A III GM

June 8, 2014

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1. GENEALOGIA

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2. RELIGIAO

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3. OPINIAO

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4. MANIFESTO FEMINISTA

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5. POLITICA BRASILEIRA

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6. MISTO

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7. IN INGLISH

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8. IMIGRACAO

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A III GM

INDICE

ABERTURA
1a. DEFINICAO: COMUNISMO
2a. DEFINICAO: TOTALITARISMO
3a. DEFINICAO: SOCIALISMO
4a. DEFINICAO: DEMOCRACIA
5a. DEFINICAO: CAPITALISMO
6a. DEFINICAO: SISTEMA DE GOVERNO
7a. DEFINICAO: REGIME DE GOVERNO
8a. DEFINICAO: ESQUERDA-DIREITA
9a. DEFINICAO: SOCIEDADE E CONFIANCA
10a. DEFINICAO: A TEORIA DA MAIS VALIA
11a. DEFINICAO: RELIGIAO
12a. DEFINICAO: TEOCRACIA
13a. DEFINICAO: FILOSOFIA DO TER E DO SER
14a. DEFINICAO: PRECONCEITO
15a. DEFINICAO: PIRAMIDE SOCIAL
16a. DEFINICAO: EDUCACAO ESCOLAR
17a. DEFINICAO: INTELIGENCIA ARTIFICIAL
18a. DEFINICAO: POPULACOES
19a. DEFINICAO: SUPREMACIA
20a. DEFINICAO: COMPLEXO DE VIRALATAS

 

ABERTURA

Bem vindos caros visitantes do IV milenio ao inicio do III milenio! Esta eh a ERA DO QUE PARECE SER, e eh o MUNDO DO FAZ DE CONTAS! O mundo eh o de faz de contas mas a dor que ele provoca eh visivelmente real.

Esta eh a luta do bem contra o mal; da verdade contra sua opositora; e da vida para todos ou da vida somente para alguns!

Aqui estamos entre a cruz e a espada, entre a forca e a caldeirinha.

Voces nao sabem e nem imaginam do que estou falando. Pensam que conhecem a Historia do seu passado. Mas a receberam apenas por vias tortas e nao a viveram.

Pois esta passagem de milenio nao eh o que parecer ser. Vive-se de sonhos e solidao. Muita informacao e pouco tempo para compreende-la. Das espertezas escondidas nas entrelinhas do que se le mas nao se enxerga o que esta escrito. Muita licao e pouca sabedoria. Necessidade de uniao e dominio do individualismo. Muita correria para chegar a lugar algum.

Esta bom! Estas mensagens cifradas nao estao entrando em seu entendimento, eu sei!… Mas eh a loucura dos poucos que tem razao!… Farei entao, algumas definicoes para facilitar para voces. Fui professor, tenho o defeito de definir palavras mesmo sem ter ministrado linguagem.

Alguns captam isso como se o escritor se colocasse acima dos outros. Mas ele apenas sabe que sao tres as dimensoes na escrita e leitura. Uma eh a do pensamento e da imaginacao que precisam ser transcritos em letras. Outra eh representada pelo que se escreve que pode ser diferente da intencao. A terceira e ultima, que eh a que fica, a do leitor que interpreta segundo suas limitacoes.

Nao se trata de duvidar do que eh dito. Mas de ter-se duvida do que querem dizer ao falar.

 

1a. DEFINICAO: COMUNISMO

Comunismo eh, como voces sabem, a defesa do interesse comunitario. Em outras palavras podemos usar como exemplo associativo quaisquer dos insetos sociais que continuam existindo no IV milenio, como cupins, formigas e, especialmente, abelhas.

As abelhas formam um otimo exemplo de comunismo. Elas agem naturalmente, nao houve intervencao humana que as ensinasse regras. Ao contrario, o ser humano teve e tem muito a aprender com elas.

Do ponto de vista religioso podemos afirmar que Deus nada tem contra o comunismo, pois, se tudo o que vem da natureza eh regido por Ele, entao, o comunismo eh algo que veio de Deus!

Nao compreenda ai que Deus tenha colocado o comunismo no mundo para que o homem o copie literalmente. Deus nao quer que o ser humano entenda que tudo no mundo eh literal. Os exemplos encontrados na natureza criada por Ele sao para o exercicio do raciocinio humano. Eh para que os humanos os estudem e apliquem em sua sociedade de forma a superar desafios.Todos os desafios precisam ser superados o quanto antes para que nao virem problemas depois.

 

2a. DEFINICAO: TOTALITARISMO

Totalitarismo eh o oposto de democracia. Ele se da quando o poder de decisao de uma comunidade eh suprimido e este poder passa a ser exercido por uma pessoa ou um grupo delas em nome dos interesses de alguns. O exemplo associativo que existe na natureza eh o da onca.

Onca era um felino que tinha seu habitat natural nas Americas do Sul e Central. Ela servira tambem como exemplo associativo para o individualismo. Ela estabelecia o seu territorio onde nao permitia a entrada de membros da sua propria especie. Nem mesmo machos compartilhavam territorio com suas femeas. Por instinto, eles se encontravam apenas no periodo fertil das femeas. Tido as relacoes, cada qual tomava rumo do seu territorio.

A onca tambem expoliava areas de seu territorio ao maximo. Como membro maior da cadeia alimentar, comia todos os outros animais (comestiveis para ela) que encontrava na area. Quando percebia que a caca estava ficando rara, se estabelecia em outra area enquanto a primeira ficava se recuperando, para futuras investidas.

Novamente, em termos religiosos, nao foi para isso que Deus colocou o ser humano na Terra. Embora o individualismo em si nao seja um pecado, quando ele atinge a certo nivel o pecado ocorre em funcao dos resultados. Ate a propria onca conhecia os limites. Ela era feroz. Mas foi dado a ela mais do que podia consumir. Isso mudou apenas quando outro predador comecou a competir com ela em condicoes desiguais. O predador foi o ser humano.

 

3a. DEFINICAO: SOCIALISMO

O gnu (wild beast em lingua inglesa) foi um animal herbivoro que habitou o Quenia e seus vizinhos. Ele servira para voces como exemplo associativo do socialismo. Formava formidavel rebanho, chegando a ter milhoes de individuos no grupo. Nao tinha como defender-se individualmente contra seus predadores. Os principais inimigos eram os leoes, as hienas e os crocodilos quando precisavam atravessar grandes rios a nado.

O grande numero nao servia para atacar os inimigos. Mas servia para impor sua presenca. Os adversarios precisaram aprender estrategias como separar do rebanho os mais fracos e os mais indefesos para ataca-los. Contudo, enquanto se mantivessem fortes e saudaveis, a sobrevivencia da especie estava garantida. Assim viveram em equilibrio ate que a especie humana interferiu em seu meio-ambiente.

O socialismo se da quando os iguais se unem para conseguir superar desafios que o individual nao permite. Socialismo e comunismo sao inimigos naturais do individualismo.

 

4a. DEFINICAO: DEMOCRACIA.

Em sua definicao primordial, democracia seria a associacao popular para governar-se pelo bem de todos.

Eh algo que existe tanto entre as abelhas quanto entre os gnus. Guardadas as proporcoes, pois, os animais outros alem do ser humano nao possuem uma capacidade completa de raciocinio e ja nascem com certa programacao para agir dentro daquilo que a natureza lhes permite.

Em caso de seres humanos, a democracia eh algo voluntario, pois, guardadas as imposicoes de legislacoes elaboradas pelos proprios seres humanos, ela somente funciona quando ha altruismo da parte de todos. Quanto melhor a democracia, melhor ha o dominio da onca que existe dentro de cada ser humano e mais livre eh sua abelha para voar ou o seu gnu para migrar por melhores pastagens.

Aqui, neste inicio de III milenio, democracia virou a imposicao da vontade da maioria. Tornou-se licito enganar o povo. Tornou-se legal omitir-se informacoes para induzir a populacao a votar a favor de objetivos de poucos. Passou a ser permitido “criar verdades” a respeito dos concorrentes em eleicoes. Grupos comandados por pequeno numero de pessoas controladoras de midia podem divulgar mensagens subliminares com o intuito de desviar-se da verdade sem nenhum risco de serem acusados de crime eleitoral.

As chamadas democracias viraram circo. Atores sao candidatos. Atores sao protagonistas. Redatores inventam argumentos. Tudo para vender gatos por lebres. Claro, como nao se pode fugir ao corporativismo, sao os atores mais populares que sao eleitos. E tudo vira um circo de mal gosto!

O defeito das democracias neste tempo eh este: como atores, os candidatos fazem ate bom papel. Agem segundo o script preparados para eles. O problema esta quando se assentam nas poltronas da governanca. Como nao estao preparados para governar, ou nao desejam faze-lo a favor do interesse publico, o fazem por interesse de si proprio e dos seus maiores contribuintes. Ou seja, o poder economico eh que determina a musica que sera tocada.

Assim, os eleitores elegem aqueles que irao primeiro servir ao pequeno grupo com poder economico porque nao sabe exatamente o que se passa nos bastidores.

Neste inicio de III milenio, meus caros viventes do IV milenio, a democracia foi boicotada! Melhor dizendo, “gnucoitada”!

Democracia eh uma Dadiva do Ceu que esta deliberadamente sendo desfacelada na face da Terra gracas `a vontade dos poderosos e omissao de outros. Nao existe exemplo associativo na natureza.

 

5a. DEFINICAO: CAPITALISMO.

Assim como comunismo e socialismo, o capitalismo eh agora confundido como se fosse forma de governo. Mas estes definem apenas o regime de governo monetario. Ou seja, comunismo ou socialismo definem que os bens se tornam coletivos. No capitalismo os bens sao em sua maioria individuais. Ressalva-se apenas os chamados bens publicos.

Ha uma pratica ilegal ja antiga chamada de piramide. Esta pratica consiste basicamente no oferecimento de um produto extremamente rentavel. O sucesso da pratica depende da capacidade de alguns lideres venderem o produto. Eles vendem para um certo numero de incautos que compram e entregam o dinheiro e recebem a tarefa de alistar outro determinado numero de incautos.

`A medida que o sistema vai se expandindo, o numero de incautos cresce exponencialmente, formando uma piramide, cuja base sera sempre de contribuintes enquanto que os que ocupam o topo da piramide e seus degraus mais elevados recebem contribuicoes proporcionais `a altura da construcao. Contudo, o fim de toda piramide financeira eh previsivel, pois, o numero de incautos eh limitado.

Quando se torna impossivel encontrar-se pessoas suficientes para formar novos degraus na base o esquema comeca a ruir. E assim como comeca, da noite para o dia, ela desmorona causando um grande prejuizo `as bases e danos menores aos membros do topo. Mesmo com as intervencoes governamentais e o enquadramento legal dos enganadores, eles sempre restituem muito menos do que usaram. A base sempre tem que conformar-se com os prejuizos!

Capitalismo eh algo muito semelhante a este golpe. Ja existe ha milenios nas comunidades humanas. Existem algumas diferencas. Ao longo da Historia da Humanidade ele iniciou com o sistema de trocas e nao se sabe exatamente quando alguns comecaram a tirar proveito dos outros, dando maior valor ao seu trabalho, o que permitiu acumular bens.

Com o desenvolvimento das civilizacoes essa transferencia de rendimentos tornou-se maior atraves da escravizacao dos semelhantes. Ou seja, uns ficaram encarregados do trabalho enquanto outros acumulavam bens e usufruiam dos prazeres da vida. Nacoes militarmente mais fortes se impunham sobre outras transferindo riquezas para aquelas.

Com o surgimento do mercantilismo e do colonialismo esse acumulo de riquezas em maos de poucos aumentou em muito as discrepancias entre as classes chamadas pobres e ricas, ou seja, da base e topo, respectivamente. O retorno `a escravizacao, subretudo da populacao africana, contribuiu muito com a formacao pontiaguda da piramide capitalista.

O colonialismo dava o direito legal de algumas nacoes que haviam concentrado capital de explorar outras. O colonialismo teve sua morte anunciada mas nunca foi erradicado. Os paises colonialistas apenas conseguiram maquear suas formas de exploracao, assim como o mesmo se deu em relacao `as relacoes de trabalho dentro dos proprios paises.

Em periodos recentes a piramide foi definida como neocolonialismo. Este sistema baseou-se em que com a concentracao de capitais transferidos alguns paises puderam industrializar-se. Criaram-se companhias imensas. Estas espalharam filiais em todos os paises pobres que pensavam estar entrando na era do desenvolvimento somente porque passariam a produzir algo industrializado, que lhes parecia ser a marca do progresso.

O disfarce do neocolonialismo estava no fato de as grandes industrias pagarem salarios imensos aos operarios nas fabricas domesticas e salarios reduzidos nas filiais no exterior. Para isso, usavam da corrupcao para conseguir a colaboracao dos governantes dos paises pobres que vendiam seus concidadaos neste esquema de semiescravizacao.

O resultado era o de que as industrias no chamado “mundo industrializado” angariavam deficits, enquanto as filiais no “mundo em desenvolvimento” acumulavam lucros. Assim, justificava-se a transferencia de capitais dos lucros acontecidos nos paises pobres para zerar a contabilidade nos paises ricos. Foi a lei Robin Hood ao reverso.

Durante este periodo que ainda eh vigente, porem, disfarcado com outra mascara, o grande ganho acumulado pelos paises ricos permitiu-lhes desenvolver tecnologias de grande avanco enquanto os paises chamados pobres acumularam atrasos.

Atualmente vive-se uma partida de xadrez e monopolios onde os paises pobres contam com poucas pecas e jogadas que possibilitam a defesa de suas economias. E o objetivo das chamadas nacoes ricas tem sido o de sabotar quaisquer acoes que permitam aos pobres de virarem a mesa. Mas o sistema de piramide ja esta dando mostras de ruina.

Paises antes pobres comecam a reagir e dando mostras de que a piramide nao se sustentara. Como resposta, os paises ricos estrangularam os salarios dentro de suas proprias fronteiras. Mas esta luta ainda nao esta definida.

Internamente, os resultados da piramide capitalista tem mostrado o surgimento de uma forma mais aguda do projeto piramidal. Os ricos estao ficando cada vez mais ricos e as discrepancias entre as classes sociais estao se tornando cada vez mais abismais.

A piramide capitalista tem se mostrado resistente ao tempo nao acontecendo o desmoronamento que o golpe comum esta destinado. Isso se da por algumas razoes sutis. Primeiro o capitalismo, mesmo favorecendo a poucos eh legalizado. Segundo, baseia-se em multiplos esquemas combinados. Assim, os esquemas vao falindo alternadamente, permitindo que uns sustentem os outros, mascarando os prejuizos.

Em tereceiro e principal trata-se da resistencia da forca de trabalho. Esta eh exercida pela base da piramide. Trata-se de parte da populacao que mais contribui, trocando seu trabalho de hoje pela roupa e comida de amanha. Como o boi, nao sabe a forca que tem. Assim, contribui com o couro, o chifre e ate o berro eh aproveitado. Sem receber o que lhe eh devido. Porem, a base da piramide eh sempre formada pelo boi domestico. Aquele que se resigna com sua sorte.

 

6a. DEFINICAO: SISTEMA DE GOVERNO

Governos basicamente sao quase a mesma coisa em todos os paises. O principio basico eh este: existem os que mandam e os que obedecem. Isso tem ficado cada vez mais visivel. Claro, esse mando pode ser disfarcado em alguns paises.

Eles sao divididos em tres poderes: legislativo, executivo e judiciario. Os criadores do sistema tinha um sonho! Que estes tres poderes se tornassem independentes para o seu bom funcionamento. Mas, como todo sistema criado pelas pessoas humanas, mostra-se falho.

Teoricamente deveria existir um legislativo. Pessoas eleitas pelo povo com a funcao de prestar servico a ele. Estas deveriam ser as mais sabias dentre a populacao, com afinidades com o povo de sua procedencia. Como existem paises com imensas extensoes territoriais, elas deveriam ter origens regionais para, conhecendo os desafios particulares de cada regiao, atendessem as necessidades regionais.

O trabalho do legislador, em teoria, deveria ser o de, atraves de seu conhecimento de causa, elaborar legislacoes que dessem fundamento `as acoes para dar solucoes aos desafios enfrentados pelo povo. Isso torna-se importante porque muitas pessoas humanas vivem mais como as oncas que como as abelhas e para nao terem a liberdade de usarem suas proprias forcas contra as outras, precisam ter por escrito um regulamento do como se conduzir. Por outro lado, o escrito deveria ser a garantia da semelhanca de direitos para todos.

Esta atividade esta universalmente corrompida porque existe um desvio comportamental humano chamado oportunismo. Teoricamente, oportunismo nao deveria ser algo ruim, ou seja, alguem poderia usar as oportunidades para fazer melhorar a vida coletiva. Porem, o legislador oportunista usa sua posicao de vantagem para conceder oportunidade primeiramente a si mesmo e a seus correligionarios. Transformando a defesa do interesse publico em defesa de interesses proprios ou de quem lhe oferecer a melhor oferta.

O grande desafio da sociedade humana eh aprender a identificar os oportunistas para vedar-lhes a participacao em atividades que possam tornar-se prejudiciais ao grupo. O que se sabe deles eh isto: sempre estarao espreitando oportunidades e onde se abrir portas ou janelas pelas quais possam entrar para tirar proveito eles serao os primeiros a procurar entrar, mesmo sem forcar suas entradas, pois, disfarcar-se-ao do que necessario for para que lhes seja permitida a entrada

O trabalho do membro executivo, igualmente eleito pelo povo, deveria ser administrar os bens coletivos e por em pratica o que foi determinado por lei. Teoricamente, o trabalhado do funcionario do executivo deveria ser o de viver da execucao dos servicos que deveriam ajudar a manter o bom funcionamento da sociedade como um todo, sobretudo, protegendo aos mais fracos contra as investidas das oncas.

Este eh um principio ja existente desde as eras mais remotas da presenca humana na Terra, quando os desafios `a existencia de grupos humanos eram literalmente as feras. Mas os governantes se ja nao fazem parte do time das oncas, dao toda corda a elas em prejuizo do publico.

Igualmente, as funcoes tem sido exercida nao por pessoas integras como os cargos exigem. Afinal, sao cargos de confianca do povo. Ao eleger um administrador, o povo o transforma em seu procurador, para agir do ponto de vista legal como se o proprio povo fosse. Quando o membro do executivo assina qualquer contrato, ele nao esta assinando em seu proprio nome e sim em nome de quem lhe passou a procuracao para faze-lo. Portanto, se este procurador nao eh de confianca, ou representa mal os interesses de seu patrao (povo), deveria ser direito do povo demiti-lo automaticamente.

Mas isso nao acontece porque ha uma relacao incestuosa entre o executivo e o legislativo, pois, este legisla ja pensando em algum dia tornar-se um comandante no executivo. Executivo e legislativo nao sao instituicoes separadas, ja que membros dos dois poderes sao oriundos das mesmas agremiacoes partidarias. Assim, os que legislam sao os mesmos que executam e viceversa. Apenas se alternam.

O judiciario tambem deveria ser independente. Porem o sistema nao permite independencia total. Primeiro porque os juizes so poderiam julgar em cima das leis ja prontas. Portanto, o juiz honesto ja recebe a obrigacao de fazer cumprir leis que sao viciadas pelas praticas inexcrupulosas dos membros do legislativo e do executivo. O juiz pode observar a ilegitimidade de uma lei, mesmo assim tem que obedecer o que nela esta previsto.

O judiciario, que tambem eh exercido por pessoas humanas, nao esta isento dos juizos corruptos e erroneos de parte de seus membros.

Um exemplo pratico ocorrido recentemente nos Estados Unidos. Um homem usou o celular para fotografar por debaixo da saia de uma mulher em local publico. A mulher ofendida entrou na justica. O veredito foi de que, mesmo que moralmente se pudesse julgar que havia alguma violacao, as leis que regiam o uso do aparelho nao previam punicao para a atitude.

Como o assunto criou muita repercussao na imprensa, uma lei foi aprovada em questao de horas para cobrir essa omissao da legislacao anterior. Fato bastante discrepante em relacao a outras causas onde os danos podem ser considerados muito mais prejudiciais para a coletividade, mas que nao causa o mesmo furor popular.

Exemplo disso eh o reconhecimento de que falta regulamentacao melhor para legislar a respeito da presenca de imigrantes sem documentos nos Estados Unidos. Algo reconhecido pela imprensa, pela maioria do povo e ate mesmo pelo presidente. Sao milhoes de pessoas que vivem numa especie de limbo, onde nao podem seguir suas vidas normais nem retornar a seus paises. Milhoes de filhos sao separados de seus pais e familiares.

O que antes era um desafio ja virou um imenso problema ja que estas milhoes de vitimas nao tem o poder de votar e alguns legisladores desejam consertar a situacao mas a maioria pensa que nao deve, pois, corre o risco de legalizar estas pessoas e elas tornarem-se eleitores contrarios. Exemplo claro onde os interesses corporativos sao melhor tratados que o beneficio da populacao. O judiciario que deveria fazer cumprir a justica nao tem poder algum de interferir, pois, isso nao eh da sua alcada.

 

7a. DEFINICAO: REGIME DE GOVERNO

Em tempos passados haviam poucos regimes. Se o Estado fosse governado por um monarca, chamava-se monarquia. Se o Estado obedecesse as instituicoes republicanas, deveria ser governado por um presidente, e chamar-se-ia republica.

Os governantes mais antigos retinham grande poder em suas maos. Os reis, por exemplo, em sua maioria abusavam de seus poderes. Para conter essa corrupcao da intencao do legislador, introduziu-se o parlamentarismo. Ou seja, algumas monarquias continuaram a existir, porem, as funcoes dos reis passaram a assemelhar-se mais com as de um embaixardor, que se assemelha a espelhos da monarquia em relacoes internas e externas, mas nao governa. Eh mais uma atracao midiatica.

No parlamentarismo o poder executivo eh exercido por um parlamentar que eh tornado primeiroministro por seus pares. Apos `as eleicoes dos parlamentares pelo povo, estes se reunem para escolher um regente, oriundo dos partidos ou coligacoes majoritarias. Nessas reunioes fazem-se as barganhas de como o poder executivo sera compartilhado.

O primeiroministro nao tem um tempo definido de governo, pois, em caso de os pares desacriditarem dele podem aprovar sua remocao e substituicao por outro. O proprio pode decidir renunciar por suas proprias razoes. Nao havendo, porem, a necessidade de nova eleicao enquanto durar aquela legislatura.

O sistema republicano pode tambem se combinado com o parlamentarismo. Neste caso, o presidente eleito torna-se uma figura secundario no governo. O primeiroministro continua a principal.

O mais comum porem sao as republicas serem presidencialistas. Neste caso, eleito o presidente e seu vice, o primeiro assumira o comando. O segundo estara sempre na reserva para assumir em situacoes que forem exigidas.

Como foi falado no inicio, esta eh a ERA DO QUE PARECE SER, e eh o MUNDO DO FAZ DE CONTAS. Deliberadamente criaram-se corruptelas dos sistemas. E os inimigos de cada um usam a desinformacao do publico para caracteriza-los como aquilo que o publico deve detestar, manipulando-lhe a opiniao e dela se aproveitando para seus proprios proveitos.

Fantasias gerais sao as de que capitalismo e democracia sao sinonimos. Comunismo ou socialismo sao um mal representado pelo totalitarismo. Capitalismo tem que ser o antro do reacionarismo. Comunismo e socialismo sao a vanguarda da civilizacao. Ditadores sao pais de nacoes. E varias outras discrepancias cujo unico objetivo eh o de manipular a opiniao publica.

Em verdade, em verdade, devera ser dito. Os sistemas e os regimes nao sao culpados de nada. Eles nada fazem. Quem o faz sao as pessoas humanas que os regem.

O que o visitante do 4o. milenio precisa saber eh que: capitalismo, comunismo e socialismo serao regimes monetarios e nao de governo. Totalitarismo, geralmente exercido em nome de um presidente ao qual se chama de ditador, eh quando um presidente (`as vezes chanceler) comeca a ter sonhos de monarca com poderes absolutos. Ele pode transformar a vida dos cidadaos de seu pais tanto num pesadelo capitalista quanto num pesadelo comunista. Depende da preferencia do safardana.

A forma de governar um pais pode muito bem ser democratica, exercida por um presidente eleito pelo povo e tanto ser capitalista ou comunista. Nao pode ser as duas coisas ao mesmo tempo! Claro, ha a possibilidade de combinar-se valores de um e de outro no mesmo sistema.

E parece que esta eh a licao ainda a ser aprendida pelos torcedores mais radicais, pois, o que deveria importar no final de tudo seria o bem comum e nao o beneficio de uns em detrimento de outros.

 

8a. DEFINICAO: ESQUERDA-DIREITA

Estas definicoes surgiram de uma jogada de marqueteiros. Trata-se de coisa bastante antiga e baseia-se em preconceitos latentes. Especialmente nas eras mais antigas da Historia da Humanidade as minorias sempre foram perseguidas, servindo de bode expiatorio para tudo o que fosse feito de errado pelos governantes. Um fato eh o de que a maioria das pessoas humanas usa preferencialmente seus membros direitos do corpo.

Assim, as pessoas que nasciam com tendencias a usar seus membros esquerdos passaram a ser vistas como de menor qualidade e ate mesmo como agentes de algum mal. Muitos foram perseguidos por essa simples condicao natural.

Paralelo a isso, as culturas criaram metodos para conduzirem o consumo, tanto o politico quanto o comercial. A principio esse trabalho de marketing era ufanista, ou seja, criava metaforas que jogavam para o alto as expectativas populares. Uns diziam: “meu pais tem mais estrelas”. Outros: “o explodir das bombas faz os herois”. `A medida que estes incentivos mostravam-se efetivos com parte da populacao, principalmente a jovem, pessoas se dedicaram mais a observar e estudar os efeitos que palavras podem causar `as pessoas.

Desde ha muito tempo este estudo virou ciencia. A principio estudada por pessoas sem formacao academica mas com o tempo tornou-se profissao. Entre os profissionais surgiram verdadeiros magos do ilusionismo. Alguns chegam a acreditar que sao capazes de fazer as pessoas fazerem o impossivel, induzindo-as a faze-lo atraves do uso das palavras.

E o maior ou menor sucesso desses magos depende apenas da vulnerabilidade das pessoas que serao induzidas por eles. Ou seja, as pessoas menos informadas do que realmente esta se passando podem mesmo cair nos contos mais estupidos do vigario. Estas sao praticas que agora no inicio do III milenio sao abertamente usadas em marketings politico e comercial. Nao se trata mais de realizar acoes para o beneficio do povo e sim metodos de conducoes que farao o povo responder a estimulos, mesmo com consequencias prejudiciais a ele proprio.

Assim, por longo tempo as forcas dominantes na politica passaram a usar essa armadilha. Neste caso, associou-se o preconceito que ja era tradicional contra as pessoas que usavam seus membros esquerdos para apelidar as oposicoes de esquerda. As acoes de um governo poderiam estar sendo visivelmente danosas ao povo. Mas os que reagiam eram classificados como militantes da esquerda, o que induzia a muitos a nao aderir a seus movimentos, mesmo quando estes eram a favor de uma proposta melhor de governo.

Esta esperteza porem foi contratacada por outra. Ja que os termos direita e esquerda se firmaram como definicoes de governos e oposicoes, os esquerdistas assumiram a pecha e passaram a usar como sinonimo de direita os termos: conservador, reacionario e atraso.

Ou seja, dizia-se que toda direita era automaticamente conservadora, reacionaria e atrasada, enquanto as esquerdas seriam progressistas. Como o que era antes era uma farsa, essa nova farsa tambem passou a ser largamente usada. Embora o uso tivesse seu fundo de verdade, nunca foi valido para 100% dos casos. Atualmente, direita e esquerda dao definicao a um conjunto de pensamentos, onde a esquerda pode ser governo e a direita oposicao.

Na verdade, o que implica este uso eh a consequencia de `as vezes jogar umas pessoas contra as outras, nao apenas no sentido de possuirem opinioes adversarias mas no senso de faze-las tornar-se inimigas.

Para as dirigencias consideradas de esquerda ou de direita esse sentido torna-se um verdadeiro achado, pois, transforma-se no meio de puxar as cordinhas para conduzir suas marionetes dentro de um caminho escolhido por elas. As dirigencias prendem a atencao do povo a um mundo bidimensional, ou seja, no restrito mundo da esquerda/direita.

Nele as pessoas que se consideram de esquerda somente enxergam a si mesmas e aos inimigos. Vice-versa em relacao para as pessoas que se consideram de direita. A luta se torna um espetaculo primitivo e grotesco, onde a politica, que deveria ser o caminho para superar os desafios enfrentados pela humanidade, transforma-se em campo de batalha onde os meios nao interessam, o que importa sera vencer o inimigo. Algo digno de ser classificado como metodo troglodita, no mais puro senso estrito do sentido distorcido da palavra.

Este posicionamento direita/esquerda nao eh a luta do capitalismo contra o comunismo; do cristao contra o muculmano; do rico contra o pobre; ou das diversas opinioes contra suas contrarias. Eh apenas um ilusionismo cuja finalidade unica eh desviar a atencao do povo porque enquanto o povo estiver iludido, sem conhecer a verdade, os dirigentes continuarao se alternando no poder e fazendo aquilo que lhes melhor convir, nao importa se isso ira ou nao solucionar as questoes humanas.

Um fato ocorrido pode servir de exemplo associativo. Houveram dois jovens que se candidataram ao cargo de prefeito e vice-prefeito de um pequeno municipio no Brasil. Eram formados recentemente numa universidade. Como toda cidade do interior, a populacao fora tradicionalmente dividia entre dois grupos. Estes grupos nao poderiam ser necessariamente classificados localmente como direita/esquerda, pois, ambos nao se enquadram em filosofias politicas mais profundas. Representavam apenas a figura de peoes no jogo de xadrez que eh a politica no pais e no mundo.

Os jovens candidatos puderam visitar mais de 50% das casas existentes no pequeno municipio. Normalmente, boa parte dos eleitores dos municipios pequenos nao se sente confortavel em revelar em quem ira votar porque teme represalias se seus candidatos forem derrotados. O que nao ocorria diante dos jovens.

Na maioria absoluta das casas em que entraram as manifestacoes foram as mesmas: “Dessa vez nao vamos votar em voces nao. A gente sabe que voces sao os melhores candidatos, mas iremos votar no grupo A porque temos medo de que o grupo B ganhe.” Em outras casas mudavam a preferencia ao grupo B contra o grupo A. Exceto isso, tudo era igual!

Os jovens nao criam que a condicao de universitarios lhes dessem garantias de maior capacidade administrativa contra seus adversarios cujo nivel educacional era menor. Mas este conceito tambem enganoso era voluntariamente levantado pelo povo, pois, sempre ouviam essa mentira contada em ambito nacional quando um candidato `a presidencia de menor escolaridade enfrentava adversarios com mais estudos. O que eles tinham a oferecer era sua proposta de governo.

As eleicoes se passaram e os jovens nao foram eleitos. Devido a condicoes adversas nao puderam mais se candidatar. O lado que ganhou foi o que estava fora da prefeitura. Nas eleicoes posteriores a alternancia continuou. Passadas duas decadas nunca se apresentou propostas realmente novas que pudessem pelo menos aliviar a condicao de dependencia do povo.

Nao existem garantias de que os jovens fariam um governo excepcionalmente melhor segundo as expectativas populares, afinal, as pequenas cidades tornaram-se dependentes dos niveis de governo mais elevados. Aqui, porem, torna-se obvio que o medo eh uma das armas usadas pelo sistema direita/esquerda para manter-se no poder. As duas faccoes tem conhecimento dessa inseguranca popular e a manipulam de forma a impedir que alternativas `as suas formas incorretas de governar possam crescer.

A filosofia esquerda/direita nao tem necessariamente o intuito de construir uma sociedade melhor. O objetivo principal eh o de manter-se no poder. O que eh correto e o que eh incorreto nao faz parte da filosofia deste sistema.

 

9a. DEFINICAO: SOCIEDADE E CONFIANCA

“O ser humano eh o ser social”. Esta eh uma afirmativa tao antiga quanto a primeira democracia no mundo. Social implica em que haja a formacao de grupo. Ou seja, um ser humano isolado nao tem a mesma funcionalidade que quando trabalha em grupo.

Pela propria inteligencia a pessoa humana sabe que nao deve ter o egoismo da onca. Todas as pessoas humanas sabem que dependem das outras. Isso foi constatado pela especie desde seus tempos primordiais. Quando se vivia em grupos pequenos, inevitavelmente familiares, essa necessidade de associar-se era pouco percebida, pois, todos faziam tudo que precisava ser feito, porem, o resultado era que tinha-se que gastar muito tempo dedicado a buscar alimentacao. E a especie humana passou milhares de anos vivendo como os outros animais.

Com a criacao de novos instrumentos de trabalho e a descoberta da agricultura, isso mudou radicalmente. As pessoas tiveram que estabelecer-se em regioes localizadas e nelas passar mais tempo cuidando de suas plantacoes. Isso tornou-se possivel apenas porque a atividade agricola passou a produzir um volume maior de mantimentos do que retira-los da natureza atraves da caca e da coleta, embora estas nao puderam ser abolidas de imediato.

A grande ideia que permitiu o dominio da especie humana sobre todas as outras especies e sobre ate mesmo certas inconveniencias da natureza, foi a divisao do trabalho. A especializacao das pessoas tornou-se possivel a partir do momento em que alguns puderam dedicar-se apenas `a agricultura, outros `a caca, alguns `a defesa, outros mais aos demais trabalhos que permitem o funcionamento de uma comunidade.

Outro grande componente do viver-se em associacao ou em sociedade eh a confianca. Os que trabalhavam nas plantacoes confiavam que os cacadores iriam trazer-lhes carne suficiente para completar-lhes a alimentacao. Ambos confiavam naqueles que lhes preparariam as vestimentas que esperavam, em troca, receber a alimentacao necessaria. Disso puderam surgir as civilizacoes e tribos puderam ser reunidas em nacoes.

Todas as vezes que a confianca era quebrada, geralmente surgiam as guerras. E muitas foram as atitudes das pessoas humanas que resultaram em quebra de confianca. A mais comum foi a ganancia e o preconceito. Desde sempre, muitas pessoas nunca contiveram as oncas que existiam dentro de si. Elas apenas disfarcaram-se de “boasmocas”, mas sempre se postaram `a espreita para explorar as oportunidades de explorar seus semelhantes.

As atitudes mais hediondas que levaram a quebra de confianca foram as guerras com intuito unico de pilhagem e a escravizacao de alguns seres humanos por outros. O que pode parecer contraditorio eh isso: as grandes riquezas materiais iniciaram exatamente atraves da pilhagem e escravizacao. Talvez seja por isso que o grande mal a ser enfrentado pela humanidade eh o de nao reconhecer que o que permitiu a evolucao social e economica da especie foi a associacao das pessoas. E a pilhagem e a escravizacao, ao contrario de deixar a evolucao progredir, trava o progresso da humanidade.

Os metodos de pilhagem e escravizacao atuais sao fruto do ilusionismo das oncas em relacao suas presas. Muitas formas existem de fazer isso. Entre elas estao os juros, os salarios aviltantes, o subemprego, a mais valia, os contratos subliminares, o marketing de falsidades, as muitas formas de oferecer-se produtos com promessas enganosas, a corrupcao e outros. Enfim, a humanidade foi colocada `a beira de um abismo cujo resultado tem sido as quebras do contrato social inicial e da confianca.

 

10a. DEFINICAO: A TEORIA DA MAIS VALIA

O termo “mais valia” foi criado para definir uma discrepancia bem antiga. Trata-se do menor valor que se paga em troca de servico que eh recebido. Ocorre nas relacoes entre empregadores e empregados. Isso quer dizer que, pela filosofia da “mais valia”, os senhores patroes se dao ao direito de cobrar um certo imposto das pessoas que trabalham para eles.

Atualmente estes senhores inclusive adotaram a figura linguistica de “criadores de empregos” em substituicao a patroes. A verdade eh que ultimamente a palavra patrao passou a ser um dos sinonimos de explorador, entao, o recurso foi tentar disfarcar a condicao real atraves de uma expressao mais simpatica. Mas isso revela apenas uma coisa. Nao ha vontade de melhorar-se os salarios mais baixos.

Outro detalhe eh criar a ideia de que os antigos patroes sao insubstituiveis. A expressao quer dar a ideia de que facam parte do caminho unico pelo qual a sociedade avanca economicamente falando. Na verdade trata-se apenas de um marketing onde se vende a figura do eu em detrimento do nos.

“Mais valia” tratava-se antigamente da base economica entre senhores e servos. O senhor tinha o dominio das terras que eram loteadas para que os servos fizessem suas plantacoes. Quando as colheitas se davam o senhor recebia uma porcao dela, como se fosse o pagamento de um aluguel. No passado essa relacao poderia ir muito alem dessa simples operacao comercial, pois, senhores aproveitavam-se de suas posicoes privilegiadas para impor um verdadeiro regime escravocrata sobre seus servos.

Com a industrializacao, essa pratica saiu dos campos e entrou na vida urbana. Sobretudo os donos de industrias que precisavam de um maior numero de empregados exploravam despudoradamente a seus empregados. Segundo as teorias economicas, sempre havera uma defazagem entre o que o empregado rende para a empresa e o que ela seu remunera o trabalho. Essa diferenca eh a “mais valia”, que sai do esforco do empregado e passa para a empresa e seus investidores.

Ha, porem, outro tipo de mais valia que tornou-se muito comum atualmente. Quanto mais as relacoes de trabalho se diversificaram dentro da sociedade houve a necessidade de uma maior especializacao da forca de trabalho. No principio uma unica pessoa poderia ser o lider espiritual, o medico e lider politico em sua comunidade. Neste inicio de III milenio cada uma destas posicoes sao ocupadas por pessoas diferentes. E cada posicao sera exercida por muitas pessoas diferentes com niveis diferentes de especializacao.

Quanto mais a pessoa se especializa eh dado a ela um credito em beneficios financeiros. Reclamam estes que eh justo receberem um melhor pagamento devido ao tempo que precisam dedicar aos estudos em suas especializacoes. Na verdade, essa diferenca nada mais eh que uma “mais valia” e o argumento de precisar estudar para chegar `a especializacao trata-se de uma cortina que oculta a verdade.

Claro, nao se trata de desmerecer `aqueles que estudam. Trata-se apenas de chamar a atencao para o `as vezes pensar-se ser justica quando a metade do assunto se trata de “ocultacao de cadaver”. Quanto mais as relacoes sociais tem evoluido mais os profissionais tem sido obrigados a estudar e quando se trata de profissionais que viverao de empregos o ganho equivalente tem ficado menor.

Isso nao se trata de uma culpa destes profissionais que ocupam a chamada classe media. A verdade eh que a filosofia que esta estrangulando a classe media eh um reflexo da filosofia de manter o povao “em seu devido lugar”, ou seja, no sope da piramide. Quando se estuda a evolucao da economia nos ultimos 80 anos, percebe-se um ganho crescente dos ganhos reais das classes pobre e media ate `a metade do periodo. De la para ca, a classe pobre tem sido estrangulada, a media sofre o efeito colataral e a rica concentra mais riquezas, cada vez maiores em maos de menos pessoas.

Digamos, entao, que sera justo uma pessoa que se dedica aos estudos para sua especializacao receba um salario melhor. Mas quando este salario melhor chega a ser 100 vezes, 200 vezes e ate 1.000 vezes maior que aquele que o trabalhador comum, esperava-se que o senhor estudado fizesse algo excepcionalmente superior ao que o cidadao comum fosse capaz.

Geralmente, para desencargo de consciencia, as pessoas pensam que por terem estudado muito sabem tanto que isso as torna superiores aos outros trabalhadores que consideram comuns. No fundo, eh nisso que se baseiam para justificar seus salarios superiores. Pensam elas que existe algo especial nelas que as fazem merecedoras, afinal, nao ha necessidade de estudar-se tanto para capinar uma roca, ser um motorista, ou cortar a cana que ira adocar a vida de todos!

No fundo, a “mais valia” eh o fruto do preconceito de que o eu eh mais importante que o nos. Esquece-se que so se torna possivel que alguns estudem porque existem aqueles que comecam a trabalhar sem estudar. Que enquanto se esta estudando, continua necessario consumir-se alimentos que precisam ser produzidos ininterruptamente, eh preciso calcar, vestir, e fazer funcionar todas aquelas coisas que fazem o nosso dia-a-dia menos trabalhoso, para que tenhamos tempo de estudar. Afinal, ninguem pode ficar anos sem se alimentar enquanto estuda.

Esta eh uma das clausulas rompidas do contrato social inicial. Ou seja, eu te ajudo nos tempos de sua dificuldade para quando chegar a minha ora de dificuldade nao precise te pedir esmolas, pois, voce ficara feliz e agradecido por ter a oportunidade de retribuir o que fiz por voce. Ora, quando as pessoas se reuniam em pequenos grupos, que eram necessariamente familiares, tornava-se um sacrilegio romper essa clausula, pois, era o mesmo que renegar a seu pai e sua mae.

Mas como a populacao multiplicou-se muito, criou-se essa separacao: entre aqueles que sustentam a sociedade e aqueles que usufruem dos beneficios sociais. A verdade eh que o orgulho fez com que uns fossem tornados menos importantes que outros, embora todos procedam de uma matriz genetica unica. Devido `a multiplicacao do numero de pessoas tornou-se possivel a uma parte das familias se especializarem nos servicos da base da piramide e outras em area mediana, por isso as pessoas da area mediana romperam com a base, pensando que esta nao faz parte de sua familia!

O preconceito eh a pessoa em escala social considerada mais elevada olhar para os que consideram inferiores e pensar que merece ser muito melhor remunerada porque o que ela faz eh superior ao que as pessoas da base sao capazes de fazer. As pessoas que ocupam as classes medias costumam olhar as classes das bases e pensar que elas nao estudaram e nao sabem fazer o que tais pessoas fazem, mas que elas seriam capazes de fazer perfeitamente o que os das classes da base fazem.

Dois enganos neste tipo de pensamento. O primeiro eh o de que se se der oportunidades iguais `as criancas oriundas de familias de baixa renda elas demonstrarao indices iguais de inteligencia aos das criancas oriundas das classes restantes, portanto, tem o potencial de, estudando, ocupar qualquer profissao da escala social. Isso demonstra que a diferenca esta nas diferencas de oportunidades e nao na qualidade das pessoas.

Outro detalhe. As pessoas que ocupam faixas mais elevadas da piramide sempre pensam que os da faixa abaixo nao seriam capazes de fazer o mesmo que elas fazem. Se nao terao as mesmas oportunidades eh logico que isso se torna uma verdade. Porem, faca-se o contrario. Tome-se as pessoas que pensam ser superiores porque ocupam faixas economicas mais elevadas na sociedade e ponham-nas para viver dos trabalhos executados pelas faixas de baixa renda da piramide.

As pessoas e seus preconceitos poderao, claro, tornar-se ate melhor trabalhadoras que uma parte dos trabalhadores de baixa renda porque existem variacoes de competencia em todos os setores. Mas somente ficara provado que existe pessoas superiores `as outras quando houver aquelas que serao capazes de produzir em seus trabalhos, guardando igualdade de condicoes, as 100, 200, ou 1.000 vezes a producao que as outras tem capacidade de produzir.

O dia que alguem cortar cana, com os proprios recursos fisicos, 100, 200, ou 1.000 vezes o que um trabalhador comum for capaz, entao, estarao justificadas essas diferencas de ganhos que muitos acreditam serem justas mas que, ate provarem o contrario, sao apenas ilusorias.

 

11a. RELIGIAO

Religiao eh uma palavra derivada da lingua latina, “religare”, cuja intencao eh descrever um retorno para Deus. Segundo as teorias religiosas das maiores religioes da Terra, o ser humano seria uma criatura moldada por Deus que, por desobediencia a seu Creador, foi condenada a servir um tempo separado da Pessoa Santa. Durante essa passagem pela materia a pessoa humana deveria receber os preceitos que a fariam reconciliar com Deus podendo, entao, receber a permissao de voltar `a Presenca do Pai. Falhar nessa missao pode significar o banimento eterno.

Dentre o que se acredita em religiao somente um item pode ser comprovado e eh o fundamental em todas as religioes, ou seja, Deus existe.

Sim, nessa passagem de milenio ainda existe uma controversia enorme quanto a admitir-se isso. Entre as proprias pessoas que creem existem as controversias, pois, uns afirmam que Deus fez isso ou aquilo, em franca contradicao de uns para com os outros. Os que nao creem tomam como base estas contradicoes para concluirem que Deus nao existe, afinal, se uns dizem que Deus falou algo e outros dizem que Deus falou o oposto, entao, ha nisso uma clara evidencia de que Deus seja criatura da imaginacao humana.

Mas a verdade eh unica. Nao existe polemica no mundo em que se chegue `a unanimidade, pois, faz parte da natureza humana ser contraditoria. O conhecimento de que a Terra era esferica remonta a tempos ancestrais, porem, a teoria de que fosse uma base plana sustentou-se como contradicao por muitos e muitos seculos, ate que as viagens de circunavegacao da Terra puderam provar sua forma esferica. Mesmo assim, ainda existem uns poucos que duvidam, seculos depois! Ignorancia existe em todo setor e nivel humanos.

Como se pode comprovar a existencia de Deus eh relativamente facil. Mas enquanto a “circunavegacao” comprobatoria nao acontecer, a controversia permanecera por causa da natureza humana.

Mas a verdade eh esta: pode a absoluta inexistencia fazer surgir a existencia? A absoluta inexistencia eh o absolutamente nada. Ou seja, eh algo sem tempo, sem materia, sem espaco, sem energia, sem principio, sem fim, sem leis, ou seja, eh o completo vazio. Por mais inacreditavel que possa parecer, a resposta sera nao. A inexistencia nao pode criar a existencia. Portanto, a existencia so pode surgir a partir da Existencia.

Este eh o ponto em que os cientistas esbarraram quando criaram a “Teoria do Big Bang”. Por essa teoria, o universo conhecido no inicio do III milenio surgiu a partir de um evento, numa fracao infima de tempo, que ocasionou uma explosao colossal. Esta explosao liberou tamanha energia que resultou na formacao da materia. A materia evoluiu por meio de eventos que vem ocorrendo ha cerca de 16 bilhoes de anos. Entao os eventos e fatos tem sido desvendados pelos cientistas.

Acontece que os conhecimentos cientificos comecaram a questionar a teoria deste inicio, pois, o que teria provocado tamanha explosao? Por mais que procurem explicar, nao se deu uma resposta a isso. Teoriza-se a respeito da existencia de outros universos. Alguns pensam que o universo em que vivemos seja o resultado da friccao de dois outros universos que, ao se tocarem, criaram o “Big Bang”. O que implica na existencia de algo antes da existencia do que eh conhecido pelas pessoas humanas atuais.

Outra teoria seria a de que este universo seria o resultado da evolucao de um universo anterior que pode ter sido gerado por outro anterior e que o nosso caminha para a criacao do proximo, numa sequencia infinita de universos.

Pode parecer complicado para os simples mortais que estao preocupados com o que terao para comer amanha, com o que terao para vestir-se na proxima festa, e o como fazer para conseguir o dinheiro que precisam para pagar suas contas. Os cientistas ja trabalham num mundo onde contam os anos em bilhoes, as distancias em anos luz e as medidas desde o extremo maior ate ao extremo menor. Mas nos queremos mesmo eh saber o que se passa nos proximos dias ou, no maximo, daqui a um ano!

Acontece que pessoas do passado remoto ja haviam chegado `a conclusao, e muitas pessoas tem se dado por satisfeitas, e somente agora os cientistas estao chegando `a mesma conclusao. Ou seja, a existencia vem da Existencia que eh infinita. Os filosofos antigos chegaram a conclusao de que: “Ha um so Deus, que nao teve inicio nem tera fim, e que Creou tudo o que conhecemos.”

Este eh o principio basico. Dai para frente as coisas evoluiram de acordo com a Historia da Humanidade. Nesta evolucao, pensadores passaram a questionar: “Ora, ja que Deus existe, o que faria Ele nesta situacao que agora estamos enfrentando?” ou “Como Deus existe, quais os regulamentos que Ele ditaria para nos humanos?” Estes questionamentos foram sendo respondidos de acordo com culturas e fases do desenvolvimento humano. Os conceitos de culturas mais antigas foram influenciando as que se seguiram.

Ao conjunto destas respostas chamamos de credos, crencas, crendices e dogmas e a isso se da o nome de religiao. Os credos podemos definir como respostas com nivel aceitavel para questoes. Crencas sao respostas intermediarias. Crendices eh a absoluta falta de sentido, porem, as pessoas creem em funcao de suas ignorancias. Ja os dogmas sao semelhantes `as crendices. Por falta de alguma resposta para determinada questao, os lideres em cada religiao determinam que tal assunto fica fora da pauta de discussoes creditando a resposta exata a um segredo reservado por Deus para Si Proprio. Como se Deus fosse pessoa para segredos!

O Que e Quem eh Deus eh um desses dogmas. Na verdade, a pessoa humana tem a consciencia da existencia de Algo muito superior ao Que se credita o Poder de ter Creado todas as coisas. Esta Pessoa Poderosa eh Quem chamamos de Deus, sem conhecer-Lhe a natureza exata. Apesar disso, ousou-se definir que o ser humano foi Creado `a Imagem e Semelhanca de Deus. Algo bastante contraditorio, pois, na pratica tambem eh dito que a pessoa humana e oposta `a Divina.

O certo, porem, foi que as religioes se formaram e se firmaram, tornando-se fundamentais para a organizacao da sociedade humana. Elas tiveram tanta influencia que por milenios fazia parte da governanca das civilizacoes. Muitas eram inclusive chefiadas pelo sacerdote supremo da religiao dominante nos imperios. Outras separavam o poder temporal do poder religioso, contudo formando um conjunto que governava de comum acordo.

Somente nos seculos recentes com a fundacao dos sistemas republicanos de governo foi que preferiu-se separar estes dois poderes. As pessoas mais civilizadas perceberam que, por melhores que fossem as pessoas, o excesso de poder corrompe. Muitas vezes sacerdotes que governavam abusavam de seus poderes. A solucao encontrada foi separar os poderes temporal do religioso e fatiar o poder temporal em tres: executivo, legislativo e judiciario.

Mas estas definicoes nao valeram de imediato para todos e frequentemente houveram os usurpadores que sequestraram essa nova ordem, tomando para si ou para alguns poucos a reuniao dos poderes. Estes formaram os regimes ditatoriais, exercido por um ditador ou por uma junta ditatorial. Em alguns casos com a colaboracao dos membros do clero.

Como seres humanos primitivos chegaram `a conclusao semelhante a dos atuais cientistas nao se pode afirmar mas ha uma boa resposta. Buscando pela logica temos que: uma criatura que ignorasse completamente a Existencia de seu Creador jamais procuraria fazer a Vontade Dele. Portanto, uma possivel solucao seria o implante de alguma consciencia inata nestas criaturas. `A medida que as criaturas buscam explicacoes para os fatos que as cercam, esta consciencia vai aos poucos sendo ativada.

Isso seria como um jogo de evolucao. Mas nao cabe aqui esgotar todas as respostas da questao. Basta saber-se que existe essa consciencia inata e que nem todos a atingem, nem ao mesmo tempo nem no mesmo nivel. Esse processo de aprendizagem eh inerente `a materia. Isso ocorre em relacao a todas as outras areas do conhecimento humano.

Neste inicio de milenio existem tres religioes mais conhecidas no Ocidente da Terra, as quais sao monoteistas. Sao elas: judaismo, cristianismo e maometismo, segundo a ordem de seus surgimentos. O judaismo eh numericamente quase insignificante mas de grande importancia para as outras duas devido a ter passado a elas como heranca muitas de suas tradicoes.

O Cristianismo eh a mais numerosa, contando com duas faccoes. A mais numerosa chama-se Catolica, com cerca de 1.5 bilhoes de seguidores. A outra foi uma dissidencia desta, chamada de Protestante. A Protestante primeiro dividiu-se em ramos diferentes. Estes ramos deram origem a outro, o Evangelico. Protestantes e Evangelicos reunem milhares de denominacoes diferentes. Nao tem um centro unico de governanca. E contam com mais de 1 bilhao de seguidores.

A Religiao Muculmana eh mais numerosa que a faccao catolica da religiao crista. Embora nao seja maior que o conjunto cristao. Divide-se em diversas faccoes entre as quais destacam-se sunitas e xiitas.

Estas tres religioes atuam tambem no oriente do Planeta. Contudo, considerando a area como um todo, existem outras religioes mais populares, sendo estas politeistas, destacando-se o Induismo e o Budismo. Estas duas tambem sao subdivididas em milhares de cultos diferentes, seguindo principios basicos comuns.

Alem dessa diversidade o Planeta conta com outros milhares de religioes.

Mas tambem ja existem uma parte consideravel da populacao planetaria que nao cre na Existencia de Pessoa Divina alguma. Mas isso faz parte de uma equacao unica, pois, a funcao dos que nao creem eh levantar os questionamentos que deveriam ser respondidos pelos que creem. O desafio eh fazer com que os que creem aceitarem que isso eh bom ja que as questoes respondidas os faria melhor crentes.

O desafio a ser superado eh tornar democraticas as pessoas que se dizem religiosas. Sao muitas que detem o poder religioso e nao se conformam com os questionamentos, escudando-se no falso principio de que a fe eh o que da forca `a religiao. Mas este eh um engano, pois, por ser uma caracteristica humana, toda fe pode ser enganosa.

O contrario da fe eh o conhecimento. Isso pode ser atestado por uma argumentacao simples. Todas as pessoas que creem sabem que Deus tudo Sabe e a tudo Conhece. Sendo a fe uma expectativa de coisas que se deseja que acontecam e evidencia daquilo que nao se ve, entao, ela eh diferente de conhecimento. Isso porque o conhecimento eh a garantia, a certeza. O saber descarta a necessidade da expectativa, o conhecimento se baseia em fato e nao em evidencia. O conhecimento eh a esfera ja circunavegada. Portanto, o Conhecimento tem origem Divina e deve ser procurado. Fe sera algo necessario ao ser humano ao qual falta conhecimento!

No inicio do III milenio ainda eh perigoso questionar-se os dogmas religiosos, pois, existem muitas pessoas que creem sem ser democraticas e nao aceitam que a fe delas seja questionada nem mesmo pelo conhecimento. Elas se apegam `a fe pensando isso ser conhecimento. E a isso chamam de sua religiao.

 

12a. DEFINICAO: TEOCRACIA

Entre os regimes de governo nao mecionados anteriormente, as teocracias nao foram incluidas por serem menos usadas. Mas as teocracias sao regimes que se adaptam aos outros. Pode-se ter monarquia ou republica, ser parlamentarista ou presidencialista e tambem ser uma teocracia. As teocracias usam a ficcao de afirmar que Deus eh quem governa e homens apenas exercem o poder em Nome Dele.

Esta eh uma das alegorias mais grotescas que se pode imagirnar contudo existem pessoas que dao suas vidas pela defesa de isso ser uma verdade. Pior, sao mesmo capazes de matar os que conhecem o teor e se manifestam contra essa ilusao. Claro, existem muitas pessoas cheias de boas intencoes que creem nessa inverdade e se deixam enganar por falta de filtro no que acreditam. Nao poderao ser condenadas por suas proprias ignorancias!

Existem tres exemplos claros de teocracias nestes tempos bicudos. Regimes teocraticos geralmente estao relacionados `a religiao muculmana. Em epocas medievais, a civilizacao muculmana tornou-se a mais evoluida de todas, conseguindo um grande desenvolvimento tecnologico e conquistando um dos maiores imperios ja existidos na Terra. Mas o explendor nao evoluiu.

Com o fim da Idade Media e o dominio das rotas de comercio pelos reinos cristaos, o antigo Imperio Muculmano foi sendo reduzido e colonizado pela nova forca motriz da economia mundial. Sob a condicao de dominados, os povos muculmanos tornaram-se mais tradicionalistas, mais apegados a usos e costumes que remontam `a epoca de seu explendor. E entre os principios que ainda nao haviam surgido `a epoca deste explendor inclui-se a democracia. Por isso, as teocracias muculmanas nao defendem a democracia como valor a ser respeitado.

Nao se pode afirmar que todas as teocracias muculmanas estao no mesmo nivel antidemocratico. Os teores e graus de ditatorialismo teocratico variam. Entre os exemplos praticos da teocracia muculmana encontram-se os regimes da Republica Islamica do Iran, da Arabia Saudita, e os mais radicais a exemplo do reinvindicado pelo grupo chamado de Taliban.

Este ultimo grupo defende um governo teocratico com aplicacao de leis conhecidas como Sharia. Eh um conjunto arcaico de leis que inclui outras como a Lei do Taliao. O taliao impunha uma reciprocidade contra as quebras da lei, ou seja, os assassinos seriam mortos, uma mao cortada era punida pelo corte da mao do culpado, um olho vazado ordenava o vazamento do olho de quem provocou o primeiro.

A impressao de justica neste tipo de lei a torna desejada por pessoas com menos dotes civilizatorios. Tudo parece justo na descricao, exceto na analise de consequencias. Uma delas eh o de que a lei seria aplicada por pessoas humanas, reconhecidamente imperfeitas. Algumas dessas pessoas e suas imperfeicoes podem levar `a condenacao de inocentes por erros involuntarios. Em outros casos, pessoas imperfeitas sempre fizeram uso desse tipo de lei, quando tiveram oportunidade, para perseguir seus desafetos.

Outro regime teocratico eh o governo do Estado de Israel. Este eh um exemplo de teocracia judaica. Voces do IV milenio sabem o fim que este regime levou. Nao precisa descrever aqui tambem.

Tambem o catolicismo tem seu exemplo de teocracia. Trata-se da Cidade do Vaticano. Nada mais eh que um enclave no territorio italiano que ocupa um espaco reduzido dentro da Cidade de Roma. Em termos legais eh considerado um Estado, governado por seu rei que eh chamado de papa. Nao se trata exatamente de uma nacao, ja que o territorio alem de reduzido nao eh ocupado por uma populacao regular.

O Vaticano em verdade eh a sede da Religiao Catolica. De la seu rei emite seus pareceres para cerca de seus 1 bilhao e meio de incluidos na religiao. Contudo, estes incluidos nao sao cidadaos. Sao seguidores com maior ou menor afinidade com sua dirigencia. Do Vaticano o papa fala mas de longe somente uma parte dos catolicos realmente segue seus principios.

Os cidadaos do Vaticano nao passam de um milhar. Fogem completamente `a descricao de cidadaos com nacionalidade, pois, o regime catolico preve o celibato para seus sacerdotes, portanto, nao ha formacao de familias no sentido regular da palavra. Eh possivel que seja o Estado com a idade media mais elevada do planeta, porque os cidadaos nascem em outros lugares, tem sua formacao nos paises de origem e somente se alcancam algum favor da hierarquia catolica eh que poderao tornar-se cidadaos efetivados. Ou seja, quando ja em idade adulta.

As relacoes entre o Vaticano e os seguidores da Religiao Catolica sao dificultadas por causa dessa estrutura antiquada de governo. Devido a exercer certa lideranca sobre as mais variadas linhas do pensamento e concepcoes religiosas, existe uma grande lentidao na atuacao burocratica da Igreja. Exemplos dessa dificuldade sao os assuntos que dividem os ultraconservadores e os liberais catolicos.

Catolicos liberais, principalmente aqueles radicados nos Estados Unidos, cuja tradicao tem sido mais liberal em relacao `a maior parte dos outros paises, estao ha decadas reinvindicando a liberacao dos casamentos para o clero, a restituicao do divorcio e uma serie de outras mudancas que o Vaticano sempre se postou contrario, independentemente das consequencias. Tais mudancas, porem, nao sao respondidas atraves de dialogo aberto mas por alegacoes dogmaticas.

Esta eh uma das razoes pelas quais o crescimento numerico do catolicismo desacelerou nos ultimos 50 anos, tornando-se ate mesmo negativo em alguns paises de tradicao quase exclusivamente catolica. O crescimento `as vezes nao eh negativo como tem acontecido na Europa, porem, a percentagem do crescimento da populacao como um todo tem sido superior ao crescimento dos adeptos da religiao. Exemplos dessa condicao particular sao os paises da America Latina.

Outro exemplo de teocracia eh o Reino Unido, onde o rei eh considerado tambem o chefe da Igreja Anglicana. Contudo o reino ingles eh virtualmente representativo e nao eh governado por seu monarca.

 

13a. DEFINICAO: FILOSOFIA DO TER E DO SER

No inicio deste III milenio talvez nunca antes o ter tenha sido tao dominante sobre o ser. Nao ha um motivo unico para isso ter ficado assim. Existe toda a Historia da Humanidade induzindo `a multidao a buscar seguranca no possuir. Porem, o ultimo seculo foi decisivo no levar a populacao a esquecer o ser e adorar o ter.

Em tempos anteriores, o ter estava submisso a uma ordem imposta pelas instituicoes que existiam. Como o sistema predominante de governo era o monarquico, o ter era uma concessao do rei. Toda atividade economica era submissa ao monarca que reservava para si e para seus achegados os melhores quinhoes da economia. Com a intensificacao da atividade comercial e o colonialismo as riquezas se multiplicaram e as chamadas pequena e alta nobrezas puderam usufruir dos beneficios.

A populacao de um modo geral foi alienada deste processo, porem, era conformada com sua sorte, pois, se nao era escrava ou silvicola, podia agregar-se a algum nobre, ofertando-lhe o trabalho em troca de local para morar, produzir alimentos e vestir-se. Eram as atividades regulares exercidas pela populacao. A atividade economica era principalmente agropastoril e a comercial dependente desta atividade primaria.

Com a industrializacao e a ocupacao das terras disponiveis na maioria dos paises, as atividades agropastoris e comerciais foram perdendo a importancia e sendo substituidas por atividades industrializadas. Isso promoveu a concentracao das populacoes em zonas urbanas. A principio, essa populacao urbana foi submetida a sistema semelhante de servilismo que existia na vida agraria. Mas o servilismo era mais drastico, pois, no campo havia uma certa independencia para produzir-se algo por conta propria. Na vida urbana o operario esta reduzido a seu salario e compra de acordo com o que eh possivel estica-lo.

Houveram revoltas e muitos sofrimentos para tentar ajustar-se estes salarios `as necessidades da pessoa humana. Este ajuste ocorreu de forma diferente em cada pais do planeta. Sendo que no inicio deste III milenio pelo menos 30% da populacao humana vive em condicoes abaixo da linha de pobreza e outro tanto tornou-se pobre.

Em contraste a isso, a industrializacao e a descoberta de novas tecnologias passaram a oferecer uma gama quase infinita de produtos novos, que nunca foram contemplados pelas geracoes anteriores. Tornou possivel ter-se tudo, desde que se tenha o dinheiro para isso.

Com o surgimento da tecnologia tambem multiplicou-se as formas de ganhar-se dinheiro. Algumas profissoes antigas continuam tendo demanda, embora nao nos mesmos moldes do passado.

Uma das principais razoes para o ter ter-se tornado tao almejado pelas pessoas humanas eh o carater do defeito da vaidade. Normalmente, uma pessoa humana pode estar satisfeita com o que possui, mesmo que nao seja algo visivelmente espetacular. Para muitas, o desafio eh ver que o vizinho tem algo que elas nao tem. Entao, a vaidade as induz a competir umas com as outras.

Ter aquele aparelho de televisao de 32 polegadas deixa de ser sonho a partir do momento que o vizinho comprou uma de 42 polegadas. Entao, o objetivo passa a ser obter-se uma de 60. Nao importa que a programacao apresentada sera a mesma, os envolvidos nas apresentacoes serao os mesmos, o conteudo tambem sera o mesmo! Importante passa ser possuir algo maior ou melhor do que o que o vizinho tem.

Junto a isso, surgiram as discrepancias maiores entre os que tem e os que nao tem. Nao sem motivo, algumas profissoes passaram a ser regiamente remuneradas, enquanto outras nao apenas nao evoluiram, ate mesmo encolheram salarialmente falando. Naturalmente, estas profissoes regiamente remuneradas nao sao para todo mundo. Os ocupantes de tais cargos representam uma parte infinitesimal da populacao humana, porem, que servem de exemplo que a sociedade deseja para seus filhos.

Entre tais profissoes inclui-se os atletas de primeira linha, os profissionais das diversas midias melhor estabelecidas, os politicos (particularmente os corruptos), alguns atuantes na area de moda, cantores de qualquer genero de musica que desperte o interesse de algum publico, etc. Estes profissionais, exceto os politicos, podem ja, desde sua tenra idade conseguir contratos milionarios, algo que o trabalhador regular nao somara nem mesmo durante toda a sua vida de trabalho.

Obviamente, estes exemplos nao sao as grandes riquezas do Planeta Terra. Estes sao apenas o espelho daquilo que eh mostrado `a populacao, para que ela pense que eh mesmo possivel que qualquer um pode atingir o status de estrela, bastando ter um sonho e trabalhar por ele. A populacao eh mesmo assim! Enxerga somente um lado da moeda. Age como o burro puxando carroca sob a visao de uma cenoura!

Nao percebe que todos tem um sonho de poder aquisitivo. E que os sucessos serao contados nos dedos. Ela nao enxerga que nao ha espaco na piramide social para que pelo menos uma quantidade razoavel de pessoas atinja o mesmo nivel. Nao enxerga que o que resulta disso eh um milhao de frustracoes para cada sucesso.

Outro desafio para a populacao eh aprender a nao reagir como a manada de gnu. Certo, nao no bom sentido de associar-se para superar algum desafio. Ela se associa no agir como gado. Esta expressao ainda em uso no inicio do III milenio deriva do dominio dos rebanhos de animais pelo ser humano. O ser humano percebeu que os rebanhos escolhem um lider para imitar-lhe o exemplo. Assim, as pessoas humanas adestravam e tornavam doceis os lideres dos rebanhos, e estes acabavam fazendo indiretamente o que o ser humano queria, o fazendo por imitacao.

As pessoas do povo nao atentam para as consequencias do que suas liderancas fazem porque seguem a outros como se fosse gado!

No incio deste III milenio, o ter eh o mais popular. E o ser eh interpretado como: ser jogador de futebol, ser ator de qualquer coisa, ser jornalista que esconde as verdades, ser cantor, ser atleta de primeira linha em qualquer modalidade, ser politico, etc. Em tudo isso ha o ser inconsequente.

Quanto ao ser bom, ser fiel, ser honesto, ser de confianca, ser realizado, ser feliz e outras coisas mais que a pessoa humana valorizou no passado esta sendo relegado a valor inferior a ser prostituta. Alias, diga-se de passagem, prostituicao tornou-se profissao que pode levar o prostituido a uma vida bastante digna! Nao ha aqui que discriminar-se a profissao da prostituicao dita a profissao mais antiga do mundo. Mas o deixar-se vender. A prostituicao profissao tem pelo menos uma utilidade!

 

14a. DEFINICAO: PRECONCEITO

Preconceito eh uma patologia social seria, porem, bastante negligenciada pelas forcas dominantes porque sempre a usaram para o seu proprio favorecimento. Ela eh disseminada com muito mais eficacia que o virus da gripe. Devido a seu tempo longo de incubacao as pessoas nao percebem que estao adoencendo e tambem nao percebem que sao doentes, por causa dela ter um carater endemico, manifestando-se ocasionalmente como epidemia.

O animal reservatorio eh a pessoa humana. O vetor da doenca sao suas proprias palavras e atitudes. O quadro da doenca nao se manifesta de forma homogenea. Como biologia nao eh matematica, todos sao portadores do virus, contudo, a manifestacao depende da formacao dos carateres.

O preconceito eh algo que nao nasce com as criancas. Elas nada sabem e nao tem como fazer julgamentos nem falsos nem verdadeiros. Porem, todas sao susceptiveis a contrair essa “virose” porque eh uma doenca mental implantada no cerebro em formacao. A mente infantil eh um papel em branco onde grande parte do seu comportamento sera escrito atraves daquilo que ela ver e ouvir ate enquanto nao tiver personalidade propria. Uma vez escrita uma norma enganosa e nao corrigida, quanto mais velha for tornando a pessoa mais dificil sera a remocao da programacao errada.

Um exemplo associativo de como nasce o preconceito pode ser feito com o uso da cor da pele. Os leigos precisam saber que as cores da pele nao caracterizam raca, e nao existe diferenciacao suficiente para caracterizar pessoas com pele de cor diferente como de racas diferentes. No inicio deste terceiro milenio existe apenas uma raca, a raca humana. Racas que existiram anteriores a esta foram extintas ao longo da evolucao humana.

Ao que se sabe neste inicio de III milenio, o ser humano surgiu na Africa. Todos os ancestrais humanos tinham a tonalidade negra de pele. Com o passar do tempo um grupo separou-se e por habitar regioes mais proximas ao polo norte, de menor incidencia solar, necessitou que a pele tornasse branca para possibilitar a sintetizacao de vitamina D num quadro de incidencia menor de raios solares. Durante a evolucao surgiu tambem a pele considerada amarela, com outras adaptacoes e ocupou o Oriente e as Americas. Em nenhum momento isso constituiu novas racas. Sao diferenciacoes da mesma raca.

O conceito de racas para pessoas humanas remonta a um tempo primitivo em que alguns viram nisso a oportunidade de explorar aos outros. A exploracao de outros torna-se justificavel no sistema preconceituoso de explorador/explorado quando se inventa meios para diferenciar as pessoas, separa-las em grupos aos quais se coloca um selo de superior/inferior. Estas classificacoes cheias de farsa tem o objetivo de desonerar as consciencias.

Ou seja aquele que se julga superior pensa que pode abusar do pobre porque ele eh rico e da pessoa de pele de cor negra porque ele eh branco, pois, aqueles em seu conceito deturpado sao inferiores. Assim, a exploracao deixa de ser um motivo de vergonha, pois, torna-se um “direito”.

Para que tais desvios de comportamento se tornem aceitos nas comunidades humanas, a mentira eh repetida quantas vezes necessario para que crie um clima de aceitacao como se fosse verdade. Isso tem sido usado muito frequentemente neste inicio de III milenio como relacao aos mais variados assuntos.

Mas o preconceito eh implantado nas mentes das criancas quando seus pais, ou pessoas ao redor delas, usam palavras ofensivas contra o objeto de seu preconceito. Se a pessoa relaciona um servico mal feito `a cor da pele de um empregado, isso vai ficando impresso na mente da crianca. Quando esta assiste apresentacoes de teatros e seus similares, onde os papeis principais sao sempre representados por pessoas brancas, de beleza exuberante, e de fino trato, enquanto, os papeis de servicais sao sempre representados por pessoas de outras cores de pele, alem disso se mostram menos inteligentes e sem nenhuma iniciativa propria, isso fica gravado na mente da crianca.

Outra forma de criar falsas imagens se da quando os noticiarios dao detalhes de crimes acontecidos nas periferias deixando entender isso ser algo tipico de classes mais pobres, normalmente com pele de cor diferente do da cor branca pura, sem explicar as razoes historicas da pobreza, ocorre um desvio claro da realidade que ficara imprenso nas mentes em formacao.

Ate quando se exibe o sucesso, mostrando sempre que as pessoas de pele negra sao otimas para se tornarem esportistas e cantores de qualquer genero, pode tornar-se uma armadilha para a mente da crianca em formacao, pois, ela podera tomar isso como norma de que as pessoas com a pele de cor negra so prestam, no maximo, para se tornarem exportistas ou artistas cenicos de sucesso.

Apos essa formacao distorcida, o preconceituoso esta pronto. O preconceito ira manifestar-se quando, em qualquer idade, a pessoa com a personalidade distorcida for a um hospital e la deparar-se com um medico com a pele de cor negra. Automaticamente o cerebro dessa pessoa reagira contra a situacao, pois, nao concebe uma pessoa com a pele negra tornar-se medica. Ela sofre do controle da mente sem o saber.

A manifestacao tambem se da quando o adulto ja casado tem filhos que fazem amizade com coleguinhas com pele de cor diferente da sua. Este fica aterrorizado quando tem a noticia de que uma filha comecou a namorar um rapaz diferente de sua cultura. Ou seja, o preconceito se manifesta todas as vezes que para o preconceituoso alguem esta exercendo uma funcao que nao lhe compete: por causa da cor da pele, por causa do seu poder aquisitivo, por causa de sua escolaridade, enfim, por todo e qualquer motivo injusto.

Importante eh tambem quantificar a dosagem de preconceito. Embora o preconceito seja um erro, a priori nao tem que ser um pecado. A pessoa ser pega de surpresa por essas coisas eh aceitavel, pois, trata-se de uma programacao enganosa no cerebro independente de sua propria vontade. Porem a propria natureza oferece certas escapatorias que chamamos de racionalizacao da questao.

Por ter ouvido falar tambem na questao do preconceito e saber ser algo ruim, a pessoa honesta ira procurar deletar sua programacao enganosa e substitui-la pela verdadeira. Alguns conseguem fazer isso perfeitamente, reprogramando-se de acordo com a verdade e nao com os implantes falsos. Mas por nao ser matematica, existe toda uma porcao de pessoas que assume posicoes intermediarias ate ao extremo de defender os implantes falsos como verdadeiros. Estes sofrem de um quadro incuravel da doenca. Nada se pode fazer por eles senao trata-los com caridade.

Estes sao aqueles que agitam a populacao atualmente afirmando que “nao precisamos de politicas afirmativas” na busca de incluir os excluidos historicos. No fundo sabem que se nao houver cotas de inclusao nas universidades, nos empregos publicos etc, as irregularidades serao mantidas para sempre. Dizem que os pobres e de cor de pele diferente nao precisam de cotas de inclusao e sim de melhor educacao e trabalho.

A proposicao parece justa, apenas com dois detalhes. O primeiro eh o de que toda melhoria da educacao somente surtira efeito a longo prazo, portanto, os excluidos de tempos atras jamais serao beneficiados. Alem disso a educacao publica, o possivel destino de 99,9% dos excluidos, jamais sera considerada realmente boa, baseando-se na retrospectiva dos seculos de Historia desse sistema de educacao.

O segundo sera o de que nao importa qual for a melhoria feita nas escolas publicas, os ricos sempre terao a oportunidade de melhorar o desempenho de seus filhos adquirindo algo melhor. A possibilidade de implantar-se alguma justica ai seria a de obrigar a todos a frequentar o mesmo sistema de ensino. Neste caso, os ricos que desejassem investir num melhor sistema de educacao para seus filhos seriam obrigados a investir igualmente para todos os colegas deles. Mesmo assim ainda haveriam formas de burlar o sistema, pois, os mais ricos poderiam educar seus filhos, como ja o fazem, fora do pais.

Portanto, enquanto a sociedade nao for justa para todos, os sistemas de cotas nao sao o melhor remedio para curar a ferida, porem, eh uma tentativa de que isso venha a tornar-se possivel algum dia.

Mas o pior do sistema preconceituoso eh ele atingir igualmente a todas as criancas. Ele age dentro das escolas quando se formam as classes dos adiantados e as classes dos atrasados. Quando um representante das minorias perseguidas eh punido com mais rigor que o representante das maiorias dominantes, apesar das faltas terem sido de mesmo nivel.

O preconceito age na formacao das personalidades das criancas que sao vitimas dos preconceitos, pois, elas tambem passam a se enxergar somente como atletas de primeira linha, artistas das diversas modalidades e criminosos das favelas. Acabam tornando-se incapazes de sair do ciclo vicioso imposto a elas, pois, por serem filhos de servicais, perdem as esperancas de se tornarem “alguem na vida”.

Enfim, o sistema preconceituoso eh tambem responsavel por sufocar muitas aptidoes das criancas nascidas em classes desfavorecidas, pois elas tambem passam creditar-se como inferiores. Aliado `a ja precaria situacao economica da familia que nao oferece suporte para que a crianca desenvolva todo o seu potencial, a combinacao destas formas de preconceito eh o que oprime e determina que os ricos tendam a continuar ricos e os pobres continuarem pobres.

Estes componentes do preconceito sao os responsaveis por grande parte do status quo da atualidade. Torna-se importante para alguns setores das classes dominantes fazer acreditar que os “inferiores” serao sempre inferiores e os “superiores” serao sempre superiores. O acreditar na inverdade faz com que muitas criancas oriundas das classes desfavorecidas deixem de sonhar com dias melhores e, diante das barreiras sorrateiramente impostas a elas, com o alcancar posicoes outras na sociedade alem das ja mencionadas.

Algo que muito eleva a manifestacao dos preconceitos eh o sistema de competicao imposto pela escala social. As pessoas que se esquecem do ser e apostam tudo no ter podem se ver vencidas por alguem com a mesma cor da pele ou da mesma classe social. Mas o sistema piramidal nao oferece oportunidades iguais para todos. Ele eh feito justamente para que as pessoas compitam para, enquanto isso, atentem para o que for justo.

Muitos nao se conformam com as derrotas para os seus, considerados, pares. Estas pessoas se tornam amargas mas controladas, ate o momento em que se veem superadas por algum dos objetos de seu preconceito. Esta tem sido a constatacao que se pode ter diante de atitudes que vem surgindo cada vez mais frequentes no mundo. Quanto mais a competicao se acirra, acirram-se tambem as manifestacoes e mas consequencias do preconceito.

A ma distribuicao das riquezas que sao produzidas por todos na sociedade tornaram as coisas muito mais dificeis neste inicio de III milenio. As formas ilicitas de adquirir riquezas como traficos diversos, roubos, trafico de influencia, manipulacao do mercado, corrupcao, golpes diversos, oportunismos baratos tambem tem contribuido muito para a situacao do caos e do preconceito.

O preconceito tem acirrado as lutas de classes visivelmente. Ricos ficando cada vez mais ricos procuraram cada vez mais isolar-se da presenca dos pobres. Cerca de um seculo antes deste inicio do III milenio, as pessoas mais ricas das pequenas cidades viviam proximas das pessoas pobres. Apenas em centros urbanos maiores era que as classes foram separadas por guetos diferenciados. Com o transpor do seculo esta separacao tornou-se visivel em todas as comunidades.

Parece que isso acelerou a concepcao preconceituosa dos ricos em relacao aos pobres e vice-versa, como se fossem procedentes de planetas diferentes. A situacao de respeito dos superricos em relacao aos pobres esta semelhante aos tempos que precederam em principio a Revolucao Francesa e depois a Revolucao Russa. As classes nao se reconhecem mais como descendentes dos mesmos ancestrais.

 

15a. DEFINICAO: PIRAMIDE SOCIAL

Piramide social, tem componentes semelhantes `a piramide do capitalismo. Uma esta na origem da outra. Ela demonstra bem como a sociedade foi organizada, o que nao deveria ser problema algum. Afinal, nao passa de uma representacao realistica. O problema maior que esta acontecendo neste inicio de III milenio eh a agudizacao dos vertices desta piramide.

Antigamente, ou em algum ponto de nossa Historia ela representava atraves dos 10% de sua area mais elevada a classe rica; abaixo dessa vinham 25% representando a classe media e os 65% restantes representavam a classe pobre. Nao se fazia alusao a medio alta e medio baixa por exemplo. Assim, rico era rico; medio era medio e pobre era pobre. Nao se trata de dizer que fosse mais justa. A sociedade sim eh que era mais solidaria, apesar de o conjunto como um todo ter sido bem mais pobre.

Para fazer-se uma ideia, por volta dos anos 1950 os ricos nos Estados Unidos recolhiam mais de 50% de suas rendas em forma de impostos. Era parte de seu sacrificio. Cada um contribuia como podia. Com a arrecadacao o governo pode investir e resgatar da pobreza a muitos. Deu grandes oportunidades `aqueles que serviram nas guerras. Houve um crescimento ecomico que nunca se repetiu.

Nas ultimas decadas os ricos nao apenas criaram novas formas de ganhar dinheiro. Fizeram e fazem lobby por isencoes cada vez maiores. Propagam aos 7 ventos que sao a classe de criadores de empregos. Os salarios das classes baixas foram achatados. A pobreza no pais esta caminhando em ritmo acelerado. As classes media e alta sao menores percentualmente falando atualmente. Contudo as riquezas concentradas em seu poder se tornaram muito maiores.

Voces do IV milenio poderao encontrar as estatisticas.

A agudizacao dos angulos tem se dado por varios motivos. Um eh a automatizacao dos antigos trabalhos manuais. Isso diminui as ofertas de empregos alem de possibilitar que uma unica pessoa possa realizar o trabalho de dezenas. Porem, as dezenas tem que procurar outra atividade a exercer. E o funcionario que permanece jamais ira receber o equivalente ao trabalho que estara realizando. No maximo, o dobro do que ganhava.

Outra forma eh a “eliminacao das gorduras nas empresas”. A resultante do jargao centra-se principalmente sobre a eliminacao de parte da folha de pagamentos. Da-se um jeito de eliminar empregos. Inclusive oferecendo horas extras para os trabalhadores que permanecerao empregados. Com isso, elimina-se encargos trabalhistas. Igualmente, a economia realizada nunca chega `as maos dos trabalhadores mais baixos e que sustentam a empresa. Ja os onus sim. Quem reclamar eh mandado para o olho da rua, a ficar a ver navios, pois, tem muita gente la fora querendo trabalhar por menos do que voce ganha.

A origem da piramide social eh decorrente de tempos nao tao ancestrais como se pode pensar. Nao se sabe sua origem exata mas o mais provavel eh que tenha se manifestado com a criacao dos governos monarquicos e com o surgimento do comercio. Nao se pode dizer que tenha mais de 10.000 anos. Como o ser humano que conhecemos existe ha algumas decadas de milhares de anos, pode-se observar que, necessariamente, o sistema eh relativamente novo.

O que se pode dizer eh que antes da piramide social as pessoas humanas se reuniam em grupos numa unica classe social. Semelhante ao encontrado pelos europeus nos nativos mais primitivos vivendo nas Americas. Entrevistado, um cacique declarou: “Quem tem chefe eh o branco. Nos indios nao temos chefe. Eu sou o cacique. Nao sou chefe. Cacique eh uma especie de diplomata. Fala pelo povo. Eh um embaixador dele. O povo eh que se reune e decide o que quer. O cacique so transmite.”

A piramide social tornou-se mais visivel `a medida que as populacoes se multiplicaram e os monarcas concentraram mais poderes. Aos reis foi dado o poder sobre todos. Tudo passou a pertencer aos reis. A eles cabia distribuir as riquezas produzidas segundo suas vontades. Eh possivel que no inicio eles tenham sido mais justos porque dependiam dos favores de todos. Dai se trocavam as benevolencias. Mas isso nao deve ter demorado muito, pois, o poder corrompe.

Os reis reservaram para si e para os filhos os melhores quinhoes da economia. E favoreciam os mais fortes, pois, essa era a forma de corrompe-los e conter sob o seu comando os mais fracos. Assim, os reis e seus familiares formaram o apice da piramide, os mais fortes a classe media e o povo o sustento ou base. A divisao do trabalho passou a ser: o rei ordenava, o povo trabalhava e a classe media fiscalizava.

Reis mais antigos usavam a forma de aparentamento para dominar o povo. Em epoca em que lhes era permitido ter harens, eles buscavam as filhas dos suditos com mais influencia nas diversas regioes do reino. O aparentamento era uma forma de prestigiar o sudito, dos que se orgulhavam disso, ou submete-lo a seu poder, dos que nao gostassem. As esposas dos reis poderiam ser tanto privilegiadas como simples refens para que todo o povo ficasse submisso.

A funcao da classe media, em muitos casos, passou a servir de acolchoado que protegia os tiranos contra as revoltas populares. Nem sempre funcionou porque as revoltas podiam surgir dentro da classe media.

A piramide social agravou-se muito com o uso da escravidao, do servico de clerigos que usavam o sentimento religioso do povo para oprimi-lo, justificando a monarquia como se fosse alguma vontade divina e o uso de forcas armadas contra a populacao de um modo geral. `A medida que as civilizacoes foram evoluindo, houve tambem o uso da legalidade, ou seja, o rei nao era apenas o executivo maior, era o legislador e outorgante maior de todas as leis de um reino, consequentemente, seu maior beneficiario.

Auspiciosamente, sabemos como os povos se formaram. Eles se formaram atraves de grupos familiares que se espalharam pela superficie da Terra. As pessoas ficaram confinadas em areas que chamavam, geralmente, de terras dos ancestrais. Nada mais eram as terras que um grupo inicial se estabeleceu atraves da agricultura. Com a multiplicacao, formaram-se tribos que, por descenderem dos mesmos ancestrais, formaram nacoes.

Cada nacao passou a formar um povo, com suas caracteristicas familiares. Quando uma pessoa de um povo visitava outros povos, logo era identificada como membro de determinado povo pela propria aparencia. As diferencas de aparencencias entre povos vizinhos eram minimas, pois, os ancestrais um pouco remotos foram os mesmos.

Os primeiros reis foram escolhidos dentro do povo. Eles tinham funcoes de diplomacia interna e externa. Estas relacoes nem sempre foram amistosas. Como nao haviam leis bem definidas e sistema adequado para fiscalizar suas aplicacoes, abusos tornaram-se regra geral. Como tambem nao havia um sistema otimo de producao, principalmente dos alimentos, frequentemente os povos foram submetidos `a inclemencia do tempo, tendo suas despensas esvaziadas. Isso produziu guerras entre os que tinham e os que foram poupados.

Os inventores das guerras tambem criaram o sistema de escravidao. Ou seja, o povo vencido foi obrigado a trabalhar mais para sustentar-se e sustentar seu vencedor. As diferencas sociais aumentaram a partir dai, pois, os vencedores a principio puderam concentrar riquezas. E isso fascinou aos seres humanos que passaram a usar as guerras como instrumento de adquirir riquezas. Todas as civilizacoes classicas se sustentaram sob este sistema de furto e escravizacao. Aos mais fortes chamou-se de civilizados e aos mais fracos de barbaros.

Essa forma verbal de definicao foi fundamental para a aceitacao da exploracao do ser humano pelo ser humano. As definicoes civilizado e barbaro nao baseava-se em justica. Tinha a unica funcao de denegrir, amiscuir, apequenar a humanidade que existia nas pessoas diferentes. Assim, na mente dos povos chamados de civilizados passava um filme onde eles seriam superiores e os outros inferiores, e tudo lhes era permitido fazer contra os outros.

Como a dispersao da populacao de seres humanos se deu por milhares e milhares de anos sobre a Terra, houve tempo suficiente para que os grupos familiares e os povos concentrassem diferenciacoes fisicas e culturais. Assim, quanto maiores as diferencas fisicas e culturais se mostravam, mais os “civilizados” punham nos outros o carimbo de “barbaros”. E com isso justificavam suas formas de exploracao.

Assim, a definicao de civilizacao esta vinculada `a exploracao; e barbarismo a ser explorado. Os “civilizados” passaram a usar os termos nos, quando se tratava de sua propria imagem no espelho, e outros, aqueles que enxergam como barbaros.

Os reis surgiram do povo. Porem a concentracao do poder e de riqueza os fez mais inimigos que amigos de seus familiares mais distantes. O que os primeiros reis nunca imaginariam foi isso. Eles tiveram seus filhos. Como o sistema eh piramidal, dentre eles era esperado que apenas um tomasse o seu posto e, depois deste, seu neto. Mas o rei poderia ter diversos outros filhos que nao podendo ocupar o cargo de rei, ocupavam cargos outros proximo a ele, porem, em menor escala social.

A nivel de netos, reis poderiam ter dezenas ou centenas de descendentes, portanto, ate na propria familia real ja surgia uma diferenciacao social entre os primos de primeiro grau. Haviam o primo rei, os primos ministros, os primos de segunda classe e ate de terceira classe. Na geracao seguinte, apesar do parentesco proximo com o novo rei, muitos primos caiam para a classe medio baixa.

`A medida que as geracoes se passavam, os descendentes do primeiro rei nao tinham alternativa senao casar-se com pessoas do povo e, naturalmente, como a multiplicacao da descendencia de cada pessoa se da de forma exponencial, principalmente daquelas que iniciam ja com numeros maiores de filhos, em relativamente pouco tempo todo o povo descendendia do primeiro rei. Mas isso se tornava menos significante porque, passadas geracoes, so se enxergava como familia real aqueles que descendiam dos reis de determinada atualidade.

Para reconquistar o direito de conviver com os membros da alta nobreza, os descendentes de reis agora considerados gente do povo, tinham que provar ser de alguma forma especiais. Uma delas era ser valorosos guerreiros. A outra era tornar-se muito, muito ricos. Estes foram os dois criterios principais dos conceitos de dominantes/dominados, durante o que se chamou de Periodo Colonial.

O chamado periodo colonial e suas consequencias agonizou por pelo menos um seculo ate que a maioria das monarquias foram substituidas pelas republicas. Neste novo tipo de regime de governo, os chamados nobres de sangue foram substituidos pelos nobres da fortuna. Em teoria, qualquer um pode chegar ao topo da piramide, bastando comprar seu ingresso.

Isso tornou-se uma verdade com meandros disfarcados. Nao existe uma competicao justa. Nao existe uma norma que valide os meios. O que importa eh ter capital. O ingresso eh automatico. Quem ja o tem eh mais facil mante-lo. Eh como nas monarquias, ja o tem de berco. Como estao por cima, se acham no direito de jogar pedras nos que estao embaixo para que nao subam e compitam com eles por um lugar ao sol.

Aos que estao por baixo, nao interessa o merito. Como o importante eh o ter e nao o ser, entao, o mais comum eh adquirir-se mesmo furando os olhos de muitos. Nao existe uma obrigacao de ser honesto, ser honrado. A obrigacao eh trapacear sem ser pilhado com a mao na massa. Nao ha um caminho garantido pela meritocracia. Quando existem muitos no mesmo nivel de merito eles sao obrigados a competir entre si, para que as injusticas sejam validadas e consideradas justas.

O conceito civilizados/barbaros nunca foi abandonado pelas culturas. Na formacao dos povos do inicio do III milenio instituiu-se que os barbaros seriam os diferentes dos europeus, particularmente os africanos e os indigenas. Com a queda de algumas correntes, os barbaros passaram a ser os de cores diferentes dos brancos. Logo adiante os barbaros eram os analfabetos, sem se importar a cor da pele e nem que o analfabetismo fosse um barbarismo da sociedade como um todo.

Nestes tempos mais recentes, os barbaros sao aquelas pessoas que a propria sociedade segregou em condicoes subumanas. Quem for iletrado, de cor e residente de uma favela, torna-se automaticamente barbaro. Nao importando que seja bom. Nos paises mais desenvolvidos, barbaro eh o recem-chegado, o imigrante. Barbaro eh tambem o pobre, de qualquer origem e de qualquer indole. Como ressalvado acima, o conceito barbaro/civilizado eh o codigo traduzido por: poder ser explorado/ter autorizacao para explorar.

Pouco mudou em relacao ao tempo em que barbaros eram povos a serem conquistados, roubados e postos nos estadios como gladiadores pelos romanos. Civilizados eram aqueles que assistiam a tudo e vibravam com o circo. Em parte, eh por isso que para alcancar uma escala social melhor o barbaro tem que ser “de circo”.

Eh preciso, porem, levar o andor com cuidado porque o santo eh de barro. A questao nao eh tao simples quanto se demonstra aqui. A verdade eh que a injustica eh muito grande. Mas tambem existe algum abuso, intencional ou nao, no uso dessas informacoes para fomentar a luta de classes nas atuais sociedades. Alguns querem instigar a luta de classes para criar confusao e dela tirar seu proveito politico.

Outros transformam o proprio conhecimento parcial das coisas para alimentar suas raivas, aumentando o estado confuso do momento. Talvez desejem apontar as discrepancias para alertar e assim chegar a uma solucao negociada. Mas espalhando uma visao unilateral acabam nao fazendo outra coisa senao a de servir aos interesses dos alguns.

Exemplo de uma situacao destas eh a do estudioso brasileiro que mencionou a desumanizacao da pessoa negra durante o periodo colonial. Citou o viajante estrangeiro que irritado com algo feito por um escravo fez a mencao de esbofetea-lo e nao viu no escravo outra reacao senao a resignacao de receber o golpe, mesmo fisicamente mais desenvolvido que o quase agressor.

Mencionou tambem o corpo de um africano morto que ficou esquecido no movimento das aguas do mar. Embora fosse visto por todos que passavam, ninguem nem por caridade recolheu o corpo para um sepultamento adequado. O militante interpretou tal descaso como algo particular contra os africanos.

Eh preciso levar em conta o contexto historico do colonialismo. Em tres movimentos diferentes, Jeronymo Barbalho Bezerra, Felipe dos Santos e Joaquim Jose da Silva Xavier foram mortos, esquartejados, e as partes de seus corpos foram espalhadas em pracas publicas. Nao eram africanos. A crueldade do colonialismo tem reflexos que ecoam ate ao momento em todas as nacoes, contudo, os que mais sofreram nao sofreram sozinhos tais violencias.

Eh preciso conhecer o passado e saber que a influencia dele esta presente em todos os meios de atualidade, contudo, eh preciso saber medi-las para que nao se cometa erros acreditando-se que se esteja agindo corretamente.

Os reflexos do conceito barbaro/civilizado torna-se bastante visivel atraves dos estudos mais recentes nos Estados Unidos. As estatisticas demonstram que a violencia mata mais de dois africanos ou latinos para cada branco que morre. Aprisiona-se muito mais “barbaros” que “civilizados”, em termos proporcionais `as suas repectivas populacoes. Se um “civilizado” comete um crime equivalente ao do “barbaro”, este eh punido com mais rigor e com mais tempo de emprisionamento que aquele. Isso sao fatos constatados. Requeriam solucoes e nao se tornarem causa de conflitos gratuitos.

No Brasil a situacao nao eh diferente. Barbaros e civilizados estao separados por areas de moradia. Nas areas civilizadas o policial se apresenta para proteger o cidadao e seus pertences. Todos sao inocentes ate que se prove o contrario em qualquer crime que ali seja cometido. Nas areas barbaras o policiamento esta ausente. Quando age eh a partir do principio de que todos sao culpados ate que provem o contrario. Os civilizados recebem as garantias da lei e os barbaros as responsabilidades por elas estabelecidas.

As separacoes de guetos barbaros e bairros civilizados somente tem agravado as relacoes sociais. Isso por causa dos civilizados possuirem o poder do consumismo e se anestesiarem contra o sentimento de solidariedade em relacao aos barbaros. Um milionario que ja nasceu rico nao conhece o verdadeiro significado da palavra dificuldade. E a maioria pensa que os “outros” nao sao ricos como ele porque nao trabalham o suficiente.

Essa insensibilidade por causa de nao se ter o devido conhecimento do que se passa com os “outros” poderia ser diminuida se todos vivessem lado-a-lado. Mas o que ocorre eh os civilizados estarem buscando cada vez maior isolamento. Esta eh a situacao verificada nos Estados Unidos onde o pais ficou economicamente de joelhos com a crise do mercado imobiliario a partir de 2008. Passados seis anos, milhoes de pobres nao recuperaram suas casas e muitos se tornaram sem teto. Enquanto as mansoes dos superricos tem ficado cada vez maiores e mais confortaveis.

Essa eh uma tendencia mundial, em maior ou menor escala dentro de cada pais. Em paises onde a variabilidade genetica eh maior, ha tendencia de um quadro maior de injusticas. Isso porque as minorias diferentes tornam-se objeto mais facil dos preconceitos e das perseguicoes. Como os Estados sao governados pelas maiorias, elas sao menos afetadas e tendem a negligenciar a seus deveres.

 

16a. DEFINICAO: EDUCACAO ESCOLAR

Antigamente existia a educacao de berco que era aquela que os pais mais zelavam por ela. Ensinava-se os filhos por meio do exemplos a serem atenciosos, prestativos, respeitadores, honestos, corretos etc, alem de, em muitas vezes, a temer. Os pais ensinavam mas cobravam com a vara!

Alem desta usava-se a educacao escolar. Houveram tempos em que a educacao escolar foi dada por preceptores, ou professores particulares, mais conhecidos como mestres. Estes preceptores se tornavam como segundos pais para os alunos, chamados de discipulos. O mestre esforcava-se nao apenas para ensinar materias escolares, mas tambem uma linhagem filosofica de vida.

Melhor dizendo, procuravam fazer discipulos, ou seja seguidores de seus pensamentos. O bom mestre nao era aquele que dava boas notas para os alunos mas sim aqueles que ensinavam o fazer.

Naturalmente, a cada epoca essas coisas mudaram. Em tempos dos avos dessa geracao do inicio do III milenio as pessoas tinham tudo pronto na mente. O mundo era padronizado. Em paises capitalistas dizia-se que o correto era o capitalismo e o comunismo era a aberracao demoniaca. Vice-versa nos paises comunistas. Os avos pensavam que sabiam tudo, por isso, o caminho a seguir era o que eles conheciam. A vida nao tinha segredos.

Mas, na verdade, a Historia havia demonstrado que no passado as coisas nao tinham sido nunca amistosas. Falava-se muito nos sucessos e pouco das derrotas.

Em tempos passados surgiram as escolas publicas onde se procurou seguir o exemplo dos antigos mestres. Por um tempo deu certo, pois, formaram-se mestres suficientes para as poucas escolas que existiam. As classes eram reduzidas. Nao havendo uma obrigatoriedade de todos estudarem, logo os que tinham dificuldades se retiravam. Trabalhar mesmo ainda na infancia era mais objetivo e de resultados mais imediatos que estudar. Mas isso so foi possivel quando sobravam terras e a populacao era excassa.

O detalhe dessa situacao era a de que certos mestres adotaram posicoes autoritarias. Eles sabiam, portanto, o defeito de deficit de apredizagem era todo creditado na conta dos alunos. So nao aprendia quem nao queria, diziam eles! Nao assumiam que o ensino padronizado nao valia para todo e qualquer aluno, portanto, a incapacidade dos mestres de ministrar diferenciais para alunos culturalmente diferentes acarretava muitas falhas, mas toda a culpa era do aluno reprovado!

Neste interim, poucos eram os que logravam fazer um curso universitario. E mesmo sem almejar salarios regios, suas rendas chegavam a niveis confortaveis. Com o tempo adquiriam posses e, tendo tino comercial, garantiam formosas herancas para sua descendencia.

Os conflitos de filosofias, porem, modificaram a situacao. Tudo passou a ser relativo. Nada mais era certo ou errado. Tudo depende. A obrigatoriedade da frequencia nas escolas para criancas e jovens causou a massificacao nas unidades escolares. E, sem a devida formacao de mestres, o nivel da educacao foi-se deteriorando a olhos vistos. Embora a deterioracao nao tenha acontecido em todos os lugares, os desniveis dentro dos paises ressaltam ainda aos olhos.

Somado a essa deterioracao conjuntural muitos governos, principalmente de paises mais pobres com governantes corruptos, foram cortando paulatinamente os investimentos na educacao. Os estudantes de ha poucas decadas ainda se recordam do objetivo de seus movimentos que era o de tentar evitar o corte de verbas para a educacao. Para a tristeza dos conscientes, nao podem cantar vitorias, podem apenas lembrar as cicatrizes que ficaram de suas tentativas. Foram vencidos, nao tem o que comemorar.

Ha que se perguntar, qual o interesse que guiou os governantes a reduzirem a qualidade do ensino se espera-se que soubessem que o futuro prospero de qualquer nacao estava vinculado a uma educacao de qualidade para todos? Muito ha o que se especular, mas obvias e sem beleza alguma algumas sao.

Educacao escolar virou uma verdadeira Caixa da Pandora. Todos foram levados a acreditar que um diploma superior era a salvacao de todos os males. Independetemente do beneficio pessoal, pois, como ensinava o antigo adagio: “O saber nao ocupa lugar”, e as pessoas que concluem um curso superior podem desenvolver uma visao mais critica dos fatos. Embora isso nao se concretizando em todos, pode ajudar em situacoes de escolhas na vida visando um futuro melhor.

Mas do ponto de vista pratico, a inducao `a massificacao do ensino superior tem objetivos outros que o bem estar da populacao. E alguns fatos podem ser relembrados para alertar a respeito de consequencias danosas. Intencionais ou nao, essas consequencias tem se mostrado atraves, particularmente, das reducoes dos salarios de profissionais com cursos superiores.

Isso porque o mercado de trabalho nao foi pensado para acolher o numero de formados e muitos sao os possiveis interesses por tras disso. Nao se pode dizer que esteja havendo a execucao de algum plano diabolico. Porem, intencional ou nao, ha algo suspeito no ar.

Retrocedendo aos anos 1980, a preocupacao dos estudantes universitarios no Brasil com a baixa qualidade do ensino era enorme. Outro detalhe era de que somente uma percentagem minima de ingressos nas escolas primarias conseguiam continuar ate alcancar entrada num curso superior. Os numeros apontados eram os de 17 pessoas ingressavam nas universidades, a cada 1.000 que entravam nas escolas fundamentais. Naturalmente, a evasao era enorme.

Medindo a eficiencia das escolas, os alunos reclamavam da flagrante ineficiencia do sistema de ensino. Um professor entao chamou-lhes a atencao para pensarem. Eles estavam pensando que a cifra 17/1.000 seria a marca de ineficiencia de um sistema que pretendia dar oportunidade a todos. Entao, revertessem o pensamento assumindo que 17/1.000 seria a eficiencia de outro sistema que quizesse manter a desigualdade entre as classes. Admiravelmente, o sistema nao era falho, falha era a interpretacao que os alunos davam ao sistema. No caso invertido o sistema se mostra supereficiente!

Pondo as coisas em perspectiva atual, pode-se observar que a qualidade do ensino nao foi incrementada. Contudo as oportunidades de obtencao de diploma multiplicaram. Por um breve momento pode-se constatar o entusiasmo que isso despertou nas populacoes. Mas ha que se pensar! Sera que os interesses que estavam por tras da maquina que produzia 17 alunos universitarios para cada 1.000 alunos iniciados mudaram? Ou nada mudou no objetivo mas sim a estrategia de alcancar o mesmo resultado que se conseguia antes!?

Outra experiencia garimpada dos anos 1980 foi a tentativa de empresas privadas comprarem lotes de alunos nas universidades brasileiras. A ideia era simples. Como o governo nao estava interessado em elevar os gastos publicos em suas escolas, estava, entao, em vias de aceitar a ingerencia de grandes empresas nelas. As empresas fariam os custos da formacao de uma quantidade de alunos, porem, as universidades seriam usadas para formar empregados para elas, que estudariam curriculos de acordo com as necessidades particulares delas.

Ou seja, o resultado era o de obter tecnologos. O termo nao se aplica no sentido lato. O termo aqui eh usado para definir uma pessoa ensinada a trabalhar de acordo com as necessidades de uma empresa, mas nao ensinada a pensar por si mesma o assunto geral que o diploma deveria lhe dar autoridade.

Esta proposta caiu como uma ultraje no meio estudantil. Os estudantes viram a ameaca de que muitos seriam formados para servir a uma determinada empresa, mas a ela caberia o direito de escolha a quem contratar, assim, alguns seriam descartados como rejeitos, mas o que haviam estudado poderia nao ter utilidade em outras empresas. Desta forma, o tempo de estudo do aluno estaria esperdicado e ele teria que se conformar ou retornar a estudar.

Novamente, mesmo o movimento estudantil tendo rejeitado a intrusao em teoria, na pratica ela continuou sendo implantada por interesses obscuros. O Estado deixou de investir na educacao mas permitiu a abertura de faculdades sem o devido criterio de qualidade. Estas formam os profissionais que carregam o diploma sem conhecimento necessario para exerce-lo. Porem, concorrem com os melhores orientados nas filas de empregos. Os quais sao obrigados a se submeterem a salarios inferiores.

Outro fato ligado a essa analise era o valor do profissional formado em tempos anteriores e o valor recente. No Brasil, o sonho de consumo em datas anteriores a 1980 era um veiculo automotor. Ter um carro no Brasil era sinonimo de status, pois, o custo era muito elevado e somente poucos o conseguiam. Diziam os estudantes mais velhos que, tempos antes, qualquer formando podia entrar em uma concessionaria, mostrar o diploma para sair motorizado. O diploma era a garantia nao apenas de prestigio mas tambem o sinal de que se nao se tinha antes o poder aquisitivo ele acabara de bater na porta.

Ronald Reagan foi autor da frase: “Nos republicanos acreditamos que a melhor forma de garantir prosperidade eh criando mais empregos.” O que ele nao disse era, empregos para quem e prosperidade para quem. O que se supunha com a massificacao do ensino superior era criar-se mais prosperidade e mais empregos. Porem nota-se que a resultante maior eh: melhores empregados para as empresas, maior concentracao de renda e profissionais com salarios menores. Nao ha vantagem para o povo!

Na epoca dos avos dos avos da geracao do inicio do III milenio o dizer do Reagan passaria por um sacrilegio. Eles ate iriam questionar-se o que que aquele ator de classe secundaria estava querendo dizer. Eh verdade! No tempo daqueles avos do passado o ex-presidente era um ator de cinema. Talvez seja por isso que foi contratado para o papel de candidato e depois para defender certas normas do conservadorismo. Nesta fita ele merereu o oscar! Os que o viam aplaudiam sem pensar. Tanto que atualmente ele tem sido considerado um icone a ser seguido pelas forcas conservadoras de todo o mundo.

Porem, as pessoas com idades aproximadas `a dele rir-se-iam dessa deixa simploria e enganosa. Os mais esclarecidos diriam: “engane os barbaros, porque nos civilizados nao estamos atras de empregos, nos estamos atras de independencia, montar o nosso proprio negocio, abrir caminho para nossos filhos ou, no minimo, dar a eles condicoes de terem uma profissao liberal.”

Os avos dos avos sabiam que nao era possivel todo mundo ter seu proprio negocio ou ser trabalhador liberal. Como muitos eram donos de seus negocios, tinham seus empregados, sabiam que uma parte da populacao nao tem o mesmo pendor de liberdade. Nao que as pessoas que se adaptam aos cargos de emprego sejam inferiores. Mas como o ser humano nao eh abelha, e sua civilizacao nao eh uma colmeia, a organizacao social em forma piramidal nao permite que todos ocupem o mesmo espaco. Eh uma questao de fisica e nao apenas de economia.

O que se discute aqui nao eh necessariamente a questao apenas da criacao dos empregos mas o quanto de prosperidade sera partilhada com as bases. Mas as formas atuais de adquirir-se capitais sao ligeiramente diferentes daquelas disponiveis no tempo dos avos dos avos. E a tendencia neste inicio de III milenio eh a de retornar a um sistema economico semelhante ao regime escravocrata, onde pouquissimos tinham muito e muitos ficavam apenas com os encargos. A prosperidade nao era partilhada.

Tudo faz parte de um mesmo sistema que parece ter sido planejado para ser dominado pelas maos de poucos e que pretenderiam manipular as cordas fazendo as marionetes dancarem segundo a musica.

Nao parece ser sem motivos que o povo foi conduzido a deixar o campo para ser melhor controlado por empregos nos municipios que se industrializavam. Aparentemente, os salarios e os beneficios urbanos foram os que atrairam o povo. Contudo, na troca ele perdeu seu meio de producao proprio. Por pior que fossem as relacoes empregador rural e empregado, este tinha onde produzir seu proprio alimento e produzir algo para si mesmo. Nos centros urbanos ele tornou-se totalmente dependente do salario que esta perdendo poder de compra em quase todo o mundo capitalista.

Nos dias mais proximos deste inicio de III milenio estao se criando formas para o retorno de parte da populacao para as cidades rurais. Porem, nas mesmas condicoes desvantajosas dos empregos nas cidades industrializadas.

Com a saida dos trabalhadores rurais para as cidades e a pouca informacao, e a resistencia em se modernizar, a maioria dos antigos proprietarios rurais nao conseguiu industrializar-se ja que nao tinha capital. O preco da producao agricola foi sistematicamente reduzido tornando seus lucros pifios.

Os proprios proprietarios rurais tradicionais perderam a posse das terras mecanizaveis para grandes empresas. Essas sao as atuais empregadoras. As que trocam o servico dos trabalhadores rurais pelos salarios no modelo urbano.

Mas essas inferencias `as causas trabalhistas nao esclarecem o que ocorre a nivel de educacao escolar. Em cada pais a situacao eh ligeiramente diferente. No Brasil, boa parte das universidades sao publicas e gratuitas. Ja nos Estados Unidos, mesmo as publicas sao pagas com taxas ligeiramente reduzidas. Contudo, a maioria delas tem a funcao de produzir tecnologos. Aquelas que produzem pensadores dentro da area de formacao sao, na maioria, particulares e regiamente pagas.

Nao bastasse a economia do pais ter deteriorado em consequencia de duas guerras sem nexo, iniciadas pela administracao do governo George W. Bush, o mercado imobiliario foi atacado pela pirataria financeira, o que por pouco nao levou `a quebradeira total. Suspeitamente, os prejuizos ficaram todos para as pessoas comuns mas particularmente para os jovens iniciantes de carreira e os que se formaram logo apos o inicio da crise em 2008.

Acontece que o mercado ja nao estava oferecendo boas vindas a todos aqueles que se formavam. Muitos estavam tendo que formar e fazer uso de seus diplomas como tranpolim para seguir outras carreiras. Porem, sujeitos a salarios de qualidade inferior. Com a quebra financeira os mais vulneraveis perderam seus empregos, economias e, alguns, ate mesmo o animo para viver. Muitos que estavam em vias de aposentadoria adiaram sua intencao, pois, o que tinham nao daria para cobrir os custos da nova vida que desejavam inaugurar. Isso estrangulou mais o mercado para os jovens.

No meio da confusao as visceras do sistema foram expostas. A divida dos estudantes com o credito educativo atingiu a marca recorde de mais de 1 trilhao de dolares. Algo que muitos paises do mundo levariam anos para somar como produto interno bruto. Algumas carreiras nos Estados Unidos proporcionam aos estudantes uma divida com o credito educativo equivalente ao valor de uma casa simples.

A media das dividas eh o valor de um carro novo mais simples. Nao parecia muita coisa quando havia uma economia vibrante. Mas a ausencia de trabalho impede as pessoas de quitarem suas dividas e os juros nao sao perdoados.

Outro fator agravante eh que a remuneracao pelo trabalho nao especializado foi se deteriorando a olhos vistos nas ultimas decadas. Neste inicio de III milenio, os recem-formados e subempregados tem que fazer a opcao, pagar a divida ou viver. Com o recorrente agravante de nem poderem pensar em assumir a responsabilidade de constituir familias.

Pessima noticia para um pais cujo indice de natalidade por familias nativas esta inferior a 2,0%. Por enquanto, a cultura do pais so esta garantida gracas `a imigracao de nascidos no exterior. Estes tem sido os responsaveis por repor grande parte da populacao que devera viver no decorrer do primeiro seculo do III milenio. A cultura dos Estados Unidos esta sob ameaca, porem, garantida por enquanto.

Encarando-se a situacao como uma estrategia militar, observa-se uma inteligencia por tras. A educacao escolar sempre foi o nicho da classe media. A rica sempre estudou de acordo com seus proprios interesses, pois, tinha os negocios de familia para tocar para frente! Abrindo-se as universidades para a massificacao e entrada da classe pobre eh uma forma de fragilizar a classe media e torna-la intolerante com a classe pobre. Este clima de tensao, que ja existe, em nada favorece a nenhuma das duas.

A estrategia militar mais inteligente eh justamente a de insuflar a discordia entre as faccoes suas adversarias. Unidas as faccoes se fortalessem. Em conflito elas se tornam presa facil de terceiros.

Uma acao previa foi a diminuicao paulatina dos salarios da classe pobre. Isso facilitou despertar nela a “cobica” de frequentar cursos superiores pois estes surgiram como unica tabua da salvacao para “subir na vida”.

Ha que analisar-se o ilusionismo criado tambem. Ora, o acesso `a educacao superior seria uma forma de ressarcir aos pobres os longos seculos de exploracao que seus ancestrais sofreram e que eles herdaram. O outro lado da moeda eh este, o acesso de mais pessoas `a educacao superior ira reduzir o valor dos salarios de todos, o que nao eh nem bom para a classe media nem para a classe pobre.

A “oportunidade” que esta sendo oferecida somente seria justa se os salarios da classe media nao fossem reduzidos e os salarios dos novos ingressos na classe media se mantivessem a niveis do passado. Ou seja, tornar-se-ia uma elevacao social e economica para a classe pobre, sem mexer no bolso da classe media.

Justo teria sido ter elevado os salarios da classe pobre a um nivel que ela pudesse consumir sem necessitar pedir. Mas o que foi feito foi apenas transferir para a classe mais rica os ganhos economicos que o conjunto da sociedade produziu. O que esta sendo feito eh duplamente injusto com a classe pobre, pois, alem de ter sido sufocada tem que lutar em dobro para conquistar algo de menor qualidade em relacao ao que foi no passado!

Justo mesmo teria sido ter reduzido os angulos da base da piramide e aberto o angulo superior, fazendo a classe pobre elevar-se, abrindo espaco para mais pessoas nas classes media e rica. Esta seria a forma de procurar restaurar em parte a clausula do contrato social inicial onde todos se comprometiam a proteger as costas uns dos outros.

As classes fora do apice da piramide estao perdendo a luta mesmo que, como o gado, nao conheca a forca que tem. Naturalmente, os conhecimentos tem se multiplicado em todas as areas. Isso requereria uma adequacao melhor de curriculos, para tornar a formacao de melhores pensadores em cada area. Por consequencia, o periodo de formacao dos graduandos necessitava ser extendido.

De certa forma isso esta sendo feito mas nao segundo os interesses dos graduandos. Isso esta sendo feito atraves de cursos de posgraduacao e simposios que nao acabam mais. O sistema de educacao foi transformado em uma industria como outra qualquer que se esquece do ensino e visa primordialmente o lucro. Lucro este que eh concentrado em maos de poucos.

Na realidade, como o fenomeno massificacao da educacao eh recente, ele ainda tem que provar que chegou para fazer o bem. Sabemos que civilizacoes antigas foram sustentadas por pequeno numero de sabios e grande numero de pessoas que realizavam o trabalho. Elas se colocaram em risco porque os sabios, em numero reduzido, eram os unicos que sabiam pensar e imaginar as melhorias para a civilizacao. Qualquer tragedia que se desse aos sabios morria com eles os segredos da civilizacao. Os conquistadores carregavam os sabios e para si seus conhecimentos.

Eh uma boa estrategia possuir um maior numero de sabios e partilhar a sabedoria com o povo tambem. Isso assegura a longevidade e prosperidade das civilizacoes.

Mas uma licao das civilizacoes antigas eh a de que nem todos precisam preocupar-se em tornar-se sabios. Nas grandes civilizacoes classicas a maioria ate era analfabeta. Nao havia justica eh verdade! Mas havera que haver um equilibrio onde todos poderao compreender e pensar a civilizacao, sem necessariamente estarem obrigados a ter todo o curriculum escolar completo.

O que importa eh haver justica na distribuicao dos beneficios produzidos pelo conjunto da civilizacao. Este eh o criterio que mais influira na longevidade de qualquer uma delas. Transformar a educacao em caminho unico e como forma de promover os atritos entre classes sera a forma mais rapida de levar ao suicidio coletivo. Tambem importante era nao transformar educacao em nova caixa de pandora!

 

17a. DEFINICAO: INTELIGENCIA ARTIFICIAL

Inteligencia artificial ja foi ate tema de filme (Artificial Intelligence). Agora neste inicio de III milenio a humanidade encontra-se em um dilema. Em questao de poucas decadas conseguiu produzir maquinas fabulosas. Capazes de fazer o trabalho de muitas pessoas em momentos. Uma serie de maquinas passou a usar cerebro eletronico. O que nao chega a ser verdadeiramente um cerebro mas sim uma programacao que instrui a maquina a repetir padroes de comportamentos que levam `a producao de algum produto.

Porem, essas maquinas tem ficado cada vez mais sofisticadas. A ponto de alguem ter usado a imaginacao e antecipar que um dia os seres humanos terao a capacidade de construir maquinas que raciocinarao como pessoas humanas. Juntando-as aos programas que ja existem, que podem fazer calculos complicadissimos em mera de segundo, estima-se que robots com raciocinio e programacao poderiam tornar-se muito superiores `a pessoa humana.

Naturalmente, uma maquina com tal capacidade poderia comecar a replicar-se usando os recursos criados pelos seres humanos, liderar uma revolta e suceder a especie humana, usurpando aquilo que a natureza biologica reservou para a proxima variedade humana que deveria surgir.

Cientistas tem baixado a guarda em relacao a esta hipotese, pois, sabem nao ter conhecimentos o suficiente para explicar como se forma o raciocinio. Tudo parece ser muito complexo ainda para o nao saber humano. Calcula-se que levarao decadas ou seculos para chegar-se a uma resposta satisfatoria. Ate entao, nao podera ser copiado o que a natureza nos ofereceu ha centenas de milhares de anos.

Mas existe outro risco mais evidente e real, ocorrendo neste exato momento. As maquinas ainda nao possuem inteligencia por si mesmas mas ja existem muitos meios de usar-se o que ja existe, manipulando-as atraves da inteligencia humana e da mesma forma causar danos inimaginaveis. O cerebro pensante pode ser o humano e as maquinas seus instrumentos.

Esta realidade ja se apresenta neste inicio de III milenio. Tomando-se como exemplo os caixa eletronicos oferecidos pelos bancos no mundo inteiro. Alias, os bancos foram tornados um dos meios particularmente perigosos de dominacao. Mas agora importa lembrar como inciou-se o uso de recursos eletronicos em relacao a eles e o publico. Ja se usavam os cartoes de credito mas estes eram ainda incipientes.

Os caixas eletronicos surgiram a partir de um raciocinio util. Bancos funcionam apenas parte do dia. Dai, qualquer cliente que precisasse do seu proprio dinheiro depositado num banco, por razoes emergenciais, teria que esperar o horario de expediente que poderia durar dois dias, caso a emergencia surgisse na entrada do final de semana, onde bancos nao funcionavam.

O caixa eletronico nada mais era que um computador simples ao qual o cliente podia encontrar em determinados enderecos, a qualquer horario do dia, e ali submeter suas credenciais. Ele automaticamente permitia obter uma quantia limitada de dinheiro em especie. Muitas pessoas podem ter tido suas vidas salvas por isso. Algumas as perderam ja que os fascinoras sabiam onde encontrariam “clientes” com dinheiro em maos.

Com o passar do tempo, estes caixas eletronicos passaram a adquirir inteligencia e sao usados para diversas outras operacoes bancarias como deposito e transferencia. O usuario nao precisa mais de um funcionario intermediando suas operacoes financeiras. Ele proprio tornou-se um funcionario indireto e sem pagamentos das agencias bancarias. Com o avanco dos computadores, muitas operacoes podem ser realizadas dentro da propria casa do “fregues”. Tanto via caixa eletronico quanto computador as operacoes podem ser feitas, inclusive em horario de expediente, nao apenas quando as agencias bancarias estao fechadas para o publico.

Joao nao eh muito inteligente. Ele eh uma pessoa normal que `as vezes prefere parecer ser mais bobo do que eh. Conhece uma funcionaria de banco, Maria, que sempre lhe oferece os prestimos para mostrar-lhe como sao feitas as operacoes no caixa eletronico. Ela eh uma das pessoas que trabalham como caixa normal. Por ser bobo, Joao fica embaracado em responder que agradece a gentileza mas que esta bem em ser atendido por ela mesma.

Joaozinho bobo tem essa ideia besta de olhar para a fila no caixa eletronico e para a outra em frente aos guiches pensando que, mesmo gastando um tempinho a mais, poderia estar contribuindo para o emprego de alguem. Joaozinho bobo acha divertido criar problemas para o seu proprio banco, afinal de contas, nao eh atoa que ele o tem por cliente, ja que rende alguns centavos ao mes para a entidade. Joao bobinho eh um criador de empregos, pelo raciocinio elitista!

De tao besta, Joaozinho pensa, bem que o banco que esta tao cheio de lucros poderia fazer o sacrificio de ceder parte dele para os que nada tem! Joaozinho so nao ousa pensar isso em alta voz para que os patrulheiros de plantao nao o taxem de comunista. Joao prefere conceber-se como aspirante a justo. Palavra que nem todo comunista conhece o significado!

Com os caixas eletronicos, com tanta gente trabalhando de graca para os bancos e a diminuicao do quadro de empregados, os bancos conseguiram atingir recordes formidaveis de superavits em suas operacoes financeiras. O que, claro, eh partilhado com os acionistas. O que Joaozinho bobo nao discorda. Mas para ele algumas coisas funcionam como Robin Hood em reverso. Toma de muitos pobres para distribuir com os ricos.

Joaozinho bobo nao se sente “do contra”. Apenas sente-se pesaroso de que nao existam meios de fazer os pobres serem remunerados o suficiente para mandarem mais dinheiro para os ricos sem que essa contribuicao lhes faca falta `a mesa, ao pagamento do aluguel, `a educacao escolar para os filhos, ao seguro saude etc. Enfim, todas aquelas coisas que o filosofo antigo ensinou dizendo: “Faca pelos outros aquilo que gostaria que fizessem por voce.”

Algo que Joaozinho bobo pensa encaixar-se perfeitamente neste pensamento seria objetivar menos lucros e pagar salarios mais justos. Coisa de gente bobo mesmo! Mas Joaozinho fica feliz em lembrar-se que ele nao foi o bobo numero 1. Afinal, os filosofos antigos ja repetiam as mesmas bobagens que ele pensa serem justas.

Com a entrada da humanidade na Era Eletronica e sua inteligencia, o planeta Terra realmente foi transformado numa Aldeia Global. As grandes revolucoes de criatividade das pessoas nos 600 anos anteriores estao cabendo dentro de um escritorio, dentro da casa de cada pessoa. Gutemberg revolucionou o mundo criando os tipos moveis, permitindo a informacao viajar numa velocidade espantosa na epoca dele. Isso significava meses e ate anos para uma noticia viajar de um canto a outro do planeta.

Tempos depois o ser humano passou a falar com outro de qualquer ponto do planeta. Ha algumas decadas antes do inicio do III milenio, jornais usavam um aparelho capaz de transmitir imagens fotograficas de continente a continente. Elas eram impressas em jornais que distribuidos poderiam levar noticia e imagem a todos os confins da Terra, em mera de um dia.

As televisoes, atraves de sistema de satelite, logo passaram a transmitir as noticias ao vivo em som e imagem. As pessoas comuns, que parecem ser um pouco mais bobos que o Joaozinho, pensam que estas coisas se deram ha tanto tempo atras, mas ha tanto tempo atras, que so podem ter acontecido ainda na pre-historia! Ele nao sabe porque mas a sua memoria elefantiaca o faz lembrar-se de coisas que aconteceram nessa pre-historia.

Dai ele nao se assusta com nada. Apenas acha curioso a habilidade que agora a pessoa humana tem de possuir uma verdadeira editora num quarto de sua casa. Pode tanto editar livros, revistas, panfletos, fazer negocios, comunicar-se com amigos, quanto receber o que esta se passando no mundo. Tudo atraves de aparelhos simples. Pode viajar pelo mundo sem sair de casa.

Ele, porem, sabe que todo este conforto tem precos indesejaveis. Alem de ter que pagar suas contas, evidentemente. Um deles eh saber que pouco resta de privacidade nas vidas das pessoas. Sabe tambem que esta sobrando vigilancia sobre tudo o que todos fazem. Joaozinho nao tem neuroses quanto a isso. Apenas ligeiras preocupacoes. Eh que tudo esta sendo conectado em nome da seguranca. Mas nada tem sido feito em relacao `a vigilancia.

Joaozinho bobo eh estupido de pensar que os servidores do sistema que esta conectando toda a informacao do planeta em um unico cerebro sao desonestos. Afinal, eles te entregam uma conta para seu uso onde voce eh quem escolhe nome de usuario e uma senha “supersecreta” que somente o usuario deveria conhecer, exceto, se ele a partilhasse com alguem.

Mas Joaozinho nao chega a ser tao bobo assim. Afinal ele tem o conhecimento de que pessoas que trabalham no sistema ou que tem conhecimento suficiente de eletronica e matematica tem como quebrar os codigos. Isso nao eh apenas o Joaozinho que sabe, pois, deu-se a estes piratas o nome de “hakers”, que nao tem outra coisa a fazer a nao ser brincar de invadir a privacidade de quem desejam. Alguns usam suas habilidades para cometer crimes. Entre eles, o de visitar as contas bancarias daqueles que as conectaram, e delas sacar algumas modicas quantias!

Assim como ficou facil para qualquer Joao bobo fazer suas operacoes bancarias desde sua residencia, atualmente os piratas nao precisam sair de casa para enriqucer-se. Nem precisam buscar uma ilha fiscal para esconder seus tesouros.

Mas o que Joao bobo tem mais receios eh o saber que nenhuma de suas senhas sao senhas que somente ele sabe quais sao. Ele obviamente tem a consciencia de que os servidores nao precisarao sair de seus escritorios para retira-las do sistema e com elas passar a limpo toda a vida internauta do Joaozinho. Algo que Joaozinho coloca preocupacao com reserva, pois, nao tendo ele nada realmente importante que esconder, presume-se, entao, nada podera ser usado contra si.

