Isso estrangulou mais o mercado para os jovens.

No meio da confusao as visceras do sistema foram expostas. A divida dos estudantes com o credito educativo atingiu a marca recorde de mais de 1 trilhao de dolares. Algo que muitos paises do mundo levariam anos para somar como produto interno bruto. Algumas carreiras nos Estados Unidos proporcionam aos estudantes uma divida com o credito educativo equivalente ao valor de uma casa simples.

A media das dividas eh o valor de um carro novo mais simples. Nao parecia muita coisa quando havia uma economia vibrante. Mas a ausencia de trabalho impede as pessoas de quitarem suas dividas e os juros nao sao perdoados.

Outro fator agravante eh que a remuneracao pelo trabalho nao especializado foi se deteriorando a olhos vistos nas ultimas decadas. Neste inicio de III milenio, os recem-formados e subempregados tem que fazer a opcao, pagar a divida ou viver. Com o recorrente agravante de nem poderem pensar em assumir a responsabilidade de constituir familias.

Pessima noticia para um pais cujo indice de natalidade por familias nativas esta inferior a 2,0%. Por enquanto, a cultura do pais so esta garantida gracas `a imigracao de nascidos no exterior. Estes tem sido os responsaveis por repor grande parte da populacao que devera viver no decorrer do primeiro seculo do III milenio. A cultura dos Estados Unidos esta sob ameaca, porem, garantida por enquanto.

Encarando-se a situacao como uma estrategia militar, observa-se uma inteligencia por tras. A educacao escolar sempre foi o nicho da classe media. A rica sempre estudou de acordo com seus proprios interesses, pois, tinha os negocios de familia para tocar para frente! Abrindo-se as universidades para a massificacao e entrada da classe pobre eh uma forma de fragilizar a classe media e torna-la intolerante com a classe pobre. Este clima de tensao, que ja existe, em nada favorece a nenhuma das duas.

A estrategia militar mais inteligente eh justamente a de insuflar a discordia entre as faccoes suas adversarias. Unidas as faccoes se fortalessem. Em conflito elas se tornam presa facil de terceiros.

Uma acao previa foi a diminuicao paulatina dos salarios da classe pobre. Isso facilitou despertar nela a “cobica” de frequentar cursos superiores pois estes surgiram como unica tabua da salvacao para “subir na vida”.

Ha que analisar-se o ilusionismo criado tambem. Ora, o acesso `a educacao superior seria uma forma de ressarcir aos pobres os longos seculos de exploracao que seus ancestrais sofreram e que eles herdaram. O outro lado da moeda eh este, o acesso de mais pessoas `a educacao superior ira reduzir o valor dos salarios de todos, o que nao eh nem bom para a classe media nem para a classe pobre.

A “oportunidade” que esta sendo oferecida somente seria justa se os salarios da classe media nao fossem reduzidos e os salarios dos novos ingressos na classe media se mantivessem a niveis do passado. Ou seja, tornar-se-ia uma elevacao social e economica para a classe pobre, sem mexer no bolso da classe media.

Justo teria sido ter elevado os salarios da classe pobre a um nivel que ela pudesse consumir sem necessitar pedir. Mas o que foi feito foi apenas transferir para a classe mais rica os ganhos economicos que o conjunto da sociedade produziu. O que esta sendo feito eh duplamente injusto com a classe pobre, pois, alem de ter sido sufocada tem que lutar em dobro para conquistar algo de menor qualidade em relacao ao que foi no passado!

Justo mesmo teria sido ter reduzido os angulos da base da piramide e aberto o angulo superior, fazendo a classe pobre elevar-se, abrindo espaco para mais pessoas nas classes media e rica. Esta seria a forma de procurar restaurar em parte a clausula do contrato social inicial onde todos se comprometiam a proteger as costas uns dos outros.

As classes fora do apice da piramide estao perdendo a luta mesmo que, como o gado, nao conheca a forca que tem. Naturalmente, os conhecimentos tem se multiplicado em todas as areas. Isso requereria uma adequacao melhor de curriculos, para tornar a formacao de melhores pensadores em cada area. Por consequencia, o periodo de formacao dos graduandos necessitava ser extendido.

De certa forma isso esta sendo feito mas nao segundo os interesses dos graduandos. Isso esta sendo feito atraves de cursos de posgraduacao e simposios que nao acabam mais. O sistema de educacao foi transformado em uma industria como outra qualquer que se esquece do ensino e visa primordialmente o lucro. Lucro este que eh concentrado em maos de poucos.

Na realidade, como o fenomeno massificacao da educacao eh recente, ele ainda tem que provar que chegou para fazer o bem. Sabemos que civilizacoes antigas foram sustentadas por pequeno numero de sabios e grande numero de pessoas que realizavam o trabalho. Elas se colocaram em risco porque os sabios, em numero reduzido, eram os unicos que sabiam pensar e imaginar as melhorias para a civilizacao. Qualquer tragedia que se desse aos sabios morria com eles os segredos da civilizacao. Os conquistadores carregavam os sabios e para si seus conhecimentos.

Eh uma boa estrategia possuir um maior numero de sabios e partilhar a sabedoria com o povo tambem. Isso assegura a longevidade e prosperidade das civilizacoes.

Mas uma licao das civilizacoes antigas eh a de que nem todos precisam preocupar-se em tornar-se sabios. Nas grandes civilizacoes classicas a maioria ate era analfabeta. Nao havia justica eh verdade! Mas havera que haver um equilibrio onde todos poderao compreender e pensar a civilizacao, sem necessariamente estarem obrigados a ter todo o curriculum escolar completo.

O que importa eh haver justica na distribuicao dos beneficios produzidos pelo conjunto da civilizacao. Este eh o criterio que mais influira na longevidade de qualquer uma delas. Transformar a educacao em caminho unico e como forma de promover os atritos entre classes sera a forma mais rapida de levar ao suicidio coletivo. Tambem importante era nao transformar educacao em nova caixa de pandora!

 

17a. DEFINICAO: INTELIGENCIA ARTIFICIAL

Inteligencia artificial ja foi ate tema de filme (Artificial Intelligence). Agora neste inicio de III milenio a humanidade encontra-se em um dilema. Em questao de poucas decadas conseguiu produzir maquinas fabulosas. Capazes de fazer o trabalho de muitas pessoas em momentos. Uma serie de maquinas passou a usar cerebro eletronico. O que nao chega a ser verdadeiramente um cerebro mas sim uma programacao que instrui a maquina a repetir padroes de comportamentos que levam `a producao de algum produto.

Porem, essas maquinas tem ficado cada vez mais sofisticadas. A ponto de alguem ter usado a imaginacao e antecipar que um dia os seres humanos terao a capacidade de construir maquinas que raciocinarao como pessoas humanas. Juntando-as aos programas que ja existem, que podem fazer calculos complicadissimos em mera de segundo, estima-se que robots com raciocinio e programacao poderiam tornar-se muito superiores `a pessoa humana.

Naturalmente, uma maquina com tal capacidade poderia comecar a replicar-se usando os recursos criados pelos seres humanos, liderar uma revolta e suceder a especie humana, usurpando aquilo que a natureza biologica reservou para a proxima variedade humana que deveria surgir.

Cientistas tem baixado a guarda em relacao a esta hipotese, pois, sabem nao ter conhecimentos o suficiente para explicar como se forma o raciocinio. Tudo parece ser muito complexo ainda para o nao saber humano. Calcula-se que levarao decadas ou seculos para chegar-se a uma resposta satisfatoria. Ate entao, nao podera ser copiado o que a natureza nos ofereceu ha centenas de milhares de anos.

Mas existe outro risco mais evidente e real, ocorrendo neste exato momento. As maquinas ainda nao possuem inteligencia por si mesmas mas ja existem muitos meios de usar-se o que ja existe, manipulando-as atraves da inteligencia humana e da mesma forma causar danos inimaginaveis. O cerebro pensante pode ser o humano e as maquinas seus instrumentos.

Esta realidade ja se apresenta neste inicio de III milenio. Tomando-se como exemplo os caixa eletronicos oferecidos pelos bancos no mundo inteiro. Alias, os bancos foram tornados um dos meios particularmente perigosos de dominacao. Mas agora importa lembrar como inciou-se o uso de recursos eletronicos em relacao a eles e o publico. Ja se usavam os cartoes de credito mas estes eram ainda incipientes.

Os caixas eletronicos surgiram a partir de um raciocinio util. Bancos funcionam apenas parte do dia. Dai, qualquer cliente que precisasse do seu proprio dinheiro depositado num banco, por razoes emergenciais, teria que esperar o horario de expediente que poderia durar dois dias, caso a emergencia surgisse na entrada do final de semana, onde bancos nao funcionavam.

O caixa eletronico nada mais era que um computador simples ao qual o cliente podia encontrar em determinados enderecos, a qualquer horario do dia, e ali submeter suas credenciais. Ele automaticamente permitia obter uma quantia limitada de dinheiro em especie. Muitas pessoas podem ter tido suas vidas salvas por isso. Algumas as perderam ja que os fascinoras sabiam onde encontrariam “clientes” com dinheiro em maos.

Com o passar do tempo, estes caixas eletronicos passaram a adquirir inteligencia e sao usados para diversas outras operacoes bancarias como deposito e transferencia. O usuario nao precisa mais de um funcionario intermediando suas operacoes financeiras. Ele proprio tornou-se um funcionario indireto e sem pagamentos das agencias bancarias. Com o avanco dos computadores, muitas operacoes podem ser realizadas dentro da propria casa do “fregues”. Tanto via caixa eletronico quanto computador as operacoes podem ser feitas, inclusive em horario de expediente, nao apenas quando as agencias bancarias estao fechadas para o publico.

Joao nao eh muito inteligente. Ele eh uma pessoa normal que `as vezes prefere parecer ser mais bobo do que eh. Conhece uma funcionaria de banco, Maria, que sempre lhe oferece os prestimos para mostrar-lhe como sao feitas as operacoes no caixa eletronico. Ela eh uma das pessoas que trabalham como caixa normal. Por ser bobo, Joao fica embaracado em responder que agradece a gentileza mas que esta bem em ser atendido por ela mesma.

Joaozinho bobo tem essa ideia besta de olhar para a fila no caixa eletronico e para a outra em frente aos guiches pensando que, mesmo gastando um tempinho a mais, poderia estar contribuindo para o emprego de alguem. Joaozinho bobo acha divertido criar problemas para o seu proprio banco, afinal de contas, nao eh atoa que ele o tem por cliente, ja que rende alguns centavos ao mes para a entidade. Joao bobinho eh um criador de empregos, pelo raciocinio elitista!

De tao besta, Joaozinho pensa, bem que o banco que esta tao cheio de lucros poderia fazer o sacrificio de ceder parte dele para os que nada tem! Joaozinho so nao ousa pensar isso em alta voz para que os patrulheiros de plantao nao o taxem de comunista. Joao prefere conceber-se como aspirante a justo. Palavra que nem todo comunista conhece o significado!

Com os caixas eletronicos, com tanta gente trabalhando de graca para os bancos e a diminuicao do quadro de empregados, os bancos conseguiram atingir recordes formidaveis de superavits em suas operacoes financeiras. O que, claro, eh partilhado com os acionistas. O que Joaozinho bobo nao discorda. Mas para ele algumas coisas funcionam como Robin Hood em reverso. Toma de muitos pobres para distribuir com os ricos.

Joaozinho bobo nao se sente “do contra”. Apenas sente-se pesaroso de que nao existam meios de fazer os pobres serem remunerados o suficiente para mandarem mais dinheiro para os ricos sem que essa contribuicao lhes faca falta `a mesa, ao pagamento do aluguel, `a educacao escolar para os filhos, ao seguro saude etc. Enfim, todas aquelas coisas que o filosofo antigo ensinou dizendo: “Faca pelos outros aquilo que gostaria que fizessem por voce.”

Algo que Joaozinho bobo pensa encaixar-se perfeitamente neste pensamento seria objetivar menos lucros e pagar salarios mais justos. Coisa de gente bobo mesmo! Mas Joaozinho fica feliz em lembrar-se que ele nao foi o bobo numero 1. Afinal, os filosofos antigos ja repetiam as mesmas bobagens que ele pensa serem justas.

Com a entrada da humanidade na Era Eletronica e sua inteligencia, o planeta Terra realmente foi transformado numa Aldeia Global. As grandes revolucoes de criatividade das pessoas nos 600 anos anteriores estao cabendo dentro de um escritorio, dentro da casa de cada pessoa. Gutemberg revolucionou o mundo criando os tipos moveis, permitindo a informacao viajar numa velocidade espantosa na epoca dele. Isso significava meses e ate anos para uma noticia viajar de um canto a outro do planeta.

Tempos depois o ser humano passou a falar com outro de qualquer ponto do planeta. Ha algumas decadas antes do inicio do III milenio, jornais usavam um aparelho capaz de transmitir imagens fotograficas de continente a continente. Elas eram impressas em jornais que distribuidos poderiam levar noticia e imagem a todos os confins da Terra, em mera de um dia.

As televisoes, atraves de sistema de satelite, logo passaram a transmitir as noticias ao vivo em som e imagem. As pessoas comuns, que parecem ser um pouco mais bobos que o Joaozinho, pensam que estas coisas se deram ha tanto tempo atras, mas ha tanto tempo atras, que so podem ter acontecido ainda na pre-historia! Ele nao sabe porque mas a sua memoria elefantiaca o faz lembrar-se de coisas que aconteceram nessa pre-historia.

Dai ele nao se assusta com nada. Apenas acha curioso a habilidade que agora a pessoa humana tem de possuir uma verdadeira editora num quarto de sua casa. Pode tanto editar livros, revistas, panfletos, fazer negocios, comunicar-se com amigos, quanto receber o que esta se passando no mundo. Tudo atraves de aparelhos simples. Pode viajar pelo mundo sem sair de casa.

Ele, porem, sabe que todo este conforto tem precos indesejaveis. Alem de ter que pagar suas contas, evidentemente. Um deles eh saber que pouco resta de privacidade nas vidas das pessoas. Sabe tambem que esta sobrando vigilancia sobre tudo o que todos fazem. Joaozinho nao tem neuroses quanto a isso. Apenas ligeiras preocupacoes. Eh que tudo esta sendo conectado em nome da seguranca. Mas nada tem sido feito em relacao `a vigilancia.