A preocupacao de Joaozinho eh com que uma remota possibilidade possa acontecer. A de que como tudo esta ficando controlavel via internet, algum poder obscuro maior venha a tomar posse. Neste caso, ate os pensamentos poderao tornar-se crimes. E quem ja os expressou na internet nao tem como retira-los. E Joaozinho bobo faz um convite a todos para pensar.

Imagine-se que por tras da internet exista uma imagem como a de um espelho. Tudo o que esta na internet, entra tambem na subinternet. Se voce apagar o que resolver retirar da internet, continua registrado do outro lado. Voce nao tem acesso ao outro lado. Mas o outro lado tem acesso ao que voce faz. Joaozinho bobo imagina ser de bom alvitre, e por via das duvidas, falar apenas de banalidades e, no maximo, a respeito da possibilidade de o mal cheiro ser usado como fonte de energia renovavel.

Voce nunca sabe o quanto e como a inteligencia artificial sera usada contra voce mesmo!

Especialista nos meandros da vida eletronica afirma: a partir deste inicio de III milenio nao contar-se-ao 4 decadas para que cerca de 40% dos postos de trabalho no mundo sejam eliminados do mercado. Pensa-se que a ganancia por substituir mao de obra humana por recursos tecnologicos com o pretexto de dar rentabilidade `as empresas devera atingir a este ponto.

Observe-se que, no inicio, a implantacao das tecnologias robotizadas tiveram um argumento encantador. Os robots iriam substituir as pessoas que faziam trabalhos muito repetitivos ou em locais de risco `a saude das pessoas. Mas ja se apresentam em toda e qualquer posicao antes ocupada por seres humanos. Exceto, claro, na posicao de alguem que possua alguma coisa. Eles ainda sao escravos dos humanos e nao tem direito a possuir escravos.

Numa perspectiva atual e `a vista do crescimento populacional na Terra, observa-se que sera preciso criar novas formas de trabalho para substituir o que sera perdido e o que sera introduzido. Aparentemente, Joaozinho bobo nao cre que isso sera possivel, ja que a tendencia da criatividade humana, de cima para baixo, nao tem ajudado muito durante as pouco mais de 5 decadas de vida dele.

Mas, por ser bobo, pensa que se suas perspectivas estiverem corretas, havera um estrondoso chacoalhar na piramide social. Ele imagina que quem sentira mais as perdas num primeiro momento serao os mais pobres, barbaros substituiveis, que os mais ricos, civilizados estultos. As substituicoes poderao ser mais drasticas justamente nos paises mais pobres. O que resultaria na hecatombe para alguns e instabilidade para outros.

Neste caso a desgraca podera reverter-se no sentido da base para o topo da piramide. A situacao tornar-se-ia delicada. Um recurso seria criar o salario minimo para todos os que nao tiverem emprego. A parte da populacao menos qualificada tera que passar pela vida sem conhecer o significado da palavra trabalho. Outra opcao seria retornar-se ao que foi a ambicao humana quando comecou a inventar novas ferramentas e criou a agricultura e a pecuaria.

Antes desse tempo, o ser humano precisava manter-se em movimento enquanto durasse a claridade do dia para buscar alimentos para si e a familia. Com as descobertas novas ele angariou tempo disponivel para elaborar melhores moradias, usufruir de dias festivos e esticar um pouco seus momentos de lazer com a familia. Com o tempo acabou podendo separar os dois ramos de funcoes na sociedade: que foram os que trabalhavam com o cerebro para facilitar ainda mais a vida de todos, e os que se sacrificavam no trabalho bruto porque os que usam o cerebro nao tinham tempo para isso.

Essas eram as duas funcoes basicas do trabalho e que fizeram parte do primeiro contrato social. O objetivo inicial era o de facilitar o trabalho para todos para que todos tivessem mais tempo para si mesmos e para a comunidade. Porem, uma parte dos que usam o cerebro, desconfia Joao bobo, pensa que os que fazem o trabalho bruto sao incapazes de usar o cerebro. Por isso os estao tornando obrigados a trabalhar cada vez mais por um salario cada vez menor. Joao bobo pensa que isso nao chegara ao bom fim!

Como o objetivo da sociedade foi sobreposto pelo ter e nao o ser, essa parte excluida da populacao podera comecar a pensar coisas que nao devia! Diante da falta de perspectiva de vida, podera pensar que nada tem mesmo a perder. Coisa triste! Mas muitas guerras comecaram por este caminho! Alguns poderao interpretar um adagio antigo, que era apenas uma piada, como ordem do dia. Assim se brincava: “Economia de guerra: mate apenas um rico por dia!”

Joao bobo nunca gostou desse tipo de brincadeira. Mas sabe que entre ele nao gostar e convencer a todos que tambem nao devem gostar vai-se uma grande distancia. Joao eh tao bobo que evita correr atras de solucoes aparentemente faceis com resultados sabidamente ineficazes. Nao gosta de trabalho mas nao se importa de queimar as pestanas longamente para dar solucao a todos os conflitos. Eh o unico dom que possui.

Outra alternativa seria reduzir a carga horaria de todos os trabalhadores `a metade. Neste caso, atingir-se-ia a norma do contrato social inicial em termos de facilitar a vida de todos. Assim, cada expediente de 40 horas podera ser alternadamente ocupado por duas pessoas trabalhando 20 horas cada uma. Todos trabalharao e terao mais tempo para, por exemplo, estudar mais, tornar-se mais criativos.

Essa situacao, podendo ser a salvacao da lavoura, pode tambem tornar-se causa de conflito. Aqueles que se julgam mais competentes que os outros dirao que sofreram injustica, pois, na nova situacao veriam menos perspectivas de subir na vida. Haveria uma tensao elevada entre os antigos membros das classes media e baixa. Mas tudo deve ser encarado como desafio. Se for encarado como problema o resultado eh o conflito e nao a solucao.

A pior de todas as alternativas sera deixar o bando de desempregados virar por si mesmo. Esta sim sera a forma de chacoalhar a piramide com maior forca. Significaria o desaparecimento de um grande numero de pessoas da base salarial. Ou seja, seria gente que deixaria de comprar, de consumir. Estes pobres coitados nao sao insignificantes como Joaozinho pensa que alguns pensam deles. Sao pobres sim mas imprescindiveis.

Embora os grandes podendo nao perceber, essas pessoas consomem coisas baratas numa proporcao muitas vezes maior que as pessoas do topo da piramide. Claro, os do topo da piramide podem entrar num restaurante fino e gastar aquilo que poderia comprar um almoco para 100 pessoas do pe da piramide. Mas o gente fina nao ira comer naquele restaurante todos os dias. Ja o pobre se ve obrigado a comer seu alimento barato quantas mais vezes puder. Nem sempre ele tem condicoes de fazer 3 refeicoes completas por dia.

O importante eh que os gastos baratos do povo de baixo da piramide viram riquezas para quem vende para ele. Pode nao ser muita coisa de cada um mas este segundo ator devera reunir alguns milhares de clientes. Como o numero de pessoas das bases eh assustadoramente maior, entao, sao muitas outras pessoas secundarias na piramide. E sao elas que tem o poder aquisitivo para consumir melhor. Elas movimentam um mercado mais sofisticado. Este mercado mais sofisticado eh que movimenta a compra de carros novos, apartamentos novos e muitas outras coisas.

De uma forma ou de outra, eh o dinheirinho do misaravel movimentado na base da piramide eh que vai subindo de degrau em degrau dela, ate chegar `as maos dos magnatas. Ou seja, uma paralisia economica na base da piramide representa a queda de degraus no topo da piramide. Isso eh automatico. Nao existe magica que faca o topo da piramide permanecer no ar sem este sustento da base. E o tombo sera proporcional `a sensibilidade com que as pessoas do topo da piramide analisarem a questao e agirem. O pouso pode ser tao suave quanto desastroso.

Eh possivel que a situacao esteja caminhando para o envio de parte da populacao humana para o espaco. Literalmente falando!

Exatamente. Houve na Historia Humana uma fase em que a desordem estava estabelecida. As guerras eram diarias. Nenhuma delas solucionava nenhum desafio senao o de produzir armamentos cada vez mais mortiferos. As pessoas estavam desesperadas. Mas foi quando algumas pessoas tiveram a ideia de lancar caravelas nos oceanos e acabaram descobrindo terras que pensavam nunca antes ter sido pisadas por europeus. A Historia em si nao foi bonita mas isso proporcionou o surgimento de uma nova civilizacao. O apice dela encontra-se agora na entrada do III milenio.

A perspectiva de o ser humano vasculhar o espaco e encontrar planetas semelhantes `a Terra nao eh remota. Remota eh a perspectiva de descobrir um meio de transportar-se para eles. O desafio, porem, nao era diferente 600 anos antes do inicio do III milenio. A possibilidade de fazer-se essa viagem agora eh impossivel. Seria sempre uma viagem sem retorno.

Que as pessoas fiquem avisadas. Melhor sera procurar resolver os desafios aqui mesmo na Terra que esperar por uma descoberta milagrosa. Nao se deve entrar em nenhuma canoa furada, so de ida. Esperem os primeiro que forem e voltarem.

Joaozinho tem a ideia boba de que talvez o mundo nao precise avancar tao rapidamente no sentido de usar inteligencia artificial. Pensa que poderia ser mais util fazer bom uso da inteligencia natural.

Algo lamentavel que Joaozinho bobo conhece eh o fato de ele poder mandar essa correspondencia `as pessoas do IV milenio mas as pessoas do IV milenio nao poderem mandar sua correspondencia para os do III milenio! Isso porque o Joaozinho tem conhecimentos que extrapolam os milenios nos quais viveu. Um deles eh o de que os ricos do inicio do III milenio nao terao descendentes no IV milenio!

Os superricos principalmente, nao necessariamente todos, pensam somente em seus filhos, netos e bisnetos. Competem tanto entre eles para serem uns mais que os outros que nao se importam em fazer um pequeno exercicio mental para ir alem disso. Talvez seja porque eles estejam tao preocupados em ganhar dinheiro que nem sequer se preocupam em estudar as proprias genealogias. Deixam isso para la. Isso eh coisa de historiador desocupado!…

Mas os superricos descendem igualmente tanto dos mais pobres quanto dos mais ricos que viveram no inicio do II milenio. Igualmente, quem viver no inicio o IV milenio sera descendente dos mais ricos e dos mais pobres que viveram no inicio do III milenio. Assim, nao existirao descendentes dos superricos ou dos pobres. Haverao os descendentes, simultaneamente, dos ricos e dos pobres. E nenhum dos descendentes tera motivo para orgulhar-se de seus ancestrais superricos! Preferirao identificar-se com suas origens pobres.

Joaozinho bobo nao tem provas do que ele sabe. Por isso lamenta que os viventes do inicio do IV milenio jamais poderao enviar uma cartinha a seus avos do incio do III milenio! Lamento que poderia ser sem fundamento algum se os superricos assistissem melhor aos pobres e os pobres pudessem abracar aos superricos, pois, o melhor para ambos agora refletiria positivamente na descendencia simultanea!

Ter cuidados de uns para com os outros, pensa Joao bobinho, eh o mesmo que ter cuidados para com os descendentes de seus ancestrais ao mesmo tempo ter cuidados para com todos os seus descendentes em todas as geracoes que virao!

 

18a. DEFINICAO: POPULACOES

Thomas Robert Malthus foi o primeiro economista a atentar para a questao da necessidade do equilibrio entre populacao e producao de alimentos de forma mais ou menos cientifica.

Atraves de dados empiricos ele percebeu que a populacao `a epoca dele, editou pela primeira vez um livro a respeito em 1798, crescia exponencialmente enquanto a producao de alimentos crescia aritimeticamente. Ou seja, uma crescia em termos: 1, 2, 4, 8, 16… e a outra em termos: 1, 2, 3, 4, 5… Neste caso, ele concluiu que haveria um colapso no futuro e, para evita-lo, haveria que fazer-se algum controle de natalidade. Provavelmente ele observou apenas os dados ao redor dele desconsiderando a abertura de fronteiras agricolas novas.

Malthus foi devidamente ignorado e suas teorias foram varridas para debaixo do tapete. Ao contrario, por exemplo, da Teoria da Evolucao de Charles Darwin. Por que uma teoria tornou-se tao creditada e a outra tao esquecida? Uma das razoes mais obvias foi que a teoria de Darwin bateu de frente com a Teoria Criacionista, entao, a palavra que ditava as ordens do dia.

O que envolvia a popularidade da Teoria do Criacionismo era o fato de ela ter sido ajustada a certas crencas religiosas. Crencas e crendices religiosas tinham um poder mais avassalador sobre a populacao em tempos anteriores ao inicio do III milenio. Na situacao, a fonte do criacionismo era a narracao biblica, porem, sob um prisma literal. O que implica que os seis dias narrados para Deus Compor o Universo Material teriam sido seis dias terrestres. A interpretacao tem o efeito unico de engessar a criatividade e nao dar autoridade ao criacionismo.

Obviamente, para as pessoas que vivem no inicio do III milenio eh facil pensar com mais clareza. A Terra faz parte de um sistema solar muito grande `a visao humana. Porem, pode-se compara-lo a um grao de areia numa praia pequena, pois, a galaxia Via Lactea, na qual o sistema solar esta inserido, possui 100 bilhoes de outras estrelas, e muitos outros corpos celestes sao maiores que o Sol.

O Universo Material ja esta calculado comportar 100 bilhoes de galaxias diferentes da Via Lactea. Entre uma galaxia e outra existem espacos “siderais”! Esta eh a Criacao Divina que conhecemos “de perto”. Entao, por que Deus se sujeitaria `a medida de tempo criada pela pequenez e visao distorcida humana para expressar a Criatividade Dele? Mais de um seculo apos a Teoria da Evolucao existir, tem gente que nao se conforma que Darwin estava mais correto que os criacionistas.

Contudo, em ciencias, ao contrario do que os detratores de qualquer teoria queiram creditar, nao ha um sentimento irremovivel de causa. Ou seja, por mais sagrada que uma teoria seja considerada, ela sempre esta sujeita a ser derrubada por outra mais logica. Essa mobilidade de pensamento humano eh menor em casos religiosos. Isso porque religiosidade eh um sentimento, nao uma ciencia.

Embora existam normas e conceitos nas religioes, que de certa forma nascem da observacao do mundo que gira em torno da vida, exatamente como ocorrem nas ciencias, estas normas e conceitos sao creditados como divinos e imutaveis. O que torna as religioes e religiosos mais conservadores e propensos a certas logicas, o que leva ao consequente descredito de certas versoes religiosas.

A grande diferenca entre as duas, ciencia e religiao, eh que a ciencia trabalha com fatos missiveis, geralmente expressos por meio de formulas; e a religiao trabalha com suposicoes invisiveis, nem sempre comprobatorias, portanto, dependem da vontade das pessoas acreditarem ou nao. Essas condicoes fazem com que obrigatoriamente as ciencias avancem em conhecimento que eh o seu motor mestre; ao contrario das religioes que tendem ao conservadorismo, mesmo sendo ele, `as vezes, irracional.

Em muitos casos homens das ciencias comportam-se exatamente como conservadores religiosos. As pessoas se acostumam `as teorias e as colocam como sagradas em seus proprios amagos, sentindo uma sensacao de perda quando novas teorias surgem para derruba-las, ou substituir algum de seus conceitos. A constatacao pratica disso agora no inicio do III milenio esta por exemplo em decidir quem descobriu as Americas.

Apos 500 anos afirmando ter sido o italiano Cristovao Colombo, sob os auspicios dos reis da Espanha, ja se sabe que todos os ramos da especie humana ja haviam estado nas Americas antes dele. Africanos, asiaticos e mesmo outros europeus! A dificuldade esta em colocar isso nos livros de Historia de forma a causar o minimo de sentimento de perda possivel. Porem, verdade eh verdade, e nada resistira a ela para sempre.

A diferenca entre religiao e ciencia eh que as ciencias aceitam essa instancia intermediaria chamada de teoria. Nao se trata de uma verdade cientifica. Trata-se de uma suposicao baseada em evidencias. Algo equivalente `a fe nas religioes. Porem, para tornar-se verdade cientifica a teoria precisa ser provada. Necessita ser reproduzida por diversas fontes diferentes. O que eh proibido em relacao a alguns conceitos religiosos.

Voltando a Malthus. A teoria dele nao contradizia necessariamente o texto biblico. Ao contrario, desenhava um futuro semelhante a certas descricoes do Apocalipse. Malthus calculou que se a explosao demografica continuasse no ritmo em que se encontrava no tempo dele a Terra poderia conter ate mais de 200 milhoes de almas humanas por volta do ano 2.000. Tambem calculou que a populacao da Terra nao deveria exceder aos 9 bilhoes, portanto, visualizou que seria necessario controlar a natalidade para que a populacao nao excedesse a este numero.

Entre erros e acertos, Malthus nao previu que os seres humanos desenvolveriam tecnologias de producao de alimentos tao avancadas que tornaria possivel produzir varias vezes o que se produzia no tempo dele por unidade de area. Em tempos atras, por exemplo, a producao de milho nos campos brasileiros girava em torno da media de uma tonelada e meia por hectare. Atualmente, com os recursos disponiveis pode-se produzir 10 vezes mais numa area equivalente.

Claro, Malthus, como todos os cientistas, era apenas um estudioso e nao um adivinho. Agora no inicio do III milenio eh mais facil fazer previsoes porque o conhecimento eh maior e trabalha-se com maior numero de variaveis possiveis. Se os conhecimentos sao muito mais profundos do que se tinha antes, o que dificulta muito a formacao de um profissional capaz de fazer boas previsoes, por outro lado existem os instrumentos de apoio, como os computadores, as imagens de satelite, a divisao do trabalho entre diversas equipes. Enfim, toda uma trama capaz de coisas nunca antes imaginadas. Precisando-se apenas saber trabalhar em grupo.

Algo que Malthus levou em conta nasce de uma deducao logica. A humanidade possui apenas um planeta onde viver. Portanto, tem uma area limite a partir da qual nao ha mais como expandir. Mesmo contando-se os oceanos que estao sendo usados como fazendas. Atingida a capacidade maxima de producao de alimentos, nao havera como expandir o planeta. Nao eh uma boa ideia colonizar outros planetas do sistema solar por isso ser demasiado perigoso para a saude humana.

Outro detalhe levantado pelo economista foi o limite de recursos. A atual superproducao de alimentos acontece basicamente em funcao da exploracao do petroleo. Dele se retira a energia que muito influi na producao e, mais que isso, muitos dos insumos como os adubos que tornam a superproducao possivel. Malthus jamais previu que o ser humano seria capaz de produzir alimentos suficientes para todos e, mesmo assim, existirem os que o tem em excesso e os que continuam sofrendo fome.

Neste inicio de III milenio ainda estao sendo encontradas novas fontes de petroleo e talvez a humanidade tera reservas para depender dele por mais um seculo. Contudo, ele e outras fontes nao renovaveis de recursos irao esgotar-se mais cedo ou mais tarde. Portanto, a previsao de que a humanidade nao deveria ultrapassar, feita antes de o petroleo tornar-se a matriz energetica movedora do desenvolvimento, um determinado numero foi uma antecipacao sabia da realidade. Mesmo a Terra comportando mais de 9 bilhoes de pessoas, sem assistencia alguma de petroleo, havera um numero de equilibrio que o bom senso pede para que nao seja ultrapassado.

Os atuais cientistas sabem que o colapso da atual civilizacao ja se encontra visivel numa luz vermelha no final do tunel. Sabem que o “progresso” atingido pela civilizacao do inicio do III milenio, acelerado a partir dos 3 seculos anteriores, tem efeitos colaterais danosos e que acelerarao tambem a bancarrota caso nao se consiga atitudes e conhecimentos novos capazes de amenizar ou reverter tais efeitos.

Algo ja sabido eh que o uso de combustiveis fosseis ao longo do tempo, e ainda sem alternativa renovavel correspondente, acelerou a mudanca climatica conhecida como “Aquecimento Global”. As temperaturas medias do planeta estao tao elevadas que nao se encontra medidas semelhantes senao em eras passadas, cujas temperaturas elevadas foram provocadas por causas desconhecidas.

Alem disso sabe-se que nao esta mais em poder do conhecimento humana a reversao desse aquecimento porque ja acumulou o volume de gases de efeito estufa na atmosfera o suficiente para acontecer a aceleracao, sem a contrapartida do recolhimento ou absorcao natural. O ser humano nao desenvolveu a tecnologia capaz de recolher o excesso e suplantou a capacidade da natureza de absorver.

As consequencias das elevacoes das temperaturas medias ja sao sentidas pelas populacoes. As geleiras que levaram seculos, milenios e ate milhoes de anos para se formarem estao derretendo numa velocidade cada vez mais rapida. Calculou-se que o nivel dos oceanos podera elevar-se ate 9 metros no espaco do seculo corrente. Como a maioria da populacao terrestre vive nas atuais bordas dos oceanos, ela tera que mudar-se para o interior, mesmo que continue a viver nas novas bordas.

Sabe-se que paises inteiros desaparecerao. Que catastrofes em forma de furacoes e ventanias serao mais fortes. Que as construcoes terao que ser adaptadas `as novas situacoes. Que os mais pobres continuarao a ser os mais vulneraveis. Que secas avancarao em alguns pontos do planeta enquanto em outros acontecerao os excessos de chuvas. A humanidade estara mais sujeita a condicoes novas para a disseminacao de doencas que poderao tornar-se epidemias catastroficas.

A maior de todas as tragedias eh ter o conhecimento e nao se fazer ou deixar fazer algo para evitar as tragedias. As pessoas tornaram-se insensiveis aos riscos. Querem continuar usufruindo dos beneficios desta civilizacao, com os olhos voltados apenas para o ter, sem assegurar-se de que haja civilizacao alguma nas proximas geracoes. As pessoas estao como os animais que enxergam apenas o alimento dentro das armadilhas em que estao caindo.

As populacoes humanas surgiram atraves de uma matriz africana. Isso quer dizer que o ser humano surgiu na Africa. Algumas variedades passaram-se para outros continentes mas a variedade Homo Sapiens Sapiens foi a unica que havia escapado `a extincao ate o inicio do III milenio.

A principio, a populacao humana que saiu da Africa povoou o entorno do Oceano Indico, conseguindo migrar inclusive para a Australia. Tambem habitou o Caucasus. Essas populacoes primitivas nao chegavam a formar nacoes. Viviam em um mundo bastante hostil, onde a pessoa humana era um animal fraco entre os predadores. A sua forca estava no cerebro mais desenvolvido que o dos outros animais.

Como a migracao aconteceu no decorrer de milhares de anos, as populacoes isoladas adquiriram caracteristicas proprias em suas aparencias. Os habitantes do Caucasus por exemplo perderam boa parte da capacidade de produzir melanina, por causa da baixa incidencia solar, e isso era necessario para nao interferir com a producao de vitamina D. Como consequencia, a pele desta linhagem humana tornou-se branca.

As outras linhagens permaneceram com a pele escura porque habitavam locais mais ensolarados. Precisavam da melanina como um protetor solar natural. A tonalidade mais escura ou mais clara vai aparecendo de acordo com a latitude da Terra que as linhagens habitavam.

Uma caracteristica dessa epoca inicial eh que as populacoes eram formadas principalmente pelas geracoes de pais e filhos. A condicao de cacadores e coletores de alimentos dificultava muito a vida das pessoas. Elas nao tinham muito como planejar e estavam sujeitas a todo tipo de intemperie. Nao acumulavam reservas, portanto, nao tinham tempo para parar para pensar e elaborar novas estrategias de meio de vida.

A populacao de pele branca espalhou-se pelo Caucasus, Asia e America do Norte. Dela surgiu uma distincao que deu o carater asiatico a uma de suas linhagens. A familia africana ou a australiana foi a primeira a habitar porcao da America do Sul.

Estas populacoes antigas das Americas podem ter sido extintas por algum evento ainda desconhecido ou terem sido absorvidas pelas novas migracoes que ocorreram por volta de 8 mil anos anteriores ao III milenio, trazendo levas de povos asiaticos. Nao se sabe ainda ao certo o que aconteceu mas, proximo a esta epoca, a megafauna americana (animais de grande porte) foi extinta tambem. Ou as familias humanas anteriores foram extintas juntamente ou poderiam ter sido extintas no contato com os asiaticos recem-chegados.

Isso pode ter quase se repetido quando Cristovao Colombo abriu a porta para a colonizacao das Americas pelos europeus. Eles transportaram doencas que os americanos nao tinham resistencia contra e causaram um verdadeiro genocidio involuntario. Mas tambem pode ter havido a absorcao das antigas populacoes pelas recem-chegadas da Asia. Por seu numero maior, a absorcao pode nao ter deixado grandes vestigios da ocorrencia.

Com a descoberta e o uso mais intensivo da agropecuaria surgiu um novo tipo de populacao na Terra. Esta pode tornar-se mais sedentaria (menos movel) e teve seus dias na materia prolongados. O surgimento da geracao dos avos tornou-se de grande importancia, pois, esta geracao pode tomar conta dos netos enquanto os pais puderam sair em busca do sustento das familias. Os avos ensinavam as sabedorias da vida e os netos partiam para ela melhor preparados.

Foram estas condicoes novas que permitiram o surgimento das grandes civilizacoes. E delas surgiram a civilizacao do inicio do III milenio. E esta acabou adaptando-se `a teoria malthusiana. Por razao diferente da que Malthus pensou, 50 anos antes do inicio do III milenio, as populacoes mais ricas do planeta comecaram a buscar com ardor o controle da natalidade.

Malthus pensava apenas numa vida sustentavel para todas as geracoes que pudessem vir depois da dele. As pessoas humanas no seculo XX queriam libertar-se da prisao que seus ancestrais sofriam por terem muitos filhos. Com familias numerosas, os pais nao tinham tempo para aproveitar melhor suas vidas. As geracoes que se seguiram passaram a seguir a ideia de planejar a familia, tendo poucos filhos no inicio do casamento, para que quando atingissem a meia idade os filhos ja fossem adultos o suficiente para tomarem conta de si mesmos, enquanto os pais se livrariam do encargo. Alem disso pensaram que ao terem menos filhos poderiam dar-lhes uma vida de melhor qualidade.

Outro fator que interferiu muito com a mudanca da composicao das faixas etarias das populacoes foram os avancos alcancados atraves da medicina. Uma serie de medicamentos passaram a ser usados onde se destacam os chamados antibioticos. O primeiro a ser identificado nas primeiras decadas do seculo XX foi a penicilina. Ela ajudou a combater doencas como a lepra e a tubercose, causadoras das mortes prematuras de numero consideravel da populacao.

Diversas outras descobertas resultaram no prolongamento da media de vida das pessoas humanas. Agora no inicio do III milenio nao ha como afirmar-se que o ciclo de vida humano foi prolongado. Isso porque, antes dos avancos, ja existiam pessoas que herdavam condicoes naturais que lhes permitiam alcancar idades tao avancadas quanto as atingidas no seculo XXI. A melhoria se deu no fato de que, combatendo as condicoes que levavam `as mortes prematuras, mais pessoas tem chegado a idades mais avancadas.

35 seculos antes, um farao egipcio, Ramses II, atingiu idade acima de 90 anos. Quando faleceu nao tinha filhos vivos, nem outra pessoa da geracao dele ou dos filhos viviam. Os netos ainda vivos estavam em idades consideradas avancadas. Pessoas temeram que aquilo representaria o fim da Historia Humana, pois, nao concebiam vida sem a intervencao daquele rei que lhes parecia ser a fonte da existencia de tudo o que conheciam.

Na entrada do III milenio as pessoas estao experimentando com mais frequencia fato raro em epocas anteriores. Bisavos tem convivido com seus bisnetos e acompanhando o desenvolvimento de alguns ate `a idade adulta. Existem os que veem o nascimento de seus trinetos.

Essa nova condicao no entanto nao tem acontecido a todos que atingem idades mais avancadas. Simultaneamente `a busca de um melhor padrao de vida, a cultura da formacao das familias foi rapidamente modificada. Mais pessoas decidem nao ter filhos. Nas nacoes mais desenvolvidas a maioria prefere ter seus filhos somente apos obter uma determinada estabilidade economica ou em suas carreiras profissionais.

`A epoca dos avos dos avos do inicio do III milenio as pessoas se tornavam pais, principalmente as mulheres, em suas adolescencias. Tinham filhos enquanto a natureza lhes permitiam. Os avos do inicio do milenio tinham filhos mais frequentemente em suas idades adultojovens e escolhiam ter entre 2 e quatro filhos. A tendencia agora do III milenio eh de iniciar ter filhos ja no final da vida reprodutiva util ou nao te-los.

Estes novos habitos iniciados nos paises mais desenvolvidos e lentamente assimilados em nacoes menos desenvolvidas estao rapidamente mudando a composicao das populacoes na Terra. Um particular eh o de que, nos paises mais ricos, a media de filhos que cada mulher esta dando a luz eh menor que 2. Este numero eh insuficiente para sustentar o equilibrio populacional entre os que nascem e os que falecem.

Isso significa dizer que, mantido esse baixo indice de natalidade, o numero de habitantes da Terra ira, a partir de que todos se enquadrarem no mesmo habito, reduzir-se a cada geracao. Essa condicao nova poderia ser favoravel por algum tempo, pois, permitiria melhores estudos a respeito de consequencias e estabelecimento de novas estrategias que estabelecessem as melhores opcoes para assegurar a existencia da cultura humana pelos proximos milenios.

Uma possivel estrategia sera a de recompensar o membro do casal que decidir tornar-se genitor presente junto aos filhos. Este genitor poderia ter permissao de trabalhar menos por salario de melhor qualidade, para prestar mais assistencia `as criancas. Algo que as ultimas geracoes anteriores ao inicio do III milenio nao conseguiram conciliar, equilibrando tempo dedicado a suas carreiras profissionais e na edificacao da familia.

A caracteristica da especie humana de acompanhar cada momento da vida de seus descendentes durante tempo mais prolongado que outros animais foi alterada drasticamente sem o devido acompanhamento de consequencias. Essa eh uma das provaveis razoes pela qual muito eh dito que as familias estao desestruturadas mas nada eh feito para evitar as consequencias danosas.

Malthus jamais poderia imaginar que a teoria dele fosse posta em pratica tendo tais consequencias como haverao. Ele jamais poderia adivinhar que tantas geracoes poderiam conviver ao mesmo tempo. Cientista preveem haver a possibilidade de pessoas nascidas por volta do inicio do III milenio poderem alcancar idades tao avancadas quanto 150 anos.

Caso se concretize tal previsao talvez nao chegue a mudar o fato de os bisavos chegarem a conhecer seus bisnetos. Isso apenas aconteceria quando o bisavo ja estivesse em uma idade bem mais avancada do que a que tem acontecido. Em decadas anteriores ao inicio do III milenio tal idade seria suficiente para fazer um genitor conhecer descendentes ate das geracoes de penta ou hexanetos.

Seria uma relacao complicada decidir a quem caberia o encargo de prover para tal ancestral. Filhos e netos ja deverao estar aposentados e possivelmente necessitando ser atendidos por terceiros. Os bisnetos ja teriam pais e avos a quem prestar assistencia alem de estarem a caminho de estabelecerem suas proprias descendencias.

A piramide da vida `a qual a humanidade esta ainda inserida seria invertida. Ou seja, sempre houve uma piramide onde o maior numero de pessoas era a de jovens que eram sustentados por um numero medio de adultos, acontecendo de um numero reduzido de idosos compor o apice da piramide. Na nova situacao o apice passaria a ser ocupado pelo numero de jovens, o centro superior pelo de adultos e toda a base ocupada pelos idosos.

Esta nova formacao piramidal sera o decreto do fim da humanidade ou os idosos terao que prolongar em muito os dias de trabalho deles. Assunto que as ciencias ainda nao esclareceram como funcionara tal piramide. A menos que o robot inteligente seja feito realidade e nao seja tao inteligente a ponto de recusar-se a trabalhar para susportar a vida humana na Terra! Algo que a inteligencia racional humana nao foi capaz de fazer nem mesmo nos mais absurdo das exploracoes. Mas o ser humano pode ser contido pela dor por ser animal e o robot ainda nao!

Essas mudancas de conteudo na formacao das populacoes humanas conta com outro ingrediente pelo menos curioso senao interessante. A parte da populacao humana que continua propensa a multiplicar-se exponencialmente eh a mais pobre e menos informada. Como essas caracteristicas sao mais frequentes em nacoes mais atrasadas eh nelas que a multiplicacao se concentra.

E deles tem surgido o grande movimento migratorio em direcao `as nacoes mais desenvolvidas. Estas estao em dificuldades de repor suas populacoes cada vez mais idosas e necessitam bracos jovens para substitui-las, sobretudo em epocas em que as condicoes economicas sao mais favoraveis, quando os nativos dos paises ricos podem escolher melhores posicoes, deixando sobrar as vagas de menor remuneracao. Mas ate essa fonte de reposicao esta secando, pois, esta tambem chegando aos paises mais pobres o controle da natalidade.

Outra realidade conhecida eh que as pessoas ligadas a religioes mais tradicionalistas nao se submeteram completamente a este controle. Destaca-se no mundo neste quesito a religiao muculmana. Principalmente em alguns ramos mais radicais, nos quais a mulher ainda nao se libertou da supremacia machista, as mulheres continuam tendo tantos filhos quanto suas ancestrais.

Embora este nao seja o unico ramo religioso que esteja se colocando contrario ao controle da natalidade. Na religiao catolica, na judia e no ramo cristao conhecido como mormon, existem setores quase tao contrarios ao controle da natalidade quanto ao ramo muculmano. Eles alegam uma determinacao divina para que continuem se multiplicando. Mesmo visualizando isso levar a humanidade a um becosemsaida, esperam que no fim haja um milagre! Bem disse o profeta: “Nao tentaras o senhor seu Deus.” Mas eles nao ouvem.

Esta condicao e a migracao estao deixando nervosos os radicais de outras religioes dominantes em paises industrializados. Com razao, eles anteveem que se as coisas continuarem como estao, em breve os muculmanos serao maioria no mundo. Os mais preconceituosos tambem estao se sentido acuados pela migracao das pessoas oriundas dos paises pobres, mesmo quando estas nao sao muculmanas. Passa por suas cabecas o pavor de que as caracteristicas morfologicas de seus ancestrais deixe de ser dominante e ate desaparecam de seus paises.

A situacao eh de confronto e continuara ate que os migrantes tornem-se nacionais por duas ou mais geracoes. Estes acabam se misturando tanto genetica quanto culturalmente com as populacoes antigas, mudando um pouco a aparencia do conjunto, contudo, acabam adaptando-se mais ao que encontram no novo pais do que ao que deixaram em suas nacoes de origem.

Os tradicionalistas radicais nao perceberam ainda que essa nao eh uma questao de escolha deles. Enquanto houver pessoas acreditando que havera melhora em suas vidas caso migrem, a migracao continuara. E enquanto as populacoes antigas nao forem capazes de repor a si mesmas, abrir-se-ao as oportunidades para a chegada de imigrantes. Portanto, o melhor eh abrir as portas e deixar o visitante confortavel para que permaneca, pois, esta eh a unica forma de impedir que a cultura na qual se acredita tambem continue existindo por algum tempo mais prolongado.

Muitos nao compreendem que embora os ancestrais de muitos fossem cristaos que viveram no inicio do II milenio, estes ancestrais sentir-se-iam desconfortaveis se fossem transportados para um pais de maioria crista e cultura do inicio do III milenio. Eles seriam incapazes de identificar-se com os usos novos e os novos costumes. No entanto, os cristaos mais fervorosos que vivem no III milenio se sentem confortaveis com seus usos e costumes. Coisa semelhante aconteceria com muculmanos e representantes de outras religioes.

Assim como os viventes do inicio do III milenio nao aceitariam que seus ancestrais do inicio do II milenio ditassem regras em suas vidas, o mesmo deve esperar-se que aconteca em relacao aos que nascerao no final do III e inicio do IV milenios. Nem mesmo os bisavos devem sonhar em determinar o que os bisnetos farao, pois, esta escolha nao lhes pertence.

A escolha dos que vivem no presente eh essa: ser bom e dar bom exemplo. A escolha das geracoes futuras sera essa: seguir ou nao seguir e ampliar ou reduzir o que lhe foi passado. Os mortos nao determinam o futuro. Podem apenas ter sido amaveis ou agressivos para com todos pois as gentilezas e as cicatrizes serao escolhas que as futuras geracoes farao. Melhor as gentilezas, pois, elas estao repletas de boas consequencias.

Malthus jamais imaginaria que sua teoria iria ser silenciosamente posta em pratica como esta sendo.

Duas consideracoes finais importantes. Os superricos tratam a si mesmos como civilizados e aos mais pobres como barbaros. Eles deviam entao fazer suas contas e lembrar-se que lhes basta ter 2 filhos, seus filhos lhes dar 4 netos, seus netos presentea-los com 8 bisnetos e assim seguindo de geracao em geracao. Ja que sabem tanto contar dinheiro, deveriam lembrar-se de contar pessoas que terao a possibilidade de deixar no mundo a partir da 33a. geracao depois das deles!

Eles poderao ser ancestrais de todos os moradores da Terra num determinado momento que suas multiplicacoes coincidirem com a multiplicacao do conjunto da Terra. Entao, eles partilharao descendencia com toda e qualquer pessoa de suas epocas, e que deixarem descendencias que habitarao o IV milenio. Teria sido inteligente da parte deles cuidar melhor de seus contemporaneos, pois, deles saira as sementes que darao origem `a propria descendencia deles.

Outra grande licao que se poderia tirar dessa representacao piramidal das populacoes por geracoes eh a de que as pessoas a partir do inicio do III milenio precisariam ter pensado melhor na formula que levaria `a paz em todos os cantos da Terra. Isso porque as guerras sao determinadas por pessoas mais velhas, porem, a maioria absoluta dos que lutam sao jovens.

Quando todos os paises tiverem suas bases populacionais formadas por um maior numero de adultos e idosos e a populacao de jovens for minoria, qualquer guerra sera devastadora para as populacoes dos paises que decidirem pelos caminhos das guerras. Se a metade dos jovens de qualquer nacao for dizimada, passarao geracoes ate que a nacao possa recuperar-se do efeito delas. Qualquer numero superior `a metade podera significar nao apenas uma vulnerabilidade futura mas tambem o decreto do fim de sua cultura.

 

19a. DEFINICAO: SUPREMACIA

Supremacia eh um dos desvios do comportamento humano. Um mal universal que atinge a quase maioria da especie. Tem origens em instintos animalescos e resquicios em componentes culturais. O tratamento nao deveria ser dificil alcancar nao fossem os interesses em manter viva a doenca.

Ha que lembrar-se aqui que sao dois os sentidos para supremacia. Quase todas as palavras do vocabulario humano trazem pelo menos duplo sentido. Dai ser necessario nao generalizar-se tudo o que eh dito.

Nesta situacao pode-se dizer que um atleta de ponta foi o maior ganhador de competicoes em sua especialidade esportiva. Isso significa que em confronto com seus contemporaneos essa pessoa ganhou mais vezes, portanto, ela obteve uma supremacia sobre seus concorrentes. O fato eh que isso nao torna o campeao melhor pessoa que seus concorrentes nem melhores que as pessoas que nao concorreram.

Porem, toda supremacia eh temporaria. Os atletas envelhecem como todos os outros seres viventes. Logo deixarao de ganhar competicoes e atletas jovens, mesmo tendo aptidoes menores que eles, irao vence-los em confronto direto. Esta eh a ordem natural das coisas.

Ja a supremacia doentia eh aquela que pessoas pensam possuir mas nao se interessam verificar ou revisar as bases falsas em suas alegacoes. Muitas vezes sao conceitos tao antigos que as pessoas preferem aceita-los como verdadeiros porque se enquadram nos criterios erroneos que lhes permite parecer ter um carater de superioridade. Mas a supremacia doentia baseia-se em pilares sempre falsos e erroneos.

Uma das formas de supremacias mais antigas eh aquela vinculada a religioes. A cultura ocidental do planeta Terra herdou grande resquicios desta doenca. Ao que se pode verificar ela derivou dos escritos biblicos mais antigos e os erros de interpretacao de uma vontade divina nao explicada. Trata-se de uma inversao de valores. Nao eh um erro exclusivo do judaismo antigo. Tratava-se da forma egocentrica das pessoas humanas conceberem a vida.

Nao se sabe quando religioes surgiram. Sabe-se apenas que muito antes de existir alguma escrita conhecida as pessoas ja haviam desenvolvido sentimentos religiosos. E pessoas humanas se deixam levar facilmente pelas aparencias e delas tirar suas conclusoes erroneas.

Dentro da sistematica religiosa concebe-se uma inteligencia superior `as pessoas humanas `a qual se atribui ser a fonte do surgimento de todas as leis da natureza. Algumas culturas interpretaram a cada uma dessas leis como um deus, portanto, tornaram-se politeistas. Apesar de geralmente terem tambem concebido um deus para ser a origem de todos.

O judaismo nao foi a primeira religiao a conceber Deus como a Origem e atribuir as outras forcas a uma natureza criada. Porem, foi a religiao que se manteve durante os milenios logo anteriores ao inicio do III milenio e influenciou o que se seguiu.

O fundamental da relacao religiao/supremacia esta na concepcao do deus que pertence `a pessoa humana. Por logica, Deus deveria ser a Pessoa Suprema e o ser humano apenas criatura, nao havendo diferenciacao entre uma criatura e outra. Acontece que as pessoas humanas sofrem comumente do defeito comportamental chamado de egocentrismo. Uma tendencia a colocar-se no centro e sentir-se superior aos outros por quaisquer pretexto.

Nos milenios anteriores ao inicio do I milenio as religioes foram adaptadas ao carater nacionalista. Assim, as concepcoes em torno da Pessoa Divina desenhavam-se sobre a uniao cultural das pessoas que formavam as nacoes. Para isso acontecer, invertia-se a equacao da relacao Criador/criatura. Ao inves de pensar-se que a criatura pertencia ao Criador, usava-se os termos: “o meu Deus” ou “o nosso Deus”, invertia-se a logica.

Consequencia disso e do sentimento egocentrico humano as religioes de epoca, inclusive o judaismo antigo, adotaram a concepcao miope de pessoas melhores que as outras, baseado no criterio religioso. Cada religiao dizia que todo aquele que acreditasse no seu “Deus” era uma pessoa melhor que aquelas que acreditavam em outros ou nao acreditassem. Neste sentido, o judaismo desenvolveu a teoria de “povo escolhido”.

Automaticamente este “escolhido” pode ser vinculado a uma forma de supremacia doentia. A pessoa que pensa que foi apontada pelo indicador de Deus para ser “escolhida”, e elimina a condicao de todos terem a mesma origem e a mesma missao, revela-se: nao escolhida, porem, egocentrica num quadro mais brando da doenca e egoista, num quadro mais grave.

Mas dentro do proprio judaismo houve a divisao em faccoes. Uns se imaginavam mais “escolhidos” que os outros. A Biblia crista aponta o dedo para um partido que se autodenominou Fariseu. Este acabou tornando-se vocabulo como o derivado farisaismo ou: aquele que pensa saber mais que os outros e eh praticante da hipocrisia. Outros partidos formavam o conjunto que se chamou judaismo.

No inicio do I milenio surgiu um partido que foi chamado de Caminho. Ele nasceu das concepcoes judaicas de que um dia Deus enviaria alguem com a missao de ensinar, libertar e apacentar o povo judeu e levar a paz aos outros povos. A esta figura os judeus chamavam de messias. Os gregos, cultura entao dominante e transferindo sua dominancia para Roma, traduziu o termo para cristo.

O Caminho nasceu das interpretacoes de seus lideres em relacao aos ensinamentos asseverados pelo profeta chamado Jesus. Jesus nasceu judeu e deu entendimento novo a boa parte dos fundamentos judaicos. Os interpretes do Caminho adotaram os ensinamentos dele e vincularam o exemplo de vida dele aos escritos judaicos. Jesus deu o enorme passo para o entendimento entre os povos, eliminando o conceito de “povo escolhido” e abrindo os bracos para conversao de todos de nacionalidades diferentes que aceitassem suas orientacoes.

Os judeus mais radicais, porem, nao aceitaram ser despojados de sua pretensa supremacia. Nao se deixariam comparar-se a outros povos em igualdade de condicoes. Isso levou `a separacao dos dois ramos. O numero de estrangeiros que se tornaram seguidores do Caminho tornou-se predominante. Logo em seguida passam a chamar-se cristaos, porque conceberam que Jesus teria sido o messias (cristo) enviado por Deus. Mesmo diante da perseguicao dos judeus tradicionais e do, entao, imperio dominante: Roma, o cristianismo tornou-se dominante no Ocidente cerca de 3 seculos apos seu surgimento.

Apos a adocao da religiao crista pelo Imperio Romano, o cristianismo foi usado para impor a supremacia religiosa sobre os povos dominados. Por decreto do imperador Constantino, aos poucos implantado por seus sucessores, a religiao tornou-se oficial e veio a ser proibido prestar culto a outras culturas religiosas. Porem, o culto cristao imposto por Roma sempre foi contestado, tendo sua supremacia quebrada no Ocidente somente a partir do evento conhecido como Reforma Protestante, pouco mais de um milenio apos ao cristianismo tornar-se oficial.

Contudo, os novos ramos nunca se libertaram de todo da ideia de supremacia. Mesmo apos cada ramo ter sucessivamente originado outros ramos e a cada epoca terem sofrido atualizacoes, todos os ramos permanecem no erro de pensar uns serem melhores que os outros perante `a Pessoa Divina. O pouco que se tem conseguido em remover este obstaculo ao crescimento da humanidade nas pessoas humanas reflete o esforco que se tem feito em favor de remove-lo.

Proximo a meio milenio depois do surgimento do cristianismo surgiu a religiao muculmana. O profeta que lancou esta semente chamava-se Mohammad, tambem conhecido na lingua portuguesa como Maome. Dai alguns dizerem maometismo em relacao ao seguimento.

Mohammad viveu em Meca, na Arabia Saudita, por onde passava uma rota comercial muito importante. A populacao local era preferencialmente paga. Muitos habitantes seguiam tanto o judaismo quanto o cristianismo. E sabe-se que havia dialogo intenso entre membros dessas religioes. Naturalmente, a populacao arabe local seguia outras tradicoes. Os membros dos tres ramos tinham conhecimento de descenderem de profeta mais antigo, chamado na Biblia de Abraao.

Mohammad fez uma releitura das tradicoes e conceitos religiosos. No entendimento dele, corrigiu muitas coisas erroneas do judaismo e cristianismo. Por causa desse entendimento automaticamente estabeleceu que os muculmanos teriam supremacia sobre judeus e cristaos. Um pensamento logico quando partindo da suposicao de que uma lei que corrige outras anteriores sera automaticamente melhor.

Os ensinamentos de Mohammad nao foram aceitos em Meca a principio. Foi obrigado a mudar-se para Medina, entao um oasis em meio ao deserto, onde converteu sua populacao. Voltou e conquistou Meca. Ao contrario do que se esperava `a epoca, de que se vingaria mandando exterminar os concidadaos, perdoou e com isso converteu tambem essa populacao.

Formou novo exercito e foi conquistando cidade por cidade, oferecendo antes a conversao. Os que aceitavam eram logo assimilados e adicionados `a forca armada que iria conquistar o proximo terreno. Mohammad faleceu antes de ver concluir a conquista do maior imperio religioso que existiu durante a Idade Media. Ligava o Extremo Oriente ate o Oeste Africano e Peninsula Iberica na Europa.

Apesar do sucesso, desde o inicio houve a dissensao. Os primeiros herdeiros desentenderam-se em decidir a quem seguir apos Mohammad. Desta forma a religiao foi dividida entre os ramos Sunita e Xiita. Da mesma forma como cristaos e judeus sao divididos em faccoes, eles tambem demonstraram a imperfeicao humana ao pensar que alguma forma ou outra de acreditar levam automaticamente a algum direito de supremacia. Inclusive entre os proprios ramos.

As outras religioes no mundo nao se apresentam diferente ao terem oculta ou reveladamente a ideia de supremacia sobre os outros. O mesmo se da em relacao `aqueles que nao acreditam pois pensam que o nao acreditar seja superior. Estes sao alguns detalhes que dificultam o relacionamento humano no sentindo de explorar o potencial de inteligencia da especie para a elevacao da sociedade como um todo.

Outra face da supremacia eh aquela que se deu devido as cores de pele. Nao ha indicios de que fosse tao preconceituosa em relacao `a tonalidade das cores de pele a visao dos seres humanos mais primitivos. Este sentimento de superioridade de uns em relacao a outros multiplicou-se a partir de fatos historicos que levaram `as discrepancias de desenvolvimento. Aqueles que se achavam mais civilizados que os outros desenvolveram o preconceito, menosprezando o proximo.

Durante o dominio muculmano sobre a Peninsula Iberica ja havia um convivio, guardados outros preconceitos, relativamente tolerante entre pessoas com diferentes tonalidades de pele e ate mesmo em relacao a religioes diferentes. Catolicos, muculmanos e judeus tinham suas diferencas politicas mas souberam manter um equilibrio porque observaram ser mais produtivo trabalhar pelos interesses comuns a todos que preocupar-se com as diferencas que eram insignificantes.

Mesmo apos a chegada dos espanhois e portugueses `as Americas houve um principio de admiracao pelas culturas nelas encontradas. Na America portuguesa o indigena foi considerado nobre local. Mas esta primeira impressao logo cedeu `a ambicao.

Os colonos europeus que chegaram ao Brasil, por exemplo, depararam com uma visao paradisiaca a ser construida. Viram a fertilidade do solo por um lado, coberto por uma vegetacao luxuriosa e valiosa, o que pareceu a eles requerer o trabalho de titans para que fossem transformados em campos abertos e cultivaveis, `a semelhanca do que se fazia na Europa. Quase ja nao existiam florestas na Europa porque a devastacao fora feita para substituir por campos cultivaveis para uma populacao cada vez maior e consumista.

Temendo o esforco herculeo que teriam que fazer, os colonizadores enxergaram o nativo brasileiro como capazes de fazer o que nao sentiam competencia para realizar. Nao era dificil para o indigena cortar e carregar arvores e foi atraido para esse trabalho em troca de instrumentos rusticos como machado, facoes e outras coisas que nao sabia produzir mas pensava ser-lhe util.

Os indigenas tinham uma cultura sem ambicao de possuir mais do que necessitavam. Estavam adaptados `a condicao de tirar da natureza o essencial para suas vidas e lhes parecia desrespeitoso agredi-la como queriam que eles fizessem. Assim, os colonos tentaram doma-los `a forca e escraviza-los. Ato falho, pois, ninguem aceitaria, se o pudesse, ser escravizado em seus proprios dominios.

Ato seguinte os povos ibericos solicitaram indulgencias ao papa para transportar escravos da Africa, baseados em decreto anterior que permitia a escravizacao de muculmanos que se recusassem `a conversao catolica. Estabelecido entao o retorno da escravidao criou-se o mito de que os africanos nao eram totalmente humanos e poderiam ser escravizados sem dor de consciencia. Mito logo absorvido por todas as culturas europeias.

Desde entao produziu-se a transferencia dos recursos produzidos pelo trabalho de uns para o beneficio de outros com maior facilidade. Na Africa a pessoa poderia ser de origem nobre local mas se fosse capturado e transportado para ser escravizada nas Americas perdia o valor de pessoa humana para tornar-se escrava. O contrario se dava em relacao a algum europeu que nao tivesse outro valor que nao fosse a cor branca de sua pele. Transportado para as Americas poderia tornar-se senhor das pessoas com peles diferentes.

`A medida que o colonialismo europeu se expandiu pelo mundo tambem as riquezas recolhidas foram sendo concentradas no continente das pessoas de pele branca e de carater duvidoso, pois, desenvolveram a sindrome da supremacia. No decorrer do colonilismo a supremacia foi afiando suas garras. `A medida que os proprios europeus se fixavam nas colonias e nelas deixaram suas descendencias, os europeus nativos que tinham permanecido na Europa passaram a enxerga-los com preconceito tambem, mesmo que fosse num grau menor em relacao aos de outras origens.

O nobre da terra passou a ser preterido em tudo que concorresse com outro europeu puro. Os favores dos reis europeus na governanca das colonias eram entregues preferencialmente a qualquer nativo europeu em detrimento do nativo das colonias. A alegada supremacia europeia acabou tornando-se a semente que mais tarde provocaria as independencias das colonias. Mas antes disso muito sangue foi derramado.

O colonialismo nao deu origem `a doenca da supremacia, porem, ele foi o responsavel inquestionavel pelo aumento da virulencia dela.

Ja no seculo XX a “supremacia branca” ou “ariana” mostrou seu aspecto mais agudo da doenca. Particularmente durante a II Guerra Mundial. E mesmo militarmente vencida nos campos de batalha o germe da doenca continua endemico na humanidade. Claro, a doenca torna-se mais facil de ser diagnosticada em grupos de pessoas que se unem em funcao da tonalidade branca de suas peles. Porem, fica mascarada em pessoas com outras tonalidades de pele, mas que manifestam preconceito contra pessoas culturamente diferentes delas.

Uma dessas mascaras usadas pela doenca sao os muros culturais da educacao escolar. Muitas pessoas que cursam escolas ate alcancar os niveis mais elevados tem a impressao errada de adquirirem um status de supremacia em relacao `aquelas que nao cursaram. Nao importa a elas o que eh sabido pelas pessoas esclarecidas no assunto de que, as pessoas humanas, guardadas excecoes, nascem e tem potenciais intelectuais semelhantes umas `as outras.

Contudo, o que faz saltar aos olhos sao as diferencas de oportunidades. Isso pode ser compreendido pelo exemplo de uma crianca ter nascido em familia cujos pais sejam professores e outra cujos pais sejam analfabetos. Nao ha uma relacao perfeitamente direta de que a filha de professores ira tornar-se alguem com curso superior e que a filha dos analfabetos nao sera alfabetizada.

Mas no conjunto de todas as criancas em condicoes semelhantes, chances serao de que as filhas de professores alcancarao em media muito mais conhecimentos em suas vidas do que as filhas dos analfabetos. Mas isso nao esta relacionado com o potencial de inteligencia nem com a tonalidade de pele. Isso pode ser comparado a uma disputa de corrida onde uns ja saem com a vantagem de precisar correr uma menor distancia que as outras. Nao eh uma imposicao da natureza e sim uma falha das sociedades humanas que as criaram.

Estudos indicam que nao existe diferenca maior no potencial das criancas quando nascem. Caso todas as criancas do mundo fossem nutricional e corretamente assistidas desde sua gestacao; guardadas as diferencas culturais, lhes fosse concedido um ensino escolar em nivel equivalente e as abilidades naturais de cada uma fossem respeitadas, e nao submetidas aos desvios de interesses sociais, todas poderiam desenvolver potenciais de tornar-se pessoas descentes, com nivel economico satisfatorio.

Sem haver a interferencia dos efeitos da supremacia doentia, grandes personalidades nasceriam dos meios desfavorecidos pela organizacao piramidal da sociedade.

A forma mais comum e visivel de supremacia no inicio do III milenio eh aquela ditada pela condicao economica. Ela aglutina as outras formas da mesma doenca. Os mais ricos no planeta Terra possuem pele branca em sua maioria. Descendem de pessoas que foram ricas no passado. Tiveram oportunidade de frequentar as melhores instituicoes de ensino. E com toda essa vantagem imaginam que o sucesso vem da meritocracia, ou seja, suas posicoes teriam sido conquistadas em funcao de meritos.

Ao se darem este voto de autoestima a maioria tambem demonstra o desprezo que sente em relacao `as pessoas das escalas sociais mais baixas. Pretender medir-se pela quantidade de dinheiro que ganham, esquecendo-se da historica desigualdade que as geracoes das outras pessoas sofreram, trata-se de quadro nao apenas doentio mas tambem de visivel desonestidade.

Chama-se desigualdade social a mais valia que os ricos se dao em detrimento do valor dado `a populacao desfavorecida. Ela eh fruto dos desvios cometidos por todas as geracoes da Historia anterior ao inicio do III milenio. Esta particularmente ligada `a definicoes de palavras como lideranca e chefia. No inicio do III milenio as duas palavras sao intencionalmente usadas com o intuito de provocar ilusoes.

A diferenca de significado entre as duas palavras envolve nao apenas definicoes mas principalmente consequencias. Chefia eh a forma que um chefe usa para dominar a comandados. Desta posicao o chefe tira seu proveito e distribui os premios de acordo com seus proprios interesses. Ao contrario de lideranca cuja funcao eh exercida por um lider. O lider nao manda, coordena. Ouve os interesses de todos e estuda com eles as estrategias para alcancar os objetivos. Ele ganha sua recompensa do quinhao de seus liderados, de forma justa nao por mais valia.

Seria muito dificil definir tais coisas em tao poucas palavras. Mas no inicio do III milenio torna-se evidente o que faz um chefe e o que faz um lider. Um criterio que os chefes usam para determinar quem ira acompanha-lo no comando eh a ambicao. Pessoas do inicio do III milenio sempre terao exemplos desse modo de agir por conhecimento de seus locais de trabalho. Muitos foram preteridos em relacao `a ascensao porque haviam os mais ambiciosos disputando a vaga.

O criterio do chefe torna-se facil explicar. Pessoas ambiciosas sempre irao procurar beneficios para si mesmas, portanto, o chefe, que tem um carater ambicioso tambem, sabe que outros ambiciosos farao o que ele deseja, sem escrupulos, em troca de favores ou valores. A consequencia visada nessa relacao eh o beneficio em especie.

Ja o lider escolhe seus auxiliares de acordo com o reconhecimento e a competencia. Os valores do beneficio nao sao o principal na relacao e sim a concretizacao de um objetivo. O principal objetivo eh alcancar um patamar que de retorno a todos os envolvidos e nao concentrar a renda em poucas maos.

No inicio do III milenio existe muita chefia e pouca lideranca. Muita riqueza tem sido gerada mas o controle dela reverte-se para poucos. E este eh o caminho que tem levado o carater humano `a destruicao.

 

20a. DEFINICAO: COMPLEXO DE VIRALATAS

Complexo de viralatas eh o oposto da supremacia e tambem um derivado dela. Viralatas eram quaisquer caninos muito conhecidos como SRD no jargao veterinario. Ou seja, sem raca definida. Eram animais de racas misturadas e sem aptidao especifica. A principio usados como caes de guarda ou de aviso quando a maioria absoluta da populacao brasileira vivia em zonas rurais. Com o crescimento das cidades e o descuido das pessoas, foram multiplicados nelas e muitas vezes abandonados tornando “caes vadios”.

Dizia-se dos viralatas que nao tinham pedigree, funcao e nem identidade. Este foi o sentido que o termo tomou e que desejaram impingir pejorativamente na populacao brasileira mais pobre.

O termo foi usado por muito tempo para definir um suposto complexo de inferioridade que o povo brasileiro teria em relacao a outros povos, principalmente aquele proveniente de paises industrializados. O brasileiro poderia ter desenvolvido tal doenca devido `as condicoes privilegiadas do pais, tendo um territorio imenso, recursos naturais sem igual em outras localidades e, mesmo assim, com a maioria de sua populacao pobre.

Contudo, o complexo de viralatas nao eh inerente nem `a pessoa humana e nem mesmo `a populacao pobre brasileira. Existe sim uma tendencia a sentir-se inferiorizada em relacao `aqueles que nao conseguem alcancar os padroes considerados superiores dentro das sociedades. As pessoas mais favorecidas das sociedades criam padroes que julgam superiores. Padroes estes que ja estao em seu alcance, portanto, nao precisam fazer esforco ou o fazem em menor escala para serem contempladas com a distincao de superioridade.

Estes padroes sempre impoem condicoes piramidais onde aqueles que ja sao privilegiados poderao alcancar o topo com apenas um passo, enquanto as pessoas da base da piramide so o alcancarao em casos excepcionais ja que nascem longe da linha de chegada. Alem disso, como o alcance desperta em um grande numero de pessoas da base o desejo de atingir o topo, havera competicao entre elas. Como as vagas sao minimas, necessariamente uns poucos alcancarao em detrimento dos outros. Se uma entre milhares alcancar o objetivo, todas acabam aceitando as condicoes injustas como justas, pois, pensam que realmente competiram e foram vencidas.

O complexo de viralatas existe em todo o mundo, pois, o mundo humano foi treinado para aceitar meio-justica, ou justica desviada, como algo justo. O nao alcancar o topo pode levar ao sentimento de perda, chamado de complexo de viralatas. Porem, o sentimento foi impingido `as populacoes mais pobres brasileiras para afirmar que a culpa pelo seu atraso era dela propria. Sempre que as crises se aproximam, geralmente provocadas pelas injusticas cometidas pelas elites, o jargao eh lembrado para insinuar ao povo sua condicao de, na verdade, bode expiatorio de todo mal que acontece.

A populacao pobre brasileira eh a que menos pode ser apontada como culpada. As culturas no mundo se basearam nos mesmos principios de supremacias e complexo de viralatas. A diferenca foi que algumas foram mais perversas que outras. E a situacao que corre dentro de um pais torna-se o espelho, e `as vezes consequencia, do que ocorre no globo como um todo.

Os paises industrializados e colonialistas representam as elites. Outros paises com menor poder de influencia representam a classe intermediaria. E a maioria representa a classe desfavorecida. Tambem os que primeiro alcancaram as riquezas procuram interferir com o desenvolvimento dos menos preparados, pois, querem mante-los na condicao de objetos a serem explorados.

O complexo de viralatas eh muitissimo visivel na Historia do Brasil, porem, perfeitamente vinculado `a sua elite e nao `a populacao pobre. A populacao pobre nunca liderou ou assumiu a chefia por razoes obvias. Em primeiro lugar a populacao pobre foi primariamente formada pelos escravos africanos e pelos nativobrasileiros. Eles nao escolheram ser pobres e massacrados. Foram forcados a isso. E aqueles que nao se submetiam eram sumariamente executados.

Mesmo aqueles que conquistaram suas liberdades, alforria em caso de escravos, nao podem ser acusados de culpa, pois, ha um principio da psicologia que afirma que “a tendencia do explorado eh tornar-se explorador, ou do abusado tornar-se abusador”. Naturalmente, muitos dos que sofrem a exploracao veem nela uma forma de libertar-se. As pessoas que vivem no mundo da exploracao acabam aceitando-a como regra, como natural, ate como justa.

Eh assim como um filho que sofreu espancamento pelos pais durante todo o periodo da formacao de sua personalidade. Quando chega a vez de ser pai ele dificilmente ira compreender outro caminho educativo que nao o espancamento. Passara a espancar e a orgulhar-se disso e dos pais. Aprendeu por assimilacao. Ele somente poderia mudar o comportamento se pudesse ter uma visao de consequencias.

Ou seja, se alguem conseguisse mostrar-lhe que os mesmos filhos que ele controla espancando poderiam ser tratados de forma alternativa e depois disso se tornariam cidadaos mais uteis para a sociedade, talvez abdicasse do metodo psicologico de espancamento. Mas os brasileiros do inicio do III milenio ainda nao se libertaram de todo dos ecos viciosos do passado.

O Brasil foi mantido como colonia de Portugal ate 1822. Porem herdou da metropole o carater viralata e predador. A elite brasileira era viralata quando era para encarar o mundo e predadora quando ia tratar com seu proprio povo. Tornou-se sucessivamente um lustrabotas do Imperio Ingles, do Imperio Frances e do Imperio Americano. A elite brasileira sempre despresou o que era produzido no pais, a nao ser aquilo que as metropoles deixavam produzir la porque nao concorriam com elas.

Durante toda a Historia Brasileira as elites orgulhavam-se de poderem comprar aquilo que saisse direto dos portos de Londres, Paris ou Nova Iorque. Mas isso somente era possivel a elas porque eram sustentadas pelo trabalho do operariado brasileiro e da classe media.

Nao existem razoes para conceber o comercio internacional como algo essencialmente ruim. Paises devem produzir coisas para suas populacoes. Mas a aptidao para produzir certos produtos poderao leva-los a produzir excedentes que podem e devem ser comercializados no mercado internacional. Os paises que nao produzem ou que produzem o mesmo produto em quantidades insuficientes devem concorrer para importar esse excedente. Eh algo normal e util para haver relacoes exteriores.

O que afeta aos paises empobrecidos foi suas elites terem escolhido seguir pensamentos diferentes desta logica. Um deles que afetou o desenvolvimento brasileiro foi o de enxergar a populacao pobre sem a humanidade necessaria.

O primeiro passo foi o de tratar o indigena como uma especie de escoria. Mesmo tendo os povos indigenas chegado primeiro ao territorio eles foram despojados de tudo o que possuiam e tomados por foras da lei. Contra os que nao se submetiam ao poder da supremacia branca houveram os decretos de exterminio. O africano foi forcado a trabalhar no Brasil na condicao de escravo, sofrendo os mesmos preconceitos.

A formacao das populacoes brasileiras iniciais foi basicamente atraves da mesticagem. A maioria dos imigrantes europeus, por razoes de dificuldade de travessia do Atlantico, era masculina. Assim, estes homens que nao queriam morrer celibatarios juntaram-se ou casaram-se com mulheres indigenas ou africanas. `A medida que novas levas de homens europeus foram chegando, as filhas mesticas tornaram-se as prediletas deles, fazendo com que algumas purificassem a descendencia mais para o lado europeu.

Ordem comum, no Periodo Colonial, os recem-chegados da Europa eram preferidos nas ocupacoes de cargos da monarquia e na aquisicao de patrimonios que era simbolizado pela donataria de terras. A imensidao territorial foi distribuida segundo o criterio de preferencia aos de pele mais clara.

Tanto durante o Periodo Colonial quanto no Imperial os senhores ricos procuravam escolher suas esposas entre as mulheres com maior semelhanca `as europeias. Especialmente durante o governo do imperador D. Pedro II, cuja corte ficou alarmada com a tendencia do povo ter herdado mais a pele escurecida que a branca. Desde entao entendeu-se que era necessario buscar mais imigrantes em paises europeus para embranquear a pele, como se essa condicao fosse automaticamente levar mais desenvolvimento ao pais.

Na verdade o espanto com a coloracao da pele do brasileiro e o preconceito oriundo da propria familia governante nao tinha outro motivo senao o fato de que a familia real era europeia e recentemente imigrante no pais. Nos anos seguintes a Revolucao Francesa (1789) a Europa viveu decadas de instabilidade culminando com as chamadas Guerras Napoleonicas. `As vesperas da invasao francesa a Portugal, o principe regente D. Joao teve que fugir `as pressas para o Brasil, onde toda a corte portuguesa conseguiu refugio, deixando a populacao portuguesa amargar toda a humilhacao decorrente da Invasao Francesa.

Apos ser coroado rei no Brasil, D. Joao VI sentiu-se recompensado por gozar da melhor hospitalidade, fascinio e orgulho que a populacao brasileira iludida oferecia ao fato de ser governada por uma corte europeia. As cortes portuguesas no entanto nao retribuiam com a mesma simpatia. Foram abusivas e logo demonstraram repugnancia pela gente brasileira. Desse asco reciproco foi que nasceram as primeiras manifestacoes republicanas.

Quando o imperador se viu obrigado a voltar para a Europa, apos a derrota de Napoleao, ja imaginava que a deposicao da monarquia seria uma questao de tempo. Mesmo assim deixou no pais o principe herdeiro com o aviso de que ele declarasse a Independencia do Brasil, “antes que algum aventureiro o faca”. Logo isso se deu. O principe Pedro e futuro Imperador do Brasil e rei de Portugal havia assimilado das cortes o desprezo pela populacao. Mesmo assim, quando dirigiu-se a Portugal para assumir seu trono, deixou seu herdeiro para assumir seu lugar mais tarde, pois, ainda era uma crianca.

Pedro II foi um imperador moderado quando se tratou de lidar com os aspectos politicos envolvendo as elites. Mesmo tendo nascido no Brasil nao desenvolveu o amor necessario para com seus suditos pobres. Tinha orgulho de sua condicao de branco e acreditava na supremacia europeia. Seu contato era com as elites. O povo, embora nao levado em conta, nutria pelos soberanos o fascinio que lembra o complexo de viralatas. Mesmo tratado com desdem, ficava feliz como um cachorro ao rever seu dono.

Ha que lembrar-se como, entao, o povo foi formado. A estrutura social brasileira lembrava muito o sistema senzala e casa grande. Casas grandes eram as sedes dos senhorios, onde residiam as familias mais poderosas. Elas possuiam escravos que eram alojados em compartimentos proximos `as casas grandes que muito se assemelhavam a prisoes em regime semiaberto. Os prisioneiros (escravos) de bom comportamento tinham a senzala como suas casas mas a qualquer desvio do comportamento desejado eram submetidos a castigos desumanos e postos a ferros.

A proximidade da casa grande com a senzala criou um relacionamento carnal entre senhores e escravos. O senhorio nao tinha limites. A cultura latina, da qual a portuguesa originou-se, era dominantemente machista. O homem era o centro e sua masculinidade era exibida por sua atividade sexual. As senhoras suas esposas nao tinham o direito a recusar-se a atender seus maridos em seus planos sexuais por qualquer que fosse o motivo. E quando havia algum impedimento em razao como o resguardo, o homem nao deixava de praticar sexo, senao com a esposa, as escravas eram o escape deles.

Destas unioes furtivas, que poderiam ser perpetradas tanto pelo senhor quanto seus filhos, pode-se dizer que nasceu grande parte da classe media brasileira. Ao redor da casa grande pelo menos foi assim. Das relacoes com as escravas poderiam nascer filhas. Estas poderiam ser reconhecidas e ser consideradas bons partidos para os brancos imigrantes da Europa ou mesmo brasileiros tradicionais. Ja os filhos tinham menos sorte. Continuariam nas senzalas mesmo que lhes fossem permitidos alguns privilegios como tornar-se feitores e capitaes-do-mato. Eles serviam como subchefes dos trabalhadores e usavam seus privilegios para explorar sexualmente as escravas.

Esta relacao promiscua era conhecida, porem, pela norma determinada pelo codigo de “bons costumes” so era comentada em sigilo. Escravos envergonhavam-se dos abusos sofridos mas nao tinham a quem recorrer. E os senhores sabiam que podiam contar com a cumplicidade dos proprios familiares, pois, se sentiam no direito de dispor de seus escravos como desejassem.

A relacao contudo pode ser medida com o desenvolvimento das ciencias geneticas. Mais de 50% da populacao masculina afrobrasileira porta o cromossoma Y de origem europeia. Porcentagem semelhante eh encontrada de cromossomas X da populacao considerada eurodescendente brasileira em geral. A maior porcentagem deste cromossoma eh de origem africana, demonstrando sua origem escrava.

Em resumo, a populacao afrobrasileira teve ancestrais europeus e a populacao eurodescendente teve ancestrais africanos. O que distingue uma populacao da outra eh o fato de uns terem sido selecionados de acordo com caracteristicas mais europeias e outros mais africanas. Ambas as populacoes descendem dos mesmos ancestrais.

Evidentemente que tambem descendem da populacao indigena mas essa ascendencia pode ser remota, datando dos tres primeiros seculos de colonizacao europeia, ou recente e verificavel atraves dos tracos fisicos mantidos na populacao. As populacoes com ancestrais indigenas mais recentes esta mais concentrada nas regioes Norte e Nordeste do pais. Mas muito dela migrou para os estados do centro-sul.

Como os brasileiros perderam o bonde do desenvolvimento pode ser explicado com relativamente poucas linhas. Iniciando-se a partir de 1870, houve naquele ano o primeiro censo demografico. Foram contadas cerca de 10 milhoes de pessoas. Obviamente este foi um calculo incorrento pois nao se levou em conta indigenas que ainda nao haviam sido contatados. Mas a margem de erro que eles adicionariam nao conta com porcentagem acima de 10%.

Naquele ano as populacoes brasileiras estavam ainda concentradas em areas de colonizacao tradicional. Era maior no litoral rarefazendo `a medida que se afastava do Oceano Atlantico. Excecao unica se dava na linha de cidades historicas do Estado de Minas Gerais, situadas nos caminhos da Serra do Espinhaco, onde a descoberta de ouro e pedras preciosas haviam atraido populacoes maiores desde o inicio dos anos 1700.

Entao, a populacao brasileira continuou sua lenta expansao demografica e ocupando areas do territorio cada vez mais a oeste do pais. Ate aos anos 1970 essa foi a solucao que os chefes encontraram para buscar um pretenso desenvolvimento. Pretenso porque nao era o caminho correto a seguir.

Nao ha no censo de 1870 uma descricao melhor de como se compunha a populacao. Mas ha uma informacao de outra fonte que elucida melhor sua composicao. Desde os anos 1830 fora criada no Brasil a instituicao conhecida com Guarda Nacional. Foi uma forma de atrelar a porcao economicamente dominante `a monarquia. Para ser membro da Guarda Nacional era preciso ser do sexo masculino e possuir renda monetaria. Participar significava ter direito a voto e a poder ser votado.

A Guarda Nacional era composta por cerca de 600.000 homens. Uma pequena parte da populacao que possuia renda era excluida. Eram os militares e membros do clero. As forcas armadas brasileiras eram formadas por cerca de 25.000 efetivos. Isso incluia ate criancas, por nao haver nenhum tratado contrario. Mesmo parte das pessoas do clero possuiam patentes da Guarda Nacional pois as adquiriam antes de ordenar-se.

Estes numeros indicam a formacao da elite e classe media brasileira `a epoca. Contando-se esposas e filhos destes homens eles deverao formar entre um terco e metade da populacao contada. Era a forca economica e politica do pais, embora nao fosse a forca de producao ja que os escravos teriam que ser incluidos nessa segunda classificacao. Uma parte da forca economica era formada por escravos libertos e descendentes. Mas a essa parte nao era dado forca politica.

O Brasil naquele tempo vivia imerso num clima medieval. O sistema social era muito semelhante. Haviam os suseranos e seus familiares, representados pelo imperador e a nobreza; os vassalos que eram formados pelos subalternos e os servicais pagos e os servicais escravos. Nao haviam grandes cidades, nao havia industrializacao e a classe operaria era quase que absolutamente analfabeta.

A burguesia rica era totalmente dependente da escravidao. Mesmo tendo sido proibido o trafico internacional de escravos e os outros paises das Americas tivessem emancipado seus escravos, a elite brasileira relutou em libertar os seus. 18 anos se seguiram ate que a filha do imperador, Isabel, aproveitou-se de um momento em que esteve na regencia para assinar a Lei da Abolicao.

As consequencias vieram em seguida. As classes dominantes se uniram ao grito antigo das ruas que reclamava liberdade para os escravos e Proclamacao da Republica. A mudanca de lado de monarquista para republicano deveu-se apenas `a oportunidade e nao ao pendor. Os velhos monarquistas sabiam que nao sustentariam nem mesmo a si mesmos, sem os escravos, se nao segurassem o poder em suas maos, portanto, tornar-se republicano transformou-se em questao de vida ou morte.

Mas ato continuo eles mostraram ao que haviam vindo. Os escravos libertos nao queriam retornar ao trabalho desumano que haviam sido submetidos por senhores mais crueis. Somente alguns mantiveram seus ex-escravos como empregados porque ja haviam adotado atitudes mais humanas antes da abolicao.

Mas as elites escravagistas nao reconheceram que haviam sido erradas durante toda a Historia. Caso tivessem reconhecido poderiam ter procurado manter e treinar seus ex-escravos para se tornarem funcionarios pagos e rentaveis. A solucao escolhida, porem, foi investir na importacao de trabalhadores pobres dos paises europeus e do Japao. A iniciativa tinha a intencao de continuar a politica do imperio de embranquecer a pele dos brasileiros.

O ilusionismo era o de trazer pessoas de culturas mais desenvolvidas para que o pais importasse dons trabalhados e entrasse em uma nova era de desenvolvimento. Mas se os recem-chegados nao tivessem sido rebeldes eles acabariam sendo submetidos ao regime medieval vigente no pais. Os ex-escravos foram abandonados `as suas proprias sortes. Continuaram analfabetos, aceitando qualquer subemprego por questao de sobrevivencia.

Nao ha o que contrapor a atracao de imigrantes no exterior e o investimento na formacao dos ex-escravos. As duas opcoes poderiam ter sido feitas simultaneamente, porem, houve muito investimento na introducao dos imigrantes e nenhum na formacao profissional e educacional dos ex-escravos. Se os imigrantes eram analfabetos em seus paises de origem, no Brasil nao iriam ter melhor destino. A busca por eles foi por puro preconceito e retaliacao aos pobres ex-escravos. Uma atitude destrutiva cuja vitima tornou-se o proprio pais.

A incapacidade das elites brasileiras governarem a favor do conjunto da sociedade pode bem ser traduzido por diversos fatos em sua Historia, como os conhecidos: Revolta da Chibata e Revolta de Canudos. A Revolta de Canudos torna-se emblematica de qual foi a “solucao” encontrada pelas elites para acabar com os “problemas” do pais. Narrada no livro: “Os Sertoes”, do jornalista Euclides da Cunha eh um retrato escrito da crueldade e preconceito.

A Revolta de Canudos teve nao apenas um chefe mistico e alienado. Descricoes do seu comportamento dao a entender que portava alguma deficiencia mental. Porem, o que girava em torno da revolta em si nao tinha vinculos com a situacao de saude mental dele. O desafio ali plantado era o eterno abandono no qual o povo pobre se encontrava e se agravava em muito, periodicamente, com as secas que atingem o sertao nordestino.

Eh celebre a literatura abordando o problema que mistura seca, pobreza e exploracao do cidadao mais fraco. Quando houve a revolta nao se questionou do que ela era derivada. Logo foi enviada contra os revoltosos forcas armadas. E o insucesso das primeiras tentativas em subjugar os revoltosos tornou-se raiva e mais preconceito. A terceira tentativa foi acompanhada de exterminio cru e cruel. Essa havia sido a tematica do colonialismo e a republica, entao ha pouco implantada, seguia o mesmo roteiro.

Nao se considerava de importancia dialogo algum. Revoltar contra quaisquer desmandos era interpretado como desrespeito `a autoridade. Subjugado o povo, abria-se por outro lado as portas da libertinagem coronelesca. Desde que os mandantes politicos locais tivessem amizades nos mais altos escaloes dos governos centrais, lhes era dado abusar de seus concidadaos pobres.

Nao eh sem razao que o povo nordestino eh vinculado `a violencia entre si. Dentro do pais talvez seja a area onde ocorreu o maior volume de todos os tipos de abusos. A populacao foi empobrecida em razoes da natureza e embrutecida por abusos de suas elites. Por decadas a unica assistencia que conseguia era se tivesse dinheiro para pagar uma passagem numa carroceria de caminhao desde seu torrao natal ate aos estados sulistas. Onde, a principio, a vida era mais amena.

Essa eh a populacao mais antiga do pais, descendendo simultaneamente de nativos, africanos e europeus. As caracteristicas fisicas do cidadao nordestino pobre lhe da uma aparencia variada. Mas a predominancia eh o da pessoa de baixa estatura, olhos amendoados, rosto arredondado, pele morena, cabelos corridos e escuros e outros detalhes que recordam um intermediario entre o cidadao portugues e os nativos brasileiros, porem, com pele mais escura.

O proceder das elites no Brasil sempre foi a tentativa de domar e sufocar suas populacoes pobres. Nunca o de investir em sua educacao escolar e lhe dar condicoes de seguir seu futuro por propria vontade.

A escolha da elite brasileira foi a de permanecer com sua chamada: vocacao agricola. Desde quando os portugueses comecaram a colonizacao no pais essa foi a tematica. Procuraram-se minerais preciosos. Lendas existiam de haver riquezas imensuraveis no interior do continente. Mas a colonizacao se firmou com as plantacoes de cana-de-acucar. E foi do trabalho descomunal exigido que surgiram a casa grande e a senzala.

A principio, o acucar valia tanto quanto as especiarias, portanto, houve um progresso suportado por este plantio. Com a queda do preco do acucar no segundo seculo de sua exploracao no pais a colonizacao prosseguiu sem maiores assaltos. No abrir dos anos 1700 houve a corrida do ouro no Estado de Minas Gerais. Dai houve novo salto de migracao e uma maior sustentabilidade da economia.

Finda a aventura aurifera houve novo repouso. Ja na epoca do Imperio foram introduzidas as grandes plantacoes de cafe. Foi novo produto de exportacao e que sustentou a economia por tempo mais prolongado. Mas a base do sistema social sempre foi a exploracao da mao de obra escrava e dos cidadaos mais pobres. O pais era habitado pelos muito ricos e pelos despossuidos. Mesmo a classe media poderia considerar-se rica diante dos pobres desafortunados.

A partir da descoberta das imensas jazidas de minerio de ferro no Estado de Minas Gerais, em torno do ano de 1900, a riqueza exportadora do Brasil dormiu sobre o tripe: acucar, cafe e ferro. O mais tudo podia ser produzido, porem, de pouco resultado comercial. Existiam terras sobrando. Os ricos eram donos de terras imensas. As populacoes nao chegavam a fazer pressao em nenhuma cidade do pais, pois, todas eram pequenas.

No final de cada geracao em que a descendencia dos senhores de terra iriam partilhar as terras entre si, muitos concluiam ser melhor seguir o caminho da expansao da fronteira agricola onde aqueles que tinham mais recursos poderiam abrir novas fazendas. Este sistema era suficiente para as elites. Por essa razao nunca pensaram no bem estar da populacao pobre. As elites precisavam dos pobres para fazer o trabalho forcado. E leva-los consigo para as fronteiras agricolas mais distantes era considerado ate mesmo um favor.

Mas esse sistema apenas exploratorio deu tambem mostras de cansaco. As fronteiras agricolas tornaram-se muito distantes. As comunicacoes eram precarissimas. Pouco se fazia a favor de criar-se meios de transporte mais eficientes. Tudo era transportado em lombo de animais. A propria descendencia dos ricos multiplicou-se de tal maneira que as propriedades por elas herdadas foram reduzindo-se, mal dando para que cuidassem de suas familias.

Desde o inicio do seculo XX algumas coisas comecaram a mudar no Brasil nem tanto pela acao de seus governantes. Logo no inicio houve a I Guerra Mundial que atingiu em primeira mao o coracao europeu. Muitas pessoas nao suportaram mais viver no continente e migrou para as Americas indo uma parte estabelecer-se no Brasil. Outras areas atingidas como aquela, dominadas pelo antigo Imperio Otomano, tambem emitiu levas de migrantes.

Estas levas de novos imigrantes juntaram-se a parte daquela que havia sido importada para substituir os escravos. A parte Sul do Brasil foi europeizada. Mas o local preferido para moradia por essa populacao foi o Estado de Sao Paulo. Os de Minas Gerais e Rio de Janeiro tambem receberam parcela destes imigrantes. A concentracao populacional na Cidade de Sao Paulo acabou levando a uma faisca que deu inicio a alguma industrializacao. Em breve a cidade virou uma metropole que atraiu gente de todo o Brasil e do exterior. Virou o exemplo do cosmopolitanismo brasileiro.

A caracteristica da industrializacao inicial brasileira eh a insipiencia. A estrutura era provisoria e amadora. A producao, porem, nao demandava grandes sofisticacoes, pois, era voltada para o publico nacional e pouco acostumado a consumir luxo. O luxo era todo importado e consumido apenas pelos ricos. Como a classe patronal ainda se inspirava no modelo escravocrata, logo surgiram tambem os movimentos sindicais para reinvindicar melhorias.

Novamente, a opcao das elites nao era pelo dialogo e sim pela imposicao de suas vontades. Mesmo assim houveram ganhos por parte da classe trabalhadora, especialmente apos `a II Grande Guerra. Como a populacao estava se multiplicando exponencialmente e o termino da guerra levou a um periodo de ampliacao do consumo a nivel global, algumas cidades brasileiras experimentaram crescimento acelerado.

Logo Sao Paulo passou a constar entre as maiores megalopolis do mundo. O Rio de Janeiro tambem teve seu periodo de crescimento rapido. Belo Horizonte, Salvador e Porto Alegre foram manquitolando atras. Com o crescimento dessas cidades, e mais algumas outras, as politicas governamentais elitistas se voltaram para elas. Se algum beneficio tinha que ser feito pelo povo, este era primeiro e de melhor qualidade dirigido a tais cidades polos.

Com isso, a industrializacao, a educacao, a saude, as comunicacoes, os empregos e outros beneficios disponiveis foram atraindo cada vez mais moradores. O interior abandonado passou a esvaziar-se a olhos vistos. Com o tempo, uma populacao que era dominantemente agraria tornou-se, no espaco de uma geracao, urbana. Porem as condicoes de vida nas cidades grandes deterioraram justamente em funcao do inchaco populacional e a clara falta de planejamento do desenvolvimento do pais.

Apesar disso, as condicoes de vida no interior deixaram de oferecer melhores perspectivas economicas. Tambem na parte de conhecimento o ensino superior foi aglutinado em polos de educacao. Ate ao inicio do seculo XX, a migracao brasileira era no sentido dos centros urbanos para as novas fronteiras agricolas. A partir da metade daquele seculo o sentido inverteu-se. As pessoas do interior perceberam que permanecer no interior seria sacrificar o futuro melhor para os filhos. Permaneciam apenas os que tinham condicoes estaveis, ou aqueles que tiveram medo de tentar uma sorte melhor.

O pais nao desenvolveu industrias de ponta proprias. Houveram apenas tres setores que foram desenvolvidos por brasileiros. Eles foram a petroquimica, a mineralogica e a de energia hidreletrica. Estes tres setores contudo somente se desenvolveram gracas `a pressao de movimentos populares nacionalistas porque, se dependesse da vontade das elites, os setores seriam entregues a multinacionais estrangeiras. Por vontade popular foram criadas as grandes empresas estatais que cuidaram desses setores.

Em nenhum momento, porem, as escolhas foram feitas pela populacao menos favorecida. As escolhas sempre foram feitas pelas elites. Inclusive a de optar-se por abrir o mercado para multinacionais estrangeiras e nao esforcar-se por construir alguma concorrencia genuinamente nacional. Para isso acontecer, teria sido necessario ter-se investido mais na educacao da populacao como um todo e dar-lhe um poder aquisitivo compativel, o que era contrario ao pensamento medieval dominante no Brasil.

Inclusive apos ultrapassar a metade do seculo XX, mais da metade da populacao brasileira era analfabeta. Os salarios que ja eram menores foram gradativamente sendo achatados. Nestas condicoes o pais teve um potencial de demanda incalculavel. A pobreza alastrou-se por todos os cantos. Mesmo a parte das familias descendentes das pessoas que haviam sido as mais abastadas num passado recente empobreceram.

Neste quadro, os descendentes dos antigos escravos tornaram-se os mais prejudicados juntamente com os descendentes dos nativobrasileiros. Parte da populacao de origem mais europeia veio a experimentar os maus momentos que fizeram seus ancestrais europeus optar por migrar para o Brasil. No final do seculo XX passou a ser dito que a melhor saida para o brasileiro era a saida do aeroporto. Como este foi um periodo de crescimento nos paises industrializados, abriu-se a porta para a migracao dos brasileiros em busca de melhores dias.

O grande desafio que os brasileiros tinham, fora o de desenvolver sua industrializacao propria. A que se deu no pais foi atraves da introducao de multinacionais de outras origens. No Brasil existe industria de veiculos automotores, equipamentos eletronicos e maquinas para todas as necessidades. Muito pouca coisa eh propria. Tudo o mais intermediario existe, porem, sob licenca estrangeira.

Tudo porque as elites desejaram cortar caminho. Ao inves de iniciar por meio da educacao e melhorar a remuneracao, lhe parecia mais facil a importacao. Durante o periodo do neocolonialismo o Brasil deve ter transferico economias para os paises industrializados mais que o suficiente para formar doutoras todas as suas criancas. A riqueza nao faltava. Faltava inteligencia nas elites.

No inicio do III milenio a situacao teve uma ligeira melhora. Mas o pais perdeu tanto tempo adotando as politicas erradas que teriam que passar-se geracoes antes de encontrar-se uma formula magica de colocar o Brasil a nivel de pais desenvolvido. Para isso teria que reinventar todo um modus vivendi para a especie humana. Enquanto depender da industrializacao estrangeira sera controlado pelo que eh decidido fora de suas fronteiras. E eh obvio que nada decidido de fora para dentro sera bom para o pais, pois, todos querem tirar primeiro o seu proveito para depois distribuir o que sobrar.

Nisso consiste o atraso brasileiro e a razao de pela qual o brasileiro comum nao sofre do complexo de viralatas. Os que sofrem sao suas elites. Elas sao as que creem no sistema de supremacia. Elas eh que aceitam a suserania dos paises industrializados. Elas foram quem escolheram transformar um pais com a capacidade de liderar em uma colonia vassala.

O povo nunca teve escolha. Foi e continua ate ao inicio do III milenio forcado a sujeitar-se ao que lhe mandam fazer. O povo nem sabe o que eh complexo de viralatas. Foi acostumado a considerar-se inferior. A esperar por chefes ou lideres que lhe indicassem o caminho. Nunca teve a mente aberta para andar por suas proprias pernas e pescar o seu proprio peixe. As elites que o conduziram eh que falharam por causa do complexo de viralatas delas.

Quando alguem no Brasil diz o povo brasileiro tem complexo de viralatas, normalmente isso pode ser traduzido pela frase: “Ele nao votou no mesmo candidato que eu.” Estes sim tem complexos de viralatas, pois, pensam que conhecem as respostas mas quando vencem as eleicoes votam nas mesmas elites que sempre se colocaram contrarias aos interesses do povo.

No Brasil se diz que “errar eh humano mas permanecer no erro eh burrice”. Era preciso que as pessoas deixassem de confiar em suas elites e associar-se mais ao seu povo. Talvez se ouvisse mais o povo pudesse compreender a sabedoria que emana do povo e tambem conquistasse-lhe a confianca para obter dele o voto e, entao, endireitar os caminhos do pais.

Este eh, em resumo, a Grande Historia do Brasil. Mas se todos os povos le-la observarao o que de semelhante existe com as historias de todos. Util seria conhecer a Historia para redirecionar os caminhos para um destino melhor para todos.

No primeiro quarto do seculo XXI os Estados Unidos foram superados pela China como a maior economia do mundo. O PIB chines ultrapassou o estadunidense. A populacao dos Estados Unidos experimentou o gosto do complexo de viralatas. No entendimento emocional da populacao a perda do primeiro lugar soou mais forte que sua renda per capita muito superior. E isso desencadeou muitos dos fatos que nao serao recordados nestes escritos, pois, nao se deve falar de futuro como se ele ja tivesse acontecido.

Nos ultimos anos do II milenio os brasileiros puderam observar como a elite concebe um mundo exclusivo para ela propria. Mas essas coisas so puderam ser melhor observadas por aqueles que tinham conhecimentos dos acontecimentos globais. Naqueles anos surgiu um movimento conhecido como neoliberal. O objetivo principal era o de encolher o poder dos governantes e submete-los ao poder economico.

Alias isso era algo quase ja concretizado, pois, o poder economico atraves de proprios representantes ou de fantoches junto aos partidos politicos estavam trabalhando para isso. Mas o metodo de influir atraves de lobbies e de votos marcados tornou-se relativamente custoso e incerto, pois, quando algumas pecas do xadrez politico estavam em seus lugares sempre havia algo que fazia descarrilhar alguns vagoes deste trem.

O Brasil, embora fraco mas sendo uma peca importante no xadrez, foi um desses descarrilhamentos. E foi gracas `a tentativa de reduzir o poder do Estado, repassando para a iniciativa privada aquilo que havia sido construido como estatal nas geracoes anteriores, que provocou este acidente. Tentaram privatizar todos os setores sob o dominio do Estado, conseguindo faze-lo pelo menos na area de mineralogia, repassando `a iniciativa privada a Companhia Vale do Rio Doce, que controlava a maior porcentagem do setor mineralogico do pais. Faltou-lhes tempo para fazer o mesmo com o setor pretrolifero e o de energia.

Para compreender-se tal manobra basta imaginar um pais das proporcoes do Brasil, governado por pessoas cujo poder de decisao se tornasse equivalente aos governantes de Andorra! Naturalmente, essas pessoas antes de tomar qualquer decisao importante para a administracao do pais teriam que solicitar anuencia aos donos do dinheiro, invertendo-se a ordem natural da democracia, ja que em democracias o poder do povo eh passado aos governos e nao a seus empresarios que nao sao eleitos.

Esse excesso de liberalidade, um eufemismo para libertinagem, acabou se tornando lenha na fogueira que elegeu a oposicao. Os planos acabaram nao se concretizando, porem, nao foram abandonados. A batalha travada entre os defensores de um Estado com poder superior `as instituicoes economicas contra os defensores do oposto ira durar por algum tempo durante este inicio de III milenio.

Mas a besta do capitalismo predador esta sempre vigilante e eh paciente. E os pecados dos bons conspiram a favor dos projetos dela.

GENEALIDADE E GENEALOGIA DE ARY BARROSO

April 14, 2014

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1. GENEALOGIA

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2. RELIGIAO

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3. OPINIAO

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4. MANIFESTO FEMINISTA

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5. POLITICA BRASILEIRA

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6. MISTO

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7. IN INGLISH

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http://val51mabar.wordpress.com/2009/09/25/about-the-third-and-last-testament/

http://val51mabar.wordpress.com/2009/09/12/the-third-and-last-testament/

8. IMIGRACAO

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GENEALIDADE E GENEALOGIA DE ARY BARROSO

INDICE

01. INTRODUCAO
02. GENEALOGIA BARROSO
03. PROGNOSTICOS E CONCLUSOES
04. MOACIR NUNES BARROSO, O SUPER BARROSO TURBINADO COELHO
05. EXTENSAO
06. VIA DOLOROSA
07. GENEALOGIA COMPRIMIDA DAS FAMILIAS DOS VIDALONGAS
08. MISCELANIA

01. INTRODUCAO

O projeto de estudarmos as genealogias dos parentes de nossos parentes esta dando bons frutos. Dedicarei este capitulo mais aos Barroso, porem, pelo que nos foi disponibilizado, ja posso prever que: a Familia Barroso que multiplicou-se a partir do Serro e Sabinopolis devera ser uma das mais numerosas da regiao, portanto, estara entre as mais misturadas com as outras. Particularmente, com nossos parentes.

Nasci e cresci ouvindo, vez por outra, que o sobrrenome Barroso estava presente em Virginopolis. Porem, talvez por causa do longo tempo entre a minha infancia e a atualidade, fugia-me `a persepcao quem poderia porta-lo ou se-lo sem te-lo.

Essa situacao comecou a modificar-se a partir de dialogos que tenho mantido com o juiz aposentado da Comarca de Virginopolis, o Dr. Jose Geraldo Braga da Rocha. A gente ja tem encontrado vinculos familiares entre pessoas de Pecanha e Virginopolis. Inclusive ele proprio tem como ancestrais pessoas que usaram o sobrenome Barbalho. Embora ainda nao foi possivel estabelecermos os vinculos por esta via entre nos.

Tem participado de nossos dialogos a prima dele, Marina Raimunda Braga Leao. Alem de escrever e estar em vias de publicar um livro, ela eh a genealogista “oficial” das familias de Pecanha, as quais estao bastante entrelacadas com outras: de Sao Pedro do Suacui, Cantagalo, do distrito de Santa Tereza do Bonito e cercanias. Igualmente, como sao familias que estao na regiao ha quase 2 seculos, havera que se imaginar que estao enraizadas nao apenas na circunvizinhanca mas tambem em todas as urbes que atrairam migrantes mineiros como: Governador Valadares, Ipatinga, Belo Horizonte, Brasilia, Rio de Janeiro, Sao Paulo, Nova Iorque, Lisboa, Boston e por ai vai.

Mas do dialogo com do Dr. Jose Geraldo ele revelou-me que a esposa, dona Maria das Gracas, alem de prima dele proprio, tambem era sobrinha da dona Dinah Barroso Moreira, esposa do senhor Antonio Moreira (ambos falecidos). Claro, o casal desperta logo a simpatia de virginopolitanos com idade semelhante a minha ou mesmo mais novos. Desde a minha mais tenra idade os conheci residindo entre meus parentes e amigos destes. Alem disso, as filhas Railda e Margarida tornaram-se esposas dos tio Ozanan de Magalhaes Barbalho e primo Lincoln Antonio Lucio, respectivamente. O que eu nao recordava foi que dona Dinah assinava Barroso antes do Moreira via casamento.

Em nossas conversas foi antecipado o parentesco que ha entre o Barroso local e aquele que procede do famoso estadista Sabino Alves Barroso Junior e tambem da super estrela da musica popular brasileira (melhor dizendo: mundial) Ary de Resende Barroso. Observo que a vida toda o Ary foi conhecido pelo nome por extenso como Ary Evangelista Barroso. Encontrei a mudanca nas ultimas linhas da biografia do Ary, no endereco: http://www.dicionariompb.com.br/ary-barroso/biografia. Por logica penso que o de Resende Barroso seria mesmo o mais apropriado.

Mas o assunto que nos levou a este ponto foi o potencial parentesco que existia entre nossos familiares. Dona Maria das Gracas teve como pai a Enio Nunes Barroso, irmao da dona Dinah. E os avos se chamavam Benicio Alves Barroso e dona Knesvita Nunes Coelho. De imediato ja poderiamos afirmar que algum grau de parentesco existe entre nos, mas falta-nos descobrir qual, porque nao sabemos ainda como dona Knesvita entra na Arvore Genealogica do ramo Nunes Coelho. Por enquanto, a unica coisa inegavel eh o parentesco, a duvida paira sobre o grau.

Dr. Jose Geraldo mencionou-me um livro que possui onde haviam dados genealogicos da Familia Barroso. Mas como ele nao o encontrou, o assunto nao iria para frente. Contudo resolvi pedir uma ajudazinha `a amiga Joselia Barroso Queiroz Lima. A lista de nomes de primeiro moradores de Sabinopolis que deu origem ao capitulo 08 do texto: http://val51mabar.wordpress.com/2013/12/06/genealogias-de-familias-tradicionais-de-virginopolis/, havia sido extraida de um trabalho dela. Tese esta que pode ser lida no endereco: http://www.pucminas.br/documentos/dissertacoes_joselia_barroso.pdf.

Confesso que nao havia lido o trabalho na integra. Somente agora pude associar os nomes na dissertacao `a genealogia. O que corresponde em boa parte aos parentes e ancestrais dela. Posteriormente procurei-a no Facebook e ela tem paciente e graciosamente tolerado a minha vontade irriquieta de saber de tudo. E foi essa uma mensagem que lhe enviei:

Oi Joselia,

Desculpe incomodar de novo. Mas estou tentando descobrir uns detalhes da genealogia em Virginopolis que se liga a Sabinopolis.

Alias, a coisa toda deve passar por sua casa tambem. Eh que temos um casal que por enquanto esta sem os pais. Sao eles Benicio Alves Barroso e dona Knesvita Nunes Coelho.

Ele nasceu em Sabinopolis. E segundo o Dr. Jose Geraldo (juiz aposentado de Virginopolis), era parente do Ary Barroso. Imagina que seja do deputado Sabino Barroso tambem. Encontrei umas informacoes soltas no site do Santuario do Caraca, porque alguem estudou la. [ESTUDARAM NO CARACA OS IRMAOS IGNACIO E SABINO JUNIOR. TAMBEM ENCONTREI A MENCAO AO JOAO EVANGELISTA MAS ESTE NAO SE ENCONTRA NA LISTA DE EX-ALUNOS DO SANTUARIO]

Quem desejar fazer visita `a lista para encontrar parentes, pode acessar: http://www.santuariodocaraca.com.br/ex-alunos/.

Os Barroso em Virginopolis incluem a Familia do tio Ozanan de Magalhaes Barbalho. Os filhos dele sao bisnetos do sr. Benicio. Ja a esposa do Dr. Ze Geraldo eh neta.

Estou sendo ajudado pela Marina Raimunda Braga Leao nos dados de Pecanha. Ela eh prima do Dr. Ze Geraldo. E os dois podem ser seus primos tambem, pois, sao Queiroz, mesmo sem assinar.

Eh justamente o que venho prevendo. No fundo, todos nos teremos alguma ligacao uns com os outros. Gostaria de chegar ao ponto de saber como se forma o nucleo Barroso em Sabinopolis, pois, penso que as chances de eles terem parte de Pereira do Amaral ou Borges Monteiro eh muito grande. E ai serao meus parentes consanguineos, nao apenas afins.

Obrigado, e grande abraco.

Valquirio.

Polidamente minha interlocutora mencionou que anda super atarefada por razoes de trabalho, dai nao havia respondido a questoes anteriores. Alem disso, revelou ser descendente do Ary Barroso. Fiquei entre o queixo quebrado e a expressao: deve estar brincando comigo! Somente depois foi que pude desembolar meus neuronios e raciocinar que nao havia motivo para brincadeira. Alias ate onde ja sei, o descendente alegado nao se trata do sentido biologico e sim geracional, ou seja, a avo dela era irma do pai do Ary. Este era de geracao ascendente `a dela, pois, era primo em primeiro grau de sua mae. E o pai acrescenta mais parentesco.

E a surpresa faz parte da nossa ignorancia. A gente pensa no Ary como o idolo e logo o coloca em um pedestal. Dai, por ele ser uma pessoa do passado ja quase o tem como deus, que esta nas alturas, e se torna intocavel. Muitas vezes a gente esquece que, por maior que seja, as personalidades nao deixam de ser pessoas. Se o Ary fosse crianca em nosso tempo e frequentasse escola conosco, a gente o teria como pessoa absolutamente comum, nunca enxergariamos o que ele seria quando crescesse.

No caso do Ary, pela biografia de infancia e pelo tempo em que viveu, devera ter ouvido algumas vezes a expressao: “Este moleque nao vai dar nada na vida!”. O tempo sempre mostra como eh va a prognosticacao humana! Alias, todos nos somos especiais como ele. Vamos supor que ao inves de musico ele tivesse se tornado um eximio seleiro, profissao muito comum `aquela epoca.

Poderia ter feito trabalhos maravilhosos, equiparaveis `as musicas que compos. A diferenca seria que o Ary artista das selas nao teria a mesma expressao que o Ary compositor, simplesmente porque nossa sociedade eh defectiva, valoriza alguns trabalhos e menospreza outros, mesmo que todos sejam imprescindiveis a seu tempo. O Ary seleiro nao seria menos importante que o Ary compositor. Assim como nos deveriamos ser melhor valorizados pelo que somos, nao importa o que seja, pois, somos todos imprescindiveis.

Depois da fama, as pessoas continuam essencialmente humanas. Tem familias como as nossas. Tem os parentes aos quais sao mais ligadas. E, com certeza, tem milhoes de pessoas com graus de parentesco maiores e menores. E `as vezes os que sao mais proximos das figuras historicas nao tem o orgulho antipatico de o serem. Refiro-me a antipatico aqueles que por serem proximos das figuras se acharem melhor que os outros.

Mas a verdade eh que todos temos familiares que se destacaram por alguma razao ou outra na sociedade passada. Claro, a gente que tem a curiosidade genealogica acaba descobrindo como isso se da. Mas a maioria das pessoas nao despertou para essa verdade. As maiores personalidades da Historia de algum passado pouca coisa mais remoto nao sao alienigenas, sao nossos ancestrais tambem. O certo eh que a maioria absoluta dos brasileiros descende do imperador Carlos Magno, do rei Fernando I Magno de Castela e Leao e muitos outros, porem, ignora isso.

Por estar comentando algo a respeito do Ary das composicoes maravilhosas recordei-me de meu pai. Ele ficava ate mesmo irritado quando eu punha o velho gravador para tocar musicas da minha adolescencia. Observe-se que incluia-se nomes sagrados como Chico Buarque, Gilberto Gil, Fagner, Caetano Veloso, Gonzaguinha, Alceu Valenca, Elomar, os meninos do Vale do Jequitinhonha, Milton Nascimento e outros mineiros, enfim, somente o time A da MPB.

Compreendo que a epoca em que papai era jovem o jeito de fazer-se musica era diferente. A comercializacao tambem era radicalmente diferente. Embora considerado gente dos grotoes, o pessoal do interior era versado em musica. Como nao existiam gravacoes, a musica tinha que ser apresentada ao vivo. Mesmo naquele tempo em que o radio chegava a todos os rincoes, nao se poderia ter um baile, principal diversao da juventude, se bons musicos nao botassem maos `a obra. Nao haveria uma festa comemorativa nas igrejas se as “furiosas” nao estivessem afinadas.

Assim, ate mesmo por necessidade, todo mundo aprendia um pouco de musica e muitos sabiam tocar um instrumento. Ou seja, o comercio da musica era feito de musico para musico. Somente se os musicos se interessassem pela obra eh que o autor poderia almejar fama.

A musica brasileira nasceu dos classicos. Do aprendido nos seminarios e fundos de sacristias. Misturou-se ao profano dos caboclinhos e dos quintais de capoeira. Saiu dos sertoes e veredas para conquistar os grandes aglomerados de povoacao. Guardou de cada uma de suas origens o melhor. Refinou-se. Tornou-se mundialmente conhecida por causa de sua alta qualidade. Transformou-se num produto de exportacao muito desejado pelo mundo fora do Brasil. Pessoas como Ary Barroso e Dorival Caimmy estavam por tras do sucesso de Carmem Miranda. Que defendia mais as cores verde e amarelo que a selecao canarinha.

Penso que a cada geracao a musica brasileira ganhou degraus de qualidade. Os compositores de uma geracao posterior tinham como mestres os da geracao anterior. E os discipulos logravam superar seus mestres, porem, quando perguntados quais teriam sido suas influencias, recitavam orgulhosos os nomes das geracoes anteriores `as quais haviam crescido ouvindo.

Creio que este ciclo se quebrou no passar da ditadura militar. Foram mais de 20 anos de bombardeamento dos nossos ouvidos. Embora a minha geracao tenha assistido o passar do apice da musica popular brasileira, esta foi quase que banida do grande publico. Sucesso passou a ser o arremedo do ieieie, do rock e de tudo que vinha de fora. Os melhores musicos do Brasil nao puderam fazer muitos discipulos no pais porque estavam sempre em viagens sem volta determinada para o exterior. Aqui nos Estados Unidos, na Franca ou Alemanha eles podiam cantar. No Brasil, so depois de censurados.

O pior de tudo foi que em nosso tempo de juventude raramente tinhamos acesso ao melhor da musica brasileira na midia que trafega via ondas. E mesmo a musica estrangeira que tocava sem cessar nao era o que o mundo teria a nos oferecer de melhor. Cantores como Joan Baez e Bob Dilan, somente aos acasos. John Lenon era tocado porque a genealidade ultrapassava ate cortinas de ferro. O que chegava a nos era mais um supusitorio de estupidificacao para os ouvidos. Boa coisa so quase via clandestinidade mesmo!…

Assim, compreendo o fato de meu pai nao ter gostado da musica da minha geracao. Era bem diferente da que ele estava acostumado a ouvir. Da epoca dele era mais classica, mais sinfonia. Na minha geracao os autores comecaram ousar a cantar suas proprias cancoes. Nao importava se tinham o timbre do cantor classico. Podia ter ate a voz chinfrim, neh mesmo Chico Buarque?!

Penso que eu era um dos poucos que nao importava com a falta do padrao classico das vozes de diversos cantores brasileiros. Preocupava-me com a entonacao de cada um. Se a entonacao refletia o que a letra dizia, para mim era o que importava. Tambem, a letra precisava falar alguma coisa. Nao apenas ter rima. Rima por rima eu mesmo poderia fazer as minhas. Nao para encantar mas ate para desafiar como no refrao do Carlos Drummond: “Mundo, mundo… Vasto mundo… Se eu me chamasse Raimundo!… Seria rima, nao seria solucao.”

Compreendo porque meu pai nao gostava das musicas que eu gostava. E compreendo porque a mocada de hoje gosta do lixo que lhes eh oferecido. Desde a minha geracao o Brasil deixou de exportar valores para importar lixo. Os jovens de hoje nao aprenderam musica, assim como eu tambem nao aprendi. Mas eles tem a desvantagem de nao terem crescido ouvindo bons exemplos. Portanto, para eles, ate o lixo eh musica. Quem nao conhece o que eh bom aceita qualquer coisa.

Nao podemos culpar a quem nao tem escolha. Para os divulgadores o que vale eh o faturamento. No meu tempo, se nao fosse clandestino, dificilmente se ouvia boa musica porque a televisao nao tocava. As radios so tocavam musica internacional. Depois de 20 anos residindo aqui nos Estados Unidos, somente nas radios publicas ouco uma cancao brasileira por mes. Nao importando o que todos estariamos perdendo, dever-se-ia aplicar a lei da reciprocidade em territorio brasileiro.

Observacao. Existem aqui emissoras de radios que alugam espacos para locutores brasileiros. Confesso que nunca sintonizo meu radio nelas. Vez por outra entro no carro que minha esposa deixou sintonizado nas faixas que ela gosta. A maioria dos espacos sao ocupados por pastores evangelicos e adoradores da musica sertenaja ou de generos pouco apropriados para os meus ouvidos. Nao sinto prazer em ouvir ja que discordo da forma da interpretacao biblica dos religiosos e aos cantores falta o refino musical.

Nao desmereco nenhum genero musical. Nao creio que haja um melhor ou pior. Qualquer genero eh valido, desde que os produtores da musica saibam associar letra, poesia, melodia, conteudo e um toque de genio que nos faca parar com outros raciocinios para decifrar a sonoridade que invade os nossos ouvidos.

Quando eu era crianca eu detestava ouvir sambas apresentados nas televisoes. Apresentavam sempre uma roda, cheia de pandeiros e malabarismos. Virava circo ruim. Era quase um carnaval marcial. Tinha tudo de charanga e nada de musica. Com o tempo e as licoes dos mestres do passado chegou-se a produzir boa coisa. Dai para frente parei de associar o genero com a palavra ruim. E descobri que dentro de todo genero existem bons e maus trabalhos.

Ary foi homem de sambas. Mas em meu tempo so se ouvia dele os outros generos nos quais compos. Em todos o registro da mesma genealidade. A genealidade do compositor esta no fato de que, nao importa que suas composicoes tenham sido feitas no passado. Na atualidade, qualquer cantor mediocre poderia tomar de emprestimo as composicoes dele, gravar discos de menor qualidade e, com a facilidade que os meios de comunicacao atuais tem para divulgar o trabalho, este teria o sucesso garantido. Quem nao se dobra a composicoes como “Rancho Fundo” e “Aquarela do Brasil”?!… Por exemplo.

O baixo nivel da educacao no Brasil talvez seja uma consequencia do abandono da dedicacao `a musica e da simples exploracao comercial dela. Ora, houveram civilizacoes antigas que atingiram avancos que ainda nao sao compreendidos por cientistas. E quando tratamos de civilizacoes antigas devemos nos lembrar que educacao e leitura eram restritas a uma pequena elite de sabios. Entao, como explicar os avancos se os sabios da civilizacao atual acreditam que so se pode desenvolver avancos atraves de educacao escolar?

Pelo que recordo do meu tempo de crianca e de ouvir falar de tempos anteriores, a musica era um dos veiculos de educacao que ajudavam muito no ensino mesmo a pessoas analfabetas. Claro, havia dedicacao dos letrados `a poesia, com declamacoes para todo o povo. Juntando-se isso aos proverbios populares conseguia-se uma populacao sem educacao formal, porem, com conhecimentos elevados de cultura. Claro, pelo componente ritmico e sonoro, a musica apresenta vantagens como meio didatico de ensinar.

Com o abandono da qualidade musical e mesmo com a massificacao da escolaridade formal, isso nao trouxe os beneficios alardeados. Pelo contrario. Atualmente usa-se a musica apenas para fazer milionarios e Jose ricos, porem, sem o devido talento para educar a populacao, como se fazia em tempos anteriores. Musica deveria ser oferecida em doses de altissima qualidade. Como as pessoas humanas tem a tendencia musical, sejam elas quem for, acabariam fazendo esforco para entender e com isso se educando melhor. Distribuindo lixo como se faz atualmente, ninguem precisa fazer esforco. Em contrapartida se perde em educacao.

Bom, seguindo o meu relato, a Joselia acrescentou `a resposta que iria enviar-me as paginas do livro: “SABINO BARROSO, UM ESTADISTA DAS GERAIS”, de autoria do Sebastiao Pimenta Barroso, paginas de 237 a 247, que continham um apanhado da genealogia da Familia Barroso e Araujo Abreu. Enviado o material ele se encontra em minhas maos. Ja na autoria do livro observa-se parentesco.

Os que desejarem ja poderao visitar o http://www.geneaminas.com.br, pois, ali encontrarao um Sebastiao Pimenta Barroso, que creio ser o mesmo. No livro: “A MATA DO PECANHA, SUA HISTORIA E SUA GENTE, do professor Dermeval Jose Pimenta, ele esta na pagina 294. Trata-se de um trineto de Boaventura Jose Pimenta e tia Maria Balbina de Santana. Os pais dele foram o 5.5.1.6 Gencerico de Figueiredo Barroso e Corina Pimenta Barroso. Sebastiao eh tio do Dr. Gilvan de Pinho Tavares, o atual presidente do Cruzeiro Esporte Clube de Belo Horizonte. Este esta na mesma pagina.

O livro aborda primariamente a descendencia do casal: Boaventura Jose Pimenta e tia Maria Balbina de Santana e seus 5 filhos. Particularmente a do filho Modesto Jose Pimenta com a tia Ermelinda Querubina Pereira do Amaral e seus 12 filhos. O melhor eh correrem ao livro ou ao site para melhor acompanharem. E o “tio” Boaventura era tambem Barbalho. Podem conferir.

Entrei tambem em contato com a Katia Barroso, para os virginopolitanos, filha do soldado Cica com a nossa prima Maria de Lourdes (dona Lourdinha). Infelizmente ela nao pode ajudar-me ainda na descoberta de como o Barroso entrou na familia dela. Sei que nao eh do lado da dona Lourdinha. Este tem Pereira do Amaral, Coelho e Valadares em geracoes mais recentes.

Ha um relacionamento de irmaos entre o Cica (ja falecido) e o senhor Valdomiro ou dona Maria do Amparo, esposa deste. As duas familias sao Barroso e quica Coelho pelo lado Barroso. Mas somente depois que obtiver mais informacoes poderemos constatar a informacao exata. Lembro-me da mencao a outros Barroso no municipio mas nao recordo tratar-se de quem no momento.

Para abreviar essa conversa, penso ser melhor copiar aqui as paginas enviadas. Nao creio que havera problemas quanto a isso porque ha ate mesmo uma autorizacao para isso ser feito, nelas. E o meu objetivo aqui sera divulgar o que tenho em maos para, em caso de alguem reconhecer seus ancestrais, nos ajudar a atualizar o que estiver faltando.

Reproduzirei as paginas do livro com pequenas alteracoes. Com a colocacao de numeracoes que facilitam depois as localizacoes. As poucas informacoes extra que ja posso acrescentar estarao em letras todas maisculas. Algo mais indicarei onde encontrar. Segue entao:

02. GENEALOGIA BARROSO

” APENDICE

A seguir, encontrara o leitor uma incompleta Arvore genealogica da familia Barroso e Araujo Abreu, ate a quarta geracao brasileira. Os cultores deste genero de pesquisa poderao no futuro, desenvolve-la e completa-la.

Manoel Barroso Alvares casa-se no Concelho de Montalegre em Portugal com Aguida Araujo, pais de Joaquim Barroso Alvares.

Joaquim casa-se no Serro com Maria Fernandes, pais de:

1. Carlota
2. Carolina
3. Mariana
4. Eduardo
5. Joaquim
6. Marciliana
7. Afonso

1. Carlota mae de:

1. Modesto
2. Galdino
3. Gabriel
4. Rodolfo
5. Flavia
6. Rita

1.1 Modesto, pai de:

1. Americo casado com Reduzinda 4.1.3
2. Benicio
3. Pedro
4. Adelaide
5. Mariana

1.1.1 Americo casado com Reduzinda [4.1.3], pais de:

1. Jose de Araujo Barroso – ZELITA BARROSO QUEIROZ, PAIS DE:

1.1.1.1 CARLOS QUEIROZ BARROSO CASADO COM AYDE BARROSO DE QUEIROZ 5.5.6.7.1

1.1.2 Benicio ALVES BARROSO CASADO COM KNESVITA NUNES COELHO, pais de:

01. Jose
02. Elvira – DINO BIBIANO, RESIDIAM EM PECANHA
03. Lourdes
04. Celia
05. Modesto – RESIDIU EM GOVERNADOR VALADARES E ERA MUITO RICO
06. Vitorino
07. Jupira – RESIDIA EM SAO PEDRO DO SUACUI
08. Lourival
09. Dina BARROSO MOREIRA CASADA COM ANTONIO MOREIRA, PAIS DE:
1.1.2.9.1 RAILDA MOREIRA – OZANAN DE MAGALHAES BARBALHO
1.1.2.9.2 MARGARIDA MOREIRA – LINCOLN ANTONIO LUCIO
1.1.2.9.3 LAURA MOREIRA
1.1.2.9.4 MUCIO MOREIRA – “BAIANA”
10. Enio NUNES BARROSO CASADO COM MARIA DA CONCEICAO DA ROCHA, PAIS DE:
1.1.2.10.1 ELIZA DO SOCORRO BARROSO ROCHA
1.1.2.10.2 AFONSO BARROSO DA ROCHA
1.1.2.10.3 MARIA DAS GRACAS BARROSO ROCHA – DR. JOSE GERALDO BRAGA DA ROCHA
1.1.2.10.4 FATIMA DA CONSOLACAO BARROSO (GONCALVES)
1.1.2.10.5 JOSE BARROSO DA ROCHA
11. Gastao – MORAVA EM GOVERNADOR VALADARES
12. Izabel – RESIDIA EM SANTA MARIA DO SUACUI
13. Benicio (BENICINHO) – MORAVA EM GOVERNADOR VALADARES
14. Maria de Jesus
15. Pedro

3. Mariana, mae de:

1. Josefino

4. Eduardo casado com Reduzinda 4.1.3, pais de

1. Maria Santiago

4.1 Maria Santiago (Mariquinha) casada com Antonio Candido de Araujo Abreu, pais de:

1. Balbino, casado com Izabel de Pinho Tavares
2. Antonio Victorino
3. Reduzinda casada com Americo Alves Barroso 1.1.1
4. Antonia Emilia (Ninica) casada com Jose Candido de Pinho Tavares
5. Anfiloquia Victorino casada com Genaro de Pinho Tavares
6. Aurora Felizarda casada com Elpidio de Pinho Tavares
7. Maria Stela casada com Heitor de Pinho Tavares
8. Eduarda Eulina (Dadinha) casada com Artur de Pinho
9. Maria (Mariquinha) casada com Clarindo Ferreira Campos

4.1.9 MARIA (MARIQUINHA) CASADA COM CLARINDO FERREIRA CAMPOS, PAIS DE:

1. ATANAGILDO DE ARAUJO CAMPOS
2. GERALDO DE ARAUJO CAMPOS
3. MARIA DE ARAUJO CAMPOS

INFORMACAO DESTE ACRESCIMO ENCONTRADO NA PAGINA 131 DO LIVRO “A MATA DO PECANHA”. CLARINDO ERA FILHO DE DONA INHA (CAROLINA GABRIELA DA FONSECA) E JOAQUIM FERREIRA CAMPOS. ERAM ORIUNDOS DO SERRO. D. INHA JA VIUVA MUDOU-SE PARA SAO JOAO EVANGELISTA. FOI TAMBEM MAE DE LUIZ, RITA E BATISTINA. A FILHA, RITA CAMPOS, FOI ESPOSA DE JOAO GUALBERTO GONCALVES E MAE DE IRACEMA GONCALVES CAMPOS. POR ULTIMO, ESTA CASOU-SE COM O VIRGINOPOLITANO SALATHIEL BATISTA COELHO. TIO SALATHIEL ERA FILHO DOS TRISAVOS JOAO BATISTA COELHO JUNIOR E QUITERIA (TITI) ROSA PEREIRA DO AMARAL.

5. Joaquim, casado com Senhorinha, pais de:

1. Davi
2. Firmo casado com Elisa
3. Joaquim (Quina) casado com Maria Jose
4. Elisa, casada com Bernardino Pacheco

5.1 Davi, pai de:

01. Mauricio
02. Joao
03. DaviD BARROSO – MARIA FRANCELINA *(O CASAL APARECE NA PAGINA 246 DO LIVRO “A MATA DO PECANHA”. MARIA FRANCELINA ERA IRMA DA TRISAVO MARIA MARCOLINA, AMBAS FILHAS DOS QUARTAVOS: DANIEL PEREIRA DO AMARAL E MARIA FRANCELINA BORGES MONTEIRO. O LIVRO TRAS SOMENTE OS NOMES DO CASAL, POREM, O QUE ME LEVA A CRER SEREM ELES SAO AS POSSIVEIS IDADES SEREM SEMELHANTES, POIS, O PAI DAVI TERA NASCIDO ANTES DE 1825, DATA DE NASCIMENTO DA MARIA FRANCELINA BORGES MONTEIRO E DANIEL NASCEU EM 1818, PORTANTO, A POSSIBILIDADE ERA A DE QUE OS FILHOS SE CASASSEM).
04. Sebastiao
05. Benfica
06. Ader (5.4.5 ?)
07. Arminda *(`A PAGINA 276 DO LIVRO “A MATA DO PECANHA” INICIA-SE A DESCRICAO DA FAMILIA DE JOSE (JUCA) AUGUSTO PIMENTA, CASADO COM ARMINDA ALVES BARROSO. TUDO INDICA SER A MESMA ARMINDA, POREM, O PROFESSOR DERMEVAL PIMENTA NADA MENCIONOU A RESPEITO DA FAMILIA DA QUAL ELA PROCEDIA)
08. Olinda
09. Quita
10. Etelvina

* AMBOS OS CASOS AQUI APONTADOS CARECEM DE VERIFICACAO, POIS, NAO EXISTE NO LIVRO O QUE POSSA DESAMBIGUAR ESTAS LIGACOES.

5.2 Firmo casado com Elisa, pais de:

1.Galvao casado com Anita
2. Maria do Amparo
3. Sinaval
4. Baltazar casado com Maria da Penha

5.3 Joaquim (Quina) casado com Maria Jose, pais de:

1. Floripes
2. Pedro (Pedrinho)
3. Maria Jose
4. Joaquim
5. Judith
6. Claudesina
7. Olindina

5.4 Elisa casada com Bernardino Pacheco, pais de:

1. Levina casada com Jose Rocha Pinto
2. Jose Alvim
3. Petrina
4. Levino (Du) casado com Corina
5. Berenice casada com Ader (5.1.6 ?)

5. Joaquim casa em segunda nupcias, no Serro em 1825, com Jacinta Moreira da Costa, pais de:

5. Sabino (nascido em 1826)
6. Maria
7. Cesario
8. Aguida
9. Marinha

5.5 Sabino, casado com Maria Josefina de Araujo Abreu, pais de:

1. Jose Clemente casado com Ernestina Lopes de Figueiredo
2. Jacinta casada com Joaquim Tomas de Carvalhaes
3. Sabino ALVES BARROSO JUNIOR (solteiro)
4. Ignacio casado com Maria Lopes de Figueiredo
5. Ubaldina casada com Joaquim Tomas de Carvalhais
6. Maria Josefina [FININHA] casada com Honorio Lopes de Figueiredo
7. Joao casado com Angelina

5.7 Cesario, pai de:

1. Jacinta
2. Elvira
3. Querubina
4. Maria

5.5.1 Jose Clemente casado com Ernestina pais de:

1. Jose (Juquinha) casado com Sebastiana Rabelo
2. Vicente casado com Josefina Soares
3. Sabino (Binu) casado com Carlota
4. Nelson casado com Iracema 5.5.4.4
5. Euclides casado com Regina Carvalhaes
6. Gencerico casado com Corina Pimenta (M.P. 293)
GENCERICO DE FIGUEIREDO BARROSO E CORINA PIMENTA FORAM OS PAIS DE DONA MARIA FLOR DE MAIO PIMENTA BARROSO QUE SE CASOU COM AGENOR DE PINHO TAVARES E SAO OS PAIS DE GILVAN DE PINHO TAVARES, ATUAL PRESIDENTE DO CRUZEIRO ESPORTE CLUBE DE BELO HORIZONTE.
7. Amintas casado com Semirames 5.5.6.7
8. Tomires casada com Pedro Rabelo do Amaral

5.5.2 Jacinta casada com Joaquim Tomas Carvalhaes, pais de:

5.5.2.1 Jacinta casada com Mario Cafe (ESTE CASAMENTO ESTA TAMBEM REGISTRADO NA PAGINA 71 DO LIVRO “A MATA DO PECANHA”, ONDE MARIO EH O FILHO NUMERO 11, SEM APRESENTAR DESCENDENCIA).

5.5.3 Sabino (Solteiro) – NASCEU EM SABINOPOLIS, 27.04.1859 E FALECEU EM BELO HORIZONTE, 15.06.1919

http://www.fazenda.gov.br/institucional/galeria-dos-ministros/republica/rep011

http://pt.wikipedia.org/wiki/Sabino_Barroso

http://www.santuariodocaraca.com.br/livro-de-matricula-1856-1910/, ANO 1877, MATRICULA 1122

5.5.4 Ignacio casado com Maria Lopes de Figueiredo pais de:
http://www.santuariodocaraca.com.br/livro-de-matricula-1856-1910/ (ANO DE 1878, MATRICULA 1237)

01. Alarico casado com Anita Machado
02. Larmartine
03. Ceci casada com Boecio Cafe (TALVEZ HAJA AQUI UM ENGANO POIS NA PAGINA 71 DO “A MATA DO PECANHA” APARECE O BOECIO PEREIRA DA SILVA, FILHO DE DONA ESTEFANIA CAFE E SEU PRIMEIRO MARIDO, DR. GIL PEREIRA DA SILVA. PODENDO TAMBEM O MARIDO DE DONA CECI TER SIDO UM PRIMO DA FAMILIA DESCRITA PELO PROFESSOR PIMENTA).
04. Iracema casada com Nelson 5.5.1.4
05. Tardieu casado com Maria de Araujo Abreu
06. Josue
07. Ismael casado com Judith Mourao
08. Ignacio casado com Sema
09. Maria casada com Osvaldo de Pinho Tavares
10. Ofelia casada com Paulo de Magalhaes e Castro
11. Ortiz casado com Geny Mourao
12. Djanira casada com Silvio de Magalhaes e Castro

5.5.5 Ubaldina casada com Toaquim Tomas Carvalhaes pais de:

01. Eucalina
02. Bolivar
03. Milton
04. Laponesia
05. Galba
06. Maria Josefina
07. Azila
08. Ruy
09. Jupira
10. Jarbas

5.5.6 Maria Josefina casada com Honorio Lopes de Figueiredo pais de

1. Maria josefina casada com Santos Carvalhais (Santinho) (NA PAGINA 72 DO LIVRO “A MATA DO PECANHA” A FAMILIA CATAO EH DESCRITA. ALI MENCIONA-SE OS SENHORES SANTOS CARVALHAIS E LIVIA JUSTINA DE GOUVEIA, PAIS DE DONA JULIA AUGUSTA (CATAO), ESPOSA DO AUGUSTO CESAR ALVES CATAO. OS SENHORES AUGUSTO CESAR E JULIA FORAM PAIS DO FRANCISCO DE OLIVEIRA CATAO, MARIDO DA TIAVO OLGA DE MAGALHAES BARBALHO. POSSIVEL SERA QUE DONA JULIA TENHA SIDO IRMA DO SANTINHO.
2. Waldemar casado com Maria das Dores Dayrel
3. Sebastiao casado com Maria de Lourdes Carvalhais
4. Vicente casado com Maria do Rosario Leonardo
5. Gerolisa casada com Teotonio Leonardo
6. Erotides (viuva)
7. Semirames casada com Amintas Figueiredo Barroso 5.5.1.7

5.5.6.7 SEMIRAMES CASADA COM AMINTAS FIGUEIREDO BARROSO 5.5.1.7, PAIS DE:

1. AYDE BARROSO DE QUEIROZ CASADA COM CARLOS QUEIROZ BARROSO 1.1.1.1, PAIS DE:

5.5.6.7.1.1. JOSELIA BARROSO QUEIROZ LIMA

5.5.7 Joao EVANGELISTA BARROSO casado com Angelina DE RESENDE, pais de:

5.5.7.1 Ary DE RESENDE Barroso casado com Ivone” BELFORT DE ARANTES, PAIS DE:

1. FLAVIO RUBENS BARROSO
2. MARIUZA BARROSO

http://aochiadobrasileiro.webs.com/Biografias/BiografiaAryBarroso.htm

AS PAGINAS AQUI ESTAVAM INCOMPLETAS. JOSELIA ENVIOU-ME O COMPLEMENTO ONDE CONSTA:

Arvore Genealogica da Familia Araujo Abreu:

Alferes Antonio de Araujo Abreu casado com Salvina Emilia de Queiroz, pais de:

1. Antonio Candido de Araujo Abreu CASADO COM 4.1 MARIA SANTIAGO (MARIQUINHA)
2. Maria Josephina de Araujo Abreu CASADA COM 5.5 SABINO ALVES BARROSO

FAZ-SE NECESSARIA AQUI A INFORMACAO DE QUE OS VARIOS CARVALHAIS PRESENTES NESTA GENEALOGIA DEVERAO SER TODOS PARENTES. ALEM DISSO, DEVERAO SER PARENTES DE TODA A DESCENDENCIA DO CASAL: MARIA ROSA DOS SANTOS CARVALHAIS E JOAQUIM PEREIRA DO AMARAL. ESTE CASAL PROCEDIA DE SABINOPOLIS E SE ENCONTRA NA LISTA DE PRIMEIROS MORADORES DE VIRGINOPOLIS. ENTRE OS DESCENDENTES DELE INCLUI-SE O AUTOR DESTAS OBSERVACOES.

Agora postarei abaixo os nomes de familiares que entraram em nossa Arvore Genealogica, que assinam Barroso ou que sejam suspeitos de pertencerem `a mesma familia mas cujos ancestrais ainda nao foram identificados. Gostaria que se alguem, principalmente os descendentes deles, souberem os nomes de pais, avos etc, entrem em contato para que possa fazer as ligacoes na Arvore. Segue entao, por ordem alfabetica.

Americo Barroso – Aurelia Pimenta Barroso
Antonio Barroso de Oliveira – Maria Jose de Pinho
Ari Wander Barroso – Eveline Coelho Barroso
Arminda Alves Barroso – Jose (Juca) Augusto Pimenta
(Cica) Barroso – Maria Lourdes (dona Lourdinha) Coelho Valadares
Francisco Barroso da Silva – Lucilia da Silva Coelho
Graciema Nunes Barroso – Lauro Nunes Coelho (ja identificado)
Ilda Barroso – Ulisses Nunes Coelho Filho
Maria Lucia Barroso Magalhaes – Gensemar Barroso Mourao
Moacir Nunes Barroso – Jandira Nunes Coelho (ja identificado)
Nair Barroso Guimaraes – Aristides Nunes Coelho (ja identificada)
Zilah Nunes Barroso – Darcy Nunes Coelho (ja identificada)

O que nao precisamos eh informar que o sobrenome Barroso vem de tempos que remontam `a Idade Media. Quem desejar mais informacoes a este respeito pode buscar informacoes na internet em enderecos como este: http://brasaodefamilia.blogspot.com/2011/04/brasao-da-familia-barroso-e-brasao-da.html. Alem disso, posso adiantar que o primeiro do nome Barroso, D. Egas Gomes Barroso tera vivido em torno dos anos 1100.

Numa sequencia posterior, ele foi pai do Goncalo Viegas Barroso, avo do Goncalo Goncalves Barroso e bisavo da Constanca Goncalves Barroso. Ela casou-se com Martim Machado. Dai para frente a linhagem segue e se encontra com a genealogia Coelho que, possivelmente, dara raiz aos diversos Coelho que povoam o interior brasileiro, particularmente o Municipio de Virginopolis.

Uma observacao que faco aqui sera a de nao termos um acompanhamento melhor a partir da primeira geracao brasileira da Familia Barroso. Seria interessante sabermos nomes completos dos conjuges, pois, isso ja nos daria indicativo de quem mais podera ser descendente desta mesma raiz.

Encontra-se mais alguns detalhes genealogicos no capitulo 04, abaixo.

 

 

03. PROGNOSTICOS E CONCLUSOES.

O meu esforco primario aqui era o de identificar as ligacoes familiares que existem entre a Familia Barroso e as outras que formam o conjunto de nossos parentes. O fato de eu ainda nao poder apontar mais ligacoes se deve a nao ter um banco melhor de dados relativos `a nossa parentalha na cidade de Sabinopolis. Contudo, pelo que se pode deduzir a partir da pequena genealogia nos apresentada pelo senhor Sebastiao Pimenta Barroso eh que muita coisa ainda esta por ser encontrada.

Saliento, nao especificamente no caso do senhor Sebastiao, pois, nao se propunha a fazer um trabalho genealogico, que os genealogistas antigos pecaram em suas descricoes. Isso notei desde que passei rapidos olhares sobre obras como a de Silva Leme e mesmo do conego Raimundo Otavio Trindade. Claro, por nao conhecer a obra completa deles e muito menos te-las estudado a fundo, nao posso afirmar que meu parecer esteja perfeitamente correto.

Mas o erro que penso que cometeram foi considerar as familias formadas do ponto de vista de vassalos. Embora, acredito, eles nao pudessem pensar diferente ja que o pensamento era dominante na cultura brasileira. Parece que a eles nao importava muito como o conjunto da sociedade era formado. As ligacoes familiares entre as pessoas do povo nao lhes parecia ser necessariamente importante.

Assim, os estudos deles tinham como base o propagar de uma assinatura, ou seja, tomavam como referencia a chegada de um europeu, na maioria das vezes portugues, que se casava e tinha filhos. Em algumas oportunidades os ancestrais dos estrangeiros eram descritos, dependendo da importancia pela qual a familia ja era conhecida no velho continente. Ja o lado materno, quando brasileiro, era esquecido. Mesmo porque eles se propunham a estudar o sobrenome e nao as pessoas que contribuiram para sua formacao. Contudo, esse tipo de estudo peca por ser verdade pela metade.

Lembro que este tipo de pensamento estava infiltrado no pacote da imposicao colonialista. Para que o colonizado aceitasse a colonizacao haveria que acreditar que o colonizador, de alguma forma, lhe era superior. Incrivel eh que as pessoas se acostumavam tanto com as regras que as aceitavam passivamente, sem pensar na realidade dos fatos. O brasileiro mais antigo tinha ancestrais portugueses que, para a mentalidade colonialista, valia menos que o imigrante recem-chegado.

Embora sem a mesma conotacao, o trabalho do senhor Sebastiao serve como exemplo de como a coisa funcionava. Observem que os dados apresentados concentram-se no sobrenome Barroso. Apesar de este ter uma contribuicao unica, enquanto que os agregados sao inumeros.

O que quero dizer com isso eh que, o senhor Joaquim Barroso Alvares aportou no Brasil e casou-se com Maria Fernandes. Deles nasceram os sete filhos que se tornam meio portugues e meio brasileiros. Infelizmente, ele nao apresenta algo mais especifico que nos ajude a identificar a origem da primeira esposa do filho Joaquim, chamada apenas de Senhorinha.

O segundo casamento ja nos abre bem a janela para interpretacoes, pois, o nome da esposa foi Jacinta Moreira da Costa. Janelas tambem se abrem atraves da revelacao de que o neto Sabino Alves Barroso casou-se com dona Maria Josefina de Araujo Abreu, filha do Alferes Antonio de Araujo Abreu e Salvina Emilia de Queiroz. Digo que as janelas se abrem ai porque eh provavel que estas esposas e seus pais serao brasileiros de linhagens antigas e envolvidas tambem com a Historia do Brasil, anterior aos tempos da chegada do primeiro Barroso ai descrito.

Para que compreendam melhor essa minha discertacao, pelo menos os academicos devem faze-lo, sugiro que deem uma passada d’olhos nas teses e trabalhos abaixo relacionados:

01. http://www.historia.uff.br/stricto/teses/Dissert-2003_CAETANO_Antonio_Filipe_Pereira-S.pdf. A tese eh longa. Alias, teses nem sempre sao prazeirosas de serem lidas, principalmente em telas de computador, por causa dos vicios impostos `a metodologia cientifica. Ou seja, para nos que somos leigos, ler teses tem a inconveniencia de parecer que o autor esta se expressando em um dialeto diferente do nosso. Dai nao ser agradavel para todos.

Seria importante ler-se toda para verificar o conteudo e assim observar os paralelos entre a vida brasileira no passado e a atual. Vao observar que politicamente falando ha muita semelhanca. Mas para quem desejar uma leitura mais rapida e abreviada, pule para os subtitulos: “Os Honoratiores Goncalenses: a familia Barbalho”, pagina 187, e “Os “Descontentes” de Sao Goncalo”, pagina 194.

02. http://www.ifcs.ufrj.br/~ppghis/pdf/joao_nobreza_bandos.pdf. Essa tese faz uma analise bem politizada da situacao do Rio de Janeiro desde a fundacao ate 1700.

03. http://www.pucminas.br/documentos/dissertacoes_joselia_barroso.pdf. A tese da Joselia parece destoar um pouco das outras duas. Mas observem que encontrei as 3 por causa de um mesmo motivo, ou seja, os meus estudos genealogicos. Elas tem em comum o assunto familia. A minha familia. A nossa familia. A diferenca eh que ela aborda assuntos semelhantes, porem, com a perspectiva da religiosidade. A religiosidade antigamente era inseparavel da politica e da familia.

04. http://familybezerrainternational.blogspot.com/. Este eh apenas um artigo para esclarecimento. Eu afirmei antes que a maioria da populacao brasileira descende do imperador Carlos Magno e muitos outros reis. Nao precisa ler o artigo todo porque eh muito grande. Mas indo `a parte de baixo pode-se comecar a partir do subtitulo: “Page 11 – Fontes Sobre a Familia Bezerra em Pernambuco, Portugal e Galicia.” Eh somente um pouquinho ja no finalzinho do texto.

Ele complementa os dados genealogicos apresentados no “Os Honoratiores Goncalenses: a familia Barbalho”. Aqui os dados iniciam a partir dos chegados `a Capitania de Pernambuco, quando da chegada de Duarte Pereira Coelho, seu primeiro donatario. Aquele leva uma linhagem desde os primeiros residentes europeus de Pernambuco ate ao casal: D. Teresa, condessa soberana de Portugal, e Henri de Bourgogne. Estes sao os pais do primeiro rei de Portugal, D. Afonso Henriques. E tambem de dona Urraca Henriques, que transfere o sangue real aos Bezerra, que no Brasil os passam aos Barbalho Bezerra.

Dai para tras pode-se ir pesquisando os ascendentes destes personagens em fontes como a Wikipedia ou algum sitio de genealogia mais completo. Como ja pesquisei, sei que o Carlos Magno era ancestral dos personagens. Alem dele, muitos outros reis, tanto da Peninsula Iberica quanto do restante da Europa. Chegando-se inclusive aos ultimos imperadores romanos, que ja haviam se convertido ao cristianismo. No mais, eh Historia.

05. Por fim, indico o livro: “A Mata do Pecanha, sua Historia e Sua Gente”, de autoria do professor Dermeval Jose Pimenta. Particularmente o pequeno capitulo: “Tronco Pimenta-Vaz Barbalho”, que esta nas paginas de 252 a 254. Ali encontramos a sequencia genealogica, acrescida de outras informacoes por mim:

Braz Barbalho Feyo – Catarina (ou Maria) Tavares de Guardes
Camila Barbalho – Guilherme Bezerra Felpa de Barbuda
Luiz Barbalho Bezerra – Maria Furtado de Mendonca
Jeronimo Barbalho Bezerra – Izabel Pedrosa
Paschoa Barbalho – Pedro da Costa Ramiro
Maria da Costa Barbalho – Manoel Aguiar
Manoel Vaz Barbalho – Josepha Pimenta de Souza.

Observo que ha um engano no livro do professor Pimenta por ele dizer que dona Paschoa Barbalho fosse neta de Jeronimo quando era filha na realidade. Essa breve genealogia eh de nosso interesse porque ela faz uma ponte genealogica entre as duas primeiras teses e a terceira. O que quero afirmar aqui eh que a nobreza que andava em bandos no Rio de Janeiro era a mesma que dominou o antigo territorio administrado a partir da antiga Vila do Principe, a atual Cidade do Serro.

Vi um paralelo perfeito entre as 3 teses, pois, elas descrevem bem como, no meu entender, formou-se a genealogia da populacao brasileira, sobretudo em relacao `as familias chamadas de dominantes. Claro, as consideradas sem dominio, na verdade, sao descendentes das mesmas em passados mais remotos. Na explicacao de A Nobreza anda em Bandos, nota-se que as familias dominantes do passado buscavam aliancas com os chegados de Portugal, sobretudo por meio de casamentos.

O que geralmente acontecia era que os portugueses ao chegarem ao Brasil eram privilegiados com o que de mais valor havia na epoca que eram as sesmarias de terras imensas. Talvez nem mesmo fosse por uma busca consciente, pois, o natural seria mesmo que os recem-chegados se casassem com os da terra. E como o preconceito separava as classes sociais, “normal” era que os pares de mesmo nivel social se entrelacassem. Em grande parte, estas unioes acabavam sacrificando os sobrenomes mais antigos locais porque cediam lugar ao novo, pois, a maioria dos chegados da Europa em tempos coloniais e inicio do Imperio era do sexo masculino.

Isso se explicaria, entao, porque os sobrenomes dos filhos de dona Maria Josephina de Araujo Abreu e Sabino Alves Barroso nao homenageavam a origem materna. O mesmo se deu em relacao ao casamento Joaquim Barroso Alvares e Jacinta Moreira da Costa. Mesmo que, no caso dos filhos de dona Maria Josephia e Sabino, o sangue que corria em suas veias fosse 75% Araujo Abreu Queiroz Moreira Costa e 25% Fernandes Barroso Alvares. A predominancia do sobrenome paterno nao corresponde `a composicao real do sangue.

Nao tenho como comprovar, por enquanto, a tese que levanto mas a minha desconfianca eh a de que tanto o Araujo Abreu quanto o Moreira Costa procedem do “Bando do Barbalho”. Quem ler o capitulo “Os “Descontentes” de Sao Goncalo” da primeira tese, observara que os sobrenomes Costa e Araujo aparecem entre os camaradas dos Barbalho e seu bando. Ha que se fazer a ressalva de que o sobrenome da Costa aparece entre os fundadores do Rio de Janeiro. Na Historia da cidade ha um escrivao e um capitao de navio que tinham este sobrenome.

Quanto ao Araujo, pode ser uma parceria que ja existia ainda na chegada dos colonizadores portugueses `a Capitania de Pernambuco. A avo paterna do Luiz Barbalho Bezerra vinha da Familia Araujo. Nao se pode afirmar sem os dados genealogicos em maos que tanto o Araujo quanto o da Costa sejam os mesmos porque ha tambem a possibilidade de que os Araujo Abreu e os da Costa Moreira tenham chegado por via diferente das linhagens que estavam associadas ao “Bando dos Barbalho”. Mas eh dificil crer que tudo passe de uma mera coincidencia.

Observe-se que o sobrenome Barbalho estava realmente ligado ao da Costa, no Rio de Janeiro. Na descricao do professor Dermeval ele coloca o casal Manoel Vaz Barbalho e Josepha Pimenta de Souza como nascidos no Rio de Janeiro e casados, em 1732, no Distrito de Milho Verde pertencente ao Serro. Recentemente, encontrei o registro de casamento entre Theodozia de Aguiar Barbalho e Joseph Carneiro da ?, ocorrido em 17.12.1717, na Cidade de Mariana. Dona Theodozia era filha dos mesmos pais que o Manoel Vaz Barbalho. Porem, nao encontrei nenhum acompanhamento da descendencia dos nubentes.

O que faz supor eh que o Bando do Barbalho continuava forte e influente, desde os primeiros anos do Ciclo do Ouro, em Minas Gerais. O que implica em dizer que a nobreza da terra fosse composta por nossos familiares e deles descendem boa parte dos mineiros, pois, desde o tempo em que os Barbalho chegaram ao Rio de Janeiro, 1643, ate os primeiros anos do Ciclo do Ouro, foi possivel aos Barbalho e seus associados terem produzido alguns milhares de casais. Uma parte consideravel destes deve ter se transferido para Minas e, calculando por baixo a reproducao deles, podemos dizer que tem hoje milhoes de descendentes.

Porem, atendo-nos apenas `a genealogia Barroso apresentada pelo senhor Sebastiao Pimenta Barroso, muito provavel sera que haverao vinculos consanguineos entre os Barroso e os Barbalho alem de outras familias associadas ja nas primeiras geracoes da formacao da Familia Barroso.

Na descricao do “Tronco Borges Monteiro”, em um resuminho apresentado `a pagina 248, o professor Dermeval tambem descreve a formacao do inicio do nucleo Borges Monteiro, onde se inclui a passagem do casamento do portugues, Sargento-Mor, Domingos Barbosa Moreira com Teresa de Jesus, esta, natural de Itabaiana, no Sergipe. A seguir relata que a filha Norotea Barbosa Fiuza nasceu em Sao Goncalo. Nao diz qual deles.

Tudo indica que seja Sao Goncalo, no Rio de Janeiro, pois, Sao Goncalo do Rio das Pedras, no Municipio do Serro, seria fundado depois do nascimento dela, pela descendencia do proprio pai. O que pode, ou nao, ser mais um indicio de associacao entre o Bando do Barbalho e a assinatura Barroso, pois, ha a possibilidade de o Moreira de dona Jacinta Moreira da Costa ser o mesmo do Domingos Barbosa Moreira. Tudo eh especulativo por enquanto, porem, obviamente dentro de possibilidades possiveis.

As possibilidades de que os sobrenomes que aparecem nessa curta genealogia da Familia Barroso serem os mesmos que acompanham o sobrenome Barbalho sao muito boas. A primeira esposa de Antonio Borges Monteiro, Maria de Souza Fiuza, era filha da Norotea. Na mesma descricao do Tronco Borges Monteiro ha a informacao de que a segunda esposa do Antonio Monteiro chamou-se Margarida Maria do Rosario, filha de Domingos Lourenco Seixas e Maria Caetana de Pinho e Oliveira.

Antonio e Margarida casaram-se em 1785, o que implica em dizer que a mae dela devera ter nascido pelo menos uns 35 anos antes. Aqui nao da para visualizar alguma participacao dos Barbalho nem se pode afirmar que a Familia de Pinho Tavares tenha adotado o sobrenome a esta epoca. Mas registra-se que os Barbalho, os Pinho, os da Costa, pelo menos, encontravam-se no Serro `a mesma epoca

Como nao temos o acompanhamento dos familiares “de Pinho Tavares” nao sei dizer quando os dois sobrenomes se uniram e formaram a tao conhecida Familia “de Pinho Tavares” de Sabinopolis. Contudo, ja em Pernambuco, o patriarca dos Barbalho, Braz Barbalho Feyo casou-se com Catarina (ou Maria) Tavares de Guardes. Estes foram os avos maternos do governador Luiz Barbalho Bezerra.

Embora nao tenha encontrado a mencao do sobrenome Queiroz entre os formadores do Bando do Barbalho, a possibilidade de ele fazer parte eh boa. Isso porque este sobrenome eh muito frequente nos Estados do Nordeste Brasileiro. Queiroz e Barbalho devem estar entre os sobrenomes mais frequentes naquela regiao.

Mas de concreto a respeito do sobrenome Queiroz, alem da raiz comum que deve haver na familia da dona Salvina Emilia de Queiroz que esta no cabecalho da Familia Barroso e da familia do capitao Joao Batista Queiroz, patriarca destes em Pecanha, espero encontrar amarrado a ela o ramo ao qual pertence dona Rita Queiroz. Esta nasceu no Serro. Porem, foi conhecida por nos como Sa Ritinha, esposa do ex-prefeito de Virginopolis o senhor Jose (Zeze) Lucio de Oliveira e mae de outro ex-prefeito: Henrique Lucio.

Sa Ritinha deve ter nascido proximo ao ano de 1900. E alguns dos filhos se casaram na Familia Coelho de Virginopolis, dos quais o sobrenome Barbalho tornou-se um dos agregados.

Alem destes sobrenomes que poderao pertencer ao Bando do Barbalho surge diversas vezes o Mourao. O sobrenome aparece em genealogias ligadas `as familias procedentes do Serro. Entre nossos parentes encontramos, por exemplo, a Josefina Ermelinda Pimenta que se casou, em 1878, com Joao Raimundo Mourao Junior. Ja a Josefina Coelho da Rocha casou-se com o Alfredo Vaz Mourao, por volta da mesma epoca. Precisavamos tambem de um arrazoado desta e outras familias para inserirmos e verificarmos os vinculos familiares existentes antes disso.

Desejo inspirar nos academicos que lerem estas minhas conjecturas o desejo de fazerem o casamento entre as teses acima mencionadas atraves de um estudo genealogico minucioso da genealogia mineira que ocorreu no periodo do Ciclo do Ouro. Acredito que podera comprovar-se que as familias mineiras, apesar dos diferentes sobrenomes, tem ancestrais comuns. O que difere nelas eh sempre a chegada de imigrantes que, em razao das tradicoes patriarcais, passavam seus sobrenomes aos filhos, abandonando a maior contribuicao sanguinea dos nossos lados maternos.

Temos diversas genealogias de familias da regiao que encontram seus ancestrais mais antigos entre o final do seculo XVIII e o inicio do seculo XIX. Isso porque elas comecam a partir de algum imigrante recem chegado, geralmente, de Portugal. Devemos nos lembrar da Historia de Portugal onde houveram confluencias que empurraram a migracao portuguesa para o Brasil. Na sequencia se deu o Ciclo do Ouro, o esgotamento do ouro a partir de 1750, o grande terremoto de Lisboa acontecido em 1755 e as Guerras Napoleonicas. Que provocou ate a transferencia das cortes para o Brasil, em 1808.

O que nos falta realmente eh construir a ponte dos 100 anos, desde 1700 ate 1800, das genealogias das familias nativo mineiras que receberam os imigrantes de fora do pais e lhes ofereceram suas filhas e filhos para se casarem com seus respectivos filhos e filhas. E isso, a meu ver, eh o que falta para amarrarmos os muitos ramos aos troncos comuns a todos. Assim poderemos constatar que somos uma mesma familia, com maior ou menor consanguinidade, nao importando o sobrenome que usamos.

Acrescento aqui uma lista de pessoas que portam os sobrenomes presentes nesta curta genealogia dos Barroso e que entram em nosso banco de dados, porem, sem sabermos quem sao seus pais. Assim, os parentes que os localizarem poderao facilitar as identificacoes para que possamos fazer as ligacoes e completar a Arvore Genealogica de nossa Grande Familia. Sengue entao:

Abreu

Jose Fernando de Abreu – Sebastiana (Nhazinha) Pimenta do Amaral
Diaulas Abreu – Edith Teixeira de Abreu
Elza Siqueira de Abreu – Constante Falcao Metzker
Geraldo Sette de Abreu – Angelina Coelho Leao
Itamar Abreu – Petronilha (Nini) Nunes Abreu
Jaime de Abreu – Dolores Falcao Metzker
Maria de Araujo Abreu – Tardieu Barroso
Aquilies Abreu Vieira – Helena Penha Soares Vieira Abreu

Araujo

Aguida de Araujo – Manoel Barroso Alvares
Ana Ferreira de Araujo – Jose Pinto de Souza
Augusto Antonio (Nhonho) de Araujo – Amazilis Francelina Pimenta
Auta de Araujo – Antonio Paschoal de Andrade
Bebiana Lourenca de Araujo – cap. Joao Coelho de Magalhaes
Cecilia Araujo Neto – Jaci Rodrigues da Rocha
Dr. Modesto Carvalho de Araujo – Giselda Pimenta Brant
Elcy Oliveira Araujo – Maria do Socorro (Tainha) Coelho Araujo
Eliane Mirian Araujo Coelho – Weber Alves Coelho
Francisco dos Santos Araujo – Luci Campos Chaves
Helci Pereira de Araujo – Ondina Maria da Silva
Ilidia Correa de Araujo – Henrique Borges Monteiro
Joao Anatolio Araujo – Maria Jose Coelho
Jose de Araujo Sobrinho – Anna Coelho
Jose Araujo – Zenaide Andrade
Jose Maria de Araujo – Ana
Maria Francisca (Francisquinha) de Araujo – Matosinhos de Souza Figueiredo
Maria Lucia Eugenia de Araujo – Leres Nunes Coelho
Maria Vieira de Araujo – Manoel dos Reis de Carvalho
Marilene Medeiros de Araujo – Geraldo Pimenta da Silva

Carvalha(i)es

Dr. Genesco Lopes Carvalhaes – Maria de Lourdes Noronha
Maria do Carmo Carvalhaes – Eneias Batista Perpetuo
Eugenio Carvalhais – Alice Coelho
Jose Havas Carvalhais – Elda Coelho
Josefina Carvalhais – Colombo Catao
Maria de Lourdes Carvalhais – Sebastiao Lopes de Figueiredo
Maria Rosa do E. S. Carvalhais – Joaquim Pereira do Amaral
Minervina Carvalhais – Hermenegildo Jose Pimenta Junior
Regina Carvalhais – Euclides de Figueiredo Barroso
Roberto Carvalhais – Neiva Nunes
Santos Carvalhais – Livia Justina de Gouveia
Ursula Carvalhais – Hermenegildo Jose Pimenta Junior

Moreira

Americo Dias Moreira – Geralda Coelho de Moura
Antonio Moreira – Dinah Barroso
Delphina Moreira – Ennio Rodrigues Coelho
Edivaldo Fraga Moreira – Virginia (Gina) Coelho Fraga Moreira
Gilmar Soares Moreira – Mercia Coelho Perpetuo Moreira
Joaquim Pacheco Moreira – Quiteria de Magalhaes Barbalho
Joaquim Moreira – Maria Ferreira Campos
Jose Pacheco Moreira – Georgina (Sa Georgina) Nunes Magalhaes
Maria Augusta (Gutita) Moreira – Olegario de Magalhaes Barbalho
Mercedes Pinto Moreira – Fabio Nelson de Senna
Romar Moreira – Marilu Aguiar Moreira
Silvia (Silvinha) Maria Moreira – Marcos (Pinduka) Lucio Menezes
Vladimir Senra Moreira – Denise Martins da Costa Coelho Lott
Esther Moreira – Cel. Candido Jose de Senna

Mourao

Agenor Vaz Mourao – Antonia Pimenta
Alfredo Vaz Mourao – Josefina Coelho Mourao
Dr. Julio Mourao – Nicia Rabello Mourao
Dr. Silvio Vaz Mourao – Geralda Ilma Barroso
Geny Mourao – Ortiz Barroso
Gilberto Barroso Mourao – Edmeia Magalhaes Mourao
Joao Raimundo Mourao
Julio (Julinho) de Pinho Mourao – Ondina
Judith Mourao – Ismael Barroso
Maria da Conceicao Rodrigues Mourao – Joel da Silva Coelho
Maria Jose Caldeira Mourao – Jose Geraldino Amaral
Oswaldo Majela Mourao – Leodita Pimenta Barroso
Sebastiao Ferreira Mourao – Isaura Barroso
Maria Nilma Mourao Coelho – Emilio Coelho

Pinho

Arthur de Pinho – Eduarda Eulina de Araujo Abreu
Gutemberg Abeali de Pinho – Jupira Augusta de Carvalho
Joao de Pinho
Joao Mauricio Wanderley do Pinho – Maria Alice de Salles Coelho
Jose (Ze Anastacio) de Pinho – ? Magalhaes
Jose Derno de Pinho – Jeannette Maria Coelho de Pinho
Jose Nazarino de Pinho – Geralda Pimenta Mourao
Maria Caetana de Pinho – Domingos Lourenco Seixas
Percy Maria de Pinho – Graciema Pimenta de Pinho
Aracoeli de Pinho Coelho – Fernando Rodrigues Coelho de Oliveira

Queiros(z)

Maria Queiros – Ulisses Nunes Coelho
Maria da Conceicao Queiros – Saulo Nunes Coelho
Acacio Jose Queiroz – Francisca Silva
Alexandre Reis Queiroz – Maria de Lourdes Coelho Queiroz
capitao, Joao Batista de Queiroz – Edwiges Soares da Encarnacao
Joao Americo de Queiroz – Zulmira Pimenta
Jose Queiroz – Euphasia Coelho de Araujo
Maria Batista de Queiroz – Cassiano Nunes Coelho
Maria Jose de Queiroz – Pedro Luiz Braga
Onofre Gomes dos Santos Queiroz – Helena Leao Queiroz
Salvina Emilia de Queiroz – Alferes, Antonio de Araujo Abreu
Ana Queiroz Braga – Antonio Luiz Braga
Teresinha de Queiroz Ribeiro – Vicente Ribeiro

Tavares e de Pinho Tavares

Agenor de Pinho Tavares – Maria Flor de Maio Pimenta Barroso
Antonio de Pinho Tavares – Olinda Pimenta Guimaraes de Pinho
Eliane de Pinho Tavares – Lucidio de Pinho Tavares
Elpidio de Pinho Tavares – Aurora Felizarda de Araujo Abreu
Fortunato de Pinho Tavares – Leda de Pinho Tavares
Genaro de Pinho Tavares – Anfiloquia Vitoriana de Araujo Abreu
Heitor de Pinho Tavares – Maria Stela de Araujo Abreu
Izabel de Pinho Tavares – Balbino de Araujo Abreu
Jose Candido de Pinho Tavares – Antonia Emilia (Ninica) de Araujo Abreu
Lauro de Pinho Tavares – Luiza Nunes Coelho
Osvaldo de Pinho Tavares – Maria Barroso
Renato Ribeiro Tavares – Clara Maria (Cacau) Coelho Tavares
Ulysses de Pinho Tavares – Teresa Pimenta Guimaraes Tavares
Muciola Tavares Coelho – Dr. Adail de Salles Coelho

 

 

04. MOACIR NUNES BARROSO, O SUPER BARROSO TURBINADO COELHO

O Dr. Jose Geraldo havia soprado que tem um Barroso em Guanhaes que estava com 105 anos. E com o nosso desconhecimento a respeito da paternidade de dona Knesvita Nunes Coelho, pareceu-nos que ele poderia tornar-se uma confiavel boa fonte de informacoes fora dos cartorios. A lenda corria que estava lucido e ativo.

Num primeiro contato chegou a informacao de que dona Knesvita seria filha do Pio Nunes Coelho, ex-prefeito de Guanhaes e quem havia se tornado o viuvo da tiabisavo Josephina Marcolina Coelho, em 1919, antes de ele proprio falecer em 1932. Entao, resolvi abrir o livro “Arvore Genealogica da Familia Coelho”, na pagina 44, para certificar-me, pois, jamais houvera ouvido falar neste nome em nossa genealogia. Foram 13 filhos ao todo. Nenhuma das filhas chamada Knesvita.

Observei, entao, que havia um espaco de 4 anos entre o primeiro e o segundo nascimentos. Poderia ser que a prima Ivania Batista Coelho houvesse se enganado e nao ter computado 14. Encontrei que foram 4 casamentos de assinantes Barroso com os filhos dos tios Josephina e Pio. Na verdade sao 5, pois, a nora que esta na pagina 44 Zulmira Nunes Coelho, esposa do Ciro, chamava-se Zulmira Barroso Coelho. E o viuvo da Jandira Nunes Coelho chama-se Moacir Nunes Barroso. Realmente! Nao podia ser outro e ser apenas pura coincidencia, pois, a data de nascimento dele foi 31.3.1909.

Mas nada podia fazer senao esperar para ouvir outras noticias do Brasil. Dr. Jose Geraldo havia dito que o amigo dele, que tinha contato com o senhor Moacir, iria reve-lo ontem, (02.04.14) e que solicitaria mais esclarecimentos. Passei as informacoes que tinha do livro para facilitar os acrescimos que faltavam.

E para a surpresa geral, o dedicado amigo Flaviano de Pinho Nascimento levou o Super Barroso `a casa do meu interlocutor para conhecer a prima, dona Maria das Gracas. E o encontro foi anunciado com estas palavras: “O velho Moacir Nunes Barroso esteve na minha casa, agora à tarde, acompanhado do Flaviano de Pinho Nascimento, amigo de Peçanha, que há muito reside em Guanhães. O velho ainda está forte e lúcido, Apesar dos 105 anos completados em 31.3. p. p.”

Realmente, ha um Q ate mesmo de sagrado em pessoas que alcancam tamanha idade. Nem que sejam as Bencaos de Deus. Lucido e falante, dona Maria das Gracas nao conseguiu inclusive anotar todas a informacoes que ele passou. Mas ja foi o suficiente para colocar o personagem tanto na Arvore Genealogica dos Barroso quanto dos Coelho. Consanguineo dos Nunes Coelho mais precisamente.

Nao muito tempo atras eu anunciei que havia a possibilidade de reconstituirmos pelo menos uns duzentos anos de genealogia por vias de tradicoes. Embora nao podemos deixar a tradicao falar mais alto do que os documentos, quando os encontramos. E digo isso exatamente por causa de pessoas que vivem tanto. Ou, pelo menos, chegam `a idade semelhante `a do sr. Moacir.

Nascido em 1909, ele nao tera como lembrar-se do avo da esposa dele, o Antonio Rodrigues Coelho, pois, este havia nascido em 1829 e falecido em 1910. O Antonio sim devera ter conhecido o sr. Moacir e ate lhe posto a bencao na molera. Mas o senhor Moacir conviveu com muita gente, alem dos proprios sogros e pais, que deverao ter contado a ele muita coisa a respeito dos ancestrais. Assunto que era dominante nas rodas de conversa dos familiares `a epoca em que ele era um senhor de certa idade ou estava em fase de crescimento.

Ja o Antonio Rodrigues Coelho havia convivido com a geracao do proprio pai, pois, o pai havia falecido quando ele estava com 15 anos, porem, o tio, Joao Coelho de Magalhaes, havia nascido em 1785 e foi falecer no dia que estava completando 94 anos de idade, em 1879. Ou seja, alguns filhos do Antonio chegaram a conhecer este tiavo deles e estes conviveram por decadas com o Moacir que deve ter ouvido deles suas estorias em torno do fogao a lenha.

Portanto, a recordacao de fatos e mitos familiares, neste caso particular, ja remonta a aproximadamente 230 anos em nossa familia. O que talvez seja um dos motivos que nos incentiva a tentar reconstruir o nosso passado atraves dessas notas. Quando tio Joao viveu, a media de vida do brasileiro nao passava muito dos 30 anos. Ou seja, ele logrou viver 3 vezes mais. Seria como se alguem alcancasse o recorde de aproximadamente 150 anos hoje em dia.

Digo que seriam apenas 150 anos por causa da fantasia governamental de afirmar que a media atual de vida do brasileiro ultrapassa a 70 anos. Se eu puzesse toda a fe nisso, entao, o equivalente seria viver 210 anos. E as medias de vida dos outros paises tambem nao estao corretas. Ou, por outro lado, “o enunciado do problema” eh que esta incorreto. Talvez eles queiram dizer que a media de vida das pessoas que chegam a aposentar-se seja aquela que eles dizem ser de toda a populacao.

Qual a base que tenho para afirmar isso? Basta olhar nossos livros de genealogia. Boa parte da populacao da regiao tem parentesco e sabemos que as familias que fazem parte das que entrecruzaram entre si sao das mais longevas que se tem acompanhamentos. Temos pessoas na familia que ja alcancaram um seculo de idade. Mas sao poucas. Tambem tivemos um bom numero que alcancou o recorde dos 90. Os de 80 anos sao em maior numero. Os de 70 formam uma turma respeitavel.

O problema eh o seguinte. Para cada crianca que falece antes de completar 1 ano de vida, sera necessario que umas 3 vivam 100 anos para que a media nao caia. Para cada jovem que falece entre os 30 e 40 anos, havera que ter-se uns dois que atinjam 90. Nao serao poucos os que terao que atingir pelo menos 80 anos de vida para cobrir o deficit dos que falecem entre 50 e 70 anos.

Para comprovar-se que isso nao acontece, basta acompanhar-se os obtuarios dos jornais por um bom periodo. Geralmente, os jornais so mostram obtuarios de pessoas que, de uma forma ou de outra, sao influentes. Raramente se ve obtuarios dando noticia de criancas e jovens que falecem. Mesmo assim, a media dos obtuarios eh menor do que os orgaos oficiais admitem para o conjunto da populacao.

Ja, ao se fazer o computo apenas para as pessoas que se aposentam, ai sim as cifras fazem sentido, pois, nao serao muitos que aposentarao e continuarao vivendo varias decadas depois. Quando as pessoas chegam a aposentar, ai terao mesmo uma oportunidade de chegar pelo menos aos 70 anos, pois, ja estao proximas a esta idade. Mas nao sao poucos os que tambem aposentam por invalidez, por causa de doencas que acabam matando-os precocemente. Portanto, estes devem calibrar a media para as proximidades dos 70.

Por esta razao, somente alguem com algo de super em sua natureza chega a atingir uma idade de 105 anos ou mais. Tanto eh que, se alguem perguntar a qualquer leitor destas linhas: Voce eh capaz de dizer quantos nomes de pessoas suas conhecidas chegaram aos 105 anos? Quase ninguem respondera uma. A maioria absoluta tera de responder, nenhuma!

Nao muito tempo atras o nosso amigo Luiz Claudio Passos postou na pagina que ele tem no Facebook uma fotografia do Antonio Rodrigues Coelho e filhos que estavam vivos. As filhas, Julia Salles e a bisavo Maria Marcolina ja haviam falecido em 1904, portanto, estavam ausentes. A fotografia, necessariamente, foi tirada depois desta data e antes de 1910, data do falecimento do avo Antonio.

A admiracao foi completa de todos os que visualizaram e deixaram seus comentarios. A gente sabe que fotografias da epoca nao eram comuns no Brasil. Eh uma sensacao ao mesmo tempo intrigante e agradavel ver alinhados junto ao trisavo os bisavos da minha geracao. E ja existem os quintavos das atuais geracoes. Ora, se uma fotografia destas fala tanto ao nosso intimo, o que se dira de uma pessoa que poderia quase que ter sido fotografada junto com aqueles personagens todos? Melhor que a fotografia, a pessoa pode falar-nos a respeito deles!

Imaginem! Fatos como as I e II Guerras Mundiais, a quebra da Bolsa de Nova Yorque em 1927, a Revolucao de 1930, a Ditadura Vargas e outros mais sao coisas que podemos ter nocoes porque temos os livros e os documentarios para descreve-los para nos. O velho Moacir deve lembrar deles de ter visto coisas acontecerem, lido em jornais dos dias ou ouvido pelo radio. A pessoa da idade dele pode tornar-se uma verdadeira enciclopedia ambulante.

http://vidanovafm.com.br/site/index.php?option=com_content&view=article&id=10613:vereadores-homenageiam-moacir-nunes-barroso&catid=117:noticias-da-regiao&Itemid=22. Neste endereco encontrei a fotografia onde o senhor Moacir aparece. Observem, porem, que a foto foi feita em 2013, quando ele havia completado 104 anos, ou seja, ha 1 anos atras.

Nao tenho noticias de supercentenarios na familia. Os supercentenarios sao aqueles que alcancam acima de 110 anos. Devido aos arquivos nao muito confiaveis de certos registros, alguns, possiveis, supercentenarios nao conseguem comprovar a idade convincentemente. Dai nao entram para as listas oficiais.

Mesmo assim, no Brasil nao devem existir mais que uma dezena de pessoas vivas clamando tal idade ou superior. Nao muitas ultrapassam os 105. Abaixo posto uma lista de pessoas na familia que ultrapassaram os 90 anos. Fato que por si so ja eh tao enusitado que permanece em nossa lembranca. Claro, somente relacionarei os que estao em minha memoria. Haverao muitos que nao aparecem, por falta do conhecimento ou nao encontra-los no arquivo de minhas lembrancas. Segue entao, por ordem dos de idade alcancada:

105 Moacir Nunes Barroso (esta vivo)
104 Maria Balbina Pires
103 Gabriel Coelho de Oliveira
102 Maria das Merces Soares
101 Marina (Nenen) Coelho de Oliveira
100 Diva Coelho (esta viva)
099 Emidia de Souza Figueiredo (esta viva)
099 Vita de Magalhaes Barbalho
099 Maria (Maricas) Magalhaes
099 Olga de Magalhaes Barbalho
098 Edith Coelho do Amaral
096 Vita de Souza Figueiredo (esta viva)
096 Graciola Coelho Braga (esta viva)
096 Marilia de Magalhaes Barbalho
095 Otavio Coelho de Magalhaes (esta vivo)
095 Candida (Sa Candinha) de Magalhaes Barbalho
095 Olga Coelho de Oliveira (esta viva)
094 Joao Coelho
094 Elsa Coelho de Oliveira (esta viva)
094 Joao Coelho de Magalhaes
093 Mons. Omar Nunes Coelho
093 Murillo Coelho
093 Hugo de Magalhaes Barbalho (esta vivo)
092 Maria da Gloria Soares Pontes (esta viva)
092 Maria das Merces Coelho
092 Eurico Batista Coelho
091 Cremilda Coelho
090 Jose (Juca) Coelho Junior
090 Dimas Rodrigues Coelho (esta vivo)

Em torno dos 90 anos para cima sao diversas outras pessoas que nao estou ousando citar os nomes porque nao tenho datas e que agora me fogem `a memoria a idade que possam ja ter alcancado.

No inicio deste capitulo mencionei que estavamos procurando o nome dos pais de dona Knesvita Nunes Coelho. O senhor Moacir acabou nos informando a respeito da familia toda. Ou, pelo menos, da parte que nao sabiamos. O que temos agora eh um combinado de tres fontes diferentes. Precisamos juntar o que ja se encontrava no livro: Arvore Genealogica da Familia Coelho; o que nossa prima Marinez Torres informou-me ha algum tempo e, agora, o complemento vindo do senhor Moacir.

Para facilitar, colocarei aqui o diagrama da familia de Clemente Nunes Coelho e Anna Maria Pereira. Estes patriarcas devem ter tido o privilegio da heranca da historica Fazenda do Grama.

Esta propriedade pertenceu a Euzebio Nunes Coelho e Anna Pinto de Jesus. Segundo o professor Dermeval Jose Pimenta, estes residiam na Fazenda Folheta, outra fazenda historica que fica no atual Municipio de Dom Joaquim. Entao, compraram a Fazenda do Grama, que fica entre os atuais municipios de Guanhaes e Sabinopolis, bem no inicio da povoacao de Guanhaes. O melhor eh ate colocar o diagrama primeiro da familia deles. Foram pais de:

01. Clemente Nunes Coelho – ?
02. Manoel Nunes Colho
03. ten. Joaquim Nunes Coelho – Francisca Eufrasia de Assis Coelho
04. cap. Francisco Nunes Coelho – Maria Augusta Cesarina de Carvalho
05. Antonio Nunes Coelho – Maria Araujo Ferreira
06. Bento Nunes Coelho
07. Altivo Nunes Coelho (possivel)
08. Ana Nunes Coelho (possivel)
09. Joana Nunes Coelho (possivel)
10. Maria Nunes Coelho (possivel)

Estes possiveis sao nomes encontrados em documentos no Municipio de Pecanha mas sem as devidas identificacoes paternas. Ja o nome de Antonio Nunes Coelho eh relacionado entre os filhos de Euzebio e Anna Pinto e tambem na documentacao encontrada em Pecanha pela pesquisadora Marina Raimunda Braga Leao. Nao temos referencias de que Manoel e Bento tenham se casado.

Clemente teve filhos no primeiro terco do seculo XIX. Mas nao se tem o nome da mae deles. Eles foram Maria Honoria, Antonio e Prudencio. Temos o acompanhamento genealogico da familia deixada por Maria Honoria porque ela foi a esposa de ten. Joao Batista Coelho, o velho, um dos fundadores de Virginopolis. O ten. Joaquim era cunhado do ten. Joao Batista e eh tambem fundador de Virginopolis. Francisca Eufrasia e Joao Batista eram filhos de fundadores de Guanhaes: cap. Jose Coelho da Rocha e Maria Luiza do Espirito Santo. Nossos quartavos por um lado.

O cap. Francisco Nunes Coelho foi um dos politicos mais ativos em sua epoca. Foi vereador do Serro quando toda a area pertencia a este, e foi o principal articulador das emancipacoes de Guanhaes e Pecanha. A esposa, Maria Augusta, era filha de primeiros moradores de Sao Pedro do Suacui: Jose Carvalho da Fonseca e Senhorinha Rosa de Jesus. Senhorinha Rosa era filha de fundadores de Sabinopolis: Antonio Borges Monteiro Junior e Maria Magdalena de Santana. Nossos pentavos por outro lado.

Em conversa por telefone hoje, 04.04.14, com o senhor Moacir Nunes Barroso, nao pudemos decifrar quem foram os pais do Clemente casado com Anna Maria Pereira. O senhor Moacir informou que conheceu bem a avo Anna Maria, porem, nao se lembrava do avo Clemente. A descricao que tinha para este foi a de que era um homem muito forte e de tez moreno escuro. O escuro da pele combina com a descricao da Maria Honoria.

E aqui as lembrancas do senhor Moacir nos poe em ambiguidade no decidir quem era o Clemente, avo dele. Isso porque o filho mais velho deste, cuja data de nascimento temos em maos, foi o Pio Nunes Coelho. Nascido em 1864. Por esta epoca, ou seja, em 1872, a Maria Honoria ja estava se tornando avo. Ela deve ter tido o primeiro filho, Joao Batista Coelho Junior, muito nova, pois, era filha do Clemente nascido por volta de 1806, portanto, havia espaco suficiente para que um possivel irmao ou primo dela se tornassem pais.

Contudo, o fato de o senhor Moacir nao ter convivido com o avo Clemente dele faz-me suspeitar que este tambem poderia ser alguem mais velho casado com alguem bem mais novo. Assim se explicaria o neto ter boas lembrancas da avo, enquanto as do avo sao apenas recordacoes nas brumas do passado.

Uma evidencia que podemos levar em conta eh tambem o que encontramos no livro: “A Mata do Pecanha, sua Historia e sua Gente”. Nas paginas de 63 a 65, o autor Dermeval Jose Pimenta reproduz parte do que encontrou no livro numero 1 do Cartorio de II Oficio, em Guanhaes. Na abertura do livro as explicacoes do uso daquele livro e a assinatura do presidente da Camara, capitao Francisco Nunes Coelho.

O professor Dermeval tambem reproduz o “Auto da instalacao da Vila de Sao Miguel de Guanhaes”, datado de 9 de dezembro de 1879. Descrevendo os limites que teria o municipio entao criado esta escrito no Auto: “Declarou mais o prezidente que as divizas do novo municipio erao as seguintes, Principia pelo lado da freguezia de Sao Sebastiao na Fazenda de Bento Nunes Coelho, e Clemente Nunes Coelho,…” Eh razoavel pensar que fossem tres os irmaos mencionados no livro do cartorio. E entre 1863 ate 1879 houve espaco para os nascimentos dos filhos abaixo relacionados, podendo o Clemente ter vivido por mais alguns anos.

Pelos dados anteriores ja estava esperando que o Clemente, filho de Euzebio e Anna, fosse pai deste Clemente marido da Anna Maria Pereira. Contudo, com as informacoes do senhor Moacir torna-se mais forte a hipotese de que houve apenas um Clemente, o proprio. Calcula-se que este tenha nascido por volta de 1806. Caso tenha vivido 80 anos, podera ter tido uma segunda familia no segundo terco do seculo, com uma esposa bem mais jovem. Isso explicaria o senhor Moacir nao ter conhecido o avo e ter convivido com a avo.

Um fato comum `a epoca era homens de certas posses conviverem com mulheres sem casamento. Delas tinham filhos que reconheciam indo casar-se com outra um pouco mais velho. Um exemplo desse comportamento foi o do trisavo Antonio Rodrigues Coelho. Nascido em 1829 foi pai da Julia Salles Coelho em 1858. Indo casar-se de fato em 1863. Somente entao teve a sequencia de 14 filhos com a trisavo Maria Marcolina Borges do Amaral. Esta sequencia de filhos veio quando os irmaos dele ja estavam tendo netos. O que possibilitou o casamento de 4 filhos dele se casarem com 4 netos de seus irmaos.

Em contrapartida, para desanbiguar a informacao, indaguei a respeito do parentesco que deveria haver entre o Clemente da Anna Maria e o capitao Francisco. Imediatamente o senhor Moacir completou que o capitao Francisco havia sido o pai do dr. Chiquitinho, que era o pai do dr. Rafael Caio. Informacoes estas que tambem eu guardo de memoria. E comprova que o que ele disser sem duvida tera valor de verdade.

Mas ele nem sequer especulou a respeito do grau de parentesco, simplesmente disse: “nao sei dizer mesmo!” Nao da para decidir, pois, tanto ele poderia nao saber porque nao conheceu seu avo Clemente quanto porque se este fosse um segundo, filho do primeiro, teria dificuldades em guardar de memoria, depois de tanto tempo, quem foram seus bisavos. Tentei ver se ele se lembrava dos nomes de algum outro bisavo e ele nao se referiu a nenhum.

Mas o pendulo agora pende mesmo para o lado da hipotese de ter havido 1 Clemente. Nas anotacoes que fiz durante nossa conversa, escrevi que “Odon Nunes Coelho foi criado com Clemente”. O unico Odon Nunes Coelho que temos em nossas anotacoes era filho do Salatiel e neto do capitao Francisco Nunes Coelho. Entao, justificar-se-ia este Odon ter sido criado “pelo” tiavo Clemente que poderia estar fazendo as vezes de avo.

Seria impossivel o Odon ter sido criado com o Clemente, pois, aquele, por ter sido neto do capitao Francisco, tera que ter nascido depois de 1860, `a epoca em que o Clemente estava tendo uma segunda remessa de filhos. Apesar das muitas informacoes que tenho, nao sinto seguro em dar um veredito final sem buscar mais dados que colaborem com uma ou outra hipotese.

Era muito comum naquele tempo os padrinhos adotarem seus afilhados. Nao precisava nem mesmo que os pais tivessem passando por dificuldades maiores. As familias eram tao grandes que os pais nem se importavam em deixar por conta dos parentes um ou outro de seus filhos. Era uma forma de demonstracao de carinho e respeito por aqueles que admiravam.

Importante nesta informacao eh constatar que o Clemente da Anna Maria so poderia ser algum parente proximo. A Familia Nunes Coelho ja era muito grande e com muita gente com posses, como o proprio Clemente. Assim, alem dos sobrenomes serem os mesmos, nao seria caracteristico da epoca entregar-se um filho a pessoa estranha, a menos que houvesse uma relacao de agregado para patrao, o que aqui nao eh obviamente o caso.

Sao estes os filhos do Clemente e Anna Maria que sabemos.

01. Knesvita Nunes Coelho – Benicio Alves Barroso
02. Aneglia Nunes Coelho – Pedro Barroso Alves
03. Amavel Nunes Coelho
04. Altivo Nunes Coelho
05. Dermeval Nunes Coelho
06. Ulisses Nunes Coelho – Alzira Nunes Coelho/Maria Soares/Maria Queiros
07. Marcolina (Marca) Nunes Coelho – Lindolpho Rodrigues Coelho
08. Vitalina (Nhanha) Nunes Coelho – Altivo Rodrigues Coelho
09. prefeito, Pio Nunes Coelho – Josephina Marcolina Coelho

Os conjuges, Benicio e Pedro eram irmaos. Alzira Nunes Coelho, a primeira esposa de Ulisses era filha do casal Pio e Josephina, portanto, o casamento foi entre tio e sobrinha. Dona Maria Queiros procedia da familia sabinopolitana. Josephina, Altivo e lindolpho eram irmaos, filhos dos trisavos Antonio Rodrigues Coelho e Maria Marcolina Borges do Amaral.

Filhos do casal: Pedro Barroso Alves – Aneglia Nunes Coelho

01. Zulmira Barroso Coelho – Ciro Nunes Coelho
02. Zilah Nunes Barroso – Darcy Nunes Coelho
03. Graciema Nunes Barroso – Lauro Nunes Coelho
04. Moacir Nunes Barroso – Jandira Nunes Coelho
05. Altamiro Nunes Barroso
06. Iracema Nunes Barroso
07. Zeli (Tinoco) Nunes Barroso

Os quatro casais acima formados eram primos em primeiro grau, pois, os quatro conjuges eram filhos do casal Pio e Josephina. Um outro filho deste casal, Aristides Nunes Coelho, casou-se com Nair Barroso Guimaraes. Esta era filha de Severiano Guimaraes e Adelaide Alves Barroso. Adelaide era uma das irmas de Pedro e Benicio.

No final do telefonema procurei despertar a memoria do senhor Moacir para outras questoes em nossa Genealogia. Sabendo do parentesco ainda a decidir, porem, com aquele ja assegurado pelo casamento dele, animei-me a indagar se sabia dizer-me se o Emidio e o Joao Ferreira da Silva eram irmaos. Acabei decidindo por inferencia que sim, pois, ele respondeu-me que o Emidio era casado com a Luisa Marcolina, irma da sogra dele.

Porem, lembrava-se apenas que o Joao era casado com uma Angelina, filha de quem ele nao recordava mais os nomes. Alem disso, informou-me que os pais deles se chamavam Pio Ferreira da Silva e Candida Pereira. Eu ja sabia que estes eram os nomes dos pais do Emidio, pois, encontrei a biografia dele no livro: “Notas Historicas Sobre Guanhaes”, de autoria do nosso aparentado, Innocente Soares Leao, pelo lado Coelho Leao. O livro foi editado em 1967. E meu irmao Ney Barbalho o havia remetido para mim ha poucos dias.

Acrescentou ele que Pio Ferreira da Silva foi senhor de muitas terras, sendo muito rico por isso. Tambem houvera outro irmao do qual nao recordou o nome. E aqui esta o risco de o Pereira da dona Candida ser o mesmo do da Anna Maria, esposa do Clemente, e do da esposa do Modesto Alves Barroso, avo paterno do senhor Moacir. Assunto que comento mais abaixo. Se estas suspeitas se concretizarem, existem possiveis preocupacoes pelas consaguinidades que devemos considerar na formacao das atuais geracoes.

Infelizmente, ele nao soube esclarecer quem foram os pais da Sia Toninha (Antonia Nunes Coelho), esposa do senhor Sebastiao Ferreira Rabello de Magalhaes. Disse que ela era conhecida como Sia Toninha Rabello. Nao se recordava que tivesse o sobrenome Nunes Coelho. Recorda-se que ja a conheceu como uma pessoa idosa. O que faz supor que tenha nascido em torno de 1860, devendo ela ser neta dos ancestrais: Euzebio Nunes Coelho e Anna Pinto de Jesus.

Informacoes que poderao ser usadas posteriormente sao as de que: varios membros da familia residiram na heranca deixada por Pio Nunes Coelho, que foi a Fazenda do Maya, que ficava mais proxima ao atual Municipio de Senhora do Porto. Esta cidade forma triplice divisa com Sabinopolis e Guanhaes. Fazendo supor que a Fazenda do Maya tenha sido um desmembramento da historica Fazenda do Grama.

Para os descendentes, mencionou que o “padrinho” Ze Coelho era moreno. Expontaneamente lembrou-se que este fora o marido da tia Virginia Marcolina Coelho. O Jose Batista Coelho fora filho do ten. Joao Batista e Maria Honoria Nunes Coelho. Comprova-se o moreno proveniente dos Nunes Coelho. Falecido em 1944, aos 80 anos de idade, deixou boas impressoes de memoria. Claro, muitos netos que estao vivos tambem o conheceram pessoalmente. Eu proprio convivi com o tio Darcy, filho do Ze Coelho e tia Virginia, que tinha uma tonalidade morena de pele.

Nao se recordou, ou nao mencionou, que o mesmo Ze Coelho havia sido marido em primeiro matrimonio da Maria Marcolina Coelho, irma da tia Virginia. Comentou que os Rodrigues Coelho eh que eram os loiros. Maria Marcolina havia falecido em 1904, antes do nascimento do senhor Moacir. Isso da razao ao nao se lembrar. Maria Marcolina eh uma de minhas bisavos maternas via o Jose Coelho Junior, ou Juca Coelho para todo mundo.

Contudo ha um assunto que ficou no ar. Isso porque eu estava tao interessado nas respostas a respeito das familias Nunes Coelho e Barroso que nao fiz a ligacao imediata entre a avo paterna dele e nossos familiares. Quando lhe perguntei quem havia sido avo dele junto com o senhor Modesto Alves Barroso, ele titubeou um pouco. Nao sabia o nome mas nao teve duvida quanto ao apelido. “Todo mundo a conhecia como Sa Cutinha”. Depois acrescentou que a Sa Cutinha era da Familia Pereira, a mesma da avo materna.

Somente depois do fato consumado e o telefone desligado foi que recordei de ja ter ouvido o apelido antes. Alem do mais, num ramo da Familia Pereira do Amaral. Esta na pagina 225 do livro da Ivania Batista Coelho uma filha dos nossos quartavos Joaquim Pereira do Amaral e Maria Rosa dos Santos Carvalhais identificada apenas por este apelido.

Terei que telefonar novamente para perguntar se o senhor Moacir se lembra do nome de algum irmao dela. Acredito que existe a chance de ele lembrar-se que a Titi (Quiteria Rosa), foi a esposa do Joao Batista Coelho Junior (Joaozinho). E com ele tornou-se a sogra dos Maria Carmelita, Joao e Benjamin Rodrigues Coelho. Estes foram irmaos da sogra dele, tia Josephina Marcolina.

Assim, havia proximidade suficiente para lembrar-se que seria primo dos conjuges dos tios da propria esposa. Os possiveis tios dele, Joaozinho e Titi, faleceram, respectivamente, em 1920 e 1927. Quando ele tinha completado 11 e estava por completar 18 anos de idade. Sao memorias que dificilmente se apagam! Os Rodrigues Coelho tornaram-se netos do Daniel Pereira do Amaral, atraves do casamento da filha deste, Maria Marcolina, com o Antonio Rodrigues Coelho. Mas ainda nos falta saber que grau de parentesco havia entre o avo Daniel e o avo Joaquim Pereira do Amaral, pai da Titi.

Ao que sabemos, todos os Pereira do Amaral mais proximos na familia comecaram sua multiplicacao em Sabinopolis, onde alguns dos descendentes do acoriano Miguel Pereira do Amaral e da brasileira Anna Maria de Jesus estavam instalados desde a fundacao do Arraial de Sao Sebastiao dos Correntes. Menciona-se que Joaquim Pereira do Amaral iniciou familia la. Tambem o sobrenome Carvalhais da esposa Maria Rosa ajuda a vincular a familia com a cidade. Porem, ja residiam em Virginopolis nos primeiros anos de existencia deste Arraial de Nossa Senhora do Patrocinio de Guanhaes.

Postarei aqui um abreviado da familia dos pentavos Joaquim Pereira do Amaral e Maria Rosa dos Santos Carvalhais. Talvez algum outro parente nosso, descendente dos que nao conhecemos, possa nos informar quem foram os pais destes dois personagens e nos fornecer dados que nao temos das descendencias dos filhos. Segundo o que esta na pagina 225 do livro: “Arvore Genealogica da Familia Coelho” eles foram pais de:

01. Quiteria Rosa (Titi) do Amaral – Joao (Joaozinho) Batista Coelho Junior
02. Ernesto Pereira do Amaral – Ilidia (tia Nhanha) da Silva Neto
03. Maria Rosa (tia Biquita) Pereira do Amaral – Eloy Perpetuo
04. tia Cutinha
05. Antonio Pereira do Amaral
06. Joao Pereira do Amaral
07. Ilidio Pereira do Amaral
08. Sebastiana Rosa do Amaral – Jose Soares Filho

Destes temos um pequeno acompanhamento dos trisavos Quiteria/Joao Batista e tios Ernesto/Ilidia e Sebastiana/Jose. Nao temos informacoes dos outros alem do que eh mostrado ai.

Por fim, ele insistiu em uma informacao que contrasta com aquela passada pelo senhor Sebastiao Pimenta Barroso no livro “Sabino Barroso, um Estadista das Gerais.” Pela descricao no livro infere-se que a Familia Barroso descrita tornou-se brasileira desde o antigo Joaquim Barroso Alvares. O senhor Moacir afirma que o avo Modesto Alves Barroso era portugues.

Pode ser apenas um engano de impressao, pois, antigamente as pessoas sentiam-se mais confortaveis em descenderem de estrangeiros ao pais. E alguns continuavam sendo conhecidos pelo apelido de “portugues”, mesmo sendo a diversas geracoes brasileiros. Talvez tenha sido algo que o senhor Moacir ouviu dizer em sua juventude, porem, nunca tenha se informado melhor a respeito disso.

Porem, ha uma chance menor de que a filha do Joaquim Barroso, Carlota, tenha se casado com algum portugues e realmente ter tido a familia em Portugal. Depois o filho Modesto ter-se repatriado. E pode ser que tenha sido o unico, pois, dos 6 filhos atribuidos `a Carlota, o senhor Sebastiao apresentou descendencia apenas do proprio Modesto.

Telefonei novamente para o Brasil mas nao tive a oportunidade de conversar novamente com o senhor Moacir. Houve um acidente em Belo Horizonte que deixou uma pessoa da familia machucada. Ele viajou. Tive o privilegio de obter o telefone da casa em que ele estava em BH e pude conversar com a filha dele, dona Helena. Pudemos trocar nossas informacoes e ela ficou de levantar para ele a questao e responder-me via e-mail. Estou aguardando.

Interessante eh que quando a gente conversa com qualquer pessoa da regiao, logo no primeiro contato vem a pergunta: “O seu Barbalho eh o mesmo de tais e tais pessoas?!” Neste caso ja nos identificavamos pelo nosso proprio parentesco. Mas mesmo pessoas que nao tenham ligacoes familiares conhecidas logo mencionam um de nossos parentes para estavebelecer uma conversacao mais solida.

No caso das filhas do senhor Moacir, com as quais conversei, elas logo indagaram se eu era parente da Sonia, filha do tio Murilo Barbalho. Isso porque elas haviam sido colegas de faculdade dela, portanto, tem a ela como referencia mais obvia. Tai uma utilidade da genealogia. Aproximar as pessoas. Tive menos convivencia que elas com a familia do tio Murilo. Embora nos conhecamos por encontros casuais. Nao tive outro contato com as filhas do senhor Moacir senao estes telefonemas. Mas a gente fica confortavel em saber que alem de primos ha essa triangulacao de conhecimentos. Ja consegui mandar recado que podera faze-las reatar as velhas amizades.

Enquanto estou escrevendo tenho me lembrado. A forma mais segura de obtermos resposta se existiram ou nao 2 Clementes. Se houve apenas o Clemente filho do Euzebio e Anna Pinto de Jesus. Quais foram realmente os nomes de todos os filhos etc, poderia ser facilmente resolvida se fosse feito um levantamento dos inventarios da historica Fazenda do Grama.

Ao que parece, ela passou do ancestral Euzebio para o Clemente e o Bento. Segundo a Marinez Torres, passou para o avo dela, Amavel. Assim, sao pelo menos quatro geracoes que podem ser devidamente decifradas por este meio. Outras vias normais de buscas genealogicas seria procurar nos cartorios se existem os Testamentos dos personagens, registrados neles. Os dos avos Euzebio e Anna poderiam ser muito interessantes. Em alguns casos, as pessoas faziam um breve relato genealogico de suas origens, o que incluia a mencao de nomes de pais, avos e procedencia geografica. E deles nos falta quase tudo.

Os registros de casamento do Clemente com a Anna Maria Pereira poderia fornecer bons dados. Contudo, este podera ter sido feito eclesiasticamente, pois ainda nao havia registro civil durante o Imperio. Pode tanto ter ocorrido em Guanhaes quanto em Sabinopolis. E, dependendo da epoca, pode estar nos arquivos do Serro ou de Conceicao do Mato Dentro. Isso porque Guanhaes mudou de maos naquela epoca, porem, Sabinopolis sempre pertenceu ao Serro antes de emancipar-se. `As vezes penso que faltam-me asas para fazer estas buscas!…

Entre os associados `a familia houveram duas pessoas bem conhecidas em Virginopolis que se tornaram centenarias nas ultimas decadas. Foram eles os senhores: Jose de Pinho, que foi mais conhecido pelo apelido de Ze Anastacio, e Gabriel Sebastiao Soares, tambem conhecido como Gabi Gilberto. O senhor Gabi casou-se com representante de familias tradicionais de Virginopolis, sendo ele proprio egresso de uma delas, a Coelho da Silva. A esposa foi a dona Efigenia (Gininha) da Cunha Menezes. Ja o seu Ze Anastacio teve varios filhos casados no familhao. Infelizmente nao tenho o acompanhamento genealogico anterior a este e sua esposa.

 

 

05. EXTENSAO

Estudando por alto a tese “A Nobreza Anda em Bandos”, nao surpreendeu-me a afirmacao do autor que fala a respeito de as elites no antigo processo colonial terem que estar sempre expandindo seus dominios para conter as tensoes em seus meios sociais.

O fato eh que, vindo desde a epoca Medieval, o metodo de dominacao adotado pelos europeus no mundo tinha o vies particularmente agrario. O metodo muito atrasado de agricultura limitava muito o numero de pessoas que poderiam tirar seu sustento da terra. Assim, ou o excedente de populacao se mudava em busca de terrenos virgens ou a superpopulacao levava ao conflito, pois, nao havia como produzir-se mantimentos em quantidade suficiente nos territorios limitados. As unicas outras formas capazes de controlar a ocorrencia de superpopulacao era a baixa longevidade ou as guerras. Dai se explica o porque de tanto se guerrear na Idade Media.

A descoberta do Novo Mundo foi, de certa forma, o grande azar dos portugueses e espanhois. Portugal e Espanha abocanharam muito mais terras do que poderiam colonizar. Ao contrario dos paises mais ao norte que encontraram uma filosofia de vida mais apropriada que foi a industrializacao. E aqui podemos desmistificar algumas hipoteses a respeito do porque Portugal e Espanha continuaram pobres, arrastando junto suas colonias.

Os paises ao norte adotaram a filosofia de que tudo era um desafio, enquanto os dois a de que tudo era problema.

A diferenca entre um e outro pode ser explicada mais ou menos assim. Como os outros nao tinham tanto para onde expandir e suas populacoes continuavam crescendo, surgiram as aglomeracoes urbanas. Imaginem, para que as aglomeracoes nao se tornassem problemas, o desafio era encontrar solucoes. Assim, construir predios para abrigar mais pessoas em um espaco menor foi uma resposta.

Lembrem-se que quanto maior o aglomerado, maior tem que ser a imaginacao e criatividade para superar os desafios. Construir um predio de 3 andares eh um pequeno desafio. O de 50 andares eh desafio maior. Desafios estes que exigem tecnologias novas em relacao `aquela que existia antes de se comecar a construir os predios. Com isso, quanto mais se supera desafios, mais tecnogia eh criada. Dai, eh facil compreender porque a tecnologia tornou-se fruto do encarar-se os desafios e porque os paises se tornaram mais criativos.

Para fazer uma cidade multimilionaria funcionar eh preciso uma engenharia que envolva todo tipo de inovacoes que deem solucoes aos desafios. Alguns deles sao: levar agua potavel a cada residencia (isso ja solucionado pelos romanos ha mais de 2.000 anos atras); construir sistema de esgoto (o que os ramanos tambem ja tinham); distribuir energia eletrica; transportar alimentos pereciveis rapidamente; pavimentar suas vias; oferecer servicos da mais variada natureza, enfim, criar toda uma infraestrutura que responda `as necessidades sem deixar que isso transforme-se em problema.

Enquanto isso, Espanha e Portugal permaneceram em seu sistema medieval. Se a populacao comecava a multiplicar-se, a constituicao de grandes cidades era encarada como problema, pois, dava trabalho e haviam terras disponiveis para que a populacao se dispersar, o que eh usar a lei do menor esforco como solucao facil para os desfios atraves da criacao de um problema.

A descoberta das riquezas naturais faceis, como o ouro, acabaram tornando-se um problema para o desenvolvimento tecnologico destas nacoes. Pois, quando encontravam um desafio, nao se sentiam pressionadas a raciocinar para supera-lo, bastava correr atras de um pouco mais de ouro e comprar a solucao imediata.

Ou seja, ao inves de construir-se navios com a propria tecnologia, recorria-se aos outros paises para compra-los. Criava-se com isso um problema, pois, nao se aprendia a fazer e, com o tempo, havia o desgaste natural do navio cuja solucao era o de comprar outro mais `a frente. Portugal e Espanha foram criativos no inicio da corrida para as Grandes Descobertas, sendo os primeiros a alcancar o Novo Mundo naquela epoca. Depois que encontraram as riquezas, regrediram.

Seguindo o exemplo materno, as elites brasileiras nunca haviam sido pressionadas a crescer. O Brasil eh tao grande que ate hoje, se a populacao for espalhada em todo o territorio nacional, proporcionalmente, dara a impressao de morar-se em um vazio demografico. Se dividirmos os 200 milhoes de habitantes do pais pelos seus 8.5 milhoes de quilometros quadrados, teremos pouco mais de 20 pessoas por quilometro quadrado. Muita gente ja afeicoada `a vida urbana morreria de tedio se isso fosse feito!

Esse foi o grande contratempo que resultou no atraso no qual, ate hoje, o Brasil se encontra mergulhado. Os da minha idade bem se recordarao que ate aos anos 70 a solucao adotada pela ditadura militar para o “problema” economico do pais foi a de invadir territorios ainda nao ocupados como a Amazonia. Ou seja, ainda nao se havia criado a mentalidade de expandir a tecnologia, encarando-se de frente os desafios. Pelo contrario, optou-se mais uma vez por dar as costas aos desafios, transformando-os em problemas.

Nos sabemos que territorios novos ocupados sempre tem algo a oferecer. A derrubada da floresta amazonica, por exemplo, deve ter feito muita gente rica. Porem, esta nao eh uma forma sustentavel de desenvolvimento porque o que vem da natureza tem um limite de sustentabilidade. Se a derrubada da Amozonia tivesse continuado no passo que comecou, ja nao teriamos a floresta mais, pois, a natureza nao teria capacidade de recompor-se. Assim, a riqueza facil ja teria sido consumida e o que sobraria seria a pobreza ainda maior para a atual geracao.

Portanto, quando alguem perguntar como e porque o rico Brasil tem uma populacao tao pobre, pode-se responder sem medo de errar. Porque os brasileiros tiveram uma heranca natural grande demais e as elites do passado fizeram opcao por nao construir televisoes, computadores, carros, navios, programas com tecnologia propria e sim comprar e deixar que outros “mais inteligentes” explorassem seu mercado.

Por causa disso os brasileiros estao presos ao ciclo vicioso de sempre estarem usando uma tecnologia que compraram no passado e que, por vencer o prazo de validade, sempre terao que comprar tecnologias mais avancadas de outros. Em poucas palavras, o Brasil eh pobre porque eh dependente dos outros. Gracas ao baixo indice de sabedoria que herdou.

Alguns poderao dizer que se o meu raciocinio estivesse correto, os Estados Unidos tambem seriam pobres. Mas eu digo que nao necessariamente. Cada pais tem a sua propria Historia. No seculo XIX as discrepancias nao eram tao enormes. Os Estados Unidos nao eram tao ricos. E com a proximidade dele em relacao `a Europa, atraiu muito mais populacao. O Brasil entrou no seculo XX com 17 milhoes de habitantes enquanto que os Estados Unidos ja tinham 70 milhoes. O territorio util americano eh bem menor do que o do Brasil.

Os americanos ja haviam cometido todos os erros que os brasileiros ainda iriam repetir durante aquele seculo. Porem, encararam isso como desafio e retificaram seus caminhos. Ao contrario dos que ignoram a Historia e repetem os mesmos erros do passado!

Dai, enquanto o Brasil estava estacionado os Estados Unidos nao pararam. Duas coisas que observo aqui eh que, nos ultimos anos os saudosistas americanos tem provocado algum atraso no pais, o que esta permitindo que paises antes atrasados estejam competindo com eles agora. Pode ser que os Estados Unidos tenham entrado num ciclo semelhante ao que aconteceu com Portugal, Espanha, posteriormente com a Inglaterra e atualmente com o Japao, ou seja, pararam para descansar e outros que estavam correndo atras os superaram.

Que de agora para frente talvez as proximas geracoes brasileiras possam refletir a respeito deste assunto e passar a encarar as dificuldades apenas como desafios que pedem reflexoes e solucoes e nao problemas que nunca serao resolvidos.

 

 

06. VIA DOLOROSA

http://val51mabar.wordpress.com/2013/12/06/genealogias-de-familias-tradicionais-de-virginopolis/

Indico o endereco acima, principalmente no que pode ser lido no inicio do capitulo 06 do texto ali postado. Nele relato a suspeita de as Familias Coelho da regiao poderem ter-se tornado portadoras de gens que podem estar levando a muitos membros delas a sofrer a situacao conhecida medicamente como ELA – 8. Trata-se da Esclerose Lateral Amiotrofica.

Nao temos ainda o comprovante que este seja o mal que provoca o conhecido na familia como: “andar claudicante dos Coelho”. Nao se trata de algo contagioso. Nem por isso deixa de ser grave para os portadores. Geralmente manifesta-se a partir dos 50 anos de idade. Pode ser muito antes ou nao se manifestar. De qualquer forma, pode levar a diversos graus de gravidade, causando paralisia (entrevamento como antigamente se dizia) dos membros inferiores e tambem de outras partes do corpo, podendo tornar-se a causa da morte de muitos pacientes.

Sabe-se que os gens estao disseminados em toda a populacao mundial. Em populacoes pouco consanguineas a situacao aparece esporadicamente. Mas surge como em uma epidemia em populacoes consanguineas portadoras. Essa situacao se da porque se um parente eh portador, a probalidade de outros tambem o serem eh grande. Quando os parentes se casam a manifestacao na descendencia torna-se mais frequente.

Como enfrentar a situacao? Devemos encara-la como um desafio, nao como problema. Para nos que somos suspeitos ou ja manifestamos sinais, o melhor sera procurar os especialistas e seguir-lhes as determinacoes. Aos jovens cabe procurar evitar casar-se, ou ter filhos, com consanguineos para evitar que passe-se a condicao para os filhos. Mesmo que nao seja facil essa precaucao, aparentemente tao simples e logica, podera evitar centenas de outras condicoes geneticas que podem tornar a nossa descendencia vulneravel.

Eu sou portador de dores intensas em minhas costas. Em um exame nao especifico de ultrassonografia revelou-se que o interior da minha coluna vertebral esta se fechando gradativamente, o que resulta em compressao da medula cervical. Dai, vez por outra, fico atacado por dores do tipo lombares, cervicais e tambem na cabeca. Coisas que podem ou nao ser consequencia de ser fruto de diversos matrimonios consanguineos. Somente um estudo muito especializado poderia determinar isso.

Nao sei o quanto as pessoas se lembram das coisas que aconteciam ha 50 anos atras, ou nem tanto, em relacao aos portadores de algumas deficiencias. Um caso bem especifico que me lembro era a dos portadores da Sindrome de Down. As pessoas afetadas por ela eram quase que automaticamente descartadas como indesejaveis. Um estorvo nos ombros dos familiares. Faltava respeito humano e sensibilidade. Ninguem acreditava no potencial dessas pessoas.

Claro, os pais que conviviam com a situacao muitas vezes percebiam que os individuos tinham sim algum potencial. Contudo, massacrados pela opiniao publica, tinham vergonha de expor os individuos com a condicao. Automaticamente nao se investia em escolas, nao existia uma didatica especifica para enfrentar a situacao.

Mas o amor transforma! Maes e pessoas ligadas `a assistencia social comecaram a formar associacoes de apoio e suporte aos portadores e seus familiares. Atualmente os portadores sao integrados `a sociedade e podem desenvolver seus potenciais. Mas nao foi facil superar todos os preconceitos e, claro, ainda nao foi possivel erradica-los. Sempre haverao pessoas que por desinformacao ou maldade sempre irao olhar apenas para o que falta, o que eh a menor parte, do que para o ser humano.

O grande merito da questao ai foi reconhecer que a condicao nao era o problema que se apregoava. Era apenas um desafio que poderia ser conquistado.

Atitude semelhante se revela com a criacao das Associacoes de Alcoolicos Anonimos. Reconhecia-se a situacao apenas como um problema. Era como se os alcolatras tivessem nascido para nao possuir nenhum controle sobre seu vicio. Mas o importante foi encontrar uma chave da questao, ou seja, as pessoas nao conseguem deixar a condicao sem uma ajuda externa. Muita gente pode e esta sendo recuperada, gracas ao trabalho voluntario de pessoas que encararam a situacao como um desafio e nao como um problema.

Gostaria de dizer em primeira mao que nao sou especialista em nenhum desses assuntos. Tenho conhecimentos soltos de alguma coisa e outra. Portanto, o que eu disser nao deve ser tomado como opiniao academica. O que vou procurar eh usar o senso, um certo nono sentido, que tenho para determinadas coisas. Mesmo assim, tudo o que eu disser carecera da bencao de pessoas ligadas `a situacao.

Durante meus contatos para decifrar os meandros da genealogia da Familia Barroso da nossa regiao ouvi duas mencoes a que um de seus ramos “eh dada a suicidios”. Nao sei dizer se ha algum estudo afirmando que haja alguma correlacao genetica e este tipo de desafio. Afinal, suicidios acontecem em todas as familias. O que preocupa mais sera a incidencia mais elevada.

Ao meu ponto de vista existem condicoes circunstanciais que levam ao suicidio. Neste caso, nao havera necessariamente um vinculo genetico. Aqui nos Estados Unidos por exemplo estamos passando por uma verdadeira epidemia de suicidios. Quando os casos acontecem compassados, numa frequencia que chamamos de “normal”, isso eh classificado como endemico. Mas quando a frequencia acontece duas, tres ou mais vezes acima dessa “normalidade” chamamos de epidemia.

E a epidemia aqui esta visivelmente relacionada `as guerras que os reservistas tem sido submetidos. O pais esteve envolvido ultimamente nas guerras: do Golfo Persico, do Iraque, do Afeganistao e contra o terrorismo. Milhoes de pessoas foram enviadas, lutaram por algum tempo e retornaram. O total de mortes nao ultrapassou a 20.000 soldados e associados. O numero de feridos foi muitissimo maior.

Contudo existe um terceiro grupo que parece ser o maior. Trata-se das pessoas acometidas pelo P.T.S. D. A sigla em ingles traduz Post-Traumatic Sindrome Disorder, ou, uma sindrome que causa desordem de comportamento em pessoas que sofreram algum trauma. Esse problema ja foi detectado em outros tempos e foi chamado de “neurose de guerra”. As pessoas se ausentam do campo de batalha, porem, a guerra nao sai de dentro delas.

Mesmo em locais calmos elas permanecem alertas como se algo estivesse lhes dizendo que estao sendo vigiadas. Se uma pessoa tiver em um local muito frequentado como uma grande loja e um servente da limpeza deixar um balde rolar nas escadas, produzindo barulho, a pessoa ira pensar que esta havendo um ataque e agira conforme foi treinada, buscando protecao, porem, com todos os prejuizos que o stress pode causar. As pessoas se tornam de relacionamento dificil, frequentemente parecem estranhas a seus familiares.

E isso ocasiona todo um transtorno em suas vidas. Frequentemente se divorciam. Na falta de empregos tem tendencias a buscar o alcoolismo e o uso de drogas como refugio.

Muitas pessoas nesta situacao procuram esconde-la, pois, se procurarem ajuda poderao ser preteridas na ascensao em suas carreiras. Ate ha pouco tempo atras a P.T.S.D. nao era reconhecida nos meios militares. Era tratada como se a pessoa fosse louca. Nao se reconhecia a causa e nem que houvesse tratamento que revertesse a situacao. Com isso a frustracao levando a muitos suicidios e algumas vezes a ataques de loucura, como a que aconteceu ha poucos dias no Fort Hood. Alias, este Fort eh repetente neste tipo de casos.

Claro eh que esta havendo ai uma condicao circunstancial. Acredito que ninguem fez um estudo para procurar descobrir se as pessoas atacadas possuem gens que favorecam `a condicao. Pode ser que as pessoas enviadas `as guerras e que sao afetadas ja possuiam a precondicao, e a condicao de stress apenas acelerou a manifestacao. Acredito que estudos precisam ser feitos.

De propria experiencia posso afirmar apenas que o suicidio eh por si mesmo um desafio monumental pelo tanto que fere as pessoas ligadas aos suicidas. Digo isso porque um primo suicidou na epoca em que eu era crianca. A sensacao foi terrivel para mim. Imagino que para os pais e familiares a situacao foi tremendamente dificil de superar, se eh que isso foi possivel. Os pais devem ficar eternamente com o sentimento de culpa, embora nao haja culpa identificavel de ninguem. O mesmo devera se dar com os parentes mais proximos. Os conhecidos certamente ficam traumatizados.

Nao creio que ai cabe culpa a ninguem. Principalmente se o suicidio tiver algum componente genetico. Porem, mesmo que haja o componente genetico, havera que se verificar quanto possivel eh evitar a sua manifestacao. No caso da condicao circunstancial parece que eh possivel evitar-se. O problema da epidemia aqui foi que o pais tem experdicado tanto dinheiro em guerras e mas administracoes economicas que faltou dinheiro para prestar assistencia aos veteranos de guerra.

Eh sempre assim! A corda arrebenta mesmo nas maos dos mais fragilizados. E olha que as pessoas vao `a guerra pensando que estao prestando o maior servico `a sua nacao, jamais pensam que a nacao nao lhes sera grata pelos riscos corridos.

Quanto `a condicao poder ter algum componente fortemente circunstancial podemos tomar a informacao de que os suicidios sao mais frequentes em populacoes que sofrem grau maior de pressao competitiva. Muita gente pode pensar que os paises ricos sao paraisos. Mas a verdade eh que nestes a filosofia do ter torna-se mais impositiva que a do ser. Principalmente os jovens sao lancados uns contra os outros no intuito de tornarem-se mais competitivos e vencedores.

O problema eh que a economia funciona em forma de piramide. Somente uns poucos alcancarao o topo. Muita gente sera submetida a condicao inferior sem a correspondente conformacao com isso. O resultado eh a frustracao e uma das formas de fugir ao desafio torna-se o suicidio. Apesar do sucesso de certas economias como a do Japao e da Coreia, estes paises estao entre os recordistas em suicidios.

Em relacao ao caso dos familiares Barroso, sei que nao eh o unico. Alguns membros da Familia Figueiredo da area de Virginopolis e Divinolandia tambem foram acometidos pela condicao. Entre os Figueiredo lembro-me de pelo menos tres casos relatados. O que eh mais do que o numero de casos que ouvi falar entre os que nao assinavam Figueiredo.

Quando qualquer condicao esta ligada a algum sobrenome, a tendencia eh realmente haver algum vinculo genetico. Ha aqui que se lembrar que a maioria das condicoes geneticas podem estar presentes em populacoes consideradas normais. Porem eh preciso que haja algum estimulo ambiental para que ela se manifeste.

Nisso posso citar um exemplo bem pratico que tenho noticia. Um pesquisador aqui dos Estados Unidos estuda a condicao da psicopatia. Psicopatas sao pessoas que desenvolvem um quadro que sao incapazes de se vincular emocionalmente a seus semelhantes, o que acaba permitindo que cometam os piores crimes possiveis. Como nao ha como afirmar que uma pessoa eh ou nao psicopata com antecipacao, o pesquisador recorreu ao estudo dos cerebros daqueles que ja haviam manifestado a situacao, haviam sido presos, condenados e, depois de mortos, recolheram-lhes os cerebros para os estudos.

Foi encontrado em todos os cerebros uma deformacao. Uma parte do cerebro nao era funcional. Entao, ficou estabelecido que quem tivesse a mesma deformacao seria candidato a manifestar a condicao. Mas para confirmar a condicao era preciso analisar-se cerebros de pessoas normais, para saber se havia a presenca da deformacao em pessoas que nao manifestam o quadro. O cientista fez diversas ultrassonografias em outras pessoas, inclusive da propria familia.

Quando chegaram os resultados, descobriram que apenas um dos cerebros analisados continha a mesma deformacao. Neste caso, para fins cientificos, o cerebro estava identificado apenas por um numero, para nao sofrer interferencias de fundo emocional dos analistas. Identificada a deseformacao e seu numero, foram identificar a pessoa. Nao era outra senao o proprio pesquisador. E, entao, como ele nao desenvolveu a situacao e por outro lado transformou-se num pesquisador?!

Baseado no historico dos psicopatas condenados ele verificou que todos haviam sofrido abusos durante seu desenvolvimento. Entao ele desenvolveu a teoria baseada em sua propria experiencia de vida. Ou seja, nasceu numa familia com poucos filhos onde houve um primeiro nascimento e uma sequencia de abortamentos. Quando ele nasceu havia uma distancia entre ele e o primeiro nascido. Houve outra sequencia de abortamentos antes de nascer o proximo irmao.

Devido aquela condicao de ter sido a esperanca e a concretizacao dos sonhos da familia, todos dedicavam a ele muita atencao e amor. Era o queridinho da familia por assim dizer. Levantou entao a teoria de que a condicao pode existir e nao se manifestar por causa do ambiente amoroso. Ja a situacao de abuso seria a responsavel pela inducao da manifestacao. Este encontro ainda nao eh conclusivo neste caso porque as amostras analisadas nao sao suficientes em numero para dar um diagnostico cientificamente comprovado. Os estudos continuam.

Bom, no caso dos suicidios nas Familias Barroso e Figueiredo, haveria muita coisa a ser estudada. Isso porque pode ser ate que o gen que possivelmente existe nao seja inerente aos sobrenomes atacados. Para determinar-se isso com certeza haveria que fazer-se um estudo genealogico amplo, pois, sera possivel que algumas outras familias possuam o gen, com ou sem a manifestacao. E pode ate ser que a manifestacao nessas familias tenha tornado possivel porque ramos delas sejam aparentados com uma terceira fonte. Entao, seria preciso encontrar a fonte.

Ate mesmo antes de fazer-se a pesquisa genealogica seria preciso agir como aconteceu no caso das familias com criancas portadoras da Sindrome de Down. Premente sera fazer-se uma associacao. Entendo que sera muito doloroso para os familiares dos suicidas se abrirem a respeito dos casos acontecidos nas familias. Mas ha o caminho que transforma a situacao em problema e o caminho que a transforma em desafio. Aqueles que pensarem que tudo eh problema, ficarao confinados em seus casulos `a espera do proximo que cometera suicidio.

Ja os que adotarem o caminho do desafio, superarao os obstaculos e, possivelmente, encontrarao alguma solucao.

Nao digo que esta solucao vira facilmente. Pela experiencia que tenho posso dizer que podera passar uma geracao inteira em busca do que nao chegara para nos. Entre o levantamento genealogico, o despertar do interesse de especialistas para estudar o caso, o fazer as pesquisas e encontrar formas de elas serem financiadas, encontrar os indicios, testar, confirmar, apresentar sugestoes, realizar novas pesquisas e chegar aos resultados, o trabalho sera intenso e cansativo.

Porem, sera a unica forma de apresentar um resultado que garantira alternativas para as futuras geracoes. Tudo eh desafio. So nao ha superacao quando nao se trabalha para isso.

Compreendo que o preconceito eh um dos maiores empecilhos para a tomada de atitude. As familias envolvidas devem sentir a estigmatizacao da sociedade. Eh dificil realmente enfrentar o apontar de dedos. Mas as pessoas afetadas por qualquer que seja a condicao nao podem permitir que o estigma lhes carimbe a pele. Nao importa qual seja a condicao que tenhamos que enfrentar, o carimbo do estigma deve marcar os preconceituosos que apontam os dedos, pois, estes sao apenas “macacos que sentam nos proprios rabos para falar do rabo dos outros”.

Felizmente, na Terra nao existe raca ou diferenca genetica suficiente entre os seres humanos para dizer-se que uns sejam de um planeta e outros de outro. Meus estudos genealogicos tem me mostrado que existe uma unica raca e uma unica familia na Terra, ou seja, esta eh a humana. Quem pensa que nao existe situacoes a serem superadas em sua propria familia, nao o faz nem por via de conhecimento e muito menos por via de sabedoria. Trata-se apenas de ignorancia regada a hipocrisia.

 

 

 

07. GENEALOGIA COMPRIMIDA DAS FAMILIAS DOS VIDALONGAS.

Precisamos demonstrar o quanto entrelacadas as familia da regiao estao. Claro, utilizarei aqui de alguns extremos. Embora nao sejam os extremos da consanguinidade que temos na familia como um todo. Postarei alguns resumos genealogicos de familias para que possamos observar a danca dos entrelacamentos em primeiro lugar.

Mas tambem a estrategia de enxugar as genealogias, pois, o pouco que postarei ja sera um pouco complicado para quem nao conheceu ou teve noticias dos personagens. Procurarei postar principalmente o resumo que abrange a maioria das pessoas mostradas na lista dos mais longevos da familia. Assim, poderemos acompanhar o grau de parentesco que ha entre cada um.

E, futuramente, algum geneticista podera usar este esquema para observar se existe alguma influencia na longevidade e algum dos sobrenomes aqui apresentados. Quase todos os personagens sao Coelho de Magalhaes ja constatado, a marioria eh, simultaneamente, Nunes Coelho e boa porcentagem eh “de Magalhaes Barbalho”. Infelizmente, ainda nao temos um acompanhamento mais amplo do sobrenome Barroso, porem, destaquei o maximo que pude os familiares que tem esta assinatura entre seus ancestrais.

Tambem o nosso acompanhamento da familia do casal Clemente Nunes Coelho e Anna Maria Pereira eh muito limitado. Tenho para mim que, naturalmente, pelo grande numero de componentes na atualidade, essa descendencia estara tao dispersa pelo mundo quanto todas as outras. Mas creio que as primeiras geracoes aglomeraram-se em Guanhaes. E sera bem possivel cruzar-se com essa descendencia sem fazermos ideia de quem seja.

Esse eh um dos problemas que afetam a nossa memoria muito raza de nossos ancestrais. Todo mundo ja ouviu pelo menos falar os nomes dos proprios avos. A partir dos bisavos a maioria das pessoas pensa que nao ha necessidade alguma guardar. Contudo, postei na genealogia abaixo os exemplos de nossos primos: 78. Rosany Barbalho Leite – 79. Wander Jose Leite e 80. Trajano (Tata) Moreira Magalhaes Barbalho e 81. Ursula Coelho Serra Goncalves.

Ate ha pouco tempo atras eu nao tinha noticias de que a Rosany e o Tata descendiam do casal Clemente e Anna Maria. Descobri que o Wandinho descende, simultaneamente, do casal 07. Francisca Eufrasia e 08. Ten. Joaquim Nunes Coelho. Todos descendem em menor dosagem do Clemente que nasceu no inicio do seculo XIX e que pode ser o mesmo marido da Anna Maria ou filho daquele.

Agora sabemos o risco de Rosany e Tata descenderem uma vez mais do casal: 104. Joaquim Pereira do Amaral – 105. Maria Rosa dos Santos Carvalhais, o que a Ursula tambem eh. Nao sei com qual grau de preocupacao devemos encarar esse desafio de sabermos que todas as pessoas ao nosso redor sao potenciais nossas parentes muito mais proximo do que imaginamos. Sei apenas que continuarmos desconhecendo o que se passou em nossa genealogia para planejarmos o futuro de nossos filhos, sera um alto grau de irresponsabilidade.

Observem tambem que nem todas as pessoas que aparecem na lista dos mais longevos entraram aqui neste resume. Dona Maria Balbina Pires, por exemplo, era consanguinea dos familiares Rodrigues Coelho pelos componentes familiares: Borges Monteiro, Pereira do Amaral e Pimenta Vaz Barbalho. Contudo, eu teria que extender muito a genealogia para ela aparecer.

Tambem faltou-me postar o componente que forma o ramo familiar dos senhores Gabriel Coelho de Oliveira e das irmas Emidia e Vita de Souza Figueiredo. O senhor Gabriel era neto tanto do casal: 33. Anna Honoria Coelho – 34. Candido de Oliveira Freire, quanto do Emygdia Honoria Coelho e Amaro de Souza Silva. Ele era filho do casal: Fernando Coelho de Oliveira e Luiza de Souza Coelho, que eram primos em primeiro grau, ja que tias Anna e Emygdia eram irmas. Ja as irmas Emidia e Vita, que estao vivas, foram filhas do casal Joao de Souza Coelho e Genoveva Fausta de Figueiredo, sendo que o senhor Joao era irmao da Sa Luiza.

Faltou-me postar tambem aqui: Joao Coelho, filho de: 37. Jose (Ze Coelho) Batista Coelho e 39. Virginia Marcolina Coelho; Murillo Coelho, filho de: 135. Jose (Juca Coelho) Coelho Junior – 136. Davina Magalhaes, e Hugo de Magalhaes Barbalho filho de: 139. Cecy Marcolina Coelho – 140. Marcial de Magalhaes Barbalho. Assim torna-se possivel determinar as relacoes parentais entre quase todos os membros da lista apresentada no capitulo 04.

Nao postei isso na genealogia abaixo porque o esquema ja estava comecando a ficar embaralhado. Fiz um esquema de numeracao completamente do costumeiro feito em genealogias. Porem, acredito que a ordem numerica comecando do numero 01 e seguindo favorecera ao entendimento mesmo daqueles que nao estao acostumados a lidar com a disciplina. A ideia eh facilitar. Cada pessoa tem seu numero. Quando elas aparecem repetidas vezes, os numeros se manterao. Entao, bastara verificar na sequencia e descobrir as origens.

A ideia aqui eh deixar essa pequena fonte de consulta para quem for ler este texto e desejar informar-se melhor de como se encaixam as pessoas mencionadas na Arvore Genealogica. Nenhuma das familias ficaram completas neste resumo por causa da sua simplificacao. Quem desejar ter um quadro mais completo podera servir-se do que ja temos no site http://www.geneaminas.com.br. Alguns dados ainda precisam efetivacao la para que as ligacoes sejam feitas para facilitar a navegacao e compreensao. Isso sera feito em breve.

Segue, entao, esta pequena genealogia:

01. Alferes, Jose Coelho de Magalhaes – 02. Eugenia Rodrigues da Rocha, pais de:

03. Capitao, Jose Coelho da Rocha – 04. Luiza Maria do Espirito Santo
05. Capitao, Joao Coelho de Magalhaes – 06. Bebiana Lourenca de Araujo

03. Capitao, Jose Coelho da Rocha – 04. Luiza Maria do Espirito Santo, pais de:

07. Francisca Eufrasia de Assis – 08. ten. Joaquim Nunes Coelho
09. Ten. Joao Batista Coelho – 10. Maria Honoria Nunes Coelho
11. Eugenia Maria da Cruz – 12. capitao, Francisco Marcal de Magalhaes Barbalho
13. Ten. Antonio Rodrigues Coelho – 14. Maria Marcolina Borges do Amaral

07. Francisca Eufrasia de Assis – 08. ten. Joaquim Nunes Coelho, pais de:

15. Joaquim (Quinsoh) Nunes Coelho – 16. Sebastiana Honoria Coelho
17. Jose Nunes Coelho – 18. Emigdia de Magalhaes Barbalho
19. Joao Nunes Coelho – 20. Petronilha (Pitu) de Magalhaes Barbalho
21. Miguel Nunes Coelho – 22. Abrosina (Sinha) de Magalhaes Barbalho
23. Luiza Nunes Coelho – 24. Luiz Furtado Leite

09. Ten. Joao Batista Coelho – 10. Maria Honoria Nunes Coelho, pais de:
25, 27, 31, 33, 35, 37

25. Joao Batista Coelho Junior – 26. Quiteria Rosa (Titi) do Amaral
27. Antonio Paulino Coelho – 28. Julia Salles Coelho, pais de:
29. Dimas Batista Coelho – 30. Maria Magdalena (Sinha) Coelho
31. Sebastiana Honoria Coelho – 32. Joaquim (Quinsoh) Nunes Coelho
33. Anna Honoria Coelho – 34. Candido de Oliveira Freire, pais de:
57. Marina (Nenen) Coelho de Oliveira – 56. Daniel Rodrigues Coelho
35. Antonia Honoria Coelho – 36. Pedro de Magalhaes Barbalho
37. Jose (Ze Coelho) Batista Coelho – 38. Maria Marcolina (Sa Quinha) Coelho
‘ – 39. Virginia Marcolina Coelho

11. Eugenia Maria da Cruz – 12. cap. Francisco Marcal de Magalhaes Barbalho

18. Emigdia de Magalhaes Barbalho – 17. Jose Nunes Coelho
20. Petronilha (Pitu) de Magalhaes Barbalyho – 19. Joao Nunes Coelho
36. Pedro de Magalhaes Barbalho – 35. Antonia Honoria Coelho
40. Marcal de Magalhaes Barbalho – 41. Ercilia Coelho de Andrade
42. Candida de Magalhaes Barbalho – 43. Joao Batista de Magalhaes
22. Ambrosina (Sinha) de Magalhaes Barbalho – 21. Miguel Nunes Coelho

13. Antonio Rodrigues Coelho – 14. Maria Marcolina Borges do Amaral, pais de:

44. Lindolpho Rodrigues Coelho – 45. Marcolina (Marca) Nunes Coelho
46. Altivo Rodrigues Coelho – 47. Vitalina (Nhanha) Nunes Coelho
48. Josephina Marcolina Coelho – 49. Pio Nunes Coelho
38. Maria Marcolina (Sa Quinha) Coelho – 37. Jose (Ze Coelho) Batista Coelho
50. Joao Rodrigues Coelho – 51. Olimpia Coelho do Amaral
52. Luiza Marcolina Coelho – 53. Emidio Ferreira da Silva
54. Angelina Marcolina Coelho – 55. Joao (Janjao) Ferreira da Silva
56. Daniel Rodrigues Coelho – 57. Marina (tia Nenen) Coelho de Oliveira
39. Virginia Marcolina Coelho – 37. Jose (Ze Coelho) Batista Coelho
58. Benjamin Rodrigues Coelho – 59. Julia (Nhazinha) Coelho do Amaral
60. Maria Carmelita Coelho – 61. Simao Batista Coelho

62. Clemente Nunes Coelho – 63. Ana Maria Pereira, pais de:

64. Knesvita Nunes Coelho – 65. Benicio Alves Barroso
66. Aneglia Nunes Coelho – 67. Pedro Barroso Alves
47. Vitalina (Nhanha) Nunes Coelho – 46. Altivo Rodrigues Coelho
45. Marcolina (Marca) Nunes Coelho – 44. Lindolpho Rodrigues Coelho
49. Pio Nunes Coelho – 48. Josephina Marcolina Coelho

68. Modesto Alves Barroso – 69. Sa Cutinha Pereira, pais de:

65. Benicio Alves Barroso – 64. Knesvita Nunes Coelho
67. Pedro Barroso Alves – 66. Aneglia Nunes Coelho
70. Adelaide Alves Barroso – 71. Severiano Guimaraes, pais de:

72. Nair Barroso Guimaraes – 73. Aristides Nunes Coelho

65. Benicio Alves Barroso – 64. Knesvita Nunes Coelho, pais de:
74, 82.

74. Dinah Nunes Barroso – 75. Antonio Moreira, pais de:

76. Railda Moreira Barbalho – 77. Ozanan de Magalhaes Barbalho, pais de:

78. Rosany Magalhaes Barbalho – 79. Wander Jose Leite
80. Trajano (Tata) de Magalhaes Barbalho – 81. Ursula Coelho Serra Goncalves

82. Enio Nunes Barroso – 83. Maria da Conceicao da Rocha, pais de:

84. Maria das Gracas Barroso Rocha – 85. Dr. Jose Geraldo Braga da Rocha

67. Pedro Barroso Alves – 66. Aneglia Nunes Coelho, pais de:

86. Graciema Nunes Barroso – 87. Lauro Nunes Coelho
88. Zulmira Coelho Barroso – 89. Ciro Nunes Coelho
90. Zilah Nunes Barroso – 91. Darcy Nunes Coelho
92. Moacir Nunes Barroso – 93. Jandira Nunes Coelho

47. Vitalina (Nhanha) Nunes Coelho – 46. Altivo Rodrigues Coelho, pais de:

94. Maria Magdalena (Sinha) Coelho – 95. (*) Dimas Batista Coelho, pais de:
96. Maria Jose (Zeze) Coelho – 97. Otacilio de Magalhaes Barbalho
98. Hercy (Zinho) Rodrigues Coelho – 99. Odeth de Magalhaes Barbalho
100. Adalgisa Coelho – 101. Anisio Rodrigues Coelho

(*) 95. Dimas Batista Coelho era filho de 27. Antonio Paulino Coelho e 28. Julia Salles Coelho. Julia foi a primeira filha do 13. ten. Antonio Rodrigues Coelho, porem, com Anna Girou Bonnefoi, nao com a esposa, 14. Maria Marcolina Borges do Amaral.

45. Marcolina (Marca) Nunes Coelho – 44. Lindolpho Rodrigues Coelho – Existirao alguns encontros dessa descendencia com outros membros da familia. Um exemplo eh o casamento do bisneto, Sebastiao Eneias Moreira Coelho com Marcilia de Magalhaes Barbalho. Marcilia eh bisneta do casal 37. Jose (Ze Coelho) Batista Coelho e 38. Maria Marcolina (Sa Quinha) Coelho.

49. Pio Nunes Coelho – 48. Josephina Marcolina Coelho

73. Aristides Nunes Coelho – 72. Nair Barroso Guimaraes
102. Alzira Nunes Coelho – 103. Ulisses Nunes Coelho
89. Ciro Nunes Coelho – 88. Zulmira Coelho Barroso
91. Darcy Nunes Coelho – 90. Zilah Nunes Barroso
87. Lauro Nunes Coelho – 86. Graciema Nunes Barroso
93. Jandira Nunes Coelho – 92. Moacir Nunes Barroso

104. Joaquim Pereira do Amaral – 105. Maria Rosa dos Santos Carvalhais, pais de:

69. Sa Cutinha Pereira – 68. Modesto Alves Barroso (possivelmente)
26. Quiteria Rosa (Titi) do Amaral – 25. Joao Batista Coelho Junior, pais de:
51, 59, 61, 129

51. Olimpia Rosa Coelho do Amaral – 50. Joao Rodrigues Coelho, pais de:
106, 116, 118, 127

106. Zulmira Coelho de Magalhaes – 107. Trajano de Magalhaes Barbalho, pais de:
77, 97, 99, 108, 110, 114

99. Odeth de Magalhaes Barbalho – 98. Hercy (Zinho) Rodrigues Coelho
97. Otacilio de Magalhaes Barbalho – 96. Maria Jose (Zeze) Coelho Barbalho
108. Odon de Magalhaes Barbalho – 109. Maria Judith Coelho Barbalho
110. Odila Barbalho Coelho – 111. Eurico Batista Coelho, pais de:

112. Ivania Batista Coelho – 113. Euler (Nego) Moraes

114. Ovidio de Magalhaes Barbalho – 115. Gilda Coelho Barbalho
77. Ozanan de Magalhaes Barbalho – 76. Railda Moreira Barbalho

116. Sinval Rodrigues Coelho – 117. Maria (Maricas) Coelho de Magalhaes
118. Otaviano (Tavico) Rodrigues Coelho – 119. Petrina Coelho de Oliveira, pais de:

120. Nayde Coelho Serra – 121. Addison (Ioio) da Costa Serra, pais de:

122. Maria Silvia Coelho Serra – 123. Socrates de Assuncao Goncalves, pais de:

124. Ursula Coelho Serra Goncalves – 125. Trajano (Tata) de Magalhaes Barbalho

127. Maria Jose (Zeze) Coelho de Magalhaes – 128. Otavio Coelho de Magalhaes

129. Evencio Batista Coelho – 130. Emydia Magalhaes

33. Anna Honoria Coelho – 34. Candido de Oliveira Freire, pais de:

57. Marina (Nenen) Coelho de Oliveira – 56. Daniel Rodrigues Coelho, pais de:

119. Petrina Coelho de Oliveira – 118. Otaviano (Tavico) Rodrigues Coelho
131. Olga Coelho de Oliveira
132. Elsa Coelho de Oliveira
133. Dimas Rodrigues Coelho – 134. Maria Aparecida (Cidinha) Magalhaes Barbalho

37. Jose (Ze Coelho) Batista Coelho – 38. Maria Marcolina (Sa Quinha) Coelho, pais de:
135, 139

135. Jose (Juca Coelho) Coelho Junior – 136. Davina Magalhaes, pais de:

109. Maria Judith Coelho Barbalho – 108. Odon de Magalhaes Barbalho, pais de:

137. Valquirio de Magalhaes Barbalho – 138. Maria da Penha Andrade Barbalho

139. Cecy Marcolina Coelho – 140. Marcial de Magalhaes Barbalho, pais de:

134. Maria Aparecida (Cidinha) Magalhaes Barbalho – 133. Dimas Rodrigues Coelho

40. Marcal de Magalhaes Barbalho – 41. Ercilia Coelho de Andrade, pais de:
22, 141, 144, 107, 153

141. Onesimo de Magalhaes Barbalho – 142. Marietta Nunes Rabello, pais de:
143. Marilia de Magalhaes Barbalho
144. Helio de Magalhaes Barbalho – 145. Cremilda Coelho

146. Vita de Magalhaes Barbalho – 147. Joaquim (Quinquim) Soares de Oliveira, pais de:
148. Maria das Merces Soares
149. Maria da Gloria Soares – 150. Nilson Saraiva Pontes

107. Trajano (Cista) de Magalhaes Barbalho – 106. Zulmira Coelho de Magalhaes
140. Marcial de Magalhaes Barbalho – 139. Cecy Marcolina Coelho
151. Olga de Magalhaes Barbalho – 152. Francisco de Oliveira Catao

153. Candida de Magalhaes Barbalho – 154. Joao Batista de Magalhaes, pais de:

130. Emydia Magalhaes – 129. Evencio Batista Coelho
136. Davina Magalhaes – 135. Jose (Juca Coelho) Coelho Junior
117. Maria (Maricas) Coelho Magalhaes – 116. Sinval Rodrigues Coelho

22. Ambrosina (Sinha) de Magalhaes Barbalho – 21. Miguel Nunes Coelho, pais de:

152. Bispo, Dom Manoel Nunes Coelho
153. Notel Nunes Coelho – 154. Maria Izabel Rodrigues, pais de:

155. Mons. Omar Nunes Coelho

61. Simao Batista Coelho – 60. Maria Carmelita Coelho, pais de:

156. Diva Coelho – 157. Antonio Lucio de Oliveira
111. Eurico Batista Coelho – 110. Odila Barbalho Coelho
145. Cremilda Coelho – 144. Helio de Magalhaes Barbalho

59. Julia (Nhazinha) Coelho do Amaral – 58. Benjamin Rodrigues Coelho, pais de:

158. Graciola Coelho Braga – 159. Geraldo de Oliveira Braga

129. Evencio Batista Coelho – 130. Emydia Magalhaes

 

 

08. MISCELANIA

Enquanto escrevia o restante deste texto tive a ideia de lancar aqui algumas listas que julgo devem ser do interesse tanto publico quanto de genealogistas. A ideia era a de recolher as listagens de prefeitos que governaram as cidades da regiao. Assim poderiamos verificar qual o relacionamento parental que existe entre os governantes da regiao. Acabei esbarrando num empecilho pratico. Nao encontrei na internet as listas desejadas.

Mesmo assim, encontrei pelo menos a do Municipio de Sabinopolis. Ha mais tempo recebi um documento que continha tambem a de Virginopolis. Contudo a perdi na montanha de e-mails que guardo ou descarto. Pelo menos, a de Virginopolis guardo boa parte de memoria. Assim, postarei os nomes que lembrar-me.

De Guanhaes tenho uma lista retirada do livro: “NOTAS HISTORICAS SOBRE GUANHAES”, do nosso aparentado, Innocente Soares Leao. O livro eh de 1967, portanto, tenho os prefeitos ate `aquele ano. De Sao Joao Evangelista tenho algumas mencoes encontradas no livro: “A MATA DO PECANHA, SUA HISTORIA E SUA GENTE”, do professor Dermeval Jose Pimenta. Segue entao, a comecar por Sabinopolis, pois, eh a mais completa:

01. Ignacio Alves Barroso 1925 – 1929
02. Elpidio de Pinho Tavares 1926 – 1927
03. Remy Pires Campos 1933 – 1933
04. Antonio Azer de Pinho Tavares 1925 – 1925/1929 – 1934
05. Ismael Barroso 1945 – 1946
06. Jose Coelho de Pinho 1946 – 1947
07. Joselino Lages de Oliveira 1947 – 1947
08. Luiz da Fonseca Vilares 1947 – 1947
09. Nelson Figueiredo Barroso 1947 – 1948
10. Osvaldo Magela Mourao 1951 – 1955
11. Celso Generoso Pereira 1955 -1959/1959 – 1962
12. Joaquim de Pinho Tavares Neto 1959 – 1959/1962 – 1963
13. Olegario Mourao 1963 – 1967
14. Etelvou de Pinho Tavares 1967 – 1971
15. Paulo Afonso Caldeira Mourao 1971 – 1973
16. Paulo de Pinho 1973 – 1977
17. Cleber de Pinho Tavares 1977 – 1979
18. Francisco de Assis Mafra 1979 – 1983
19. Andrelino Ferreira do Nascimento 1983 – 1988
20. Alenir de Pinho Tavares 1989 – 1991
21. Jose Generoso Nunes Gloria 1991 – 1991
22. Adelio Barroso Magalhaes 1991 – 1992/1997 – 2000
23. Mucio Barroso Campos 2002 – 2002
24. Paulo Jorge Pimenta 2001 – 2004
25. Elzio Maria de Pinho 2005 – 2008
26. Geraldo Santos Pires 2008 – 2012
27. Carlos Roberto Barroso Mourao 2013 -

Aqui ja podemos tracar algum paralelo entre os chefes executivos do municipio e a genealogia da Familia Barroso. Embora os sobrenomes possam mudar um pouco, o mais provavel sera haver ligacoes familiares entre todos. Infelizmente nos falta um acompanhamento tal como o professor Dermeval fez a respeito de Sao Joao Evangelista no livro: “A Mata do Pecanha”. Assim poderiamos verificar isso claramente.

E claro, com o acompanhamento nao apenas paterno dos senhores prefeitos, pois, asseguro que do lado materno haverao entrelaces com a maioria das familias existentes no municipio de Sabinopolis e regiao.

Eh possivel que o acompanhamento genealogico de Sabinopolis que desejo ver ja exista. A amiga Joselia informou-me a respeito do livro: “UM PADRE SUA HISTORIA E SUA GENTE”, de autoria do Mons. Otacilio Sena de Queiroz. O monsenhor eh natural de Sabinopolis. Como nao conheco a obra nao sei o que encontrar nela.

LISTA DE PREFEITOS DE VIRGINOPOLIS

Virginopolis emancipou-se de Guanhaes em 1923. Lembro-me dos nomes de alguns de seus primeiros prefeitos. Todos com vinculos consanguineos ou agregados `as familias locais. Alguns repetiram os mandatos. Lembro-me dos governantes a partir de 1960, quando era apenas uma crianca muito tenra. Nao sei dizer se os colocarei em ordem correta. Mas tentarei.

01. Jose Rodrigues Coelho
02. Trajano de Magalhaes Barbalho
03. Benjamin Rodrigues Coelho
04. Anisio Rodrigues Coelho
05. Antonio Meireles
06. Jose Coelho Perpetuo
07. Jose Lucio de Oliveira
08. Serafim Coelho de Magalhaes
09. Lincoln Antonio Lucio
10. Henrique Lucio de Oliveira
11. Gabriel Geraldo Soares de Souza
12. Jose Onofre (Ze do Marinho)
13. Jose Adolfo Ribeiro
14. Maria Aparecida Morais Ribeiro
15. Marcia Nunes Coelho
16. Hiran Pinheiro

Todos eles tem alguma ligacao familiar entre si. Pode ser que nem todos souberam disso. Quase todos estao registrados em nossa Arvore Genealogica. Mas falta ampliar mais os conhecimentos dos vinculos para ter-se uma melhor ideia de como as relacoes familiares se processaram durante a Historia do Muncipio.

LISTAS DE PADRES E PREFEITOS DE GUANHAES

De Guanhaes, tenho tambem a lista dos parocos locais. Creio que enriquecera o nosso conhecimento postando-a em primeiro lugar. Retirada tambem do mesmo livro em que encontrei os ex-prefeitos. Nao posto aqui a lista de padres de Virginopolis porque ja o fiz em meu texto anterior. Segue entao:

01. Pe. Firmiano Alves de Oliveira 1834 – 1853
02. Pe. Emigdio de Magalhaes Barbalho 1853 – 1859
03. Pe. Jose Julio de Oliveira 1859 – 1870
04. Pe. Cesario de Miranda Maria Ribeiro 1870 – 1900
05. Pe. Jose Augusto de Oliveira 1900 – 1904
06. Pe. Sebastiao Ayala 1904 – 1909
07. Mons. Antonio Pinheiro Brandao 1909 – 1935
08. Pe. Francisco Batista dos Santos 1935 – 1941
09. Pe. Geraldo Guabiroba 1941 – 1945
10. Pe. Jose Correia 1945 – 1952
11. Mons. Sebastiao Fernandes 1952 – 1954
12. Mons. Geraldo do Espirito Santo Avila 1954 – 1957
13. Mons. Joao Tavares de Souza 1957 – 1960
14. Pe. Geraldo Magela Teixeira 1960 -

LISTA DE EX-PREFEITOS DE GUANHAES ATE 1966

01. Furbino Pereira da Silva
02. Maximino Carlos de Miranda
03. Pe. Cesario de Miranda Maria Ribeiro
04. Salathiel Augusto Nunes Coelho
05. Claudionor Nunes Coelho
06. Dr. Francisco (Chiquitinho) Nunes Coelho
07. Pedro Alexandrino da Silva Neto
08. Lindolpho Rodrigues Coelho
09. Getulio Ribeiro de Carvalho
10. Pio Nunes Coelho
11. Joaquim Tomas de Carvalhais
12. Dr. Alcindo Pereira da Silva
13. Xisto de Carvalho
14. Dr. Jovino de Barros
15. Silvio Catao
16. Joaquim de Brito
17. Benjamin Coelho Leao
18. Lucas Tavares de Lacerda
19. Casimiro de Andrade Silva
20. Joao Carlos de Miranda Junior
21. Antenor Cafe
22. Astramiro de Oliveira Santana
23. Joaquim Caldeira
24. Joao Elias Neto
25. professor, Vicente Fernandes Guabiroba

Ate mesmo de memoria posso enxergar relacoes parentais entre os membros desse grupo de pessoas. Claro, Salathiel, Claudionor e Dr. Chiquitinho eram irmaos. Maximino era casado com Maria Augusta, irma dos tres. Os senhores Getulio e Xisto de Carvalho eram pai e filho. Este irmao e aquele pai de dona Inah de Carvalho, a esposa do Dr. Chiquitinho, que foram os pais, entre outros, do deputado Rafael Caio Nunes Coelho.

Os Cafe e os Carvalho eram de uma mesma familia, descendentes da mesma dona Dina Flora de Macedo Bastos com seus dois maridos. Antenor Cafe era casado com Corina Ferreira da Silva, sobrinha de Lindolpho Rodrigues Coelho e, por tabela, do Pio Nunes Coelho. Tambem os Carvalhais e os Catao eram membros de uma mesma familia iniciada por Augusto Cesar Alves Catao e dona Julia Augusta Carvalhais. Silvio era filho do casal.

Benjamim Coelho Leao foi o pai do dr. Innocente Soares Leao, o autor do livro: “NOTAS HISTORICAS SOBRE GUANHAES”. O deputado Vicente Guabiroba casou-se com Ondina Coelho. Era cunhado da tia Zeze, esposa do tio Otacilio. Faleceu em 2011 aos 89 anos de idade. Para trocar tudo em rapidos miudos, aqui se observa que os governantes destes municipios pertenciam a um mesmo grupo de familias entrelacadas entre si e com muitas outras.

LISTA DE EX-PREFEITOS DE SAO JOAO EVANGELISTA

Nao tenho uma lista de ex-prefeitos de Sao Joao. O que tenho sao mencoes a eles pelo professor Dermeval em seu livro: “A MATA DO PECANHA”.

01. Antonio Borges do Amaral
02. Astrogildo Alves do Amaral
03. Ney do Amaral
04. Santos Ribeiro
05. Euler Ribeiro

Os 5 sao membros de um mesmo conjunto de familias consanguineas e com ligacoes familiares com os ex-prefeitos das cidades vizinhas. Alem disso, Euler Ribeiro foi o pai de Jose Adolfo Ribeiro e sogro de dona Maria Aparecida Morais Ribeiro, ex-prefeitos do Municipio de Virginopolis.

Faltam-me dados mais completos de Pecanha de um modo geral. Porem sei que entre os prefeitos encontram os irmaos Simao (Dr. Simaozinho) e Antonio da Cunha Pereira. A lista devera incluir diversos sobrenomes, em especial os de familias antigas locais como os Braga, Electo de Souza, Vieira da Silva, Carvalho, Queiroz, Almeida, Pires, Goncalves, Oliveira, Silva, Sena, Leao, Leite, incluindo-se algum Barbalho e Nunes Coelho de sangue.

Acredito que daqui a uns tempos teremos a obra genealogica de nossa amiga Marina Raimunda Braga Leao que suprira nossa falta de informacao no campo de Pecanha e suas associadas.

Falta-nos um arrazoado melhor a respeito da genealogia de Guanhaes, pois, o que temos trata da genealogia de descendencia do casal Jose Coelho da Magalhaes e Eugenia Rodrigues da Rocha. Estes nossos pentavos, associados a outros como o casal de pentavos Euzebio Nunes Coelho e Anna Pinto de Jesus ascendem boa parte das populacoes de Guanhaes, Virginopolis e cidades que seguem em direcao a Governador Valadares, contudo, falta-nos o acompanhamento da descendencia de outros patriarcas do tempo deles, pois, suas familias estao associadas.

Tendo em maos o livro: “A Mata do Pecanha, sua Historia e sua Gente”, inclui-se algo da genealogia de Sao Joao Evangelista. Talvez a obra: “Um Padre sua Historia e sua Gente” fara o mesmo em relacao a Sabinopolis.

Duas outras obras que tenho noticias poderiam ajudar-nos muito no decifrar desse emaranhado. Sao elas: “Algumas Notas Genealogicas” de autoria do professor Nelson Coelho e Senna e “Genealogia e Biografias de Serranos e Diamantinenses”, do Dr. Luiz Eugenio Pimenta Mourao. Para fechar com chave de ouro havera que, se ainda nao houver, escrever-se a genealogia procedente de Conceicao do Mato Dentro. O mesmo poderia ser feito em relacao a Santa Barbara. Itabira era filial de Santa Barbara e de la ja existe uma parte de sua genealogia atraves da obra: “Dois Seculos dos Andrade”, de Ormi Andrade Silva e Jose Gomide Borges.

Acredito que a maior obra de familias mineiras devera ser o “Velhos Troncos Mineiros”, de autoria do Con. Raimundo Otavio Trindade. Claro, mesmo somadas, estas obras legar-nos-ao algum deficit de abrangencia, pois, as genealogias antigas nao abordavam a presenca do povao. Somente aquela das consideradas familias dominantes. Mas o povao sempre esteve associado, fazendo parte dos bandos dominantes, mais recebendo do que fornecendo contributos geneticos, porem, nunca deixando de participar. Principalmente nos dias atuais nao ha como separar-se as genealogias de uns e outros.

Por fim, as familias abordadas em tais obras deverao ter deixados rastros em todos os atuais municipios da Regiao Centro-Nordeste de Minas Gerais e alhures. Deveria haver pelo menos um abnegado em cada um de seus municipios para que um levantamento mais completo pudesse ser feito e para que sejam feitas as atualizacoes das novas geracoes. Acredito que se um trabalho desse fosse concluido, enxergariamos a perfeita consonancia entre a Historia e a Genealogia do passado e do presente, brasileiras.

De Conceicao do Mato Dentro temos o amigo Bento Luiz Silva, que ja se propos fazer o trabalho em torno da sua familia. Aguarda a esperada aposentadoria para realizar o sonho. Em caminho semelhante encontramos os amigos Dirceu Rabelo e Romeu F. Madureira que apresentam grandes conhecimentos a respeito da genealogia de Dom Joaquim. Se passarem os conhecimentos para um livro teremos grande complemento `as outras genealogias, pois, pela antiguidade do local, todas as familias da regiao sofrem influencias dos sobrenomes ali estabelecidos.

Fazendo agora uma pequena analise do parentesco das elites politicoeconomicas da regiao preciso fazer uma certa desambiguacao. Em alguma parte do livro: “A MATA DO PECANHA”, recordo-me de ter lido uma observacao ufanista do professor Dermeval Jose Pimenta referindo-se a estas serem por mais de seculo as familias dominantes da regiao. Algo mais ou menos assim: ufano-me de minha familia por ser rica, bonita e gostosa! Brincadeira de minha parte. Ele nao disse e nem quis deixar entender isso. Porem expressou algum orgulho por causa da influencia dos sobrenomes considerados tradicionais.

Por outro lado, ja li em algum lugar na internet a opiniao de um caboclo desses bem “pcbestas” com a afirmacao de que uns 90% dos ricos e milionarios brasileiros descendem de Egas Moniz Barreto. Para que nao confundam, porque tem mais de um com este nome, acredito que ele referia-se `aquele que foi o marido de dona Ignez Thereza Barbalho Bezerra.