Joaozinho bobo eh estupido de pensar que os servidores do sistema que esta conectando toda a informacao do planeta em um unico cerebro sao desonestos. Afinal, eles te entregam uma conta para seu uso onde voce eh quem escolhe nome de usuario e uma senha “supersecreta” que somente o usuario deveria conhecer, exceto, se ele a partilhasse com alguem.

Mas Joaozinho nao chega a ser tao bobo assim. Afinal ele tem o conhecimento de que pessoas que trabalham no sistema ou que tem conhecimento suficiente de eletronica e matematica tem como quebrar os codigos. Isso nao eh apenas o Joaozinho que sabe, pois, deu-se a estes piratas o nome de “hakers”, que nao tem outra coisa a fazer a nao ser brincar de invadir a privacidade de quem desejam. Alguns usam suas habilidades para cometer crimes. Entre eles, o de visitar as contas bancarias daqueles que as conectaram, e delas sacar algumas modicas quantias!

Assim como ficou facil para qualquer Joao bobo fazer suas operacoes bancarias desde sua residencia, atualmente os piratas nao precisam sair de casa para enriqucer-se. Nem precisam buscar uma ilha fiscal para esconder seus tesouros.

Mas o que Joao bobo tem mais receios eh o saber que nenhuma de suas senhas sao senhas que somente ele sabe quais sao. Ele obviamente tem a consciencia de que os servidores nao precisarao sair de seus escritorios para retira-las do sistema e com elas passar a limpo toda a vida internauta do Joaozinho. Algo que Joaozinho coloca preocupacao com reserva, pois, nao tendo ele nada realmente importante que esconder, presume-se, entao, nada podera ser usado contra si.

A preocupacao de Joaozinho eh com que uma remota possibilidade possa acontecer. A de que como tudo esta ficando controlavel via internet, algum poder obscuro maior venha a tomar posse. Neste caso, ate os pensamentos poderao tornar-se crimes. E quem ja os expressou na internet nao tem como retira-los. E Joaozinho bobo faz um convite a todos para pensar.

Imagine-se que por tras da internet exista uma imagem como a de um espelho. Tudo o que esta na internet, entra tambem na subinternet. Se voce apagar o que resolver retirar da internet, continua registrado do outro lado. Voce nao tem acesso ao outro lado. Mas o outro lado tem acesso ao que voce faz. Joaozinho bobo imagina ser de bom alvitre, e por via das duvidas, falar apenas de banalidades e, no maximo, a respeito da possibilidade de o mal cheiro ser usado como fonte de energia renovavel.

Voce nunca sabe o quanto e como a inteligencia artificial sera usada contra voce mesmo!

Especialista nos meandros da vida eletronica afirma: a partir deste inicio de III milenio nao contar-se-ao 4 decadas para que cerca de 40% dos postos de trabalho no mundo sejam eliminados do mercado. Pensa-se que a ganancia por substituir mao de obra humana por recursos tecnologicos com o pretexto de dar rentabilidade `as empresas devera atingir a este ponto.

Observe-se que, no inicio, a implantacao das tecnologias robotizadas tiveram um argumento encantador. Os robots iriam substituir as pessoas que faziam trabalhos muito repetitivos ou em locais de risco `a saude das pessoas. Mas ja se apresentam em toda e qualquer posicao antes ocupada por seres humanos. Exceto, claro, na posicao de alguem que possua alguma coisa. Eles ainda sao escravos dos humanos e nao tem direito a possuir escravos.

Numa perspectiva atual e `a vista do crescimento populacional na Terra, observa-se que sera preciso criar novas formas de trabalho para substituir o que sera perdido e o que sera introduzido. Aparentemente, Joaozinho bobo nao cre que isso sera possivel, ja que a tendencia da criatividade humana, de cima para baixo, nao tem ajudado muito durante as pouco mais de 5 decadas de vida dele.

Mas, por ser bobo, pensa que se suas perspectivas estiverem corretas, havera um estrondoso chacoalhar na piramide social. Ele imagina que quem sentira mais as perdas num primeiro momento serao os mais pobres, barbaros substituiveis, que os mais ricos, civilizados estultos. As substituicoes poderao ser mais drasticas justamente nos paises mais pobres. O que resultaria na hecatombe para alguns e instabilidade para outros.

Neste caso a desgraca podera reverter-se no sentido da base para o topo da piramide. A situacao tornar-se-ia delicada. Um recurso seria criar o salario minimo para todos os que nao tiverem emprego. A parte da populacao menos qualificada tera que passar pela vida sem conhecer o significado da palavra trabalho. Outra opcao seria retornar-se ao que foi a ambicao humana quando comecou a inventar novas ferramentas e criou a agricultura e a pecuaria.

Antes desse tempo, o ser humano precisava manter-se em movimento enquanto durasse a claridade do dia para buscar alimentos para si e a familia. Com as descobertas novas ele angariou tempo disponivel para elaborar melhores moradias, usufruir de dias festivos e esticar um pouco seus momentos de lazer com a familia. Com o tempo acabou podendo separar os dois ramos de funcoes na sociedade: que foram os que trabalhavam com o cerebro para facilitar ainda mais a vida de todos, e os que se sacrificavam no trabalho bruto porque os que usam o cerebro nao tinham tempo para isso.

Essas eram as duas funcoes basicas do trabalho e que fizeram parte do primeiro contrato social. O objetivo inicial era o de facilitar o trabalho para todos para que todos tivessem mais tempo para si mesmos e para a comunidade. Porem, uma parte dos que usam o cerebro, desconfia Joao bobo, pensa que os que fazem o trabalho bruto sao incapazes de usar o cerebro. Por isso os estao tornando obrigados a trabalhar cada vez mais por um salario cada vez menor. Joao bobo pensa que isso nao chegara ao bom fim!

Como o objetivo da sociedade foi sobreposto pelo ter e nao o ser, essa parte excluida da populacao podera comecar a pensar coisas que nao devia! Diante da falta de perspectiva de vida, podera pensar que nada tem mesmo a perder. Coisa triste! Mas muitas guerras comecaram por este caminho! Alguns poderao interpretar um adagio antigo, que era apenas uma piada, como ordem do dia. Assim se brincava: “Economia de guerra: mate apenas um rico por dia!”

Joao bobo nunca gostou desse tipo de brincadeira. Mas sabe que entre ele nao gostar e convencer a todos que tambem nao devem gostar vai-se uma grande distancia. Joao eh tao bobo que evita correr atras de solucoes aparentemente faceis com resultados sabidamente ineficazes. Nao gosta de trabalho mas nao se importa de queimar as pestanas longamente para dar solucao a todos os conflitos. Eh o unico dom que possui.

Outra alternativa seria reduzir a carga horaria de todos os trabalhadores `a metade. Neste caso, atingir-se-ia a norma do contrato social inicial em termos de facilitar a vida de todos. Assim, cada expediente de 40 horas podera ser alternadamente ocupado por duas pessoas trabalhando 20 horas cada uma. Todos trabalharao e terao mais tempo para, por exemplo, estudar mais, tornar-se mais criativos.

Essa situacao, podendo ser a salvacao da lavoura, pode tambem tornar-se causa de conflito. Aqueles que se julgam mais competentes que os outros dirao que sofreram injustica, pois, na nova situacao veriam menos perspectivas de subir na vida. Haveria uma tensao elevada entre os antigos membros das classes media e baixa. Mas tudo deve ser encarado como desafio. Se for encarado como problema o resultado eh o conflito e nao a solucao.

A pior de todas as alternativas sera deixar o bando de desempregados virar por si mesmo. Esta sim sera a forma de chacoalhar a piramide com maior forca. Significaria o desaparecimento de um grande numero de pessoas da base salarial. Ou seja, seria gente que deixaria de comprar, de consumir. Estes pobres coitados nao sao insignificantes como Joaozinho pensa que alguns pensam deles. Sao pobres sim mas imprescindiveis.

Embora os grandes podendo nao perceber, essas pessoas consomem coisas baratas numa proporcao muitas vezes maior que as pessoas do topo da piramide. Claro, os do topo da piramide podem entrar num restaurante fino e gastar aquilo que poderia comprar um almoco para 100 pessoas do pe da piramide. Mas o gente fina nao ira comer naquele restaurante todos os dias. Ja o pobre se ve obrigado a comer seu alimento barato quantas mais vezes puder. Nem sempre ele tem condicoes de fazer 3 refeicoes completas por dia.

O importante eh que os gastos baratos do povo de baixo da piramide viram riquezas para quem vende para ele. Pode nao ser muita coisa de cada um mas este segundo ator devera reunir alguns milhares de clientes. Como o numero de pessoas das bases eh assustadoramente maior, entao, sao muitas outras pessoas secundarias na piramide. E sao elas que tem o poder aquisitivo para consumir melhor. Elas movimentam um mercado mais sofisticado. Este mercado mais sofisticado eh que movimenta a compra de carros novos, apartamentos novos e muitas outras coisas.

De uma forma ou de outra, eh o dinheirinho do misaravel movimentado na base da piramide eh que vai subindo de degrau em degrau dela, ate chegar `as maos dos magnatas. Ou seja, uma paralisia economica na base da piramide representa a queda de degraus no topo da piramide. Isso eh automatico. Nao existe magica que faca o topo da piramide permanecer no ar sem este sustento da base. E o tombo sera proporcional `a sensibilidade com que as pessoas do topo da piramide analisarem a questao e agirem. O pouso pode ser tao suave quanto desastroso.

Eh possivel que a situacao esteja caminhando para o envio de parte da populacao humana para o espaco. Literalmente falando!

Exatamente. Houve na Historia Humana uma fase em que a desordem estava estabelecida. As guerras eram diarias. Nenhuma delas solucionava nenhum desafio senao o de produzir armamentos cada vez mais mortiferos. As pessoas estavam desesperadas. Mas foi quando algumas pessoas tiveram a ideia de lancar caravelas nos oceanos e acabaram descobrindo terras que pensavam nunca antes ter sido pisadas por europeus. A Historia em si nao foi bonita mas isso proporcionou o surgimento de uma nova civilizacao. O apice dela encontra-se agora na entrada do III milenio.

A perspectiva de o ser humano vasculhar o espaco e encontrar planetas semelhantes `a Terra nao eh remota. Remota eh a perspectiva de descobrir um meio de transportar-se para eles. O desafio, porem, nao era diferente 600 anos antes do inicio do III milenio. A possibilidade de fazer-se essa viagem agora eh impossivel. Seria sempre uma viagem sem retorno.

Que as pessoas fiquem avisadas. Melhor sera procurar resolver os desafios aqui mesmo na Terra que esperar por uma descoberta milagrosa. Nao se deve entrar em nenhuma canoa furada, so de ida. Esperem os primeiro que forem e voltarem.

Joaozinho tem a ideia boba de que talvez o mundo nao precise avancar tao rapidamente no sentido de usar inteligencia artificial. Pensa que poderia ser mais util fazer bom uso da inteligencia natural.

Algo lamentavel que Joaozinho bobo conhece eh o fato de ele poder mandar essa correspondencia `as pessoas do IV milenio mas as pessoas do IV milenio nao poderem mandar sua correspondencia para os do III milenio! Isso porque o Joaozinho tem conhecimentos que extrapolam os milenios nos quais viveu. Um deles eh o de que os ricos do inicio do III milenio nao terao descendentes no IV milenio!

Os superricos principalmente, nao necessariamente todos, pensam somente em seus filhos, netos e bisnetos. Competem tanto entre eles para serem uns mais que os outros que nao se importam em fazer um pequeno exercicio mental para ir alem disso. Talvez seja porque eles estejam tao preocupados em ganhar dinheiro que nem sequer se preocupam em estudar as proprias genealogias. Deixam isso para la. Isso eh coisa de historiador desocupado!…

Mas os superricos descendem igualmente tanto dos mais pobres quanto dos mais ricos que viveram no inicio do II milenio. Igualmente, quem viver no inicio o IV milenio sera descendente dos mais ricos e dos mais pobres que viveram no inicio do III milenio. Assim, nao existirao descendentes dos superricos ou dos pobres. Haverao os descendentes, simultaneamente, dos ricos e dos pobres. E nenhum dos descendentes tera motivo para orgulhar-se de seus ancestrais superricos! Preferirao identificar-se com suas origens pobres.

Joaozinho bobo nao tem provas do que ele sabe. Por isso lamenta que os viventes do inicio do IV milenio jamais poderao enviar uma cartinha a seus avos do incio do III milenio! Lamento que poderia ser sem fundamento algum se os superricos assistissem melhor aos pobres e os pobres pudessem abracar aos superricos, pois, o melhor para ambos agora refletiria positivamente na descendencia simultanea!

Ter cuidados de uns para com os outros, pensa Joao bobinho, eh o mesmo que ter cuidados para com os descendentes de seus ancestrais ao mesmo tempo ter cuidados para com todos os seus descendentes em todas as geracoes que virao!

 

18a. DEFINICAO: POPULACOES

Thomas Robert Malthus foi o primeiro economista a atentar para a questao da necessidade do equilibrio entre populacao e producao de alimentos de forma mais ou menos cientifica.

Atraves de dados empiricos ele percebeu que a populacao `a epoca dele, editou pela primeira vez um livro a respeito em 1798, crescia exponencialmente enquanto a producao de alimentos crescia aritimeticamente. Ou seja, uma crescia em termos: 1, 2, 4, 8, 16… e a outra em termos: 1, 2, 3, 4, 5… Neste caso, ele concluiu que haveria um colapso no futuro e, para evita-lo, haveria que fazer-se algum controle de natalidade. Provavelmente ele observou apenas os dados ao redor dele desconsiderando a abertura de fronteiras agricolas novas.

Malthus foi devidamente ignorado e suas teorias foram varridas para debaixo do tapete. Ao contrario, por exemplo, da Teoria da Evolucao de Charles Darwin. Por que uma teoria tornou-se tao creditada e a outra tao esquecida? Uma das razoes mais obvias foi que a teoria de Darwin bateu de frente com a Teoria Criacionista, entao, a palavra que ditava as ordens do dia.