Penso que seja este porque ele mencionava particularmente as elites baianas. E foi na Bahia que encontrei este casal.

Parece-me que ele queria imputar ao ancestral quaisquer que fossem os erros cometidos pela descendencia. Nao sei de onde ele tirou a informacao da porcentagem. Mas era clara a intencao de incitar as lutas de classe no pais como se desse a entender que os ricos vinham de um planeta e os pobres de outro. Entao, precisamos recorrer `a genealogia para afirmarmos que nao. E que a meia-informacao tem o uso unico de causar confusao, para que delas os espertos tirem proveito.

Para que compreendam, eh preciso saber que Egas e Thereza terao nascido em torno de 1650. A mae dela casou-se na Bahia em 1642. Esta, dona Antonia Barbalho Bezerra, era filha do governador e mestre-de-campo, Luiz Barbalho Bezerra e sua esposa Maria Furtado de Mendonca. Ai eh que comeca a Historia.

Luiz Barbalho era rico senhor de engenho. Riqueza que herdara desde seus bisavos, que estavam entre os primeiros a chegar `a Capitania de Pernambuco, junto com seu primeiro donatario Duarte Pereira Coelho. Ele, os filhos e os familiares todos acabaram sendo surpreendidos pelos eventos historicos. Em 1630 houve a Invasao Holandesa. Luiz foi um dos comandantes que iniciou a luta para expulsa-los. Luta essa que durou 27 anos. Uma vida inteira para a epoca.

No andamento da luta investiu toda sua fortuna e colocou a propria vida e da familia em risco para retomar para os portugueses e brasileiros o que lhes havia sido tomado. O mesmo aconteceu a seus familiares. Luiz ficou relativamente pobre, embora, ja adoentado tenha recebido o cargo de governador do Rio de Janeiro em 1643, vindo a falecer em 1644.

A familia continuou em duas frentes de batalhas que estavam abertas `a epoca. Uma para restabelecer a coroa portuguesa em Portugal e colonias e a outra para expulsar o invasor. Os atos de bravura dessa familia estao descritos nos anais tanto do reino quanto nos livros de Historia da epoca. Parte da familia do Luiz permaneceu no Nordeste e outra mudou-se com ele para o Rio de Janeiro. Entre os que ficaram na Bahia esta aquele ramo encabecado por Egas Moniz Barreto e dona Ignez Thereza.

Ha uma possibilidade enorme de que todos os ricos e milionarios, alem de todos os influentes no pais descenderem de Egas e dona Thereza. Mas antes disso deverao ser descendentes do Luiz e Maria, que eram descendentes de muita gente antes dele. O proprio Egas nao era descendente de si mesmo. Ai eh que esta o X da questao. A verdade eh que os ricos e influentes devem ser descendentes. Os politicos tambem. Mas o que faltou `a informacao passada foi dizer que todo o povo pobre e eleitor faz parte da mesma descendencia.

Pois eh gente! Por mais surpreendente que a informacao possa parecer a alguns, todos nos descendemos dos mesmos ancestrais. Nao sei dizer se descendemos ou nao do casal Egas e dona Thereza. Se nao formos sera uma daquelas probabilidades que so acontecem excepcionalmente. O que posso afirmar com certeza eh que a maioria das pessoas de Minas Gerais descende dos avos dela. Isso porque deles eu tenho uma parte substancial de dados genealogicos que me permitem afirmar isso.

Nao que tenha uma informacao completa. Como em uma pesquisa eleitoral seria, tambem podemos computar dados apenas de uma parte da populacao e disso deduzir qual sera a resposta do conjunto dela. Ora, sabendo que uma parcela minima da descendencia dessas pessoas embrenhou-se pelos antigos sertoes mineiros, e hoje eh ascendente de cidade apos cidade, podemos concluir que o conjunto da descendencia devera ter dado origem a uma parte consideravel da populacao brasileira na atualidade. Isso eh tao logico quanto 4 eh a soma de 2 + 2.

Outra coisa que posso afirmar tambem eh que nao descendemos apenas destas figuras historicas. Descendemos de muitos dos pobres coitados que foram usados como escravos e dos indigenas que foram massacrados pelo processo injusto da colonizacao. Exatamente como os ricos tambem o sao. Portanto nao ha porque tentar atribuir aos nossos ancestrais algum mal procedimento da atual populacao.

Assim, nao desejo aqui apontar o dedo para agredir ninguem com os mesmos sobrenomes que as chamadas Familias Dominantes carregam. Na verdade, o conceito de Familia Dominante eh que esta errado. Eh verdade sim que eh muito comum observarmos a repeticao dos mesmos sobrenomes ocupando cargos publicos. Uma outra verdade eh observarmos, quando o fazemos atentamente, que estes sobrenomes repetidos provem de familias primeiro-chegadas, ou de acrescimos a elas chegados posteriormente, como parece ser a insercao das assinaturas Barroso e de Pinho Tavares em Sabinopolis.

Quando ali chegaram ja existiam outras familias. O que permitiu o crescimento destas familias foi se misturarem `as familias que ja se encontravam la. Os sobrenomes ficaram mas o sangue nunca sera o mesmo que chegou pois, necessariamente, estara misturado com outros. Assim, os sobrenomes geralmente permanecem porque veem de ascendencia masculina.

Mas as eleicoes de tais sobrenomes somente ocorreu porque o maior numero de eleitores votou a favor deles. As que primeiro chegam, sempre tem a vantagem de se tornarem mais numerosas. E chega ao ponto que, quando as populacoes ficam divididas entre dois ou mais partidos, votando tanto na situacao quanto na oposicao, o eleitor estara escolhendo resquicios do mesmo sangue, nao importa a assinatura.

Isso eh o que tenho observado. Meu avo, Trajano Barbalho, era oposicao aos Rodrigues Coelho. Embora, fosse do mesmo Coelho. Assim como, os Rodrigues Coelho deverao ser dos mesmos Barbalho. Assim, nao eh inteligente confundir politica com familia. Mesmo nas questoes economicas. Qualquer um que desejar vender seu peixe tera de faze-lo primeiro `as chamadas familias dominantes. Nao porque sao melhores. Porem porque deverao ser as mais numerosas. O que importa eh a qualidade do peixe que se queira vender.

E os politicos atuais estao querendo vender peixes cada vez mais podres. Saibam como esquivar-se, entao, das taticas ilusionistas que usam para que voce os compre.

 

 

 

09. OS PATRIARCAS PORTUGUESES DO CENTRO-NORDESTE DE MINAS GERAIS.

Ja havia publicado este texto e o dado por encerrado. Mas recebi uma documentacao que estava esperando desde o ano passado. Trata-se de microfilmagens de uma pequena porcao da colecao do alferes, Luiz Antonio Pinto, que se encontra em posse do Arquivo Publico Mineiro. Ao abrir o que recebi, e o fiz antes de terminar os capitulos anteriores, fiquei bastante decepcionado.

Minha decepcao esta no fato de eu ter pedido algumas genealogias descritas no endereco: http://www.siaapm.cultura.mg.gov.br/acervo/fundos_colecoes/ALP/INVENTARIO_DO_FUNDO%20_LUIZ_ANTONIO_PINTO.pdf, a partir do final da pagina 42. Imaginava que, pelos sobrenomes indicados, possivelmente iria encontrar algumas raizes que se encaixassem no banco de dados que ja possuimos.

Mas a palavra genealogia nao esta devidamente empregada em alguns dos documentos. A menos que os funcionarios do orgao tenham retido o que pedi e enviado apenas um esboco do que eu desejava. Alem do mais, eu havia recebido um orcamento para adquirir determinado conteudo. E a compra havia sido feita sem ver o material. Outro detalhe decepcionante foi que fui informado, apos feito e pago o pedido, que a quantia nao cobria todo o material desejado, que possuia muitas paginas mais que o indicado no orcamento que recebi.

Fiquei na posicao de escolher uma parte. Mas sem o direito de ver a mercadoria tornou-se impossivel fazer alguma escolha logica. Tive que deixar vir o que talvez nao escolheria se antes tivesse visualizado.

A principio, nada do material que recebi responde `as questoes que desejava solucionar. Inclusive, algo que imagino fornecesse pelo menos uma resposta ao que procuro, o registro de casamento dos ancestrais Manoel Vaz Barbalho e Josepha Pimenta de Souza nao veio. Era preciso verificar os nomes dos avos dela, pois, existem duas versoes para eles em genealogias diferentes. Preciso fazer a desambiguacao. Mas isso sera adiado mais uma vez.

Tenho que agradecer muito `a prima Roxane Barbalho por ter se oferecido como personagem de mecenas nessa empreitada. Foi dela a iniciativa de pagar pelos custos deste material. E nao foi barato! Ao mesmo tempo desculpar-me envergonhado por nao ter enxergado com antecipacao que o investimento daria um resultado tao pobre.

Agora penso que teria, talvez, sido melhor antes ter pedido para investir nos livros ja prontos, se encontrados em sebos, com genealogias escritas por nossos familiares antigos. Neste caso esperaria ampliar mais as nossas raizes e assim aumentaria a probabilidade de encontrar vinculos com aquilo que ha nos arquivos do alferes. Vivendo e aprendendo. Bati a cabeca na cabeca do preto sem ser martelo.

Alias, ao comunicar `a Roxane a situacao, recebi uma otima noticia. Ela esta em Washington para acompanhar a filha Leticia, pois, esta esta em vias de dar-nos mais um membro para a familia. Nascera um Barbalho Phillips na capital do mundo. Bem podemos notar o quanto espalhada esta a genetica de nossos ancestrais. Mais um descendente do governador Luiz Barbalho Bezerra nascendo com dupla nacionalidade.

Diante daqueles contratempos todos entretanto cheguei ate a pensar em fazer silencio total sobre o assunto. Mas, apesar de tudo, percebo que existem dados de muito valor neste material. Talvez nao para as minhas pesquisas imediatas, mas muitos dos colegas podem estar batendo a cabeca atras de pelo menos um indicativo que os possa ajudar a encontrar o paradeiro de algum ancestral mas sem ter a nocao de algum local geografico onde possa este ter se consumido.

Diante dessa possibilidade, resolvi postar algumas listas de nomes, onde muitos tem referencia documental nos cartorios do Municipio do Serro. Acredito que os livros estejam todos nos arquivos daquela cidade. Com o nome do ancestral e a referencia, os interessados poderao diminuir em muito o seu trabalho. Alias, o Arquivo Publico Mineiro far-nos-ia um imenso favor se disponibilizasse via internet os indices dos livros mencionados nas ultimas paginas do documento acima referido. Poderiam ate indicar o que, ou nao, se encontra no Arquivo.

A importancia dessas listas pode ser colossal para a pesquisa genealogica. Em primeiro lugar porque trata-se de material elaborado que, se ainda nao completo, devera estar por perto de um seculo atras. Algumas referencias inferem que alguns relacionados devem ter participado do inicio da colonizacao nortemineira ha 3 seculos atras. O que implica que deverao ser os grandes patriarcas de inumeras familias mineiras.

Somente de portugueses falecidos com testamentos foram 38 relacionados. Acredito que as datas mencionadas tratam-se do ano em que registraram tais documentos. Todos no seculo XVIII. E, ha um seculo atras, foi essa a descricao do alferes Luiz Antonio: “formaram familias e cuja descendencia eh hoje assombrosa”.

Caso tomemos como media de 5 filhos para cada geracao. Como base o ano de 1750, para comecarmos. E 30 anos de espaco entre cada geracao. Teremos 9 geracoes entre 1750 e 1990. Fazendo as contas de 5 X 5 a partir de entao, chega-se a 1.953.125 descendentes, somente da nona geracao de cada pessoa. Multiplicando-se isso por 38 encontramos a bagatela de 74.218.750 descendentes. Ou seja, haveria a possibilidade de mais de um terco dos atuais brasileiros descender destes 38 pioneiros. O que, realmente, encaixa-se bem no termo assombroso!…

E ainda afirmo, estes meus calculos usam numeros conservadores. Ha a possibilidade de os numeros serem muito maiores. Contudo ha que ir-se com cuidado quanto `a interpretacao, pois, “o santo eh de barro”. Estes numeros reduzem-se drasticamente por causa dos casamentos entre parentes e entre as descendencias de uns com as dos outros.

Ha a possibilidade de alguma crianca ter se tornado simultaneamente descendente de todos os 38 patriarcas, porem, ela representara a contagem de apenas um descendente no computo geral. E o mais provavel eh que boa parte da populacao do Centro-Nordeste de Minas Gerais seja diversas e simultaneamente descendente de varios destes patriarcas.

Mas isso nao diminui a significancia destes dados teoricos, pois, eles apontam para a existencia de, pelo menos, uns poucos milhoes de pessoas do Estado de Minas Gerais, do Brasil e do mundo descenderem desses 38 patriarcas. E sabemos que eles nao estao sos, pois, entre eles nao foi mencionado o sargento-mor Domingos Barbosa Moreira, cuja descendencia os genealogistas da familia vem tratando desde tempos atras e que eh “assombrosa” tambem. Muitos outros devem ter fugido ao escrutinio do alferes Luiz Antonio. Parece que ele referiu-se apenas aos que se estabeleceram no Serro.

Tentarei reproduzir as listas de acordo com o que esta na documentacao. Hao, porem, senoes a serem recordados. Os escritos estao na caligrafia propria de seu autor. Nao sou caligrafista, e mesmo com os recursos de ampliacao do computador, nao posso garantir que a minha traducao esteja 100% correta. Porem, a caligrafia do alferes pode ser considerada otima porque a maioria do material eh legivel para todos nos que aprendemos a ler e escrever letras cursivas.

Contra a minha analise ha o fato de tambem nao ser versado em termos cartoriais. O que nao faz muita diferenca, pois, foram poucas as coisas que nao pude entender. Uma delas foi uma abreveatura que a grosso modo parecia Hos. Com uma boa dose de imaginacao consegui enxergar em seu lugar Ntos. Dai deduzi que tratava-se dos livros de registros de nascimentos.

Foram poucos os sobrenomes que nao consegui definir quais sejam. Mesmo assim arrisquei alguns. Mas algo que esta otimamente definido eh a numeracao dos livros. Mesmo porque, eles estao em ordem crescente nas listas. Tem pouca coisa que foge `a ordem. Mas penso que o mais importante serao essas evidencias em conjunto que depois poderao ser esclarecidas junto ao Arquivo do Serro. Nao deverao existir mais que um milhar de livros, portanto, os guardiaes da memoria local identificarao com grande facilidade o que alguem for procurar.

Desculpem-me uma ou outra falha. Segue entao as listas:

Retiradas do documento, referencia no Arquivo Publico Mineiro: LAP 4.1 cx 07 Doc. 27:

“Portugueses: que para aqui vieram, se estabeleceram, se casaram ou nao se casaram mas formaram familias e cuja descendencia eh hoje assombrosa.

FALECIDOS COM TESTAMENTO

Pedro Homem Leonardo…………………………………1744
Cap.m. Jose de Souza Ribeiro………………………… “
Antonio Mendes Rosa…………………………………… “
Joao Francisco de Carvalho (*)………………………….1745
Fructuoso Francisco Guimaraes……………………….1747
Cap.m. Manoel de Almeida Cabral…………………….1751
Antonio Francisco de Carvalho (*)……………………..1755
Joao Moreira da Silva…………………………………….. “
Pe. Amaro dos Santos de Oliveira……………………..1756
Antonio Rosado…………………………………………….1756
G.mor. Antonio Camello Alcamphora………………….1757
Cap.m Mor. Luiz Vaz de Siqueira Monsoes………….1756
Manoel Joao Alvarenga……………………………………1757
Joao Leite Pinto…………………………………………….1758
Cap.m Antonio Goncalves Chaves
Manoel Mendes Raso……………………………………..1758
Antonio Goncalves Chaves……………………………….1758
S. mor Victoriano da Rocha de Oliveira………………..1759
Cap.m Mor Bernardo da Silva Lobo……………………..1761
Manoel Ferreira de Senna………………………………… “
Manoel Rodrigues Alvarenga……………………………..1762
Bento Antonio Coelho……………………………………… “
Manoel Rodrigues Alvarenga……………………………..1765
Antonio Duraens…………………………………………….1766
Cap.m Antonio Bernardo Sobral e Almeida……………1767
Onofre da Costa Pinheiro…………………………………. “
Francisco Martins Ferreira………………………………..1768
Antonio de Souza de Araujo……………………………… “
Miguel Rodrigues de Miranda…………………………….1772
Sarg. m Mor Vicente Pereira de Moraes e Castro…..1774
Jose Carvalho da Fonseca (*)…………………………….1776
Thome Fernandes Guimaraes…………………………….1777
Andre Francisco de Carvalho (*)…………………………. “
Domingos da Costa Villa Real (*) ……………………….1778
Cap.m Joao da Costa Coelho (*)…………………………1780
Amaro Machado Balieiro…………………………………..1781
Luiz de Oliveira Anginho……………………………………1782
S. mor Felix Marinho de Moura…………………………..1782″

(*) Destaquei estes nomes por identifica-los com membros de nossa Arvore Genealogica. Pode ser que havera algum parentesco entre Domingos da Costa Villa Real (*) e Maria de Deus Villa Real que foi a segunda esposa do tiotrisavo Jose Coelho da Rocha Neto. Infelizmente nao temos um melhor acompanhamento da descendencia deles nem da genealogia pregressa dela. Nao sei se havera uma relacao de parentesco proximo entre Joao, Antonio e Andre Francisco de Carvalho. Acredito que poderao ser irmaos.

Deles, provavelmente apenas o Antonio esta referido na pagina 254 do livro: “A Mata do Pecanha, sua Historia e sua Gente”. A menos que tenha havido algum homonimo. E o que nao eh tao dificil ter acontecido ja que a combinacao Antonio + Francisco + Carvalho devera ter sido fartamente usada. Ali se descreve a respeito de Isidora Maria da Encarnacao, filha do casal Manoel Vaz Barbalho e Josepha Pimenta de Souza, nos termos:

“F 1 – ISIDORA MARIA DA ENCARNACAO, batizada em 28 de maio de 1738, no Arraial de Tapanhoacanga, tendo por padrinho FRANCISCO DA COSTA MALHEIRO. Em 1759, no dia 30 de agosto, casou-se com o Capitao ANTONIO FRANCISCO DE CARVALHO, o qual em meados do seculo dezoito, veio para o Brasil e se estabeleceu naquela localidade. Era portugues, filho de ANTONIO LEAL e Dona MARIA FRANCISCA, natural da Vila dos Colares, no Patriarcado de Lisboa. O Capitao ANTONIO FRANCISCO, durante muitos anos, foi sindico-geral dos Santos Lugares, na Comarca do Serro Frio. (Livros 2o. bat. fls. 98v e livro de casamento – capelas filiais fls. 6v).”

A seguir o autor, professor Dermeval Jose Pimenta, cita os nomes dos 9 filhos. Mas depois da prosseguimento apenas `as descendencias de dona VITORIANA FLORINDA DE ATAIDE, nascida em 1762, e do bisavo dele: BOAVENTURA JOSE PIMENTA, nascido em 1779. Por ai se comprova a definicao de assombrosa as descendencias daqueles chegados durante o seculo XVIII. Nao temos sequer uma porcentagem razoavel da descendencia, porem, o que temos sabemos ser dezenas de milhares.

Para quem desejar maiores informacoes, ate hoje existe o distrito mencionado. O nome mudou pouca coisa. Trata-se de Itapanhoacanga, o distrito mais antigo do atual Municipio de Alvorada de Minas. E Isidora havia sido a unica filha identificada pelo professor Pimenta. Atualmente encontrei o Policarpo Joseph Barbalho e, ainda a comprovar com 100% de certeza, Jose Vaz Barbalho. Este Policarpo teve diversos filhos no Rio Grande do Sul. Jose permaneceu em Minas Gerais.

(*) JOSE CARVALHO DA FONSECA. Sei que nao temos referencia a ele em nossa genealogia, por enquanto. Porem, entre as paginas 205 a 232 o professor Pimenta dedica-se a dois ramos da Familia Carvalho. Ele acreditava que se tratasse de 2 irmaos. Um deles chamava-se Jose Carvalho da Fonseca e o que parece ser mais velho era o Manoel Carvalho. O primeiro multiplicou familia a partir do Municipio de Sao Pedro do Suacui, habitando as margens do Ribeirao das Araras. O segundo a partir do Municipio de Sao Jose do Jacuri, habitando as margens dos Ribeiroes Jacuri, Anta e Matinada.

Segundo o professor Dermeval os supostos irmaos Carvalho eram oriundos de Gouveia, cidade que faz limite a sudoeste de Diamantina e noroeste do Serro. Pode ser que sejam netos do portugues JOSE CARVALHO DA FONSECA. A data provavel de nascimento deles deve girar em torno de 1800, pois, o possivel neto: Jose Carvalho da Fonseca, foi o marido de SENHORINHA ROSA DE JESUS, filha do fazendeiro e tabeliao em Sabinopolis, nosso pentavo: ANTONIO BORGES MONTEIRO JUNIOR e de sua esposa MARIA MAGDALENA DE SANTANA. Senhorinha Rosa nasceu em 1809.

Segundo os estudos do professor Dermeval, pagina 242 do livro dele, Senhorinha Rosa e Jose Carvalho da Fonseca casaram-se em 1825. Nao da detalhes onde se realizaram as nupcias mas por este tempo o Arraial de Sao Sebastiao dos Correntes, atual Sabinopolis, havia sido fundado recentemente. Mesmo que elas tenham se dado la, acredito que os registros estejam arquivados no Serro, pois, eram registros eclesiasticos e nao cartoriais.

Entre os filhos de Jose e Senhorinha encontra-se a dona MARIA AUGUSTA CESARINA DE CARVALHO, que foi a esposa do capitao FRANCISCO NUNES COELHO, um dos politicos mais influentes na regiao, com residencia fixa em Guanhaes, tornou-se o principal articulador das emancipacoes dos Municipios de Guanhaes e Pecanha. Sao muitos os da descendencia deles que nos sao proximos. O capitao Francisco Nunes Coelho foi nosso, simultaneamente, tiopentavo e tioquartavo.

Dona Josefina Carvalho de Souza foi neta do MANOEL CARVALHO. Esta foi a esposa do coronel CORNELIO JOSE PIMENTA. Estes, se juntaram aos outros pioneiros que fundaram o Arraial de Sao Joao Novo, atual Sao Joao Evangelista. Alem de terem sido os pais do professor Dermeval Jose Pimenta e seus irmaos.

Portanto, uma boa examinada no testamento do portugues Jose Carvalho da Fonseca podera dar uma imensa luz a uma grande descendencia. Nele poderemos encontrar a mencao `a vida pregressa dele em Portugal, principalmente, nomes paternos e origem geografica. Seria a ponte entre Brasil e o velho continente. Por outro lado pode ter mencionado nomes de filhos e possiveis conjuges. Careceria, entao, de alguma leitura nos livros referentes a Gouveia para fazermos a ponte entre esse passado e a atual descendencia Carvalho da Fonseca.

Porem, a ponte intercontinental nao precisa passar necessariamente por Gouveia. Apesar de todos os documentos de epoca desta cidade dever estar arquivado no Serro da qual Gouveia era uma freguesia. Isso porque o registro de casamento dos tios Senhorinha Rosa e Jose Carvalho da Fonseca devera trazer os nomes de pais e avos dos conjuges. Na possibilidade de o portugues Jose Carvalho da Fonseca ser avo ou bisavo do conjuge masculino, entao, havendo a listagem de nomes de filhos e conjuges no testamento do portugues, encontraremos os vinculos parentais entre o primeiro e o segundo de mesmo nome. Os documentos de Gouveia sacralizarao essa possibilidade e determinarao se Jose e Manoel Carvalho eram mesmo irmaos.

Outro ponto eh que os testamentos dos (possiveis) irmaos FRANCISCO DE CARVALHO poderiam tambem acrescentar muito ao nosso conhecimento. No caso especifico do Antonio poderia revelar os nomes completos dos outros filhos dele e, talvez, de conjuges, pois, o que o professor Dermeval revelou foram apenas os nomes de batismo.

Destaquei o portugues, Cap.m Joao da Costa Coelho (*)…………………………1780, apenas para apresentar uma curiosidade, pois, podera ele ter se tornado o patriarca da Familia da Costa Coelho, originalmente oriunda do Serro. Dela provem o beato Lafayette da Costa Coelho que se encontra em processo no caminho em direcao ao altar dos santos da Igreja Catolica. O processo esta sob os cuidados da Diocese de Guanhaes. E o beato Lafayette terminou seus dias como paroco de Santa Maria do Suacui, e o foi por 44 anos de sua vida, onde se encontra a maior concentracao de devotos dele.

A seguir, apresento a lista dos portugueses que nao deixaram testamentos. Assim esta nos documentos:

“PORTUGUESES que para aqui vieram, se estabeleceram, se casaram ou nao se casaram mas formaram familias e cuja descendencia eh hoje enorme:

FALECIDOS SEM TESTAMENTO

Cap.m Marcos da Costa Ribeiro
Alfer. Manoel Ribeiro Costa
Domingos Dias Chaves…………………………………………………1799
Jeronymo de Almeida (A. Brito)………………………………………1797
Jose Dias da Costa……………………………………………………..
Manoel Mendes Raso………………………………………………….
Manoel Antonio de Sousa……………………………………………..1757
Custodio da Silva Guimaraes (Cap.m)………………………………1763
Manoel Jose Caldas…………………………………………………….1801
Jose Moreira Pinto………………………………………………………1783
Sebastiao Lopes Affonso………………………………………………1748
Alfer. Manoel de Moura Bexiga……………………………………….1722
Gaspar Goncalves da Cunha………………………………………….1722
LicJ. Daniel Pinto da Silva……………………………………………..1723
G. mor Francis Pereira Maciel………………………………………..1783
Alfer. Jose Ribeiro Sampaio…………………………………………..1783
Manoel Vieira Couto…………………………………………………….1785
Joao Simoes Guimaraes Barrocas………………………………….. “
Manoel Godinho de Jesus…………………………………………….. “
Cap. Joao Pinto Coelho………………………………………………..1780
S. mor Joao Batista Farnese…………………………………………. “
Valerio de Brito e Sousa………………………………………………. “
Cap. Joao Ribeiro Pinto……………………………………………….. “
Antonio Duraens e Castro…………………………………………….. “
Cap. m. Jose de Moura e Oliveira……………………………………1787
Manoel Antonio dos Reis………………………………………………1788
S. mor Jose Barata de Lima………………………………………….. “
Diogo da Silva Guimaraes……………………………………………..1789
Trocato Francisco de Carvalho (*)…………………………………… “
Francisco Leite da Motta………………………………………………1790
Custodio Vieira Costa…………………………………………………. “
Antonio Pires de Moura………………………………………………. “
Custodio Alves Sampaio………………………………………………1793
Manoel Duraens de Castro…………………………………………… “
Manoel Goncalves Nunes…………………………………………….. “
Miguel Goncalves Vieira……………………………………………….1794
Jose Baptista Rolim……………………………………………………. “
Cap. m. Bernardo dos Santos Carvalhaes (*)…………………….. “
Antonio Jose Alves……………………………………………………… “
Silvestre Alves Pereira…………………………………………………1795
Bernardo Jose Pinto…………………………………………………… “
Joao de Castro Guimaraes…………………………………………… “
Matheus Luiz Porto…………………………………………………….1797
Manoel Nogueira de Araujo…………………………………………..1797
Paulo de Almeida Saraiva…………………………………………….1798
Cap. m. Antonio Rodrigues da Silva………………………………..1799
Joao de Castro Porto…………………………………………………..1798″

Nao consegui identificar nenhum destes componentes como objeto de interesse imediato. Embora o nome Trocato Francisco de Carvalho (*) possa fazer parte de uma mesma familia, completada pelos Joao, Antonio e Andre da lista anterior. Este nome Trocato tambem faz parte de um daqueles que tive duvida quanto `a minha traducao. Agora imagino a possibilidade de ser Tancredo mas nem vou conferir. O rabisco esta mesmo confuso neste caso.

Outro nome que chamaria a atencao seria o do capitao de milicias, Bernardo dos Santos Carvalhaes (*). Seria totalmente especulativo dizer que seja ascendente em nossa familia, porem, temos a ancestral Maria Rosa dos Santos Carvalhae(i)s, que poderia ser uma provavel neta. Se acaso a data de 1794 referir-se ao falecimento dele, a condicao de avo se enquadraria na provavel data de nascimento da avo Maria Rosa.

Porem, se ele viveu alguns anos apos a data, poderia inclusive ter sido o pai, pois, a quartavo Maria Rosa devera ter nascido entre 1810 e 1830. Ha o contraponto de que, se 1794 foi a data de falecimento deste membro da Familia Carvalhaes, e se ele chegou a uma idade de pelo menos 60 anos, podera haver uma relacao de parentesco mais distante, tal como a de bisavo ou trisavo da quartavo Maria Rosa. Ha a possibilidade de ele ter se tornado o ancestral de todos os Carvalhais que aparecem na genealogia da Familia Barroso, descrita nos capitulos anteriores.

Interessante aqui sera afirmar-se que o julgamento do alferes podera estar equivocado por dar a entender que acreditasse em os membros dessa segunda relacao terem deixado menos descendentes que os da primeira. Pode ser o contrario. Isso porque os que deixaram testamento, possivelmente, terao tido maior poder aquisitivo. Isso pode ter permitido que a descendencia deles permanecesse mais tempo no Serro, ficando ela melhor conhecida para o alferes e tendo mais casamentos intrafamiliares.

Ao passo que a dos outros podera ter se espalhado precocemente, pois, a colonizacao de novas aldeias estava em franco desenvolvimento nas proximas geracoes. Quanto mais a descendencia se espalha tornam-se menores as chances de casamentos entre parentes proximos e maior as chances de misturar-se a outras familias. E quanto menos repetir-se as unioes intrafamiliares maiores serao as chances de a descendencia multiplicar-se mais. Contudo, ao espalhar-se tambem torna-se mais dificultoso manter o acompanhamento visual de seu crescimento, pois, quatro geracoes depois poucos se reconhece como parente.

Muitos dos sobrenomes usados por estes personagens se repetem na atual populacao da regiao e fora dela. Inclusive entre os nossos familiares. Mas ainda nao eh possivel assegurar que os atuais descendam destes do nosso passado.

Esta listagem de nomes de patriarcas portugueses parece confirmar uma teoria que levantei ha algum tempo atras de que nao foi assim tao grande o numero de pessoas que iniciou a colonizacao multiracial do Estado de Minas Gerais. Particularmente a nivel de portugueses. Claro, pelas datas, podemos observar que o levantamento trata-se dos imigrantes chegados ainda no seculo XVIII. Provavelmente, chegados na primeira metade deste.

Durante o seculo XIX o fluxo deve ter aumentado em muito por causa das condicoes economicas precarias em que se encontrava o Imperio Portugues, das Guerras Napoleonicas e a transferencia da sede do imperio para o Rio de Janeiro. Mesmo depois do retorno da corte para Portugal e da Independencia do Brasil, a economia do outro lado do Oceano Atlantico continuou sujeita a intemperies.

Poderia ser que o Serro nao tivesse sido tao atrativo e o fluxo maior de imigrantes portugueses poderia ter se concentrado nas cidades historicas entre Lavras e Santa Barbara. Mesmo assim, nao enxergo como poderiam ter se instalado mais que uma dezena de milhares de portugueses no corredor minerador representado pela Serra do Espinhaco. No seculo XVIII, fora desse circuito, Minas Gerais era um completo vazio demografico, ocupado apenas ao redor dos caminhos que faziam a ligacao do Estado com Goias, o Rio Sao Francisco e a Bahia. O restante eram terras que somente foram ocupadas nos seculos XIX e XX.

O que as listas apontam eh que o grosso da populacao mineira teve como base a propria populacao antiga ja estabelecida no pais, a partir das Capitanias de Pernambuco, Sao Vicente e Bahia. Geralmente, menciona-se que durante o Ciclo do Ouro a maioria dos chegados eram paulistas, baianos e portugueses. Parece-me haver um equivoco em nao mencionar-se os fluminenses. Embora, ate 1720 Sao Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais formassem a mesma Capitania de Sao Vicente.

O que aconteceu, porem, devera ter sido que os brasileiros mesmo sendo a maioria absoluta dos colonizadores participaram na multiplicacao destes patriarcas com suas contribuicoes femininas. O que isso implica eh que os portugueses chegados eram em sua maioria absoluta varoes que por tradicao marcaram a descendencia com seu sobrenome. Para a genetica, porem, importa saber que a procedencia da descendencia nao esta, necessariamente, vinculada `a assinatura. O estudo genealogico que aborde apenas as linhagens de ascendencia paterna, em consequencia dos sobrenomes, eh limitada e pouco informativa.

Por fim, o conjunto atual da populacao do Centro-Nordeste mineiro devera ter estes patriarcas como referencias. Eles deverao estar na raiz de todas as familias. Mas a populacao devera possuir uma contribuicao genetica muito maior da populacao brasileira antiga do que da portuguesa recem-chegada. Defina-se ai que a populacao mais antiga foi formada pelo contributo de outros portugueses, dos nativos brasileiros, dos africanos e participacoes menores de outras origens.

O interessante sera observar que estes primeiros chegados deverao ter marcado a populacao com seus sobrenomes. Passados os seculos em que a descendencia se multiplicou, a populacao mineira foi a que liderou a grande migracao de brasileiros acontecida a partir dos anos de 1960, tornando-se assunto nacional especialmente nos anos 1980 e carimbada pelo selo Governador Valadares.

Contudo, Governador Valadares seria melhor representada com o carimbo de emtreposto do fluxo migratorio mineiro, pois, foi a descendencia da populacao que habitava o antigo dominio do Serro que mais contribuiu para o supercrescimento daquela cidade entre 1945 e 1980. Boa parte dos emigrantes da epoca haviam nascido em outros municipios, residido em Governador Valadares, e de la partido para o exterior.

A partir do momento em que Portugal e Espanha ingressaram na Comunidade Europeia (MCE), o fluxo de mineiros para estes paises tornou-se notorio. 30 anos apos o assunto ter se tornado repetitivo na imprensa devera ter se formado a primeira geracao de lusobrasileiros consequente dessa migracao. O que representa, em verdade, o retorno do filho prodigo `a casa materna.

Outra documentacao que recebi, com a referencia: LAP 4.1 CX 07 Doc. 20, no Arquivo Publico Mineiro, tras duas listas. Uma de Familias Pinto e Brasil e outra de Familias Coelho no Brasil. Mas muito pouco esta indicado tratar-se do Brasil como um todo. Talvez sim, porem, como a maioria encontra-se com referencias de registros, acredito tratar-se de pessoas que residiram no Serro ou em alguma de suas muitas freguesias. Inicio pela lista dos Pinto:

“*FAMILIAS * PINTO * NO BRASIL

Liv. 27o. f 151v Pinto Coelho – Barao de Cocais
Liv. 29o. f 66 Rocha Pinto (?) – Maria afilhada Celeste
Liv. 34o. f 103 Soares Pinto – Xico Benjamin – Nenen
Pinto Collares – Maria afilhada Celeste
Liv. 25o. f 185v Pinto Moura – “
Liv. 3o. ob. f 79v Pinto dos Santos – Costa Pinto
Assis Pinto
Pinto da Fonseca
Liv. 3o. ob. f 93v Jose Pinto (Benedito)
Pedro Pinto (Antonio)
liv 4o. f 144 Pinto Ferreira
Ferreira Pinto
Pinto Lima
Pinto Chaves – Liv. 7o. Nas. f 101
Pinto de Magalhaes – Liv. 8o. ” f 222v
Josefa Pinto – Liv. 10o. ” f 85v
Pinto Machado – Liv. 23o. ” f 153
Pinto Rosado (S. mor) – Liv. 25o. ” f 141v
Pinto Pereira Liv. 26o. ” f 96v
Pinto Ribeiro – Liv. 27o. ” f 124
Pinto Souto – Liv. 27o. ” f 155
Ribeiro Pinto – Liv. 27o. ” f 281v
Pinto Vieira – Liv. 29o. ” f 100
Pinto de Medeiros – Liv. 30o. ” f 41
Silva Pinto – Liv. 30o. ” f 54v
Ribeiro Pinto – Liv. 30o. ” f 126v
Leite Pinto – Liv. 10o. ” f 54v
Pereira Pinto (*) – Liv 13o. ” f 203
Pinto da Silva – Liv 13o. ” f 164v
Lopes Pinto – Liv. 14o. ” f 181
Pinto Bastos – Liv. 15o. ” f 27v
Pinto de Souza – Liv. 16o. ” f 147
Pinto Alves – Liv. 16o. ” f 156v
Pinto de Mendonca – Liv. 17o. ” f 79v
Pinto Guimaraes – Liv. 18o. ” f 197v
Pinto Bessa – Liv. 19o. ” f 161
Leite Pinto – Liv. 20o. ” f 125
Pinto Correia – Liv. 30o. ” f 219
Rui Pinto (Lucas) – Liv. 31o. ” f 12
Jose Pinto (Bernardo) – Liv. 35o. ” f 42v
Ribeiro Pinto (Joao) – Liv. 27o. ” f 281v
Gomes Pinto (Bento) – Liv. 36o. ” f 135
Rodrigues Pinto (Bento)- Liv. 37o. ” f 156v
Pinto de Souza (Joao) – Liv. 40o. ” f 83v
Cunha Pinto (Bernardo)- idem ” f 139
Pinto Ribeiro (Francisco)- idem ” f 292v
Pinto Coelho (Francisco)- Liv. 43o. ” f 12v
Pinto de Vasconcelos (Luis)- Liv. 48o. ” f 121″

Novamente, nao posso afirmar com 100% de certeza que a abreviatura Nas. signifique mesmo nascimentos. Cabera aos escrivaes e grafologistas decifrar isso para nos.

“Liv. 48o. Test. f 148v Pinto Ribeiro (Manoel)
Liv. 50o. ” f 17 Pinto de Oliveira (Guarda-Mor)
Liv. 50o. ” f 2 Pinto Ribeiro (Liberato)
Liv. 55o. ” f 19v Moura Pinto (Joao)
Liv. ” ” f 142 Pinto Vidal (Joao)
Liv. 57o. ” f 67 Pinto Mendes (Manoel)
Liv. 57o. ” f 9v Theodoro Pinto (Jr.)
Liv. ” ” f 117v Pinto Fernandes (Izabel)
Liv. ” ” f 19v Francisco Pinto (Te. Manoel)
Liv. 58o. ” f 40v Pinto de Abreu (Liberato Jr.)
Liv. 60o. ” f 45 v Coelho Pinto (Thomas)
Liv. 61o. ” f 96 Antonio Pinto (Joao)
Pinto Guimaraes (Dionisio)
Teixeira Pinto
Pinto Penna (Minas Gerais)”.

(*) Destas duas listas, apenas o Pereira Pinto (*) acima chamou-me a atencao por causa da presenca dessa assinatura em alguns de nossos familiares. Porem, como nao temos datas aqui, nao tenho como especular a respeito do numero de geracoes entre os aqui presentes e nossos parentes, cuja data de nascimento mais antiga que conhecemos deve girar em torno de 1890.

Dando sequencia a este trabalho, copio agora a lista:

*FAMILIAS * COELHO * NO BRASIL

Maria Izabel Coelho – Queirogas – e muitas outras – brancas
Liv. 11o. test. f 231 Bento Antonio Coelho – Queirozes – Pennas – “
Liv. 42o. test. f 19v Cap. Joao da Costa Coelho – Cap. Ludgero – mulatos
Liv. 22o. test f 51(x)Cap. Joao da Costa Coelho – Malaquias – Dortas – “
Gaspar Soares Coelho – ?
Manoel Coelho Lima – Gente da Pedra Redonda – preto
Manoel da Costa Coelho – Elias
(x)Manoel da Costa Coelho – Maneco do Rego – Diamantina
Joao da Costa Coelho – Gente dos Guiabos
Manoel Antonio Coelho – ???? Luizinho ?????
Maria Ignacia Coelho Passos – Sousa Barbosas – Lucas
Maria Anna Coelho – ” “
Coelho Fernandes – Antonio Liv 7o. Nasc. f 124v
MOMos. Coelho de Azevedo………………………….Liv 9o. ” f 93v
Bento Coelho……………………………………………..Liv. 10o. ” f 50
Domingos Coelho Ferro (bapm.)……………………..Liv 11o. ” f 140
Bernardo Lopes Coelho………………………………..Liv. 12o. ” f 49
Sg. Mor Jz Leonardo Coelho da Fontoura………….Liv. 13o. ” f 329v
Manoel Coelho Cardoso………………………………..Liv. 13o. ” f 309v
Joao Coelho Affonso…………………………………….Liv. 16o. ” f 97
Manoel Alves Coelho……………………………………Liv. 19o. ” f 47
Francisco Coelho da Silva (Jr.)……………………….Liv. 19o. ” f 85v
Joao Coelho de Magalhaes (*)………………………..Liv. 20o. ” f 181v
Jose Coelho Xavier………………………………………Liv. 22o. ” f 194v
Coelho Guimaraes
Guimaraes Coelho
Manoel Teixeira Coelho………………………………..Liv. 27o. ” f 114v
Francisco Ferreira Coelho (bap.)…………………….Liv 27o. ” f 244v
Eduardo Coelho de Figueiredo Andrade……………Liv 30o. ” f 179
Leonardo Coelho Linhares…………………………….Liv. ob mat. f 63
Cap. Manoel Coelho Barbosa………………………..Liv. 33o. ” f 160
Joao Ferreira Coelho…………………………………..Liv. 34o. test. f 87
Jose Coelho de Barros………………………………..Liv. 35o. ” f 117v
Antonio Joao Coelho…………………………………..Liv. 36o. ” f 32
Joanna Ferreira Coelho……………………………….Liv. 36o. ” f 35v
Jose Coelho Barbosa (Cap.m)………………………Liv. 37o. ” f 150v
Joao Coelho Ferreira (port.)………………………….Liv. 39o. ” f 63v
Jose Vieira Coelho (port.)…………………………….Liv. 39o. ” f 188
Fernando Jose Coelho da Motta (port.)……………Liv. 40o. ” f 6v
Francisco Jose Coelho (port.)………………………. ” ” ” f 191
Antonio Jose Coelho Brandao (bras.)…………….. ” ” ” f 153v
Francisco Pinto Coelho (port.)………………………Liv. 43o. ” f 12v
Serafim Coelho da Sigra. (G. mor – port.)…………Liv 47o. ” f 4v
Antonio Coelho Pires de Franca (tn.cel. – bras.)..Liv. 47o. ” f 70v
Joao Coelho da Silva “Consendas”…………………Liv. 48o. ” f 99v
Luiza Coelho da Fonseca…………………………….Liv. 49o. ” f 186v
Maria Luiza Coelho de Mello…………………………Liv. 50o. ” f 17
Agostinho Moreira Coelho…………………………….Liv. 50o. ” f 74
Maria Lopes Coelho…………………………………….Liv. 50o. ” f 21
Anna Francisca Coelho………………………………..Liv. 53o. ” f 33
Antonio Machado Coelho……………………………..Liv. 53o. ” f 101
Manoel Luiz Coelho (alferes)…………………………Liv. 56o. ” f 59v f 66v
Silverio Teixeira Coelho (P.)…………………………..Liv 58o. ” f 15
Francisco da Silva Coelho (Paranna)……………….Liv. 59o. ” f 15
Pantaleao dos Santos Coelho………………………..Liv. 59o. ” f 65
Justino Machado Coelho………………………………Liv. 59o. ” f 18
Thomas Coelho Pinto………………………………….Liv. 60o. ” f 45v
Joaquina Coelho de Avellar……………………………Liv. 61o. ” f 93v
Manoel Sabino Dias Coelho…………………………..Liv. 61o. ” f 54
Rita Coelho Barbosa……………………………………Liv. 62o. ” f 38v
Goncalo Coelho (Hora)…………………………………Liv. 64o. ” f 1
Joaquim Antonio Coelho……………………………….Liv. 69o. ” f 78
Miguel Pereira da Fonseca Coelho………………….Liv. 71o. ” f 73
Antonio Goncalves Coelho…………………………….Liv. 74o. ” f 14v
Nelson Antonio Rodrigues Coelho (*)…………………………Liv. 80o. ” f 11
Francisco Nunes Coelho (*)…………………………..Liv. 81o. ” f 43v
Maria Coelho da Silveira (Pecanha) (*)……………..Liv. 86o. ” f 1
Anna Coelho de Jesus (S. Miguel) (*)………………Liv. 86o. ” f 89v
Manoel Coelho Borges” (sem referencia)

Somente desta lista podemos constatar nomes de nossos parentes sem nenhuma duvida. Nao posso afirmar que os livros aqui assinalados como de testamentos o serao realmente. A partir do nome Joao Ferreira Coelho havia a sigla “test.” em algumas linhas. Porem as referencias prosseguiram em ordem crescente mas a sigla nao aparece em todas as linhas. Portanto, pode ser que seja algum outro documento que nao os testamentos.

O nome Nelson, em frente ao nome do trisavo Antonio Rodrigues Coelho (*) esta escrito no original, na mesma letra que a lista foi elaborada. Acredito que foi o proprio alferes Luiz Antonio Pinto que o fez para lembrar-se de comunicar o achado dele ao professor Nelson Coelho de Senna. Isso se justifica porque o alferes era reconhecidamente o genealogista de todos os serranos e `a epoca da elaboracao dessas listas o professor Nelson ja deveria estar juntando material para escrever o livro: “Algumas Notas Genealogicas”, publicado em 1939, apenas 10 anos apos o falecimento do alferes.

Tambem eh reconhecida a intimidade entre as familias. O alferes foi tio do ex-governador Joao Pinheiro da Silva. O professor Nelson foi diversas vez deputado `a epoca. O Antonio Junior (Dr. Coelho) tambem foi deputado. O capitao Francisco Nunes Coelho (*) foi pai do senador Dr. Chiquitinho. Outro vinculo foi que o Dr. Caio Nelson de Senna, filho do professor Nelson, casou-se com dona Amanda Pinheiro, filha do ex-governador. Possivelmente, haviam vinculos familiares mais intimos, pois, o cap. Francisco foi filho de Euzebio Nunes Coelho e Anna Pinto de Jesus. Assim, justifica-se o nome Nelson aparecer como “gaiato” na lista.

Uma outra grande esperanca aqui sera o aparecimento do nome Joao Coelho de Magalhaes (*). Embora o livro em sua referencia esteja marcado claramente como “nasc.” Eu preferia que fosse de testamentos. Mas nunca se sabe!

Espero que seja o tioquartavo Joao Coelho de Magalhaes (*) e, qualquer que seja o documento referente a ele, gostaria de encontrar inscritos nele os nomes dos avos do tio Joao, que serao os nossos sextavos. Assim esclareceremos a duvida de quem foram e, talvez, donde procediam. O que nos facilitaria uma pesquisa mais aprofundada.

Mesmo que seja o registro de nascimento do tio Joao, somente seria um “problema” se nao encontrarmos os nomes dos avos dele, pois, sabemos que os pais foram o alferes de milicias, Jose Coelho de Magalhaes (ou Jose Coelho da Rocha) e Eugenia Rodrigues Rocha, tambem conhecida como Eugenia Maria da Cruz. Muitos registros de nascimentos nao traziam os nomes dos avos, o que eh bastante lamentavel. Mas existiam aqueles, como o do pentavo Antonio Borges Monteiro, que nasceu em 1751, com todos os nomes: pais, avos, padrinhos e inclusive a mencao ao tio padre.

Mas nao podemos comemorar por antecipacao. Precisamos encontrar o documento e torcer para que nao tenha sido destruido pelo tempo ou tenha sido copiado antes que o original tenha desaparecido. Em caso de ser o de nascimento do tio Joao, a data completa sera: 19.3.1785. Contudo o registro devera ter se dado alguns dias depois. Alternativa agradavel seria o de casamento com Bebiana Lourenca de Araujo que se deu em 1804. Tambem este traria os nomes dos avos.

Estranhei o nome Nelson nao ter aparecido em frente ao do tio Joao. Ele era mais importante para o professor Nelson, por ser bisavo dele. Caso nao tenha existido algum homonimo. Mas tambem podera ter acontecido que o trisavo Antonio Rodrigues Coelho houvesse sido o ultimo da lista e posteriormente o alferes tenha encontrado os 4 nomes restantes. A lista poderia ja ter sido uma encomenta pelo proprio professor Nelson.

Somente agora que estava recopiando estas listas eh que pude observar que eh tambem nossa parente a dona Anna Coelho de Jesus (*). A mencao a proceder de Sao Miguel confirma tratar-se da mesma Anna Maria de Jesus (Nha Ninha), nossa tiatrisavo e irma do trisavo Antonio Rodrigues Coelho. A presenca da assinatura Coelho mascarou um pouco o nome pelo qual ela era conhecida em nossa genealogia.

Se os dados referirem-se aos nascimentos da maioria dos componentes desta ultima lista, pelas idades dos ultimos que aparecem, os ultimos livros serao ainda do inicio do seculo XIX. Mas se referirem-se aos testamentos, os ultimos livros datarao do final do seculo XIX e, talvez, inicio do seculo XX, o que aumentam as chances de estarem em melhor estado de conservacao. Assim poderiamos obter uma maior quantidade de dados, embora, nem todo testamento fazia mencao aos ancestrais. O que nao seria bom para o nosso objetivo principal.

No livro dele, o professor Nelson Coelho de Senna especulou que as muitas familias Coelho do Norte de Minas Gerais deveriam descender da figura historica Manoel Rodrigues Coelho, portugues que no inicio do Ciclo do Ouro tornou-se afortunado senhor de grandes lavras na regiao do Distrito de Santa Rita Durao, antigo Inficcionado, pertencente a Mariana. Nao ha duvida que muitas das pessoas presentes nesta lista poderao, e deverao, ter ascendencia neste patriarca. Contudo, sera improvavel que mais da metade nao o seja.

Pelo tamanho da lista podemos agora constatar a razao da existencia de tantas Familias Coelho na regiao. E tambem podemos afirmar que mesmo sem assinar, a populacao de Centro e Norte mineiros devera quase toda provir de uma ou mais raiz Coelho presente nesta lista. Destacam-se os de origem portuguesa (port.) que nao deverao descender do Manoel Rodrigues Coelho. Ha que ressalvar-se que a tia Nha Ninha nao se casou.

(*) MARIA COELHO DA SILVEIRA (Pecanha). Quase comi mosca nesta referencia. Trata-se mesmo de testamentos, pelo menos o eh no caso de dona Maria Coelho da Silveira. Isso posso afirmar porque, `a pagina numero 80 do “A Mata do Pecanha, sua Historia e sua Gente”, o professor assim se pronuncia: “Tivemos a oportunidade de examinar este Testamento, registrado no Livro no. 86, do Cartorio de 1o. Oficio da Comarca do Serro.”

O professor Dermeval nao apenas examinou como transcreveu o testamento nas paginas 82 e 83. No final da pagina 83 ha a referencia `a “folhas 1 (hum) do cartorio do Tabeliao de 1o. Oficio de Notas do Serro.” Trata-se do testamento do capitao Ildefonso da Rocha Freitas e de sua esposa, dona Maria Coelho da Silveira. Distrai-me antes mas a combinacao Coelho da Silveira e o vinculo com Pecanha acabou forcando a luzinha da lembranca acender-se quando fui visitar o senhor Morfeu. Como nos falam as tradicoes, nada melhor para a memoria que uma boa consulta ao traveseiro!

Noticia desagradavel eh que neste testamento, ou pelo menos no que foi registrado em cartorio, nada consta a respeito da genealogia, senao a mencao a que o numero de filhos do casal era de doze, nem menciona ancestrais ou local geografico de procedencia. Sabe-se apenas que eram portugueses. O testamento transmite somente o apego religioso dos testadores. Diferentemente de outros que rendem homenagens aos santos protetores e `a Igreja, mas tambem aos ancestrais, descendentes e ao local onde nasceram.

Evidentemente, somente o exame dos testamentos nao garante uma boa leitura genealogica. Para nos que somos leigos, uma boa estrategia e procurar tambem os inventarios do defunto testador. Estes obrigatoriamente incluirao mencoes a herdeiros e detalharao as relacoes parentais. Um bom exemplo do que procurar pode ser mostrado no endereco: http://www.genealogia.villasboas.nom.br/Inv-Test/ManoelPereiraDoAmaral.html.

Encontrei este exemplo quando estava tentando procurar a procedencia do quartavo Joaquim Pereira do Amaral. Como se pode verificar, sao pelo menos duas familias Pereira do Amaral em Minas Gerais. Esta nos antigos dominios de Sao Joao del Rei e a descendente do acoriano Miguel Pereira do Amaral. Os dados mostrados pelo professor Pimenta nao nos permite detalhar a origem desta segunda familia, pois, ele apenas menciona que Miguel era natural da Ilha de Sao Miguel, e filho de Manoel Pereira e Maria de Benevides. Nao se explica a origem do Amaral.

Talvez haja algum vinculo entre as duas familias, pois, calcula-se que o nosso ancestral Miguel Pereira do Amaral tenha nascido em torno de 1750. Observem que na certidao de batismo de Jeronymo Pereira de Carvalho informa-se que os avos maternos procediam tambem dos Acores, ou seja, da Ilha de Fayal, Bispado da Ilha Terceira. O que pode representar apenas uma coincidencia, pois, a todo momento chegavam ao Brasil portugueses de diversas procedencias e se envolviam com as mesmas familias.

Mas tambem pode indicar que um ramo dos Pereira e dos Amaral do Couto de Sao Joao de Tarouca migrou para os Acores e depois os ramos ja aparentados decidiram transladar-se juntos para o Brasil. O que eh muito comum em caso de migracoes, onde os primeiros se dirigem para outras regioes e ao perceberem que terao sucesso na “Terra Prometida”, logo tornam aos parentes com as boas noticias e convites para juntarem-se a eles. Pelo menos essa tem sido a Historia da atual migracao brasileira para o exterior. Embora, a Terra alcancada nao seja mais Prometida!

Ate aqui, a conclusao em nossa busca por dados genealogicos em nosso caso particular, passara primeiro por localizar estes documentos que ja temos referencias, pois, teoricamente serao os mais faceis de localizar-se. Depois de analisa-los e com suas informacoes `a mao eh que decidiremos da necessidade ou nao de procurar-se outros. As informacoes encontradas nestes, em todos os casos, nos servirao de orientadoras na determinacao do proximo passo a ser dado.

COELHO DA SILVA: Uma possibilidade, embora reconhecendo ser remota, sera termos ai nesta lista de Familias Coelho no Brasil a presenca de ancestrais de muitos familiares nossos. Refiro-me ao FRANCISCO COELHO DA SILVA (JR.) e ao JOAO COELHO DA SILVA “CONSENDAS”. Tenho duvida quanto `a traducao deste ultimo sobrenome. Pela presenca deles nos livros 19 e 48, respectivamente, temos a sugestao de poderem ser pai e filho.

E pela idade de nossos parentes que aparecem em livros subsequentes, podemos esperar que os Coelho da Silva tenham nascido em tempos que sugerem, respectivamente, final do seculo XVIII e inicio do seculo XIX. Pode ser que tenha que uma terceira geracao inclua-se o senhor Gilberto Coelho da Silva que foi o marido de dona Marciana e estes se tornaram os pais da dona Adelaide e senhores Gabriel (Gabi) e Francisco (Chico) Gilberto. Obvio, isto eh apenas uma suposicao, dentro da logica possivel que os dados soltos sugerem a mim. Nao sou Deus para ter certeza absoluta!

Enfim, a lista dos Coelho combinados a outros sobrenomes sugere a possibilidade de que muitas familias guardaram apenas seus outros sobrenomes embora tendo seu lado Coelho. Eh razoavel imaginar que a descendencia do senhor Manoel Coelho de Lima, embora sem referencia cartorial aqui, tenha preferido adotar o “de Lima” para permanecer na familia.

Isso ocorre entre as familias cujos sobrenomes tornam-se escessivamente frequentes, pois, a descendencia eh levada a pensar que nao ha a necessidade de manter aquele sobrenome que todos sabem estar na raiz dos nomes de todos. No exemplo acima, os senhores Gabi e Chico deixaram o Coelho em favor do Soares que era de origem materna, da dona Marciana. No ramo familiar de meus pais somos muitos os repetidos Coelho, porem, a preferencia se deu pelo Magalhaes Barbalho, pois, assinar Coelho seria chover no molhado!

Mas nao podemos nos enganar pensando que todos os familiares Lima descendam do Manoel Coelho de Lima. Observem na lista de Portugueses Falecidos Sem Testamento que houve um S. Mor, Jose Barata de Lima. Haverao os que descenderao dele tambem. E nao devem ser poucos porque a referencia dele eh o ano de 1788! E devemos considerar tambem a possibilidade muito provavel de outros Lima terem se estabelecido na regiao do Serro e seus sobrenomes terem permanecido.

 

Obs.: Notei ao buscar meus textos via servidor google.com.br ele nao abre algumas paginas do meu blog. Ao contrario do http://www.google.com, sem o br.

2013 in review

January 4, 2014

The WordPress.com stats helper monkeys prepared a 2013 annual report for this blog.

Here’s an excerpt:

The concert hall at the Sydney Opera House holds 2,700 people. This blog was viewed about 12,000 times in 2013. If it were a concert at Sydney Opera House, it would take about 4 sold-out performances for that many people to see it.

Click here to see the complete report.

GENEALOGIAS DE FAMILIAS TRADICIONAIS DE VIRGINOPOLIS

December 6, 2013

CONTEUDO DESTE BLOG – ALL CONTENTS

1. GENEALOGIA

http://val51mabar.wordpress.com/2013/12/06/genealogias-de-familias-tradicionais-de-virginopolis/

http://val51mabar.wordpress.com/2013/05/30/barbalho-coelho-pimenta-no-site-www-ancestry-com/

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http://val51mabar.wordpress.com/2011/02/24/historico-do-povoamento-mineiro-genealogia-coelho-cidade-por-cidade/

http://val51mabar.wordpress.com/2012/07/02/familia-barbalho-coelho-no-livro-a-america-suicida/

http://val51mabar.wordpress.com/2010/05/23/a-historia-da-familia-coelho-do-centro-nordeste-de-minas-gerais/

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http://val51mabar.wordpress.com/2010/05/03/arvore-genealogica-da-familia-coelho-no-sitio-www-geneaminas-com-br/

http://val51mabar.wordpress.com/2010/09/22/ascendencia-dos-ancestrais-jose-coelho-de-magalhaeseugenia-rodrigues-rocha-uma-saga-a-ser-desvendada/

http://val51mabar.wordpress.com/2012/01/17/a-heranca-furtado-de-mendonca-no-brasil/

2. RELIGIAO

http://val51mabar.wordpress.com/2011/05/29/a-divina-parabola/

http://val51mabar.wordpress.com/2011/01/28/o-livro-do-conhecimento-de-deus/

http://val51mabar.wordpress.com/2010/01/22/carta-de-libertacao/

3. OPINIAO

http://val51mabar.wordpress.com/2013/01/03/israel-as-diversas-verdades-e-o-padececer-da-palestina-e-outros-textos/

http://val51mabar.wordpress.com/2010/06/26/faixa-de-gaza-o-travessao-nos-olhos-da-humanidade/

http://val51mabar.wordpress.com/2013/05/12/neste-mundo-so-nao-eh-gay-quem-nao-quizer/

4. MANIFESTO FEMINISTA

http://val51mabar.wordpress.com/2010/07/21/13-estrelas-mulher/

5. POLITICA BRASILEIRA

http://val51mabar.wordpress.com/2010/10/16/o-direcionamento-religioso-errado-nas-questoes-eleitorais-brasileiras/

http://val51mabar.wordpress.com/2010/10/19/resposta-de-um-neobobo-ao-excelentissimo-sr-ex-presidente-fernando-henrique-cardoso/

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http://val51mabar.wordpress.com/2010/08/05/carta-ao-candidato-do-psol-plinio-de-arruda-sampaio/

http://val51mabar.wordpress.com/2010/05/26/politica-futebol-musas-e-propaganda-eleitoral-antecipada-obama-grandes-corporacoes-e-imigracao/

6. MISTO

http://val51mabar.wordpress.com/2013/11/06/trilogia-de-variedades/

http://val51mabar.wordpress.com/2012/12/30/2012-in-review/

http://val51mabar.wordpress.com/2012/07/02/familia-barbalho-coelho-no-livro-a-america-suicida/

7. IN INGLISH

http://val51mabar.wordpress.com/2010/06/02/the-nonsense-law/

http://val51mabar.wordpress.com/2010/08/21/13-stars-woman/

http://val51mabar.wordpress.com/2011/10/05/the-suicidal-americaa-america-suicida/

http://val51mabar.wordpress.com/2010/08/25/100-reasons-to-amnesty-the-undocumented-workers-in-united-states/

http://val51mabar.wordpress.com/2009/09/25/about-the-third-and-last-testament/

http://val51mabar.wordpress.com/2009/09/12/the-third-and-last-testament/

8. IMIGRACAO

http://val51mabar.wordpress.com/2010/06/17/imigracao-sem-lenco-e-sem-documento-o-barril-transbordante-de-injusticas/

GENEALOGIAS DE FAMILIAS TRADICIONAIS DE VIRGINOPOLIS

 

INDICE

01. PEQUENO HISTORICO
02. GENEALOGIAS DE FAMILIAS TRADICIONAIS DE VIRGINOPOLIS
03. COMENTARIOS
04. BREVE RELATO DOS PRIMEIROS FRUTOS DA PRESENTE PUBLICACAO
05. NOTA PARA O AMIGO DALBER AUGUSTO
06. DADOS GENEALOGICOS E HISTORICOS SOMADOS DE FAMILIAS TRADICIONAIS DE VIRGINOPOLIS
07. TODOS OS COELHO DE VIRGINOPOLIS
08. PRIMEIROS MORADORES DE SABINOPOLIS (ANTIGO SAO SEBASTIAO DOS CORRENTES)
09. GENEALOGIAS VIA SITE http://www.santuariodocaraca.com.br/ex-alunos/
10. A TOCA DO JOAO RODRIGUES COELHO
11. REFLEXOES I E II
12. ACRESCIMOS `A ARVORE GENEALOGICA
13. PRECONCEITO E ORGULHO
14. GENEALOGIA, GENETICA, E BOM SENSO
15. BELLE NOUVEAU, PARA OS “DA CUNHA MENEZES” E FAMILIARES
16. AOS FAMILIARES “DA CUNHA MENEZES”
17. FAMILIARES FERREIRA RABELLO
18. PEQUENA ANTIGA NOVIDADE

 
01. PEQUENO HISTORICO;

Quando a dona Negra (Maria Filomena de Andrade) escreveu o livro dela: “Historia de Virginopolis”, logo apos `a publicacao, ouvi um comentario dentro de casa que foi mais ou menos assim: “Mas a dona Negra confundiu muita coisa aqui!” Um comentario sem a menor maldade mas, vindo de pessoas que compartilhavam do gosto pela Historia, soou para mim como se fosse assim: “Nao precisa nem ler, com esse veredito, nao vou aprender nada.”

Claro, ainda jovem, em meus 20 anos, nem sequer tinha despertado o interesse pela Historia e, muito menos, pela genealogia. Ja me bastava saber que era parente de todo mundo na cidade. E como tinha gente da familia ao meu redor!…

Agora que nos estamos “virando a serra”, como tanto gostava de dizer papai, e despertei para o conhecimento da Historia e genealogia de um modo geral, cansei de fazer apelos `as pessoas para enviar-me dados que ajudassem a desvendar caminhos intrincados nas linhagens de nossa parentalha que nem mesmo o livro: “ARVORE GENEALOGICA DA FAMILIA COELHO”, de nossa prima IVANIA BATISTA COELHO, conseguiu decifrar. A cada 100 pedidos que faco, so consigo 1/2 ponto % de resposta. Eh mole?!…

Ultimamente, “encasquetei” de tentar associar `a nossa Arvore Genealogica as ramificacoes que compuzeram a nossa familia por via dos casamentos. Quero descobrir os vinculos que ja existiam entre nossos ancestrais mais recentes e os ancestrais das pessoas que estao associadas `a familia. Assim, vinha incomodando muita gente para ver se conseguiamos dados a respeito de familias como: Figueiredo, Fonseca, Andrade, Pacheco, Miranda, Reis, Moreira, Nunes Coelho, Campos, Valadares, Rabelo, Rabello, Pereira do Amaral, Souza, Oliveira, Freire, Perpetuo, Soares, Lima, Ferreira, Lacerda, Cunha de Menezes e muitas outras mais.

Nessas buscas, acabei encontrando no Facebook a Elini, que tinha poucas informacoes a me passar. E vendo a nossa conversa, o Adamar Nunes Coelho (filho do sr. Adauto Nunes Coelho e dona Maria Coelho de Magalhaes (pagina 156 do livro da Ivania)), entrou e disse que no livro da dona Filomena tinha exatamente um pouco do que eu estava procurando. Ele estava com o livro dedicado `a irma dele, Almerica. Pedi a ele que, se possivel, enviasse copia da parte genealogica mas ja pensando: vai demorar muito!…

Ao contrario, o meu pessimismo foi infrutifero desta vez! Na proxima vez que abri o computador, la estava a encomenda pronta. Como dizem os “mineirim”: “Cazcaidecostas”. La estava o que solicitei. E logo que pude copiei tudo `a mao. Pois eh! Pensam voces que genealogia eh brincadeira? E nao ficou nisso nao! Copiei de novo, desta vez no “compiutar”. Isso faz parte porque quando a gente escreve e reescreve a gente compreende muito melhor. E genealogia eh assim mesmo, tem que ser vista de tras pra frente e de frente pra tras, senao a gente nao entende tudo que ha para se entender. Eh um verdadeiro jogo de xadrez.

De antemao, vou avisando que nao deu para esclarecer todas as questoes. A opiniao passada de que haviam enganos esta correta. Pelo menos foi o que constatei dentro daquilo que faz parte dos meus conhecimentos. Mas sao enganos que acontecem naturalmente com todo mundo. Principalmente entre os pesquisadores solitarios. Na parte da descricao que ela fez da Familia Nunes Coelho, por exemplo, ela escreveu: “Antonio, casado com Imidia de Magalhaes Barbalho”. Quando ela fala a respeito da familia Magalhaes Barbalho escreve: “8o.) Imigdia, casada com Jose Nunes Coelho.” Corrige, para mim que ja sabia, mas se fosse outro pesquisador, teria que buscar mais informacoes.

Claro, notei tambem algo no ponto de vista dela. Ela, como professora, procurou “puxar a sardinha para a propria latinha”. Nao. Nao imaginem que eu esteja criticando. Penso que com toda razao ela estava procurando homenagear a classe do professorado, que ajudou a construir Virginopolis dentro dos padroes elevados nas areas cultural e social. E verdade precisa ser dita. Os virginopolitanos tiveram a felicidade de ter pessoas honradas como cabecas. Se alguem pensa que existe algo de ruim na cidade, deve compara-la a outras para observar que nao eh nenhuma setima maravilha do mundo cultural mas tem um nivel respeitavel.

Antes que eu faca uma analise do que ela escreveu, vou colocar abaixo a copia que fiz. Assim todos poderao ler e localizar ancestrais que nunca imaginaram poder existir. So lamento que ela abordou algumas familias em um passado tao distante que ficou um lapso entre elas e os dados que temos. Assim, precisarei que os leitores quando localizarem algum de seus ancestrais ai, por favor, facam um comentario do tipo: “Fulano e ciclana sao meus bisavos porque sao pais do beltrano ou beltrana, que era casado(a) com: …” Dai eu poderei fazer nova emenda na Arvore.

Um exemplo pratico disso eh que: dona Maria Salome (Salica) Coelho de Lacerda, casada com Cesario de Souza Coelho, era irma do sr. Jose (Yeie) Coelho de Lacerda, e eram filhos de … (nao sei). A unica coisa que sei eh que os pais deles estao entre os relacionados na Familia Coelho de Lacerda. Mas preciso saber quem foram para fazer a emenda correta. Segue abaixo o que dona Negra escreveu, ainda sem as correcoes que deverao ser processadas:

 

 
02. GENEALOGIAS DE FAMILIAS TRADICIONAIS DE VIRGINOPOLIS

GOMES DE BRITO:

“Felix Gomes de Brito, o principal fundador de Patrocinio de Guanhaes, veio antes de 1839. Nesta data fez doacao de 80 litros de terra para cemiterio e igreja. (Historico). Era casado com Maria de S. Jose da Silva, filhos:

1o.) Candido, (casado com Maria Catarina (o Candinho do Felix como era conhecido).
2o.) Jose Primo, casado com Joana.
3o.) Mariano Primo, casado com Maria.
4o.) Rita, casada com Raimundo Basilio (Tambem conhecida por Rita do Felix).
5o.) Ana, casada com Raimundo Ferreira.
6o.) Raimunda
7o.) Pedro
8o.) Maria

A maior parte dos descendentes estao espalhados em outros municipios, principalmente Governador Valadares. Sao descendentes do Felix Gomes em Virginopolis: Pedro Gomes, vulgo Pedro Gominho, seus filhos e netos; Joao Galdino, recentemente falecido, filhos e netos. Tome, filhos e netos.

Seus descendentes chegam a ultrapassar 2.000 pessoas.

FAMILIA BATISTA COELHO OU JOAO COELHO DA ROCHA (To. JOAO BATISTA COELHO)

Joao Batista Coelho, casado com D. Maria Honoria Nunes Coelho. Estabeleceu-se na vizinhanca do povoado, na fazenda que hoje pertence ao Sr. Gabriel Coelho Soares. Tiveram os seguintes filhos:

1o.) Joao Batista Coelho, casado com D. Quiteria Rosa do Amaral.
2o.) Joaquim Bento Coelho, casado com D. Antonia da Silva Neto
3o.) Antonio Paulino Coelho, casado com Julia Salles Coelho – moradores de Guanhaes.
4o.) Jose Batista Coelho, casado em primeiras nupcias com Maria Marcolina Coelho e em 2a. com Virginia Marcolina Coelho.
5o.) Francisco Batista Coelho, casado em 1a. nupcias com sua sobrinha Maria Coelho do Amaral e em 2a. com outra, Maria Coelho de Oliveira.
6o.) Virginia Honoria Coelho, casada com Antonio Candido de Oliveira.
7o.) Sebastiana Honoria Coelho, casada com Joaquim Nunes Coelho (Quinzote).
8o.) Ana Honoria Coelho, casada com Candido Coelho de Oliveira.
9o.) Antonia Honoria Coelho, casada com Pedro Marcal de M. Barbalho.
10o.) Emigdia Honoria Coelho, casada com Amaro de Souza.
11o.) Marcolina Honoria Coelho, casada com Demetrio Coelho de Oliveira (Residentes em Coroacy).
12o.) Maria Honoria Coelho, casada com Jose Pereira da Silva (Guanhaes). Seus descendentes sao em calculo aproximados a 24.000.

FAMILIA NUNES COELHO

Tenente Joaquim Nunes, casado com dona Francisca Eufrasia de Assis. Tiveram os seguintes filhos:

1o.) Euzebio, morreu crianca.
2o.) Joaquim Nunes Coelho (Quizote), casado com sua prima D. Sebastiana Honoria Coelho.
3o.) Emigdio, casada com Camila Maria da Paixao.
4o.) Lino, morreu solteiro.
5o.) Rita, casada com Marcos Xavier Caldeira.
6o.) Antonio, casado com Imidia de Magalhaes Barbalho.
7o.) Miguel, casado com D. Ambrosina de Magalhaes Barbalho.
8o.) Joao, casado com D. Petronilha de Magalhaes Barbalho.
9o.) Luiza, casada com Luiz Furtado Leite. Calcula-se em 10.500 os seus descendentes.

ANTONIO RODRIGUES COELHO OU ANTONIO COELHO DA ROCHA

Nota Explicativa: Antes de iniciarmos a relacao da Familia Rodrigues Coelho, devemos esclarecer ao leitor que o To. Joao Batista Coelho e Antonio Rodrigues Coelho eram irmaos e ambos Coelho da Rocha. O 1o. passou a assinar-se Batista Coelho porque nasceu a 24 de Junho, dia em que se comemora a festa de Sao Joao Batista. O 2o. passou a assinar-se Rodrigues Coelho porque, naquela epoca, era costume os afilhados tomarem o so-

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brenome dos padrinhos. E o seu padrinho de batizado foi um portugues chamado Rodrigues. Antonio Rodrigues Coelho casou-se com D. Marcolina Borges do Amaral, FILHOS:

1o.) Dr. Antonio Rodrigues Coelho Junior, casado com D. Rita de Sales Coelho (Belo Horizonte).
2o.) Joao Rodrigues Coelho, casado com D. Olimpia Coelho do Amaral.
3o.) Lindolfo Rodrigues Coelho, casado com D. Marcolina Nunes Coelho (Gos).
4o.) Altivo RodriguesCoelho, casado com Vitalina Nunes Coelho (Gos).
5o.) Maria Josefina, casada com Pio Nunes Coelho.
6o.) Luiza Marcolina Coelho, casada com Emidio Ferreira da Silva (Gos).
7o.) Jose Rodrigues Coelho, casado com Maria Pereira da Silva
9o.) Daniel Rodrigues Coelho, casado com Marina Coelho de Oliveira
10o.) Benjamim Rodrigues Coelho, casado com D. Julia Coelho do Amaral
11o.) Maria Marcolina Coelho, casada com Jose Batista Coelho, falecendo a 1a., veio o mesmo a casar-se com sua ima 12o) Virginia Marcolina Coelho
13o.) Maria Carmelita Coelho, casada com Simao Batista Coelho,

Casou-se em segundas nupcias com Virginia Campos Nelson, natural de Diamantina. Do segundo matrimonio nao teve filhos. Calcula-se em 4.500 descendentes.

FAMILIA MAGALHAES BARBALHO

Marcal de Magalhaes Barbalho, casado com Eugenia Eufrasia Coelho da Rocha, tiveram os seguintes filhos:

1o.) Marcal de Magalhaes Barbalho, casado com D. Hercilia Coelho de Andrade.
2o.) Pedro Marcal de Magalhaes Barbalho, casado com Antonia Honoria Coelho.
3o.) Petronilha, casada com Joao Nunes Coelho
4o.) Ambrosina, casada com Miguel Nunes Coelho
5o.) Candida, casada com Joao Batista de Magalhaes
6o.) Quiteria, casada com Joaquim Pacheco
8o.) Imigdia, casada com Jose Nunes Coelho.

D. Hercilia nasceu em Guanhaes, filha de Joaquim Coelho de Andrade e Joaquina Umbelina da Fonseca. Calcula-se em 8.000 os seus descendentes.

FAMILIA CAMPOS

Antonio Ferreira Campos Baguary (assim chamado por sugestao do Juiz de Direito do Serro, devido ao grande numero de homonimos quando em juri funcionava). Casado com a professora D. Augusta Rabelo Campos, de Sao Joao Evangelista. FILHOS:

1o.) Dr. Jose Augusto Campos do Amaral, casado em 1a. nupcias com Graziela de Brito; em segunda com Castorina Russo.
2o.) Cel. Olavio Campos do Amaral

- 119 -

casado com D. Raimunda Xavier
3o.) Maria das Dores Campos do (irma S. V.)
4o.) Atenagoras Campos do Amaral, com D. Maria da Conceicao Nascimento
5o.) Maria Salome Campos do Amaral, casada com Francisco Coelho Sobrinho
7o.) Washington Campos do Amaral, casado com D. Iria Muzzi
8o.) Luiz Campos do Amaral, casado com D. Maria Smith
9o.) Joaquim Campos do Amaral, casado com D. Maria Xavier
10o.) Francisco de Assis Campos do Amaral, casado com D. Carmem Orsini

Faleceram 4. Calcula-se em 380 descendentes.

CONTINUACAO DA FAMILIA CAMPOS

Manoel Ferreira Campos, casado (irmao de Antonio Campos Baguari) com D. Clementina Marcos de Jesus. Tiveram os seguintes filhos:

1o.) Jose Ferreira Campos, casado com D. Jovelina Rabelo Campos
2o.) Josefino Ferreira Campos, casado com D. Maria Salome Rabelo
3o.) Joao Ferreira Campos, casado com D. Maria da Cunha
4o.) Maria Campos, casada com Simao Caldeira
5o.) Francisco Ferreira Campos, casado com D. Maria Pacifica dos Santos, casado em 2a. nupcias com Maria Candida de Jesus (TIA) nao deixou filhos do 2o. matrimonio.
6o.) Joaquim Ferreira Campos, casado com D. Enedina Coelho de Lacerda.

Calcula-se em 700 descendentes.

FIRMIANO FERREIRA CAMPOS (IRMAO DOS JA CITADOS)

Era casado com Teresa Barreto. Filhos:

1o.) Jose Campos
2o.) Maria Campos Moreira, casada com Joaquim Moreira
3o.) Josafa Ferreira Campos.

seus descendentes nao ultrapassam a 500.

FAMILIA COELHO DE OLIVEIRA

Candido de Oliveira Freire, vulgo (Candixinho), era casado com D. Ana Maria Coelho e tiveram os seguintes filhos:

1o.) Bernardino Coelho de Oliveira, casado com D. Carmelita Pacheco.
2o.) Celina, casada em 1a. nupcias com Jose Pacheco e em 2a. com Benedito Marques Viana.
3o.) Fernando Coelho de Oliveira, casado com D. Luiza de Souza.
4o.) Marina (Nenem), casado com Daniel Rodrigues Coelho
5o.) Otavio, casado tres vezes: 1a. com Francisca Nunes Coelho; 2a. com Ifigenia Gloria; 3a. com Luzia Nunes Coelho.
6o.) Jose Candido Coelho, casado com D. Maria Marcolina Coelho
Irmaos de Candido de Oliveira

- 120 -

FREIRE

2o.) Antonio Candido de Oliveira, casado com D. Virginia H. Coelho
3o.) Joao Candido de Oliveira, casado em 1o. matrimonio com D. Maria Pinto Coelho; 2o. com D. Estefania Cafe
4o.) Joaquim Candido de Oliveira, casado com Ana Pinto Coelho
5o.) Quiteria, casada em 1o. matrimonio com Afonso Coelho de Oliveira e em 2o. com Joao Neto.
6o.) Maria Teresa, casada com Leonel Coelho de Oliveira
7o.) Maria Candida, casada com Alexandre, vulgo Alexandre Pelado.

Nota: Sendo D. Ana Maria Coelho, filha de Joao Batista Coelho, nao ha necessidade de relatar os nomes de seus irmaos. Basta consultar Familia Batista Coelho. Descendentes – 1.000

FAMILIA BATISTA DE MAGALHAES

Joao Batista de Magalhaes (Joao Domingos) era casado com D. Candida de Magalhaes Barbalho. Tiveram os seguintes filhos:

1o.) Joao de Magalhaes Junior, casado com Alda de Magalhaes Barbalho.
2o.) Eliezer de Magalhaes – solteiro
3o.) Emidia de Magalhaes – casada com Evencio Batista Coelho
4o.) Wilson de Magalhaes, casado com Maria Julia Pacheco
5o.) Davina de Magalhaes, casada com Jose Coelho Junior
6o.) Getulio de Magalhaes – solteiro
7o.) Maria de Magalhaes, casada com Sinval Rodrigues Coelho
8o.) Candida de Magalhaes, casada com Jose de Magalhaes Barbalho
9o.) Gastao de Magalhaes, casado com Julita Coelho (G. Valadares)

FAMILIA PEREIRA DO AMARAL

Ernesto Pereira do Amaral, natural de Sabinopolis, casado com D. Imidia da Silva Neto (Guanhaes) aqui se estabeleceram e construiram numerosa familia.

1o.) Levi, casado com D. Julia da Silva Coelho
2o.) Artur Pereira, casado com D. Maria Nunes Leite
3o.) Aureo Pereira, casado com D. Petrina Nunes Coelho
5o.) Antonio Pereira, casado com Otavia Coelho
6o.) Joao, falecido solteiro
7o.) Ernesto, casado em 1a. nupcias com Dalila Coelho e em 2a. com Tereza Pereira
8o.) Padre Jose Pereira do Amaral, vigario

- 121 -

de Pecanha.
9o.) Marcolina Pereira do Amaral, casada com Jose Batista Sobrinho
10o.) Amalia, casada com Joao Batista Coelho Neto
11o.) Rosalia, solteira, falecida
12o.) Maria, solteira
13o.) Zilda, solteira
Eram irmaos do Sr. Esnesto Pereira do Amaral, Quiteria Rosa, casada com o Sr. Joao Batista Coelho Junior; Maria Rosa, casada com o Sr. Eloy Perpetuo; Rosa, casada com o Sr. Bento Fernandes de Almeida (DIVINO); Antonio Pereira do Amaral, casado, casado com Maria Pereira do Nascimento (DIVINO).
Descendentes – 600

FAMILIA PERPETUO (IRMAOS PERPETUO)

1o.) Joaquim Perpetuo – casado com D. Julia Nunes
2o.) Francisco Perpetuo – casado com Querobina (Sia Bininha) Pecanha
3o.) Eloy Perpetuo – casado com D. Maria Rosa do Amaral (Sia Biquita)
4o.) Jose Perpetuo – casado com Antoninha
5o.) Antonio Perpetuo – casado com Eliza de Souza (Gonzaga)
6o.) Carlos Perpetuo – morreu solteiro
7o.) Joao Perpetuo – casado com Eulina Coelho de Lacerda

Descendentes – 1.250

FAMILIA CUNHA MENEZES

Jose da Cunha Menezes casado com Maria Tereza Severino. FILHOS:

1o.) Joaquim, casado com D. Enedina Borges de Menezes (DIVINO)
2o.) Joao, casado em 1o. matrimonio com D. Eva Nunes e em 2o. com D. Emidia Nunes
3o.) Liberalino – faleceu casado com D. Adalgisa (Gigiu) Dias de Andrade
4o.) Jose, casado com D. Heloina (DIVINO)
5o.) Luiz, casado com R. Regina (DIVINO)
6o.) Sebastiao (Betica), casado em 1a. nupcias com Nenem
7o.) Olimpia, casada com Antonio Nunes da Silva
8o.) Altina – faleceu solteira
9o.) Maria, casada com Durval Nunes
10o.) Francelina, casada com Francisco Matias.

Descendentes: 1.300

FAMILIA LACERDA

Januario Coelho de Oliveira casado com Ilidia Augusta de Lacerda. FILHOS:

1o.) Eloy Coelho de Lacerda, casado com Augusta Candido de Jesus
2o.) Joao Coelho de Lacerda, casado com Ambrosina Candida de Jesus
3o.) Enedina, casada com Joaquim F. Campos

- 122 -

4o.) Paulo Coelho de Lacerda, casado com Manoela Augusta de Lacerda
5o.) Jose Coelho de Lacerda, casado com Joaquina Candida de Jesus
6o.) Eulina Coelho de Lacerda, casada com Pedro Alves Pereira (antigo Pedro Catolico)
7o.) Filoteia Coelho de Lacerda, casada com Cristovao
8o.) Maria Augusta casada com Paulo Gomes

Descendentes: 2.800

JOSE JOAQUIM DA SILVA (GUARDA-MOR)

Era casdo com D. Modesta Carolina de Souza. FILHOS:

1o.) Ambrosina casada com Domingos Borges da Silva
2o.) Juscelina carolina da Silva casada com Sebastiao Caldeira
3o.) Antonio casadao com Olimpia da C. Menezes
4o.) Arminda casada com Joaquim Nunes Coelho
5o.) Julita casada com Joaquim Nunes Coelho
6o.) Joel casado com Maria (Sinha)
7o.) Jose – Guardamor – casado com Francisca Caldeira
8o.) Julia – casada com Joao Nunes
9o.) Maria casada em 1a. nupcias com Dimas Pereira e em 2as. com Jose Teixeira Junior (Teixeirinha)
10o.) Juscelino casado com Maria Gomes (Maria Sape)

Descendentes: 1.500

FAMILIA PACHECO

Joaquim Pacheco casado com Quiteria de Magalhaes Barbalho
1o.) Jose Pacheco, casado com D. Celina Coelho de Oliveira
2o.) Carmelita casada com Bernardino Coelho de Oliveira
3o.) Alice Pacheco (solteira)
4o.) Tiers (solteiro)
5o.) Maria Julia, casda com Wilson de Magalhaes Barbalho
6o.) Dulce, casada com Aquiles Batista Coelho
7o.) Gil Pacheco, casado com D. Maria Vieira de Magalhaes
8o.) Julia, casada com Jose Claro Coelho
9o.) Carlota, casada com Jeronimo Figueiredo

Descendentes 840

FAMILIA DIAS DE ANDRADE

Francisco Dias de Andrade, casado com a professora D. Celestina Cristina de Souza. Vieram de Diamantina mais ou menos em 1894. Desse matrimonio nasceram os seguintes filhos:

1o.) Francisco Dias de Andrade Junior, casado com a professora Maria Clara Nunes Rabelo.
2o.) Maria Dolores de Andrade, casada em primeiras nupcias com Raimundo Pereira dos Santos e em segundas com Francisco.
3o.) Jose Dias

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de Andrade – morreu solteiro

Do segundo matrimonio com D. Ana Maria de Andrade

4o.) Ari Dias de Andrade casado com D. Maria Magalhaes em primeiras nupcias, em segundas, com D. Honorata Magalhaes, irma da primeira.
5o.) Maria Filomena de Andrade, professora, casada com o Dr. Benjamim Constant de Arruda Coutinho, autora desta Historia de Virginopolis.
6o.) Djair Dias de Andrade, casado com D. Neide de Araujo Mafra (S. Jose do Divino)
7o.) Adir Dias de Andrade – solteiro
8o.) Ciro Dias de Andrade – (fal.) – casado com D. Palmira Machado (Diamantina)
9o.) Violeta Dias de Andrade, casada com Alexandre Olegario de Andrade (Governador Valadares)
10o.) Clovis dos Santos Andrade, casado com D. Elisa de Almeida (Juiz de Fora)
11o.) Rubens Dias de Andrade, casado com D. Ana Ferreira Nunes

De Diamantina vieram as irmas de Francisco Dias de Andrade:

1o.) Julia Dias de Andrade casada com Pedro Alves Pereira Junior (Pedrinho Catolico)
2o.) Maria Lucia de Andrade, casada com Jacinto Olegario
3o.) Alexandre Dias de Andrade, solteiro faleceu em Diamantina
4o.) Adalgisa Dias de Andrade, casada em primeiras nupcias com Liberalino da Cunha Menezes e em segundas com Agapito de Azevedo

Mais tarde veio estabelecer-se em Virginopolis o casal Julio Izidoro da Costa e Honorina Dias de Andrade (esta tambem da irmandade acima).

Da familia so ficou residindo em Diamantina o Sr. Joao Dias de Andrade casado com D. Maria dos Anjos da Mata Machado. Ambos falecidos.

Descendentes de Francisco Dias de Andrade – 180

LINO DE SOUZA

Os irmaos Lino de Souza sao dos mais antigos que se estabeleceram em Patrocinio de Guanhaes. Eram eles:

Honorio Lino, casado com Rosa
Rafael Lino, casado com Vicencia Thomas
Camila Lino, casada com Amancio Borges
Jose Lino, casado com Julia (Iaia)
Edwirges – Solteira
Romualda – Solteira
Maria (Sia Cota) – Solteira
Edwiges faleceu aos 108 anos

Contava que veio com 12 anos de idade para Patrocinio. Conheceu Patrocinio com suas primeiras e raras casas.

Descendentes: 800

- 124 -

FAMILIA LEITE

Antonio Furtado Leite casado com Joaquina Antonia Ferreira tiveram os seguintes filhos, os quais vieram de Barao de Cocais para residirem em Patrocinio e aqui constituiram grandes familias.

1o.) Ana Furtado Leite, casada com Francisco da T. Arruda
2o.) Modesto, casado com Valeriana Leite
3o.) Altina, casada 2 vezes: primeiro marido chamava-se Luiz Mestre, o segundo Antonio Tadeu
4o.) Francisco Furtado Leite, casado com America Nunes Coelho
5o.) Luiz Furtado Leite, casado com Luiza Nunes Coelho (Sapucaia).

Descendentes: 1.300

FAMILIA CHAVES

Francisco Chaves, casado com D. Joana Chaves tiveram os seguintes filhos:

1o.) Maria, casada em 1as. nupcias com Lourenco, em 2as. com Antonio.
2o.) Etelvina, casada com Jose Xavier (Coroacy)
3o.) Prudencia, casada com Francisco Nogueira (Paquinha)
4o.) Matilde, casada com Jose Rodrigues (Coroacy)
5o.) Olivia, casada com Jose Bento Coelho (G. Valadares).
6o.) Raimundo, casado com Maria Sabino

Foi o Sr. Francisco Chaves – vulgo Chico Carreiro, quem construiu a primeira casa moderna de Patrocinio. Tambem a 1a. maquina de limpar cafe era de sua propriedade. Em calculos, 700 descendentes.

- 125 -”

 

 

03. COMENTARIOS

FAMILIA GOMES DE BRITO (+ FERREIRA, SOARES, SOUZA E CARVALHO):

Nada tenho a comentar. Entre a geracao do sr. Felix Gomes de Brito e dos filhos dele deve haver outras tres ate chegar `as pessoas que conheci. Sei que o senhor Adail Galdino, que faleceu nao muito tempo atras, descende deles. E a Gracinha, filha dele, casou-se com o Flavio Jason Figueiredo de Oliveira que descende de alguns dos troncos acima apresentados. Os filhos deles, entao, serao agraciados com quase toda a Historia de Virginopolis, literalmente.

Felix Gomes de Brito tornou-se nome da rua mais central da Cidade de Virginopolis. Eh aquela que liga a Praca da Matriz `a Praca dona Augusta Campos. Segundo o Flavio, a ex-prefeita dona Cida Morais Ribeiro instalou na casa do sr. Adail a placa de identificacao da rua. A casa em que o sr. Adail morou por ultimo eh uma que substitui `a antiga, onde residiram os tios Otacilio de Magalhaes Barbalho e Maria Jose (Zeze).

Estou renovando este texto e agora tenho uma evidencia que podera identificar mais pessoas da descendencia do sr. Felix Gomes de Brito. Foi conversando com o amigo Airton Ferreira via facebook que ele foneceu-me alguns dados da familia dele. Em nossa epoca de crianca e juventude em Virginopolis os irmaos e primos dele faziam parte dos meus companheiros de escola e futebol.

Eles, como nos e todo mundo, fazemos parte de um grupo de familias, ou melhor, fazemos parte de uma familia composta de diversos sobrenomes. Ele inclusive tem um primo irmao, Ronaldo Ferreira Generoso, casado com minha prima Sandra Batista Coelho. E os lacos acabam aproximando todos, fazendo de nos uma unica familia.

Mas o interessante de nossa conversa passou tambem pela genealogia. E ele contou-me os nomes de antepassados deles ate seus bisavos, segundo a sequencia:

Hely Ferreira Pinto – Maria Teresa de Jesus Ferreira
Pedro Ferreira Pinto – Ana Nunes Ferreira
Francisco Inacio da Silva – Ana Galdina Pinto

dona Ana Nunes Ferreira era filha de:

Henrique Nunes Gomes – Mariana

Pelo lado materno a sequencia foi esta:

Maria Teresa de Jesus Ferreira – Hely Ferreira Pinto
Nestor Maria Generoso – Maria Teresa de Jesus
Carlos Generoso

Nao tinha o nome da bisavo materna. E dona Maria Tereza de Jesus foi filha de Manoel Mendes, mas nao se recordou da esposa.

Claro, se ampliarmos este breve diagrama da familia, com os irmaos do senhor Hely e da dona Maria Teresa e os irmaos dos pais de ambos, alem de toda descendencia deles, teremos outros poucos milhares de pessoas a anotar. Atualmente, ao que me recorde, as pessoas mais conhecidas que ainda permanecem em Virginopolis sao as da familia do senhor Manoel Generoso, irmao da dona Maria Teresa. Assim, fica esta dica para os amigos mais novos da familia saberem se localizar melhor.

Mas o ponto que levanto aqui eh o nome da bisavo Ana Galdina Pinto. Este Galdina, nao sei dizer se sobrenome ou apelido, esta ligada `a descendencia do senhor Felix Gomes de Brito, como as pessoas por Maria Filomena lembradas e seo Adail Galdino, mencionado por mim. Alem disso ha o nome do bisavo Henrique Nunes Gomes, que pode dar outro vinculo com a familia, possibilitando o casamento de prima com primo.

Como dona Maria Filomena enganou-se algumas vezes, talvez e somente talvez, a dona Ana, apontada como filha do senhor Felix, casada com Raimundo Ferreira, poderia ser dona Ana Galdina e a autora ter-se enganado na identidade do marido. Contudo, tem tambem a possibilidade de que ela estivesse certa e ai cabe a hipotese de que o senhor Francisco Inacio da Silva fosse filho do senhor Raimundo e dona Ana.

Ressalve-se que em 1839 o senhor Felix Gomes de Brito ja habitava a area do centro da cidade, pois, cedeu o terreno para igreja e cemiterio. Pode ser que os filhos ja fossem casados, dai havendo espaco de tempo habil para o senhor Francisco Inacio ter sido neto.

O Airton observou que ele assinava “da Silva” mas era um legitimo “Ferreira”. `Aquela epoca era normal as pessoas adotarem sobrenomes de avos ao inves dos paternos. E a esposa do senhor Felix Gomes de Brito se chamava Maria de Sao Jose da Silva, o que indica que tinha antepassados com este sobrenome. Eh possivel que dona Maria Filomena nao tenha se recordado para identificar estes parentes do patriarca da cidade por causa de eles descenderem por vias femininas. Frequentemente a gente comete enganos em relacao a isso porque na maioria das vezes os sobrenomes que ficam sao os paternos.

Assim, sera possivel que muitos membros de Familias Ferreira em Virginopolis e regiao tenham os ancestrais comuns: dona Ana e senhor Raimundo Ferreira. Embora, ha que se ressaltar que houve introducao de outros Ferreira que parecem nao estar relacionados. Entre eles estao os Ferreira Campos, os Ferreira Rabello e outros. Diga-se de passagem, nao eh atoa que Ferreira eh um dos nomes mais comuns em todo lugar que se vai. A Familia Barbalho de Virginopolis teve a ancestral, Genoveva Nunes Ferreira (ou talvez Filgueiras). Embora essa ancestral tenha nascido provavelmente antes de 1770. E todas as familias devem ter la seus ancestrais com as assinaturas mais comuns no pais.

Um bom incentivo para continuarmos procurando nossas raizes eh que talvez possamos uni-las a personalidades historicas desde o inicio de Minas Gerais. Um dos descobridores do ouro na Cidade do Serro foi o bandeirante Antonio Soares Ferreira. Ele era natural de Guarulhos em Sao Paulo e junto com ele estava tambem o Gaspar Soares. Nao sei dizer agora se havia parentesco entre eles, mas eh provavel que sim. E deveriam ter muitos outros membros da familia na bandeira.

O Gaspar Soares esteve presente tambem no encontro do ouro em Morro do Pilar. E antes deste nome a cidade era conhecida como Morro do Gaspar Soares. Em Virginopolis temos tambem a Familia Soares Ferreira e Soares com outras combinacoes. Todos tem la seus membros entrelacados com os Coelho, os Barbalho e as outras familias mais antigas locais. Seria otimo sabermos o quanto mistudadas ja andavam estas familias desde os tempos coloniais.

Um bom endereco para encontrarmos informacoes a respeito do bandeirante Antonio Soares Ferreira eh o: http://pt.wikipedia.org/wiki/Ant%C3%B4nio_Soares_Ferreira. Do Gaspar Soares pouco se fala na internet, porem, ele eh o inicio de todo historico de Morro do Pilar, como o que se encontra no endereco: http://biblioteca.ibge.gov.br/visualizacao/dtbs/minasgerais/morrodopilar.pdf.

Entre os outros Ferreira que talvez tenham comeco, em Virginopolis, nas primeiras familias moradoras do municipio esta a dos senhores Ze Simao e dona Regina. Residiram eles na casa que fora do bisavo Joao Rodrigues Coelho e sua segunda esposa Melita. A casa foi recentemente demolida e ficava de frente para a Igrejinha Velha, atual rodoviaria, na Rua Sao Jose. Foram pessoas que deixaram vasta descendencia, que esta em parte misturada com os Coelho e outras familias antigas.

Os nomes dos patriarcas eram Jose (Ze Simao) Goncalves de Souza, filho de Ancelmo de Souza Ferreira e Maria Goncalves Chaves. Dona Regina Silveira da Silva foi filha de Francisco Joaquim Ferreira e Maria Inez de Jesus.

Salvo engano, dona Regina era irma do senhor Efigenio Henrique e espero ter oportunidade de encontrar-me aqui com o meu vizinho Denis do Efigenio Henrique para coletar maiores informacoes da familia. Somos vizinhos de condominio mas dificilmente nos encontramos no inverno por causa das condicoes insalubres do tempo. Outra pessoa que deve pertencer `a irmandade era dona Geraldina Ferreira de Carvalho, esposa do senhor Raimundo (Raimundo Bento) Barbosa de Carvalho. Estes sao pais de outros amigos de infancia nossos. Os primeiros nomes dos filhos sao: Regina, Renilda, Adir, Adirson, Adivan, Amasio, Amir, Aroldo, Aurelio e Jose Edmundo. A cidade inteira os conhece ou ouviu falar neles.

A Familia Silveira esta tambem entre as primeiras a povoar a regiao do Serro. Embora dona Regina tenha nascido em Braunas, sera possivel que encontremos outros ramos entre a parentalha. O importante aqui eh assinalar, antes de encontrarmos os vinculos com outros familiares, que os patriarcas Ze Simao e dona Regina foram pais da Madalena, primeira esposa do Everardes Rodrigues Coelho; do Raimundo Ferreira de Souza (Raimundo Simao) e Francisco Ferreira de Souza (Chico Simao). Filhos dos dois irmaos se agregaram `a Familia Coelho e, talvez, o Ferreira seja o mesmo de dona Ana e seu marido: Raimundo Ferreira.

A presenca do senhor Raimundo Barbosa de Carvalho lembra-me a necessidade de juntar-se a ele a parentalha. Sei que ha relacao parental entre o “Dodo Cebola”, ou a esposa deste com dona Petrina Carvalho, esposa do Jose Gomes Lessa, o Ze Padeiro. Acredito que todos tenham relacoes parentais. Ja adiantei a postagem da familia da dona Petrina e seo Ze. Uma regalia que pude aproveitar por eles terem sido os eternos vizinhos `a esquerda da casa de meus pais. Assim usei as relacoes matrimoniais de filhos para incluir o restante da familia.

Quando encontrarmos as outras informacoes ficarao facilitadas as ligacoes que proporcionarao a reuniao da familia Carvalho num tronco solido.

Ha aqui que salientar. Talvez encontremos a ligacao do nucleo virginopolitano do Carvalho com diversos outros em outras cidades como Guanhaes, Sao Jose do Jacuri e Sao Pedro do Suacui. E ate mesmo com a raiz mineira mais antiga da Familia Barbalho, pois, houve o casamento do ancestral Manoel Vaz Barbalho com Josepha Pimenta de Carvalho. Eles sao patriarcas de ramos das Familias Pimenta, Barbalho e muitas outras. Espera-se que haja alguem que tenha preservado o sobrenome Carvalho e o multiplicado em algum lugar da regiao.

FAMILIA BATISTA COELHO OU JOAO COELHO DA ROCHA:

No inicio ha uma pequena gafe ao trocar o nome do sr. Gabriel Sebastiao Soares por Gabriel Coelho Soares. Nao sei se o sr. Gabi, como era conhecido, tinha Coelho entre os ancestrais dele. Ele e o irmao eram conhecidos por Gabi Gilberto e Chico Gilberto. Imagino que o pai se chamasse Gilberto. Existem alguns ramos da Familia Coelho que nao foram acompanhados, dai a possibilidade de eles serem Coelho sem isso ter chegado ao meu conhecimento. Caso alguem tenha maiores informacoes, estou aguardando para recolhe-las.

P.S. Eram sim filhos do senhor Gilberto Coelho da Silva e dona Marciana Soares de Souza que tem Historia interessante em Virginopolis. No capitulo: Todos os Coelho de Virginopolis, abaixo, no subtitulo Coelho da Silva, compartilho o que ja encontrei.

Ao analisar o familiar numero 7, Sebastiana, ha um engano no apelido do marido que se tornou Quinsoh e nao Quinzote. Eh possivel que tenha evoluido do segundo para o primeiro quando ele tornou-se adulto.

A informacao de que Marcolina Honoria Coelho e Demetrio Coelho de Oliveira foram residentes fundadores de Coroacy apenas consagra o que eu ja havia encontrado na Historia daquele municipio. Nela ele eh mencionado como fundador, mas nao eh dito com quem se casara. Dai eu ainda nao ter consagrado isso como inteiramente certo.

O numero de 24.000 descendentes nao deve ter fundamento para aquela epoca. Atualmente nao tenho a menor ideia. Porque nao temos o acompanhamento completo, inclusive, a familia da tia Marcolina tornou-se desconhecida em nosso computo. Alem disso os casamentos entre os descendentes das mesmas pessoas foram tantos que se nao se prestar a devida atencao poderiamos contar as mesmas pessoas muitas vezes. Ela provavelmente desejava escrever o numero 2.400.

FAMILIA NUNES COELHO:

Aqui ela repete o apelido Quinzote para o Quinsoh.

Novidade para mim foram os nomes do marido da Rita, Marcos Caldeira Xavier, e da esposa do Emigdio, Camila Maria da Paixao. Nao tinha estes dados e, em consequencia, nao tenho acompanhamento genealogico deles. Eh possivel que hoje tenhamos que coletar mais de 5.000 nomes de descendentes, somente destes dois casais. Pena que ela nao relacionou os nomes dos filhos, o que facilitaria o nosso trabalho, pois, eh provavel que os tenhamos conhecido ou ouvido falar deles.

Ela se engana ao dizer que Antonio casou-se com Imidia de Magalhaes Barbalho ja que foi o Jose. Mas ao mesmo tempo confirma uma suspeita antiga minha de que o Jose da tia Emigdia era ele. Ao substituir o nome do Jose pelo de Antonio, que nao existia, ela omitiu o nome do Altino. Assim, ficamos sem saber se este se casou ou nao e, se positivo, onde encontraremos os descendentes deste nos dias de hoje.

Ha algum tempo eu havia consultado a Ivania a respeito da minha suspeita a respeito do Jose da tia Emigdia ser o filho dos tios Joaquim e Francisquinha e ela nao soube me responder. Isso porque ela, na introducao do “Historico de: Antonio Rodrigues Coelho”, havia feito essas afirmativas:

“5) 2 casos de filhos cujos: 3 irmaos casaram-se com 3 irmaos:

1o. caso: Os filhos Joao R. C., Benjamim R. C. e Ma. Carmelita casaram-se com os irmaos Olimpia, Julia e Simao. Filhos de: Joao Batista Coelho Junior e Quiteria Rosa do Amaral.

2o. caso: Os filhos Lindolpho R. C., Altivo R. C. e Josephina casaram-se com os irmaos Marcolina, Vitalina e Pio Nunes Coelho. Filhos de Clemente Nunes Coelho e Anna Maria.”

Perguntei a ela se por acaso este Clemente Nunes Coelho nao seria o mesmo que cerca de 3 decadas antes de ser pai destes nossos tios seria o mesmo pai de: Prudencio, Antonio e Maria Honoria Nunes Coelho (pagina 221). A Maria Honoria entra em nossa Arvore como a esposa do Ten. Joao Batista Coelho, um dos fundadores de Virginopolis e incluido na presente relacao genealogica. Nao se sabe quem foi a mae destes filhos. Sabe-se que a Maria Honoria era bem morena, levando `a possibilidade de ela ser mulata ou miscigenada.

Ha numa Historia de Guanhaes, no site da prefeitura, a mencao a um escravo forro que foi o primeiro morador do Bairro Morro do Cruzeiro, cujo nome era Prudencio. E por o nome Prudencio ser comum entre a descendencia Nunes Coelho, talvez haja a possibilidade dele ser avo da Maria Honoria. Especialmente se teve por companheira uma pessoa de origem indigena. Isso poderia explicar tracos mistos na descendencia do Joao Batista e Maria Honoria, onde existem pessoas morenas de cabelos corridos e pequenas lembrancas de tracos orientais. Isso pode ser apenas especulacao mas, talvez, algum dia ficara esclarecido.

A Ivania nao soube responder-me tambem. E acredito que ninguem conseguira faze-lo se nao fizer uma pesquisa bem detalhada ou se encontrar algum escrito justamente confirmando ou negando que o Clemente pai dos tres no inicio do seculo XIX era o mesmo ou diferente pai dos tres que nasceram no terceiro quarto do mesmo seculo. Ha possibilidade existe em ambos os casos.

Na mencao, a Ivania nao levou em consideracao outra “trindade” entre os filhos do trisavo Antonio Rodrigues Coelho. A filha dele, com outra mulher, tia Julia Salles Coelho mais Maria Marcolina e Virginia Marcolina casaram-se na mesma familia. Mas com outro diferencial. A primeira casou-se com Antonio Paulino e as outras duas foram as esposas do mesmo Jose Batista Coelho, ou Ze Coelho. No caso, os dois maridos eram filhos do Joao Batista e Maria Honoria.

O melhor da presente Historia eh que dona Negra confirmou uma duvida que eu tinha. O Jose, marido de Emigdia de Magalhaes Barbalho eh o filho dos tios Joaquim e Francisquinha. Alem disso formam outra trilogia, nao mais entre a descendencia do Antonio R. Coelho, mas entre a descendencia Nunes Coelho e Magalhaes Barbalho. Isso porque Joao e Miguel se casaram respectivamente com Petronilha (tia Pitu) e Ambrosina (tia Sinha). Eu tinha duvida quanto a isso porque no livro da Ivania a informacao era a de que o Jose da Emigdia assinava Coelho Nunes e nao Nunes Coelho. Poderia, entao, ser de outra familia. Ou de outro membro da familia Nunes Coelho que nao os pais dele.

Resolvida esta questao, comecam as preocupacoes. Assim, fica constatado que desde o inicio muitas pessoas na familia se tornaram descendentes simultaneamente dos 4 irmaos: Francisca Eufrasia de Assis, Eugenia Maria da Cruz (chamada de Eugenia Eufrasia Coelho da Rocha pela dona Filomena), Joao Batista Coelho e Antonio Rodrigues Coelho. Dona filomena faz a observacao de que os dois sao irmaos mas nao menciona as duas. Para complicar, Joaquim Nunes Coelho e Maria Honoria Nunes Coelho eram tio e sobrinha.

Claro, da forma como se deu o povoamento daquelas terras anteriomente consideradas virgens, ja que, infelizmente, nao se levava em conta a presenca indigena, e devido ao pequeno numero de habitantes iniciais, alem da ignorancia para os riscos, os sucessivos casamentos intrafamiliares eram quase inevitaveis. Foi provavelmente uma sorte a familia ter acompanhado o movimento migratorio que continuou ao longo do seculo XX, se espalhando pelo mundo para evitar mais consanguindade. Como diz o ditado: “Ate o que eh bom, demais, torna-se veneno!”

O acompanhamento genealogico que temos das Familias Coelho, Nunes Coelho e Magalhaes Barbalho esta acessivel via http://www.geneaminas.com.br e http://www.ancestry.com (disponivel para associados no ancestry).

ANTONIO RODRIGUES COELHO OU ANTONIO COELHO DA ROCHA

Na nota explicativa dona Filomena comete um engano ao falar a respeito do sobrenome Rodrigues Coelho. Tia Ruth, filha do Ze Coelho, escreveu no prefacio do livro: “Arvore Genealogica da Familia de Jose Batista Coelho”, de autoria dela e da filha Mariza (Preta) Martins Coelho: “Meus avos paterno, Joao Batista Coelho, materno, Antonio Rodrigues Coelho, eram irmaos, apesar da assinatura um pouco diferente. O primeiro recebeu este nome por ter nascido no dia de Sao Joao Batista, o segundo, para homenagear um tio e padrinho.”

A verdade eh que o Antonio Rodrigues Coelho padrinho aparece tanto no livro “A Mata do Pecanha, sua Historia e sua Gente”, do prof. Dermeval Jose Pimenta, quanto no “Arvore Genealogica da Familia Coelho”, da prima Ivania Batista Coelho, com o nome de Antonio Coelho de Magalhaes, filho dos patriarcas, Alferes de Milicia, Jose Coelho de Magalhaes e Eugenia Rodrigues Rocha. A Eugenia era filha de Giuseppe Nicatsi da Rocha e Maria Rodrigues, talvez, de Magalhaes Barbalho tambem. Sem uma ligacao direta com a Familia “de Magalhaes Barbalho” apresentada pela dona Filomena.

A informacao de que os filhos adotavam as assinaturas dos padrinhos nao procede neste caso. Nem na maioria dos casos que tenho estudado. O que acontecia era de as pessoas serem apenas batizadas, nao havendo necessariamente um registro civil, dai nao portarem sobrenomes ate enquanto nao necessitassem deles. Muitos, ja adultos, assinavam os sobrenomes que lhes conviessem. Por vezes, relembrando antepassados que desejavam homenagear. As mulheres, em boa parte das vezes, se benziam com os santos de suas devocoes como a nossa pentavo do lado Barbalho: Anna Joaquina Maria de Sao Jose.

Assim se explica os nomes dos filhos dos fundadores de Guanhaes, capitao Jose Coelho da Rocha (Jose Coelho de Magalhaes Filho) e Luiza Maria do Espirito Santo, por ordem de nascimento: Jose Coelho da Rocha Neto, Maria Luiza Coelho (Nha Moca), Francisca Eufrasia de Assis, Ana Maria de Jesus (Nha Ninha), Joao Batista Coelho, Eugenia Maria da Cruz, Antonina (fal. crianca) e Antonio Rodrigues Coelho. Esta eh uma das complicacoes do trabalho do genealogista. Como cada um usava um sobrenome diferente, se o pesquisador nao encontrar um documento reunindo a todos, precisa buscar muito para reuni-los na casa dos mesmos pais.

No mais, dona Filomena nao ordenou as pessoas por ordem de nascimento e nao mencionou que Antonio Rodrigues Coelho foi o pai da tia Julia Salles Coelho com Anna Girou Bonefoi, e de tia Emidia Justiniana de Aguiar, com dona Getulia Justiniana de Aguiar. Tia Julia foi a filha mais velha, nascendo antes do casamento dele com Maria Marcolina Borges do Amaral. Tia Emidia nasceu depois do falecimento da matriarca. Ambas foram reconhecidas pelo pai. Tia Julia foi esposa do tio Antonio Paulino e a tia Emidia de Joaquim Leandro Pereira. Parece que este ultimo casal multiplicou-se a partir de Guanhaes mas nao temos a descendencia dele.

FAMILIA MAGALHAES BARBALHO

O nome completo do patriarca na familia era Francisco Marcal de Magalhaes Barbalho, capitao da Guarda Nacional. Observem que muitos dos patriarcas naquela epoca usavam patentes semelhantes ao das forcas armadas. Mas nao necessariamente pertenciam ao exercito ou `a marinha.

Talvez seja importante fazer essa distincao aqui. A Guarda Nacional foi um instrumento usado pelo Patriarca da Independencia, Jose Bonifacio de Andrada. Antes, haviam as milicias. Eram grupos separados que exerciam funcoes de comandos avancados, porque estavam invadindo territorio indigena e eram armados. Dai se explica a patente de Alferes de Milicia para o portugues, Jose Coelho de Magalhaes. Alias, este era um dos verdadeiros portugueses na familia.

A Guarda Nacional tinha o pressuposto de dar sustento `a monarquia. E este sustento era feito em forma de troca de favores (ou merce de vossa magestade). Por volta de 1822, quando da Independencia do Brasil, varias antigas colonias espanholas estavam conseguindo suas independencias e passando do quadro de monarquia para o de republicas. Os unicos paises nas Americas, alem do Brasil, que possuiram monarquias foram o Mexico e o Haiti. Portanto, Jose Bonifacio estava ciente de que o Brasil seguiria o mesmo rumo, a menos que algo diferente fosse feito.

A base do sistema da Guarda Nacional foi de acordo com a renda anual dos patriarcas de familias. Aqui ha a esperteza do Patriarca da Independencia, pois, definiu faixas de contribuicao para o fisco, dai as patentes eram distribuidas segundo as declaracoes dos individuos. Quem tinha maior renda, teria uma patente mais elevada. O incentivo para quem declarasse era o de que as patentes mais elevadas ganhavam os favores politicos como o de serem nomeadas para os cargos pertinentes `a sua magestade. Assim, os coroneis nomeados tornavam-se verdadeiros donos dos “currais eleitorais”. O detalhe era de que o direito ao voto somente era dado ao homem e que fosse contribuinte. E nisso gracava o nepotismo porque os cargos menores eram distribuidos entre os familiares e os aliados politicos.

A Guarda Nacional tambem tinha um efeito almofada contra os aventureiros ingressos nas forcas armadas. Jose Bonifacio identificou que o “problema” de passagem da monarquia para republica dos paises de colonizacao espanhola estava na forca do exercito mantido pelo monopolio espanhol. Herois das Independencias Andinas como Sam Martim e Simon Bolivar eram membros desta entidade. Portanto, seria perigoso, do ponto-de-vista do Jose Bonifacio, o Brasil manter um exercito muito forte ja que qualquer general com prestigio poderia arvorar-se como caudilho da nacao. Ele tinha o exemplo da Franca, onde a monarquia havia derrapado durante a Revolucao Francesa e o pais caiu em maos do ambicioso Napoleao Bonaparte e, o resto da Historia voces conhecem.

Por volta de 1860 as forcas armadas brasileiras contavam com um efetivo de cerca de 25.000 militares. Em contrapartida, a Guarda Nacional contava com cerca de meio milhao de pessoas. Assim, enquanto os proprios imperadores nao entrassem em conflito com os membros da Guarda Nacional, a monarquia estaria garantida. Os atritos se deram de forma continua. O estopim se deu com a emancipacao dos escravos pela princesa Isabel, a 13 de maio de 1888. Assim os conservadores do movimento republicano que pertenciam `a Guarda Nacional e que se sentiram ofendidos, aliaram-se ao exercito para a Proclamacao da Republica, em 15 de novembro de 1889. Pouco mais de um ano depois.

A Guarda Nacional continuou existindo ate por volta de 1925. Com a urbanizacao do pais e o fortalecimento das forcas armadas, ela foi perdendo a importancia ate que finalmente desapareceu. A longevidade da Guarda Nacional e seus principios explicam em grande parte o atraso, o nepotismo e a corrupcao que imperam ate hoje no pais.

Nao estou aqui querendo dizer que o lado ruim tomou conta de nossos familiares mais antigos, pois que, parece que eles, apesar dos privilegios, procuraram comportar-se de forma mais civilizada que em outras partes do Brasil. Eu indiquei o endereco: http://www.jusbrasil.com.br/diarios/1621344/pg-12-secao-1-diario-oficial-da-uniao-dou-de-10-04-1898, em minha pagina no Facebook. Ai podemos ver como a Guarda Nacional era organizada na regiao de Guanhaes sendo que a maioria dos membros esta de uma forma ou outra ligada `a Familia Coelho Barbalho. Podem observar que muitos dos nomes apresentados pela breve genealogia no livro da dona Filomena estao ali presentes.

No campo dos Magalhaes Barbalho ela esqueceu-se de acrescentar a tia Julia de Magalhaes Barbalho, que ficou solteira. Como nos outros campos, a ordem dela nao acompanha a ordem de nascimentos.

Fiz apenas breves comentarios em relacao aos familiares Coelho e Magalhaes Barbalho porque temos dados genealogicos muito mais completos deles ja postados nos sitios de genealogia. Tambem, teremos mais discussoes a respeito de suas genealogias nos capitulos mais adiante desta conversacao. Assim sera desnecessario ficar repetindo, ja que nao eh pouca coisa.

FAMILIA CAMPOS

Nao tenho como comentar os dados da Familia Campos no sentido de afirmar que tenho conhecimento disso ou daquilo. Esta parte apresenta geracoes que nao conheci e que muito pouco ouvi falar em minha infancia. Mas ha uma curiosidade no dona Filomena dizer que “casado com a professora D. Augusta Rabelo Campos, de Sao Joao Evangelista.”

Dentre as datas de nascimento de pessoas conhecidas tenho a do Dr. Jose (Dr. Rabellinho) Rabello Campos que eh de 02.11.1904. Este, filho do Jose Ferreira Campos e D. Jovelina Netto Campos (chamada de Jovelina Rabelo Campos por dona Negra), e neto de Manoel Ferreira Campos e D. Clementina Marcos de Jesus (segundo a mesma). Isso implica dizer que, os senhores Manoel e Clementina devem ter datas de nascimento de cerca de uns 50 anos antes. Pode ser um pouco menos ou um tanto mais.

O mesmo deve se dar com o casal Antonio Ferreira Campos Baguary e dona Augusta Rabelo Campos, assim chamada por dona Maria Filomena. Aqui devemos observar que os filhos assinavam, segundo a propria, Campos do Amaral. O Amaral nao consta de sobrenome do marido. Disso resulta em haver a possibilidade de o nome da dona Ausgusta ter sido “Rabello do Amaral Campos”, por via paterna e do casamento. Somando isto `a informacao de ter ido de Sao Joao Evangelista para Virginopolis, penso que ela pode ter nascido em Sabinopolis. Isso porque nao havia o Arraial de Sao Joao Novo antes de 1875.

Por outro lado, a Familia Pereira do Amaral, ja era enorme em Sabinopolis, por ter chegado desde anos anteriores `a fundacao do Arraial de Sao Sebastiao dos Correntes, por volta de 1819. Tanto eh que diversos membros desta familia logo se mudaram deste para aquele arraial, entre os quais os irmaos: Antonio Borges do Amaral (primeiro prefeito local), Ana Amaral Bessa, Artur Borges do Amaral, Georgina Amaral, Lilia Amaral e Elpidio Amaral. Estes eram irmaos tambem de Maria Marcolina Borges do Amaral, esposa de Antonio Rodrigues Coelho. Os tres ultimos eram meio-irmaos.

Outros membros da Familia Amaral, descendente do portugues acoriano Miguel Pereira do Amaral, tambem ajudaram a povoar ambos os arraiais. O Arraial de Sao Joao foi ajudado a povoar pela descendencia de Ermelinda Querubina Pereira do Amaral, filha de Malaquias Pereira do Amaral, filho do Miguel Pereira do Amaral. Ela foi a esposa do Modesto Jose Pimenta e, com este, mae do coronel Cornelio Jose Pimenta, um dos fundadores do arraial e pai do professor Dermeval.

No livro dele, o professor Dermeval Jose Pimenta menciona um ramo da Familia Ferreira Campos. `A pagina 131, discorrendo a respeito de dona Carolina Gabriela da Fonseca Campos (dona Inha Campos), assim fala: “era natural de Itambe do Serro, e casada com JOAQUIM FERREIRA CAMPOS. Ficando viuva na Cidade do Serro, com quatro filhos menores, transferiu-se em 1889 para Sao Joao Evangelista, entao arraial de maior progresso na regiao do Pecanha. Os seus filhos ali se casaram, entrelacando-se com as principais familias da localidade. Faleceu em Santo Antonio de Guanhaes (Correntinho), em setembro de 1911).”

Note-se que o casal Manoel Ferreira Campos e dona Clementina Marcos de Jesus tambem tiveram um filho chamado Joaquim Ferreira Campos. E um filho de dona Inha, o Luiz (Lulu) Ferreira Campos, teve outro homonimo, narrado na pagina 132 pelo professor Pimenta. Eh possivel tambem que dona Augusta tenha nascido no Serro, passado por Sao Joao e, entao, seguido para Virginopolis.

Se isso aconteceu, estaria seguindo um movimento migratorio natural porque as localidades mais proximas ao Serro estavam ficando saturadas de pessoas exercendo as mesmas profissoes enquanto, `a epoca, havia se formado um corredor de povoados em direcao a Vitoria no Espirito Santo, que demandavam pessoas de maior conhecimento. Virginopolis era mais antiga que Sao Joao, mas era, do lado de Guanhaes, o portal para o quase desconhecido.

Tudo indica que os Ferreira Campos de Sao Joao Evangelista tem vinculos com os de Virginopolis.

Outra pequena coincidencia sera a narrativa que o professor Pimenta faz a partir da pagina 130, onde fala a respeito da presenca do professor JOSINO CARDOSO NUNES. Era casado com dona ANA MARIA DE SANTA RITA DE FIGUEIREDO. Ate ai, pouco acrescenta. Mas ao descrever os filhos ele continua assim: “F 2. MARIA SALOME, casada em Sao Joao Evangelista, em 1892, com seu primo JOSEFINO RABELO, natural do Serro, o qual se mudou para o povoado de Sao Sebastiao dos Pintos, Municipio de Sao Joao Evangelista, em 16-7-1892.” Atualmente este eh o Distrito Nelson Coelho de Senna. Entre os filhos deste ultimo casal ele cita: “TEMISTOCLES, atual Escrivao de Paz e do Registro Civil de Sao Joao Evangelista, casado com MARIETA DE AGUIAR;”

Naturalmente, estes nao sao ascendentes da Familia Ferreira Campos e Aguiar Rabello de Virginopolis pois sao contemporaneas. Mas tudo indica que faziam parte de um mesmo grupo familiar na Cidade do Serro, e que um grupo se dirigiu para Sao Joao Evangelista e outro para Virginopolis. Ou os de Virginopolis fizeram um pouso em Sabinopolis ou, como era conhecido antigamente, Sao Sebastiao dos Correntes.

Uma outra, talvez nao tao coincidencia assim, eh o fato de o seo Chiquinho (Francisco Coelho Sobrinho) ter se casado com a tia Maria Salome Campos do Amaral, mais conhecida como professora dona Memeh. O tio Chiquinho, irmao da bisavo Olimpia Coelho do Amaral, foi um dos moradores de uma das casas em frente `a casa dos meus pais, quando eu era crianca. Sera possivel que a familia da tia Memeh saiu de Sao Joao e ela se casou em Virginopolis. No sentido inverso, o tio Salathiel, irmao do tio Chiquinho, foi para Sao Joao Evangelista, onde se casou com a tia Iracema Campos Goncalves. Por sua vez, esta era filha de dona Rita Ferreira Campos e neta da dona Inha Campos e JOAQUIM FERREIRA CAMPOS. Ao que parece, criou-se um intercambio entre os nucleos familiares de Sao Joao Evangelista, Virginopolis e Serro.

Se se confirmar que D. Augusta era mesmo Rabello do Amaral, iremos somar em Virginopolis 3 ascendencias dos mesmos ancestrais do Amaral, ou seja, a introduzida por ela, a pela avo Maria Marcolina Borges do Amaral e, a mais numerosa, introduzida pelo trisavo Joaquim Pereira do Amaral. Corre-se o risco de haver descendentes dos tres ramos ao mesmo tempo!…

Aqui ja posso adiantar esse acrescimo. O sobrenome da dona Augusta era mesmo Rabello Amaral. Tornou-se conhecida como Augusta Campos por causa do marido. Mas nao posso afirmar que o Amaral dela proceda do Pereira do Amaral, pois, um dos fundadores de Sabinopolis foi o alferes, Antonio Fernandes do Amaral, que foi contemporaneo dos Pereira do Amaral, mas nao sei dizer se pertencia `a mesma familia. Vide o capitulo: Primeiros Moradores de Sabinopolis.

Mas agora posso tomar como referencia a descendencia do casal: Atenagoras (Tenah) Campos do Amaral e dona Maria da Conceicao Nascimento. Com a ajuda da amiga Elini Araujo, do Adamar Nunes Coelho e Fenelon Jose Campos Coelho ja sabemos que ele foi pai de:

1o.) Maria de Lourdes Campos Chaves, casada com Atelante Antonio Chaves
2o.) Elza Campos do Amaral
3o.) Natalia Campos do Amaral, casada com Jose Coelho de Magalhaes
4o.) Maria Augusta (Augustinha) Campos do Amaral, casada com Hely Rodrigues Coelho
5o.) Merces Campos do Amaral

Os senhores Atelante e Maria de Lourdes, ja falecidos, sao avos do Fenelon e da Elini. Tanto a Natalia quanto dona Augustinha ja se encontravam no livro da Arvore Genealogica da Familia Coelho como agregadas aos maridos, mas tinhamos apenas vagas informacoes a respeito da ancestralidades delas.

Um pouco das descendencias dos casais: Jose Ferreira Campos/Javelina Netto Campos e Francisco Ferreira Campos/Maria Pacifica dos Santos tambem ja foram esclarecidas. Informacoes encontram-se no capitulo: Breve Relato dos Primeiros Frutos Dessa Publicacao.