O que envolvia a popularidade da Teoria do Criacionismo era o fato de ela ter sido ajustada a certas crencas religiosas. Crencas e crendices religiosas tinham um poder mais avassalador sobre a populacao em tempos anteriores ao inicio do III milenio. Na situacao, a fonte do criacionismo era a narracao biblica, porem, sob um prisma literal. O que implica que os seis dias narrados para Deus Compor o Universo Material teriam sido seis dias terrestres. A interpretacao tem o efeito unico de engessar a criatividade e nao dar autoridade ao criacionismo.

Obviamente, para as pessoas que vivem no inicio do III milenio eh facil pensar com mais clareza. A Terra faz parte de um sistema solar muito grande `a visao humana. Porem, pode-se compara-lo a um grao de areia numa praia pequena, pois, a galaxia Via Lactea, na qual o sistema solar esta inserido, possui 100 bilhoes de outras estrelas, e muitos outros corpos celestes sao maiores que o Sol.

O Universo Material ja esta calculado comportar 100 bilhoes de galaxias diferentes da Via Lactea. Entre uma galaxia e outra existem espacos “siderais”! Esta eh a Criacao Divina que conhecemos “de perto”. Entao, por que Deus se sujeitaria `a medida de tempo criada pela pequenez e visao distorcida humana para expressar a Criatividade Dele? Mais de um seculo apos a Teoria da Evolucao existir, tem gente que nao se conforma que Darwin estava mais correto que os criacionistas.

Contudo, em ciencias, ao contrario do que os detratores de qualquer teoria queiram creditar, nao ha um sentimento irremovivel de causa. Ou seja, por mais sagrada que uma teoria seja considerada, ela sempre esta sujeita a ser derrubada por outra mais logica. Essa mobilidade de pensamento humano eh menor em casos religiosos. Isso porque religiosidade eh um sentimento, nao uma ciencia.

Embora existam normas e conceitos nas religioes, que de certa forma nascem da observacao do mundo que gira em torno da vida, exatamente como ocorrem nas ciencias, estas normas e conceitos sao creditados como divinos e imutaveis. O que torna as religioes e religiosos mais conservadores e propensos a certas logicas, o que leva ao consequente descredito de certas versoes religiosas.

A grande diferenca entre as duas, ciencia e religiao, eh que a ciencia trabalha com fatos missiveis, geralmente expressos por meio de formulas; e a religiao trabalha com suposicoes invisiveis, nem sempre comprobatorias, portanto, dependem da vontade das pessoas acreditarem ou nao. Essas condicoes fazem com que obrigatoriamente as ciencias avancem em conhecimento que eh o seu motor mestre; ao contrario das religioes que tendem ao conservadorismo, mesmo sendo ele, `as vezes, irracional.

Em muitos casos homens das ciencias comportam-se exatamente como conservadores religiosos. As pessoas se acostumam `as teorias e as colocam como sagradas em seus proprios amagos, sentindo uma sensacao de perda quando novas teorias surgem para derruba-las, ou substituir algum de seus conceitos. A constatacao pratica disso agora no inicio do III milenio esta por exemplo em decidir quem descobriu as Americas.

Apos 500 anos afirmando ter sido o italiano Cristovao Colombo, sob os auspicios dos reis da Espanha, ja se sabe que todos os ramos da especie humana ja haviam estado nas Americas antes dele. Africanos, asiaticos e mesmo outros europeus! A dificuldade esta em colocar isso nos livros de Historia de forma a causar o minimo de sentimento de perda possivel. Porem, verdade eh verdade, e nada resistira a ela para sempre.

A diferenca entre religiao e ciencia eh que as ciencias aceitam essa instancia intermediaria chamada de teoria. Nao se trata de uma verdade cientifica. Trata-se de uma suposicao baseada em evidencias. Algo equivalente `a fe nas religioes. Porem, para tornar-se verdade cientifica a teoria precisa ser provada. Necessita ser reproduzida por diversas fontes diferentes. O que eh proibido em relacao a alguns conceitos religiosos.

Voltando a Malthus. A teoria dele nao contradizia necessariamente o texto biblico. Ao contrario, desenhava um futuro semelhante a certas descricoes do Apocalipse. Malthus calculou que se a explosao demografica continuasse no ritmo em que se encontrava no tempo dele a Terra poderia conter ate mais de 200 milhoes de almas humanas por volta do ano 2.000. Tambem calculou que a populacao da Terra nao deveria exceder aos 9 bilhoes, portanto, visualizou que seria necessario controlar a natalidade para que a populacao nao excedesse a este numero.

Entre erros e acertos, Malthus nao previu que os seres humanos desenvolveriam tecnologias de producao de alimentos tao avancadas que tornaria possivel produzir varias vezes o que se produzia no tempo dele por unidade de area. Em tempos atras, por exemplo, a producao de milho nos campos brasileiros girava em torno da media de uma tonelada e meia por hectare. Atualmente, com os recursos disponiveis pode-se produzir 10 vezes mais numa area equivalente.

Claro, Malthus, como todos os cientistas, era apenas um estudioso e nao um adivinho. Agora no inicio do III milenio eh mais facil fazer previsoes porque o conhecimento eh maior e trabalha-se com maior numero de variaveis possiveis. Se os conhecimentos sao muito mais profundos do que se tinha antes, o que dificulta muito a formacao de um profissional capaz de fazer boas previsoes, por outro lado existem os instrumentos de apoio, como os computadores, as imagens de satelite, a divisao do trabalho entre diversas equipes. Enfim, toda uma trama capaz de coisas nunca antes imaginadas. Precisando-se apenas saber trabalhar em grupo.

Algo que Malthus levou em conta nasce de uma deducao logica. A humanidade possui apenas um planeta onde viver. Portanto, tem uma area limite a partir da qual nao ha mais como expandir. Mesmo contando-se os oceanos que estao sendo usados como fazendas. Atingida a capacidade maxima de producao de alimentos, nao havera como expandir o planeta. Nao eh uma boa ideia colonizar outros planetas do sistema solar por isso ser demasiado perigoso para a saude humana.

Outro detalhe levantado pelo economista foi o limite de recursos. A atual superproducao de alimentos acontece basicamente em funcao da exploracao do petroleo. Dele se retira a energia que muito influi na producao e, mais que isso, muitos dos insumos como os adubos que tornam a superproducao possivel. Malthus jamais previu que o ser humano seria capaz de produzir alimentos suficientes para todos e, mesmo assim, existirem os que o tem em excesso e os que continuam sofrendo fome.

Neste inicio de III milenio ainda estao sendo encontradas novas fontes de petroleo e talvez a humanidade tera reservas para depender dele por mais um seculo. Contudo, ele e outras fontes nao renovaveis de recursos irao esgotar-se mais cedo ou mais tarde. Portanto, a previsao de que a humanidade nao deveria ultrapassar, feita antes de o petroleo tornar-se a matriz energetica movedora do desenvolvimento, um determinado numero foi uma antecipacao sabia da realidade. Mesmo a Terra comportando mais de 9 bilhoes de pessoas, sem assistencia alguma de petroleo, havera um numero de equilibrio que o bom senso pede para que nao seja ultrapassado.

Os atuais cientistas sabem que o colapso da atual civilizacao ja se encontra visivel numa luz vermelha no final do tunel. Sabem que o “progresso” atingido pela civilizacao do inicio do III milenio, acelerado a partir dos 3 seculos anteriores, tem efeitos colaterais danosos e que acelerarao tambem a bancarrota caso nao se consiga atitudes e conhecimentos novos capazes de amenizar ou reverter tais efeitos.

Algo ja sabido eh que o uso de combustiveis fosseis ao longo do tempo, e ainda sem alternativa renovavel correspondente, acelerou a mudanca climatica conhecida como “Aquecimento Global”. As temperaturas medias do planeta estao tao elevadas que nao se encontra medidas semelhantes senao em eras passadas, cujas temperaturas elevadas foram provocadas por causas desconhecidas.

Alem disso sabe-se que nao esta mais em poder do conhecimento humana a reversao desse aquecimento porque ja acumulou o volume de gases de efeito estufa na atmosfera o suficiente para acontecer a aceleracao, sem a contrapartida do recolhimento ou absorcao natural. O ser humano nao desenvolveu a tecnologia capaz de recolher o excesso e suplantou a capacidade da natureza de absorver.

As consequencias das elevacoes das temperaturas medias ja sao sentidas pelas populacoes. As geleiras que levaram seculos, milenios e ate milhoes de anos para se formarem estao derretendo numa velocidade cada vez mais rapida. Calculou-se que o nivel dos oceanos podera elevar-se ate 9 metros no espaco do seculo corrente. Como a maioria da populacao terrestre vive nas atuais bordas dos oceanos, ela tera que mudar-se para o interior, mesmo que continue a viver nas novas bordas.

Sabe-se que paises inteiros desaparecerao. Que catastrofes em forma de furacoes e ventanias serao mais fortes. Que as construcoes terao que ser adaptadas `as novas situacoes. Que os mais pobres continuarao a ser os mais vulneraveis. Que secas avancarao em alguns pontos do planeta enquanto em outros acontecerao os excessos de chuvas. A humanidade estara mais sujeita a condicoes novas para a disseminacao de doencas que poderao tornar-se epidemias catastroficas.

A maior de todas as tragedias eh ter o conhecimento e nao se fazer ou deixar fazer algo para evitar as tragedias. As pessoas tornaram-se insensiveis aos riscos. Querem continuar usufruindo dos beneficios desta civilizacao, com os olhos voltados apenas para o ter, sem assegurar-se de que haja civilizacao alguma nas proximas geracoes. As pessoas estao como os animais que enxergam apenas o alimento dentro das armadilhas em que estao caindo.

As populacoes humanas surgiram atraves de uma matriz africana. Isso quer dizer que o ser humano surgiu na Africa. Algumas variedades passaram-se para outros continentes mas a variedade Homo Sapiens Sapiens foi a unica que havia escapado `a extincao ate o inicio do III milenio.

A principio, a populacao humana que saiu da Africa povoou o entorno do Oceano Indico, conseguindo migrar inclusive para a Australia. Tambem habitou o Caucasus. Essas populacoes primitivas nao chegavam a formar nacoes. Viviam em um mundo bastante hostil, onde a pessoa humana era um animal fraco entre os predadores. A sua forca estava no cerebro mais desenvolvido que o dos outros animais.

Como a migracao aconteceu no decorrer de milhares de anos, as populacoes isoladas adquiriram caracteristicas proprias em suas aparencias. Os habitantes do Caucasus por exemplo perderam boa parte da capacidade de produzir melanina, por causa da baixa incidencia solar, e isso era necessario para nao interferir com a producao de vitamina D. Como consequencia, a pele desta linhagem humana tornou-se branca.

As outras linhagens permaneceram com a pele escura porque habitavam locais mais ensolarados. Precisavam da melanina como um protetor solar natural. A tonalidade mais escura ou mais clara vai aparecendo de acordo com a latitude da Terra que as linhagens habitavam.

Uma caracteristica dessa epoca inicial eh que as populacoes eram formadas principalmente pelas geracoes de pais e filhos. A condicao de cacadores e coletores de alimentos dificultava muito a vida das pessoas. Elas nao tinham muito como planejar e estavam sujeitas a todo tipo de intemperie. Nao acumulavam reservas, portanto, nao tinham tempo para parar para pensar e elaborar novas estrategias de meio de vida.

A populacao de pele branca espalhou-se pelo Caucasus, Asia e America do Norte. Dela surgiu uma distincao que deu o carater asiatico a uma de suas linhagens. A familia africana ou a australiana foi a primeira a habitar porcao da America do Sul.

Estas populacoes antigas das Americas podem ter sido extintas por algum evento ainda desconhecido ou terem sido absorvidas pelas novas migracoes que ocorreram por volta de 8 mil anos anteriores ao III milenio, trazendo levas de povos asiaticos. Nao se sabe ainda ao certo o que aconteceu mas, proximo a esta epoca, a megafauna americana (animais de grande porte) foi extinta tambem. Ou as familias humanas anteriores foram extintas juntamente ou poderiam ter sido extintas no contato com os asiaticos recem-chegados.

Isso pode ter quase se repetido quando Cristovao Colombo abriu a porta para a colonizacao das Americas pelos europeus. Eles transportaram doencas que os americanos nao tinham resistencia contra e causaram um verdadeiro genocidio involuntario. Mas tambem pode ter havido a absorcao das antigas populacoes pelas recem-chegadas da Asia. Por seu numero maior, a absorcao pode nao ter deixado grandes vestigios da ocorrencia.

Com a descoberta e o uso mais intensivo da agropecuaria surgiu um novo tipo de populacao na Terra. Esta pode tornar-se mais sedentaria (menos movel) e teve seus dias na materia prolongados. O surgimento da geracao dos avos tornou-se de grande importancia, pois, esta geracao pode tomar conta dos netos enquanto os pais puderam sair em busca do sustento das familias. Os avos ensinavam as sabedorias da vida e os netos partiam para ela melhor preparados.

Foram estas condicoes novas que permitiram o surgimento das grandes civilizacoes. E delas surgiram a civilizacao do inicio do III milenio. E esta acabou adaptando-se `a teoria malthusiana. Por razao diferente da que Malthus pensou, 50 anos antes do inicio do III milenio, as populacoes mais ricas do planeta comecaram a buscar com ardor o controle da natalidade.

Malthus pensava apenas numa vida sustentavel para todas as geracoes que pudessem vir depois da dele. As pessoas humanas no seculo XX queriam libertar-se da prisao que seus ancestrais sofriam por terem muitos filhos. Com familias numerosas, os pais nao tinham tempo para aproveitar melhor suas vidas. As geracoes que se seguiram passaram a seguir a ideia de planejar a familia, tendo poucos filhos no inicio do casamento, para que quando atingissem a meia idade os filhos ja fossem adultos o suficiente para tomarem conta de si mesmos, enquanto os pais se livrariam do encargo. Alem disso pensaram que ao terem menos filhos poderiam dar-lhes uma vida de melhor qualidade.

Outro fator que interferiu muito com a mudanca da composicao das faixas etarias das populacoes foram os avancos alcancados atraves da medicina. Uma serie de medicamentos passaram a ser usados onde se destacam os chamados antibioticos. O primeiro a ser identificado nas primeiras decadas do seculo XX foi a penicilina. Ela ajudou a combater doencas como a lepra e a tubercose, causadoras das mortes prematuras de numero consideravel da populacao.