FAMILIA COELHO DE OLIVEIRA

Aqui esta uma das razoes pelas quais percebi que D. Filomena desejou fazer uma justa homenagem `a classe dos professores. A Familia Coelho de Oliveira apresentada por ela trata-se de uma combinacao de Freire, Oliveira, Coelho, Nunes Coelho, Barbalho e outras. Inclusive ela nao menciona o Honoria do nome da tia Anna.

Mas nao sem razao ela cita os nomes do Bernardino (Dino) e Carmelita (Sianita). Estes foram os pais de pessoas como a Ina Coelho de Magalhaes, que foi a primeira esposa do sr. Gabriel Coelho de Oliveira, filho do irmao do Dino, o seo Fernando. Em meu tempo de crianca, as filhas do sr. Gabriel e d. Ina faziam parte do quadro de professores locais, sendo elas: Neide, Neuza, Gezira, Elzira e Maria. Alem delas a dona Ina Maria, filha do segundo casamento dele, tambem estava comecando.

Em numeros, comparavel a isso, haviam as professoras filhas do sr. Chiquinho Campos e dona Helena, que sao: Maria Bernardete (foi diretora do Grupo na epoca), Maria Celeste, Maria Helena (bibliotecaria), Jacira e Ondina. O Jose Angelo era casado com a professora Celeste, filha do senhor Serafim Coelho e, mais tarde, o Francisquinho casou-se com outra professora, de nome tambem Bernardete com o sobrenome Gloria.

Entre os filhos do Dino e Sianita ainda contava o proprio sr. Serafim que, casado com d. Julia, filha do sr. Joao da Cunha (a ser visto), era pai, alem da Celeste: Carmelita e Maria Angela. Entao ja professoras. Na descendencia daqueles patriarcas ainda ha a professora Luisa Martinho Coelho (dona Lulu), filha da dona Efigenia.

Claro, nao posso deixar de citar a dona Maria Aguiar e tia Edith, que nao eram descendentes do ramo Coelho de Oliveira, e sim dos Coelho de um modo geral, mas completavam o time das mais influentes. Diversas outras estavam ligadas `as familias citadas por dona Filomena de Andrade, entre as quais a propria Andrade que muito contribuiu com o desenvolvimento educacional do povo do municipio.

O argumento de ela ter feito homenagem `a classe se valida por nao ter mencionado familias como a Figueiredo, descendente do capitao Figueiredo; e da Fonseca, de Jose Antonio da Fonseca, dois dos fundadores do municipio. E, por ser fundadores, o livro ficou em falta por chamar-se Historia de Virginopolis.

FAMILIA BATISTA DE MAGALHAES

Nao vou deter-me nesta familia porque grande parte dos dados genealogicos dela ja estao publicados em outros lugares. Na verdade, o Joao Batista era mais conhecido pelo apelido de tio Joaozinho. E a Candida, por Sa Candinha. Fazem parte dos quadros dos meus bisavos maternos.

FAMILIA PEREIRA DO AMARAL

Esta familia Pereira do Amaral esta sem a cabeca que foi a patriarca e que divide o direito `a fundacao do municipio. O site gencoelho traz uma biografia do tenente Joao Batista Coelho. Nesta, uma escritura onde relata-se a compra que ele fez de uma propriedade na mao de outro morador fundador, o senhor Jose Antonio da Fonseca. Ali se relata que a propriedade fazia divisa, ao norte, com outra do senhor Joaquim Pereira do Amaral. Joaquim era casado com Maria Rosa dos Santos Carvalhais (ou do Espirito Santo Carvalhais). Este casal sao os pais do tio Ernesto, da trisavo Quiteria Rosa (Titi) e irmaos deles.

Esta eh outra familia ligada `a educacao no municipio. Em meu tempo de crianca era professora de desenho a dona Nise, esposa do sr. Titito. Ele procede da descendencia do Joao Batista Coelho, via Joaquim Bento e tia Cunuta. Destaca-se tambem a presenca de outros padres dessa descendencia, alem do monsenhor Jose Pereira do Amaral. Entre os quais, o padre Didimo.

FAMILIA PERPETUO.

Exceto por um casal desta familia, nao sei como ligar estas pessoas `as pessoas que vivem nos dias de hoje. Uma boa informacao que colho aqui, alem do obvio, sera o nome da Sia Biquita. O tinha como tia Biquita mas nao o nome verdadeiro. Tia Biquita eh filha do Joaquim Pereira do Amaral e Maria Rosa. Outro ganho eh colher a informacao de que os Perpetuo sao irmaos. So lastimo dona Negra nao ter citado os nomes dos pais. Mas ajudou bastante.

Quando cheguei aqui no Nordeste dos Estados Unidos, minha esposa e eu fomos recebidos pelos primos dela: Geraldo (Ladinho) Soares Perpetuo e Maria Natalicia (Taica) Coelho. A mae do Ladinho era sobrinha do avo da minha esposa. Tinha uma pequena ideia que o Ladinho fosse meu primo porque conhecera a irma dele, em Santa Efigenia de Minas, cujo nome eh Aparecida. Era conhecida como Aparecida do Amilar, antes do divorcio entre os dois. Numa conversa que ela teve com meu pai, em frente `a nossa casa, em Virginopolis, ficou estabelecido um parentesco do qual eu nao tomei conhecimento. Parecia-me muito distante.

Posteriormente, quando comecei a estudar os vinculos familiares, busquei saber quem era da descendencia da Emigdia Honoria Coelho e Amaro de Souza Silva. Ela faz parte da lista dos filhos do Joao Batista Coelho e Maria Honoria e nada tinhamos em maos `a epoca. Somente em 2009 tive a oportunidade de conversar com dona Teresa de Jesus Guimaraes, a mae da Taica. Nesta ocasiao, Natalicia e o Ladinho haviam anos que tinham retornado para o Brasil, levando as 3 filhas nascidas em Boston. Ate entao, eles eram a familia da minha esposa.

Foi entao que descobri que a filha dos tios Emigdia e Amaro, Eliza de Souza Coelho, fora a esposa do senhor Antonio (Antunico) Perpetuo. Eles sao os pais de uma familia grande, entre os quais do senhor Joao Perpetuo Sobrinho. Seo Joao era casado com dona Maria (Lia) Soares, filha do senhores Tunico Soares e dona Lica. Tunico era irmao do Sebastiao (Tao) Luis Soares, o avo de minha esposa. Assim pude estabeler tambem o meu grau de parentesco com o Ladinho.

Para nossa surpresa (brincadeira porque quando se trata de pessoas da regiao nao espero ser surpreendido por parentesco e sim pelo grau), dona Teresa eh bem versada a respeito do assunto. Apesar dos mais de 80 anos, costumava visitar a parentalha e dela colher noticias nas cidades vizinhas. Infelizmente, nao pude retirar dela tudo o que sabia mas ela propria era viuva do Jose (Ze Miguel) de Souza Coelho. Este, filho de: Miguel de Souza Coelho e Julia (Julinha) Pacheco. O Miguel, filho dos tios Emigdia e Amaro.

A propria dona Teresa era filha de Jose Valois Guimaraes e Maria das Dores (Dodora) Silva. Jose Valois era filho de Virginia de Souza Coelho e Mariano Valois Guimaraes. Ou seja, a Taica descende simultaneamente de dois dos filhos dos tios Emigdia e Amaro. As filhas dela somam ainda o nosso parentesco atraves da dona Eliza e sr. Antoninho Perpetuo.

Ha que se fazer uma distincao na assinatura Perpetuo na regiao. Os filhos dos tios Emigdia e Amaro, Maria de Lourdes de Souza Coelho e Cesario de Souza Coelho casaram-se, respectivamente, com os irmaos: Jose (sr. Yeieh) Coelho de Lacerda e Maria Salome (Sa Lica) Coelho de Lacerda. Como os casamentos se deram entre dois Coelho diferentes, deram sobrenome Coelho Perpetuo aos filhos. Mas alguns mantiveram somente o Coelho.

O paragrafo acima foi baseado numa tradicao que ouvi. Contudo ela esta completamente errada. Os senhores Maria Salome (Sa Lica) e Jose (Yeyeh) foram filhos de um dos Perpetuo, o senhor Joao Batista. Contudo herdaram apenas o sobrenome materno, da dona Eulina Coelho de Lacerda. Isso foi que descobri via telefonema `a dona Alzira Coelho (Perpetuo) da Silva, viuva do senhor Anisio Martins da Silva, em Santa Efigenia de Minas e que neta do casal Joao Perpetuo e Eulina.

Dona Alzira eh tambem neta dos tios bisavos: Emigdia Honoria Coelho e Amaro de Souza Silva. Os pais dela foram: Marietta de Souza Coelho e Eloi Salome Perpetuo. Dona Marietta era filha do Miguel e Julinha Pacheco, os pais do Jose (Ze Miguel), marido da dona Teresa acima mencionada. E o senhor Eloi Salome era irmao da Sa Lica e seo Yeyeh. Contudo dona Alzira nao pode oferecer informacoes mais precisas porque o pai falecera quando ela era muito nova e a familia foi criada separada dos familiares Perpetuo.

Outra informacao que tenho eh que o senhor Eloy Perpetuo e Maria Rosa do Amaral ajudaram a multiplicar a familia em Divinolandia de Minas. Apesar de ter conhecido umas poucas pessoas da descendencia deles, antes do interesse por genealogia, nao tenho como ligar estas com aqueles porque nao conheci as geracoes intermediarias.

FAMILIA CUNHA MENEZES.

Esta era outra familia que ha muito eu procurava pelos ancestrais dela. Estes dois sobrenomes, Cunha e Menezes, separadamente foram usados por duas familias da mais alta nobreza de Portugal e Espanha. Mesmo os descendentes mais jovens do senhor Joao da Cunha Menezes, que multiplicou a familia em Virginopolis, nao sabiam dizer os nomes dos pais dele. Como tenho uma parte dos dados da Familia da Cunha Pereira, que saiu do Serro e multiplicou-se em Pecanha, imaginei a possibilidade de tratar-se do mesmo ramo familiar. Mas, ao que parece, nao.

Aqui, novamente, nao tenho como ligar as geracoes passadas com as atuais, exceto nalguns exemplos. O acompanhamento da familia do senhor Joao da Cunha foi feito em parte pela prima Ivania Coelho. Ela tambem o fez em relacao `a da dona Maria e Durval Nunes Coelho. Isso porque este era filho dos tios Jose Nunes Coelho e Emigdia de Magalhaes Barbalho. Para localiza-los melhor na cidade, Maria e Durval, foram os pais da dona Efigenia (Gininha) Nunes Coelho, esposa do senhor Gabriel (Gabi) Sebastiao Soares, ja mencionado como morador da residencia que fora sede do Joao Batista Coelho. Entre muitos, Gabi e Gininha foram pais do Odilon e Joao do Gabi, da dona Dalva (Joaozinho Lacerda) e dona Conceicao casada com Joaquim Lino (Ti Caco) de Souza. Assim, qualquer morador da cidade pode localizar a familia.

Eu havia questionado a prima Yole a respeito do sobrenome Cunha de Menezes do pai dela. Ela tinha poucas lembrancas mas sabia que o apelido do avo era Quimquim. Portanto, so poderia ser Joaquim. Por incrivel que pareca, ha muito eu vinha pensando em pergunta-la porque pensava que o pai descedesse do seo Joao da Cunha e, logo apos questiona-la, chegou-me o e-mail mandado pelo Adamar. Assim, ficou estabelecido que o Wilton da Cunha Menezes, marido da Maria Rachel, filha dos tios Darcy Batista Coelho e Anna Elvira (Biluca) Ferreira, tem seu lugar apropriado na familia da Cunha Menezes.

Para o pesquisador que nao esta acostumado, observe que as linhas formadas por Joaquim, Jose e Luiz terminam com a palavra Divino. Este eh uma abreveatura usada para a Cidade de Divinolandia de Minas. Ou Divino de Virginopolis. Antigamente, conheciamos a cidade apenas por este apelido. O detalhe eh que estes nao devem ter sido os unicos a irem para la. Mas nao posso afirmar nada por enquanto.

Um dos membros desta familia, o Angelo, contou-me um dito repetido pela mae dele, dona Julia, esposa do sr. Serafim Coelho de Magalhaes. Somente depois de conhecer os nomes dos bisavos, ele compreendeu porque ela dizia: “Cunha Severino, a desgraca do Divino”. Que nao se assanhem os maltratores. Nao ha maldade alguma na expressao. Dona Julia era “Cunha Severino” por ser filha do senhor Joao da Cunha.

Antes de pensar mal, basta-nos imaginar uma coisa. Se os Cunha Severino fossem em numero muito pequeno de pessoas, haveria alguma graca em repetir o ditado?!… Obviamente nao. Antigamente o povo nao tinha televisao e nao tinha como escapar de trabalhar, e muito, para o sustento das familias. O que lhes restava era mesmo usar de bom humor. Assim, a brincadeira era uma referencia `a grande quantidade dos Cunha de Menezes que “praguejavam” por aquelas plagas.

Algo interessante aqui eh que, por todo o tempo que a minha sogra reside em Santa Efigenia de Minas ela tem por vizinha a familia do senhor Dico. Este foi o prefeito da cidade ha algum tempo atras. Recentemente, o filho dele, Rildo, deixou o mesmo cargo depois dos 8 anos que duraram suas administracoes. Este mesmo Rildo foi casado com a Ida (Aparecida), filha de dona Lucy e Tono Almeida. Sao duas familias de forca na cidade. Rildo e Ida tem juntos 4 filhos e 4 netos.

Eles viveram no Brasil e tiveram duas filhas. Vieram para os Estados Unidos e depois voltaram e tiveram 2 filhos. Apos `a separacao, a Ida retornou com os filhos. Por ter sido amiga de infancia de minha esposa, foi em nossa casa que ficou ate as coisas se ajeitarem e eles terem um lugar para eles proprios. As meninas eram mocinhas e sao muito bonitas. Os meninos, de idade semelhante ao meu filho mais velho, tornaram-se amigos inseparaveis dele.

Aqui eh assim mesmo. Quem esta chegando precisa de uma maozinha. Como aconteceu conosco, chegou a hora da gente retribuir, mesmo que nao fosse a quem nos deu abrigo quando chegamos. Agora ja sao passados uns 12 ou mais anos. A mais velha das meninas casou, teve o primeiro filho. Este eh colega de escola da minha filha. Depois ela teve um segundo parto e vieram gemeos. A mais nova teve um filho que estuda na mesma escola que minha filha e o primo dele.

O que nao contei eh que o senhor ex-prefeito de Santa Efigenia eh conhecido pelo apelido de Dico Cunha. Quando pedi informacoes a meus cunhados procurando saber se sabiam os nomes dos pais do seo Dico eles nao sabiam. A unica informacao era a de que a familia dele era enorme la em Divinolandia, em Gonzaga e, acrescentei, em Virginopolis tambem. Ja indaguei `a Raiana, a filha mais nova do Rildo, e ela ficou de verificar quais eram os nomes dos bisavos dela.

Com certeza, quando os da Cunha Menezes chegaram para se estabelecer em Virginopolis, devem ter sido recebidos pelos Coelho e outras familias ja estabelecidas. E, imagino, que a situacao de migrantes que hoje vivemos nao seja muito diferente da experiencia pela qual nossos ancestrais passaram. Nos estamos apenas revivendo aquilo que ja se passou com eles!…

Estudando genealogia, quando a pessoa tem interesse somente na propria familia ela tem uma visao um pouco distorcida das coisas porque centraliza o mundo de acordo com o que ele faca sua rotacao em torno dela propria. E aqui entra o desafio para o verdadeiro genealogista porque ele precisa colocar-se na pele de cada pessoa estudada e observar como o mundo girava em torno de cada um. Nos incluimos nas descendencias comum de familias diferentes pessoas que fazem tambem parte da nossa familia. Mas eh preciso observar as coisas com os olhos destes primos que tem outros primos alem de nos.

Devo ter sido um dos primeiros brasileiros a tomar conhecimento do assassinato do gonzaguense Jean Charles de Menezes. Isso porque sempre tenho o radio do meu carro ligado na 89.7 ou 90.9 FM, esta, gerada a partir do Campus da B.U., ou Universidade de Boston (Boston University), e que tem estreita ligacao com a BBC de Londres. Assim, estava voltando do trabalho no dia quando deu a chamada de urgencia. A noticia era a de que “haviam matado um suspeito de terrorismo no metro de Londres.” Nao disseram nem nome da pessoa nem procedencia. O que veio imediatamente `a minha mente foi: Mataram um inocente!…

Embora as policias e imprensa geralmente nos paises chamados desenvolvidos busquem manter sigilo a respeito da identidade das pessoas nestes casos, com a desculpa de nao comprometer as investigacoes, a noticia logo depois se espalhou como rastilho na comunidade brasileira. Claro, de boca-em-boca e com a ajuda da internet, o mundo logo percebeu que tudo nao passara de incompetencia do servico secreto ingles. A policia que se arvora ser a melhor policia do mundo!

Foi ruim tomar conhecimento da existencia de uma pessoa em consequencia de sua morte. Mas ele colocou a Cidade de Gonzaga no mapa do mundo para muita gente que jamais ouvira falar da cidade vizinha. Nao tenho o acompanhamento genealogico de Jean Charles mas, com certeza, naquela lista acima se encontram os bisavos ou avos dele.

Essas sao questoes ja resolvidas. Em conversa telefonica com o proprio senhor Raimundo (Dico) da Cunha Menezes, que esta com seus 85 anos de vida, revelou-me em primeiro lugar que os pais dele foram os senhores Luiz da Cunha Menezes e Regina Ferreira Madureira. E deles pude coletar algumas informacoes, atraves do interlocutor.

O senhor Dico salientou, porem, que a Familia Menezes, da qual o Jean Charles fazia parte, era outra. Observou que ela eh inclusive numerosa na regiao de Gonzaga mas sem os vinculos que imaginei haver, pelo menos, ate onde sabemos. Mas ha ai certos detalhes que o seo Dico nao soube esclarecer. Por exemplo, ao tratarmos a respeito dos avos dele lembrou-se do nome completo do senhor Jose da Cunha Menezes mas nao se recordava do nome completo da dona Tereza. E alguns tios precisei falar os nomes antes que se lembrasse que realmente existiram. Foi o metodo da pesquisa estimulada.

Nisso pode ser que um parentesco que existia pode ter sido esquecido. E nao havendo o parentesco pelo lado Menezes, nao implica que nao o haja por outro lado. A solucao eh continuar pesquisando.

FAMILIA LACERDA

Fico feliz ao deparar-me com estes dados da Familia Lacerda em Virginopolis porque sei que sao ancestrais de muitos dos meus melhores amigos e parentes. O problema foi nao conseguir identificar nenhum dos casais com a geracao seguinte a eles. Por informacoes sem a devida confirmacao ainda sei que a familia procede de Itambe.

Com quase absoluta certeza tratando-se do antigo Itambe do Serro, atual Santo Antonio do Itambe. Mas nao posso descartar a possibilidade de ser o Itambe do Mato Dentro. Afinal, entre Santa Barbara, Itabira, Barao de Cocais e Conceicao do Mato Dentro eh dito que ali se espalhou a descendencia do antigo tesoureiro da Camara Municipal de Vila Rica, atual Ouro Preto, o portugues Manuel Rodrigues Coelho. Talvez seja esta a origem do Coelho no nome do sr. Januario Coelho de Oliveira.

Em minha infancia e juventude recordo-me da expressao: “o povo do seo Joao Lacerda”. Geralmente, mencionando pessoas do meu conhecimento mas que agora nao posso afirmar porque esta um pouco misturado na memoria. Tambem recordo de mencoes `a avo Ambrosina. Possivelmente ouvi isso em casa do sr. Joaozinho Coelho de Lacerda. mas vou ter que aguardar o parecer dos parentes para confirmar ou negar.

Tirando o senhor Joao, os nomes Eloy, Eulina e Filoteia nao me sao estranhos. Mas posso estar confundindo com outras pessoas que usaram estes mesmos primeiros nomes. Nao tenho o computo de todos os Eloys que existem na Arvore Genealogica da regiao mas sei que posso contar com duzias. Alem do senhor Eloy Perpetuo, ja recolhi dados da familia de dona Alzira Coelho Perpetuo, em Santa Efigenia de Minas. Ela, filha de Eloy Salome Perpetuo e Marietta. Pessoas nascidas, respectivamente, no Sao Felipe e no Ceu Aberto, em Virginopolis. Mas faltou-me tino naquele momento da entrevista para saber com certeza quem foram os avos da dona Alzira.

Apenas para abrilhantar essa narrativa, vejam o que encontrei no site da Familia Lacerda: “Para quem nao sabe, os Lacerdas provem do Rei Afonso X, O Sabio, de Castela e de sua mulher, D. Violante de Aragao. Por seu filho mais velho, D. Fernando de La Cerda, que nasceu no dia 24 de Janeiro de 1256, com uma guedelha de cabelos no meio do peito, segundo antigos. Dai que surge os La Cerda logo Lacerda.

D. Joao Ribeiro Gaio deixou uma quadra em honra dos Lacerdas, que diz:

“Tanto forte como Sansao de Castela e Leao e do sangue de Navarra nasceu o deste brasao”

Todo os anos os membros da Familia Lacerda, tornam para comemorar o dia 24 de Janeiro de 1256. Pelo nascimento daquele que proveu o nosso sobrenome: La Cerda e Lacerda.”

Quem quizer aprofundar o conhecimento a respeito do assunto, visite o site no enderco: http://familialacerda.blogspot.com/2008/08/lacerda-historia.html. Nas explicacoes do site ha um erro crasso, dizendo que Alexandre, o Grande, foi imperador do Sacro Imperio Romano. Na verdade, quem o criou e foi o seu primeiro imperador foi o Carlos Magno, tambem nosso ancestral.

Haverei pois que receber noticias da parentalha, pelo menos, das pessoas: Maria Salome (Sa Lica), Jose (Yeie), Joaozinho, Eneias, Ilidio, Anesio e outros mais, porque proveem deste tronco mas nao sei dizer quem sao os pais deles.

Algumas de minhas duvidas ja foram esclarecidas. Assim, Eulina Coelho de Lacerda e o senhor Joao Batista Perpetuo foram os pais da dona Sa Lica, do seo Yeye e do senhor Eloi Salome Perpetuo ate onde a dona Alzira Coelho Perpetuo pode informar-me. Entre os meus enganos aqui, um foi o de identificar o senhor Ilidio como Lacerda. Assim o fiz por conhecer o filho Geraldo Nunes Lacerda e pressupuz que o ultimo nome seria do pai.

Nao sei dizer se o senhor Ilidio tem ancestrais Lacerda tambem mas o nome proprio dele eh Ilidio Nunes Neto. Dona Zilda Candida sim eh “de Lacerda”. Assim fica estabeledido o nome de pelo menos um dos bisavos do Geraldo que seria Ilidio Nunes. E ha que se saber eh onde a dona Zilda se encaixa na Familia Lacerda. Ou seja, qual dos casais mencionados por dona Maria Filomena sera ancestral dela.

Os progressos tem sido lentos mas alguma coisa ja descobri. Segundo informacoes do primo Messias da dona Dalva e do senhor Joaozinho Lacerda, os avos dele se chamavam Levi e Minervina. Chamou aos dois de Lacerda. Tambem recordava-se que os bisavos foram seo Joao Lacerda e dona Ambrosina Candida de Jesus. Restou lembrar-se apenas qual pessoa do casal de avos foi filha destes bisavos. Entao ha ai o impasse de eu nao poder ainda fazer a ligacao dos ancestrais com as geracoes presentes.

Outros que lembrei que farao parte da Familia Lacerda serao os senhores Paulo (Paulico) e Cesar Coelho de Lacerda. O Paulico casou-se com a Madalena, filha da Ilidia Coelho do Amaral (Tarcisio de Oliveira Valadares) e neta dos tiobisavos: Jose (Juca) Coelho Sobrinho e Maria Marcolina (Culina) Pereira do Amaral. Pagina 138 do livro da Ivania. Entre os filhos do Paulico e Madalena temos o Levi, que se casou com a Clidia Lima Ferreira (Clidia Coelho). O casamento deles eh interessante de ser mencionado, pois, alem de residirem nas proximidades daqui onde escrevo, celebram um dos exemplos de enlace entre os Coelho gerais e o Coelho da Silva que, agora, tenho uma ideia mais completa da formacao da familia na cidade. Vide capitulo 07.

Ja o senhor Cesar Lacerda nos trara boas novidades tambem. Ele foi o marido da dona Socorro que procede do casamento do senhor Antonio (Tunico Figueiredo) e dona Geni Furtado Leite. Assim se deu o casamento entre um representante dos Pinto Coelho com um Coelho de Lacerda. Atualmente ja identifiquei o casamento de 4 das filhas com membros das outras Familias Coelho. Este eh um caso em que vejo fruto da minha ideia de pesquisar a origem dos parentes de nossos parentes. Comentarei mais a esse respeito no capitulo 07.

JOSE JOAQUIM DA SILVA (GUARDA-MOR)

Outra familia que terei que pedir ajuda aos parentes para chegar `as atuais geracoes. Alem do Antonio Nunes da Silva, assim identificado na Familia da Cunha Menezes que teve por esposa a Olimpia da Cunha Menezes, somente pude identificar um unico casal. Trata-se da Julita e seu marido, Joaquim Nunes Coelho (Neto). Fica ai a duvida se ele tambem se casou com a Arminda ou foi outro homonimo.

Joaquim Nunes Coelho, neste caso, casado com Julieta, era filho do Joaquim (Quinsoh) e Sebastiana Honoria. E neto paterno dos tios Joaquim Nunes Coelho e Francisquinha, e materno do Joao Batista Coelho e Maria Honoria. Por parentes, entao, tem a cidade inteira. Joaquim teve por irmaos: Maria, a Sa America, Josephino (marido da Sa Marta), Lino, seo Paulo, Joao e Esther (esta, casada na Familia Furado Leite).

Nessa primeira analise que tinha feito ja sentia algo em meu interior tentando avisar que havia algo familiar nos nomes das filhas do Guarda-Mor. Dias depois veio-me o estalo de compara-la com a pagina 13 do livro da Ivania, onde se encontra descrita parte da familia dos tios bisavos Joaquim (Quinsoh) Nunes Coelho e Sebastiana Honoria Coelho.

Nela estao 4 dos filhos: Lino, Paulo, Joao e Joaquim, casados respectivamente com: Arminda, Tileta, Rita e Julieta. Escritos assim mesmo, sem os sobrenomes ou qualquer indicacao de paternidade. Claro, as fontes da Ivania nao foram diferentes das de dona Maria Filomena, ou seja, a memoria.

Penso que agora compreendi porque dona Maria Filomena identificou tanto a Arminda quanto a Julita como casadas com Joaquim Nunes Coelho. Em verdade, parece-me que ela nao se recordou dos nomes dos maridos e sim do nome do pai deles, dai o colocou como referencia, porem, esqueceu-se de deixar isso avisado. Especulo isso porque a autora da Historia de Virginopolis nem sequer lembrou-se do nome Lino entre os filhos do Joaquim (Quinsoh).

Por coincidencia, a menos que as memorias da fonte usada pela Ivania estivessem enganadas, dona Filomena quase acertou que a Julieta, e nao Julita, casou-se com o Joaquim Nunes Coelho Neto.

Porem, paira a duvida, pois, o apelido Tileta poderia combinar-se com o nome Violeta. Como esse nome nao aparece entre as filhas no livro da dona Maria Filomena, pode ser que a Tileta proceda de outra familia.

Contudo, o que posso ja adiantar eh que a dona Arminda Aurora da Silva casou-se com o Lino Nunes Coelho. O que permitiu-me ter essa certeza, apesar de eu ja inclusive antes ter feito a ligacao num dos sitios de genealogia, foi encontrar os nomes deles na lista de ex-alunos do Caraca. No ano de 1932, sob a matricula numero 711, ingressou o estudante que mais tarde se tornaria o padre Jose da Paixao Nunes Coelho, filho dos senhores Arminda e Lino. Os nomes completos estao com todas as letras ali registradas. Padre Jose da Paixao nasceu em 18.04.1919, em Virginopolis.

Assim, penso que poderemos contar como favas contadas que Arminda e Lino, alem de Julieta e Joaquim, celebraram casamentos que uniram os Coelho e os Silva. E creio que o seo Paulo e o Joao Nunes Coelho tambem se casaram na mesma familia, formando um quatrilho de casamentos. Mas ate descobrir-se evidencias mais fortes nao farei as ligacoes.

Sinto nao ter contato com pessoas descendentes deles, pelo menos nao do meu conhecimento, para confirmar ou descartar tal hipotese. Se hoje estivesse em Virginopolis procuraria encontrar alguem da familia do Joaquim do seo Paulo. Eles sao minha referencia na familia deste patriarca e deverao ter informacoes mais concretas a respeito destes detalhes de nossa genealogia, inclusive, mais nomes de descendentes dos 4 casais, alem do do padre Jose da Paixao. Filhos do Joaquim do seo Paulo que me recordo os nomes sao o Demetrio e o De. Este ultimo trabalhava na venda do senhor Moises. Falando assim ate os jovens da cidade lembrar-se-ao de quem se trata.

Chama minha atencao tambem o filho Juscelino, que se casou com Maria Gomes, cujo apelido era Maria Sape. O Sape eh uma area que Virginopolis divide com Guanhaes. Uma area que por ficar bem mais proxima da sede virginopolitana tambem eh ocupada por pessoas com parentesco e residencia em Virginopolis. E em minha infancia vinha de la uma senhora, Mariinha Sape, a pe e carregada de coisas para vender na cidade, como restias de alho e peneiras de taquara, muito bem feitas. Dona Mariinha nao apenas oferecia suas mercadorias para minha mae como tambem era convidada para as refeicoes da hora. Possivel sera que ela fosse filha do casal!

FAMILIA PACHECO + FIGUEIREDO

Esta familia ja se encontra registrada no livro: “Arvore Genealogica da Familia Coelho” da prima Ivania Batista Coelho. Entre os filhos, o sr. Gil Pacheco tornou-se um dos “pioneiros” (juntamente com tio Sinval Rodrigues Coelho e outros, em 1916) da Cidade de Governador Valadares e fez fortuna por la. Os outros, exceto a Carlota, casaram-se com membros da familia Coelho, dai o motivo dobrado para terem sido registrados no livro.

Em 2009, estive no Brasil e entrevistei-me com a “tia Violeta”. Ela, a viuva do Otavio Baptista Coelho, filho dos tios bisavos Jose Coelho Sobrinho (seo Juca) e Maria Marcolina Pereira do Amaral (tia Culina), filha do tio Ernesto da Familia Pereira do Amaral. Ela disse-me ser filha de Edmundo Pereira Figueiredo e Marietta Pereira do Amaral. Mais tarde fiquei sabendo que o Pereira do Amaral da mae dela e da mae do marido eh o mesmo. Mas ainda nao sei como fazer a ligacao.

Ja o Edmundo era filho do portugues Antonio Pereira Figueiredo e Maria Augusta Lins. Ela, natural do Serro. A entrevistada estava completando 88 anos naquele ano. Ou seja, nascera em 1922. Pela regressao de datas, ha uma possibilidade minima de o pai dela ter sido a pessoa que eh mencionada apenas como Capitao Figueiredo, um dos fundadores de Virginopolis. Penso assim porque o dona Violeta teria que ter nascido uns 50 anos depois do pai e uns 100 depois do avo para que ele tivesse nascido em Portugal, ido para o Brasil e se estabelecido como fundador da cidade. Os outros fundadores, exceto o sr. Felix Gomes de Brito que era mais velho, nasceram no primeiro quarto do seculo XIX.

Era tanta coisa para se anotar que esqueci-me de perguntar-lhe os nomes dos tios pelo lado paterno. Eh possivel que, entre eles, esteja o sr. Jeronimo Jose Figueiredo, o marido da Carlota de Magalhaes Pacheco. Qualquer que for a resposta, o Jeronimo era tio da dona Genoveva Fausta de Figueiredo. Por sua vez, esta era a esposa do sr. Joao de Souza Coelho, filho dos tios Emigdia Honoria e Amaro de Souza Silva.

Esta segunda informacao me foi passada pelos filhos do sr. Joao de Souza: Emidia, Vita, Xisto e Diva, com os quais me reuni tambem naquele ano. Novamente, havia tanta coisa que se conversar que este detalhe da Familia Figueiredo nao foi analisado. Algo que agora lamento porque a Arvore Genealogica da familia esta repleta de agregados Figueiredo mas nao tenho como reuni-los num mesmo tronco.

A relacao da Familia Pacheco e a ligacao dela com a educacao em Virginopolis ja foi abordada na Familia Coelho de Oliveira. A Sianita e o Dino aqui sao os mesmos que aparecem la. (Carmelita e Bernardino).

Como mencionei antes, a dona Teresa de Jesus Guimaraes eh filha da Julinha Pacheco. Alguem que, pelos cruzamentos de idade, nao se enquadra como descendente da Familia Pacheco no livro da Ivania. O nome dela e de outros garantem que o sobrenome Pacheco tambem precisa ser investigado porque devera ser outro grupo familiar nao estudado pelos pesquisadores da familia ainda. E seria bom descobrir-lhe a raiz comum na regiao e os ramos para melhor entendermos essa genealogica como um todo.

FAMILIA DIAS DE ANDRADE

A propria introducao a esta familia feita pela dona Maria Filomena no livro dela ja traduz a importancia dela na educacao da populacao da cidade. Nao se pode dizer que a Familia Dias de Andrade de Virginopolis foi muito numerosa todo o tempo. Mas cresci e tive um bom numero de colegas e amigos com origem nela, sem falar nos primos.

Dos filhos do professor Francisco Dias os que mais conheci foram: a dona Losinha (Maria Dolores de Andrade), o Francisco Jr., pela familia que deixou e misturou-se na Coelho; o sr. Ary, que casou-se duas vezes na casa dos tios-avos e ao mesmo tempo tios-bisavos: Evencio Batista Coelho e Emidia (Miluca) de Magalhaes e, claro, o senhor Binha (Rubens). Estes dois ultimos, eternos moradores da rua que guarda o nome do pai deles.

Eram varias casas na cidade ocupadas pelos membros da familia. Contudo nao sabia como localiza-los na Arvore Genealogica a partir do patriarca. Penso que agora sera mais facil a partir deste trabalho da professora Maria Filomena. Lamento ela nao ter deixado para nos a relacao parental entre os patriarcas e dona Losinha (Atualmente sei que ela eh a dona Maria Dolores, mas ainda estou sem saber com qual dos maridos os filhos que conheco ela teve). Esta tem por filhos, que me recordo no momento, os senhores Marcos e Paulo da Losinha. Marcos e Paulo sao pais de alguns de meus colegas de escola e de futebol.

Tenho ainda que analisar os dados de forma mais ampla e esperar que os familiares depois me ajudem a montar o que falta para, pelo menos, facilitar o entendimento da formacao da familia pelas pessoas mais jovens, que sao descendentes mas nao tem a ideia da relacao parental de uns com os outros.

Em resumo, a cidade homenageia o professor Francisco Dias com o nome dele em uma de suas poucas ruas e em um de seus maiores grupos escolares. O que sinto eh que se a Historia da Cidade nao for contada `as novas geracoes, mostrando a realidade que existia no tempo em que estas pessoas viveram, e nao se valorizando o sacrificio que fizeram pelo bem coletivo, elas tornar-se-ao apenas nomes de locais. E isso nao eh o respeito que nossos ancestrais merecem!…

Existe uma musica, penso que cantada pelo Milton Nascimento, que invoca os nomes das tribos indigenas que viraram ruas em Belo Horizonte. Na verdade, eh um bonito lamento ao deixar de existir e virar apenas ruas onde todos pisam.

Ora, se os proprios pais nao souberem explicar que os nomes dados `as ruas da cidade ou a uma reparticao publica sao de seus ancestrais e estao ali em honra ao que fizeram, os filhos e descendencia alem deles poderao ser os primeiros a depredar e descaracterizar tudo o que esta relacionado ao seu proprio passado. Esquecer eh o mesmo que matar. Eh uma segunda morte, da qual nao se pode mais acordar.

FAMILIA LINO DE SOUZA

No livro da Ivania, temos apenas um Jose (Juca) Lino de Souza, casado com Candida (Candica) Coelho de Magalhaes. Esta, filha dos tios avos e, ao mesmo tempo, tios bisavos: Emidia (Miluca) de Magalhaes e Evencio Batista Coelho, ja mencionados na Familia Batista de Magalhaes. Este Juca Lino, porem, nasceu em 1906 e dona Negra nao nos deu oportunidade de fazer a ligacao entre este e os mencionados por ela.

Ha na cidade, falecido nao muito tempo atras, o Jose Lino de Souza, mais conhecido como ti Caco. [Ha aqui que se consertar esse meu erro, pois, o ti Caco chamava-se Joaquim e era irmao do Jose (Juca) Lino de Souza]. Alem deles havia um grupo de senhoras solteironas que eram comumente mencionadas como “as meninas do senhor Ze Lino”. Da mesma forma que o ti Caco, residiam na Rua do Buraco (Pe. Virgolino). Eram elas, “tias” Luiza, Ana e Eponina. E se pessoas tem sabor doce, doce eh mesmo a palavra que define as “tias”.

Nao era atoa que as chamavamos de “tias”. Nao por serem coroas. E sim por suas bondades. Tias Ana e Eponina eram serventes no Grupo Escolar Nossa Senhora do Patrocinio. E ninguem mais que elas sabiam cuidar de toda aquela criancada. E olhe que ser crianca em minha epoca era quase que, automaticamente, ser sinonimo de maluquinho. Era muita energia, naquele tempo em que pouco se via televisao, nao haviam jogos eletronicos e qualquer discussao virava tapa e pontape. Ninguem fazia isso em frente `as tias.

Tive mais contato com elas porque fui colega da Fatinha e Marcos Lino Marques. A Fatinha e Marquinho das tias. Eram orfaos criados pelas tias, no sentido literal. Porem, nao tenho noticias de outros Lino na cidade, claro, estou falando apenas de minha memoria. E o ti Caco foi o marido da “tia” Conceicao, filha do sr. Gabi Gilberto e Gininha, ja mencionados na Familia da Cunha Menezes.

`A medida que vou estudando a genealogia, porem, observo como ela aproxima as pessoas das cidades. Ja mencionei o sr. Dico Cunha, vizinho de minha sogra. O morador de frente da casa dela foi o senhor Luiz Leandro. Faleceu recentemente aos mais de 90 anos. Este Luiz talvez nao tenha parentesco proximo conosco, porem, conhecia muito bem a familia. Nasceu na Fazenda Sao Pedro, em tempos que ja pertencia `a Familia. Havia sido agregado do tio Ozanan Barbalho e, a seguir, do tio Miguel Coelho de Oliveira. Todas as vezes que visitei a cidade, era a segunda casa que punha os pes nela, `as vezes, a primeira.

Nos tempos que comecei a visitar a cidade, namorando minha esposa ha mais de 20 anos atras, o vizinho da esquerda de minha sogra tinha por esposa a Lucia. Esta, irma da Ida, ex-esposa do Rildo, filho do sr. Dico.

Ja o vizinho da esquerda do sr. Luiz Leandro era o sr. Luiz Lino. Pessoa tambem de fino trato e agradavel nas conversas. Lino em Santa Efigenia de Minas eh um dos sobrenomes mais frequentes. Penso que pela idade das pessoas mencionadas pela dona Filomena, elas deverao ser as ascendentes dos Lino de la. Contudo, esta minha inferencia eh apenas uma pressuposicao, sem a devida base de pelo menos algum caso de mencao tradicional.

Meus comentarios a respeito da Familia Lino em Virginopolis estavam repletos de falta de conhecimentos. O capitulo 04 ira esclarecer melhor.

FAMILIA LEITE

Ha algum tempo vinha procurando encontrar o fio da meada desta familia em Virginopolis. Ela tem muitos membros incrustrados em nossa Arvore Genealogica. Nao muito tempo atras entrei em contato com o primo Ronalde Cesar Coelho Leite e comecamos a decifrar um pouco dos dados da familia, da qual ele eh descendente. Claro, ja estavam no livro da Ivania varios nomes dos familiares, inclusive o do Francisco Furtado Leite, unico da irmandade citada no livro “Historia de Virginopolis”.

Ronalde disse-me que o avo dele, Waldemar Nunes Leite, era filho do Luiz Furtado Leite e Luiza Nunes Coelho. O que nao sabia era se era filha ou neta dos patriarcas Joaquim Nunes Coelho e Francisca Eufrasia de Assis. Pelas relacoes de idades eu ja havia concluido que era a filha e agora pude confirmar isso no livro.

Posteriormente, coincidiu de recebermos a visita de dona Maria da Conceicao Leite, mais conhecida como Conceicaozinha. Ela e a irma, Maria da Gloria Leite, Glorinha, haviam nascido em Virginopolis mas, casadas, residem ha muito em Santa Efigenia de Minas. Foi la que as conheci por serem amigas da familia de minha esposa. Entao ela contou-me ser neta de Modesto Furtado Leite e Valeriana Maria de Jesus. Assim, descobri o terceiro da irmandade.

Contou-me ainda que o senhor Modesto foi afilhado da casa do ex-governador Benedito Valadares. E por residir na casa, era tambem conhecido como Modesto de Oliveira Valadares, ate com alguns documentos com este nome. Talvez seja esse o unico exemplo que conheco de afilhado adotando o sobrenome dos padrinhos. Contudo, quando da epoca de sua aposentadoria, o senhor Modesto precisou comprovar em juizo que ele era o Modesto Furtado Leite, tendo como testemunha o Dirceu Nunes Coelho.

Lembrando deste episodio, entrei em contato com a Arlete Carvalho, esposa do Amir Carvalho. Eu ja a havia procurado antes para conseguir dela alguns dados da familia que incluia a paternidade do jogador de futebol, Leandro Almeida, sobrinho dela. Gentilmente ela respondeu `a minha solicitacao. Agora a procurei para pedir para verificar o processo que podera conter os nomes dos avos do senhor Modesto Furtado Leite. Todo este esforco porque a tradicao da familia afirma serem descendentes do Jose Feliciano Pinto Coelho da Cunha, o Barao de Cocais, a pessoa, nao a cidade que o homenageou.

Quando voltei mais tarde `a pagina da Arlete, pois, tinha lembrado que seria possivel encontrar os registros de casamento dos bisavos dela, deparei-me com a noticia de que o irmao dela, Carlos Magno, mais conhecido em nossa infancia como Teo, havia falecido. Isso faz parte das agruras!… Infelizmente, so tive que desculpar-me por ter feito a solicitacao em momento tao inapropriado. Mesmo assim a Arlete nao desconsiderou o meu pedido e prometeu investigar. Teo eh tambem apelido do meu filho.

Mas em relacao `a visita de dona Conceicaozinha no ano passado tive a grata satisfacao de obter os nomes dos filhos e conjuges na familia do senhor Modesto e Valeriana. Eram eles:

1o.) Maria Furtado Leite
2o.) Juventina Furtado Leite – Jose (Ze Randolfo) da Silva
3o.) Geni Furtado Leite – Antonio (Tunico) Figueiredo
5o.) Mozar Furtado Leite – Maria das Dores
6o.) Waldomiro Furtado Leite – Geralda Vieira Leite
7o.) Jose Furtado Leite – foi casado, nao sabia dizer o nome da esposa.

Dona Conceicaozinha e Glorinha sao filhas do Waldomiro e Geralda. Dona Juventina e senhor Ze Randolfo residiram no centro da cidade e consegui levantar pelo menos dois nomes de filhos: o Jose Maria Leite da Silva, mais conhecido como Ze Folhao e Maria Leite da Silva. O Ze Folhao foi o marido de dona Maria das Dores (Durica), ex-diretora do Grupo Escolar Nossa Senhora do Patrocinio em minha epoca.

Esta, filha dos senhores, Minervino Nunes Leite e Zinah Nunes Coelho. Senhor Minervino era filho do Francisco Furtado Leite e America Nunes Coelho (Sa America). Dona Zinah era filha do Pedro Nunes Coelho, filho do casal Jose Nunes Coelho e Emigdia de Magalhaes Barbalho. Dona Durica e Ze Folhao sao os pais, entre outros da Arlete e do Teo. E o Teo pai do Leandro Almeida.

Outra pessoa que temos muitas lembrancas eh a dona Geni Furtado Leite. Viuva, tambem era servente no antigo Ginasio da CNEC. Foi a mae do conhecido, agora falecido, advogado Angelo Figueiredo Leite, casado com nossa prima Diana Maria Coelho. Alem dele, temos a dona Geralda, esposa do senhor Rafael Coelho de Oliveira. Estes sao pais de diversos amigos queridos de Virginopolis. Inclusive o Flavio Jason mencionado na Familia Gomes de Brito. Ha tambem a dona Socorro, casada na Familia Lacerda. Darei mais detalhes no capitulo 07.

Nao tenho recordacoes de familiares de donas Ana e Altina Furtado Leite. Eh possivel que as pessoas que nao sejam lembradas por mim deverao ter deixado descendencia em outras cidades que nao Virginopolis. Ou, o que acontece muito, a distracao me impede de recordar. Estava esquecendo do senhor Mozart. Ele foi antigo morador da Rua Francisco Dias. Residia na, entao, ultima casa da rua. Ate ha pouco tempo era usada para organizacao dos Festivais da Jabuticaba. Entre os filhos dele encontramos a Madalena, esposa do primo Jose (Joao) Geraldo Coelho, filho dos tios Murillo Coelho e Adir Martinho. Adir era neta dos Dino e Sianita, via dona Efigenia.

Quanto `a dona Maria, filha do senhor Jose Randolfo e dona Juventina, foi a esposa do senhor Anesio Coelho de Lacerda. Dele ainda tenho que localizar os pais. E dos filhos preciso coletar os dados. Tenho apenas os da Maria da Conceicao da Silva Lacerda de Andrade, que se casou com o Dimas Geraldo de Andrade. Na cidade, basta dizer que este eh o Dimas da dona Heloisa, ou do Lalado, para que todos saibam localizar a familia. Trata-se da combinacao das descendencias do professor Francisco Dias de Andrade, Coelho e Barbalho. Mas de quem ja tenho os dados, pode-se constata-lo nos sites: http://www.geneaminas.com.br ou, quem tiver acesso, http://www.ancestry.com na pagina: “Barbalho Family Tree.”

Em minha epoca de crianca, aconteceu de o Grupo Escolar Professor Francisco Dias ser inaugurado e comecar a funcionar em um predio mal terminado. Funcionava ainda no improviso. Ao mesmo tempo, abriu-se tambem uma Escola Anexa `a CNEC, na qual meus irmaos mais novos estudaram. Nesta ocasiao foram diretoras destas unidades escolares: Maria das Dores (Durica) Nunes Leite (Grupo Escolar Nossa Senhora do Patrocinio); Maria do Socorro Nunes Leite (irma da primeira, Grupo Chico Dias) e Maria Carmelita Coelho Serra (filha do sr. Serafim Coelho e dona Julia, Escola Anexa).

As duas primeiras, filhas do senhor Minervino Nunes Leite e Zinah Nunes Coelho. O irmao delas, o senhor Lincohn Leite era o marido, atual viuvo, da dona Conceicao Pinto, tambem professora muito dedicada. Faltou ao livro de dona Maria Filomena deixar uma lembranca tambem da Familia Pinto. No mais, que me perdoem tantos outros professores dos quais nao mencionei os nomes. Nao queria fazer deste pequeno estudo um enredo exato, porque nao eh matematico, mas sim agrupar alguns pareceres para motivar o estudo genealogico de todos.

Posso ja ir adiantando dados da Familia Leite em nossa Genealogia. No capitulo 07 ela eh tratada como “Pinto Coelho” ja que a tradicao afirma ser descendente do Jose Feliciano Pinto Coelho da Cunha, o barao de Cocais.

Existe em Minas Gerais uma Familia Pinto Coelho de grande importancia na formacao genealogica de diversos municipios, principalmente aqueles relacionados ao Ciclo do Ouro e periodo logo posterior. Embora eu nao tenha postado nomes dos Pinto Coelho presentes na lista de ex-alunos do Colegio do Caraca, capitulo 09, estes nomes poderao ser pesquisados atraves do endereco ali indicado.

Dados e comentarios a respeito da Familia Leite estao agora postados em outros capitulos abaixo. Mas, para orientacao, adiantarei algo. Vejamos por exemplo os diagramas de filhos do Luis Furtado Leite e Luiza Nunes Coelho. Ja se podera acompanhar uma parte da descendencia no sitio geneaminas.com.br. Mas para quem possuir o livro “ARVORE GENEALOGICA DA FAMILIA COELHO”, e desejar fazer as costuras necessarias para entender a formacao da familia, estes serao uma mao na roda. Vejamos:

Luis Furtado Leite foi o marido da Luiza Nunes Coelho, pagina 12, filha dos fundadores de Virginopolis Joaquim Nunes Coelho e Francisca Eufrasia de Assis. Foram os pais de:

01. Juarez Nunes Leite – Helena de Oliveira (162)
02. Maria Nunes Leite – Arthur Pereira do Amaral (226)
03. Octavio Nunes Leite – Esther Honoria Coelho (13) + Nadir Aguilar (Totote)
04. Waldemar Nunes Leite – Izaura da Cunha Menezes (167)
05. Francisca Nunes Leite – Jose Rodrigues Coelho Sobrinho (106)

A relacao acima nao esta em ordem de nascimentos. Os numeros `a frente das pessoas sao os das paginas no livro. O numero 162 indica a pagina onde esta a descendencia da dona Helenita Nunes Leite, que foi filha do casal e se casou com o Joao Coelho de Oliveira, filho do senhor Octavio Coelho de Oliveira e Francisca Nunes Coelho. Este havia sido o primeiro casamento do seo Octavio e dona Francisca foi filha dos tios-bisavos: Petronilha de Magalhaes Barbalho e Joao Nunes Coelho.

Arthur Pereira do Amaral foi filho do tio Ernesto Pereira do Amaral e Ilidia da Silva Neto. Ainda nao tenho a descendencia deles.

O senhor Octavio Nunes Leite foi um dos maiores povoadores da Sapucaia de Guanhaes. Com dona Esther foi pai de, pelo menos: Esther, Luis, Adauto, Maria Salome, Orlando, Sebastiana (108), Vitorino, Sebastiao e Octavia (112). Dona Sebastiana foi a primeira esposa do senhor Eliphaz Rodrigues Coelho. Assim mesmo que se escrevia o nome dele segundo as matriculas dos ex-alunos do Caraca. Dona Octavia foi esposa do senhor Mario Rodrigues Coelho. Foram duas irmas casadas com dois irmaos.

Maria Salome foi esposa do Otto Nunes Coelho, filho do Claudionor Nunes Coelho e sua propria sobrinha Maria Augusta Campos Nunes. Dona Ida Nunes Coelho (105), segunda esposa do Jose (Ze do tio Daniel) Rodrigues Coelho Sobrinho (nao tiveram filhos), foi irma do Otto.

Os irmaos Orlando e Sebastiao Nunes Leite quase nao sairam de dentro de casa para se casarem. O primeiro foi `a casa do tio Waldemar para casar-se com a Maria de Lourdes. O segundo foi `a casa da irma desta, dona Neria Nunes Leite, que foi esposa do senhor Antonio Pinto de Souza, para casar-se com a dona Maria do Socorro Pinto Leite. Este ultimo casal foi pai de pessoas como o Robinho que foi criado pelos tios Eliphaz e dona Chiquinha e do Wander (Wandinho) que se casou com a prima Rosany Barbalho.

A alta consanguinidade acabou atingindo outros membros da familia tambem, pois, dona Diva, filha tambem de dona Neria e senhor Antonio, se casou com o senhor Salvio, filho do Jose Sobrinho e Francisca Nunes Leite, filha do Luis Furtado Leite e Luiza Nunes Coelho. Irmaos do senhor Salvio, o senhor Cesar casou-se com dona Dalva (Vivica), filha do senhor Waldemar e Izaura e a dona Maria do Socorro casou-se com o Levi Pereira Sobrinho, filho do Arthur Pereira e Maria Nunes Leite.

Estes sao apenas alguns exemplos do que aconteceu, o que nao foi diferente entre os familiares de todos os patriarcas, principalmente entre os nascidos em Virginopolis e suas proximidades, nos primeiros 100 anos de sua existencia efetiva, ou seja, entre 1858 e 1958. Contudo, apesar de a familia ter se espalhado pelo mundo, continuam existindo casamentos consanguineos, `as vezes, em cidades bem distantes deste nucleo original.

Com dona Nadir o senhor Octavio foi pai tambem de: Astramiro, Jose, Juarez, Luiza (228), Maria Josefina, Otto e Paulo, pelo menos. Deste grupo o livro da Ivania registra a descendencia apenas da dona Luiza Nunes Leite que casou-se com o Joaquim Bento da Silva Coelho Filho. O Quim Bento foi filho dos tios Quim Bento velho (149) e tia Cunuta (Antonia Pascholina).

Quim Bento Filho e Luiza foram pais de diversas pessoas cujos filhos cresceram conosco em Virginopolis; como a professora Iolanda Coelho Chaves, dona Lourdinha esposa do senhor Walter Lopes, Carlos + Iria, Sergio + Maria de Lourdes e Alipio + dona Nair Coelho da Silva. Este Coelho da Silva da dona Nair talvez venha do nucleo deste nome discutido no capitulo 07, porem, nada afirmo.

Para completar a festa, o senhor Waldemar Nunes Leite e dona Izaura da Cunha Menezes foram pais de:

01. Ciro Nunes Leite – Ana Coelho de Oliveira
02. Claudio Nunes Leite
03. Dalva (Vivica) Nunes Leite – Cesar Rodrigues Coelho
04. Dorotheia Nunes Leite
05. Geraldo Nunes leite
06. Joao Nunes Leite
07. Jose Nunes Leite
08. Laura (tia Laurinha) Nunes Leite – Antonio (ti Antonio) Batista Coelho
09. Luiz (ti Lica) Nunes Leite
10. Maria de Lourdes Nunes Leite – Orlando Nunes Leite
11. Milton (Miltinho) Nunes Leite – Maria Jose (Zeze) Pinto de Araujo
12. Neria Nunes Leite – Antonio Pinto de Souza
13. Salva (Savica) Nunes Leite – Sergio Silva
14. Vilma Nunes Leite
15. Nize Nunes Leite – Sebastiao Pinto de Araujo

Os nomes estao em ordem alfabetica ao inves de por ordem de nascimentos. Exceto dona Nize que possuo data de nascimento e falecimento, assim o sitio genealogico postou-a em ultimo lugar. Nao possuindo dados mais completos falta-nos conjuges e descendentes.

Para informacao, o sitio gencoelho possui uma gama bem mais completa de parte da descendencia da Familia Leite, basicamente aquela concernente aos filhos Luis e Francisco Furtado Leite. Como ja temos ai geracoes mais recentes e conhecidas, perfeitamente identificaveis pelas atuais geracoes, gostaria de ter a ajuda dos internautas mais novos para completarem os dados que nos faltam.

Os primos Ronalde e Fenelon muito ajudaram para chegarmos aos dados que ja temos, alem, claro, de dona Conceicaozinha e outros.

FAMILIA CHAVES

Nada posso dizer, por enquanto, a respeito da Familia Chaves. Temos na familia o senhor Atelante Antonio Chaves, marido de dona Maria de Lourdes Campos Chaves, filha do Atenagoras (Tenah) Campos do Amaral e dona Maria da Conceicao Nascimento. Estes sao dados combinados que temos dos livros e por informacoes do neto do sr. Atelante e d. Lourdes, Fenelon Jose Campos Coelho. Os pais do sr. Atelante eram: Zacarias Goncalves Chaves e dona Aunar Assuncao Chaves. Assim nao ha como liga-los `a lista apresentada por dona Maria Filomena.

Outro membro ja registrado da Familia Chaves no livro da Ivania eh o sr. Helio Dias Chaves, pai dos filhos da professora Iolanda Coelho Chaves, neta dos tios-bisavos Joaquim Bento (Quim Bento) Coelho e Antonia Paschoalina (tia Cunuta) da Silva Neto, via o Quim Bento Jr. Teremos que aguardar mais informacoes para sabermos de como essa familia participa da Arvore Genealogia coletiva das familias virginopolitanas.

Embora tenhamos outras pessoas com a assinatura Chaves, alem das mencionadas acima, ainda nao encontrei o fio-da-meada que liga as pessoas mencionadas por dona Filomena `a atual populacao. Entre os nao mencionados acima esta a dona Maria Goncalves Chaves, que foi esposa do senhor Ancelmo de Souza Ferreira. Mas talvez o apelido de Chico Carreiro do senhor Francisco Chaves seja a melhor pista que fara alguem lembrar-se de algum vinculo.

CONCLUSAO

Alguem pode se perguntar: Por que perder o tempo de estudar tantas genealogias de pessoas que nem sequer sao minhas parentes?! Eh como a vovo Candinha respondeu a quem lhe perguntou: “Por que a senhora esta plantando pes de jabuticada nessa idade? A senhora nunca vai chupar dessas frutas:” Respondendo, ela disse: “Quando eu nasci, chupei as frutas das arvores que nao plantei, agora estou plantando para que os que vierem depois de mim tambem possam chupar.” De forma semelhante respondo eu.

Isso faz parte. Outro dia mesmo eu estava brincando de “pegador”, esconde-esconde, pique-latinha, queimada e outras coisas mais. Estes dias o Fenelon Jose tem andado todo alegre porque nasceu um neto dele. O Ze Maria, filho dos tios Miguel e Lia, mais novo que nos, ja eh avo ha bem mais tempo. Dona Augusta Campos, em meu tempo de brinquedos, nao era uma figura esquecida das pessoas, e nem apenas um nome de praca, ela estava presente no nosso dia-a-dia, como se ainda nao houvesse falecido. Pois eh, ela eh a trisavo do Fenelon que ja eh avo. O tempo passa e a gente nem percebe! Nos ja estamos ficando para a hora da morte e seremos esquecidos por nossa descendencia se fizermos o mesmo com os nossos ancestrais.

A verdade eh esta, 130 anos atras, nossos ancestrais, os mais cuidadosos, nos deixaram alguns apontamentos escritos onde podiamos compreender de onde vimos. Mas eles pensaram apenas naquelas pessoas que lhes eram mais proximas, somente aquelas que ja lhes tinham algum vinculo consanguineo, mesmo assim, nem todas. Hoje somos descendentes deles e de outras pessoas que conviveram com eles, que se sentaram com eles `as mesmas mesas para celebrarem os casamentos, os nascimentos e chorar as perdas. Apesar da intimidade que tiveram, pouco sabemos dos outros que, `as vezes, nao sao nossos ancestrais, mas serao ancestrais de nossos descendentes.

Assim, mais valido eh conhecer a Arvore Genealogica de todos porque os futuros compartilharao das raizes que se tornarao conhecidas. Nao o faco por mim mas sim como um legado para todos.

Um detalhe quanto a isso nos vem da Idade Media. Naquele tempo nao existiam os ditos sobrenomes. O Jose era chamado de Jose Fernandes porque o pai dele se chamava Fernando. O Antonio era chamado de Antonio Anes (Johanes) porque era filho do Joao. Isso bastava `as pequenas comunidades.

Quando a populacao comecou a crescer, tinha tanto Antonio Anes e Jose Fernandes que comecou a dar confusao. Por isso, alguns fixaram os patronimicos Antunes, Anes, Fernandes etc e acrescentaram o “de”, algum lugar. Assim, o Francisco Antunes de Valadares chama-se assim porque alguem em seu passado se chamou Antonio e era do local de Valadares.

Tambem ha um erro em usar-se o termo: “Arvore Genealogica da Familia Vasconcelos” ou de qualquer outro sobrenome. Nao existe familia de sobrenome e sim de pessoas. Um exemplo disso: na Idade Media um certo Soeiro Viegas Coelho teve filhos. Dois deles se chamaram Joao e Maria Soares Coelho. O Joao manteve o sobrenome Coelho, dando origem a esta linhagem na familia. Dona Maria era mulher, portanto, na Idade Media e muito tempo depois nao passava o sobrenome aos filhos.

Ela casou-se com D. Joao, o Tenreiro, senhor da Torre de Vasconcelos. Os filhos receberam sobrenome em homenagem ao cargo ocupado pelo pai. Assim, eles multiplicaram o sobrenome, “de Vasconcelos”. Embora, geneticamente, os filhos fossem tanto de Vasconcelos quanto Coelho. Alias, esta era uma situacao muito comum na Idade Media e muito depois. Os pais poderiam ter 12 filhos ou mais e cada um escolher um sobrenome diferente para si.

Por ultimo, a populacao do mundo era em numero relativamente pequeno, ate que as Americas foram descobertas e o comercio com o Oriente se intensificou. O fluxo de mercadoria passou a ser muito, gerando riquezas e tambem houveram trocas de conhecimentos culinarios. Batatas, milho, urucum, tomate, pimenta, cana-de-acucar, nao foram produtos europeus. A partir de entao passaram a ser usados. Com isso, melhorou-se a condicao de saude geral proporcionando a multiplicacao ate chegarmos aos dias de hoje.

Contudo, o basico eh este: por uma condicao inerente `a vida, eh preciso passar-se milhares de anos para que haja variacoes geneticas que diferenciem os individuos da mesma especie. Como se passou tao pouco tempo em relacao aos nossos dias e `a Idade Media, o que aconteceu foi apenas se multiplicar, ou seja, um certo Jose que existia naquele passado, continua praticamente o mesmo Jose de hoje. A diferenca eh que para cada Jose que havia naquele tempo hoje temos 500 outros Joses. No DNA dos 500 nada de variacao.

Portanto, sera bom que conhecamos a genealogia de todos. As razoes para isso envolvem saude de nossa descendencia. Porem, nao vou discorrer aqui novamente a respeito desse assunto. Isso sera algo a ser tratado por pessoas melhor credenciadas. Num futuro proximo.

Um outro motivo para deixarmos para nossa descendencia as nossas genealogias esta em fatos que estao por vir. Meus avos Trajano (Cista) e Dindinha Zulmira tiveram juntos um pouco mais de 100 netos. Papai teve 19 e nao esperamos que este numero aumente. A tendencia de agora para frente sera que cada um de nos tenha no maximo entre 3 a 6 netos. A partir de quando meus pais se tornarem trisavos, nao havera avo que enchera a casa de netos. A menos que viva uns 150 anos.

Em tempos de nossos avos, eles tinham filhos por uns 25 a 30 anos seguidos. Assim, os filhos mais velhos comecavam a lhes dar netos enquanto eles ainda estavam tendo os ultimos filhos. Era um processo continuo. Os nascimentos eram, pelo menos, anuais, algumas vezes, mensais dentro de uma mesma familia.

A tendencia atual eh a de que os casais tenham filhos quando estiverem por volta de 30 anos. No espaco de 5 anos deverao ter seus dois ou tres filhos e pronto. Ou seja, a proxima geracao so comecara dai a outros 30 anos. Havera a necessidade de pessoas que se especializem em cuidar de criancas porque os pais nao terao a menor experiencia no assunto ja que nao terao visto seus irmaos mais velhos, pais, ou seus avos fazendo isso.

Outro detalhe sera o de que formar-se-ao linhagens humanas que poderiam passar milenios sem haver casamentos entre elas, embora venham a viver como vizinhas. Isso se daria porque um casal que ja tenha filhos por volta de 15 anos de idade podera tornar-se vizinho de outro que estara comecando a ter filhos. Assim, quando os filhos do primeiro casal chegarem aos 30 anos, os vizinhos ainda estarao muito novos para se casarem. Assim as geracoes dos vizinhos se alternarao nas idades dos filhos mas eles nao casarao entre si.

Com o numero reduzido em que as familias se transformarao, se nao houver um acompanhamento genealogico, as pessoas nao conhecerao os primos de terceiro grau porque os avos comuns terao nascido, no minimo, ha 90 anos atras. Alem disso, com cada geracao vivendo em um ponto diferente do planeta, porque todo mundo tera a facilidade de se deslocar para onde oferecer empregos que atendam as aptidoes de cada um, primos poderao nao crescer juntos e perder-se-a aquela ligacao de amizade que conhecemos, ou seja, os primeiros amigos, namorados e confidentes, eram os primos.

Isso criara um sentimento de solidao e isolamento. Talvez seja preciso aqui propor uma certa solucao. Ou seja, uma geracao tera que ser sacrificada para o beneficio de todas as que virao. Esta tera que criar os filhos e os netos. A partir de entao, somente os avos criarao os netos. Os pais estarao envolvidos demais com suas carreiras e somente terao tempo quando se aposentarem. Portanto, a sociedade precisara adaptar-se aos sinais do tempo.

Mencionei que os netos dos meus pais somam 19 pessoas. Ja os netos por parte da minha sogra sao 16. Portanto, meus filhos tem apenas 29 primos, em contraste com os membros da casa de meus pais que somaram mais de 150 primos em primeiro grau. Estas deverao ser as ultimas geracoes com tal abundancia de pessoas no mesmo ramo familiar. E, em nosso caso, tinhamos outra diferenca. Os primos de meus filhos pelo lado materno nao sao primos dos filhos dos meus irmaos, e vice-versa. Eramos uma so familia, a ponto de os primos de nossos primos poderiam nao ser nossos primos em primeiro grau mas o eram em outros graus. `As vezes, graus de parentesco repetidos tantas vezes que era como se fossemos.

Esta pesquisa tem nao apenas o objetivo de levantarr fatos da Historia. Tem, principalmente, a finalidade de nao deixar que as pessoas do passado nao sofram a segunda morte. Como mencionei, a professora dona Augusta Campos era muito bem lembrada no meu tempo de crianca, como inspiradora da educacao. Creio que nao ha sabedoria alguma em sacrificarmos a inspiracao que ela gerava, pela preguica de nao procurarmos saber quem ela foi e o que fez.

A recordacao de nossos ancestrais como coletivo deveria ser disciplina escolar, tanto quanto aula de musica. Todos sabemos que os musicos desenvolvem melhor suas inteligencias. O mesmo se da em relacao a quem conhece o seus antepassados. Somar estes conhecimentos, buscando inspiracao em ambos os campos, multiplicaria a inteligencia de nossos descendentes.

PS. – Por enquanto, fiz visitas esporadicas ao blog: http://joserabello1.blogspot.com/2011/03/do-sao-bento-ao-caraca-serra-14041968.html. A prima Celina Coelho, que o postou e terminou ha poucos dias sua montagem. Trata-se de escritos feitos principalmente pelo pai dela, dr. Jose Rabello Campos, filho de Jose Ferreira Campos e dona Jovelina Rabello Neto mencionados no livro da dona Negra, na Familia Campos. Em nosso tempo de crianca, funcionou na cidade um jornalzinho de nome: “A Peneira”. Era uma das opcoes que tinhamos de leitura, uma vez por semana.

Neste, as publicacoes do dr. Rabellinho. Lembro-me de os irmaos da casa de meus pais disputarem a ordem de leitura. Agora podemos repetir as leituras e entender melhor a complexidade dos escritos do antigo professor, dr. Rabellinho. Ja tirei proveito nas leituras de duas biografias: a do proprio dr. Rabellinho, escrita pelo saudoso dr. Jose Lupciano, filho dele, e a da tia Meme, escrita pelo proprio dr. Rabellinho. Indico o blog a quem desejar recordar ou conhecer os sacrificios narrados da vida na epoca de nossos ancestrais.

 
04. BREVE RELATO DOS PRIMEIROS FRUTOS DA PRESENTE PUBLICACAO

FAMILIA NUNES COELHO

Logo apos `a publicaca, recebi um convite da Marinez Torres para tornarmo-nos amigos no Facebook. Fiquei um tanto no ar para saber de quem se tratava. Pensei ser a Marinez do tio Antonio (Ti Antonio) Batista Coelho e Laura (Tia Laurinha) Nunes Leite. Talvez fosse ela com nome de casamento. Mas a pagina indicava proceder de Guanhaes, residente em Nova Iorque. Ja nos primeiros contatos, conversamos como velhos amigos. As raizes familiares sao as mesmas.

Contou-me ser neta do Amavel Nunes Coelho e Sebastiana Gloria Coelho. Filha da Inez Nunes Coelho. Nao consegui fazer a ligacao ate ai, mesmo com ela dizendo que os irmaos do Amavel se chamavam Dermeval e Ulisses Nunes Coelho. O Ulisses esta no livro da Ivania. Teve 3 esposas diferentes. Mas nao tinhamos os nomes dos pais dele.

Havia entrado como agregado, embora, agora sei que era mais que agregado. Tambem que eh um tio a mais a casar-se com sobrinha em nossa familia. A primeira esposa, Alzira Nunes Coelho era sobrinha dele.

Ao mencionar que outro irmao era o Pio Nunes Coelho e que este inclusive virara nome de escola em Guanhaes, ai as coisas se descortinaram um pouco. Pio foi o marido da tia Josephina Marcolina Coelho, filha do Antonio Rodrigues Coelho e Maria Marcolina Borges do Amaral, identificados no trabalho de dona Maria Filomena e por todos os nossos apontamentos genealogicos.

Por ai pude dizer a ela que, na irmandade, incluiam-se entao as tias Marcolina (Marca) e Vitalina (Nha Nha), respectivas esposas dos tios Lindolpho e Altivo Rodrigues Coelho. Era aquele caso de 3 irmaos casados com 3 irmaos.

Informei `a Marinez que, entao, os pais do avo dela eram o Clemente Nunes Coelho e Anna Maria. Ela nao sabia, mas logo foi atras e voltou com a informacao de que a Anna Maria tinha o sobrenome Pereira. Algo novo para mim. Mas ja estou com a pulga atras da orelha! Sera que este Pereira nao tera origem no Pereira do Amaral de nossos ancestrais?! A probabilidade de ser eh grande!

Assim, o quebra-cabecas comeca a fazer sentido. Pareceu-me, entao, que ficou respondida a questao: o Clemente, pai dessa turma, era o mesmo Clemente, pai da Maria Honoria, Antonio e Prudencio, ou nao? Logo deduzi que nao. Falta, assim, saber se este Clemente era ou nao filho do nosso antepassado Clemente, ou filho de algum outro filho dos avos Euzebio Nunes Coelho e Anna Pinto de Jesus.

Por falar nisso, recentemente encontrei no site Family Search, da Igreja dos Santos dos Ultimos Dias (antiga Mormons), outro filho dos avos Euzebio e Anna: o Manoel Nunes Coelho, ou seja, o Manoel Neto nessa linhagem. Mas encontrei apenas o registro de batismo, que se deu em Itabira, em 3 de janeiro de 1811. O importante neste documento eh mostrar o nome completo da avo Anna, que tinha o Pinto de Jezus. Isso mesmo, com z!… Confirmando os dados coletados pela Ivania.

O registro do Manoel desloca um pouco o centro de gravidade de nossas pesquisas porque, ate agora, tinhamos que os Nunes Coelho procediam de Dom Joaquim. Ao que parece, passaram por mais de um lugar. Em Dom Joaquim se estabeleceram na Fazenda Folheta. Em Guanhaes na Fazenda do Grama.

Entre os outros filhos dos avos Euzebio e Anna, talvez, o Clemente II podera ser filho do Bento ou Antonio mas com a maior tendencia de ser mesmo do Clemente I. Isso porque a Marinez comentou a respeito de o Clemente II ser quase africano de cor, casado com a Anna Maria que era loira dos olhos azuis. Semelhantemente, a nossa trisavo Maria Honoria tambem era da mesma cor. Dai supor-se que tenham sido irmaos.

FAMILIA LINO DE SOUZA

Respondendo a uma provocacao que fiz a ela, nossa querida amiga e companheira de antigas datas, Fatima Lino Marques, respondeu no Facebook que eu estava enganado em relacao `a familia dela. Nao compreendi a principio, porque ela nao entrou nos meritos da questao.

No vai-e-vem de nossa conversacao, tornou-se bem claro o porque de ela afirmar que eu estava enganado. E o estava em varios pontos. Ela passou-me os nomes da casa dos avos dela: JOSE LINO DE OLIVEIRA e BENIGNA ISABEL DE SOUZA. Para comeco de conversa, nao havia desde o inicio o seo ZE LINO DE SOUZA. A familia era assim formada:

JOSE LINO DE OLIVEIRA e BENIGNA ISABEL DE SOUZA, pais de:

1o.) Jose (Juca) Lino de Souza – Candida (Candica) Coelho Magalhaes
2o.) Joaquim (Ti Caco) Lino de Souza – Conceicao Soares
3o.) Ana
4o.) Elisa
5o.) Eponina
6o.) Joao (Joaozinho) – Batista Marques Pereira
7o.) Maria Lino de Souza – Jose Coelho Neto
8o.) Julinha (morava em Coroacy)
9o.) Rita Lino de Souza – Francisco (Chico Gilberto) Soares
10o.) Virginia Lino de Souza – Neri Jose Pimenta.

Nao entramos no detalhe se esta relacao que ela me passou esta em ordem de nascimentos ou nao. O fato eh que, por enquanto, nao pudemos atar os presentes dados aos que dona Maria Filomena lancou no livro dela porque a Fatinha nao sabe dizer quem eh o bisavo que, por suposto, pode ser um daqueles nomes.

Mas aqui da para a gente notar como a danca genealogica se da. Em livros como o da prima Ivania Batista Coelho, onde se trata da genealogia de descendencia de um casal, como eh o caso especifico do que ela tratou: do portugues, alferes de milicia, Jose Coelho de Magalhaes e Eugenia Rodrigues Rocha, o que temos eh praticamente uma malha plana, enorme e, `as vezes, complicada. O que quero dizer com malha plana trata-se de comparar a genealogia com uma rede fina de pescar extendida `a espera dos peixes.

Existem as complicacoes por causa dos casamentos do tipo: sobrinhas e tios e entre pessoas de geracoes diferentes dentro da propria familia. Um exemplo disso eh que meu pai era bisneto do Joao Batista Coelho Junior, e minha mae neta do Jose Batista Coelho. Joao e Jose eram irmaos, filhos do Joao velho e Maria Honoria Nunes Coelho.

Como os pais se casaram, na casa deles os filhos sao ao mesmo tempo trinetos e tetranetos deste ultimo casal. E coisa semelhante se da em relacao ao grau duplo de parentesco com todas as geracoes precedentes deles. Os pais do Joao velho e Maria Honoria sao, simultaneamente, tetravos e pentavos dos mesmos filhos da casa de meus pais. E, com o passar das geracoes, estas coisas podem complicar-se mais ainda porque outros descendentes ja com este ou outros graus de parentesco podem casar-se entre si. Mas isso eh normal!…

O interessante em se colocar as familias das pessoas que foram agregadas `a descendencia de um estudo plano eh ver-se como elas aproximam as pessoas de diversos ramos da familia plana, tornando a malha genealogica como um novelo nao mais plano. Este eh apenas um caso de uma familia. Imaginem quando obtivermos os dados de diversas outras!… Alem da propria descendencia completa destas pessoas acima mencionadas.

Como eu dizia anteriormente, o genealogista precisa entrar na mente das pessoas para enxergar o parentesco do ponto de vista delas e nao dele proprio. Como membro de algumas familias estudadas, eu me enganei redondamente assumindo que nao deveriam existir tantos Lino em Virginopolis, quando, em verdade, eu convivi o tempo todo cercado por eles.

O que se da, e nos leva facilmente `as falsas interpretacoes, sao os sobrenomes desaparecerem nas geracoes mais recentes, fatalmente, por serem preteridos por ser carregados pelas esposas ou, o mais frequente, porque se fossemos colocar todos os sobrenomes de nossos ancestrais para nao perdermos as sequencias das linhagens que nos teceu, acabariamos tendo por sobrenome uma verdadeira lista telefonica.

Em relacao `a FAMILIA LINO, eu nao imaginava o que realmente se passava. Mas com o esclarecimento dado pela Fatinha, posso tentar olhar para o parentesco na lista acima presente segundo o que ela enxerga. Eu por exemplo via assim: na Rua Padre Virgolino, mais conhecida pelo apelido de Rua do Buraco, existiam duas casas ocupadas por aquela familia: a das “tias” e a do Ti Caco.

O Ti Caco tinha se casado com a dona Conceicao, quem tinha comigo um parentesco distanciado. O senhor Chico Gilberto era Soares, pai das donas Lulu e Socorro que se casaram, respectivamente, com Cassio Nunes Coelho e Osvaldo Coelho Perpetuo, ambos oriundos dos meus parentes Coelho. O vizinho Ze Neto era parente dos Coelho, mas tinha dificuldade em coloca-lo em nossa Arvore Genealogica.

Desde que encontrei-me com o Ze Neto em Virginopolis, em 2009, essa dificuldade cedeu porque perguntei-lhe os detalhes que me faltavam para encaixa-lo na Arvore. Contou-me ser filho do Jose Coelho Neto e Maria Lino de Souza. Estavam na pagina 142 do livro da Ivania. Ele inclusive ficou emocionado ao poder relembrar as pessoas queridas inscritas na mesma pagina do livro.

O Jose Neto I era filho de JOAO BATISTA COELHO NETO e LUCINDA XAVIER ANDRADE. O Joao seguia a linhagem como III Joao Batista na familia e, `a semelhanca do avo que colocara o Batista como sobrenome dos filhos, adotou o Neto tambem como sobrenome. Faltava-me, entao, descobrir os nomes dos pais da Maria Lino e seus irmaos.

O primeiro filho, JUCA LINO DE SOUZA, como ja foi conversado, casou-se com a CANDICA, filha dos tios-avos e ao mesmo tempo tios-bisavos: EVENCIO BATISTA COELHO e EMIDIA (MILUCA) MAGALHAES. O tio Evencio era irmao do Joao Neto e da bisavo Olimpia Rosa. Portanto as duas familias tem lacos dobrados. A tia Miluca era irma da avo Davina e elas eram filhas do JOAO BATISTA DE MAGALHAES e CANDIDA DE MAGALHAES BARBALHO, da Familia Batista de Magalhaes. Candica e Juca criaram a familia em Governador Valadares.

Da familia dos tios Evencio e Miluca, as descendencias que nasceram e cresceram em Virginopolis foram das filhas Maria e Honorata (Tinah) de Magalhaes Coelho, a primeira e a segunda esposas do senhor Ary Dias de Andrade, irmao da dona Maria Filomena de Andrade.

Nesta familia ha um caso interessante a ser observado. Por ter se casado com a dona Rita, o senhor Chico Gilberto tornou-se cunhado do Ti Caco. Ja o Ti Caco foi `a casa do senhor Gabi (Gabriel) Gilberto para casar-se com a dona Conceicao. Neste caso o Ti Caco tornou-se sobrinho do Chico Gilberto e da propria irma dele. Ha pouco descobri que os senhores Gabi e Chico Gilberto eram membros da Familia Coelho da Silva. Vide capitulo 07 para verificacao.

Como ja falei, as duas filhas do seo Chico e dona Rita casaram na Familia Coelho. E o filho do seo Cassio e dona Lulu, o Cassio (Cassinho) Nunes Coelho Filho, foi meu colega durante o primario. Nos anos seguintes tive outros colegas, como o Geraldo (Ge) Jose Coelho, filho da dona Socorro e Osvaldo Coelho Perpetuo e a propria Fatinha.

Dai eh importante observar o angulo de vista que eles tinham em relacao ao parentesco porque em meu tempo de crianca, alem do Ti Caco e as tias, eram vizinhos de rua as donas Lulu (Cassio), Socorro (Osvaldo) e Ze Neto (Terezinha Almeida), ou seja, eles tinham a visao deste parentesco que eu nao imaginava.

A rapida conversa com a Fatinha ainda nao deu para esclarecer mais a respeito da mae dela. Mas ha a possibilidade, novamente, de o Pereira estar ligado ao ramo Pereira do Amaral. Aguardemos mais informacoes.

Dona Julia foi para Coroacy. E foi la que o Joao Batista Coelho Neto foi casar-se com dona Lucinda Xavier Andrade. E pelo que se pode ver na pagina 142 do livro da Ivania, alguns dos filhos foram casar-se la tambem. Mas nao temos mais informacoes.

Claro, ha que se lembrar que o casal Demetrio Coelho de Oliveira e Marcolina Honoria Coelho levou a familia para la na fundacao daquela cidade. Outros virginopolitanos estao na relacao de primeiros moradores locais, inclusive, tios Miguel Nunes Coelho e Ambrosina (tia Sinha) de Magalhaes Barbalho, os pais do bispo D. MANOEL NUNES COELHO.

Nao vejo como muita surpresa o fato de o marido da dona Virginia Lino de Souza, Neri Jose Pimenta, ser nosso primo. Eles estao na pagina 283 do livro: “A Mata do Pecanha, sua Historia e sua Gente”. Neri era filho dos tios OLIMPIO JOSE PIMENTA e RITA AUGUSTA LACERDA. Por enquanto nao posso dizer que dona Rita Lacerda tenha parentesco com os COELHO DE LACERDA de Virginopolis. Mas as probabilidades sao muito grandes, por via do Lacerda.

Dona Rita Lacerda era filha de Joaquim Lacerda e irma do padre Joaquim Lacerda Filho, o primeiro paroco de Sao Joao Evangelista. A familia mudou-se para Sao Joao Evangelista no inicio da formacao do Arraial de Sao Joao Novo e procedia do Serro.

A historia do tio Olimpio, e como ele tornou-se nosso tio, eh que eh um pouco complicada. Sendo ja primo da familia, por vias dos sobrenomes Pereira do Amaral, Borges Monteiro e Barbalho, pois, descendia simultaneamente dos tres, teve por primeira esposa dona Ludugeria Francelina do Amaral, irma da trisavo Maria Marcolina Borges do Amaral. Falecendo esta, casou-se em segundas nupcias com Quiteria Rosa de Jesus Amaral, filha do nosso tio, Joao Pereira do Amaral. Em terceira nupcias foi que ele casou-se com dona Rita, mudando-se para o Correntinho de Guanhaes, onde descansou com seus antepassados.

O que ha de mais complicado na vida dele foi que, no intervalo do segundo para o terceiro casamento, teve um relacionamento com Sebastiana Pereira do Amaral. Esta era viuva do DANIEL PEREIRA DO AMARAL, que se casara com ela em segundas nupcias dele, apos o falecimento da nossa quartavo, MARIA FRANCELINA BORGES DO AMARAL.

Sebastiana e Daniel haviam sido pais de Georgina, Lilia e Elpidio Amaral, ja mencionados como moradores de Sao Joao Evangelista. Sebastiana e Olimpio foram pais de Maria Carolina (Quinha) e Antonio Augusto. Assim, a nossa trisavo Maria Marcolina era meio-irma dos tres primeiros e parente dos outros dois. O professor Dermeval nao revelou quem eram os pais da dona Inha (Sebastiana). Paginas 150 e 285

Interessante tambem eh que: os vizinhos mais proximos do Ti Caco: seo Osvaldo e Chico Gilberto, eram o senhor Longino Pereira e dona Isabel Teixeira. O Pereira desta familia, ja me contaram, procede de Sao Joao Evangelista. Tai a possibilidade de ser outro da descendencia Pereira do Amaral. De dona Isabel tenho certeza dela ter sido prima do Neri Jose Pimenta e descendente de mesmos ancestrais. Claro, eu nao faria tal afirmacao a nao ser pelo fato de os pais dela: dona Alice Reis e Alipio Teixeira, serem mencionados na pagina 257 do livro do professor Dermeval Jose Pimenta. A mae da dona Alice era dona Amelia Candida Pimenta e era nossa aparentada pela genetica Pimenta Barbalho.

Nao ha necessidade de entrarmos nos detalhes da descendencia porque pode-se logo imaginar que os muitos outros relacionamentos fizeram mais conexoes de forma a que a FAMILIA LINO “puxasse para sua latinha” muitos outros membros da MALHA PLANA da FAMILIA COELHO. Se tivessemos como fazer a MALHA PLANA da Familia Lino certamente os agregados COELHO a tornariam enovelada. Assim, `a semelhanca dos fios que formam o DNA que se enovela para tormar os cromossomas visiveis em menor aumento, tambem as MALHAS PLANAS se enovelam para representarmos o que eh uma familia na realidade.

Pelo diagrama acima, podemos observar que haviam relacoes de parentesco entre agregados da Familia Lino: Candica, Conceicao Soares, Jose Neto e Neri Pimenta. Mas, a partir dos ancestrais deles, eles pertenciam a ramos que estavam se distanciando uns dos outros como os galhos de uma arvore distaciam-se entre si para ganhar espaco dentro da copa. Entrando eles na Familia Lino, o parentesco de seus conjuges fez com que eles fossem abracados, como uma amarra a juntar os ramos de um arranjo de flores, reaproximando-os numa mesma familia. E eh esta visao que o genealogista precisa compreender.

O estudo genealogico tem como consequencia o desenovelar e mostrar estes relacionamentos que, muitas vezes, nos passam despercebidos. Estas revelacoes tornam-se importantes porque poderao algum dia ser tomadas como orientadores na formacao de futuras familias, visando dar melhor saude `as descendencias. Tambem torna-se importante para que guardemos nossas relacoes com nossos antepassados ja que nao podemos usar todos os sobrenomes que eles usaram.

Darei um exemplo pratico para esclarecer minha preocupacao. Apenas mencionando que nossa prima Ivanira casou-se com o Geraldo, filho dos “tios” Caco e Conceicao. Alias, aqui se justifica um dos motivos pelos quais os membros da Familia Lino sao chamados de “tios” na cidade. Em verdade, eram mesmo tios de boa parte da meninada com a qual convivi. Eu apenas nao sabia disso. A Ivanira eh filha dos meus tios Otto (Sinho) de Magalhaes Barbalho e Iva Coelho.

Tios Sinho e Iva (ja falecidos) eram, como no dito popular, farinha do mesmo saco. Os ancestrais deles dentro de Virginopolis eram quase os mesmos. A variacao que ela tinha era a de ter sido neta da tia Nenen, esposa do tio Daniel Rodrigues Coelho, portanto, tinha um pouco de Oliveira Freire e, mais ascentuado, por ser filha da Maria Angelina Lucio de Oliveira.

A mae dela era irma de pessoas super conhecidas na cidade como: donas Enoy (Euler de Magalhaes Barbalho) e Maria das Dores (Jose Passos) e os senhores Antonio Lucio (Cira e Diva Coelho) e Jose Lucio (Rita (sa Ritinha) Queiroz). Ou seja, ela era duplo Oliveira, porem nao sei dizer se ha vinculo entre os dois ramos. E a Familia Lucio de Oliveira nao foi mencionada no trabalho da dona Filomena.

Ja a variacao do lado do tio Sinho vem apenas do lado da Dindinha Hercilia Coelho de Andrade, esposa do bisavo Marcal de Magalhaes Barbalho, mencionados no trabalho da professora Maria Filomena. Ela inclusive menciona os nomes dos pais dela: Joaquina Umbelina da Fonseca e Joaquim Coelho de Andrade. Este, sem vinculos com os outros Coelho da cidade. Pelo menos no que se trata do nosso conhecimento.

Foi a familia dele que ocupou o corrego que deu origem, em Divinolandia, `a Comunidade do Corrego dos Honorios. Na verdade, Honorio era o apelido dele. Talvez fosse filho de algum Honorio, porque era chamado de Joaquim Honorio. Ou pode ter tido nome composto mesmo onde, `a epoca, era muito comum ter os nomes acompanhados por Honorio. Vide capitulo 07 para melhores informacoes a respeito do Coelho de Andrade.

Agora podemos dizer que o Geraldo leva alguma variabilidade genetica `as filhas que teve com a Ivanira: Neila Poliana e Neilice. Meninas nascidas e criadas em Governador Valadares, mas sempre eram levadas pelos pais a Virginopolis para verem os avos. Tem quase 3 decadas que nao as vejo. Mas o Geraldo tambem tem raizes nos mesmos ancestrais que a Ivanira.

Os bisavos maternos dele foram o Durval Nunes Coelho e Maria (Cota) da Cunha Menezes (Severino), mencionados pela dona Filomena no capitulo desta familia. Eles foram os pais da dona Efigenia (Gininha) que se casou com o Gabriel (Gabi) Sebastiao Soares, o Gabi Gilberto. Estes sao os pais da dona Conceicao, esposa do Joaquim (Ti Caco) Lino de Souza, os pais do Geraldo.

Portanto, haveria de ser curioso se as meninas da Ivanira e Geraldo se chamassem: Neila Poliana ou Neilice Barbalho de Souza Lino Magalhaes Andrade Fonseca Lucio Oliveira Freire Rodrigues Nunes Batista Coelho Soares Cunha Menezes Severino Pereira do Amaral, somente para atender aos ancestrais nascidos em Virginopolis. Isso porque nao temos o conhecimento de todos ainda. Agora, elas terao casado com alguem com, seja de onde tenha vindo, igual carga de nomes. Imaginem os sobrenomes que os filhos carregariam!?

Portanto, esta ai um melhor uso para a genealogia. Ao inves de carregar-se tantos sobrenomes, o melhor mesmo eh arquiva-los todos na Arvore Genealogica.

 

 

05. NOTA PARA O AMIGO DALBER AUGUSTO

O Dalber mencionou nas mensagens do texto o fato de as pessoas terem saido de Virginopolis, deixando para outros a incumbencia de manter a cidade viva. Creio que ele fez uma analise emocional e nao melhor racionalizada. Penso que a reacao dele eh natural e, talvez, eu proprio teria a mesma impressao, se tivesse continuado a residir na cidade, de que quem saiu a abandonou a qualquer que tenha sido a sorte dela.

Na verdade, a minha analise eh diferente. Imaginem se todas as familias que sairam tivessem permanecido em Virginopolis! Tomando como base apenas a atual Cidade, sem contar aquelas que emanciparam dela, eu calculo que o municipio hoje teria que contar entre meio a um milhao de habitantes. Sera que as atividades desenvolvidas no municipio sustentariam tal populacao? Com certeza nao! E seria muito dificil criar-se atividades industriarias capazes de sustentar uma populacao dessas num municipio de tao poucos recursos. Pior, se todos tivessem ficado, haveria uma pobreza tao grande que, se nao houvesse assistencia externa, somente parte dela sobreveviveria.

A questao de sair ou nao sair nao passou necessariamente por uma escolha. O proprio Dalber tem familia. Talvez os filhos estejam permanecendo la mas o que se dira dos netos? Havera lugar para eles?! Somente o tempo nos respondera. Por minha propria experiencia em genealogia, penso que sera utopia imaginar que sim. Chega um momento em que a descendencia torna-se tao grande que uns comecam a competir com os outros. Nessa hora o melhor mesmo sera alguns evadirem e se encaixarem em outros locais onde havera necessidade dos servicos deles.

Ao inves de tomar-nos por desertores, talvez seja melhor nos encarar como mensageiros. Eh verdade! Nos que residimos aqui nos Estados Unidos, por exemplo, sentimos que saimos de Virginopolis mas nunca tiramos a cidade de dentro de nossos peitos. Outros podem ate ter nascido em cidades pequenas da regiao como ela e falar que sao de Governador Valadares. O virginopolitano aqui enche a boca para dizer com orgulho: Eu sou de Virginopolis. E isso nao eh literatura nem ufanismo, eh fato.

A vontade de todos era de um dia poder voltar. Mas ha tambem o reconhecimento de que isso sera dificil, porque os filhos e netos nao se adaptarao ao mesmo estilo de vida. Assim, aguardamos as independencias dos filhos e aposentadorias.

Em cada esquina, cada lote da cidade ha uma Historia. Nao direi que em cada casa porque a cidade antiga foi quase toda derrubada para ceder lugar ao “progresso”. Diferentemente daqui do primeiro mundo onde se procura preservar um pouco do passado e lucrar-se com isso.

Os meus estudos genealogicos nao tem o objetivo de dar-me bens materiais mas podem ser usados de uma forma ou de outra para isso. Se as coisas continuarem como estao, a populacao de pessoas com raizes em Virginopolis crescera muito fora dela. Se a propria cidade nao preservar os vinculos que tem com essa populacao, em breve nossas descendencias nao terao nem mesmo a curiosidade de saber que um dia ali viveram seus ancestrais. Perderao completamente os vinculos.

O Dalber eh irmao do meu grande amigo Altair. Nao busquei saber os resultados das ultimas eleicoes mas penso que ele devera ter sido reeleito vereador. Sendo ou nao, o sim apenas facilitaria as conversacoes. Seria bom que a prefeitura, com apoio da camara, fizesse um estudo de viabilidade economica a respeito de fazer um projeto de manutencao de um site historico e genealogico e preservacao de pontos referenciais das familias na cidade.

Ora, abram suas mentes para o futuro. Quais serao as fontes economicas que manterao o desenvolvimento do municipio agora e para sempre? Um deles, acredito, eh o desenvolvimento do turismo. Mas o unico atrativo potencial maior que a cidade tem eh justamente o de fazer com que as pessoas com vinculos parentais com ela nao se esquecam dos ancestrais.

Para isso, eh preciso que as genealogias sejam acompanhadas, que se tenha pessoas na cidade com conhecimento delas e que possam sinceronear os visitantes para indicar-lhes os locais onde seus antepassados viveram e as atividades que os ocuparam. Claro, sera necessario haver uma infraestrutura adequada para receber turistas porque muita gente ja nao tem avos, pais ou tios morando na cidade para receber os visitantes como sempre se fez. Seria bom abrir-se hoteis fazendas.

Creio que o importante eh reafirmar ao velho amigo Dalber Augusto que o que temos procurado fazer enquanto fora de Virginopolis nao eh abandona-la mas sim tornarmo-nos embaixadores da cidade e de nossas familias em terras estranhas. Aqui na cidade de Framingham, Estado de Massachusetts, por exemplo, eh possivel que seus mais de 70.000 habitantes ou sao de Virginopolis ou ja ouviram falar algo da cidade.

Possivelmente, uma boa parte se sentiria atraida a fazer pelo menos uma visita na vida a ela. Mas falta algo de atrativo, como a garantia de que se chegara la e havera uma infraestrutura para receber esta parte. Para nos eh facil arrumarmos qualquer lugar para ficar mas nem todos tem a mesma regalia, pois nao tem vinculos com a cidade senao o de conhecer alguem dela.

Este desenvolvimento eh o que falta para que mais pessoas possam permanecer na cidade, tendo um meio de vida garantido. Quem saiu foi porque isso nao existia na cidade e nao porque faltasse apego ou amor. Enquanto `a distancia, o que fazemos eh projetar o nome de Virginopolis no mundo.

 

 
06. DADOS GENEALOGICOS E HISTORICOS SOMADOS DE FAMILIAS TRADICIONAIS DE VIRGINOPOLIS.

Vamos entao fazer uma soma de dados genealogicos e informacoes uteis aqui nesta postagem. O assunto genealogia eh um pouco mais importante do que a maioria das pessoas geralmente pensa dele. Eh um assunto realmente serio. Desde que, claro, tenhamos um objetivo mais nobre para estuda-lo. Embora, muitas vezes, a seriedade fique oculta por tras do jeito brasileiro brincalhao de lidar com coisa seria, em particular quando isso eh tratado pela descendencia dos bisavos Candida de Magalhaes Barbalho e Joao Batista de Magalhaes.

Para comecar, o bisavo Joao Batista era uma pessoa tao bem humorada que exigia dos netos e dos poucos bisnetos que conheceu mais respeito com ele, tratando-o por tio, e nao avo. Avo era a Sa Candinha que era mais velha que ele. Ela havia nascido em 1858 e ele em 1862.

Bom para esclarecer melhor essa minha reintroducao, pedirei licenca aqui ao primo Paulo Cesar Coelho Ferreira para reproduzir duas postagens dele do Facebook. Elas ao mesmo tempo que demonstram a seriedade do assunto, tambem mostram que mesmo a gente sofrendo la as nossas mazelas continuamos cultivando o bom humor. Essa nossa atitude talvez revele o nosso sucesso, afinal, se estivermos em alguma situacao complicada, lamentar eh o que menos ajuda. Seguem as postagens:

“Minha vida toda eu cresci vendo Tio Carlos quicar, Cacá quicar, Paulo Guido (o pai) quicar, Tia Fabíola quicar, Dinha quicar, achando tudo muito engraçado.

Até o dia que eu levei o primeiro tombo.

Um amigo meu, médico, portador de Esclerose Lateral Amiotrófica, ELA 8, me recomendou que parasse de rir e me consultasse com uma neurologista, especializada em doenças degenerativas.

O primeiro exercício que me foi recomendado foi procurar nos meus ancestrais manifestações disto que a gente chama, fazendo gracinha, de caminhar claudicante de Coelho.

Daí, peço ajuda à Ivania Batista Coelho (Gleuza, se você tiver jeito, faz isto chegar nela), ao Valquirio De M. Barbalho e a quem tiver algum conhecimento, quem, na família tinha esta patologia ou terminou a vida cadeirante. Ou mesmo quem, como se dizia à época, era entrevado.

É possível que a gente seja convidado a ir ao Centro de Estudos do Genoma Humano da Usp para ver esta história direito.”

O nosso primo Paulo Cesar Coelho Ferreira foi feito a partir da matriz de descendentes repetidos de nossos ancestrais. Assim como boa parte de nos o foi. E na outra postagem ele achou necessario fazer maiores esclarecimentos, que precisam ser levados em conta, segue entao:

” Apenas umas correções que Dr. Cezar, o meu amigo portador da ELA 8, recomendou que eu passasse para o grupo.

!. A doença NÃO é contagiosa. È hereditária, o que é bem diferente. O que não fica nada mais simples, se se considerar esta paixão que a gente insiste em manter por estas belezas que são nossas primas.

2. Não há nenhum indício de que nossa questão seja a ELA 8. PODE não ser. Cezar reconhece na gente evidências de uma doença do neurônio motor, com características de uma degeneração. No momento é apenas isto.

3. Eu vou tentar marcar uma consulta com uma especialista em doenças neurológicas degenerativas, Dra. Sarah Teixeira Camargos (que, raios, deixou de atender pela Unimed. Só particular). Ela também é a chefe do ambulatório da UFMG e vou tentar provocar nela o interesse científico de estudar mais gente de nossas famílias. Claro que por família eu entendo Coelho, Rodrigues Coelho, Coelho do Amaral, Nunes Coelho, Barbalho, etc. Enfim, a área metropolitana da grande Virginópolis.

4. Levo como referência o livro da Ivania, a bibliografia citada ali e os escritos aprofundados com nossa genealogia do Valquirio, o que faz do nosso grupo um tema potencialmente interessante para a Dra. Mayana Zats, do Centro de Genoma Humano da USP. Dr. Cezar vai fazer a nossa introdução lá como meu amigo.

5. Cezar sugere também provocar o interesse científico do Dr. Carlos Eduardo Carvalho Coelho, o Cate do Tio Xisto. Apesar de ser um neurocirurgião, Cate pode nos dar boas dica”

O Cate ai mencionado por ele tambem faz parte da descendencia Coelho, sendo neto dos tiosbisavos Daniel Rodrigues Coelho e Marina (tia Nenen) Coelho de Oliveira.

E corrigindo o Paulinho, o problema se complica quando a paixao nasce das primas para com os primos. Eh um caminho com duas vias.

A saudosa tia Maro (Maria Eugenia, filha dos avos Juca Coelho e Petrina), com todo o conhecimento e experiencia de enfermeira, costumava comentar: “A gente nao sabe como o povo todo de Virginopolis nao nasce babando!” Essa era uma frase emblematica todas as vezes que o assunto de casamento de prima com primo surgia.

Mas ao mesmo tempo ela ia e voltava ao defender a sobrinhada dizendo que maridos bons eram os sobrinhos dela. Que as mocas que se casavam na familia tinham boa sorte. Na familia se fazia uma excecao. Nao que essa fosse a opiniao da Maro. Mas a brincadeira dizia que se o Fernando algum dia resolvesse separar-se da Rubia, a familia o mandaria embora e ficaria com ela!… rsrsrsrsrs.

Eh!… Existe de tudo neste mundo! Mas tambem tem coisas que estao em todo o mundo. E uma delas, infelizmente, eh a consanguinidade onde quer que se va. Pode ser que a encontremos menor em alguns lugares e maior em outros mas ela eh uma constante. Quando estudei o livro: “A MATA DO PECANHA, SUA HISTORIA E SUA GENTE”, do professor Dermeval Jose Pimenta, pude perceber o quanto a parte da populacao de Sao Joao Evangelista, estudada por ele, era aparentada da populacao de Virginopolis, embora seja possivel que as duas populacoes pouca noticia tenham disso, por causa da menor convivencia que existe entre as populacoes das duas cidades.

Devido a colonizacao da regiao ter se dado no sentido do Serro e Conceicao do Mato Dentro para Governador Valadares, a informacao que as pessoas guardam mais eh que entre Guanhaes e Virginopolis existe muita consanguinidade, afinal, Guanhaes foi a mae de Virginopolis. O mesmo se ve em relacao a Virginopolis e Divinolandia de Minas, pois, a relacao maternal se da em relacao `as duas.

O que se tem menos noticias eh que o Serro e Conceicao tem essa precedencia e forneceu ancestrais para todas as suas filhas. Como a pessoa humana tem memoria fraca, particularmente a brasileira, nao conhece e nao procura conhecer seus ancestrais alem dos avos. Portanto, poucos dao noticias da geracao dos bisavos. Essas nao sabem de onde procedem e pouco se importam para onde ira sua descendencia.

Do Serro tambem surgiu Sabinopolis, que exportou excedentes populacionais para as outras que surgiram depois. Por fim, a descendencia destas populacoes contribuiu para a multiplicacao nas cidades intermediarias como: Coroacy, Gonzaga, Santa Efigenia de Minas e outras. Durante os supercrescimentos de Governador Valadares, Ipatinga, Itabira e Belo Horizonte, a mesma parentalha esteve em todos os passos do desenvolvimento desta Historia.

Voltando os nossos olhos para a Historia Genealogica Brasileira, observa-se que este crescimento acima descrito eh um espelho da mesma. As primeiras cidades formadas no pais como: Sao Vicente, Olinda, Salvador, Vitoria, Rio de Janeiro, Recife, Niteroi, Joao Pessoa, Sao Goncalo – SE, Sao Goncalo – RJ, Florianopolis, Porto Alegre e outras, tornaram-se represas que transbordaram e enviaram migrantes para o interior e assim se deu a povoacao do Brasil, por multiplicacao, de uma populacao que ja guardava la sua consanguinidade.

Note-se que a populacao humana representa, entre os animais, uma das de menor variabilidade genetica que existem. Ou seja, se nos compararmos o DNA de uma pessoa africana, cujos ancestrais nao procedem de outros continentes, com o de um europeu e seus ancestrais nao misturados recentemente com africanos, e com o de um nativo puramente brasileiro, cujos ancestrais tenham vindo diretamente da Asia, iremos constatar que so encontraremos diferencas nos detalhes.

As pessoas enxergam, erradamente, as aparencias, nao o que acontece no DNA. Muitas vezes as diferenciacoes de aparencia nao passam de um mecanismo de defesa necessario `a sobrevivencia da especie. A pele negra ou clara, por exemplo, surge da necessidade de proteger dos raios solares excessivos nos tropicos, enquanto a pele mais clara se desenvolve com a finalidade de aumentar a eficiencia dos organismos na producao de vitamina D em ambientes onde os raios solares sao excassos. Se um povo africano fosse residir nas regioes subtropicais e ali passar milenios, o mecanismo de selecao natural faria com que ele clareasse a pele. O contrario se daria em caso de um povo europeu viver milenios em regioes tropicais. Eh a natureza nos ajudando a conservar a saude.

A pequena variabilidade genetica nos seres humanos significa que, mesmo que os tres grupos tenham se separado ha alguns milhares de anos atras, todos nos procedemos de um grupo relativamente pequeno de ancestrais comuns. Diferentemente da maioria dos outros mamiferos que nao estiverem passando por algum periodo de extincao eminente no momento. Eles possuem uma variabilidade genetica maior, indicando que procedem de um maior numero de ancestrais.

Talvez seja importante deixar isso claro para evidenciar que o grau de parentesco entre pessoas de diferentes procedencias, embora garantindo uma seguranca razoavel para a producao de filhos, esta seguranca decresce `a medida que as geracoes passam e os casamentos nelas se deem dentro da mesma familia. Bom exemplo disso foi quando o primeiros povoadores chegaram ao Brasil. Eles se uniam mais `as indigenas e `as africanas que `as europeias.

Isso eh ate facil de enxergarmos pelo ponto de vista pratico. Imaginem-se nas primeiras decadas dos anos 1500. As viagens transatlanticas eram negocios conduzidos em Sigilo de Estado. Nao apenas por causa dos perigos que envolviam a travessia. Mas porque envolviam negocios extremamente lucrativos. E negocio, naquela epoca, era assunto para homens. E a travessia era dificultada pela precariedade dos conhecimentos e dos equipamentos. Era dificil encontrar-se voluntarios. Um recurso muito usado foi o uso de degredados que, ao contrario do que imaginam muitos, nao eram bandidos perigosos.

Era gente ate de boa conduta, exceto por nao aceitarem as imposicoes dos governantes da epoca. Entre os que optaram por ir colonizar as Americas estavam judeus, cujo crime era nao ser catolicos, ou o serem na forma de novos, ou seja, recem-batizados. Com certeza, o numero de mulheres europeias que cruzaram os mares nos primeiros dois seculos de colonizacao brasileira foi muito inferior ao de homens. Some-se a isso as dificuldades que elas passavam, principalmente durante os trabalhos de parto. Isso fez com que deixassem um numero bem menor de descendentes.

Por um lado isso favoreceu `a miscigenacao. O que protegeu os primeiro nascidos na terra contra a consanguinidade que ja existia em seus continentes de origem. Mas o passar das geracoes e a multiplicacao acelerada que os homens impuzeram a suas parceiras fez quase que “voltar tudo como d’antes no Castelo de Abrantes”.

Outra caracteristica da multiplicacao brasileira foi o efeito das castas sociais. Se observarem bem, nos anos que se seguiram `a Proclamacao da Independencia do Brasil, o preconceito racial surgiu como regra maior. Os europeus comecaram a temer o numero crescente de africanos, pardos e indigenas que se tornaram visivelmente mais numerosos. As republicas estavam sendo proclamadas. A democracia estava batendo `as portas apos `a Independencia dos Estados Unidos e da Revolucao Francesa.

A reacao das elites brasileiras foi a de procurar importar o maximo possivel de pessoas com peles claras e segregar o brasileiro de pele escurecida. A ideia era a de embranquecer a pele da populacao para suplantar o numero crescente dos “adversarios”. Foi este pensamento divisionario e segregacionista que acabou influindo tanto economicamente quanto geneticamente falando a formacao da populacao brasileira, ate ha pouco tempo atras.

Todo mundo devera lembrar-se dos dizeres: “fulano nao eh um bom partido”. As levas colonizadoras que se desenvolveram no periodo imperial, quando a maior parte do pais foi povoado por populacoes europeias e mistas, eram compostas de extratos de todas as camadas sociais. Contudo, os ricos, geralmente brancos e de origem claramente europeia, nao se casavam com pobres.

Dai, mesmo que os novos arraiais nascessem com numero seguro de pessoas que, se miscigenadas, causariam menor efeito de consanguinidade na descendencia, os casamentos se davam em sua maioria absoluta dentro das castas, melhor dizendo, dentro das chamadas “familias dominantes”, o que levou `a condicao de maior consanguinidade, tanto nas camadas mais elevadas quanto nas menos elevadas da sociedade, pois, ja que rico nao se casava com pobre, entao, as escolhas de ambas as classes recaiam em um numero menor de pessoas disponiveis. E que, geralmente, ja eram da mesma familia.

A ignorancia a respeito dos efeitos colaterais da consanguinidade ajudaram em muito as pessoas a agirem dessa forma. O resultado que temos eh o quadro de hoje em que a maioria das pessoas que conhecemos tem alta consanguinidade conosco. E muitas vezes os casamentos nao consanguineos que ocorreram com estrangeiros, de origens variadas, pouco nos ajuda, pois, se temos um ancestral italiano, ou frances, ou ingles, ou libanes, que viveu ha mais de 100 anos atras, os filhos deles se casaram dentro das familias que ja eram consanguineas e os netos fizeram o mesmo, fazendo com que o nosso nascimento se tornasse igual ao que era antes.

 
07. TODOS OS COELHO DE VIRGINOPOLIS.

Isso mesmo! Nao. O subtitulo acima nao esta incorreto. Muitas vezes ja ouvi falar a expressao: “Os Coelhos de Virginopolis” como se fosse apenas uma familia. Claro, ha a razao para crer-se que todos os Coelho encontrarao ancestral comum em Soeiro Viegas Coelho, que la pelos anos de 1180 adotou o sobrenome e o passaou para os filhos. Ha tambem razoes para supor que muitos dos Coelho de Minas Gerais descendam de um ancestral comum, o portugues Manuel Rodrigues Coelho, rico dono de minas e que se instalou no Estado no inicio do Ciclo do Ouro.

Porem, enquanto nao aprofundarmos os estudos nas raizes dos sobrenomes que encontramos em Virginopolis nao podemos afirmar que tenham uma raiz comum. Voltarei ao comeco de nossa Arvore Genealogica para oferecer um discernimento e tornar possivel a compreensao do que conhecemos. As origens dos Coelho sao diversificadas no municipio. E os chamados Coelho, em verdade, sao geralmente a mistura em diferentes proporcoes destas e outras familias.

Antigamente dizia-se que: “Em Virginopolis, quem nao eh Coelho eh couve.” Por muito tempo este dizer muito antigo foi mal recebido por determinada parte da populacao. Ja ouvi pessoas dizerem a expressao: “Aqueles Coelho!” Outras expressoes que ja ouvi foram: “Os Coelho gostam de casar dentro da familia.”; “O Coelho eh muito orgulhoso.” Muitas vezes, estas coisas causam animosidade entre as pessoas, porque elas falam sem saber o que dizem.

Em primeiro lugar, algumas pessoas que nao gostam dos “Coelho”, confundem as coisas. Muitas vezes, tem Coelho que diz nao gostar dos Coelho. Ai eh que esta a graca na Historia, alguns ignoram a presenca do sobrenome no proprio sangue.

Claro, a expressao: “Quem nao eh Coelho, eh couve”, desperta logo alguma antipatia. Contudo, todas as vezes que a ouvi na intimidade da familia ela sempre foi dita com humorismo. Nunca ouvi ninguem expressar desdem pelas outras familias. Mesmo porque, nenhum Coelho eh apenas Coelho, e sim uma mistura de muitos e muitos sobrenomes.

Quanto a pessoas antipaticas que se julgam maiores que as outras, nao se trata de doenca exclusiva de alguns que usam o sobrenome Coelho. Toda familia tem aqueles que sao antipaticos, os que sao orgulhosos, os que sao humildes, os que sao bem humorados, os que sao ranzinzas, os que sao malintencionados, os que sao populares, enfim, defeitos e qualidades todos nos temos. Melhor dizendo, somos todos uma combinacao de virtudes e defeitos, pois, somos humanos.

E talvez seja este o grande segredo da vida. Coexistir com toda qualidade de pessoa deve ser o grande dom. Saber evitar conflito com os inconvenientes e com as inconveniencias deve ser o grande segredo dos vitoriosos.

Vamos entao la fazer um resuminho que ajudara a todos compreenderem o sobrenome Coelho em Virginopolis e regiao. Creio este ser importante porque quando dona Maria Filomena de Andrade deu as definicoes de familias no livro Historia de Virginopolis ela, com certeza, inadivertidamente esfacelou uma familia inteira, subdividindo-a em varias partes. Tambem esqueceu-se de outras. Talvez por nao conhecer o que aconteceu tres geracoes antes do ponto onde ela comecou. Segue entao o resumo dos diferentes Coelho que compoem a nossa populacao:

A. COELHO DE MAGALHAES

Ha uma versao dizendo que esta familia eh de origem portuguesa, comecaria com o portugues, alferes de milicia, Jose Coelho de Magalhaes. Ao mesmo tempo foi dito ele descender do mencionado Manuel Rodrigues Coelho. A tradicao diz que o Jose teria ido para o Brasil junto com seu pai. O que me parece impossivel porque o Manuel mencionado ja estava em Minas Gerais bem antes do nascimento do Jose. Em 1719 foi tesoureiro da Camara Municipal de Vila Rica.

Como alternativa, levantei ja ha algum tempo a hipotese de que um primeiro Manuel poderia ter sido pai de um segundo de mesmo nome. Mas como era comum `a epoca os ricos senhores no Brasil enviavam alguns de seus filhos para estudar em Portugal, porque a coroa detinha o monopolio da educacao e nao permitia abrir-se faculdades nas colonias, nesse caso, o Manuel filho poderia ter ido para Portugal para estudar e ter retornado ja com familia constituida.

Nao muito para a minha surpresa, existem dois documentos no Arquivo Publico Mineiro mencionando um capitao Manoel Rodrigues Coelho, datados de 1784, tempo em que o primeiro Manuel ja deveria ser falecido. Como levantei a hipotese antes de saber disso, pode ser que eu esteja realmente correto. Mas nunca se sabe. Agora precisamos de comprovantes porque suposicoes apenas nao somam em genealogia, a nao ser para indicar caminhos de pesquisas.

O que temos de concreto eh isso: o casal Giuseppe Nicatsi da Rocha e Maria Rodrigues de Magalhaes Barbalho, sendo ele luso-italiano, foi pai de Eugenia Rodrigues Rocha, que foi a esposa de Jose Coelho de Magalhaes. Residiram nos dominios de Conceicao do Mato Dentro, na propriedade de nome Axupe, onde tiveram os filhos: Jose, Joao, Antonio, Felix e Clara Maria.

Conhecido como capitao Jose Coelho da Rocha e casado com Luiza Maria do Espirito Santo, apos terem tido os primeiros filhos nos dominios de Conceicao do Mato Dentro, na Fazenda Lapinha, o filho mais velho comprou uma grande extensao de terras, junto ao Corrego Graipu, e juntamente com outros pioneiros fundou o Arraial de Sao Miguel e Almas, mais tarde, Guanhaes. Os filhos deste casal foram: Jose Neto, Maria Luiza, Francisca Eufrasia, Ana Maria, Joao Batista, Eugenia Maria, Antonina e Antonio.

Em resumo, quatro destes filhos contribuiram grandemente para a multiplicacao da familia e da populacao de Virginopolis. Eles formaram os casais:

1. Francisca Eufrasia de Assis – Joaquim Nunes Coelho
2. Joao Batista Coelho – Maria Honoria Nunes Coelho
3. Eugenia Maria da Cruz – Francisco Marcal de Magalhaes Barbalho
4. Antonio Rodrigues Coelho – Maria Marcolina Borges do Amaral

B. NUNES COELHO

Registra-se que esta familia teria sido iniciada pelo seu ancestral mais antigo conhecido, Manuel Nunes Coelho. Deste teria nascido Euzebio Nunes Coelho, que se casou com Anna Pinto de Jesus. Teriam residido na Fazenda Folheta, em Dom Joaquim, onde lhes nasceram alguns filhos. Com a fundacao do Arraial de Sao Miguel e Almas trocou a residencia pela Fazenda do Grama, que fica entre Guanhaes e Sabinopolis. Os filhos do casal e respectivas esposas conhecidas foram:

01. ten. Joaquim Nunes Coelho – Francisca Eufrasia de Assis
02. cap. Francisco Nunes Coelho – Maria Augusta Cesarina de Carvalho
03. Antonio Nunes Coelho – casado, residia em Pecanha
04. Bento Nunes Coelho
05. Manoel Nunes Coelho
06. Clemente Nunes Coelho – foi casado

Os dados mais antigos que tinhamos nao levava em conta o filho Manoel Nunes Coelho com registro de nascimento em Santo Antonio de Santa Barbara. Como nao temos o nome da Igreja em que ocorreu o batismo podera ser qualquer das antigas Freguesias de Santa Barbara, incluindo-se Itabira.

Clemente Nunes Coelho foi o pai de Maria Honoria Nunes Coelho, a esposa de Joao Batista Coelho.

Maria Augusta Cesarina de Carvalho e Maria Marcolina Borges do Amaral, esposa de Antonio Rodrigues Coelho, eram netas dos fundadores do Arraial de Sao Sebastiao dos Correntes, atual Sabinopolis. Eram primas em primeiro grau.

C. FAMILIA OLIVEIRA FREIRE

Sera preciso postar aqui tambem o inicio da Familia Oliveira Freire para facilitar o discernimento que deveria ser feito dentro do que foi chamado de Familias Coelho por dona Maria Filomena e pelo publico em geral. O resumo eh este:

Candido de Oliveira Freire, conhecido como Candinho Velho, foi o marido de dona Bernardina Oliveira. Eles foram pais dos seguintes filhos:

01. Candido (Candixinho) de Oliveira Freire – Anna Honoria Coelho
02. Joao Candido de Oliveira – Maria Pinto Coelho e Estefania Cafe
03. Joaquim Candido de Oliveira – Anna Pinto Coelho
04. Maria Candida de Oliveira – Alexandre
05. Maria Tereza de Oliveira – Leonel Coelho de Oliveira
06. Quiteria de Oliveira – Joao Neto e Afonso Coelho de Oliveira
07. Antonio Candido de Oliveira – Virginia Honoria Coelho

Agora, juntando estes dados que ja temos, podemos unir varias das familias mencionadas por dona Maria Filomena em uma so, a que se formou a partir da fusao das FAMILIAS COELHO DE MAGALHAES e NUNES COELHO. Assim, as Familias: Batista Coelho ou Joao Coelho da Rocha, Familia Nunes Coelho, Antonio Rodrigues Coelho ou Antonio Coelho da Rocha, Familia Magalhaes Barbalho sao tambem Coelho em sua totalidade.

A familia Coelho de Oliveira, mencionada por dona Filomena, foi um ramo das tres familias: OLIVEIRA FREIRE, NUNES COELHO e COELHO DE MAGALHAES. Antonio Candido de Oliveira era irmao do Candixinho. E Anna Honoria era irma de Virginia Honoria.

Como se pode observar pelo resumo acima, a FAMILIA OLIVEIRA FREIRE virou praticamente toda COELHO + OLIVEIRA FREIRE. Contudo, ha que se fazer uma distincao ai. Os conjuges que assinavam PINTO COELHO e os que assinam COELHO DE OLIVEIRA, sao ramos diferentes de familia Coelho que nao temos a origem `a nossa disposicao. Sabe-se que nao sao NUNES COELHO nem COELHO DE MAGALHAES.

Quem se der ao trabalho de visitar o site de ex-alunos do Santuario do Caraca, e desejar dar uma olhada geral, ano a ano, nas listas de matriculas, observara que os PINTO COELHO pertencem a um ramo de familia antigo em Minas Gerais e estava espalhado por diversas cidades mineiras. Alem dos Coelho de Virginopolis e regiao, foram uma das familias que mais contribuiram para a lista de estudantes do Colegio do Caraca. Sendo que eles estao presentes tanto na primeira quanto na segunda etapas pela qual o colegio passou.

A familia BATISTA DE MAGALHAES eh outra que nao existe sem o COELHO DE MAGALHAES. Isso porque a esposa do bisavo Joao Batista de Magalhaes, Candida de Magalhaes Barbalho, ja era Coelho atraves de sua mae: Eugenia Maria da Cruz, chamada de Eugenia Eufrasia Coelho, na Familia MAGALHAES BARBALHO, do trabalho da dona Filomena.

Joao Batista era bisneto do Policarpo Jose Barbalho e Isidora Francisca de Magalhaes, os pais do cap. Francisco Marcal de Magalhaes Barbalho. Portanto, era primo em segundo grau da propria esposa, e da um carater duplo Magalhaes Barbalho `a descendencia de ambos.

Como ja afirmei, a FAMILIA PEREIRA DO AMARAL comeca, em Virginopolis, com JOAQUIM PEREIRA DO AMARAL e MARIA ROSA DOS SANTOS CARVALHAIS. O Ernesto Pereira do Amaral era filho. E os filhos deles casaram quase todos com membros das FAMILIAS COELHO. Portanto, viraram Coelho apesar da assinatura nem sempre lembrar isso.

D. FAMILIA COELHO DE ALMEIDA.

Esta familia talvez esteja pouco visivel em Virginopolis e somente pode ser enxergada atraves da genealogia. O ancestral conhecido mais antigo dela eh Antonio Coelho de Almeida. Consta que comecou a familia na Cidade de Congonhas do Campo. Ele foi o pai de Anna Maria de Jesus, esposa de Malaquias Pereira do Amaral. Estes constam tambem como fundadores de Sabinopolis e sao avos da Maria Marcolina Borges do Amaral, esposa de Antonio Rodrigues Coelho. Eh provavel que sejam tambem avos de Joaquim Pereira do Amaral.

Outro que consta como fundador de Sabinopolis chamava-se Manoel Coelho de Almeida. Tenho evidencias que indicam parentesco proximo entre Manoel e Anna Maria de Jesus. E ha a possibilidade de os Coelho de Almeida terem gerado parte das Familias Almeida da regiao. Portanto pode existir parentesco oculto entre os Almeida, Pereira do Amaral e, com certeza, os Rodrigues Coelho.

E. FAMILIA COELHO DE ANDRADE

Dona Maria Filomena nao deu destaque para essa familia embora a mencione no subtitulo MAGALHAES BARBALHO. Os ancestrais mais antigos conhecidos dela sao os mencionados Joaquim Coelho de Andrade e Joaquina Umbelina da Fonseca. Em Virginopolis, quem multiplicou a familia foi a bisavo Hercilia Coelho de Andrade que foi a esposa do bisavo Marcal de Magalhaes Barbalho. O ramo eh relativamente pequeno.

Contudo, Joaquim e Joaquina tiveram outros filhos cujos nomes de descendencia ainda nao temos em nossos bancos de dados. Recentemente entramos em contato com a descendente de Jose (Juca Honorio) Coelho de Andrade. Possivelmente foi irmao de Hercilia. Contudo, sabe-se que a familia nao se limita aos dois. Houveram outros e a base de multiplicacao deles foi o chamado Corrego dos Honorios, que fica na Cidade de Divinolandia de Minas.

Existem diversos membros da Familia dos Honorios que circulam no territorio virginopolitano. Noticias nos dao conta que estao radicados em outros municipios como o de Gonzaga tambem. Provavel sera que diversos outros sobrenomes da regiao possuam miscigenacao com a Familia, porem, ha que se pesquisar para saber-se quem faz parte.

O meu interesse nessa familia eh dobrado, pois, a familia da minha esposa eh tambem “Soares e Andrade” e foi multiplicada na mesma regiao que a Coelho de Andrade. Alem disso, tem tambem o Fonseca como ancestral, que poderia ser o mesmo da trisavo Joaquina Umbelina da Fonseca.

F. FAMILIA COELHO DE OLIVEIRA

De antemao posso informar que existe uma FAMILIA COELHO DE OLIVEIRA, contudo, que nao sera aquela mencionada pela dona Filomena, que poderia ter aprofundado um pouco mais os estudos para descobrir que a familia identificada por ela era um ramo das Coelho e Oliveira Freire. Vou resumir o que ja vi com mais um diagrama:

01. Januario Coelho de Oliveira – Ilidia Augusta de Lacerda
02. Afonso Coelho de Oliveira – Quiteria de Oliveira Freire
03. Leonel Coelho de Oliveira – Maria Teresa de Oliveira Freire
04. Demetrio Coelho de Oliveira – Marcolina Honoria Coelho
05. Carlos Coelho de Oliveira – Gabriela Andrada Oliveira
06. Urias Coelho de Oliveira – Graciana da Costa Coelho

Bom! O que tem estes personagens em comum, alem do sobrenome ser o mesmo? Algo bem interessante! Tem idades semelhantes. Acredito que sejam nascidos por volta de 1850 a 1870. Poderiam ser irmaos mas nada posso afirmar. O destaque aqui vai para os senhores Januario e dona Ilidia. Eles formaram a familia Coelho de Lacerda e que eh muito numerosa nos arredores de Virginopolis. Atualmente, inclusive, esta bastante misturada com os outros Coelho.

Quanto ao Afonso e ao Leonel, temos as mencoes a eles casados com pessoas ligadas `as Familias de Virginopolis, contudo, nao temos suas descendencias. Dai nao podemos afirmar o rumo tomado por elas.

O Demetrio casou-se na familia do Joao Batista Coelho, contudo, levou a descendencia para Coroaci, onde esta devera estar misturada com a descendencia de outros fundadores e outras familias que chegaram depois, inclusive algumas de Virginopolis, como a dos tios Miguel Nunes Coelho e Ambrosina de Magalhaes Barbalho. Mas nem destes temos um acompanhamento mais aprofundado por enquanto.

Acrescentei os outros dois mais para nao deixar passar a oportunidade. Encontrei-os no sitio do geneaminas.com.br. Com o destaque que o Carlos se casou na familia do Jose Bonifacio de Andrada, o Patriarca da Indepencia do Brasil. Se acaso todos forem irmaos, provavelmente esta familia Coelho de Oliveira devera ter sido oriunda de algum nucleo abastado nos seculos XVIII e XIX. E a olhar pela simplicidade dela em Virginopolis, jamais se diria isso pelas aparencias.