Diversas outras descobertas resultaram no prolongamento da media de vida das pessoas humanas. Agora no inicio do III milenio nao ha como afirmar-se que o ciclo de vida humano foi prolongado. Isso porque, antes dos avancos, ja existiam pessoas que herdavam condicoes naturais que lhes permitiam alcancar idades tao avancadas quanto as atingidas no seculo XXI. A melhoria se deu no fato de que, combatendo as condicoes que levavam `as mortes prematuras, mais pessoas tem chegado a idades mais avancadas.

35 seculos antes, um farao egipcio, Ramses II, atingiu idade acima de 90 anos. Quando faleceu nao tinha filhos vivos, nem outra pessoa da geracao dele ou dos filhos viviam. Os netos ainda vivos estavam em idades consideradas avancadas. Pessoas temeram que aquilo representaria o fim da Historia Humana, pois, nao concebiam vida sem a intervencao daquele rei que lhes parecia ser a fonte da existencia de tudo o que conheciam.

Na entrada do III milenio as pessoas estao experimentando com mais frequencia fato raro em epocas anteriores. Bisavos tem convivido com seus bisnetos e acompanhando o desenvolvimento de alguns ate `a idade adulta. Existem os que veem o nascimento de seus trinetos.

Essa nova condicao no entanto nao tem acontecido a todos que atingem idades mais avancadas. Simultaneamente `a busca de um melhor padrao de vida, a cultura da formacao das familias foi rapidamente modificada. Mais pessoas decidem nao ter filhos. Nas nacoes mais desenvolvidas a maioria prefere ter seus filhos somente apos obter uma determinada estabilidade economica ou em suas carreiras profissionais.

`A epoca dos avos dos avos do inicio do III milenio as pessoas se tornavam pais, principalmente as mulheres, em suas adolescencias. Tinham filhos enquanto a natureza lhes permitiam. Os avos do inicio do milenio tinham filhos mais frequentemente em suas idades adultojovens e escolhiam ter entre 2 e quatro filhos. A tendencia agora do III milenio eh de iniciar ter filhos ja no final da vida reprodutiva util ou nao te-los.

Estes novos habitos iniciados nos paises mais desenvolvidos e lentamente assimilados em nacoes menos desenvolvidas estao rapidamente mudando a composicao das populacoes na Terra. Um particular eh o de que, nos paises mais ricos, a media de filhos que cada mulher esta dando a luz eh menor que 2. Este numero eh insuficiente para sustentar o equilibrio populacional entre os que nascem e os que falecem.

Isso significa dizer que, mantido esse baixo indice de natalidade, o numero de habitantes da Terra ira, a partir de que todos se enquadrarem no mesmo habito, reduzir-se a cada geracao. Essa condicao nova poderia ser favoravel por algum tempo, pois, permitiria melhores estudos a respeito de consequencias e estabelecimento de novas estrategias que estabelecessem as melhores opcoes para assegurar a existencia da cultura humana pelos proximos milenios.

Uma possivel estrategia sera a de recompensar o membro do casal que decidir tornar-se genitor presente junto aos filhos. Este genitor poderia ter permissao de trabalhar menos por salario de melhor qualidade, para prestar mais assistencia `as criancas. Algo que as ultimas geracoes anteriores ao inicio do III milenio nao conseguiram conciliar, equilibrando tempo dedicado a suas carreiras profissionais e na edificacao da familia.

A caracteristica da especie humana de acompanhar cada momento da vida de seus descendentes durante tempo mais prolongado que outros animais foi alterada drasticamente sem o devido acompanhamento de consequencias. Essa eh uma das provaveis razoes pela qual muito eh dito que as familias estao desestruturadas mas nada eh feito para evitar as consequencias danosas.

Malthus jamais poderia imaginar que a teoria dele fosse posta em pratica tendo tais consequencias como haverao. Ele jamais poderia adivinhar que tantas geracoes poderiam conviver ao mesmo tempo. Cientista preveem haver a possibilidade de pessoas nascidas por volta do inicio do III milenio poderem alcancar idades tao avancadas quanto 150 anos.

Caso se concretize tal previsao talvez nao chegue a mudar o fato de os bisavos chegarem a conhecer seus bisnetos. Isso apenas aconteceria quando o bisavo ja estivesse em uma idade bem mais avancada do que a que tem acontecido. Em decadas anteriores ao inicio do III milenio tal idade seria suficiente para fazer um genitor conhecer descendentes ate das geracoes de penta ou hexanetos.

Seria uma relacao complicada decidir a quem caberia o encargo de prover para tal ancestral. Filhos e netos ja deverao estar aposentados e possivelmente necessitando ser atendidos por terceiros. Os bisnetos ja teriam pais e avos a quem prestar assistencia alem de estarem a caminho de estabelecerem suas proprias descendencias.

A piramide da vida `a qual a humanidade esta ainda inserida seria invertida. Ou seja, sempre houve uma piramide onde o maior numero de pessoas era a de jovens que eram sustentados por um numero medio de adultos, acontecendo de um numero reduzido de idosos compor o apice da piramide. Na nova situacao o apice passaria a ser ocupado pelo numero de jovens, o centro superior pelo de adultos e toda a base ocupada pelos idosos.

Esta nova formacao piramidal sera o decreto do fim da humanidade ou os idosos terao que prolongar em muito os dias de trabalho deles. Assunto que as ciencias ainda nao esclareceram como funcionara tal piramide. A menos que o robot inteligente seja feito realidade e nao seja tao inteligente a ponto de recusar-se a trabalhar para susportar a vida humana na Terra! Algo que a inteligencia racional humana nao foi capaz de fazer nem mesmo nos mais absurdo das exploracoes. Mas o ser humano pode ser contido pela dor por ser animal e o robot ainda nao!

Essas mudancas de conteudo na formacao das populacoes humanas conta com outro ingrediente pelo menos curioso senao interessante. A parte da populacao humana que continua propensa a multiplicar-se exponencialmente eh a mais pobre e menos informada. Como essas caracteristicas sao mais frequentes em nacoes mais atrasadas eh nelas que a multiplicacao se concentra.

E deles tem surgido o grande movimento migratorio em direcao `as nacoes mais desenvolvidas. Estas estao em dificuldades de repor suas populacoes cada vez mais idosas e necessitam bracos jovens para substitui-las, sobretudo em epocas em que as condicoes economicas sao mais favoraveis, quando os nativos dos paises ricos podem escolher melhores posicoes, deixando sobrar as vagas de menor remuneracao. Mas ate essa fonte de reposicao esta secando, pois, esta tambem chegando aos paises mais pobres o controle da natalidade.

Outra realidade conhecida eh que as pessoas ligadas a religioes mais tradicionalistas nao se submeteram completamente a este controle. Destaca-se no mundo neste quesito a religiao muculmana. Principalmente em alguns ramos mais radicais, nos quais a mulher ainda nao se libertou da supremacia machista, as mulheres continuam tendo tantos filhos quanto suas ancestrais.

Embora este nao seja o unico ramo religioso que esteja se colocando contrario ao controle da natalidade. Na religiao catolica, na judia e no ramo cristao conhecido como mormon, existem setores quase tao contrarios ao controle da natalidade quanto ao ramo muculmano. Eles alegam uma determinacao divina para que continuem se multiplicando. Mesmo visualizando isso levar a humanidade a um becosemsaida, esperam que no fim haja um milagre! Bem disse o profeta: “Nao tentaras o senhor seu Deus.” Mas eles nao ouvem.

Esta condicao e a migracao estao deixando nervosos os radicais de outras religioes dominantes em paises industrializados. Com razao, eles anteveem que se as coisas continuarem como estao, em breve os muculmanos serao maioria no mundo. Os mais preconceituosos tambem estao se sentido acuados pela migracao das pessoas oriundas dos paises pobres, mesmo quando estas nao sao muculmanas. Passa por suas cabecas o pavor de que as caracteristicas morfologicas de seus ancestrais deixe de ser dominante e ate desaparecam de seus paises.

A situacao eh de confronto e continuara ate que os migrantes tornem-se nacionais por duas ou mais geracoes. Estes acabam se misturando tanto genetica quanto culturalmente com as populacoes antigas, mudando um pouco a aparencia do conjunto, contudo, acabam adaptando-se mais ao que encontram no novo pais do que ao que deixaram em suas nacoes de origem.

Os tradicionalistas radicais nao perceberam ainda que essa nao eh uma questao de escolha deles. Enquanto houver pessoas acreditando que havera melhora em suas vidas caso migrem, a migracao continuara. E enquanto as populacoes antigas nao forem capazes de repor a si mesmas, abrir-se-ao as oportunidades para a chegada de imigrantes. Portanto, o melhor eh abrir as portas e deixar o visitante confortavel para que permaneca, pois, esta eh a unica forma de impedir que a cultura na qual se acredita tambem continue existindo por algum tempo mais prolongado.

Muitos nao compreendem que embora os ancestrais de muitos fossem cristaos que viveram no inicio do II milenio, estes ancestrais sentir-se-iam desconfortaveis se fossem transportados para um pais de maioria crista e cultura do inicio do III milenio. Eles seriam incapazes de identificar-se com os usos novos e os novos costumes. No entanto, os cristaos mais fervorosos que vivem no III milenio se sentem confortaveis com seus usos e costumes. Coisa semelhante aconteceria com muculmanos e representantes de outras religioes.

Assim como os viventes do inicio do III milenio nao aceitariam que seus ancestrais do inicio do II milenio ditassem regras em suas vidas, o mesmo deve esperar-se que aconteca em relacao aos que nascerao no final do III e inicio do IV milenios. Nem mesmo os bisavos devem sonhar em determinar o que os bisnetos farao, pois, esta escolha nao lhes pertence.

A escolha dos que vivem no presente eh essa: ser bom e dar bom exemplo. A escolha das geracoes futuras sera essa: seguir ou nao seguir e ampliar ou reduzir o que lhe foi passado. Os mortos nao determinam o futuro. Podem apenas ter sido amaveis ou agressivos para com todos pois as gentilezas e as cicatrizes serao escolhas que as futuras geracoes farao. Melhor as gentilezas, pois, elas estao repletas de boas consequencias.

Malthus jamais imaginaria que sua teoria iria ser silenciosamente posta em pratica como esta sendo.

Duas consideracoes finais importantes. Os superricos tratam a si mesmos como civilizados e aos mais pobres como barbaros. Eles deviam entao fazer suas contas e lembrar-se que lhes basta ter 2 filhos, seus filhos lhes dar 4 netos, seus netos presentea-los com 8 bisnetos e assim seguindo de geracao em geracao. Ja que sabem tanto contar dinheiro, deveriam lembrar-se de contar pessoas que terao a possibilidade de deixar no mundo a partir da 33a. geracao depois das deles!

Eles poderao ser ancestrais de todos os moradores da Terra num determinado momento que suas multiplicacoes coincidirem com a multiplicacao do conjunto da Terra. Entao, eles partilharao descendencia com toda e qualquer pessoa de suas epocas, e que deixarem descendencias que habitarao o IV milenio. Teria sido inteligente da parte deles cuidar melhor de seus contemporaneos, pois, deles saira as sementes que darao origem `a propria descendencia deles.

Outra grande licao que se poderia tirar dessa representacao piramidal das populacoes por geracoes eh a de que as pessoas a partir do inicio do III milenio precisariam ter pensado melhor na formula que levaria `a paz em todos os cantos da Terra. Isso porque as guerras sao determinadas por pessoas mais velhas, porem, a maioria absoluta dos que lutam sao jovens.

Quando todos os paises tiverem suas bases populacionais formadas por um maior numero de adultos e idosos e a populacao de jovens for minoria, qualquer guerra sera devastadora para as populacoes dos paises que decidirem pelos caminhos das guerras. Se a metade dos jovens de qualquer nacao for dizimada, passarao geracoes ate que a nacao possa recuperar-se do efeito delas. Qualquer numero superior `a metade podera significar nao apenas uma vulnerabilidade futura mas tambem o decreto do fim de sua cultura.

 

19a. DEFINICAO: SUPREMACIA

Supremacia eh um dos desvios do comportamento humano. Um mal universal que atinge a quase maioria da especie. Tem origens em instintos animalescos e resquicios em componentes culturais. O tratamento nao deveria ser dificil alcancar nao fossem os interesses em manter viva a doenca.

Ha que lembrar-se aqui que sao dois os sentidos para supremacia. Quase todas as palavras do vocabulario humano trazem pelo menos duplo sentido. Dai ser necessario nao generalizar-se tudo o que eh dito.

Nesta situacao pode-se dizer que um atleta de ponta foi o maior ganhador de competicoes em sua especialidade esportiva. Isso significa que em confronto com seus contemporaneos essa pessoa ganhou mais vezes, portanto, ela obteve uma supremacia sobre seus concorrentes. O fato eh que isso nao torna o campeao melhor pessoa que seus concorrentes nem melhores que as pessoas que nao concorreram.

Porem, toda supremacia eh temporaria. Os atletas envelhecem como todos os outros seres viventes. Logo deixarao de ganhar competicoes e atletas jovens, mesmo tendo aptidoes menores que eles, irao vence-los em confronto direto. Esta eh a ordem natural das coisas.

Ja a supremacia doentia eh aquela que pessoas pensam possuir mas nao se interessam verificar ou revisar as bases falsas em suas alegacoes. Muitas vezes sao conceitos tao antigos que as pessoas preferem aceita-los como verdadeiros porque se enquadram nos criterios erroneos que lhes permite parecer ter um carater de superioridade. Mas a supremacia doentia baseia-se em pilares sempre falsos e erroneos.

Uma das formas de supremacias mais antigas eh aquela vinculada a religioes. A cultura ocidental do planeta Terra herdou grande resquicios desta doenca. Ao que se pode verificar ela derivou dos escritos biblicos mais antigos e os erros de interpretacao de uma vontade divina nao explicada. Trata-se de uma inversao de valores. Nao eh um erro exclusivo do judaismo antigo. Tratava-se da forma egocentrica das pessoas humanas conceberem a vida.

Nao se sabe quando religioes surgiram. Sabe-se apenas que muito antes de existir alguma escrita conhecida as pessoas ja haviam desenvolvido sentimentos religiosos. E pessoas humanas se deixam levar facilmente pelas aparencias e delas tirar suas conclusoes erroneas.

Dentro da sistematica religiosa concebe-se uma inteligencia superior `as pessoas humanas `a qual se atribui ser a fonte do surgimento de todas as leis da natureza. Algumas culturas interpretaram a cada uma dessas leis como um deus, portanto, tornaram-se politeistas. Apesar de geralmente terem tambem concebido um deus para ser a origem de todos.

O judaismo nao foi a primeira religiao a conceber Deus como a Origem e atribuir as outras forcas a uma natureza criada. Porem, foi a religiao que se manteve durante os milenios logo anteriores ao inicio do III milenio e influenciou o que se seguiu.

O fundamental da relacao religiao/supremacia esta na concepcao do deus que pertence `a pessoa humana. Por logica, Deus deveria ser a Pessoa Suprema e o ser humano apenas criatura, nao havendo diferenciacao entre uma criatura e outra. Acontece que as pessoas humanas sofrem comumente do defeito comportamental chamado de egocentrismo. Uma tendencia a colocar-se no centro e sentir-se superior aos outros por quaisquer pretexto.

Nos milenios anteriores ao inicio do I milenio as religioes foram adaptadas ao carater nacionalista. Assim, as concepcoes em torno da Pessoa Divina desenhavam-se sobre a uniao cultural das pessoas que formavam as nacoes. Para isso acontecer, invertia-se a equacao da relacao Criador/criatura. Ao inves de pensar-se que a criatura pertencia ao Criador, usava-se os termos: “o meu Deus” ou “o nosso Deus”, invertia-se a logica.

Consequencia disso e do sentimento egocentrico humano as religioes de epoca, inclusive o judaismo antigo, adotaram a concepcao miope de pessoas melhores que as outras, baseado no criterio religioso. Cada religiao dizia que todo aquele que acreditasse no seu “Deus” era uma pessoa melhor que aquelas que acreditavam em outros ou nao acreditassem. Neste sentido, o judaismo desenvolveu a teoria de “povo escolhido”.

Automaticamente este “escolhido” pode ser vinculado a uma forma de supremacia doentia. A pessoa que pensa que foi apontada pelo indicador de Deus para ser “escolhida”, e elimina a condicao de todos terem a mesma origem e a mesma missao, revela-se: nao escolhida, porem, egocentrica num quadro mais brando da doenca e egoista, num quadro mais grave.

Mas dentro do proprio judaismo houve a divisao em faccoes. Uns se imaginavam mais “escolhidos” que os outros. A Biblia crista aponta o dedo para um partido que se autodenominou Fariseu. Este acabou tornando-se vocabulo como o derivado farisaismo ou: aquele que pensa saber mais que os outros e eh praticante da hipocrisia. Outros partidos formavam o conjunto que se chamou judaismo.

No inicio do I milenio surgiu um partido que foi chamado de Caminho. Ele nasceu das concepcoes judaicas de que um dia Deus enviaria alguem com a missao de ensinar, libertar e apacentar o povo judeu e levar a paz aos outros povos. A esta figura os judeus chamavam de messias. Os gregos, cultura entao dominante e transferindo sua dominancia para Roma, traduziu o termo para cristo.

O Caminho nasceu das interpretacoes de seus lideres em relacao aos ensinamentos asseverados pelo profeta chamado Jesus. Jesus nasceu judeu e deu entendimento novo a boa parte dos fundamentos judaicos. Os interpretes do Caminho adotaram os ensinamentos dele e vincularam o exemplo de vida dele aos escritos judaicos. Jesus deu o enorme passo para o entendimento entre os povos, eliminando o conceito de “povo escolhido” e abrindo os bracos para conversao de todos de nacionalidades diferentes que aceitassem suas orientacoes.

Os judeus mais radicais, porem, nao aceitaram ser despojados de sua pretensa supremacia. Nao se deixariam comparar-se a outros povos em igualdade de condicoes. Isso levou `a separacao dos dois ramos. O numero de estrangeiros que se tornaram seguidores do Caminho tornou-se predominante. Logo em seguida passam a chamar-se cristaos, porque conceberam que Jesus teria sido o messias (cristo) enviado por Deus. Mesmo diante da perseguicao dos judeus tradicionais e do, entao, imperio dominante: Roma, o cristianismo tornou-se dominante no Ocidente cerca de 3 seculos apos seu surgimento.

Apos a adocao da religiao crista pelo Imperio Romano, o cristianismo foi usado para impor a supremacia religiosa sobre os povos dominados. Por decreto do imperador Constantino, aos poucos implantado por seus sucessores, a religiao tornou-se oficial e veio a ser proibido prestar culto a outras culturas religiosas. Porem, o culto cristao imposto por Roma sempre foi contestado, tendo sua supremacia quebrada no Ocidente somente a partir do evento conhecido como Reforma Protestante, pouco mais de um milenio apos ao cristianismo tornar-se oficial.

Contudo, os novos ramos nunca se libertaram de todo da ideia de supremacia. Mesmo apos cada ramo ter sucessivamente originado outros ramos e a cada epoca terem sofrido atualizacoes, todos os ramos permanecem no erro de pensar uns serem melhores que os outros perante `a Pessoa Divina. O pouco que se tem conseguido em remover este obstaculo ao crescimento da humanidade nas pessoas humanas reflete o esforco que se tem feito em favor de remove-lo.

Proximo a meio milenio depois do surgimento do cristianismo surgiu a religiao muculmana. O profeta que lancou esta semente chamava-se Mohammad, tambem conhecido na lingua portuguesa como Maome. Dai alguns dizerem maometismo em relacao ao seguimento.

Mohammad viveu em Meca, na Arabia Saudita, por onde passava uma rota comercial muito importante. A populacao local era preferencialmente paga. Muitos habitantes seguiam tanto o judaismo quanto o cristianismo. E sabe-se que havia dialogo intenso entre membros dessas religioes. Naturalmente, a populacao arabe local seguia outras tradicoes. Os membros dos tres ramos tinham conhecimento de descenderem de profeta mais antigo, chamado na Biblia de Abraao.

Mohammad fez uma releitura das tradicoes e conceitos religiosos. No entendimento dele, corrigiu muitas coisas erroneas do judaismo e cristianismo. Por causa desse entendimento automaticamente estabeleceu que os muculmanos teriam supremacia sobre judeus e cristaos. Um pensamento logico quando partindo da suposicao de que uma lei que corrige outras anteriores sera automaticamente melhor.

Os ensinamentos de Mohammad nao foram aceitos em Meca a principio. Foi obrigado a mudar-se para Medina, entao um oasis em meio ao deserto, onde converteu sua populacao. Voltou e conquistou Meca. Ao contrario do que se esperava `a epoca, de que se vingaria mandando exterminar os concidadaos, perdoou e com isso converteu tambem essa populacao.

Formou novo exercito e foi conquistando cidade por cidade, oferecendo antes a conversao. Os que aceitavam eram logo assimilados e adicionados `a forca armada que iria conquistar o proximo terreno. Mohammad faleceu antes de ver concluir a conquista do maior imperio religioso que existiu durante a Idade Media. Ligava o Extremo Oriente ate o Oeste Africano e Peninsula Iberica na Europa.

Apesar do sucesso, desde o inicio houve a dissensao. Os primeiros herdeiros desentenderam-se em decidir a quem seguir apos Mohammad. Desta forma a religiao foi dividida entre os ramos Sunita e Xiita. Da mesma forma como cristaos e judeus sao divididos em faccoes, eles tambem demonstraram a imperfeicao humana ao pensar que alguma forma ou outra de acreditar levam automaticamente a algum direito de supremacia. Inclusive entre os proprios ramos.

As outras religioes no mundo nao se apresentam diferente ao terem oculta ou reveladamente a ideia de supremacia sobre os outros. O mesmo se da em relacao `aqueles que nao acreditam pois pensam que o nao acreditar seja superior. Estes sao alguns detalhes que dificultam o relacionamento humano no sentindo de explorar o potencial de inteligencia da especie para a elevacao da sociedade como um todo.

Outra face da supremacia eh aquela que se deu devido as cores de pele. Nao ha indicios de que fosse tao preconceituosa em relacao `a tonalidade das cores de pele a visao dos seres humanos mais primitivos. Este sentimento de superioridade de uns em relacao a outros multiplicou-se a partir de fatos historicos que levaram `as discrepancias de desenvolvimento. Aqueles que se achavam mais civilizados que os outros desenvolveram o preconceito, menosprezando o proximo.

Durante o dominio muculmano sobre a Peninsula Iberica ja havia um convivio, guardados outros preconceitos, relativamente tolerante entre pessoas com diferentes tonalidades de pele e ate mesmo em relacao a religioes diferentes. Catolicos, muculmanos e judeus tinham suas diferencas politicas mas souberam manter um equilibrio porque observaram ser mais produtivo trabalhar pelos interesses comuns a todos que preocupar-se com as diferencas que eram insignificantes.

Mesmo apos a chegada dos espanhois e portugueses `as Americas houve um principio de admiracao pelas culturas nelas encontradas. Na America portuguesa o indigena foi considerado nobre local. Mas esta primeira impressao logo cedeu `a ambicao.

Os colonos europeus que chegaram ao Brasil, por exemplo, depararam com uma visao paradisiaca a ser construida. Viram a fertilidade do solo por um lado, coberto por uma vegetacao luxuriosa e valiosa, o que pareceu a eles requerer o trabalho de titans para que fossem transformados em campos abertos e cultivaveis, `a semelhanca do que se fazia na Europa. Quase ja nao existiam florestas na Europa porque a devastacao fora feita para substituir por campos cultivaveis para uma populacao cada vez maior e consumista.

Temendo o esforco herculeo que teriam que fazer, os colonizadores enxergaram o nativo brasileiro como capazes de fazer o que nao sentiam competencia para realizar. Nao era dificil para o indigena cortar e carregar arvores e foi atraido para esse trabalho em troca de instrumentos rusticos como machado, facoes e outras coisas que nao sabia produzir mas pensava ser-lhe util.

Os indigenas tinham uma cultura sem ambicao de possuir mais do que necessitavam. Estavam adaptados `a condicao de tirar da natureza o essencial para suas vidas e lhes parecia desrespeitoso agredi-la como queriam que eles fizessem. Assim, os colonos tentaram doma-los `a forca e escraviza-los. Ato falho, pois, ninguem aceitaria, se o pudesse, ser escravizado em seus proprios dominios.

Ato seguinte os povos ibericos solicitaram indulgencias ao papa para transportar escravos da Africa, baseados em decreto anterior que permitia a escravizacao de muculmanos que se recusassem `a conversao catolica. Estabelecido entao o retorno da escravidao criou-se o mito de que os africanos nao eram totalmente humanos e poderiam ser escravizados sem dor de consciencia. Mito logo absorvido por todas as culturas europeias.

Desde entao produziu-se a transferencia dos recursos produzidos pelo trabalho de uns para o beneficio de outros com maior facilidade. Na Africa a pessoa poderia ser de origem nobre local mas se fosse capturado e transportado para ser escravizada nas Americas perdia o valor de pessoa humana para tornar-se escrava. O contrario se dava em relacao a algum europeu que nao tivesse outro valor que nao fosse a cor branca de sua pele. Transportado para as Americas poderia tornar-se senhor das pessoas com peles diferentes.

`A medida que o colonialismo europeu se expandiu pelo mundo tambem as riquezas recolhidas foram sendo concentradas no continente das pessoas de pele branca e de carater duvidoso, pois, desenvolveram a sindrome da supremacia. No decorrer do colonilismo a supremacia foi afiando suas garras. `A medida que os proprios europeus se fixavam nas colonias e nelas deixaram suas descendencias, os europeus nativos que tinham permanecido na Europa passaram a enxerga-los com preconceito tambem, mesmo que fosse num grau menor em relacao aos de outras origens.

O nobre da terra passou a ser preterido em tudo que concorresse com outro europeu puro. Os favores dos reis europeus na governanca das colonias eram entregues preferencialmente a qualquer nativo europeu em detrimento do nativo das colonias. A alegada supremacia europeia acabou tornando-se a semente que mais tarde provocaria as independencias das colonias. Mas antes disso muito sangue foi derramado.

O colonialismo nao deu origem `a doenca da supremacia, porem, ele foi o responsavel inquestionavel pelo aumento da virulencia dela.

Ja no seculo XX a “supremacia branca” ou “ariana” mostrou seu aspecto mais agudo da doenca. Particularmente durante a II Guerra Mundial. E mesmo militarmente vencida nos campos de batalha o germe da doenca continua endemico na humanidade. Claro, a doenca torna-se mais facil de ser diagnosticada em grupos de pessoas que se unem em funcao da tonalidade branca de suas peles. Porem, fica mascarada em pessoas com outras tonalidades de pele, mas que manifestam preconceito contra pessoas culturamente diferentes delas.

Uma dessas mascaras usadas pela doenca sao os muros culturais da educacao escolar. Muitas pessoas que cursam escolas ate alcancar os niveis mais elevados tem a impressao errada de adquirirem um status de supremacia em relacao `aquelas que nao cursaram. Nao importa a elas o que eh sabido pelas pessoas esclarecidas no assunto de que, as pessoas humanas, guardadas excecoes, nascem e tem potenciais intelectuais semelhantes umas `as outras.

Contudo, o que faz saltar aos olhos sao as diferencas de oportunidades. Isso pode ser compreendido pelo exemplo de uma crianca ter nascido em familia cujos pais sejam professores e outra cujos pais sejam analfabetos. Nao ha uma relacao perfeitamente direta de que a filha de professores ira tornar-se alguem com curso superior e que a filha dos analfabetos nao sera alfabetizada.

Mas no conjunto de todas as criancas em condicoes semelhantes, chances serao de que as filhas de professores alcancarao em media muito mais conhecimentos em suas vidas do que as filhas dos analfabetos. Mas isso nao esta relacionado com o potencial de inteligencia nem com a tonalidade de pele. Isso pode ser comparado a uma disputa de corrida onde uns ja saem com a vantagem de precisar correr uma menor distancia que as outras. Nao eh uma imposicao da natureza e sim uma falha das sociedades humanas que as criaram.