A familia do senhor Urias esta no sitio, porem, nao a estudei. Infelizmente para nossos estudos, todos estao sem pai e sem mae.

Existem evidencias, mesmo que tenues, para que eu suspeite que pelo menos os quatro primeiros Coelho de Oliveira acima tenham procedencia em Sao Joao Evangelista. A tradicao afirma que os Coelho de Lacerda procedem de Itambe (nao especifica se dos antigos Itambe do Mato Dentro ou Itambe do Serro). Mas sera tambem possivel que o Lacerda deles venha sim de um destes.

Uma pequena evidencia eh a presenca do nome Demetrio, inclusive dado para o sexo feminino na forma de Demetria, entre os primeiros habitantes de Sao Joao Evangelista. Outra evidencia sera a narrativa do professor Pimenta no livro dele, onde a familia Coelho da Rocha eh pouquissimo acompanhada em termos de descendencia masculina. A descendencia do casal Maria Coelho da Silveira e cap. Ildefonso da Rocha Freitas somente eh melhor acompanhada no que se trata `as filhas Maria Candida de Jesus e Delfina Maria, que parece ter adotado o Goncalves do marido.

Maria Candida foi esposa de Manoel Neto da Silva e Delfina Maria de Antonio Pedro Goncalves. Posteriormente a descendencia destes se mistura com a de outros primeiro moradores, particularmente com os Pimenta e os Borges do Amaral, nossos parentes. Sem contar ai que esta eh a raiz da familia da tia Iracema de Campos Goncalves, esposa do tio Salathiel Batista Coelho.

Como as descendencias de lado masculino do casal Coelho da Rocha nao sao acompanhadas, nisso ha a evidencia que podem ter se mudado para outras paragens, em busca das novas oportunidades que a colonizacao do Vale do Rio Doce ofereceu no final do seculo XIX e inicio do seculo XX. Deve ter sido por isso que o Demetrio Coelho de Oliveira foi a Virginopolis para casar-se com a tia Marcolina Honoria Coelho, mas seguiu em frente para tornar-se um dos fundadores de Coroaci.

Junto com os senhores Maria Coelho da Silveira e Ildefonso da Rocha Freitas, foram primeiro moradores de Sao Joao Evangelistas alguns dos irmaos de ambos. Mas o primeiro residente mencionado, das barras do Corrego Sao Nicolau, foi o senhor Nicolau Jose de Oliveira. Ou seja, existe ai a oportunidade de a Familia Coelho de Oliveira ter-se formado a partir dessa mistura, porem, as descendencias nao foram estudadas pelo professor Pimenta.

E me pergunto se a trova antiga que meu pai gostava de cantar para as criancas nao tenha vindo de la! Era assim:

Nicolau tinha uma flauta
A flauta era de pau.
Sua mae sempre dizia:
Toca a flauta Nicolau.

Porem, as minhas consideracoes genealogicas sao apenas especulativas. Precisamos de evidencias mais concretas para afirmar ou negar tal hipotese.

G. FAMILIA COELHO DA SILVA

Ja ha algum tempo tive noticias da existencia desse sobrenome entre os virgionoplitanos, porem, passou-se um bom tempo sem que eu encontrasse umas poucas informacoes preciosas a respeito dela.

Suspeito que ela tenha sido encaminhada para Virginopolis pelo padre Joaquim Gomes Coelho da Silva. Ele foi o paroco ate 1896. Teria idade para ser irmao do patriarca da familia. Alias, vou reproduzir abaixo um quadro que esta no site da Diocese de Guanhaes, onde a Paroquia de Virginopolis tem uma pagina, e tras informacoes preciosas como esta:

Vigário – Pe. Bento Ferreira
Vigário – Pe. Virgolino José Batista Nogueira
Vigário – Pe. Joaquim Gomes Coelho da Silva até 1896
Vigário – Pe. Félix Natalício de Aguiar de 1897 até 1949
Vigário – Pe. David de Alcântara Miranda de 18/07/1949 a out/1957
Vigário – Pe. Geraldo Brauwer de 04/10/1957 a Jan/1960
Vigário – Pe. João Avelino Reis 17/01/1960 a 16/06/1961
Vigário – Pe. David de Alcântara Miranda (2ª vez) de 02/07/1961 a fevereiro de 1962
Vigário – Monsenhor Francisco Batista dos Santos de 11/02/1962 a 31/12/1968
Vigário – Pe. Bernardo Odenkirchen de 01/01/1969 a 23/04/1986
Vigário – Pe. Pedro João Daalhuizen de 27/04/1986 a 08/08/2003
Vigário – Pe. Saint Clair Ferreira filho de 09/08/2003 a 31/07/2005
Vigário – Pe. Jacy Diniz Rocha 01/08/2005 a janeiro de 2011.

A minha suspeita pode ate nao ter fundamento, pois, pode tambem ser que a Familia Coelho da Silva ja estivesse presente na cidade e o padre ter sido um filho que retornou ao torrao natal. Porem, minha suspeita baseia-se no fato de que naquela epoca, quando os conhecimentos medicinais eram bastante pequenos e a expectativa de vida era baixissima, o sonho de toda mae era ter um filho padre.

E realmente muitas viam seus desejos satisfeitos porque a vida das pessoas era muito simples e muito ligada `a “Santa Madre Igreja”. Ser padre, independetemente da profissao de fe e da vocacao genuina de muitos, era o mesmo que ser uma personalidade midiatica hoje em dia. Era como ser um cantor, um jogador de futebol ou um pastor evangelico ultimamente.

Porem existia aquele lado que incitava os coracoes maternos tambem. Com um filho padre, a familia se cobria com um seguro previdenciario, valido tanto na terra como no Ceu. Claro, o padre cuidaria das necessidades espirituais da familia. Mas, por outro lado, sendo ele paroco de qualquer lugar, tornava-se frequentemente o arrimo da familia, ja que os pais e as maes, frequentemente, partiam deixando toda uma prole menor desamparada. Portanto, era comum para onde o padre ir, levar consigo os irmaos menores.

Este eh um fato com paralelo na Familia de Magalhaes Barbalho. Policarpo Jose Barbalho ficou viuvo de Isidora Francisca de Magalhaes, antes de 1838. Com filhos nascidos ate pelo menos em 1824, era provavel que houvesse alguns nascidos depois de 1824. Em 1838, um dos filhos mais velhos, Emigdio de Magalhaes Barbalho, iniciou o seminario, indo ordenar-se em 1845. Dirigindo-se para Guanhaes, levou uma parte da familia que estava em dificuldade em Itabira.

O pai, Policarpo, ja viuvo, resolveu tambem entrar para o seminario e ordenou-se padre quando ja estava em idade avancada. E o filho, Francisco Marcal de Magalhaes Barbalho, irmao do padre Emigdio, tornou-se o patriarca maior da familia “de Magalhaes Barbalho” da area. E foi o padre quem levou Francisco Marcal para Guanhaes. Mais tarde, os tios Francisco Marcal e padre Emigdio acolheram a sobrinha, Anna de Magalhaes, que estava gravida. O pai biologico pode ter sido um membro da sociedade itabirana, que ja era casado. Assim nasceu Joao Batista de Magalhaes.

Eu ja havia encontrado o pedido de uma pessoa, via internet, que procurava informacoes a respeito da familia dela que era a Coelho da Silva, radicada em Sao Geraldo da Piedade. As unicas pessoas, em Virginopolis, que tinha noticia de que assinaram Coelho da Silva eram o padre Joaquim Gomes e dona Nair Coelho da Silva, esposa do Alipio da Silva Coelho. Pagina 229 do livro da Ivania. Mas a Maria de Lourdes, esposa do Sergio da Silva Coelho, pagina 230, tambem adotou o sobrenome. E esta ja era Coelho de Magalhaes, por ser filha do Candido Coelho de Magalhaes e Alzira Coelho Perpetuo, pagina 160. Nao saberia dizer se o sobrenome da dona Nair tambem vem por adocao.

Mas, retornando ao Coelho da Silva legitimo, o que abriu-me os olhos foi a postagem no geneaminas dos nomes Gilberto Coelho da Silva e Marciana Soares de Souza. Eles foram postados pela Elaine Maria de Souza Soares, filha do senhor Gabriel Sebastiao Soares, muitissimo conhecido como Gabi Gilberto.

De repente descortinou-se uma janela ampla para o conhecimento da presenca da familia em Virginopolis. Como tambem eh sabido que o senhor Chico Gilberto era irmao, temos ai ja dois troncos da Familia Coelho da Silva que, apesar de muito conhecida pessoalmente, estava oculta aos meus olhos, por causa da minha ignorancia.

Inclusive, em observacao `a mencao de dona Maria Filomena no livro Historia de Virginopolis do nome: Gabriel Coelho Soares, talvez eu possa ate ser malinterpretado ao ter dito que o seo Gabi ate poderia ter ancestral Coelho, porem, o nome dele era Gabriel Sebastiao Soares. E a minha intencao foi unicamente de passar para frente uma informacao que tinha em maos. Na verdade, o nome dele havia sido passado pela neta Ailene, ou Du do Odilon. Ela soube dizer-me os nomes dos avos, que se encontram na pagina 173 do livro da Ivania, porem, sem sobrenomes ali.

Em resumo, existe sim uma familia com o sobrenome Coelho da Silva em Virginopolis. E acredito que o sr. Gilberto e dona Marciana deverao ter tido mais filhos que talvez possam ter conservado este nome de familia. Mas, ate onde sei, o sobrenome esta oculto no sangue das pessoas, pois, o senhor Gabi casou-se com a dona Gininha que procede dos Coelho de Magalhaes e tambem dos Nunes Coelho. Ja o senhor Chico Gilberto casou-se na familia Lino de Souza, porem, as duas filhas, donas Lulu (Maria de Lourdes) e Maria do Socorro casaram-se na mesma mistura. Dai nao eu ter feito a ligacao entre o Coelho da Silva e pessoas conhecidas de minha parte.

Ainda bem que atrasei-me na publicacao da presente revisao. Pois, tive tempo de encontrar grande novidade em relacao a este sobrenome. Embora nao seja nada novo para os familiares Coelho da Silva, eh novo para quem ignorava os fatos, como eu. Bom, vez por outra alguem pedia-me alguma informacao a respeito de dona Adelaide Coelho e eu podia apenas informar que ouvira o nome diversas vezes em minha vida mas faltava-me um norte para afirmar quem era.

Com a publicacao de uma foto de uma casa antiga no centro de Virginopolis, que cedera lugar para a atual agencia do Banco do Brasil e outras reparticoes, bem na Praca da Matriz, as informacoes vieram `a tona. A casa fora construida para abrigar a familia dos avos Cista e Zulmira. Depois passou por um periodo como pensao da dona Adelaide Coelho da Silva. Esta ultima informacao foi lembrada nas postagens anexadas `a foto pelo primo Hernani Rodrigues Coelho.

Aproveitei para perguntar a ele se se lembrava quem era. Respondeu-me ter sido a mae de 3 pessoas conhecidas. O companheiro Valentim Ferreira, entao, completou um quarto filho, e lembrou uma tradicao dizendo que ela cantara uma resposta ao senhor Gabi Gilberto, que lhe pedira de volta a casa. Ela teria alegado ter quatro filhos para criar, entao, nao poderia faze-lo. Como o nome do senhor Abel Lima havia sido lembrado como um dos filhos, logo conclui que haveriam pelo menos mais dois, a dona Zinha e o senhor Joao “Cotoco” ou Joao “Sem Braco”. Apelido que recebera por ter perdido o antebraco e a mao nalgum acidente.

Nenhum de nos tinha certeza absoluta. A Mere Lima, contemporanea de meus tempos e filha do senhor Tarcizo Lima, confirmou todos os nomes. Sugeri, entao, atraves dos cruzamentos das informacoes que ja tinhamos, que dona Adelaide teria tambem sido filha do senhor Gilberto e dona Marciana. Ela nao teve condicoes de confirmar mas prometeu verificar isso quando pudesse com o pai dela. Antes disso, porem, a Vera Lucia de Souza e Lima entrou na conversa, confirmando que ate a minha suposicao estava correta.

Vera Lucia de Souza e Lima eh filha do senhor Jose Soares de Lima e dona Maria Efigenia de Souza. Um casal que fizera Historia em Virginopolis antes mesmo de eu entender-me por gente. Eles residiram em uma casa antiga que ficava na praca abaixo da Praca da Matriz. Quando demolida cedeu lugar para residencia do Wilton Perpetuo ou, Wilton do senhor Moises. O comodo comercial da construcao foi ocupado pela agencia do Banco do Brasil, antes de ser transferida. A familia foi vizinha do avo Juca Coelho e tiavo Anisio Rodrigues Coelho. Conheci-a quando crianca.

Mais tarde o Hernani acrescentou que os pais de dona Efigenia haviam sido vizinhos de fazenda dos pais dele. E se chamavam Gabriel e Maria.

Assim constatou-se que os senhores Gilberto e Marciana tiveram pelo menos 3 filhos: dona Adelaide, e senhores Gabi e Chico Gilberto. E as consequencias disso foram o eu constatar que boa parte dos moradores do meu tempo de crianca, inclusive familiares muito proximos, sao Coelho da Silva. Para melhor exemplificar do que se trata, apresento mais um diagrama de familia. Dona Adelaide foi esposa do senhor Joao Marcal de Lima:

Joao Marcal de Lima – Adelaide Coelho da Silva foram os pais de:

01. Jose Soares de Lima – Maria Efigenia de Souza
02. Abel Natalicio Soares de Lima – Maria Marcolina Coelho (54) + Carmelita de Aguiar Coelho (61)
03. Abelar Natalicio Soares de Lima
04. Joao Soares de Lima
05. Osvaldo Soares de Lima
06. dona Zinha – Paulo Ferreira
07. Tarcizo Soares de Lima – Helena Santos

Confesso que em minha ignorancia nao tinha a menor ideia de como o senhor Jose Soares se encaixaria na Arvore Genealogica geral das familias de Virginopolis. Ja havia encontrado um meio de encaixar a familia dele, pois, os netos Ricardo e Dartagnan casaram-se com pessoas dos outros Coelho. Contudo ignorava completamente que ele tivesse uma relacao de descendencia como esta. Estava sendo o meu proposito mapear na Arvore Genealogica todas as pessoas que residiram no centro da cidade antes de alcancar as ruas perifericas, portanto, mesmo sendo vizinhos de meus pais, nao imaginava que houvessem vinculos tao claros assim.

O Hernani havia recordado que `a epoca de juventude dele os senhores Jose e Efigenia usavam um salao anexo `a residencia como sala de exibicao de cinema e para bailes. Duas artes que ele passou a conhecer atraves disso, e a danca continua fazendo parte da vida dele. Alem disso, dona Efigenia era poetisa, organista da Igreja Catolica, alem de o casal tomar parte nas decisoes politicas no municipio.

O casal era exemplo para a cidade mas se mudou dela quando eu era ainda crianca. Assim, nao sou a pessoa mais indicada para tecer elogios a estas pessoas, porque ao bem dizer da verdade, estava com eles pessoalmente mas nao os conheci plenamente. Penso ser melhor tomar de emprestimo uma postagem no blog da prima Celina Rabello. O endereco eh: http://joserabello1.blogspot.com/2011/03/marfisa-14011968-peneira-n-07-texto_21.html. E Marfisa eh o apelido da dona Efigenia.

Algo muito interessante que a Vera Lucia passou-nos foi que o pai dela foi o filho mais velho de dona Adelaide. E que fora criado pelos avos, Gilberto e Marciana. Contava ele que o avo lhe dizia ter ascendencia na antiga Guiana Francesa (Suriname). E que ate mesmo falava um dialeto que lembrava o frances. Ela tambem destacou que o senhor Gilberto era preto e que dona Marciana havia nascido em um local chamado Morro da Garca, nas proximidades de Curvelo.

Foi para mim uma agradavel surpresa ter essas informacoes. Em parte porque, comprovando-se a tradicao, vejo com boa possibilidade alguem da familia: genitores ou avos, realmente procederem do Suriname e estar relacionado com um fato historico que envolve a Historia Universal, com participacao brasileira e portuguesa. Isso aconteceu quando Napoleao Bonaparte mandou invadir Portugal. D. Joao VI antecipou-se ao genio militar e fugiu com a corte portuguesa e chegando ao Brasil em 1808.

Em represalia, as forcas lusobrasileiras ocuparam a possessao francesa no Norte da America do Sul, devolvendo-a somente apos a derrota final de Napoleao, e apos ao Tratado de Versalhes, do qual o Brasil participou na condicao de sede de uma corte europeia.

O resultado disso eh haver mesmo a possibilidade de alguem da forca expedicionaria lusobrasileira ter levado alguem de procedencia do Suriname. Sera possivel que este tenha gerado por via direta (paterna) ou indireta (como avo) o senhor Gilberto. Interessante eh que o nome Gilbert era muito comum entre os franceses.

Caso a tradicao seja comprovada, o fato poderia ser usado em salas de aulas na cidade para despertar o interesse dos alunos por este capitulo da Historia Universal, pois, haveria o exemplo de um morador da cidade com vinculos parentais com pessoas envolvidas na operacao desencadeado por brasileiros e portugueses. Com vinculos parentais tambem com muitos descendentes que serao alunos. Nao seria como estudar uma Historia alienigena e sim uma Historia de Familia.

Uma informacao que possuo eh a de que o senhor Abel Natalicio teve mais que duas esposas. Nao tenho o acompanhamento genealogico deste complemento mas sim o das duas primeiras porque a primeira era minha tia, irma de minha mae, e a segunda foi filha dos tiosavos Armando Batista Coelho e Maria das Dores Aguiar. Entre as filhas da tia Maria, a Marlene foi a esposa do Humberto (Guelo) de Magalhaes Barbalho e a Marly eh a esposa do Jose das Dores Albuquerque, conhecido `a epoca mais pelo apelido de Cabo Deh.

O mais inusitado na informacao de que o senhor Gilberto tivesse origem africana esta no fato de a descendencia ser em sua maioria de visual branco. Inclusive, ao que me recorde, `a minha epoca de infancia tinhamos muitos exemplos de familias com filhos loiros. Eu proprio era e continuo tendo um visual mais europeizado. Mas entre as familias que recordo pelo loiro dos cabelos dos filhos, os mais exuberantes eram os da descendencia Knipp, primos nossos com ascendencia alema; os Marcatti e sua ascendencia italiana, alem dos filhos da Marlene e Guelo e do Tarcizo Lima e dona Helena.

O Ronaldo, filho dos senhores Tarcizo e Helena era tao loiro que tinha o apelido de Veio. A Milce, Tarcilena e Romercy tambem eram bem loiros. Ja o Cizinho (Tarcizo Filho) e a propria Mere Lima tinham cabelos puxados para o castanho.

Entre os filhos da Marlene e do Guelo o loiro dos cabelos se destacavam mais nos filhos: Valeria, Denise e Gladiston. Com um detalhe que transforma a informacao quase num fato inusitado e, provavelmente, do desconhecimento da maioria das pessoas que conviveram com eles, pois, a Marlene procede de tres ramos africanos diferentes. Alem do senhor Gilberto ela eh bisneta do Joao Batista de Magalhaes, o tio Joaozinho e tambem da trisavo Maria Honoria Nunes Coelho. O Humberto era bisneto da mesma Maria Honoria.

Fatos como este deveriam ser melhor divulgados como agora o estou fazendo para que pudessemos celebrar com melhor proveito a diversidade racial. Claro, nao estou aqui me esquecendo da parte da descendencia que possui a tonalidade escura da cor da pele e cabelos. O que quero apontar eh para o fato de sermos mistura de todas as racas do mundo, nao importa a aparencia que tenhamos. Em ultima analise, ninguem eh melhor que outro por causa de sua aparencia.

Penso que a familia dos senhores Jose Soares e Efigenia foi prejudicada no sentido de eles nao receberem as costumeiras homenagens postumas dedicadas ao benfeitores locais. Eles mereciam ser nomes de ruas ou de alguma reparticao cultural mas, por terem se mudado da cidade, estao esquecidos.

Imagino que a casa deles tenha sido um areopago na cidade. Devia ser o ponto de encontro dos sabios locais e servia de iniciacao para a juventude nas artes culturais. Devia ser algo bom de se ver uma reuniao de poetas como a propria dona Efigenia, tia Memeh, dr. Rabellinho e outros. Jovens da epoca deles como dona Bernardete Campos, Maria Helena irma desta, Angelo da dona Geni e muitos outros devem ter tirado grande proveito desta grande oportunidade.

As pessoas que vivem hoje e possuem internet, celular, televisao e outros meios de comunicacao nao fazem ideia do que era ser culto ha 50 ou mais anos atras. As dificuldades eram enormes. O recurso que se tinha eram os radios e os telegrafos. Poucos recebiam jornais escritos, que chegavam com dias de atraso. Em epoca de chuvas as estradas tornavam-se intransitaveis. Frequentemente faltava energia eletrica.

Mesmo assim, Virginopolis tinha o privilegio do cinema, sempre se cultivou a danca e a musica. Muita gente sabia tocar instrumentos musicais. A poesia era uma das formas de cultura melhor cultivada por muitos. Haviam seroes e apresentacoes. Ate um pequeno anfiteatro existia no antigo ginasio. Lembro-me ate hoje de cenas de uma peca apresentada pelos comediantes: tio So Li e o atual dr. Silvestre. Este ainda uma crianca que fazia o papel de um traquina, enquanto o velho tio, ja na terceira idade, representava um idoso que sofria na pele as peraltices do menino.

Lia-se muito, explorando-se principalmente os classicos da literatura mundial. Muitos sabiam linguas como o latim, o frances e o ingles. Estes eram capazes de ler os classicos nas linguas estrangeiras.

Mas tudo se perdeu com a entrada da ditadura militar em 1964. Optou-se pela massificacao do ensino sem fazer preparo algum para isso. Assim, o pouco da qualidade que existia foi se perdendo com o tempo. Nos da nossa geracao, que nao passavamos de criancas tenras ainda fomos os mais prejudicados. A musica que restou foi a marcial dos desfiles de 7 de setembro.

Passou a ser quase uma atitude subversiva cultivar-se a boa musica brasileira, pois, os grandes compositores da epoca passavam mensagens de protesto e reflexao. As radios quase que so tocavam musicas em ingles e a musica nacional que tinha acesso facil aos meios de comunicacao era versoes daquelas. E toda ditadura no mundo prima por suprimir a liberdade do pensamento, pois, pensar ensina a argumentar. E o argumento cria criticismo em relacao aos malfeitos. E nada eh mais detestavel `as ditaduras que criticas a seus defeitos.

Voltando `a descendencia dos senhores Gilberto e Marciana, existiam diversas casas de familias que descendiam deles. Quase todas com criancas na minha idade e com as quais gozo ate hoje o companheirismo e desfruto o parentesco. Como ja disse, nessa condicao estavam as familias da dona Lulu e Cassio; dona Socorro e Osvaldo Perpetuo; dona Dalva e Joaozinho Lacerda; Joao do Gabi e esposa; Odilon do Gabi e Emidia; dona Conceicao e ti Caco; Tarcizo Lima e dona Helena; Marlene e Humberto (Guelo); Marly e Cabo Deh; dona Zinha e Paulo Ferreira.

Nao recordo tambem do nome da esposa do senhor Osvaldo Lima. Tive pouco contato com a familia do senhor Joao Lima. E dona Zilda, que cedo ficou viuva do Lulu do Ze Soares, criou os filhos sozinha nessa epoca. Devia ser mais de 100 pessoas na cidade. E a maioria absoluta da familia do senhor Gabi nao residia na cidade. Destaca-se inclusive o neto Oto, parece-me ser filho da dona Bijou, que residiu com os tios Conceicao e Caco.

Eh uma pena que o site geneaminas.com.br demore um pouco a efetivar os dados que a gente envia! No ancestry.com a programacao me permite fazer as adicoes e as ligacoes simultaneamente. Assim, pode-se ir postando os dados novos ao mesmo tempo que vai-se fazendo a costura dos encontros genealogicos. No ancestry ja posso enxergar como a familia se imbrinca com as outras. Fica muito mais facil de observar-se as ligacoes parentais e compreender melhor a historia que os personagens tinham uns para com os outros no tempo em que os conhecemos. Mais que uma relacao de vizinhanca esta era acompanhada da consanguinidade.

H. FAMILIA PINTO COELHO

Possivelmente, existira descendencia Pinto Coelho em toda a regiao que esta igualmente oculta. O livro da Ivania nos mostra, `a pagina 19, o casal nascido la pelos anos de 1860: Olympia e ten. Gustavo Pinto Coelho. Ela, neta do cap. Joao Coelho de Magalhaes e Bebiana Lourenca de Araujo. O que nos remonta aos Coelho de Magalhaes iniciais. Contudo nao temos mais que a mencao de como se formou a familia. Nao encontramos ainda a procedencia do ten. Gustavo nem o paradeiro dos filhos.

Como ja mencionei, pelos dados encontrados nos livros de registros do Colegio do Caraca, ha em Minas Gerais uma descendencia enorme dessa familia ou, de outra forma, pode ser mais de uma familia ja que os sobrenomes Pinto e Coelho sao muito comuns. Portanto, nao sera dificil o encontro de ambos fazendo parecer que todos descendem de ancestrais comuns recentes.

De concreto por enquanto, porem, temos a tradicao da familia Furtado Leite de ser descendente extraconjugal do Barao de Cocais. Normalmente a familia na regiao deixou de usar o sobrenome Furtado e reduzindo-o ao Leite. Mais comumente, Nunes Leite, que procede da combinacao Furtado Leite com Nunes Coelho. O que nos faz recorrer ao Barao de Cocais eh que o nome dele era Jose Feliciano Pinto Coelho da Cunha. Esta familia, junto com a Furtado Leite e outras, era a lider no antigo Sao Joao do Morro Grande, que no seculo XX tomou o nome de Barao de Cocais, devido a seu cidadao mais ilustre.

Falta-nos apenas descobrir a ligacao entre o Pinto Coelho da Cunha e os Furtado Leite numa relacao de ascendencia/descendencia. Quem desejar mais informacoes, pode visitar a pagina: http://www.projetocompartilhar.org/Familia/PintoCoelhodaCunha.htm, para perceber que o sobrenome Pinto Coelho da Cunha ja era usado antes do Ciclo do Ouro em Minas Gerais. Por enquanto nao sei dizer se o Pinto Coelho sozinho e o acompanhamento da Cunha tem a mesma origem. Se for, isso so complica a situacao da consanguinidade no Estado ja que a diferenciacao do sobrenome nao altera a genetica.

De qualquer forma, estamos cientes de que Virginopolis possui, pelo menos, 7 origens diferentes da assinatura Coelho, embora isso possa nao ser necessariamente uma verdade. Explicarei `a frente.

I. OUTROS COELHO

Existem outros Coelho na regiao que serao tidos como Coelho diferentes. Entre eles temos:

a) COELHO DA SILVEIRA

A chegada dele esta descrita no livro “A Mata do Pecanha, sua Historia e sua Gente”. Segundo o prof. Dermeval Jose Pimenta, foi trazido de Portugal, por volta de 1830, com a familia de dona Maria Coelho da Silveira. Foi a esposa do cap. Ildefonso da Rocha Freitas. Eles se estabeleceram `as margens do Corrego Sao Nicolau, fundaram a Fazenda de Sao Joao e, em testamento, cederam as terras para a construcao do Arraial de Sao Joao Novo, hoje Sao Joao Evangelista, que iniciou-se em 1875.

A filhos adotaram o sobrenome Coelho da Rocha. Coincidindo com o mesmo sobrenome encontrado nos fundadores de Guanhaes. Contudo ainda nao se sabe se havia parentesco proximo entre eles.

O que se pode eh especular, ja que os Coelho de Magalhaes sao ditos proceder de Portugal. Por nao sabermos as origens exatas de ambos os Coelho pode-se esperar que o portugues Jose Coelho de Magalhaes estabelecido por volta de 1780 nos arredores de Conceicao do Mato Dentro, naturalmente, 50 anos depois, os filhos daquele poderiam ter alguma comunicacao com familiares em portugal.

Os filhos do Jose ajudaram a fundar Guanhaes e logo em seguida os Coelho da Silveira e os da Rocha Freitas se estabelecem na vizinha Sao Joao Evangelista. O que se pode imaginar eh que alguem tenha lhes soprado um bom local para se estabelecerem. Claro, este alguem poderia ser quem ja tivesse algum vinculo parental. Mas isso eh apenas especulacao.

Outra especulacao que podera ser feita sera em relacao aos COELHO DE OLIVEIRA acima mencionados. O morador mais antigo das margens do Sao Nicolau foi o senhor Nicolau Jose de Oliveira. Pode ser que o Coelho de Oliveira tenha surgido a partir da combinacao deste Oliveira com o Coelho da Silveira. Contudo, o professor Dermeval ficou nos devendo o acompanhamento genealogico de ambas as familias para comprovarmos ou descartarmos esta hipotese. Ha que se fazer pesquisas para elucidar a questao.

Nao podemos afirmar que os Coelho da Silveira misturaram-se com os de Virginopolis, porem, o contrario sim. O tiobisavo Salathiel Batista Coelho mudou-se para Sao Joao Evangelista, onde se casou com Iracema Campos Goncalves, que era bisneta do cap. Ildefonso e Maria Coelho da Silveira. Nao tenho noticias da descendencia deles posterior a 1978.

b) COELHO DE MOURA

Familia radicada em Itambe do Mato Dentro e procedente de Portugal. O prof. Manoel Coelho de Moura Guimaraes casou-se com Maria Francelina Pimenta que possuia vinculos familiares com Maria Marcolina Borges do Amaral, esposa do Antonio Rodrigues Coelho. A familia residiu em Sao Joao Evangelista, mas nao temos o acompanhamento atualizado dela. Alguns ramos estao acompanhados ate `a data de 1965, atraves do livro A Mata do Pecanha, sua Historia e sua Gente.

c) COELHO DE LINHARES

Outra familia Coelho cuja origem o professor Dermeval nao menciona. Deixou escrito que o senhor Antonio Coelho Linhares nasceu em 1826 e era eleitor em Sao Joao Evangelista em 1871. A familia entrelacou com os Coelho da Silveira. A possibilidade de existirem ligacoes com Virginopolis eh consideravel.

d) COELHO DA COSTA

Tenho pouquissimas informacoes a respeito dessa familia. Radicada no Serro, dela procede o padre Laffayette Coelho da Costa. Este foi o paroco de Santa Maria do Suacui, onde a crenca popular ja o colocou no altar. Aguarda-se os tramites no Vaticano para saber-se se sera canonizado ou nao. Pelo menos, desde os avos dele a familia ja estava na regiao. Portanto, nao se pode descartar a ideia de que alguem em Virginopolis descenda de algum Coelho da Costa. O sitio da Diocese de Guanhaes da mais informacoes.

CONCLUINDO

Exceto os Coelho da Silveira e os Coelho de Moura que sao mencionados ter chegado ao Brasil diretamente de Portugal, temos aqui um quadro em que, talvez, tenhamos 10 ou mais assinaturas Coelho na regiao, contudo com origem unica. Na pagina 6 do livro, a Ivania Batista Coelho cita o professor Nelson Coelho de Senna, e extraio aqui esta parte:

“De uma cronica da familia COELHO constam os seguintes apontamentos: “O fundador dessas familias norte-mineiras foi, no sec. XVIII (1774) o ja referido portugues MANUEL RODRIGUES COELHO,…” Na sequencia, encontra-se mais estas informacoes a respeito dele e da familia: “Era homem de cabedais, muitos escravos e pagava avultados quintos de ouro a sua magestade Fidelissima. Do Inficcionado (hoje Santa Rita Durao, comarca de Mariana) seus descendentes se passaram a outros lugares dos atuais municipios de Santa Barbara, de Itabira do Mato Dentro e Conceicao do Serro.”

Pode significar que nao seriam 7 Familias Coelho em Virginopolis mas apenas uma e unica. Isso porque 6 delas poderao ter suas assinaturas com origem na mesma pessoa e os Pinto Coelho, nao sendo descendentes, estao misturados `as outras.

Tenho noticias da presenca da assinatura Coelho bem mais ao norte que a cidades acima mencionadas, ou seja, regiao de Itamarandiba e Minas Novas, ja por volta de 1750. E nao se pode descartar a possibilidade de descender do mesmo portugues, pois, ele foi tesoureiro da Camara Municipal de Vila Rica em 1719. Ja deveria ter filhos crescendo. Por volta de 1750 havia o declinio das lavras velhas. Seria natural que a descendencia de um minerador antigo tentasse a sorte nas “minas novas”. Ai pode estar a origem de mais Coelho na regiao dominada pela antiga Vila do Principe, atual Serro.

Mesmo geneticamente nao teria grande importancia que ele desse origem a pelo menos 10 das familias mencionadas acima, desde que a descendencia tivesse se casado em geracoes diversas com pessoas nao aparentadas. O problema eh o seguinte, conhecendo o comportamento matrimonial de nossos ancestrais mais recentes, podemos imaginar que esta esperanca esta mais para va filosofia que algo de utilidade. Para conferir, so mesmo fazendo o levantamento genealogico de todas para, no minimo, desencargo de consciencia.

Tenho feito algum esforco de memoria para ver se consigo recordar alguma pessoa que reuna em si pelo menos as sete assinaturas Coelho da cidade. Eh dificil encontrar tal pessoa porque nao temos um melhor acompanhamento de todas. Contudo, nao eh dificil imaginar que em breve teremos esse recorde conquistado de, em tao poucas geracoes, reunir-se 7 denominacoes Coelho numa mesma alma.

E nao estou contando com aquelas vezes onde o mesmo Coelho se repete. Os filhos de meus pais reunem 6 vezes a descendencia dos Coelho de Magalhaes, uma vez o Coelho de Andrade, duas o Nunes Coelho e mais duas o Coelho de Almeida. Alem disso, existe outro Coelho que nao mencionei. Encontrei-o tambem no sitio geneaminas.

O prof. Pimenta, fazendo o acompanhamento dos ancestrais, ja havia estabelecido o Joao de Sousa Azevedo como um deles. Ele foi o primeiro sogro do sextavo Antonio Borges Monteiro. Naquele sitio encontra-se que os pais do Joao se chamavam Manoel de Sousa de Azevedo e Anna Coelho. Entao, os filhos de meus pais tem pelo menos mais duas vezes a ascendencia Coelho em nosso sangue. Possivel sera termos outras duas, pelo lado Pereira do Amaral que herdamos da bisavo Olimpia Rosa.

De qualquer forma, algum risco esta mesmo no fato de podermos ser varias dessas vezes juntas descendentes do portugues Manuel Rodrigues Coelho. Exceto na parte que toda ao Souza de Azevedo. Alias, o que pode ser ate muito mais vezes porque nao temos o acompanhamento genealogico de diversos de nossos ancestrais. E como entre estes e o tempo do Manuel existem umas poucas geracoes, nada impede que existam mais algum espaco preenchido pela ascendencia nele.

A minha dificuldade em encontrar de memoria uma pessoa que ja reuna os 7 Coelhos em Virginopolis pode estar na falta do conhecimento maior das genealogias das Familias Coelho de Oliveira (Lacerda), Coelho da Silva, Coelho de Andrade e mesmo o Pinto Coelho. Geralmente, as pessoas que conheco que reunem duas destas nao se encaixam nas outras. Por exemplo, os filhos do Dimas Geraldo e Conceicao Lacerda nao tem o Coelho da Silva, ate onde eu sei. Ja as filhas do Geraldo Agostinho e da Ivanira nao tem o Lacerda e o Pinto Coelho.

Refazendo meus calculos, penso que posso apontar recordistas temporarios. Trata-se da descendencia dos dois casais de queridos primos Francisco Jose Coelho e Hayde Celestina de Andrade e Dimas Geraldo e Conceicao Lacerda.

O Francisco, mais conhecido como Coelho, reune tanto o Coelho de Lacerda quanto o Coelho da Silva. A Dede tem o Coelho de Andrade, embora, o Andrade da assinatura dela venha do lado do prof. Francisco Dias. Por descender da avo Maria Marcolina Borges do Amaral a Hayde acrescenta tambem o Coelho de Almeida. Coelho de Magalhaes e Nunes Coelho os dois sao. Falta-lhes apenas o Pinto Coelho. Pelo menos enquanto eu nao souber a procedencia dos pais dos netos deles!

Os filhos do Dimas e Conceicao tambem reunem seis das assinaturas Coelho em Virginopolis. Sendo que o Dimas carrega 4 delas: Coelho de Magalhaes, Coelho de Almeida, Coelho de Andrade e Nunes Coelho. A Conceicao adiciona o Pinto Coelho e o Coelho de Lacerda. Falta-lhes o Coelho da Silva ate onde conheco. A Hayde e o Dimas sao irmaos e primos bem proximos dos membros da casa de meus pais.

Enfim, voltando ao dizer: “Em Virginopolis, quem nao eh Coelho eh couve”, creio que posso afirmar que nossos ancestrais, quando comecaram a pronuncia-lo, tinham em mente este grande numero de assinaturas Coelho, diferentes entre si, e nao necessariamente porque desprezassem pessoas que nao assinassem o Coelho. Embora, claro, do ponto de vista das pessoas que nao se lembravam de nenhum ancestral proprio com a assinatura Coelho, o dizer soasse bastante antipatico!

Quanto `as descendencias atuais destas familias, so mesmo um censo poderia responder qual sera o numero de pessoas viventes. A certeza eh que sao dezenas de milhares, porem, nao podemos nos enganar. Todo cuidado eh pouco. Por exemplo, nao podemos fazer uma conta automatica baseados em dados parciais. Um exemplo disso eh que somos 9 filhos na casa de meus pais. Cada um de nos eh, simultaneamente, 6 vezes descendentes dos patriarcas Antonio e Maria Marcolina; Joao e Maria Honoria; e Eugenia e Francisco Marcal.

Se contarmos que descendemos da Maria Marcolina filha, do Joao Rodrigues, do Joao Junior, do Ze Coelho, do Marcal e da Candida Barbalho, entao, a familia dos nossos pais sera contada como tendo 54 filhos quando, em verdade, somos apenas 9. E isso ocorreria multiplas vezes com quase toda a populacao se contarmos separadamente o numero de descendentes que cada familia possui e depois soma-los, pois, nos descendemos diversas vezes dos mesmos ancestrais e a soma das parciais daria a impressao que cada um de nos eh descendente muito mais que uma vez, embora cada um de nos seja apenas uma pessoa.

O numero total de descendentes de todos os primeiros moradores de Virginopolis, por exemplo, nao deve somar todos os milhoes que ja mencionei, porem, com certeza esta na casa de centenas de milhares. So mesmo um levantamente genealogico completo para oferecer-nos um numero exato desta conta!…

 

 

08. PRIMEIROS MORADORES DE SABINOPOLIS (ANTIGO SAO SEBASTIAO DOS CORRENTES)

Resolvi acrescentar este subtitulo aqui porque os dados nele contidos poderao ajudar-nos a solver algumas questoes. Encontrei esta lista no trabalho: “INTERVENCOES CLINICAS E SOCIAIS: SUBJETIVIDADE E RELIGIOSIDADE – UM ESTUDO DA RELIGIAO CATOLICA EM SABINOPOLIS” de Joselia Barroso Queiroz Lima.

Acrescentarei apenas data de nascimento e nome de esposas que temos. Segue entao:

01. Pe. Bento de Araujo Abreu
02. Alferes Antonio de Araujo Abreu
03. 1751 Antonio Borges Monteiro – Margarida Maria do Rosario (nota: `A epoca, Antonio Borges era viuvo de Maria de Souza Fiuza, que falecera em 20.11.1780, e fora a mae de Antonio Borges Monteiro Junior.)
04. Urbano Taveira de Queiroz
05. Joaquim da Silva Campos
06. 1777 Antonio Borges Monteiro Junior – Maria Magdalena de Santana
07. capitao Semeao Vaz Mourao
08. alferes Antonio Fernandes do Amaral
09. 1791 Malaquias Pereira do Amaral – Ana Maria de Jesus
10. Clemente Jose dos Santos
11. Francisco Jose dos Santos
12. Manoel Coelho de Almeida
13. capitao Antonio Jose Campos
14. 1783 Joao Pereira do Amaral
15. capitao Joaquim Barroso Alvares

Por um acaso, esbarrei no blog da Familia Pinho Tavares, de Sabinopolis. La ha a mencao de alguns desses fundadores acrescida de outros. Sao eles: Francisca Miquelina, Joaquim Miquelino e 1796 Francisco Borges Monteiro. Este ultimo sei que tambem foi filho do Antonio Borges Monteiro velho.

Posto aqui esta lista e faco a resenha agora, pois, ela esta repleta de evidencias com consequencias na genealogia de toda a regiao. Precisamos nos lembrar que o Arraial de Sao Sebastiao dos Correntes inciou-se por volta de 1819. Porem ja existiam residentes no local ha pelo menos 3 decadas antes disso. Ainda nao encontrei uma Historia de Sabinopolis que me ajude a colocar estes pingos nos ii.

Mas, indo diretamente `a resenha. As tradicoes afirmam que a Familia Campos de Virginopolis procede se Sao Joao Evangelista. O que eu ponho as barbas de molho em aceitar tal ideia, no sentido de dizer-se que os ancestrais mais antigos agora conhecidos por nos tenham nascido naquele povoado. Possivel terem nascido na zona rural, e talvez seja por isso que nao sao recordados no livro do professor Dermeval, que relata a fundacao em 1875.

A Familia Campos de Virginopolis, segundo registrado por dona Maria Filomena de Andrade, inciou-se com os tres casais: Antonio Ferreira Campos e d. Augusta Rabello do Amaral; Manuel Ferreira Campos e Clementina Marcos de Jesus; e Firmiano Ferreira Campos e Teresa Barreto.

As pessoas mais antigas que entram na Arvore Genealogica da Familia Coelho, da Ivania Batista Coelho, e das quais registra-se datas de nascimento, eram netas destes casais. Contudo, na lista de ex-alunos do Caraca esta o Lico, ou Luiz Campos do Amaral, que segundo uma cronica do dr. Rabelinho em homenagem `a dona Augusta “Campos”, era um dos mais novos, com a data de nascimento de 12.07.1899 (entrada em 1914, mat. 243). Dona Filomena pulou o numero 6 na relacao de filhos da dona Augusta mas menciona que o Lico era o numero 8. Pode, entao, ser o setimo.

Mesmo assim, isso obrigaria o filho mais velho ter nascido em torno de 1890, ou seja, por volta de 15 anos depois da fundacao do Arraial de Sao Joao Novo. Isso indica que Antonio Campos e d. Augusta devem ter nascido pelo menos uns poucos anos antes daquela fundacao. `A lista de fundadores de Sabinopolis falta os sobrenomes Ferreira e Rabello. Mas entre 1819 e 1875 muita coisa pode ter acontecido. Inclusive ter-se mudado para a regiao alguem que ja fosse Ferreira Campos e outro Rabello do Amaral, sem ter vinculos com os fundadores de Sabinopolis.

Tudo pode ter acontecido. Estou mostrando apenas as evidencias que tenho para suspeitar que tambem a Familia Campos em Virginopolis podera descender dos fundadores de Sabinopolis.

Contudo, eh preciso lembrar-se que esta estrada tem duas vias e sempre eh prudente olhar os dois lados antes de atravessa-la. A favor da tradicao temos que a Familia Ferreira Campos nao devia ser pequena. Dois indicios para isso sao: o fato de dona Inha Campos ter se mudado para Sao Joao Evangelista, em 1889, apos ficar viuva, no Serro, de Joaquim Ferreira Campos; e o nome do patriarca Antonio Ferreira Campos ter sido acrescido do sufixo Baguary, pelo juiz da Comarca do Serro, por causa da confusao de varias pessoas com o mesmo nome.

Joaquim Ferreira e dona Inha Campos foram os avos maternos da tia Iracema Campos Goncalves. Esta era filha de dona Rita Campos e Joao Gualberto Goncalves.

A narrativa do professor Pimenta informa que a viuva dona Inha transferiu-se do Serro para Sao Joao Evangelista com os quatro filhos menores. Nao menciona parentalha ja residente na cidade, porem, era de se esperar que existisse, pois, de algum apoio menor a viuva devia necessitar.

Quanto aos sobrenomes presentes na lista como: Araujo, Abreu, Taveira, Queiroga, Mourao e Barroso, sao nomes que encontramos misturados em nossa genealogia. Embora estes estejam encaixados como agregados e nao ha ainda como associa-los a esta lista. Uma pena nao termos em maos a formacao genealogica das familias em Sabinopolis, pois, sabemos de antemao que os “de Pinho Tavares” e outros, alem dos mencionados na lista, estao intimamente associados aos Borges Monteiro e Pereira do Amaral. Alem dos Pimenta Vaz Barbalho.

O professor Pimenta deixou escrito os nomes dos pais das esposas acima mencionadas. Assim temos:

1. Margarida Maria do Rosario, filha de Domingos Lourenco Seixas e Maria Caetana de Pinho e Oliveira
2. Maria Magdalena de Santana, filha de Jose Vicente de Miranda e Maria da Encarnacao
3. Ana Maria de Jesus, filha de Antonio Coelho de Almeida e Ana Maria de Jesus.

A primeira esposa de Antonio Borges Monteiro, Maria de Souza Fiuza, foi filha do ja mencionado Joao de Souza Azevedo e de sua esposa Norotea Barbosa Fiuza. Por sua vez, esta foi filha do portugues, sargento-mor, Domingos Barbosa Moreira e sua esposa, a sergipana: Teresa de Jesus, natural de Itabaiana.

Aqui ha que se observar o sobrenome Santos presente nesta lista porque a esposa do ancestral Joaquim Pereira do Amaral, se chamava Maria Rosa dos Santos Carvalhaes. Podera ser a fusao destes Santos com algum Carvalhaes que chegou ou ja estava na area. Os Carvalhaes aparecem como ancestrais da Familia Catao em Guanhaes. Portanto, podera ai encontrar um denominador comum que, antes que dividir, reune as familias.

O mais interessante que hipotetizo ai, trata-se da ausencia do ancestral Antonio Coelho de Almeida na lista. Ele sera, no minimo, fundador ausente por, talvez, ja ser falecido em 1819, pois, foi o pai da ancestral Ana Maria e devera ser pai do Manoel Coelho de Almeida. Possivelmente, devera ser ancestral dos Almeida e outros da regiao. Alem disso, pode ser que tenha habitado a area muito antes da data de 1819. A evidencia disso pode estar no documento guardado pelo Arquivo Publico Mineiro e descrito no endereco: http://www.siaapm.cultura.mg.gov.br/modules/cc/brtacervo.php?cid=6919.

Na descricao temos os dizeres: “Requerimento de Antonio Coelho de Almeida sobre a concessao de provisao para o oficio de escrivao de guardamoria do Ribeirao do Corrente de Santo Antonio da Meia Canoa”. O despacho esta datado de, em Ouro Preto, 30.07.1803. Portanto, em algum lugar de Minas Gerais existia um povoamento `as margens de algum Ribeirao do Corrente ainda em formacao. O problema esta em eu nao ter encontrado nenhuma referencia a algum lugar com estas palavras exatas.

Contudo, no municipio de Sabinopolis existe uma subdivisao que se trata da Comunidade Corrente Canoa. Acredito ser uma boa evidencia a nos dizer que ainda existe por la vestigios do nome que, antigamente, era muito comum encompridar-se, indo ao longo da Historia reduzindo-se aos termos atuais. Alem disso, existe outra comunidade com o nome Almeidas. O que pode tambem indicar que parte da descendencia dos Coelho de Almeida iniciais possam ter reduzido o sobrenome para apenas Almeida. Assim, por suposto, podera existir muito mais vinculo genealogico entre as familias da regiao do que imaginamos.

Vejo aqui um bom motivo para lutarmos por construir uma Arvore Genealogica o mais completa possivel. Isso porque a mencao aos nossos ancestrais de Souza Azevedo fazem-me lembrar de detalhes da nossa genealogia atual.

Nos anos 1960 mudou-se para Virginopolis o casal Raimundo Nonato Batista da Rocha e Marilda Azevedo. Ele, promotor de justica da Comarca de Virginopolis, era oriundo do Piaui. E passou em Medina para encontrar a esposa. O casal era jovem e em pouco tempo juntou `a familia o terceiro filho. Sao filhos: Izabel Cristina, Karla Andrea e Mayram. Nos dias atuais sei que a Karla casou-se com o Valerio e o Mayram com a Juliana. Valerio e Juliana tem sangue de diversos Coelho da cidade.

O Valerio contudo tem o sangue Souza Azevedo. Mas nao se pode dizer nada, pois, nao tenho nada alem do conhecimento de quem sao o dr. Raimundo e dona Marilda. Nada sei a respeito dos ancestrais deles. O que faco agora eh apenas especular.

Em primeiro lugar, sabemos que temos ancestrais que aportaram com o primeiro donatario da Capitania de Pernambuco, Duarte Pereira Coelho. Geralmente, todas as genealogias de nordestinos que ja vi, e mesmo nao nordestinos, repete-se o fato da mencao de que os ancestrais mais antigos no Brasil conhecidos das familias provem daqueles primeiro chegados.

E, frequentemente, nossos ancestrais sao apontados como ancestrais deles. A genealogia do Piaui nao eh independente da genealogia pernambucana, dai, espera-se que o dr. Raimundo tenha ancestrais comuns conosco. Embora, isso nao cause nenhum espanto porque as linhagens passaram seculos separadas, devera haver variacao genetica segura no enlace da Karla e Valerio.

Em relacao ao Azevedo, precisamos nos recordar da Historia da regiao do Serro. Em 1750 o ouro mais abundante comecou a esgotar. Foram enviadas bandeiras, financiadas pelo Senado da cidade, para descobrir novas minas. Encontraram, entre outros lugares, no lugar que se chamou Sao Joao Batista, atual Minas Novas. O nome se deve justamente `as novas minas encontradas. Porem, a regiao era territorio da Bahia.

O local estava mais perto do Serro onde ja havia a intendencia do ouro. Assim, a coroa decidiu mudar o mapa das duas provincias, passando o Sul da Bahia para o Norte de Minas. E como se pode observar, o Norte de Minas ficou curvado, parecendo que foi feito a troco de compasso. E deve ter sido mesmo. Serro era o centro, ou ponta seca, e o giz correu no novo mapa. Os detalhes dos recortados entraram depois.

Mais tarde a regiao como um todo foi colonizada sobretudo pela iniciativa do pioneiro Teofilo Otoni, ja nos anos de 1840. De qualquer forma, acorreram para a regiao levas de mineiros e baianos. Pode ser que o ancestral Azevedo em Minas mais antigo da dona Marilda seja o mesmo Joao de Souza Azevedo nosso ancestral. Dai se pode observar as voltas que a genealogia pode dar.

Nos descemos de uma filha dele e por isso nao usamos o sobrenome. Ela pode descender de algum filho que, infelizmente, nao temos ainda a informacao nem mesmo que tenha existido, pois, sabemos da existencia de apenas duas filhas. De qualquer forma, um ramo de descendencia seguiu para o Sul do Serro e outra para o Norte, podendo ter agora se reencontrado. So mesmo pesquisando mais a fundo para verificarmos se foi isso mesmo, ou nao, o que aconteceu.

 

 

 

09. GENEALOGIAS VIA SITE http://www.santuariodocaraca.com.br/ex-alunos/

Ontem foi dia 5 de fevereiro, dia de tempestade de neve aqui na porta de casa. Agora eh assim gente, fiquei tao importante que ate o tempo esta trabalhando em funcao de mim, rsrsrsrsrs.

Brincadeira `a parte, o mal tempo trouxe tambem conexao ruim da net. Dai fiquei ressabiado de fazer algo mais util no computador e, em caso de pane, perder todo o servico. Entao resolvi dar uma voltinha no site do Santuario do Caraca, observando recomendacao da amiga Virginia Candido. Ja o conhecia mas pensei que nao fosse encontrar nele algo que ainda nao tivesse.

Bem, sao duas listas de ex-alunos. Divididas por anos de matriculas e numeracao. Na primeira temos 1.481 e na segunda 2.322 alunos. Porem, nem todos estao la. O padre Absalao, por exemplo, esta no ano de 1947 e matricula 1092. O que ha de errado eh que esta postado ser “irmao do aluno 1073. Mas as matriculas de 1073 a 1087 nao foram publicadas. Portanto, ou o Dede (Ademar) ou o Aramis sao ex-alunos, quica, os dois. Alonso e Athos sao tambem mas estao na lista.

O pai deles, Jose Martinho Nunes Coelho, tambem se encontra registrado. Matricula numero 300, do ano de 1915. E a inscricao trouxe-me uma pequena e boa novidade. Sabiamos ser filho do Josephino Nunes Coelho e da Sa Marta. Contudo, `a pagina 13 do livro de genealogia da Familia Coelho, o nome dela esta como Marta Madalena Coelho. No fichario temos um Oliveira anterior ao sobrenome.

O que, talvez, ofereca um pouco de variabilidade genetica ao ramo da familia. Embora o Oliveira esteja entre os sobrenomes do pai da esposa do seo Ze Martinho, o Bernardino Coelho de Oliveira, que era o pai da dona Efigenia Coelho de Magalhaes. Em todos casos, a familia ganha mais Oliveira e perde um pouco de Coelho, o que deve resultar em um melhor equilibrio.

Devo acrescentar poucas coisas mais `a nossa genealogia porque dos 90 ex-alunos que resolvi recolher os dados, a maioria absoluta ja estava inscrita em nossas anotacoes. Uns poucos nao terei ainda como encaixa-los na Arvore porque esta faltando algum pequeno passo, como ter certeza absoluta de quem eh filho de quem. Encontrei dois nascidos em Belo Horizonte: Otaviano e Osvaldo Soares Coelho, filhos de Omar Nunes Coelho e Efigenia de Assuncao Soares. Falta saber onde o Omar e/ou dona Efigenia se encaixam.

A maioria das pessoas que pude reconhecer na lista sao nascidas em Virginopolis. Uns poucos em Guanhaes, Divinolandia, Sabinopolis, outras cidades e ate um em Coroaci. Este eh o padre Jose Atanasio Coelho, matricula 719 de 1932. Filho do Notel dos tios Sinha e Miguel, eh irmao do falecido Monsenhor Omar Nunes Coelho e sobrinho do Bispo D. Manoel Nunes Coelho, tambem falecido.

Em alguns casos poderemos corrigir dados nos livros. Um exemplo eh o termos `a pagina 132 que Fernando Baptista Coelho casou-se em segundas nupcias com Adelina Coelho Leao. Na matricula 901, livro de 1940, esta que a mae do Mucio Leao Coelho chamava-se Adelina Benedito Coelho. Detalhe que nao vem tanto ao caso assim. Mas comprova por via documental o que estava registrado no livro da Ivania.

O livro teve como base, anotacoes caseiras do bisavo Joao Rodrigues Coelho e do dr. Odon de Magalhaes Barbalho. Alem das informacoes fornecida por familiares. Os registros documentais oferecem maior credibilidade ao trabalho como um todo. Mas tambem levanta duvidas. Eh que na pagina 135 do livro temos a familia da Sebastiana Salles Coelho e Mario Coelho Leao. Os ancestrais dele estao na pagina 17. O livro mostra que foram pais do Wilson Coelho Leao, nascido a 24.05.1920.

Porem a lista de ex-alunos registra uma mae diferente para o Wilson. Ela chamar-se-ia Aguide Moreira Coelho. Pode ser que tenha ocorrido algo muito comum `a epoca. Uma primeira esposa ter falecido e a segunda, a mae de coracao, ter adotado o filho aos olhos da familia e as anotacoes falharem em indicar a mae biologica. Tambem pode ter ocorrido falha dos escrivaes, o do cartorio ou o do Colegio do Caraca. Nada que nao possa ser verificado mais tarde.

Bom, postarei aqui a lista de nomes. `A frente dos nomes o ano de ingresso no Colegio do Caraca. Apos os nomes, o numero de matricula. Assim, quem desejar abrir a pagina no site para ver o nome de algum familiar e seus pais, nao tera dificuldade em encontra-los. Eh pouca coisa! Mas seria uma otima oportunidade se outros colegios disponibilizassem tais informacoes.

O do Caraca era voltado mais para identificar vocacoes sacerdotais. Assim, a maioria das pessoas estudou em outras entidades. Alem disso, era exclusivo para o sexo masculino. Dai nao encontrarmos a avancadissima ideia, para a epoca, de vermos as mulheres estudantes do seculo XIX e inicio do XX. O Colegio Feminino de Diamantina deve conter perolas maravilhosas.

Outros colegios usados por nossa parentalha incluiam Pecanha, Guanhaes, Conceicao do Mato Dentro, Colegio Arnaldo em Belo Horizonte e Dom Bosco em Cachoeira do Campo. Claro, os cursos superiores da UFMG, antiga UEMG, e Ouro Preto, guardam la as lembrancas dos poucos que chegaram a este nivel em um passado um pouco mais remoto.

Contudo, como as descendencias das pessoas mais antigas esta diversificando mais no quesito casamento, pessoas que estao em todos os registros, sem pertencer `a familia, agora sao ou tornar-se-ao ancestrais de membros dela. Dai a necessidade de colhermos os dados mais completos possiveis de todos.

Nao farei comentarios. Deixarei para cada um descobrir o que melhor lhe apetecer. Segue, entao, a lista:

1864 padre Venancio Ribeiro de Aquino Cafe mat. 201
1870 Jose Feliciano de Araujo Soares mat. 559
1873 Joaquim Antonio dos Santos Lacerda Junior mat. 748
1874 Lindolpho de Paulo Cardoso Camara mat. 806
1875 Edgardo Carlos da Cunha Pereira mat. 845
1876 Getulio Ribeiro de Carvalho mat. 951
1876 Ernesto Ribeiro de Carvalho mat. 952
1877 Sabino Alves Barroso Junior mat. 1122
1878 Claudionor Augusto Nunes Coelho mat. 1166
1878 Ignacio Alves Barroso mat. 1237
1879 Joao Baptista de Aguiar Bennefoi mat. 1261
1880 Homero Benedicto Ottoni mat. 1343
1880 Pio Nunes Coelho mat. 1394

Segunda serie:

1911 Reynaldo de Magalhaes Gloria mat. 163
1913 Lindolfo de Almeida Braga mat. 226
1914 Joao Fernandes d’Almeida mat. 242
1914 Luiz (Lico) Campos do Amaral mat. 243
1914 Francisco Campos do Amaral mat. 270
1914 Joaquim Bento Coelho Filho mat. 271
1915 Otaviano (Tavico) Rodrigues Coelho mat. 295
1915 Jair Rodrigues Coelho mat. 196
1915 Jose da Cunha Menezes Neto mat. 297
1915 Jose (Daniel) Rodrigues Coelho Sobrinho mat. 299
1915 Jose Martinho Nunes Coelho mat. 300
1915 Gastao de Magalhaes mat. 301
1916 Jose Rabello Campos (Rabelinho) mat. 332
1916 Antonio da Silva Coelho mat. 333
1916 Eliphaz Rodrigues Coelho mat. 334
1917 Sylvio Rodrigues Coelho mat. 349
1917 Levy Rodrigues Coelho mat. 350
1918 Darcy Baptista Coelho mat. 351
1921 Agostinho de Souza Guimaraes mat. 446
1921 Nilo Rodrigues Coelho mat. 460
1921 Hely Rodrigues Coelho mat. 461
1925 Eduy Catao mat. 567
1928 Ephigenio Caldeira da Silva mat. 617
1930 Emerson Nunes Coelho mat. 677b
1932 padre Jose da Paixao Nunes Coelho mat. 711
1932 Eder Expedito de Andrade mat. 713
1932 padre Jose Atanasio Coelho mat. 719
1933 Wilson Coelho Leao mat. 725
1933 Franklin Salgueiro mat. 744
1934 Afonso Coelho de Magalhaes mat. 752
1935 Abel Coelho mat. 762
1936 Aloisio de Sena mat. 763
1936 Oldemar de Aguiar Coelho mat. 774
1936 Geraldo Braga mat. 781
1940 Mucio Leao Coelho mat. 901
1946 Abelar Teresinha de Almeida mat. 1041
1946 Mauricio de Magalhaes Barbalho mat. 1059
1947 Simao da Silva Coelho mat. 1091
1947 padre Absalao Martinho Coelho mat. 1092
1949 Carlucio Rodrigues Coelho mat. 1142
1949 Walquirio Rodrigues Coelho mat. 1143
1949 padre Marcos Evangelista Goncalves mat. 1172
1950 Celso Rodrigues Nunes Coelho mat. 1175
1950 Daniel Rodrigues Nunes Coelho mat. 1203
1951 Alonso Martinho Coelho mat. 1244
1951 Joao Antonio Passos mat. 1279
1952 Adamar Nunes Coelho mat. 1309
1952 Jose de Aquino Perpetuo mat. 1317
1952 Cesario Coelho de Aquino mat. 1325
1952 Francisco Nunes Leite mat. 1332
1952 Amilton Juliao de Almeida mat. 1338
1952 Juarez Geraldo Leite mat. 1352
1952 Duarte de Oliveira Magalhaes mat. 1354
1952 Otavio Rodrigues Nunes Coelho mat. 1361
1953 Sebastiao de Aquino Perpetuo mat. 1432
1954 Gil Nunes Coelho mat. 1459
1954 Hidalgo Leite de Oliveira mat. 1461
1954 Leonidas Perpetuo Leite mat. 1464
1954 Jose Pereira de Souza mat. 1477
1954 Virgilio Maximo Batista Coelho mat. 1486
1955 Juventino Figueiredo de Lacerda mat. 1530
1955 Sebastiao Polydoro Mourao mat. 1531
1956 Athos Martinho Coelho mat. 1614
1959 Herci Soares de Lacerda mat. 1821
1959 Carlos Vasconcelos Coelho mat. 1849
1959 Jose Romualdo de Souza mat. 1850
1960 Manoel Luiz Ventura Costa mat. 1901
1961 Paulino Leite de Oliveira mat. 1974
1962 Geraldo Nunes Coelho mat. 2003
1965 Geraldo Nunes Lacerda mat. 2160
1965 Eduardo Coelho Lopes mat. 2171
1965 Dalber Augusto de Almeida mat. 2180
1966 Herivelto Jose Coelho mat. 2209
1967 Antonio Carlos Leite mat. 2233
1967 Emilio de Oliveira Leite mat. 2242
1967 Otaviano Soares Coelho mat. 2260
1968 Osvaldo Soares Coelho mat. 2303

A maioria das pessoas desta lista ja se encontra cadastrada no Arvore Genealogica plantada no sitio http://www.geneaminas.com.br. Assim as pessoas poderao, apos visitar o sitio dos ex-alunos do caraca, acompanhar quem sao outros membros proximos de suas familias. Algumas ja estao la mas nao estao aparecendo ainda. Mais tarde aparecerao. Somente umas poucas eh que teremos que encontrar meios de posta-las atraves de ramos colaterais da Arvore, por enquanto.

O Colegio do Caraca sofreu um incendio no ano de 1968. Desde entao fechou as portas para essa atividade e tornou-se apenas um Santuario e ponto de turismo. Os alunos mais novos conhecidos por nos pessoalmente ja tem netos e andam `as voltas com seus sessenta e poucos anos. Em 20 anos poderao estar com uma boa prole de bisnetos. Eh! O tempo passa rapido criancas! Parece que foi ontem mesmo que tivemos as noticias do incendio e das peripecias dos alunos e padres para tentarem salvar o acervo da biblioteca. Ha muita Historia ali que precisa ser preservada para sempre.

 

 

10. A TOCA DO JOAO RODRIGUES COELHO

Na regiao central da Cidade de Virginopolis esta ainda em pe um sobrado com aspectos coloniais antigos. Foi construido no inicio do seculo XX e serviu de residencia para a primeira familia do bisavo Joao Rodrigues Coelho. Depois do uso continuo por cerca de 100 anos e porque os inventarios pelos quais a propriedade passou nao chegaram ao conhecimento de muitos dos atuais herdeiros ha um impasse. Sao muitos com direito mas ninguem pode assumi-la legalmente.

Tres das antigas donas doaram suas partes `a fundacao hospitalar da cidade. As outras 10 partes deveriam caber a pessoas de diversas geracoes, pois, todos os filhos da primeira familia do Joao Rodrigues ja sao falecidos. Ha netos e bisnetos falecidos que deixaram descendencia. Portanto, ha casos de netos, bisnetos e trinetos herdeiros. Existem os que nem sabem disso.

Assim, a residencia esta abandonada. Ela eh a unica do genero que ainda esta em pe. Algumas pessoas tomaram o partido de pedir o tombamento. Estas enxergam a necessidade de marcar uma epoca e deixar uma lembranca solida do que foi cotidiano do passado colonial, para que as proximas geracoes tenham alguma referencia nao apenas de que o passado que ficara escrito nos livros existiu, algo estara ali para comprova-lo.

Diante da proposta, uns poucos chegaram ate a levantar palavras nervosas contrarias. Vendo na atitude, talvez, uma forma de intervencao no que seria do interesse deles. E, pior, intervencao de pessoas que nao residem mais na cidade, portanto, nao saberiam nem o que eh mais urgente para a populacao residente. Nao quero condenar o que penso ser ignorancia em relacao a conhecer o assunto Historia, nem os efeitos negativos do nao preservar-se o que nela se passou.

De qualquer forma, resolvi escrever uma nota para postar em paginas do Facebook onde a fotografia da casa, em franca decadencia, foi postada para alertar que precisa de acao urgente para preserva-la. Resolvi ampliar um pouco a nota que escrevi, para melhor exemplificar meus argumentos e assim publicar junto a estes outros artigos aqui na pagina do meu blog. Segue entao:

Perguntaram-me: Por que preservar essa casa velha?

Ouvi na estacao publica de radio FM aqui nos USA uma boa razao. Por coincidencia, estara sendo lancado um filme mostrando o trabalho de uma equipe de pessoas que, ao final da II Guerra Mundial, ficou encarregada de encontrar e devolver a legitimos donos obras de arte que haviam sido roubadas pelos nazistas. As obras sao de valor incalculavel.

Bom, o personagem principal fala estas palavras que traduzo: “Voce pode exterminar todo um povo. Isso sera ruim. Mas se voce destruir o que ele alcancou atraves de seus conhecimentos, voce estara apagando a memoria dele. Sera como se ele nunca estivesse existido na terra.”

Alguns tem visto o Solar do Joao Rodrigues apenas como uma casa velha que nao representa nada. Pode ser por pura inveja talvez, pois, esta casa nao foi construida por um ancestral deles, e eles nao se sentem parte dessa construcao.

A verdade, porem, eh outra. A visao dessa casa como a residencia de alguma pessoa ou familia eh muito pequenina e limitada. Essa casa representa muito mais que isso.

Talvez, para nos da familia ela nos traga a modorra saudosista dos tempos bons que usufruimos dela. Mas essa razao eh muito pequena, embora, seja importante para uns poucos de nos. Quando voltarmos aos Bracos do Divino essa modorra passara e nao tera o mesmo significado que teve, pois, as atuais geracoes nao terao mais a oportunidade de viver os mesmos sentimentos.

Agora, quando tratamos essa casa como uma construcao arquitetonica e o uso historico dela, encontramos a verdadeira dimensao que ela representa.

Ela lembra-me pessoas como os srs. Joaquim Polvora, Pedro Coura, Serafim Ramos, Ventura, Maximiliano Nunes Damascena, Didi Barreto, Vital Paranhos, seo Zuza, seo Benedito Vieria, Fernando Ramos, Nadir, Ze Luiz pedreiro, ate mesmo o pintor de paredes dr. Hugo, o Ingracio e muita gente mais. Lembra-me as profissoes que exercem ou exerceram e os ancestrais deles. Esta casa eh uma capsula do tempo, que contem as conquistas tecnologicas que o povo acumulou ate o ano em que foi construida, e continuou enquanto foi usada.

Se as pessoas acima citadas nao construiram a casa porque nao eram sequer nascidas quando a construcao se deu, eh muito provavel que os construtores tenham sido parentes delas, que passaram a elas a profissao como um certo tipo de heranca. Talvez alguem va dizer que nao existiam pedreiros `a epoca porque haviam rebucadores, ja que a construcao nao eh nem de pedra nem de tijolo. Mas os rebucadores foram os pedreiros numa fase ainda em evolucao. Muito das tecnicas dos pedreiros nasceu da pratica que os rebucadores tinham.

Claro, se me perguntassem: Voce desejaria preserva-la para residir nela? Eu responderia: Jamais. Que me perdoem os ancestrais. A antiga residencia nao passa de um corredor comprido que vai de uma janela que da para a rua ate o fundo da cozinha. As dependencias se abrem para os dois lados do corredor. Ha uma escada que leva a um sotao onde ha tambem uma sacada. Eh avarandada, tem espaco para jardim, teve piscina e um ar caboclo de um passado muito antigo. Nada do que se pode associar ao conforto de hoje.

A preservacao dela seria util mesmo como exemplo arquitetonico. Seria otima para instalar-se nela um museu. E museu em Virginopolis teria o significado de recordar-se as pessoas que viveram na cidade e o que fizeram. Ou seja, das pessoas acima citadas e outras de passado mais distante poder-se-ia recolher instrumentos de trabalho, pertences pessoais, fotografias etc. Guardar ali um pouco de suas biografias e genealogias. Assim as descendencias deles hoje espalhadas pelo mundo teriam um motivo para visitar a cidade, ver a construcao, e constatar que, de verdade, ali estao suas raizes.

Estes nunca perderao o rumo de onde procedem. Crescerao e se multiplicarao muito. E essa multiplicacao sempre voltara `as origens pelo menos uma vez na vida. Ao ponto que, aparentados que viverao continuamente na cidade poderao sobreviver do turismo que existira. Claro, a casa ser apenas o atrativo, mas havera que se investir em mais estruturas para oferecer algo mais, pois, eh importante que estes visitantes permanecam um tempinho a mais, alem do usado na visita `a casa, para sentir-se acolhidos e com vontade de retornar sempre.

As pessoas que residiram na casa nao foram mais importantes que aqueles que detinham o conhecimento da arte de construi-la. Ela eh como um quadro de um pintor famoso que foi vendido para um comprador qualquer. Ora, se o comprador eh importante para a arte, o que se dira do pintor que a criou!?

Esta casa poderia ser transformada em museu e nela registrar-se e ensinar-se todas as tecnologias exigidas para a sua construcao. Para quem duvida, pasme, aqui nos Estados Unidos tem sido feitos estudos em torno da tecnologia da construcao utilizando-se o sistema de adobe. Por que? Porque acredita-se que seja uma tecnologia bem mais apropriada para ser usada em locais de clima mais quente, economizando-se energia e custos totais da obra.

Quem residiu aqui sabe que as construcoes desse tipo de residencia nada deve `as construcoes residenciais neste pais de primeiro mundo. Claro, nao se contando a tecnologia moderna que ja eh oferecida antes mesmo de a casa ser levantada como: asfalto na porta, agua, luz, telefone, cabo para tv e computador de alta velocidade etc e tal. Algo que cabe em qualquer tipo de construcao de casa.

Alem disso, ha o componente historico de que o Joao Rodrigues foi juiz de paz da cidade. Ou seja, todo mundo que tem ancestral residente na cidade durante o periodo em que ele exerceu a profissao deve ter tido registro de nascimento ou casamento feitos neste monumento. De uma forma ou de outra, toda a cidade tem o umbigo preso a ela. Preserva-la seria preservar a memoria de todos e nao apenas daqueles que ai residiram, que eh uma questao menor.

Aqui esta, se olharmos no sentido genealogico, toda a populacao de Virginopolis, incluindo suas filhas: Divinolandia, Gonzaga, Santa Efigenia, Sardoa e Sao Geraldo da Piedade tem o umbigo preso ai. A preservacao eh um assunto que interessaria a todas as pessoas de boa memoria, pois, essa memoria seria passada a todas as geracoes que virao.

Destruir o trabalho das pessoas que construiam naquela epoca, sera como se cortassemos o cordao umbilical das futuras geracoes quando elas ainda vivem em forma fetal. Seria como se tivessem nascido do nada, pois, a Historia e o conhecimento que nasceu antes delas tera sido apagado da face da terra.

O filme que mencionei no inicio leva o titulo de “The Men’s Monument”. Traduzindo-se pelo sentido e nao pelas palavras, poderia ser: “A Obra dos Homens”. Foi dirigido por George Clooney e estrelado por: George Clooney, Matt Damon, Bill Murray e Cate Blanchett para que se tenha ideia do tamanho da producao.

 

 

 
Ultimamente tem escrito muita coisa em torno da Genealogia virginopolitana e regiao. Aparece o tema e a gente vai la e pimba. Como sao assuntos que podem ser uteis em nossos assuntos futuros, resolvi reunir aqui algumas postagens que andei fazendo no Facebook. Assim fica tudo reunido no blog. Ou melhor, dentro daquilo que eu escolher para republicar aqui. Segue entao.

 

 

11. REFLEXOES I

Um milionario pode deixar milhoes de dolares para os descendentes. Com quase certeza, por maior que for a riqueza, o dinheiro ira desaparecendo com o passar das geracoes e os descendentes futuros irao esquecer-se deste antepassado deles.

Hoje em dia temos a oportunidade de ficarmos para sempre na memoria de nossa descendencia. Para nos, no momento, basta-nos visitar um sitio gratuito de genealogia, como eh o geneaminas, e ali depositarmos nossos dados. Ha espaco ate para fotografia e sua imagem sera permanente.

Anexo a isso, adicione-se uma breve biografia. Conte nela suas licoes de vida como se fosse uma bela carta para descendentes que voce nao ira conhecer. E instrua sua descendencia a sempre voltar ao mesmo sitio para que tambem deposite la os dados, fotos e biografias dela.

Isso funcionara como uma “capsula do tempo”. Ao contrario de acabar-se com o passar das geracoes a corrente ira sempre aumentar. Daqui a algum tempo, serao milhoes de pessoas que se importarao com quem voce foi, com o que fez e com o que queria delas.

Eh possivel que, como todos nos somos pecadores, a oracao dessas pessoas por nossas intencoes nos ressuscite para a vida eterna. Mais vale o bom exemplo que muitos milhoes de dolares.
REFLEXOES II

Já enviei a sugestão para diversos orgãos públicos e privados, compartilhando a visão que tenho a respeito de combinar-se genealogia e turismo. Não apenas por a genealogia ser uma de minhas paixões. Mas com uma Arvore Genealógica bem feita e disponibilizada na internet, isso poderia ser usado para informar a todos os internautas as suas procedências, tanto em relação a locais geográficos quanto em relação à corrente sanguínea dos antepassados.

Cidades como Virginópolis que começou a ser povoada ha quase 200 anos atras, deverão ter uma meia duzia de milhões de descendentes coletivos de seus primeiros moradores. Esta informação, me parece, ser uma mina de ouro, pois, em se fazendo uma divulgação apropriada dela, devera atrair um bom numero de visitantes `a cidade. Estes visitantes se sentiriam atraídos por suas próprias raízes.

Porem, sem a Arvore Genealógica e disponibilização dela em meio publico de divulgacao, e a preservação de marcos históricos, nada feito. Era preciso que fosse feito um trabalho de catalogação histórica de cada endereço e propriedade agrícola na cidade. Assim, os sincerones poderiam receber grupos de visitantes e mostrar-lhes algo como: Ali esta a Fazenda Tal, em tal epoca pertenceu a seu avo, bisavo, trisavo etc. Ali se desenvolvia tal e tal atividade etc.

Com a preservacao e a Historia, os visitantes sentir-se-iam atraidos a retornar e divulgar a agradavel visita que tiveram entre sua parentalha. Isso daria oportunidade a que empreendedores levassem para o municipio a instalacao de Hoteis Fazendas, onde os moinhos e engenhos de roda d’agua poderiam ser restaurados e atividades de epoca poderiam ser encenadas. Associar-se-ia a isso a culinaria tipica produzida `a moda de epoca.

Os visitantes poderiam sentar-se `as mesas enormes, para deliciar o pao-de-queijo, o biscoito de goma, a rosquinha de farinha com o cafe, tudo produzido na hora, num fogao e fornos a lenha. Sao coisas que se ve por aqui no primeiro mundo. E que nos precisavamos copiar.

Nao havia necessidade de copiarmos apenas o capitalismo selvagem, que destroi as memorias em busca de um enriquecimento rapido e sufoca a riqueza sustentavel e duradoura.

Imaginem a quantidade de empregos que poderiam surgir a partir dessa industria turistica? Fazendeiros seriam chamados a produzir os insumos basicos para a alimentacao dos visitantes. Hoteis contratariam pessoal para todo tipo de servico que prestariam.

Enfim, isso viraria uma mina de diamantes com o tempo, porque, quanto mais antiga a cidade vai ficando, aumenta o numero de descendentes dos descendentes dos pioneiros. Sera mais gente com motivo de visitar a cidade.

E a fonte desses visitantes hoje-em-dia ja eh o mundo inteiro, pois, sao diversas comunidades de virginopolitanos ausentes: nos Estados Unidos, Canada, Portugal, Franca, Australia e outros.

Muita gente gostaria de visitar a cidade mas perdeu o vinculo porque nao tem a informacao de sua propria genealogia e nao conhece os parentes que ainda vivem na cidade. Nao deixar morrer o vinculo eh a chave de transformar essa mina de ouro em mina de diamantes. Mas, o descaso com essas coisas so institui a pobreza endemica.

26 de janeiro às 13:47

 

 

 

12. ACRESCIMOS `A ARVORE GENEALOGICA.

vou escrever este texto, espero que nao se incompride muito, fazendo uma analise superficial de dados genealogicos que venho encontrando e certas consequencias deles sobre a familia dos bisavos: Joao Rodrigues Coelho e Dindinha Olimpira Rosa Coelho do Amaral. Pretendo publica-lo na pagina da familia no Facebook. Porem, tera la suas utilidades para toda a Familia.

Quando a Ivania escreveu o livro: “Arvore Genealogica da Familia Coelho”, ela fez na realidade a genealogia plana da descendencia do casal: portugues, Alferes de Milicia, Jose Coelho de Magalhaes com a brasileira Eugenia Rodrigues Rocha. A Ivania recordou alguns poucos dados extras, como as informacoes das raizes das Familias Nunes Coelho e Pereira do Amaral. Nao sem razao porque a descendencia destas tres familias, em Virginopolis, quase que praticamente se tornaram a mesma e unica, tao imbrincadas elas estao. Da Familia “de Magalhaes Barbalho” ela tambem colheu um pequenino extrato radicular.

Bom, por razoes ja diversas vezes comentadas, a publicacao dela nao postou toda a descendencia daquele casal que havia nascido ate `a data da publicacao. Claro, as dificuldades eram insuperaveis. Temos, por exemplo, apenas um pequeno inicio da familia dos nossos tios: capitao Joao Coelho de Magalhaes e Bebiana Lourenca de Araujo. Boa parte da descendencia havia se mudado para Diamantina perdendo o contato com o restante do rebanho. As descricoes se concentram mesmo, em parte da descendencia dos tetravos: Jose Coelho da Rocha (ou de Magalhaes) e Luiza Maria do Espirito Santo.

Por mais que a gente esforce, sempre fica algumas linhagens sem acompanhamento. Entre as dificuldades da epoca uma foi o casal de tios bisavos: Marcolina Honoria Coelho e Demetrio Coelho de Oliveira ter se mudado, indo tornar-se fundadores de Coroacy, e a atual descendencia deles ter perdido contato com a atual descendencia dos parentes proximos. Outra dificuldade eh o que se repete atualmente: pessoas prometem que irao mandar os dados e nunca os mandam. No caso da Ivania, como estava com o livro no prelo, nao poderia ficar aguardando por tempo indeterminado.

Eu acabei sendo fisgado pelo interesse em decifrar os meandros genealogicos da familia. O meu interesse nao eh apenas didatico mas tambem de acionar o sinal de alerta `as geracoes atuais e vindoras para as consequencias de nao se conhecer as implicacoes que podem acontecer em relacao aos casamentos de aparentados muito proximos. Ta bom, todo mundo vai dizer: “Mas, isso, todo mundo sabe!”

Certo! Porem ha aquele ditado que diz: “Parente eh quem esta perto da gente.” Isso pode funcionar do ponto de vista afetivo e nao do genetico. E o que me importa aqui eh o genetico acima do afetivo, porque eh o pratico. O dito, acima mencionado, leva em conta algo, de certa forma, tambem pratico. Se a gente conhece as pessoas e possui afinidades com elas, mesmo que nao seja a ligacao parental, a gente eh levado a sentir mais confortavel com essas pessoas que com outras que estao longe. Dai nos sentirmos “mais parentes” daqueles que conhecemos do que daqueles que nao conhecemos.

Contudo, a impressao eh muitas vezes enganosa. Algumas vezes a gente se sentiria desconfortavel em se casar com uma pessoa que conhecemos, por causa do parentesco proximo, mas estas reservas desaparecem quando se trata de pessoas com as quais nao conviviamos, porem, sao igualmente parentes, mesmo que com o desconhecimento de causa. E ai eh onde mora o perigo.

Bom, o fato eh este. Com o livro da Ivania nos podemos ter alguma ideia do quao consanguineo se deram os casamentos dentro da descendencia do Jose Coelho e Eugenia Rodrigues. Claro que nem tudo esta la mas a ideia principal sim.

Outro fator eh que o livro foi publicado em 1979, ou seja, esta completando 35 anos. Neste intervalo, a minha geracao, que era solteira `a epoca, agora esta assistindo ao nascimento dos netos. Com o detalhe de a familia ter crescido bastante, embora nao no ritmo super acelerado do passado, e se espalhado pelo mundo todo. Mas concentrando-se, em parte, em algumas cidades que tambem cresceram ao longo deste tempo, como: Governador Valadares, Ipatinga, Belo Horizonte, Brasilia, Framingham e permanecendo numerosa em Guanhaes, Virginopolis e adjacencias.

O alerta aqui nao vem no sentido de assustar ninguem. Tem a finalidade apenas de deixar as pessoas informadas para que possam estar previnidas para as possibilidades. Nos queremos o bem da nossa descendencia, mas eh preciso ficar mais alertas para os fatos.

Nao posso falar como se fosse um geneticista porque nao sou. Nem mesmo como medico humano, porque sou veterinario. Mas existem certas coisas que nem precisa ter estudado para se ter nocao delas. Os fazendeiros na familia, aqueles que nao lustraram bancos universitarios em particular, se forem questionados em relacao a suas preferencias de criar gado, provavelmente, dirao: “Eu prefiro o “girolanda”, porque me da menos trabalho.”

O particular na expressao “girolanda”, deveria representar apenas o cruzamento entre o gado de origem holandesa e o da raca gir, que tem origem indiana. Mas virou um sinonimo para toda mistura de racas com o gado holandes. O sentido eh este, o gado cruzado rende mais por ser mais resistente `as condicoes climaticas e ser mais saudavel. Para explicar isso, haveria que se entrar em detalhes medicos, que nao quero explorar aqui neste texto.

Quando a gente vai escolher animais para reproduzirem em uma atividade comercial, nos escolhemos os que nos parecem mais bonitos. Bonitos ai no sentido nao apenas de aparencia fisica mas tambem em termos de producao, seja leiteira ou de carne, ou mista, de acordo com o nosso interesse. A mesticagem, automaticamente, nos da uma melhor produtividade dentro dos objetivos que almejamos.

O que precisamos saber eh isso: animais aparentados tem a probabilidade de terem gens parecidos, ou seja, se algum da familia tem um gen que o torna fragil em relacao a um tipo qualquer de doenca, ha a probabilidade de o parente dele tambem ter o mesmo gen. Se ha o cruzamento entre parentes, entao, a probabilidade daquele gen se manifestar eh maior, portanto, os filhos serao mais susceptiveis a doencas e poderao ser menos produtivos.

As pessoas sabem disso desde os tempos biblicos. Uma familia pode ser muito bonita em varios aspectos. Mas ninguem recomenda que irmaos se casem ou tenham filhos entre eles. Nao apenas por causa das proibicoes religiosas e questoes de etica. Estas surgiram depois que a pratica mostrou o erro. Antigamente os reis, como os faraos e depois as familias reais europeias, se casavam mais frequentemente com pessoas aparentadas. Pensava-se que isso fosse o melhor. Eles imaginavam ser superiores e que essa superioridade seria mantida.

Na pratica aconteceu o contrario. Muitas dinastias foram perdidas porque a descendencia de casamento de parente com parente em geracoes suscessivas ocasionou a degereracao genetica a tal ponto que os casais reais nao conseguiram produzir filhos viaveis para a vida. Bem temos os fatos historicos na Historia Portuguesa: o da Crise de 1363 a 1365 e o periodo de 1580 a 1640 que a Espanha se apossou da coroa luzitana, como exemplos. Mas isso ja eh Historia.

Ora, se os criadores de gado procuram ter o cuidado de nao deixar que a consanguinidade atrapalhe o seu negocio, visando um lucro futuro, nao seria inteligente de nos mesmos aplicarmos esse conhecimento em relacao `as nossas futuras geracoes? Pois bem, entao…

Outra dificuldade para as pessoas compreenderem melhor essa possibilidade de problema eh o nosso periodo curto de vida. Mesmo que vivamos 100 anos, o que normalmente acontece com a maioria, eh conhecermos os nossos avos, pais, filhos e netos. Ou seja, as pessoas pouco se preocupam com o que foi antes ou o que vira depois. Mas os meus estudos tem demonstrado que deveriamos levar essa questao mais a serio.

As genealogias de um modo geral nao tem este objetivo que estou dando a ela agora. A maioria das pessoas que desejaram recordar suas ligacoes familiares geralmente o fizeram sem pensar muito, mesmo porque, o conhecimento genetico eh uma ciencia muito recente e ainda nao foi usado com todo o seu potencial na especie humana.

Existe ai uma linha de etica que precisa ser aplicada, e que nao eh levada em conta quando tratamos de outros animais. Porem, nao vejo nenhuma barreira quando o que queremos eh a melhora da condicao de saude de nossa descendencia. Como bem diz o ditado: “Eh melhor previnir do que remediar!”

Com o intuito de melhor compreender como a familia se formou, resolvi anexar `a nossa Arvore Genealogica os familiares de nossos familiares que, teoricamente, nao sao nossos parentes. E tambem venho tentando preencher aquelas lacunas que faltaram `a publicacao do livro. Por exemplo, na pagina 147 estao a tia Emygdia e seo Amaro, com apenas um dos filhos, o seo Joao de Souza Coelho e familia. Nesta e na pagina seguinte temos outras 3 irmas de nossos bisavos: Maria, Marcolina e Virginia, apenas com os maridos e filhos. Nao temos os destinos que tomaram.

Em relacao `a descendencia dos tios Emygdia e Amaro, pelo menos, ja consegui identificar algo mais. O que facilitou foi a minha convivencia com parte da descendencia. Mas ainda falta muita coisa. Uma das filhas, Luiza de Souza Coelho, ja aparece na pagina 155, pois, foi a esposa do seo Fernando (Fernando Coelho de Oliveira).

Mas alguma descendencia deles que voltou e se casou dentro da familia, embora constando no livro, nao foi identificada como tal. Exemplos foram a dona Chiquinha, segunda esposa do seo Eliphas do tio Daniel, pagina 109; tio Miguel, que se casou com tia Lia, pagina 56; e seo Gabriel, que se casou com a Ina, filha do Bernardino (Dino) e Carmelita (Sianita), pagina 156 e 159. Mas, por enquanto, nao me recordo que as descendencias destes tenham se encontrado com a descendencia do Joao Rodrigues.

No campo dos familiares extrafamilia tenho decifrado detalhes super importantes para a nossa genealogia como um todo. E algo reflete na Toca do Joao Rodrigues. Um dos primeiros ramos que alguem me ofereceu informacao foi do casal: Joao Lucio de Oliveira e dona Graciana. Vou abreviar aqui os detalhes desta familia:

Joao Lucio de Oliveira – Graciana, foram pais de:

1. Jose Lucio de Oliveira – Rita (Sa Ritinha) Queiroz
2. Antonio Lucio de Oliveira – Cira e Diva Coelho (126 – 129)
3. Enoi Maria de Oliveira – Euler de Magalhaes Barbalho (185)
4. Maria Angelina de Oliveira – Sylvio Rodrigues Coelho (119)
5. Maria das Dores de Oliveira – Jose Arsenio Passos

Por enquanto, penso que nao houveram casamentos de descendentes da dona Das Dores e Antonio Lucio com descendentes do Joao Rodrigues. Mas das dos outros, existe toda a certeza. Dona Maria Angelina foi a mae da tia Iva, que se casou com o tio Sinho (Otto de Magalhaes Barbalho – 71). Zeze Lucio e Sa Ritinha foram os sogros do tio Oldack – 72 . Dona Enoi foi a mae da Socorro, que foi a mae dos filhos do Justino do tio Anisio – 99.

O interessante agora eh verificarmos que completando a Arvore com a Familia Lucio de Oliveira a Arvore Genealogica deixa de ser plana. E nos precisamos observar como isso reflete em termos parentais. Reparem que do ponto de vista da Familia Coelho ja existe o parentesco, que se multiplica em razao do angulo Lucio de Oliveira de ver. Se fosse feita uma Arvore Genealogica de descendencia dos senhores Joao Lucio e Graciana, nao levando em conta o parentesco dos Coelho que entraram na familia, esta Arvore tambem ficaria plana. Ao combinarmos as duas a coisa comeca a enovelar-se.

Nos dias mais recentes ocorreu-me outra descoberta genealogica. Trata-se do casal Sebastiao Ferreira Rabello de Magalhaes e Antonia Nunes Coelho (Sia Antoninha). O lado ofuscante ai no casal eh que o Ferreira Rabello da familia vem do Serro. Dito eh que trata-se de parentes proximos do Barao do Serro que tambem assinava Ferreira Rabello. Vou colocar somente parte da genealogia com implicacoes na Familia Coelho:

Sebastiao Ferreira Rabello de Magalhaes – Antonia Nunes Coelho

1. Blandina Nunes Rabello – Gabriel Nunes Coelho 174
2. Maria Clara Nunes Rabello – Francisco Dias de Andrade Junior
3. Marietta Nunes Rabello – Onesimo de Magalhaes Barbalho 184

So aparentemente dona Maria Clara e Francisco nao estao no livro. Eles foram os pais do Geraldo (Lalado) Dias de Andrade, segundo marido da dona Heloisa (189), filha dos tios Marcial e Cecy. Mas o envolvimento parental que identifiquei imediatamente com a familia do Joao Rodrigues foi o caso da tia Marietta. Ela foi a mae do Euler, ja mencionado, e do dr. Helio de Magalhaes Barbalho (paginas 128 e 184).

Neste caso, a consequencia foi o casamento da Eliane com o Helio Anisio. Outra eh o casamento da Socorro (Euler/Enoi) com o Justino, tambem do tio Anisio. Nos dados do livro, a consanguinidade que aparecia entre o Justino (99) e a Socorro (184), era minimo. Agora devemos subir um pouco o nivel ja que aparece a dona Antonia Nunes Coelho como bisavo dela. Ainda nao consegui dados anteriores a essa Sa Antoninha. Mas a tia Adalgisa era filha da tia Vitalina Nunes Coelho, esposa do tio Altivo Rodrigues Coelho (36). Isso da outra volta no novelo.

A descendencia do Justino e Maria do Socorro esta posta fora de ordem no livro da Ivania. Eles se encontram na pagina 87, onde tambem esta a descendencia do Guido e Das Dores. O Lecinho nao era ainda casado. Ele se casou com a Adriana de Souza Figueiredo Coelho. Ja sei que o Souza dela foi um engano do escrivao e que deveria ter o sobrenome Soares, da dona Jessilia, a esposa do Jose Pedro Figueiredo.

Neste ponto ha uma incognita. O mais provavel eh que a maior parte da descendencia do Joao Rodrigues nao conheca os pais da Adriana e nem a familia. Eu porem conheco e tenho a intimidade de primo. O que nos falta responder eh se se trata de primo apenas por afinidade ou de fato. Gostaria que a Adriana nos ajudasse na solucao desta pergunta ainda sem resposta.

O fato eh este. A pagina 201 do livro da Ivania registra a familia dos tios Quiteria de Magalhaes Barbalho e Joaquim Pacheco Moreira. Entre os filhos esta a Carlota de Magalhaes Pacheco, esposa do Jeronymo Jose de Figueiredo que se casaram e foram residir para os lados de Divinolandia de Minas. Bom, sao diversos membros da Familia Figueiredo que ocupam o territorio limitrofe entre Virginopolis e aquela cidade. Como ainda nao consegui nada concreto em relacao `a descendencia da Carlota e do Jeronymo, posso supor que ha alguns Figueiredo descendentes deles. Quais sao? Eis a questao!…

Se a Adriana puder ajudar-me, poderia procurar com os pais dela os nomes dos pais e avos, ou seja, avos e bisavos da Adriana. Se possivel, acompanhado de irmaos e conjuges para sabermos o quanto de uniao ja existe entre as familias. Sao muitos outros Figueiredo que sao ou foram casados com os Coelho. Mas eu nao tenho ideia de como associa-los num tronco Figueiredo comum a todos.

Seria bom decifrarmos nao apenas o lado Figueiredo porque muitas das familias em Divinolandia tem homonimas vinculadas a Virginopolis. E na maioria dos casos nao sao apenas homonimas e sim partes do mesmo ramo familiar. Nao apenas em Divinolandia como em todas as outras cidades. E em seguida precisamos saber o que andara acontecendo em relacao aos casamentos da juventude de hoje. Eh possivel que estejam havendo casamentos de familiares consanguineos de uma cidade com familiares consaguineos de outra e nas cidades maiores como Governador Valadares estar havendo o enlace dessas familias, sem que se saiba que os ancestrais um pouco mais antigos sao os mesmos.

Outras tres irmas da Adriana sao ou foram casadas na Familia Coelho. A Cleidiana foi casada com o Andre, filho do Cilico dos tios Marcial e Cecy; a Ana eh casada com o Mauricio Coelho Lacerda, nosso parente pelo lado Coelho Barbalho; e a Mirian com o Newton Jose Coelho, bisneto dos tios Emygdia e Amaro. Embora, estas tres ultimas nao tenham vinculo com a descendencia do Joao Rodrigues. As filha do Lecinho, Laura e Livia, entram no time do tio Anisio.

Algo que penso ira nos ajudar em breve a compreender melhor a formacao familiar eh que estou podendo fazer os lacos matrimoniais das familias no sitio http://www.geneaminas.com.br. Antes, eu havia colocado la os dados do livro da Ivania, porem, tudo ficou mais ou menos como estava no livro.

No caso do livro, a Ivania deu preferencia por inscrever primeiro a descendencia Rodrigues Coelho. Assim, os Magalhaes Barbalho e Batista Coelho, os que tambem sao Rodrigues Coelho, entraram na descendencia do Antonio Rodrigues Coelho. Quando se passou para as outras duas descendencias, nao havia a necessidade de repetir-se, como nao foi feito.

Mas neste ponto tenho que fazer uma ligeira critica ao livro. Creio ter sido uma distracao, comum a outros autores que tenho observado. Para nos os mais velhos, que somos de geracoes mais antigas, nao era muito necessario indicar que o Trajano de Magalhaes Barbalho, casado com Zulmira Coelho de Magalhaes, pagina 65, era filho do tronco Barbalho e aparece na pagina 183. Isso porque tivemos a oportunidade de conhecer boa parte das pessoas tratadas no livro e ja tinhamos algumas informacoes incutidas em nos por esta razao.

Contudo, imaginem o trabalho que seria para as pessoas das geracoes posteriores `a nossa e para algum pesquisador qualquer! Assim, faltou colocar um sinal indicando isso. Por exemplo, na pagina 65 poder-se-ia ter colocado o numero 183 na frente do nome do avo Trajano. E na pagina 183, o numero seria o 65 em frente ao nome da Dindinha Zulmira. Assim, a ligacao seria imediata para qualquer um que precisasse conhecer os dados em um futuro proximo e que nos nao estivermos mais aqui.

Em minha postagem na internet, dei preferencia para as descendencias primeiro se alinharem sob a denominacao Batista Coelho. Isso mudou o centro. Embora, neste caso, a Dindinha Zulmira encaixou-se naturalmente na linhagem materna, ou seja, da Dindinha Olimpia, que era Batista Coelho. O que nao era possivel fazer era ligar o Joao Rodrigues, tanto `a ascendencia quanto `a descendencia, assim ele ficou sem os pais na propria casa. Na casa do pai dele, a Dindinha Olimpia ficou sem os pais, e os dois ficaram sem descendencia.

A boa noticia dagora eh que estou podendo fazer as ligacoes. As ligacoes ja foram confirmadas no sitio. Neste caso, apaguei o casal na casa do Antonio Rodrigues e Maria Marcolina, pais do Joao Rodrigues, e fiz a emenda dele com os pais. Agora poderemos navegar tanto no sentido ascendencia quanto descendencia, sem precisar ficar procurando. Neste ponto, a tecnologia virtual esta superando a tecnologia da celulose.

Quando tudo estiver pronto e efetivado, ai sim a coisa devera ficar bonita. Espero que sim e que agrade, principalmente com os acrescimos que venho fazendo. Por exemplo, ja inscrivi o sr. Antonio Moreira e dona Dinah como os pais da Railda, esposa do tio Ozanan. Ainda nao tenho os dados completos deles mas os nomes ja sao o suficiente. Assim ja foram efetivados, e ligados tambem `a Margarida, irma da Railda, e esposa do Lincoln Antonio Lucio. Assim tenho feito com todas as familias que nao entraram no livro.

Isso ira fazer da Arvore Genealogica da Familia Coelho um enovelado organizado. Quem quizer acompanhar somente a descendencia plana de um determinado ancestral, nao tera o menor problema em faze-lo. Mas quem desejar ver os relacionamentos com as outras familias tambem nao tera o menor problema em faze-lo.

Exceto se o sitio nao tiver velocidade suficiente para receber um numero maior de visitantes. Se todo mundo correr ao mesmo tempo para la, ja sei que ele nao tem capacidade de atender todo mundo, mas com o tempo ira melhorar.

O bom de tudo isso eh que as pessoas poderao se inscrever e fazer as atualizacoes das proprias familias, sem precisar passar dados para terceiros. Quem se inscreve e acrescenta dados pode ver as alteracoes que estao sendo sugeridas. Mas o navegante nao inscrito so podera ve-las apos efetivadas. Ai podera demorar uns bons dias.

So peco que atentem para um fato. Antes de incluirem alguem, se nao for nascimento rescente, busquem o nome na janela. Como tem muito dado atrasado, pode ser que uma pessoa esteja solteira na casa de seus pais e a esposa ou marido na casa dos proprios pais. Se alguem acrescentar o conjuge faltante, ao inves de primeiro fazer a ligacao, ira colocar nome repetido. E uma pessoa podera fazer o mesmo, so que na outra pagina, onde a cara-metade ja estava. Ai fica um casal postado duas vezes e pode ser que se coloque parte da descendencia de um lado e parte do outro. O melhor sera que todo mundo fique unido, nao eh mesmo!?

Ja deve ter mais de mes que escrevi essa parte e planejava detalhar mais a respeito de dados de outras familias que acrescentei, como as Furtado Leite, Cunha de Menezes, Campos etc. Mas vejo que nao havera necessidade aqui, pois, os dados ja foram atualizados no Geneaminas e em poucos dias deverao completar as ligacoes que faltam. Assim quem desejar navegar nao devera ter a menor dificuldade.

Quem o desejar podera fazer as atualizacoes que faltarem porque existem ramos da familia que nao tenho atualizacoes desde 1979. Mas nao se esquecam de enviar os dados tambem para a Ivania porque ela eh a principal guardia a nossa Arvore. Ou, pelo menos, se fizerem alguma atualizacao no geneaminas, mandem para ela um alo para que ela recolha os dados diretamente dele.

Outro detalhe. Quem quizer ir acrescentando dados de seus parentes e melhorando os que ja possuo o facam. Por exemplo, quando postei o sr. Antonio Moreira e dona Dinah, nao tinha outra fonte que nao a memoria para postar os nomes. Portanto, seria bom que a descendencia deles acrescentasse o que falta como, nome completo, datas e locais de nascimento e falecimento. E seria bom acrescentarem o restante da familia que desejarem. Eu acrescentei o nome do Mucio Moreira e postei a Baiana, pelo apelido mesmo, porque nao sei o nome dela. Podem acrescentar tudo porque cabe no sitio, sem interferir com miolo que eh a Familia Coelho.

Tambem, seria bom acrescentar ascendentes do sr. Antonio e dona Dina, caso alguem lhes conheca algum ancestral. Isso porque, talvez, poderemos encontrar ja algum ancestral comum. Um exemplo eh que nos os Coelho, por via dos Rodrigues Coelho, descendemos do sargento-mor: portugues, Domingos Barbosa Moreira. Pode ser que os Moreira sejam o mesmo. A probabilidade eh grande porque o Domingos chegou ao Brasil antes de 1738, instalou-se em Sao Goncalo do Rio das Pedras, distrito do Serro. Nos descendemos dele por via feminina, dai os sobrenomes dele terem se perdido com a nossa Historia passada.

Por outro lado eh bom que os membros da familia dos senhores Antonio e Dina sejam postados por uma razao simples. Mesmo que ainda nao sejam Coelho, nas geracoes que se seguem `as nossas a tendencia sera de que as descendencias se encontrem. Dai nao se perdera as raizes tanto Coelho quanto Moreira. As unioes poderao ser feitas e isso ficara para os futuros estudos e o conhecimento de toda a descendencia.

Usei os Moreira apenas como exemplo. O mesmo ja eh valido para todos, mesmo aqueles que nao postei dados, por nao conhece-los. Acrescentei dados dos Borges Perpetuo que tenho conhecimento. Assim ja deu para colocar a Pretinha, a Nana, a Ilca, o Wagner e o Valtinho, todos casados na Familia Coelho, emendados numa mesma raiz. Na medida do possivel, ja acrescentei os irmaos. Ou melhor, dei o pontape inicial e alguem me ajudou.

Alem disso acrescentei nomes ficticios para os pais do sr. Otavio “Cilino”. Isso porque nao sei seus nomes. Mas nao se preocupem. Quem souber podera corrigir, bastando que se inscreva, entre na Arvore e aperte a tecla “alterar dados”. Quando aparecer a ficha, basta preenche-la com as correcoes e enviar. Nos proximos dias que isso for feito os dados serao efetivados.

O motivo de eu ter feito este acrescimo foi o de associar o sr. Otavio ao sr. Abilio, por serem irmaos. O sr. Abilio foi o pai do Jose Maria Borges, que se casou com a “tia” Diva, filha do sr. Jose Martinho e dona Efigenia. Os dados da familia do sr. Abilio tambem estao incompletos. Mas se tornam imediatamente interessantes porque ele eh o pai, entre outros, da dona Iva, viuva do sr. Joao Lucio de Oliveira, irmao da Terezinha do tio Oldack.

Por ai se pode observar o enovelamento entre as familias. Quem for Lucio de Oliveira podera, caso o desejar, seguir apenas o ramo Lucio de Oliveira. Mas neste caso, os descendentes do sr. Joao Lucio terao o privilegio de tambem escolher navegar nos dados dos Borges Perpetuo. Com o detalhe, sera bom aprofundarmos tambem essa raiz pois, os Rodrigues Coelho tambem sao Borges, pois, descendemos dos Borges Monteiro que chegaram de Portugal na pessoa do quintavo Antonio Borges Monteiro, que tambem se instalou no Serro, mas mudou-se e ajudou a fundar o Arraial de Sao Sebastiao dos Correntes, atual Sabinopolis.

No caso do Wandinho da Rosany do Ozanan, posso acrescentar que ja tenho algo mais, que o livro da Ivania nao mostra. Angariei algumas informacoes com nossos primos, primos mais proximos dele, e somei tambem o que encontrei no livro “Historia de Virginopolis”, da dona Maria Filomena de Andrade (Dona Negra). Assim, temos a genealogia dele, pelo lado Nunes Coelho Leite, ate ao nivel de trisavos.

O que isso mostra eh que ele eh duplo Furtado Leite. Com chances de ter um Coelho a mais, ou seja, o do Jose Feliciano Pinto Coelho da Cunha, o Barao de Cocais. Pelo menos a tradicao da familia afirma que os Leite da area de Virginopolis descendem do barao. A familia realmente procede da Cidade de Barao de Cocais. Os trisavos deles estao na faixa de idade de poderem ser, como diz a tradicao, filhos extraconjugais do Jose Feliciano (claro, ou um ou outro). Falta-nos apenas comprovar ou negar a tradicao. Mas de antemao posso afirmar que ha grau de parentesco, pelo menos, com a mae do barao, que fazia parte da familia Furtado Leite.

Como o livro da Ivania nao acompanhou a heranca Furtado Leite e nem a Coelho completas, temos ai mais um caso de farofa com farinha. O livro mostra na pagina 13 que o filho numero 7 dos tios Sebastiana Honoria e Joaquim (Quinsoh), Eshter Honoria, casou-se com o sr. Octavio Nunes Leite. Como nao mostra, nao fica claro que eles foram os pais do sr. Sebastiao Nunes Leite, pai do Wandinho.

Na pagina 167 o livro mostra o casamento da dona Izaura com o sr. Waldemar Leite. Porem nao traz nem ascendencia dele nem a descendencia de ambos. Acontece que os srs. Waldemar e Octavio eram irmaos, filhos da Luiza Nunes Coelho e Luiz Furtado Leite. Luiza esta na pagina 12 do livro da Ivania. Era irma do Quinsoh, e filha dos tios Francisca Eufrasia de Assis e do ten. Joaquim Nunes Coelho, fundadores de Virginopolis.

A coisa continua a complicar-se sabendo-se que dona Isaura e seo Waldemar foram os pais da dona Neria Nunes Leite. Dona Neria casou-se com alguem, espero, fora da familia, que foi o sr. Antonio Pinto de Souza. Eles foram os pais de dona Maria do Socorro Pinto Leite, a mae do Wandinho.

Qual a implicancia isso tera para os filhos da Rosany e Wandinho nao se pode afirmar nada. Existe o risco de haver um grau de parentesco a mais, pois, todos nos que descendemos do Joao Batista Coelho e Maria Honoria Nunes Coelho ja temos a avo dela, Anna Pinto de Jesus, como ancestral que nos da pravavel parentesco no Pinto. Embora seja suavizado pelas geracoes passadas, porem, observem que se repete nas vezes que ambos descendem dos Nunes Coelho que, somadas, sao 6 vezes.

Isso porque o avo da dona Izaura, Jose Nunes Coelho, marido da tia Emigdia de Magalhaes Barbalho era irmao da Luiza e do Quinsoh. Alem disso, o Barbalho acaba sendo repetido do lado da Rosany e do Wandinho.

Torcamos para que o lados Pinto de Souza, Futado Leite, embora duplo, e o da Cunha Menezes do Wandinho somem variabilidade genetica com o Moreira da Rosany. Assim os filhos poderao estar protegidos dos males geneticos ocasionaveis pelos casamentos consanguineos. Mas eh bom que os pais acompanhem o desenvolvimento do caso do Paulinho Cesar Coelho Ferreira. (Que o Paulo Henrique, irmao do Paulinho, e a Lucia Olimpia dos tios Zeze e Otavio mantenham-se alertas).

Nao quero aqui assustar ninguem. Quero apenas chamar a atencao para duas coisas. A primeira eh que “Biologia nao eh matematica”, como repetia o professor Patarroyo la em Vicosa. O que eh uma esperanca de nao haver consequencias para os filhos. Mas outro bom aviso eh este: alguem disse que: “alem dos pediatras, os pais deveriam levar seus filhos aos geriatras, desde o nascimento.” Eh uma verdade que esta cada vez sendo mais possivel com os avancos da genetica.

Em primeiro lugar, os problemas de saude nos idosos comecam na infancia. Alguns cuidados geriatricos desde a infancia poderao refletir positivamente durante a terceira idade. Outro detalhe eh que muitas situacoes geneticas nao se manifestam, porque dependem de efeitos ambientais e de comportamento. Por exemplo, ja se verificou que pessoas portadoras de gens que poderiam conduzir a condicoes cardiacas sofrem do mal enquanto outras portadoras nao sofrem.

Foi observado tambem que as pessoas que vivem em ambientes de stress sao mais susceptiveis a desenvolver os problemas, ao contrario daquelas que vivem sua vidinha tranquila do campo, mesmo possuindo o mesmo conjunto de gens que afirmam terem as mesmas tendencias. Portanto, quanto mais cedo detectar-se a possibilidade e mais cedo tomar-se precaucoes, tenderemos a ter os melhores resultados.

`As voltas com minhas confabulacoes a respeito da Familia Furtado Leite, acabei recordando-me da existencia do sitio http://www.gencoelho.xpg.com.br/antonio_furtado_leite/pafg06.htm#8071. O gencoelho tem dados colhidos pelos nossos primos Joberto Rodrigues Miranda e Ricardo Rodrigues Coelho. O Joberto eh nosso aparentado pelas vias de casamento da irma dele, Maricelia, com o Ricardo. Os ancestrais deles, provenientes dos mais antigos nucleos de povoacoes mineiras, incluindo-se Leopoldina, Cipotanea e outros, indicam a possibilidade de encontros geneticos antigos. Porem nao chamando a atencao por enquanto.

O que eh importante a informar aqui eh que ha no gencoelho um bom acompanhamento de dados do lado Coelho Leite que nao possuimos. Assim como tambem parece nao ter havido o interesse do acompanhamento de dados no mesmo sentido que estou querendo desenvolver. Penso assim porque verifiquei que o sitio tem um bom acompanhamento das descendencias dos srs. Luiz e Francisco Furtado Leite, respectivos esposos da Luiza Nunes Coelho e da sobrinha dela, America (Sa America) Honoria Coelho, pagina 13 do livro da Ivania. Porem falta o acompanhamento de, pelo menos, de outro irmao na familia, o sr. Modesto Furtado Leite.

Apenas para ilustrar, o sr. Modesto casou-se com dona Valeriana Maria de Jesus e foram pais de: Maria, Juventina, Geni, Mozart, Waldomiro e Jose. Dos filhos, as pessoas da minha geracao em Virginopolis deverao bem se lembrar, pelo menos, das donas: Geni, Juventina e do Mozart. Dona Geni foi mae da dona Geralda, esposa do seo Rafael Coelho de Oliveira; do Angelo Figueiredo Leite, que foi o marido da Diana Maria Coelho, filha do seo Gil do ti Xico; e da dona Socorro, que de antemao sei ser a mae da Sonja Francisca Figueiredo Lacerda de Oliveira. Complicado?

Nem tanto. A Sonja foi a primeira esposa do Grijalvinha, cujas 5 filhas fazem parte do time da descendencia da Dindinha Zulmira. Infelizmente, faltou `a minha memoria o nome do pai da Sonja que encaixa-se no ramo Lacerda e que tambem tenho procurado decifrar. Falta-me, tambem, o devido acompanhamento do lado Figueiredo, que vem do sr. Tunico Figueiredo, que foi o marido da dona Geni. Sei que a irma da Sonja, a Sayonara, foi esposa do Robert, filho do sr. Cesar Rodrigues Coelho e dona Dalva (Vivica) do seo Waldemar e dona Isaura. Como sao diversos os membros da familia que nao tenho o acompanhamento de memoria, preciso da ajuda para fazer as devidas ligacoes. Compareca ai Sonja.

Agora que estou fazendo essa revisao aqui, recordei-me que o pai da Sonja eh o senhor Cesar Coelho de Lacerda. Infelizmente, faltou-me os vinculos que o ligam `a raiz da Familia Coelho de Lacerda que a dona Maria Filomena nos proporcionou. Julgo que ele seja neto de algum dos casais por ela mencionados. Mas nao posso afirmar nada por enquanto. No capitulo 07 desta postagem eu apresento outras informacoes. Entre elas a de que 2 outras irmas da Sonja sao casadas com nossos primos. Sao elas a Tina e a Dengo. Nao sei o destino dos outros irmaos.

A Tina chama-se Sara Regina e a Dengo Maricelia. Casaram-se na casa do senhor Nelson Rodrigues Nunes Coelho, filho do senhor Eliphaz e na da dona Ina, filha do senhor Gabriel Coelho de Oliveira, respectivamente. Ha aqui que salientar-se que descendem elas do senhor Tunico Figueiredo, e a dona Ina foi a esposa do Zeze Figueiredo. Ou seja, o Figueiredo se repete nos filhos da Dengo. Por isso ser util para eles entendermos como se da esse parentesco tambem por este lado.

Dona Juventina foi a esposa do sr. Jose Randolfo e moraram bem na praca central de Virginopolis. Ja sei que o filho deles, Jose “Folhao” foi o marido da professora, D. Durica, filha dos srs. Minervino e Zinah. D. Durica e Ze Folhao repetiram o Furtado Leite na descendencia. Sao os avos do jogador profissional de futebol, Leandro Almeida, jogando atualmente no Coritiba.

O gencoelho nao mostra isso porque tem o acompanhamento apenas da filha Arlete. Mas o Leandro eh filho do recem-falecido Teo. Ja os tenho catalogados e ligados, gracas `as informacoes cedidas pela propria Arlete. Quanto ao Mozart, foi o pai da Madalena, que se casou com o Jose Geraldo (Joao) filho dos tios dos da casa de meus pais: Adir Martinho e Murillo Coelho.

Caso o Joberto e o Ricardo desejarem, tanto poderao completar os dados do gencoelho com o que venho encontrando quanto anexarem os deles ao que esta no geneaminas. Isso facilitaria muito futuras pesquisas. De qualquer forma, vou despreocupar-me um pouco com o ramo Leite da Familia, na parte que toca a dados ja catalogados por eles, para dedicar-me mais aos dados que nos faltam em conjunto.

Para dar outra demonstracao da importancia de buscarmos os dados dos familiares de nossos familiares, citarei o exemplo do dr. Francisco Antonio Lins Leal, marido da tia Otacilia de Magalhaes Barbalho. Nao tenho nada de concreto mas ha que se levantar as antenas. O que tenho dele ate ao momento eh somente que nasceu em Teofilo Otoni. Muito pouco se nao associarmos que a cidade, antiga Filadelfia, foi fundada por Teofilo Otoni e seus contemporaneos do Serro.

Nem isso eh importante. Mas associe-se que o Lemz entrou no Brasil por uma porta unica. Vem dos Paises Baixos e foi introduzido na epoca dos “holandeses” no Nordeste. Pouco tempo depois dos Barbalho e diversas outras familias associadas terem colonizado Pernambuco. E as familias que renderam os Barbalho e os Lins foram as mesmas. Mas isso tambem nao vem muito ao caso porque o nosso ramo Barbalho separou-se de onde andavam os Lins ha um bom par de seculos antes do casamento dos tios Otacilia e Francisco.

Mas somente ha 4 anos atras tive uma entrevista com dona Violeta Amaral Figueiredo. Ela foi a esposa do Otavio Batista Coelho, filho dos tios Jose (Juca) Coelho Sobrinho e Maria Marcolina (Culina) Pereira do Amaral. O seo Juca esta na pagina 138 e era irmao da Dindinha Olimpia. A tia Culina aparece na pagina 226, por ser filha do tio Ernesto. Ou seja, tios Juca e Culina eram primos em primeiro grau, pelo lado Pereira do Amaral. Dona Violeta era prima deles, pois, era filha de dona Marietta Pereira do Amaral, porem, nao revelou os nomes dos avos maternos. Nao sei como ela se encaixa no lado Pereira do Amaral.

A coisa comeca a complicar porque dona Violeta era neta paterna de: Antonio Pereira Figueiredo, que era portugues, e de Maria Augusta Lins. A familia da dona Violeta e seo Otavio Batista Coelho esta bem espalhada pelo mundo. Mas como foram 15 filhos nascidos em Gonzaga, imagino que exista alguma descendencia em Governador Valadares, Belo Horizonte e outras.

Agora, juntando os fios `a meada! Se hoje algum dos netos dos tios Otacilia e Francisco e dona Violeta e seo Otavio se encontrarem e comecarem a namorar, irao procurar pelas informacoes genealogicas? Acredito que nao, principalmente se a Arvore Genealogica nao estiver disponivel. Nao que eu perceba algum perigo iminente numa possibilidade dessas. Mas sera um tanto dificil os Lins do Serro nao terem vinculos com os de Teofilo Otoni e nao haver outros vinculos com os Coelho e/ou os Pereira do Amaral. Seria bom que isso fosse conhecido, nao para impedir um suposto casamento ja que nao ha lei que o proibisse, mas para atuar-se na parte preventiva em favor das futuras geracoes.

Este seria um bom conselho, embora a conclusao do caso aqui apresentado seja totalmente hipotetico.

Nem sera preciso salientar que gostaria de ter o acompanhamento de todos os casados na familia. Ja encontrei raizes da familia da tia Lourdes Campos. Faltam da tia Lourdes Rocha. Como esta nasceu em Sao Joao Evangelista, sera muito pouco provavel nao encontrarmos vinculos parentais entre ela e o tio Murillo Barbalho.

Estou, entao, aguardando que todos cooperem e ajudem nestas investigacoes. Isso podera ajudar os genealogistas a determinarem se a questao que esta em discussao com o Paulinho Cesar Coelho Ferreira deve-se a um ou outro gen. E pode ajudar nao apenas na presente questao levantada. Podera ajudar em muitas outras que surgirem.

Eu comecei a escrever este texto dias antes de saber o que estava acontecendo com o Paulinho. Suspendi a conclusao porque estava envolvido em fazer as ligacoes no geneaminas e com outras questoes, como a ajudar a encontrar os possiveis ancestrais que foram acometidos pelo mesmo problema e tambem com a questao da “Toca do Joao Rodrigues” que esta ruindo em Virginopolis. Mas penso que agora posso fechar este comunicado na certeza de que estava correta a minha iniciativa de revisar nossa Arvore Genealogica e somar dados dos parentes de nossos parentes.

Aproveitem o maximo e ajudem a mante-la. Obrigado e grande abraco.

Valquirio.

 

 

13. PRECONCEITO E ORGULHO

Resolvi explorar um pouco este tema porque a lembranca que o senhor Gilberto Coelho da Silva tinha origem racial africana fez-me retornar a velhos raciocinios, coisas que intrigam meu espirito desde a juventude. Entre elas, a questao do preconceito que existia, que disfarca e muda de cara mas nao vai-se embora. E tambem a questao em relacao aos anos 1960 no Brasil em comparacao com o que estava ocorrendo aqui nos Estados Unidos.

Aqui, o movimento pelos direitos de equiparacao social chegou ao apice, com o reverendo Martim Luther King encabecando manifestacoes de Norte a Sul do pais. Acabou sendo assassinado por causa de sua ousadia, porem, logo em seguida o presidente Lindon B. Johnson se viu obrigado a assinar a Lei dos Direitos Civis, onde tornava extintas toda a parafernalia legal que dava direito desigual `as pessoas de origem europeia. O reverendo tornou-se dia nacional nos Estados Unidos com um feriado dedicado ao nome dele. Enquanto aqui o assunto incendiava ruas e ceifava vidas, no Brasil a indiferenca a isso foi praticamente uma regra. Por que?

Nao tenho como dar uma resposta exata. Posso apenas passar uma impressao minha. Contudo, aqui o movimento segregacionista estava intimamente ligado `a propria Historia. A populacao nao europeia era considerada inferior. Nao envolvia unicamente os africanos mas indigenas e asiaticos como chineses e japoneses tambem. E isso estava ligado a uma crenca muito forte no pais que afirmava que Deus havia criado as diferencas e que fora por vontade de Deus que os brancos dominassem. Eh a crendice na supremacia branca, que tambem deu origem ao nazismo.

O pensamento no Brasil era semelhante. Contudo, com uma forca bem menor. Por que?

Creio que posso comecar minhas impressoes do inicio. Primeiro, criancas nascem sem ter orgulho nem preconceito. Se uma crianca sueca for adotada por um casal africano ao nascer e for levada para algum local na Africa onde existam apenas africanos e ali crescendo sem ser lembrada de sua origem biologica, essa crianca sera psicologica e culturalmente africana, apesar da coloracao diferente. Claro, essa pessoa podera passar por muitos percalcos na vida, ate descobrir porque eh diferente dos outros `a sua volta, e podera sofrer muito ou nao, dependendo do como a sociedade trata-la.

O mesmo se daria se fosse o oposto, ou seja, uma crianca africana adotada na Africa e criada num ambiente totalmente diferente de sua origem biologica, podendo ser na China, Japao, India, Estados Unidos etc. Desde que o local do crescimento nao tenha outros imigrantes africanos que possam entrar em contato com ela e ja desde cedo servir como fonte de informacoes.

Em ambos os casos, se o adulto retornar ao seu ambiente de origem biologico tera maior ou menor dificuldade de adaptacao, dependendo do que a cultura que o criou lhe tenha incutido a pensar de si mesmo. Se ele foi incutido a acreditar que eh superior ou inferior, sentira preconceitos dos outros ou de si mesmo. Ou seja, nao se saberia dizer se o orgulho eh resultado do preconceito ou o preconceito eh resultado do orgulho.

O preconceito e o orgulho sao mais salientados em sociedades onde se cultivam o individualismo e a competicao. Quando os mentores das criancas, sejam eles pais, lideres politicos, religiosos ou educadores de um modo geral instigam a competitividade e o individualismo, ou seja, quando fazem a crianca crer que eh melhor aquele que vence tal tipo de competicao, e que o vencedor merece algo mais que os outros, frequentemente, os dois defeitos afloram, se o pupilo nao tiver uma consciencia critica da vida e for seguidor cego de seus instrutores.

Bom, um certo nivel de competicao sempre foi bom dentro de uma sociedade. Um pouco de individualismo tambem pode acarretar resultados positivos. Foi com isso que a variedade humana conseguiu dominar um mundo. Claro, com grande ajuda da mae natureza que nos privilegiou com caracteristicas que os outros animais nao tem.

Nos desenvolvemos a fala, a capacidade de raciocinios complexos e, gracas `a formacao de nossas maos com o dedo polegar em oposicao aos outros, nos foi permitido criar instrumentos que nos deu vantagens, como armamentos, meios de transporte etc que favoreceram desproporcionalmente a nossa vantagem em relacao aos outros competidores. Mas isso nao dependeu de a gente querer ou nao. A natureza nos deu de graca. E isso eh igual para todo ser humano.

Ora, se a nossa evolucao foi coletiva, ou seja, todos tivemos um mesmo principio, nao deveriamos nos julgar superiores a ninguem. O que provoca isso eh o individualismo e o espirito exacerbado de competicao. Embora, o preconceito seja o resultado de um certo complexo de inferioridade. Os ancestrais que dominaram o mundo ao nosso redor sao os mesmos para toda a populacao atual da Terra.

O que quero afirmar aqui eh que: se realmente fossemos superiores a alguem outro, entao, nao sentiriamos preconceito algum em relacao a esta pessoa. Um exemplo para que entendam. Imagine que Leonardo da Vinci fosse muito orgulhoso. E apos toda aquela obra maravilhosa de criacao dele, ele se encontrasse com Deus. Distraido pelo proprio orgulho, entao, perguntasse a Deus: Senhor, sois Vos capaz de fazer algo melhor do que fiz? Claro, Deus absolutamente Ciente da pequenez do homem logo responderia: Filho, voce nada criou, apenas copiou de Mim! O que eu fiz eh o original. Sua obra por mais perfeita que fosse nao tem a vida que dei `a minha Creacao.

Penso que competir eh bom. Quando vemos alguem fazendo algo e isso nos induz a tentar fazer melhor, isso eh bom. Quando o conseguimos eh melhor ainda. Porem, julgarmo-nos ser melhores em funcao disso, eh grande fraqueza. O complexo de inferioridade se manifesta exatamente quando temos essa fraqueza, pois, podemos ser levados a pensar que se uma terceira pessoa tentar, conseguira fazer melhor que nos.

Assim, diante dessa possibilidade, o complexo de inferioridade o induz a pensar: se outro fizer melhor que eu, entao, vou garantir-me me colocando acima desse que venci. Mas antes mesmo de colocar-se acima do outro, em imaginacao, o proprio se coloca abaixo do terceiro. Isso eh preconceito. Pois, o fato de saber-se fazer algo melhor que alguem, nao te faz em nenhum momento melhor que ele.

Todos os recordes sao batidos, nao porque quem esta agora na melhor posicao eh melhor que os anteriores e sim porque, observando-se o que os primeiros fizeram, aprende-se o que fazer para supera-los. Eh como subir escada fazendo degrau dos ombros dos outros.

Mas o que me faz repensar essas coisas foi o meu modo de entender a Historia do preconceito. Povos europeus surgiram mais em funcao de condicoes climaticas, pois, ha 75.000 anos atras o planeta entrou numa fase de Era Glacial. Com o frio, uma populacao surgida no Caucaso foi tangida para a Peninsula Iberica e Norte da Africa. De um lado do Gibraltar formou-se um grupo que se chamou europeu e do outro a populacao berbere. Geneticamente era a mesma.