Estudos indicam que nao existe diferenca maior no potencial das criancas quando nascem. Caso todas as criancas do mundo fossem nutricional e corretamente assistidas desde sua gestacao; guardadas as diferencas culturais, lhes fosse concedido um ensino escolar em nivel equivalente e as abilidades naturais de cada uma fossem respeitadas, e nao submetidas aos desvios de interesses sociais, todas poderiam desenvolver potenciais de tornar-se pessoas descentes, com nivel economico satisfatorio.

Sem haver a interferencia dos efeitos da supremacia doentia, grandes personalidades nasceriam dos meios desfavorecidos pela organizacao piramidal da sociedade.

A forma mais comum e visivel de supremacia no inicio do III milenio eh aquela ditada pela condicao economica. Ela aglutina as outras formas da mesma doenca. Os mais ricos no planeta Terra possuem pele branca em sua maioria. Descendem de pessoas que foram ricas no passado. Tiveram oportunidade de frequentar as melhores instituicoes de ensino. E com toda essa vantagem imaginam que o sucesso vem da meritocracia, ou seja, suas posicoes teriam sido conquistadas em funcao de meritos.

Ao se darem este voto de autoestima a maioria tambem demonstra o desprezo que sente em relacao `as pessoas das escalas sociais mais baixas. Pretender medir-se pela quantidade de dinheiro que ganham, esquecendo-se da historica desigualdade que as geracoes das outras pessoas sofreram, trata-se de quadro nao apenas doentio mas tambem de visivel desonestidade.

Chama-se desigualdade social a mais valia que os ricos se dao em detrimento do valor dado `a populacao desfavorecida. Ela eh fruto dos desvios cometidos por todas as geracoes da Historia anterior ao inicio do III milenio. Esta particularmente ligada `a definicoes de palavras como lideranca e chefia. No inicio do III milenio as duas palavras sao intencionalmente usadas com o intuito de provocar ilusoes.

A diferenca de significado entre as duas palavras envolve nao apenas definicoes mas principalmente consequencias. Chefia eh a forma que um chefe usa para dominar a comandados. Desta posicao o chefe tira seu proveito e distribui os premios de acordo com seus proprios interesses. Ao contrario de lideranca cuja funcao eh exercida por um lider. O lider nao manda, coordena. Ouve os interesses de todos e estuda com eles as estrategias para alcancar os objetivos. Ele ganha sua recompensa do quinhao de seus liderados, de forma justa nao por mais valia.

Seria muito dificil definir tais coisas em tao poucas palavras. Mas no inicio do III milenio torna-se evidente o que faz um chefe e o que faz um lider. Um criterio que os chefes usam para determinar quem ira acompanha-lo no comando eh a ambicao. Pessoas do inicio do III milenio sempre terao exemplos desse modo de agir por conhecimento de seus locais de trabalho. Muitos foram preteridos em relacao `a ascensao porque haviam os mais ambiciosos disputando a vaga.

O criterio do chefe torna-se facil explicar. Pessoas ambiciosas sempre irao procurar beneficios para si mesmas, portanto, o chefe, que tem um carater ambicioso tambem, sabe que outros ambiciosos farao o que ele deseja, sem escrupulos, em troca de favores ou valores. A consequencia visada nessa relacao eh o beneficio em especie.

Ja o lider escolhe seus auxiliares de acordo com o reconhecimento e a competencia. Os valores do beneficio nao sao o principal na relacao e sim a concretizacao de um objetivo. O principal objetivo eh alcancar um patamar que de retorno a todos os envolvidos e nao concentrar a renda em poucas maos.

No inicio do III milenio existe muita chefia e pouca lideranca. Muita riqueza tem sido gerada mas o controle dela reverte-se para poucos. E este eh o caminho que tem levado o carater humano `a destruicao.

 

20a. DEFINICAO: COMPLEXO DE VIRALATAS

Complexo de viralatas eh o oposto da supremacia e tambem um derivado dela. Viralatas eram quaisquer caninos muito conhecidos como SRD no jargao veterinario. Ou seja, sem raca definida. Eram animais de racas misturadas e sem aptidao especifica. A principio usados como caes de guarda ou de aviso quando a maioria absoluta da populacao brasileira vivia em zonas rurais. Com o crescimento das cidades e o descuido das pessoas, foram multiplicados nelas e muitas vezes abandonados tornando “caes vadios”.

Dizia-se dos viralatas que nao tinham pedigree, funcao e nem identidade. Este foi o sentido que o termo tomou e que desejaram impingir pejorativamente na populacao brasileira mais pobre.

O termo foi usado por muito tempo para definir um suposto complexo de inferioridade que o povo brasileiro teria em relacao a outros povos, principalmente aquele proveniente de paises industrializados. O brasileiro poderia ter desenvolvido tal doenca devido `as condicoes privilegiadas do pais, tendo um territorio imenso, recursos naturais sem igual em outras localidades e, mesmo assim, com a maioria de sua populacao pobre.

Contudo, o complexo de viralatas nao eh inerente nem `a pessoa humana e nem mesmo `a populacao pobre brasileira. Existe sim uma tendencia a sentir-se inferiorizada em relacao `aqueles que nao conseguem alcancar os padroes considerados superiores dentro das sociedades. As pessoas mais favorecidas das sociedades criam padroes que julgam superiores. Padroes estes que ja estao em seu alcance, portanto, nao precisam fazer esforco ou o fazem em menor escala para serem contempladas com a distincao de superioridade.

Estes padroes sempre impoem condicoes piramidais onde aqueles que ja sao privilegiados poderao alcancar o topo com apenas um passo, enquanto as pessoas da base da piramide so o alcancarao em casos excepcionais ja que nascem longe da linha de chegada. Alem disso, como o alcance desperta em um grande numero de pessoas da base o desejo de atingir o topo, havera competicao entre elas. Como as vagas sao minimas, necessariamente uns poucos alcancarao em detrimento dos outros. Se uma entre milhares alcancar o objetivo, todas acabam aceitando as condicoes injustas como justas, pois, pensam que realmente competiram e foram vencidas.

O complexo de viralatas existe em todo o mundo, pois, o mundo humano foi treinado para aceitar meio-justica, ou justica desviada, como algo justo. O nao alcancar o topo pode levar ao sentimento de perda, chamado de complexo de viralatas. Porem, o sentimento foi impingido `as populacoes mais pobres brasileiras para afirmar que a culpa pelo seu atraso era dela propria. Sempre que as crises se aproximam, geralmente provocadas pelas injusticas cometidas pelas elites, o jargao eh lembrado para insinuar ao povo sua condicao de, na verdade, bode expiatorio de todo mal que acontece.

A populacao pobre brasileira eh a que menos pode ser apontada como culpada. As culturas no mundo se basearam nos mesmos principios de supremacias e complexo de viralatas. A diferenca foi que algumas foram mais perversas que outras. E a situacao que corre dentro de um pais torna-se o espelho, e `as vezes consequencia, do que ocorre no globo como um todo.

Os paises industrializados e colonialistas representam as elites. Outros paises com menor poder de influencia representam a classe intermediaria. E a maioria representa a classe desfavorecida. Tambem os que primeiro alcancaram as riquezas procuram interferir com o desenvolvimento dos menos preparados, pois, querem mante-los na condicao de objetos a serem explorados.

O complexo de viralatas eh muitissimo visivel na Historia do Brasil, porem, perfeitamente vinculado `a sua elite e nao `a populacao pobre. A populacao pobre nunca liderou ou assumiu a chefia por razoes obvias. Em primeiro lugar a populacao pobre foi primariamente formada pelos escravos africanos e pelos nativobrasileiros. Eles nao escolheram ser pobres e massacrados. Foram forcados a isso. E aqueles que nao se submetiam eram sumariamente executados.

Mesmo aqueles que conquistaram suas liberdades, alforria em caso de escravos, nao podem ser acusados de culpa, pois, ha um principio da psicologia que afirma que “a tendencia do explorado eh tornar-se explorador, ou do abusado tornar-se abusador”. Naturalmente, muitos dos que sofrem a exploracao veem nela uma forma de libertar-se. As pessoas que vivem no mundo da exploracao acabam aceitando-a como regra, como natural, ate como justa.

Eh assim como um filho que sofreu espancamento pelos pais durante todo o periodo da formacao de sua personalidade. Quando chega a vez de ser pai ele dificilmente ira compreender outro caminho educativo que nao o espancamento. Passara a espancar e a orgulhar-se disso e dos pais. Aprendeu por assimilacao. Ele somente poderia mudar o comportamento se pudesse ter uma visao de consequencias.

Ou seja, se alguem conseguisse mostrar-lhe que os mesmos filhos que ele controla espancando poderiam ser tratados de forma alternativa e depois disso se tornariam cidadaos mais uteis para a sociedade, talvez abdicasse do metodo psicologico de espancamento. Mas os brasileiros do inicio do III milenio ainda nao se libertaram de todo dos ecos viciosos do passado.

O Brasil foi mantido como colonia de Portugal ate 1822. Porem herdou da metropole o carater viralata e predador. A elite brasileira era viralata quando era para encarar o mundo e predadora quando ia tratar com seu proprio povo. Tornou-se sucessivamente um lustrabotas do Imperio Ingles, do Imperio Frances e do Imperio Americano. A elite brasileira sempre despresou o que era produzido no pais, a nao ser aquilo que as metropoles deixavam produzir la porque nao concorriam com elas.

Durante toda a Historia Brasileira as elites orgulhavam-se de poderem comprar aquilo que saisse direto dos portos de Londres, Paris ou Nova Iorque. Mas isso somente era possivel a elas porque eram sustentadas pelo trabalho do operariado brasileiro e da classe media.

Nao existem razoes para conceber o comercio internacional como algo essencialmente ruim. Paises devem produzir coisas para suas populacoes. Mas a aptidao para produzir certos produtos poderao leva-los a produzir excedentes que podem e devem ser comercializados no mercado internacional. Os paises que nao produzem ou que produzem o mesmo produto em quantidades insuficientes devem concorrer para importar esse excedente. Eh algo normal e util para haver relacoes exteriores.

O que afeta aos paises empobrecidos foi suas elites terem escolhido seguir pensamentos diferentes desta logica. Um deles que afetou o desenvolvimento brasileiro foi o de enxergar a populacao pobre sem a humanidade necessaria.

O primeiro passo foi o de tratar o indigena como uma especie de escoria. Mesmo tendo os povos indigenas chegado primeiro ao territorio eles foram despojados de tudo o que possuiam e tomados por foras da lei. Contra os que nao se submetiam ao poder da supremacia branca houveram os decretos de exterminio. O africano foi forcado a trabalhar no Brasil na condicao de escravo, sofrendo os mesmos preconceitos.

A formacao das populacoes brasileiras iniciais foi basicamente atraves da mesticagem. A maioria dos imigrantes europeus, por razoes de dificuldade de travessia do Atlantico, era masculina. Assim, estes homens que nao queriam morrer celibatarios juntaram-se ou casaram-se com mulheres indigenas ou africanas. `A medida que novas levas de homens europeus foram chegando, as filhas mesticas tornaram-se as prediletas deles, fazendo com que algumas purificassem a descendencia mais para o lado europeu.

Ordem comum, no Periodo Colonial, os recem-chegados da Europa eram preferidos nas ocupacoes de cargos da monarquia e na aquisicao de patrimonios que era simbolizado pela donataria de terras. A imensidao territorial foi distribuida segundo o criterio de preferencia aos de pele mais clara.

Tanto durante o Periodo Colonial quanto no Imperial os senhores ricos procuravam escolher suas esposas entre as mulheres com maior semelhanca `as europeias. Especialmente durante o governo do imperador D. Pedro II, cuja corte ficou alarmada com a tendencia do povo ter herdado mais a pele escurecida que a branca. Desde entao entendeu-se que era necessario buscar mais imigrantes em paises europeus para embranquear a pele, como se essa condicao fosse automaticamente levar mais desenvolvimento ao pais.

Na verdade o espanto com a coloracao da pele do brasileiro e o preconceito oriundo da propria familia governante nao tinha outro motivo senao o fato de que a familia real era europeia e recentemente imigrante no pais. Nos anos seguintes a Revolucao Francesa (1789) a Europa viveu decadas de instabilidade culminando com as chamadas Guerras Napoleonicas. `As vesperas da invasao francesa a Portugal, o principe regente D. Joao teve que fugir `as pressas para o Brasil, onde toda a corte portuguesa conseguiu refugio, deixando a populacao portuguesa amargar toda a humilhacao decorrente da Invasao Francesa.

Apos ser coroado rei no Brasil, D. Joao VI sentiu-se recompensado por gozar da melhor hospitalidade, fascinio e orgulho que a populacao brasileira iludida oferecia ao fato de ser governada por uma corte europeia. As cortes portuguesas no entanto nao retribuiam com a mesma simpatia. Foram abusivas e logo demonstraram repugnancia pela gente brasileira. Desse asco reciproco foi que nasceram as primeiras manifestacoes republicanas.

Quando o imperador se viu obrigado a voltar para a Europa, apos a derrota de Napoleao, ja imaginava que a deposicao da monarquia seria uma questao de tempo. Mesmo assim deixou no pais o principe herdeiro com o aviso de que ele declarasse a Independencia do Brasil, “antes que algum aventureiro o faca”. Logo isso se deu. O principe Pedro e futuro Imperador do Brasil e rei de Portugal havia assimilado das cortes o desprezo pela populacao. Mesmo assim, quando dirigiu-se a Portugal para assumir seu trono, deixou seu herdeiro para assumir seu lugar mais tarde, pois, ainda era uma crianca.

Pedro II foi um imperador moderado quando se tratou de lidar com os aspectos politicos envolvendo as elites. Mesmo tendo nascido no Brasil nao desenvolveu o amor necessario para com seus suditos pobres. Tinha orgulho de sua condicao de branco e acreditava na supremacia europeia. Seu contato era com as elites. O povo, embora nao levado em conta, nutria pelos soberanos o fascinio que lembra o complexo de viralatas. Mesmo tratado com desdem, ficava feliz como um cachorro ao rever seu dono.