Com o fim da Era Glacial entre 13.000 e 10.000 anos atras, e o derretimento das geleiras que haviam tomado conta de todo o continente, essa populacao foi expandindo e migrando cada vez mais para o Norte. Com o passar dos milenios, formaram-se varios grupos com algumas diferenciacoes na aparencia. Isso eh o que constituiam os povos europeus como: gauleses, godos, francos, vandalos, saxoes, anglos, vikings, suevos, bretoes, hispanicos, lusitanos e outros. Na verdade, pouca diferenca genetica existe entre eles, porem, eles se viam pelo pouco de diferenca que existia na aparencia e nao pelo conteudo semelhante.

Os grandes imperios dos Gregos e Romanos passaram por uma fase historica em que foram a supremacia. Enquanto se sentiam os donos do mundo, olhavam para aquilo que nao fosse o proprio umbigo e o chamavam de barbaro, ou seja, inculto e sem educacao. Educacao aqui no sentido de bons modos. Tudo o que estava fora do imperio deles era considerado barbaro. Inclusive os povos europeus do norte, particularmente, os germanicos. Tambem os chineses e outras culturas muito mais antigas que eles.

O Imperio Romano se expandiu a troco de uma violencia “barbarica”. Transformou o Mar Mediterraneo num lago em seus dominios. Todas as terras ao redor foram anexadas. A diversao dos romanos era escravizar os outros povos e crucificar os revoltosos. Alem de o passatempo predileto ser os jogos de guerra nos estadios, onde pessoas humanas eram obrigadas a lutar ate `a morte. Roma cometia abusos tais quais aqueles perpetrados pelos nazistas durante o seculo XX. Perseguiram tanto um povo denominado Vandalo que ele, quando resolveu reagir, saiu causando tamanha destruicao no Imperio que criou-se o termo: vandalismo.

Na realidade, ja era o que os romanos praticavam contra os barbaros de um modo geral. Tanto que eles se cansaram de tanto apanhar e resolveram dar o troco. O preconceito romano de que os povos germanicos eram inferiores e que nao serviam para outra coisa senao para serem feitos de escravos e, quando muito, serem usados como ponta-de-lanca em suas campanhas militares acabou dando efeito contrario, pois, eles usaram os conhecimentos adquiridos como mercenarios no exercio romano e conquistaram o Imperio.

Os godos tomaram conta de quase tudo na Europa. Para os Suevos coube uma porcao que corresponde `a Galicia e Portugal, do Tejo para o Norte. Este povo criou o Reino da Galecia que durou de 409 a 585. Nesta data o territorio foi conquistado pelos Visigodos. Uma divisao goda tambem germanica. Essa populacao explica bem a porcao loira de olhos azuis da populacao portuguesa, em contraste com a lusitana original que era branca de pele mas com cabelos pretos e olhos castanhos.

Informacoes a respeito dos Suevos podem ser encontradas no endereco: http://freamundense.blogspot.com/2007/09/os-suevos.html. Ai se observa que foram povos originalmente das margens dos rios Elba e Oder. Observem que ambos estao no Norte da Alemanha e o Oder desagua no Mar Baltico. Nas proximidades estao as fronteiras com Dinamarca, Polonia e, do outro lado do Baltico, a Suecia. Possivelmente, a genetica dos Suevos estara fortemente presente nestes 4 paises.

Durante a Idade Media as pestes e as intemperies levaram a Europa ao retrocesso cultural. Muito se perdeu do periodo classico greco-romano. O continente viveu uma fase de guerras constantes. E em 711 sofreu a invasao muculmana. Expulsos da Franca, os mouros se estabeleceram apenas na Peninsula Iberica. Alias, para ilustrar-se bem o que eh o preconceito, a Peninsula Iberica tornou-se a area mais civilizada do continente. Desenvolveu a cultura de tal forma que ajudou a conservar os classicos da literatura grega e romana, pois, copiou e traduziu-os. E, para abusar, os outros europeus brincam dizendo que: “Portugal e Espanha sao os unicos paises da Africa que se localizam na Europa”.

Mas os cristaos europeus, entao o atraso do mundo, decidiram expulsar os muculmanos dos lugares conquistados, inclusive da Terra Santa. Assim criaram as Cruzadas. Claro, nao era facil recrutar gente com vontade de ir guerrear em lugares tao distantes. Entao criou-se a propaganda de guerra, onde os muculmanos eram retratados como barbaricos e coisas mais. Na verdade, por tras das tentativas de instigar o povo estavam os interesses economicos de dominar o riquissimo comercio que existia entre o Oriente e o Ocidente.

Na Peninsula Iberica a propaganda nao funcionou tao bem, pois, cristaos, judeus e muculmanos viviam ate que relativamente bem em sintonia. As ambicoes, porem, superavam a razao. Dai criou-se tanta propaganda contraria que fez a populacao comum acreditar que havia razao seria para a Santa Inquisicao, primeiro instituida contra os muculmanos e depois dirigida contra os judeus. Assim, o tempo ia passando e os preconceitos so acumulando.

Quando Portugal comecou a colonizar o Brasil, o preconceito era dirigido contra os judeus, pois, quase ja nao existiam muculmanos na populacao. Estes haviam sido expulsos e voltado para o Norte da Africa. E os judeus ou se submetiam `a conversao forcada ou fugiam para o Norte, mais precisamente para a area onde futuramente se tornariam os Paises Baixos, onde a diversidade religiosa era tolerada. Muita gente que nao era foi acusada de judaismo e outros considerados pecados. O objetivo era o de confiscar suas riquezas, pois, o governo precisava de dinheiro para investir nas Grandes Descobertas.

Ao encontrarem os indigenas, os portugueses os consideravam nobres da terra. E como resistiam `a escravidao, precisou-se criar um subterfugio para transportar escravos africanos para fazer o trabalho que a maioria dos europeus nao suportava. Entao criou-se nova propaganda, afirmando que os africanos nao eram totalmente humanos. Claro, mesmo que a populacao de um modo geral nao tivesse comprado a lorota, aceitou a desculpa porque isso a isentava do trabalho excessivamente pesado, ao mesmo tempo que lhe oferecia uma oportunidade de explorar o semelhante.

Muita gente entrou nessa como inocente. Mas eh assim mesmo que os grandes golpes funcionam. As pessoas individualistas concentram-se tanto na expectativa de obterem lucros rapidos que nao analisam o que estara em torno. As piramides por exemplo dao lucro a uns poucos. Mas os que levam o prejuizo entram enxergando apenas os lucros e deixando a guarda baixar quanto aos riscos. Hoje-em-dia o Brasil inteiro sofre as consequencias da escravidao, embora, quase ninguem perceba isso!

Os portugueses que aportavam no Brasil nao desejavam sair do litoral durante os dois primeiros seculos de colonizacao. Constituiam a populacao carangueja, ou seja, so vivia na beira da praia. Para eles, o que se conseguia no litoral ja era o suficiente e haviam terras de sobra para trabalharem. Com a vantagem de nao terem que enfrentar o perigo do desconhecido no interior e nao perderem o contato mais facil com a Europa que era feito apenas por via maritima.

Nessa situacao, os miscigenados passaram a ser os grandes parceiros deles. Boa parte dos bandeirantes eram pessoas ja brasileiras, oriundas da miscigenacao das racas. Alem disso, os que levavam as cargas eram os africanos e os indigenas. Claro, alguem pode dizer: porque eram escravos. Esse pensamento nao tem logica alguma, pois, se fossem escravos, em meio a aquele mundao de Deus em sua volta, sera que todos nao desertariam, deixando os chamados bandeirantes perdidos na noite? A resposta logica eh que ja eram parceiros de empreitada. Miscigenados sim, burros nao.

Durante todo o periodo colonial o preconceito existia e foi forte. Contudo esbarrava em uma situacao mais urgente para os colonizadores. Em sua maioria absoluta de homens, sem a menor vontade de dedicar-se ao celibato, o que sobrava para eles eram as indias e as escravas. E este quadro agravou-se com a descoberta do ouro em Minas Gerais.

Boa parte da populacao sueva e visigotica portuguesa se transferiu, aos borbotoes, para o estado, atacada pela febre do ouro. Diga-se de passagem, ja nao era mais a populacao sueva o visigotica. Era uma mistura loira chamada de galega. Isso por causa da lembranca de terem sido um dia parte da galecia e em portugues a palavra galego virou sinonimo de loiro, claro, branquelo.

Chegando ao Ciclo do Ouro, eh bom tomar emprestado as palavras de nosso primo Felix Tolentino. Ha um artigo dele neste endereco: http://issuu.com/tribucity/docs/tribuna_cidade_nova-edicao71, publicado na ultima pagina do jornal Tribuna Cidade Nova, edicao 71. Ali ele fala por alto como foi o processo de colonizacao da cidade do Serro. No subtitulo: “Ocupacao”, ele revela isso: “Alguns mineradores enriquecidos casaram-se com indias ou escravas, e resolveram se estabelecer de vez na regiao.”

Eu ja havia concluido isso. Primeiro usando o raciocinio e me perguntando: sera que as europeias tiveram a coragem de acompanhar os homens naquelas condicoes subumanas que existiram nas primeiras decadas do Ciclo do Ouro? Claro, entendi que nao. Depois vi evidencias em nossa propria genealogia onde nos anos posteriores aparecem a mencao a portugueses que chegaram e se casaram com fulanas, filhas de beltranos e ciclanas. Porem, as vezes que os pais sao mencionados, o muito que se revela eh que o pai tambem era portugues, mas nada se fala da mae. Evidencia de que eram indias ou escravas.

Pulando-se para um seculo depois, precisamente em 1817, encontra-se na pagina 31 do livro: “A MATA DO PECANHA, SUA HISTORIA E SUA GENTE” essa descricao: “Durante a sua viagem entre a Vila do Principe e Pecanha, observou um fato bastante curioso, o de haver encontrado nesse percurso, guardadas as proporcoes, muito maior quantidade de europeus do que ate entao vira na sua viagem pelo Brasil.” Essa observacao foi atribuida ao famoso pesquisador Saint-Hilaire, pelo professor Dermeval Jose Pimenta.

Estas informacoes indicam que a populacao fixada na regiao foi, no inicio, preferencialmente mestica. Com a chegada de levas e levas de homens europeus tornou-se, proporcionalmente, a mais europeia do pais. Naturalmente, anos depois deixou de ser a mais “galega” do pais em decorrencia das levas de migrantes europeus para a Regiao Sul. E creio que a atual populacao da regiao esta novamente retornando `a tonalidade morena da pele, pois, boa parte de sua populacao branca ou se tem miscigenado com a populacao de origem mestica ou evadido para cidades maiores e outros paises, inclusive para o proprio Portugal.

Dando outro salto no tempo, chegamos aos anos de 1960, onde a questao racial pegou fogo aqui nos Estados Unidos. Porem ela passou despercebida no Brasil. Claro, existia uma condicao cultural que tolhia a manifestacao no Brasil. Eh que aquela mentira de que o africano nao fosse totalmente humano e que era inferior, continuava recebendo uma dose de credito pela maioria das pessoas. Inclusive das proprias pessoas que tinham origem claramente africana por causa da cor negra da pele. A questao do preconceito era disfarcada pelo criterio hierarquico fortemente instituido ao longo das geracoes atraves do sistema de senhorio e vassalagem.

Em palavras miudas, na pratica se dizia que cada um tinha que saber o seu lugar. Por tras disso havia aquela imposicao, que muito se repetiu ate nas telenovelas recentes onde, “lugar de preto eh na cozinha”. Ou seja, as pessoas das elites achavam o maximo ter bom relacionamento com todos, inclusive com as pobres “maes pretas”, desde que elas permanecessem em suas cozinhas. Alias, que quitutes maravilhosos a “tia” Benta preparava!

A questao da vassalagem no Brasil eh historica! Naturalmente, desde que os primeiros portugueses aportaram pela primeira vez, os costumes do continente velho nao foram abandonados. Algumas pessoas se consideravam mais nobres que as outras, embora os ancestrais fossem os mesmos. Isso se dava pelo criterio de primogenitura. Assim, o rei podia ter uma dezena de filhos, a preferencia de tornar-se o sucessor era do primogenito.

O novo rei tambem tinha la os quantos filhos podia. Mas o esperado era que somente o primogenito se tornasse rei. Mas a familia do primeiro rei ja poderia contar com mais de uma centena de descendentes. Aqueles que se casavam em outras casas reais ou com outros membros da alta nobreza, continuavam com seus status sociais garantidos.

Porem, a tendencia da multiplicacao com o passar das geracoes eh que a maioria das descendencias dos primeiros reis eh ir caindo na escala social, pois, a estrutura social eh piramidal. Rei so pode existir um de cada vez. Duques seriam uns poucos. Condes, marquezes, baroes etc, tinham seu numero limitado. O mesmo se da em relacao aos cargos publicos, que nao eram considerados publicos e sim de sua magestade. Com isso, em poucas geracoes se formava um numero enorme de pessoas da baixa nobreza, ou melhor, a nobreza destituida.

Possivelmente, toda a populacao portuguesa tornou-se nobreza destituida. Para conseguir retornar a algum posto de alta nobreza haviam duas maneiras, ou se destacava por bravura em combate ou se adquiria grandes riquezas e ai se comprava o caminho de volta. E este foi o caminho que nossos ancestrais que se aventuraram no Novo Mundo se propuzeram a buscar.

Contudo, os que conseguiram fidalguia com todo o merecimento, nao deixaram de se multiplicar tambem. Por mais que uma pessoa se esforce, mas se multiplique da maneira como fizeram os nossos ancestrais, sempre haverao os destituidos, desde que a estrutura social continue a mesma. Embora feitos fidalgos, os nossos primeiros ancestrais brasileiros, membros da mais alta elite do pais, se ajoelharam como vassalos de seus pares portugueses. Formada a elite e classe media tradicional a partir destes, elas continuaram vassalas.

E durante o periodo historico brasileiro, essa vassalagem comecou em relacao a Portugal, depois portugueses e brasileiros foram vassalos dos espanhois no periodo da Uniao Iberica, entre 1580 e 1640. Separadas as coroas novamente, a sociedade brasileira voltou `a vassalagem em relacao a Portugal. Apos `a Independencia do Brasil, a coroa brasileira ajoelhava-se como vassala da Inglaterra e Franca. A Republica Velha permaneceu como vassala das potencias europeias. Ja na propria Republica Velha o Brasil ja havia iniciado sua vassalagem em relacao aos Estados Unidos, o que logo transformou em vassalagem total, apos a II Grande Guerra.

O pior do carater de vassalagem entretanto, eh o que ela induz de consequencias. Dizem que a tendencia do oprimido eh oprimir. A vassalagem das elites e classe media brasileiras, parece-me, aconteceu por incompetencia delas proprias. Foram elas que nao se revoltaram e criaram um sistema educacional proprio. Foram elas que ao inves de buscar rumos proprios para o pais, preferiram atrela-lo `as condicoes de seguidor dos senhores comandantes do mundo. Contudo, elas ofereciam sua vassalagem a eles no exterior, ao mesmo tempo que oprimiam o povo, exigindo vassalagem em relacao a elas.

Assim, desenvolvimento para as nossas elites sempre foi coisas como: ao inves de criarmos os nossos proprios carros, importemos dos outros porque eles sabem fazer melhor. Ou, deixemos que os outros explorem os nossos mercados trazendo suas fabricas para o pais, pois, eles sabem como fazer e nos nao. Essa filosofia de vassalagem esta tao impregnada na mentalidade das elite e classe media brasileiras que elas continuam pensando que o Brasil nao eh desenvolvido porque a classe pobre eh incompetente. Quando, em verdade, a incompetencia sempre foi a caracteristica maior delas proprias.

E eh ai que chegamos ao impasse em que se encontra o pais atualmente, pois, as elite e classe media tradicionais brasileiras estao acreditando que o mundo ira acabar em consequencia das medidas governamentais que tem dado alguma oportunidade `a classe mais pobre da populacao. Que, alias, diga-se de passagem, descende dos mesmos ancestrais que as classes alta e media tradicionais, porem, nao teve a mesma sorte de descender dos primogenitos mais recentes. Ao verificar que as classes mais baixas estao comecando a ser elevadas, as classes alta e media tradicionais estao se apavorando.

Tudo apenas por causa da propria estupidez, do preconceito e do orgulho, pois, o medo delas eh de que os pobres alcancem degraus mais elevados e lhes tomem o lugar. Se elas abrissem os olhos para o que esta acontecendo no momento, usariam isso como oportunidade, pois, com a ascendencia da classe pobre, o poder de compra tambem cresce. O que falta a elas eh criar servicos que possam oferecer aos emergentes e nao ficar presas aos seus antigos meios de sobrevivencia.

Por tras do eufemismo: “abrir as portas do mercado brasileiro”, esta o proprio atestado de incompetencia das classes rica e media tradicionais brasileiras, pois, querem abrir para os estrangeiros explorarem, pois, nunca souberam ser criativas e fazer para si mesmas. E, pelo principio da vassalagem, nao sendo criativas sempre tentaram bloquear as iniciativas das populacoes desfavorecidas por temer que a situacao de vassalagem se invertesse.

Observem que ha cerca de 200 anos atras existiam profissoes que se caracterizaram como classe media no pais. Eram servicos como alfaiates, dentistas praticos, sapateiros, costureiras, rebucadores de telhas, ferreiros, coureiros, lavadeiras e muitas outras mais. Exercendo tais profissoes, muitos pais tiveram o orgulho de ver seus filhos formados em universidades. As profissoes continuam existindo. Contudo, sao poucos que podem viver por meio delas por causa da concorrencia com a industrializacao.

Existem muitas profissoes atuais que estao caminhando para o mesmo fim. Portanto, somente os criativos e os espertos saberao driblar as inconveniencias e se tornarem donos da profissao. Se o restante nao evoluir sera obrigado a transformar-se em servical assalariado de outros empreendimentos. Exatamente como a maioria de nos se transformou.

Em relacao `a comparacao entre Brasil e Estados Unidos, para que o preconceito nao se transformasse num problema tao forte quanto continua sendo aqui nos Estados Unidos, existem as diferencas. Em primeiro lugar a atitude das proprias pessoas de origem africana no Brasil foi subalterna. Elas criam na mentira de que fossem inferiores. Muitos acreditaram que embranquear a pele de sua descendencia, casando-se com brancos, garantiria uma eterna ascensao social. Nao imaginavam que pelo criterio da multiplicacao e estrutura social piramidal somente uns poucos atingiriam o topo e o restante permaneceria na base.

E tambem foram vitimas da Historia, pois, quando a princesa Isabel assinou a Lei Aurea, nao se levantou a questao da igualdade de direitos, portanto, os escravos e sua descendencia foram totalmente abandonados. Destituidos eram e assim permaneceram. Nao tiveram acesso facilitado `a educacao e o salario que passaram a receber pelos mesmos servicos que faziam antes nao os tiravam da escravidao efetiva.

Aqui nos Estados Unidos, a emancipacao se dera ha mais tempo que no Brasil. Havia a segregacao, porem, haviam as escolas e ate as universidades dedicadas `a populacao negra. Entao, o poder aquisitivo e a consciencia dos aframericanos poderiam ser desiguais em relacao aos eurodescendentes, porem, teve forca suficiente para, apos uma greve que durou um ano em que os afrodescendentes nao andaram de onibus, os empresarios se renderam e acabaram com a segregacao em seus veiculos. Desde entao, o que passou a contar eh que o passageiro que pagou a passagem tinha direito igual de ocupar qualquer banco, e isso nao era decidido por causa da cor da pele.

Havia outra diferenca fundamental entre as condicoes brasileira e estadunidense. Como aqui as leis que valem sao as estaduais, a menos que haja uma lei constitucional dizendo o contrario, haviam estados que chegavam a proibir os casamentos interraciais. No Brasil, sabemos que desde os primeiros colonizadores os casamentos interraciais haviam sido a regra. Exceto em um periodo pouco anterior `a Independencia em que foi proibido o casamento de portugueses de origem com os brasileiros. O que, penso eu, despertou em grande parte da populacao de origem africana aquela sensacao de que: se o problema estava na cor da pele, ha pelo menos a oportunidade de resolve-lo na descendencia, esforcando-se para casar-se com alguem de origem europeia.

Enquanto a miscigenacao teria passado a ser um objeto de desejo, um sonho a ser realizado no Brasil, aqui nos Estados Unidos era encarado como um pesadelo, nao apenas do ponto de vista do europeu em relacao ao africano, pois, a reciproca era verdadeira. A populacao africana aqui tinha, e muitos continuam tendo, a mesma dificuldade que a de origem europeia em aceitar o casamento interracial. O orgulho racial era reciproco e, em parte, continua. No Brasil, tudo vira carnaval. Como nas musicas romanticas, “e a mulata eh a tal”.

Nos sabemos que o conceito de democracia racial que alguns antropologos desejaram que o pais fosse nunca foi uma verdade no Brasil. Na pratica a teoria era outra, ou seja, o africano tinha que saber o seu lugar. Infelizmente, ao que parece, muitos ainda continuam pensando assim. Nao apenas em relacao aos de racas diferentes das de origem europeia. Mas em relacao aos proprios de origem europeia que tenham por qualquer motivo caido na pobreza. No Brasil o preconceito contra o pobre eh ate maior que aquele que existe contra as racas.

Ou alguem pensa que seria permitido o personagem Mario Jorge abrir o verbo para debochar do pobre, se esta palavra fosse trocada pela preto?!… Ha a liberdade de se falar do pobre, como se ele nao tivesse alma. Da mesma forma como a escravidao era aceita em razao de se argumentar que o africano nao era totalmente humano.

Bom, acredito que a nossa falsa democracia racial tinha uma explicacao genealogica. Os antropologos interpretaram como democracia o que, na realidade era orgulho e preconceito. E penso que assim aconteceu nos anos 1960 em Virginopolis, porem, ninguem comentava, preferia ignorar completamente o que estava se passando nos Estados Unidos, como se o assunto nenhum a ver tivesse com a realidade brasileira.

Naquela epoca, eu nem sequer me entendia por gente. Como se dizia, “crianca e cachorro sao depois dos outros”. Claro, todas estas insinuacoes maldosas eram repetidas com humor na familia, contudo, sempre tinham algo de verdade, em termos de qual era o comportamento esperado da gente. Entao, eu tinha uma vaga ideia de que o bisavo Joao Batista de Magalhaes era descendente de africanos.

Ja a trisavo Maria Honoria Nunes Coelho, so atualmente tive noticias da negritude dela. Embora nao fosse segredo na familia, pois, eram casos que se mencionavam nos seroes. E eu so descobri onde ela se encaixava em nossa genealogia depois que passei a estuda-la. Alias, aprendi na escola que Joao Batista de Magalhaes fora um dos fundadores da cidade. So vim a entender atualmente que era, junto com a Maria Honoria, meus trisavos.

Naquele tempo, poucos eram da minha geracao com idade para compreender uma genealogia que ultrapassasse uma linhagem alem dos bisavos. Tio Joaozinho, como o bisavo era chamado, era moreno claro. Em nossa sociedade, moreno claro era considerado branco. Mas tinhamos pessoas que viviam ainda, embora ele ja fosse falecido ha mais de 20 anos, que eram da mesma geracao que ele. Um exemplo era a tia Virginia Marcolina Coelho, que fora filha do Antonio Rodrigues Coelho e Maria Marcolina Borges do Amaral.

O pai da tia Virginia nascera em 1829 e fora cunhado da Maria Honoria. Assim, nao apenas ela mas os nossos avos, que eram netos da Maria Honoria e tambem do Antonio Rodrigues, tinham perfeita consciencia de nossas origens. A geracao de nossos pais, que estava assumindo a administracao de tudo, tambem tinha conhecimento. Dai, enquanto as coisas andaram pegando fogo ca nos Estados Unidos, eles se faziam de cegos, mudos e surdos, ou seja, como no dizer popular: “Conversa que eu nao entendo eh mio cala!”

Na verdade, tanto os nossos familiares mais proximos quanto as pessoas de origem claramente africana nao se sentiam `a vontade para abordar o assunto. Mesmo que a gente tivesse uma aparencia europeia, possivelmente sueva ou, galega com certeza. E o motivo era muito simples. Talvez eles nao tivessem consciencia de que fora a mistura de indigenas, europeus e africanos que povoaram as Minas Gerais na epoca do Ciclo do Ouro. Mas tinham a noticia de que a Maria Honoria era de origem mista.

Ela era filha do Clemente Nunes Coelho e era escura o suficiente para que a cor dela se tornasse assunto durante os seroes familiares. Contava-se, por exemplo, que um dia ela estava limpando a casa, como toda dona de casa `a epoca, com lenco na cabeca e os trajes apropriados para uma servical. Alguem chamou `a porta. Ao atende-lo e diante da aparencia dela, o estranho foi logo ordenando: “Oh negra, vai chamar o seu patrao.”

Maria Honoria simplesmente entrou e avisou ao marido que alguem queria ve-lo `a porta. Mas como estas visitas de alguma importancia sempre eram demoradas, o estranho iria almocar. A cozinheira e dona da casa preparou a mesa conforme era o costume. Com o detalhe de ter reservado a cadeira de honra das senhoras numa das cabeceiras da mesa, e a do atrevido ao lado, em posicao subalterna. Agora, imagina a carapuca que ele tomou! Deve ter perdido o apetite ou, pelo menos, a comida lhe desceu atravessada na garganta.

Mas o que nos interessa aqui eh que a Maria Honoria devia ser mulata. O que imagino eh que a mae dela fosse africana. Como ela deve ter nascido por volta de 1830, imagino que a mae nao nasceu muito longe de 1810. Os avos deverao ter nascido por volta de 1780. Nada sabemos da genealogia anterior `a Maria Honoria a nao ser do lado paterno Nunes Coelho dela. Mas o que se pode esperar eh que a mae dela deve ter tido irmaos e irmas. Claro, nem todos devem ter se misturado com familias europeias e parte da descendencia deve ter permanecido pura ou com maior proporcao de ascendencia africana.

Como nada sabemos, nao se pode afirmar que a descendencia afrobrasileira desses nossos ancestrais africanos tenha permanecido por perto ou ido para longe, porem, o que eh de se esperar eh que continuasse vivendo na regiao. Ora, sabemos que a Maria Honoria e o marido Joao Batista Coelho deixaram descendencia que se conta aos milhares nos dias de hoje. O que se dira, entao, do numero de descendentes dos avos dela na regiao?

Eh possivel que todos os afrobrasileiros que foram levados para Virginopolis, ou que foram por conta propria como parceiros, e que agora sao ancestrais daqueles que residem na cidade, descendam deles. Assim poderiamos explicar o silencio de nossos antepassados em relacao `a questao racial aqui nos Estados Unidos. Eh que tanto no lado considerado afrobrasileiro quanto no considerado eurobrasileiro na cidade havia a consciencia que eram aparentados.

Com a lembranca de que o senhor Gilberto Coelho da Silva tambem era afrodescendente e o mesmo acontecendo com o bisavo Joao Batista de Magalhaes, nao resisti `a tentacao de repassar de memoria a aparencia de alguns membros das familias tradicionais mencionadas e nao mencionadas pela professora Maria Filomena. Assim pude lembrar dos Borges Perpetuos, dos Almeida, dos Miranda, dos Pereira do Amaral, dos Oliveira, enfim, toda a gama de familias virginopolitanas. Por certo, todos temos ancestrais afrodescendentes recentes.

Mas, `aquela epoca, era “mio cala” para que isso nao fosse lembrado, pois, havia o preconceito contra os africanos e o orgulho de tentar esconder o obvio, pois, se parte de nos nao herdou caracteristicas marcantes africanas, irmaos e primos nossos as tinham. Claro, o silencio da epoca nao contava com a evolucao da genetica e atualmente quem negar isso tera que recusar-se a fazer um exame de DNA. O que em julgamento resulta na interpretacao de admissao presumivel de culpa no cartorio! Recusou, entao eh! Fez o exame, deu na mesma!

Uma das poucas familias que devem ter chegado a Virginopolis com um certo grau de pureza europeia deve ter sido a Coelho de Andrade. Esta, porem, nao eh uma conclusao e sim uma deducao passiva de enganos. Isso porque alem dos cabelos intensamente loiros e da pele muito branca, os olhos tambem eram claros, entre o verde e o azul na familia. Esta eh a descricao que tenho de pessoas do passado, como a bisavo Hercilia, tambem como de alguns descendentes conhecidos nossos, nao sendo descendentes da bisavo e que guardam as mesmas caracteristicas dos ancestrais. Eh possivel que o Coelho de Oliveira (Lacerda) tambem o fosse, porem, atualmente esta todo misturado.

Assim se explica o preconceito amortizado que existe na sociedade brasileira. Ela eh multiracial, porem, nao tem coragem de celebrar com conviccao que o eh, pois, continua imaginando que nativobrasileiros e afrobrasileiros sao inferiores, portanto, nao deseja ser associada com eles. Mesmo que uma das civilizacoes mais prosperas e mais antigas do mundo seja a egipcia, com inicio ha mais de 7.000 anos atras, a partir do Sudao, portanto, da mais bela cor negra da terra, depois mudando sua capital para o Baixo Egito, que fora uma possessao conquistada.

Sugiro aqui que leiam o capitulo 10 acima: A TOCA DO JOAO RODRIGUES COELHO. Faco agora um paralelo ao que menciono no inicio do capitulo e ao que aconteceu aos nativamericanos de um modo geral. As Civlizacoes Asteca e Maia eram sofisticadissimas e em determinados aspectos bem mais avancadas que a europeia. Os conquistadores espanhois enxergaram apenas as riquezas a serem delapidadas. Apenas desconfio que algumas pessoas do clero puderam constatar isso, pois, queimaram todos os livros que encontraram daquelas culturas. Apenas duas pecas escaparam dessa destruicao e estao em museus europeus.

Se a cultura do povo nao tivesse sido destruida, jamais teria sido possivel criar a falsa impressao de que os indigenas americanos eram barbaricos e atrasados, portanto, precisavam ser europeizados, e que nao havia nenhum impedimento moral em furtar-lhes as riquezas, prosseguindo o projeto colonialista. Para a sorte dos antepassados indigenas, eles deixaram suas escritas nao apenas em livros mas tambem em seus monumentos de pedra. Com isso, alguma Historia, ciencia e cultura estao sendo recuperadas, gracas `a traducao dos hieroglifos recentemente decifrados.

E tambem porque as ciencias atuais avancaram tanto que muita coisa pode ser interpretada a partir de analises indiretas como: se as construcoes estao perfeitamente alinhadas no sentido norte-sul/leste-oeste e com as constelacoes, isso se deve a conhecimentos que se pensava terem sido descobertos so recentemente pelos europeus.

Assim, `a epoca em que na Europa se discutia se a Terra era redonda ou plana, e em que era instituido que o universo girava em torno dela, nas Americas ja se sabia que o Sol era o centro do nosso sistema solar. O giro dos planetas em torno do sol e suas medidas ja eram conhecidas. Existem construcoes nos altiplanos peruanos e bolivianos que ate a tecnologia moderna de hoje tem dificuldade em reproduzir. Coisas que os indigenas fizeram ha milenios atras. E ate hoje alguns eurodescendentes tem dificuldades em aceitar que tal capacidade tecnologica existia, pois, tem a teoria de que foram feitas por alienigenas e nao indigenas.

Para nao declarar seu preconceito racial, a sociedade brasileira prefere oculta-lo na palavra pobre, pois, pobre nao tem cor, eh qualquer um que seja “menos competente”. Mesmo sabendo que a sociedade foi formada em forma de piramide, ou seja, por mais esforcadas que as pessoas forem, nao havera lugar para todas no topo. Sempre havera mais gente na base para que as outras possam subir nos ombros delas para que poucos possam subir na vida. Tambem, que as oportunidades nunca sao iguais, com a tendencia de que quem ja vive no andar de cima da piramide deixar a descendencia bem de vida e para os pobres eh muitissimo dificil alcancar a ascensao social.

E por falar nisso, nunca vi a sociedade brasileira tao dividida como esta no momento. Parece que com a elevacao do torneiro mecanico ao posto de presidente, todos os preconceitos se afloraram. Exceto que eh proibido falar nisso abertamente. Assim, a classe mais conservadora, agora destituida do poder, tornou-se contra o bolsa familia, os sistemas de cotas, o minha casa minha vida, e toda a parafernalia de inclusao social maquinada pelo Partido dos Trabalhadores. Como vem sendo dito: dos PeTralhas.

Tenho recebido e-mails homericos, reencaminhados por marias-vao-com-as-outras, minhas contatos, que quase da vontade de chorar ao le-los. Existem aqueles inocentes em aparencia com sabios dizeres como: “Nos nao precisamos de cotas e sim de investimentos em educacao publica”. Eh! Eu tambem acho ser errado ate hoje o pais estar precisando recorrer a cotas, ou comprar votos como preferem os detratores, para fazer justica no que deveria ter sido feito na epoca em que a Lei Aurea foi assinada.

Porem sei muito bem o quao preconceituosa a afirmacao: “Nos nao precisamos de cotas”. Para quem possui outros meios, elas nao sao necessarias mesmo. Sao para quem foi alijado, destituido da economia por geracoes e geracoes. Quem diz que basta investir na educacao, ou esta enganado ou esta tentando enganar. Mesmo que se invista um trilhao de qualquer moeda todos os anos, pelos proximos 20 anos, nao se apagara em uma unica geracao as consequencias do que aconteceu no passado.

Somente os inocentes uteis e os malintencionados diriam que a suspensao de todos os beneficios agora oferecidos `a classe pobre sera satisfatoriamente substituida pelo investimento massivo em educacao, saude e seguranca. Por uma razao muito simples. Trata-se de coisa pratica. Nos sabemos muito bem que nao existe dinheiro, por enquanto, para tal investimento massivo, assim, se suspender os beneficios, o que ja foi conquistado sera perdido e as promessas nunca se concretizarao. Contudo, as consequenicas piores somente os que ja eram destituidos as enfrentarao.

Quando eu fui estudante na Universidade Federal de Vicosa, as pessoas em minha familia recebiam subsidios porque, embora ocupassemos a classe considerada media no pais, a renda familiar nao era suficiente para cobrir as despesas dos varios filhos fazendo faculdades ao mesmo tempo. Naquele tempo, final da ditadura militar e sua continuidade atraves dos governos Sarney e Collor, estavamos lutando para que nao fizessem cortes nos gastos educacionais, pois, sabiamos que precisavamos era de mais investimentos. Ninguem, na midia ou particular, levantava a minima voz contra os nossos subsidios ou para afirmar que cortes na educacao eram corretos. Mas nos faziamos parte da classe media, agora virou moda pedir para cortar beneficios oferecidos aos pobres.

O preconceito esta bem nestas atitudes impensadas, tanto dos malintencionados quando das marias-vao-com-as-outras. Uma porque o mercado de um modo geral so crescera quando toda a populacao tiver poder aquisitivo para faze-lo crescer. Portanto, cortar os beneficios adquiridos, antes de que se de meios para os que nao sabem andar com as proprias pernas poderem andar, fara o mercado retrair. E as consequencias disso virao em cascata. O mercado cai, cai a arrecadacao, mais cortes se tornam necessarios, o que acarreta mais perdas para o mercado. Isso, facil-facil, transforma-se em decada perdida, como as duas decadas que perdi, entre 1973 a 1993, antes de mudar-me para os Estados Unidos.

Ou seja, pode ser que as marias-vao-com-as-outras sejam bem intencionadas, porem, sao malorientadas. Contudo, sei que os malintencionados estao muito bem orientados e o que querem eh que o circo pegue fogo, na esperanca de tirar proveito disso.

Peco encarecidamente a meus contatos. Continuem passando para mim aqueles e-mails que falam de suas esperancas em que os militares resolvam retomar o poder. Nao porque eu goste ou que concorde. Apenas para eu rir mais um pouco da inutilidade que isso eh. Se o militarismo fosse resposta para alguma coisa, nos nao os teriamos tirado do poder e os chutado como cachorros mortos.

Nao falo aqui de todas as pessoas que estao servindo a patria com honra e destemor. Estou ressaltando o fato de que autoritarismo nunca foi solucao para nada. Eu sou a favor de militar poder concorrer a cargos publicos. Se quizerem governar, sejam aqueles que vencam eleicoes. Como diz o ditado: “Cada macaco no seu galho.”

Outra coisa. Sejam mais espertos. Quem fala mal, esta no direito. Porem, quem xinga muito eh oposicao. Entao, nao adianta alguem dizer que o PT eh o partido dos bandidos, dos fascinoras e do raio que o parta. A oposicao sempre vai dizer isso do seu adversario. Eu quero ver algo mais construtivo. Por exemplo, digam-me, se nao o PT, em quem votar? Se nao o projeto do PT, qual o projeto outro que existe? Quero ver projeto, pois, foi assim que o PT subiu.

Alias, observo que muita gente pode nao gostar do partido. Tem certas coisas nele que eu nunca gostei, ate no tempo em que eu era militante. Mas nao me digam que so tem ladrao e malintencionado neste meio, pois, ira incluir-me pelo que fui. Outra coisa. Nao me digam que sao vagabundos, que nunca fizeram nada na vida, pois, politica eh uma atividade muito seria. E eu fui testemunha dos sacrificios que muitos fizeram para conquistar as posicoes que hoje ocupam. Tem muita gente que ralou muito para chegar la.

Alias, tenho esse recado para que conquistem meu voto. Facam um projeto. Mostrem a cara. Digam em quem que desejam que eu vote. Mostrem quem esta por tras. Quem vai estar fazendo esforco antes, durante e depois das eleicoes. Se mostrarem isso prometo que levarei em conta e, se o fizerem, ganharao meu voto.

Mas nao coloquem esperanca numa pessoa. Num superheroi. Num Batman. Nao me coloquem o nome do ministro Joaquim e venham pensar que eu votarei nele. Nao porque ele nao me agrade, mas porque andorinha sozinha nao faz verao. A administracao do Estado passa por tres poderes. Executivo, Legislativo e Judiciario. Se for para desfalcar o judiciario, para que tirar o ministro Joaquim de la? Se ele tivesse uns 50.000 como ele para formar um time dentro dos 3 poderes, entao, ja teria ganho o meu voto. Mas para coloca-lo sozinho e baguncar mais do que esta, nao contem comigo.

Como dizem os americanos aqui, e foi a filosofia que adotei na ultima eleicao neste pais que me adotou: “Melhor eh permanecer com o demonio que conhecemos do que escolher um que nao conhecemos.” Se acham que irao convencer-me com a frase: Fora PT, olha, ja tenho experiencia com o Fora Ditadura e Fora Collor. Foi uma otima coisa termos conseguido, pois, agora podemos escolher entre um demonio ou outro. A ditadura nao nos permitia sequer fazer isso. Era so um demonio.

Se querem algum dia mudar o pais para melhor, facam como o Partido dos Trabalhadores fez. Trabalhou, lutou, apanhou na cara por diversas vezes, ate conseguir chegar ao poder. Mas foi eleito democraticamente. Facam o mesmo. Apenas evitem cometer os mesmos erros que o partido cometeu. Quem sabe voces nao serao o futuro que o pais merece? Mas, por favor, nao me convidem para dar um golpe e pensem que vou aceitar tal proposta indecorosa. Nem que me prometam o governo de Brasilia. Lembrem-se do Magalhaes “Saco”. Depois de todo o apoio que ele deu `a Revolucao, o que lhe disseram foi: “Voce participa mas nao entra!” Tomou?!…

Outra coisa. A minha filosofia de vida sempre foi e sera a democracia. Nao pecam para que eu traia a mim mesmo.

Acrescento aqui. Nao xinguem o povo brasileiro porque ele nao votou e nao esta votando como voces querem que ele vote. Nao o comparem dizendo que eh um povo que nao sabe votar e pensem que quem sabe votar vive em paises do primeiro mundo. Nao desacreditem na capacidade de julgamento do povo. Eu fiquei estarrecido quando vi o povo americano votar duas vezes no presidente George W. Bush.

Continuo estarrecido porque o preconceito aqui esta valendo mais que a inteligencia, como eh o caso em que temos projetos de legalizacao de imigrantes sendo rejeitados ha varias administracoes. Uma parte do eleitorado americano acreditou que os imigrantes de um modo geral sao terroristas, marginais e que so desejam parasitar a sociedade americana. A midia americana, por ocasiao dos atentados de 11 de setembro de 2001, concluiu que os outros povos, que tem nojo do que os americanos fazem no mundo, dizem que detestam os americanos porque tem inveja do sucesso deles.

Para mim, esse foi o maior atestado de orgulho e preconceito assinado pela propria imprensa. Voces imaginem, se a imprensa que deveria informar e formar opinioes positivas tem essa ideia do mundo la fora, sera que o eleitor de um modo geral aqui nao erra? Para nao reconhecer os proprios erros, eles julgaram o mundo. Nao facam voces a mesma coisa. Nao enxerguem o erro nos outros. Repassem suas vidas na memoria, descubram o que fizeram de errado e assumam suas proprias responsabilidades antes de acusar aos outros injustamente.

 

 

14. GENEALOGIA, GENETICA, E BOM SENSO

Prezados,

Quem tem lido meus “lenga-lengas” genealogicos deve ter percebido a minha preocupacao em relacao aos casamentos consanguineos. Alias, a minha constancia em buscar nossos dados genealogicos mais enraizados tem ate sido ponto de critica de alguns. Compreendo as criticas e ate sao necessarias para a gente pensar melhor no que se esta fazendo, se tem ou nao a validade que a gente pensa que tem.

O meu ponto de vista sempre foi mais pelo lado medico. Bom, quase ninguem estudou medicina ou cursos relacionados, entao, eh perfeitamente compreensivel que tambem hajam criticas pela falta de entendimento da questao. Nao se preocupem, se me sinto ofendido por uma critica aqui, isso nao dura mais que momentos. Como sou cabeca dura mesmo, e tenho a quem puxar em meus ancestrais, rsrsrsrsrs, baixo minha cabeca `as criticas e sigo `a frente do que penso que deve ser feito.

Vou copiar aqui um apelo que foi-nos feito no grupo do bisavo Joao Rodrigues Coelho (Toca do Joao Rodrigues Coelho). Ele ajudara a todos entenderem melhor:

“Minha vida toda eu cresci vendo Tio Carlos quicar, Cacá quicar, Paulo Guido (o pai) quicar, Tia Fabíola quicar, Dinha quicar, achando tudo muito engraçado.

Até o dia que eu levei o primeiro tombo.

Um amigo meu, médico, portador de Esclerose Lateral Amiotrófica, ELA 8, me recomendou que parasse de rir e me consultasse com uma neurologista, especializada em doenças degenerativas.

O primeiro exercício que me foi recomendado foi procurar nos meus ancestrais manifestações disto que a gente chama, fazendo gracinha, de caminhar claudicante de Coelho.

Daí, peço ajuda à Ivania Batista Coelho (Gleuza, se você tiver jeito, faz isto chegar nela), ao Valquirio De M. Barbalho e a quem tiver algum conhecimento, quem, na família tinha esta patologia ou terminou a vida cadeirante. Ou mesmo quem, como se dizia à época, era entrevado.

É possível que a gente seja convidado a ir ao Centro de Estudos do Genoma Humano da Usp para ver esta história direito.”

Queridos, o mal nao eh dos Coelho. Nem eh vergonha alguma saber que estamos nessa enrascada. Eu proprio devo ser herdeiro dessa heranca desastrosa. O fato eh que nao se trata de doenca contagiosa e todas as familias deverao ter la seus representantes que tiveram ou tem o problema. O que acontece eh que os casamentos consanguineos de nossos ancestrais nos deram uma probabilidade maior de sermos portadores do problema.

Outras familias que tambem tiveram ancestrais mais consanguineos deverao ter o mesmo problema e/ou outros. Nos, de um modo geral, que vimos de casamentos muito consanguineos, temos grande probabilidade, concretizada ou nao, de termos diversos outros problemas. Posso garantir que tenho uma lista. Nem por isso quero deixar de ser quem e como sou.

O que eh de pratico agora, duas coisas:

1. A primeira eh continuar recolhendo dados genealogicos e aprofundando nossas raizes.

O objetivo dessa coleta abrange a todas as familias que se aparentaram aos Coelho. Por que? Por uma razao simples. As pessoas pensam que porque nao sao Coelho, ou que sao filhos de pessoas de familias, aparentemente, nao aparentadas, estarao livres dos problemas. Mas isso pode ser uma falsa impressao.

Geralmente as pessoas sabem dizer sua genealogia a partir dos avos. Dai nao sabem o que vem atras. Geralmente nao viverao para conhecer bisnetos, trinetos etc. Entao nao sabem o destino que estao deixando para a descendencia.

O que posso tirar do que ja encontrei, e o que encontrei ainda eh muito pouco, eh que: espero encontrar muitos ancestrais comuns `as pessoas que vivem numa mesma ou regiao diferente, bastando voltar umas poucas geracoes atras. A verdade foi essa. Portugueses ja viviam em comunidades bastante consanguineas. Nas diversas levas que chegaram ao Brasil, vieram em grupos familiares ja consanguineos.

Por sorte houveram as miscigenacoes com africanos e indigenas. Porem, com o passar dos seculos retornaram `a consanguinidade.

Quando Minas Gerais comecou a receber a colonizacao branca e africana, os indigenas tiveram uma menor participacao na mistura, houve certa miscigenacao. Mas a primeira leva que chegou no “Ciclo do Ouro”, nao era necessariamente muito numerosa. Os que se instalaram primeiro, mesmo pertencendo a linhagens diferentes, povoaram os poucos nucleos mineradores. Nao contavam 100 arraiais.

Terminado o ouro, aquelas populacoes em cada povoado ja eram bem consanguineas. Dai emitiram bracos para cada arraial novo que surgiu nas epocas pos mineracao. Na regiao Centro Nordeste de Minas Gerais ha uma repeticao nas Historias de todos os atuais municipios. “Os primeiros moradores desse arraial eram oriundos do Serro, Conceicao do Mato Dentro, Santa Barbara, Itabira” e mais alguns outros lugares conhecidos.

Assim, as populacoes dos arraiais nao fizeram outra coisa senao crescer e multiplicar-se. O arraial um pouco mais distante era comecado com familias dos lugares mais antigos e dos arraiais que descendiam destes. Levavam, `as vezes, sobrenomes diferentes mas os mesmos ancestrais. E continuaram apenas crescendo e multiplicando.

Vez por outra chegava sangue novo. Na maioria das vezes, um gajo la das grotas de Portugal. Alem de ter vinculos parentais, ate o sobrenome era o mesmo. Quando no muito, chegava um totalmente diferente, ou seja, “um turco” que nada mais era do que um libanes que todo mundo confundia como turco. Esporadicamente existem os alemaes, os italianos, os franceses e ingleses.

Mas o que era novo caia na mesmissima moda antiga, ou seja, casava-se com uma senhora das familias tradicionais e juntos nao faziam mais que crescer e multiplicar. Dai para frente os casamentos dos filhos retornavam aos parentes. Ou seja, introduzia-se um sobrenome novo mas a consanguinidade se repetia.

Somente se recolhermos dados os mais completos possiveis eh que poderemos ter realmente uma ideia de quem eh e de quem nao eh consanguineo. E com esse conhecimento eh que os geneticistas irao trabalhar para passar para a segunda fase.

2. Ter um pequeno prontuario medico nas fichas genealogicas de cada individuo seria otimo para futuras pesquisas. Essa contribuicao seria fundamental, pois, com a Arvore Genealogica montada o mais completa possivel, e a localizacao exata dos membros da populacao que manifestaram qualquer tipo de problema, poder-se-a fazer uma analise genetica destas pessoas e localizar exatamente os gens que provocam ou que contribuem para a situacao.

Dai para frente os cientistas poderao indicar as melhores atitudes a serem tomadas como: fazer a prevencao junto aos casais. Descobrir medicamentos especificos. Determinar exercicios ou indicar atitudes que devem ser tomadas para evitar a influencia do ambiente que agravariam a situacao.

Digamos assim, quando uma pessoa sente dor na coluna, pode ser por causa de algo com influencia genetica. Porem, podera ser que em algum caso especifico a perda do excesso de peso diminuira em muito a manifestacao da dor. A medicina sempre deve trabalhar com olhos tanto na situacao genetica quanto ambiental, pois, ambas interferem na vida das pessoas.

Por um lado, nao eh boa novidade tomar conhecimento de que somos candidatos a possuir qualquer problema. Por outro lado eh muito bom saber, pois, se existe, so tendo conhecimento da existencia dele para que se faca algo para sana-lo.

Tambem ha ai a satisfacao de que ha sim mais este sentido nobre para pesquisarmos as nossas genealogias, pois, com isso poderemos ajudar `a nossa descendencia a combater seus males de envelhecimento. Para quem como eu que ja passou dos 50 e ja constatou que envelhecer eh um interminavel padecer (de dores principalmente) fara muito bem se pensar em contribuir para que as futuras geracoes possam vir com menos dores. Ninguem vivera para sempre, mas desejo que todos tenham vida longa, contudo, de forma menos dolorosa possivel. Escrevi estas palavras com dores horrendas no pescoco e nas costas. Manjaram!?…

 

 

15. BELLE NOUVEAU, PARA OS “DA CUNHA MENEZES” E FAMILIARES

Prezados,

ha poucos dias com a ajuda fundamental do Adamar Nunes Coelho, e com algumas investigacoes que confirmaram, encontramos este cabecalho da Familia “da Cunha Menezes”:

Jose da Cunha Menezes – Maria Tereza Severino, foram pais de:

01.) Joaquim (Quinquim) da Cunha Menezes – Enedina (Dina) Borges de Menezes (Divinolandia)
02.) Joao da Cunha Menezes – Evangelina (Eva) e Sa Emidia Nunes Coelho
03.) Liberalino da Cunha Menezes – Adalgisa (Gigiu) Dias de Andrade
04.) Jose da Cunha Menezes – Heloina (Divinolandia)
05.) Luiz da Cunha Menezes – Regina Ferreira Madureira (Divinolandia)
06.) Sebastiao (Betica) da Cunha Menezes – Nenen (?)
07.) Olimpia da Cunha Menezes – Antonio Nunes da Silva
08.) Altina da Cunha Menezes – faleceu solteira
09.) Maria da Cunha Menezes – Durval Nunes Coelho
10.) Francelina da Cunha Menezes – Francisco de Matias

Ate agora, alem do que ja pude localizar gracas ao livro da Ivania e meus conhecimentos com a descendencia, so pude esticar um pouco a descendencia do sr. Luiz e dona Regina, por terem sido pais do sr. Raimundo (Dico Cunha) da Cunha Menezes, antigo prefeito de Santa Efigenia de Minas, irmao do primeiro prefeito local, sr. Efigenio da Cunha Menezes, ja falecido. O sr. Dico confirmou a porcao mais antiga de que os avos dele foram mesmo Jose e Tereza, e que foi sobrinho do seo Joao da Cunha e dona Maria da Cunha, que sao os que temos mais dados, por terem se casado na Familia Coelho de Virginopolis.

E agora vai a novidade. Ontem, sabado, 11 de janeiro de 2014, estava distraidamente olhando a lista dos donos dos titulos de nobreza do Imperio Brasileiro. O que nao era novidade para mim era que tanto a familia “da Cunha” quanto os “de Menezes” formaram familias nobres na Peninsula Iberica. Mas o que encontrei agora foram dois nomes: Jose Felix da Cunha Menezes, primeiro e unico Barao de Rio Vermelho; e Manuel Inacio da Cunha e Menezes, Visconde do Rio Vermelho.

Se alguem desejar maiores informacoes a respeito do Rio Vermelho, visite o endereco: http://pt.wikipedia.org/wiki/Rio_Vermelho_(Salvador), e os links na materia. Mas posso adiantar que se trata de um dos bairros chiques da capital, Salvador. Tambem eh o local onde o “Caramuru” naufragou, foi salvo pelos indios e ai permaneceu o restante de seus dias. Portanto, trata-se de um dos primeiros locais da Bahia a ser povoado por europeus. Dai a possibilidade, tambem, de os “da Cunha Menezes” serem descendentes do Caramuru.

Por enquanto, vamos ao que interessa. Primeiramente, temos que voltar a Virginopolis e Divinolandia. Nao posso tirar conclusoes mas apenas suspeitar que a familia tenha procedencia na Bahia. La esta o nome de dona Maria Tereza Severino para indicar isso. Severino eh nome muito popular no Nordeste Brasileiro e nao tao comum nas terras do Centro-Sul do Brasil, a nao ser recentemente com a migracao nordestina. Mencione-se de passagem a peca teatral do Joao Cabral de Melo Neto e da musica do Chico Buarque: “Morte e Vida Severina”. Severino no Nordeste ate virou sinonimo de comum.

Infelizmente, nao temos a procedencia do casal e nenhuma outra informacao mais precisa. Mas penso que havera algo a ser descoberto em Virginopolis. O casamento entre o sr. Joao da Cunha “contra” Sa Emidia deve ter completado 100 anos, ou esta por completar. Isso porque a tia Ilca, esposa do tio Omar Rodrigues Coelho, nasceu em 27.12.1914. O registro do casamento deve estar no cartorio. Assim, poderemos ver se registra os nomes dos avos do senhor Joao e, com um pouco de sorte, a procedencia da familia.

Mas o mais certo eh encontrarmos apenas os nomes, sem indicacao de procedencia. Dai sera preciso buscar algum documento que fale a respeito disso. Uma boa fonte de dados usada por genealogistas sao os testamentos e os inventarios. Ao que tudo indica, os “da Cunha Menezes” se instalaram em Divinolandia, dai nao sei dizer onde seria mais provavel encontrar esses documentos, se existem. Pode ser que se encontrem tambem em Guanhaes, que era a dona de tudo, ou Virginopolis, que ja estava se assenhorando da futura heranca materna.

Se o senhor Jose da Cunha Menezes ou dona Maria Tereza deixaram algum testamento, existe a chance de terem mencionado suas procedencias, com nome de ancestrais. E como la pelos anos de 1900 o seo Joao ja fora pai da dona Izaura da Cunha Menezes, esposa do seo Waldemar Nunes Leite, eles devem ter falecido antes de 1930. Pela projecao de datas, o senhor Jose devera ter nascido por volta de 1840-50.

Confirmando a minha teoria de procederem da Bahia, o que nao eh impossivel por outros motivos. Nos sabemos que a Familia “de Senna” procedeu de Rio de Contas, e o patriarca Candido Jose de Senna era contemporaneo do casal patriarca dos “da Cunha Menezes”. Embora, Rio de Contas esteja mais proxima `a divisa da Bahia com Minas Gerais, a distancia nao seria problema para nossos antepassados.

Apos verificarmos os detalhes acima mencionados, talvez encontremos um atalho para decifrarmos toda a familia baiana. Entre os grandes genealogistas brasileiros temos um dos patronos de cadeira do Colegio Brasileiro de Genealogia, a de numero 27, com o nome de Antonio de Araujo de Aragao Bulcao Sobrinho. Em co-autoria com Jayme de Sa Menezes publicou o estudo genealogico: “Familias Baianas – Sa Menezes”. A data eh de 1968. Antonio de Araujo tem pelo menos outros 14 trabalhos genealogicos publicados. Podera ser pesquisado em grandes bibliotecas. Particularmente no CBG – RJ e na propria Bahia.

Interessante sera que, constatada verdadeira minha teoria, havera a possibilidade dos “da Cunha Menezes” do seo Joao e dona Maria da Cunha serem duplo Barbalho. Isso porque desde `a epoca das Invasoes Holandesas a Bahia recebeu parte da heranca genetica de Pernambuco. Duas filhas do mestre-de-campo, o governador Luiz Barbalho Bezerra se casaram por la. Foram donas Antonia e Cosma Barbalho Bezerra. Dona Antonia foi a mae de dona Ignez Tereza Barbalho Bezerra. Ela foi a esposa do nobre Egas Moniz Barreto. E, atraves deles, os Barbalho Bezerra, nossos ancestrais, foram ascendentes dos baroes de Rio de Contas, Sao Francisco, Paraguassu e Matoim.

Deverao ser ascendentes de toda a classe alta baiana porque dona Cosma casou-se com Francisco Negreiros de Sueiro, cujos desdobramentos mencionam diversas familias de alto poder aquisitivo. Mas so tenho acesso ao inicio destas geracoes. O mesmo se deu com outros descendentes de dona Antonia. Alem delas, houve um irmao: Francisco Monteiro Barbalho Bezerra que foi o capitao do Forte de Nossa Senhora do Populo, tambem conhecido como Forte de Sao Marcelo, que fica na Baia de Todos os Santos. Mas nao sei dizer se deixou ou nao descendencia. A Zica podera dizer algo a respeito disso. Ela foi dar um “Garrido” num baiano!…

Tai gente. Caso queiram, o primeiro passo eh buscar o registro de casamento do seo Joao da Cunha e Emidia Nunes Coelho, que deve ser o mais facil. Ou encontrar o testamento, ou inventario, dos senhores Jose e Maria Tereza. Dai para frente eh que poderemos analisar e ver o que os documentos nos dizem para planejar o proximo passo. Grande abraco a todos e boa semana.

 

 
16. AOS FAMILIARES “DA CUNHA MENEZES”

Fiz a postagem anterior a esta com a finalidade de pedir ajuda aos primos para aprofundarmos as raizes dessa familia no ambito de Virginopolis e regiao. A Virginia Guia Candido trouxe-nos valiosissimas informacoes a respeito da Familia da Cunha Menezes no mundo. Contudo, desviou um pouco a intencao inicial. Talvez ela tenha sido picada pela “mosquinha do sangue azul”. rsrsrsrsrs

O que quero dizer com isso eh que, mais antigamente, se fazia genealogia assim mesmo. Os que escreviam alguma genealogia, geralmente, com ou sem base alguma, levantavam os nomes de famosos com a mesma assinatura `a qual se propunham discorrer sobre ela e afirmavam que pertenciam `a mesma familia. Porem, isso tem uma certa semelhanca aos “nomes fantasia” de remedios.

Do ponto de vista genetico atual, nao importa se o nome eh melhoral, aspirina Bayer ou AAS. O que importa eh que dentro haja o acido acetil salicilico porque este eh o que leva ao efeito desejado.

A Virginia mencionou-nos a principio a Casa de Lavradio, que teve um de seus apices no governo de D. Jose I, o pai da D. Maria I, a louca, mae do conhecido D. Joao VI, rei do Imperio Portugues. D. Joao VI era o regente quando a corte portuguesa desembarcou no Brasil, em 1808

O fato de existir uma Familia da Cunha Menezes na area de Virginopolis nao depende necessariamente dos de Lavradio. Espera-se que exista uma extensao desta familia que se encontrara com os de Lavradio, assim como com todos os outros nobres mencionados em todas as recomendacoes feitas pela Virginia. Alias, como mencionei antes, quem desejar conhecer as relacoes familiares que existem entre todos os “da Cunha Menezes” famosos da Historia, basta pagar uma cota no http://www.geneall.net e seguir nome por nome. Quem o fizer, vera que todos se encontrarao em diversos ancestrais comuns.

Tudo indica, que os nossos “da Cunha Menezes” tambem terao algum vinculo com eles. Porem, so saberemos qual se encontrarmos quem foram os pais do senhor JOSE DA CUNHA MENEZES, ate o momento, o primeiro deste nome em nossa regiao que encontramos. A partir dos pais, procurarmos os avos, ate encontrarmos o fio da meada. Saber que este fio da meada leva aos outros eh chover no molhado. Importante eh saber como!…

Trocando em miudos, devo afirmar que, em termos geneticos, os “da Cunha Menezes” de Virginopolis e regiao deverao ter muito pouco a ver com os de Lavradio. Mesmo que esse pouco nao deixe de ser importante.

Num exemplo pratico, podemos tomar o Angelo Meneses como cobaia. rsrsrsrs. Voce nao esparava por isso neh Angelo! Vamos supor que o senhor Jose fosse 100%, o que posso afirmar que nao era nem sombra disso, “da Cunha Menezes”. Ele casou-se com dona Maria Tereza Severino. Assim, os filhos terao sido 50% “da Cunha Menezes” e 50% da mistura Severino. Casando-se com a Sa Emidia, o sr. Joao da Cunha Menezes passaria 25% dos 100% iniciais para dona Julia. Ela passou 12,5% para o Angelo.

Por mais aparentado que o sr. Jose fosse dos de Lavradio, terao entre 3 e 5 geracoes de distancia entre eles. Assim, se as esposas em cada geracao ja nao fossem tambem “da Cunha Menezes”, a cada geracao passada causaria a reducao de 50% do parentesco. Isso quer dizer que o grau de parentesco pode ir caindo para 6,25; 3,125 e 1.6% aproximadamente. Ou seja, o Angelo teria 1.6% de consanguinidade com a Casa de Lavradio, caso nao tenha parentesco com eles por outras vias. O que provavelmente tera porque todos nos somos aparentados.

Portanto, o Angelo tera aproximadamente 98.4% de conteudo genetico de outras fontes que nao o “da Cunha Menezes”, dai, por que entao haveria que considera-lo um “da Cunha Menezes”? Ai eh que voltamos ao termo “fantasia”. Geralmente, o sobrenome que usamos nao passa disso! Eh pura fantasia! Torna-se util apenas como referencia para encontrarmos documentos que irao comprovar que realmente ele teve ancestrais com o sobrenome “da Cunha Menezes”.

Para a genetica, o que interessa eh a substancia ativa que formou o Angelo, ou seja, contar-se-ia os aproximadamente 1.6% dos “da Cunha Menezes”, de Lavradio, mas muito mais os outros 98.4%.

Por isso, gostaria de renovar minha solicitacao a quem se interessar buscar alguma informacao concreta em relacao `as ascendencias e origem geografica do casal patriarca: JOSE DA CUNHA MENEZES & dona MARIA TEREZA SEVERINO. Muitas vezes, a gente da menos valor ao nosso lado materno por causa de, principalmente em casos de pessoas mais antigas, os sobrenomes nao indicarem alguma procedencia reconhecidamente de classe social elevada. Mas este eh um engano que tende a revelar-se incauto porque nossas ancestrais tiveram pais, avos, bisavos etc.

E alguns deles sempre terao origens distintas reconhecidas. O problema eh que a nossa sociedade preconceituosa do passado relegou as mulheres ao segundo e terceiro planos. Assim, as fontes de pesquisas que temos de passado remoto sao documentos que mencionam os homens e seus feitos. A maioria absoluta das mulheres estava reclusa em seus ambientes domesticos. Dai nao tiveram seus nomes recordados fora dos registros de casamentos e batismos. E mesmo assim, muitas vezes os registros omitem suas ascendencias.

Neste ponto, uma questao que se torna recorrente aos meus escritos eh a forma que permitiu o nosso nascimento. Como sabem, para nascermos precisamos ter pai e mae. Eles precisaram ter nossos avos. Assim sucessivamente ate chegarmos aos primeiros da especie. Ou seja, em primeiro lugar, todos temos ancestrais comuns. E se calcularmos somente os mais recentes, multiplicando 2 X 2 X 2, numa sequencia que se repete por 33 vezes, chegaremos a um numero superior a 8.5 bilhoes de ancestrais, somente da 33a. geracao.

O fato eh este, isso remonta ha apenas 1.000 anos atras. Naquela epoca, a populacao humana era muito inferior a este numero. E nos descendemos apenas de uma pequena parte da populacao que viveu naquele tempo. Os mais de 8.5 bilhoes de espacos que caberiam a nossos ancestrais, apenas da 33a. geracao anterior `a nossa, estao todos ocupados, ou nao nasceriamos. O nosso nascimento tornou-se possivel apenas porque muitos milhares de pessoas que viveram naquela epoca sao repetidamente nossas ancestrais. Algumas deverao ser ate milhoes de vezes.

Alem disso, aquelas mesmas pessoas sao ascendentes, milhoes ou milhares de vezes, de todas as pessoas que vivem ao nosso redor, com raras excessoes.

Isso implica no detalhe importante. Se desejarmos encontrar parentesco com figuras historicas, basta-nos descobrir nossa genealogia remontando ha nao mais que uns 300 anos atras. Assim, chegamos a troncos que lancam ramos que dispersaram por todos os cantos do pais de nossa origem e quica do mundo. Entao, se acompanharmos a ascendencia das figuras historicas e famosas da atualidade, deveremos encontrar lacos com elas. E, muitas vezes, podera ser que teremos mais consanguinidade com estas do que com outras pessoas que usam o sobrenome identico ao nosso.

Em nosso exemplo pratico, pode ser que um “da Cunha Menezes” de cuja linhagem nunca saiu de Portugal sera menos parente do Angelo do que ele eh do bispo D. Manoel Nunes Coelho. Rsrsrsrsrsrs. Isso eu posso garantir que eh mesmo porque o Angelo eh repetidamente Magalhaes Barbalho, Nunes Coelho e Coelho de Magalhaes. Assinaturas que constam no rol de avos do D. Manoel, por ele ter sido primo em primeiro grau de nossos avos.

Entao, o processo de pesquisa genealogica atual nao passa mais pelo sobrenome que as pessoas usam e sim pelos documentos que as ligam `as diversas linhagens `as quais pertencem, assinando os nomes delas ou nao.

Neste caso, vamos procurar o registro de casamento do seo Joao da Cunha Menezes e da Sa Emidia ou com a Evangelina Nunes Coelho? Ou, ainda, algum possivel testamento ou inventario que os senhores Jose da Cunha Menezes e Maria Tereza Severino deixaram? Os registros de casamento dos outros filhos: Quinquim com Enedina; Liberalino com Adalgisa; Jose com Heloina; Luiz com Regina; Sebastiao (Betica) com Nenen; Olimpia com Antonio, Maria com Durval e Francelina com Francisco de Matias, poderiam ajudar da mesma forma. Grande abraco a todos.

Posteriormente a estes escritos, encontrei evidencias de que a Familia da Cunha Menezes permaneceu em Virginopolis antes que alguns mudassem para Divinolandia de Minas. Na lista de ex-alunos do caraca, por exemplo, encontra-se que o senhor Jose da Cunha Menezes Neto, filho dos senhores Quiquim da Cunha e dona Enedina, nasceu em Virginopolis. E sabemos que os filhos daquele ja em Divinolandia. Portanto, a documentacao da familia que podera existir devera estar mesmo em Virginopolis. E o nome da mae do Jose Neto ai era Henedina Flora de Oliveira, nada a ver com Enedina Borges de Menezes citado por dona Maria Filomena, pelo menos no que se trata ao sobrenome.

Ocorreu-me tambem outro raciocinio matematico que podera servir de exemplo bom para a melhor compreencao da comparacao entre sobrenomes e nomes fantasias de medicamentos. Trata-se do sobrenome Barbalho em minha familia. Nossos ancestrais mais recentes que o usaram sempre tiveram orgulho de o assinarem. Mas com a descoberta da linhagem que nos liga `a primeira pessoa que nos o passou no Brasil isso tornou-se ate, de certa forma, irrelevante. Muita gente em Virginopolis, inclusive o Angelo mencionado acima, tem ancestrais Barbalho, porem, assina outros sobrenomes. Considero uma casualidade nos o termos herdado apos tantas geracoes. Posso mencionar as geracoes a partir do meu pai para melhor exemplificar.

1922 Odon de Magalhaes Barbalho
1890 Trajano de Magalhaes Barbalho
1854 Marcal de Magalhaes Barbalho
1824 Francisco Marcal de Magalhaes Barbalho
1780 Policarpo Jose Barbalho
1750 Jose Vaz Barbalho
1710 Manoel Vaz Barbalho
1685 Maria da Costa Barbalho
1650 Paschoa Barbalho
1616 Jeronimo Barbalho Bezerra
1584 Luiz Barbalho Bezerra
1550 Camila Barbalho
1510 Braz Barbalho Feyo

Algumas datas ai postas foram fabricadas apenas para dar uma sequencia presumivel e nao se baseiam em algum registro encontrado. A sequencia de nomes pode sim ser confirmada em notas genealogicas exceto, por enquanto, a passagem de Jose Vaz e Manoel Vaz Barbalho. A constatacao de que sejam, respectivamente, filho e pai se baseia em evidencias razoaveis.

O certo eh que temos ai 13 geracoes anteriores `a minha. E se multiplicarmos 2 X 2 X 2, 13 vezes, temos que era esperado que eu tivesse 8.192 ancestrais, somente da 13a. geracao, representada por Braz Barbalho Feyo. Agora imaginem, que grau de parentesco eu e os outros descendentes tem com ele?! Na realidade, se o Braz Barbalho Feyo for uma unica vez meu ancestral, eu terei com ele uma consanguinidade de 1/8.192 partes, ou seja, dos meus aproximados 80 kg de peso, aproximadas 10 gr terao vindo dele e eh so.

Se tivessemos em maos e dispuzessemos os nomes dos 8.192 ancestrais numa linha continua, cada nome ocupando apenas 1 cm, teriamos aproximadamente 82 metros na fileira de nomes. Nada comparavel aos 85.000 aproximados kms se fossemos comparar com a 33a. geracao anterior `a nossa.

Claro, a possibilidade eh grande de eu ser mais de uma vez descendente do Braz Barbalho Feyo e ao que temos noticias dentro do que sabemos eu descendo dele pelo menos tres vezes somente em casos recentes de ascendencia. Nesta situacao, tenho garantidas 25 gramas dele. Isso porque desdendo dele 2 vezes mais pelo lado da minha mae, sendo que o Joao Batista de Magalhaes da aos descendentes de minha geracao o status de descendencia na 14a. geracao e nao na 13a.

Mas baseados no que encontramos em nossa genealogia mais recente ja documentada, podemos esperar que a gente descenda dele varias outras vezes. Inseguro eh afirmar quantas. Sabemos, porem, que a descendencia dele se espalhou por todo o Brasil, tanto eh que encontramos pessoas descendentes dele de Norte a Sul do pais, com a assinatura. Porem, a maioria absoluta da descendencia nao assina este sobrenome.

Entao, a possibilidade de descendermos “secretamente” dele eh enorme. Portanto, podemos, para efeito de raciocinio, supor que ele ocupe, somente na 13a geracao anterior `a nossa, 256 vezes. Nao eh uma suposicao totalmente absurda, posso garantir a voces. E se isso aconteceu realmente, poderemos ser, automaticamente, 256 vezes descendentes da esposa dele, a Maria (ou Catarina) Tavares de Guardes. Neste caso a soma nos da 512 espacos ocupados na 13a. geracao anterior `a nossa, pelo casal.

Dai, basta-nos dividir 8.192 por 512. O que nos dara um resultado de 16, ou seja, seriamos 1/16 descendentes do casal. Agora observem que essa relacao de parentesco eh a mesma que temos com nossos trisavos quando descendemos destes uma unica vez. Na pratica isso eh o que realmente acontece em muitos casos de pessoas cujas linhagens de ascendencia sao oriundas de lugares pequenos e muito antigos. Ancestrais que, aparentemente, nao deveriam ser tao proximos da gente o sao, por causa das muitas repetidas vezes que sao nossos antepassados. Mas somente atraves de uma Arvore Genealogica completa eh que podemos averiguar isso sem sombra alguma de duvida.

Mesmo que sejamos descendentes de milhares de outras pessoas numa 13a geracao como a desse nosso exemplo meio ficticio, algumas delas terao mais peso como nossas ascendentes, em razao das vezes que entrarao em nossa composicao. Portanto, dizermos que uma pessoa nem tem parentesco conosco porque eh nossa ancestral ha tantas e tantas geracoes atras, pode ser tao enganoso quanto assumirmos que pertencemos a uma familia porque usamos o sobrenome dela.

Neste mesmo caso, podera ser que eu seja apenas as 3 vezes conhecidas descendente do Braz Barbalho Feyo e da Maria (ou Catarina) Tavares de Guardes. Entao, pode ser que eu tenha muito mais vinculo com outro sobrenome que nao uso do que com aquele que uso. Por isso, nao posso confiar na tradicao de que sou porque uso o sobrenome. Devo procurar saber as outras assinaturas e quantas vezes se repetem em mim. Ai sim saberei quem sou e de onde procedo. Quica, de todas as partes do mundo!

Continuando o mesmo raciocinio, espero que na 13a. geracao anterior `a minha eu tenha diversos casais com o sobrenome Coelho. Contudo, um devera repetir-se mais vezes, que sera aquele que deu origem ao Coelho de Magalhaes, do qual descendo mas nao uso o sobrenome. Sou descendente por esta via 6 vezes do casal: Jose Coelho de Magalhaes e Eugenia Rodrigues Rocha que sao, simultaneamente, 5 vezes meus pentavos e 1 vez hexavos. Neste caso, em relacao aos ancestrais dele que ocupam a 13a. geracao anterior `a minha, eu teria algo em torno de, pelo menos, 55 gr. provenientes dos tais.

O que nao posso eh afirmar que sou muito mais Coelho do que Barbalho. Isso porque, ate o momento, temos a noticia de que a Eugenia Rodrigues Rocha era filha do Giuseppe Nicatsi da Rocha e Maria Rodrigues de Magalhaes Barbalho. Ou seja, as mesmas 6 vezes que sou Coelho de Magalhaes, sou tambem outras vezes Barbalho.
E imagino que Maria Rodrigues pertencia ao mesmo tronco familiar. Porem, eh possivel que, por este Barbalho proceder de linhagem feminina, posso ou nao encaixar os ancestrais dela na mesma 13a. geracao anterior `a minha. Isso porque as mulheres se casavam mais cedo e pode ser que as 6 vezes que descendo dela recaiam sobre as 14a. e 15a. geracoes anteriores `a minha.

Se for este o caso, entao, terei 25 gr. mais 2.5 gr. de ascendencia no Braz Barbalho Feyo. Somando as 25 gr. anteriores com estas 27.5 gr, tenho 52.5 gr. O que seria praticamente a mesma coisa que as 55 gr. atribuidas ao sobrenome Coelho de Magalhaes. Embora, se minha suposicao estiver incorreta e Maria Rodrigues levar-me 5 vezes `a mesma 13a. e 1 vez `a 14a. geracao anterior `a minha, terei ao todo 80 gr. do Braz Barbalho Feyo e Maria Tavares de Guardes. O restante dos meus aproximados 80 kg serao formados por tantos sobrenomes quanto possiveis mas o certo sera que outros ancestrais e os mesmos se repetirao muitas vezes naquela bendita 13a. geracao anterior `a minha.

Ja o Angelo Meneses sabemos que descende, pelo menos, 2 vezes dos Magalhaes Barbalho e 5 vezes dos Coelho de Magalhaes. Enquantoque dos “da Cunha Menezes”, apenas uma. Claro, levando-se em conta apenas os nossos ancestrais recentes comuns, dos quais temos conhecimento. Por isso, para que a assinatura Meneses dele tenha um conteudo maior do que nome fantasia, sera preciso que ele tenha herdado o sangue dos “da Cunha Menezes” ou de outros ancestrais comuns que os formaram atraves dos sobrenomes Barbalho e Coelho. Embora ele nao assine o Barbalho.

Uma consequencia de o Angelo ter um avo “da Cunha Menezes”, eh a de que sou mais Coelho do que ele mas ele assina o sobrenome e eu nao. As coisas sao assim mesmo. Meu pai era mais Coelho do que Barbalho, porem assinava Barbalho e nao Coelho. Minha mae eh mais Barbalho que meu pai. Mas assina o Barbalho so por via do casamento. O Barbalho que se repete 7 vezes no Angelo, repete 9 vezes em mim. O Coelho de Magalhaes se repete nele apenas 5 vezes, em mim 6. Ele eh 3 vezes Nunes Coelho. O mesmo em mim. A diferenca esta em que tenho os Coelho de Almeida, Coelho de Andrade e Coelho, do Souza Azevedo, que talvez ele nao tenha.

Observe-se que tanto para ele quanto para mim, o Magalhaes se repete, tanto no Magalhaes Barbalho quanto no Coelho de Magalhaes. Sera possivel que tenhamos diversos ancestrais assinantes do sobrenome Magalhaes na 13a. geracao anterior `a nossa.

O fato de eu ser mais vezes Coelho do que o Angelo e ele ter tido um avo “da Cunha Menezes” pode refletir-se negativamente em mim e positivamente nele. Isso pode significar que eu tenha menor variabilidade genetica do que ele. Temos que nos lembrar que biologia nao eh matematica. Porem, a probabilidade eh haver uma relacao direta entre menor variabilidade genetica e menor resistencia a problemas de saude. Individualmente, algumas pessoas com menor variabilidade genetica poderao ter saude perfeita, mas a tendencia sera de a maioria das pessoas muito consanguineas apresentarem maior numero de problemas de saude.

Extendo um pouco o calculo para a 33a. geracao que mencionei acima, apenas para ilustrar melhor essas relacoes de parentesco. Uso esta geracao porque considerando que o intervalo entre geracoes se de de 30 em 30 anos, 33 seria o numero de geracoes que teriamos em 1.000 anos. Na verdade depende da linhagem, podendo ser mais ou menos geracoes. Alguns estudiosos adotam o numero de 40 geracoes a cada milenio. Mas o fato eh que temos mais de 8 bilhoes e 500 milhoes de espacos a serem ocupados por ancestrais, somente da 33a. geracao anterior `a nossa.

Isso significa dizer que se usassemos o espaco de 1 cm para escrever os nomes de cada um, repetindo-se quantas vezes necessarias os nomes daqueles que sao repetidos como nossos ancestrais, teremos mais de 8.500.000.000 cm. Cortando 2 zeros, teremos 85.000.000 de metros. Cortando-se mais 3 zeros teremos 85.000 km. Isso quer dizer que para colocar o nome dos nossos ancestrais numa folha continua e nessas condicoes, e extendessemos numa linha que acompanhasse a linha do equador terrestre, seriam preciso um pouco mais de 7 voltas em torno da Terra para completar o nosso trabalho.

Agora se o fizessemos em forma de uma correntinha de ouro, com pingentes contendo um nome de cada um de nossos ancestrais em cada pingente, distribuidos a cada centimetro, e tomassemos cada meio metro para fazer um colar, poderiamos presentear 170 milhoes de pessoas, cada uma com um colar. Nao faco ideia de quantas mas serao necessarias toneladas de ouro para conseguir realizar tal proeza.

Ato continuo, a cada geracao anterior, os espacos que deveriam ser ocupados por apenas um ancestral dobram, ou seja, poderiamos fazer 340 milhoes de colares com os nomes de nossos ancestrais, somente da 34a. geracao anterior `a nossa, e 680 milhoes da 35a. E assim por diante. Se formos faze-lo para calcularmos a geracao que ocuparia o ano 75.000 antes dos dias de hoje, nossas medidas ja nao serao possiveis fazer em metros ou quilometros. Teremos que usar anos luz.

Tomei essa data de 75.000 anos atras porque foi a epoca em que iniciou-se a Era Glacial passada. Julga-se que ela foi iniciada por causa da erupcao de um supervulcao na Indonesia que encheu a atmosfera com tantos gases e detritos que a luz solar muito pouco chagava ao solo. Com isso houve um desequilibrio ecologico e a especie humana entrou numa fase de risco de extincao, sobrevivendo com apenas uns poucos milhares de pessoas.

Estes poucos milhares sao os ancestrais de todas as pessoas que vivem atualmente no planeta. E talvez seja o que explique o porque de a nossa especie quase nao ter variabilidade genetica em comparacao com outras especies mamiferas que nao estejam em risco de extincao atualmente.

Pode parecer complicado a alguns mas penso que nao ha meio mais simples de explicar o parentesco que temos com nossos ancestrais mais remotos a nao ser atraves desta matematica simples. Assim calculem voces a parte que vos cabe como exercicio de memorizacao destas coisas. Elas podem parecer sem importancia mas eh o que verdadeiramente somos.

 

 

 

17. FAMILIARES FERREIRA RABELLO

Vou passar aqui para voces algo que conhecia da internet e que devera despertar a curiosidade de voces. Entrem neste endereco:

http://www.arvore.net.br/trindade/TitRabelos.htm, e tirem suas proprias conclusoes.

Talvez seja um equivoco do pesquisador Virgilio Pereira de Almeida dizer que o pai do barao do Serro: Bernardo Jose Ferreira Rabello, fosse portugues. Observem que pela projecao de datas, os Ferreira Rabello estao em Minas Gerais, possivelmente, desde antes do nascimento dele. Dai, sera provavel que seja natural de Barra Longa ou de Leopoldina.

Por falar nisso Balduino Cézar Rabelo, pelo jeito valera a pena dar um passeiozinho a Leopoldina para ver se consegue o registro de casamento dos seus avos: Pedro Ferreira Rabello de Magalhaes e Bellarmina Werneck de Lacerda. Garanto que a cidade eh simpatica e agradavel de se visitar.

Caso se comprove que os Rabello Ferreira de Guanhaes e Virginopolis sao mesmo desta raiz, ficara comprovado que tambem sao aparentados dos Ferreira Rabello do Rio de Janeiro. E ali terao parentesco com outros baroes, nao apenas o do Serro. Aguardemos por enquanto a constatacao, depois falamos disso.

No registro de casamento de ambos devemos encontrar os nomes dos pais e avos, o que sera uma grande fatalidade nao coincidirem com nenhuma destas pessoas na genealogia do Conego Trindade. Dai voces poderao descobrir exatamente de onde vieram de Portugal e ate mesmo da Franca.

Observe que o N3, Sebastiao, casou-se com dona Francisca Maria Angelica, que era Bn 5 dos Lanas. Os Lana descendem do Jean de Lanne. Caso queiram mais informacoes, passem para a pagina dos Lana naquele site. Mas tambem podem ser Martins, ou Xavier (aparentados do Tiradentes), como segue na descendencia. A partir dai, poderao descender de diversos outras ramos portugueses e brasileiros que o livro mostra. Mas o primeiro passo sera mesmo buscar o vinculo com a Familia da Zona do Carmo. Dai o resto sera mamao-com-acucar.

Afetuoso abraco a todos.

Haydée Coelho Coelho, Dirceu Rabelo, Celina Rabello, Neto Rabello, Francisco Dias de Andrade, Heloisa Hercila De Andrade Garrido, Jorge Miguel de Moraes, Roxane Barbalho, Carlos Magalhaes Barbalho, Adamar Nunes Coelho, Elesbao Nunes Coelho Bao, Jamir Nunes Coelho. Romeu F Madureira, Bento Luiz Silva. Passem para frente. Talvez alguem se anime a ajudar a desvendar este misterio.

Uma dica. Nao devera haver registro de casamento entre o senhor Pedro e dona Bellarmina no cartorio. Se o casamento se deu antes de 1889, data da Proclamacao da Republica, o registro sera eclesiastico, ou seja, na Igreja. Isso porque a separacao de Igreja e Estado so se deu naquela data.

Apenas acrescentando, a Paroquia de Nossa Senhora do Rosario do Sumidouro, mencionada no livro do Conego Trindade fica na atual Pedro Leopoldo. Vejam a Historia no:http://pt.wikipedia.org/wiki/Pedro_Leopoldo.

Espero que ninguem tenha animado a sair correndo para buscar algum documento que venha a nos esclarecer melhor as origens da familia. Uma visita a Leopoldina nao seria nada mal. Mas lembrei-me de outro detalhe.

O conego Trindade (Raimundo) foi, talvez, o maior geneologo mineiro ate o momento. Ele nao apenas escreveu o livro: “Genealogias da Zona do Carmo.” Outra obra que deve nos interessar sera a “Velhos Troncos Ouropretanos”. Nestas obras ele explora as genealogias de pessoas que se estabeleceram em Minas Gerais durante o “Ciclo do Ouro” e tiveram alguma importancia politico-economica. Imagino que, hoje-em-dia, uma parte consideravel dos mineiros e descendentes que sairam do estado terao vinculos parentais com as raizes descritas pelo padre Trindade.

Contudo, a obra mais completa dele eh o “VELHOS TRONCOS MINEIROS”. Um calhamaco de mais de mil paginas, dividido em 3 volumes. Eh provavel que nesta obra ele tenha repetido o que esta naqueles livros mais antigos e dado continuidade aos dados que constam neles. Sei que ele inclusive incluiu familias que se multiplicaram a partir de Conceicao do Mato Dentro, Serro e Diamantina. Eh provavel que ele ja tenha ate descrito como se deu os vinculos dos Ferreira Rabello da Zona da Mata Mineira, do Serro e do Rio de Janeiro.

A colecao foi publicada em 1955, portanto, so podera ser encontrada em sebos. Porem, tambem em bibliotecas maiores, como a Biblioteca Publica de Belo Horizonte. Penso que bastaria uma rapida olhada no indice para saber se ele abordou ou nao as familias de nosso interesse. Se a resposta for positiva, nao sera dificil encontrar os vinculos que procuramos.

Infelizmente nao tenho acesso `as obras, exceto a que esta na internet (Genealogias da Zona da Carmo). Mas esta se concentra mais nas familias que colonizaram a area de Barra Longa, terra natal do conego.

Grande Abraco.

 

 
18. PEQUENA ANTIGA NOVIDADE

Parece-me que “o amor esta no ar”. Falta-nos procura-lo.

Como o site do Family Search esta sempre em evolucao, vez por outra dou uma olhada para ver se ha alguma novidade em relacao aos documentos que eles tem catalogados. Ontem, 27 de fevereiro de 2014, aniversario da Celeste, minha irma, encontrei um nome de membro de nossa familia. Trata-se de dona Theodozia de Aguiar Barbalho, que segundo as minhas perspectivas foi nossa tiahexavo (ou sextavo como alguns preferem) ja garantida, irma do Manoel Vaz Barbalho, o avo do padre Policarpo Jose Barbalho.

Esta la nos documentos que ela casou-se com Joseph Carneiro da… Nao conseguiram ler, mas pode ser “da Costa”, “da Cunha”, “da Silva” ou qualquer outro sobrenome do genero. Ela era filha do Manoel Aguiar e Maria da Costa Barbalho, nossos heptavos (ou setimavos). O marido era filho de Matheus Lage e Maria Carneiro. O casamento se deu na Igreja de Nossa Senhora da Assuncao, no dia 17.12.1717, em Mariana.

Este achado enriquece sobremaneira o que conhecemos a respeito de nossa familia. Uma que da sustento `a minha suspeita de que as Familias “Aguiar” e “da Costa” que estavam associadas ao Barbalho Bezerra no Rio de Janeiro mudaram-se juntas para Minas Gerais, por serem nomes geralmente associados ao servico publico. Um dos escrivaes durante a fundacao do Rio de Janeiro tinha a assinatura “da Costa”.

Ate entao, o registro de membro reconhecido na familia em Minas Gerais era o do casamento do Manoel Vaz Barbalho com a hexavo Josepha Pimenta de Souza, que se deu em 1732, no Distrito de Milho Verde, no Serro. Ao que tudo indica, nossos ancestrais ja estavam ha pelo menos 15 anos anteriores no Estado de Minas. O detalhe eh que suspeitei que tivessem se mudado para o Serro, por volta de 1720, porque foi a epoca em que a Comarca foi criada.

Agora, com o registro em 1717, devemos esperar que os funcionarios “da Costa” e “Aguiar” tenham se aliado ao governador Antonio de Albuquerque Coelho de Carvalho, que foi governador do Brasil do Sul (Rio de Janeiro, Sao Paulo e Minas do Ouro). Ele foi nomeado para resolver o Conflito dos Emboabas. Depois houve a separacao da Provincia com a criacao do Rio de Janeiro. Ja em 1720 houve nova separacao, criando-se as Provincias de Sao Paulo e Minas Gerais, antes reunidas em uma so.

Mas o interessante aqui sera lembrarmos de que temos a mencao que dona Maria Rodrigues de Magalhaes Barbalho foi a mae da nossa pentavo Eugenia Rodrigues da Rocha, esposa do nosso pentavo portugues, alferes de milicia, Jose Coelho de Magalhaes. Nossos pentavos foram pais do Jose Coelho da Rocha em 1782, ou seja, 65 anos apos `aquele casamento em 1717. Dona Maria poderia ter nascido deste casamento e ter perfeitamente sido avo do fundador de Guanhaes.

Mas, claro, nao vou afirmar, afinal existem registros outros de casamentos com pessoas da assinatura Barbalho, tanto em Ouro Preto quanto em Mariana nos anos 1750. E nao temos o acompanhamento dos Barbalho na regiao do Serro, apenas algumas mencoes. Acredito que como as tradicoes vinculam o ancestral portugues Jose Coelho de Magalhaes com o Manuel Rodrigues Coelho, que tambem viveu nos arredores de Mariana, pode ser que isso tenha facilitado o encontro dele com a avo Eugenia Rodrigues Rocha.

Creio que as evidencias poderao mesmo concretizar-se e algum dia encontrarmos os registros de casamento da ancestral Maria Rodrigues de Magalhaes Barbalho com o Giuseppe Nicatsi da Rocha em Mariana ou Ouro Preto. Ai poderiamos encontrar tambem o registro da filha Eugenia Rodrigues Rocha e do casamento dela com o Jose Coelho de Magalhaes. Assim, poderemos constatar, ou negar, que tanto o Coelho quanto o Barbalho tiveram mesmos ancestrais procedentes do Rio de Janeiro.

Nao podemos esperar que dona Theodozia e Joseph sejam pais de dona Maria Rodrigues. Ha outro casal com boa chance. Eles se chamaram Jose Rodrigues e Teresa Maria de Jesus. Os sobrenomes nao informam muito mas tem la no Family search os registros de casamentos de dois filhos deles: Liandro e Janoario Jose Barbalho. O Liandro inclusive casou-se com alguem identificada como V. Barbalho. E esta era filha de Dionisio Barbalho Bezerra.

Mas os casamentos deles se deram em 1753 e 1758, muito tarde para serem pais de dona Maria, porem, em tempo razoavel para serem irmaos ou primos. O nome Teresa Maria de Jesus tanto pode ser de indigena ou escrava batizadas quanto de outra membro da Familia Barbalho que nao usava o sobrenome. O certo eh que havia se formado um nucleo da Familia Barbalho ao redor da antiga capital do Estado. E sabe-se por informacao no livro: Genealogias da Zona do Carmo, que os Magalhaes vagavam nos arredores. Sendo inclusive ancestrais do bispo Dom Silverio, primeiro bispo de Diamantina.

Temos que aguardar mais noticias. Se nao nos atrevermos mais e irmos diretamente `as fontes.

So imagino um pequeno detalhe. Nos temos um acompanhamento muito pequeno da descendencia dos ancestrais Manoel Vaz Barbalho e Josepha Pimenta de Souza. Mesmo assim o que temos ja da para fazermos uma ideia de que sao ancestrais de populacoes de uma cidade atras da outra no Centro-Nordeste de Minas Gerais. Se dona Theodozia e Joseph tiveram a mesma sorte de deixar numero semelhante de descendentes, as cidades em torno de Mariana e, possivelmente, do resto de Minas Gerais serao tambem compostas de populacoes de descendentes dos pais deles.

Ha que se lembrar que Mariana foi a capital de Minas, sendo depois substituida por Ouro Preto. E no periodo de colonizacao do restante do Estado o fluxo migratorio se deu no sentido contrario em relacao ao que aconteceu na segunda metade do seculo passado. Ou seja, as populacoes maiores se concentravam nas cidades historicas que enviavam seus excedentes populacionais para formar-se os novos arraiais.

Com a ocupacao do espaco rural do Estado e o inicio da industrializacao centralizada em poucas cidades conhecidas como polos industriais o fluxo migratorio se inverteu em direcao a estas. Com isso a populacao geral primeiro se dispersou, agora se ajunta, porem, muitos dos ancestrais sao os mesmos. Para o bem de todos agradecamos aos que chegaram depois, como os imigrantes de quaisquer outros paises, pois, atraves destes podemos ter um pouquinho mais de variabilidade genetica, o que nos permite esperar que se reflita em uma melhor condicao de saude de um modo geral.

E observem que, por enquanto, temos noticia apenas destes dois filhos do casal Manoel Aguiar e Maria da Costa Barbalho. Se eles tiveram 10 filhos, que tenham se multiplicado nas mesmas proporcoes, um numero consideravel da populacao do Estado e do pais tera ascendencia nele. Muitos poderao argumentar que isso sera de menor importancia porque a populacao total descende simultaneamente de muitos outros casais. Isso eh verdade e eh com isso que conto para o nosso bem. Por outro lado devemos levar em conta tambem que muitos destes outros casais ja faziam parte das familias “Aguiar da Costa Pimenta Vaz Barbalho”.

Para grande parte da populacao geral sera valido o argumento de que muitos outros casais tornaram-se Adoes e Evas do Estado. Pois estes serao menos consanguineos. Mas para outra parte isso nao tera validade alguma porque o esperado sera que alguns grupos de familias, ja aparentadas entre si, mudaram-se para o Estado, permaneceram proximas em seu processo de multiplicacao e continuam ate hoje concentrando consanguinidade.

Nisso, alguns membros de cada familia estarao recebendo a heranca maldita de gens recessivos e provocadores de problemas de saude. Dai a necessidade de procurarmos conhecer a Arvore Genealogica conjunta de toda a populacao para que se possa ter ideia de quem esta mais ou menos vulneravel, pois, uma orientacao `as pessoas em risco podera evitar que continuem passando para frente o pior para seus proprios filhos. Este eh o sentido mais nobre do estudo da genealogia.

Outra noticia foi que recebi um pequeno resumo da descendencia de Antonio Nunes Coelho e Maria Araujo Ferreira. Este Antonio nasceu em 1829, sendo filho dos nossos quintavos Euzebio Nunes Coelho e Anna Pinto de Jesus. Instalou-se em Pecanha, onde eh mencionado no livro: A Mata do Pecanha, sua Historia e sua Gente. Paginas 40 e 71.

Quem enviou-me o estudo foi a amiga Marina Raimunda Braga Leao. Ela estuda as familias que colonizaram Pecanha e suas descendencias. Ao que ja conversamos ela eh inclusive aparentada da nossa “bisavo em exercicio” Melita da Penha Netto, a segunda esposa do bisavo Joao Rodrigues Coelho. Passou-me apenas a geracao de filhos e alguns netos do Antonio Nunes Coelho, com respectivos conjuges.

Conversando com o Dr. Jose Geraldo Braga, juiz aposentado da Comarca de Virginopolis e tambem pecanhense, pudemos determinar mais ligacoes entre as populacoes das duas cidades, pois, quatro dos filhos do casal: Octavio Nunes Coelho e Nadir Aguilar (Totote) casaram-se em Pecanha. Ele teve como primeira esposa `a dona Esther Honoria Coelho, aparecem na pagina 13 do livro da Ivania, porem, sem a descendencia. Os filhos: Astramiro, Jose, Juarez e Otto casaram-se com membros de familias tradicionais de Pecanha.

Incluindo-se a Braga, atraves do casamento do Juarez com a Maria Valdete Braga. E uma das filhas, Ivone Maria Braga Leite tornou-se a esposa de seu primo, Giovanni Campos Coelho, que reune ascendencia em diversas familias tradicionais em Virginopolis. E esse vira-volta de casamentos lembra-me jogo de sinuca, onde uma unica bola pode espalhar todas as outras, ligando-as pelo impacto, fazendo-as correr para diversas direcoes e encontrar-se em novos impactos.

Quanto ao ramo Nunes Coelho de Pecanha, pelos sobrenomes dos conjuges de seus membros ja da para fazer ideia de que ha afinidades com as populacoes de cidades vizinhas como Guanhaes e Virginopolis. Mas precisamos maior aprofundamento para sabermos o quanto.

TRILOGIA DE VARIEDADES

November 6, 2013

CONTEUDO DESTE BLOG – ALL CONTENTS

1. GENEALOGIA

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2. RELIGIAO

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3. OPINIAO

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4. MANIFESTO FEMINISTA

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5. POLITICA BRASILEIRA

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6. MISTO

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7. IN INGLISH

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http://val51mabar.wordpress.com/2009/09/25/about-the-third-and-last-testament/

http://val51mabar.wordpress.com/2009/09/12/the-third-and-last-testament/

8. IMIGRACAO

http://val51mabar.wordpress.com/2010/06/17/imigracao-sem-lenco-e-sem-documento-o-barril-transbordante-de-injusticas/

01. RAZOES PARA ESTUDARMOS A NOSSA GENEALOGIA

02. O CEREBRO ENGANADOR

03. O DITADOR, E A MINHA OPERACAO DE HEMORROIDAS

01. RAZOES PARA ESTUDARMOS NOSSA GENEALOGIA

Prezados todos,

Li o texto PATRIMONIO ESPIRITUAL, de autoria da confrade (nao seria confreira!? Ah, o AURELIO confirmou que sim!), ANA HORTA e isso inspirou-me. Vai entao:

Vejo a mim mesmo como um ramo tenro. Em cada lado dos meus ombros nascem duas pequena folhas. Nelas vejo meus filhos. E sei que permitindo O GRANDE ONIPOTENTE eles chegarao `a idade adulta e terao pelo menos mais dois filhos cada um. Com as BENCAOS DE DEUS, isto se repetira pelas proximas 33 GERACOES. Quantos serao meus descendentes?! Facam as contas apenas da TRIGESIMA TERCEIRA GERACAO e pasmem. Mais de 8 BILHOES E 500 MILHOES DE PESSOAS.

Quem diria! Por passar metade do infinitesimal DNA a meus filhos torno-me um potencial ADAO, um por certo ABRAAO. Claro, cada um dos 8.5 BILHOES possiveis descendentes herdarao um pedacinho tao insignificante de mim que pensarao nem mesmo ter parentesco algum comigo. Mas o certo eh que, somando tudo o que encontrarem de mim em todos, eles ter-me-ao por inteiro.

Para os que tem fe na reencarnacao, as possibilidades de arranjos e combinacoes sao tantas que entre todos podera existir um ou outro, em nao sendo eu, que tera escrito em sua receita de DNA os mesmos dizeres que me fabricaram. Sera loiro quando crianca e tera cabelos castanhos quando adulto. Sera alto como sou. Olhos castanhos. E tudo o mais se parecera comigo. Diferente apenas sera aquilo que do meio externo recebera como cultura. Seremos duas pessoas iguais no intimo e diferentes no como ser. Mas nao posso antecipar como sera. No espelho seremos identicos e, talvez, diferentes na alma.

Meus filhos nasceram de mim e minha esposa. A representacao da ARVORE GENEALOGICA `a semelhanca de uma arvore comum nao me parece correta. Isso porque minha esposa provem de um TRONCO e eu de outro. Foi por causa de ela como RAMO e eu como outro nos abracarmos eh que nos tornamos um so em nossos filhos. Isso acontece em algumas variedades de plantas. Gemas de planta diferente podem ser plantadas em ramos de outras arvores e produzem a NOVA GERACAO.

Vejo meus PAIS da mesma forma. Estou colocado, junto com meus irmaos, nos ombros deles. E eles estao postos sobre os ombros dos meus AVOS. Olhando nessa direcao, posso visualizar ate alguns de meus TRISAVOS (terceiravos para alguns). Nao. Nao os conheci. Nem mesmo aos meus BISAVOS. Mas eh como se os conhecesse porque foram os AVOS dos meus AVOS. Assim, alem do depoimento destes que os conheceram, temos fotografias de alguns deles. Esta eh a parte da minha FAMILIA que considero mais intima.

A porcao da FAMILIA do nosso conhecimento foi tao unida que pode mesmo ser comparada a um TRONCO DE ARVORE. Embora existam RAMOS diferentes provindos de TRONCOS diferentes, eles se aglutinaram como se fossem um so.

Como as arvores, alem desse ponto o que existe sao as RAIZES. RAIZES estas que nao enxergamos a uma primeira olhada. Para encontra-las eh preciso cavoucar a terra. Com cuidado para nao feri-las ou corta-las, fazendo assim com que as percamos no interior do chao.

Parece-me que a maioria das pessoas pensa que buscar nossas RAIZES nao tem outro significado senao a VAIDADE. Verdade seja dita. Ha sim um pouco de vaidade. Coisa pequena diante de todas as outras RAZOES. E aqui numero algumas:

Comeco pelo aprendizado da disciplina HISTORIA. Quando crianca, disseram-me que um dos fundadores da cidade onde nasci era o tenente JOAO BATISTA COELHO. Passei batido. Nao tinha a menor ideia de que o fulano era o AVO do meu AVO MATERNO e BISAVO da minha AVO PATERNA. Tive que decorar o nome do sujeito sem saber que deveria antes lhe tomar a bencao.

Ora, venho notando que `a medida que estudo minha GENEALOGIA, minha memoria para a disciplina HISTORIA tem aumentado. Quando era para decorar os nomes dos personagens historicos, dava dor de cabeca. Agora, torna-se facilitado porque sei que os personagens tem alguma relacao comigo. Eh como se estivesse crescendo numa cidade maior do que a que nasci. Quando la, sabia a quais pessoas tomar as bencaos porque ou eram PAIS ou IRMAOS de meus PAIS, ou TIOS deles. E o numero de pessoas era muito maior que as personalidades historicas. E saber quem era quem nao causava dor de cabeca alguma.

Assim penso que deveria fazer-se um experimento. Mostrar-se nao apenas os DADOS HISTORICOS mas tambem os DADOS GENEALOGICOS que ligam as personalidades historicas aos alunos de algumas turmas. Depois comparar-se o rendimento com outros que nao tiveram a mesma oportunidade. Penso que quem for instruido e ao mesmo tempo informado a respeito do grau de parentesco que tenha com as personalidades estudadas tera melhor rendimento.

O estudo da GENEALOGIA tambem poderia restabelecer um pouco de JUSTICA `a HISTORIA. O estudo da disciplina presta homenagem quase que exclusivamente aos personagens masculinos. Assim, sao 5 FUNDADORES conhecidos do municipio onde nasci. O tenente ja citado, o tenente JOAQUIM NUNES COELHO, o capitao FIGUEIREDO, o senhor JOSE ANTONIO DA FONSECA e o senhor FELIX GOMES DE BRITO. Ora, sera que nenhum deles teve esposa? Sera que o trabalho que tiveram para parir-lhes tantos FILHOS nao conta? Sera que o companheirismo nao ajuda? Se JUSTICA for feita, teremos CASAIS DE FUNDADORES e nao apenas senhores.

Outra disciplina que seria auxiliada seria a GEOGRAFIA. Que me perdoem os portugueses mas eu jamais teria ideia de onde ficam as municipalidades de Cintra, Vila Vicosa, Seia, Ponte de Lima, Viana do Castelo e outras, se nao as tivesse mencionadas em minhas recordacoes GENEALOGICAS. Antes interessava-me apenas a existencia de PORTUGAL, vizinho da ESPANHA, com proximidades ao GIBRALTAR (ou COLUNAS DE HERCULES?). Pouco tinha ideia de que existia LISBOA e O PORTO.

Claro, tinha ideia de que ha um arquipelago chamado ACORES. Mas se nao tivesse nascido por la um ancestral chamado MIGUEL PEREIRA DO AMARAL, por volta de 1750, filho de MANOEL PEREIRA E MARIA DE BENEVIDES, nem sequer imaginaria que tem tambem uma certa ILHA DE SAO MIGUEL.

Passei a interessar-me tambem pela TERCEIRA. Isso porque no norte desta ilha ha uma localidade com o nome de VILA NOVA. E nos dados genealogicos de minha FAMILIA ha um certo JOAO DE SOUZA AZEVEDO, filho de MANOEL DE SOUSA AZEVEDO e ANNA COELHO, que teria nascido em VILA NOVA DO NORTE, talvez por volta de 1720. Mas ai nao sei dizer se seria VILA NOVA DE GAIA ou VILA NOVA DE FAMILICAO ou aquela. Qualquer que seja, ja estao gravadas em minha memoria. Tenho que descobrir eh de qual delas surgiu esse lado da minha FAMILIA.

A sim, voltemos `a VAIDADE. Desde quando descobri algumas RAIZES de minha PARENTALHA, tenho alguns PATRIARCAS como REFERENCIAS. Entao, quando estudo a respeito de algum FIGURAO historico, verifico de qual de minhas REFERENCIAS este tambem descende. Ai eh como se estivessemos olhando as recordacoes de um eletrocardiograma. Tudo sera so PULSACAO. A linha parte da gente ate uma REFERENCIA e deste ao FIGURAO. Claro, em torno deste estao muitas pessoas comuns.

Digo que isso eh VAIDADE pelo simples fato que, dizer sermos aparentados dos famosos, eh o mesmo que fazer chover no molhado. Todos nos somos. A diferenca eh que alguns conhecem suas genealogias e conhecem os caminhos que os ligam. Outros, porem, nao buscam e nao sabem e pensam nao ser. Tambem que eh VAIDADE se prova pelo fato: Ora, quem foi teu grande amigo de infancia, companheiro inseparavel de sua juventude e amigo do peito para todas as horas, importa se eh considerado importante, rico ou famoso? Voce tem mais consideracao por este do que saber que tem por PARENTE aquele FIGURAO da hora. Que nem a ti olha!

Todos sao meus e seus PARENTES. Se tens alguma duvida de que somos todos APARENTADOS, posso citar alguns SOBRENOMES que meus ancestrais usaram. Sao poucos nesta lista porque ainda conheco muito pouco da GENEALOGIA de minha FAMILIA. Conto com apenas umas poucas linhagens ja comprovadas. Segue entao:

AGUIAR, ALMEIDA, AMARAL, ANDRADE, ARAUJO, AZEVEDO, BARBALHO, BARBOSA, BARBUDA, BENEVIDES, BEZERRA, BORGES, CARNEIRO, CARNIDE, CARVALHO, COELHO, COSTA, COUTO, FELPA, FERREIRA, FEYO, FILGUEIRAS, FIUZA, FRUAO, FURTADO, GOMES, GUARDES, MAGALHAES, MARTINS, MENDONCA, MIRANDA, MONIZ, MONTEIRO, MOREIRA, NUNES, PEDROSO, PEREIRA, PIMENTA, PINTO, RAMIRO, ROCHA, RODRIGUES, SOUSA, SOUZA, TAVARES, VAZ… Nao precisa mais! Qualquer um que fizer um pequeno esforco verificara que entre seus ANCESTRAIS pelo menos um assinara um desses mesmos SOBRENOMES. Quica, todos.

Claro, faz parte tambem da VAIDADE, verificar a Arvore de Costados de qualquer personalidade para ali encontrar os nomes de nossos ancestrais. CHICO BUARQUE tem por ancestral a BRAZ BARBALHO FEYO. FERNANDO BRANT tem a MANOEL VAZ BARBALHO, ANTONIO BORGES MONTEIRO e MIGUEL PEREIRA DO AMARAL, que a todos tenho como ANCESTRAIS. ANCESTRAIS comuns tenho com CARLOS DRUMOND DE ANDRADE, FERNANDO PESSOA, DI CAVALCANTI, MARCELA PEREIRA COELHO e tantos outros mais que nem eh bom numerar. Mas isso nao sera porque eu seja diferente. Mas sim porque sou igual. Igual a todos que procuram porque estes encontram e os outros nao.

Resuma-se aqui um detalhe. Assim como cada GERACAO nao precisa ter mais que 2 FILHOS para na TRIGESIMA TERCEIRA `a frente gerar-se BILHOES, o oposto tambem poderia ser verdade. Nos temos PAIS que tiveram PAIS, que tiveram PAIS… Entao, se fizermos as mesmas contas encontraremos que a TRIGESIMA TERCEIRA GERACAO anterior `a nossa deveria conter mais de 8.5 BILHOES de ANCESTRAIS. Mas sabemos que juntando-se EUROPA, AFRICA e AMERICAS, entre 800 e 1.000 anos atras, tinham apenas uma FRACAO de tamanha POPULACAO.

Agora te digo: se cada um dos mais de 8.5 BILHOES de espacos daquela TRIGESIMA TERCEIRA GERACAO nao estivessem preenchidos voce nao teria nascido! Mas se nao existia pessoas suficientes para ocupar todos estes espacos, como entao o nosso nascimento exitiu?!… Simples, isso se deu porque os mesmos ANCESTRAIS ocupam diversas vezes os muitos espacos e nos somos repetidamente descendentes das mesmas pessoas.

Baseando-me nesse detalhe, posso afirmar que, mesmo que eu tenha apenas um milesimo de ANCESTRAIS dos esperados para a TRIGESIMA TERCEIRA GERACAO anterior `a minha, sera bem dificil que nao tenha pelo menos um ANCESTRAL nascido em cada FREGUESIA de PORTUGAL!…

Mas de todas as razoes que tenho para estudar GENEALOGIA, ha uma que considero mais importante. Conheco um pouco de GENETICA. Mesmo que seja porque estudei medicina veterinaria e fui informado como fizeram para criar as GALINHAS DE GRANJA. O metodo foi este, fizeram o CRUZAMENTO de especimes de galinhas tao aparentadas quanto MAES e FILHOS, e PAIS e FILHAS. Repetiram tantas vezes que chegaram aos GENS mais PRIMITIVOS da ESPECIE.

A partir dai eh que selecionaram aquelas que deveriam produzir ovos e as outras que deveriam produzir carne. Assim, um frango que gastavamos seis meses para formar nas fazendas antigamente, hoje eh posto aos 40 dias de vida em nossas mesas. O animal eh grande mas ainda nem sequer tem voz de adolescente. Nos estamos comendo PINTOS. Embora, a custo de os animais nao servirem para outra coisa senao isso. Em termos de saude, eles se tornam tao vulneraveis que precisam viver isolados do resto do mundo ou qualquer malestar os mata.

Coisa semelhante se da entre os seres humanos. Embora sem repetir os CRUZAMENTOS radicais, noto que as pessoas em nossas RAIZES ja possuiam grau elevado de PARENTESCO entre si. E nossos TRONCOS fizeram o mesmo. E na maioria das vezes nos nos casamos atualmente com pessoas que PENSAMOS nao ter nenhum grau de PARENTESCO conosco, somente porque nasceram em uma cidade distante da nossa ou em outro continente que nao o nosso. Mas a verdade esta oculta porque nao tracamos os DADOS GENEALOGICOS antes dos casamentos.

Para as pessoas que estao se casando, isso nao eh um problema maior. O perigo pode estar em terem FILHOS. Nao para si mas sim para as CRIANCAS. Parece-me que os governos e as pessoas que trabalham com a SAUDE PUBLICA andam subestimando um grande risco. Eh como se nos todos estivessemos brincando de “ROLETA RUSSA” e deixando armas engatilhadas e apontadas para nossas CRIANCAS. Tudo ocorre por probabilidade. Sendo assim, nao saberemos quais delas serao atingidas pelos disparos.

Algumas morrerao mais cedo e serao felizes por isso. Mas a maioria sentira dores por muitos anos de suas velhices. Talvez dores desnecessarias, tendo-se que, o CONHECIMENTO GENEALOGICO poderia informar de antemao o menor ou maior risco envolvendo cada um. Sei que o aviso nao impedira os jovens de continuarem se casando. E nem quero isso. A JUVENTUDE eh mesmo impetuosa e guiada por INSTINTOS do PRAZER. Mas poder-se-ia ja de antemao atuar-se na area de PREVENCAO. Porque todos nos somos portadores de males de saude que podemos prevenir para que nao se manisfestem, ou retardar a sua manifestacao.

Tenho experiencia propria para por no ar este alerta. Descendo repetidamente de muitos ancestrais. E varios dos MALES GENETICOS em minha familia ja manifestaram em mim. Nao gostaria que o mesmo se desse `a minha descendencia. Gostaria sim de ter pelo menos um decimo de descendentes do potencial que tenho para ter, daqui a 33 GERACOES. Mas primeiro gostaria que todos gozassem de otima saude por todas suas vidas.

Alguem pode pensar que tudo isso nao passa de bobagem. Afinal, hoje podemos procurar um GENETICISTA para sabermos as COMPATIBILIDADES e INCOMPATIBILIDADES que possuimos com nossos parceiros. Os EXAMES te dirao de quais TRIBOS seus ANCESTRAIS procedem. Nem todos porque o DNA se perde com o passar das GERACOES. Uns FILHOS podem herdar partes que outros nao. A vantagem da GENEALOGIA eh te dizer que tens vinculos com cada TRIBO e quais foram os nomes de seus ANCESTRAIS.

Abracos a todos.

VALQUIRIO DE MAGALHAES BARBALHO

http://val51mabar.wordpress.com

valbarbalho@hotmail.com
02. O CEREBRO ENGANADOR

Estes dias estava ouvindo, como sempre, as reportagens superinteressantes na radio publica aqui, especialmente a 90.9 FM, que gera a partir de uma universidade renomada.

Bom falava-se a respeito de uma pesquisa feita para entender o raciocinio de nosso cerebro. Iniciou o pesquisador com a pergunta: “O que satisfaz mais `as pessoas, o mais ou o menos?” Depois relatou um experimento onde se aproveitou o Halloween e distribuiu-se uma barra de chocolate para algumas pessoas e para outras deu-se a barra de chocolate e um chicletes. Quem ficou mais satisfeito? Foram os primeiros.

O segundo experimento tratou-se de secoes de colonoscopia. Ces sabem o que eh isso? Pois eh, vao ao dicionario se nao souberem. rsrsrsrsrsrs. Ainda vao passar por isso!… O fato foi este, para a metade dos pacientes fez-se o exame e tiraram o colonoscopio logo em seguida. Na outra metade deixaram o colonoscopio por mais algum tempo antes de tirar. Quais que ficaram mais satisfeito? Foram os segundos.

Olha ai a contradicao aparente! Quem teve mais no primeiro experimento aborreceu-se e quem levou mais no segundo, gostou. Sacanagem?! Nenhuma.

A interpretacao dos especialistas eh simples. Nosso cerebro nao grava direito o que eh o pior ou o melhor nos detalhes e sim a experiencia como um todo.

No primeiro caso, a barra de chocolate eh o desejo maior, assim, se a pessoa ganha uma barra de chocolate e logo em seguida um chicletes, o que o cerebro racionaliza eh que esta caminhando de uma situacao melhor para uma pior, dai a insatisfacao. Se se entregasse primeiro o chicletes e depois a barra de chocolate, a sensacao seria inversa.

E o colonoscopio entao? Muito simples. O exame eh desconfortavel em si. E deixar o aparelho por mais um pouco aumenta a experiencia negativa em termos. O problema eh o seguinte, quando ele eh retirado logo apos o pior, o nosso cerebro so computa (sem a intencao de duplo sentido) o incomodo maior. Mas quando se deixa um pouco mais, o cerebro mede o pior e eh enganado pela sensacao seguinte que eh menos dolorosa. Dai ele computa a sensacao de que o pior ja passou e, embora ruim, a deixadinha logo depois da um sentido de que esta caminhando do pior para o melhor. Assim, o computo total no cerebro sera de conforto com o sofrimento extra porque esta evoluindo num sentido positivo.

Nao sei se outros experimentos semelhantes irao comprovar o achado. Pelo sim, pelo nao, ha que lembrar-se que Maquiavel ja dizia que o mal deveria ser feito de uma vez so e o bem em doses pequenas e continuas para enganar a mente do povo. Ele, entao, estava errado em sua proposicao. O mal que houvesse que ser feito deveria se-lo em escala decrescente, enquanto o bem somente satisfaz se for em escala crescente.

03. O DITADOR, E A MINHA OPERACAO DE HEMORROIDAS.

Ha certas decadas, tia Odila contou-nos uma piadinha. Disse ela, em minhas palavras, que um certo dia os orgaos do corpo resolveram fazer uma eleicao “democratica” (coisa do demo?!) para saber qual deles seria o rei do organismo. Claro, todos os nobres orgaos ja contavam com sua propria vitoria. O Cerebro nao se cansava de distribuir ordens para producao de endorfinas para que todos ficassem calminhos e aliados a ele. A pituitaria distribuia hormonio de crescimento para encorajar os outros a votarem nela. Pelo menos o seo “Pinto” ficou todo chestroso com a oferta.

No dia da eleicao era um tal de ja ganhou esse, ja ganhou aquele que ninguem percebeu que o mestre Frisadinho estava sendo pisoteado pela turba. Em dado momento, ele se revoltou com aquilo tudo e declarou: “Tambem sou candidato. E nao volto a falar com voces enquanto nao me elegerem.” Virou-se de costas para turba, trancou-se com aquela cara de tromba, ou melhor, biquinho, e foi dormir sem mais pensar.

Todos se riram dele e elegeram quem quizeram. Nos primeiros dias tudo estava ocorrendo normal exceto que na semana seguinte todos estavam com uma certa falta de ar puro. Dias passados o volume da barriga aumentou e o cheiro invadiu o corpo de tal maneira que ninguem podia mais aguentar. Laxante, conselhos, corrupicaozinha de endorfina, e promessas de respeito, nada levou o seo “Frisado” mudar de ideia.

Por fim, todos concordaram que o melhor candidato era ele mesmo porque, podia nao fazer o servico mais nobre do corpo mas conhecia de perto a sujeira de todo mundo!

Eleito, abriu as portas, causando grande alegria na comunidade. Tanto ele eh o rei que esta no centro de todos e tem em si uma coroa.

Muitos pensam que o “centro de gravidade” do corpo esta no umbigo. Na verdade, ele esta em qualquer lugar que esteja doendo no corpo. Cheguei a essa conclusao a partir do momento que realizei aquela cirurgia adiada. A famosa operacao de hemorroidas. Foi no dia 15.10.13, octogesimo oitavo aniversario da dona Judith. Alias, data esta cedida a ela pelo tio Joaozinho (bisavo Joao Domingos (Joao Batista de Magalhaes), o marido da bisavo Sa Candinha). Tio Joaozinho, neste dia, havia nascido ha 151 anos atras, ou seja, 1862, e falecido exatamente na mesma data, 80 anos depois, ou seja, 1942. Mas nao pensem que escolhi a data por tal motivo. Nao escolhi. Foi o ditador do seguro subsidiado que possuo que me a impos. Como era pegar ou largar eu peguei.

Bom, tenho sabido que tem sido varios os casos na familia de pessoas que fizeram a mesma cirurgia. Alguns acanhados nao ousam a falar abertamente. Mas quero passar a experiencia para o consolo e aviso aos proximos.

Sao dois metodos. Um eh amarrar as hemorroidas com borrachinhas, cortando-lhe a nutricao sanguinea. Com o tempo caem e saem sozinhas. Ha o incomodo de se ficar todo o tempo parecendo que precisa ir ao pinico. A contraindicacao eh a de que pode nao resolver. Dai eu optei pelo outro metodo, cirurgico e radical.

Pelo menos o medico que me “cortou o rabo” foi honesto. Disse que ia doer muito e que eu iria detesta-lo. No dia anterior, a Celeste minha irma ainda contou-me o detalhe de uma de nossas primas que tinha feito a infeliz, na primeira tentativa de usar o “rei Frisadinho”, chegou a desmaiar de dor. Ainda bem que o Joaquim chamou a atencao dela dizendo que: “Essas coisas a gente so conta depois!” Nao adianta Quinquim, a dor eh a mesma!

Coisas assim acabam revelando boas coisas. Estava precisando de uma carona daqui de Framingham ate Worcester, onde se daria a cirurgia no Memorial Hospital da UMASS (Universidade de Massachusetts). Nisso encontrei o Messias, filho da dona Dalva e seo Joaozinho Lacerda, que me prestou esse grande favor. Ao qual agradeco muito.

Bom, da cirurgia em si nao conto nada. Estava devidamente apagado. Acordei dopado e fui logo despachado para casa. Dona Penhinha estava la me esperando. Coisa de primeiro mundo! Sai da sala de cirurgia, antes de entrar no carro ja se comeca a vomitar, efeito colateral do anestesico. Mas chega-se em casa sem maiores dores. Efeito prometido do mesmo.

O primeiro dia eh ate normal. A gente entra no regime de tylenol com codeina (oxycodone, eh `a base de opiacios, dai se fica numa boa, iludido que tudo vai bem). Tem o problema que o efeito colateral eh a constipacao. Ou seja, quanto mais se usa, mais se demora a ir ao banheiro, mais o coco vai ficando desidratado e vai ser mais dificil a primeira vez.

Sob esse ponto de vista, o nosso heroi (ou trouxa), opta por suspender a medicacao antidor. Se se passar de 3 dias sem as boas obras, o caso pode comecar a complicar. Dai eh que se percebe o que foi realmente feito. Alem de “cortar o rabo” da gente, o imbecil do medico (nome apropriado seria mede cu) implanta um ralinho numa das beiradas dele. Fica tudo inflamado, com feridas expostas `as secrecoes.

Dai a gente tem uma boa aula de anatomia e descobre as interligacoes entre os orgaos. Se estiver gripado ou com dor de garganta esta proibido fazer a cirurgia. Por que? Pela simples razao de que o centro de gravidade eh onde doi e se voce tosse ou espirra, pode pedir pinico porque a dor eh mesmo de desmaiar.

Ai vem a vontade de urinar. Como ta tudo inflamado, o liquido nao passa direto. Parece que vem e de repente da aquela travada. O ralinho mexe e as lagrimas quase que saem primeiro que o xixi.

O terceiro dia, em caso de pessoas superregulares como eu, eh o prometido. Ela vem, mas com uma forca tal que parece que vai fazer a tampa da bunda explodir. Os musculos da barriga ficam tao preocupados que travam parecendo que viraram de tabua. Parece que o outro lado os esta puxando e eles estao segurando, e nada sai por varios minutos.

Sao minutos terriveis. Voce tem que convencer a si mesmo que tem que deixar sair, nao importa a dor que cause, afinal, eh para o seu proprio bem! Na hora H a unica coisa que vai `a sua mente eh a frase: – Saaaaiiiii meeeeerda!… E ela sai, deixando voce mole. Claro, o que saiu ainda eh so uma merdinha de nada. Mas voce ja fica feliz, pensando que a primeira vez eh a que voce nunca esquece!

Aquela vez havia acontecido pela manha. Meu horario habitual. Logo apos ao almoco, porem, comecei a sentir as contracoes. Entre a cama e a porta do banheiro eram apenas alguns metros. Mas ao chegar exatamente ali veio aquela contracao final. Aquela que te faz ate cruzar as pernas para conseguir segurar. Segurar, porem, eh a coisa mais estupida que se possa tentar fazer. A dor eh tal que quase te faz ajoelhar.

A situacao ficou tao critica que nenhum outro orgao do corpo se movia. O cerebro ficou incapaz de passar qualquer ordem. Congelou. Nao tinha a menor ideia do como reagir. A unica coisa que empurrava era a contracao que parecia funcionar como uma maquina de moer carne. Enquanto isso, o ralinho la atras so malhando: reco-reco, reco-reco.

Para conseguir sair do lugar, so a passinhos de gueixa. Cada passo uma ralada. O suor desce copioso. O vaso tao `a vista parece tao distante! No fim voce consegue. Senta, abre o coracao e ai poe pra fora tres dias de suas melhores obras. A dor ja nao incomoda tanto. Doi mais que tudo mas o que importa? O Cruzeiro sera campeao!

Gente, ja se passaram cinco dias. Ja posso andar normal exceto que para o motor pegar precisa-se passar por uma travadinha na bunda. Ai o ralinho rala! Depois eh so desfilar com aquele andado de aves pernautas. Divagarinho e com “cuidado”.

Nao vou entrar em mais detalhes. O ralinho continua e parece que foi feito pelos nos dos pontos da cirurgia. Tomara apenas que tenham usado linhas que possam ser absorvidas pelo organismo e nao de plastico que precisem ser retiradas. Nao da para aguentar mais este sacrificio! E ficar mais tempo aqui sentado ira deixar-me com o Frisadinho assado.

No computo geral, o meu calculo era o de que as dores que passaria fariam cessar a pena anterior que era menos dolorosa, porem, 366 dias por ano bissexto. Contudo, por enquanto, em se comparando dia por dia, seria melhor ter tentado amarrar os chifres desse demonio primeiro! De qualquer forma, podem ficar felizes por mim. Eu e outros ja fomos ao fundo do poco mas voltamos inteiros.

Ja se passaram algumas semanas desde que a cirurgia se deu. Fiz o primeiro exame posoperatorio e tudo esta indo bem. Melhor dizendo, dentro do esperado. Terei que esperar pelo menos mais um mes para que a cicatrizacao se complete. De antemao parece estar valendo o sacrificio.

Quanto `a alternativa de fazer a amarradinha, nao se animem com ela. Nao falo por experiencia propria. Mas contou-me meu irmao que nosso pai a fez. Ainda se restabelecendo, uma de nossas irmas, assumindo ser verdade que esta opcao fosse menos desagradavel que a cirurgia radical, comecou a dizer maravilhas a respeito da amarradinha. Ao que o pai olhou-se com aquele ar serio e disse: “Eh! O cu nao eh seu!…” Por ai se ve que o melhor mesmo eh nao ter o problema. Mas se o tiver, a escolha eh sua. Totalmente sua. Boa sorte!…

Quanto `a palavra ditador nessa cronica, nao a confunda com a referencia ao meu seguro. Ditador eh a coisa ruim. Dai a definicao: “Eh aquele que dita a dor”. Neste caso foi o seo “Frisadinho”.

BARBALHO, COELHO E PIMENTA NO SITE WWW.ANCESTRY.COM

May 30, 2013

CONTEUDO DESTE BLOG – ALL CONTENTS

1. GENEALOGIA

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2. RELIGIAO

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3. OPINIAO

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4. MANIFESTO FEMINISTA

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5. POLITICA BRASILEIRA

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http://val51mabar.wordpress.com/2011/08/01/miilor-melou-ou-melhor-fernandes/

http://val51mabar.wordpress.com/2010/08/05/carta-ao-candidato-do-psol-plinio-de-arruda-sampaio/

http://val51mabar.wordpress.com/2010/05/26/politica-futebol-musas-e-propaganda-eleitoral-antecipada-obama-grandes-corporacoes-e-imigracao/

6. MISTO

http://val51mabar.wordpress.com/2012/12/30/2012-in-review/

http://val51mabar.wordpress.com/2012/07/02/familia-barbalho-coelho-no-livro-a-america-suicida/

7. IN INGLISH

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http://val51mabar.wordpress.com/2011/10/05/the-suicidal-americaa-america-suicida/

http://val51mabar.wordpress.com/2010/08/25/100-reasons-to-amnesty-the-undocumented-workers-in-united-states/

http://val51mabar.wordpress.com/2009/09/25/about-the-third-and-last-testament/

http://val51mabar.wordpress.com/2009/09/12/the-third-and-last-testament/

8. IMIGRACAO

http://val51mabar.wordpress.com/2010/06/17/imigracao-sem-lenco-e-sem-documento-o-barril-transbordante-de-injusticas/
 

BARBALHO, COELHO E PIMENTA NO SITE WWW.ANCESTRY.COM

INDICE

1. INTRODUCAO
2. UMA BOA RAZAO PARA ESTUDARMOS GENEALOGIA
3. AS NOSSAS RELACOES PARENTAIS MAIS PROXIMAS
4. VENDO A GENEALOGIA ATRAVES DOS OLHOS DOS NOSSOS ANCESTRAIS
5. ANTIGAS NOVIDADES
6. QUE FAMILIA EH ESTA!?
7. AO QUE VIMOS.
8. COMO FICOU A ARVORE GENEALOGICA NO SITE ANCESTRY.COM
9. UM PASSEIO POR SAO JOAO EVANGELISTA
10. DE VOLTA PRO MEU VIRGINOPOLIS!

1. INTRODUCAO

     Contrariando todas as minhas crencas, comecarei este texto lancando uma praga. Ela sera lancada em homenagem `aqueles que pensam que genealogia eh a maior bobagem do mundo e que isso nao tem nada haver com vida deles. Principalmente para aqueles que: nao gostam, nao participam e torcem para que quebremos a perna.

     Atencao voce que esta me lendo, somente por uma curiosidade sem compromisso e deixou a carapuca acima cair sobre sua cabeca. Voce vai viver longamente. Tao longamente que vera seus familiares passarem e assistir `as novas geracoes chegando. Vai ficar tao idoso que quando procurar aquele barzinho que estava acostumado a encontrar com os amigos so ira encontrar no lugar um playground de sucos e vitaminas, para idosos.

     Voce vai procurar pelos velhos conhecidos e somente ira encontrar uns jovenzinhos de 80 anos para baixo que nao irao querer saber nada do que voce estara falando. Eles vao estar ligados nos videogames de um passado que quando voce nasceu era futuro.

     Ao voltar para casa, empurrando seu voador, vera que a casa nao sera sua. Sera de um filho ou uma filha que conversa com voce como se estivesse somente esperando as suas ultimas despedidas. Seus netos ja serao pais e estarao tao ocupados com seus afazeres que mal o irao visitar. Quando muito, eles terao tempo somente para te falar: “Bencao vo!” e “Tchau vo.”

     Os bisnetos, quando no muito, de vez em quando trarao um coleguinho e, apontando para voce como se fosse uma peca de museu, dirao: “Pode me pagar a aposta, tai o meu bisa, vivinho como te falei. Ou, pelo menos, nao eh zumbi igual voce falou que nao tinha ninguem com uma idade dessa ainda vivo!”

     Dai voce ira procurar um consolo. Buscar nos seus guardados e nao ira encontrar as lembrancas de seu passado. Querera ver aquela fotografia antiga de papel e ninguem sabera te dizer onde a colocaram. Alguem dira: “Aquela lixaiada foi para o aterro sanitario. La eh que eh lugar de coisa velha. O senhor tem que procurar no website que alguem tomou o tempo de scanea-lo e botar la. Cade a anotacao do endereco que te deram?”

     E ai voce vai cair na real! Nunca deu importancia ao passado, entao, tambem nao tera guardado o endereco! E ai, como eh mesmo que se chamavam aqueles primos e amigos que voce desfrutava do convivio ha dezenas de anos atras!? Tinha aquele cara super engracado, quais eram mesma as piadas que ele contava?

     So assim voce ira lembrar. “Ah bom, eu tenho recurso. Pelo menos lembro-me do chato do Valquirio que me importunava para recolher dados genealogicos da familia. Vou pedir ao Junito do Juninho do Junior para encontrar a postagem dele. Agora eu vou ajuda-lo a construir a nossa Arvore Genealogica.” “Encontrei vo. – fala-lhe o Junito. So tem um problema! Nao sei onde a gente se encaixa aqui porque tem gente que nao enviou dados que faltavam.

     Dai voce ira puxar pela memoria. “Oh desgraca. Nao sei para que que foi fazer amizade com aquele *#*@* do Alzheimer. Porem, o Junito sera um Geek daqueles de descobrir coisas ate no fundo dos oceanos e encontrara tudo para voce. “Tudo facil vo. No proximo vencimento da aposentadoria tem apenas um descontito.” Pelo menos voce ira pagar mas voltara a ter um pouco da companhia daqueles que ha tanto tempo se passaram.

2. UMA BOA RAZAO PARA ESTUDARMOS GENEALOGIA

     Muita gente pensa que genealogia eh coisa de excentricos, quando nao coisa muito pior. Meu irmao que eh arquiteto, por exemplo, fala que la na UNB, onde ele estudou, a gozacao era a de que “Arquitetura eh uma coisa – vamos dizer assim – de… viagem!” Essas coisas cheias de detalhes acabam desestimulando muitos a procurarem entender. Embora, que faz um menor esforco nao so entendem como se apaixonam pela dificuldades aparentes.

     Os obstaculos na vida nao deveriam valer como desestimulo para ninguem. Deveriam sim ser incentivo e muito grande porque quem os supera sente o maior prazer. Chega a ser quase um orgasmo, para ambos os sexos.

     Alem disso, ao contrario do que muitos pensam, existe alguma seriedade no estudo da genealogia. Todo mundo quer construir um futuro melhor, para si mesmo e para sua descendencia. Contudo, as pessoas querem, mas nao fazem por onde. Digo isso porque elas nao buscam conhecer a Historia. E muita gente pensa que a Historia eh coisa de velho, do passado, e que nao faz diferenca alguma no futuro.

     Tem gente que pensa que basta saber manobrar um supercomputador, que hoje parece futuristico, que o futuro estara sob seu controle. Nao tenham vergonha de pensar assim errado. Os governantes do mundo inteiro tem tido o mesmo pensamento. 

     Quando a gente conhece a Historia, de repente, a gente comeca a saber previsao de futuro. Previsoes com porcentagem muito maior de acertos do que qualquer leitor de maos, de lancadores do Tarot e outros adivinhadores. Nao se trata de adivinhacao. Trata-se de colocar as pecas do quebra-cabecas em seus devidos lugares, dai, pelos espacos que sobram, pelas curvas que as pecas que ainda estao em nossas maos, a gente ve exatamente onde elas se encaixam. Nao eh adivinhacao, eh ciencia.

     E a Historia se repete com uma frequencia assustadora. Isso porque as pessoas que nao conhecem o passado caem frequentemente nos mesmos erros que seus ancestrais.

     Nao existe forma mais interessante de se conhecer a Historia que nao a de associa-la `a genealogia. Eh comum as pessoas saberem quem foram os seus avos. Mas a partir dos bisavos o assunto se torna um pouco mais delicado.

     Quando menino, eu morria de raiva de ter que decorar nomes e datas para “fazer prova para passar”. Era uma merda decorar os nomes dos fundadores de minha cidade. Somente depois de “velho” eh que vim a descobrir que o Joao Batista Coelho era meu trisavo. E o Joaquim Nunes Coelho era meu tio-quartavo e tio-trisavo tambem.

     Eh que os dois fizeram uma “troca”. Tio Joaquim casou-se com a irma do do avo Joao e o avo Joao casou-se com uma sobrinha daquele. E parte dos meus primos e amigos de infancia descendiam dos outros fundadores. Penso que se as criancas da minha epoca soubessem disso teriam tido prazer em estudar a Historia do municipio e nao teriam o trauma de ter que decorar coisas que, aparentemente, nao tinham vinculo algum com elas.

     Mas, sem parar ai, com os dados que ja encontrei, tenho descoberto que `a medida que as geracoes vao sendo aprofundadas em nossa genealogia, venho descobrindo a participacao de nossos ancestrais ou de aparentados deles em todos os fatos historicos da nacao brasileira e do mundo. Para mim, de repente a Terra virou uma unica aldeia, e toda a Historia passou a correr em minhas veias.

     Agora, nao me perguntem por qual razao eu sei que em 1584 nasceu um garoto la em Pernambuco e este mesmo garoto veio a falecer no Rio de Janeiro, ocupando o cargo de governador, em 1644. Em 1660-61 foi a vez de o filho dele se tornar o chefe de um movimento conhecido como “A Revolta da Cachaca” e assim se tornar o martir da primeira tentativa de implantacao de uma democracia no Brasil.

     Estas sao apenas umas poucas datas que guardo na mente atualmente. Parece que elas grudam na memoria da gente, mesmo sem a gente fazer o esforco de guarda-las. Qualquer leitura de um capitulo de Historia Brasileira para mim era massante no passado. Hoje se tornou interessante.

     Antes eu era incapaz de guardar sequer o que as datas mais importantes significavam na Historia, a ponto de em uma prova, a professora pegar em meu pescoco e dizer, para que toda a turma escutasse: “Se voce nao souber responder essa eu te enforco!” Era o dia da Inconfidencia Mineira! E eu sou mineirinho do coracao do Estado!

     Acredito que o que tem facilitado em muito a aplicacao mais adequada de minha memoria esteja ligada ao fato simples de que existem muitos dos meus aparentados ligados aos fatos historicos. O interesse da gente acaba sendo melhor dispertado.

     Ah! Os personagens aos quais me referi antes se chamam Luiz Barbalho Bezerra e Jeronimo Barbalho Bezerra. E tivemos um Jose Joaquim Maia e Barbalho que representou os inconfidentes junto `a embaixada americana, em Paris. Usava o codenome de Vandek. E negociou com o embaixador entao e futuro presidente dos Estados Unidos, Thomas Jefferson. Por acaso, este era descendente de ancestrais comuns a nos. Nao somente ele como tambem outros 33 presidentes passados e o atual.

     Isso nos da a perfeita ideia de quanto aldeia eh o Planeta Terra. Ja que tenho acompanhamento genealogico de apenas uns poucos de nossos ancestrais imaginem, entao, se houvesse algum meio de ter todos!

     Outra funcao que valida em muito o estudo da genealogia eh a razao medica. Infelizmente, essa ainda eh muito pouca aplicada. Qual foi a ultima vez que voce foi ao seu medico e ele lhe perguntou se voce conhece a sua genealogia? Nunca, nao eh mesmo?!

     O maximo que eles fazem eh perguntar: “Voce tem algum parente proximo (geralmente pai, irmaos, ou avos) que sofreram de algum problema de saude?” Eles nao perguntam: “Sua mae tem algum parentesco com seu pai?” E se tem: “Por quantas vias?” No entanto, eh conhecido ha seculos que casamentos de parentes mais proximos favorecem `a manifestacao de doencas.

     Mas estas perguntas somente sao feitas quando o seu problema tem manifestacoes visiveis ligadas `a genetica. E as manifestacoes que podem estar dormentes em voce, vindo a manisfestar somente mais tarde, nunca sao detectadas para se fazer prevencao. Quando ha a manifestacao ja pode ser caso de morte, muitas vezes, evitavel com a prevencao.

     Sao coisas da vida! Nao eh mesmo? Ate a morte faz parte da vida! Mas desde que seja evitavel morrer-se prematuramente e certas consequencias de nossos problemas geneticos pudessem ser amenizadas, creio que a vida poderia ser bem melhor. Claro, o geneticista tera meios mais precisos para sanar nossos problemas mas, antes de chegar-se ao especialista, os clinicos gerais ja poderiam ir adiantando muito o servico, atraves da genealogia que, nao eh nenhum horoscopo, mas pode fazer muita previsao e, quem sabe, ajudar na prevencao.

3. AS NOSSAS RELACOES PARENTAIS MAIS PROXIMAS

     Muitas vezes a gente tem a falsa impressao de que parentes sao apenas aqueles que nos sao proximos. Mas a relacao parental pode ser algo bem mais ampla do que se imagina. Hoje-em-dia, o Brasil tem quase 200 milhoes de habitantes, e alguns milhares de sobrenomes diferentes. Entao, as pessoas pensam que existam muito mais que uma familia.

     Esta constatacao acima depende do ponto-de-vista que se toma. Existem muito mais nomes de familia do que existem diferentes familias. Vamos nos deter apenas nos ultimos 500 anos de Historia. Contudo, deixando claro que existem contingentes de pessoas que migraram relativamente recente para o Brasil e que nao fazem parte, ainda, da familia da qual pretendo descrever. Mas sera apenas uma questao de tempo para que todos entrem na mesma mistura.

     Especificamente falando, temos o contingente de japoneses, certos alemaes e outros como exemplos que migraram para o Brasil em um maior volume de pessoas e num periodo relativamente curto de tempo. Alguns se aglomeraram em guetos e tiveram alguma dificuldade de adaptacao cultural, preferindo manter os casamentos dentro da propria comunidade. Mas `a medida que estes grupos tem envelhecido e as novas geracoes os vao substituindo, elas se sentem menos constrangidas pela separaracao do padrao monocultural. Tornando-se brasileiras natas e abracando a multicultura vem aos poucos se misturando e virando duplo, triplo ou mais familias geneticoculturais.

     Eh possivel que venha a chegar um dia em que no passado os poetas sonharam. Eles chegaram a pensar que a miscigenacao brasileira iria fazer desaparecer os tracos das diversas familias que se encontraram no Brasil, formando uma familia unica com a mistura de todas. Idealizaram uma figura aproximando ao mulato, com a pele morena e os tracos balanceados, formando praticamente o Homus Brasilienses. Na idealizacao poetica, seria uma familia composta apenas de pessoas bonitas.

     Mas essa idealizacao era baseada naquela situacao que estava ocorrendo naquele momento em que o Brasil estava perdendo rapidamente os tracos europeus, porque os contingentes indigena e africano somados eram varias vezes o numero da populacao europeia pura. Desde entao, por medo de se tornar fraca em numero, a elite branca procurou incentivar a migracao de outros contingentes populacionais do planeta. A ideia era a de branquear a pele da populacao.

     O plano deu certo por um momento. Atrasou-se o tempero homogeinizado e a Historia atropelou quaisquer planos em qualquer sentido ja que, com as guerras e as grandes migracoes do seculo XX e que continuam, outros contingentes populacionais vem se juntando ao caldo cultural que, num futuro ira formar um homogeinizado que sera chamado de brasileiro. Note-se que nao se sabe qual sera a feicao final do povo, mas espera-se que a pele fique mesmo morena.

     Mas isso nao tem maior importancia. O que gostaria de abordar nesse capitulo eh um pouco da evolucao demografica brasileira. Um bom auxiliar para termos uma ideia sera a sinopse de populacao brasileira mostrada no quadro preparado do IBGE e encontrado no endereco: http://www.censo2010.ibge.gov.br/sinopse/index.php?dados=4&uf=00

     Observe-se que a partir de 1872 a populacao brasileira vinha dobrando de tamanho num espaco aproximado de a cada 30 anos. Ou seja, de geracao em geracao. Mesmo com o aumento da longevidade das pessoas e com a queda do indice de fertilidade da populacao, melhor dizendo, com o controle da natalidade, a populacao dobrou de tamanho nos 40 anos que vao de 1970 ate 2010.

     Nao ha como dizer que sera correto reduzir `a metade cada 30 anos anteriores a 1872 para calcularmos a populacao brasileira proxima aos anos 1500. O que ha que se notar eh que, em 1872 a populacao calculada girava em aproximadamente 10 milhoes de pessoas. E Minas Gerais sozinha possuia cerca de 2 milhoes, 20% do total e, mesmo assim, o pais e o estado,  por isso mesmo, eram um imenso vazio demografico.

     Na decada de 30 dos anos 1500 foi decidida a criacao das Capitanias Hereditarias. O que se sabe eh que, por mais pessoas que tivessem saido de Portugal para aventurar-se no desconhecido, nas primeiras decadas a populacao de origem europeia e africana nao passou de alguns milhares. A populacao indigena era muito maior mas apenas um pouco dela foi contatada e a maioria era desconhecida.

     Ora, se nao fosse pelas distancias, toda a populacao brasileira de origem europeia junta, mesmo a ja miscigenada, nao daria uma cidade de porte medio na atualidade. Se ela toda fosse reunida em uma so cidade, seria possivel as pessoas se conhecerem pessoalmente e saber o nome de cada uma. Eh possivel que alguem teve a oportunidade de conhecer a todo mundo. Alguem que fizesse o patrulhamento das costas brasileiras deveria visitar a todas as comunidades que, entao, localizavam-se apenas `as margens do Atlantico.

     Estes primeiros chegados para ficar devem ser hoje ancestrais da maioria dos 200 milhoes de brasileiros atuais. E nao se trata de um grupo ser ascendente de 1 milhao de pessoas, outro grupo de outros e assim por diante. Trata-se de todos da epoca terem se tornado, simultaneamente, ancestrais dos atuais. Ressalve-se ai, como eu disse antes, os que seus ancestrais migraram para o pais recentemente e nao tiveram tempo ainda de se miscigenar com o restante da populacao quinhentona.

     Normalmente, a gente ve uma expressao que nada tem de verdadeira em genealogia. Esta eh tao comum que passa despercebida mesmo aos proprios genealogistas. Trata-se da: “Arvore Genealogica da Familia ….” Este final pode ser qualquer uma assinatura `a qual estamos acostumados. Em nosso caso particular, temos o livro: “Arvore Genealogica da Familia Coelho”. Na regiao onde nasci, Familia Coelho eh uma expressao que muitas vezes eh usada duplamente errado.

     Muita gente na regiao pensa que dizer: “Eu sou da Familia Coelho, tudo ja esta explicado.” Mas isso eh uma irrealidade muito grande. Alguns usam a expressao: “Os Coelho costumam se casar muito entre eles mesmo. Sao orgulhosos.” Ou eram, porque na atualidade muito daquele elistismo de alguns desapareceu por dois motivos: ou porque os niveis economicos da populacao se igualaram por baixo, ou porque o sangue dos chamados Coelho se tornou parte do sangue da maioria da populacao.

     Nao quero dizer que a prima Ivania Batista Coelho fez algo de errado ao dar aquele nome para o livro dela. Do ponto de vista da tradicao, ela esta absolutamente correta. No tempo em que ela escreveu ninguem pensava em discutir o que mandasse uma tradicao. Nao sou critico e sim um revisionista. E daqueles bem chatos que deseja nao apenas acertar as horas do relogio mas ir ate aos minutos, segundos, milissegundos etc.

     A expressao mais correta para titulo daquele livro deveria ser: “Arvore Genealogica de Descendencia do Casal Jose Coelho de Magalhaes e Eugenia Rodrigues Rocha.” O que fez a expressao Familia Coelho tornar-se mais usada eh o fato de herdarmos mais comumente os sobrenomes paternos. Embora haja indicacoes de que os filhos do casal tenham assinado Coelho da Rocha, a maioria dos netos e descendencia que foram tratados no livro herdaram dos avos o Coelho apenas. Exceto o Antonio Rodrigues Coelho.

     E entao, sao eles Coelho mesmo? Mesmo que o ancestral Jose Coelho de Magalhaes fosse 100% Coelho, ele se casou com a ancestral Eugenia, que assinava Rodrigues Rocha. Portanto, os filhos, geneticamente falando, seriam 50% Coelho. Continuando o exemplo, o filho do casal: capitao Jose Coelho de Magalhaes Filho, mais conhecido como Jose Coelho da Rocha, casou-se com Luiza Maria do Espirito Santo.

     Muito comum `a epoca, as mulheres nao receberem o sobrenome dos pais. Muitas vezes recebiam um nome com evocacao religiosa. Temos que ela era filha de Manuela do Espirito Santo e Antonio Jose Moniz. Mas nao temos os nomes dos ancestrais deste casal. Nao sabemos se a evocacao religiosa passou da mae para a filha ou se tinham ascendencia na Familia Espirito Santo mesmo. Nos dias de hoje seria possivel que nossa quartavo receberia o nome de registro como Luiza Maria Moniz.

     O certo eh que, os filhos dela teriam componente genetico de apenas 25% Coelho. Dos quatro filhos dos quais temos algum seguimento genealogico: Francisca Eufrasia, Eugenia Maria, Joao Batista e Antonio, dois: Francisca e Joao Batista se casaram com membros da Familia Nunes Coelho, que era de outra ramagem Coelho, nao descendendo dos pentavos Jose Coelho e Eugenia Rodrigues.

     Neste caso, os filhos tiveram apenas 12.5% de sangue Coelho de Magalhaes. Dai para frente eh que as coisas comecam a se complicar um pouco. Isso porque, filhos do Antonio casaram-se na descendencia do Joao; filha do Joao se casou com filho da Francisca; filhos da Francisca se casaram com filhas da Eugenia e um filho da Eugenia se casou com filha do Joao. Portanto, os filhos destes casamentos continuaram com os mesmos 12.5% de sangue Coelho que os pais possuiam. Ja os filhos que se casaram com pessoas que nao eram da mesma linhagem, tiveram a sua consanguinidade reduzida para 6,25%.

     Desta geracao para frente, os casamentos entre primos se deram em diversas proporcoes. Para uns houve a reducao do indice de cansanguinidade e outros a elevacao. O que importa dizer aqui eh que, mesmo as geracoes seguintes reduzindo a consanguinidade para 3,125%, ou 1,5625%, e assim por diante, essa descendencia podera continuar assinando o sobrenome Coelho, dependendo apenas de descender por linhagem paterna dos mesmos ancestrais que nos.

     Eh absolutamente claro que continua-se parente, tanto dos que assinam por ter ascendencia masculina quanto dos que nao assinam, porque tem ascendencia materna. Existem descendentes que nao assinam mas que possuem uma consanguinidade Coelho maior do que outros que assinam. Mas essa eh uma premissa que vale para toda e qualquer familia. Devemos nos lembrar que o nosso regime sempre foi o patriarcalismo. E, na verdade, nunca somos membros de uma so familia de sobrenome e sim a combinacao de milhares destes ao mesmo tempo.

     Para comprovar isso bastaria termos uma Arvore Genealogica mais completa de nossos ancestrais. Manter uma Arvore Genealogica eh a unica forma de conhecermos realmente quem somos e de onde viemos. E tentar saber para onde vamos.

     Geneticamente falando, esta matematica nao esta exatamente correta porque o Jose Coelho de Magalhaes, alferes portugues, teve muitas geracoes anteriores a ele, assim, ele nao pode ser 100% Coelho, porque os ancestrais dele nao o eram. Antes dele o processo se repete. A parte Magalhaes que ele trazia no sobrenome ja eh um indicativo de que ele provinha de dois ramos familiares, portanto, o maximo que ele poderia ser era 50% Magalhaes e 50% Coelho. Mas afirmo que nem isso era, mesmo sem a certeza de quem eram os ancestrais dele.

     Contudo, nao se pode dizer que nao seja. O problema eh o seguinte, `a medida que vamos retornando no tempo a populacao mundial vai diminuindo. A Historia da Peninsula Iberica e da propria Europa nos mostra que a populacao de la comecou com um grupo relativamente reduzido de pessoas. Este grupo invadiu o territorio e se multiplicou. E quanto mais multiplicava precisou de mais espaco territorial para residir.

     `A medida que os grupos de pessoas foram ficando mais afastados uns dos outros, formaram tribos diferentes porque se esqueceram que, no principio, os ancestrais foram as mesmas pessoas para todos. A Historia tambem nos mostra que sempre houve uma movimentacao populacional, devido a conflitos e necessidades. Alem de reducoes drasticas a populacao em consequencia a epidemias e a recuperacao da dela a partir do remanescente.

     Com o tempo, formaram-se familias maiores que foram chamados de povos. Entre eles cita-se bretoes dos dois lados do Canal da Mancha, os viquingues, os normandos, os gregos, os etruscos, os romanos, os luzitanos, os gauleses, os varios grupos germanicos como os godos, francos e outros mais. Na verdade, todos foram uma mesma familia que por permanecerem separados por algum tempo acabaram geneticamente homogeinizados por causa dos frequentes entrecruzamentos entre parentes. Estas repeticoes acabaram fixando algumas caracteristicas externas que mais antigamente, em estado mais puro, podia-se dizer quem era godo ou gaules, sem medo de errar. Da mesma forma que se pode observar nos filhos detalhes fisionomicos que herdaram dos pais.

     Durante o passar da Historia, estes grupos, vez por outra, invadiam o territorio dos outros. Os invadidos recebiam a introducao de algum contingente de pessoas que acabavam se misturando com a populacao local. Mas como as populacoes locais eram em numero muito maior do que os recem-chegados os casamentos entre familias diferentes acabavam absorvendo os recem-chegados e poucas geracoes depois ja nao mais se ve muita diferenca entre os que descendiam da populacao introduzida e a populacao nao miscigenada. A diferenca so poderia ser feita se houvesse exame de DNA na epoca.

     Os Luzitanos sempre residiram naquela area ocupada por Portugal e Galicia. Tiveram contato com os gregos antigos. Foram aliados dos cartagineses. Foram conquistados pelos romanos, pelos visigodos e muculmanos. (Estes eram uma alianca formada entre arabes e berberes. Os berberes eram formados pela populacao do Norte da Africa. E o conjunto muculmano foi conhecido como mouro).

     Os muculmanos tomaram a Peninsula Iberica em 711 d.C. Um pequeno grupo de familias cristas resistiu no que foi chamado de Asturias (uniao da Asturias e Cantabria). Um pequeno territorio no Norte da Espanha. Com o tempo e com a ajuda dos outros reinos europeus que tambem eram cristaos a Reconquista pode ser feita. Pouco a pouco eles expandiram as conquistas e formaram outros reinos cristaos. Entre eles estao: Galicia, Castela, Leao, e Navarra. Aragao foi uma implantacao dos francos, descendentes do Carlos Magno.

     O Norte de Portugal foi reconquistado pelos reis de Leao, com o empenho do heroi nacional portugues Vimara Peres, em 868. Ai se instalou o Condado de Portucale, que aos poucos foi adquirindo mais territorio ao sul. Em 1128 instalou-se o primeiro rei de Portugal, D. Afonso Henriques, que obteve a Independencia lutando contra o exercito de sua propria mae, D. Teresa.

     Em 1250 a Reconquista de Portugal eh consolidada pelo bisneto de Afonso Hennriques, o rei D. Afonso III. O restante da Peninsula, que acabou sendo anexado `a Espanha teve os ultimos territorios Reconquistados em 1494. Dai para frente eh Historia.

     O que interessa aqui eh sabermos que os sobrenomes comecam a ser adotados por volta de 1100. Antes disso, as pessoas usavam apenas nomes. O Afonso, o Joao, o Joaquim eram o que eram e ficava por isso mesmo. Mas como existiam pessoas diferentes com o mesmo nome, chamavam o Afonso filho do Henrique de Afonso Henriques. O Joaquim, filho do Joao virava Joaquim Anes. Uma abreveatura de Johannes, como o nome Joao era escrito antigamente. Assim, existiam os Nunes que eram filhos de Nuno. Os Peres que eram filhos de Pedro e assim por diante.

     Sao muitos nomes com origem patrinomica. Exemplos: Alvaro/Alvares; Fernando/Fernandes; Mendo/Mendes etc. Do lado Espanhol, o sufixo era formado com a letra z. Alvarez, Fernandez etc. Porem estes diferenciativos nao eram passados para frente. O filho de algum Pedro Alvares seria chamado de Antonio Peres e nao Antonio Alvares. Somente com o tempo alguns patronimicos foram fixados.

     `A medida que a populacao se avolumou mais e que haviam muitos Pedros Peres ao mesmo tempo a Igreja incentivou o uso de outros nomes. Os nobres principalmente passaram a adotar os nomes daquilo que os distinguiam. Por exemplo, o senhor da Torre de Vasconcelos passou a receber o sobrenome: “de Vasconcelos”. O da Torre de Valadares passou assinar: “de Valadares”. Alguns adotaram o nome das cidades de procedencia, como: Guimaraes, Toledo, Coimbra etc. Guimaraes era chamada de Vimaraes, em homenagem ao fundador Vimara Peres.

     Outros ainda resolveram adotar, ou eram nomeados, em razao de profissoes ou caracteristicas fisicas. Sao os casos de Machado, Navegante, Alvim e muitos mais.

     Mas o que a maioria tinha em comum era simplesmente ter os mesmos ancestrais como ascendentes. E no principio, enquanto a ideia do sobrenome nao consolidava, os filhos de um mesmo casal adotavam sobrenomes diferentes. O Joaquim Navegante por exemplo poderia ser irmao do Manoel Machado. Dependendo da profissao que adotaram. Os descendentes da mesma casa real poderiam tornar-se de Magalhaes, de Valadares, Chassin, nao interessa. A funcao do sobrenome nao era a de marcar a descendencia de algumas pessoas e sim a de determinar de quem se tratava aquela pessoa. O importante era nao confundir as pessoas por causa dos nomes iguais.

     Ja nos seculos posteriores os sobrenomes faziam mais confusao que esclareciam. Isso porque os filhos dos mesmos pais recebiam sobrenomes diferentes. Um para homenagear o bisavo, outro o trisavo, outro um parente proximo, talvez um padrinho. Tudo era permitido. As mulheres muitas vezes recebiam nomes ligados `a propria devocao religiosa.

     Com o tempo a ideia de sobrenome e familia se juntaram. Mas, como ja mencionei antes, essa tambem eh uma ideia errada porque pode-se fixar o sobrenome enquanto que, geneticamente, os descendentes poderao ficar cada vez mais diferentes do fundador daquela nomenclatura.

     Mas o que se observa tambem eh algo muito peculiar. Eu mostrei como as pessoas em minha familia continuam assinando Coelho mesmo que tenham uma porcentagem minima do sangue Coelho original. Porem ha o outro lado da moeda.

     Como tambem mencionei, temos outro Coelho, melhor dizendo, Nunes Coelho, na raiz da familia. Nos que somos Barbalho de Virginopolis temos o particular de sermos Coelho de Magalhaes por parte da trisavo Eugenia Maria da Cruz, esposa do Francisco Marcal de Magalhaes Barbalho. Ela era filha do casal Jose Coelho da Rocha e Luiza Maria do Espirito Santo, e irma dos outros patriarcas na cidade.

     No caso particular do filho dela, o bisavo Marcal de Magalhaes Barbalho, casou-se com a Dindinha Ercila Coelho de Andrade, que era um Coelho, ate onde sabemos, diferente dos ja citados.

     Ja a trisavo Maria Marcolina Borges do Amaral, que foi a esposa do Antonio Rodrigues Coelho, tambem irmao e patriarca em Virginopolis, tinha uma ancestral com o sobrenome Anna Coelho. Nao sabemos de onde ela vem em Portugal mas o filho dela, Joao de Sousa Azevedo, levou escondido no sobrenome a genetica da Familia Coelho. Registra-se que este Coelho vinha de Vila Nova do Norte, mas nao se explica, Norte do que. E nao existe no mapa um lugar com este nome exato.

     A mesma trisavo descendia por via Amaral do ancestral Antonio Coelho de Almeida. Assim, muitos de nos somos mais Coelho do que podemos imaginar. E o mais provavel eh que se tivessemos a nossa Genealogia completa iriamos encontrar muitas vezes mais a assinatura Coelho em nossos outros ancestrais. E o suposto eh que todos estes Coelho se reunam la atras, nas primeiras pessoas que ostentaram o sobrenome. Alem do mais, estes mesmos ancestrais sao ascendentes de outras pessoas que nao ostentaram o sobrenome Coelho, porem, tornaram-se nossos ancestrais atraves de outras assinaturas.

     Outras assinaturas Coelho como o Coelho Lacerda, Coelho de Moura, Coelho da Silveira, Pinto Coelho da Cunha e outros mais ajudam a formar a ancestralidade de parte de nossos primos. Nao conheco ainda os dados que me levem a concluir que temos primos que reunam todos estes Coelho, contudo, nao duvido que existam!

     Desde ha algum tempo atras, venho percebendo que a familia objeto de meus estudos alem de Coelho como esta reafirmado acima eh igualmente Barbalho, Andrade, Bezerra, Carvalho, Pimenta, Gomes, Furtado, Mendonca, Magalhaes e muito mais. Essa eh a grande verdade.

     Quando em 1953 os pesquisadores revelaram a teoria de que o DNA era formado por uma fita helicoidal, parecendo uma escada de cordas muito longa, e que dobrava sobre si mesma num enovelado que era conhecido como cromossoma, eles nao deviam conhecer genealogia. Se outros antes deles a soubessem, talvez, teriam chegado `a mesma conclusao e levantado primeiro essa analogia. Genealogia eh isso mesmo! Eh um eterno encontro e desencontro, com reencontros e novas partidas. Mais se parece com uma imensa rede fina de pescaria onde todos os peixes sao arrastados por ela.

     Mas estou divagando demais neste capitulo. A principio o que pensei colocar sob o titulo dele era diferente do que escrevi. O que eu mais gostaria de chamar a atencao era para a facilidade como as pessoas tinham para tornar-se ancestrais de muita gente num espaco curtissimo de tempo. Segundo aquele quadro do IBGE mencionado acima, em 1872 o Brasil nao tinha sequer 10 milhoes de habitantes ainda. Algo que as pessoas podem pensar que seja muito, porem, a Cidade de Sao Paulo possui mais que isso.

     Minas Gerais tinha apenas 2.039.735 habitantes. Nao mais que um terco da populacao da Regiao Metropolitana de Belo Horizonte, a capital. O Estado de Minas nos dias atuais possui 853 municipios. Com certeza, alem das sedes municipais, estas cidades deverao somar mais de 2.039 distritos. Dividindo pela populacao de 1872, temos que toda a populacao mineira daquela epoca poderia ser facilmente distribuida em grupos de 1.000 pessoas no imenso vazio que foi o Estado.

     Ora, se tomarmos como exemplo extremo de uma familia que tenha migrado para o Estado na epoca das descobertas das minas de ouro e que possuisse 10 ou mais filhos, essa familia poderia ter, por volta de 1740, 100 netos ou mais. Em 1780 os netos ja poderiam ter dados aos avos 1.000 bisnetos. em 1820, somente a geracao dos trinetos ja poderiam ser 10.000 pessoas. Em 1860 ja poderiam contar 100.000 pessoas somente da sexta geracao e ja estariamos entrando na setima, em 1872.

     Claro, mesmo em casos extremos como este, nao eh de todo impossivel, nao se exclui a existencia de pessoas diferentes da familia. Alias, seria preciso mesmo contar com a presenca dos outros para que os primos se casassem o minimo entre primos para que a multiplicacao seja pudesse acontecer dessa maneira. Este numero se tornaria mais possivel porque alguns familiares do casal ja nao estariam entrando apenas na setima geracao.

     Imagine-se, as mulheres tinham autorizacao para casar-se ate por volta dos 12 anos de idade. Raramente ultrapassavam os 30 para faze-lo. Mesmo que tomemos 20 como idade media de casamentos naquela epoca poderiamos ter uma condicao em que, se a primogenita tivesse casado com 20 anos e de vinte em vinte anos alguem iniciasse uma nova geracao, o casal inicial, em 1860, ja poderia se tornar nonavo. Ou seja, entrar-se-ia na 11a. geracao. Entao, as possibilidades seriam quase inimaginaveis.

     Pois, geralmente, o mais comum sao as pessoas da minha idade saberem no maximo qual eram os nomes dos bisavos delas. E eles nasceram em torno destas datas. Mas, geralmente tambem, as pessoas se lembram destes bisavos porque eles foram imigrantes que chegaram “dos estrangeiros” (principalmente Portugal) e ai estabeleceram a familia tal ou tal. O que se ignora eh que aquele “estrangeiro” que aportou no pais casou-se com alguem que ja tinha uma Arvore Genealogica plantada no Estado ha mais de 100 anos. E muitas vezes, era descendente de alguem que chegou por causa do Ciclo do Ouro.

     Como se ve, bastariam ter chegado ao Estado cerca de 20 casais com as mesmas qualidades reprodutivas, no ano de 1700 para que, em 1872 se pudesse dizer que todos os habitantes de Minas Gerais `a epoca seriam descendentes de 20 casais. Claro, seriam descendentes de muitos mais, porem, teriam ascendencia nestes 20 casais tambem.

     Mesmo que em 1700 houvessem se formado 2.000 casais, com uma capacidade reprodutiva bastante reduzida, nao seria tao grandes coisas assim. Os casais poderiam ser diferentes mas certamente seriam formados por pessoas que ja haviam algum grau de parentesco entre si. Embora, essa sugestao seja mais proxima da realidade que o exemplos dos 20 casais.

     Em resumo, as pessoas que atualmente nasceram em Minas Gerais tem muitas chances de ter parentescos com quase toda a populacao do Estado. Se virarmos e mexermos um pouquinho mais e conseguir todos os dados genealogicos em uma Arvore unica, porque mesmo os que nao forem meus parentes terao parentes que serao meus consanguineos, observaremos que as ascendencias de todas as pessoas tenderao a se encontrar em algum casal ou outro, ao mesmo tempo que em muitos casais.

     Nao apenas os que nasceram em Minas Gerais. Ora, em 1872 Minas Gerais possuia um pouco mais do que 20% do total da populacao brasileira. Entao, eh presumivel que pelo menos 20% da populacao brasileira seja descendente daqueles 2.039.735 mineiros. 20% da populacao brasileira atual somam 40 milhoes de pessoas. Dai, como Minas Gerais possui apenas 20 milhoes devera ser porque os que migraram desde aquele passado ate agora somam 20 milhoes da descendencia atual. Nos que moramos no exterior bem podemos dizer calcular o quanto o mineiro esta no mundo. A populacao de Brasilia que tambem o diga!

4. VENDO A GENEALOGIA ATRAVES DOS OLHOS DOS NOSSOS ANCESTRAIS

     Uma questao que se nos apresenta eh quando alguem nos diz: “Ah, esse grau de parentesco eh distante demais. Estes dai nao sao mais meus parentes nao!” Uma coisa posso afirmar. Existem pessoas que consideram e existem pessoas que nao consideram. Mas nao ha como duvidar do fato de que mesmo as pessoas que nao se consideram parentes, partilham ancestrais comuns, e estes, muitas vezes, sao mais recentes do que se possa imaginar.

     Tentarei aqui fazer uma analogia tomando como base de meu estudo o bisavo Joao Rodrigues Coelho. Ele vem a calhar porque nasceu em 27.jan.1872. Como as noticias naquele tempo ainda viajavam no lombo de cavalo, pode ser e pode nao ser que ele foi contado entre os 9.930.478 pessoas naquele primeiro senso feito no Brasil. O mundo em que ele nasceu foi muito menos numeroso que o nosso.

     Nasceu 3 anos antes do decreto de emancipacao de sua cidade natal que foi Guanhaes. E 7 anos antes da efetivacao da emancipacao em 1879. Nesta epoca haviam duas grandes municipalidades na regiao. Serro, cuja criacao se deu em 1712 e foi a quinta Vila do Estado de Minas Gerais e a jovem Conceicao do Mato Dentro, ou Conceicao do Serro, que havia sido separada do Serro em 1840.

     Naquela epoca, Serro era o grande nucleo urbano do Norte de Minas. Tudo pertencera ao territorio dela. Mesmo perdendo territorios para as recem-criadas municipalidades, continuou por mais algum tempo como sendo sede da unica Comarca da regiao. Sendo assim, de uma forma ou de outra, todos os nascidos na regiao precisavam fazer romaria ao Serro, vez por outra, para resolver algum detalhe em suas vidas.

     O Serro tambem foi o principal olho d’agua que alimentou o rio de todas as genealogias norte mineiras. Nao tenho um estudo completo da genealogia serrana e muito menos de toda a regiao nortemineira. Contudo o presumivel atraves das evidencias eh que, a partir de 1702, houve um grande fluxo migratorio de portugueses e brasileiros de outras regioes, abatidos pela febre do ouro. Alguns dados especulativos fazem parecer que os numeros sao maiores do que devem ter sido na realidade.

     O padre Antonil fala em 30.000 nas Minas Gerais por volta da “Guerra dos Emboabas (1708-9). Pode ate ser um pouco mais mas tambem pode ser menos porque nao houve uma contagem. O certo eh que, a partir de entao a coroa portuguesa fez de tudo para regular a entrada de novos moradores indesejados por ela. Nao era possivel ter controle absoluto mas, por outro lado, como em toda corrida do ouro, a maioria nao teve sucesso, fazendo com que uma parte retornasse a suas terras de origem mais pobres do que entraram; outra parte se conformou em permanecer e comecar uma vida agropecuaria, e uma terceira parte simplesmente morreu naquelas condicoes insalubres `as quais estava submetida.

     Um certo contingente de “vicentinos”, derrotados no entrevero dos emboabas, tambem foi expulso, dirigindo-se para Goias, onde encontrou novas minas de ouro e colonizou aquela regiao. Ali foi fundada Pirenopolis, que possui as mesmas tradicoes ligadas ao Ciclo do Ouro como existem em Minas Gerais.

     Os que permaneceram e foram descobridores e tomaram posse de minas devem ter usufruido nao apenas dos privilegios da riqueza como tambem da oportunidade de se tornarem os velhos troncos genealogicos mineiros. Estes, se ja nao eram casados, eram os que poderiam ter buscado esposas e com elas formar as primeiras geracoes de mineiros. O fluxo de migrantes continuou, contudo nao de uma forma tao desgovernada como em outros fluxos mineradores posteriores.

     Do pouco que conheco nao me parece que muitas familias ja chegaram formadas a Minas Gerais nessa epoca. O que parece eh que os rapazes aventureiros chegavam e ai encontravam o favor de alguem ja estabelecido que auspiciosamente se tornava sogro do recem-chegado. Era comum o recem-chegado vir do mesmo nucleo familiar em Portugal que seu hospedeiro.

     Claro, muitos desses aventureiros devem ter se embrenhado nas matas e/ou comprado dos preiadores as suas esposas de origem indigena. Alguns devem te-las encontrado ja devidamente “amancadas” e cristianizadas pelos jesuitas.

     Por fim, existiram aqueles que se contentaram com as escravas, multiplicando a populacao dos mulatos. E sao raros os casos de pessoas no Brasil considerados indigenas e africanas que o realmente o sao alem da pele. No amago de suas geneticas existem la os gens que afirmam terem ancestrais europeus tambem. E nao existe o brasileiro de fisionomia europeia, cujos ancestrais aportaram no Brasil desde os tempos coloniais, que nao tenham em sua genetica um pouco de indigeno e outro tanto de africano.

     A minha afirmacao em relacao aos jovens portugueses chegarem e se casarem com as mulheres da terra encontra fundamento em diversos exemplos dos ancestrais do bisavo Joao Rodrigues. Um trisavo dele: Antonio Borges Monteiro, era oriundo da municipalidade da Seia, em Portugal, migrou para o Serro e ali encontrou duas esposas entre as nativas da terra.

     Uma delas, Maria de Sousa Fiuza, ja era filha de outro portugues, Joao de Sousa Azevedo, natural de “Vila Nova do Norte” e casado com a brasileira (D)Noroteia Barbosa Fiuza. Por sua vez, Noroteia ja era filha de mais um portugues: o sargento-mor, Domingos Barbosa Moreira, de origem desconhecida que se casou com a brasileira Thereza de Jesus, natural de Itabaiana, atualmente em Sergipe.

     Do lado Pereira do Amaral, do avo Daniel do Joao Rodrigues Coelho, relata-se que Joao Rodrigues era trineto de Miguel Pereira do Amaral que ao migrar da Ilha de Sao Miguel, nos Acores, para Minas Gerais, encontrou a cara metade dele entre as nascidas na terra, mais precisamente em Congonhas do Campo. O nome dela era Francisca Angelica da Encarnacao, filha do portugues Francisco Jose Barbosa Fruao, natural de Barvcelos, e outra prata da casa: Ana Maria de Jesus.

     E foi esta linhagem que produziu os rebentos Antonio Borges Monteiro Junior e Malaquias Pereira do Amaral. Estes dois nomes constam de entre os fundadores do Arraial de Sao Sebastiao dos Correntes, entao futura Sabinopolis. Eles sao os pais, respectivamente, dos avos Maria Francelina Borges Monteiro e Daniel Pereira do Amaral.

     Alias, pelo que tenho visto, acredito que falta algum complemento `a Historia de Sabinopolis, por causa de os pesquisadores talvez nao terem atentado para um fato ainda. Normalmente fala-se que ela comecou a partir dos primeiros moradores que se reuniram em torno da Igreja de Sao Sebastiao. Mas essa criacao se da em torno de 1820 e refere-se ao distrito sede do municipio o que, talvez, nao seja o mais antigo da cidade como um todo.

     Faco essa observacao porque o atual Distrito do Quilombo consta ter surgido por volta de 1800 e podera tratar-se de algum arraiado quilombola. E como sabemos, a tradicao preconceituosa do passado pode ter impedido a admissao de que os escravos fugidos ou alforriados tivessem sido os primeiros moradores legitimos do municipio. Nao necessariamente legais.

     Uma segunda possibilidade mais antiga pode tratar-se da comunidade Corrente Canoa e/ou Almeidas. Por enquanto tenho apenas evidencia mas nao prova disso. Via internet nao tenho como verificar maiores detalhes mas no site do Arquivo Publico Mineiro/Casa dos Contos (APM) afirma existir um documento ali custodiado. Este documento faz referencia a: “Requerimento de Antonio Coelho de Almeida sobre a concessao de provisao para o oficio de escrivao e guardamoria de Ribeirao do Corrente de Santo Antonio de Meia Canoa”.

     Ja busquei esta referencia e nao encontrei o nome como origem de cidade alguma de Minas Gerais. O que posso pensar eh que a nomenclatura se perdeu na poeira do passado. Mas alem do Ribeirao Corrente fazer parte do mapa hidrografico de Sabinopolis, esta ai presente a palavra Canoa. Ajunte-se a isso o nome Antonio Coelho de Almeida. Encontramos entao uma boa salada.

     Isso porque Antonio Coelho de Almeida foi tambem o nome do pai de outra Ana Maria de Jesus que era filha deste Antonio e mais uma Ana Maria de Jesus mais antiga. A Ana filha tornou-se a esposa do Malaquias Pereira do Amaral, que era filho do Miguel e pai do Daniel, portanto, era bisavo do Joao Rodrigues Coelho, alem de estar entre os fundadores de Sabinopolis. E para juntar-se mais evidencias a isso, ha entre os outros fundadores de Sabinopolis uma pessoa com o nome de Manoel Coelho de Almeida. O mais provavel eh que este tambem fosse filho do Antonio de mesmo sobrenome e irmao da Ana Maria de Jesus filha.

     A familia Coelho de Almeida procedia de Congonhas do Campo e tenho minhas duvidas quanto a ela nao ter como patriarca o portugues Manoel Rodrigues Coelho. Este tambem tem documentos em seu nome arquivados no APM. Um deles o da como tesoureiro da Camara Municipal de Vila Rica, atual Ouro Preto, em 1719.

     Penso que pela importancia que esta figura historica teve na formacao do Estado de Minas Gerais, a genealogia dele deve estar no livro: “Velhos Troncos Ouropretanos”, da maior autoridade genealogica mineira ate agora, o conego Raimundo Otavio da Trindade. Falta-me conhecer o conteudo dessa preciosidade para sanar muitas duvidas em nossa genealogia.

     Ha uma suposicao de que do mesmo Manoel Rodrigues Coelho provenha o tambem portugues Jose Coelho de Magalhaes, que seria o patriarca da nossa Familia Coelho do Centro Nordeste de Minas Gerais. Mas falta-nos evidencias comprobatorias para confirmar o negar a afirmacao. Se for o caso, teremos uma drastica reducao de troncos formadores das familias que iremos descrever. Para o bem da nossa saude, que seja origem de apenas um dos dois Coelho. 

     Mas importa que os documentos referentes a Antonio Coelho de Almeida datam de 1803. Se se provar que se trata da mesma pessoa e lugares, entao, existira ai o comprovante de que houve uma comunidade organizada no atual territorio de Sabinopolis datado anterior `a atual sede. Como o requerimento se deu em 1803, entao, a comunidade teria sido implantada em data anterior a isso.

     O que pode ter acontecido eh a comunidade Corrente Canoa nao ter sido plantada em um local estrategicamente localizado nas vias de comunicacao usadas por colonizadores que estavam chegando `a terra ou, muito provavel, os outros fundadores decidiram transferir  a localizacao do arraial para as proximidades de suas fazendas. E os Coelho de Almeida nao apenas apoiaram a ideia como tambem se juntaram a eles.

     Guanhaes surge `a mesma epoca que Sabinopolis. Os fundadores sao diferentes. Entre eles, como ja disse, encontrava-se o Jose Coelho da Rocha (ou de Magalhaes Filho), o pai do Antonio Rodrigues Coelho e avo do Joao Rodrigues e filho do Jose Coelho de Magalhaes acima mencionado. Estes municipios surgiram ja na fase em que a abundancia do ouro tinha se esgotado.

     Alias, desde 1750 o encontro dele ja havia dificultado. A fase entao era a de domar a terra para a exploracao da agropecuaria. Apesar do que, nao deixaram de surgir alguns surtos auriferos. Nas decadas de 1830 e 40 os guanhanenses tiveram o seu sonho dourado. Algumas minas surgiram e rapidamente se esgotaram. Desde entao a vida se traduzia pela realidade do trabalho duro na roca para todos. Em 1875 o municipio conquista sua emancipacao.     

     Junto com Guanhaes foi tambem criada a municipalidade de Rio Doce, que mais tarde consolidou-se com o nome de Pecanha. Eram dois municipios enormes, que no futuro cederam lugar para umas duas dezenas de municipios, incluindo Governador Valarades que se desmembrou de Pecanha.

     Os avos do bisavo Joao Rodrigues nasceram em Morro do Pilar (Jose Coelho da Rocha), Conceicao do Mato Dentro (Luiza Maria do Espirito Santo), Serro (Maria Francelina Borges Monteiro) e, possivelmente, Conceicao do Mato Dentro (Daniel Pereira do Amaral). A mae dele, Maria Marcolina Borges do Amaral era da segunda geracao de nascidos no Arraial de Sao Sebastiao dos Correntes, atual Sabinopolis. E o pai, Antonio Rodrigues Coelho, fez parte da primeira geracao de nascidos no Arraial de Sao Miguel e Almas, atual Guanhaes.

     Por volta de 1838 parece que a colonizacao ja havia extendido seu braco `as terras onde mais tarde se daria a criacao do Arraial de Nossa Senhora do Patrocinio de Guanhaes, atual Virginopolis. Em 1958 foi implantada a primeira capela no local. E da lista de primeiros moradores retiram-se os nomes de dois tios do Joao Rodrigues. Um eh o tenente Joao Batista Coelho. E, por afinidade, o tenente Joaquim Nunes Coelho, este, casado com a tia Francisca Eufrasia de Assis. Estes foram avos paternos do bispo D. Manoel Nunes Coelho.

     Em 1875 tambem se deu a criacao do Arraial de Sao Joao. Sua localidade era estrategica por estar dentro do triangulo formado pelas sedes municipais vizinhas mais antigas: Guanhaes, Sabinopolis e Pecanha, embora ainda pertencendo a esta ultima. Era entao natural que a populacao excedente destes tres lugares buscasse melhores oportunidades.

    Guanhaes contribuiu com uma menor parte. E o provavel que assim tenha sido porque depois de Virginopolis surgiram novos arraiais por volta da mesma epoca, no territorio que pertencia a Guanhaes. Foram as atuais Divinolandia de Minas, Gonzaga, Santa Efigenia, Sardoa e Sao Geraldo da Piedade, todos emancipados de Virginopolis nos anos 1960. Portanto, estes se tornaram atrativos tambem.

     O que se pode observar dos dados que ja encontrei ate hoje eh que as familias mineiras comecaram a partir daquela populacao imigrada durante o Ciclo do Ouro. Ela fundou as chamadas Cidades Historicas do Estado. Dela nasceram os primeiros mineiros. Os primeiros mineiros se multiplicaram e colonizaram novas terras de forma radial em relacao aos antigos nucleos mineradores.

     Assim, enquanto houve territorio virgem, a cada geracao produziu-se nova leva de migrantes para colonizar mais `a frente. O Vale do Rio Doce, nas partes mais proximas ao proprio curso natural que leva esse nome, foi o ultimo espaco a ser domado para a agricultura e a pecuaria.

     Joao Rodrigues Coelho e seus familiares, nos mais diversos graus de parentesco, viveram e fizeram parte dessa Historia. Nascido no ainda Sao Miguel e Almas de Guanhaes, territorio conquistado com a ajuda de seu avo Jose Coelho da Rocha e onde ja havia nascido e vivia seu pai Antonio Rodrigues Coelho. Nao conheceu o avo nem a avo paternos porque estes faleceram respectivamente em 1844 e 1861. O mesmo se dando com todos os seus irmaos completos que nasceram apos tais datas.

     Isto tambem se deu por causa de Antonio Rodrigues Coelho, o pai, ter sido o ultimo filho do casal e nascido em 1829 e somente se casado em 1863. Isso nao impede que ja tivesse pelo menos uma filha reconhecida, nascida 5 anos antes, em 1858. Esta foi Julia Salles Coelho. Nao tenho a data do nascimento de outra filha extraconjugal, Emidia Justiniana de Aguiar.

     Em 1863 nasce o irmao completo, Antonio Rodrigues Coelho Junior, que durante a vida adulta tornou-se mais conhecido como dr. Coelho. Este teve uma trajetoria diferente do restante dos irmaos, pois, entrou para a carreira de advocacia, tornou-se juiz de direito e projetou-se na politica. Um fato ligado `a vida dele foi que quando ainda juiz “desrespeitou” um senhor governador do Estado de Minas, ao nao aceitar o pedido do dignatario que desejava que um seu correligionario fosse absolvido em certa causa onde, por lei, somente caberia o veredito de culpado.

     Dr. Coelho foi removido da comodidade de uma comarca maior para outra de menor importancia. Nao se deu por vencido e continuou seu trabalho com dignidade. Apostou na carreira politica e tornou-se deputado federal, indo defender os direitos dos mineiros na entao capital do Brasil, Rio de Janeiro. Pequenos detalhes da vida dele podem ser vistos no endereco: http://www.flogao.com.br/serromg/106258133, onde tambem se encontra seu filho: Allyrio de Salles Coelho. Outro filho do Dr. Coelho que ficou famoso foi do Dr. Dion de Salles Coelho. Mais tarde ele sera lembrado.

     Se observarem o detalhe verao que no site flogao eles sao retratados como serranos. Os filhos do Dr. Coelho sim nasceram no Serro e foram filhos com a serrana, Rita Ferreira de Salles, tambem conhecida pelo apelido de Peixao. A familia do primogenito migrou para Belo Horizonte e Rio de Janeiro e a descendencia misturou-se com outras linhagens geneticas.

     O restante dos irmaos do Joao Rodrigues: Lindolpho, Altivo, Josephina, Luiza e Angelina ficaram em Guanhaes ou seguiram para Virginopolis. Os que foram para esta ultima eram: Maria Marcolina, Jose, Daniel, Virginia, Benjamin e Maria Carmelita. Um total de 7 em se contando com o proprio Joao Rodrigues. Essa divisao da familia entre os guanhanenses e os virginopolitanos deve ter-se dado por uma questao de proximidade da residencia da familia.

     Nos primeiros anos de casamento dos pais do Joao Rodrigues, Antonio seu pai trabalhava com serraria e residia em uma fazenda mais proxima de Guanhaes. Quando o casal ja estava amadurecido e os filhos mais novos em crescimento, eles se mudaram para a Fazenda Sao Pedro. Esta fica a uns 10 km distante do distrito sede de Virginopolis e cerca de 20 km distante de Guanhaes.

     Em Virginopolis ja residiam as familias de Francisca Eufrasia, casada com o tenente Joaquim Nunes Coelho; Eugenia Maria, casada com o capitao Francisco Marcal de Magalhaes Barbalho e Joao Batista Coelho, casado com Maria Honoria Nunes Coelho, esta, sobrinha do tenente Joaquim e filha de seu irmao Clemente. A proximidade e o fato de a populacao ser reduzida, facilitou o casamento da descendencia mais jovem do Antonio com as de seus outros tres irmaos ja residentes no local.

     Foram 6 os irmaos do Joao Rodrigues que se casaram com primos em primeiro e segundo graus. Todos da familia de Joao Batista Coelho. Contando-se com ele proprio foram 7 irmaos. Sao eles: Maria Marcolina e Virginia se casaram com Jose Batista Coelho. Julia Salles casou-se com Antonio Paulino Coelho. Maria Carmelita casou-se com Simao Batista Coelho. Benjamin casou-se com Julia Coelho do Amaral. Daniel casou-se com Marina Coelho de Oliveira.

     O proprio Joao Rodrigues casou-se com Olimpia Rosa Coelho do Amaral, irma de Julia e Simao. Jose Batista e Antonio Paulino Coelho eram irmaos entre si e irmaos de Joao Batista Coelho Junior, o pai de Olimpia, Julia e Simao. E Marina (Nenen) era prima, filha de outra irma dos Batista Coelho, a Anna Honoria Coelho.

     Nascendo em 1958, sou bisneto ou sobrinho-bisneto de todos estes personagens. Ou seja, eram 100 anos de implantacao da Paroquia de Nossa Senhora do Patrocinio. Alguns de meus outros bisavos nasceram por volta de 1858. e uma faleceu 2 ou 3 anos antes do meu nascimento. A visao que eu tinha da populacao da cidade era a de que os nomes de nossos bisavos eram frequentemente lembrados nos seroes em torno dos fogoes de lenha.

     Os avos e/ou os irmaos deles estavam ja idosos mas ainda vivos, exceto a avo materna Davina. Varios dos irmaos dos meus pais eram nossos vizinhos ou viviam nas proximidades. Existiam casos extremos em que haviam irmaos de meus pais que ainda nao eram casados e pelo menos uma irma do meu pai, tia Odette, que era avo.

     O proprio Joao Rodrigues foi criador de um desses extremos porque aos 69 anos de idade e viuvo resolveu casar-se novamente com uma “menina” de 18 anos. A bisavo Melita era mais nova que alguns netos e mais velha que outros netos do proprio marido. Tiveram tempo de ainda ter mais 4 filhos. Mas nem conto estes como meus tio-avos. Pela idade, eles deveriam ser considerados apenas tios e tenho vagas lembrancas de tias Josefina e Luiza ainda residindo na cidade. Elas se mudaram quando eu ainda era muito crianca.

     Em relacao `a populacao da cidade, uma boa porcentagem fazia parte da familia. Nao importa se do centro urbano ou das fazendas. Boa parte tinha um grau de parentesco conhecido. Era tanto parente que alguns ate escapavam da nossa observacao. O caso extremo foi do seo Chiquinho. Este morou por alguns anos de minha infancia numa casa de frente para a casa de meus pais. Somente agora na idade adulta e ja com os meus primeiros estudos de nossa genealogia descobri que se chamava Francisco Coelho Sobrinho.

     Sobrinho nao apenas do ti Xico, mas tambem do bisavo Ze Coelho e filho do trisavo paterno Joao Batista Coelho Junior. Nisso o povo antigo falhava, por exigir menos respeito por aqueles que eram os mais novos na familia. Muitas vezes, os filhos mais velhos eram mais de 20 anos mais velhos que os mais novos. Os filhos dos mais velhos eram da mesma idade dos tios mais novos e eram criados juntos. Dai eles nao os chamavam de tios e nem ensinavam os filhos a pedir-lhes as bencaos.

     O caso do tio Chiquinho era mais extremo porque ele era tio-avo do meu pai e tambem era mais velho que ele. Mas era um dos mais novos na familia dos pais dele. Era irmao da bisavo Dindinha Olimpia a esposa do Joao Rodrigues.

     A visao da familia que tinhamos `aquela epoca eh que ela estava sendo dividida. Sabiamos que uma parte vivia em Guanhaes mas pouco os conheciamos. Uma parte estava com a familia encaminhada em Virginopolis mas mudou-se para Governador Valadares, Belo Horizonte ou Brasilia, principalmente. Um ou outro saia desse circuito. Com sua visao de geneologo amador, vez por outra meu pai nos chegava com a noticia de que algum parente, que somente ele sabia decifrar por quais vias, havia falecido nalgum ponto ou outro do Brasil.

     Na maioria das vezes, nao perdiamos o rastro do parentesco somente daqueles que eram mais proximos ou que, morando distante, nao perdiam oportunidade de passar umas ferias ou outras na cidade. Como eramos pobres e so tinhamos as regalias das viagens em ocasioes exporadicas, nao podiamos dar este mesmo prazer aos parentes que residiam distante.

     Ha que se fazer esta observacao de que, mesmo conhecido e convivendo com grande parte dos moradores da pequena cidade, que contava com pouco mais de 10.000 pessoas no municipio como um todo, vez por outra eramos surpreendidos, e ate hoje isso acontece, com a descoberta de grau de parentesco com pessoas que nunca imaginavamos ser nossas parentes.

     O numero de pessoas que conhecemos ja eh tao grande que o espirito da gente nao foi devidamente preparado para abrir as portas para a entrada de alguns outros milhares. Ora, se eu que gosto de genealogia e de descobrir parentesco com todo mundo ainda consigo sentir alguma surpresa quando isso acontece, imagine-se aqueles que “odeiam” parentes!

     Baseado nesta visao de familia que me era concedido ter, penso que posso projetar em nossos ancestrais a provavel visao que eles devem ter tido no ano de 1900 por exemplo. Em 1900, Joao Rodrigues Coelho ja era casado com a Dindinha Olimpia Rosa Coelho do Amaral. Haviam se casado em 20.8.1892.

     Creio que ele residisse ainda na Fazenda Sao Pedro, junto com o pai Antonio Rodrigues Coelho. Penso assim porque a mae havia falecido em 1887. O pai estava com 71 anos de idade e faleceria 10 anos depois. Embora houvesse se casado novamente com: Virginia de Campos Nelson, nao tiveram filhos e a idade poderia nao permitir tomar as devidas contas de todos os negocios. Os irmaos mais velhos ja ha muito haviam se casado. Mulheres eram preteridas em relacao a tomar contas dos negocios. Os menores, Virginia com 20 anos, Benjamin com 19 e Maria Carmelita com 14 ainda eram solteiros.

     Embora, essa minha teoria possa estar errada porque o proximo irmao depois do Joao Rodrigues foi o Ti Juca (Jose Rodrigues Coelho) e ate hoje a Fazenda Sao Pedro pertence `a descendencia dele. Mas creio que a passagem pode ter acontecido depois, quando o Joao Rodrigues assumiu o Cartorio de Registros Civis em Virginopolis. Creio que para ele assumir o cartorio, `a epoca teria que se eleger para o cargo de Juiz de Paz da Paroquia. Este cargo deve ter sido ocupado pelo seu primo em primeiro grau Marcal de Magalhaes Barbalho, que representava a Paroquia junto `a Camara Municipal de Guanhaes, vindo a falecer em 1909.

     Joao Rodrigues e Olimpia Rosa eram primos em segundo grau. Pelo menos do lado paterno porque ela era filha do Joao Batista Coelho Junior e Quiteria Rosa do Amaral. O Joao Junior era filho do Joao velho, que era irmao do Antonio Rodrigues Coelho.

     Contudo, a Quiteria Rosa era filha da Maria Rosa dos Santos Carvalhais e Joaquim Pereira do Amaral. Existe um Joaquim de mesmo sobrenome e que era filho do Malaquias Pereira do Amaral e Ana Maria de Jesus os bisavos materno-paternos do Joao Rodrigues. Este “outro” Joaquim eh dito casado, porem, sem filhos, segundo o que esta exposto no livro do professor Dermeval Jose Pimenta: “A Mata do Pecanha, sua Historia e sua Gente.”

     Tenho duas possiveis explicacoes para o fato. O prof. Dermeval pode ter se enganado e o Joaquim, filho do Malaquias, pode ter tido uma primeira esposa com filhos e, em 1875 onde ele eh citado como dono de engenho de roda d’agua para serrar madeira (pagina 251), em Guanhaes, pode ser que fosse casado sem filhos em um possivel segundo casamento.

     Mas existe a possibilidade de o avo da Olimpia Rosa ter ascendencia no patriarca acoriano na familia: Miguel Pereira do Amaral, sem ser por via o avo Malaquias. Malaquias teve outros irmaos que o professor Dermeval nao rastreou a descendencia, porem, nao cita nenhum outro com o nome Joaquim e com idade que se encaixe na idade presumivel do Joaquim, avo da Olimpia.

     Em 1900 a cidade de Virginopolis era repleta de casas de primos do Joao Rodrigues. Seus tios Francisca Eufrasia, Eugenia Maria e Joao Batista haviam comecado familia bem mais cedo que seu pai Antonio. Aqueles ja estavam tendo netos enquanto este estava ainda tendo filhos em 1872 quando Joao Rodrigues havia nascido. Eram 9 filhos vivos da Francisca; 8 da Eugenia e somente uma solteira; mais os 12 do Joao Batista. Somente Francisca, que nascera em 1818, alem do Antonio seu pai, era viva, indo ela falecer em 1901.

     Em 1900 era possivel ele passar pelo Manoel, filho da Ambrosina (Sinha), filha da Eugenia e filho do Miguel, filho da Francisca Eufrasia e receber o pedido, e passar-lhe um: “Deus te abencoe”. Eram primos em segundo grau em dose dupla e o rapaz Manoel, com 16 anos, ja residia com os pais em Coroacy. Poderia estar de visita aos parentes que deixou em seu torrao natal, Virginopolis. 21 anos depois o mesmo Joao Rodrigues deve ter beijado a mao do bispo D. Manoel Nunes Coelho e lhe pedido as bencaos.

     Em 1900, Joao Rodrigues ja era pai de 5 filhos. Zulmira, a primogenita, Elgita, Sinval, Edith e Otaviano, o Tavico. Edith posteriormente veio a se tornar professora e grande filantropa na cidade. Nunca se casou. Os outros se casaram com primos: Zulmira com Trajano Barbalho; Elgita com Cantidio Ferreira; Sinval com Maria Magalhaes (Maricas) e Tavico com Petrina. Esta ultima, prima em primeiro grau do marido, por ser filha do Daniel Rodrigues Coelho. Sinval receberia o titulo de Pioneiro em Governador Valadares.

     Quase todos os outros filhos que vieram depois e que nao ficaram solteiros ou faleceram crianca se casaram com primos da mesma familia virginopolitana. E a maior parte dos casamentos na familia que se deram ate 1948, data de falecimento do Joao Rodrigues, foram entre primeos.

     Joao Rodrigues e Olimpia nao fugiram `a regra dos casais da epoca e tiveram filhos enquanto a fonte nao secou. Sao 16 dela ao todo. Faleceram 3: Aracy, Maria da Conceicao 1a. e Geraldo. Alem dos ja citados temos Nize, Anisio, Omar, Maria da Conceicao 2a., Antonio, Joao, Olimpinha e Maria Jose (Zeze). Os homens tinham a assinatura Rodrigues Coelho e as mulheres eram Coelho do Amaral.

     Em 1900 ha que tambem se buscar a visao que ele tinha das outras cidades. Guanhaes havia sido o torrao natal dele. Nao deveria encontrar muitos parentes por parte de sua mae, Maria Marcolina Borges do Amaral. Mas os parentes paternos devem ser muito mais que aqueles que nossos livros genealogicos registram. Isso porque os avos do Joao Rodrigues, Jose Coelho da Rocha e Luiza Maria do Espirito Santo, certamente levaram consigo alguma parentalha de Conceicao do Mato Dentro para Guanhaes.

     Os nossos livros registram que o irmao do Jose, o tio-avo Joao Coelho de Magalhaes, casou-se com Bebiana Lourenca de Araujo. Existe um detalhe que completa, a noiva era prima do noivo. Talvez, o livro: “Algumas Notas Genealogicas” do professor Nelson Coelho de Senna complete as lacunas. O prof. era bisneto do tio Joao, dai o bisneto deve ter dado mais enfase ao braco familiar do qual ele era diretamente descendente. O livro foi publicado em 1939 mas nao tive acesso a ele.

     Alem disso, devera existir mais pessoas da familia da avo Luiza Maria cuja origem como ja disse era o Moniz. Se ninguem passou para Guanhaes, devem todos entao ter contribuido para a formacao da populacao de Conceicao do Mato Dentro e estao espalhados pelo resto do mundo. Mas nao creio que ninguem tenha ido para Guanhaes.

     Outro detalhe aqui eh que a bisavo paterna-paterna do Joao Rodrigues era a Eugenia Rodrigues Rocha que houvera se casado com o alferes de milicia, Jose Coelho de Magalhaes. Era portugues e a genealogia que penso ser a dele ainda nao foi comprovada, portanto, nao quero fixar-me no reino da especulacao pura. Contudo, o professor Dermeval chegou `a conclusao que Eugenia Rodrigues era filha de Maria Rodrigues de Magalhaes Barbalho e do luzo-italiano: Giuseppe Nicatsi da Rocha.

     Ora, estes devem ter tido outros filhos alem da bisavo Eugenia, portanto, uma parte da descendencia tambem devera ter ido para Guanhaes. E eh dificil saber se o Joao Rodrigues fosse ou nao capaz de reconhecer o grau de parentesco que tinha com essa parte.

     O que chama a atencao sao os sobrenomes Barbalho e Rocha presentes naqueles ancestrais. Eh possivel entao, que todas as familias das quais temos estudado tenham os mesmos troncos familiares. Isso porque em todas as construcoes genealogicas sempre existem os Rocha misturados. E, pelo que tenho visto, as familias nortemineiras sao tambem todas Barbalho.

     Voltando ao ano de 1900, eh dificil que o Joao Rodrigues tenha feito uma viagem com a familia `a Cidade de Sabinopolis. Em abril de 1900 havia lhe nascido o Otaviano. Assim, a esposa ficaria com os mais novos e Joao Rodrigues levaria apenas a mais velha Zulmira que estava completando 7 anos. Naquela viagem ele nao perderia a oportunidade de passar pela Fazenda Penitencia.

     Esta seria a referencia de sua infancia. Ai os bisavos Antonio Borges Monteiro Junior e Maria Magdalena de Santana haviam plantado suas raizes no Arraial nascente. Tiveram 8 filhos: Antonio Filho, Maria Balbina, Senhorinha Rosa, Leonel Tolentino, Blandina Flora, Jose Polidoro, Manoel (solteiro) e Maria Francelina. Nos temos um pouco do acompanhamento parcial apenas das descendencias de Maria Balbina, Senhorinha Rosa e Maria Francelina. O que ja nao eh pouco! Dificil eh imaginar se tivessemos tudo completo!

     Como ja repeti, a Maria Francelina Borges Monteiro casou-se com o Daniel Pereira do Amaral e foram os avos do Joao Rodrigues. Portanto, ele deveria reconhecer uma parte da populacao da cidade como seus primos e ate alguns tios. Nao por parte do casal Antonio e Maria. Mas por parte do casal Maria Francelina e Daniel.

     Daniel deve ter sido um negociante habil porque casou-se com a filha mais nova e comprou dos mais velhos as partes que lhes couberam da propriedade. Nao temos as datas de nascimento e falecimento da avo Maria Francelina. Sabe-se que ela faleceu antes de 1880 porque o avo Daniel havia se casado uma segunda vez e teve tres filhos com uma pessoa bastante jovem. Os tres se chamaram Georgina, Lilia e Elpidio.

     Elpidio Pereira do Amaral nascera em14.2.1883 e o pai faleceu no intervalo dos nove anos que ele viveu em Sabinopolis. Diz-nos o prof. Pimenta, pagina 141, que aos nove anos Elpidio Amaral foi residir em Sao Joao Evangelista com a mae e as irmas. Ou seja, em 1892.

     Informa-nos tambem que em uma situacao um pouco melindrosa para a epoca, a viuva tornou-se mae de mais duas criancas: Maria Carolina e Antonio Augusto. Foram filhos tidos com o tio, por afinidade, do Joao Rodrigues: Olimpio Jose Pimenta, que era primo, casou-se com e ficou viuvo da filha do avo Daniel, e teve estes dois filhos extraconjugais com a viuva dele. O tio Olimpio eh um caso `a parte a ser decifrado em outra secao. Olimpio era filho de Ermelinda Querubina, irma do avo Daniel, e casou-se com Ludugeria, filha do proprio Daniel, no primeiro dos 3 casamentos do Olimpio, nao se contando ai as relacoes com a viuva, Sebastiana Amaral.

     Um acompanhamento mais detalhado de como a familia era formada em Sabinopolis deve ser encontrado no livro: “Genealogias e Biografias de Serranos e Diamantinenses”, editado em 1952, no Rio de Janeiro, pelo nosso primo Dr. Luiz Eugenio Pimenta Mourao. Eh provavel que nele fiquem melhor explicadas as ligacoes que existem entre as familias Tavares, Mourao, Pimenta, Almeida, Pinho, Amaral, Monteiro, Tolentino, Barroso, Magalhaes, Queiroz, Queiroga, Taveira e muitas outras mais. Embora, pela data de 1952 do livro, so se possa esperar um entendimento melhor das raizes, nao apropriadamente o reflexo disso nos dias de hoje.

     Outros bisavos do Joao Rodrigues: Malaquias Pereira do Amaral e Ana Maria de Jesus tambem deixaram muita Historia Genealogica na Cidade de Sabinopolis. Alem do avo Daniel, deixaram os tios: Leonor (casada na Familia Taveira), Ana, Miguel, Ermelinda (acima mencionada), Francisca Angelica (casada na Familia Araujo), Querubina (casada na Familia Aurelio), Maria (casada com Joao Paschoal de Andrade), Joaquim (ja mencionado entre os de Guanhaes), Lourenco, Narciso e Ernesto.

     Outra propriedade agricola que Joao Rodrigues tinha como referencia em Sabinopolis foi a Fazenda Jose Caetano. Esta pertenceu a Modesto Jose Pimenta que fora o marido de sua tia-bisavo Ermelinda Querubina Pereira do Amaral. E eh a respeito dos 12 filhos deste casal que trata em sua maior parte genealogica o livro do professor Dermeval Jose Pimenta.

     Modesto Jose Pimenta era filho de Maria Balbina de Santana, tia-avo do Joao Rodrigues e irma de sua avo: Maria Francelina Borges Monteiro; e de Boaventura Jose Pimenta, um dos netos do casal Manoel Vaz Barbalho e Josepha Pimenta de Souza, que devem estar na raiz de boa parte das familias nortemineiras. Pelo menos dos Barbalho, Coelho e Pimenta estao.

     O certo eh que, em Sabinopolis, haviam tantos lugares e pessoas de referencia para o Joao Rodrigues que ficaria um pouco dificil para ele transitar nas poucas ruas, entao existentes, sem ficar horas recordando-se dos velhos tempos onde ali ele passeara ainda crianca em companhia de sua mae. Seriam tantas as pessoas a comprimentar que a filha Zulmira teria a dificuldade de depois lembrar-se das fisionomias e liga-las aos nomes exatos. Alguns ela ja deveria conhecer pelo dizer dos “causos”, assim, ficaria facilitado associar os nomes `as fisionomias.

     Ao invez de voltar de Sabinopolis direto para Guanhaes, Joao Rodrigues poderia resolver tomar outro rumo e seguir para Sao Joao Evangelista. E la ele iria deparar-se com um emaranhado de parentesco que somente ele proprio poderia compreender. A casa do coronel Cornelio Jose Pimenta, um dos fundadores do Arraial e pai do professor Dermeval Jose Pimenta faria visita obrigatoria. O coronel foi outro que nao teve “educacao” quanto `as questoes reprodutivas.

     Estou aqui parafraseando minha mae que quando relembra os habitos reprodutivos dos ancestrais sempre comeca com a frase: “Oh gente sem “educacao” para fazer menino”. E olhe que minha mae casou-se coroona (26 anos de idade, em 1952!) e teve 9 filhos! O coronel teve apenas 18, entre os que sobreviveram `a infancia e os que nao. Digo somente porque o pai da mamae, Juca Coelho e o tio Olimpio Jose Pimenta passaram dos 20.

     O motivo de o Joao Rodrigues fazer a visita nao se devia apenas ao coronel ser primo em primeiro grau de sua mae. Tambem porque a mae do coronel, tia-bisavo Ermelinda Querubina ainda era viva e residia na casa dele. Ela viveu ate 1906. Eh provavel que a noticia da visita de alguem de fora, acompanhado de uma filha pequena, se espalhasse como rastilho de polvora pela ja quase cidade. Ainda mais que a visita tinha muitas conexoes.

     Alem do coronel, residiam na mesma cidade varios irmaos e primos. 1. Modesto e Ermelinda foram pais de: Modesto, que permaneceu em Sabinopolis; 2. Olimpio, que `a epoca vivia em Sao Joao; 3. Aureliano, que viveu em Sao Pedro do Suacui e voltou para Sabinopolis; 4. Honorina Augusta que casou-se com o seu primo Antonio de Padua Pimenta, que em 1900 era falecido, mas ela vivia em Sao Joao; 5. Maria Balbina, que residia em Sao Pedro do Suacui; 6. Ana Pimenta que faleceu em Sabinopolis; 7. Leolino que residia em Sao Joao; 8. Augusta que chegou a residir no Distrito Nelson de Senna, pertencente a Sao Joao e foi casada com seu primo, Daniel Pereira do Amaral (filho de pais nao especificados); 9. Agostinha que residiu por um tempo nao especificado em Sao Joao; 10. Lermino que residiu nos distritos de Sao Joao e de Nelson de Senna; 11. Julio Borges Pimenta, que viveu em Sabinopolis; num total de 12 contando-se com o coronel Cornelio.

     Alem deste lado familiar, residiam `a epoca em Sao Joao diversos tios do Joao Rodrigues, filhos do avo Daniel Pereira do Amaral e suas esposas, Maria Francelina e Sebastiana (D. Inha). Entre eles estao os ja citados Georgina, Lilia e Elpidio, filhos de D. Inha e Artur Borges do Amaral, Antonio Borges do Amaral, Ana Bessa, filhos de Maria Francelina. Eh preciso lembrar-se que eram raras as familias pequenas, como a da tia Ana Bessa que teve apenas uma filha. O marido, Americo Bessa havia falecido em Guanhaes. Antonio teve 20 filhos, 10 do primeiro e outros 10 do segundo casamento. Artur teve ao todo 7 filhos em 4 casamentos.

     Alem destes haviam outros aparentados  o professor Candido Jose de Senna, pai do prof. Nelson Coelho de Senna e o professor Manoel Coelho de Moura Guimaraes que era casado com Maria Francelina Pimenta, neta da tia-bisavo Maria Balbina de Santana.

     A respeito de Francisco Pereira Afonso, em sua descricao dos primeiros moradores do Arraial de Sao Joao, na pagina 92, o professor Dermeval assim escreveu: “Em primeiras nupcias casou-se com Salvina de Carvalho, filha dos fazendeiros Jose Carvalho e Senhorinha Rosa de Jesus, residentes na Fazenda das Araras, proxima a Sao Pedro do Suacui. Desse casamento nasceu uma filha – MARIA ROSA DE OLIVEIRA (D. Sinha), casada com Zeferino Monteiro de Carvalho, seu tio, irmao que era de Salvina de Carvalho. D. Sinha, ficando viuva em 1895, continuou residindo em Sao Joao, onde era muito estimada. Ela criou, como sua filha, Ocarlina Amaral, filha de Antonio Borges do Amaral, a qual casou-se em Sao Joao com o advogado Dr. Manoel Gomes Pereira. Dona Sinha faleceu, em Belo Horizonte, com a idade de 85 anos.”

     D. Sinha seria mais uma pessoa a quem visitar pelo bisavo Joao Rodrigues, em 1900. E Ocarlina Amaral era prima em primeiro grau do Joao Rodrigues, nona filha tambem da primeira esposa do tio Antonio: Ernestina Alves de Carvalho. Esta era filha de Senhorinha Candida de Carvalho e Raimundo Jose Alves, outros residentes de Sao Joao. Senhorinha Candida era filha de Jose Carvalho da Fonseca e Senhorinha Rosa de Jesus, tia-avo do Joao Rodrigues, por ser irma da avo: Maria Francelina Borges do Amaral. Ocarlina Amaral havia nascido em 1895 e poderiam ter sido, junto com sua irma Ondina, nascida em 1893, otimas companhias para Zulmira.

     O certo eh que alem destas 4 cidades onde temos um melhor acompanhamento genealogico da familia do Joao Rodrigues, nao eh dificil afirmar-se que ele teria muitas referencias genealogicas em muitas outras no Estado de Minas Gerais e fora dele. Em 1900 por exemplo, seu irmao Antonio Junior residia no Serro. Ali ja lhe nascera os 4 primeiros filhos do total de 10. Em Conceicao do Mato Dentro ele poderia encontrar descendencia de seu tio paterno Jose Coelho da Rocha Neto, cuja descendencia nao temos acompanhamento.

     Em Sao Pedro do Suacui teria nao apenas a Fazenda das Araras que fora fundada pelos tios-avos Jose Carvalho da Fonseca e Senhorinha Rosa de Jesus, eles tambem estavam inscritos entre os fundadores do proprio Arraial. E parte da descendencia deles ali residia.

     Diamantina tambem era um verdadeiro antro para os Coelho, os Borges Monteiro e outros sobrenomes que estavam nas raizes genealogicas do Joao Rodrigues. Para esta cidade haviam migrado alguns filhos do tio-avo Joao Coelho de Magalhaes. Entre eles estao Joao, Joaquim e Cassiano Coelho de Araujo. Os tres tambem se casaram na cidade com, respectivamente: Ana Rocha, Maria Coelho de Souza e Joaquina Simpliciana. Como os tios avos Joao e Bebiana Lourenca de Araujo haviam se casado em 1804 e estes foram seus primeiros filhos, Diamantina deveria ter vasta parentalha Coelho.

     O mesmo se dava em relacao ao ramo Pimenta e Barbalho da familia. Em Diamantina os tios-avos Maria Balbina de Santana e Boaventura Jose Pimenta haviam fixado residencia. E nela permaneceram os filhos: Francisco de Assis e Antonio de Padua. A filha Maria Josefina nasceu e casou-se em Diamantina com o farmaceutico Josefino Rodrigues da Costa. Mas eles se transferiram para Sao Jose do Jacuri onde, juntamente com outros parentes do Joao Rodrigues, multiplicaram a populacao local.

     Em Pecanha temos poucas referencias familiares anotadas em nossos livros. No livro dele o professor Pimenta faz um apanhado curto de algumas familias que forneceram agregados `a nossa familia como um todo. O irmao dele, Dr Heitor Jose Pimenta casou-se com Maria da Cunha Pereira, filha do senador Dr Simao da Cunha Pereira e d. Eufrasia de Vasconcelos, entao residentes em Pecanha. Porem o casamento se deu em 1926.

     Entre as familias de Pecanha citadas pelo professor Pimenta, as Familias Queiroz, Braga, Electo de Souza, Vieira da Silva fizeram algumas ligacoes com a parentalha do Joao Rodrigues posteriores `a data de 1900. Exemplos: Helena Electo de Queiroz casou-se com o Dr. Agenor de Senna, meio-irmao do professor Nelson Coelho de Senna. Alice Braga foi esposa de Raimundo Coelho de Moura, neto da prima Maria Francelina Pimenta e do professor Manoel Coelho de Moura Guimaraes. O professor Joaquim Electo de Souza foi marido das irmas Olimpia e Ondina Pimenta, netas dos tios Ludugeria Francelina do Amaral e Olimpio Jose Pimenta ja mencionados. E o tabeliao Washington Jose Vieira da Silva teve como segunda esposa a Oferlina Pimenta, filha do coronel Cornelio Jose Pimenta.

     Ha que se suspeitar tambem que Pecanha seja um antro genealogico da Familia Barbalho. Ali temos a mencao do nome de Cirino Jose Barbalho, eleito primeiro Juiz de Paz em 1875. Dele nos parece ter nascido Rita Cirino Barbalho, esposa de Sebastiao da Costa Rocha, que foi Juiz de Paz em Sao Joao por 30 anos, a partir de 1887.

     Recentemente tambem pedi `a tia Maria Josefina Rodrigues Coelho (tia Fininha) os dados genealogicos da mae dela. A avo Melita que foi a segunda esposa que o Joao Rodrigues teve na velhice. Em nosso livro de genealogia ela constava como nascida em Folha Larga, atual Jose Raydan. Tia Fininha corrigiu isso e apontou Santa Teresa do Bonito. Este eh um distrito de Pecanha que faz divisa com Virginopolis, mais proximo ao Distrito da Boa Vista.

     O que ja da para supor eh que encontraremos nova ponte genealogica entre os ramos familiares que nem sequer imaginavamos que houvesse. Entre os ancestrais dela existe um Miguel Amaral, o que pode ser da mesma origem acoriana que o Amaral do Joao Rodrigues e da primeira esposa Olimpia. Alem do mais, ao repassar os dados para uma amiga em Pecanha, tambem pesquisadora, Marina Raimunda Braga Leao, ela avisou-nos ser bisneta do Miguel Amaral, ou do Juca Miguel, irmao do avo da tia Fininha. E assim eh a genealogia, quando se encontra uma novidade eh porque eh tudo igual!

     No livro o professor Pimenta apenas menciona que o primo do Washington acima citado, Virgilio Gomes da Silva, foi casado com Rita Barbalho. Recentemente, em contato com amigos de Pecanha obtive um registro que corrige os dados no livro. Os nomes eram Virgilio Jose Gomes e Rita Eliza Barbalho. Tambem foi localizado um inventario em nome de Virgilio Jose Barbalho, que era outra pessoa, datado de 1894. Este Virgilio fora casado com Maria Elzira da Rocha e filho do alferes Modesto Jose Barbalho. Os parentes tem suspeitas de que estes sejam os pais e o avo de d. Rita Eliza Barbalho.

     O que nos faz mencionar estas evidencias aqui eh tambem a presenca do Jose entre os nomes dos homens. Segundo o professor Pimenta, os netos de d. Josepha Pimenta de Souza, a ancestral dos Pimenta e Barbalho juntamente com Manoel Vaz Barbalho, receberam este Jose em homenagem `a avo e alguns o repassaram `a descendencia. No nosso ramo Barbalho encontramos os irmaos: Policarpo, Firmiano e Gervasio Jose Barbalho, filhos de Jose Vaz Barbalho, provavel filho do casal Manoel e Josepha.

     O professor Pimenta `a epoca da edicao do seu livro nao tinha conhecimento da existencia de Policarpo Joseph Barbalho entre os filhos do casal Manoel e Josepha. No livro ele reporta apenas a trisavo dele: Isidora Maria da Encarnacao, a matriarca dos Jose Pimenta, juntamente com o capitao Antonio Francisco de Carvalho. Eh possivel que todos sejam originarios do tronco Pimenta Vaz Barbalho. Mas a resposta a esta questao demanda um pouco mais de pesquisa.

     Bom alem dos locais ja citados podemos mencioar pelo menos dois locais com referencias parentais para o Joao Rodrigues em 1900. Entre os fundadores de Coroacy existe um Demetrio Coelho de Oliveira. A fundacao se deu em 1887. Este eh o mesmo nome do marido de Marcolina Honoria Coelho, a decima primeira filha do casal Joao Batista e Maria Honoria Coelho, os avos da esposa Olimpia.

     Outra tia da Olimpia, e prima em primeiro grau do Joao Rodrigues, foi a Emygdia Honoria Coelho. Esta foi a esposa do sr. Amaro de Souza Silva. Nao tenho os registros dos nascimentos dos filhos mas pelas evidencias de encontrarmos a maioria da descendencia recente nas cidades de Divinolandia de Minas, Gonzaga, Santa Efigenia, Sardoa e Sao Geraldo da Piedade, presume-se que tenham tido ai sua base de multiplicacao. Todas seriam referencias porque estavam sendo desbravadas e domadas e foram povoadas em parte por familiares, incluindo-se o cunhado do Joao Rodrigues: Jose Coelho Sobrinho e sua esposa Maria Marcolina Amaral, irmao e prima em primeiro grau da esposa Olimpia.

     Algumas destas e outras coisas nos eram passadas atraves de nossos seroes em torno do fogao de lenha ou varandas e salas das casas. Existiram outras pessoas que se tornaram referencias para nos. Entre as quais estao a tia Virginia. Ela foi a unica filha do casal Antonio Rodrigues e Maria Marcolina que conheci e convivi de forma ate bem proxima. Sendo irma do Joao Rodrigues, casou-se com o “padrinho” Ze Coelho, nosso bisavo, que ja era viuvo da irma dela, Maria Marcolina Coelho, nossa bisavo materna. Tudo o que se disse a respeito do Joao Rodrigues pode relacionar-se com ela tambem que era mais velha e faleceu em 1904.

     Tia Virginia nasceu em 1880 e faleceu em 1972, aos 92 anos de idade. Foi-nos dito que tinha uma memoria fantastica e passava tudo aos filhos. O sexto filho dela, Joao Coelho, nasceu em 1915, vindo a falecer no final de 2009. Ainda em agosto de 2009 tive a oportunidade de conversar com ele. Ele dizia nao ter mais a memoria que tivera antes mas foi capaz de lembrar de datas de nascimento e casamento de diversas pessoas da familia e eu so podia confirma-lo porque estava com o livro da genealogia na mao.

     A outra referencia foi a tia Nenen (Marina Coelho de Oliveira). Prima segunda do Joao Rodrigues e ao mesmo tempo sua cunhada por ter se casado com o tio-bisavo Daniel. Nasceu em 1882 mas estabeleceu o record de pessoa mais longeva da familia em 1983, quando faleceu aos 101 anos. Record este ja batido. Ela tambem tinha boa memoria enquanto pode e repassou muito do que sabia `a descendencia.

     Existem outras referencias nao exatamente ligadas `a genealogia. Nos anos de 1900 em diante as cidades de Caete, Conceicao do Mato Dentro, Diamantina, Pecanha e Serro, alem do Colegio do Caraca, se tornaram as alternativas educacionais para as pessoas da familia.

     Os estudos primarios eram dados por professores particulares. Em Virginopolis, somente a partir de 1910 iniciou-se o ensino no Grupo Escolar Nossa Senhora do Patrocinio, tendo o professor Francisco Dias de Andrade como seu primeiro professor. Todos que podiam seguir alem dos 4 primeiros anos de ensino basico tinham que dirigir-se a outras cidades.

     Ouro Preto e Belo Horizonte eram as referencias para aqueles que seguiriam alguma carreira a nivel superior. O que foram muito poucos antes de 1900. Naquele tempo as carreiras mais acessiveis e frequentadas pelos membros da familia do Joao Rodrigues eram a advocacia e o seminario. Medicos, farmaceuticos e engenheiros foram raros na familia so aparecendo apos 1900.

     Ao contrario de padres e irmas de caridade que viraram verdadeira febre logo depois da data de 1900. Embora, isso ja nao fosse novidade na familia Barbalho porque o padre Emigdio havia se ordenado em 1845 e o pai dele, o quartavo Policarpo Jose Barbalho, ordenou depois, apos enviuvar-se e entregar os cuidados da familia aos filhos mais velhos.

     Quanto `as nossas referencias em Pecanha, ha que se mencionar a presenca do monsenhor Jose Pereira do Amaral. Nasceu em 1904 e era primo em primeiro grau da Dindinha Olimpia. Por longo tempo o Monsenhor Amaral foi o vigario de Pecanha. 

     Deste ponto em diante o restante do seculo culminou com a multiplicacao e o constante movimento migratorio dos familiares do Joao Rodrigues. O Excesso populacional das pequenas cidades transbordou para outras de menor porte em territorios que ainda eram a ser conquistados. O minusculo povoado da Figueira virou a cidade de porte medio Governador Valadares. Ipatinga que nao existia veio para rivalizar-se com aquela. Belo Horizonte, a entao recem-construida capital nova de Minas Gerais ja eh uma senhora de idade e cheia de problemas por excesso de populacao numa infraestrutura ultrapassada.

     Em 1872 o nosso bisavo Joao Rodrigues nasceu num pais de apenas 10 milhoes de pessoas. Ora se pensarmos sem raciocinar direito, veremos que bastaria cada uma daquelas pessoas deixar 20 descendentes vivos na atualidade para o Brasil somar os 200 milhoes de habitantes que possui. Mas a coisa nao eh assim tao simples.

     Uns 10% daquela populacao era de idosos que nao iriam mais se reproduzir. Uns 60% eram de menores que entre 20 a 40% nao chegariam a ver a vida adulta. Centenas de milhares de mulheres faleceriam no parto de um de seus filhos. Muita gente permaneceria solteira. E eh preciso pelo menos dois para formar o casal que gerara a proxima geracao. Ou seja, o que restou devera ser dividido por dois, para encontrar-se o numero de casais.

     Mesmo com a chegada de milhoes de pessoas migradas do exterior para o Brasil nao ha como negar-se que a maioria absoluta da populacao atual descende de parte daquelas 10 milhoes de pessoas viventes em 1872. O que foi feito de la para ca foi multiplicar. Mas as bases continuam as mesmas. Nada alterou. Como fala a musica, ja nao me recordo se o autor foi o Gonzaguinha ou o Belchior e belissimamente cantada pela Elis Regina: “Apesar de termos feito tudo o que fizemos; ainda somos os mesmos e vivemos; ainda somos os mesmos e vivemos; como os nossos pais.”

     Entao, por que cargas d’agua eu iria dizer que as descendencias daqueles que o Joao Rodrigues considerava seus parentes nao seriam meus parentes? Somente porque eles nasceram, cresceram e se multiplicaram e eu nao estava presente? Ora o Joao Rodrigues nasceu, viveu e morreu. Somente vim a nascer 10 anos depois do falecimento dele. E ele continua meu parente do mesmo jeito que se o tivesse conhecido.

     Outro detalhe que relembrarei aos leitores. Eh provavel que todo mundo sinta um certo repudio ate mesmo de imaginar que um avo venha a casar-se com uma neta. Nao sem motivos a nossa sociedade criou leis e ate mesmo um certo preconceito quanto a isso. Eh verdade! Isso seria moral  e eticamente errado.

     Mas ponhamos os pingos nos ii. Um avo, em condicoes normais, deveria ter uma consanguinidade de apenas 25% com seus netos. Claro, isso partindo da suposicao de que sao 4 avos, portanto, cada um ira ter 25% do seu material genetico embutido na formacao de um neto. Porem, isso sera verdadeiro apenas se ja nao houver um parentesco proximo entre os avos. Caso contrario a consanguinidade sera maior que 25%.

     E o que se pode observar muitas vezes eh o acontecimento de os fundadores geneticos dos municipios recentes serem descendentes do fruto migratorio das cidades mais antigas. E as populacoes sao como um todo descendentes dos mesmos ancestrais, salvando-se pequenas variacoes.

     O que eu tenho observado em meus estudos genealogicos eh isso: algumas vezes as pessoas vem de uma linhagem genealogica com varias repeticoes de mesmos ancestrais, portanto, elas nao tem como fugir de serem como os seus pais, geneticamente falando. As vezes, os mesmos ancestrais de 100 anos ou mais atras deram origem a populacoes de cidades diferentes. E quando os descendentes dos mesmos ancestrais, oriundos das cidades diferentes, se encontram, nao se reconhecem como parentes proximos, casam-se e poem o filhos em uma roleta russa.

     Pelo que vejo deve haver nascidos da populacao que se estabeleceu em Sao Joao Evangelista com grau de consanguinidade superior a 25% em relacao a outros nascidos em Virginopolis. E isso deve ser algo comum em todas as cidades do Brasil. Dai uma boa razao para popularizar-se o conhecimento genealogico da populacao como um todo. Alguma consanguinidade excessiva poderia ser evitada. E a que nao fosse poderia ser feita prevencoes para evitar-se a manifestacao de problemas futuros nas criancas.

5. ANTIGAS NOVIDADES

     Quando mencionei que na maioria dos casos os rapazes aventureiros chegavam solteiros ao Brasil e ai arranjavam uma cara metade, nao exclui a possibilidade de as pessoas chegarem em grupos familiares. Isso deve ter sido o que aconteceu, por exemplo, por volta de 1750 quando nos primordios da colonizacao dos estados brasileiros da Regiao Sul.

     Relata-se que os ilheus, oriundos principalmente do Arquipelago da Madeira, passavam por extrema dificuldade e por aquela ocasiao o governo portugues incentivou a migracao para o Brasil. `A epoca, cerca de 5.000 pessoas foram estabelecidas, somente na Ilha de Santa Catarina. Eh possivel que, 260 anos depois dessa chegada, ainda existam algumas pessoas atuais sendo brasileiras e descendentes apenas de ancestrais da linhagem portuguesa pura. Mas a maioria absoluta tera vindo da mesclagem daqueles, entao, recem-chegados com as linhagens ja mais antigas.

     O professor Dermeval Pimenta relata no livro dele um outro caso. E acredito que ele deixou para os pesquisadores da atualidade uma boa oportunidade de elucidar um quebra-cabecas historico. Trata-se da chegada de um certo numero de portugueses, segundo o depoimento do professor no livro, e ocupacao das terras que dariam futuramente origem `a cidade de Sao Joao Evangelista.

     Consta que o capitao Ildefonso da Rocha Freitas e sua esposa Maria Coelho da Silveira nao estavam sos. Possivelmente estavam acompanhados dos irmaos do capitao: Martinho da Rocha Freitas e Antonio da Rocha Freitas. O primeiro deles era casado com Angelica Coelho da Silveira, certamente seria irma da d. Maria. E alem destes, outros sao mencionados. No local ja encontraram indigenas e outros brasileiros residindo. Alguns filhos ja haviam nascido, nao se apontando datas para a chegada, porem, o calculo feito eh de que tenha sido em torno de 1830.

     O grande quebra-cabecas aqui eh serem ditos portugueses mas nao se mencionar procedencia alguma. O que faz especular-se algumas coisas. Primeiro, ha que se entender que este foi um dos periodos mais convulsionados das Historias Porguesa e Brasileira. No final dos anos 1700 e inicio dos anos 1800 a Europa passou pelo periodo dificil das Guerras Napoleonicas.

     Em 1808 as cortes portuguesas fugiram para o Brasil. Portugal foi tomado e existem relatos de toda sorte de abusos cometidos pelas tropas invasoras. Napoleao foi derrotado por volta de 1818. E as cortes portuguesas comecaram a exigir o retorno do rei D. Joao VI. Portugal estava em convulsao porque os liberais queriam terminar com o absolutismo e implantar a Monarquia Constitucional. D. Joao VI cedeu `as imposicoes e retornou a Portugal em 1821.

     O principe D. Pedro permaneceu no Brasil e enfrentou convulsoes pelos mesmos motivos. E as cargas impostas pelas cortes portuguesas em relacao ao Brasil acabaram culminando na revolta que levou a Independencia do pais em 1822. Houveram algumas escaramucas entre portugueses residentes e brasileiros mas o assunto foi logo encerrado com a derrota das pequenas forcas portuguesas e a promessa dos brasileiros de pagar alguma indenizacao a Portugal, mediado pela Inglaterra.

     Alem de Portugal ja estar empobrecido, em consequencia de outros problemas, alem da Invasao Napoleonica, faleceu o rei D. Joao VI. Um dos possiveis herdeiros era o Imperador do Brasil, sua Majestade o Imperador D. Pedro I. Isso, em 1831, faz Portugal ficar dividido entre ele e o principe D. Miguel. Neste ponto surge um movimento revolucionario e a guerra afeta novamente a vida dos portugueses. As tropas de D. Pedro vencem o embate e ele eh coroado D. Pedro IV, de Portugal. Em 1836 D. Pedro morre mas ja com o poder consolidado.

     O Brasil, por essa epoca esta mergulhado numa crise que demora a se acabar. O principe D. Pedro, foi largado no Brasil com 9 anos de idade. A tentativa de solucao se da com as Regencias. Mas nada foi satisfatorio enquanto a maior idade nao foi abreviada para os 14 anos. Assim o Brasil ganhou o seu segundo imperador, D. Pedro II. Mas o periodo inicial foi repleto de revoltas por todo o pais. O Duque de Caxias foi quem foi o escudeiro do imperio na parte militar. Jose Bonifacio o foi na parte politica.

     Poderiamos pensar que o capitao Ildefonso e familiares tivessem saido de Portugal para fugir das agruras em que o pais passava. O problema eh que fica dificil imaginar que levasse toda a sua gente para um lugar tao ermo e que tambem estava em pe-de-guerra.

     `A epoca a regiao sofria com muitas tensoes entre colonos e indigenas catequizados de um lado contra um grupo que era coletivamente chamado de botocudos do outro. Eram indigenas ainda livres e defendiam sua heranca territorial. O que foi entendido pelo governo imperial portugues como rebeldia e, por isso, passou contra eles um decreto de luta de exterminio. Assim, as vidas de colonizadores na regiao estavam tao inseguras quanto em Portugal.

     Por isso penso que ha a possibilidade de que as tradicoes transcritas pelo professor Pimenta, de que era um grupo formado por portugueses, podem nao ser exatas. Muitas vezes, as tradicoes levam um fundo de realidade mas falham muito em relacao a datas. Pode ser que os familiares portugueses daquelas pessoas tivessem ido para o Brasil por volta de 1808, quando do desembarque das cortes. Assim, os adultos teriam chegado ao Brasil em epoca que ainda eram criancas.

     Possivel tambem seria que o capitao Ildefonso, d. Maria e a parentalha ja estivessem familiarizados com tudo o que ocorria no Brasil e tivessem visitado antes a regiao e escolhido a area que pretendiam colonizar. `A epoca, talvez nem fosse seguro se declararem portugueses. Ao contrario disso, quando o capitao Ildefonso e d. Maria fizeram seu testamento e foi registrado em 1871 e 1872 respectivamente, nao haveria impecilho para que se declarassem portugueses, porem, isso nao foi registrado na documentacao.

     Portanto, ai ha um tema interessante para pesquisadores. De onde realmente tais pessoas procedem? O que as motivou a se retirarem para uma area tao distante dos centros mais evoluidos de Portugal e Brasil? Tinham ou nao alguma preferencia politica entre os partidos de D. Pedro e o irmao D. Miguel? Enfim, eh um tema tao curioso que poderia ate virar enredo para um livro.

     Mudando de conversa, tenho recebido o pedido de ajuda de algumas pessoas para decifrar as genealogias delas e, por mais boa vontade que tenho, sempre penso que sirvo menos a elas do que me servem. Um destes casos foi do conceicionense (natural de Conceicao do Mato Dentro), Bento Luis Silva. Ele pediu-me orientacoes para buscar os dados da familia dele. Entre suas raizes esta a tradicional familia dos Pires de Oliveira.

     De quebra passou-me as dicas. Honorio Pires que se encontrava no livro do professor Dermeval como marido de nossa prima Modestina Pimenta Pires era tio-avo dele. Assim, pude completar o nome do sr. Honorio, acrescentando-lhe o de Oliveira Junior, e tambem uns poucos ancestrais dele. Tambem informou-me que a filha do casal, Maria Balbina Pires estaria viva, em Pecanha, aos 103 para 104 anos.

     Alias, faca-se aqui a observacao. Recentemente outro membro da familia havia atingido esse record de 103 anos mas tambem faleceu antes de completar os 104. Foi o sr. Gabriel Coelho de Oliveira. E olha que ele havia prometido com antecedencia que bateria o record anterior, que pertencia `a nossa tia, com 2 anos de vantagem. A recordista anterior, ate onde sabemos, era a tia Nenen (Marina Coelho de Oliveira), que vivera ate aos 101. Tai o recado, vamos entao fazer uma competicao para ver quem batera este record!

     Em contato com os amigos Marina Braga Leao e o Dr. Jose Geraldo Braga (juiz aposentado na Comarca de Virginopolis), busquei maiores informacoes a respeito de d. Maria. A principio ele nao sabia de quem se tratava mas ela lembrou-se de d. Maria Pires. Por alguns momentos tive duvida quanto a tratar-se da mesma pessoa porque a Marina disse que pensava que ela havia falecido ha pouco tempo, nao chegando a completar os 104 anos, o que se daria em 26 de julho. Alem disso, o nome da mae de d. Maria Pires seria Ana Maria Franca.

     Eliminando alguns detalhes que se passaram nos dias em que a duvida pairou, observei que Modestina havia falecido em 1914, quando dona Maria estava com 5 anos apenas. Logo imaginei que o pai teria se casado uma segunda vez e corri a socorrer-me nos conhecimentos do amigo Bento. Ele imediatamente retornou-me dizendo que havia se casado sim, e o nome da senhora era Ana Maria Franca.

     Dai pudemos concluir que a mae que d. Maria Pires conheceu melhor foi d. Ana Maria. A informacao parcial havia ficado na memoria dos que conheceram as personagens em vida se deveu ao fato de que o pai do Dr. Jose Geraldo havia sido prefeito da cidade de Sao Pedro do Suacui, onde a familia Pires morou, alem de ter sido aluno da professora Ana Maria. Durante o governo dele o aluno homenageou-a com o nome da rua na qual havia ela residido. Verificando a Historia de Sao Pedro, no site da prefeitura, observei que esta se localiza na Rua Professora Ana Maria.

     Movido pela curiosidade, busquei mais informacoes no site do geneaminas.com.br. Ali estao separadas as Arvores que o Bento e a que eu plantamos. Na porcao que me coube encontrei um acrescimo feito pelo Dr. Marco Antonio do Amaral Pires. Este, filho do Dr. Joao Pires Franca e d. Zilda do Amaral Franca. O Dr. Joao tinha por pais ao sr. Honorio Junior e d. Ana Maria. E d. Zilda era filha do Benedicto Amaral, filho do nosso tio Antonio Borges do Amaral, irmao da trisavo Maria Marcolina Borges do Amaral.

     Assim, parece que o mundo apequenou-se de vez. E acredito que essas coisas deverao mesmo se repetir quantas vezes mais aumentarmos o nosso banco de dados. Tem certos momentos que penso ate ser bom nao investigar demais porque quanto mais se investigar mais a nossa genealogia ficara entrelacada com a de todo o mundo do mundo!

      Outra pessoa que procurou-me ha mais tempo foi uma prima nascida em Divinolandia cujo nome eh Graca Magalhaes. Ela era contato de minha irma Magda e sabia ser da Familia Barbalho, porem, nao tinha os detalhes. Dizia ser neta de Maria de Magalhaes Barbalho e sobrinha do sr. Ze Barbalho. Este, pessoa muito conhecida em Virginopolis. O fato eh que nao temos nenhuma Maria de Magalhaes Barbalho inscrita em nossos livros mais antigos.

     Eu proprio nao tinha a menor ideia de como o sr. Ze Barbalho se encaixava em nossa Arvore embora soubesse que algum grau de parentesco haveriamos que ter. O fato eh que fui colega de Aloisio e Alicio, filhos do sr. Ze Barbalho e eles reinvindicavam para si o titulo de meus primos. Como eu era crianca, nao sabia o que dizer porque nao sabia como nossa Arvore havia sido formada e eles nao se encaixavam naquilo que eu sabia.

     Nestes ultimos dias porem, a Graca buscou-me um tanto aflita. Queria saber se eu sabia de alguem que tivesse uma fotografia de d. Maria Barbalho. Chorosa, dizia que a avo vivera apenas 29 anos, morara na comunidade de Virginopolis denominada de Jacu, e o pedido se devia ao fato de ela nao te-la conhecido e nao ter sequer uma pequena imagem de como se parecia. Mas o problema eh que eu proprio estava mais perdido que agulha no palheiro, porque nao tinha informacao alguma a prestar.

     Mas pedi a ela que investigasse um pouco mais, pois, ela se referia como Pedro o ancestral mais antigo que as tradicoes diziam ela descender. Pelas indicacoes, pensei que so poderia tratar-se do tio-bisavo Pedro de Magalhaes Barbalho. Entao, pensei que Maria Barbalho pudesse ser a Maria Marcolina, filha dele. Mas nao tinhamos registro de que esta houvesse se casado.

     Foi a propria Graca que acabou colocando uma luz no dilema todo. Buscou os conselhos da Moema, tambem filha do sr. Ze Barbalho e ela contou o que sabia. O Pedro Marcal havia tido um caso com uma moca que trabalhava na casa. Ela engravidou e ele reconheceu o filho. Deram o nome de Pedro de Magalhaes Barbalho. Nao se sabe o nome da mae desse segundo Pedro.

     Mas sabe-se que se casou com Joaquina Gonsalves Pimenta (o s no sobrenome vem da grafia que ela me passou e sei que a maioria das vezes se escreve com c cedilha). Deste casal nasceram: Aristides, Virginia, Gabriel, Americo, Levi, Joaquim, Minervino, Jose e Maria. Dos que a Moema pode relacionar e todos com a assinatura “de Magalhaes Barbalho”.

     Jose era o sr. Ze Barbalho e Maria a avo da Graca. Dai restaram algumas duvidas. Mas ela conversou com a Maria, tambem filha do sr. Ze Barbalho, que esta agora com 84 anos. Esta nao soube dar nenhuma outra informacao mas a idade a “condena”! Pelo que calculei, o sr. Ze Barbalho deve ter nascido entre 20 e 30 anos antes dela. E o pai Pedro seria, possivelmente, 30 anos ou um pouco mais velho que o sr. Ze. Este regresso nos leva por volta de 1876.

     Esta foi a data que o tio Pedro, filho que era do Francisco Marcal de Magalhaes Barbalho e Eugenia Maria da Cruz, se casou com a tia Antonia Honoria Coelho. Portanto, o Pedro Marcal ao qual ela se refere eh mesmo o tio Pedro, filho de um Marcal, o Francisco. Eu imaginei que o filho Pedro poderia ser filho de algum dos filhos do tio Pedro. Algo comum acontecer naquele tempo de os filhos fazerem e o pai assumir a paternidade. Assim os netos ficavam melhor protegidos porque os pais biologicos muitas vezes nao passavam de adolescentes.

     O que posso pensar eh que o Pedro, filho do tio Pedro, nasceu antes de 1876, na casa dos avos. Enquanto tio Pedro era ainda adolescente. Isso explicaria o fato de os tios-bisavos Pedro e Antonia terem tido 14 filhos ao todo, entre os quais 8 do sexo masculino e nenhum chamar-se Pedro tambem.

     Algo que agora especulo eh que pode ser que a moca com quem o tio Pedro teve o filho Pedro fosse de origem africana. Eh apenas uma das possibilidades. Esta porem esta dentro da logica do passado de que a maioria absoluta das pessoas que faziam os servicos caseiros eram africanas. E pode ser que ela tenha adotado o sobrenome Barbalho e dela tambem descenderem os Barbalho que residem nas proximidades da Cidade do Gonzaga, Minas Gerais.

     Essa eh uma teoria que se casa com o que era dito `as escondidas e que os Barbalhos antigos da familia nao gostavam de ouvir. De que a matriarca dos Barbalho de Gonzaga era africana e o Barbalho dela era o mesmo da familia. Mas, estas sao apenas especulacoes. Se nao pudermos confirmar ou negar isso por meio de papeis, talvez o consigamos algum dia por meio de exame de DNA.

     Graca, a Graca nao achou nenhuma quando sob que recebeu a heranca genetica dela por via “bastarda”. Isso mesmo, entre aspas porque essa eh mais uma nocao errada que existe em nossa sociedade. Essa sociedade velha, rabugenta, enganosa e hipocrita.

     Ate por volta dos anos 1950 aqui nos Estados Unidos ainda se usava escrever nas certidoes de nascimento das criancas que nasciam de ligacoes extra-conjugais as palavras “filho ilegitimo de”. Uma defensora dos direitos delas se revoltou e falou a verdade: “Ilegitimos sao os pais e nao as criancas”.

     Para entendermos melhor essa questao podemos fazer uma comparacao do mundo legal. Ilegitimo ou ilegal sao os atos ilicitos cometidos por criminosos. Quando o resultado de uma relacao sem a devida realizacao do matrimonio eh uma crianca, os pais sao os “criminosos” e nao a crianca. Isso eh logico por todos os angulos que se analisar a questao. Em primeiro lugar a crianca nem sequer existe quando o ato eh cometido. Para que o ovo se forme, pode demorar horas e ate uns dois dias apos a relacao. E o mais importante, as criancas nessa idade sao inimputaveis perante as leis dos homens e de Deus. Portanto, nenhuma crianca eh ilegitima nao importa a forma como for concebida.

     Na realidade, o preconceito que se criou em torno da questao vem de longe. Trata-se das pessoas na sociedade desejarem se organizar, porem, por serem humanas cometem la seus erros. Ora, era ate de certa forma frequente acontecer de as pessoas chamadas “da sociedade” terem filhos fora de seus casamentos, enquanto estavam legalmente casadas com alguem. Entao, segundo a visao distorcida que se criou em torno disso, resolveu-se punir as criancas, para que o “crime” nao compensasse. “A corda sempre arrebenta do lado mais fraco”, nao eh mesmo?!

     Geralmente, a intencao do legislador era a de proteger a mulher e os filhos “legitimos” das acoes dos maridos saltadores de cerca. Como nao havia exame de DNA, ficava a criterio do saltador reconhecer ou nao o filho. Se nao o fizesse, todas as desgracas poderiam cair sobre o filho ja que poderia nao encontrar um pai postico que o sustentasse enquanto nao virasse homem ou mulher. Jesus que o diga!…

     Fiz uma pequena discertacao para a Graca e contei a ela como o meu bisavo Joaozinho foi concebido. Na verdade, nao sabemos os detalhes, mas sabe-se que a mae dele Sinh’Anna Magalhaes, filha legitima de Jose de Magalhaes Barbalho, o velho, teve relacoes com um homem. Nao se sabe se consentida ou nao. O certo era que ela era quase uma crianca. E o homem, mais velho, deve ter pensado que poderia fazer isso porque ela era mulata.

     Deixando de lado outros detalhes, nao sabemos se o pai fora um musico que acompanhava um circo do Rio de Janeiro e foi parar em Itabira ou, segundo outra versao, era um homem casado da sociedade itabirana na epoca. Nao importa a versao, o resultado foi que o pai Jose mandou-a para o entao Arraial de Sao Miguel e Almas (Guanhaes) para esconder as vergonhas dele e proteger a “reputacao” do infrator.

     Apesar de tudo, parece, havia algum contato entre o pai e o filho que nasceu em 15.10.1862. Mas, infelizmente, os que sabiam da Historia com detalhes faleceram sem passar recibo do que sabiam, e nos nao sabemos quem foi o pai do nosso bisavo.

     Tio Joaozinho, como ele proprio exigia ser chamado pelos netos, foi uma pessoa bastante espirituosa e deu muita alegria `aqueles que partilharam com ele os seus 80 anos de vida. Dele nascemos e nao sinto a menor vergonha disso. E ele nao eh o unico na familia. Sao diversos casos, embora, seja o unico que sabemos do qual somos descendentes na Historia mais recente. Tio Joaozinho era primo segundo do Ti Pedro e casou-se com a irma deste: Candida (Sa Candinha) de Magalhaes Barbalho.

     Na Historia mais antiga temos um caso bem mais assombroso para quem nao a conhece. Esta eh a Historia do sobrenome Furtado. Ele surgiu devido o nascimento “a furto” de um filho da rainha Urraca. Ela entao deu o sobrenome Hurtado, mas `a epoca nao se tinha tanto preconceito contra essas coisas. Ela foi a Rainha de Castela. Depois parte da descendencia passou para Portugal e traduziu o sobrenome para o Furtado.

     O que eh interessante eh isso. Os Furtado estao no Brasil desde o inicio da colonizacao europeia. Um dos primeiros chegados ao Brasil, se ja nao nasceu, foi o sr. Aires Furtado de Mendonca. Ele foi o pai de dona Maria Furtado de Mendonca, a esposa do Luiz Barbalho Bezerra. Estes sao a nossa referencia familiar na Historia do Brasil. A poderosa familia Furtado de Mendonca, mais conhecida como tal no Estado de Sao Paulo, faz parte dessa descendencia ate mesmo no sobrenome.

     Agora, pelos meus calculos, como o Aires Furtado de Mendonca nao deve ter levado sozinho o Furtado para o Brasil e d. Maria deve ter tido outros irmaos e irmas la pelo final dos anos 1500, entao, todos os brasileiros devem esperar encontrar em suas genealogias alguem com a assinatura Furtado no nome. Duvido muito que alguem mais ira sentir-se diminuido depois de saber que todos nos somos Furtado.

     Outra realidade triste de se saber eh que os brasileiros foram formados com a participacao de muitas indigenas que tiveram seus familiares mortos, foram rapitadas e violentadas e viveram em cativeiros para fornecer filhos aos seus senhores. O mesmo se diga das africanas. E nos ainda iriamos ter alguma reserva quanto a sermos rebentos de relacoes extra-conjugais?

     Nos nao podemos ignorar o passado. Tambem nao podemos deixar que ele se repita. Como dizem os americanos: “Precisamos virar as costas para o passado”, e acrescento: Nao se pode deixar que o passado nos impeca de seguir em frente e vencermos na vida.

     O importante eh sabermos que so seremos ilegitimos por causa dos nossos proprios atos e nao por causa dos atos de nossos ancestrais.

     E deixo estas notas aqui com dois objetivos. Se nao conseguir confirmar os dados passados pela Moema, pelo menos outros terao onde recomecar a pesquisa. E se alguem da familia tiver a foto de d. Maria de Magalhaes Barbalho que a Graca busca, favor enviar-me ou a ela propria.

     Tambem busquei o contato com uma “prima” cujo nome eh Neide Coelho de Andrade. Ela deixou uma mensagem nas paginas do nosso amigo Luiz Claudio Passos dizendo que o pai se encontra em uma idade avancada e que gostaria de leva-lo a Virginopolis para rever o lugar onde ele nasceu e cresceu. Bom, eu somente farejei mas precisava ter a certeza e talvez direciona-la melhor para procurar algo mais exato.

     Pela foto dela no Facebook imaginei logo ser gente da familia da bisavo Ercila Coelho de Andrade. Loira dos olhos claros e muitas semelhancas na feicao. Me apresentei mandando alguns dados da familia porque ela mostrou nao ser familiar aos locais por ser de Belo Horizonte. Nao tivemos tempo ainda de fazer todas as confirmacoes mas ela ja confirmou coisas que levam a concluir que somos mesmo parentes.

     O nome do avo dela era Salvio Coelho de Andrade. Contou-me que foi criado com os Barbalho mas nao especificou nomes. Como ela nao conheceu ninguem, ja ficou satisfeita em saber que o pai sabia do que estava falando ao dizer que a familia Coelho era grande e outros detalhes particulares dos parentes. Nao consegui ainda uma ajuda de parentes mais velhos que tenham conhecido o sr. Salvio e que saibam coloca-lo no lugar certo em nossa Arvore.

     Alias, esse tem sido o meu problema em relacao `a parentalha da Dindinha Ercila. Temos os dados apenas da descendencia dela por ela ter sido esposa do bisavo Marcal de Magalhaes Barbalho. Alem disso, conheco pessoalmente algumas pessoas soltas, e tambem por ouvir dizer, sem saber como explicar o nosso grau de parentesco.

     Mas o que mais ou menos me fez fechar as contas em torno de decidir se somos ou nao parentes foi o que disse a Neide. O avo Salvio era usuario de rape e colocava no nariz dela quando crianca. No minimo para rir-se da reacao. Quem conheceu a tia Tete sabe do que estou falando.

     O mais interessante eh ela ter falado que a chamavam de Clarice e Salica quando crianca. Estas mencoes eram a pessoas que, julga ela, terem sido irmas do avo Salvio. Quanto a Salica tive duvidas porque este foi o apelido tambem de Maria Salome Coelho Lacerda. Ela foi a esposa do Cesario de Souza Coelho, filho dos tios-bisavos: Emygdia Honoria Coelho e Amaro de Souza Silva.

     D. Salica deve ter sido muito querida em Divinolandia de Minas e ali todos a deveriam tratar como se fosse uma tia, mesmo dos que nao era. Mas ha a possibilidade de a Neide ter parentesco tanto com os Coelho de Andrade quanto com os Coelho Lacerda, por via materna.

     Mas Clarice ou Clarissa, a Historia eh outra. Este eh nome da irma da Dindinha Ercila. Sandra, filha do Geraldo do tio Daniel e filha da d. Ligia, filha da tia Biloca contou-me algo a respeito da Clarice. A descricao bate exatamente com o ser bem clara, olhos claros e parecer-se assim como se ve nas fotografias da Dindinha Ercila.

     Por outro lado, a Julia Ilce, filha da tia Olga contou-me que a Clarice quando ia visitar a sobrinha, indo aquela a Virginopolis, sempre almocava. E mal pegava o prato de comida ia logo dizendo: “Oh Olga minha filha, de ca a sua pimenta ai porque essa sua comida so desce com muita pimenta!” Tia Clarice era de uma franqueza incrivel e `as vezes petulante.

     O segundo adagio me foi contado pela prima Roxane Barbalho, tambem bisneta dos bisavos Ercila/Marcal. Segundo ela, a tia Clarice saia de Divinolandia a pe para ir a Virginopolis. Nao mandava avisar com antecedencia. Alguem passava por ela, e outra irma que a acompanhava, e logo dava o recado ao vovo Cista de que a tia dele estava na estrada.

     O vovo Cista mandava colocar logo o cavalo na charrete e saia rapido para encontrar-se com ela na estrada. Seja qual for o ponto em que eles se encontravam, dai para frente ela passava um sabao nele, porque ele nao tinha chegado mais cedo! Esta era a nossa tia Clarice. Uma joia rara. Mas parece que nao se casou.

     Nestes dias em que estou escrevendo, a Neide e eu temos encontrado os sinais de que temos mesmo alguns ancestrais comuns recentes. Ela esta verificando um monte de informacoes que passei mas tem que esperar a oportunidade em que o pai dela, sr. Delmiro (Didi) Coelho de Andrade possa ajudar. As oportunidades sao poucas. Antes que ela pudesse verificar todas as minhas mensagens ele havia passado a informacao de que o nome do pai dele era Salvio Coelho de Andrade e o pai dele seria o Juca Jose Honorio.

     Assim, ficamos num pequeno impasse. O Apelido do trisavo Joaquim Coelho de Andrade era Joaquim Honorio. Supoe-se que o Honorio fosse o nome do pai dele. Por outro lado, o apelido Juca, normalmente esta vinculado aos homens que se chamam Jose. Existem outras razoes, como o falecido Gerson, filho do tio-avo Bernardido, que tinha o apelido de Juquinha. Outro Juca na familia se chama Italo. Em ambos os casos os apelidos vem da gozacao de terem algo de parecido com o velho Juca, o Jose Batista Coelho Junior, o vovo Juca, tio de ambos.

     Portanto ha ali a possibilidade de ser o Jose, filho do Jose do Honorio. A principio estavamos pensando somente na possibilidade de o trisavo Joaquim Honorio ser o nosso ancestral comum. As tradicoes de familia somente recordam a presenca do Joaquim Honorio em Divinolandia. Mas ai pode haver um pequeno direcionamento errado porque ele deve ter ido para la quando estavam desbravando a regiao. Seria natural que estivesse associado com filhos mais velhos, irmaos, primos, parentes dos parentes e genros. Ou alguem da familia ja estivesse posto la o pe primeiro.

     Nossas tradicoes dizem que o bisavo Marcal de Magalhaes Barbalho encontrou a familia do Joaquim Honorio morando numa fazenda entre Guanhaes e Itabira. E ao ver os olhos verdes da Dindinha Ercila, propoz logo o casamento, requerendo antes que ela estudasse. Era ela muito mocinha. Ele proprio teria pago os estudos dela em Diamantina. Quando se casaram ela estava com apenas 17 anos. Entao, presumia-se que ele teria sido quem deu apoio aos sogros Joaquim e Joaquina para conquistarem seu quinhao de terra em Divinolandia de Minas, a proxima cidade depois de Virginopolis.

     Mas, mesmo assim, pode ser que o Joaquim Honorio nao tenha ido sozinho e tenha levado a parentalha. Haveria mesmo a possibilidade de que a avo Joaquina Umbelina da Fonseca ja fosse aparentada com um dos fundadores de Virginopolis, o Jose Antonio da Fonseca. Ele tambem ja poderia estar la para dar apoio aos parentes. Afinal, o local onde eles habitaram, dizem chamar: Corrego dos Honorios, e nao