Ha que lembrar-se como, entao, o povo foi formado. A estrutura social brasileira lembrava muito o sistema senzala e casa grande. Casas grandes eram as sedes dos senhorios, onde residiam as familias mais poderosas. Elas possuiam escravos que eram alojados em compartimentos proximos `as casas grandes que muito se assemelhavam a prisoes em regime semiaberto. Os prisioneiros (escravos) de bom comportamento tinham a senzala como suas casas mas a qualquer desvio do comportamento desejado eram submetidos a castigos desumanos e postos a ferros.

A proximidade da casa grande com a senzala criou um relacionamento carnal entre senhores e escravos. O senhorio nao tinha limites. A cultura latina, da qual a portuguesa originou-se, era dominantemente machista. O homem era o centro e sua masculinidade era exibida por sua atividade sexual. As senhoras suas esposas nao tinham o direito a recusar-se a atender seus maridos em seus planos sexuais por qualquer que fosse o motivo. E quando havia algum impedimento em razao como o resguardo, o homem nao deixava de praticar sexo, senao com a esposa, as escravas eram o escape deles.

Destas unioes furtivas, que poderiam ser perpetradas tanto pelo senhor quanto seus filhos, pode-se dizer que nasceu grande parte da classe media brasileira. Ao redor da casa grande pelo menos foi assim. Das relacoes com as escravas poderiam nascer filhas. Estas poderiam ser reconhecidas e ser consideradas bons partidos para os brancos imigrantes da Europa ou mesmo brasileiros tradicionais. Ja os filhos tinham menos sorte. Continuariam nas senzalas mesmo que lhes fossem permitidos alguns privilegios como tornar-se feitores e capitaes-do-mato. Eles serviam como subchefes dos trabalhadores e usavam seus privilegios para explorar sexualmente as escravas.

Esta relacao promiscua era conhecida, porem, pela norma determinada pelo codigo de “bons costumes” so era comentada em sigilo. Escravos envergonhavam-se dos abusos sofridos mas nao tinham a quem recorrer. E os senhores sabiam que podiam contar com a cumplicidade dos proprios familiares, pois, se sentiam no direito de dispor de seus escravos como desejassem.

A relacao contudo pode ser medida com o desenvolvimento das ciencias geneticas. Mais de 50% da populacao masculina afrobrasileira porta o cromossoma Y de origem europeia. Porcentagem semelhante eh encontrada de cromossomas X da populacao considerada eurodescendente brasileira em geral. A maior porcentagem deste cromossoma eh de origem africana, demonstrando sua origem escrava.

Em resumo, a populacao afrobrasileira teve ancestrais europeus e a populacao eurodescendente teve ancestrais africanos. O que distingue uma populacao da outra eh o fato de uns terem sido selecionados de acordo com caracteristicas mais europeias e outros mais africanas. Ambas as populacoes descendem dos mesmos ancestrais.

Evidentemente que tambem descendem da populacao indigena mas essa ascendencia pode ser remota, datando dos tres primeiros seculos de colonizacao europeia, ou recente e verificavel atraves dos tracos fisicos mantidos na populacao. As populacoes com ancestrais indigenas mais recentes esta mais concentrada nas regioes Norte e Nordeste do pais. Mas muito dela migrou para os estados do centro-sul.

Como os brasileiros perderam o bonde do desenvolvimento pode ser explicado com relativamente poucas linhas. Iniciando-se a partir de 1870, houve naquele ano o primeiro censo demografico. Foram contadas cerca de 10 milhoes de pessoas. Obviamente este foi um calculo incorrento pois nao se levou em conta indigenas que ainda nao haviam sido contatados. Mas a margem de erro que eles adicionariam nao conta com porcentagem acima de 10%.

Naquele ano as populacoes brasileiras estavam ainda concentradas em areas de colonizacao tradicional. Era maior no litoral rarefazendo `a medida que se afastava do Oceano Atlantico. Excecao unica se dava na linha de cidades historicas do Estado de Minas Gerais, situadas nos caminhos da Serra do Espinhaco, onde a descoberta de ouro e pedras preciosas haviam atraido populacoes maiores desde o inicio dos anos 1700.

Entao, a populacao brasileira continuou sua lenta expansao demografica e ocupando areas do territorio cada vez mais a oeste do pais. Ate aos anos 1970 essa foi a solucao que os chefes encontraram para buscar um pretenso desenvolvimento. Pretenso porque nao era o caminho correto a seguir.

Nao ha no censo de 1870 uma descricao melhor de como se compunha a populacao. Mas ha uma informacao de outra fonte que elucida melhor sua composicao. Desde os anos 1830 fora criada no Brasil a instituicao conhecida com Guarda Nacional. Foi uma forma de atrelar a porcao economicamente dominante `a monarquia. Para ser membro da Guarda Nacional era preciso ser do sexo masculino e possuir renda monetaria. Participar significava ter direito a voto e a poder ser votado.

A Guarda Nacional era composta por cerca de 600.000 homens. Uma pequena parte da populacao que possuia renda era excluida. Eram os militares e membros do clero. As forcas armadas brasileiras eram formadas por cerca de 25.000 efetivos. Isso incluia ate criancas, por nao haver nenhum tratado contrario. Mesmo parte das pessoas do clero possuiam patentes da Guarda Nacional pois as adquiriam antes de ordenar-se.

Estes numeros indicam a formacao da elite e classe media brasileira `a epoca. Contando-se esposas e filhos destes homens eles deverao formar entre um terco e metade da populacao contada. Era a forca economica e politica do pais, embora nao fosse a forca de producao ja que os escravos teriam que ser incluidos nessa segunda classificacao. Uma parte da forca economica era formada por escravos libertos e descendentes. Mas a essa parte nao era dado forca politica.

O Brasil naquele tempo vivia imerso num clima medieval. O sistema social era muito semelhante. Haviam os suseranos e seus familiares, representados pelo imperador e a nobreza; os vassalos que eram formados pelos subalternos e os servicais pagos e os servicais escravos. Nao haviam grandes cidades, nao havia industrializacao e a classe operaria era quase que absolutamente analfabeta.

A burguesia rica era totalmente dependente da escravidao. Mesmo tendo sido proibido o trafico internacional de escravos e os outros paises das Americas tivessem emancipado seus escravos, a elite brasileira relutou em libertar os seus. 18 anos se seguiram ate que a filha do imperador, Isabel, aproveitou-se de um momento em que esteve na regencia para assinar a Lei da Abolicao.

As consequencias vieram em seguida. As classes dominantes se uniram ao grito antigo das ruas que reclamava liberdade para os escravos e Proclamacao da Republica. A mudanca de lado de monarquista para republicano deveu-se apenas `a oportunidade e nao ao pendor. Os velhos monarquistas sabiam que nao sustentariam nem mesmo a si mesmos, sem os escravos, se nao segurassem o poder em suas maos, portanto, tornar-se republicano transformou-se em questao de vida ou morte.

Mas ato continuo eles mostraram ao que haviam vindo. Os escravos libertos nao queriam retornar ao trabalho desumano que haviam sido submetidos por senhores mais crueis. Somente alguns mantiveram seus ex-escravos como empregados porque ja haviam adotado atitudes mais humanas antes da abolicao.

Mas as elites escravagistas nao reconheceram que haviam sido erradas durante toda a Historia. Caso tivessem reconhecido poderiam ter procurado manter e treinar seus ex-escravos para se tornarem funcionarios pagos e rentaveis. A solucao escolhida, porem, foi investir na importacao de trabalhadores pobres dos paises europeus e do Japao. A iniciativa tinha a intencao de continuar a politica do imperio de embranquecer a pele dos brasileiros.

O ilusionismo era o de trazer pessoas de culturas mais desenvolvidas para que o pais importasse dons trabalhados e entrasse em uma nova era de desenvolvimento. Mas se os recem-chegados nao tivessem sido rebeldes eles acabariam sendo submetidos ao regime medieval vigente no pais. Os ex-escravos foram abandonados `as suas proprias sortes. Continuaram analfabetos, aceitando qualquer subemprego por questao de sobrevivencia.

Nao ha o que contrapor a atracao de imigrantes no exterior e o investimento na formacao dos ex-escravos. As duas opcoes poderiam ter sido feitas simultaneamente, porem, houve muito investimento na introducao dos imigrantes e nenhum na formacao profissional e educacional dos ex-escravos. Se os imigrantes eram analfabetos em seus paises de origem, no Brasil nao iriam ter melhor destino. A busca por eles foi por puro preconceito e retaliacao aos pobres ex-escravos. Uma atitude destrutiva cuja vitima tornou-se o proprio pais.

A incapacidade das elites brasileiras governarem a favor do conjunto da sociedade pode bem ser traduzido por diversos fatos em sua Historia, como os conhecidos: Revolta da Chibata e Revolta de Canudos. A Revolta de Canudos torna-se emblematica de qual foi a “solucao” encontrada pelas elites para acabar com os “problemas” do pais. Narrada no livro: “Os Sertoes”, do jornalista Euclides da Cunha eh um retrato escrito da crueldade e preconceito.

A Revolta de Canudos teve nao apenas um chefe mistico e alienado. Descricoes do seu comportamento dao a entender que portava alguma deficiencia mental. Porem, o que girava em torno da revolta em si nao tinha vinculos com a situacao de saude mental dele. O desafio ali plantado era o eterno abandono no qual o povo pobre se encontrava e se agravava em muito, periodicamente, com as secas que atingem o sertao nordestino.

Eh celebre a literatura abordando o problema que mistura seca, pobreza e exploracao do cidadao mais fraco. Quando houve a revolta nao se questionou do que ela era derivada. Logo foi enviada contra os revoltosos forcas armadas. E o insucesso das primeiras tentativas em subjugar os revoltosos tornou-se raiva e mais preconceito. A terceira tentativa foi acompanhada de exterminio cru e cruel. Essa havia sido a tematica do colonialismo e a republica, entao ha pouco implantada, seguia o mesmo roteiro.

Nao se considerava de importancia dialogo algum. Revoltar contra quaisquer desmandos era interpretado como desrespeito `a autoridade. Subjugado o povo, abria-se por outro lado as portas da libertinagem coronelesca. Desde que os mandantes politicos locais tivessem amizades nos mais altos escaloes dos governos centrais, lhes era dado abusar de seus concidadaos pobres.

Nao eh sem razao que o povo nordestino eh vinculado `a violencia entre si. Dentro do pais talvez seja a area onde ocorreu o maior volume de todos os tipos de abusos. A populacao foi empobrecida em razoes da natureza e embrutecida por abusos de suas elites. Por decadas a unica assistencia que conseguia era se tivesse dinheiro para pagar uma passagem numa carroceria de caminhao desde seu torrao natal ate aos estados sulistas. Onde, a principio, a vida era mais amena.

Essa eh a populacao mais antiga do pais, descendendo simultaneamente de nativos, africanos e europeus. As caracteristicas fisicas do cidadao nordestino pobre lhe da uma aparencia variada. Mas a predominancia eh o da pessoa de baixa estatura, olhos amendoados, rosto arredondado, pele morena, cabelos corridos e escuros e outros detalhes que recordam um intermediario entre o cidadao portugues e os nativos brasileiros, porem, com pele mais escura.

O proceder das elites no Brasil sempre foi a tentativa de domar e sufocar suas populacoes pobres. Nunca o de investir em sua educacao escolar e lhe dar condicoes de seguir seu futuro por propria vontade.

A escolha da elite brasileira foi a de permanecer com sua chamada: vocacao agricola. Desde quando os portugueses comecaram a colonizacao no pais essa foi a tematica. Procuraram-se minerais preciosos. Lendas existiam de haver riquezas imensuraveis no interior do continente. Mas a colonizacao se firmou com as plantacoes de cana-de-acucar. E foi do trabalho descomunal exigido que surgiram a casa grande e a senzala.

A principio, o acucar valia tanto quanto as especiarias, portanto, houve um progresso suportado por este plantio. Com a queda do preco do acucar no segundo seculo de sua exploracao no pais a colonizacao prosseguiu sem maiores assaltos. No abrir dos anos 1700 houve a corrida do ouro no Estado de Minas Gerais. Dai houve novo salto de migracao e uma maior sustentabilidade da economia.

Finda a aventura aurifera houve novo repouso. Ja na epoca do Imperio foram introduzidas as grandes plantacoes de cafe. Foi novo produto de exportacao e que sustentou a economia por tempo mais prolongado. Mas a base do sistema social sempre foi a exploracao da mao de obra escrava e dos cidadaos mais pobres. O pais era habitado pelos muito ricos e pelos despossuidos. Mesmo a classe media poderia considerar-se rica diante dos pobres desafortunados.

A partir da descoberta das imensas jazidas de minerio de ferro no Estado de Minas Gerais, em torno do ano de 1900, a riqueza exportadora do Brasil dormiu sobre o tripe: acucar, cafe e ferro. O mais tudo podia ser produzido, porem, de pouco resultado comercial. Existiam terras sobrando. Os ricos eram donos de terras imensas. As populacoes nao chegavam a fazer pressao em nenhuma cidade do pais, pois, todas eram pequenas.

No final de cada geracao em que a descendencia dos senhores de terra iriam partilhar as terras entre si, muitos concluiam ser melhor seguir o caminho da expansao da fronteira agricola onde aqueles que tinham mais recursos poderiam abrir novas fazendas. Este sistema era suficiente para as elites. Por essa razao nunca pensaram no bem estar da populacao pobre. As elites precisavam dos pobres para fazer o trabalho forcado. E leva-los consigo para as fronteiras agricolas mais distantes era considerado ate mesmo um favor.

Mas esse sistema apenas exploratorio deu tambem mostras de cansaco. As fronteiras agricolas tornaram-se muito distantes. As comunicacoes eram precarissimas. Pouco se fazia a favor de criar-se meios de transporte mais eficientes. Tudo era transportado em lombo de animais. A propria descendencia dos ricos multiplicou-se de tal maneira que as propriedades por elas herdadas foram reduzindo-se, mal dando para que cuidassem de suas familias.

Desde o inicio do seculo XX algumas coisas comecaram a mudar no Brasil nem tanto pela acao de seus governantes. Logo no inicio houve a I Guerra Mundial que atingiu em primeira mao o coracao europeu. Muitas pessoas nao suportaram mais viver no continente e migrou para as Americas indo uma parte estabelecer-se no Brasil. Outras areas atingidas como aquela, dominadas pelo antigo Imperio Otomano, tambem emitiu levas de migrantes.

Estas levas de novos imigrantes juntaram-se a parte daquela que havia sido importada para substituir os escravos. A parte Sul do Brasil foi europeizada. Mas o local preferido para moradia por essa populacao foi o Estado de Sao Paulo. Os de Minas Gerais e Rio de Janeiro tambem receberam parcela destes imigrantes. A concentracao populacional na Cidade de Sao Paulo acabou levando a uma faisca que deu inicio a alguma industrializacao. Em breve a cidade virou uma metropole que atraiu gente de todo o Brasil e do exterior. Virou o exemplo do cosmopolitanismo brasileiro.

A caracteristica da industrializacao inicial brasileira eh a insipiencia. A estrutura era provisoria e amadora. A producao, porem, nao demandava grandes sofisticacoes, pois, era voltada para o publico nacional e pouco acostumado a consumir luxo. O luxo era todo importado e consumido apenas pelos ricos. Como a classe patronal ainda se inspirava no modelo escravocrata, logo surgiram tambem os movimentos sindicais para reinvindicar melhorias.

Novamente, a opcao das elites nao era pelo dialogo e sim pela imposicao de suas vontades. Mesmo assim houveram ganhos por parte da classe trabalhadora, especialmente apos `a II Grande Guerra. Como a populacao estava se multiplicando exponencialmente e o termino da guerra levou a um periodo de ampliacao do consumo a nivel global, algumas cidades brasileiras experimentaram crescimento acelerado.

Logo Sao Paulo passou a constar entre as maiores megalopolis do mundo. O Rio de Janeiro tambem teve seu periodo de crescimento rapido. Belo Horizonte, Salvador e Porto Alegre foram manquitolando atras. Com o crescimento dessas cidades, e mais algumas outras, as politicas governamentais elitistas se voltaram para elas. Se algum beneficio tinha que ser feito pelo povo, este era primeiro e de melhor qualidade dirigido a tais cidades polos.

Com isso, a industrializacao, a educacao, a saude, as comunicacoes, os empregos e outros beneficios disponiveis foram atraindo cada vez mais moradores. O interior abandonado passou a esvaziar-se a olhos vistos. Com o tempo, uma populacao que era dominantemente agraria tornou-se, no espaco de uma geracao, urbana. Porem as condicoes de vida nas cidades grandes deterioraram justamente em funcao do inchaco populacional e a clara falta de planejamento do desenvolvimento do pais.

Apesar disso, as condicoes de vida no interior deixaram de oferecer melhores perspectivas economicas. Tambem na parte de conhecimento o ensino superior foi aglutinado em polos de educacao. Ate ao inicio do seculo XX, a migracao brasileira era no sentido dos centros urbanos para as novas fronteiras agricolas. A partir da metade daquele seculo o sentido inverteu-se. As pessoas do interior perceberam que permanecer no interior seria sacrificar o futuro melhor para os filhos. Permaneciam apenas os que tinham condicoes estaveis, ou aqueles que tiveram medo de tentar uma sorte melhor.

O pais nao desenvolveu industrias de ponta proprias. Houveram apenas tres setores que foram desenvolvidos por brasileiros. Eles foram a petroquimica, a mineralogica e a de energia hidreletrica. Estes tres setores contudo somente se desenvolveram gracas `a pressao de movimentos populares nacionalistas porque, se dependesse da vontade das elites, os setores seriam entregues a multinacionais estrangeiras. Por vontade popular foram criadas as grandes empresas estatais que cuidaram desses setores.

Em nenhum momento, porem, as escolhas foram feitas pela populacao menos favorecida. As escolhas sempre foram feitas pelas elites. Inclusive a de optar-se por abrir o mercado para multinacionais estrangeiras e nao esforcar-se por construir alguma concorrencia genuinamente nacional. Para isso acontecer, teria sido necessario ter-se investido mais na educacao da populacao como um todo e dar-lhe um poder aquisitivo compativel, o que era contrario ao pensamento medieval dominante no Brasil.

Inclusive apos ultrapassar a metade do seculo XX, mais da metade da populacao brasileira era analfabeta. Os salarios que ja eram menores foram gradativamente sendo achatados. Nestas condicoes o pais teve um potencial de demanda incalculavel. A pobreza alastrou-se por todos os cantos. Mesmo a parte das familias descendentes das pessoas que haviam sido as mais abastadas num passado recente empobreceram.

Neste quadro, os descendentes dos antigos escravos tornaram-se os mais prejudicados juntamente com os descendentes dos nativobrasileiros. Parte da populacao de origem mais europeia veio a experimentar os maus momentos que fizeram seus ancestrais europeus optar por migrar para o Brasil. No final do seculo XX passou a ser dito que a melhor saida para o brasileiro era a saida do aeroporto. Como este foi um periodo de crescimento nos paises industrializados, abriu-se a porta para a migracao dos brasileiros em busca de melhores dias.

O grande desafio que os brasileiros tinham, fora o de desenvolver sua industrializacao propria. A que se deu no pais foi atraves da introducao de multinacionais de outras origens. No Brasil existe industria de veiculos automotores, equipamentos eletronicos e maquinas para todas as necessidades. Muito pouca coisa eh propria. Tudo o mais intermediario existe, porem, sob licenca estrangeira.

Tudo porque as elites desejaram cortar caminho. Ao inves de iniciar por meio da educacao e melhorar a remuneracao, lhe parecia mais facil a importacao. Durante o periodo do neocolonialismo o Brasil deve ter transferico economias para os paises industrializados mais que o suficiente para formar doutoras todas as suas criancas. A riqueza nao faltava. Faltava inteligencia nas elites.

No inicio do III milenio a situacao teve uma ligeira melhora. Mas o pais perdeu tanto tempo adotando as politicas erradas que teriam que passar-se geracoes antes de encontrar-se uma formula magica de colocar o Brasil a nivel de pais desenvolvido. Para isso teria que reinventar todo um modus vivendi para a especie humana. Enquanto depender da industrializacao estrangeira sera controlado pelo que eh decidido fora de suas fronteiras. E eh obvio que nada decidido de fora para dentro sera bom para o pais, pois, todos querem tirar primeiro o seu proveito para depois distribuir o que sobrar.

Nisso consiste o atraso brasileiro e a razao de pela qual o brasileiro comum nao sofre do complexo de viralatas. Os que sofrem sao suas elites. Elas sao as que creem no sistema de supremacia. Elas eh que aceitam a suserania dos paises industrializados. Elas foram quem escolheram transformar um pais com a capacidade de liderar em uma colonia vassala.

O povo nunca teve escolha. Foi e continua ate ao inicio do III milenio forcado a sujeitar-se ao que lhe mandam fazer. O povo nem sabe o que eh complexo de viralatas. Foi acostumado a considerar-se inferior. A esperar por chefes ou lideres que lhe indicassem o caminho. Nunca teve a mente aberta para andar por suas proprias pernas e pescar o seu proprio peixe. As elites que o conduziram eh que falharam por causa do complexo de viralatas delas.

Quando alguem no Brasil diz o povo brasileiro tem complexo de viralatas, normalmente isso pode ser traduzido pela frase: “Ele nao votou no mesmo candidato que eu.” Estes sim tem complexos de viralatas, pois, pensam que conhecem as respostas mas quando vencem as eleicoes votam nas mesmas elites que sempre se colocaram contrarias aos interesses do povo.

No Brasil se diz que “errar eh humano mas permanecer no erro eh burrice”. Era preciso que as pessoas deixassem de confiar em suas elites e associar-se mais ao seu povo. Talvez se ouvisse mais o povo pudesse compreender a sabedoria que emana do povo e tambem conquistasse-lhe a confianca para obter dele o voto e, entao, endireitar os caminhos do pais.

Este eh, em resumo, a Grande Historia do Brasil. Mas se todos os povos le-la observarao o que de semelhante existe com as historias de todos. Util seria conhecer a Historia para redirecionar os caminhos para um destino melhor para todos.

No primeiro quarto do seculo XXI os Estados Unidos foram superados pela China como a maior economia do mundo. O PIB chines ultrapassou o estadunidense. A populacao dos Estados Unidos experimentou o gosto do complexo de viralatas. No entendimento emocional da populacao a perda do primeiro lugar soou mais forte que sua renda per capita muito superior. E isso desencadeou muitos dos fatos que nao serao recordados nestes escritos, pois, nao se deve falar de futuro como se ele ja tivesse acontecido.

Nos ultimos anos do II milenio os brasileiros puderam observar como a elite concebe um mundo exclusivo para ela propria. Mas essas coisas so puderam ser melhor observadas por aqueles que tinham conhecimentos dos acontecimentos globais. Naqueles anos surgiu um movimento conhecido como neoliberal. O objetivo principal era o de encolher o poder dos governantes e submete-los ao poder economico.

Alias isso era algo quase ja concretizado, pois, o poder economico atraves de proprios representantes ou de fantoches junto aos partidos politicos estavam trabalhando para isso. Mas o metodo de influir atraves de lobbies e de votos marcados tornou-se relativamente custoso e incerto, pois, quando algumas pecas do xadrez politico estavam em seus lugares sempre havia algo que fazia descarrilhar alguns vagoes deste trem.

O Brasil, embora fraco mas sendo uma peca importante no xadrez, foi um desses descarrilhamentos. E foi gracas `a tentativa de reduzir o poder do Estado, repassando para a iniciativa privada aquilo que havia sido construido como estatal nas geracoes anteriores, que provocou este acidente. Tentaram privatizar todos os setores sob o dominio do Estado, conseguindo faze-lo pelo menos na area de mineralogia, repassando `a iniciativa privada a Companhia Vale do Rio Doce, que controlava a maior porcentagem do setor mineralogico do pais. Faltou-lhes tempo para fazer o mesmo com o setor pretrolifero e o de energia.

Para compreender-se tal manobra basta imaginar um pais das proporcoes do Brasil, governado por pessoas cujo poder de decisao se tornasse equivalente aos governantes de Andorra! Naturalmente, essas pessoas antes de tomar qualquer decisao importante para a administracao do pais teriam que solicitar anuencia aos donos do dinheiro, invertendo-se a ordem natural da democracia, ja que em democracias o poder do povo eh passado aos governos e nao a seus empresarios que nao sao eleitos.

Esse excesso de liberalidade, um eufemismo para libertinagem, acabou se tornando lenha na fogueira que elegeu a oposicao. Os planos acabaram nao se concretizando, porem, nao foram abandonados. A batalha travada entre os defensores de um Estado com poder superior `as instituicoes economicas contra os defensores do oposto ira durar por algum tempo durante este inicio de III milenio.

Mas a besta do capitalismo predador esta sempre vigilante e eh paciente. E os pecados dos bons conspiram a favor dos projetos dela.

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49 Responses to “A III GM”

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  22. O LIVRO DO CONHECIMENTO DE DEUS | Val51mabar's Blog Says:

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  23. RESPOSTA DE UM NEOBOBO AO EXCELENTISSIMO SR. EX-PRESIDENTE, FERNANDO HENRIQUE CARDOSO. | Val51mabar's Blog Says:

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  25. 100 REASONS TO AMNESTY THE UNDOCUMENTED WORKERS IN UNITED STATES | Val51mabar's Blog Says:

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  26. 13 STARS = WOMAN. | Val51mabar's Blog Says:

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  27. CARTA AO CANDIDATO DO PSOL: PLINIO DE ARRUDA SAMPAIO | Val51mabar's Blog Says:

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  28. 13 ESTRELAS = MULHER | Val51mabar's Blog Says:

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  29. FAIXA DE GAZA, O TRAVESSAO NOS OLHOS DA HUMANIDADE | Val51mabar's Blog Says:

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  30. IMIGRACAO: SEM LENCO E SEM DOCUMENTO, O BARRIL TRANSBORDANTE DE INJUSTICAS. | Val51mabar's Blog Says:

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  31. THE NONSENSE LAW. | Val51mabar's Blog Says:

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  32. POLITICA, FUTEBOL, MUSAS E PROPAGANDA ELEITORAL ANTECIPADA; OBAMA, GRANDES CORPORACOES E IMIGRACAO. | Val51mabar's Blog Says:

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  33. CARTA DE LIBERTACAO | Val51mabar's Blog Says:

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  34. About The Third and Last Testament | Val51mabar's Blog Says:

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  35. The Third and Last Testament | Val51mabar's Blog Says:

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  36. ALGUMAS NOTAS GENEALOGICAS, 2014/2015 | Val51mabar's Blog Says:

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  37. MOVIMENTO: “FORA DILMA, FORA PT”; QUE OSSO CAMARADA?!!! | Val51mabar's Blog Says:

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  38. NOS, OS NOBRES, E A AVO DO JUSCELINO TAMBEM PODE TER SIDO BARBALHO COELHO | Val51mabar's Blog Says:

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  39. ARVORE GENEALOGICA DA FAMILIA COELHO NO SITIO: www.geneaminas.com.br | Val51mabar's Blog Says:

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  40. UM NOSSO LADO CRISTAO-NOVO E, TALVEZ, OUTRO PAULISTANO | Val51mabar's Blog Says:

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  41. MEUS GUARDADOS 2015 | Val51mabar's Blog Says:

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  42. ALIENS, CONSPIRACIES, DISAPPEARED TREASURES AND DOMINANCE | Val51mabar's Blog Says:

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  43. OS RODRIGUES COELHO; E ANDRADE DO CARLOS DRUMMOND EM MINAS GERAIS | Val51mabar's Blog Says:

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  44. CONSPIRACOES, ALIENIGENAS, TESOUROS DESAPARECIDOS E DOMINACAO | Val51mabar's Blog Says:

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  45. MINHAS POSTAGENS MAIS RECENTES NO FACEBOOK | Val51mabar's Blog Says:

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  48. TRUMPANDO O ELEITOR | Val51mabar's Blog Says:

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  49. 500 ANOS DE HISTORIA E GENEALOGIA DA PRESENCA BARBALHO NO BRASIL | Val51mabar's Blog Says:

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